Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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terça-feira, 7 de abril de 2026
Guiné 61/74 - P27897: Convívios (1055): 53.º Almoço de confraternização da CCAÇ 12, Pelotões Daimler e Caçadores Africanos, dia 23 de Maio de 2026, na Golegã (Jaime Pereira, ex-Alf Mil da CCAÇ 12, 1971/72)
Nota do editor
Último post da série de 2 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27882: Convívios (1054): Magnífica Tabanca da Linha, Algés: 64º almoço-convívio, 5ª feira, 16 de abril de 2026: já há 39 inscritos para o cozido à portuguesa... (Manuel Resende)
segunda-feira, 23 de março de 2026
Guiné 61/74 - P27848: Esposas de militares no mato (1): Bambadinca, ao tempo do BART 2917 (1970-72) - Parte I
Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > CCS/BART 2917 (1970/72) > Festa de anos do 1º Srgt Fernando Brito. Convívio no bar de sargentos, em meados de 1970: ainda estávamos em "lua de mel", os "velhinhos" da CCAÇ 12, e os "piras" do BART 2917, aqui representados pelo 2º Comandante, maj art José António Anjos de Carvalho, sempre fardado, sempre "militarista", amante do fado de Coimbra (já falecido, no posto de cor art ref), e o 1º srgt art Fernando Brito (1932-2014) (falecido no posto de major, depois de ter feito a Escola Central de Sargentos)...
- à direita do Brito, a Helena, mulher do alf mil at inf António Manuel Carlão, do 2º Gr Comb da CCAÇ 12 (o casal vivia em Fão, Esposende); (o Carlão que veio do CSM, já faleceu) (***):
- à direita do Anjos de Carvalho, a esposa do major art, Jorge Vieira de Barros e Bastos (mais familiarmente conhecido por Bê Bê, era o major de operações do comando do BART 2917; mais tarde cor art ref);
- e à sua direita, a Isabel, a esposa do José Alberto Coelho, o fur mil enf da CCS/BART 2917 (o casal vive hoje, ou vivia até há uns anos, em Beja).
O 1º Brito era de facto um "grande senhor 1º sargento", e que mantinha com a malta da CCAÇ 12 (os furrieis milicianos) uma "relação muito especial"... Este jantar terá ocorrido nos primeiros tempos, após a chegada do BART 2917 (em finais de maio de 1970) a Bambadinca, vindo render o BCAÇ 2852 (1968/70)...
4. No tempo do BCAÇ 2852, e até ao ataque a Bambadinca, em 28/5/1969, julgo que terão chegado a lá estar três senhoras, pelo menos:
- a esposa do comandante, o ten cor inf Manuel Maria Pimentel Bastos (também conhecido pelo seu "nick name", Pimbas), já aqui bastas vezes evocado pelo seu amigo e admirador Mário Beja Santos;
- o tenente SGE Manuel Antunes Pinheiro, chefe da secretaria do Comando do BCAÇ 2852, também lá teria a esposa até essa data;
- e creio que também a esposa do médico, David Payne (mais tarde psiquiatra, já falecido).
O Torcato Mendonça confirma:
Nos aquartelamentos do mato, dependia da companhia (CCS ou unidade de quadrícula, região, localidade, acessibilidade, instalações, segurança relativa, transportes, logística, habitação, etc.).
Para os jovens furriéis e alferes, do QP ou milicianos, "just married", acabados de casar, ou que casavam a meio da comissão, ainda sem filhos, era uma decisão aparentemente mais fácil, lógica e natural, mas não isenta de riscos, sobretudo se o militar fosse um operacional..
Apesar da "milicianização" e "africanização" da guerra ( nos 3 TO), ninguém estava à espera que aquele conflito pudesse durar 11/12/13/14 anos...
Faltam-nos testemunhos dos homens e mulheres que cresceram com os pais, militares, em comissões de serviço em África...
(*) Vd. postes de 21 de outubro de 2016 > Guiné 63/74 - P16623: Inquérito 'on line' (77): Num total de 117 respostas, 62% diz que, nos sítios onde esteve, no mato, nunca houve familiares de militares, metropolitanos ou guinenses... Comentários dos camaradas Jorge Cabral, Vasco Pires, Jorge Canhão, Rogério Cardoso, Carlos Mendes Pauleta, Eduardo Estrela, José Colaço, J. Diniz Sousa Faro e Manuel Amaro
(***) Vd. poste de 15 de julho de 2024 > Guiné 61/74 - P25744: In Memoriam (507): António Carlão (Mirandela, 1947 - Esposende, 2018), ex-alf mil at inf, CCÇ 2590 / CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadina, 1969/71) (Jorge Alvarenga, amigo da família)
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Guiné 61/74 - P27744: Humor de caserna (239): "Cuando sali de Cuba...": alguém se lembra desta canção para "desmoralizar cubanos"? (Alberto Branquinho, contista)



Falávamos, há alguns dias, num grupo de amigos, da canção “Lily Marleen” [(interpretada por Lale Andersen], as várias versões que a letra teve (para além do original alemão), em inglês - inglês/inglês e inglês/americano (porque não havia entre eles nem há acordo ortográfico…) - e que era, languidamente, ouvida dos dois lados do campo de batalha [durante a II Guerra Mundial].
Falou-se, então, também das emissões radiofónicas, que, já no fim da Segunda Grande Guerra, os americanos faziam para desmoralizar as tropas alemãs, onde incluíam essa canção (acção psicológica sobre o IN…), cantada por outra Marleen – Marlen Dietrich, actriz alemã… ao serviço por Hollywood.
Lembrei-me, então, que, no meu tempo de Guiné, se falava de um capitão que, quando o quartel era atacado, colocava no prato do gira-discos (dentro do abrigo?) uma canção cubana que os amplificadores de som, colocados junto ao arame farpado, difundiam para o exterior:
(…)
“Cuando salí de Cuba,
Dejé mi vida dejé mi amor,
Cuando salí de Cuba,
Dejé enterrado mi corazón.”
(…) (**)
Alguém se recorda e pode confirmar?
Dão-se alvíssaras a quem encontrar onde e quem, porque convinha que fosse verdade para, também, termos a nossa história para a História.
(...) En la década de los 50 adquirió enorme éxito en la Cuba de Batista, donde logró un disco de oro, pero el estallido de la la revolución castrista le empujó a abandonar la isla. En recuerdo a su partida compuso un éxito mundial, 'Cuando salí de Cuba', que se convirtió en el favorito de los exiliados cubanos.
Dicen que en realidad se la dedicó a una novia secreta que tuvo allí, a la que amó con locura y, paradójicamente, había sido antes amante de Fidel Castro. "Dejé mi vida, dejé mi amor, dejé enterrado mi corazón", decía la letra. Aguilé era cercano políticamente a la derecha.
El artista contaba que, cuando decidió dejar la isla, tuvo un grave problema, pues el gobierno revolucionario promulgó una ley que impedía cambiar dólares y sacar dinero del país. En ese momento se produjo una curiosa anécdota con el mítico Ernesto Che Guevara, con el que coincidió en el ascensor de un hotel ocupado por las tropas castristas y le pidió ayuda. Se reunieron y, sorprendentemente, el Che, admirador de la música de Aguilé, le permitió rescatar su dinero con un considerable descuento ya que de los 16.000 dólares que poseía solo pudo llevarse 1.500, pero el artista lo consideró un buen trato, pues la mayoría huían con lo puesto. (...)
(...) Sus canciones rehuían la política y los temas sociales, solían tratar temas intrascendentes, donde se remarcaba el optimismo y la alegría de vivir. Pero hizo excepciones como la mencionada Cuando salí de Cuba, una bella balada impregnada de nostalgia que se convirtió en el himno del exilio cubano . Asimismo, muy critico con el régimen populista de Hugo Chaves, le dedicó el tema Señor presidente, que fue censurado en Venezuela y algún otro país iberoamericano y se conoció como "La canción prohibida de Aguilé".(...)
Foi o GG, o 1º cabo cripto da CCAÇ 12, Gabriel Gonçalves (a quem também chamávamos o "Arcanjo Gabriel", e que tocava viola e cantava divinamente, era também comnhecido como o "Joselito") quem me deu informação sobre o autor da letra, o Aurélio Pereira:
(...) Henriques: Ainda bem que te lembras da música. O Aurélio Pereira (n. 1947) é um camarada de Leiria do curso de escriturário no RAL 4. Para que conste trata-se do conhecido e conceituado técnico de futebol do SCP, para as camadas jovens, pois passaram por ele nomes como: Figo, Simão, Quaresma, Ronaldo, estes os mais conceituados. Que pena o Aurélio não ser do SLB. Um abraço, GG. (...)
Confesso que não sabia que o autor da letra da canção "Isto é Tão Bera" era um nome glorioso do nosso futebol (dizem até que foi o maior caçador de talentos futebolísticos do mundo (...)
Recorde-se, por outro lado, que a "Guantanamera" é uma canção patriótica cubana com letra do poeta José Martí (1858-1895) (herói da independência de Cuba), com música de Joselíto Fernández (1929).
ISTO É TÃO BERA
I
Eu sou um pobre soldado
E esta farda é o fim,
Andando assim mascarado
Todos se riem de mim.
As minhas moças-meninas
São as malvadas faxinas.
(Refrão)
Isto é tão bera,
Ai é tão bera, tão bera,
Isto é tão bera,
Ai é tão bera, tão bera.
II
Logo de manhã cedo
Toca para levantar,
Se não acordas é certo
Logo vais estar a lerpar.
Mais um minuto na cama
Lá vai o fim-de-semana.
(Refrão)
III
Era um rapaz engraçado
E de carinha mimada,
Sempre tão bem penteado
Mas levou a carecada.
Agora está como o fel
Nem quer sair do quartel.
(Refrão)
_____________
sábado, 24 de janeiro de 2026
Guiné 61/74 - P27664: In Memoriam (570): Carlos Alberto Machado de Brito (1932-2025), cor inf ref, 1º cmdt da CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, jun 1969/mar 1971): vivia em Braga, e foi comandante da GNR, comando territorial de Braga - II (e última) Parte
Foto nº 1 > Carlos Alberto Machado de Brito (1932-2025).
cor inf ref, 1º comdt CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, 1969/71). Na foto, aos 37 anos, na estrada Xime-Bambadinca.
Foto nº 2 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Bambadinca > Comando e CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > A equipa de futebol de oficiais de Bambadinca que acabara de jogar contra uma equipa de sargentos.
- o alf mil Beja Santos (cmdt do Pel Caç Nat 52, 1968/70);
- o major Cunha Ribeiro, 2º cmdt do BCAÇ 2852 )já falecido, como coronel);
- o alf mil médico, David Payne Pereira (já falecido, era um conhecido psiquiatra);
- o cap inf Carlos Alberto Machado de Brito (cor inf ref) (1932-2025), comandante da CCAÇ 12;
- e ainda o alf mil at int Abel Maria Rodrigues, também da CCAÇ 12.
Na primeira fila, da esquerda para a direita:
- um militar que ainda não conseguimos identificar;
- alf mil cav José António G. Rodrigues, da CCAÇ 12 (já falecido),
- o António Carlão, da CCAÇ 12 (já falecido)
- e o Ismael Augusto (CCS); (o Fernando Calado, alf mil trms, também fazia parte da equipa mas fracturou um braço, não aparecendo por isso na foto).
A esta sessão de projeção de "slides!" ou diapositivos assistiram, no refeitório das praças, pelo menos dois capitães (a olhar para o seu lado direito)... O primeiro era o comandante da CCS/BCAÇ 2852, o cap inf Manuel Figueiras... O segundo era o cmdt da CCAÇ 12, cap inf Carlos Brito (Foto nº 3A).
O "artista principal", neste caso, é o alf mil at cav José António G. Rodrigues, natural de Lisboa, e já falecido, comandante do 4º Gr Comb da CCAÇ 12.
Nessa época, este material fotográfico era tratado na "nossa inimiga"... Suécia, principal aliada, no mundo ocidental, do PAIGC a aquem forneceu importante apoio (político, humanitário, financeiro, logístico...). Era de lá, da terra dos "vikings" (e das loiras de olhos azuis do nosso imaginário febril!), que vinham as mágicas caixinhas com os "slides"... Não sei quanto custavam por unidade...
Pormenor interessante: devido ao excesso de calor e humidade do ar, usava-se uma ventoínha para "refrigerar" o ar à volta do projetor...
Mas agora: que raio de "slides" seriam estes para atrair a atenção de tanta gente, oficiais, sargentos e praças ?!... Possivelmente, "recuerdos" das férias do nosso alferes Rodrigues... A ser assim, esta sessão só pode ter acontecido já no 2º semestre de 1970, ao tempo do BART 2917...
Ao lado do alf Rodrigues, reconheço o alf at inf Abel Rodrigues, comandante do 3º Gr Comb da CCAÇ 12, e nosso grão-tabanqueiro (nasceu no mesmo dia e ano que eu, 29/1/1947; é transmontano de Miranda do Douro; acabei de lhe telefonar a dar a triste notícia da morte do nosso capitão...
Foto nº 4 > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > c. 2º semestre de 1969 > Messe de sargentos > Almoço de "confraternização" entre oficiais e sargentos da CCAÇ 2590/CCAÇ 12: ao centro, o cap inf Carlos Brito, à civil... .
A CCAÇ 2590 passou a designar-se CCAÇ 12 a partir de 18 de janeiro de 1970, ainda no tempo do BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70)...
Foto do álbum do Arlindo Roda (ex-fur mil at inf, 3º Gr Comb, CCAÇ 12, 1969/71)
Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca) > CCAÇ 12 (1969/71) > Cambança, descontraída. de uma bolanha, na região do Xime, no decurso de uma operação que não conseguimos identificar.
A foto (aliás, um diapositivo) deve ter sido tirada ainda em 1969, no final da época das chuva. Infelizmente não temos as legendas das magníficas imagens que o Arlindo Roda, que vive em Setúbal, teve a gentileza de nos mandar, através do Benjamim Durães (CCS / BART 2917, 1970/72). Falei com ele, finalmente, ao telefone há poucos meses, depois do nosso último encontro há mais de 30 anos.
Em primeiro plano, vê-se o 1º cabo Manuel Monteiro Valente, que viria a ser ferido por estilhaços de morteiro em janeiro de 1970 (Op Borbeleta Destemida)...
Em 2º plano, vê-se o fur mil at inf Roda, o alf mil op esp / ranger Francisco Moreira (comandante do 1º Gr Comb). Atrás deles, descortinam-se ainda as cabeças do fur mil op esp / ranger Humberto Reis e o fur mil at inf António Branquinho (já falecido).
Fotos: © Arlindo T. Roda (2010). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. Declaração de conflito de interesses:
Patriótico paradoxo. já aqui escrevi em tempos: um português podia morrer pela Pátria mas podia não ter direito de voto nas eleições para a Assembleia Nacional...
- Carlos Alberto Machado Brito, cap inf, CCAÇ 2590 / CCAÇ 12 (Louvor do Brigadeiro Cmdt Militar do CTIG, em 01.06.71):
- Abel Maria Rodrigues, alf mil at inf / CCAÇ 12 (Louvor do cmtd CCAÇ 12, em 13.03.71);
- Francisco Magalhães Moreira, alf mil op esp / CCAÇ 12 (Louvor do cmdt BART 2917, em 12.03.71);
- José Martins Rosado Piça, 2º srgt inf / CCAÇ 12 (Louvor do cmdt BART 2917 em 11.03.71);
- António Fernando R. Marques, fur mil at inf / CCAÇ 12 (Louvor do cmdt CAOP 2 em 04.05.71);
- Humberto Simões Reis, fur mil op esp /CCAÇ 12 (Louvor do cmdt BART 2917, em 12.03.71);
- José Luís Vieira Sousa, fur mil at inf / CCAÇ 12 (Louvor do cmdt BART 2917, em 25.02.71);
- Luís Manuel da Graça Henriques, fur mil arm pes inf / CCAÇ 12 (Louvor do cmdt BART 2917, em 25.02.71).
Louvor. Reprodução da página 12 da minha caderneta militar... e onde se faz referência ao trabalho de elaboração da história da unidade
Foto (e legenda): © Luís Graça (2010). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
2. O "making of" da história da CCAÇ 12 merece ser aqui recontado, até como forma de homenagem ao "nosso capitão Brito":
(i) escrita por mim (LG), contou com a cumplicidade e a colaboração de vários camaradas, milicianos, incluindo um sargento do quadro, infelizmente já falecido , o 2º srgt Piça ("o Grande Piça, para os amigos!"), que me chamava , com piada, o "Soviético" ( só por ser do " contra");
(ii) oficialmente, o documento não tem (nem podia ter) autor, mas é unanimemente reconhecido que foi escrita por mim;
(iii) mais, foi-me expressamente incumbida, a sua elaboração, pelo comandante da companhia, o afável capitão inf Carlos Brito;
(v) um versão, dactilografada e impressa à luz do dia, a stencil, na secretaria da companhia, foi discretamente distribuída aos alferes e furriéis milicianos (mesmo assim, não sei se a todos...), numa tiragem necessariamente reduzida, na véspera da partida; como era sabido, os quadros metropolitanos e os especialistas da CCAÇ 12, num total de 60, eram de rendição individual;
Esposende > Fão > 1994 > A primeira vez que a malta de Bambadinca (1968/71), camaradas da CCAÇ 12, e outras subunidades adidas ao comando do BCAÇ 2852, mas também malta do BART 2917 (1970/72)...
Este primeiro encontro foi organizado pelo António Carlão, já falecido (ao centro)
Foto (e legenda): © Fernando Calado (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Nota do editor:
Último poste da série > 22 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27662: In Memoriam (569): Carlos Alberto Machado de Brito (1932-2025), cor inf ref, 1º cmdt da CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, jun 1969/mar 1971): vivia em Braga, e foi comandante da GNR, comando territorial de Braga - Parte I
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Guiné 61/74 - P27662: In Memoriam (569): Carlos Alberto Machado de Brito (1932-2025), cor inf ref, 1º cmdt da CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, jun 1969/mar 1971): vivia em Braga, e foi comandante da GNR, comando territorial de Braga - Parte I
O funeral já foi no passado dia 5 de dezembro último. Tinha 93 anos. De seu nome completo Carlos Alberto Machado de Brito. Viúvo, duas filhas. Vivia em Braga. Era um homem crente. Requiescat In Pace / Que Descanse em Paz.

Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Setor L1 (Bambadinca) > Estrada Xime- Bambadinca > 1969 > Carlos Alberto Machado Brito, cap inf nº 50156311, foi o primeiro cmdt da CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, 1969/71)... Já tinha 37 anos e e pelo menos duas comissões no ultramar. No fim desta comissão no CTIG, foi promovido a major. Era um pesadelo, na época, a carreira militar para oficiais e sargentos do quadro. A grande vítima era a família.
Foto: © Humberto Reis (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. Que recordações guardo dele ? Que lembranças temos dele, malta de Bambadinca, de 1969/71) ?
Para já, era uma um homem afável e civilizado no trato, como poucos, não tendo nada a ver com a imagem (negativa e estereotipada) que alguns de nós, milicianos, tínhamos de alguns oficiais do QP que conhecemos ao longo da nossa carreira militar de quase três anos (com o tempo da Guiné a dobrar, faz quase cinco!)...
Com os seus 37 anos, e duas comissões anteriores no Ultramar (a primeira em Angola, CCAÇ, 309, Cabinda e Malanje, 1962/64, e depois Moçambique, se não erro), foi tão explorado pelo comando do Sector L1 (no tempo do BCAÇ 2852 e. depois, do BART 2917) como os seus milicianos e os seus soldados, metropolitanos ou do recrutamento local (as nossas praças, fulas).
No final da comissão na Guiné, lá ganhou, com justiça, os galões de major. Em fevereiro de 1971, se não me engano.
Carlos Alberto Machado Brito, o nosso capitão Brito, estava reformado como coronel de infantaria. Julgo que era natural de Braga e vivia em Braga. Esteve também à frente do comando territorial de Braga, da GNR. São escassas as referências na Net sobre a sua carreira. Resta o nosso blogue.
Eu já em tempos tinha formulado o desejo de o voltar a ver, bem de saúde e, até por que não, como membro desta tertúlia... Foi ele que manifestou, pelo formulário de contacto do Blogger, o seu interesse em falar comigo:
Queria entrar em contacto com o Luis Graça, ainda estou vivo com 90 anos e
5 meses
Cumprimentos,
Cor Carlos Alberto Machado Brito | macbrito@netcabo.pt
Estupidamente, a mensagem ficou esquecida na caixa de correio, sem resposta imediata. Respondi-lhe por mail, apenas ano e meio depois:
domingo, 27/10/2024, 17:08
Meu caro coronel,
Folgo muito em saber de si...Fiquei de lhe responder na devida altura, mas a oportunidade escapou-se-me. Mande-me o seu contacto telefónico, por favor; terei muito gosto em telefonar-lhe amanhã ou noutro dia, com tempo e vagar.
Tem aqui quase uma dezena de referências ao seu nome, meu coronel... Mas gostaria de ter muitas mais. Falta o seu nome na lista alfabética dos amigos e camaradas da Guiné, são já 894 entre vivos e mortos.
Sobre a nossa CCAÇ 12 são já perto de 500 as ferências, no blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (...)
Deixo-lhe o meu nº de telemóvel... Luís Graça (eu era o furriel Henriques, o seu "pião de nicas"...) (...)
Estou cá para baixo, para o sul, mas vou muito ao Porto e ao Marco de Canaveses (Quinta de Candoz, perto do Rio Douro).
Falámos depois longamente ao telefone. Estava num lar de professores, em Braga, sentia-se muito bem, em boa forma. Tinha o seu quarto, o seu conforto, a sua privacidade. Dava todos os dias o seu passeio higiénico pela cidade. E tinhas as filhas e netos por perto.
Hoje ao tentar ligar-lhe de novo e ao pesquisar o seu nome no Facebook, é que me dei conta, com tristeza, da notícia da sua morte, em 4 de dezembro de 2025.
Nota do editor LG:
domingo, 7 de dezembro de 2025
Guiné 61/74 - P27502: Op Abencerragem Candente, subsetor do Xime, L1, 25 e 26 de novembro de 1970 - Parte I: Agrupamento A, CART 2714: itinerário Mansambo - Chacali-Taibatá-Xime

Guiné- Bissau > Região de Bafatá > Mansambo > 1996 < Monumento erigido pela CART 2714 ("Bravos e Leais"), pertencente ao BART 2917 (Bambadinca, 1970/1972). Era o único que restava de pé em 1996, quando o Humberto Reis lá passou.
Não temos nenhum representante desta subunidade, no nosso blogue. Há muitos anos (em 2009) escreveu-nos de França, onde estava emigrado, o nosso camarada Guilherme Augusto Sousa, ex-sold cond auto, à procura de camarada da companhia. Deixou-nos os seus contactos: Guilherme Sousa. França: telef. 0033386951938 ou 0033670611957.
Foto (e legenda): © Humberto Reis (2009). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Na Op Abencerragem Candente, que envolveu 3 destacamentos (CART 2714 / Mansambo, CART 2715/Xime e CCÇ 12/Bambadinca), num total de 8 grupos de combate (c. 250 homens), a CART 2715 e a CCAÇ 12 apanharam uma das mais sangrentas emboscadas na história do subsetor do Xime (e até do setor L1), com 6 mortos e 9 feridos graves. (*)
Em virtude do aquartelamento de Mansambo ter sido atacado pelo IN pelas 6,50 horas, só foi possível a saída dos 2 Grupos de Combate da CART 2714 às 11,00 horas.
A norte de Mampará, e no trilho para Chicamael, sensivelmente no ponto de coordenadas [XIME 5E4-95] foi encontrado um trilho de passagem recente.
Da exploração deste trilho detectou-se que o mesmo se encontrava orientado na direcção do Rio Buruntoni-Moricanhe.
Continuou-se a progredir na direcção de Chicamael que foi atingida cerca das 17,45 horas. [3 km em linha reta].
Em Chicamael, foi avistado um trilho bastante batido na direcção de Madina.
Feito um alto para pernoitar, os 2 Grupos de Combate instalaram-se de forma a montar emboscadas nocturnas ao longo desse trilho e no trilho de Chicamael- Mampará.
26.de novembro de 1970
Pelas 5,45 horas começou-se a progredir na direcção W procurando encontrar as nascentes do Rio Canhala.
Às 8,00 horas atingiu-se Taibatá [4 km em linha reta] onde foram pedidos 2 guias que pudessem levar o Agrupamento até Gidemo.
Às 8,15 horas saiu-se de Taibatá a caminho de Chacali onde pelas 9,00 horas foi ouvido grande tiroteio e rebentamentos na direcção do Xime.
Continuando a progressão até Gidemo, detectaram-se trilhos batidos junto do ponto de Cota 24 que se orientavam para Sul (Rio Gundagué).
Dado que os guias não afiançavam a passagem do Rio Gundagué em Lantar [4 km em linha reta] , foi resolvido retirar novamente para Chacali e daqui par Taliuára.
No trilho Chacali - Taliuára foi detectado terreno batido recentemente no ponto de coordenadas [XIME 6A5-49], se dirigia para direcção do alto de Ponta Coli.
Continuando a progressão até Taliuára [ 5 km em linha reta], este ponto foi atingido às 13,00 horas, com evidente cansaço de todo o pessoal.
Dado conhecimento a Bambadinca da localização do Agrupamento A, foi o mesmo mandado avançar para o Xime, onde chegou cerca das 13,00 horas [ 1,5 km em linha reta].
(*) Vd. poste de 27 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27468: Efemérides (378): foi há 55 anos a Op Abencerragem Candente (25 e 26 de novembro de 1970, subsetor do Xime), com meia dúzia de mortos de um lado e do outro
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
Guiné 61/74 - P27468: Efemérides (378): foi há 55 anos a Op Abencerragem Candente (25 e 26 de novembro de 1970, subsetor do Xime), com meia dúzia de mortos de um lado e do outro
(...) Um, dois, três, quatro, cinco, seis homens
às 8h50,
em vinte e seis de novembro de mil novecentos e setenta,
no cacimbo da madrugada,
na antiga picada do Xime-Ponta do Inglês.
Cinco brancos e um preto,
a lotaria da morte, em L,
numa emboscada que é cubana,
numa roleta que é russa,
com os RPG, amarelos, "made in China"...
no corrocel da morte que é, afinal, universal! (...) (*)
Notas do editor LG:
(*) Excerto de poste de 26 de novembro de 2022 > Guiné 61/74 - P23818: Efemérides (377): Foi há 52 anos, a carnificina da Op Abencerragem Candente, 26/11/1970, subsector do Xime..."Choro para uma morte anuncidada" (poema de Luís Graça)
(**) Último poste da série > 24 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27459: Efemérides (475): Mais de cem anos depois do Armistício de 11 de novembro de 1918, que encerrou a Primeira Guerra Mundial, é essencial registar o percurso de Portugal até esse conflito e os seus impactos (José Marcelino Marins, ex-Fur Mil TRMS da CCAÇ 5, Canjadude, 1968/70)

















