Foto nº 1 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07;16
Foto nº 2 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07:18
Foto nº 5 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07:24
Foto nº 6 > Quinta de Candoz > Nascer do sol > 6 de setembro de 2026 > 07:31
1. Não é habitual ver o nascer do sol, só o pôr do sol. Justamente porque vivo no Oeste, na Lourinhã, junto à costa atlântica... (O Oeste é uma região da Estremadura, que vai de Torres Vedras a Alcobaça.)
Não sei porquê, ninguém fotografa o nascer do sol... Terá menos magia ? (Acho que não... O nascer do sol exige acordar cedo, enquanto o pôr do sol é mais acessível: no fim do dia, o fotógrafo tem mais liberdade e disponibilidade; por outro lado, o pôr do sol tende a ter tons mais quentes e dramáticos (laranjas, vermelhos intensos), enquanto o nascer pode ser mais suave e frio (amarelos, brancos, cinzentos, azuis); e, adicionalmente, há uma razão cultural: tendemos a associar o pôr do sol ao fim de algo (romântico, melancólico, trágico), que é um tema recorrente na arte ocidental; enfim, o nascer do sol é mais difícil de capturar em palavras, ligado à ideia de começo, recomeço, trabalho, suplício de Sísifo, mas esperança, desafio, incerteza...).
Em Candoz, a mais de 300 km de distância, freguesia de Paredes de Viadores e Manhuncelos. concelho de Marco de Canaveses, estou rodeado de serras (Montedeiras, Aboboreira, Montemuro, Gralheira, Meadas, Marão...).
O rio Douro que vejo da minha janela ou varanda, na Quinta de Candoz, à direita (Porto Antigo, barragem do Carrapatelo e, mais à direita, Cinfães, já na serra de Montemuro), separa os distritos do Porto e Viseu...
Da minha janela ou da minha varanda, virada para nascente, vejo também em frente, a linha do Douro, a escassos 200 ou 300 metros: o comboio que vai do Porto à Régua e ao Pocinho (e até Barca de Alva, em viagens de turismo histórico) passa pelo vale que me separa do concelho de Baião, que fica a Leste e Nordeste. Em frente, as freguesias, de povoamento disperso, de Mesquinhata, Santa Leocádia, Grilo (e por detrás do 1º horizonte, Grove, Ancede, cujo fogo de artifício vejo na Páscoa)...
Eu estou aqui: Quinta de Candoz, Coordenadas GPS:41.118254559520246, -8.1129390491463No dia 6 de setembro de 2026, o sol nasceu em Portugal às 07.01 mas eu só o vi da varanda da nossa casa, na Quinta de Candoz, mais de meia-hora depois... Em rigor, devo tomar como referência a hora solar local, a da cidade do Marco de Canaveses, que foi às 07:03. E o pôr-do-sol às 19:57. Houve, portanto 12 h 53 min de dia astronómico.
Mas eu estou numa situação completamente diferente: o horizonte montanhoso é o meu “segundo horizonte”. Na varanda no VIGIA, na Praia da Areia Branca, eu vejo o sol a cair pique no Atlântico, com as Berlengas e o cabo Carvoeira à minha direita...Claro, quando não há nuvens...
Aqui, em Candoz, comecei a ver o primeiro sol direto aproximadamente às 07:37. Ou seja, preguiçosamente, o sol só "pegou ao trabalho" uns 34 minutos depois... E o seu trabalho é o de iluminar e aquecer a nossa encosta, as nossas vinhas: estamos de 250/300 metros acima do nível do mar, nas faldas da serra de Montedeiras, que ficou tristemente famosa pelas andanças e façanhas do Zé do Telhado, e nomeadamente o assalto à Casa do Carrapatelo, em 8 de janeiro de 1852.
Montedeiras fica no concelho de Marco de Canaveses, e tem altitudes que variam entre os 450 e os 650 metros...
E no passado dia 6, domingo, o pôr-do-sol foi às 19:57, mas em Candoz, eu despedi-me dele cerca de uma hora mais cedo (estimativa minha, hora não documentada)...
Em conclusão, perdi nesse dia cerca de uma hora e meia de sol direto...
Como me levantei cedo nesse dia, de resto como habitualmente, deu-me na veneta de o fotografar, minuto a minuto, e até fiz um vídeo de 2 minutos... Aqui fica uma seleção desses momentos em que o sol amigo nos diz "bom dia, cheguei para te iluminar e aquecer, a ti e a todos os bichos e demais seres vivos que te rodeiam"...
2. Com a ajuda da IA (ChatGPT) fiz o cálculo da posição do sol para as minhas coordenadas (41.1183 N, 8.1129 W): às 07:37, o sol estava aproximadamente:
- 5,6° acima do horizonte astronómico
- azimute ≈ 86°, ou seja, praticamente Este.
Portanto, a minha serra/horizonte nascente (parte do concelho de Baião) (a 3, 5, 5 km, em linha reta, da minha janela ou varanda) está a ocultar aproximadamente os primeiros 5–6 graus de altura do Sol. É precisamente o que será de esperar de uma casa encaixada numa paisagem montanhosa como a da Quinta de Candoz.
A fotografia das 07:37 é, portanto, uma excelente evidência de campo: a minha observação dos 34 minutos está perfeitamente dentro do que o cálculo astronómico prevê.
Menos rigoroso, porque não tenho fotografias recentes (e disponíveis aqui), é a estimativa de perda de sol direto ao fim da tarde.
Se a minha observação de que o Sol desaparece cerca das 19:00 estiver correta, então:
19:57 − 19:00 ≈ 57 minutos. Ou seja, perco quase uma hora de Sol direto ao fim do dia.
E momento em que o sol desaparece por trás da minha encosta (a poente) ele ainda estará aproximadamente 10° acima do horizonte astronómico.
Isto significa que a serra de Montedeiras (o conjunto de relevos que tenho a poente) funciona como uma verdadeira parede solar. "A serra engole o sol"...
Mas há uma distinção importante: não estou propriamente a perder “luz do dia” durante esses 90 minutos, mas sim "sol direto".
Às 07:20, por exemplo, já há claridade em Candoz (vd. foto nº 3), apesar de a serra impedir que os raios solares atinjam diretamente a nossa a casa e as nossas vinhas. E depois das 19:00 ainda temos crepúsculo, embora já não tenhamos o disco solar.
Em rigor, devo então dizer: “Em 6 de setembro, a orografia que rodeia a Quinta de Candoz retirou-me cerca de uma hora e meia de insolação direta: cerca de 35 minutos de manhã e cerca de uma hora ao fim da tarde.”

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Nota do editor LG:
Último poste da série > 8 de setembro de 2026 > Guiné 71/74 - P28331: Manuscrito(s) (Luís Graça) (294): Parabéns, Zé, ao km 78 da tua picada da vida, que também tem tido minas e armadilhas como a de todos nós...










































