Guiné > Bolama > 1964 > O ferryboat "Bor", em viagem entre Bissau e Bolama. Foto, a sépia, de António Paulo [Bastos], ex 1º cabo at inf, Pelotão Caçadores 953, Cacheu , Farim, Canjambari, Jumbembem, 1964/66. Resconstituida e colorizada com recurso à IA. Acrescenta o Rui Santos: "Amigo Luís, de certeza que era o Bor, foi em fevereiro de 1965, dias antes do nascimento de nossa filha, o Bor nessa altura ja navegava de 'bengalas' e 'boias nos braços', enferrujado, velho combatente, mas navegando à superficie dos canais e rios limítrofes de Bolama e Bissau".
1. Afinal muita boa gente (ou gente boa) andou na Bor (ou no Bor, já que, além de embarcação dos Serviços da Marinha da Província, era "motor" e "ferryboat"): do general Spínola ao José Colaço, do Ismael Augusto ao Torcato Mendonça, do Luís Dias ao Libério Lopes...
Ninguém sabe donde veio, nem quando (diz um "anónimo", que veio de Alverca, em 1963!)... Só se sabe que morreu na praia... Em Bolama, já depois da independência. Ingloriamente, com todas as embarcações, depois de terem feito muitas milhas náuticas, num vida que em geral era muito mais curta do que a dos seus marinheirtos...
Um dos muitos passageiros, nosso camaradas, foi o veteraníssimo Rui Santos (ex-alf mil, 4.ª CCAÇ, Bedanda, e CIM, Bolama, 1963/65) de quem não tenho notícias desde meados de 2024 (!), e a quem mando um alfabravo fraterno.
O motor "Bor" pertencia ao Serviço da Marinha da Província. Mas tanto era usado pelos civis como pelos militares. Foi pau (ferro) para toda a obra!... Entrou em batalhas como a Op Tridente (1964) ou a Op Lança Afiada (1969). Fazia a carreira normal Bissau - Bolama - Bissau. Mas também de levar tropa e bagagens até ao Xime e até Bambadinca (!)....Já aqui contei a minha história a bordo do Bor, minha e de minha mulher que estava "pançuda" e o médico disse que não devíamos ir de avião...
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Rui Santos |
À passagem defronte da Ilha das Cobras começa o motor a... puff, puiuff e puift mêmo, já perto do Geba, chuva na chube noss alfer ...
Pois... e eu à rasca por causa da minha mulher que nem lhe via a cor branca da face, mas aguentou estoicamente... Fui falar ao "comandante" mas pouco, e ninguém conseguía pôr a nau Catrineta a funcionar...
Não sei o que se passou... De repente ouço os motores trabalhando e os "mecânicos" rindo, cantando e dançando.
A minha/nossa aventura do Bor...
Naquela terra, da qual tenho saudades e por vezes sobrevoo no Google Earth, verificando o abandono dos edificios do Quartel do CIM em Bolama, fabricámos uma filha que ainda hoje mostra, orgulhosa, o B.I. onde se lê: natural de Guiné-Bissau! (...)
2. Comentãrio do editor LG:
Rui, foi uma viagem atribulada, essa no Bor, em fevereiro de 1965, acompanhando a tua mulher, grávida, de Bolama para Bissau. A escassos dias de nascer a vossa filha... Atribulada, por isso inesquecível... O motor parou entre bancos de areia, mas voltou a funcionar. Se tivesse ficado à deriva, sem rádio (!), seria uma tragédia!...
Quanto ao tempo de viagem, há uma referência posterior ao motor "Corubal", que fazia a ligação em cerca de duas horas. Mas isso não prova que a pachorremta Bor demorasse o mesmo, ajuda apenas a enquadrar a estimativa.
Rui, aceita uma pequena composição comemorativa, juntando a fotografia restaurada e colorizada do Bor (o original é do António Bastos), mais o mapa com o percurso Bolama–Bissau...
Achei que devia recuperar esta tua pequena história, de uma viagem atribulado no Bor, de Bolama a Bissau, a caminho da maternidade. Uma avaria, um grande susto e uma história para contar, mais de sessenta anos depois. Mas faz parte das nossas memórias da Guiné, de que tu (e muitos de nós) continuas a guardar saudades.
Acho que é uma bonita recordação para os dois, e para a tua filha que estava prestes a nascer!
Quanto ao desenho" do percurso, dá o devido desconto à IA, que não é boa em geografia... Perdi aqui duas horas, desde as 6h30 da manhã, a dizer-lhe, meia dúzia de vezes, que:
(i) estava a pôr sistematicamente a ilha das Cobras, no lugar da ilha das Galinhas (a noroeste da Bolama);(ii) de acordo com carta de Bolama (1952, escala 1:50 000), e a descvfrição do Rui, a "Bor" deve ter feito o seguinte trajeto: partiu de Bolama (em frente, São João, região de Quínara, no continente), seguiu pelo Canal do Porto, contornou a ponta a nordeste, onde fica a ilha das Cobras, aqui teve uma varia já no Canal do Furo, atravessou os baixios, alcançou o canal de Pedro Álvares e finalmente o Canal do Geba até Bissau;
(iii) Bissau ficava na margem direita (Norte) do estuário do Geba...



















































