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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28449: Em bom português nos entendemos (35): Quem disse que burro velho não aprende línguas ? (Em tétum, de Timor-Leste: "Kuda-burru katuas la aprende lian" ou "«Katuas ona, aprende susar")


Timor-Leste > Liquiçá > Leotala > Manatti > Boebau > 18 de março de 2018 > Inauguração da Escola de São Francisco de Assis (ESFA) > O João Crisóstomo e o Rui Chamusco: ninguém tem a lata de chamar-lhes os nossos Dom Quixote e Sancho Pancha... Ser solidário, neste mundo cínico, hipócrita e sacana, é tudo menos lutar contra moinhos de vento, e enfrentar inimigos imaginários ou obstáculos inexistentes, gastando energia e fazendo esforços em vão. Bem, pelo contrário, é lutar contra a inércia  da grande maioria, a preguiça de muitos, o cinismo de bastante e a prepotência de alguns, em prol da resolução dos problemas concretos de quem precisa de coisas tão elementares como a saúde de e a educação. Como as crianças das montanhas de Liquiçá. Palmas para o João e o Rui e para a ASTIL (Associação dos Amigos Solidários com Timor-Leste), que eles representam aqui no nosso blogue. Podiam estar no conforto dos seus lares, a gozar a sua reforma...mas, não, ainda andam metidos "nestas guerras de bem-querer e bem-fazer"...

Foto (e legenda): © João Crisóstomo (2018). Todos os direitos reservados

[Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Timor-Leste > Liquiçá > Leotala > Manatti > Boebau > 22 de março de 2025>   7º aniversário da ESFA  > O 1º ministro da República Democrática de Timor-Leste, Kay Rala Xanana Gusmão, acompanhado do administrador do município de Liquiça, Rogério dos Santos,  faz uma visita-surpresa  à Escola de São Franscisco de Assis, em Boebau / Manatti, município de Liquiçá, é recebido pelo Rui Chamusco ("avô Rui"), português, dirigente  da ASTIl, e nosso grão-tabanqueiro, e pelo coordenador da escola João de Araújo Moniz Sobral  ("Eustáquio"), aqui conhecido como "Pai  Nino".

Imagens da Média - GPM / RDTL (República Democrática de Timor-Leste, com a devida vénia)... Fonte:  Página do Facebook do 1º Ministro da RDTL, Kay Rala Xanana Gusmão

1.  Enquanto os timorenses estão a fazer um grande esforço por aprender português (desde miúdos, na escola), nós,  podemos igualmente ter, aqui em Portugal, pelo menos, a "curiosidade" de  conhecer, um pouco melhor,  a "língua franca" que é o tétum,   de resto língua oficial, a par do português, da República Democrática de Timor-Leste.

Tal como a Guiné-Bissau, Timor Leste tem uma grande diversidade linguística...Veja-se aqui , a propóstito  um vídeo, no Tiktoc, do Marcos Neves >  23/2/2025 > As Línguas de Timor.  (Marcos Neves é autor de um conhecido e já popular programa, na RTP1, "A  Língua Que  Nos Une".)

O tétum é apenas uma das duas dezenas de línguas  faladas no território (que tem c. de 15 km quadrados, menos de metade da superfície da Guiné-Bissau). É língua oficial, juntamente com o português, enquanto que o indonésio e o inglês são línguas de trabalho.  

O tétum "não é um crioulo de base lexical portuguesa".

O tétum (especialmente o tetun-prasa, a variedade mais falada como língua franca) absorveu um grande número de palavras de origem portuguesa devido aos séculos de colonização e à influência da Igreja Católica.

O tétum não difícil de aprender para um falante da língua portuguesa. Mas é importante saber que, apesar do vernáculo emprestado do português, a estrutura gramatical e a base do tétum pertencem à família das línguas austronésias (com influências malaia): a sintaxe, a formação de frases e a lógica da língua funcionam de maneira totalmente diferente do português.

E, a propósito, há um ano e tal não consegui arranjar maneira de traduzir para português a notícia da visita do 1º ministro Xanana Gusmão à Escola de São Francisco de Assis (ESFA), nas  montanhas de Liquiçá. Por ocasião do seu 7º aniversário. 

Recorde-se que  é uma escola do ensino primário e pré-primário fundada  em 2018 pela ASTIL - Associação dos Amigos Solidários  Com Timor Leste, de que fazem parte amigos nossos (e membros da Tabanca Grande) como o Rui Chamusco e o João Crisóstomo.

A título de curiosidade, compare-se esta notícia em tétum da vista do Xana Gusmão à ESFA, em 22/3/2025, com a tradução para português que conseguimpos fazer recorrendo à IA (ChatGPT / Open AI).

Nesta notícia faz-se referência a duas "personagens" já nossas conhecidas (cróncias sobre Timor-Leste): "Avô ou Abô Rui" (Rui Chamusco), cofundador e líder da ASTIL,  e "Pai Nino" (João  de Araújo Moniz Sobral, mais conhecido por "Eustáquio", irmão mais novo de Gaspar Sobral, luso-timorense, também cofundador e dirigente da ASTIL,. com sede em Coimbra).

𝐄𝐒𝐊𝐎𝐋𝐀 𝐒A𝐎 𝐅𝐑𝐀𝐍𝐂𝐈𝐒𝐂𝐎 𝐃𝐄 𝐀𝐒𝐒𝐈𝐒 𝐄𝐙𝐈𝐒𝐓𝐄 𝐓𝐈𝐍𝐀𝐍 𝐇𝐈𝐓𝐔, 𝐏𝐌 𝐗𝐀𝐍𝐀𝐍𝐀 𝐀𝐆𝐑𝐀𝐃𝐄𝐒𝐄 𝐏𝐑𝐎𝐅𝐄𝐒𝐎́𝐑 𝐍𝐀𝐈’𝐍-𝐋𝐈𝐌𝐀 𝐕𝐎𝐋𝐔𝐍𝐓𝐀́𝐑𝐈𝐔 𝐇𝐀𝐍𝐎𝐑𝐈𝐍 𝐄𝐒𝐓𝐔𝐃𝐀𝐍𝐓𝐄

LIQUIÇA, 22 Marsu 2025

A Escola São Francisco de Assis existe há sete anos. O primeiro-ministro Xanana agradece aos cinco professores voluntários que ensinam gratuitamente

Liquiçá, 22 de março de 2025

Primeiru-Ministru (PM), Kay Ral Xanana Gusmão agradese ba profesór foin-sa’e Timor-oan na’in lima (5) kompostu hosi feto tolu no mane rua ne’ebé ho de’it diploma sekundáriu voluntáriu tinan hitu ona fahe matenek ba estudante sira iha eskola São Francisco de Assis, Liquiça.

O primeiro-ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, agradeceu a cinco jovens professores timorenses — três mulheres e dois homens — que, dispondo apenas do ensino secundário, há já sete anos dão voluntariamente aulas aos alunos  da Escola São Francisco de Assis, em Liquiçá.

Apresiasaun ne’e Xefe Governu hato’o bainhira hala’o vizita supreza hodi partisipa selebrasaun aniversáriu Eskola São Francisco de Assis “Paz e Bem” iha Aldeia Hatumasi, Suku Leotala, Postu Administrativu Liquiça, Munisípiu Liquiça, sábadu (22/03/2025).

O chefe do Governo manifestou este reconhecimento durante uma visita-surpresa à escola, por ocasião da celebração do aniversário da Escola São Francisco de Assis, cujo lema é «Paz e Bem», situada na aldeia de Hatumasi, suco de Leotala, posto administrativo de Liquiçá, município de Liquiçá, no sábado, 22 de março de 2025.

Vizita supreza ne’e PM Xanana halo hafoin simu karta ne’ebé hakerek hosi Fundadór Eskola São Francisco de Assis, Rui Fernandes Manuel Chamusco dirije bá PM Xanana hodi relata prokupasaun ne’ebé estudante no inan-aman sira hasoru.

 A visita-surpresa do Chefe do Governo  teve lugar depois de ter recebido uma carta do fundador da Escola São Francisco de Assis, "Paz e Bem", Rui Fernandes Manuel Chamusco, na qual este lhe dava conta das preocupações e dificuldades enfrentadas  pelos alunos e pelos seus pais

Eskola ne’e harii hosi Associação dos Amigos Solidários com Timor Leste (ASTIL-Portugál), iha tinan 2019 ho sala aula tolu, haris-fatin ida, ne’ebé inaugura iha loron 10 fulan-Marsu hosi fundadór ASTIL, João Crisóstomo e Criança de Boebua, eskola ne’e harii ho intensaun ajuda estudante sira iha área rurál asesu ba edukasaun ho besik liután.

A escola foi fundada, em 2019, pela Associação dos Amigos Solidários com Timor-Leste (ASTIL-Portugal). Inicialmente, dispunha de três salas de aula e de uma instalação sanitária. Foi inaugurada a 10 de março pelo fundador da ASTIL, por João Crisóstomo e  pelas Crianças de Boebau. A sua criação teve como objetivo ajudar os alunos das zonas rurais a terem um acesso mais próximo à educação.

“𝐇𝐚’𝐮 𝐦𝐚𝐢 𝐭𝐚𝐧𝐛𝐚 𝐢𝐦𝐢-𝐧𝐢𝐚 𝐞𝐬𝐤𝐨𝐥𝐚 𝐬𝐞𝐥𝐞𝐛𝐫𝐚 𝐭𝐢𝐧𝐚𝐧-𝐡𝐢𝐭𝐮, 𝐡𝐚’𝐮 𝐦𝐚𝐢 𝐚𝐭𝐮 𝐚𝐠𝐫𝐚𝐝𝐞𝐬𝐞 𝐛𝐚 𝐀𝐯ó 𝐑𝐮𝐢 𝐅𝐞𝐫𝐧𝐚𝐧𝐝𝐞𝐬 𝐌𝐚𝐧𝐮𝐞𝐥 𝐂𝐡𝐚𝐦u𝐬𝐜𝐨 𝐡𝐨 𝐧𝐢𝐚 𝐦𝐚𝐥𝐮𝐤 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐧𝐞’𝐞𝐛𝐞é 𝐡𝐨 𝐥𝐚𝐫𝐚𝐧 𝐛𝐨’𝐨𝐭, 𝐟𝐮𝐚𝐧 𝐛𝐨’𝐨𝐭 𝐡𝐨𝐝𝐢 𝐚𝐣𝐮𝐝𝐚 𝐦𝐨́𝐬 𝐠𝐨𝐯𝐞𝐫𝐧𝐮 𝐚𝐭𝐮 𝐡𝐚𝐝𝐢𝐚 𝐞𝐝𝐮𝐤𝐚𝐬𝐚𝐮𝐧 𝐧𝐨 𝐩𝐫𝐞𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐢𝐭𝐚-𝐧𝐢𝐚 𝐨𝐚𝐧 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐧𝐢𝐚 𝐞𝐝𝐮𝐤𝐚𝐬𝐚𝐮𝐧. 

"𝐇𝐚’𝐮 𝐦ó𝐬 𝐡𝐚𝐤𝐚𝐫𝐚𝐤 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐬𝐢𝐚 𝐦𝐨́𝐬 𝐛𝐚 𝐏𝐚𝐢 𝐍𝐢𝐧𝐨 (𝐉𝐨ã𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐫𝐚ú𝐣𝐨) 𝐡𝐨 𝐩𝐫𝐨𝐟𝐞𝐬ó𝐫 𝐧𝐨 𝐩𝐫𝐨𝐟𝐞𝐬𝐨𝐫𝐚 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐥𝐚𝐫𝐚𝐧 𝐥𝐮𝐚𝐤 𝐡𝐨𝐝𝐢 𝐡𝐚𝐫𝐞𝐞 𝐛𝐚 𝐢𝐦𝐢-𝐨𝐚𝐧 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐧𝐢𝐚 𝐟𝐮𝐭𝐮𝐫𝐮. 𝐒𝐞́ 𝐡𝐨 𝐯𝐨𝐥𝐮𝐧𝐭á𝐫𝐢𝐮 𝐡𝐚𝐧𝐞𝐬𝐚𝐧 𝐧𝐞’𝐞 𝐦𝐚𝐤𝐚, 𝐩𝐫𝐨𝐟𝐞𝐬ó𝐫 𝐓𝐢𝐦𝐨𝐫-𝐨𝐚𝐧 𝐡𝐨𝐭𝐡𝐨𝐭𝐮 𝐛𝐞𝐥𝐞 𝐤𝐨𝐧𝐭𝐫𝐢𝐛𝐮𝐢 𝐚𝐭𝐮 𝐡𝐚𝐝𝐢’𝐚 𝐢𝐭𝐚-𝐧𝐢𝐚 𝐫𝐚𝐢𝐧,” PM Xanana hateten.

«Vim juntar-me a vós para celebrar os sete anos da vossa escola. Vim também agradecer ao avô Rui Fernandes Manuel Chamusco e aos seus companheiros, que, com grande coragem e determinação, têm ajudado o nosso Governo a proporcionar educação e a preparar os nossos filhos através do ensino. 

"Quero igualmente manifestar o meu reconhecimento ao Pai Nino (João de Araújo) e aos professores e professoras que trabalham arduamente para construir o futuro dos nossos filhos. Mesmo sendo voluntários, estes professores timorenses estão a contribuir de forma muito significativa para o desenvolvimento do nosso país», 
afirmou o primeiro-ministro Xanana.

Xefe Governu haktuir, Ministériu Edukasaun rezolve hela problema edukasaun no problema profesór sira. Maibé iha área rurál hanesan iha Aldeia Hatumasi profesór sira hanorin voluntáriu tinan hitu ona, nunka reklara sira-nia direitu más sakrifika a’an atu hanoin de’it oinsá mak fahe sira-nia matenek ba estudante sira nia futuru, no ida ne’e asaun fraternidade importante ida.

O chefe do Governo acrescentou que o Ministério da Educação está a trabalhar para resolver os problemas do sistema educativo e as dificuldades dos professores. Contudo, em zonas rurais como a aldeia de Hatumasi, há professores que ensinam voluntariamente há sete anos, sem nunca reclamarem os seus direitos, sacrificando-se e preocupando-se apenas em transmitir os seus conhecimentos aos alunos, para que estes tenham um futuro melhor. Trata-se, sublinhou, de um importante ato de fraternidade.

PM Xanana ne’e apela ba estudante sira atu badinas estuda, mezmu sira iha área rurál hasoru dezafiu oin-oin. 

Xanana Gusmão apelou ainda aos alunos para que se empenhassem nos estudos, apesar dos vários desafios que enfrentam por viverem numa zona rural.

Iha ámbitu ne’e, PM Xanana orienta estudante sira kanta múzika Hino Nasionál “Patria-Patria” no fahe livru ba estudante, dosi, bebida ba estudante inklui inan no aman sira.

Neste contexto, o primeiro-ministro orientou os alunos a cantarem o hino nacional, «Pátria, Pátria», e distribuiu livros, doces e bebidas pelos estudantes, incluindo também os pais presentes.

Iha biban hanesan, Koordenadór Eskola São Francisco de Assis, João de Araújo Moniz Sobral agradese ba prezensa Xefe Governu ne’ebé hakat ona to’o sira-nia fatin hodi haree no rona rasik preokupasaun ne’ebé sira hasoru.“

Na mesma ocasião, o coordenador da Escola São Francisco de Assis, João de Araújo Moniz Sobral, agradeceu a presença do chefe do Governo, que se deslocou pessoalmente àquele local para conhecer e ouvir diretamente as preocupações e dificuldades que a comunidade escolar enfrenta.

 "𝐀𝐯ó X𝐚𝐧𝐚𝐧𝐚 𝐦𝐨𝐬𝐮 𝐦𝐚𝐢 𝐝𝐞𝐫𝐞𝐩𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐡𝐚𝐧𝐞𝐬𝐚𝐧 𝐧𝐞’𝐞 𝐬𝐮𝐩𝐫𝐞𝐳𝐚 𝐛𝐨’𝐨𝐭 𝐛𝐚 𝐢𝐭𝐚 𝐩𝐨𝐯𝐮 𝐧𝐨 𝐞𝐬𝐭𝐮𝐝𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐧𝐞’𝐞𝐛é 𝐬𝐮𝐬𝐚𝐫 𝐛𝐚 𝐛𝐮𝐚𝐭 𝐡𝐨𝐭𝐮-𝐡𝐨𝐭𝐮. 𝐀𝐦𝐢 𝐧𝐚’𝐢𝐧-𝐥𝐢𝐦𝐚 𝐡𝐨 𝐝𝐢𝐩𝐥𝐨𝐦𝐚 𝐬𝐞𝐤𝐮𝐧𝐝á𝐫𝐢𝐮 𝐡𝐨 𝐟𝐮𝐚𝐧 𝐧𝐞’𝐞𝐛é 𝐡𝐚𝐤𝐚𝐫𝐚𝐤 𝐚𝐭𝐮 𝐝𝐞𝐳𝐞𝐧𝐯𝐨𝐥𝐯𝐞 𝐫𝐚𝐢 𝐢𝐝𝐚 𝐧𝐞’𝐞 𝐥𝐢𝐥𝐢𝐮 𝐩𝐫𝐞𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐧𝐨 𝐞𝐝𝐮𝐤𝐚 𝐨𝐚𝐧 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐬𝐚𝐢 𝐦𝐚𝐭𝐞𝐧𝐞𝐤,” João de Araújo hateten.

«A chegada inesperada do avô Xanana foi uma enorme surpresa para a nossa população e para os alunos, que enfrentam muitas dificuldades. Somos cinco professores, com apenas o diploma do ensino secundário, mas queremos desenvolver esta terra,  preparando e educando as crianças  
para que adquiram cada vez mais conhecimentos»,
declarou João de Araújo.

Estudantes hamutuk na’in-102 kompostu hosi feto na’in-54 no mane 48 mak tuir aprendizajem iha tinan 2025. Estudante sira ne’e maioria hela ho distánsia dok, la’o de’it hosi ai-laran, hakur mota hodi ba to’o iha eskola.

Em 2025, a escola tinha 102 alunos, dos quais 54 raparigas e 48 rapazes. A maioria vive longe da escola e tem de percorrer  caminhos pelo meio da floresta e atravessar rios  para chegar às aulas.

Problema seluk ne’ebé eskola ne’e hasoru mak menus livru, kadeira no meja balun komesa aat, armari la iha atu tau livru no la iha biblioteka.

Entre os outros problemas enfrentados pela escola contam-se a falta de livros, o mau estado de algumas cadeiras e mesas e a inexistência de armários para guardar os livros e de uma biblioteca.

Maski nune’e, eskola ne’e komesa harii ona moru haleu hodi proteje estudante sira bainhira tuir prosesu aprendizajem bele seguru no evita animal tama ba resintu eskola.

Apesar destas dificuldades, a escola começou a construir um muro de vedação para proteger os alunos durante as atividades letivas, garantindo-lhes maior segurança e impedindo a entrada de animais no recinto escolar.

Prezensa PM Xanana nian apoia mós “𝐇𝐚’𝐮 𝐓𝐚𝐬𝐢, 𝐇𝐚’𝐮 𝐓𝐢𝐦𝐨𝐫” fahe fahe kamiza Fronteira Marítima no apoia nesidade bázika ba estudante sira, atividade ne’e taka ho hasai foto hamutuk nu’udar rekordasaun.

A presença do primeiro-ministro Xanana Gusmão serviu também para apoiar a iniciativa «Ha'u Tasi, Ha'u Timor» (O meu mar, o meu Timor), através da distribuição de camisolas alusivas à fronteira marítima e do apoio às necessidades básicas dos alunos. A atividade terminou com uma fotografia de grupo, destinada a registar o acontecimento.

Akompaña PM Xanana iha eventu ne’e mak Administradór Postu Liquiça-Vila, Rogério dos Santos no reprezentante Komandu PNTL. 

(Média-GPM)

O primeiro-ministro Xanana Gusmão esteve acompanhado pelo administrador do posto administrativo de Liquiçá-Vila, Rogério dos Santos, e por um representante do Comando da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL).

Fonte: Média-GPM (Gabinete do Primeiro-Ministro).

(Tradução de Tétum para Português Europeu feita com recurso à IA - ChatGPT / Open AI. Fixação / revisão de texto: LG) (O Google Gemini não faz, ou ainda não faz traduções de e para o tétum...) 

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Nota de tradução da IA:

Há algumas expressões do original cujo sentido exato pode depender do contexto local. Traduzi "Avó" por «avô» — forma de tratamento respeitosa dirigida a Xanana Gusmão  e a Rui Chamusco — e "suco" e "aldeia" foram mantidos como designações da organização administrativa timorense. A expressão Hino Nasionál “Patria-Patria” foi vertida literalmente, sem tentar substituir o título por uma designação oficial diferente. 

Nota do editor LG:

A designação oficial da ASTIL é Associação dos Amigos Solidários com Timor-Leste.

O João Crisóstomo não é fundador da ASTIL, como se podia deduzir da notícia original, que corrigimos; é apenas associado e grande amigo de Timor-Leste. (E um histórico dirigente e cofundador do LAMETA - Luso-American Mouvement for East-Timor Autodetermination .)  Esteve presente na inauguração da ESFA,  em 18/3/2018, tal como o Rui Chamusco, esse,sim, fundador e dirigente da ASTIL.

O título oficial do Hino Nacional de Timor  Leste é "Pátria", que fixámos na tradução.  Eis a letra:

(...) “Pátria” é o hino nacional da República Democrática de Timor-Leste. Composta em 1975 por Afonso de Araújo com letra de Francisco Borja da Costa, “Pátria” foi adoptada em 2002 com a Restauração da Independência, como hino nacional.

Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação.
Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.
Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação.
Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.
Vencemos o colonialismo, gritamos:
abaixo o imperialismo.
Terra livre, povo livre,
não, não, não à exploração.
Avante unidos firmes e decididos.
Na luta contra o imperialismo
o inimigo dos povos, até à vitória final.
Pelo caminho da revolução.

Fonte: Governo de Timor-Leste > Timor-Leste _ Símbolos Nacionais

Letra em  tétum (Símbolu Nasionál > Inu Nasionál)

“Pátria” mak inu Nasionál Repúblika Demokrátika Timór-Leste nian. Múzika kompoin iha 1975 , Afonso de Araújo mak halo ho letra Francisco Borja da Costa nian, “Pátria” adopta iha 2002 ho Restaurasaun Independênsia, hanesan inu Nasionál.

Pátria, Pátria, Timór-Leste, ita nia Nasaun.
Glória ba Povu no ba ita nia eróis libertasaun nasionál.
Pátria, Pátria, Timór-Leste, ita nia Nasaun.
Glória ba Povu no ba ita nia eróis libertasaun nasionál.
Ita manán hasoru kolonializmu, ita hakilar:
Hatuun imperializmu
Rai livre, Povu livre,
Lae,lae, lae ba explorasaun
Bá oin hamutuk, laran metin no barani
Halo funu hasoru imperializmu
inimigu Povu hotu-hotu nian, to’o vitória finál
liu dalan revolusaun.

(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)

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Nota do editor LG:

Guiné 61/74 - P28448: Notas de leitura (1972): "Fado Alexandrino", por António Lobo Antunes; Publicações Dom Quixote (2) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 12 de Agosto de 2026:

Queridos amigos,
O jantar dos militares está a findar, já sabemos como lhes correu a vida desde que chegaram de Moçambique, amores, desamores, sonhos, pesadelos, o tenente-coronel viúvo tem agora o apoio da porteira e mulher a dias, não é amor, é companhia, o Jorge alferes casou com a Inês, menina de famílias finas, trabalha no banco e vive jantares abomináveis em casa dos sogros, numa quinta em Carcavelos, o soldado engrenou em serviços de mudanças, empresa do tio, irão a caminho da Baixa no dia 25 de abril de 1974, não tenho dúvida alguma quando um dia se se quiserem resgatar as páginas sublimes que se escreveram sobre o 25 de abril, é inevitável retirar parágrafos luminescentes deste Fado Alexandrino. A reunião dos militares, que começou num jantar, passou agora para uma boate no Intendente, será aí, entre equilibristas e striptease, que se vai viver o 25 de abril.

Um abraço do
Mário.



Chegámos da guerra, apanhámos o fim do Estado Novo, vivemos o 25 de abril e o depois: como e porquê Fado Alexandrino, de Lobo Antunes, é um notável romance ancorado no fado de ex-combatentes – 2

Mário Beja Santos

Esta obra-prima de António Lobo Antunes teve a sua primeira edição em 1983, vem na sequência de um ciclo de romances que versam a experiência dele como tenente-médico em Angola, a sua vida profissional como psiquiatra, os desabafos sobre a sua vida íntima. Fado Alexandrino, considerado pela crítica como um dos seus textos fundamentais, justamente premiado, prende-se com a história de um conjunto de militares no período final do Estado Novo, segue-se o 25 de abril e o PREC e o culminar de um tempo de rescaldo, tudo é passado entre um jantar verdadeiramente funambulesco, a passagem por uma boate no Intendente, haverá um surpreendente final, onde não falta uma atmosfera de orgia.

Romance a várias vozes, por vezes interferindo quase em vertigem o que eles vão dizendo uns aos outros ou o que guardam para si no discurso da consciência, falando desabridamente da vida amorosa onde não faltam desastres e desencontros, no seu trabalho, da situação política do país, temos aqui um retrato da década de 1970 e o início da seguinte.

Já sabemos que há um encontro de militares, de tenente-coronel a soldado, estão a rememorar acontecimentos anteriores ao 25 de abril, vieram todos de Moçambique, terão pertencido a um Batalhão colocado em Mueda ou algures, obviamente que se seguiram itinerários diferentes, o oficial de transmissões está no uso da palavra, colocado no Ministério do Terreiro do Paço a levantar processos e autos, é esquerdista-maoísta, distribuindo folhetos à socapa, “folhetos que entregava depois do serviço nos gabinetes despovoados, toscos e tolos contos da carochinha para aldrabar ingénuos.”

E desabafa para todos os presentes no jantar:
“O que nessa época custava mais na militância política era a falta de contactos, de amigos que nos acompanhassem, da orientação dos camaradas. Nunca nos víamos, nunca nos falávamos, podíamos estar presos ou mortos só o sujeito invisível e desconhecido que nos coordenada sabia, largávamos as informações num envelope, no balcão de uma pastelaria ou de um café, mas não obtínhamos resposta, nenhum fulano convicto e grave, de cara enviesada, nos procurava.”

Intervém agora o soldado, ele está numa empresa de mudanças, iam mesmo à Feira Popular, transportando a mobília de restaurantes inteiros, as girafas, os elefantes e os cavalos do carrossel, houve mesmo cenas de amor assolapado com a Ciganita Dora. Os ex-combatentes já estão bem bebidos, o alferes sugere saírem dali e irem para uma boate do Intendente, mas as conversas estendem-se, as memórias dilatam-se. “Eu sentia o Estado Novo podre, mas firme, disse o oficial de transmissões de pálpebras descidas. Estávamos fartos da guerra, fartos das promessas não cumpridas". É a vez do alferes também pôr a sua escrita em dia, recorda que o seu casamento com Inês, menina que vivia num ambiente muito bem, estava a correr mal, a sogra sempre a dar ordens lá na vivenda de Carcavelos, a convidá-los para jantar em cima da hora, conversas descabeladas na viagem com a filha pequena aos gritos.

O tenente-coronel também desabafa, tem como companhia precária a porteira e mulher a dias. O soldado, o da empresa de mudanças, conta que a mulher do tio, em cuja casa ele vive, dera-lhe a trombose, descreve toda aquela cena da ida ao Hospital de São José. “Uma espécie de claustros gelados, irreais de néon, doentes por toda a parte, cobertos de compressas, sentados no chão, olhando-nos na distintíssima altivez apática do sofrimento, macas, cobertores e camas amontoados numa confusão indescritível, arrastadeiras, algálias, algodão, tribos acocoradas de ciganos comendo em silêncio, funcionários transportando papeis, bêbados a ressonar em longos bancos de pau, gemidos, queixas, suspiros, arranques de vómitos, dois arcos de pedra, munidos dos letreiros HOMENS e MULHERES, a seguir ao relento das retretes, onde as fezes acumuladas se aparentavam a certos rochedos da vazante, e lá dentro, ativíssimos em torno de marquesas vazias, médicos de estetoscópio pendurado ao pescoço como correntes de escanção, examinando, com uma prega douta na testa, radiografias de ossos contra foscas superfícies cintilantes.” Seguem-se as peripécias em que os profissionais de saúde decidem que a tia volta para casa com uma receita médica.

Há um certo capitão Mendes que procura o tenente-coronel em 1973, os capitães já começaram a conspirar, Mendes informa o tenente-coronel, cujo nome é Artur de que há solidariedade ativa de todas as unidades do país, Mendes pretende saber se podem contar com o apoio expresso dele, entrega de papelada e rabuja que os militares andam fartos de servir de bode expiatório aos políticos. Segue-se uma longa introspeção de memórias deste tenente-coronel. Ainda estão no jantar, fala-se de tudo um pouco, o nosso alferes maoísta lembra que foi levado pela PIDE.

Agora sim, já estamos no Bar Boate Madrid, rememoram-se festarolas do tempo da guerra, alguém, no bar, anuncia o programa festivo que vai começar, há de tudo desde equilibristas a striptease, as vidas familiares vão-se escancarando, aqui finda a primeira parte, entramos agora na revolução, confesso que encontrei neste livro algumas das páginas mais impressivas e de alto recorte literário sobre os acontecimentos do 25 de abril, como passo a exemplificar:
“Da sala vinham marchas militares, guitarras, vozes de homem que cantavam, um locutor lia de tempos a tempos um pequeno discurso, e a seguir, após um breve silêncio interminável durante o qual o sangue estancava, suspenso nas veias, à espera, mais marchas, mais hinos, mais orfeões, mais música.”

“E foi a primeira vez, contou-me o soldado, que chegámos juntos ao armazém, esbofeteados ao longo das travessas por centenas de telefonias aos gritos. Homens de barba por fazer debruçavam-se nas janelas como bichos de buracos de maçãs, os cães derrubavam os caixotes de lixo esquecidos, o porteiro do hospital dos doidos, de pé junto à entrada, colava o transístor à orelha como se escutasse o mar nas espiras de um búzio, um friozinho acre enregelava as pernas, o tio bufava Se atiram o Governo de pantanas não descansam até arranjar outro ainda pior e nos porem de tanga a pedir esmola, Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas, e o senhor Ilídio, amargo, Olha para os gajos, olha-me só para a alegria deles, caneco, até parece que vão salvar o mundo.”

E vamos ver seguidamente a carripana das mudanças a avançar para a Baixa, vão testemunhar a queda do Estado Novo.


António Lobo Antunes (1942-2026)

(continua)
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Notas do editor:

Post anterior de 12 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28430: Notas de leitura (1970): "Fado Alexandrino", por António Lobo Antunes; Publicações Dom Quixote (1) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 16 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28441: Notas de leitura (1971): Artigo desassombrado sobre a Guiné, ao lado de outro de Zófimo Consiglieri Pedroso, sobre a guerra russo-japonesa na revista Brasil-Portugal, de 16 de novembro de 1905 (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28447: Para bom observador, meia palavra basta (12): Decifrado o enigma dos grafitos deixados pela CCAÇ 1620 em Cameconde e no Cachil: "3798" era, de facto, o SPM da companhia (Manuel Cibrão Guimarães, Rio Tinto / Gondomar, organizador do encontro anual do pessoal em 2018)



Brasão da CCAÇ 1620, "Em Perigos e Guerras Esforçados".
 Coleção Carlos Coutinho (2009). Restauro com IA (Gemini Google AI)








Foto mº 1B, 1A, 1 > O Manuel Cibrão Guimarães foi o organizador, em 2018, do convívio anual da sua Companhia, a CCAÇ 1620. O convite, personalizado, e com o respetivo programa, foi feito de maneira original através de impresso digitalizado dos nossos antigos aerogramas, adaptado com o brasão da subunidade e o respetivo SPM, 3798. Por razões óbvias ( proteção de dados, privacidade, segurança...), eliminámos o nome da rua e o número de policia do destinatário e do remetente.


Foto (e legenda): © Manuel Cibrão Guimarães (2026) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].






Manuel Cibrão Guimarães, ex-fur mil, CCAÇ 1620 (Bissau, Cameconde, Cacine, Sagonhá, Cachil, Bolama, 1966/68) > Aqui em Algés, na Tababnaca da Linha
Algés. Foto: Manuel Resende (2019)



1. Está decifrado o "enigma" dos grafitos do Cachil (1968) (foto de Manuel Cibrão Guimarães) e de Cameconde (2018) (foto de Patrício Ribeiro) (*). O número "3798" corresponde, de facto, ao SPM da CCAÇ 1620.

Aqui fica o esclarecimento, feito a nosso pedido, pelo nosso camarada de Rio Tinto, Manuel Cibrão Guimarães, membro da tertúlia O Bando do Café Progresso, Porto e da nossa Tabanca Grande:

Data - 18 de outubro de 2026, 16:28

Amigo e companheiro, administrador Luís Graça:

Espero que a tua saúde esteja a passar um momento.

Quanto ao cerne da questão do número do SPM da minha companhia, a CCAÇ 1620, efetivamente foi o 3798.
Tomei a liberdade de enviar este convite com o convívio organizado por mim no ano de 2018 que, como podes observar, foi feito em aerograma, e ainda tive o cuidado de imprimir o programa não esquecendo o nosso SPM 3798.
Então, o SPM é efetivamente o 3798. Isto para que não haja dúvidas para memória futura.

Cumprimentos, Cibrão Guimarães.



2. Sabíamos que esta companhia tinha passado por Cameconde e depois pelo Cachil, já no final da comissão.

Em 20 de março de 1968, por troca com a CCAÇ 1621, assumiu a responsabilidade do subsector de Cachil, ficando então integrada no dispositivo e manobra do BART 1913, e tendo entretanto, cedido um Grupo de Combate para reforço de forças daquele batalhão em operações, de 22 de março a 27 de abril de 1968.

Em 11 de julho de 1968, por retirada das forças aquarteladas em Cachil e consequente extinção do subsector, a CCAÇ 1620 recolheu a Bolama, onde permaneceu até ao embarque de regresso, no T/T Uíge.

A ordem de retirada (e consequente destruição) do aquartelamento foi dada por Spínola, que estivera no local quinze dias antes.


De há muito que o Cachil (desde1964) não oferecia condições para a permanências das NT: por exemplo, não havia água potável; o abastecimento era feito a partir de Catió, através de uma lancha, que vinha num dia, na maré-cheia, e só podia regressar no dia seguinte...

Fotos (e legendas): © Manuel Cibrão Guimarães (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Foto nº 2



Foto nº 3


Guiné > Região de Tombali > Cachil > CCAÇ 1620 > 11 de julho de 1968 > Retirada do Cachil. Em primeiro plano, á direita, o Manuel Cibrão Guimaraes (Foto nº 3). Fotos a preto e branco, reconstituídas e colorizadas com recurso à IA.




Foto nº 4


Guiné > Região de Tombali > Cachil > CCAÇ 1620 > 1968 > O "Forte Apache""... As instalações, forradas com chapas de bidões "grafitadas": pode ler-se, a olho nu e com a ajuda da IA, "lavadeiras", "am..", "CCaç 1620", "S. P. M. 3798", "Arouca"...


Em 11Ju168, por retirada das forças aquarteladas em Cachil e consequente extinção do subsector, a CCAÇ 1620 recolheu a Bolama, onde permaneceu até ao embarque de regresso. Mas antes passara por Cameconde, Cacine e Sangonhá. Foto, original, a preto e branco. Rescontituída e colorizada.

Foto (e legenda): © Manuel Cibrão Guimarães (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI) (Gemini / Google AI(]



Foto nº 5 B

Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cameconde > 11 de março de 2018> "Restos arqueológicos da presença dos tugas, há meio século atrás"...Em 2018, ainda foi possível apanhar este grafito, na parede de um dos abrigos que ainda resistiam em Cameconde... Na parede de um deles lia-se da esquerda para a direita "3798. Bar". Deduzimos que o número "3798" fosse o SPM da CCAÇ 1620.

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2018) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (Gemini / Google) ].

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Nota do editor LG:

domingo, 18 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28446: Humor de caserna (298): O inconfundível traço do nosso MigSilva, o grande cartunista e ilustrador Mário Miguéis da Silva, de Esposende, que foi a alma de "O Saltitão", o jornal de caserna da CCAÇ 2701 (Saltinho, 1970/72), comandada pelo então cap inf Carlos Trindade Clemente (I)



Capa e excertos do primeiro número de "O Saltitão", jornal da CCAÇ 2701 (Saltinho, 1970/72). O diretor era o cap inf Carlos Trindade Clemente, que assinava os editoriais. O redator-chefe, que fazia também a  ilustração gráfica,  era  o nosso camarado Mário Miguéis  da Silva (que vive hoje em Esposende e nos mandou uma preciosa cópia desta primeira edição e de outras)

Foto (e legenda): © Mário Migueis da Silva (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1.  "A criação e organização do 'Jornal da Unidade', além de aumentar o espírito de corpo da mesma, é uma iniciativa muito útil e que interessa simultaneamente à maioria dos campos mencionados nas alíneas anteriores [falando-se da 'acção psicossocial sobre as NT' e dos  campos que deve abarcar: literário e cultural; técnico; recreativo e desportivo; e assistencial].

"Estes jornais devem focar temas educativos, instrutivos, psicológicos e recreativos de preferência a temas especulativos." (*)
 
Alguns dos capitães mais novos, sobretudo do QP, perceberam a importância que tinha a feitura e a leitura do "Jornal da unidade". Até como "ocupação dos tempos livres", para além das futeboladas, dos jogos de cartas, das patuscadas, da "psícola" na tabanca, do "dia das lavadeiras" (quando as havia...), do dia da chegada do "bate-estradas" (correio), dos relatos radiofónicos dos jogos de futebol da 1ª divisão na metrópole, etc.

Estima-se que não sejam mais do que uma meia centena os títulos de "j0rnais de caserna" que terão exitido no CTIG, entre 1963 e 1974.  Muitos de periodicidade irregular e de vida efémera.

Citem-se alguns títulos de "jornais de caserna", a nível de companhia,  que tinham como diretores um capitão do quadro, e de que haverá exemplares no Arquivo Histórico-Militar (**):

  • "Dragões de Jabadá" | José Guilherme Paixáo Ferreira Durão (cap Cav, cmdt CCAV 2484, Jabadá, 1969/70);
  • "O Boina Negra" | Henrique de Carvalho Morais (cap cav, cmd CCAV 2472, Fulacunda, 1960/70);
  • "O Alvo" | António J. Pereira da Costa (cap art, cmdt BAA 3434, Cumeré, 1971);
  • "O Falcão" | Manuel José Marques Ribeiro Faria (cap inf, cmdt CCAÇ 3414, Sare Bacar, 1971/73):
  • "O Jagudi" | Rui Manuel Paninho Souto (cap inf, cmdt CCAÇ 2679, Bajocunda, 1970/71);
  • "O Saltitão" | Carlos Trindade Clemente (cap inf, cmdt CCAC 2701, Saltinho, 1970/72);
  • "O Santo" | Hernâni Anjos Moas (cap caqv, cmdt CMP 2537, Bissau, 1969/71);
  • "O 6 do Cantanhâs" | Gastão Silva (cap inf, cmdt CCAC 6, Bedanda, 1973);
  • "Os Capicuas" | João Carlos Rodrigues de Oliveira (cap art, CART 2772, Fulacunda, 1970/72);
  • "Os Progressistas" | Salgueiro Maia (capt inf, cmdt CCAV 3420, Bula, 1971/73);
  • "Põe-te a Pau" |   Comandante, Alf Mil Art José Carlos da Rocha ou Cap Art Manuel Alves Serra, CART 2773, Jabadá, 1970/72);
  • "Tabanca" | Mário Tomé (cap cav, cmdt CCAV 2721, Olossato, 1970);
  • "Zoe" | Jorge Golias (cap trns, cmdt Agr Trms da Guiné, Bissau, 1973).
Noutros casos, havia um ou outro capitão  miliciano,  alferes miliciano ou até alferes graduado capelão, como diretor do jornal da unidade. Excluímos os jornais de batalhão: por norma, o diretor só podia ser o comandante, que era um tenente-coronel.

2. Cite-se, como exemplo, "O Saltitão" que teve a sorte de ter um colaborador com o talento excecional do MigSilva,  Mário Miguéis da Silva, o fur mil rec info, da CCS/QG/CTIG, que esteve destacado em Bambadinca, ainda no meu tempo (CCS/BART 2917) e depois no Saltinho, adido à CCAÇ 2701 (1971/72). Foi convidado pelo capitão.  

Tinha (e tem) um grande talento como cartunista e ilustrador. Vive em Esposende, tendo sido bancário,  E julgamos que foi a alma de "O Saltitão", a par do cap inf Clemente. 

Iremos repescar alguns números que o Migueis nos mandou.  Fica aqui uma amostra do humor  (***) que era cultivado no Saltinho, ao tempo da CCAÇ 2701, comandada pelo então cap inf, hoje coronel, Carlos Trindade Clemente (hoje coronel).

A "anedota" do 1º cabo Lourenço, que acima se reproduz, é absolutamente genial... E merece os comentários dos nossos leitores. Vamos dedicar-lhe um poste! É uma obra-prima de humor de caserna!...

3. Já na altura, em 2019, comentámos, a propósito dos jornais de unidade  (**):


Pelo CTIG, de 1961 a 1974, passaram cerca de mil unidades e subunidades.  Por esta amostra (n=47), pode inferir-se que apenas cinco em cada cem, teria um "jornal de caserna", feito a stencil...

Pode perguntar-se porquê : falta de interesse, motivação, competência(s) dos seus comandantes e graduados, a começar pelos capitães e alferes milicianos que, em princípio,  tinham mais habilitações literárias do que os  demais  elementos de cada companhia? 

Era pressuposto que o "jornal de caserna" ajudasse a melhorar o "moral da tropa" e cumprisse as instruções superiormente dadas no que respeitava à "acção psicossocial sobre as NT" (*)...

Em todas as secretarias havia um duplicador a stencil... e claro um máquina de dactilografia... E papel!

Eu fiz a história da minha unidade, a CCAÇ 12, a stencil... Dactilografei todas as páginas (meia centena). E tirei umas largas dezenas de exemplares pela malta que regressava a casa,  todos em rendição individual (antigos graduados e especialistas da CCAÇ 2590). 

 Mas, lamentavelmente,  nunca tivemos "jornal de caserna", nem nós nem os batalhões em que estivemos "a(r)didos": o BCAC 2852 (1968/70) e o BART 2917 (1970/72), sedeados em Bambadinca.

Louvo os comandantes dos batalhões e companhias do CTIG que tiveram a iniciativa de criar e apoiar os "jornais de caserna", a começar pelo nosso António J. Pereira da Costa, hoje cor art ref, e outros como o Salgueiro Maia, o Carlos  Trindade Coelho, o Gastão Silva, o Mário Tomé, o Ribeiro Faria, etc.

Guiné 61/74 - P28445: Documentos (69): Acção Psicossocial - Instruções, da 3ª Rep/QG/CTIG, de 27Set63 (III)









Guiné > c. 1965 > Estamos a reproduzir os postais de propaganda das NT, dirigidas ao IN e à População. Fazem parte de uma colecção do Joaquim Sequeira (1940-2024), ex-1º cabo canalizador, BENG 447 (Brá, 1965/67), carinhosamente tratado por "Sintra" (ele morava no Mucifal, concelho de Sintra, e era assíduo frequentador da Magnífica Tabanca da Linha).


Trata-se de uma sequência de banda desenhada, sob a forma de um folheto desdobrável com uma meia dúzia de postais, impressos de um lado e do outro. Ccmeça com uma imagem do mapa da Guiné ("Guiné Portuguesa, Guiné Feliz"). À direita está escrito, esferográfica azul: "Do Sintra, 8/65".

No primeiro postal (*) mostra-se um grupo de "homens do mato" (nunca "guerrilheiros"), feridos, esfomeados, esfarrapados, desmoralizados. Os combatentes do PAIGC nunca são tratados como tal, mas simplesmente como "homens do mato" (leia-se: bandidos, foragidos, indivíduos que estão fora da lei e da ordem).

Aliás, no nosso tempo, "ir no mato" era, no falar das gentes da Guiné ( a começar pelos soldados do recrutamento local), juntar-se à guerrilha, fugir das zonas sob administração portuguesa (civil e militar).

Portugal, de resto, nunca reconheceu o PAIGC como inimigo, no sentido militar e legal do termo, nem a luta contra o "terrorismo" (ou a "subversão) como uma situação de guerra, face à Convenção de Genebra.

O título do primeiro postal é : "No mato, há doença, fome e morte", A legenda, por sua vez, acrescenta o seguinte: "O Chefe do Grupo do mato julga que vai morrer. Foi gravemente ferido". Deduz-se que são os sobreviventes de uma ação ofensiva das NT.

No 2º postal (ª*) vemos o mesmo grupo de "homens do mato", desalços, vestiados apenas de tanga ou calções (!), a entregar-se às autoridades militares portuguesas da zona.

Depois do chefe do mato ter ido falar com o "homem grande da tabanca" (o régulo, que veste à maneira fula, o que está longe de ser inocente, já que os fulas eram os nossos grandes aliados), o homem grande intercede por eles junto da tropa. Legenda: "O Homem Grande diz à tropa que estes homens foram enganados, estão arrependidos e fartos da guerra".

No 3º postal (vd. acima), vemos os "homens do mato, arrependidos" serem bem tratados pelas autoridades portuguesas: (i) a começar pelos  enfermeiros da tropa que cuidam dos seus ferimentos, (ii) bebem referigerantes  com os nossos soldados do recrutamento local; (iii) recebem alimentos (pão, arroz, conservas) da tropa.

Recordo-me de ainda terem passado  pelas minhas  mãos, em 1969/71,  alguns desses cartazes (ou parecidos), mas não fiquei com nenhum. Alguns foram deixados atabalh0adamente no terreno, depois de uma violenta emboscada dos "homens do mato", no seubsetor do Xime, no sítio do costume,... Não tive a preocupaçao de guardar nenhum documento desse tipo, de um lado ou do outro. Na altura o que eu queria mesmo era esquecer a Guiné... para sempre.  Hoje tenho tenho...

Foto (e legenda): © Joaquim Sequeira (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI]

Acção Psicossocial - Instruções, da 3ª Rep/QG/CTIG, de 27Set63 (III)

(Excertos: CECA, 2014)


Estamos a reproduzir o primeiro documento de que se tem conhecimento na Guiné, sobre a Ação Psicológica, e que se intitula Acção Psicossocial - Instruções, da 3ª Rep/QG/CTIG, de 27Set63.

A primeira parte, trata da acção psicossocial com o objectivo de "obter ou manter apoio da população". A segunda parte abarca a "Acção psicossocial sobre as NT", na dupla imponente da acção psicológica e da acção social. A Anexo (A), dão-se instruções, às unidades, para elaborar o relatório periódico de acção psicológica.

(Continuação)

 

Anexo A "Acção Psicossocial - Instruções"

Relatório Periódico de Acção Psicológica n° ....

Período de__/__/____/ a __/__/____/

Referências: .

1. Generalidades

Descrição geral da forma como, durante o período, decorreu:

  • a acção psicológica levada a efeito pela unidade; 
  • aspectos mais salientes dessa acção;
  •  objectivos especialmente visados, formas de acção principalmente usadas, processos e meios mais utilizados;
  • resultados gerais conseguidos; 
  • identidade de pontos de vista ou divergências entre a acção da unidade e a dos órgãos estranhos à unidade e facilidades concedidas reciprocamente.

2. Acção Psicológica conduzida pelo adversário

  • Objectivos, operações realizadas, temas difundidos, formas de acção, técnicas, processos e meios utilizados; 
  • efeitos conseguidos: a. sobre a população: b. sobre o adversário.

3. Acção Psicológica conduzida por órgãos estranhos à Unidade

  • Objectivos, operações realizadas, temas difundidos, formas de acção, técnicas, processos e meios utilizados; 
  • efeitos conseguidos: a. sobre a população. b. sobre o adversário.

4. Acção Psicológica conduzida pela Unidade

a. Sobre a população: Objectivos, operações realizadas, temas difundidos, formas de acção, técnicas, processos e meios utilizados, efeitos conseguidos, etc., nas formas de acção seguinte:

(1) - Propaganda.

(2) - Contrapropaganda.

(3) - Informação.

b. Sobre o adversário: Objectivos, operações realizadas, temas difundidos, formas de acção, técnicas, processos e meios utilizados, efeitos conseguidos; acções de rendição, acção sobre prisioneiros, efeitos conseguidos.

c. Sobre as nossas tropas

Objectivos a conseguirem nos diversos tipos de militares; acção realizadas para a sua consecução (formação moral e cívica, informação, instrução técnica sobre acção psicológica); efeitos conseguidos.

5. Acção Social

a. Conduzida por órgãos estranhos à unidade (acções realizadas e efeitos conseguidos).

b. Conduzida pela unidade, sob os seguintes aspectos:

(1) - Assistência sanitária

(a) - Na sede da unidade (vacinações, consultas, tratamentos, intervenções, medidas de sanidade, assistência matern oso-infantil, etc.).

(b) - Itinerante (equipas médicas constituídas, percursos efectuados, acções realizadas, etc.).

(c) - Resultados psicológicos obtidos.

(2) - Assistência religiosa

(a) - Localidades em que foram realizados actos de culto.

(b) - Sessões de catequese.

(c) - Apoio espiritual.

(d) - Resultados psicológicos obtidos.

(3) - Assistência educativa

(a) - Cultura geral (escolas para crianças, jovens e adultos, sua localização, frequência, pessoal instrutor e monitor, material, etc.).

(b) - Cultura técnica ou de formação profissional (oficinas em actividade, ensino agrícola e pecuário, etc.).

(c) - Cultura física (escolas de ginástica, prática de desportos, competições desportivas, material desportivo).

(d) - Resultados psicológicos obtidos.

(4) - Assistência económica

(a) - Dádivas (alimentos, roupas, utensílios, etc.).

(b) - Empréstimos (financeiros e de utensílios).

(c) - Prestação de serviços (transportes, terraplanagens, construções, etc.).

(d) - Compras.

(e) - Resultados psicológicos obtidos.

6. Conclusões e Propostas

a. Síntese do estado de espírito da população e das forças militares com especificação das razões do seu comportamento e a indicação dos factos que mais tenham concorrido para a elevação ou depressão do seu moral.

b. Estado moral dos adversários e razões desse estado.

c. Evolução provável da situação psicológica.

d. Ligação e entendimento entre a acção conduzida pelas unidades e a conduzida pelos órgãos estranhos à unidade.

e. Propostas sobre medidas a tornar.

(Acusar recepção)

Anexos:_____________________________

Distribuição:__________________________


(Fim)
_________

Fonte: Fonte: Excertos de: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 6.º Volume; Aspectos da Actividade Operacional; Tomo II; Guiné; Livro I; 1.ª Edição; Lisboa (2014), pp. 162/164.


(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos: LG)

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Notas do editor LG:

(*) Vd. poaste de  16 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28440: Documentos (67): Acção Psicossocial - Instruções, da 3ª Rep/QG/CTIG, de 27Set63 (I)


(**) Último poste da série : 17 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28443: Documentos (68): Acção Psicossocial - Instruções, da 3ª Rep/QG/CTIG, de 27Set63 (II) 

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sábado, 17 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28444: Os nossos seres, saberes e lazeres (755): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (275): Uma inesperada Chuva de Verão no Centro de Artes de Sines, até 19 de outubro (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 30 de Setembro de 2026:

Queridos amigos,
Belíssima iniciativa esta, a de pôr em circulação nacional obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, um conjunto significativo de obras de artistas consagrados e emergentes. Entrando na exposição e começando a ler a brochura, fico com sérias reservas quanto à comunicação utilizada pelos curadores, eu sei que eles sabem da poda, resta saber se o visitante que habita Sines e arredores se entende com as razões do título da exposição e as temáticas nela abordadas. Senão veja-se: "Esta exposição propõe uma leitura sensível e expandida do imaginário associado ao verão, tomando como ponto de partida a experiência da vida balnear e as formas de sociabilidade, lazer e pertença que esta mobiliza." O leitor que vai discorrer pelas imagens que selecionei que se pergunte onde encontra imaginário associado ao verão e até mesmo a experiência da vida balnear. Mais adiante, escrevem os curadores: "O verão surge como um momento de suspensão e expansão, onde as convenções quotidianas cedem lugar a formas intensificadas de relação com o mundo. Longe de uma leitura nostálgica, Chuva de Verão inscreve-se num horizonte de comunhão com a natureza e com o coletivo, explorando territórios instáveis, geometrias afetivas e estados de leveza que redefinem a perceção e a presença."Parece-me muito barulho para palavrório tão altissonante, percorre-se este conjunto de obras e só por milagre há uma relação de causa e efeito entre a apresentação e a explicação do que se vai visitar e a sucessão de telas e obras que o visitante encontrará dentro deste belíssimo espaço que é o Centro de Artes de Sines. Há quem pense que o uso da imaginação da palavra coincide com o impacto estético do que o visitante encontra; no caso vertente, por onde andará a Chuva de Verão?

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (275):
Uma inesperada Chuva de Verão no Centro de Artes de Sines, até 19 de outubro


Mário Beja Santos

Estando ali perto de Sines, sendo um entusiasta destas instalações, vim visitar esta Chuva de Verão, uma nova exposição da Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Reza a brochura que me acompanha na visita que esta exposição propõe uma leitura sensível e expandida do imaginário associado ao verão, tomando como ponto de partida a experiência da vida balnear e as formas de sociabilidade, lazer e pertença que esta mobiliza. Confesso que não entendo na vertigem deste palavrório, provavelmente um jargão corporativo de quem ganha a vida no domínio da história de arte e quer fazer um figurão com nomenclaturas impressionantes. O que irei visitar, subordinado a uma certa diversidade, entre o humano e o animal, dizem os curadores que nas chuvas de verão todos os elementos naturais estão reunidos e os corpos aceleram a esse apelo. Os humanos acedem à sua condição animal, explorando os seus instintos ancestrais e contemplando o mundo de modo radicalmente diferente das rotinas do dia-a-dia. Além deste humano e animal há outras temáticas, as geografias imaginárias e os corpos flutuantes. Vim cheio de curiosidade contemplar um tal diálogo entre diferentes práticas artísticas, do verão não vi sinal, rendi-me ao gozo estético que me provocam certas obras, sinto-me impressionado pela representação do belo, outras nada me dizem, mas isso parece ser matéria que tem a ver com as impressões que a arte provoca a cada um, desde o figurativismo mais académico às construções abstratas e às disparidades dos materiais. Deixo aqui um mero registo do que vi e porventura mais me tocou, quem vive em Sines ou nas proximidades está em cima da hora para poder visitar Chuva de Verão.
Inaugurado em 2005, o Centro de Artes de Sines (CAS) está dotado de biblioteca, auditório, galeria de exposições e arquivo histórico. Projeto dos arquitetos Manuel e Francisco Aires Mateus (prémio AICA/MC 2005 e finalista do Prémio Mies van der Rohe 2007)
Joaquim Bravo (1935-1990), La Mer, 1985. Este quadro mostra uma paisagem imaginária que evoca a superfície do mar e é reveladora de uma perspetiva original, revela a duplicidade entre escalas e cores, o vermelho e o azul, o grande e o pequeno, o cimo e o baixo, num jogo constante de contrabalanço.
Eduardo Batarde (1943-2025), da série “Candeeiros, Cubismos, Cães e Colunas”, 1980-81. Dotado de um domínio virtuoso da técnica e de uma atitude crítica e rigorosa perante a prática artística, Eduardo Batarda destacou-se pela coragem e ousadia da sua linguagem, construindo um legado que alia experimentação formal, densidade crítica e uma singular ironia.
Paula Rego (1935-2022), “Sem título”, 1983. A obra de Paula Rego depende, no essencial, da sua experiência portuguesa, de uma infância vivida perto das mulheres que povoaram a sua vida. Basta olhar algumas das suas obras para sentirmos a brutalidade implícita. É um regresso à imagem mais forte desse jogo persistente entre o bem e o mal, a razão das suas figuras, ou o modo insinuante como se questiona a sociedade patriarcal.
Francisca Carvalho, Ashlesha, 2018, tintas naturais sobre lona de algodão. Esta obra reúne referências expressivas da astrologia hindu e da mitologia grega, nomeadamente a Hidra, um corpo complexo com várias cabeças de serpente que surge representado com formas curvilíneas pintadas com pigmentos naturais.
Pedro Casqueiro, “Sem título”, 1984, acrílico sobre tela. Este artista tem desenvolvido um processo de produção criativa no qual vai variando ciclicamente a linguagem formal e os temas que explora nas suas obras. As suas obras mais abstratas envolvem a criação de espaços interiores e espaços arquitetónicos e cenográficos.
João Fonte Santa, Reisen In Brasilien, 2016, acrílico sobre tela. O artista recorre a imagens com origem na grande tradição narrativa do século XIX, introduz-lhes linhas de reflexão que não dispensam uma espécie particular de contemplação estética. De grande escala, estes trabalhos em acrílico estão impregnados de mensagens e metáforas críticas sobre os desequilíbrios da contemporaneidade.
René Bertholo (1935-2005), Nouvelles du Nord, 1966. Artista que não seguia uma gramática única, nem reconhecia as definições estanques em que se encerram as linguagens da figuração e da abstração. Os elementos presentes nas suas telas não possuem uma natureza precisa. E são eles que convivem livremente nos seus quadros, sem estarem dispostos numa relação aparentada à ordem clássica da composição pictórica.
Paula Rego, O mundo às avessas, aguarela sobre papel. Tudo o que diz respeito à condição feminina, em particular a inversão dos seus estereótipos, parece encontrar na pintura de Paula Rego um aliado inevitável e preciso. Entre pinturas a pastel de óleo, gravuras e desenhos, o que particulariza a sua obra é o paradoxo da imagem da mulher, da sua força intrínseca, assim como a ambígua condição imagética da pintura, entre um formalismo académico e clássico e a modernidade inventiva que a alimenta.
Eduardo Batarda, El Cineasta, 1979.
Helena Almeida (1934-2018), Pintura Habitada, 1975. Esta artista desenvolveu uma obra singular em que o corpo se torna simultaneamente sujeito, ferramenta e suporte da produção artística. Em Pintura Habitada, série desenvolvida na década de 1970, ela rompe as fronteiras da pintura, fotografia e performance, usando a imagem fotográfica para registar ações em que o seu próprio corpo, de algum modo, habita a composição.
António Palolo (1946-2000), Sem título, 1971. O corpo de trabalho deste artista oscila entre a abstração, informal e geométrica, e a figuração. Nos anos 1960 e 1970, desenvolve composições onde privilegia a justa composição concêntrica de elementos geométricos, lineares, triangulares, quadrados e cúbicos, tecendo um jogo de grelhas, molduras, de enquadramentos sobre enquadramentos.
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Nota do editor

Último post da série de 10 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28423: Os nossos seres, saberes e lazeres (754): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (274): Assisto a um concerto memorável no Festival de Música do Reno, amanhã sigo para Trier, já tenho saudades de regressar à Renânia-Palatinado - 9 (Mário Beja Santos)