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quinta-feira, 5 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27798: Fotos à procura de... uma legenda (200): Bingo, Paulo Raposo e Nelson Herbert!... Acertaram: é o antigo edifício da Marinha e Oficinas Navais, junto ao cais do Pijiguiti, Bissau



Foto nº 1A e 1 > Guiné - Bissau > Bissau > c. 2010 > Foto aérea da zona ribeirinha, porto, cais do Pijiguiti (ou Pindjiguiti) e Instalações Militares da Marinha de Guerra (*)




Foto nº 2A e 2 > Guiné - Bissau > Bissau > c. 2010 > Foto aérea da zona ribeirinha, cais do Pijiguiti (ou Pindjiguiti) (à esquerda) e Instalações Militares da Marinha de Guerra (à direita, edifício em L) (*)



Foto nº 3 > Guiné - Bissau > Bissau > c. 2010 > Foto aérea da "Bissau Velho": em primeiro plano, o telhado e as torres sineiras da catedral católica (à esqureda), um troço da Av Amílcar Cabral, o estuário do Geba, o porto, o ilhéu do Rei, e, assinalado a amarelo, o edifício em L das Instalações Militares da Marinha de Guerra, sito na Av 3 de Agosto (antiga marginal)



Foto nº 4 > Guiné - Bissau > Bissau > c.  2010 > Foto aérea da parte meridional da "Bissau Velho"... Alguns pontos de referência: cais do Pijiguiti (1), porto (2), catedral (3), rua Eduardo Mondlane (4) e av Amílcar Cabral (5)  (*)


Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
 


Infografia nº 1 > Guiné-Bissau > Bissau > Planta de Bissau (edição, Paris, 1981) (Escala: 1/20 mil) > Aguns pontos de referência: a nordeste, assinalada a verde,m a zona de Santa Luzia (à esquerda,. o Pilão); o Hospital Nacional Simáo Mendes (assinalado a vermelho); e as Instalações Militares da Marinha de Guerra (assinalado a azul).

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)




Foto nº 5 > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau". Foto do álbum de (tudo Eduardo Figueiredo, já falecido, ex-alf mil, CCS/ BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69).

Foto alojada em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia).

Foto (e legenda): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

 
1. Mensagem de nosso amigo guineense, de origem cabo-verdiana, Nelson Herbert, jornalista reformada da VIA - Voz da América, com data de hoje, às 11:18, em resposta ao poste P27791 (**)


Saudações:

Por aquilo que a memória reteve da cidade que me viu nascer, Bissau (nasci na rua Engenheiro Sã Carneiro, junto à Messe dos Sargentos da Força Aérea) [hoje, e desde de 1975, Rua Eduardo Mondlane], portanto no muito distante de onde me parece estar localizado o edifício da foto, nos idos anos de “formataçao” dessa área que viria dar origem à Avenida Marginal ao longo do Rio Geba …e a Avenida Republica … [ hoje Av 3 de Agosto e Av Amílcar Cabral, respetivamente].

Diria que o edificio com as guaritas, na foto nº 1, mais me parece ser o Quartel da Marinha ou as “Oficinas Navais”, este já junto ao Cais de Pindjiguiti e da Avenida Marginal no Geba.

Digo isto já que é visivel, na foto,um pantanal e o Rio Geba num dos angulos da imagem, área que diria viria a aer o “backyard” do aquartelamento da Marinha….que se estenderia (não o e visível na imagem) à Estrada da Sacor e em ditecão a um Centro de Transmissões (no fim da mesma via) de que provavelmente os postes/ antenas da imagem seriam parte.

A foto provavelmente foi tirada de um edifício junto ao “Porto de Pindjiguiti”, e da Avenida Marginal ao longo do Geba. Provavelmente de algum prédio da ento Casa Ultramariina~, nas redondezas.

Digo isto, e a tÍtulo de curiosidade que de crianca, e da casa /rua onde nasci , era parcialmente vis+Ivel as obras da construção do que viria a ser a parte lateral (o muro) do quartel da Marinha, pelas bolanhas da estrada da Sacor.

Mais tarde, com a construção de duas novas ruas paralelas à Engenheiro Sá Carneiro (a rua que ia dar ao Hospital de Bissau, à Praça Honório Barreto, à Pensao/ Restaurante Ronda, do tal atentado bombista e ao Cemitério de Bissau … , em direão contraria, aos Servicos de Metereologia junto ao célebre "Chez Toi”) perdeu-se a vista do Geba e do edificio do Quartel da Marinha.

De uma das ruas paralelas ainda me lembro do nome: era pois a Rua Lamine Indjai, inaugurada se não me falha a memória, nos anos 70. A outra (hoje Severino Pina) escapa-me o nome de “baptismo” na época colonial.

Espero que a memória não me tenha traído.

Mantenhas

Nelson Herbert
Washington DC, USA


2. Comentário do editor LG:

Bingo, Nelson (Herbert) e Paulo (Raposo), foram vocês os únicos que acerterarm...Eu próprio estava, inicialmente inclinado para o antigo Hospital Central de Bissau, e a IA, imaginem (!), dizia.me que era o quartel do Serviço de Transmissões de Santa Luzia (or causa das antenas)... Mas, quem sabe, sabe. E quem sabe, é quem viveu em Bissau, nesses anos de 40/50/60/70...

Claro, a fotografia do Eduardo Figueiredo não é "famosa", tem fraca resolução e profundidade de campo...Mas, comparando-a com as fotos que reproduzimos acima (**), e com as memórias do Nelson Herbert, não há margem para dúvidas: o edifício (ou o conjunto de instalações da antiga Marinha Portuguesa) ainda lá (ou estava, c. 2010)...

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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 17 de novembro de 2019 > Guiné 61/74 - P20356: Roteiro de Bissau: fotos de c. 2010, de um amigo do Virgílio Teixeira, empresário do ramo da hotelaria - Parte II


(...) fotos, na posse do nosso camarada Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, chefe do conselho administrativo, Comando do BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69).

Foram-lhe enviadas, sem legendas, por um português, das suas relações, empresário do setor hoteleira, que ele de momento não está autorizado a identificar. São fotos, muitas delas aéreas, com interesse documental para aqueles, como nós, que conheceram Bissau, que continuam a lá ir ou querem ainda lá ir. As fotos devem ter sido tiradas no início da década de 2010, e algumas serão mais antigas. Mas são de alguém que ama muito a cidade de Bissau...onde vive. E onde a gente vive é a nossa terra!... (...)


Hoje podemos acrescntar que esse empresário é o dono do nosso conhecido Coimbra Hotel & Spa,  de Bissau,

Guiné 61/74 - P27797: Parabéns a você (2465): Gil Moutinho, ex-Fur Mil Piloto DO e T-6 da FAP (Bissalanca, 1972/73)

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Nota do editor

Último post da série de 1 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27782: Parabéns a você (2464): Vilma Crisóstomo, Amiga Grã-Tabanqueira, esposa do nosso amigo e camarada João Crisóstomo

Guiné 61/74 - P27796: In Memoriam (573): Rui Manuel da Silva Felício (Coimbra, 09/10/1944-Ericeira, Mafra, 26/02/2026): Cerimónia fúnebre, hoje, às 14 horas, na igreja de Santa Marta de Casal de Cambra e cremação, amanhã, às 14 horas, no Complexo Funerário de Casal de Cambra


Rui Manuel da Silva Felício (09.10.1944-26.02.2026) (*)


1. Foto e informação da página do Facebook de Alina Lagoas, da filha do nosso já saudoso Rui Felício /1944-2026):

As últimas homenagens serão realizadas na Igreja de Santa Marta de Casal de Cambra, concelho de Sintra, a partir das 14 horas, quinta-feira dia 5 de março.

A cerimónia de despedida será na sexta-feira dia 6, pelas 14 horas,  na mesma igreja, seguida de cremação no Complexo Funerário de Casal de Cambra.

Agradecemos a todos que puderem comparecer a prestar a última homenagem.

Rosantina Felicio 
e Alina Lagoas
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Nota do editor LG:

(*) Vd. poste de 26 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27773: In Memoriam (571): Rui Manuel da Silva Felício (1944-2026), ex-alf mil at inf, CCAÇ 2405 / BCAÇ 2852 (Dulombi e Galomaro, 1968/70): natural de Coimbra, vivia na Ericeira, Mafra; era um dos sobreviventes do desastre do Cheche (ia na trágica jangada, tendo perdido 11 homens do seu pelotão, em 6/2/1969)

Guiné 61/74 - P27795: Fauna e flora (27): O crocodilo-do-Nilo nos "nossos" rios (Geba, Cacheu, Corubal...) - II (e última) Parte


Guiné > Região de Tombali > Catió > Ganjola > c. 1967/69 > Um crocodilo apanhado por militares no rio de Ganjola. O zebro devia ser dos fuzileiros. Poucos camaradas viram, ao  vivo os furtivos crocodilos do Nilo, mas havia-os por todo o lado, do rio Cacheu ao rio Cumbijá... Alguns eram pequenos e  eram confundidos com jacarés (repteis que não existiam na Guiné nem no resto da África).


Foto (e legenda): © Alcides Silva (2016). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Em 6 de fevereiro de 1969, aquando do "desastre" do Cheche, no rio Corubal, na região do Boé, no sudeste da hoje Guiné-Bissau, havia crocodilos naquele troço ? É uma dúvida que subsiste.

 Os corpos dos 47 náufragos não foram encontrados, a não ser apenas 11, duas semanas depois, em estado de decomposição e totalmente irreconhecíveis.

Da consulta que fizemos a várias ferramentas de IA, pudemos apurar o seguinte:

Sim, historicamente houve (e ainda há) crocodilos no sistema do rio Corubal, na Guiné-Bissau. A sua presença atual pode variar conforme a espécie e a zona do rio. Eis o que, no essencial, se sabe com base em estudos e observações científicas e naturais:

(i)   Contexto histórico e ambiental

Na década de 60, a fauna na região do Boé era extremamente rica e selvagem. A região era pouco povoada. A menor densidade populacional humana em comparação com o litoral favorecia a permanência de grandes mamíferos (do leão ao elefante, do hipopótamo ao chimpanzé).

A Guiné-Bissau ainda possui populações de crocodilos de água doce ou de pequenas espécies de crocodilianos em muitos dos seus grandes cursos de água, lagoas e zonas húmidas, incluindo cursos como o rio Geba, Cacheu e zonas do parque de Lagoas de Cufada, que está ligado ao Corubal.

 O rio Corubal é um dos principais rios da Guiné-Bissau e, como muitos rios da região, faz parte de um ecossistema que tradicionalmente abrigou crocodilos, especialmente o crocodilo-africano (Crocodylus niloticus).
 
Os crocodilos são nativos da África Ocidental e eram comuns em rios, lagos e zonas húmidas da Guiné-Bissau, incluindo o rio Corubal. No entanto, a sua população tem vindo a diminuir devido à caça, perda de habitat, alterações climáticas e conflitos com humanos.

A presença de crocodilos no rio Corubal, particularmente na zona do Cheche (região do Boé), era um facto bem conhecido e documentado nos anos 60/70.

Muitos relatos de militares portugueses que operaram no setor de Madina do Boé e no atravessamento do Cheche mencionam o perigo  dos crocodilos, tanto durante patrulhas e "cambanças". Falta, no entanto, documentação fotográfica.
 
O Cheche ficou tragicamente marcado na historiografia da Guerra do Ultramar. Durante a operação de retirada de Madina do Boé, no dia 6 de fevereiro de 1969, a jangada que transportava as tropas adornou no rio Corubal,  em Cheche.

Embora a maioria das mortes (47 homens, 46 militares e 1 civil ) tenha ocorrido por afogamento devido ao peso do equipamento e à forte corrente do rio, o medo dos crocodilos
terá sido também um fator psicológico adicional para os sobreviventes que tentavam alcançar as margens ou voltar  à jangada.

A presença destes animais continua a ser uma característica da região até aos dias de hoje, sendo o Boé uma das zonas de maior importância para a conservação da vida selvagem na Guiné-Bissau.


(ii) Observações em zonas próximas ao Corubal:

O Corubal, depois do Geba, é o maior rio de água doce da Guiné-Bissau.Nasce nas redondezas da cidade de Lélouma, no maciço de Futa Djalon, na Guiné-Conacri, e desagua no rio Geba, na margm esquerda, a cerca de 50 quilómetros a montante de Bissau. Tem um comprimento de 560 km, É considerado o rio mais selvagem da Ãfrica Ocidental.

O turismo e os guias locais mencionam a presença de crocodilos no Parque Natural das Lagoas de Cufada, que inclui partes das margens e afluentes do rio Corubal e dos seus sistemas.

O Corubal, devido às suas características geográficas (margens íngremes em certas zonas, correntes fortes e áreas de águas mais paradas e profundas), constituía um habitat ideal para estes répteis.

A região do Boé, perto da fronteira com a Guiné-Conacri, é conhecida pela sua biodiversidade e pela presença de zonas húmidas que, historicamente, seriam habitats adequados para crocodilos, hipopótamos e outros animais, répteis, mamíferos, aves.

Há relatos de avistamentos de crocodilos no rio Corubal, embora a sua presença atual possa ser menos frequente do que no passado, devido aos fatores mencionados acima.


(iii) Estudos científicos modernos

Um estudo recente de distribuição de crocodilos em Guiné-Bissau registrou presenças de crocodilos em vários rios importantes e lagoas, incluindo evidências (observações, pistas ou informações locais) em áreas como o rio Corubal e seus afluentes.

Um estudo que usou eDNA (técnica de detecção de DNA no ambiente) ao longo do rio Corubal não detectou crocodilos diretamente nos locais da amostragem, apesar de se saber que eles existem na região. Isso pode dever-se à limitação dessa técnica ou ao facto de os crocodilos estarem presentes principalmente em zonas marginais, lagoas ou áreas sazonais menos amostradas.

(iv) Espécies

As espécies mais comuns eram (e são) o Crocodilo-do-Nilo (Crocodylus niloticus), que pode atingir grandes dimensões (no rio Cacheu), e o crocodilo-anão africano (Osteolaemus tetraspis) (sobretudo em zonas húmidas e lagoas ligadas ao rio Corubal).

Também é referido o Crocodilo-de-focinho-delgado (Mecistops cataphractus)

(v) Outros rios: Cacheu

É uma das zonas com mais crocodilos do país O rio Cacheu atravessa uma vasta área de mangais e estuários, hoje protegida como Parque Natural dos Tarrafes do Rio Cacheu, que contém um dos maiores blocos contínuos de mangal da África Ocidental. 

Esse habitat é muito favorável aos crocodilos. Os mangais, águas calmas e abundância de peixe. criam condições ideais para populações relativamente densas desses répteis.

É também onde há mais relatos de ataques. Vrios estudos e registos indicam que os ataques documentados na Guiné-Bissau aparecem frequentemente na região do Cacheu. Um estudo recente menciona inclusive um ataque a um pescador no rio Cacheu em janeiro de 2025.

A mesma investigação sugere que os ataques atribuídos historicamente a crocodilos na região podem envolver o crocodilo-do-Nilo, espécie maior e potencialmente mais perigosa. Há vários fatores: (i) grande população de crocodilos nos mangais: (ii) muita interação humana com o rio (pesca, transporte em canoas, lavagem, banho); (iii) águas turvas e margens baixas, ideais para emboscadas; (iv) tabancas ribeirinhas dentro da área protegida.

Ou seja, o problema não é só o número de crocodilos, mas o contacto diário com eles. Mas o rio Cacheu não é o único rio perigoso;  há também o Geba, o Cacine, o Grande de Buba... Só que o Cacheu é frequentemente citado porque combina densidade de crocodilos com população humana ribeirinha (o que não acontece no Corubal, que atravessa, ou atrevassa, no passado, zonas maia despovoadas, nbomeadamente no Boé).


Conclusão

Sim, há evidências de que crocodilos vivem ou já foram observados nas margens e zonas alagadas do rio Corubal e áreas adjacentes na Guiné-Bissau.

Em 1969, existiam, pois, crocodilos no rio Corubal, incluindo na zona de Cheche, e eram reconhecidos como um perigo potencial para quem frequentava o rio, especialmente em zonas de travessia e margens. 

Durante a guerra colonial, vários ex-combatentes portugueses mencionaram a presença de crocodilos nos rios da Guiné-Bissau, incluindo o Corubal, embora não haja registros científicos detalhados sobre a zona do Boé.

Não há relatos específicos de ataques a humanos em Cheche nesse ano de 1969, mas a sua presença e reputação como "comedores de homens" eram bem conhecidas entre os militares, guias e populações locais.

A sua presença pode não ser uniforme por todo o rio e pode ser mais frequente em zonas lentas, lagoas laterais e ambientes húmidos associados ao sistema fluvial. A detecção direta moderna em alguns trechos pode ser difícil devido a fatores ambientais e métodos de amostragem.

(Pesquisa: LG + IA  (Gemini | Le Chat Mistral | ChatGPT)

 (Condensação, revisão / fixação de texto: LG)

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 4 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27767: Fauna e flora (26): O crocodilo-do-Nilo nos "nossos" rios (Geba, Cacheu, Corubal...) - Parte I

quarta-feira, 4 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27794: Convívios (1049): Grupo de amigos, onde estavam alguns dos apaixonados da terra vermelha e dos seus cheiros e gentes, juntou-se num almoço que ocorre todos os meses na primeira terça feira (Eduardo Estrela, ex-Fur Mil Inf)


1. Mensagem do nosso camarada Eduardo Estrela, ex-Fur Mil At Inf da CCAÇ 2592/CCAÇ 14, (Cuntima e Farim, 1969/71) com data de 3 de Março de 2026:

Boa tarde companheiro, amigo e camarada!
O mar da minha terra é a praia dos meus sonhos. A sua cor, luminosidade e textura visual transporta-nos para outras margens. As que nos receberam nos seus braços há 57 anos e que nos ensinaram a ver os seus filhos como fraternos irmãos. Essas são fotografias da baía de Monte Gordo feitas cerca das 13,30.
Um grupo de amigos, onde estavam alguns dos apaixonados da terra vermelha e dos seus cheiros e gentes, juntou-se num almoço que ocorre todos os meses na primeira terça feira. Num mundo cada vez mais alucinado é bom reunir pessoas equilibradas e amigas.

Abraço fraterno
Eduardo


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Nota do editor

Último post da série de 12 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27727: Convívios (1048): Almoço/Convívio do pessoal do BCAV 3846 (Ingoré, S. Domingos e Susana, 1971/73), a levar a efeito no próximo dia 15 de Março de 2026, em Aljubarrota (Delfim Rodrigues, ex-1.º Cabo Aux Enfermeiro)

Guiné 61/74 - P27793: Humor de caserna (242): "Está a ver, meu alferes ? Era melhor ter limpado o sebo ao gajo" (Alberto Branquinho, "Cambança Final, 2013, pp. 77-79)



(i)  ex-alf mil art,  CART 1689 / BART 1913, Fá, Catió, Cabedu, Gandembel e Canquelifá, 1967/69; 

(ii) advogado, escritor, duriense de Foz Coa, a viver em Lisboa, outrora capital de um império macrocéfalo;

(iii) depois de ter passado por Coimbra como estudante;

(iv) é um dos grandes contistas da guerra da Guiné, a da nossa guerra (que não foi pior nem melhor do que as guerras dos outras, foi a "nossa guerra", e bastou, esperemos);

(v) é autor, entre outros,  dos livros de contos "Cambança"; "Cambança Final" e "Deixem a Guerra em Paz",  

(v) tem mais de 160 referências no nosso blogue.

(vi) faz parte da Tabanca Grande desde 26/8/2008, altura em que venceu a relutância de se associar ao nosso blogue,  ao ler o nosso apelo, "Não deixemos que sejam os outros a contar a nossa história por nós".
 

1. O escritor (que continua a ser nosso camarada) Alberto Branquinho tem aceite, com pundonor & pudor, ser "pirateado" e metido, avulso, nesta série, "humor de caserna". 

Há dias comentou: "Obrigado por apreciares o que venho escrevendo. Estou a acabar mais um livro (que, talvez, seja o último)". (...) quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026 às 16:43:00 WET). 

Eu interpretei o cumprimento e a (in)confidência como sendo "luz amarela" para, de vez em quando, eu poder lá ir, aos seus livros, roubar-lhev mais um "contito" (não, não é uma nota de mil escudos,  uma fortuna no nosso tempo de meninos e moços), um história do nosso quotidiano de guerra, para a malta  ler com tempo e vagar... 

É, afinal,  como os ovos da avó, a quem a gente assaltava o "galinheiro" (que era o seu "mealheiro"), e ela fingia que não via nada nem sabia de nada...

Hoje escolhi este microconto: há tempos tinha-lhe dado 4 estrelas (apontamento, a lápis, ao alto na página 77)...Hoje acrescento-lhe mais meia estrela, ao relê-lo. 

Lembrei-me, assim de repente,  do "bico-de-obra" que era, para uma companhia de intervenção (como a minha CCAÇ 12, composta por praças do recrutamento local, e meia dúzia de graduados "tugas) ir para o "mato" e "fazer prisioneiros"... Não era nenhum "ronco", era uma "manga de chatice"...

Sabíamos, no regresso ao quartel, que um prisioneira era sempre o "cabo dos trabalhos"... Passados dois ou três dias, o prisioneiro passava à condição de prisioneiro-guia... E lá continuava o nosso calvário...

A partir daí, ele deixava de nos pertencer. E sabíamos que, depois de "cumprida a missão", tínhamos que o entregar, "vivo e inteiro", aos "donos da Spinolândia"... 

Os nossos soldados, fulas, estavam sempre desejantes que ele, mesmo preso por uma corda, tentasse a fuga, para ter um bom pretexto  para lhe "dar cabo do canastro" ( já não me lembro como se diz em fula)...

Eles acreditavam piamente que "um balanta a menos era um turra a menos"... E não eram capazes de se  imaginar  em situação semelhante, "presos dos turras",  em que aí, o Zé Turra, balanta, também rosnaria, entre dentes,  que "um fula a menos era um cão dos colonialistas a menos"!...

O autor faz, como convém, para evitar qualquer suscetibidade, a sua declaração de interesse (e eu corroboro): "“Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência”.


Capa do livro de Alberto Branquinho  - Cambança final: Guiné, guerra colonial:  contos.  Lisboa,Vírgula,  2013, 224 pp. 







Fonte: Excerto de Alberto Branquinho  - Cambança final: Guiné, guerra colonial:  contos.  Lisboa, Vírgula,  2013, pp. 77-79  

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 21 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27756: Humor de caserna (241): O mistério do peixe mole, capturado num afluente do rio Mansoa, perto da Ponta Augusto Barros (Vargas Cardoso, 1935-2023, ex-cap inf, CCAÇ 2402, Có, Mansabá e Olossato, 1968/70)

Guiné 61/74 - P27792: Historiografia da presença portuguesa em África (519): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1963, 1.º semestre (77) (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 17 de Setembro de 2025:

Queridos amigos,
Os volumes anuais do Boletim Oficial da Guiné transformaram-se em calhamaços com mais de 1000 páginas, a reformulação da legislação ultramarina prossegue em bom ritmo, ao lado da rotina das nomeações e exonerações, acórdãos e outras medidas canónicas, temos agora indícios de que algo está a mudar na Guiné, logo os reforços de verbas para os três ramos das forças armadas, não se fala dos acontecimentos de Tite, em 20 de janeiro, mas louva-se o cipaio que conteve guerrilheiros que pretendiam assaltar o posto administrativo de Sedengal, no final de janeiro. Do que vai fazer ao longo do ano o Brigadeiro Louro de Sousa, importa consultar a Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África, edição do Estado Maior do Exército, 6.º volume, Tomo II, Guiné, Livro 1.º, a partir da página 75; não possuo documentação que me esclareça quanto à essência do confronto entre o Governador e o Comandante-chefe, e que levou à sua demissão em abril do ano seguinte, entrará em funções Arnaldo Schulz. Um aspeto curioso que vem aqui nesta documentação é a demissão do regedor do Xime, em abril de 1963 por fazer a vida negra aos nativos da Ponta Luís Dias, esta situada num ponto que se revelará nevrálgico já nesse ano, visto que enquanto o PAIGC começara a desarticular a região sul, com Nino Vieira à frente, outro dirigente, Domingos Ramos, atravessou o Corubal e começou a instalar posições entre o Xime e o Xitole, posições de guerrilha e de população, bolanhas férteis, foram posições quase inamovíveis de 1963 a 1974, Hélio Felgas, Comandante do Agrupamento de Bafatá, porá em execução, 1969, a Operação Lança Afiada, movimentou centenas e centenas de homens, nada feito, retiradas as tropas, os guerrilheiros e as populações voltaram.

Um abraço do
Mário



Província da Guiné Portuguesa
Boletim Oficial da Guiné, 1963, 1.º semestre (77)


Mário Beja Santos

Tenho saudades daqueles Boletins Oficiais onde os Governadores se exprimiam publicamente quando aos atos da coordenação, saudades de Pedro Inácio de Gouveia, de Velez Caroço, Carvalho Viegas, Ricardo Vaz Monteiro e Sarmento Rodrigues. A partir daí são uns discursos de água salobra, publicados no Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, frases sobre o desenvolvimento e o progresso, a multirracialidade, as melhorias na saúde e na educação. Acresce, como já se disse anteriormente, a política ultramarina definida em Lisboa toma conta em grande parte do Boletim Oficial. A grande novidade, ainda que discretamente, é começar a perceber-se que chegou a subversão e aumentam as despesas militares.

O corpo legislativo está a conhecer modificações, apareceu um novo Código do Processo Civil; o II Plano de Fomento para o ano económico de 1963 prevê uma receita extraordinária para a Guiné, 31.000.000$00 para fomento agropecuário, celeiros, transportes fluviais, aeroportos, telecomunicações, instalações escolares, conservação de estradas; como também se anuncia o reforço de verbas de tabela de despesa ordinária do orçamento geral da província e, por tabela, outros reforços verbas como no orçamento privativo das forças aéreas e navais em vigor na província da Guiné; noticia-se, e faz parte da rotina, a permissão de aquisição ao produtor de arroz de pilão em vários centros comerciais e também em Bissau, estabelece-se o preço de compra e venda ao público.

No Boletim Oficial n.º 9, de 2 de março, surge uma medida cujas consequências carecem de investigação. Alguns estudiosos, sem citar a documentação, dizem que ao longo do ano se foi agravando a relação entre o Governador Vasco Rodrigues e o Brigadeiro Louro de Sousa, Comandante-chefe, tinham ideias um tanto antagónicas quanto ao modo de combater a subversão e fixar as populações. Ora o que se vem dizer é o seguinte:
“Sendo necessário habilitar os Comandantes-chefes das Forças Armadas das províncias ultramarinas com serviços de informações que o reduzido quadro de pessoal dos gabinetes militares não permite estruturar, os ministros da Defesa Nacional e do Ultramar determinam que os serviços de centralização e coordenação de informações, embora mantendo a dependência hierárquica e administrativa dos governadores das províncias, funcionam em relação aos Comandantes-chefes das Forças Armadas como serviço de informações dos Comandantes-chefes.” Terá sido a partir daqui que começaram os contenciosos entre Governador e Comandante-chefe?

Tendo começado a luta armada e havendo que responder com comissões de permanência, foram fixados os vencimentos dos militares do Exército da Armada e da Força Aérea em serviço nas Forças Armadas das províncias ultramarinas. Surgem as milícias guineenses, mediante a restauração da antiga organização das milícias dos vizinhos dos regedores. Vão passar a constituir um corpo militar de 2.ª linha e é aprovado o Regulamento das Milícias das Regedorias.

Temos agora no Boletim Oficial n.º 14, de 6 de abril, uma Portaria que louva um cipaio da Administração da Circunscrição de S. Domingos pela sua ação e comportamento meritórios, valentia, espírito patriótico evidenciado na noite de 30 para 31 de janeiro quando o assalto ao Posto Administrativo de Sedengal.

No Boletim Oficial n.º 16, de 20 de abril, noticia-se a demissão do Regedor do Xime, Demba Seidi, vinha acusado de práticas de várias irregularidades cometidas no exercício das suas funções, exercendo violências e extorsões sobre os nativos da povoação de Ponta Luís Dias.

Foi criado em Bolama um albergue de mendicidade. No Boletim Oficial n.º 19, de 11 de maio, determina-se pelo Diploma Legislativo n.º 1794 que os passageiros que atravessem a fronteira terrestre sejam obrigados a identificar-se perante a PIDE, pagando taxas. Entretanto, foi regulado o funcionamento e estrutura do gabinete militar dos Comandantes-chefes das províncias ultramarinas. Temos novamente reforço de verbas para os três ramos das Forças Armadas. E foi aprovado o Regulamento Florestal da Guiné.

Capitão-de-Fragata Vasco António Martins Rodrigues, Governador da Guiné, 1963-1964
Celeiro Mancanha para milho
Felupe com os seus instrumentos de caça
Dança de rapazes balantas
Dançarino Papel

Estas quatro imagens foram retiradas do Boletim Cultural da Guiné Portuguesa, ano de 1963

Notícia de subversão em Sedengal, circunscrição de S. Domingos, final de janeiro 1963

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 25 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27769: Historiografia da presença portuguesa em África (518): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1962 (76) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P27791: Fotos à procura de... uma legenda (199): Bissau, 1968: que edifício era (é) este ? E em que zona ?


Foto nº 1 > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau" (tudo indica que a foto tenha sido tirada da  varanda do 1º ou 2º andar da casa do fotógrafo, Eduardo Figueiredo, nosso camarada da CCS/ BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69 (entretanto falecido segundo o Virgílio Teixeira, que foi seu companmheiro de quarto no CTIG).

Foto alojada em Aveiro e Cultura > Arquivo Digital (e aqui reproduzidas com a devida vénia).

Foto (e legenda): © Eduardo Figueiredo (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Quem reconhece esta rua ou esta zona  de Bissau, de final da década de 1960 ? E quem identifica o edifício do lado esquerdo, uma obra claramente do Estado Novo, portanto, um edifício público ?

Numa primeira impressão, pareceu-nos ser  as traseiras do antigo Hospital Central de Bissau (hoje Hospital Nacional Simão Mendes, sito no quarteirão definido pela Av Pansau na Isna, paralela à Av Amílcar Cabral, do lado esquerdo de quem desce para o estuário do Geba) e pela sua perpendicular, a Rua  Eduardo Mondlane (Vd. infografia a seguir, nº 1A),



Infografia 1A > Guiné-Bissau > Bissau >  Planta de Bissau (edição, Paris, 1981) (Escala: 1/20 mil) > Posição relativa  do Hospital Nacional Simão Mendes,  sito no quarteirão definido pela Av Pansau Na Isna (paralela à artéria principal da zona histórica, a Av Amílcar Cabral) e pela Rua Eduardo Mondlane, que tem nos seus extremos, a noroeste os Serviços Metereológicos, e a a sudeste, o cemitário.


Infografia nº 1B  >Guiné-Bissau > Bissau >  Planta de Bissau (edição, Paris, 1981) (Escala: 1/20 mil) >  No quarteirão definido pela atual Av Pansau Na Isna e a Rua Eduardo Mondlane, há 3 edifícios da época colonial: Hospital de Bissau (5), Pavilhão de Tisiologia (7) e Pavilhão Central do Hospital de Bissau (9). No outro extremo da Rua Eduardo Mondlane, fica(va) a Estação Metereológica da Guiné (8). Esta era, já na época, a mais comprida da Bissau Velho (c. 2 km).

Mais uma ajuda, em relação à toponímia de Bissau, a partir de 1975: Av Amílcar Cabral era a antiga Av República; a Av Pansau Na Isna, a antiga Av Alm Américo Tomás; a Av Domingos Ramos, a antiga Av Governador Carvalho Viegas; a Praça dos Heróis Nacionais, a antiga Praça do Império; a Rua Eduardo Mondlane, a antiga Rua Sá Carneiro (homenagem ao eng. Rui Sá Carneiro, antigo subsecretário de Estado das Colónias, que visitou a Guiné em 1947, ao tempo do governador Sarmento Rodrigues).

Fonte: Milheiro, Ana Vaz, e Dias, Eduardo Costa - A Arquitectura em Bissau e os Gabinetes de Urbanização colonial (1944-1974). usjt - arq urb , nº 2, 2009 (2º semestre), pp.80-114 [ Disponível aqui em pdf ]
 



 Infografia nº 1C > Guiné-Bissau > Bissau >  Planta de Bissau (edição, Paris, 1981) (Escala: 1/20 mil) > A  norte do Hospital de Bissau ficava o bairro do Cupelon ou "Pilão",   à esquerda da nossa conhecida estrada de Santa Luzia... Aqui, em Santa Luziua, havia dois quartíes, o das Transmissões e do QG/CTIG

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)



2. Mas, observando melhor, o edifício da foto nº 1 tem uma guarita de cada lado, nas pontas (Foto nº 1A)... Logo, seria um estabelecimento militar... Mas com aquela volumetria ?  E logo no edifício a seguir, há uma torre, escadas de acesso, ou estação elevtória de águas (?)... E mais ao fundo, parece-nos descortinar um parque de viaturas automóveis (camiões militares ?) (Foto nº 1B).

Por outro lado, o fim da rua parece ir dar a uma  zona de mato, já nos arredores da entáo pequena cidade de Bissau que, em finais da década de 1960, não tinha mais do que 70 mil habitantes (cerca de 15% do total da população da Guiné no tempo de Spínola, não contando os refiugiados nos países limítrofes).

Refira-se, além disso, a presença de  antenas verticais muito altas, típicas de comunicações HF/VHF militares da época... Tudo indica que essa seria a zona do Quartel de Santa Luzia, o centro de transmissões do CTIG, com mastros bem visíveis à distância que eram uma referência na paisagem urbana da Bissau colonial da época;

Mas tanto o o quartel do Serviço de Transmissões como o do QG/CTIG eram construções típicas, mais recentes, da Engenharia Militar.

Resumindo, e reformulando a pergunta: este  edifício à esquerda, comprido, de dois pisos, com janelas repetitivas em ritmo regular, cobertura inclinada com claraboias, de estilo arquitetónico estado-novista (Foto nº 1)...,   seria o quê ? E onde se situava ?
 


Foto nº 1A  > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau" 



Foto nº 1B > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau"




Foto nº 1C > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau"


Foto nº 1D > Guiné > Bissau > 15/10/1968 > "Aspecto de uma rua de Bissau"



Foto nº 2 > Guiné-Bissau > Bissau > Hospital Nacional Simão Mendes, na Av Pansau Na Isna. Foto da publicação Estamos a Trabalhar. Página do Facebook, 9 de março de 2025, 19:06 (sem indicação de autoria) (Com a devida vénia...)

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 12 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27728: Fotos à procura de... uma legenda (198): Restos da "batalha de Madina do Boé"...

terça-feira, 3 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27790: Nomadizações de um marginal-secante (Luís Graça) (2): Safety first? O "desastre" do Cheche na abordagem sociotécnica


Ilustração: Entropia.  Luís Graça (1999)

 

Guiné > Zona Leste > Região do Boé > Cheche > Rio Corunal > 6 de Fevereiro de 1969 > A jangada da tragédia na retirada de Madina do Boé. Foto de Paulo Raposo 

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


1. No nosso tempo de tropa, ensinaram-nos que "mais valia perder um minuto na vida do que a vida num minuto"...  Ensinaram-nos ? Bom, o termo é lisonjeiro para a generalidade dos instrutores... O exército, nesse tempo, não se preocupava muito com a pedagogia. (Que era, por defeito, aquela que já conhecíamos, de casa e da escola, a do pau e da cenoura.)

A expressão Safety First (a segurança em primeiro lugar) é uma variante deste slogan. Em muitos casos, não passa(va) de um chavão. Num país como o nosso que, na época, ficava mal na fotografia europeia da sinistralidade por todas as causas (e nomeadamente, acidentes de trabalho, de lazer e de viação).

Todavia, numa abordagem sociotécnica, deixa de ser apenas um mero slogan de cartaz, "securitário", obrigatório por lei, e que a gente pode ler nos taipais de um estaleiro da construção civil, quando passamos na rua, para se tornar um princípio estruturante da relação entre homens, tecnologia e organizações.

Em "sistemas sociotécnicos", complexos e abertos, entende-se que o desempenho organizacional (numa empresa, numa hospital, numa escola, num quartel...) depende da interdependência entre o sistema social (pessoas, formação, cultura, comunicação, relações de poder) e o sistema técnico (ferramentas, processos, máquinas).

O que é isso significa na prática ? Eis aqui os alguns dos seus  princípios:

(i) A segurança como propriedade emergente

Na abordagem sociotécnica, a segurança não é um kit, algo que se "instala" numa máquina; é uma propriedade emergente.

Não basta ter o software mais seguro ou o melhor hardware (equipamento técnico) nem mesmo o mais competente e dedicado humanware  (as pessoas, os operadores, os recursos humanos)... É preciso verificar se a cultura organizacional  não é accident-prone,  propensa ao acidente: por exemplo, se pressiona no sentido do one best way, de metas inatingíveis, de prazos impossíveis, da lógicas de custo-benefício.

O Safety First implica que a segurança surge do ajuste harmonioso entre as capacidades humanas e e as limitações técnicas, e vice-versa,  as limitações humanas e as capacidades técnicas.

(ii) O erro humano como sintoma, não como causa

A abordagem sociotécnica inverte a lógica tradicional de culpa e da dicotomia simplista erro humano / falha técnica:

  • o operador errou porque foi negligente (explicação tradicional ou de senso comum) e, portanto, deve ser admoestado ou punido;
  • o "erro" é um sintoma de um deficiente  design técnico (concepção e planeamento),  ou de uma organização do trabalho disfuncional (visão sociotécnica).
Colocar a segurança em primeiro lugar significa então "desenhar" (conceber e planear) sistemas que sejam tolerantes ao erro, onde o sistema técnico protege o humano e o humano tem autonomia para intervir no sistema técnico. Ou seja, não há determinismo tecnológico.


(iii) O equilíbrio entre eficiência e segurança (ETTO)

Existe um conceito central chamado Efficiency-Thoroughness Trade-Off (Compromisso entre Eficiência e Rigor).
  • no dia a dia das organizações, há uma tensão constante: ser rápido (eficiente, fazer depressa, com redução de custos) vs. ser cuidadoso (fazer bem, com segurança, com rigor, com qualidade);
  • Safety First em termos sociotécnicos significa que a organização valida e apoia o trabalhador quando este escolhe o rigor em detrimento da velocidade, garantindo que os incentivos financeiros ou imperativos produtivos não atropelam os protocolos de segurança.

(iv) Duas lógicas de gestão opostas:

  • Prevenção de "custos de acidentes" (diretos, indiretos e ocultos)

Na lógica sociotécnica, o custo de implementar medidas de segurança (formação, treino, redundâncias, ergonomia) é quase sempre inferior ao custo do desastre, do acidente (acarretando danos materiais e pessoais). A efetividade é medida pela continuidade operacional e a integridade da vida humana. 

 Custo: implementação de protocolos, programas de saúde, segurança  e bem-estar   

Efeito: zero acidentes, interrupções, erros,  danos (pessoais e patrimoniais).


  • Fator humano como investimento


Diferente da visão tradicional, puramente mecanicista, a análise sociotécnica entende que trabalhadores / operadores seguros e bem integrados no sistema tecnológico produzem mais e 
melhor.

Segurança psicológica: aumenta a proatividade e a detecção precoce de erros.


Ergonomia: reduz o absentismo, melhora a qualidade de trabalho, aumenta a longevidade da força de trabalho.

  • Sustentabilidade do sistema

Uma organização que negligencia a saúde e a segurança no trabalho pode ter um bom "custo-benefício" a curto prazo (economiza em equipamentos, software, pessoal de saúde e segurança no trabalho), mas não é custo-efetiva a longo prazo, pois o sistema torna-se frágil e propenso a acidentes, falhas, erros, colapsos, que podem destruir a imagem, a cultura, o clima, o moral, a reputação ou a viabilidade da empresa.

Em resumo:

Visão tradicional (Custo-Benefício):
  • segurança é um custo que reduz a margem de lucro;
  • foco no retorno financeiro imediato das medidas;
  • o erro humano é uma falha a ser punida.

Visão sociotécnica (Custo-Efetividade)
  • segurança é a base que permite ao sistema funcionar sem falhas;
  • foco na resiliência e na otimização da relação homem-máquina;
  • o erro humano é um sintoma de um sistema mal desenhado.

Resumo das Dimensões

Dimensão | O que Safety First exige
  • Técnica | Interfaces intuitivas, mecanismos de paragem de emergência, redundâncias
  • Social | Cultura de confiança e de participação onde se pode reportar falhas sem medo de ser punido 
  • Organizacional | Priorização da  segurança nas decisões de topo, não apenas ao nível operacional.

II. O "desastre" (sic)  do Cheche (6 de fevereiro de 1969) devia, nas nossas "escolas de guerra",  ser um caso de estudo,  trágico e paradigmático,  de como a falha num sistema sociotécnico sob pressão extrema conduz entropoia, à catástrofe, in limine,  à morte. 

No contexto da retirada de Madina do Boé, a segurança foi sacrificada por imperativos operacionais (e quiçá políticos), resultando na morte de 47 homens (46 militares e 1 civil) no Rio Corubal. Tudo parecia correr bem, quando se respeityaram as normas de segurança.

Analisando o evento pelo prisma sociotécnico:

(i) Sistema técnico: a jangada e o rio

O "sistema técnico" aqui era composto por um jangada improvisada, um "sintex" com motor fora de bordo e a própria geografia do Rio Corubal.

Falha de "design" (incluindo a conceção e o planeamento da operação): 

  • a jangada não foi projetada para o peso excessivo de dezenas de homens com equipamento completo, nem para a instabilidade de um rio, relativamente largo e com corrente;
  • foi feita a "olhómetro", com materiais locais (canoas...)  e aparentemente não foi testada;
  • confoiu-se na experiência dos operadores;
  • degradação técnica: a travessia do rio em Cheche ocorreu, na sequência de uma operação (Mabecos Bravios) após a retirada do quartel de Madina do Boé, em contexto e em clima de  guerra;
  • a compamhia de Madina (CCAÇ 1790) estava isolada há mais de um ano e sujeita a frequentes ataques e flagelaçóes (c. duas centenas e meia);
  • a distância  de 40 km entre Madina do Boé e Cheche foi feita sob grande stress físico e piscológico:
  • o equipamento (jangada, sintex...) estava sob esforço máximo.
O "gatilho": a inclinação da jangada fez com que a água entrasse nas canoas, eliminando a flutuabilidade e provocando o pânico (independentemente de ter havido ou não uma detonação numa das margens do rio).

(ii) Sistema social: exaustão e hierarquia

  • o fator humano estava no limite da resistência física e psicológica;
  • pressão temporal: havia uma pressa crítica para retirar a tropa da zona, eventualmente com  o receio de um ataque ou flagelação do PAIGC que, à distância, acompanharia a operação;
  • a pressa é a inimiga clássica da segurança sociotécnica (Efficiency-Thoroughness Trade-Off);
  • cadeia de comando: em sistemas de alta fiabilidade, a segurança exige que qualquer elemento possa interromper a operação se detetar perigo ou risco; este princípio é, de algum modo, incompatível com o princípio da unidade comando-controlo em vigor num exército clássico.
No Cheche, a estrutura militar rígida e a urgência da retirada impediram que o bom senso (não sobrecarregar a jangada) se sobrepusesse à ordem de ganhar tempo e de avançar.

  • pânico: sociotecnicamente, o pânico é uma resposta à quebra de confiança no sistema técnico;
  • quando a jangada adornou, o sistema social colapsou.

(iii) A falha organizacional: o Safety First inexistente

A nível macro, a decisão de abandonar Madina do Boé foi uma decisão política e estratégica de alto risco. Terão sido ponderados todos os prós e contras ?

Falta de redundância: um princípio sociotécnico essencial é a redundância (ter um plano B).

No Corubal, não havia meios de salvamento, botes pneumáticos, fuzileiros, mergulhadores, e outro pessoal da marinha (exceto o condutor do sintex),   boias, coletes salva-vidas..., coisas que hoje são elementares numa simples passeio de barco no estuário do rio Tejo,

Havia apoio aéreo, mas terá faltado um grupo de combate de paraquedistas, fuzileiros ou comandos, helitransportado,  que fizesse a cobertura e a segurança próxima dos últimos homens de infantaria  (mais de 100) a retirar.

A operação parece ter sido  do tipo "tudo ou nada"...

Invisibilidade do risco: o comando da operação, focado na logística da retirada, subestimou o perigo da travessia física (a "cambança"), tratando-a como um detalhe tático ou operacional e não como o ponto crítico (ou até o mais crítico) da missão.

Comparação sociotécnica:


Madina do Boé vs. Segurança integrada (ou vista hoje)

Elemento  | No Desastre do Cheche (1969) | Numa Operação Safety First |

  • Carga |  Excesso de peso para cumprir horário | Limites técnicos respeitados rigorosamente
  • Comunicação | Silêncio rádio e pressão de comando | "Cultura justa e responsável" (capacidade de dizer "não")
  • Equipamento | Improvisação sob stress | Certificação e redundância de meios.
  • Ambiente |  Hostil e imprevisível | Monitorização e mitigação de riscos ambientais.

O "desastre" do Cheche demonstra que, quando o sistema técnico (a jangada rebocada por sintex) é precário e o sistema social (os soldados) está exausto e sob pressão externa, qualquer pequena variação pode levar ao colapso total. 

É a negação absoluta do Safety First em prol da sobrevivência operacional, que acabou por ditar a maior tragédia da guerra colonial na Guiné. Não, não foi um acidente, "como tantos outros".  Foi um risco estatisticamente previsível, resultante de uma falha do sistema sociotécnico. Tal como o acidente de trabalho ou um "desastre" ferroviário. 
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 10 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27722: Nomadizações de um marginal-secante (Luís Graça) (1): Os desastres (do Cheche a Alcácer Quibir das Cheias de 1967 à tempestade Kristin) e a teoria do bode expiatório