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terça-feira, 7 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28162: Bom dia desde Bissau (Patrício Ribeiro) (68): Gabu, "luz & sombra"...Entre a modernidade e o deserto...


Foto nº 1 > Ainda não é a bicicleta elétrica... mas lá chegaremos !... Com ajuda de Alá... e da Impar Lda!



Foto nº 2 > Os painéis fotovoltaicos ...que fazem as bombas trabalhar.


Foto nº 3 >  Furo com 80 metros, construido em 1988 pela Prakla, empresa alemã. Com financiamento da Arábia Saudita... Acabámos de Instalar, nós, a Impar Lda, uma bomba Lorentz, alemã, financiada pelo governo alemão, através da ONG IMVF (Instituto Marquês Valle Flor), de Portugal....mais de 120m3 / dia.




Foto nº 4 > Fole,  no final dos mangos nas ruas de Gabu... Vendidos â sombra dos poucos mangueiros que não foram deitados a baixo...pela modernidade.


Guiné-Bissau > Zona Leste > Região de Gabu > Gabu > Julho de 2026 > Entre a modernidade e o deserto


Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]


1. Mais  fotos do Gabu, enviadas pelo Patricio Ribeiro


Data - domingo, 05/07/2026, 09:20
Assunto - Gabu


Por toda a Guiné, já desde há algumas semanas, aparece a fruta da época,  o fole (Foto nº 4).

Muito gostoso, um pouco ácido, o fole é bom para cortar a sede desta época das chuvas e calor com muita humidade.

Quase sempre é transformado em sumo muito gostoso.

Todas as sombras das árvores seculares é para cortar... O calor pode entrar...como nos países ao lado e o deserto continua a avançar para o sul...

Mantenhas
Patrício Ribeiro

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 5 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28158: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (67): Gabu, a "festa da água

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28161: Notas de leitura (1934): "Furriel não é Nome de Pai, Os filhos que os militares portugueses deixaram na Guerra Colonial", de Catarina Gomes; Tinta da China, 2016 (3) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 4 de Fevereiro de 2026:

Queridos amigos,
Se já estava afeiçoado ao que Catarina Gomes nos oferecera na 1.ª edição deste livro, em 2018, consolidei que esta edição de 2026 comprova como esta investigadora intensifica o vigor e a luminosidade que põe nas suas reportagens, a ponto de a dor sentida por estes filhos de tuga mexerem connosco. É uma nova dimensão dos estudos da história da guerra colonial que Catarina Gomes abriu as portas. Estamos perante factos consumados, não se podem fazer contas a quantos filhos de tuga, uns se resignaram ao abandono, outros buscam a identidade, e a única coisa certa que conhecemos é que tanto o Estado português como Angola, Guiné e Moçambique não se prepararam para reconhecer a dimensão desta realidade que a autora tão meritoriamente veio desvelar, escancarando os tabus, não deixando de nos alertar para as suscetibilidades que envolvem antigos combatentes que não têm coragem de dizer às suas famílias que há "restos de branco", carne da sua carne, a pedir identidade no clamor lá longe.

Um abraço do
Mário



Filhos do inimigo, restos dos portugueses, seres humanos à procura de identidade – 3

Mário Beja Santos

A 1.ª edição de "Furriel não é Nome de Pai, os filhos que os militares portugueses deixaram na Guerra Colonial", de Catarina Gomes, data de 2016, a escritora e investigadora foi-se afeiçoando a este tema e esta terceira edição, já publicada em 2026, está substancialmente aumentada, mantém um vigoroso discurso narrativo, muitas vezes pungente, é uma tocante viagem à dignidade humana naqueles territórios onde houve Guerra Colonial e apareceram meninos e meninas tantas vezes repudiados, sujeitos às mais ignóbeis humilhações e que não desistem de lutar pelo direito à identidade.

Depois da história de Óscar Albuquerque e da sua tia Filomena, uma narrativa sublime, onde se cruzam a dedicação, onde subjaz sempre uma forma de ternura e há um pai biológico que se põe a milhas da vida desse filho, tudo entremeado por uma burocracia infernal, temos agora os manos Celestina e Celestino, irmãos gémeos, há também um jovem branco que é o pai destes dois adultos mestiços, por acaso oficial do quadro permanente, saberemos pela narrativa que há um major reformado que tem uma filha chamada Emília, que não ficará indiferente a estes dois filhos de tuga, seus irmãos, residentes em Bambadinca.

A história começa com uma fotografia do pai dos gémeos, que está emoldurada por decisão de Celestino, este escreveu muitas vezes ao pai, não obteve resposta. Os irmãos guineenses entraram em contacto com a irmã branca através de uma carta endereçada à Excelentíssima Mana Emília Martins Prado, pediram-lhe algum dinheiro para os ajudar a viver um pouco melhor e também a fotografia do pai dos três. Emília apresentou-se, professora de Geografia, com três filhas adolescentes, vivendo numa cidade no norte de Portugal. Em nova carta Emília foi muito clara: “Sou só eu que desejo contactar convosco. Como compreendes, não posso enviar uma fotografia de uma pessoa que se recusa a estabelecer contacto convosco.” Um início de história pouco promissor.

Contudo Emília não está propriamente sozinha nesta história, tem a mais improvável das aliadas, a sua mãe, Sara Martins Prado, 82 anos, também professora – a suposta mulher traída pelo militar que já era casado quando fez os filhos gémeos na guerra. Sara sempre desconfiou de qualquer coisa. Aliás, muito interpelado por Sara, o oficial contou a verdade, deixara crianças na Guiné. Em comissões anteriores, Sara e Emília, e depois uma outra irmã, acompanharam o militar em Moçambique e Angola. Ele esteve sozinho depois na Guiné, numa geografia inventada por um qualquer estratega chamada Setor L1, o pai de Emília esteve em Bambadinca, as crianças nasceram de uma relação com a lavadeira.

A história agora ganha intensidade, Celestino corresponde-se com a tia Emília, cada um dos gémeos tem um descendente. A situação de Celestino preocupa Emília. “Celestino é carpinteiro sem carpintaria. O que consegue construir fá-lo usar ferramentas emprestadas por um vizinho, a bancada improvisada debaixo de uma árvore carregada de mangas. Portas e janelas são o que mais sai, mas ele tem competências também para montar tetos falsos. E não só. Um baú de madeira em casa de uma tia está protegido por um pano que Celestino afasta, como uma cortina que protege um quadro numa exposição, para que se veja como o alindou com trevos de quatro folhas gravados na tábua; noutra das arcas da sua lavra cunhou palmeiras, numa terceira um pelicano.”

Vamos conhecendo a família, a discreta Celestina, o seu filho Nadu, o filho de Celestino chama-se Geovane, os gémeos mudam de nome, fazem desaparecer os apelidos da mãe, Gomes Correia, para os substituir por Machado Prado, o nome do pai. Emília vai sabendo de tudo, como funcionam as creches e as escolas, uma parente afastada dos gémeos que vive em Portugal, de nome Carla, aconselha Emília quanto aos critérios da distribuição de dinheiro.

Emília fica atónita quando sabe que Celestina e Nadu estão em Portugal, o rapaz tem um problema nos olhos, toca de ensinar português a Nadu, o português de Celestina também vai melhorando. Nadu vai para uma instituição chamada Casa do Gaiato, em Miranda do Corvo, estuda com aproveitamento, a tia estimula-o. A relação entre irmãos é permanente, Celestino envia um SMS à mana, a mulher dera à luz uma menina, o seu nome é Emília Carla. Emília manda sistematicamente roupa infantil para a afilhada e não só.

E o pai dos gémeos, continua indiferente? A história termina, sabendo nós que tudo irá continuar com as preocupações da mana Emília e os sucessivos percalços na vida dos gémeos, assim:
“Emília e o pai vivem perto e são próximos, ainda há pouco ele saiu de sua casa. Há, dobradas pelos cantos, roupinhas de menina pequena. Não tem qualquer preocupação em escondê-las, pelo contrário, inconscientemente talvez as queira expor, como quando a mãe quis deixar o artigo do jornal no caminho do olhar do pai.
É impossível que o pai não repare nas saiinhas espalhadas pela casa, como uma com galo e galinha bordados em tecido de xadrez colorido. É impossível que não se tenha apercebido da acumulação de meiazinhas, sapatinhos, e que isso não lhe cause estranheza. Não há crianças pequenas na família. ‘Ele vê.’ Emília soa a criança travessa quando diz, algo sonsamente, que cumpre o que o pai lhe pediu. ‘Não falo disso’.”


A saga de Catarina Gomes vai prosseguir, temos seguidamente pais procuráveis, provavelmente não resistiremos às saudades do pai Monteiro, que a televisão se encarregou também de difundir, e a autora irá despedir-se com uma listagem de filhos que procuram pais portugueses, do género:
“António Urbino Gonçalves Brito. O pai seria 2.º grumete, originário de Câmara de Lobos, na Madeira, nascido a 11 de junho de 1951. Consta que até tentou raptar o filho pequeno para o levar para Portugal, mas que os familiares da mãe o impediram. Vive em Bissau.”
E também:
“Erasmo Fonseca. Engenheiro mecânico agrícola, nasceu em 1969. Os seus estudos levaram-no até Cuba. A sua mãe, Maria Geralda Soares Cassamá, era professora primária em Quinhamel, perto de Bissau. O furriel, de quem usa o apelido, esteve colocado no quartel de Binar, onde conheceu a mãe, numa festa em casa de familiares.”


(continua)
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Notas do editor:

Vd. post de 29 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28144: Notas de leitura (1932): "Furriel não é Nome de Pai, Os filhos que os militares portugueses deixaram na Guerra Colonial", de Catarina Gomes; Tinta da China, 2016 (2) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 3 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28152: Notas de leitura (1933): "Retratos de Guerra", desenhos de Cristina Sampaio a partir da obra de Neves e Sousa, uma exposição a não perder na Livraria Municipal Verney, Oeiras, patente ao público até 14 de Novembro (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28160: S(C)em Comentários (91): As toponímias do Xime, estações do nosso calvário: Madina Colhido, Gundagué Beafada, Darsalame (Baio), Buruntoni, Ponta Varela, Poindom, Ponta do Inglês...


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Setor L12 (Bambadinca) > Xime > CART 2520 (1969/70) > José do Nascimento em Madina Colhido (à esquerda) e o fur mil enf Costa (à direita) [Augusto Tavares Ribeiro Costa], equipado com pistola Walther

Foto (e legenda): © José Nascimento (2017). Todos os direitos resevados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Comentário da Tabanca Grande Luís Graça (*):

Meu caro João: estava com insónias, editei o teu poste às tantas da madrugada... E de repente estava a reviver as estações do calvário do Xime... A minha alma ainda sangra quando "volto lá"... As mais trágicas recordações da Guiné estão associadas a toda essa toponímia: Madina Colhido, Gundagué Beafada, Darsalame (Baio), Buruntoni, Ponta Varela, Poindom, Ponta do Inglês...

E, no fim, eu dei a falar sozinho para comigo, teu editor, às 3 e tal da madrugada: 

- Bolas, tudo isto, para quê ? Esta maldita guerra, os mortos e os feridos do Xime, os teus, os meus, os de todos nós... Quantas vezes ao longo da guerra andámos por essas estações do calvário... Tu em 1965/67, eu em 1969/1970, outros depois... Porquê ? Para quê, João?

Já não consegui dormi mais... Fui rever alguns dos postes que publiquei aqui há muito, com a história da minha CCAÇ 12... Desisti de procurar mais, vão aqui 3 referências  (#)... Aquilo, o Xime, o subsector do Xime, era um verdadeiro "fojo do lobo"...A partir de Madina Colhido, estavas a levar (e a dar) porrada... Porquê, para quê, meu mano ?!...(**)


(#) Vd. postes de


Notas do editor LG:


(**) Último poste da série > 22 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28121: S(C)em Comentários (  ): O casamento, hoje, já não é o que era (Cherno Baldé, Bissau)

Guiné 61/74 - P28159: In Memoriam (582): António Nunes Lopes (1942-2026), ex-fur mil at inf, CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Porto Gole, Enxalé e Missirá, 1965/67), e cruz de guerra de 3ª classe: senta-se simbolicamente, a título póstumo, no lugar nº 916, à sombra do nosso poilão

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro > Convívio anual da Tabanca de Porto Dinheiro > O António Nunes Lopes (1942-2026) e João Crisóstomo. Ambos foram condecorados com a Cruz de Guerra, de 3ª e 4ª classe, respetivamente, por feitos em combate no decurso da Op Avante (30 de agosto de 1965).

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro > Convívio anual da Tabanca de Porto Dinheiro. Régulo: Euardo Jorge Ferreira (1953- 2019), ex-alf mil, PA - Polícia Aérea, Bissalanca, 1973/74.


(i) Da esquerda para a direita, na primeira fila:
  • António Nunes Lopes (1942-2026)  e João Crisóstomo (ambos pertenceram à CCAÇ 1439, 1965/67); 
  • Helena do Enxalé (mulher do Álvaro Carvalho, fotógrafo; era filha  do Pereira do Enxalé, que morreu em Bissau, em agosto de 1974);
  • Vilma Crisóstomo (esposa do João);
  • Dina   (esposa do Jaime, já falecida) e Milita (esposa do Horácio) (as duas últimas naturais de Fafe); 
(ii) na segunda fila:
  • Eduardo Jorge Ferreira (193-2019);
  • Maria Alice Carneiro e  Luís Graça;
  • Alexandre Rato (então presidente da junta de freguesia de Ribamar);
  • Horácio Fernandes (1936-2025);
  • Jaime Bonifácio Marques da Silva. (Falta o fotógrafo, o Álvaro Carvalho.)

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro >De pé o Álvaro Carvalho... Sentados, da esquerda para a direita: Luís Graça, João Crisóstomo e o António Nunes Lopes (estava convidado, desde essa data,  para integrar a nossa Tabanca Grande, mas não tinha endereço de email, ficando nós a aguardar o da esposa, o que nunca se chegou a concretizar.)

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro  "Recordar é viver", diz o João Crisóstomo, para o Luís Graça e o António Nunes Lopes.

Fotos: © Álvaro Carvalho (2015) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Crachá da CCAÇ 1439
(1965/67)
1. A triste notícia chegou-nos de Nova Iorque: o João Crisóstomo, pesaroso, telefonou-me a comunicar que só agora, 4 meses depois, é que tivera notícia da morte do António Nunes Lopes (*). Por intermédio da sua viúva. 

O António Lopes nasceu a 23/3/1942 e  morreu a 23/2/2026, ia completar 84 anos. Foi fur mil at inf, pertencia ao pelotão comandado pelo João Crisótomo na madeirense CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Porto Gole, Enxalé e Missirá, 1965/67).

O João Crisóstomo e o António Nunes Lopes haveriam de encontrar-se ao fim de quase meio século, na Praia de Porto Dinheiro, Ribamar, Lourinhã, por ocasião do convívio da Tabanca de Porto Dinheiro, em 12 de julho de 2015... Pertenceram ambos à mesma companhia e ao mesmo pelotão... 

No vídeo abaixo, gravado na altura (2015), e que voltamos a reproduzir, os dois  evocam aqui,  de maneira muito viva e emocionada,  uma dos mais duros episódios de guerra por que passaram, em 30 de agosto de 1965, no decurso da Op Avante, em Darsalame (Baio), na zona de Baio/Buruntoni, no Xime, sctor L1 (Bambadinca). Era um ponto que o PAIGC sempre "controlou" durante toda a guerra, e onde era inevitável haver "contacto" com as NT, em operações de contrapenetração ou em patrulhamentos ofensivos...


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Xime > CCAÇ 1439 (1965/67) > 30 de agosto de 1965 > O Armando Assunção Coutinho, de  alcunha o "Pênalti", soldado do BCAÇ 697,adido à CCAÇ 1439,  ferido no decurso da Op Avante. Foto: fonte desconhecida.

No vídeo fala-se também do "Pênálti", que terá sido simultaneamente herói e desertor, segundo a "vox populi" (**)..


Vídeo (7' 31''). Alojado em You Tube > Luís Graça 


Lourinhã > Ribamar > Praia de Porto Dinheiro > Convívio da Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > O João Crisóstomo e o António Nunes Lopes  evocam aqui, com uma espantosa precisão de detalhes, e grande emoção,  uma dos mais duros episódios de guerra por que passaram, em 1965, em Darsalame (Baio), na zona de Baio/Buruntoni, no subsector do Xime (Sector L1 / Bambadinca) (Op Avante, 15 de agosto de 1965).(**)

João Crisóstomo, que é natural de uma freguesia vizinha, A-dos-Cunhados, do concelho de Torres Vedras, fez-se à vida depois do regresso da guerra (em 1967). Andou pela Europa e Brasil, até se fixar em 1975, nos EUA, onde hoje vive (em Queens, Nova Iorque) e que é a sua segunda pátria. 

O António Nunes Lopes, "seu furriel", e por ele sempre muito acarinhado, fora convidado na altura a integrar a Tabanca Grande, convite que ele aceitou de bom grado. Ficou, entretanto, de nos mandar o endereço de emaiçl da esposa, o que nunca chegou a acontecer. Perdemos o contacto, veio a pandemia (em 2022), nunca mais nos encontrámos, e entretanto começoiu a sofrer de doença crónica degenerativa. 

Mas é justo, e para mais sendo um dos "bravos do pelotão" do nosso João Crisóstomo, juntá-lo no nosso "panteão": senta-se simbolicamente, a título póstumo, no lugar nº 916, à sombra do nosso fraterno poilão. É mais um amigo e camarada da Guiné, que em vida interagiu connosco, e que não podemos deixar "ficar inumado na vala comum do esquecimento". 


Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Susetor do Xime > Carta do Xime  (1961) > Escala de 1/50 mil > Posição relativa do Xime e Darsalame (Baio) onde o pelotão do João Crisóstomo (alferes) e do António Nunes Lopes (furriel) sofreram uma violenta emboscada, em 1966, e tiveram um comportamento heróico, eles e os seus homens... Na zona de Poindom / Ponta do Inglês, havia população que cultivava as bolanhas, na margem direita do R Corubal e que "apoiava" a guerrilha... Também eu ali iria conhecer o inferno, três ou quatro anos mais tarde, em 1969/71... (LG).

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2015).


2. O nosso camarada António Nunes Lopes foi condecorada com a Cruz de Guerra de 3ª classe por feitos em combate no decurso da Op Avante (Subsetor do Xime / Sector L1, 15 de agosto de 1965) (***)

■ Furriel Miliciano de Infantaria - ANTÓNIO NUNES LOPES 
 -  Companhia de Caçadores nº 1439 - BII 19 – 3ª CLASSE 


Transcrição da Portaria publicada na Ordem do Exército nº 29, 3ª série, de 1966. Por Portaria de 20 de setembro de 1966:

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra de 3ª classe, ao abrigo dos artigos 9º e 10º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província da Guiné Portuguesa: O Furriel Miliciano de Infantaria, António Nunes Lopes, da Companhia de Caçadores nº 1439 / Batalhão de Caçadores nº 694 - Batalhão Independente de Infantaria nº 19.

Transcrição do louvor que originou a condecoração. Publicado na OS nº 89, de 29 de outubro de 1965, do QG/CTIG:

Louvo o Furriel Miliciano, António Nunes Lopes, da Companhia de Caçadores nº 1439, porque, na operação "Avante", quando as NT se encontravam debaixo de nutrido e violento fogo Inimigo, em terreno que nos era manifestamente desfavorável, fez parte, com a sua secção reforçada, do grupo que, sob o comando do comandante da operação, executou uma arrancada heróica ao encontro do inimigo oculto, do que resultou a suspensão do seu fogo e o consequente alívio da situação das NT (Nossas Tropas), tornando-se em sucesso para nós, embora com baixas, o que podia ter sido um desastre.

Durante esta acção incutiu no seu grupo a necessidade de avançar, a fim de descobrir e aniquilar um dos grupos do IN que mais flagelava as NT com o que demonstrou a sua coragem e decisão de enfrentar o perigo, a sua serena energia e sangue frio debaixo de fogo, bem como a sua valentia e bravura perante o IN traiçoeiro, nada tendo havido que conseguisse quebrar o seu ânimo, nem mesmo a morte de um dos seus melhores elementos ou o sibilar das balas à sua volta.

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Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 1 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28064: In Memoriam (580): Major-general Paraquedista Heitor Hamilton Almendra (1932-2026): cerimónias fúnebres hoje, às 13h00, na Igreja da Força Aérea, em São Domingos de Benfica, seguindo depois o funeral para o crematório dos Olivais

(**) Vd. poste de 24 de abril de 2021 > Guiné 61/74 - P22131: CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67): A “história” como eu a lembro e vivi (João Crisóstomo, ex-alf mil, Nova Iorque) - Parte VI: O baptismo de fogo no Xime (17/8/1965, e a Op Avante, ao Buruntoni (em 29-30/8/1965) com os primeiros mortos

domingo, 5 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28158: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (67): Gabu, a "festa da água"





Foto nº 1 e 1A > Guiné-Bissau > Região de Gabu > Gabu > Julho de 2026 > Festa da água, na estrada de Gabu para o Sonaco





Foto nº 2 e 2A > Guiné-Bissau > Região de Gabu > Gabu > Julho de 2026 >Aqui também já não havia água há muito tempo. Com os ensaios de bombagem, deixámos a água correr borda fora, durante diversas horas na estrada que vai para a Sonaco

Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]


1. Mais umas fotos do Gabu, enviada pelo Patricio Ribeiro, o "embaixador da Tabanca Grande" na Guiné-Bissau, autor da série "Bom dia desde Bissau"


Data - domingo, 05/07/2026, 09:20
Assunto - Gabu

Luís, hoje vou enviar algumas fotos de Gabu, onde estou desde há uns dias.

Abraço, Patrício Ribeiro
Impar Lda
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Nota do editor LG:

sábado, 4 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28157: Os nossos seres, saberes e lazeres (739): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (260): Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 5 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 29 de Maio de 2026:

Queridos amigos,
Amanhã a partida é em direção a Gjirokastër, embora as expectativas sejam enormes quanto ao que esta cidade museu oferece, não deixamos Përmet absolutamente nada desapontados, logo a viagem de furgão a partir de Korçë pelos meandros montanhosos, por vezes os desfiladeiros, vistos da estrada, parecem ser fendas de abismo até que, inopinadamente, surge aquele rio de caudal instável, o Vjosa, quem vai dentro do furgão faz comentários sobre o que vai fazer, há ali gente que veio para fazer rafting, há escaladores, ciclistas, gente mais madura que veio a sonhar com bacias de água quente, perto de Përmet. Deu-me para fazer passeios a pé a saborear o Vjosa e quando me meti para o interior atinei com uma igreja ortodoxa, cheia de espiritualidade, rodeada de um belo jardim. Por ali andei tempo suficiente até fazer horas para jantar, depois de dar o último passeio a pé e procurar adormecer acreditando que Gjirokastër é única no mundo... e afinal é.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (260):
Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 5


Mário Beja Santos


Mostrar-vos a miniatura do mapa da Albânia não é um puro acaso, nasce da preocupação de vos dar conhecimento quanto ao itinerário seguido; houve partida em furgão de Tirana até Pogradec, para admirar o Lago Ohrid, seguiu-se depois para Korçë, há quem lhe chame uma pequena Paris, é, no mínimo, bonita e cosmopolita; mais adiante, nova viagem em furgão até Përmet, esperava uma maravilhosa igreja ortodoxa, vão ver; e daqui rumou-se para a espantosa Gjirokastër, um justificado Património da Humanidade, temos depois a última viagem até ao sul, já no mar Jónico, em Sarandë, visita ao Lago Butrint e o sítio arqueológico respetivo, também e justificadamente Património da Humanidade. Saiu-se de Korçë, num furgão cheio de gente com ar desportivo, só quando começarmos a flanquear o rio Vjosa, que nos acompanhará até Përmet, é um rio associado a um parque natural entre a Grécia e a Albânia, e então vemos a que se destinam as tais atividades desportivas, desde rafting a passeios pedestres, procura de águas termais, ciclismo, etc. De Korçë a Përmet são escassas dezenas de quilómetros, vamos sempre com os olhos em cima das majestades montanhas, dos desfiladeiros, do estranhíssimo caudal do Vjosa, umas vezes tumultuoso, outras vezes quase reduzido a um fio de água.
Importa recordar que 70% da Albânia são montanhas e florestas, o espetáculo cénico preenche a nossa atenção, com estes desencontros cumeadas com neve, zonas umas vezes densamente arborizadas, outras vezes calvadas, superfícies que devem tentar escaladores, com os abismos ao fundo.
Os famosos banhos termais de Përmet, estou um pouco fora da cidade, é uma das suas atrações turísticas, lembra as caldeiras das ilhas açorianas, imagem retirada do site Adventure Albania
A lindíssima ponte Kadiut nos arredores de Përmet
Rafting no rio Vjosa, um rio que acompanhou quase toda a viagem de Korçë até Përmet
Chega-se a Përmet, ainda não se perguntou onde fica o nosso alojamento e somos confrontados com o libertador de Përmet, fala-se em 24 de maio de 1944. Como nunca se conseguem obter informações no turismo, procura-se meter conversa com os passantes, alguém cheio de orgulho disse que esta escultura é original, há réplicas espalhadas por outras cidades, mas sim, esta é única.
Confesso que a grande atração que senti em Përmet foi uma igreja ortodoxa onde encontrei duas legendas, igreja do Santo Parashqevi, é uma basílica coberta de arcos e cúpulas esféricas, data de 1776 está classificada como monumento cultural de primeira categoria. 22 metros de comprimento, 16 de largura e 8 de altura, três naves com cúpulas, estão ligados o santuário, o nártex e o altar; igreja construída com pedra pomes e argamassa de cal. O telhado está coberto com pedras brancas e o interior decorado com frescos. O iconóstase (parede coberta de ícones que separa o santuário da igreja propriamente dita) é esculpido em madeira, os frescos são cenas das escrituras, o autor é um pintor vindo de Korçë.
Encontrei esta imagem antiga, data do tempo em que não estava cercada por belos jardins, como agora. Curiosamente, encontrei uma transcrição que descreve exatamente a igreja, mas que lhe chama igreja da Sexta-Feira Santa.
Frescos antigos, a aguardar limpeza, conservação e restauro
Púlpito de requintada beleza
Outra perspetiva da área de culto
Um aspeto da cúpula, também a pedir intervenção
Iconóstase
Sala com ícones
Porventura a imagem da Virgem Maria, mas não excluo a possibilidade de ser uma santa da igreja ortodoxa albanesa
Imagem tirada da entrada tendo por fundo o iconóstase
Mesmo com iluminação deficiente é possível verificar que por cima das colunas temos pintura à volta da cúpula, com frescos ao fundo.

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 27 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28136: Os nossos seres, saberes e lazeres (738): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (259): Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 4 (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28156: Agenda cultural (895): Na 2ª feira, dia 6 de julho, lá estaremos na tradicional batatada de peixe seco, na Festa da Marquiteira, Lourinhã... Ontem, comida dos pobres, hoje produto "gourmet"


Cartaz (pormenor) da festa da Marquiteira, Lourinhã, em honra do Sr. Jesus do Carvalhal.

2ª feira, dia 6, é a tradicional batatada de peixe seco que congrega os amantes do petisco, 
 que dantes era dos pobres e agora é produto "gourmet".

A  iniciativa é da Associação Cultural, Recreativa e Desportiva da Marquiteira, a quem tiramos o quico, por manter esta tradição, provavelmente única em todo o mundo... Em anos anteriores, foram já  centenas os comensais da batatada de peixe seco. Só a terra vizinha da Ventosa do Mar lhe faz frente...
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 17 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28109: Agenda Cultural (894): Lançamento do livro "Um percurso pela história e pelos sabores da Guiné-Bissau", de M. Margarida Pereira-Müller, dia 23 de Junho de 2026, pelas 18h00, na Galeria ArteGraça, Rua da Graça, 27-29, Lisboa

Guiné 61/74 - P28155: Humor de caserna (278): Na Spinolândia, namorar não era proibido... o preço da chamada telefónica para a metrópole é que era proibitivo!... Que o diga o Humberto Reis, o nosso "cartógrafo" e "ranger" (que está agora no "estaleiro", e a quem desejamos rápida recuperação)




























Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Imagem:  Humberto Reis  (2011)

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.




1. Maria Teresa Macedo Coelho dos Reis nasceu no Porto, 11 de julho de 1947. Faleceu em Alfragide, em 14 de de 2011, portanto à beira de completar os 64 anos.

 Segundo o Humberto, conheceram-se no Bairro da Encarnação, Lisboa, onde as famílias viviam  e eram vizinhas.

A Teresa era jogadora de basquetebol e trabalhava na RTP. Casou com o Humberto em maio de 1972. Em meados de 1970 o Humberto veio de férias da Guiné (ei-lo aqui, na foto à esquerda, com a Teresa) (*).

Pessoalmente, conhecia-a na Lourinhã, num memorável convívio com o Humberto, o Tony Levezinho e a sua querida Isabel, também já infelizmente falecida (1952-2020),  e  mais um casal de amigos da Amadora, após o nosso regresso da Guiné, em março de 1971. Esse convívio na Lourinhã deve ter sido em meados de 1971.

A Teresa era então uma mulher esplendorosa, jovial, e brincalhona... Éramos todos jovens e tínhamos a vida à nossa frente.   Foi a primeira das "nossas mulheres" a entrar para a Tabanca Grande, a título póstumo, em 22/6/2011.

Este poste, bem humorado (**), é uma pequena homenagem que lhe fazemos. A ela e ao seu (e nosso) Humberto, que está no "estaleiro", na cama 24,  da enfermaria do Serviço de Cirurgia Cardiotorácica, piso 8, no Hospital de Santa Maria, Lisboa, a recuperar da "Operação Coração Aberto"...... Fazemos votos para que ele regresse a casa, pelo seu pé. E agora 10 anos mais novo que todos nós...

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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 3 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28153: A nossa guerra em números (50): o custo de uma chamada telefónica, de 3 minutos, em 1969, para a Metrópole, podia ir de 100 a 130 escudos (37 a 48 euros, a preços de hoje)