Pesquisar neste blogue

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28452: Os bu...rakos onde vivemos (16): Cachil, o "forte Apache" (José Colaço, ex-sold trms, CCAÇ 557, Cachil e Bafatá, 1963/65)



Foto nº 1 


Foto nº 2 


Foto nº 3 

Fpoto nº 4

Foto nº 5


Foto nº 6


Foto nº 7


Foto nº 8

Guiné > Região de Tombali > Ilha do Como > Cachil > CCAÇ 557 (1963/65) > 1964 > São "fotos falantes" , como diria o nosso saudoso Torcato Mendonça, que também ele viveu num "bu...rako",  chamado Mansambo (1968/69)... São fotos do álbum do  José Colaço, que era sold trms, e que viveu neste "bu...rako" chamado Cachil. 

São alguns aspetos da construção do aquartelamento (?) de Cachil, o "Forte Apache" (por ser feito com troncos de palmeira, material abundante na ilha)... 

Tal aconteceu  na sequência da celebre Op Tridente (de 14 de Janeiro a 24 de Março de 1964)... que a rapaziada da CCAÇ 557 ainda apanhou mas não figura na ficha técnica do filme...por lamentável lapso da produção... 

(As fotos acima foram melhoradas digitalmente, com recurso à IA, que ainda não existia em1964; e, se existisse, já não  valia a pena tirar "slides" que ficavam por um dinheirão, tinham de ser revelados na Alemanha ou na Suécia .)

Fotos (e legenda): © José Colaço (2011). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: LG + IA (Gemini Google) ]


 1. Inadmissível!... Desde 30 de setembro de 2022 que não falamos dos "bu...rakos em que vivemos" (*)... E foram muitos... 

Esta nossa série está muito pobrezinha, camaradas!.. Quem lá viveu e sobreviveu, não escreve... Quem por lá passou, não tem gratas lembranças, quem nunca lá penou, encolhe os ombros... Com o mal dos outros posso eu bem!... Ou como dizia o cangalheiro da minha terra, "eu não quero que ninguém morra, só espero que a minha vidinha corra!"...

A Guiné era um imenso bairro de lata  Como Lisboa e o Porto nessa   época...Não era só a Ponta do Inglês, Mampatá, Saré Banda, Banjara, Mato Cão,  Ponte Caium, Camabajá,  etc..  Havia muitos mais,  em 220 e tal aquartelamentos e destacamentos das NT no CTIG... (inventário feito pelo dono daquilo tudo, em 24 de abril de 1974, o general Bettencourt Rodrigues). 

Que me lembre, faltam muitos mais "bu...rakos" (alguns eram mesmo "bu...rak...inhos"): Ponte Caium, Copá, Ponte do Rio Udunduma, Ponte dos Fulas, Missão do Sono (em Bambadincazinho), Missirá, Enxalé, Porto Gole, Gandembel, Balana, Guileje, Gadamael,  Beli, Madina do Boé, Cheche, Sangonhá, Cameconde, Cacoca,  Cumbijã, Cadique, Cafal Balanta, Caboxanque, Jemberém, Saré Ganá, Mansambo, Afiá, Candamã, Madina Xaquili... sem falar das dezenas e dezenas de destacamentos de milícias, que às vezes nos tocava ir reforçar (Bissá, Dembataco, Taibatá, Amedalai, Contabane, cito de cor...)

E o Cachil, camaradas !... Não fora o Zé Colaço, e já ninguém se lembrava  mais do Cachil...E eu que lhe tinha prometido, ainda no tempo da pandemia, que não me ia esquecer do Cachil!...Na ilha paradisíaca do Como! 

 Imperdoável, Zé!... Mas ainda  cá estamos para poder cumprir a promessa. E quem não cumpre as promessas, vai para o inferno! 

Em boa verdade, o Cachil sempre foi um "bu...rako" até o brigadeiro Spínola, dono do "resort", ter mandado despejar todos os inquilinos, logo em julho de 1968 ...

De facto, já era um "bu...rako" no tempo do Zé Colaço , continuou a sê-lo no tempo do João Sacoto (**), e por aí fora... até ao tempo do Manuel Cibrão Guimarães, o último inquilino.  (***)  

Em resumo, aquilo não tinha licença de habitabilidade. Não tinha água, eletricidade, saneamento  básico... Enfim, os minimos confortos da civilização... cristã e ocidental. Nem condições de segurança: imaginem, o "turista" a dormir e as cobras a entrarem e  a saírem  por aqueles "bu...rakos"...




Guiné > Região de Tombali > Cachil > CCAÇ 557 (Cachil, Bissau e Bafatá, 1963/65) > 1964  Abrigo "Cova do Comando"... Alguém chamou a esta subunidade, que também participou na Op Tridente (jan/mar 1964), "a esquálida e esgrouviada Companhia de Caçadores 557" (sic). 

Por detrás desta foto estão cinquenta e cinco dias a ração de combate, cerca sessenta dias sem mudar de roupa nem tomar banho, e com água racionada para beber. Legenda: a começar da esquerda para a direita: 
  • 1.º cabo enfermeiro Leiria; 
  • 1.º cabo radiotelegrafista Joaquim Robalo Dias; 
  • Dr. Rogério Leitão, alf mil médico, que já partiu; 
  • atrás, o 1.º cabo enfermeiro António Salvador;
  • e por último, de quico, a sair do "bu...rako",  eu, soldado de transmissões,  José Colaço. 

As barbas com cerca de 90 dias e os cabelos já tinham levado um corte para melhor se aguentar o calor. Aquela "divisória" entre o 1.º Cabo Dias e dr. Rogério é uma cobra que durante a noite se lembrou de nos assaltar o abrigo e que só de manhã com a luz do dia foi detectada a um canto da cova. Foi condenada à morte pela catana de um milícia.

Foto (e legenda): © José Colaço (2015). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (Gemini / Google)]



2. Comentário do José Botelho Colaço (*)

Servir da água dos poços em zona controlada pelo inimigo, nem lembra ao Diabo!... Mas lembrava aos nossos comandantes militares instalados no ar condicionado de Bissau...

Vem isto a propósito dum poço situado na mata do Cachil na fronteira com a mata do Cassacá, não sei como é que os comandantes instalados no ar condicionado de Bissau souberam da existência do referido poço. Talvez  por cartas cartográficas existentes ou qualquer outra informação,  o que sei é que foi recebido uma mensagem para a companhia ir fazer uma colheita de água do dito poço para ser analizada e passar a ser utilizada uma vez que no Cachil não havia água potável.

Esta tinha que vir de Catió na lancha LD4 que semanalmente se deslocava ao Cachil com reabastecimento de água e géneros alimentícios e material de defesa, porque no Cachil,  tirando o capim, palmeiras e o tarrafo,  nada mais sobrevivia além do imbondeiro de grande porte.

Ordens são ordens e são para cumprir. Certo dia dois pelotõoes da companhia batem a mata do Cachil e atingem o respetivo poço, recolhem a amostra da água para ser analizada em Bissau. 

No Hospital Militar 241 em Bissau quem é que foi escalado para fazer a análise  ? O Dr. Rogério Leitão, médico da CCAÇ 557. Por falta de médicos no HM 241 tinha sido chamado a Bissau mas este médico era o médico da CCAÇ 557 que tinha desembarcado  com o pessoal na tomada do Cachil no dia 23/01/1964.

Como o nosso médico conhecia muito bem a zona e sabendo os perigos que a companhia corria ao tentar deslocar-se ao referido poço "para ir ao do poço", fez o seguinte relatório da análise da água: "Não potável, imprópria para consumo". 

Isto é um resumo muito resumido mas é uma pequena amostra como os comandantes militares do ar condicionado de Bissau tratavam os assuntos do pessoal do mato. Parece mentira mas é a pura da verdade.

sábado, 1 de outubro de 2022 às 00:11:00 WEST 

(Revisão / fixação de texto, negritos, título: LG)

3. Comentário do editor LG:

Zé, comentários para quê ?! Tu ainda apanhaste o brigadeiro Louro, que nunca deve ter ido ao Cachil beber um simples copo de  água...de Catió.

E sobretudo nunca pôs em prática as normas da "acção psicossocial dirigida às NT"... já com data de  setembro de 1963 (3a. Rep /  QG / CTIG) e aprovadas por ele. 

Vocês, coitados,  tiveram um galo do caraças, a guerra dita subversiva estava a começar e a nossa "intelligentsia" de Bissau  ainda não sabia como lidar com ela... (E muito menos as mentes brilhantes" de Lisboa: sim, como se ganha uma guerra subversiva, pergunta alfito o com-chefe ?!)...  

Se fossem os americanos, que é um povo prático e que adora comprar e vender guerras e armas, tinham mandado à frente a engenharia militar construir de raíz um hotel de 5 estrelas, antes de vos lançar contra o IN armados de "tridentes" e "motoserras" ...

Zé, de facto, era preciso ser doido para marcar férias em "resorts" turísticos como esses...Qual foi a "agência de viagens" que vos enganou ?

 Bem,  vocês têm um grande alibi  (quer dizer, desculpa) perante a História com H grande: no vosso tempo tempo ainda a IA estava para nascer... Nem muito menos havia internet, telemóveis, GPS, mapas da Google...

____________________

Notas do editor LG:
 

(**) Vd. poste 11 de julho de 2019 > Guiné 61/74 - P19967: Álbum fotográfico de João Sacôto, ex-alf mil, CCAÇ 617 / BCAÇ 619 (Catió, Ilha do Como, Cachil, 1964/66) e cmdt da TAP, reformado - Parte IX: O 'bu...rako' do Cachil (set 1965 / jan 1966)

(***) Vd. poste de 26 de janeiro de 2018 > Guiné 61/74 - P18257: Memória dos lugares (372): Cachil, na altura da extinção do aquartelamento, em 1 de julho de 1968 (Manuel Cibrão Guimarães, ex-fur mil, CCAÇ 1620, Bissau, Cameconde, Cacine, Sangonhá, Cacoca, Cachil e Bolama, 1966/68)

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28451: Retalhos da vida militar (14): A (des) Vantagem de ter duas Especialidades (Artur Conceição, CART 730, Jumbembem, 1965/67)

1. Mensagem do nosso camarada Artur Conceição (ex-Soldado TRMS de Inf e Condutor Auto, da CART 730 / BART 733, Bissorã, Jumbembém e Farim, 1964/66), com data de 14 de Outubro de 2026:


A (des) Vantagem de ter duas Especialidades

Durante a especialidade de Transmissões e de Condutor Auto, após ter terminado a recruta no CICA 4 em Coimbra, (Centro de Instrução de Condução Auto), que teve lugar na Unidade de Caçadores 5 em Campolide, Lisboa, a indefinição da nova especialidade manteve-se. O espaço onde hoje se situa o Campus de Justiça, era pertença do Trem Auto que tinha a sua sede na Avenida de Berna. Os futuros soldados de Transmissões Condutores Auto iam ter instrução de condução a partir desse espaço que era contíguo ao Quartel de Caçadores 5.

Tratava-se de uma companhia de Instrução comandada pelo então Capitão Carlos Fabião que mais tarde veio a ser Governador Geral da Guiné.

Os instruendos que só tinham a especialidade de transmissões ficavam em Caçadores 5. Como só tinham uma especialidade foram todos para 1.ºs Cabos. Era assim, era assim e bico calado.

Durante a instrução de condução aconteceram vários episódios, mas apenas vou mencionar dois.

Primeiro Caso: Ao fundo da Rua de Campolide que fazia parte do circuito autorizado para instrução de novos condutores, existia ao tempo um Laboratório. O instrutor pediu ao instruendo para parar e fazer marcha atrás. Até aqui tudo bem, só que aparece de frente um trabalhador desse mesmo Laboratório que terá demorado mais um pouco a deixar as criancinhas na creche, e resolve tentar passar por trás da Morris que estava a fazer o movimento de recuar, para estacionar. Claro que levou uma trancada. Parece não haver dúvida em relação ao executante que cometeu uma Manobra Perigosa.

Segundo Caso: Do equipamento dispensado para os instruendos fazerem a sua aprendizagem fazia parte uma GMC, que a todos metia medo. Tinha o volante do lado direito e para endireitar um palmo era preciso dar duas voltas ao volante.

Numa manhã de instrução num percurso onde até já tinha havido uma corrida de automóveis com a participação de Filipe Nogueira, passa por nós a alta velocidade um carro topo de gama.

As condições de ocupação da via não permitiam velocidade tão excessiva pelo que o instrutor de serviço fez comentários que não foram do agrado dos ocupantes da viatura em causa. Como alguém diria. Chamou-lhe tudo menos Bom Rapaz.

Quando a viatura apressada parou e sai do seu interior um senhor Coronel fardado com galões e tudo o pavimento estremeceu um pouquito.

Em 1964 ainda continuava em vigor a lei do Senhor General Fernando Santos Costa publicada para acabar com os acidentes com veículos militares, que atribuía a culpa sempre ao condutor militar.

Terminada a especialidade(s) quatro dos prontos foram enviados para o RI 11 em Setúbal, que era uma unidade pertencente à Região Militar de Lisboa. Pela minha parte o meu destino era Castelo Branco, mas como o Senhor Primeiro Sargento era meu amigo consegui uma troca em que só um dos intervenientes teve conhecimento.

Em Setúbal, três dos recém-chegados faziam serviço de telefonistas e o Artur foi colocado numa arrecadação, onde estava instalado um rádio muito antigo que pertencia a uma rede da Região Militar de Lisboa. As instalações no interior da unidade eram uma espécie de aldeia de João Franco em Mafra. A tarefa era duas vezes por dia, de segunda a sexta, às 8 e às 18, responder a uma espécie de “Sentinela Alerta”. Todo o tempo restante era disponibilidade. O ambiente na Unidade era muito bom. O rancho tinha uma excelente característica: dia sim dia sim o jantar era caldeirada de peixe.

Desde que o Vitória não perdesse o Primeiro Carretas era do melhor que se podia ter. Falava muito à moda de Setúbal com o “rr” muito mal pronunciado. Era viva o “Vitóguia” em vez de Viva o Vitória. Deixava-me vir de fim semana à sexta-feira o que me permitia fazer dois dias de trabalho para o meu patrão de Lisboa.

Estava ao tempo no RI 11 um Aspirante da área de transmissões que tinha sido vítima de acidente de Viação e tinha ficado com várias sequelas, entre elas uma relacionada com a fala.

A um canto do barracão que servia de garagem estava estacionada uma viatura tipo Ramona que teria vindo da primeira Guerra Mundial, onde estava colocado um rádio muito antigo. A viatura tinha o volante do lado direito, não tinha manutenção nem revisão, mas andava. O rádio também funcionava.

O Senhor Aspirante, talvez para aumentar o curriculum e levando à letra a especialidade, “Transmissões e Condutor Auto” convenceu-me a irmos com a viatura até à Serra da Arrábida para fazermos alguns ensaios de transmissões.

De regresso a Setúbal, descendo a Serra da Arrábida, a antena de cobre com alguns três metros de altura obrigava, para não bater nas árvores que se podia partir, a circular mais junto ao eixo da via. Ao chegar ao Outão ainda na descida, aparece de frente um Autocarro de Serviço Público de Passageiros que nos jogou em cima com quantas luzes e buzinas tinha ao seu dispor. Eu apanhei um susto monumental, o Senhor Aspirante, cujo nome por delicadeza não indico, ainda ficou um pouquito mais gago.

Estava ao tempo em Setúbal um Cabo Readmitido, conhecido na gíria militar como “Cabo Xico”, usava divisas iguais às dos Cabos Milicianos, futuros Furriéis Milicianos.

O Senhor Cabo Santos era altamente respeitado, fazia a chamada não pelo número, mas pelo nome, era convocado para as reuniões de Oficiais, o que deixava o Primeiro Sargento Carretas, e o Segundo Sargento Ameixa à beira de um ataque de nervos. Terminou a sua Licenciatura em Direito em 1964.

O Senhor Aspirante fez uma segunda tentativa de saída, mas desta vez para maiores distâncias, com a qual eu não concordava pelo perigo que envolvia. Eu não tinha nenhuma prática, o que aumentava o risco, a apetência também não era brilhante.

O Senhor Cabo Santos funcionava como Advogado de Serviço e ajudou-me a elaborar a justificação para a minha recusa em não querer colaborar com saídas que poderiam por em risco a vida de terceiros.

O Senhor Cabo Santos foi convidado a aceitar uma graduação em Tenente com promoção a Capitão do Quadro Permanente logo que indigitado para Comandante de uma Companhia com destino ao Ultramar. Não aceitou e terminou a sua Carreira Militar.

A distância entre os vários postos da carreira militar, não me parece algo de mensurável, mas com toda a confiança posso afirmar de que essa distância era bem maior no Continente do que era no Ultramar.

O Artur entrou de férias no início de dezembro e a meio do mês foi informado de que havia sido mobilizado para a Guiné.

Fui a Setúbal buscar a trouxa, despedir-me de alguns amigos e fui apresentar-me no Regimento de Artilharia Ligeira (RAL 1) em Lisboa ao então Capitão Garcia Leandro, que fez o favor de me colocar de Serviço na noite de Natal de 1964 e também na noite de início do ano de 1965.

Como diz o Povo, “Ano Novo vida nova”, começou também aqui uma nova etapa da minha vida, como militar.

Artur Conceição
SPM 2578

_____________

Nota do editor

Último post da série de 13 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28433: Retalhos da vida militar (13): O último quartel da minha Comissão (Artur Conceição, CART 730, Jumbembem, 1965/67)

Guiné 61/74 - P28450: Convívios (1078): Os antigos combatentes da vila de Loriga, a princesa da Serra da Estrela, homenagearam as suas mães, no almoço-convívio realizado na Escola Secundária de Sacavém, no passado sábado, dia 17 - Parte I

 

Foto nº 1 > Estandarte dos Antigos "Combatentes Louriguenses do Ultramar"...   (Tanto quanto sabemos não há nenhum Núcleo de Seia da Liga dos Combatentes, e muito menos da Vila de Loriga.)


Foto nº 2 >  À esquerda, a bandeira da vila de Loriga, concelho de Seia. 


Fotro nº 3 >  A comissão organizadora do almoço-convívio dos antigos combatentes  de Loriga realizado no passado dia 17/10/2026, em Sacavém, terra que está geminada com a princesa da Serra da Estrela.  O António de Brito Ribeiro (à direita) (Guiné), é membro da Tabanca da Linha e da Tabanca Grande, e que teve a gentileza de  convidar os respetivos  régulos,  Manuel Resende e Luís Graça. 



Foto nº 4 >   Homenagem à Comissão Instaladora do Monumento aos Ex-Combatentes Loriguenses, inaugurado em  
27 de julho de 2013, Subiram ao palco e foram aplaudidos os elementos presentes.  


Fotro nº 5  > Velas acesas em homenagem às mães dos combatentes presentes (cerrca de 6 dezenas). Os filhos de Loriga mobilizados para a guerra colonial / guerra do ultramar foram c.  duas centenas e meia.

Foi um a onita, sentida e provavelmente inédita homemagem às mães dos antigos combatentes que, em Loriga, em plena serra da Estrela, iam rezar à noite, na capela da N. Sra. da Guia, aos seus filhos, que estavam "lá fora", na guerra, a milhares de quilómetros de casa... Aqui fica uma pequena amostra do extenso painel com fotos afixadas de mães de combatentes loriguenses...


Fotro nº 6  > A mãe do António Moura Pinto (esta e as  fotos seguintes, até à nº 15,  foram melhoradas com recurso à IA)


Foto nº 7 > Aurora de Brito Pina foi mãe de 3 combatentes (dois deles mobilizados para a Guiné, o António, 1969/71, e o José, 1973/74; e o outro para Moçambique, o Jorge, em 1971/74).


Foto nº 8 > Maria Emilia Gonçalves: teve dois filhos no Ultramar




Foto nº 9 > Maria do Carmo Gonçalves; mais um  mãe, lorigeunse,  com 3 filhos no Ultramar



Foto nº 10 >  A mãe do  Zé Fernandes Piuna




Foto nº 11 : Mãe do António e do José Mendes da Fonseca




Foto nº  12 > Mais uma mãe de dois combatentes de Loriga, o Adelino Manuel Martibns Pina e o Abílio Martins Pina



Fotro nº  13  > Mãe do Luís e do Armando Alves Brito




Fotro nº 14 > Mãe do António José  Silva Pereira (Guiné, 1969/71)




Foto nº 15 > As mães de Loriga que iam ao Cais da Rocha Conde de Óbidos receberem os filhos que regressavam da guerra do Ultramar. (Foto, originalmente, a preto e branco, colorizada com recurso à IA; por lapso, não registámos  o nome do militar nem da sua mãe.)





Fotro nº 16, 16A, 16B > O bolo comemorativo do evento: contèm dois elementos icónicos da vila de Loriga: o monumento aos antigos combatentes (à esquerda) e a capela de Nª Sra. da Guia (ao centro), onde as mães iam rezar todas as noites, em pequenos grupos, à vez,,,

Diz o excerto do poema de autor local, cujo nome não registámos e que entretanto foi musicado e  interpretado ao vivo, no evento : "Meia noite, na capela / quando acenderes uma vela / naquele altar pequenino,/ aquieta a tua agonia. / Nossa Sra. da Guia / guiará o meu destino ".


Fotos (e legendas): © Luís Graça  (2026). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. São as minhas primeiras fotos, selecionadas (de um lote de 150, incluindo vídeos), do almoço-convívio dos antigos combatentes de Loriga, Seia, que se realizou no passado sábado, 17 do corrente, na Escola Secundária de Sacavém (que faz parte do Agrupamento de Escolas Eduardo Gageiro).

O evento, extremamente agradável, afetuoso e animadíssimo, reuniu cerca de 130 convivas, na sua grande maioria filhos de Loriga, uma grande parte da diáspora. 

O serviço de "catering" (excelente, 5 estrelas)  esteve a cargo do restaurante "A Saborosa", Tábua. Um grupo musical, composto por louriguenses (homens e mulheres), animou até ao fim da tarde, este magnífico convívio. Houve boa música portuguesa e africana.    Maria Mendes, irmã de um antigo combatente, e vocalista do grupo, começou por ler um belíssimo e tocante texto de homenagem às Mães de Loriga. Siga-se o toque de silèncio aos mortos. 

Dos  130 participantes, cerca de metade eram antigos combatentes. Faltaram 9 dos inscritos. 

Tive o privilégio de poder estar presente, a convite do nosso amigo e camarada António de Brito Ribeiro, um filho de Loriga que vive no Estoril, e que frequenta a Magnífica Tabanca da Linha, e que é também nosso grão-tabanqueiro. Vive estes encontros dos seus camaradas e conterrâneos com grande paixão.  Julgo que este é o 3º que se realiza em Sacavém.

O António, engenheiro eletrotécnico de formação, ainda está no ativo... O seu dinamismo é contagiante. Recorde-se que é o nosso grão-trabanqueiro nº 912: foi Alf Mil Trms,  CCS/BART 2857 (Piche); GA7 (Bissau); COP 6 (Mansabá e Farim); CAOP 1 (Teixeira Pinto) e BCAÇ 3884 (Bafatá).

Além do António, fizeram parte da organização deste evento: o António Fernandes  (Guiné); Gabriel Pina (Moçambique); José M. Alves (Angola)  e ainda José Ambrósio (Guiné).

Todos os antigos combatentes presentes (incluindo alguns não-loriguenses como eu, como o Manuel Resende, régulo da Tabancada Linha,  e como mais uns tantos) ostentavam ao peito um fita de cor diferente conforme o TO onde estiveram mobilizados: Amarela (Guiné), Vermelha (Angola) e Verde (Moçambique).

2. Sobre "Os Loriguenses na Guerra do Ultramar", vd. aqui o sítio do Adelino M. M. Pina (que vive na Alemanha, e fez a sua comissão de serviço militar em Angola, como 1º cabo (Luso, hoje, Luena, março de 1970 / abril de 1972). 

Há um registo conhecido de 235 antigos combatentes loriguenses, mas estimava-se que o seu número real possa atingir as 3 centenas. A página do Adelino Pina contem os testemunhos de 20 camaradas, que passaram pelos diversos territórios e teatros de operações, incluindo Macau, Índia, Angola, Guiné e Moçambique: são os seus CV militares e uma seleção das fotos dos seus álbuns fotográficos (ao todo são algumas centenas).

Camaradas de Loriga que passaram pelo CTIG, tomei nota dos seguintes (por ordem de apresentação):

  • Carlos Lucas Antunes Fernandes (1967/69) )1º cabo, EREC, Bafatá e Piche)
  • José Reis Fernandes Leitão (1968/70) (cap mil, Buba e Farimj)
  • Mário Moura Pinto (1971/73) (sold at cav, EREC 3431, Bafatá)
  • Joaquim Zacarias  Fernandes de Brito (1972/74) (CCAÇ 3546/BCAÇ 3883) (sold at inf,  Piche, Ponte Caium, Camajabá)
  • José Pinto Lages (1968/70) (soldado cozinheiro, Bissau)
  • José Mendes Gouveia (1970/72) (1º cabo radiotelegrafista, Piche e Bissau)

(Continua)

____________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 13 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28434: Convívios (1077): Estão abertas as inscrições para o 115.º Encontro da Tabanca do Centro, a levar a efeito no próximo dia 30 de Outubro de 2026, na Quinta do Paul - Ortigosa. As inscrições encerram no dia 27


segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28449: Em bom português nos entendemos (35): Quem disse que burro velho não aprende línguas ? (Em tétum, de Timor-Leste: "Kuda-burru katuas la aprende lian" ou "«Katuas ona, aprende susar")


Timor-Leste > Liquiçá > Leotala > Manatti > Boebau > 18 de março de 2018 > Inauguração da Escola de São Francisco de Assis (ESFA) > O João Crisóstomo e o Rui Chamusco: ninguém tem a lata de chamar-lhes os nossos Dom Quixote e Sancho Pancha... Ser solidário, neste mundo cínico, hipócrita e sacana, é tudo menos lutar contra moinhos de vento, e enfrentar inimigos imaginários ou obstáculos inexistentes, gastando energia e fazendo esforços em vão. Bem, pelo contrário, é lutar contra a inércia  da grande maioria, a preguiça de muitos, o cinismo de bastante e a prepotência de alguns, em prol da resolução dos problemas concretos de quem precisa de coisas tão elementares como a saúde de e a educação. Como as crianças das montanhas de Liquiçá. Palmas para o João e o Rui e para a ASTIL (Associação dos Amigos Solidários com Timor-Leste), que eles representam aqui no nosso blogue. Podiam estar no conforto dos seus lares, a gozar a sua reforma...mas, não, ainda andam metidos "nestas guerras de bem-querer e bem-fazer"...

Foto (e legenda): © João Crisóstomo (2018). Todos os direitos reservados

[Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Timor-Leste > Liquiçá > Leotala > Manatti > Boebau > 22 de março de 2025>   7º aniversário da ESFA  > O 1º ministro da República Democrática de Timor-Leste, Kay Rala Xanana Gusmão, acompanhado do administrador do município de Liquiça, Rogério dos Santos,  faz uma visita-surpresa  à Escola de São Franscisco de Assis, em Boebau / Manatti, município de Liquiçá, é recebido pelo Rui Chamusco ("avô Rui"), português, dirigente  da ASTIl, e nosso grão-tabanqueiro, e pelo coordenador da escola João de Araújo Moniz Sobral  ("Eustáquio"), aqui conhecido como "Pai  Nino".

Imagens da Média - GPM / RDTL (República Democrática de Timor-Leste, com a devida vénia)... Fonte:  Página do Facebook do 1º Ministro da RDTL, Kay Rala Xanana Gusmão

1.  Enquanto os timorenses estão a fazer um grande esforço por aprender português (desde miúdos, na escola), nós,  podemos igualmente ter, aqui em Portugal, pelo menos, a "curiosidade" de  conhecer, um pouco melhor,  a "língua franca" que é o tétum,   de resto língua oficial, a par do português, da República Democrática de Timor-Leste.

Tal como a Guiné-Bissau, Timor Leste tem uma grande diversidade linguística...Veja-se aqui , a propóstito  um vídeo, no Tiktoc, do Marcos Neves >  23/2/2025 > As Línguas de Timor.  (Marcos Neves é autor de um conhecido e já popular programa, na RTP1, "A  Língua Que  Nos Une".)

O tétum é apenas uma das duas dezenas de línguas  faladas no território (que tem c. de 15 km quadrados, menos de metade da superfície da Guiné-Bissau). É língua oficial, juntamente com o português, enquanto que o indonésio e o inglês são línguas de trabalho.  

O tétum "não é um crioulo de base lexical portuguesa".

O tétum (especialmente o tetun-prasa, a variedade mais falada como língua franca) absorveu um grande número de palavras de origem portuguesa devido aos séculos de colonização e à influência da Igreja Católica.

O tétum não difícil de aprender para um falante da língua portuguesa. Mas é importante saber que, apesar do vernáculo emprestado do português, a estrutura gramatical e a base do tétum pertencem à família das línguas austronésias (com influências malaia): a sintaxe, a formação de frases e a lógica da língua funcionam de maneira totalmente diferente do português.

E, a propósito, há um ano e tal não consegui arranjar maneira de traduzir para português a notícia da visita do 1º ministro Xanana Gusmão à Escola de São Francisco de Assis (ESFA), nas  montanhas de Liquiçá. Por ocasião do seu 7º aniversário. 

Recorde-se que  é uma escola do ensino primário e pré-primário fundada  em 2018 pela ASTIL - Associação dos Amigos Solidários  Com Timor Leste, de que fazem parte amigos nossos (e membros da Tabanca Grande) como o Rui Chamusco e o João Crisóstomo.

A título de curiosidade, compare-se esta notícia em tétum da vista do Xana Gusmão à ESFA, em 22/3/2025, com a tradução para português que conseguimpos fazer recorrendo à IA (ChatGPT / Open AI).

Nesta notícia faz-se referência a duas "personagens" já nossas conhecidas (cróncias sobre Timor-Leste): "Avô ou Abô Rui" (Rui Chamusco), cofundador e líder da ASTIL,  e "Pai Nino" (João  de Araújo Moniz Sobral, mais conhecido por "Eustáquio", irmão mais novo de Gaspar Sobral, luso-timorense, também cofundador e dirigente da ASTIL,. com sede em Coimbra).

𝐄𝐒𝐊𝐎𝐋𝐀 𝐒A𝐎 𝐅𝐑𝐀𝐍𝐂𝐈𝐒𝐂𝐎 𝐃𝐄 𝐀𝐒𝐒𝐈𝐒 𝐄𝐙𝐈𝐒𝐓𝐄 𝐓𝐈𝐍𝐀𝐍 𝐇𝐈𝐓𝐔, 𝐏𝐌 𝐗𝐀𝐍𝐀𝐍𝐀 𝐀𝐆𝐑𝐀𝐃𝐄𝐒𝐄 𝐏𝐑𝐎𝐅𝐄𝐒𝐎́𝐑 𝐍𝐀𝐈’𝐍-𝐋𝐈𝐌𝐀 𝐕𝐎𝐋𝐔𝐍𝐓𝐀́𝐑𝐈𝐔 𝐇𝐀𝐍𝐎𝐑𝐈𝐍 𝐄𝐒𝐓𝐔𝐃𝐀𝐍𝐓𝐄

LIQUIÇA, 22 Marsu 2025

A Escola São Francisco de Assis existe há sete anos. O primeiro-ministro Xanana agradece aos cinco professores voluntários que ensinam gratuitamente

Liquiçá, 22 de março de 2025

Primeiru-Ministru (PM), Kay Ral Xanana Gusmão agradese ba profesór foin-sa’e Timor-oan na’in lima (5) kompostu hosi feto tolu no mane rua ne’ebé ho de’it diploma sekundáriu voluntáriu tinan hitu ona fahe matenek ba estudante sira iha eskola São Francisco de Assis, Liquiça.

O primeiro-ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, agradeceu a cinco jovens professores timorenses — três mulheres e dois homens — que, dispondo apenas do ensino secundário, há já sete anos dão voluntariamente aulas aos alunos  da Escola São Francisco de Assis, em Liquiçá.

Apresiasaun ne’e Xefe Governu hato’o bainhira hala’o vizita supreza hodi partisipa selebrasaun aniversáriu Eskola São Francisco de Assis “Paz e Bem” iha Aldeia Hatumasi, Suku Leotala, Postu Administrativu Liquiça, Munisípiu Liquiça, sábadu (22/03/2025).

O chefe do Governo manifestou este reconhecimento durante uma visita-surpresa à escola, por ocasião da celebração do aniversário da Escola São Francisco de Assis, cujo lema é «Paz e Bem», situada na aldeia de Hatumasi, suco de Leotala, posto administrativo de Liquiçá, município de Liquiçá, no sábado, 22 de março de 2025.

Vizita supreza ne’e PM Xanana halo hafoin simu karta ne’ebé hakerek hosi Fundadór Eskola São Francisco de Assis, Rui Fernandes Manuel Chamusco dirije bá PM Xanana hodi relata prokupasaun ne’ebé estudante no inan-aman sira hasoru.

 A visita-surpresa do Chefe do Governo  teve lugar depois de ter recebido uma carta do fundador da Escola São Francisco de Assis, "Paz e Bem", Rui Fernandes Manuel Chamusco, na qual este lhe dava conta das preocupações e dificuldades enfrentadas  pelos alunos e pelos seus pais

Eskola ne’e harii hosi Associação dos Amigos Solidários com Timor Leste (ASTIL-Portugál), iha tinan 2019 ho sala aula tolu, haris-fatin ida, ne’ebé inaugura iha loron 10 fulan-Marsu hosi fundadór ASTIL, João Crisóstomo e Criança de Boebua, eskola ne’e harii ho intensaun ajuda estudante sira iha área rurál asesu ba edukasaun ho besik liután.

A escola foi fundada, em 2019, pela Associação dos Amigos Solidários com Timor-Leste (ASTIL-Portugal). Inicialmente, dispunha de três salas de aula e de uma instalação sanitária. Foi inaugurada a 10 de março pelo fundador da ASTIL, por João Crisóstomo e  pelas Crianças de Boebau. A sua criação teve como objetivo ajudar os alunos das zonas rurais a terem um acesso mais próximo à educação.

“𝐇𝐚’𝐮 𝐦𝐚𝐢 𝐭𝐚𝐧𝐛𝐚 𝐢𝐦𝐢-𝐧𝐢𝐚 𝐞𝐬𝐤𝐨𝐥𝐚 𝐬𝐞𝐥𝐞𝐛𝐫𝐚 𝐭𝐢𝐧𝐚𝐧-𝐡𝐢𝐭𝐮, 𝐡𝐚’𝐮 𝐦𝐚𝐢 𝐚𝐭𝐮 𝐚𝐠𝐫𝐚𝐝𝐞𝐬𝐞 𝐛𝐚 𝐀𝐯ó 𝐑𝐮𝐢 𝐅𝐞𝐫𝐧𝐚𝐧𝐝𝐞𝐬 𝐌𝐚𝐧𝐮𝐞𝐥 𝐂𝐡𝐚𝐦u𝐬𝐜𝐨 𝐡𝐨 𝐧𝐢𝐚 𝐦𝐚𝐥𝐮𝐤 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐧𝐞’𝐞𝐛𝐞é 𝐡𝐨 𝐥𝐚𝐫𝐚𝐧 𝐛𝐨’𝐨𝐭, 𝐟𝐮𝐚𝐧 𝐛𝐨’𝐨𝐭 𝐡𝐨𝐝𝐢 𝐚𝐣𝐮𝐝𝐚 𝐦𝐨́𝐬 𝐠𝐨𝐯𝐞𝐫𝐧𝐮 𝐚𝐭𝐮 𝐡𝐚𝐝𝐢𝐚 𝐞𝐝𝐮𝐤𝐚𝐬𝐚𝐮𝐧 𝐧𝐨 𝐩𝐫𝐞𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐢𝐭𝐚-𝐧𝐢𝐚 𝐨𝐚𝐧 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐧𝐢𝐚 𝐞𝐝𝐮𝐤𝐚𝐬𝐚𝐮𝐧. 

"𝐇𝐚’𝐮 𝐦ó𝐬 𝐡𝐚𝐤𝐚𝐫𝐚𝐤 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐬𝐢𝐚 𝐦𝐨́𝐬 𝐛𝐚 𝐏𝐚𝐢 𝐍𝐢𝐧𝐨 (𝐉𝐨ã𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐫𝐚ú𝐣𝐨) 𝐡𝐨 𝐩𝐫𝐨𝐟𝐞𝐬ó𝐫 𝐧𝐨 𝐩𝐫𝐨𝐟𝐞𝐬𝐨𝐫𝐚 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐥𝐚𝐫𝐚𝐧 𝐥𝐮𝐚𝐤 𝐡𝐨𝐝𝐢 𝐡𝐚𝐫𝐞𝐞 𝐛𝐚 𝐢𝐦𝐢-𝐨𝐚𝐧 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐧𝐢𝐚 𝐟𝐮𝐭𝐮𝐫𝐮. 𝐒𝐞́ 𝐡𝐨 𝐯𝐨𝐥𝐮𝐧𝐭á𝐫𝐢𝐮 𝐡𝐚𝐧𝐞𝐬𝐚𝐧 𝐧𝐞’𝐞 𝐦𝐚𝐤𝐚, 𝐩𝐫𝐨𝐟𝐞𝐬ó𝐫 𝐓𝐢𝐦𝐨𝐫-𝐨𝐚𝐧 𝐡𝐨𝐭𝐡𝐨𝐭𝐮 𝐛𝐞𝐥𝐞 𝐤𝐨𝐧𝐭𝐫𝐢𝐛𝐮𝐢 𝐚𝐭𝐮 𝐡𝐚𝐝𝐢’𝐚 𝐢𝐭𝐚-𝐧𝐢𝐚 𝐫𝐚𝐢𝐧,” PM Xanana hateten.

«Vim juntar-me a vós para celebrar os sete anos da vossa escola. Vim também agradecer ao avô Rui Fernandes Manuel Chamusco e aos seus companheiros, que, com grande coragem e determinação, têm ajudado o nosso Governo a proporcionar educação e a preparar os nossos filhos através do ensino. 

"Quero igualmente manifestar o meu reconhecimento ao Pai Nino (João de Araújo) e aos professores e professoras que trabalham arduamente para construir o futuro dos nossos filhos. Mesmo sendo voluntários, estes professores timorenses estão a contribuir de forma muito significativa para o desenvolvimento do nosso país», 
afirmou o primeiro-ministro Xanana.

Xefe Governu haktuir, Ministériu Edukasaun rezolve hela problema edukasaun no problema profesór sira. Maibé iha área rurál hanesan iha Aldeia Hatumasi profesór sira hanorin voluntáriu tinan hitu ona, nunka reklara sira-nia direitu más sakrifika a’an atu hanoin de’it oinsá mak fahe sira-nia matenek ba estudante sira nia futuru, no ida ne’e asaun fraternidade importante ida.

O chefe do Governo acrescentou que o Ministério da Educação está a trabalhar para resolver os problemas do sistema educativo e as dificuldades dos professores. Contudo, em zonas rurais como a aldeia de Hatumasi, há professores que ensinam voluntariamente há sete anos, sem nunca reclamarem os seus direitos, sacrificando-se e preocupando-se apenas em transmitir os seus conhecimentos aos alunos, para que estes tenham um futuro melhor. Trata-se, sublinhou, de um importante ato de fraternidade.

PM Xanana ne’e apela ba estudante sira atu badinas estuda, mezmu sira iha área rurál hasoru dezafiu oin-oin. 

Xanana Gusmão apelou ainda aos alunos para que se empenhassem nos estudos, apesar dos vários desafios que enfrentam por viverem numa zona rural.

Iha ámbitu ne’e, PM Xanana orienta estudante sira kanta múzika Hino Nasionál “Patria-Patria” no fahe livru ba estudante, dosi, bebida ba estudante inklui inan no aman sira.

Neste contexto, o primeiro-ministro orientou os alunos a cantarem o hino nacional, «Pátria, Pátria», e distribuiu livros, doces e bebidas pelos estudantes, incluindo também os pais presentes.

Iha biban hanesan, Koordenadór Eskola São Francisco de Assis, João de Araújo Moniz Sobral agradese ba prezensa Xefe Governu ne’ebé hakat ona to’o sira-nia fatin hodi haree no rona rasik preokupasaun ne’ebé sira hasoru.“

Na mesma ocasião, o coordenador da Escola São Francisco de Assis, João de Araújo Moniz Sobral, agradeceu a presença do chefe do Governo, que se deslocou pessoalmente àquele local para conhecer e ouvir diretamente as preocupações e dificuldades que a comunidade escolar enfrenta.

 "𝐀𝐯ó X𝐚𝐧𝐚𝐧𝐚 𝐦𝐨𝐬𝐮 𝐦𝐚𝐢 𝐝𝐞𝐫𝐞𝐩𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐡𝐚𝐧𝐞𝐬𝐚𝐧 𝐧𝐞’𝐞 𝐬𝐮𝐩𝐫𝐞𝐳𝐚 𝐛𝐨’𝐨𝐭 𝐛𝐚 𝐢𝐭𝐚 𝐩𝐨𝐯𝐮 𝐧𝐨 𝐞𝐬𝐭𝐮𝐝𝐚𝐧𝐭𝐞 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐧𝐞’𝐞𝐛é 𝐬𝐮𝐬𝐚𝐫 𝐛𝐚 𝐛𝐮𝐚𝐭 𝐡𝐨𝐭𝐮-𝐡𝐨𝐭𝐮. 𝐀𝐦𝐢 𝐧𝐚’𝐢𝐧-𝐥𝐢𝐦𝐚 𝐡𝐨 𝐝𝐢𝐩𝐥𝐨𝐦𝐚 𝐬𝐞𝐤𝐮𝐧𝐝á𝐫𝐢𝐮 𝐡𝐨 𝐟𝐮𝐚𝐧 𝐧𝐞’𝐞𝐛é 𝐡𝐚𝐤𝐚𝐫𝐚𝐤 𝐚𝐭𝐮 𝐝𝐞𝐳𝐞𝐧𝐯𝐨𝐥𝐯𝐞 𝐫𝐚𝐢 𝐢𝐝𝐚 𝐧𝐞’𝐞 𝐥𝐢𝐥𝐢𝐮 𝐩𝐫𝐞𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐧𝐨 𝐞𝐝𝐮𝐤𝐚 𝐨𝐚𝐧 𝐬𝐢𝐫𝐚 𝐬𝐚𝐢 𝐦𝐚𝐭𝐞𝐧𝐞𝐤,” João de Araújo hateten.

«A chegada inesperada do avô Xanana foi uma enorme surpresa para a nossa população e para os alunos, que enfrentam muitas dificuldades. Somos cinco professores, com apenas o diploma do ensino secundário, mas queremos desenvolver esta terra,  preparando e educando as crianças  
para que adquiram cada vez mais conhecimentos»,
declarou João de Araújo.

Estudantes hamutuk na’in-102 kompostu hosi feto na’in-54 no mane 48 mak tuir aprendizajem iha tinan 2025. Estudante sira ne’e maioria hela ho distánsia dok, la’o de’it hosi ai-laran, hakur mota hodi ba to’o iha eskola.

Em 2025, a escola tinha 102 alunos, dos quais 54 raparigas e 48 rapazes. A maioria vive longe da escola e tem de percorrer  caminhos pelo meio da floresta e atravessar rios  para chegar às aulas.

Problema seluk ne’ebé eskola ne’e hasoru mak menus livru, kadeira no meja balun komesa aat, armari la iha atu tau livru no la iha biblioteka.

Entre os outros problemas enfrentados pela escola contam-se a falta de livros, o mau estado de algumas cadeiras e mesas e a inexistência de armários para guardar os livros e de uma biblioteca.

Maski nune’e, eskola ne’e komesa harii ona moru haleu hodi proteje estudante sira bainhira tuir prosesu aprendizajem bele seguru no evita animal tama ba resintu eskola.

Apesar destas dificuldades, a escola começou a construir um muro de vedação para proteger os alunos durante as atividades letivas, garantindo-lhes maior segurança e impedindo a entrada de animais no recinto escolar.

Prezensa PM Xanana nian apoia mós “𝐇𝐚’𝐮 𝐓𝐚𝐬𝐢, 𝐇𝐚’𝐮 𝐓𝐢𝐦𝐨𝐫” fahe fahe kamiza Fronteira Marítima no apoia nesidade bázika ba estudante sira, atividade ne’e taka ho hasai foto hamutuk nu’udar rekordasaun.

A presença do primeiro-ministro Xanana Gusmão serviu também para apoiar a iniciativa «Ha'u Tasi, Ha'u Timor» (O meu mar, o meu Timor), através da distribuição de camisolas alusivas à fronteira marítima e do apoio às necessidades básicas dos alunos. A atividade terminou com uma fotografia de grupo, destinada a registar o acontecimento.

Akompaña PM Xanana iha eventu ne’e mak Administradór Postu Liquiça-Vila, Rogério dos Santos no reprezentante Komandu PNTL. 

(Média-GPM)

O primeiro-ministro Xanana Gusmão esteve acompanhado pelo administrador do posto administrativo de Liquiçá-Vila, Rogério dos Santos, e por um representante do Comando da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL).

Fonte: Média-GPM (Gabinete do Primeiro-Ministro).

(Tradução de Tétum para Português Europeu feita com recurso à IA - ChatGPT / Open AI. Fixação / revisão de texto: LG) (O Google Gemini não faz, ou ainda não faz traduções de e para o tétum...) 

________________

Nota de tradução da IA:

Há algumas expressões do original cujo sentido exato pode depender do contexto local. Traduzi "Avó" por «avô» — forma de tratamento respeitosa dirigida a Xanana Gusmão  e a Rui Chamusco — e "suco" e "aldeia" foram mantidos como designações da organização administrativa timorense. A expressão Hino Nasionál “Patria-Patria” foi vertida literalmente, sem tentar substituir o título por uma designação oficial diferente. 

Nota do editor LG:

A designação oficial da ASTIL é Associação dos Amigos Solidários com Timor-Leste.

O João Crisóstomo não é fundador da ASTIL, como se podia deduzir da notícia original, que corrigimos; é apenas associado e grande amigo de Timor-Leste. (E um histórico dirigente e cofundador do LAMETA - Luso-American Mouvement for East-Timor Autodetermination .)  Esteve presente na inauguração da ESFA,  em 18/3/2018, tal como o Rui Chamusco, esse,sim, fundador e dirigente da ASTIL.

O título oficial do Hino Nacional de Timor  Leste é "Pátria", que fixámos na tradução.  Eis a letra:

(...) “Pátria” é o hino nacional da República Democrática de Timor-Leste. Composta em 1975 por Afonso de Araújo com letra de Francisco Borja da Costa, “Pátria” foi adoptada em 2002 com a Restauração da Independência, como hino nacional.

Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação.
Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.
Pátria, Pátria, Timor-Leste, nossa Nação.
Glória ao povo e aos heróis da nossa libertação.
Vencemos o colonialismo, gritamos:
abaixo o imperialismo.
Terra livre, povo livre,
não, não, não à exploração.
Avante unidos firmes e decididos.
Na luta contra o imperialismo
o inimigo dos povos, até à vitória final.
Pelo caminho da revolução.

Fonte: Governo de Timor-Leste > Timor-Leste _ Símbolos Nacionais


Letra em tétum (Símbolu Nasionál > Inu Nasionál)

“Pátria” mak inu Nasionál Repúblika Demokrátika Timór-Leste nian. Múzika kompoin iha 1975 , Afonso de Araújo mak halo ho letra Francisco Borja da Costa nian, “Pátria” adopta iha 2002 ho Restaurasaun Independênsia, hanesan inu Nasionál.

Pátria, Pátria, Timór-Leste, ita nia Nasaun.
Glória ba Povu no ba ita nia eróis libertasaun nasionál.
Pátria, Pátria, Timór-Leste, ita nia Nasaun.
Glória ba Povu no ba ita nia eróis libertasaun nasionál.
Ita manán hasoru kolonializmu, ita hakilar:
Hatuun imperializmu
Rai livre, Povu livre,
Lae,lae, lae ba explorasaun
Bá oin hamutuk, laran metin no barani
Halo funu hasoru imperializmu
inimigu Povu hotu-hotu nian, to’o vitória finál
liu dalan revolusaun.


(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)

 ______________

Nota do editor LG:

Guiné 61/74 - P28448: Notas de leitura (1972): "Fado Alexandrino", por António Lobo Antunes; Publicações Dom Quixote (2) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 12 de Agosto de 2026:

Queridos amigos,
O jantar dos militares está a findar, já sabemos como lhes correu a vida desde que chegaram de Moçambique, amores, desamores, sonhos, pesadelos, o tenente-coronel viúvo tem agora o apoio da porteira e mulher a dias, não é amor, é companhia, o Jorge alferes casou com a Inês, menina de famílias finas, trabalha no banco e vive jantares abomináveis em casa dos sogros, numa quinta em Carcavelos, o soldado engrenou em serviços de mudanças, empresa do tio, irão a caminho da Baixa no dia 25 de abril de 1974, não tenho dúvida alguma quando um dia se se quiserem resgatar as páginas sublimes que se escreveram sobre o 25 de abril, é inevitável retirar parágrafos luminescentes deste Fado Alexandrino. A reunião dos militares, que começou num jantar, passou agora para uma boate no Intendente, será aí, entre equilibristas e striptease, que se vai viver o 25 de abril.

Um abraço do
Mário.



Chegámos da guerra, apanhámos o fim do Estado Novo, vivemos o 25 de abril e o depois: como e porquê Fado Alexandrino, de Lobo Antunes, é um notável romance ancorado no fado de ex-combatentes – 2

Mário Beja Santos

Esta obra-prima de António Lobo Antunes teve a sua primeira edição em 1983, vem na sequência de um ciclo de romances que versam a experiência dele como tenente-médico em Angola, a sua vida profissional como psiquiatra, os desabafos sobre a sua vida íntima. Fado Alexandrino, considerado pela crítica como um dos seus textos fundamentais, justamente premiado, prende-se com a história de um conjunto de militares no período final do Estado Novo, segue-se o 25 de abril e o PREC e o culminar de um tempo de rescaldo, tudo é passado entre um jantar verdadeiramente funambulesco, a passagem por uma boate no Intendente, haverá um surpreendente final, onde não falta uma atmosfera de orgia.

Romance a várias vozes, por vezes interferindo quase em vertigem o que eles vão dizendo uns aos outros ou o que guardam para si no discurso da consciência, falando desabridamente da vida amorosa onde não faltam desastres e desencontros, no seu trabalho, da situação política do país, temos aqui um retrato da década de 1970 e o início da seguinte.

Já sabemos que há um encontro de militares, de tenente-coronel a soldado, estão a rememorar acontecimentos anteriores ao 25 de abril, vieram todos de Moçambique, terão pertencido a um Batalhão colocado em Mueda ou algures, obviamente que se seguiram itinerários diferentes, o oficial de transmissões está no uso da palavra, colocado no Ministério do Terreiro do Paço a levantar processos e autos, é esquerdista-maoísta, distribuindo folhetos à socapa, “folhetos que entregava depois do serviço nos gabinetes despovoados, toscos e tolos contos da carochinha para aldrabar ingénuos.”

E desabafa para todos os presentes no jantar:

“O que nessa época custava mais na militância política era a falta de contactos, de amigos que nos acompanhassem, da orientação dos camaradas. Nunca nos víamos, nunca nos falávamos, podíamos estar presos ou mortos só o sujeito invisível e desconhecido que nos coordenada sabia, largávamos as informações num envelope, no balcão de uma pastelaria ou de um café, mas não obtínhamos resposta, nenhum fulano convicto e grave, de cara enviesada, nos procurava.”

Intervém agora o soldado, ele está numa empresa de mudanças, iam mesmo à Feira Popular, transportando a mobília de restaurantes inteiros, as girafas, os elefantes e os cavalos do carrossel, houve mesmo cenas de amor assolapado com a Ciganita Dora. Os ex-combatentes já estão bem bebidos, o alferes sugere saírem dali e irem para uma boate do Intendente, mas as conversas estendem-se, as memórias dilatam-se. “Eu sentia o Estado Novo podre, mas firme, disse o oficial de transmissões de pálpebras descidas. Estávamos fartos da guerra, fartos das promessas não cumpridas". 

É a vez do alferes também pôr a sua escrita em dia, recorda que o seu casamento com Inês, menina que vivia num ambiente muito bem, estava a correr mal, a sogra sempre a dar ordens lá na vivenda de Carcavelos, a convidá-los para jantar em cima da hora, conversas descabeladas na viagem com a filha pequena aos gritos.

O tenente-coronel também desabafa, tem como companhia precária a porteira e mulher a dias. O soldado, o da empresa de mudanças, conta que a mulher do tio, em cuja casa ele vive, dera-lhe a trombose, descreve toda aquela cena da ida ao Hospital de São José.

“Uma espécie de claustros gelados, irreais de néon, doentes por toda a parte, cobertos de compressas, sentados no chão, olhando-nos na distintíssima altivez apática do sofrimento, macas, cobertores e camas amontoados numa confusão indescritível, arrastadeiras, algálias, algodão, tribos acocoradas de ciganos comendo em silêncio, funcionários transportando papeis, bêbados a ressonar em longos bancos de pau, gemidos, queixas, suspiros, arranques de vómitos, dois arcos de pedra, munidos dos letreiros HOMENS e MULHERES, a seguir ao relento das retretes, onde as fezes acumuladas se aparentavam a certos rochedos da vazante, e lá dentro, ativíssimos em torno de marquesas vazias, médicos de estetoscópio pendurado ao pescoço como correntes de escanção, examinando, com uma prega douta na testa, radiografias de ossos contra foscas superfícies cintilantes.” 

Seguem-se as peripécias em que os profissionais de saúde decidem que a tia volta para casa com uma receita médica.

Há um certo capitão Mendes que procura o tenente-coronel em 1973, os capitães já começaram a conspirar, Mendes informa o tenente-coronel, cujo nome é Artur de que há solidariedade ativa de todas as unidades do país, Mendes pretende saber se podem contar com o apoio expresso dele, entrega de papelada e rabuja que os militares andam fartos de servir de bode expiatório aos políticos. Segue-se uma longa introspeção de memórias deste tenente-coronel. Ainda estão no jantar, fala-se de tudo um pouco, o nosso alferes maoísta lembra que foi levado pela PIDE.

Agora sim, já estamos no Bar Boate Madrid, rememoram-se festarolas do tempo da guerra, alguém, no bar, anuncia o programa festivo que vai começar, há de tudo desde equilibristas a striptease, as vidas familiares vão-se escancarando, aqui finda a primeira parte, entramos agora na revolução, confesso que encontrei neste livro algumas das páginas mais impressivas e de alto recorte literário sobre os acontecimentos do 25 de abril, como passo a exemplificar:
“Da sala vinham marchas militares, guitarras, vozes de homem que cantavam, um locutor lia de tempos a tempos um pequeno discurso, e a seguir, após um breve silêncio interminável durante o qual o sangue estancava, suspenso nas veias, à espera, mais marchas, mais hinos, mais orfeões, mais música.”

“E foi a primeira vez, contou-me o soldado, que chegámos juntos ao armazém, esbofeteados ao longo das travessas por centenas de telefonias aos gritos. Homens de barba por fazer debruçavam-se nas janelas como bichos de buracos de maçãs, os cães derrubavam os caixotes de lixo esquecidos, o porteiro do hospital dos doidos, de pé junto à entrada, colava o transístor à orelha como se escutasse o mar nas espiras de um búzio, um friozinho acre enregelava as pernas, o tio bufava Se atiram o Governo de pantanas não descansam até arranjar outro ainda pior e nos porem de tanga a pedir esmola, Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas, e o senhor Ilídio, amargo, Olha para os gajos, olha-me só para a alegria deles, caneco, até parece que vão salvar o mundo.”

E vamos ver seguidamente a carripana das mudanças a avançar para a Baixa, vão testemunhar a queda do Estado Novo.


António Lobo Antunes (1942-2026)

(continua)
_____________

Notas do editor:

Post anterior de 12 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28430: Notas de leitura (1970): "Fado Alexandrino", por António Lobo Antunes; Publicações Dom Quixote (1) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 16 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28441: Notas de leitura (1971): Artigo desassombrado sobre a Guiné, ao lado de outro de Zófimo Consiglieri Pedroso, sobre a guerra russo-japonesa na revista Brasil-Portugal, de 16 de novembro de 1905 (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28447: Para bom observador, meia palavra basta (12): Decifrado o enigma dos grafitos deixados pela CCAÇ 1620 em Cameconde e no Cachil: "3798" era, de facto, o SPM da companhia (Manuel Cibrão Guimarães, Rio Tinto / Gondomar, organizador do encontro anual do pessoal em 2018)



Brasão da CCAÇ 1620, "Em Perigos e Guerras Esforçados".
 Coleção Carlos Coutinho (2009). Restauro com IA (Gemini Google AI)








Foto mº 1B, 1A, 1 > O Manuel Cibrão Guimarães foi o organizador, em 2018, do convívio anual da sua Companhia, a CCAÇ 1620. O convite, personalizado, e com o respetivo programa, foi feito de maneira original através de impresso digitalizado dos nossos antigos aerogramas, adaptado com o brasão da subunidade e o respetivo SPM, 3798. Por razões óbvias ( proteção de dados, privacidade, segurança...), eliminámos o nome da rua e o número de policia do destinatário e do remetente.


Foto (e legenda): © Manuel Cibrão Guimarães (2026) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].






Manuel Cibrão Guimarães, ex-fur mil, CCAÇ 1620 (Bissau, Cameconde, Cacine, Sagonhá, Cachil, Bolama, 1966/68) > Aqui em Algés, na Tababnaca da Linha
Algés. Foto: Manuel Resende (2019)



1. Está decifrado o "enigma" dos grafitos do Cachil (1968) (foto de Manuel Cibrão Guimarães) e de Cameconde (2018) (foto de Patrício Ribeiro) (*). O número "3798" corresponde, de facto, ao SPM da CCAÇ 1620.

Aqui fica o esclarecimento, feito a nosso pedido, pelo nosso camarada de Rio Tinto, Manuel Cibrão Guimarães, membro da tertúlia O Bando do Café Progresso, Porto e da nossa Tabanca Grande:

Data - 18 de outubro de 2026, 16:28

Amigo e companheiro, administrador Luís Graça:

Espero que a tua saúde esteja a passar um momento.

Quanto ao cerne da questão do número do SPM da minha companhia, a CCAÇ 1620, efetivamente foi o 3798.
Tomei a liberdade de enviar este convite com o convívio organizado por mim no ano de 2018 que, como podes observar, foi feito em aerograma, e ainda tive o cuidado de imprimir o programa não esquecendo o nosso SPM 3798.
Então, o SPM é efetivamente o 3798. Isto para que não haja dúvidas para memória futura.

Cumprimentos, Cibrão Guimarães.



2. Sabíamos que esta companhia tinha passado por Cameconde e depois pelo Cachil, já no final da comissão.

Em 20 de março de 1968, por troca com a CCAÇ 1621, assumiu a responsabilidade do subsector de Cachil, ficando então integrada no dispositivo e manobra do BART 1913, e tendo entretanto, cedido um Grupo de Combate para reforço de forças daquele batalhão em operações, de 22 de março a 27 de abril de 1968.

Em 11 de julho de 1968, por retirada das forças aquarteladas em Cachil e consequente extinção do subsector, a CCAÇ 1620 recolheu a Bolama, onde permaneceu até ao embarque de regresso, no T/T Uíge.

A ordem de retirada (e consequente destruição) do aquartelamento foi dada por Spínola, que estivera no local quinze dias antes.


De há muito que o Cachil (desde1964) não oferecia condições para a permanências das NT: por exemplo, não havia água potável; o abastecimento era feito a partir de Catió, através de uma lancha, que vinha num dia, na maré-cheia, e só podia regressar no dia seguinte...

Fotos (e legendas): © Manuel Cibrão Guimarães (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Foto nº 2



Foto nº 3


Guiné > Região de Tombali > Cachil > CCAÇ 1620 > 11 de julho de 1968 > Retirada do Cachil. Em primeiro plano, á direita, o Manuel Cibrão Guimaraes (Foto nº 3). Fotos a preto e branco, reconstituídas e colorizadas com recurso à IA.




Foto nº 4


Guiné > Região de Tombali > Cachil > CCAÇ 1620 > 1968 > O "Forte Apache""... As instalações, forradas com chapas de bidões "grafitadas": pode ler-se, a olho nu e com a ajuda da IA, "lavadeiras", "am..", "CCaç 1620", "S. P. M. 3798", "Arouca"...


Em 11Ju168, por retirada das forças aquarteladas em Cachil e consequente extinção do subsector, a CCAÇ 1620 recolheu a Bolama, onde permaneceu até ao embarque de regresso. Mas antes passara por Cameconde, Cacine e Sangonhá. Foto, original, a preto e branco. Rescontituída e colorizada.

Foto (e legenda): © Manuel Cibrão Guimarães (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI) (Gemini / Google AI(]



Foto nº 5 B

Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cameconde > 11 de março de 2018> "Restos arqueológicos da presença dos tugas, há meio século atrás"...Em 2018, ainda foi possível apanhar este grafito, na parede de um dos abrigos que ainda resistiam em Cameconde... Na parede de um deles lia-se da esquerda para a direita "3798. Bar". Deduzimos que o número "3798" fosse o SPM da CCAÇ 1620.

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2018) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (Gemini / Google) ].

_________________

Nota do editor LG: