Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026): Transcrição e esquema técnico elaborados com apoio de ChatGPT, modelo de linguagem da OpenAI (11 de março de 2026)
Guiné > Região de Cacheu > CCS/BCAÇ 1933 (Nova Lamego e S. Domingos, 1967/69) > Estrada S. Domingos - Susana, a meio caminho para Nhambalã > 10 de agosto de 1968 > Mina soviética anticarro, reforçada com 2 granadas de Pancerovka P-27, um LGFog, de origem checa, uma arma antitanque desenhada em 1946-1949 e produzida pela Skoda. (Lapso do Eduardo: não é Pankerovsky mas Pancerovka que em checo quer "panzer", "tanque", "blindado").
Foto alojada em
Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia). (*)
Foto (e legenda): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
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O LGFog Pancerovka P-27, de fabrico checo. Cortesia de Wikimedia Commons. Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)
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1. Sobre este LGFog / RPG / bazuca, sabemos que equipou os exércitos da Checoslováquia e da Polónia nas décadas de 1950-60 até ser substituído pelo RPG-7 soviético e pelo RPG-75 checo. Já "sucata", foi parar às matas da Guiné nos primeiros anos da guerra colonial (55 unidades, entre 1964 e 1968).Não devia ser uma arma muito portátil e "maneirinha" (tal como a nossa bazuca)... No mato, não dava jeito, com aquele capim, aquelas lianas, aquele tarrafe... Mas a besta de carga do balanta aguentava tudo....
Quando a longa metragem da guerra ia a meio, sem direito a intervalo para o cigarro e o chichi, o "Zé Turra" acabou por trocar a panzer" pelo RPG-2 e pelo RPG-7. E, pelos vistos, foi "semeando" granadas pelas picadas da Guiné, reforçando as minas TMD russas,
anticarro, de armação em madeira.
Ficha técnica:
- Peso da arma: 6,4 kg (não carregada)
- Peso da granada: 3,75 kg
- Calibre: 45 mm o tubo, 110 mm a granada;
- Comprimento da arma: 1030 mm;
- Comprimento da granada: 720 mm;
- Alcance efetivo: 200 m
- Operação: 2 homens (atirador e municiador):
- Cadência de tiro: 4 tiros por minuto.
Em checo, Pancéřovky quer dizer "panzer", "tanque", "veículo blindado"...
O Pancerovka P-27 foi uma arma antitanque checoslovaca utilizada nas décadas de 1950 e 1960, sendo posteriormente substituída pelo RPG-7 soviético (introduzido em 1963) e pelo RPG-75 checoslovaco (a partir de 1975).
2. História da Pancerovka P27:
Após a Segunda Guerra Mundial, um grande número de armas antitanque alemãs foi capturado na Checoslováquia, especialmente o
Panzerfaust 60 (no exército checoslovaco do pós-guerra, referido como Panzer N) e o Panzerschreck.
Daí, e logicamente, a Checoslováquia ter começado a desenvolver a sua própria arma antitanque, capaz de penetrar qualquer blindagem com espessura, na época, até 200 mm (20 cm).
O desenvolvimento deste LGFog foi encomendado em dezembro de 1947, com a designação de projeto PPZ. A condição era um peso de até 5 kg e um alcance efetivo de 100 metros, com possibilidade de disparos repetidos. A pólvora utilizada deveria sem fumo.
O desenvolvimento foi realizado pela Konstrukta Brno (Praga) e liderado por Ladislav Urban. A partir de 1950, este LGFog foi projetado como uma arma de cano liso e grosso calibre. Em maio de 1950, a comissão de armamento concordou em introduzir a arma sob a designação Pancerovka 75, sendo o número indicativo do alcance de tiro em alvos móveis.
A produção começou na fábrica Zbrojovka Vsetín. Diversas outras modificações se seguiram e a arma foi rebaixada como Pancerovka 27.
O preço da arma em 1955 era de 1.800 CZK. O Exército Popular Checoslovaco possuía um total de 18.400 unidades desta arma nos seus arsenais, em 1958.
(...) Entre 1951 e 1953, 2600 unidades foram exportadas para a Polónia. A Albânia encomendou 1000 unidades em 1954.
No primeiro semestre de 1957, o Pancéřovky (em checo) foi exportado para o Iémen (1000 unidades). A Frente de Libertação Nacional da Argélia recebeu um total de 48 unidades entre 1957 e 1959, e outras 100 unidades em 1961. Outra ex-colónia francesa, a Guiné-Conacri, recebeu 150 unidades entre 1958 e 1960. Entre 1967 e 1970, o Pancéřovky 27 foi exportado também para a Nigéria e o Biafra.
O número exato exportado destas armas não é claro: por exemplo, em 1967, 75 unidades foram exportadas para a Nigéria. Em 1967, também foram aprovadas vendas de armas para o Egito e a Síria, e, no mesmo ano, 10 unidades foram entregues á Frelimo, Moçambique. Entre 1964 e 1968, 55 unidades foram entregues à Guiné Portuguesa (atual Guiné-Bissau).(...) (**)
3. Comentário do editor LG:
Na gíria do PAIGC, as armas tinham alcunhas. Este Lança Granadas-Foguete Pancerovka P-27 , tinha várias, segundo o nosso saudoso A. Marques Lopes (1945-2025) (***);
- Bazuca Bichan,
- Lança Grande,
- Pau de Pila,
- Bazuca Chinês.
Pau de Pila é uma alcunha bem pícara!... Mas Bazuca Chinês?!... Porque carga de água? O arsenal do Amílcar Cabral, que andava de mão estendida por todo o mundo, à cata de sucata militar para expulsar os "tugas", era uma verdadeira "Torre de Babel"... Um bico de obra para o pobre do quarteleiro das "barracas" do PAIGC, que tinha armas e munições de todos os fabricantes, modelos e calibres...
Mas o "Zé Turra", balanta, biafada, mandinga, nalu..., não sabia nada de geografia, é natural que confundisse a Checoslováquia e a China... Que importa, começavam os dois por C ou "Tch"...
Que merda de guerra, amigos e camaradas da Guiné!... As armas são como as p*tas, que não precisam de licença para f*der.
(Pesquisa: LG | Condensação, revisão / fixação de texto: LG)