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terça-feira, 14 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28183: Tabanca Grande (583): Eduardo Manuel Vieira de Brito de Azevedo, ex-Alf Mil Inf do GA 7, 1973/74, grão-tabanqueiro n.º 917

1. Mensagem enviada ao editor Luís Graça em 25 de Junho de 2026, pelo camarada e novo amigo da Tabanca Grande, Eduardo Manuel Vieira de Brito Azevedo, ex-Alf Mil Inf, que fez a sua comissão de serviço no GA 7 entre Dezembro de 1973 e Setembro de 1974:

Caro camarada Luís Graça,
Na sequência da troca de mensagens sobre o assunto com o meu ex-cunhado Luís Vaz, e agradecendo desde já a disponibilidade que me concedes para integrar o Blogue que criaste e diriges, seguem abaixo e em anexo os elementos solicitados.

Desde já, o meu muito obrigado e uma saudação muito especial aos camaradas da Tabanca.
Eduardo


Alf Mil Inf Eduardo Manuel Vieira de Brito de Azevedo

Nota biográfica:

- Eduardo Manuel Vieira de Brito de Azevedo;
- Alf. Mil. de Inf. (Nº Mecº. 05074273);
- Nascido a 15 de junho de 1952 em Angra do Heroísmo, onde reside;
- Cumpriu serviço militar no GA7, Guiné-Bissau, de dezembro de 1973 a setembro de 1974;
- É doutorado em Ciências Atmosféricas e Prof. Jubilado da Univ. dos Açores;
- É Project Manager e investigador na “Eastern North Atlantic (ENA) Atmospheric Observatory”, uma infraestrutura científica financiada pelo DOE dos EUA e operada pelo Los Álamos National Laboratory;
- É membro da Academia de Marinha, Director do Observatório do Ambiente dos Açores e Comendador da Ordem da Instrução Pública.

Foto actual do nosso amigo Eduardo Manuel Vieira de Brito de Azevedo

2. Comentário do editor CV:

Caro Eduardo Azevedo,
Em nome do editor Luís Graça, demais colaboradores permanentes e tertúlia em geral, estou a receber-te e a dar-te as boas-vindas à tertúlia. Vais ocupar o simbólico lugar 917 da nossa tertúlia, equivalente ao número de camaradas (mortos e vivos) constantes nas nossa listagem.

A maioria da tertúlia deste blogue é composta por antigos combatentes da Guiné, militares do Quadro Permanente, amigos da Guiné-Bissau e combatentes de outros TOs, como foi o caso do Carlos Cordeiro, Furriel Miliciano em Angola nos anos de 1969/70/71, infelizmente já falecido, também ele professor na Universidade dos Açores.

Como tinha uma filha residente na cidade do Porto, vinha aqui muitas vezes pelo que acabei por conhecê-lo pessoalmente. Sempre que era possível combinávamos um encontro. Nas comemorações do Dia 10 de Junho, comemorado aqui em 2017, quis desfilar a meu lado. Sendo irmão do malogrado Capitão Paraquedista João Costa Cordeiro, falecido num estúpido acidente durante um salto de treino na Guiné, quis fazer parte da nossa tertúlia onde tem participação activa. Infelizmente uma doença grave levou-o prematuramente.

É da praxe pedirmos aos novos elementos da tertúlia a sua colaboração para a feitura da nossa memória colectiva, aquela que queremos escrita na primeira pessoa, nós próprios.

A tua permanência na Guiné coincidiu com o fim do império e a entrega das então províncias ultramarinas aos respectivos povos, pelo que nós, os mais velhos, temos uma particular curiosidade em saber como cada um de vós viveu esse período. Aceitamos memórias escritas e fotografadas. Contamos contigo.

Pessoalmente tenho uma admiração particular pelos compatriotas insulares, nem melhores nem piores, mas diferentes, porque o mar nunca foi um obstáculo para poderem alcançar uma vida melhor, em qualquer ponto de Portugal ou na diáspora. Tenho contacto permanente com o camarada José da Câmara, um compatriota das Flores emigrado nos Estados Unidos. Também o conheço pessoalmente apesar da distância que nos separa. Fez de mim seu mano e da sua família nossa família adoptiva.

Fui para a Guiné integrado numa companhia madeirense, a CART 2732, e curiosamente fomos substituídos em Mansabá por uma companhia açoriana, a CCAÇ 2753. O Estado português proporcionou-me umas férias pagas, com tudo incluído, na Madeira, antes da ida para a Guiné. Posso dizer que estou grato à vida por me ter proporcionado bons amigos medeirenses e açorianos, que apesar de longe estão tão perto de mim.

Despeço-me, deixando-te um abraço e os votos de saúde.
O camarada e novo amigo
Carlos Vinhal

______________

Nota do editor

Último post da série de 14 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28097: Tabanca Grande (582): Isaías Teles, superintendente da PSP, na situação da reforma, grão-tabanqueiro nº 915: uma viagem em 2018 para ir "partir mantenhas" com o régulo e as gentes do Saltinho

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28112: Tabanca da Diáspora Lusófona (40): quantos portugueses e lusodescendentes há no mundo (e em especial no "Novo Mundo") ? E qual o universos dos lusófonos ? Teremos mais de 30 milhões de portugueses e lusodescententes e c. 3 centenas de milhões de lusófonos - Parte I









Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Imagem:  Vilma e João (2018)

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


1. João e Vilma, desta vez consegui fintar os "filtros" do ChatGPT, a IA americana que é tão ciosa da vossa privacidade... Disse-lhe: "Faz-me lá um 'boneco' ('cartoon', bem humorado), tendo como cenário a Tabanca da Diáspora Lusófona (que pertence ao universo da Tabanca Grande, a mãe de todas as tabancas).... Tem sede (simbólica) em Queens, Nova Iorque... O régulo é o conhecido luso-americano João Crisóstomo, figura pública, ativista social, etc., secretariado pela luso-eslovena-americana Vilma Kracun... 

"Bom, a Tabanca  devia estar cheia, a abarrotar... Mas não, são só  por enquanto meia dúzia de bravos camaradas, de ascendência portuguesa, dispersos, pelo 'Novo Mundo' (Canadá, EUA, Brasil...), África, Ásia, Austrália... E, claro,  Europa, o "Velho Mundo" (por excelência), que se está a tornar cada mais xenófobo e racista, para desventura nossa"... 

EUA > Nova Iorque > Mineola > 2018 > Vilma Kracun Crisóstomo e João Crisóstomo, na Parada alusiva ao Dia de Portugal, em Mineola, NY, 10 de junho de 2018. A Vilma é de origem eslovena, naturalizada americana, portuguesa de coração.



 O régulo João Crisóstomo  muito tem feito, de megafone e telefone em punho, para convocar as "ovelhas tresmalhadas deste grande rebanho" (sem ofensa para ninguém, afinal, somos todos do reino "animal", da classe dos "mamíferos", com lã ou sem lã, antes de sermos "primatas" (ordem) e depois "humanos" (género Homo, espécie H. sapiens).

Diáspora lusófona,  dizes tu ?!... O Portugal europeu representa hoje uma fração muito pequena (pouco mais de 3%) do universo global de "quem sente, pensa e fala em português", da luso-guineense Tita Pipoka ao escritor moçambicano Mia Couto (que ainda não ganhou o Prémio Nobel da Literatura só porque é...africano branco, isto é, aos olhos dos suecos tem o pecado original de ser filho de... colonialistas).

A nossa língua há muito que deixou de nos "pertencer", a nós, portugueses europeus (pese embora alguns chauvinistas, puristas, colonialistas, supremacistas e outros "istas", que sobraram dos escombros do "império", e que se consideram "donos e senhores da língua portuguesa"...).  

Entendamo-nos, e sem querer ferir as suscetibilidades, muito menos os "pergaminhos" de ninguém: o português há muito que não é  "exclusivamente europeu",   tornou-se um idioma verdadeiramente pluricontinental, atlântico, global...A culpa foi dos que não deram ouvidos ao "velho do Restelo" (*). 

2. Para quem não sabe, o português é a língua oficial de 9 países espalhados por quatro continentes: Europa, América, África e Ásia. E é falado em todos os continentes, incluindo o Círculo Polar Ártico (pelo Zé Belo e as suas renas).
Estes países formam a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)
  • Europa: Portugal
  • América: Brasil
  • África: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique e São Tomé e Príncipe
  • Ásia: Timor-Leste.
Além destes países, o português também possui o estatuto de língua oficial na Região Administrativa Especial de Macau, na China. 
 Atualmente, estima-se que existam cerca de 290 a 300 milhões de lusófonos em todo o mundo. É a quarta língua materna mais falada no planeta (atrás do mandarim, do inglês e do espanhol) e a mais falada no Hemisfério Sul.
Mas antes de apresentarmos o retrato estatístico atualizado e o "mapa" desta nossa vasta pátria geopolítica e cultural, respondamos à pergunta: 

(i) quantos portugueses e descendentes de portugueses há no mundo, e nomeadamente no "Novo Mundo" (Brasil, Canadá, EUA, Venezuela, etc.)? Claro que nem todos falam o português... 

(ii) a outra pergunta é: quantos lusófonos há no mundo ? 

Com a ajuda de 3 ferramentas de IA e outras fontes disponíveis na Net (Wikipedia, Observatório da Emigração, etc.) , vamos tentar responder, aproximadamente,  a estas duas perguntas, suscitadas  em parte pelas imagens que nos chegam, pela televisão (que eu não vejo, só espreito), por estes dias em que está a decorrer o Campeonato do Mundo de Futebol (11 de junho - 19 de julho) no "Novo Mundo" (EUA, Canadá e México). 

Para teres teres informação mais detalhada, camarada, consulta o Observatório da Emigração  (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) | ISCTE | Instituto Universitário de Lisboa)

3. Diz o ChatGPT, que "é impossível dar um número exato, porque depende muito da definição de 'descendente de portugueses'. Se contarmos apenas filhos e netos de emigrantes recentes, o total é relativamente reduzido; se incluirmos pessoas com qualquer ascendência portuguesa, especialmente no Brasil, os valores tornam-se enormes."

E faz a seguinte estimativa  estimativa aproximada:
  • Brasil: entre 80 e mais de 150 milhões de pessoas terão alguma ascendência portuguesa, dependendo dos critérios utilizados;
  • muitos historiadores consideram que a esmagadora maioria da população brasileira possui pelo menos alguma herança portuguesa devido aos séculos de colonização e miscigenação;
  • Estados Unidos: cerca de 1,3 a 1,5 milhões de pessoas identificam-se como portuguesas ou luso-descendentes;
  • Canadá: aproximadamente 500 mil a 600 mil luso-descendentes;
  • Venezuela: as estimativas variam bastante, mas apontam para algumas centenas de milhares de pessoas de origem portuguesa.

Conclusão do ChatGPT (que dá importância ao critério da ancestralidade): no conjunto das Américas ("Novo Mundo"), "uma estimativa prudente situa o número de portugueses e descendentes de portugueses em mais de 85 milhões de pessoas, sendo que o Brasil representa de longe a maior parcela. Dependendo da definição de “descendente”, esse total pode ser significativamente superior".

Desde quando existe esta presença, perguntamos nós?

Resposta da ferramenta de IA: 

A presença portuguesa na América remonta ao início do século XVI:

1500: chegada da expedição de Pedro Álvares Cabral ao território que viria a ser o Brasil.

  • Séc. XVI a XVIII: colonização intensa do Brasil, com sucessivas vagas de povoadores portugueses vindos do continente, dos Açores e da Madeira.
  • Séc. XVIII: o ciclo do ouro em Minas Gerais atraiu dezenas de milhares de emigrantes portugueses.
  • Séc. XIX e XX: grandes vagas migratórias dirigiram-se não só ao Brasil, mas também aos Estados Unidos, Canadá, Venezuela, Argentina e Uruguai, impulsionadas por razões económicas e sociais.

Assim, "a presença portuguesa na América tem mais de 500 anos de história, e a sua influência demográfica e cultural é particularmente marcante no Brasil, onde moldou profundamente a língua, as instituições e a composição da população". 

4. O Gemini/Google é mais restritivo na estimativa, mas confirma ou complementa a informação anterior, baseando-se sobretudo nos censos e outras fontes demográficas:

A presença portuguesa nas Américas é vasta, profunda e recua aos primórdios da própria chegada dos europeus ao "Novo Mundo". Se contabilizarmos tanto os cidadãos nascidos em Portugal (emigrantes de primeira geração) como os seus descendentes diretos e indiretos (várias gerações que mantêm ou declaram essa ancestralidade), os números variam significativamente dependendo do critério estatístico e do país.

Estima-se que existam hoje mais de 7,5 milhões de portugueses e lusodescendentes espalhados pelo continente americano, com o Brasil, os Estados Unidos e o Canadá a concentrarem a esmagadora maioria.

Distribuição Atual nas Américas (estimativas)

  • Brasil (aproximadamente 5 milhões)

O Brasil é o maior reduto da lusofonia e da diáspora no mundo.

Nacionais e descendentes diretos: estima-se em cerca de 5 milhões o número de pessoas que são cidadãos portugueses ou descendentes até à 3ª geração.

Ancestralidade geral: se recuarmos mais no tempo, a esmagadora maioria da população brasileira (particularmente nos estados do Sudeste e Sul) possui algum grau de ascendência portuguesa profunda, embora muitos já não se identifiquem estatisticamente como "lusodescendentes", mas sim puramente como brasileiros.

  • Estados Unidos (c. 1,45 milhões)

Segundo os dados consolidados do Censo norte-americano, existem cerca de 1,45 milhões de cidadãos que declaram formalmente a sua ancestralidade portuguesa ("Portuguese Americans").

Distribuição: A maior comunidade em números absolutos reside na Califórnia (mais de 300 mil), seguida de perto por Massachusetts (cerca de 265 mil) e pela Flórida (cerca de 90 mil). Em termos de densidade, o pequeno estado de Rhode Island lidera, onde quase 7% a 8% da população tem origens lusas.

  • Canadá (c. 450 mil a 480 mil)

Uma comunidade muito sólida, concentrada maioritariamente na província do Ontário (sobretudo em Toronto) e no Quebeque (Montreal). A grande maioria tem raízes profundas no arquipélago dos Açores.

  • Venezuela e resto da América Latina (Cerca de 400 mil a 500 mil)

A Venezuela acolheu uma das maiores vagas de emigração portuguesa na segunda metade do século XX (sobretudo oriunda da ilha da Madeira). Embora a crise política e económica do país tenha levado muitos a regressar ou a reemigrar, estima-se que a comunidade (entre cidadãos e lusodescendentes) ainda ronde as 300.000 a 400.000 pessoas.

Há ainda núcleos históricos de dimensão relevante na Argentina (cerca de 40.000) e no Chile.

Desde quando? (As vagas históricas da migração transatlântica)

A cronologia da fixação portuguesa nas Américas divide-se em momentos muito distintos:

  • Séc. XVI:  a fixação pioneira

No Brasil: começa imediatamente após a chegada de Pedro Álvares Cabral em 1500, intensificando-se a partir de 1530 com a criação das Capitanias Hereditárias e a necessidade de povoar o território face às ameaças francesas e holandesas.

Na América do Norte: embora navegadores como João Rodrigues Cabrilho tenham explorado a costa da Califórnia ao serviço de Espanha em 1542, a fixação foi residual nesta época.

  • Séc. XVII e XVIII: o ouro e as primeiras minorias

Brasil: o século XVIII (com o ciclo do ouro em Minas Gerais) provocou a primeira grande vaga migratória em massa de Portugal para o Brasil. Cerca de 600 mil portugueses, sobretudo do Minho e do Norte, cruzaram o Atlântico.

América do Norte: surge a fixação de pequenas comunidades de judeus sefarditas de origem portuguesa que, fugindo da Inquisição (via Holanda), se estabeleceram em locais como Nova Amesterdão (atual Nova Iorque) e Newport (Rhode Island), fundando as primeiras sinagogas do país.

  • Séc. XIX: a pesca da baleia e a emigração organizada

EUA: A partir de meados do século XIX, os navios baleeiros da Nova Inglaterra (New Bedford) recrutavam tripulações nos Açores e na Madeira. Muitos destes homens fixaram-se na Costa Leste ou seguiram para a Califórnia durante a "febre do ouro" de 1849, estabelecendo-se mais tarde na agricultura e na pecuária leiteira (no Central Valley).

Brasil: com a independência do Brasil (1822) e o fim gradual do tráfico de escravos, o país continuou a atrair centenas de milhares de camponeses e operários portugueses para as cidades (Rio de Janeiro e São Paulo) e para as plantações de café.

  • Séc. XX: o "boom" moderno e os refugiados do vulcão do Faial

Canadá e EUA: a emigração para o Canadá começou formalmente de forma organizada em 1953 (com a chegada do navio Saturnia). Nos EUA, a imigração açoriana ganhou um impulso gigante após a erupção do Vulcão dos Capelinhos (Faial, 1957/58), que levou à aprovação do "Azores Refugee Act" pelo governo americano, facilitando a entrada de milhares de famílias.

Venezuela: entre as décadas de 1950 e 1970, o forte crescimento económico do país atraiu milhares de portugueses (com forte incidência da Madeira), que se dedicaram ao comércio, panificação e construção civil.

Conclusão da Gemini / Google:

"Essa teia secular faz com que a presença portuguesa nas Américas hoje seja tanto uma herança histórica profunda (fundacional em países como o Brasil) como uma realidade associativa e cultural muito viva e influente nas estruturas sociais e económicas dos EUA e do Canadá."

5. Vejamos o que nos diz a francesa Vibe / Mistral, valente concorrente europeia das "gigantes tecnológicas" norte-americanas

Luís, aqui tens uma síntese clara e documentada sobre a presença portuguesa e de descendentes nas Américas:

Números atuais (2026):
  • Estados Unidos: cerca de 1,3 milhões de pessoas identificam-se como portugueses ou luso-descendentes, com maior concentração em Massachusetts, Califórnia, Rhode Island, Nova Jérsia e Flórida, destes, 22,49% ainda fala português em casa, além do inglês;
  • Brasil: entre 500 mil e 700 mil portugueses migraram para o Brasil durante o período colonial (1500–1822);
  • entre 1500 e 1820, estimam-se 605.000 portugueses emigrados para as Américas, tornando Portugal o segundo maior emissor europeu de migrantes para o continente, atrás apenas da Grã-Bretanha.

Total global (diáspora): estima-se que existam quase 5 milhões de portugueses e luso-descendentes espalhados pelo mundo, somando cerca de 15 milhões de pessoas (incluindo os residentes em Portugal).

O Observatório da Emigração ( do COES - ISCTE) vai mais longe: 

Em 2026, o total de portugueses e luso-descendentes no mundo é estimado em 31,2 milhões (observatorioemigracao.pt).

Histórico da migração

Início: a presença portuguesa nas Américas remonta ao século XVI, com os primeiros fluxos significativos para o Brasil logo após 1500. 

Entre 1500 e 1820, 605.000 portugueses emigraram para as Américas, principalmente para o Brasil, mas também para os EUA (ex.: caça à baleia nos Açores, plantações de cana-de-açúcar no Havai, indústria têxtil em Massachusetts)

Fases principais:

  • 1500–1820: migração para o Brasil colonial (500–700 mil).
  • 1800–1870: caça à baleia (Açores → Nova Inglaterra, Califórnia, Havai).
  • 1870–1920: Trabalho em plantações (Havai), indústria têxtil (Massachusetts, Rhode Island) e agricultura (Califórnia).
  • 1920–1950: Diminuição da emigração.
  • Pós-1950: Retomada com o "Azorean Refugee Act" (após erupção do vulcão dos Capelinhos, Faial).

Destinos e integração:

  • EUA: a comunidade luso-americana é hoje mais dispersa, com crescimento em estados como Flórida, Texas e Geórgia; os lusodescendentes que falam português têm nível de escolaridade superior à média americana (40% com ensino superior) e trabalham mais em áreas técnicas e de consultoria;
  • Brasil: os portugueses foram um dos principais grupos formadores da população brasileira, ao lado de ameríndios e africanos; a  migração foi especialmente intensa nos séc. XVIII e XIX, com picos durante a exploração do ouro e do café.

Nota da Vibe/Mistral: Os números totais para as Américas (Norte, Central e Sul) não estão consolidados num único estudo, mas somando as estimativas para os EUA (1,3M) e Brasil (descendentes de 500–700 mil migrantes coloniais + migrações posteriores), é seguro afirmar que há vários milhões de luso-descendentes nas Américas, com origem na migração que começou há mais de 500 anos. (**)

 (Pesquisa: LG + IA (ChaGPT / Open AI | Gemini / Google | Vibe Mistral AI)
(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos, links_ LG)

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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 18 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28110: Humor de caserna (275): E se os portugueses nunca tivessem chegado ao Brasil?

(**) Último poste da série > 5 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27704 Tabanca da Diáspora Lusófona (39): (In)confidências: fui para Montariol, em 1954, com 10 anos, pela mão do João Maria Maçarico (n. 1937), e para a tropa aos 19, em 1964... (João Crisóstomo, Nova Iorque)

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P27994: Em bom português nos entendemos (32): Ainda a papaia e o mamão: são da mesma espécie botànica, frutos da Carica papaya, ...mas de variedades diferentes



Guiné-Bissau > Bissau > Quintal do "nosso embaixador" Patrício Ribeiro > Abril de 2026 >  Uma papaieira (árvore caricácea que produz a papaia, nome científico Carica papaya).  uma linda papaia madura (parece-nos, pela cor): impensável ser exposta, para venda, na banca de qualquer grande superfície cá do "Puto"... É como a batata-raiz-de cana, feia, rugosa, de olhos virados para dentro, difícil de cascar (aliás, coze-se com a pele),  "anormal",  por isso, "perdeu valor comercial" e deixou-se de cultivar... Mas hoje é produto "gourmet". O mercado é cruel... para os "pobres, anormais, feios, porcos e maus"...

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]






Papaia é a mais pequena, mamão a maior... são variedades da espécie Carica papaya... 

Foto (e legenda): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Papaia ? Mamão ? Ou papaia e mamão  ? Vejamos a prova dos nove: o mercado é que faz os preços... e a língua as palavras.  Mas a ciência tem também uma palavra a dizer Neste caso,  a botânica...

De qualquer modo, nada como ir ao sítio  onde se compra e venda estes frutos tropicais... que vêm do outro lado do Atlântico, o Brasil, o 2º maior produtor mundial (com destaque para os estados do Espírito Santo e Bahia).

O dicionário (por exemplo, o Houaiss da Língua Portugesa) diz que é tudo a mesma coisa, são frutos da Carica papaya, espécie nativa do sul do México e América Central. E está correto, do ponto de vista botânico. 

A principal diferença está no tamanho e em pormenores como a forma, o sabor e a cor. No Brasil chamam mamão formosa ao fruto maior, e mamão papaia ao mais pequeno. O fornecedor é a Ftutana, uma conhecida grande empresa grossista do Brasil.

Em Portugal, o termo mamão designa as variedades maiores de Carica papaya (como o grupo Formosa). Ao fruto mais pequeno, em forma de pera, chama-se papaia propriamente dita (ou do tipo Solo). 

Em Angola e Moçambique, o termo papaia é mais comum, enquanto no Brasil domina o vocábulo mamão.  Em Cabo Verde e Guiné-Bissau, usa-se a palavra papaia.  Nos PALOP  começou-se  a usar o termo mamão por influência brasileira.  De resto, também encontrei, no hipermercado,  mamão do Algarve, Mais pequeno que o brasileiro mas ao mesmo preço.

Duas curiosidades: 

(i) uma, histórica: a papaia foi levada para a África e Ásia pelos portugueses e espanhóis durante a era dos Descobrimentos (a primeira "autoestrada" da globalização); e,   hoje,  países como a Índia e a Tailândia são grandes produtores;

(ii) outra, botânica: a  Carica papaya é dioica (há plantas macho, fêmea e hermafroditas); os cultivares comerciais são hermafroditas (para produzirem frutos sem polinização cruzada).


2. Fui ao Auchan do Alegro, Alfragide, passe a publicidade, e constatei que, na banca da fruta tropical, havia, ontem, a seguinte oferta:

(i) mamão ("Papaya formosa", na etiqueta) (via aérea, Brasil) a 4,59 € / kg, pesando cada unidade cerca  de 1,4/1,7 kg;

(ii) papaia  (pequena, de tipo Solo) (via aérea, Brasil) a  4,79€ / kg, pesando cada unidade c. de 350/450 gr.

Há uma diferença de 20 cêntimos, que não sei explicar, e que pode ser apenas diária ( dependendo de campanhas de promoção,  aspeto da fruta, etc.).

Só compro papaia às vezes, para saladas... E em dias de festa... É um luxo, para mais num país como o nosso que tem tanta variedade e riqueza de fruta ao longo de todo o ano, da pera rocha aos figos, dos morangos às clementinas, do melão à melancia, das romãs às laranjas, das uvas às maçãs, das ameixas às castanhas, das nêsperas aos alperces, em esquecer as frutas subtropicais e até tropicais da Madeira e Açores, bem como do Algarve... (O abacate. por exemplo, está a tornar-se o "ouro verde" do Algarve, com exportações crescentes para a Europa; e a Alfarroba, camaradas ? O antigo "chocolate do pobre", que também era comido por burros e cavalos, é hojé produto "gourmet": antigamente, a alfarroba era usada como substituto do cacau, hoje é usada em chocolates finos, gelados e até cerveja.)

Voltando à papaia (e ao mamão)... Comparei, pesei... e fotografei. Não comprei, nem provei...

Os dicionaristas podiam aproveitar estas subtilezas da vida real (introduzidas pela globalização) e não dizer  apenas que a papaia e o mamão são sinónimos... Enfim, a língua é felizmente  sempre maior, mais complexa, mais dinâmica, mais viva,  mais rica que todos os  dicionários juntos.  A vida passa a perna aos lexicógrafos, aos dicionaristas, aos botânicos, aos produtores, aos grossistas, aos consumidores...

3. Por outras palavras,  o mamão (Carica papaya 'Formosa') não é uma espécie diferente, é apenas uma variedade (ou um grupo de cultivares) da espécie Carica papaya.

Botanicamente, tanto o mamão (grupo Formosa) como a papaia (mais pequena, muitas vezes chamada de mamão tipo Solo) pertencem todos  à mesma família, e  à mesma espécie: Carica papaya.
  • grupo Formosa: esta variedade distingue-se por ser maior e mais pesada (pode chegar aos 2kg ou 3kg), ter uma polpa mais firme e uma casca mais resistente, o que o torna ideal para transporte (casca mais dura, e por isso é mais exportada);
  • além do tamanho, mais alongado, tem polpa alaranjada e sabor suave;
  • o nome Formosa está ligado à ilha de Taiwan (antigamente chamada Formosa), onde foram desenvolvidos muitos dos híbridos que consumimos hoje, como o famoso Tainung nº 1.
A papaia (tipo Hawai) é menor, mais doce, e de polpa alaranjada.

4. A diferença é a mesma em relação, por exemplo,  à maçã bravo-de-esmolfe e a maçã reineta, são variedades distintas, embora ambas pertençam à mesma espécie botânica (nome científico:  Malus domestica Borkh).

Onde estão as deiferençsa ?  São cultivares (variedades) diferentes: a maçã bravo-de-esmolfe (DOP); é uma variedade tradicional portuguesa, autóctone da região de Penalva do Castelo, conhecida pela sua polpa branca, macia, doce e muito aromática; a maçã reineta é geralmente mais ácida, firme e muito utilizada na culinária.

Outro exemplo: o ananás e o abacaxi (que comiamos bastante na Guiné). A espécie é a mesma (Ananas comosus, nome científico). 

O ananás (dos Açores e da Madeira, por exemplo) é mais arredondado, cultivado em estufas, colhido ao fim de 18 meses: o da Madeira mais doce e aromático (cultivado em estufas de vidro) (DOP); o dos Açores, mais ácido e perfumado (cultivado em estufas de pedra vulcânica). (Parece haver uma rivalidade amigável entre as duas regiões autónomas sobre qual o melhor ananás do mundo...)

O abacaxi, cultivado ao ar livre em climas tropicais (como na Guiné-Bissau), é tipicamente mais doce e alongado, com polpa amarela.

Uma pergunta final ao leitor: se o mamão e a papaia (ou o ananás e o abacaxi) são a mesma espécie, porque é que o mercado os trata de forma diferente? Será que, no fundo, a língua e a economia são também 'cultivares' da mesma realidade?
(Pesquisa: LG + Net + IA / Le Chat Mistral AI)
(Condensação, revisão / fixação de texto: LG)
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segunda-feira, 23 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27850: Notas de leitura (1907): "Os Descobrimentos Portugueses, Viagens e aventuras", I volume, por Luís de Albuquerque, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Editorial Caminho, 1991 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 13 de Novembro de 2025:

Queridos amigos,
Não resisti a fazer uma recensão ao volume I do bem-sucedido projeto em que estiveram envolvidos o eminente historiador Luís de Albuquerque e duas escritoras consagradas principalmente na chamada literatura infantojuvenil, mas que também atingem outras camadas jovens. 

Será o caso deste livro aliciante na escrita, bem ilustrado por Emílio Vilar, descreve acontecimento históricos numa linguagem altamente acessível, com boas tábuas cronológicas e ilustrações de navios e instrumentos de navegação, mostrando igualmente os primeiro navios portugueses, as armas e as armaduras que se usaram na conquista de Ceuta, etc. 

É evidente que possuímos boas histórias dos Descobrimentos Portugueses, mas nada se compara com este projeto que aponta para as camadas mais jovens, não foi por acaso que esteve incluído no Plano Nacional de Leitura. Leitura oportuna para os nossos netos, digo-vos eu.

Um abraço do
Mário



O grande talento de saber contar a jovens a saga dos Descobrimentos Portugueses

Mário Beja Santos

Um eminente historiador, o Professor Luís de Albuquerque, duas notabilíssimas escritoras do infantojuvenil, e muito mais, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, um ilustrador altamente qualificado, Emílio Vilar, entraram numa aventura que comportava tremendos riscos de insucesso: fazer uma História dos Descobrimentos Portugueses sugestiva para as camadas mais jovens. Assim surgiu "Os Descobrimentos Portugueses, Viagens e aventuras", I volume, Editorial Caminho, 1991.

“Concebemos uma estrutura simples e incluímos alguns aspetos geralmente omissos como, por exemplo, armas e instrumentos musicais utilizados na conquista de Ceuta, povos que habitavam no Norte de África, peripécias curiosas que por um motivo ou por outro não passaram à História. E pusemos de lado certos mitos que falseiam a verdade. Decidimos ainda escrever para cada período aquilo a que chamamos ‘Uma história possível’. Essas histórias, embora enquadradas nos parâmetros da época, são pura ficção. Destinam-se a permitir ao leitor um contacto mais direto com outras maneiras de viver, sentir, de pensar. Fizemo-las porque entendemos que o relato de conquistas, viagens e aventuras proporciona uma ‘visão exterior’ e as ‘histórias possíveis’ de uma ‘visão interior’ dos Descobrimentos Portugueses.”

O renomado historiador e as duas grandes escritoras ganharam a aposta, é um livro invulgar em termos didático-pedagógicos, assim até apetece aprender. E vamos ao essencial das suas mensagens.

Primeiro, o que era o mundo antes dos Descobrimentos, para se sair do lugar onde se vivia era preciso navegar no mar alto. 

“E o mar era um grande desconhecido. Ninguém lhe sabia os limites. Ninguém lhe sabia os segredos. E quando assim é torna-se fácil inventar. As histórias que circulavam enchiam as pessoas de pavor e de espanto. O desafio começava para além da linha do horizonte, onde se imaginava existir a boca do Inferno, ondas gigantescas de água a ferver, remoinhos borbulhantes, monstros terríveis, sereias e tritões. Todas as estas coisas assustavam a faziam sonhar, de modo que uns se agarravam cada vez mais ao lugar onde viviam enquanto outros ansiavam partir ao encontro de tais maravilhas. Só no século XV começou a grande aventura que permitiu desvendar o mundo. A iniciativa coube aos portugueses.”

Segundo, enquadra-se Portugal nas vésperas da aventura, as supostas razões dadas para conquistar Ceuta, seguem-se desenhos sugestivos com as armas e armaduras no tempo da conquista de Ceuta, as bandeiras e os instrumentos musicais usados na guerra, conta-se como foram as primeiras viagens dos portugueses, como fomos às Canárias, Madeira e Porto Santo, como se processou o povoamento destas duas ilhas, seguiu-se o povoamento dos Açores, entremeiam-se histórias maravilhosas para prender a atenção dos jovens.

Terceiro, como se pensava e como se representava a Terra, em planisférios e livros de geografia e viagens, como foram as primeiras viagens ao longo da costa ocidental africana, como foi fundamental a passagem do Cabo Bojador; como, depois do desastre de Tânger, se avançou para o Sul. 

Em 1441, o Infante D. Henrique mandou armar um navio capitaneado por Antão Gonçalves, ele levava a incumbência de capturar lobos-marinhos, aproveitaram a circunstância para tentar capturar gente. Foi Antão Gonçalves quem fez os primeiros cativos na costa ocidental africana. Prosseguem as viagens, chega-se ao Golfo de Arguim, Lançarote de Lagos capturou 235 homens, mulheres e crianças. No seu regresso, fez-se a partilha em lotes equivalentes, o cronista Zurara dá-nos um relato dilacerante.

Quarto, o quadro das viagens abria as portas ao Novo Mundo, seguem-se as expedições à procura de novas terras e novas gentes, morreu Gonçalo de Sintra, comandava uma nova expedição ao golfo de Arguim, Dinis Dias atingiu o Cabo Verde, Nuno Tristão chegou ao rio Senegal; e tem lugar a primeira viagem pelo interior africano, no rio do Ouro, João Fernandes pôs-se ao caminho, regressou sete meses depois, trazia muitas histórias para contar.

Um veneziano, de nome Cadamosto, contacta o Infante, e partiu rumo ao Sul, visitou a Madeira, as Canárias, o Golfo de Arguim, a zona do Cabo Branco, o Senegal, o reino de Budomel, Cabo Verde continental, o rio de Barbacins, visita o reino de Budomel, irão ser achadas as ilhas de Cabo Verde. E faz-se um balanço dos Descobrimentos henriquinos. 

Enquanto isto se passa há mais conquistas no norte de África. Entra-se numa nova época no reinado de D. Afonso V, faz-se um contrato com Fernão Gomes, ele pode comerciar por aquela costa africana, mas foi comprometido a descobrir pelo menos 100 léguas de costa por ano. Os seus navios descobriram a faixa de terra desde a Serra Leoa até ao Cabo de Santa Catarina, incluindo as ilhas de São Tomé e Príncipe e Fernão do Pó. Edifica-se o Castelo da Mina.

Quinto, é época dos Descobrimentos joaninos, as viagens de Diogo Cão, os contactos com o Reino do Congo, a Viagem de Bartolomeu Dias e a descoberta da passagem para o Índico. Inevitavelmente que se fala do gigante Adamastor e vamos saber um pouco mais quem eram Diogo Cão, Diogo de Azambuja e Bartolomeu Dias, não é esquecida a viagem venturosa de Pêro da Covilhã.

Neste tempo já há outros intervenientes à procura de comércio e riqueza pelo mar fora. Cristóvão Colombo, ao serviço dos Reis Católicos, atingiu em 1492 as ilhas da América Central e convenceu-se de que chegara à Índia. Surgiram delicados problemas político-diplomáticos entre D. João II e os Reis Católicos. O desfecho para resolver todas as tensões foi o Tratado de Tordesilhas, em 1494, Portugal e Espanha dividiram o mundo ao meio, ficando metade para cada um. 

No século XV, os monarcas ibéricos sentiam-se no direito de proceder assim e não reconheciam a nenhum outro país a autoridade para lhes disputar o Novo Mundo: todas as terras descobertas a oriente pertenceriam a Portugal, e as terras descobertas ao ocidente pertenceriam a Castela. 

“No Tratado ficou escrito também que astrólogos e pilotos se deviam deslocar à zona de demarcação, viajando os espanhóis em navios portugueses e os portugueses em navios espanhóis. Se por acaso lá houvesse alguma ilha ou ‘ponta de terra firme’, construía-se uma torre ou muralha que marcasse o limite de forma bem visível. Incluiu-se também uma cláusula autorizando os navios espanhóis a circularem pelo mar português para se dirigirem À zona que lhes coubera.”

Finda este belíssimo livro que pertenceu ao Plano Nacional de Leitura referenciando navios e instrumentos de navegação e fazendo-se um balanço dos Descobrimentos joaninos e temos ainda uma cronologia que vai do reinado de D. Dinis ao reinado de D. João II. O II volume deste belo empreendimento foi também publicado na Editorial Caminho em 1996, inevitavelmente começa com a viagem de Vasco da Gama.

Doutor Luís Albuquerque
Isabel Alçada
Ana Maria Magalhães
O Castelo da Mina
Os primeiros contactos
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Nota do editor

Último post da série de 20 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27840: Notas de leitura (1906): "Portugal em África depois de 1851 (Subsídios para a História)", pelo Marquês do Lavradio; edição da Agência Geral das Colónias, 1936 (7) (Mário Beja Santos)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27619: Humor de caserna (231): "Filhos da p*ta, m*rda, car*lho!... Quem me acode?!... Os filhos da p*ta... matam-me!": debaixo de fogo, até um padre diz asneiras: o capelão militar, madeirense, Adelino Apolinário Silva Gouveia, que o saudoso Alcídio Marinho (1940-2021), do Porto, Miragaia, evoca e homenageia aqui




Alcídio [José Gonçalves] Marinho (1940-2021), ex-fur mil inf, CCAÇ 412 (Bafatá, 1963/65); membro da nossa Tabanca Grande desde 23/9/2011, vivia no Porto, era de Miragaia; ei-lo aqui em Monte Real, no Palace Hotel, 4 de Junho de 2011, no VI Encontro Nacional da Tabanca Grande,  empunhando  o estandarte da CCAÇ 412, "Capacetes Verdes"; era um dos nossos "veteraníssimos", conheceu os duros anos do início da guerra no CTIG, foi Prémio Governador da Guiné, em 1964.

Foto: © Manuel Resende (2011). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
 



1. Esta história pícara, contada pelo nosso 
saudoso  Alcídio Marinho   (1940-2021), merece ser reproduzida (e comentada) aqui na série "Humor de caserna". 

É uma dupla homenagem, ao autor e  aos nossos capelães no tempo em que alguns deles acompanhavam as NT em operações no mato, com os riscos inerentes, nos primeiros anos da guerra.



Humor de caserna (231) >  "Filhos da p*ta, m*rda, car*lho! Quem me acode? Os filhos da p*ta... matam-me!": debaixo de fogo, até um padre diz asneiras: o capelão militar, madeirense, Adelino Apolinário Silva Gouveia

por Alcídio Marinho  (1940-1921)


Na lista dos 20 primeiros capelães militares que serviram no CTIG, de 1961 a 1974,  está o padre Adelino Apolinário da Silva Gouveia (*), que eu conheci: pertenceu ao BCAÇ 506.

Acompanhou o pessoal da CCAÇ 412 em muitas operações e deslocava-se aos vários destacamentos no mato, para rezar missa e dar apoio religioso e psicológico a todo  o pessoal. 

Era como um irmão nosso. Tive algumas conversas com ele. Era madeirense. Mais tarde, saiu de padre e casou, morava em Lisboa. [ Foi nomeado, por concurso , assessor principal do INIA - Instituto Nacional de Investigação Agrária, em 2002; conhecio-o pessoalmente, quando a Alice Carneiro trabalhava no Ministério da Agricultura e e Pescas. (LG)] 

O episódio mais caricato a que assisti, passado com ele, foi o seguinte:

A 27 de fevereiro de 1964 foi lançada a "Operação Marte" à Ponta de Inglês [, subsetor do Xime], onde a nossa companhia sofreu três emboscadas. 

Na primeira ficou ferido um soldado da minha secção, com um tiro de pistola, pelas costas. Ele que seguia pelo interior do mato, deu a correr para a estrada [Xime-Ponta do Inglês], apesar de lhe ter recomendado que,  em caso de ataque, enfrentasse o mesmo, que eu iria socorrê-lo. Quando olho para o lado, está ele deitado, dizendo:

– Marinho, estou ferido.

Verifiquei onde estava ferido e sosseguei-o, dizendo:

– Ó pá,  isso não é nada, tem calma, eu vou chamar o enfermeiro.

Tinha levado um tiro de pistola. Só se via nas costa do seu lado esquerdo, na direcção do baço, uma pequena roseta, por onde tinha entrado o projéctil e veio alojar-se na frente, onde se via uma pequena mancha escura. Nunca foi retirada e ainda, actualmente, se apalpa o projéctil, na sua barriga.

Na segunda emboscada eles atacaram mesmo junto á estrada, e um dos turras viu o capelão Apolinário Gouveia meter-se atrás da roda traseira dum Unimogue e toca de fazer fogo com uma PPSH ("costureirinha").

Então só se ouvia uma voz que gritava:

–  Filhos da pu...ta, mer...da, cara..lho! Quem me acode? Os filhos da puta... matam-me!

Começamos a atacar o local donde vinha o fogo, afastando o perigo do Unimogue. Eis, quando vimos sair,  debaixo do Unimogue, o Padre Apolinário Gouveia, branco como a cal da parede, com a pistola Walther na mão, tremendo todo como varas verdes. Começámo-nos todos a rir.

Diz ele:

– Se alguém disser o que ouviu e viu, eu juro, a pés juntos, que é tudo calúnias e participo do engraçadinho.

A malta ainda mais se riu. Continuámos a marcha, e sofremos a terceira emboscada. Fomos atacados por enxames de abelhas.

Naquele pedaço de estrada, nas árvores das bermas, tinham colocado, lá no alto, uma espécie de cortiços, pareciam melões, feitos de barro, onde estavam as abelhas. 

Quando começou a emboscada, atacaram-nos e, ao mesmo tempo, atiraram aos cortiços, que caíram e partiram, destruindo o habitat das abelhas.

Estas, furiosas, atacavam tudo e todos. Um motorista, o Cândido, caiu e as abelhas atacaram-no e, coitado, acabou por falecer. Tinha em cima dele mais de um palmo de abelhas.

Tirei do meu bornal um volume de tabaco , que distribui pelo pessoal, indicando que metessem nos lábios três ou quatro cigarros e os acendessem e soprassem para fora, fazendo fumo. Também cortámos capim e toca a fazer archotes para fazer fumo e afastar as abelhas, pois elas eram aos milhares.

Fui picado por uma abelha, na orelha direita que,  passado pouco tempo, ficou dura como uma tábua e do tamanho duma mão.

Entretanto, na refrega da emboscada, ouvimos e vimos o capitão Braga, descalço, tinha tirado as botas e tentava despir-se, parecia um louco e berrava muito.

Os pés já estavam todos queimados, eram duas horas e meia da tarde, o sol queimava e as areias da estrada torravam, de quentes que estavam (52º,  ao sol).

O furriel enfermeiro Silva teve que sedar o capitão. Aí acabou a operação. Toca a voltar para Xime e Bambadinca. 

Alcídio Marinho
CCaç 412

[Revisão / fixação de texto: LG]

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Lista dos capelães militares que serviram no CTIG, de 1961 a 1974 (excerto): são os primeiros vinte nomes da lista (de 1961 a 1966), de um total de 102 (Exército) (a Força Aérea e a Armada tiveram 7 e 4, capelões militares, no CTIG, respetivamente) (*).

Até à realização do 1º Curso de Formação de Capelães Militares (Academia Militar,  21 de agosto - 17 de setembro de 1967), eram todos voluntários, em princípio. E o seu número não ultrapassava a centena e meio. No 1º curso foram formados 58, incluindo os nossos grão-tabanqueiros Horácio Fernandes, Libório Tavares e Mário Oliveira, já falecidos.

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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 25 de outubro de 2016 > Guiné 63/74 - P16636: Os nossos capelães (5): Relação, até à sua independência, dos Capelães Militares que prestaram serviço no Comando Territorial Independente da Guiné desde 1961 até 1974 (Mário Beja Santos)
 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Guiné 61/74 - P26481: Notas de leitura (1771): A colonização portuguesa, um balanço de historiadores em livro editado em finais de 1975 (5) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 29 de Setembro de 2023:

Queridos amigos,
O historiador Hermann Kellenbenz faz um tipo de relatório de situação sobre aspetos histórico-económicos da expansão ultramarina portuguesa, não emite juízos quanto a um sugerido balanço. Reconheça-se o interesse pelo que escreve quanto a formas de povoamento, de presença portuguesa em fortalezas e postos de África, a natureza do comércio oriental, as etapas da colonização brasileira, o modo como os portugueses influíram no comércio mundial devido ao açúcar, às especiarias, ao ouro, às madeiras e ao comércio negreiro. O autor observa a falta de recursos humanos, e daí o abandono das praças do Norte de África, onde a beligerância era constante e os proventos baixos; como a presença portuguesa em África foi alterando as redes de negócio do ouro; as mudanças operadas após o descobrimento da rota do Cabo que trouxe uma cascata de preciosidades a Lisboa; e o bom exemplo da pimenta que era distribuída por toda a Europa, se bem que Portugal não possuísse o monopólio das especiarias e muito menos dos metais preciosos. Enfim, uma estimulante análise da vertente histórico-económica dos Descobrimentos portugueses. E assim se chegou ao fim da apreciação do livro Balanço da Colonização Portuguesa, que nos suscitou a curiosidade por ter sido editado precisamente em 1975.

Um abraço do
Mário



A colonização portuguesa, um balanço de historiadores em livro editado em finais de 1975 (5)

Mário Beja Santos

Iniciativas Editoriais foi uma editora altamente conceituada, dirigida por José Rodrigues Fafe, os temas sociopolíticos foram o seu polo atrativo. Lançou um projeto aliciante, o de juntar um conjunto de profundos conhecedores da historiografia da expansão/colonização portuguesa e pedir-lhes uma apreciação em jeito de balanço, estávamos no ano de 1975.

Responderam ao pedido vários historiadores e investigadores, já aqui se falou dos textos de Banha de Andrade, Frédéric Mauro, Charles Ralph Boxer e Joel Serrão. Vamos hoje despedirmo-nos com o contributo do historiador alemão Hermann Kellenbenz, intitulado Aspetos histórico-económicos da expansão ultramarina portuguesa.

Ele começa por várias interrogações: como foi possível a um país tão pequeno criar condições de povoamento nas suas possessões ultramarinas? Como foi financiada a expansão ultramarina? O que significou a expansão para a economia portuguesa? De que modo se enquadrou a expansão na economia europeia? Qual o seu significado para os territórios ultramarinos?

Procurando responder, conduz-nos às condições climático-geográficas do país, de terra pobre, com períodos consideráveis de seca e de chuva irregulares, o que pode explicar a concentração demográfica nas zonas costeiras; foi sempre permanente a escassez demográfica, apesar das conquistas feitas no Norte de África não foi possível penetrar no Norte de Marrocos, mas tudo sempre numa cadeia infindável de dificuldades, e a partir de 1541 perderam-se uma a uma as possessões conquistadas; os arquipélagos da Madeira e dos Açores eram áreas relativamente pequenas, suscitou poucos problemas, mas vieram colaborações do continente europeu e cedo se começou a utilizar a mão-de-obra escrava; os flamengos tiveram um papel importante no povoamento dos Açores e foram feitas concessões no povoamento de Santiago e outras ilhas de Cabo Verde; os povoadores que se apresentaram na Senegâmbia e S. Tomé eram descendentes dos judeus degredados; não havendo, pois, condições de povoamento intensivo e alargando-se o espaço da presença portuguesa em África e depois no Oriente, encontrou-se solução a criação de postos de apoio tanto militares como comerciais, caso de Arguim ou São Jorge da Mina; a partir de 1503, Cochim na zona orienta da Índia, tornou-se o principal reduto dos portugueses, o governador-geral Afonso de Albuquerque, o primeiro vice-rei da Índia, favoreceu a mistura de mulheres muçulmanas hindus em casamentos com portugueses.

Proposto escrever em que termos os portugueses estavam presentes no longínquo oriente, o historiador observa que a situação do Brasil era completamente diferente, recorreu-se aos sistemas de donatorias e sesmarias, os donatários eram principalmente mercadores, funcionários públicos, gente que se tinha distinguido na Índia, sem necessariamente descenderem de famílias aristocráticas. Passando para a questão do financiamento, o autor releva o espírito empreendedor dos portugueses, nomeadamente os da costa algarvia e o povo de Lisboa, chamo a atenção para a contribuição de burgueses como Fernão Gomes e Martim Anes Boa Viagem, no entanto, o financiamento dos Descobrimentos competia em primeiro plano à Coroa, e tece a seguinte consideração: “Os reis portugueses demonstraram um alto grau de inteligência acolhendo estrangeiros com capital e espírito empreendedor e dando-lhes a possibilidade de participar nos Descobrimentos.” – e refere nomes como o do veneziano Cada Mosto, o de genovês Antonio de Nola, e enumera também outros nomes de italianos e de alemães. A sede da organização da Coroa era a Casa da Índia que foi dissolvida em 1549, para facilitar a entrada de capital estrangeiro. Mas havia um senão: o aparelho financeiro da Coroa não se desenvolvera de acordo com as exigências crescentes das expedições ultramarinas – daí a dívida galopante e a incapacidade de lhe pôr termo dada a vida luxuosa que se praticava.

Qual o significado económico destas possessões ultramarinas? Ceuta rapidamente perdeu importância comercial que até aí detivera; as ilhas do Atlântico revelavam-se economicamente importantes, a Madeira fornecia madeira, urzela e peixe, o açúcar virá depois, será exportado para os mercados da Europa Central; os Açores tornaram-se produtores de cereais, exploravam a produção de tinta-pastel que era exportada sobretudo para os flamengos; Cabo Verde não se prestava muito à cultura da cana do açúcar, na Ilha do Fogo desenvolveu-se a cultura do algodão bem como a criação de gado bovino e cavalar e em ilhas inabitadas praticou-se a criação de gado caprino; em S. Tomé, em 1512, desenvolveu-se a cana açucareira, havia um total de 60 engenhos e 300 escravos; mas é importante relevar que Cabo Verde passou a ter um importante papel no comércio ultramarino português, devido ao ouro e aos escravos. Kellenbenz alarga-se na descrição deste fenómeno económico na costa ocidental africana, mas também no reino de Monomotapa, na África Oriental, aqui se adquiriu muito ouro que também vinha do longínquo oriente, de Sumatra e da Malásia. E dá enfâse ao tráfico africano de escravos, da maior importância a partir do último quartel do século XV, não deixando igualmente de mencionar o comércio da pimenta e a malagueta, mas não deixa de referir que a pimenta africana ficava muito aquém da pimenta vinda da Índia Oriental. Tece uma larga exposição sobre todo este comércio para depois mencionar o Brasil, primeiro pela exploração açucareira, com destaque para Pernambuco e Baía, depois o comércio do pau-brasil, muito apreciado em Lisboa, Antuérpia e Amesterdão.

Outra questão a responder à pergunta das consequências da expansão portuguesa na economia europeia. O autor afirma que é difícil estabelecer uma nítida separação entre a parte portuguesa e a espanhola, procura, no entanto, aferir o carregamento dos barcos e os portos a que se destinava tal carga, de Antuérpia a Danzig, e indiscutivelmente traziam novidade: “Os produtos que chegavam à Europa, as mercadorias africanas e asiáticas, alteraram completamente a antiga rota do Mediterrâneo. Os produtos vindos das ilhas do Atlântico e Brasil eram completamente novos. A importação de especiarias orientais é o setor mais interessante na rota do Cabo, alteravam-se as regras da concorrência e com o tempo o comércio no Mediterrâneo foi-se desvanecendo. E importa não esquecer que Portugal não possuía o monopólio das especiarias, Portugal era forçado a vendê-las para comprar os produtos apetecidos em África e na Ásia, acontecerá o mesmo com os nossos metais preciosos.” E daí a nova questão: como é que se verificou o domínio português na economia das regiões subjugadas: nas ilhas atlânticas houve povoamento, eram terra-virgem; nos pontos africanos era necessário apoio militar, e o autor recorda que os portugueses que vivam fora das fortalezas eram na sua maioria exilados, reclusos ou ventureiros, caso dos tangomaos na Guiné; e no tráfego de escravos faziam-se acordos com chefaturas africanas; recorda que o movimento comercial português no Índico devem ser observadas à luz da ligação com a viagem ao Oriente, era simultaneamente um sistema de alianças mas também podia envolver crueldade e intimidação; e tece considerações sobre a missionação fundamentalmente no Brasil e nalgumas parcelas do Oriente. Kellenbenz não formula qualquer juízo sobre qual o balanço da colonização portuguesa, a não ser estes tópicos de interações socioeconómico-culturais, tanto em África como no Oriente e Brasil.

Damos assim por findo um conjunto de sumulas em torno de uma iniciativa bem curiosa de se fazer um balanço da colonização portuguesa em pleno ano de 1975.

Para que conste.

Hermann Kellenbenz
Exploração açucareira no Brasil
Vista do Castelo de São Jorge da Mina, figura do século XVII, a fortaleza já está em poder dos holandeses
O tão apetecido pau-brasil comercializado por toda a Europa
Como se organizava uma missão jesuítica no Brasil, século XVII
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Notas do editor:

Vd. post de 3 de fevereiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26455: Notas de leitura (1769): A colonização portuguesa, um balanço de historiadores em livro editado em finais de 1975 (4) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 7 de fevereiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26471: Notas de leitura (1770): O Arquivo Histórico Ultramarino em contraponto ao Boletim Official, a governação de Vellez Caroço, totalmente distinta das anteriores (13) (Mário Beja Santos)