
Fonte: Wikipedia
1. Comentário ao poste P27619 (*), assinado pelo José Teixeira (ex-1º cabo aux enf, CCAÇ 2381, "Os Maiorais" (Buba, Quebo, Mampatá, Empada, 1968/70); régulo da Tabanca de Matosinhos; um histórico do nosso blogue, onde tem mais de 450 referências):
Quanto ao humor no tempo da guerra, aí vai mais uma, que se perdeu no interior do Blogue.
Quando estava deslocado em Mampatá, tinha uma tarefa, em partilha com o alferes e furrieis, fazer uma ronda pelos postos de sentinela e ficar a conversar um pouco para ajudar a passar o tempo.
Uma bela noite, cheguei ao primeiro posto e sentei-me ao lado do sentinela. Passados uns dez minutos, ao levantar-me, senti um horror de picadas pelas pernas acima até aos tintins.
Como solução, foi tirar as calças e as cuecas, pendurá-las na ponta do cano da G3 emprestada e continuar a ronda pelos outros três postos.
Quanto às lassas, aprendi com um milícia no primeiro ataque que tive, em me colocar em estátua, sem mexer nem que passasse um car*lho pela boca! Lembram-se dessa!
Pois bem, nos outros dois ataques de abelhas, aguentei pianinho, de olhos fechados, sem me mexer. O zumbido era ensurdecedor, senti-as pousar, senti o vento que provocavam ao voarem à minha volta, mas saí incólume, a tempo de salvar um camarada, todo picado e alérgico.
Um bom ano.
Zé Teixeira
Esta alcunha resultaria da actuação da CCAÇ 763, pois ao chegar a uma povoação em que a população não fugisse, não haveria problemas, falava-se com a mesma e tentava-se resolver os problemas que houvesse. Em caso contrário, se a população fugisse e abandonasse as suas moranças, estas eram literalmente destruídas.
Pelo que ficou assim com este procedimento, a companhia crismada de 'Lassas'. (...)" (***)
Quanto ao humor no tempo da guerra, aí vai mais uma, que se perdeu no interior do Blogue.
Quando estava deslocado em Mampatá, tinha uma tarefa, em partilha com o alferes e furrieis, fazer uma ronda pelos postos de sentinela e ficar a conversar um pouco para ajudar a passar o tempo.
Uma bela noite, cheguei ao primeiro posto e sentei-me ao lado do sentinela. Passados uns dez minutos, ao levantar-me, senti um horror de picadas pelas pernas acima até aos tintins.
Como solução, foi tirar as calças e as cuecas, pendurá-las na ponta do cano da G3 emprestada e continuar a ronda pelos outros três postos.
Quanto às lassas, aprendi com um milícia no primeiro ataque que tive, em me colocar em estátua, sem mexer nem que passasse um car*lho pela boca! Lembram-se dessa!
Pois bem, nos outros dois ataques de abelhas, aguentei pianinho, de olhos fechados, sem me mexer. O zumbido era ensurdecedor, senti-as pousar, senti o vento que provocavam ao voarem à minha volta, mas saí incólume, a tempo de salvar um camarada, todo picado e alérgico.
Um bom ano.
Zé Teixeira
2. Comentário do editor LG:
Zé, no nosso blogue, nada se perde, e tudo se transforma. A tua história pícara das "formiguinhas, nossas amigas", já a localizei (**). Aliás, volto a reproduzi-la, aqui, trata-se de uma entrada do teu diário (Mampatá, 23 de setembro de 1968).
Por outro lado, registo o vocábulo "lassas", que deve ser crioulo, como sinónimo de abelhas... Cito aqui o nosso Mário Fitas;
(...) "Por informações recolhidas, a CCAÇ 763 será conhecida no PAIGC com a alcunha de 'Lassas'. Pelo que se veio a saber, 'lassa' será uma espécie de abelha existente na Guiné, a qual, não sendo molestada, não tem problemas, mas se for atacada é terrivelmente perigosa tornando-se fortemente enraivecida.
Esta alcunha resultaria da actuação da CCAÇ 763, pois ao chegar a uma povoação em que a população não fugisse, não haveria problemas, falava-se com a mesma e tentava-se resolver os problemas que houvesse. Em caso contrário, se a população fugisse e abandonasse as suas moranças, estas eram literalmente destruídas.
Pelo que ficou assim com este procedimento, a companhia crismada de 'Lassas'. (...)" (***)
Quanto às nossas amigas formigas, "carnívoras", julgo que se trata das formigas-correição. Temos de melhorar a pesquisa sobre este inseto que, a abelha selvagem, era um dos nossos inimigos mais temidos, talvez até mais do que o próprio inimigo em carne e osso.
3. Excerto de "O Meu diário", de José Teixeira
3. Excerto de "O Meu diário", de José Teixeira
Mampatá, 23 de Setembro de 1968
Tudo está calmo, há dias que o IN não ataca. Todos estamos convencidos que o próximo objectivo é Mampatá e com o seu novo sistema de ataque nos vai dar que fazer.
Uma das coisas que me agrada fazer, embora perigosa, é a ronda nocturna pelos postos de sentinela. No princípio detestava, mas agora dá-me prazer. Normalmente passo um quarto de hora em cada posto, a conversar baixinho com o camarada que está de sentinela. Assim, ajudo-o a passar o tempo e a manter-se atento. Esta missão nocturna é distribuída pelos Alferes, pelos Furriéis e por mim.
Ontem aconteceu-me uma cena que dá para rir. Como é hábito, avisei com um pequeno assobio (a senha) o primeiro sentinela que me estava a aproximar. Sentei-me ao lado dele no chão e ficamos a conversar. Não notei que me tinha sentado em cima de um carreiro de formiga preta e quando me levantei senti o corpo todo a ser ferrado.
(*) Vd. poste de 9 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27619: Humor de caserna (231): "Filhos da p*ta, m*rda, car*lho!... Quem me acode?!... Os filhos da p*ta... matam-me!": debaixo de fogo, até um padre diz asneiras: o capelão militar, madeirense, Adelino Apolinário Silva Gouveia, que o saudoso Alcídio Marinho (1940-2021), do Porto, Miragaia, evoca e homenageia aqui
(**) Vd. poste de 11 de janeiro de 2006 > Guiné 63/74 - P420: O meu diário (José Teixeira, CCAÇ 2381) (6): Mampatá, Setembro-Outubro de 1968
Tudo está calmo, há dias que o IN não ataca. Todos estamos convencidos que o próximo objectivo é Mampatá e com o seu novo sistema de ataque nos vai dar que fazer.
Uma das coisas que me agrada fazer, embora perigosa, é a ronda nocturna pelos postos de sentinela. No princípio detestava, mas agora dá-me prazer. Normalmente passo um quarto de hora em cada posto, a conversar baixinho com o camarada que está de sentinela. Assim, ajudo-o a passar o tempo e a manter-se atento. Esta missão nocturna é distribuída pelos Alferes, pelos Furriéis e por mim.
Ontem aconteceu-me uma cena que dá para rir. Como é hábito, avisei com um pequeno assobio (a senha) o primeiro sentinela que me estava a aproximar. Sentei-me ao lado dele no chão e ficamos a conversar. Não notei que me tinha sentado em cima de um carreiro de formiga preta e quando me levantei senti o corpo todo a ser ferrado.
Que dores horríveis pelo corpo todo!
Tirei a roupa toda, arranquei as formigas como pude, coloquei a roupa na ponta da espingarda e continuei a ronda completamente nu. Estava no primeiro posto, faltavam cinco. Os meus camaradas ao verem-me chegar ao posto com o fato que a minha mãe me deu ao nascer, gozaram em cheio e durante uns dias não se falou noutra coisa.
A formiga preta faz carreiros de quilómetros à procura das suas presas. Na família desta formiga existem várias funções e tamanhos físicos. Assim as batedeiras são grandes e gordas. Normalmente andam fora da fila a procurar as presas e são as mais agressivas. A fila é composta por duas alas laterais e duas alas interiores, sendo as laterais como que soldados, mais fortes que as que vão no interior, as escravas que transportam o alimento para um esconderijo debaixo da terra
Quando as batedeiras localizam a presa, morta ou viva, esta por qualquer razão em estado imobilizado, automaticamente a fila abre-se em duas e começa o envolvimento e a tomada de assalto sem que a vítima dê por nada. Quando esta se mexer sentirá milhares de ferradelas.
Tirei a roupa toda, arranquei as formigas como pude, coloquei a roupa na ponta da espingarda e continuei a ronda completamente nu. Estava no primeiro posto, faltavam cinco. Os meus camaradas ao verem-me chegar ao posto com o fato que a minha mãe me deu ao nascer, gozaram em cheio e durante uns dias não se falou noutra coisa.
A formiga preta faz carreiros de quilómetros à procura das suas presas. Na família desta formiga existem várias funções e tamanhos físicos. Assim as batedeiras são grandes e gordas. Normalmente andam fora da fila a procurar as presas e são as mais agressivas. A fila é composta por duas alas laterais e duas alas interiores, sendo as laterais como que soldados, mais fortes que as que vão no interior, as escravas que transportam o alimento para um esconderijo debaixo da terra
Quando as batedeiras localizam a presa, morta ou viva, esta por qualquer razão em estado imobilizado, automaticamente a fila abre-se em duas e começa o envolvimento e a tomada de assalto sem que a vítima dê por nada. Quando esta se mexer sentirá milhares de ferradelas.
Os cornos das formigas ficam de tal maneira cravados, que muitos ficam agarrados ao corpo, quando a vítima se tenta libertar. Foi isso que me aconteceu. Dizem que gostam muito de atacar os ‘tomates’ e eu que o diga!
Disse-me a Aliu Djaló que a giboia, depois de asfixiar a presa, explora a zona num raio de 20 a 30 metros e se sentir que há formigas, abandona o alimento. Acontece que como fica vários dias a deglutir o animal que caçou, se as formigas forem atraídas pelo sangue da vítima, ou a descobrirem, cobrem-na e no momento em que com o estômago cheio tenta abandonar o local, as formigas atacam e ficam com alimentação para vários dias.
São milhões de formigas. Eu vi uma cobra apanhada pela formiga, melhor, vi uma mancha negra do que fora uma cobra. (...)
Disse-me a Aliu Djaló que a giboia, depois de asfixiar a presa, explora a zona num raio de 20 a 30 metros e se sentir que há formigas, abandona o alimento. Acontece que como fica vários dias a deglutir o animal que caçou, se as formigas forem atraídas pelo sangue da vítima, ou a descobrirem, cobrem-na e no momento em que com o estômago cheio tenta abandonar o local, as formigas atacam e ficam com alimentação para vários dias.
São milhões de formigas. Eu vi uma cobra apanhada pela formiga, melhor, vi uma mancha negra do que fora uma cobra. (...)
(Revisáo / fixação de texto: LG)
_________________
Notas do editor LG:
(***) Vd. poste 12 de março de 2009 > Guiné 63/74 - P4018: As abelhinhas, nossas amigas (3): As lassas e os Lassas: a colmeia-armadilha, a morte do 2º Srgt Madeira... (Mário Fitas)

7 comentários:
Essa de passar um ca.alho pela boca nunca tinha ouvido, mas ouvi em Tavira uma parecida. Um militar em sentido, não fala, não chora e não ri, nem que passe um saraivada de ca.alhos pela boca. Em Tavira também ficou famosa a do DELICADINHO DA 5ª.
Claro que a formiga carnívora da Guiné que adorava os nossos "tintins", não era daquele tamanho que mostra a imagem...Mas que a gente não conseguia arrancá-la inteira,é verdade!... Deixava lá cravadas, na pele, aquelas garras de aço!
Eu conheci tambem conheci as formigas e as "casas" que elas fabricavam, mas o paludismo só me abandonou à cerca de 20 anos, quando tive de ir ao Hospital. O paludismo nunca mais apareceu, mas no Hospital a médica também disse que tinha uma falha na válvula mitral e que devia ter muito cuidado. Eu ri-me para a médica e fui aguentando,mas passados cerca de 10 anos o meu amigo de infância o Dr. Gomes confirmou e hoje não me separo deste cartão.
Victor Manuel Ferreira Costa
Implant Data:16-Jan-2019
Gonçalo Coutinho,M.D.
Hospital da Universidade
COIMBRA
HospitalID:19520401456
Model 4450 - 34MM - Position AORTIC - Serial:6397106--ANNULOPLASTY RING
Já que ninguém responde eu continuo.
Eu sou apenas um cristão, que admira a Ordem do Templo, mas continua a acreditar que: A vida são dois dias e o carnaval são três.
Victor, estás vivo e és um homem sorte, por viveres num país que tem um SNS e professionais de saúde de grande competência e dedicação com o teu amigo doutor Gonçalo Coutinho, reputado especialista em cirurgia torácica e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
O SNS foi a maior criação do 25 de Abril.
Tudo o resto foi tão "absolutamente relativo", que para a maioria do povo, ingrato por natureza, ate se esquece que sem saúde não vale a viver.
Nem mais, "Já morri 3 vezes, já fiz um requerimento ao S. Pedro a pedir mais 50 anos e o ingrato ainda não respondeu", mas uma coisa é certa, é preciso saber cair, deitar no chão, tirar a roupa, levantar os pés, respirar fortemente e depois levantar calmamente.
É como dar instrução.
Enviar um comentário