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sábado, 24 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27664: In Memoriam (570): Carlos Alberto Machado de Brito (1932-2025), cor inf ref, 1º cmdt da CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, jun 1969/mar 1971): vivia em Braga, e foi comandante da GNR, comando territorial de Braga - II (e última) Parte

Foto nº 1 > Carlos Alberto Machado de Brito (1932-2025).

cor inf ref, 1º comdt CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, 1969/71). Na foto, aos 37 anos, na estrada Xime-Bambadinca. 

A CCAÇ 2590/CCAÇ 12 sempre foi uma família (éramos umas escassas 6 dezenas de graduados e especialistas metropolitanos, a que se juntaram depois mais 100 praças, do recrutamento local,  98% fulas, em junho de 1969, no CIM de Contuboel). Diversos camaradas da CCAÇ 12 são membros da Tabanca Grande, de longa data.  Por todas as razões, o "nosso capitão Brito"   também cá faz falta. Tem já uma dúzia de referências. Tomo a liberdade de o apresentar à Tabanca Grande, inumando-o simbolicamente à sombra do nosso poilão, no lugar nº 911, no talhão dos camaradas e amigos da Guiné que "da lei da morte já se libertaram". Até sempre, comandante!...(LG)

Foto: © Humberto Reis (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº  2 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Bambadinca > Comando e CCS/BCAÇ 2852 (1968/70)  >  A
 equipa de futebol de oficiais de Bambadinca que acabara de jogar contra uma equipa de sargentos.

Na segunda fila, da esquerda para a direita, de pé:

  •  o alf mil Beja Santos (cmdt do Pel Caç Nat 52, 1968/70);
  • o major Cunha Ribeiro, 2º cmdt do BCAÇ 2852 )já falecido, como coronel);
  • o alf mil médico, David Payne Pereira (já falecido, era um conhecido psiquiatra);
  • o cap inf Carlos Alberto Machado de Brito (cor inf ref) (1932-2025), comandante da CCAÇ 12;
  • e ainda o alf mil at int Abel Maria Rodrigues, também da CCAÇ 12.

Na primeira fila, da esquerda para a direita:
  • um militar que ainda não conseguimos identificar;
  • alf mil cav  José António G. Rodrigues, da CCAÇ 12 (já falecido), 
  • o António Carlão, da CCAÇ 12 (já falecido) 
  • e o Ismael Augusto (CCS); (o Fernando Calado, alf mil trms, também fazia parte da equipa mas fracturou um braço, não aparecendo por isso na foto).

O major Cunha Ribeiro  tinha  substituido,  em setembro de 1969,  o major Viriato Amílcar Pires da Silva, transferido por motivos disciplinares. 

Foto (e legenda): © João Pedro Cunha Ribeiro (2023). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Foto nº 3



Foto nº 3A 




Foto nº  3B

Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > c. 1970 > Não, não é uma sessão de cinema, no refeitório das praças (ou sala de convivio das praças, a avaliar pela mesa de pingue-pongue)... É um simples projeção de "slides" ou diapositivos... Tudo servia para ajudar a passar o tempo, embora não fosse habitual esta mistura de "classes" (oficiais, sargentos e praças, ou como  eu gosto de dizer, com graça, "nobreza, clero e povo")... 

Recorde-se que o nosso exército era "classi(ssi) sta" e, em aquartelamentos como o Bambadinca, com razoáveis e desafogadas instalações, a regra era a da estratificação socioespacial, ou seja, nada de misturas...

A esta sessão  de projeção de "slides!" ou diapositivos assistiram,  no refeitório das praças, pelo menos dois capitães (a olhar para o seu lado direito)... O primeiro era o comandante da CCS/BCAÇ 2852, o cap inf Manuel Figueiras... O segundo era o cmdt da CCAÇ 12, cap inf Carlos Brito (Foto nº 3A).

O "artista principal", neste caso,  é o alf mil at cav José António G. Rodrigues, natural de Lisboa, e já falecido, comandante do 4º Gr Comb da CCAÇ 12.

 Em segundo plano, por detrás dos capitães, o alf mil op esp/ranger Francisco Magalhães Moreira, comandante do 1º Gr Comb da CCAÇ 12, e também 2º cmdt da companhia. Nunca maios soube dele, dizem-me que seguiu a carreira das armas e ainda terá feito uma comissão de serviço em Angola. 

O seu Gr Comb, incontestavelmente, era o melhor. Ele tinha talento, carisma e treino para comandar homens no mato. O capitão confiava nele e delegava-lhe missões, porque sabia que ele era o melhor de todos nós. Só se delega a quem é competente e empenhado. Dos outros 3 oficiais (e sem ofensa para nenhum deles, e dois já morreram),  podia-se dizer que eram competentes mas não empenhados, ou então eram empenhados mas menos competentes. (Afinal, nem toda a gente tem jeito para a guerra...).

 De facto, o "projecionista", à civil, era o alf mil cav José António G. Rodrigues... Devia ser também o "dono" dos diapositivos, cujas caixas, de plástico, são visíveis à frente do projeto (Foto nº 3B).

Nessa época, este material fotográfico era tratado na "nossa inimiga"... Suécia, principal aliada, no mundo ocidental, do PAIGC a aquem forneceu importante apoio (político, humanitário, financeiro, logístico...). Era de lá,  da terra dos "vikings" (e das loiras de olhos azuis do nosso imaginário febril!),  que vinham as mágicas caixinhas com os "slides"... Não sei quanto custavam por unidade...

Pormenor interessante: devido ao excesso de calor e humidade do ar, usava-se uma ventoínha para "refrigerar" o ar à volta do projetor...

Mas agora: que raio de "slides" seriam estes para atrair a atenção de tanta gente, oficiais, sargentos e praças ?!... Possivelmente, "recuerdos" das férias do nosso alferes Rodrigues... A ser assim, esta sessão só pode ter acontecido já no 2º semestre de 1970, ao tempo do BART 2917... 

Mas, digam-me lá, quem estava interessado em saber onde e com quem passou férias, na metrópole, o nosso alferes Rodrigues ?... Ainda não havia gajas de biquini no Algarve... E as férias do Rodrigues só poderiam ter sido passadas na metrópole, porque nessa época nenhum militar, em princípio,  podia ter passaporte para ir passar férias ao estrangeiro no "intervalo" da guerra (a licença de férias era de 30/35 dias)...  

Ao lado do alf Rodrigues, reconheço o alf at inf Abel Rodrigues, comandante do 3º Gr Comb da CCAÇ 12, e nosso grão-tabanqueiro (nasceu no mesmo dia e ano que eu, 29/1/1947; é transmontano de Miranda do Douro; acabei de lhe telefonar a dar a triste notícia da morte do nosso capitão...  

Na ponta direita, o nosso 1º cabo escriturário e acordeonista, Eduardo Veríssimo de Sousa Tavares, também já falecido.

Talvez o Abel se lembre do teor dos "slides", sobre os quais tenho imensa curiosidade... (Esqueci-me de lhe perguntar; infelizmente, também não tenho qualquer contacto com familiares do meu malogrado camarada José António G. Rodrigues, com quem alinhei no mato muitas vezes, a par dos outros alferes, o Moreira e o Carlão, com este tive o meu infeliz batismo de fogo, em 7 de setembro de 1969; como prémio, e por ser casado, com a mulher a viver com ele em Bambadinca, teve a sorte grande: foi para a equipa de reordenamentos de Nhabijões; era oriundo do CSM).



Foto nº 4 > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > c. 2º semestre de 1969 >  Messe de sargentos > Almoço de "confraternização" entre oficiais e sargentos da CCAÇ 2590/CCAÇ 12: ao centro, o cap inf Carlos Brito, à civil... .

Do lado direito, em primeiro plano o fur mil op esp / ranger Humberto Reis, e a seguir o alf mil cav, já falecido, José António G. Rodrigues; do lado esquerdo, em primeiro plano, o fur mil trms José Fernando Gonçalves Almeida ( seguido de outro furriel, de cuja identidade não tenho a certeza: Joaquim Fernandes ou Luciano Almeida ?), e ainda do 2º srgt inf José Martins Rosado Piça e do 1º srgt cav Fernando Aires Fragata (que depois iria frequentar a Escola Central de Sargentos, em Águeda).

A CCAÇ 2590 passou a designar-se CCAÇ 12 a partir de 18 de janeiro de 1970, ainda no tempo do BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70)... 

Ainda a propósito da foto, era a cerveja Cristal que estava na moda..E o petisco, se bem me parece, incluia ostras.

Naturalmente que os sargentos não frequentavam (pelo regulamento) a messe de oficiais que era ali ao lado. Mas o cap  Brito dignava-se, de vez em quando (e sobretudo no princípio) aparecer na messe de sargentos que era muitíssimo mais animada, mesmo sem garotas...

O bar e a messe de sargentos de Bambadinca, no meu tempo (julho de 1969/março de 1971) tinham  uma certa tradição de hospitalidade. Recebiamos gente de fora, estavamos abertos aos vizinhos do lado (messe de oficiais, embora o inverso não fosse verdadeiro)... E sobretudo havia uma bom espirito de camaradagem entre operacionais e não operacionais. a nível de sargentos (CCS/BCAÇ 2852 e depois BART 2917, CCAÇ 12 e outras subunidades adidas). Fazíamos festas conjuntas (por ex., Natal, aniversários), havia preocupação com a qualidade da comida, havia cantorias até às tantas da noite... Bebia-se
 O bar era bem recheado.

Foto do álbum do Arlindo Roda (ex-fur mil at inf, 3º Gr Comb, CCAÇ 12, 1969/71)



Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca) > CCAÇ 12 (1969/71) > Cambança, descontraída.  de uma bolanha, na região do Xime, no decurso de uma operação que não conseguimos identificar.

A foto (aliás, um diapositivo) deve ter sido tirada ainda em 1969, no final da época das chuva. Infelizmente não temos as legendas das magníficas imagens que o Arlindo Roda, que vive em Setúbal, teve a gentileza de nos mandar, através do Benjamim Durães (CCS / BART 2917, 1970/72). Falei com ele, finalmente, ao telefone há poucos meses, depois do nosso último encontro há mais de 30 anos.

Em primeiro plano, vê-se o 1º cabo Manuel Monteiro Valente, que viria a ser ferido por estilhaços de morteiro em janeiro de 1970 (Op Borbeleta Destemida)...

Em 2º plano, vê-se o fur mil at inf Roda, o alf mil op esp / ranger Francisco Moreira (comandante do 1º Gr Comb). Atrás deles, descortinam-se ainda as cabeças do fur mil op esp / ranger Humberto Reis e o fur mil at inf António Branquinho (já falecido). 

O cap Brito frequentemente alinhava no mato com a malta, sobretudo em operações de maior responsabilidade e risco, a nível de sector. Apesar dos seus já 37/38 anos de idade... E nós, com 22... Tínhamos outra pedalada naquele tempo, com aquela idade.

 
Fotos: © Arlindo T. Roda (2010). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Crachá da CCAÇ2590 ("Excelente e Valorosa) e da CCAÇ 12 ("Sempre Mais Além")
1969/71).   Design: Tony Levezinho. Cortesia do autor (2006).


1. Declaração de conflito de interesses:

Este e o anterior In Memoriam (*), não assinados como a  grande maioria dos postes publicados pelos editores LG e CV, são da minha lavra. Estive no CTIC às ordens do então Cap Brito. 

O único louvor que tive na tropa foi-me atribuído do, recomendado ou sugerido por ele. O louvor é, formalmente,  do comandante do BART 2917, por quem nunca morri de amores... 

Foi coisa que nunca mostrei a ninguém (a não ser aqui no blogue há muitos anos).  Nem nunca utilizei, para efeito nenhum, na minha vida civil e professional. E no início até tinha algum pudor,   pelo evidente exagero dos encómios.

Pensando bem, deveria ter razões para sentir-me honrado pela distinção... Só se fala, é verdade, das minhas qualidades (que também escondem defeitos), o que  é sempre lisonjeiro. 

De qualquer modo, não há, no teor do louvor, nada que me envergonhe como português, cidadão, homem e militar.

E mais acrescento: nem eu nem o meu capitão ficámos a dever favores um ao outro. Sendo eu de armas pesadas de infantaria, e estando numa companhia de intervenção ( e não de quadrícula), depressa tive que  esquecer tudo o que aprendi no CISMI, em Tavira. 

Fui rapidamente  "promovido a atiruense". Deram-me uma G3 e passei a ser o "pião de nicas" da companhia... tapando todos os buracos no comando de secções dos 4 Gr Comb...

Afinal, "não era mais do que os outros", meus camaradas e bons amigos, a começar pelos que dormiam no mesmo quarto...

Por outro lado, eu e o capitão estávamos,  política e ideologicamente,  em campos opostos: eu era, desde os meus 15 anos, um jovem do "reviralho", do "contra" e estava recenseado nos cadernos eleitorais aquando das eleições para a Assembleia Nacional em 26 de outubro de 1969.

Fui,  aliás,  dos poucos militares em Bambadinca a poder exercer o direito de voto. Eu, o meu capitão, e mais um 1º cabo (cujo nome não fixei). Nem sequer os sargentos do quadro estavam recenseados! ... Ou não votaram, o Piça, o Videira...

Patriótico paradoxo. já aqui escrevi em tempos: um português podia morrer pela Pátria mas podia não ter direito de voto nas eleições para a Assembleia Nacional...  

Eu sei que votei em branco, o meu capitão seguramente que votou no  candidato da União Nacional que representava o círculo eleitoral da Guiné, o infortunado James Pinto Bull (Bolama, 15 de Julho de 1913 – Rio Mansoa, 26 de Julho de 1970).

O então cap Brito era minhoto, dizia-se que já tinha feito uma primeira comissão na Índia (o que não posso confirmar), era católico, política e ideologicamente conservador e "situacionista"...

Nunca fez, em contrapartida, o mais pequeno reparo em relação à minha pessoa e à minha posição contra a guerra. Aliás, nunca falámos de "política"... E mais: confiou-me, no final da comissão, a tarefa (ciclópica) de fazer a história da unidade. Eu tinha dado como profissão a de jornalista (da imprensa regionla), mesmo nunca tendo tido carteira profissional,

Já agora registo a seguir os nomes dos outros graduados da CCAÇ 2590/CCAÇ 12 que foram louvados no final da comissão, a começar pelo próprio capitão, 2 alferes mil, 1 sargento QP e 4 furriéis mil  (além de 19 praças):
  • Carlos Alberto Machado Brito, cap inf, CCAÇ 2590 / CCAÇ 12 (Louvor do Brigadeiro Cmdt Militar do CTIG, em 01.06.71):
  • Abel Maria Rodrigues, alf mil at inf / CCAÇ 12  (Louvor do cmtd CCAÇ 12, em 13.03.71);
  • Francisco Magalhães Moreira, alf mil op esp / CCAÇ 12  (Louvor do cmdt BART 2917,  em 12.03.71);
  • José Martins Rosado Piça, 2º srgt inf / CCAÇ 12 (Louvor do cmdt BART 2917 em 11.03.71);
  • António Fernando R. Marques, fur mil at inf / CCAÇ 12 (Louvor do cmdt  CAOP 2 em 04.05.71);
  • Humberto Simões Reis, fur mil op esp /CCAÇ 12 (Louvor do cmdt BART 2917,  em 12.03.71);
  • José Luís Vieira Sousa, fur mil at inf / CCAÇ 12 (Louvor do cmdt BART 2917,  em 25.02.71);
  • Luís Manuel da Graça Henriques, fur mil arm pes inf / CCAÇ 12 (Louvor do cmdt BART 2917,  em 25.02.71). 


Louvor. Reprodução da página 12 da minha caderneta militar... e onde se faz referência ao trabalho de elaboração da história da unidade

Foto (e legenda): © Luís Graça (2010). Todos os direitos reservados. [Edição:  Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


2. O "making of" da história da CCAÇ 12 merece ser aqui recontado, até como forma de homenagem ao "nosso capitão Brito":


(i) escrita por mim (LG), contou com a cumplicidade e a colaboração de vários camaradas, milicianos, incluindo um sargento do quadro, infelizmente já falecido , o 2º srgt Piça ("o Grande Piça, para os amigos!"), que me chamava , com piada, o "Soviético" ( só por ser do " contra");

(ii) oficialmente, o documento não tem (nem podia ter) autor, mas é unanimemente reconhecido que foi escrita por mim;

(iii) mais, foi-me  expressamente incumbida, a sua elaboração, pelo comandante da companhia, o afável capitão inf Carlos Brito;

(iv) o então capitão Brito (em vésperas de ser promovido a major, se não mesmo já major) não autorizou a sua divulgação, nem muito menos o comando do batalhão de quem estávamos hierarquicamente dependentes, o BART 2917, a partir de junho de 1970 até fevereiro de 1971); alegava ter informação "classificada" (o que era inteiramente verdade);

(v) um versão, dactilografada e impressa à luz do dia, a stencil, na secretaria da companhia, foi discretamente distribuída aos alferes e furriéis milicianos (mesmo assim, não sei se a todos...), numa tiragem necessariamente reduzida, na véspera da partida; como era sabido, os quadros metropolitanos e os especialistas da CCAÇ 12, num total de 60, eram de rendição individual;

(vi) em 1994, quando reencontrei o meu antigo capitão, na altura já cor inf ref,  dei-lhe conta desta "deslealdade" que cometi em março de 1971 (a única, em relação a ele, que julgo ter cometido).

Esta pequena homenagem que lhe faço é já tardia, é post-mortem. Sempre quis trazê-lo para o blogue. Ele participou em diversos encontros da malta de Bambadinca de 1968/71. E, quando não podia, tinha sempre a cortesia de contactar o organizador, agradecer o convite e apresentar a competente justificação para a ausência. 

A CCAÇ 2590/CCAÇ 12 sempre foi uma família (éramos escassas 6 dezenas de graduados e especialistas metropolitanos, a que se juntaram depois mais 100 praças, do recrutamento local, todos 98% fulas, em junho de 1969, no CIM de Contuboel).

 Diversos camaradas da CCAÇ 12 são membros da Tabanca Grande, de longa data.  Por todas as razões, o "nosso capitão Brito"   também cá faz falta. Tem já uma dúzia de referências. Tomo a liberdade de o apresentar à Tabanca Grande, inumando-o simbolicamente à sombra do nosso poilão, no lugar no 911, no talhão dos camaradas e amigos da Guiné que "da lei da morte já se libertaram".

Até sempre, "capitão Brito", bom amigo e camarada!...LG


Foto nº 5


Foto nº 5A


Foto nº 5B

Esposende > Fão > 1994 > A primeira vez que a  malta de Bambadinca (1968/71), camaradas da CCAÇ 12, e outras subunidades adidas ao comando do BCAÇ 2852, mas também malta do BART 2917 (1970/72)... 

Este primeiro encontro foi organizado pelo António Carlão, já falecido (ao centro)


Na primeira fila, da esquerda para a direita: 

(i) fur mil MAR Joaquim Moreira Gomes (vivia no Porto, na altura(; 

(ii)  sold cond auto Diniz Giblot Dalot (empresário na área dos transportes, vivia em Aljubarrota, Prazeres,  ou em Samora Correia, não sei ao certo); 

(iii) um antigo escriturário da CCS/ BART 2917 (morava em Fão, Esposende); 

(iv) alf mil at  inf António Manuel Carlão (1947-2018) (casado com a Helena, comerciante, vivia em Fão, Esposende);

(v)  fur mil at inf Arlindo Teixeira Roda (natural de Pousos, Leiria; professor  reformado, vive em Setúbal; grande jogador de king e de lerpa, no nosso tempo, a par do Humberto Reis, e depois de damas, cuja federação portuguesa cofundou e dirigiu); 

(vi)  fur mil armas pes inf Luís [Manuel da ]  Graça [ Henriques]  (prof univ ref., fundador deste blogue, vive entre Alfragide / Amadora e Lourinhã, e com ligações também ao Marco de Canaveses, Quinta de Candoz); 

(vii) Arménio Monteiro Fonseca (taxista, no Porto, da empresa Invictuas, táxi nº 69, mais conhecido no nosso tempo como o "vermelhinha"); 

(viii) fur Mil José Luís Vieira de Sousa (natural do Funchal, onde vive, agente de seguros reformado).

Na segunda fila de pé, da esquerda para a direita: 

(ix) Fernando [Carvalho Taco]  Calado (1945-2025), ex-allf mil trms, CCS/BCAÇ 2852 (vivia em Lisboa, natural de Ferreira do Alentejo(;

(x) alf mil manutenção material, Ismael Quitério Augusto, CCS/BCAÇ 2852, 19698/70 (vive em Lisboa);

(xi)  fur mil at inf, António Eugénio Silva Levezinho [, Tony para os amigos, reformado da Petrogal, vive em Martingal, Sagres, Vila do Bispo]; 

(xii)  capitão inf Carlos Alberto Machado Brito [cor inf ref, vivia em Braga, tendo passado pela GNR] (1932-2025);

(xiii) camarada, de óculos escuros, que não sei identificar [diz-me o Fernando Andrade Sousa que se trata do Pinto dos Santos, ex-furriel mil de Operações e Informações, CCS / BCAÇ 2852, natural de Resende, já falecido];

(xiv) major Ângelo Augusto Cunha Ribeiro, mais conhecido por "major elétrico", 2º comandante do BCAÇ 2852 (Bambadinca, 1968/70) (1926-2023) (vivia no Porto, era natural de Gondomar);

(xv) fur mil op esp / ranger, Humberto Simões dos Reis (engenheiro técnico, vive Alfragide / Amadora; era o grande fotógrafo da CCAÇ 12, a par do fur mil Arlindo Roda;  na foto, escondido, de óculos escuros); 

(xvi) camarada não identificado;

(xvii) alf mil cav,  José Luís Vacas de Carvalho, cmdt Pel Rec Daimler 2206 (Bambadinca, 1969/71) (vive em Lisboa; natural de Montemor-o-Novo);

(xviii) alf mil at inf,  Mário Beja Santos, cmdt do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70 (vive em Lisboa, nosso colaborador permanente);

(xix)  Fur mil  at inf António Fernando R. Marques (DFA, natural de Abrantes, vive em Cascais, empresário reformado);: 

(xx)  Manuel Monteiro Valente (de bigode e de perfil, ex-1º cabo, 1º Gr Comb, CCAÇ 12, apontador de dilagrama, vive em Vila Nova de Gaia, organizou o convívio, em 2019, do pessoal de Bambadinca, 1968/71):

(xxi) Abel Maria Rodrigues (hoje bancário reformado, vive em Mirando do Douro, ex-alf mil at inf, 3º Gr Comb, CCAÇ 12); 

(xxii) alf mil op esp / ranger,  Francisco Magalhães Moreira (vive em Santo Tirso, se não erro; nunca mais o vi, desde este 1º encontro, em 1994; terá seguido a carreira militar; não é membro da Tabanca Grande, o que é pena(; 

(xxiii) Fur mil at inf,  Joaquim Augusto Matos Fernandes (de óculos escuros, engenheiro técnico, vive ou vivia no Barreiro; também não é membro da Tabanca Grande, infelizmente, mas não costuma falhar os encontros da malta de Bambadinca de 1968/71); 

(xxiv) 1º cabo Carlos Alberto Alves Galvão (o homem que foi ferido duas vezes numa operação, vive na Covilhã; não integra a Tabanca Grande; dizem-me que não comunicou à tropa as habilitações literárias que tinha, para não ir para o CSM); 

(xxv)  Fernando Andrade Sousa (ex-1º cabo aux enf, CCAÇ 12, vive na Trofa); 

(xxvi) e, por fim, 2º sarg inf Alberto Martins Videira (vivia em Vila Real,já falecido, tal como o outo 2º srgt, o José Manuel Rosado Piça, que vivioa em Évora).


Foto (e legenda): © Fernando Calado (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
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Nota do editor:

Último poste da série > 22 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27662: In Memoriam (569): Carlos Alberto Machado de Brito (1932-2025), cor inf ref, 1º cmdt da CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, jun 1969/mar 1971): vivia em Braga, e foi comandante da GNR, comando territorial de Braga - Parte I

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27662: In Memoriam (569): Carlos Alberto Machado de Brito (1932-2025), cor inf ref, 1º cmdt da CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, jun 1969/mar 1971): vivia em Braga, e foi comandante da GNR, comando territorial de Braga - Parte I

 


1. Morreu "o nosso capitão Brito". Foi ele que nos levou para a Guiné, no T/T Niassa, em 24 de maio de 1969. Ao pessoal (éramos 6 dezenas de militares, graduados e especialistas), da CCAÇ 2590, mais tarde CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, mai 69/ mar 71).

O funeral já foi no passado dia 5 de dezembro último. Tinha 93 anos. De seu nome completo Carlos Alberto Machado de Brito. Viúvo, duas filhas. Vivia em Braga. Era um homem crente. Requiescat In Pace / Que Descanse em Paz.





Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Setor L1 (Bambadinca)  > Estrada Xime- Bambadinca > 1969 > Carlos Alberto Machado Brito, cap inf nº 50156311, foi o primeiro cmdt da CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, 1969/71)... Já tinha 37 anos e e pelo menos duas comissões no ultramar. No fim desta comissão no CTIG, foi promovido a major. Era um pesadelo, na época, a carreira militar para oficiais e sargentos do quadro. A grande vítima era a família.


Foto: © Humberto Reis (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Que recordações guardo dele ? Que lembranças temos dele, malta de Bambadinca, de 1969/71) ?

Para já, era uma um homem afável e civilizado no trato, como poucos, não tendo nada a ver com a imagem (negativa e estereotipada) que alguns de nós, milicianos, tínhamos de alguns oficiais do QP que conhecemos ao longo da nossa carreira militar de quase três anos (com o tempo da Guiné a dobrar, faz quase cinco!)...

Com os seus 37 anos, e duas comissões anteriores no Ultramar (a primeira em Angola,  CCAÇ, 309, Cabinda e Malanje, 1962/64, e depois Moçambique, se não erro), foi tão explorado pelo comando do Sector L1 (no tempo do BCAÇ 2852 e. depois,  do BART 2917) como os seus milicianos e os seus soldados, metropolitanos ou do recrutamento local (as nossas praças, fulas).

No final da comissão na Guiné, lá ganhou, com justiça, os galões de major. Em fevereiro de 1971, se não me engano.

Carlos Alberto Machado Brito, o nosso capitão Brito, estava reformado como coronel de infantaria. Julgo que era natural de Braga e vivia em Braga. Esteve também à frente do comando territorial de Braga, da GNR. São escassas as referências na Net sobre a sua carreira. Resta o nosso blogue.

Eu já em tempos tinha formulado o desejo de o voltar a ver, bem de saúde e, até por que não, como membro desta tertúlia... Foi ele que manifestou, pelo formulário de contacto do Blogger, o seu interesse em falar comigo:

segunda, 27/03/2023, 18:04

Queria entrar em contacto com o Luis Graça, ainda estou vivo com 90 anos e
5 meses

Cumprimentos,
Cor Carlos Alberto Machado Brito | macbrito@netcabo.pt


Estupidamente, a mensagem ficou esquecida na caixa de correio, sem resposta imediata. Respondi-lhe por mail, apenas ano e meio depois:

domingo, 27/10/2024, 17:08

Meu caro coronel,

Folgo muito em saber de si...Fiquei de lhe responder na devida altura, mas a oportunidade escapou-se-me. Mande-me o seu contacto telefónico, por favor; terei muito gosto em telefonar-lhe amanhã ou noutro dia, com tempo e vagar. 

A última vez que o vi (e a primeira, depois do nosso regresso) foi em 1994, em Fão, Esposende, no 1º encontro do pessoal de Bambadinca (1968/71)...

Alguns de nós já deixaram a Terra da Alegria, a começar pelo Rodrigues, o Carlão, o Branquinho, o Piça, o Videira, o Quadrado,  e outros.

Tem aqui quase uma dezena de referências ao seu nome, meu coronel... Mas gostaria de ter muitas mais. Falta o seu nome na lista alfabética dos amigos e camaradas da Guiné, são já 894 entre vivos e mortos.

Sobre a nossa CCAÇ 12 são já perto de 500 as ferências, no blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (...)

Deixo-lhe o meu nº de telemóvel... Luís Graça (eu era o furriel Henriques, o seu "pião de nicas"...) (...)

Estou cá para baixo, para o sul, mas vou muito ao Porto e ao Marco de Canaveses (Quinta de Candoz, perto do Rio Douro). 

Um abraço caloroso, Luís

Falámos depois longamente ao telefone. Estava num lar de professores, em Braga, sentia-se muito bem, em boa forma. Tinha o seu quarto, o seu conforto, a sua privacidade. Dava todos os dias o seu passeio higiénico pela cidade. E tinhas as filhas e netos por perto.

Hoje ao tentar ligar-lhe de novo e a
o pesquisar o seu nome no  Facebook,  é que me dei conta, com tristeza, da notícia da sua morte, em 4 de dezembro de 2025.

(Continua)

domingo, 7 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27502: Op Abencerragem Candente, subsetor do Xime, L1, 25 e 26 de novembro de 1970 - Parte I: Agrupamento A, CART 2714: itinerário Mansambo - Chacali-Taibatá-Xime


Guiné > Região de Bafatá > Carta do Xime (1955) (Escala 1/50 mil) > Reconstituição do percurso feito pelo Agrupamento A (CART 2714, Mansambo), nos dias 25 e 26 de novembro de 1970, no âmbito da Op Abencerragem Candente (subsetor do Xime, Sector L1, 25/26 de novembro de 1970).. 

Legenda: 

(i) tracejado a preto: Mansambo.Bólô - Mampará - Chicamiel - Chacali. Taibatã, das 11h00 do dia 25. até c. 18h00 (com pernoita em Chicamael, depois de percorridos cerca de 10 km desde o ponto de partida, Mansambo); retoma a progressão âs 5h45 do dia 26, asd NT dirigem-se para Taibatá (4 km em linha reta), que atingem às 8h00;

(ii) tracejado a roxo: percurso de Taibatá até ao Xime, no dia 26: Chacali - rio Canhala - Gidemo - Taliuará - Xime (que foi atingido pe4las 13h00 (cerca de 11 km)

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2025)








Guiné- Bissau > Região de Bafatá  > Mansambo > 1996 < Monumento erigido pela CART 2714 ("Bravos e Leais"), pertencente ao BART 2917 (Bambadinca, 1970/1972). Era  o único que restava de pé em 1996, quando o Humberto Reis lá passou. 


Não temos nenhum representante desta subunidade, no nosso blogue. Há muitos anos (em 2009) escreveu-nos de França, onde estava emigrado, o nosso camarada Guilherme Augusto Sousa, ex-sold cond auto, à procura de camarada da companhia. Deixou-nos os seus contactos: Guilherme Sousa. França: telef. 0033386951938 ou 0033670611957. 

Nunca mais nos deu notícias. 

O cmdt da CART 2714 era o cp art José Manuel Silva Agordela.
 
Foto (e legenda): © Humberto Reis (2009). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Recorde-se que o que se passou no subsetor do Xime em 26/11/1970, 4 dias depois da Op Mar Verde. A subunidade de quadrícula do Xime é a CART 2715 / BART 2917, que  que foi render, em maio de 1970, a CART 2520. Era comandada pelo cap art Vitor Manuel Amaro dos Santos, então com 26 anos (acabados de fazer em 22 de novembro).

Na Op Abencerragem Candente, que envolveu 3 destacamentos (CART 2714 / Mansambo, CART 2715/Xime e CCÇ 12/Bambadinca), num total de 8 grupos de combate (c. 250 homens), a CART 2715 e a CCAÇ 12 apanharam uma das mais sangrentas emboscadas na história do subsetor do Xime (e até do setor L1), com 6 mortos e 9 feridos graves. (*)

Os mortos foram penosamente transportados até ao Xime, em macas improvisadas, os feridos foram encaminhados para Madina Colhido e dali helievacuados para o HM 241, em Bissau... Não temos fotos desse dia de inferno.Nunca vi tanto sangue e restos humanos como nesse dia, na frente  da coluna que progredia, apeada, até à Ponta do Inglês, seguindo (perigosamente) ao longo da antiga picada Xime-Ponta do Inglês. E repetindo (!) o memso trilho da véspera. Calro, tinha uma emboscada em L, do lado direito,  à sua espera, com uma formidável seção de roqueteiros à cabeça, que massacrou os nossos homens da frente (CART 2715)...Enquadrados por cubanos, tiveram tempo de levar as espingardas G3 de mortos e feridos... E retiraram, na direção da margem direita do rio Corunal, com apoio de armas pesadas de infantaria (morteiro 82 e canhão s/r). Terão tido também seis mortos, segundo notícias posteriores.



Excerto da História do BART 2717 (Bambadinca, 1970/72)

 Operação "Abencerragem Candente"   > 25 e 26 de novembro de 1970 >  Agrupamentos (A=CART 2714, Mansambo), B (=CART 2715, Xime) e C (=CCAÇ 12, Bambadinca) > Desenrolar da acção


Parte I - Agrupamento A [CART 2714, Mansambo]


25 de Novembro de 1970

Em virtude do aquartelamento de Mansambo ter sido atacado pelo IN pelas 6,50 horas, só foi possível a saída dos 2 Grupos de Combate da CART 2714 às 11,00 horas.

 Os 2 Grupos de Combate progrediram e reconheceram ao longo do itinerário Mansambo-Bólô  que foi atingido às 12,30 horas.

 Feito um pequeno alto para almoçar continuou-se a progredir na direcção de Mampará, que foi atingida cerca das 15,00 horas.[7 km em linha reta]

 A norte de Mampará, e no trilho para Chicamael, sensivelmente no ponto de coordenadas [XIME 5E4-95] foi encontrado um trilho de passagem recente.

Da exploração deste trilho detectou-se que o mesmo se encontrava orientado na direcção do Rio Buruntoni-Moricanhe.

Continuou-se a progredir na direcção de Chicamael que foi atingida cerca das 17,45 horas. [3 km em linha reta].

Em Chicamael, foi avistado um trilho bastante batido na direcção de Madina.

Feito um alto para pernoitar, os 2 Grupos de Combate instalaram-se de forma a montar emboscadas nocturnas ao longo desse trilho e no trilho de Chicamael- Mampará.

26.de novembro de 1970

Pelas 5,45 horas começou-se a progredir na direcção W procurando encontrar as nascentes do Rio Canhala.

Dada a grande vegetação não foi possível progredir nessa direcção tendo-se resolvido caminhar para Norte, que apresentava melhores condições de orientação.

Às 8,00 horas atingiu-se Taibatá [4 km em linha reta] onde foram pedidos 2 guias que pudessem levar o  Agrupamento até Gidemo.

Às 8,15 horas saiu-se de Taibatá a caminho de Chacali onde pelas 9,00 horas foi ouvido grande tiroteio e rebentamentos na direcção do Xime. 

Mandado ligar o Racal, fez-se uma chamada para o aquartelamento do Xime,  não se tendo obtido resposta a esta chamada. Continuando a progredir, o Rio Canhala  foi atravessado pelas 10,00 horas.[4 km em linha reta ]

Continuando a progressão até Gidemo,  detectaram-se trilhos batidos junto do ponto de Cota 24 que se orientavam para Sul (Rio Gundagué).

Dado que os guias não afiançavam a passagem do Rio Gundagué em Lantar [4 km em linha reta] ,  foi resolvido retirar novamente para Chacali  e daqui par Taliuára.

No trilho Chacali - Taliuára foi detectado terreno batido recentemente no ponto de coordenadas [XIME 6A5-49], se dirigia para direcção do alto de Ponta Coli.

Continuando a progressão até Taliuára [ 5 km em linha reta], este ponto foi atingido às 13,00 horas, com evidente cansaço de todo o pessoal.

Dado conhecimento a Bambadinca da localização do Agrupamento A,  foi o mesmo mandado avançar para o Xime, onde chegou cerca das 13,00 horas [  1,5 km em linha reta].

(Continua)

(Revisão / fixação de texto: LG)




Guiné > Região de Bafatá > Setor L1 > Xime > Madina Colhido > CART 2520 (1969/70) e CCAÇ 12 (1969/71) > Op Boga Destemida > 9 de fevereiro de 1970 > A helievacuação de feridos em Madina Colhido, no regresso ao Xime ... Madina Colhido era um dos poucos sítios seguros para se fazer as helievacuações dos nossos feridos graves, como aconteceu com os nossos camaradas dos Agrupamanentos B (CART 2715, Xime)e C (CCAÇ 12, Bambadinca) apanhados pela emboscadada do PAIGC, no dia 26 de novembro de 1970, por cilktra das 08h50, na antiga estrada Xime- Ponta do Inglês, na sequência da Op Abencerragem Candente, mal planeada e pior executada. Resultado: 6 mortos e 9 feridos graves. Não uma linha no livro da CECA sobre a atividade operaciobnal das NT no ano de 1970. 


Foto: © Arlindo T. Roda (2010). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

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Nota do editor LG:

(*) Vd. poste de 27 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27468: Efemérides (378): foi há 55 anos a Op Abencerragem Candente (25 e 26 de novembro de 1970, subsetor do Xime), com meia dúzia de mortos de um lado e do outro

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27468: Efemérides (378): foi há 55 anos a Op Abencerragem Candente (25 e 26 de novembro de 1970, subsetor do Xime), com meia dúzia de mortos de um lado e do outro




Seco Camará, guia e picador das NT.
Morto em 26/11/1970. Está sepultado
em Nova Lamego /Gabu
 Foi vouvado a título póstumo
pelo cmdt do CAOP2, em 28/1/71,
e pelo Cmd-Chefe, em 16/4/71
Foto: Torcato Mendonça (2007)


(...) Um, dois, três, quatro, cinco, seis homens 
vão morrer daqui a três ou quatro horas,
às 8h50,
em vinte e seis de novembro de mil novecentos e setenta,
no cacimbo da madrugada,
na antiga picada do Xime-Ponta do Inglês.
Cinco brancos e um preto,
a lotaria da morte, em L,
numa emboscada que é cubana,
numa roleta que é russa,
com os RPG, amarelos, "made in China"...
no corrocel da morte que é, afinal, universal! (...) (*)



1. Um dos maiores desaires das NT, no Sector L1 (Bambadinca), no meu tempo (CCAÇ 2590 / CCAÇ 12, junho de 1969/ março de 1971) foi a Op Abencerragem Candente  (subsetor do Xime, 25 e 26 de novembro de 1970). 

Temos 3 dezenas de  referências no nosso blogue a esta operação. Em contrapartida, há um estranho silêncio nos livros da CECA (Comissão para o Estudo das Campanhas de África), como já em tempos referimos. Silêncio em relação  este revés das NT bem como a outros... 

De facto, não há sequer uma linha no livro relativo à atividade operacional no CTIG em 1970: vd. CECA - Comissão para o Estudo das Campanhas de África: Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974) : 6.º Volume - Aspectos da actividade operacional: Tomo II - Guiné - Livro II (1.ª edição, Lisboa, 2015), 

A Op Abencerragem Candente (envolvendo 8 Gr Comb, 3 da CART 2715, 3 da CCAÇ 12 e 2 da CART 2714) foi  há 55 anos atrás (4 dias depois da Op Mar Verde).

Terá sido, no subsetor do Xime, a mais sangrenta das operações ali realizadas, durante a guerra colonial, pelo lado das baixas contabilizadas para as NT: 6 mortos e 9 feridos graves. O IN, por sua vez, terá tido outros tantas baixas.

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Notas do editor LG:

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Guiné 61/74 - P27325: A nossa guerra em números (41): quantos eram os elementos do serviço de saúde por batalhão ? E por companhia ? Médico, enfermeiro, auxiliar de enfermeiro, maqueiro...


Guiné > Região de Bafatá >Sector L1 (Bambadinca) > CCAÇ 12 (Bambadinca, 1969/71) > Finete > Elementos da 1.ª secção do 2.º Gr Comb da CCAÇ 12 , num patrulhamento ofensivo ao Mato Cão, para montagem de segurança à navegação do rio Geba Estreito >

"Eu, Fernando Andrade Sousa, à esquerda, na primeira fila, com a mala de primeiros socorros, e a minha G-3 (nunca usei pistola), com malta de da 1ª secção do 2º Gr Comb, da CCAÇ 12. 

Além do Arménio Monteiro da Fonseca, de alcunha o "Campanhá" [que vive no Porto, em Campanhã], a secção era composta por: (i) soldado arvorado Alfa Baldé (Ap LGFog 3,7); e ainda os sold Samba Camará, Iéro Jaló, Cheval Baldé (Ap LGFog 8,9) [, à direita do Arménio), Aruna Baldé (Mun LGFog 8,9) [, à minha esquerda], Mamadú Bari, Sidi Jaló (Ap Dilagrama) (FF) [, dado como tendo sido fuzilado depois da independência], Mussa Seide, e Amadú Camará, todos fulas ou futa-fulas. Desta vez, o  comandante de  a secção foi  o fur mil arm pes inf Henriques [o nosso editor, Luís Graça], de óculos escuros, ao lado do Arménio". 

Foto (e legenda): © Fernando Andrade Sousa (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Crachá da CCAÇ 2590 / CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, 1969/71)



1. Cada Batalhão  (Infantaria, Artilharia ou Cavalaria)  ou deveria ter, segundo as famosas NEP que ninguém conhecia:
  • quatro médicos (um por companhia);
  • quatro sargentos enfermeiros (um por companhia);
  • nove cabos auxiliares de enfermeiro (três por cada subunidade de quadrícula ou companhia operacional);
  • quatro maqueiros (só a CCS).
Na prática isso não acontecia, ou só muito raramente, vinham sempre desfalcadas de médicos e de 1ºs cabos auxiliares de enfermeiro. 

2. Pegando na História da Unidade do BCAÇ 4612/72 (Mansoa, 1972/74):

Constata-se que tinha 1 capelão (com o era a norma), mas não tinha médico quando chegou ao CTIG em 28/9/72 (o comando e a CCS) (com regresso a 27/9/1974).
  • a CCS levava um furriel enfermeiro;
  •  dois 1ºs cabos aux enf;
  • e dois sold maqueiros;
A 1ª C/BCAÇ 4612/71 desembarcou com:
  •  um fur mil enf;
  •  dois 1ºs cabos aux enf.
 A 2ª Companhia não tinha, originalmente, nem fur enf nem 1ºs cabos aux enf. 

A tinha um fur enf, e um 1º cabo aux enf.

Este batalhão vinha, pois, desfalcado de pessoal sanitário. Pelos complementos e recomplementos, que constam da história da unidade, vê-se que o pessoal de saúde teria maior taxa de turnover ou rotação... O então havia já, na metrópole, escassez deste pessoal...


3. Um batalhão, a que eu estive adido (de julho de 1969 a maio ou junho de 1970), o BCaç 2852 (Bambadinca, 1968/70), parecia ter o quadro orgânico completo:
  • a CCS tinha 3 médicos (mas eu só conheci um; também não tinha capelão);
  •  dispunha de um fur enf + um 1º cabo aux enf + 2 sold maqueiros (e ainda um 1º cabo de análise e depósito de águas);

Das companhias de quadrícula, a CCAÇ 2404, CCAÇ 2405 e CCAÇ 2406, verifico, pela história da unidade, que todas estavam dotadas de:
  • um fur enf;
  • três 1ºs cabos aux enf.
  • os soldados maqueiros só existiam nas CCS.
4. Outro batalhão, a que esteve adida a CCAÇ 12, o BART 2917 (Bambadinca, 1970/72) tinha, a CCS: 
  • 2 alferes médicos (mas eu, em meados de 1970, só conheci um) (trazia também um capelão, o nosso amigo Arsénio Puim);
  • 1 fur mil enf;
  • 1 cabo aux enf;
  • 4 soldados maqueiros;
  • 1 cabo analista de águas.
As CART 2714 (Mansambo)  e 2715 (Xime)  tinham,  cada um delas:
  • 1 fur mil enf;
  • 3 cabos aux enf.
A CART 2716 (Xitole) só dispunha originalmente de 1 fur mil enf + 2 cabos aux enf.


5. Descendo ao nível de uma subunidade, como a CCAÇ 12, companhia de recrutamento local, que foi subunidade de intervenção ao serviço do BCAÇ 2852  (Bambadinca, 1969/70) e depois do BART 2917 (Bambadinca, 1970/71)...

Em comentário à publicação do álbum de Fernando Andrade Sousa que foi 1º cabo aux enf, CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, entre maio de 1969 e março de 1971), e mora na Trofa
, já escrevemos aqui me tempo o seguinte:

É inacreditável como é que a CCAÇ 12, uma subunidade de intervenção, só tinha dois enfermeiros operacionais para alinhar no mato, aliás, dois 1ºs cabos aux enf, o Fernando Sousa e o Carlos Alberto Rentes dos Santos.

E este último só por pouco tempo, já que foi trabalhar como carpinteiro (!) no reordenamento de Nhabijões!... 

O 1º cabo aux enf José Maria S. Faleiro foi cedo evacuado para a metrópole, por doença infetocontagiosa (hepatite, segundo creio) e só muito mais tarde foi substituído pelo 1º cabo aux enf Fernando B. Gonçalves [de quem já nem me lembro a cara].

Os alf mil medicos e os furrieis mil enfermeiros (como era o caso do nosso João Carreiro Martins, de resto já enfermeiro na vida civil ) não alinhavam no mato (!), sendo cada vez mais absorvidos pelas tarefas de prestação de cuidados de saúde às populações civis!... E não tinham mãos a medir!

Spínola parecia confiar apenas no HM 241, nos helicópteros da FAP e nas enfermeiras paraquedistas que vinham fazer as evacuações Ypsilon!... 

Mas é legítimo perguntar-se: quantos camaradas nossos não terão morrido por falta de primeiros socorros e reanimação no mato?!... 

A vida ali contava-se ao segundo... 

E nenhum de nós, graduados, capitão, alferes, furriéis ou cabos, tinha aprendido na academia militar, ou recruta e na especialidade (tratando-se de milicianos ou praças do cointingente geral) a fazer um simples garrote para estancar um ferimento de bala numa perna ou num braço!... Muito menos administrar um soro... Ou dar uma injeção de morfina!... É que os enfermeiros também eram alvos a abater, no caso de uma emboscada no mato...

Nunca vi ninguém protestar por esta insólita situação. Aliás, protestava-se pouco. A nossa geração nasceu já com a canga em cima! A malta comia e calava
...

A política "Por uma Guiné Melhor" levou Spínola a "canibalizar", literalmente,  o seu próprio exército: alguns dos nossos melhores operacionais eram afetados a missões civis, como os reordenamentos, os postes militares escolares e os serviços de saúde! ... E mais: os nossos melhores operacionais (alferes e furrieis) iam para as "africanas"...

Spínola tinha pressa em "roubar" as populações ao PAIGC... Spínola sempre quis superar o Amílcar Cabral... Ficar na história da Guiné. E até de África. Não o deixaram, os capitães do MFA, fazer o referendo que ele tanto secretamente ambicionava. 

Não temos dúvidas que, taco a taco, ele ganharia ao Amílcar Cabral em 1972, antes de este ser assassinado. Miseravelmente, pelas suas próprias criaturas. 

Tinha os fulas e os manjacos e os felupes, a seu lado, e um parte dos balantas e mandingas e dos papéis. E a pouco e pouco reconquistaria o coração dos "guinéus". Era só uma questão de tempo... Mas ele tinha o tempo contra si!... O tempo histórico.  E depois do 25 de Abril de 1974, já era tarde... demais. 

Sim, Spínola queria conquistar os guinéus. Não pela força das armas mas pela força da razão e do coração. Ouvi este trocadilho por diversas vezes. 

Com a melhor das intenções, seguramente, mas a verdade é que Spínola e os spinolistas acabaram por desfalcar as companhias que andavam na "porrada"... 

Enfim, não sabemos  o que se passava com as tropas especiais,que tinham outro estatuto e poder reivindicativo... Seria interessante saber como estavam organizados os serviços de saúde nos destacamentos de fuzileiros especiais, nas companhias de comandos, no BCP 12...

Mais: a CCAÇ 12 é obrigada a participar diretamente no "projecto de recuperação psicológica e promoção social da população dos Nhabijões", ao tempo do BCAÇ 2852 (e depois do BART 2917), fornecendo uma equipa de reordenamentos e autodefesa, constituída pelos operacionais:
  • alf mil António Carlão (cmdt do 2º Gr Comb, transmontano, oriundo do CSM,  já falecido);
  • fur mil at inf Joaquim M. A. Fernandes (cmdt da 1ª seção do 4º Gr Comb; será ferido numa mina /AC à porta do reordenamento, em 1371/1971);
  • 1º cabo at inf Virgílio Encarnação (cmdt da 3ª seção do 4º Gr Comb);
  • sold arv at int Alfa Baldé;
  • (e adicionalmente) sold cond auto Manuel Costa Soares (morreu  na mesma mina A/C a 13/1/71 em Nhabijões; nunca conheceu a filha pequena que deixou na terra).

Foram tirar o respectivo estágio a Bissau, de 6 a 12 de Outubro de 1969, os quatro primeiros, estava  a CCAÇ 12 há três meses em Bambadinca, às ordens dos "veteranos" do  BCAÇ 2852...

Foram ainda requisitados à CCAÇ 12 dois carpinteiros, um  1º cab at inf (cujo nome ainda consegui saber) e próprio 1º cabo aux enf Carlos Albertos Rentes dos Santos.

A CCAÇ 12 tinham 24 operacionais (graduados e 1ºs cabos atiradores), 
metropolitanos ( os restantes eram especialistas), e uma centena de praças do recrutamento local, praticamente todos fulas,  distribuídos por 4 grupos de combate.

 Os especialistas, metropolitanos (condutores auto,  mecânicos, transmissões, cripto, enfermagem,  etc..) eram  menos de 4 dezenas elementos ( viemos todos, uns 60, no T/T Niassa em 24/5/ 1969; pertencia os á CCAÇ 2590).

Os 4 elementos operacionais brancos que são retirados à companhia (futura CCAÇ 12), representavam... um 1/6 do total!

Na prática, e durante muitos meses, o pobre do 1º cabo aux enf Fernando Andrade Sousa era o único a "alinhar no mato", dos 4 elementos iniciais da equipa de saúde!... (A CCAÇ 12 não tinha, de resto, soldados maqueiros, que só existiam nas CCS;  é possível que, por vezes, tenha alinhado o pessoal sanitário da CCS em operações a nível de batalhão.)

E o Fernando também tinha, além disso, de integrar as equipas de "ação psicossocial
" (!), por exemplo, as visitas às tabancas, vacinação, etc....

E mais: ia todos os dias para o posto de saúde quando estava em Bambadinca!... E ainda foi destacado, dois ou três meses, no princípio de 1970, para o Xime da CART 2520, que estava sem enfermeiro!...

Em conclusão foram homens como o Fernando Andrade Sousa, "marca car*lho...",, como se diz no Norte, que seguraram as pontas desta "p*ta... de guerra"!... 

Julgo que levou, no fim, um louvor, averbado na caderneta militar, como seria, de resto, da mais elementar justiça!... Era o mínimo que  o capitão lhe podia dar!

O Sousa vive na Trofa. E infelizmente não está  bem de saúde. Já não me reconhece quando lhe telefono. Era o campeão dos convívios anuais. Até há uns anos atrás não faltava a nenhum. É uma dor de alma, amigos e camaradas!
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 15 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27321: A nossa guerra em números (40): em 1967, no CTIG, existiam 76 tabancas em autodefesa, 350 com armamento distribuído, e 20 mil "mausers" (c. 12 mil em mãos de civis)

domingo, 31 de agosto de 2025

Guiné 61/74 - P27171: Felizmente ainda há verão em 2025 (28): A "política de terra queimada": a guerra peninsular (1807-1814) e a guerra colonial no CTIG (1963/74) - Parte I




Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca ) > Subsector de Xime >Madina Colhido > Fevereiro de 1970 > Sinais de queimadas (das NT ou do IN)... Proporcionavam a criação de clareiras onde era mais fácil os nossos helicópteros pousar...Como foi o caso do dia 9 de Fevereiro de 1970: 

(i) por volta das 5 e tal da manhã, o 1º cabo Galvão, da 3º Gr Comb / CCAÇ 12, ficou ferido  (torceu um pé) na cambança do Rio Buruntoni (havia uma tosca ponte feita pelo IN  de troncos de árvores);

 (ii) ás 13h00 as NT sofreram uma violenta emboscada em Gundagué Beafada, de que  resultariam uma série de baixas entre as NT (CART 2520, Pel CAç Nat 63 e CCAÇ 12), incluindo o 1º cabo Galvão que ia nesse momento em padiola improvisada e foi alvejado a tiro;

 (iii) a helievacuação dos feridos deu-se já em Madina Colhido  (um local de trágica memória e o fotógrafo estava lá...):

 (iv) em dezembro de 1975 seriam fuzilados, neste local,  pelo PAIGC ( no poder)  alguns antigos militares que haviam combatido  ao nosso lado, incluindo o nosso antigo soldado arvorado, futa-fula, o gigante Abibo Jau, do 1o. Gr Comb (que entretanto  ingressara em 1973/74 na CCAÇ 21);

Fotos: © Arlindo T. Roda (2010). Todos os direitos reservados. Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.




Arlindo Teixeira Roda: ex-fur mil at inf, 3º Pelotão, CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, 1969/71); o melhor fotógrafo da CCAÇ 12 e de Bambadinca, juntamente com o Humberto Reis;  no passado 25 de janeiro de 2025 em Coimbra, foi-lhe atribuída a designação de Presidente Emérito da Federação Portuguesa de Damas, tendo em conta a sua ação na criação da Federação e, também, a condução do organismo nos últimos 12 anos. 




1.  Felizmente que ainda há verão em 2025... 

Felizmente que  a Tabanca Grande também tem (e mantém) a sua "universidade sénior de verão"...

 Felizmente que a gente ainda vai tendo paciência, tempo e pachorra para ir blogando, escrevendo, lendo, comentando o nosso blogue (que fará 22 anos de existência em 23 de abril de 2026, se lá chegar, se lá chegarmos com vida e saúde)...

 Felizmente que o meu camarada da CCAÇ 2590 /  CCAÇ 12 (fomos juntos no T/T Niassa em 24/5/69 e regressamos juntos no T/T Uige em 17/3/71), o Arlindo Roda, natural de Pousos,Leiria, deu sinais de vida, ao fim de mais de 30 anos (!), telefonando-me na sexta feira passada... (Vive em Setúbal, reformado de professor do ensino técnico, desde os...57 anos!).

A propósito de "fogos florestais" (*)...

Na Guiné-Bissau, antes da guerra colonial, era tradicional fazerem-se grandes queimadas no tempo seco. Era uma prática generalizada para se obter novas terra e pastagens, se bem que à custa da destruição da floresta e da degração dos solos.

Durante a guerra colonial, até 1974, ambos os combatentes (PAIGC e Exército Português), recorreram a política de "terra queimada": 

  • os bombardeamentos e o fogo posto (no capim) causavam incêndios, de maior ou menor proporção, abrindo vastas clareiras na savana arbustiva;
  • uso de balas  incendiárias nos ataques às nossas tabancas (fulas);
  • por sua vez, o abate indiscriminado de gado e a destruição dos "stocks" de arroz e outros víveres foram uma forma de usar a "fome" contra o IN na guerra de contrassubversão;
  • um exemplo da política de terra queimada foi a Op Lança Afiada (Sector L1, Bambadinca, 8-18 de março de 1969), comandada pelo cor inf Hélio Felgas (mais tarde, maj - gen, ref., 1920-2008 
 Iremos, na segunda parte deste poste, falar da alegada  "política de terra queimada" na Guiné, exemplificada pela Op Lança Afiada... 

De qualquer modo, há outros exemplos históricos do recurso à "política da terra queimada", como estratégia militar para devastar territórios, privando o inimigo de recursos  (alimentos,  abrigo...).


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Batalha do Buçaço (1810). Gravura da época.
Fonte: Arquivo Histórico-
Milityar | Wikipedia

2. Para não irmos mais longe, cite-se o caso da guerra peninsular (1807-1814): durante as invasões napoleónicas, as tropas luso-britâncias aplicaram a política de terra queimada para atrasar o avanço das tropas francesas e privá-las de recursos alimentares.

A política de terra queimada envolveu a evacuação das populações, e a destruição de searas, pomares,  moinhos, pontões , casas e e demais bens que não podiam ser transportados. 

Essa tática foi utilizada especialmente durante a terceira invasão francesa (1810-1811), comandada por Massena, após a batalha do Buçaco (27 de setembro de 1810)  e durante o avanço e recuo para as Linhas de Torres Vedras. 

Tanto as  tropas luso-britânicas como a guerrilha portuguesa também recorriam à destruição de gado, alimentos e outros víveres para causar fome e dificultar a subsistência dos invasores.


(i) A dupla estratégia de Wellington: As Linhas de Torres e a política de "Terra Queimada" que puseram fim às invasões napoleónicas

Durante a terceira e última invasão francesa de Portugal, em 1810, o General Arthur Wellesley, futuro Duque de Wellington, engendrou uma brilhante e implacável estratégia defensiva que se revelaria decisiva para a derrota e  expulsão das tropas napoleónicas. 

Esta estratégia assentava em dois pilares fundamentais e interdependentes: 

  • a construção das monumentais e secretas Linhas de Torres Vedras;
  • a aplicação de uma rigorosa política de terra queimada.


As Linhas  deTores. Fonte: Wikipedia





Longe de serem uma mera barreira física, as Linhas de Torres Vedras eram um complexo e sofisticado sistema defensivo que se estendia por dezenas de quilómetros, desde o Tejo até ao Oceano Atlântico, protegendo a capital, Lisboa.

(ii) As Linhas de Torres Vedras: uma fortaleza impenetrável

A sua construção, iniciada em segredo em novembro de 1809, um ano antes da chegada do exército francês, foi uma obra de engenharia militar, genial,  sem precedentes.

O sistema era composto por três linhas defensivas principais, aproveitando as elevações naturais do terreno. Eram constituídas por uma rede de mais de 150 fortes, redutos, postos de artilharia (mais de 6 centenas de bocas de fogo), estradas militares e outros obstáculos, guarnecidos por dezenas de milhares de soldados portugueses e britânicos (cerca de 40 mil)  

A primeira linha, a mais exterior e fortemente fortificada, foi concebida para deter o avanço inicial do inimigo. 

A segunda linha oferecia uma posição de recuo, enquanto a terceira, mais próxima de Lisboa, visava proteger uma eventual evacuação das tropas britânicas por mar, um cenário que Wellington sempre considerou.

O grande trunfo das Linhas de Torres residia no facto de serem praticamente desconhecidas do exército invasor, comandado pelo Marechal André Massena. E mesmo dos seus construtores (cada um  só conhecia a sua seção, ou local; quem tinha a visão do conjunto era o próprio Wellington e o seu engenheiro militar, o coronel Richard Fletcher.

Ao chegar às suas imediações, em outubro de 1810, após a Batalha do Buçaco, Massena deparou-se com uma barreira formidável e inesperada, que se revelaria intransponível.

(Imagem à direita: Arthur Wellesley (1769-1852), 1º duque de Welington. Fonte: Wukipedia)


(iii) A política de Terra Queimada: a fome como arma...de dois gumes


Complementar à defesa estática proporcionada pelas Linhas de Torres, Wellington implementou uma brutal, mas eficaz, política de terra queimada. 

À medida que o exército anglo-luso se retirava estrategicamente para o refúgio das Linhas, foi dada ordem para que a população civil abandonasse as suas terras, levando consigo todos os bens e gado que conseguisse transportar.

Tudo o que não podia ser levado era sistematicamente destruído: colheitas foram queimadas, moinhos desmantelados, pontes derrubadas e celeiros esvaziados. 

O objetivo era criar um vasto deserto à frente das Linhas, privando o exército francês de qualquer meio de subsistência. A proclamação de Wellington foi clara: nada deveria ser deixado para trás que pudesse ser utilizado pelo inimigo.

Esta política teve consequências devastadoras para a população portuguesa, que sofreu enormes privações, fome e doenças. (No entanto, do ponto de vista militar, foi um golpe de mestre:  o exército de Massena, que dependia da requisição de mantimentos no terreno para se abastecer, viu-se rapidamente a braços com uma crise logística insustentável.)


(iv) O desfecho da invasão: a vitória da estratégia das Linhas de Torres e da  "política de terra queimada"

Enquanto o exército anglo-luso se encontrava seguro e bem abastecido dentro das Linhas, com o porto de Lisboa a garantir o fornecimento contínuo de homens e provisões, as forças francesas definhavam do lado de fora. 

Durante meses, Massena manteve as suas tropas (3 exércitos, 65 mil homens) em frente às Linhas, na esperança de que Wellington saísse para uma batalha em campo aberto, o que nunca aconteceu.

A fome, as doenças e o constante assédio por parte das milícias portuguesas foram dizimando o exército francês. Sem esperança de receber reforços ou mantimentos e confrontado com a aproximação do inverno, Massena foi forçado a ordenar a retirada em março de 1811.

 A perseguição movida pelas tropas de Wellington transformou a retirada francesa num pesadelo e num desastre, culminando na sua expulsão definitiva de Portugal.

A combinação genial das Linhas de Torres Vedras com a política de terra queimada demonstrou a visão estratégica de Wellington e a resiliência do povo português. 

Esta dupla abordagem não só salvou Portugal da ocupação napoleónica (e partilha do território, que seria dividido em três partes), como também marcou um ponto de viragem na Guerra Peninsular, contribuindo decisivamente para o eventual colapso do império de Napoleão Bonaparte.

Claro, há o reverso da medalha: resultou em enormes sofrimentos para a população portuguesa, incluindo assassinatos e maus-tratos, ruína agrícola, saques e incêndios em cidades, vilas e aldeias. 

Muitas aldeias foram evacuadas e transformadas em territórios desérticos, levando à fome,  a epidemias e à escalada dos preços dos géneros alimentícios. O sacrifício da terra queimada, embora essencial para travar os franceses, empobreceu grandemente o país, justificando-se pelo objetivo de proteger a independência nacional.

(v) Um rasto de morte e  desolação

As Invasões Napoleónicas, que assolaram Portugal entre 1807 e 1814, deixaram um profundo rasto de morte e destruição.

É  extremamente difícil apurar o número exato de vítimas, as estimativas apontam para uma perda demográfica significativa, que terá ultrapassado as 200 mil  pessoas, podendo mesmo aproximar-se das 300.000, entre civis e militares.

Este valor representa uma quebra demográfica considerável para um país que, no início do século XIX, contava com uma população total de aproximadamente 2,9 a 3 milhões de habitantes. (E que só duplicaria 100 anos depois, 6 milhões em 1910.)

A contagem precisa das vítimas é dificultada pela natureza do conflito, que não se limitou a batalhas campais. A fome, as epidemias e os massacres perpetrados sobre a população civil foram responsáveis pela grande maioria das mortes. 

A terceira invasão, liderada pelo marechal Massena em 1810-1811, é consensualmente considerada a mais brutal e devastadora para os portugueses.

No início do século XIX, a população portuguesa rondava os 3 milhões de pessoas;

  • dados mais específicos indicam que em 1801 a população era de 2.931.930 habitantes;
  • durante o período das invasões, nomeadamente em 1811, registou-se uma diminuição para 2.876.602 habitantes, um reflexo direto do impacto da guerra, da fome e das doenças na demografia do país.

As múltiplas ( e interligadas) causas da elevada morbimortalidade  

  • Ações militares: as batalhas, escaramuças e cercos ao longo dos sete anos de conflito resultaram num número significativo de baixas militares, tanto do exército regular como das milícias e ordenanças que se opunham aos invasores; as tropas regulares portuguesas (cerca de 20 a 30 mil homens mobilizados) sofreram baixas consideráveis: os números variam, mas as estimativas apontam para  em 10 a 15 mil mortos em combate ou por doença, sem contar desertores e incapacitados.

  • Massacres e violência sobre civis: as tropas francesas (Junot, Soult e Massena), e por vezes também as aliadas, cometeram diversas atrocidades contra a população civil; vilas e aldeias foram pilhadas e queimadas, e os seus habitantes massacrados; a violência fazia parte da tática de intimidação e retaliação contra a resistência popular; há relatos contemporâneos que falam em dezenas de milhares de civis mortos diretamente (talvez 40 a 60 mil ao longo das campanhas.

  • Fome generalizada: a política de "terra queimada", adotada tanto pelas tropas em retirada como pela resistência para dificultar o avanço inimigo, levou à destruição de colheitas e à requisição forçada de alimentos; o episódio mais devastador foi a política de terra queimada durante a 3.ª Invasão (1810-11): populações inteiras do norte e centro foram obrigadas a abandonar casas e colheitas para dificultar a progressão de Masséna.

  • Epidemias:  a subnutrição, as más condições de saúde e higiene, a deslocação de populações, a concentração de refugiados e tropas criaram o ambiente ideal para a propagação de doenças como o tifo, a disenteria e a varíola, que ceifaram milhares de vidas.
Vários historiadores (como Oliveira Martins) falam que Portugal terá perdido perto de 300 mil pessoas no total das invasões.

A combinação destes fatores resultou numa catástrofe demográfica que marcou profundamente a sociedade portuguesa. A perda de vidas, aliada à destruição de infraestruturas e à desorganização social e  económica, deixou o país exaurido e contribuiu para a instabilidade política e social que se seguiu ao fim do conflito.

A perda de quase um décimo da sua população  (cerca de 300 mil num total de 3 milhões em 1801), num período de sete anos (1807/14) representou uma catástrofe demográfica de enormes proporções para Portugal e marcou um dos períodos mais mortíferos da sua história.

Com a fuga da corte para o Brasil (donde só regressará em 1821), as invasões napoleónicas e a crescente influência inglesa na vida política nacional, assiste-se, por outro aldo, à destruição do incipiente desenvolvimento do capitalismo industrial em Portugal, iniciado em meados do séc XVIII, sobretudo com o pombalismo.

A política de terra queimada (sobretudo na 3ª invasão, 1810/11) ficou marcada na memória popular portuguesa, especialmente nas regiões centro e norte do país, como uma das mais severas provações já enfrentadas pela população civil. Foram relatados casos extremos de devastação onde até estradas e casas foram destruídas para impedir o acesso dos franceses a qualquer recurso útil.

A expressão "ir p'ró maneta" vem dessa época. O "maneta" era a alcunha do Louis Henri Loison (1771-1816): perdera um braço num episódio de caça, foi  talvez  o mais sanguinário e rapace dos generais franceses de Napoleão, participou nas três invasões franceses (facto a comprovar)... 

O seu nome inspirava terror e horror, pela sua crueldade e pela forma como torturava e executava os prisioneiros, e especialmente os guerrilheiros portugueses.

Em resumo, a política de terra queimada (a par das Linhas de Torres) foi um dos instrumentos mais importantes na resistência às invasões francesas em Portugal, com consequências profundas para o território e para o povo português. (**)

(Continua)

(Pesquisa: LG | Assistente de IA / Gemini, Perplexity, ChatGPT)

(Para saber mais: Centro de Interpretação das Linhas de Torres | CM Sobral de Monte Agraço)

(Revisão / Fixação de texto, negritos, itálicos, subtítulos: LG)

Quinta de Candoz, 31 de agosto de 2025, 18:00

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Notas do editor LG:

(*) Vd. comentários de António Rosinha e Fernando Ribeiro. Poste de 30 de agosto de 2025 Guiné 61/74 - P27166: Os 50 anos da independência de Cabo Verde (9): Secas e fomes levaram ao longo do séc. XX à morte de mais de 100 mil pessoas

(...) António Rosinha:

(...) "Eram os tempos da sardinha para 3 (ou 4), e em que não havia incêndios, embora houvesse piromaníacos e incendiários como haverá sempre, mas os resíduos das florestas eram poucos para aquecer as lareiras e defumar os enchidos.

sábado, 30 de agosto de 2025 às 12:27:00 WEST

(...) Fernando Ribeiro:

(...)  Antº Rosinha, em Portugal sempre existiram incêndios e sempre existirão, porque são uma forma de a Natureza se renovar. Não há volta a dar-lhe. O que não existia, era tantos eucaliptos e tantos pinheiros bravos, que ardem como palha, nem tanto despovoamento do interior. Em 1966, concretamente, morreram 25 militares no combate a um incêndio ocorrido na serra de Sintra. (...)