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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27632: Humor de caserna (233): "Fermero fica quieto, abelha, não faz mal ! Não mexee, não respira, nem que lhe passe um car*lho pela boca" (José Teixeira)


Guiné-Bissau > Região de Tombali >  Ponte Balana > Novembro de 2000 > Um tuga, um homem de calças na mão...na Ponte Balana, antigo destacamento de Gandembel, ao tempo da CCAÇ 2317 (Abril de 1968/janeiro de 1969). O motivo foi um ataque formidável de... formigas carnívoiras! ... Na foto, o Zé Teixeira. Ainbda hoje tem mais medo das formigas do que das abelhas...

Foto (e legenda)  © Albano Costa (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Ó Zé Teixeira é um dos camaradas mais afáveis, brincalhões, prestáveis e  populares da Tabanca Grande. Também dos mais leais, ativos e produtivos. Tem mais de 450 referências.

 E tem-nos acompanhado ao longo destes mais de 20 anos de existência na blogosfera.  Tive a sorte de o conhecer em finais de 2005, na Madalena, Vila Nova de Gaia, onde costumo passar o Natal. 

Acaba de aceitar o meu convite para se juntar à nossa equipa de colaboradores permanentes. Ele é um histórico, um dos cofundadores da Tabanca de Matosinhos.

 Com ele, o nosso corpo de editores e colaboradores permanentes fica mais equilibrado e, sobretudo, rejuvenescido. Aprecio nele a juventude de espírito e a resiliência de escuteiro, tabanqueiro e africanista. 

Vai ser o nosso "ministro" (do latim, "minus", menos, o mais o pequeno, o servidor...) com a tutela  dos "interiores" (Tabanca Grande e demais tabancas, Matosinhos, Linha, Centro, Algarve, Melros, Maia, Diáspora Lusófona, Emiratos, etc.). 

Para os  "exteriores" ("negócios estrangeiros", ligação à cooperação e lusofonia), estamos a pensar  no régulo da Tabanca da Diáspora Lusófona, o João Crisóstomo, que vive em Nova Iorque; vamos convidá-lo formalmente amanhã, na festa da Magnífica Tabanca da Linha: tem poderosas ligações ao Céu e à Terra...

Zé: vem isto a propósito de mais uma das das tuas histórias, pícaras e brejeiras, que passam agora a figurar na série  "Humor de caserna" (*) (e que é repescada do poste P629, de 21 de março de 2006, tem 20 anos).


Recorde-se que o 
José Teixeira 

(i) é régulo da Tabanca de Matosinhos;

(ii) ex-1.º cabo aux enfermeiro, CCAÇ 2381, Buba, Quebo, Mampatá e Empada, 1968/70; 

(iii) é um histórico da Tabanca Grande, que integrou a partir de 14/12/2005; 

(iv) tem c. quatro centenas e meia de referências no blogue; 

(v) vive em São Mamede de Infesta, Matosinhos; 

(vi) é gerente bancário reformado; 

(viii) escritor, poeta, contista, além de escuteiro;

(ix) é autor de séries notáveis como "Estórias do Zé Teixeira", "O Meu Diário", "Crónicas de uma viagem à Guiné", 

(ix) e, por fim e não menos importante, é um homem que tem provas dadas  em projetos dev ajuda e cooperação com a Guiné-Bissau (que ele conhece e ama, como poucos).


"Fermero,  fica quieto, abelha não faz mal ! Não mexe, não respira, nem que te passe um car*lho pela boca"

por Zé Teixeira

A primeira vez que caímos num ataque de abelhas foi o caos.

A coluna com trinta viaturas carregadas e três obuses de 14 mm, protegida pela CCAÇ 2381 e pelos pelotões da Companhia do Capitão Rei, estacionada em Aldeia Formosa que nos tinha vindo buscar a Buba, ficou na sua maior parte à mercê do IN, perto de Sinchã Cherno.

Só que este, o IN, não tinha na sua agenda atacar naquele local, mas mais à frente. Atacou só no dia seguinte depois de nos fazer um morto numa A/C [mina anticarro] comandada que rebentou só na quinta viatura, a do rádio.

Também eu, aqui, fui um homem de sorte. O milícia que ia a meu lado, ao ver as abelhas aos milhões, agarrou-me por um braço e metemo-nos atrás de um arbusto:

- Fermero fica quieto, abelha, não faz mal ! Não mexe, não respira, nem que te passe um car*lho... pela boca.

Assim quieto senti-as à minha volta. Pude ver os meus colegas todos a fugir, a sacudir, a coçar e a desaparecer. Ficaram apenas as viaturas e os obuses, na picada. 

Passados alguns minutos, foram começando a aparecer e tudo voltou ao normal. Eu apenas com duas picadelas, ria-me dos colegas que apareceram a gemer por todos os lados, mas aprendi a lição e preparei-me para um possível segundo ataque que sucedeu meses depois.

Andávamos a montar segurança à engenharia que construía a estrada Buba-Aldeia Formosa. Sentado ao lado do manobrador do caterpílar apreciava como esta máquina derrubava árvores gigantescas, quando de lá de cima cai um grande enxame. Formou-se uma nuvem e toda a gente a gritar,  pernas para que vos quero. Até uma cadelinha, nossa mascote, que nos acompanhava desapareceu, até hoje. Numa fracção de segundos vejo-me só.

Quico atravessado na cabeça, para me proteger do zumbido, braços cruzados, impávido e sereno (a tremer por todos os lados), sentado no caterpílar,  a aguardar o ataque. Imaginem o Zé Teixeira como que vestido com um fato novo. Fiquei coberto de abelhas da cabeça aos pés. Só o zumbido me incomodava.

Passado algum tempo começaram a levantar, pois eu não dava luta e com este gajo é melhor não se meterem. Deixaram-me sem uma beliscadura. Os camaradas foram-se aproximando todos picados. Ficaram mais espantados que eu, por me verem são e salvo de um ataque de abelhas. Pomada para toda a gente. Tive inclusive de injectar anti-histamínicos ao Ferraz para evitar a morte por asfixia devido ao facto de ser alérgico.

Ainda hoje tenho mais medo das formigas, mas essas tem outras histórias já aqui contadas.


(Seleção, revisão / fixação de texto, título:  LG)

_________________

Nota do editor LG:

11 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Zé, também tenho a minha dose. De formigas e abelhas.

José Teixeira disse...

Quem passou pelo interior da Guiné comeu as “passas do Algarve” com os mosquitos, as formigas, as abelhas e os “bandidu di mato” Todos temos muito que contar.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

A memória é curta, Zé.

José Teixeira disse...

Gosta de saber quem foi que me apanhou com as “calças na mão” em 2008 para lhe agradecer, mas podem crer que desta vez não foi para catar formigas.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

A foto do Zé com as calças na mão é do Hugo Costa, filho do Albano.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Zé, só podiam ser formigas.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Não ias arriar o calhau no meio da ponte.

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Como bom escuteiro...

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Que foste bem apanhado, foste!

Anónimo disse...

Caro Luís:
Sobre o Zé Teixeira, Fermero de Mampatá, por todo o seu passado pelos matos de Mampatá e Buba, pelo modo como calcou o braseiro da guerra, pelo modo, carregado de afecto, como se tem continuado a relacionar com os guineenses, ainda pela sua facilidade em lidar com as novas tecnologias, estou certo de que ele é a melhor escolha para te auxiliar na nobre e difícil tarefa do governo do blog.
Um grande abraço para ambos
Carvalho de Mampatá

José Teixeira disse...


Se quem tirou a foto foi o foi o filho do Albano, então quem foi apanhado com as calças na mão não fui eu. Ele foi à Guiné em 2006 com o Xico Allen, a Inês e o Falecido Marques Lopes, entre outros, mas eu apenas fui vê-los partir.
Eu fui em 2005, 2008, 2011,2013 e 2015.
o seu a seu dono, como dis o povo.