Data - Quinta, 12/02, 19:05 (há 11 dias)
Assunto - Boé
Caro Luís, li com interesse as histórias sobre o desastre de Cheche.
Eis aqui algumas fotografias minhas daquela visita.
Um AB
Henk
Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
No princípio da década de 1970, já havia mais de 3 centenas de estradas asfaltadas, sendo o maior troço o de Bafatá - Nova Lamego, com mais de 50 km. Até ao fim da guerra, ainda se farão mais 200 e tal quilómetros, e nomeadamente no sul. Destaque para o papel da Engenharia Militar e da empresa TECNIL (a que mais tarde, já depoois da independência, ficará ligado o nosso camarada António Rosinha).
Era assim a "Spínolândia" Fizeram -se mais quilómetros de estrada alcatroada em meia dúzia de anos do que nos últimos 500 anos de presença histórica portuguesa por aquelas paragens. Aplicando a estatística, foi um quilómetro por ano... em média.
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Lisboa: SPEME, 1971, 77, [5] p., fotos.
1. Qual o valor ("sentimental" mas também "documental") desta brochura do Estado Maior do Exército, que nos era distribuída já a bordo do navio que nos transportava para a Guiné (ou do avião dos TAM, a partir de finais de 1972) ?
Estamos a reproduzir a brochura da 3ª edição, de 1971. A primeira remonta a 1967 E A 2ª edição é de 1969. Presume-se que desta publicação, editada pelo SPEME (Serviço de Publicações do Estado Maior do Exército) tenham tido sido impressas dezenas e dezenas de milhares de exemplares.
Vamos continuar a reproduzir, sem comentários, a parte da monografia respeitante agora ao aspeto económico (pp. 51-65).
Esperamos que os nossos leitores possam fazer a sua apreciação (crítica) do documento. Tal como o PAIGC tinha os seus documentos de doutrinação e propaganda, também as NT tinham os seus.
"Missão na Guiné" não era um texto apenas técnico e informativo. Tinha uma componente político - ideológica, como acontece em todas as guerras.
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Já agora acrescente-se que a epidemia manifestou-se em três momentos distintos: (i) maio/junho de 1918: uma vaga moderada, com muitos contágios mas baixa letalidade; (ii) outubro/novembro de 1918: a vaga mais letal, que paralisou o país, sendo nesta fase que a doença se tornou fulminante, muitas vezes matando em menos de 48 horas; e (iii) início de 1919: uma última vaga menos intensa, mas que ainda provocou milhares de mortos.
A pandemia atingiu um país já de si fragilizado pela participação na I Guerra Mundial (Flandres, Angola e Moçambique), pela crise económica e financeira, pela instabilidade política do regime de Sidónio Pais e por graves crises de subsistência (fome, com todas as letras).
Foi o colapso do incipiente sistema de saúde: total incapacidade de resposta dos hospitais e do corpo médico; falta de caixões e coveiros; pânico generalizado com o fluxo constante de funerais (traduzido, por exemplo, na proibição dos sinos das igrejas tocarem a finados).
Face aos graves acontecimentos políticos e militares da época, e apesar da sua dimensão trágica, a pandemia acabou por ser rapidamente esquecida e manteve-se assim durante décadas. Voltou a falar-se da "pneumónica" aquando da pandemia de Covid-19 (2020/21).

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Cesário Verde, por Columbano (1887) |
III Ao gás
E saio. A noite pesa, esmaga. Nos
Passeios de lajedo arrastam-se as impuras.
Ó moles hospitais! Sai das embocaduras
Um sopro que arripia os ombros quase nus. (...)
IV Horas mortas
O tecto fundo de oxigénio, de ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-me a quimera azul de transmigrar.Por baixo, que portões! Que arruamentos!