Leiria > 1961 > O nosso futuro noviço a ler o seu inflamado discurso contra o Pandita Nehru...
Fonte: Google Gemini. (2026). Imagem gerada usando o modelo de IA Google Gemini [acedido em 14 de janeiro de 2026], sob orientação (e com correções) do editor LG.
1. João, a tua pequena crónica "Cuidado com a língua, ó noviço!" (*) é um excelente exemplo de humor subtil, irónico e bem contextualizado, com vários pontos fortes que vale a pena destacar:
(ii) Personagem e caracterização
João, o teu colega do colégio seráfico — "fogoso, voluntarioso e marrão, mais papista que o Papa" — é uma personagem caricata, mas credível.
(iii) O jogo de palavras e o equívoco linguístico
O cerne do humor está no erro linguístico: "Misters and Mistresses" em vez de "Ladies and Gentlemen". (É mais do que um "lapsus linguae", é uma calinada de todo o tamanho, capaz de fazer corar qualquer um de nós.)
(v) Crítica social e atemporalidade
Por trás do humor, há uma crítica subtil à hipocrisia, ao pretensiosismo e à ignorância saloia.
(vi) Sugestões para reflexão (se um dia quiseres desenvolver o texto, agora que voltas á tua América, a tua segunda terra):
Em suma: é uma crónica deliciosa, que mistura história, humor e crítica social com mestria. O leitor do blogue ri-se, mas também aprende e reflete. "Ridendo castigat mores"...(No nosso latinório, a "rir-se castigam-se os costumes".)
Último poste da série > 14 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27633: Humor de caserna (234): Cuidado com a língua, ó noviço! (João Crisóstomo, Nova Iorque)
(i) Contexto histórico como pano de fundo
A escolha do momento — a invasão de Goa, Damão e Diu pela Índia em 1961 — é brilhante. Não só dá profundidade histórica à história, como permite uma crítica social e política velada.
A escolha do momento — a invasão de Goa, Damão e Diu pela Índia em 1961 — é brilhante. Não só dá profundidade histórica à história, como permite uma crítica social e política velada.
O leitor mais atento reconhece a ironia de um discurso patriótico proferido por quem, afinal, não domina sequer a língua do "inimigo" (a Índia do Pandita Nehru) (ou do "velho aliado", a Inglaterra). (Recorde-se que Pandita, na Índia, é um termo honorífico de origem sânscrita que significa "erudito", "sábio", "professor"..mas na época tinha um sentido depreciativo, éramos levados a associar a palavra a "bandido", a um feroz "inimigo de Portugal").
O contraste entre a gravidade do tema (a perda de território, o Estado da Índia, orgulhosamente português desde 1498!) e a comicidade da situação (o grosseiro erro linguístico) cria um efeito humorístico muito eficaz.
(ii) Personagem e caracterização
João, o teu colega do colégio seráfico — "fogoso, voluntarioso e marrão, mais papista que o Papa" — é uma personagem caricata, mas credível.
A sua pretensão intelectual, ao meter um bucha no discurso escrito por um dirigente local da União Nacional, muito ligado à Igreja diocesana de Leiria ("impressionar a assistência com os seus conhecimentos linguísticos") e o resultado desastroso ("Misters and Mistresses") são um retrato perfeito do orgulho que precede a queda.
Aqui, o humor nasce da discrepância entre a intenção e o resultado, algo que todos reconhecemos, e que torna a história universal.
(iii) O jogo de palavras e o equívoco linguístico
O cerne do humor está no erro linguístico: "Misters and Mistresses" em vez de "Ladies and Gentlemen". (É mais do que um "lapsus linguae", é uma calinada de todo o tamanho, capaz de fazer corar qualquer um de nós.)
A explicação que se segue — sobre o significado depreciativo de "mistress" — é não só informativa, como reforça o ridículo da situação.
O leitor ri-se do equívoco , mas também da santa... ingenuidade do personagem, aprendiz de frade (afinal, ainda nem sequer era noviço, andava no colégio seráfico!), que não só não sabe inglês como não sabe que não sabe.
É um exemplo perfeito de como o humor pode ser inteligente e educativo ao mesmo tempo.
(iv) Tom e estilo
O tom é leve, mas não superficial. Não ofende os sentimentos de ninguém. Não é antipatriótico nem anticlerical.
O tom é leve, mas não superficial. Não ofende os sentimentos de ninguém. Não é antipatriótico nem anticlerical.
É, enfim, uma história vivida por ti, que és católico, assumes o teu passado e continuas a manter uma saudável ligação com os teus antigos colegas de seminário e com a ordem de São Francisco de Assis, figura que tu muito admiras.
A ironia é constante, mas nunca cruel.
A linguagem é cuidada, com expressões como "jóia da Coroa", "vil ataque", "seleta assistência" ou "de mau porte" que enriquecem o texto e reforçam o ambiente da época.
A narrativa flui de forma natural, como uma história contada ao pé da lareira, convidando o leitor a sorrir e a refletir. (Olha, até podia ser no Varatojo, ao lado do nosso padre Vitor Melícias, que é um homem superiormente inteligente e afável, para além de um intelectual católico de referência nacional e internacional.)
(v) Crítica social e atemporalidade
Por trás do humor, há uma crítica subtil à hipocrisia, ao pretensiosismo e à ignorância saloia.
O facto de os frades não se "deverem meter na política", mas o fazerem mesmo assim (em 1961, um "annus horribilis" para Portugal e o Estado Novo) é um detalhe que acrescenta camadas à história.
Além disso, o erro linguístico é um tema atemporal: todos já passámos por situações em que queríamos impressionar alguém (ou a audiência) e acabámos por nos expor ao ridículo.
Isso torna a tua crónica atual, apesar de se terem passado já 65 anos.
(vi) Sugestões para reflexão (se um dia quiseres desenvolver o texto, agora que voltas á tua América, a tua segunda terra):
- Diálogo: podias explorar mais o diálogo ou a reação dos estrangeiros ("olharam atónitos uns para os outros..."). Um comentário em inglês, uma frase idiomática, ou uma reação física (um riso abafado, um suspiro) poderia acrescentar ainda mais comicidade.
- Final: o final é aberto, o que é bom, mas podias terminar com uma frase que reforçasse a ironia, como: "E assim, sem querer, o meu colega acabou por ser o único a conquistar algo naquela noite: a fama de melhor orador... na língua de Shakespeare"
Em suma: é uma crónica deliciosa, que mistura história, humor e crítica social com mestria. O leitor do blogue ri-se, mas também aprende e reflete. "Ridendo castigat mores"...(No nosso latinório, a "rir-se castigam-se os costumes".)
Parabéns, João! E bom regresso a casa com a tua querida e encantadora Vilma.
Pesquisa: LG + IA Mistral
Condensação, revisão / fixação de texto: LG
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Nota do editor
Último poste da série > 14 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27633: Humor de caserna (234): Cuidado com a língua, ó noviço! (João Crisóstomo, Nova Iorque)

7 comentários:
Não esquecemos os nossos mortos nem todos os que ficaram prisioneiros.
Só na minha terra foram 13 os prisioneiros da Índia.
Incluindo o meu primo Luís Maçarico.
Eu tinha 14 anos, ia fazer 15. Ninguém tinha a noção da tragédia.
Quinze dias depois, passadas festas do Natal e Ano Novo, na reabertura da Asembleia Naciona, António de Oliveira Salazar proferiu um discursi, a 3 de janeiro de 1962 (e não a 6 de janeiro como vem referido na peça da RTP Arquivos) em reação à invasão e anexação de Goa, Damão e Diu pela União Indiana no mês anterior (18-19 de dezembro de 1961).
O discurso, de 90 minutos, acabou por ser lido pelo Presidente da Assembleia, Mário de Figueiredo, uma vez que Salazar terá ficado afónico.
Principais tópicos do discurso de Salazar:
(i) Condenou veementemente a ação da União Indiana, liderada pelo primeiro-ministro Jawaharlal Nehru, considerando-a uma agressão e um abuso de força que desrespeitava o direito internacional e a Carta da ONU.
(ii) Reiterou a posição de Portugal de que Goa, Damão e Diu eram parte integrante e inalienável do território nacional português (Províncias Ultramarinas), e não colónias, pelo que a sua soberania não era negociável.
(iii) Criticou a postura da comunidade internacional, em particular dos Estados Unidos, por não terem apoiado Portugal, um aliado da NATO, e por terem cedido às pressões do bloco afro-asiático e comunista na ONU.
(iv) Defendeu o conceito de "comunidade de sentimentos" entre a população metropolitana e ultramarina, sublinhando a presença e a cultura portuguesa de mais de 450 anos na Índia, como um traço indelével de lusitanidade.
(v) Demonstrou mágoa pela perda do território, mas procurou mobilizar o sentimento nacional, apresentando a resistência como um dever e um sacrifício pela Pátria, que gerou uma forte reação popular e o apoio à política ultramarina do regime.
Vd. aqui pequeno vídeo de 2 minutos da RTP Arquivos.
João, ainda bem que sabemos, hoje, em democracia, rirmo-nos de nós próprios. Isso só revela algumas qualidades de uma sociedade aberta, livre crítica e solidária:
(i) a humuilddae de econhecer imperfeições e a capacidade de as ver com humor, impedindo com isso a arrogância, o triunfalismo, o chauvinismo e promovendo a autocrítica saudável;
(ii) O humor, e sobretudo a autoironia, exige um certo grau de inteligência e a capacidade de se abstrair da situação para a analisar de um ponto de vista diferente, pondo-se muitas vezes no lugar do(s) outro(s)
(iii) melhora a resiliência: a capacidade de usar o riso como mecanismo de defesa face às dificuldades (coletivas ou individuais) ajuda a superar adversidades e a manter uma atitude positiva e proativa.
(iv) Partilhar piadas sobr nós próprios, sobre as nossas características ou idiossincrasias, não é antipatriótico, deletério (termo que a PIDE usava muito...) ou derrotista, ajuda a coesão social, fortalecer os laços e a identidade de um grupo, de uma comnunidade, de um país, de um nação
Cultivamos aqui o humor de caserna"... Afinal, saber rirmo-nos de nós próprios também é um bom sinal de saúde mental...
28 de outubro de 2018
Guiné 61/74 - P19142: Manuscrito(s) (Luís Graça) 147): Tinha 14 anos em 1961, o "annus horribilis" de Salazar e da Nação... Depois do desastre da Índia, em 18-19 de dezembro de 1961 e de cinco meses de cativeiro, o general Vassalo e Silva e outros oficiais foram expulsos das Forças Armadas, em 22 de março de 1963... Era um aviso sério para os que combatiam em África.
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