Guiné-Bissau > Região de Tombali > Ponte Balana > Novembro de 2000 > Um tuga, um homem de calças na mão...na Ponte Balana, antigo destacamento de Gandembel, ao tempo da CCAÇ 2317 (Abril de 1968/janeiro de 1969). O motivo foi um ataque formidável de... formigas carnívoiras! ... Na foto, o Zé Teixeira. Ainbda hoje tem mais medo das formigas do que das abelhas...
Foto (e legenda) © Albano Costa (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. Ó Zé Teixeira é um dos camaradas mais afáveis, brincalhões, prestáveis e populares da Tabanca Grande. Também dos mais leais, ativos e produtivos. Tem mais de 450 referências. E tem-nos acompanhado ao longo destes mais de 20 anos de existència na blogosfera. Tive a sorte de o conhecer em finais de 2005, na Madalena, Vila Nova de Gaia, onde costumo passar o Natal.
Acaba de aceitar o meu convite para se juntar à nossa equipa de colaboradores permanentes. Ele é um histórico, um dos cofundadores da Tabanca de Matosinhos. Com ele, o nosso corpo de editores e colaboradores permanentes fica mais equilibrado e, sobretudo, rejuvenescido. Aprecio nele a juventude de espírito e a resiliência de escuteiro, tabanqueiro e africanista.
Vai ser o nosso "ministro" ( do latim, "minus", o mais o pequeno, o servidor...) com a tutela dos interiores (Tabanca Grande e demais tabancas). Para os exteriores ("negócios estrangeiros", ligação à cooperação e lusofonia, estamos a pensar no régulo da Tabanca da Diáspora Lusófona, o João Crisóstomo, que vive em Nova Iorque; vamos convidá-lo formalmente amanhã, ma festa da Magnífica Tabanca da Linha).
Vem isto a propósito de mais uma das das suas histórias, pícaras e brejeiras, que passam agora a figurar na série "Humor de caserna" (*) (e que é repescadado poste P629, de 21 de março de 2006, tem 20 anos).
Recorde-se que o José Teixeira :
ÚLtimo poste da série > 12 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27627: Humor de caserna (232): As formigas e as abelhas, nossas amigas... (José Teixeira, ex-1º cabo aux enf, CCAÇ 2381, "Os Maiorais", Buba, Quebo, Mampatá, Empada, 1968/70)
Recorde-se que o José Teixeira :
(i) é régulo da Tabanca de Matosinhos;
(ii) ex-1.º cabo aux enfermeiro, CCAÇ 2381, Buba, Quebo, Mampatá e Empada, 1968/70;
(iii) é um histórico da Tabanca Grande, que integrou a partir de 14/12/2005;
(iv) tem c. quatro centenas e meia de referências no blogue;
(v) vive em São Mamede de Infesta, Matosinhos;
(vi) é gerente bancário reformado;
(viii) escritor, poeta, contista, além de escutista;
(ix) é autor de séries notáveis como "Estórias do Zé Teixeira", "O Meu Diário", "Crónicass de uma viagem à Guiné",
(ix) e, por fim e não menos importante, é um homem que tem provas dadas na ajuda e cooperação com a Guiné-Bissau (que ele conhece e ama, como poucos).
"Fermero, fica quieto, abelha não faz mal ! Não mexe, não respira, nem que te passe um car*lho pela boca"
por Zé Teixeira
A primeira vez que caímos num ataque de abelhas foi o caos.
A coluna com trinta viaturas carregadas e três obuses de 14 mm, protegida pela CCAÇ 2381 e pelos pelotões da Companhia do Capitão Rei, estacionada em Aldeia Formosa que nos tinha vindo buscar a Buba, ficou na sua maior parte à mercê do IN, perto de Sinchã Cherno.
Só que este, o IN, não tinha na sua agenda atacar naquele local, mas mais à frente. Atacou só no dia seguinte depois de nos fazer um morto numa A/C [mina anticarro] comandada que rebentou só na quinta viatura, a do rádio.
Também eu, aqui, fui um homem de sorte. O milícia que ia a meu lado, ao ver as abelhas aos milhões, agarrou-me por um braço e metemo-nos atrás de um arbusto:
- Fermero fica quieto, abelha, não faz mal ! Não mexe, não respira, nem que te passe um car*lho... pela boca.
Assim quieto senti-as à minha volta. Pude ver os meus colegas todos a fugir, a sacudir, a coçar e a desaparecer. Ficaram apenas as viaturas e os obuses, na picada.
A coluna com trinta viaturas carregadas e três obuses de 14 mm, protegida pela CCAÇ 2381 e pelos pelotões da Companhia do Capitão Rei, estacionada em Aldeia Formosa que nos tinha vindo buscar a Buba, ficou na sua maior parte à mercê do IN, perto de Sinchã Cherno.
Só que este, o IN, não tinha na sua agenda atacar naquele local, mas mais à frente. Atacou só no dia seguinte depois de nos fazer um morto numa A/C [mina anticarro] comandada que rebentou só na quinta viatura, a do rádio.
Também eu, aqui, fui um homem de sorte. O milícia que ia a meu lado, ao ver as abelhas aos milhões, agarrou-me por um braço e metemo-nos atrás de um arbusto:
- Fermero fica quieto, abelha, não faz mal ! Não mexe, não respira, nem que te passe um car*lho... pela boca.
Assim quieto senti-as à minha volta. Pude ver os meus colegas todos a fugir, a sacudir, a coçar e a desaparecer. Ficaram apenas as viaturas e os obuses, na picada.
Passados alguns minutos, foram começando a aparecer e tudo voltou ao normal. Eu apenas com duas picadelas, ria-me dos colegas que apareceram a gemer por todos os lados, mas aprendi a lição e preparei-me para um possível segundo ataque que sucedeu meses depois.
Andávamos a montar segurança à engenharia que construía a estrada Buba-Aldeia Formosa. Sentado ao lado do manobrador do caterpílar apreciava como esta máquina derrubava árvores gigantescas, quando de lá de cima cai um grande enxame. Formou-se uma nuvem e toda a gente a gritar, pernas para que vos quero. Até uma cadelinha, nossa mascote, que nos acompanhava desapareceu, até hoje. Numa fracção de segundos vejo-me só.
Quico atravessado na cabeça, para me proteger do zumbido, braços cruzados, impávido e sereno (a tremer por todos os lados), sentado no caterpílar, a aguardar o ataque. Imaginem o Zé Teixeira como que vestido com um fato novo. Fiquei coberto de abelhas da cabeça aos pés. Só o zumbido me incomodava.
Passado algum tempo começaram a levantar, pois eu não dava luta e com este gajo é melhor não se meterem. Deixaram-me sem uma beliscadura. Os camaradas foram-se aproximando todos picados. Ficaram mais espantados que eu, por me verem são e salvo de um ataque de abelhas. Pomada para toda a gente. Tive inclusive de injectar anti-histamínicos ao Ferraz para evitar a morte por asfixia devido ao facto de ser alérgico.
Ainda hoje tenho mais medo das formigas, mas essas tem outras histórias já aqui contadas.
Andávamos a montar segurança à engenharia que construía a estrada Buba-Aldeia Formosa. Sentado ao lado do manobrador do caterpílar apreciava como esta máquina derrubava árvores gigantescas, quando de lá de cima cai um grande enxame. Formou-se uma nuvem e toda a gente a gritar, pernas para que vos quero. Até uma cadelinha, nossa mascote, que nos acompanhava desapareceu, até hoje. Numa fracção de segundos vejo-me só.
Quico atravessado na cabeça, para me proteger do zumbido, braços cruzados, impávido e sereno (a tremer por todos os lados), sentado no caterpílar, a aguardar o ataque. Imaginem o Zé Teixeira como que vestido com um fato novo. Fiquei coberto de abelhas da cabeça aos pés. Só o zumbido me incomodava.
Passado algum tempo começaram a levantar, pois eu não dava luta e com este gajo é melhor não se meterem. Deixaram-me sem uma beliscadura. Os camaradas foram-se aproximando todos picados. Ficaram mais espantados que eu, por me verem são e salvo de um ataque de abelhas. Pomada para toda a gente. Tive inclusive de injectar anti-histamínicos ao Ferraz para evitar a morte por asfixia devido ao facto de ser alérgico.
Ainda hoje tenho mais medo das formigas, mas essas tem outras histórias já aqui contadas.
(Seleção, revisão / fixação de texto, título: LG)
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Nota do editor LG:
ÚLtimo poste da série > 12 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27627: Humor de caserna (232): As formigas e as abelhas, nossas amigas... (José Teixeira, ex-1º cabo aux enf, CCAÇ 2381, "Os Maiorais", Buba, Quebo, Mampatá, Empada, 1968/70)


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