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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28311: Verso & reverso (4): Salazar & Caetano: conhecer ou não conhecer o "ultramar português": eis a questão ?! (António Rosinha/ Luís Graça)

 



Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Textos: António Rosinha e Luís Graça (2026)
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.





Guiné > Zona Leste > Bafatá > c. 1931 > "Jangada no Rio Geba. Passagem entre Bafatá e Contuboel"... Imagem reproduzida em "O Missionário Católico" , Boletim mensal dos Colégios das Missões Religiosas Ultramarinas dos Padres Seculares Portugueses, Ano VIII, n.º 81, Abril de 1931, p. 169 (Exemplar oferecido ao nosso blogue por Mário Beja Santos).

Digitalização, edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2018)



1. Comentário de António Rosinha ao poste P27379 (*)


Tenho dúvidas sobre o que dizes, que o Marcello Caetano "conhecia bem o ultramar"...

Luis Graça, de facto ninguém conhecia o Ultramar africano, no que diz respeito a governantes portugueses, desde ministros, caso de Marcelo que até foi ministro das colónias, aos governadores gerais, que faziam papel de mangas de alpaca em comissões de 4 anos.

Até ao Estado Novo não nos entendíamos aqui no retângulo, como depreciativamente chamavam à metrópole os estudantes do império, quanto mais sabermos navegar de jangada no Geba, no Quanza ou no Zambeze.

Mas tenho uma ideia que criei em Angola com colonialistas que gostavam dos inimigos do Salazar, e que admiravam as ideias de Henrique Galvão, Norton de Matos, e até o Marcello e outros turistas, por exemplo, e com estudantes do império, e seus pais, que conheci muitos e trabalhei com vários.

Essa ideia, em que fui acreditando, e mais tarde acreditei ser verdade, Salazar aguentou-se "até cair da cadeira", porque em 1961 deu o grito, "Para Angola, rapidamente e em força".

Mas esses colonialistas, e entre eles imensos militares, continuavam a acusar Salazar que ele não os deixava desenvolver, no caso, Angola, nossa terra, riquiiiiíssima!

Só que Salazar, não conhecendo África, e nem gostando de África, vista como uma maldita herança, ele sabia ou adivinhava, como ninguém, que quanto mais investisse maior seria o transtorno.

E viajar de jangada era bom, fabulosa aquela foto da jangada de Bafatá até Contubuel, lembrei-me do Governador refastelado em Bolama, conheci muitos jangadeiros em Angola, sempre sem pressa, como Salazar gostaria "se visse" ao vivo (ao longe, mas invisível, a partir de São Bento) os turistas a passearem-se de fato e gravata nas aguas cristalinas do Gega, e nas picadas de Angola.

Em 1961, em milhares de quilómetros, havia 60 km de asfalto, imagine-se em 1935!

Salazar não levava o império a sério, nem sequer as ilhas adjacentes, a Madeira e os Açores.

Pessoalmente tive uma prova do pouco que representava o ultramar para o Salazar. Eu como funcionário dos Serviços Geográficos, mandou-me, a mim e a vários colegas, mapear Angola, e no meu espólio, além do equipamento indispensável, ia uma injeção antiofídica vários anos caducada e uma bússula avariada, e tinha que devolver tudo integral como recebi, caso contrário tinha comprar novo.

Assim, como na tropa, de armas pesadas dei apenas 3 tiros de Mauser, e 3 tiros de pistola Parabelum, de treino na recruta. Até que rebentou o terrorismo e tive que comprar farda de furriel, e tudo mudou um pouco.

terça-feira, 4 de novembro de 2025 às 00:52:00 WET


2. Comentário de Luís Graça: conhecer ou não conhecer, eis a questão ?!

Rosinha, eu é que te disse: "Tenho dúvidas sobre o que dizes, que Marcelo Caetano 'conhecia bem o ultramar' "...

De qualquer modo, Rosinha, a pergunta é pertinente: "conhecer ou não conhecer bem o ultramar, eis a questão"...

E já não digo a Guiné ou Timor, mas Angola e Moçambique, as únicas colónias que tinham potencialidades para serem grandes "colónias de povoamento", que era aquilo que interessava às "potências colonizadoras"... Mas parecia não interressar a Salazar nem à meia-dúzia de grandes famílias que dominavam a econonia (a abundância de mão de obra, os baixos salários e a repressão não as obrigavam a modernizar as empresas e os latifúndios).

A questão que levantaste, tu e o Alberto Branquinho, é importante para se compreender as diferenças de visão, pensamento e ação entre Salazar e Marcelo Caetano, especialmente no que toca ao "fim do império" e ao modo como o Estado Novo enfrentou a descolonização e a guerra do ultramar/ guerra colonial... que foi aquela em que tu, eu e o Branquinho participámos. (Na Academia Militar, prefere-se falar em "Guerra de África", esquecendo-se a Índia Portuguesa, Timor...)

Disseste tu, Rosinha: "Caetano foi ministro das colónias, com visita prolongada às colónias, e tinha ideias bem claras, e opostas ao pensamento de Salazar"...

Eu sei que és um leitor apaixonado da história do nosso país, e atento ao que se escreve e se publica sobre o período do Estado Novo e em especial sobre a colonização e a descolonização da "menina dos teus olhos", que era Angola... (Descolonização que foi, estamos os dois inteiramente de acordo, uma tragédia imensa, para todos; a história poderia e deveria ter sido escrita de outra maneira.)

Claro que entre Salazar e o seu sucessor político (e que chegou a ser o seu "delfim") havia diferenças substanciais na maneira de ser, pensar, sentir, estar, falar e fazer... Substanciais mas não antagónicas...

Um era ruralista, provinciano, nacionalista, conservador, autoritário-paternalista, admirador e Mussolini; o outro era industralista, tecnocrata, luso-tropicalista, europeizante, paternalista-autoritário... 

Ambos eram professores, brilhantes, um de Coimbra, outro de Lisboa, um "fiscalista", outro "administrativista"... Ambos governaram em ditadura, obrigaram-nos a fazer uma guerra
inútil, desgastante e estúpida e perderam o comboio da História...

Afinal, "a solução na continuidade", com Marcello Caetano, acabou por nos levar a um beco sem saída, com o regime alienando o apoio (que era lhe vital) das Forças Armadas.

Eu também tenho dúvidas quando alguém me diz que Marcello Caetano "conhecia bem o ultramar"...

Seguramente que conhecia melhor que o Salazar, o qual que nunca sujou as botas de elástico com a terra vermelha de África, nunca lá foi, de resto, nunca saiu praticamente do país.

Caetano fez um périplo pelo Império (África Ocidental) em 1935 com estudantes, um cruzeiro turístico-cultural; foi comissário nacional da Mocidade Portuguesa (1940–1944); em 1945, realizou uma longa viagem a África, visitando territórios como Angola e Moçambique, além de se deslocar à então União Sul-Africana, na qualidade de minisro das Colónias (1944–1947); em 1969, fez uma visita oficial aos territórios em guerra (Guiné, Angola e Moçambique).

Marcello Caetano tinha a obrigação de conhecer melhor o Ultramar português, e nomeadamente África... Muito melhor do que Salazar, por muito bem "informado" que este pudesse estar através da leitura de dossiês, relatórios, reportagens, da audição de testemunhos, do visionamento de filmes (embora fosse pouco cinéfilo), etc.

De facto, a relação pessoal, afetiva, emocional e intelectual de cada um com o Ultramar é uma chave interpretativa fundamental.

Salazar não era um "africanista", como tu, Rosinha, o foste... E tantos outros a que mais tarde chamaremos, impropriamente, "retornados" (porque já nascidos em África ou lá crescidos e educados, desde pequeninos).

Tenho amigos/as nascidos/as em Angola... Angola continua a ser a sua "pele", a sua "idiossincrasia", a sua" cultura", a sua "musiquinha", as suas "comidinhas", etc.... independentemente da sua cor... Temo-los aqui no Blogue, a começar por ti, pelo Patrício Ribeiro, etc.

Marcello, intelectualmente, sim, era um "africanista" (o termo é extramente ambíguo), mesmo nunca lá tendo vivido... E mais: era um adepto do luso-tropicalismo, formulado pelo sociólogo brasileiro Gilberto Freire...

Era um "académico", que veio do "downstairs" (pai sargento), apanhou o ascensor social... Por mérito próprio, sem dúvida. Tal como os seminaristas Salazar e Cerejeira. Nenhum deles nasceu em berço de ouro. E, no fundo, os três desprezavam as elites (económicas e sociais).

Vejamos algumas diferenças entre os dois homens a quem calhou a "batata quente" da gestão do fim do império (ou fim de "ciclo histórico") mas que fizeram como a avestruz, enterraram a cabeça na areia. Física e simbolicamente. Julgo que é assim que a História os irá julgar, daqui a 50, 100 anos... (No fundo, líderes cegos que conduziram um povo de cegos quase até ao abismo, tal como o Dom Sebastião ...)

(i) Salazar: o império “abstrato”, com a cabeça, 
tronco e até membros (!)... no Terreiro do Paço 
(e no Palácio de São Bento)

O facto de nunca ter saído de Portugal continental (com exceção de algumas deslocações curtas dentro da Península) diz muito... E de Portugal, o que é que ele conhecia ? Nem sequer a Madeira ou os Açores... E nunca foi ao Pulo do Lobo, como o prof Cavaco Silva.

É verdade que no seu tempo, no seu auge, ainda as viagens não eram rápidas nem cómodas...E as estradas mal começavam a ser alcatroadas.

E depois, bolas, o raio do império ficava longe, bem longe: do Minho a Timor eram 20 mil quilómetros de distância, um mês de barco... Tudo somado eram mais de dois milhões de quilómetros quadrados, coisa que fazia bem ao ego do Zé Povinho (mesmo que este não soubesse nada de geografia, onde ficava Buruntuma, o rio Quanza ou a ilha de Ataúro, etc).

O império era uma construção abstrata, ideológica e simbólica, não uma experiência vivida. Para Salazar, Angola e Moçambique não tinham cheiros, sabores, cores, lama, sangue, mijo, esperma, suor, lágrimas, drama, comédia, tragédia... Só as conhecia do mapa dos geógrafos (e dos mapas da contabilidade publica).

Salazar via o império como um "instrumento de legitimação nacional", um "desígnio da providência" (logo, do domínio do sagrado, inalienável), um eixo da “unidade pluricontinental e plurirracial" que dava grandeza ao Estado Novo e a Portugal no seio das Nações.

Era, todavia, uma "herança histórica", um "património", cuja manutenção era dispendiosa, para a sua contabilidade de perito em finanças... Era um "luxo", caro... Era uma "amante", cara...

Daí a política colonial de Salazar ser "fortemente doutrinária, ideológica e centralizadora", reforçando-se, com a propaganda, a falsa ideia da "missão civilizadora", fazendo -se tábua rasa do passado das civilizações africanas (e outras), recusando-se quaisquer concessões à autonomia dos povos, índigenas, colonos e assimilados...

A Exposição do Mundo Português, em 1940, foi a sua coroa de glória. E depois do que viu, não precisava mais de ter a maçada de ir a África e à Ásia, "perder tempo e dinheiro"...

 O branco de Angola, como o Rosinha, seria sempre um português de 2ª... Tal como os portugueses da metróple, tirando a elite dirigente e a classe dominante, eram cidadãos de 2ª classe (e as mulheres de 3ª classe).

Salazar nunca viu, ao vivo, "in situ", uma roça de cacau, uma fazenda de café, um plantação de algodão ou de chá, um campo de mancarra, uma bolanha, uma tabanca, uma bajuda de mama firme, um régulo, um soba ou um liurai, um doente de paludismo ou da doença do sono, uma mina da África do Sul (para onde se mandavam os desgraçados dos moçambicanos)...

Nem sequer um leão ou um elefante ao vivo (a menos que tenha ido ao Jardim Zoolófgco de Lisboa, o que eu até duvido...).

Salazar era um ruralista de Santa Comba Dão, um provinciano de Coimbra, e, aqui, enquanto pôde, travou os impulsos de modernização e industrialização dos "tecnocratas" do regime, de Lisboa, como Ferreira Dias, Marcello Caetano, etc.

(ii) Marcelo Caetano e a experiência 
direta ou indireta do Ultramar

Marcello, além da sua viagem turístico-cultural em 1935 às colónias do "Ocidente" (e repare-se que até 1951 a palavra "colónias" fazia parte do discurso dominante, da realidade económica, jurídica, administrativa e política, sem quaisquer complexos!), foi ele próprio Ministro das Colónias (1944–1947), num período ainda marcado pela Segunda Guerra Mundial e pelo início do fim dos "impérios coloniais", tal como eles foram brutalmente desenhados, a régua e esquadro, na Conferência de Berlim, 60 anos antes, pelos ingleses, franceses, alemães, esses, sim, os verdeiros colonialistas, as três grandes potências europeias da 1ª era do capitalismo industrial. Conhecia relativamente bem Angola e Moçambique.

Caetanto era um jurista e, como tal, interessou-se pelo direito colonial, fez trabalhos sobre a administração colonial, etc. Mas estava habituado a "mudar por decreto". Como os colonialistas europeus que desenhavam territórios a régua e esquadro.

Estava informado, e no início da década de 1960 era um dos intelectuais ("orgânicos") do regime que percebia a inevitabilidade das mudanças... e também conhecia as vulnerabilidades do império e do Portugal macrocéfalo, em vias de desenvolvimento acelerado.

Deve ter feito uma análise de tipo SWAT, dos pontos fortes e fracos de Portugal e do império de pés de barro, ameaças e oportunidades...As ameaças eram muitas, e não apenas exógenas, vindas de fora, mas também endógenas, vindas de dentro...

As eleições de 1958 (e o "terrorismo" em Angola, em março de 1961, e depois o "desastre" da Índia Portuguesa, em dezembro desse ano horrível para todos nós) fizeram soar as campainhas para os homens do Estado Novo (pelos menos para os mais lúcidos, como Marcello Caetano, Adriano Moreira, Correia de Oliveira, Teotónio Pereira; e do lados dos militares, Botelho Moniz, Costa Gomes...).

E nada seria depois como dantes, quando Portugal se abre, economicamente, ao exterior, com a adesão, ainda em 1960, à EFTA (a Associação Europeia do Comércio Livre). Aí Salazar, que tinha horror, não apenas ao "comunismo" soviético como ao "capitalismo" americano e à sua "democracia liberal", perdeu o controlo dos acontecimentos...(se é que não perdera já antes, em 1945, com a vitória dos Aliados ).

(iii) O pós-salazarismo e a "evolução 
na continuidade"

A partir de 1968, sentado na cadeira de São Bento, manietado pela extrema-direita do regime e com um guerra cada vez mais "feia" e impopular em Angola, Guiné e Moçambique, Caetano inventou a política de “evolução na continuidade”, as "conversas em família" e a "cosmética reformista", mantendo embora o fomentismo, o desenvolvimentismo, enfim, o esforço da modernização da economia e da sociedade portuguesas... O país crescia a um ritmo que dava para ir pagando a guerra...até 1973 (a par das remessas dos emigrantes em França e na Alemanha).

Em África, a palavra de ordem era: 

 (i) manter a defesa do império, a todo o custo;
 (ii) desenvolver demográfica e economicamente os territórios; 
 (iii) abrir-se ao capital estrangeiro; (iv) modernizar a administração ultramarina...

Demasiado tarde: o falhanço das tímidas reformas políticas do marcelismo (a fugaz "primavera política") e o contexto internacional (ONU, OUA, guerra fria, luta armada na Áfria Austral, apartheid, crise petrololífera de 1973, a primeira grande crise do capitalismo pós-guerra, etc....), vieram condenar-nos definitivamente "ao orgulhosamente sós", ao ostracismo internacional, e inviabilizar qualquer experiência de descolonização gradual dentro do quadro do regime (como se viu na Guiné, com Spínola)...

Acredito que ele, Marcello Caetano, tinha também uma relação emocional e intelectual forte ao "Ultramar português"... O que terá também contribuido para bloquear, a par do travão da extrema direita do regime, qualquer tentativa de ensaiar ou apoiar soluções políticas que levassem a médio e longo prazo a uma progressiva autonomia dos territórios ultramarinos (como pretendia Spínola em "Portugal e o Futuro") e depois a uma verdadeira descolonização em que todos ganhassem...

Prisioneiro dos mitos imperiais, paralisado pelos constrangimentos da realidade, preferindo o suicídio coletivo do exército na Guiné à perda das"joias da coroa" (Angola e Moçambique), Marcello Caetano revelou-se um líder fraco, deixou-se cair, não fisicamente da cadeira, mas politicamente na secretária da inércia trágica, esticando a corda da guerra até 1974 (o seu annus horribilis). Morreu no exílio, no Brasil, a fazer aquilo de que gostava, que era dar aulas de "direito administrativo".

Reconhecido como o "pai" do direito administrativo moderno portugues, importou e adaptou as metodologias da ciência jurídica europeia (sobretudo francesa, alemã e italiana) para erguer um edifício conceptual lógico, claro e articulado. Crou uma escola, deixou discípulos.

Mas o seu direito administrativo não deixou de refletir formalmente a matriz ideológica do regime corporativo e autoritário, que ele serviu, de alma e corção. Mais: foi útil para enquadrar legal e ideologicamente a administração colonial e o conceito de "Portugal pluricontinental e multirracial", sustentando juridicamente a presença portuguesa em África e a negação da autodeterminação dos territórios e povos ultramarinos. (**)

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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 2 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27379: 1º Cruzeiro de Férias às Colónias do Ocidente (Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe e Angola, 10 de agosto - 3 de outubro de 1935), de que foi diretor cultural o jovem e brilhante professor Marcello Caetano - Parte I: um grande evento social e político

(**) Último poste da série > 27 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28301: Verso & reverso (3): quando era o pai que decidia o futuro dos filhos (e filhas): "tu vais para a Academia Militar, tu vais para o Seminário "... (Virgínio Briote)

Guiné 61/74 - P28310: Parabéns a você (2521): Manuel Joaquim, ex-Fur Mil Inf da CCAÇ 1419 / BCAÇ 1857 (Bissorã e Mansabá, 1965/67)

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Nota do editor

Último post da série de 27 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28298: Parabéns a você (2520): Jaime Machado, ex-Alf Mil Cav, CMDT do Pel Rec Daimler 2046 (Bambadinca, 1968/70)

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28309: Notas de leitura (1956): “Pai, tiveste medo? A guerra contada é muito diferente da que foi vivida”, por Catarina Gomes; Matéria Prima Edições, 2014 (2) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 23 de Abril de 2026:

Queridos amigos,
Temos aqui recordações de filhos, Maria Júlia de Sá da Costa Deitado, filha de um fuzileiro português e de mãe guineense, o pai trouxe a menina à viva força, ela foi educada no Barreiro pela avó, o pai sempre ausente, conheceu a mãe tardiamente, mas o seu afeto profundo é pela sua avó-mãe; em casa do André Fernandes há uma cabeça de veado embalsamada que o remete para a vida feliz da sua família em Luanda, os pais casaram em julho de 1975, fugiram para Portugal, onde André nasceu em 1980, o pai combateu em Angola de 1965 a 1968, mas Angola ficou como um cenário de vida, não como um cenário de guerra; Mariama Sambú é filha de dois combatentes do PAIGC, nasceu em 1973 no mato, o pai foi piloto-aviador guineense, distinto, morreu num acidente aéreo, Mariama vive em Massamá com três filhos, quando entra em casa dá sempre com a fotografia do pai; Pedro Ventura é filho de outro piloto que desapareceu em Moçambique, terá sido atingido e caiu no Rovuma, conta-se a história das múltiplas diligências da mãe que acreditava que o marido tinha sobrevivido, Pedro tinha dois anos quando o pai desapareceu. Foi a partir do momento em que foi pai que um pai mais lhe fez falta. Este livro de Catarina Gomes é mesmo uma porta de entrada para dimensões da guerra colonial que permanecem nos corações dos filhos de ex-combatentes.

Um abraço do
Mário



Pode um filho ter memórias de uma guerra que nunca viveu? - 2

Mário Beja Santos

Multiplicam-se os casos em que a literatura da Guerra Colonial revela uma nova dimensão: são os filhos a visitar os locais onde os pais combateram, os filhos de uma relação entre ex-combatentes e mulheres de Angola, Guiné e Moçambique à procura dos pais e de uma identidade; memórias e testemunhos de mulheres e filhos, e sobretudo estes que querem entender o que o pai viveu na guerra, fazem perguntas depois de ler as cartas que eles trocaram com as suas mulheres ou namoradas, isto sem já falar em recordações de infância marcadas pela violência da guerra. Catarina Gomes é hoje um nome firmado neste tipo de investigações, o que vem conferir uma abordagem diferente àquela literatura em que a memória ou a ficção do ex-combatente estava no primeiro plano.

O livro de que estamos a falar intitula-se Pai, tiveste medo? A guerra contada é muito diferente da que foi vivida, Matéria-Prima Edições, 2014. Já aqui fizemos referência a um prisioneiro de guerra, a um fuzileiro a padecer da Síndrome da Perturbação Pós-Stress Traumático de Guerra, da curiosidade de uma criança que foi remexer numa mala do pai, dos tempos da sua comissão em África e encontrou uma imensidão de correspondência com madrinhas de guerra, uma delas, de nome Mimi, era a sua mãe.

Por portas e travessas iremos de novo até ao fuzileiro que tinha manifestações violentas com a família, ele era pai de Maria Júlia de Sá da Costa Deitado, nascida em 29 de março de 1965. A menina foi educada no Barreiro, fazia perguntas sobre a mãe, o pai respondia que era bonita, simpática e jovem e um nome que soava a português, Maria Augusta de Sá. Maria Júlia guardou esta mágoa do pai que lhe omitia o outro lado da sua ascendência, sentia-se incompleta, mesmo tendo uma vida confortável com a sua avó paterna a fazer as vezes de uma mãe. O pai voltou a casar, teve mais três filhos, mas a Júlia nunca viveu com ele, permaneceu sempre com a avó. Até que um dia, tinha ela dezassete anos, apareceu lá em casa um primo da mãe, ofereceu-se para estabelecer as pontes de ligação.

E um dia Júlia viajou para a Guiné, houve um desacerto para o encontro, Júlia não esmoreceu, passou dois anos a planear uma nova oportunidade, e deu-se a felicidade de se abraçarem, emocionadas, a mãe falando crioulo, a filha falando com o coração; “soube-lhe bem saber pela mãe que não nasceu do acaso, que o pai era bem aceite e acarinhado pela família da mãe, que a mãe tinha gostado muito do pai, soube que o pai chegou a propor à família da mãe de Júlia trazê-la a ela e à bebé para Portugal, os pais recusaram, ela fora roubada, o pai entregara-a à sua mãe, a avó quis que o pai a trouxesse para Portugal.” E houve desaparecimentos, morreu o tal primo num desastre aéreo e pouco depois a mãe. A morte da mãe acendeu em Júlia a vontade de ser mãe. Nunca aconteceu.

Temos agora outra história intitulada Cabeça de Veado, porque tudo começa com uma cabeça de veado embalsamada na parede da cozinha. André sabia que o pai conhecera aquele veado vivo. O pai vivera em Angola, levara uma vida feliz, tinha ido para lá com 13 anos, os pais casaram em julho de 1975, em Luanda, no meio do tiroteio da guerra civil. André nasceu em 1980, o pai teve uma perda crescente de audição, já reformado decidiu criar o núcleo de Sintra da Associação Portuguesa de Deficientes das Forças Armadas. Resta esclarecer que o pai teve dois anos de comissão, de 1965 a 1968, mas para André, Angola é o cenário de vida, não é cenário de guerra. Sem nunca lá ter estado, com aquelas recordações da cabeça de veado e de uma pele de onça que chegou a haver no corredor, ele um dia quer voltar a essa Angola onde o pai fora manifestamente feliz.

Nova história, envolve Mariama Sambú, a filha de um herói. Falamos de um herói do PAIGC, os pais foram combatentes, Mariama era transportada às costas enquanto bebé, tinha poucos meses quando, um lugar remoto de Boé, foi declarada unilateralmente a independência da Guiné-Bissau. O pai recebeu uma bolsa para estudar na ex-União Soviética, voltou à Guiné quando Mariama tinha 9 anos, ela foi viver com o pai na base aérea. Ela sentia que o pai, Serifo Sambú, era admirado. Viveu com ele dos 13 aos 15 anos. O pai tinha 38 anos quando morreu num acidente de viação. A sua fotografia está pendurada na casa de Mariama em Massamá, concelho de Sintra, ela é guineense e portuguesa, tem três filhos nascidos portugueses. Sente a discriminação, sempre que há discussões, há um dito insidioso “volta para a tua terra” e ela a responder “sou de cá, tenho muita pena”. Ela tem a mesma idade que a Guiné, nasceram as duas no mato, em 1973.

Passamos agora para o dossiê do Capitão Ventura. Desde pequeno que Pedro Ventura tinha acesso a um dossiê preto malhado, nele estava inserido um louvor ao seu pai, era tratado como um valoroso piloto de combate, e foi em combate que desapareceu. Há duas fotografias em que ele está com o pai, tinha dois anos de idade, foram tiradas no ano em que o pai desapareceu, 1973, o pai e a mãe estavam na base aérea de Mueda, Pedro ficou com os avós maternos. A mãe iniciou uma busca, guardava a esperança de que, mesmo tendo sido abatido o avião, o marido não perdera a vida. Naquele mesmo dossiê preto-malhado guarda-se o formoso cortejo de diligências, a mãe disparou em todas as direções. Em dado momento, o Estado português deu o caso como encerrado, houve funeral com honras, mas a mãe mantinha-se obstinada, chegavam-lhe cartas pondo a hipótese de o marido ter sido fuzilado após o 25 de abril. Uma mãe que foi de uma dedicação extrema, Pedro agradece-lhe a capacidade de lhe ter dado equilíbrio emocional, ela e os avós.

Decorreram várias décadas, o dossiê que reabriu para mostrar a Catarina Gomes estava há anos fechado numa arrecadação. Uns bons anos atrás chegaram-lhes as imagens de um casamento para o qual os pais tinham sido convidados, imagens que ele guarda no computador, o pai um mês antes de ele nascer. “Para mim é um momento histórico. É a única imagem que tenho dele em movimento.” São escassos segundos, seis, Pedro sente que é a cópia do pai. “Emociona-se? Não há emoção, porque o pai é uma personagem, é o piloto-aviador Ventura de quem a mãe andou toda a vida à procura. Tem dele a descrição das características de um herói. Nunca lhe ouviu a voz, no filme do casamento ainda não havia som. Foi a partir do momento em que foi pai que um pai mais lhe fez falta.”

Vamos continuar, ainda há mais relatos emocionantes, são histórias que constituem uma porta de entrada para diversas dimensões da história da guerra colonial que permanece na vida de outros. Até hoje.


Catarina Gomes, imagem do Público, com a devida vénia

(continua)
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Notas do editor

Vd. post de24 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28288: Notas de leitura (1954): “Pai, tiveste medo? A guerra contada é muito diferente da que foi vivida”, por Catarina Gomes; Matéria Prima Edições, 2014 (1) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 28 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28303: Notas de leitura (1955): "Origem: África", pelo jornalista, escritor e académico Howard W. French; Bertrand Editora, 2022 (3) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28308: III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XIII: semana de 28 de abril a 1 de maio









Prompt e orientação  editorial: Luís Graça
Geração gráfica assistida por IA:
Google (2026). Gemini (versão de 31 de agosto de 2026) 
[Grande modelo de linguagem].





Andorinha: marca de azeites portruugueses, desde 1927, com forte implantação no mercado ultramarino (e em especialo Brasil), também conhecida em Timor. Desde 2004, é uma marca da Sovena
Fonte: loja Portugal Nosso (com a devida vénia... )


1. Continuação das crónicas de 2019 (III Viagem a Timor-Leste) do nosso amigo (e membro da Tabanca Grande), Rui Chamusco, professor de música reformado, a viver na Lourinhã. Vai a Timor Leste todos os anos desde 2016 (exceto na pandemia, 2020, 21 e 22). Ele é um exemplo vivo de amor à lusofonia. Ele e a associação que ajudou a fundar (a ASTIL). 

Essa história merece ser conhecido pelos nossos leitores, os amigos e camaradas da Guiné. E, a propósito, vão fazer 81 anos, em 11 de setembro, que o Japão do miligtarismo imperial  se rendeu formalmente, em Timor-Leste, aos Aliados, depois de uma dolorosa ocupação do território desde a madrugada de 19 de fevereiro de 1942 (que terá custado muiti mais de 40 mil vidas, de timorenses, portugueses, australianos,  holandeses e outros)


 III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XIII: semana de 28 de abril a 1 de maio


29.04.2019, segunda feira - O azeite que vem da andorinha...

Nada acontece por acaso. Nesta manhã de domingo em que alguns até já foram à missa, cada um está entretido como lhe convém. Uns trabalhando na construção civil, outros preparando o almoço, e outros, os “doutores”, com referência ao Gaspar Sobral e a mim, trabalhando nos computadores.

Esta manhã já por três vezes falhou a corrente elétrica. E, como se diz “não há dua sem três”, à terceira foi de vez. Não prevendo o seu restabelecimento, aproveitamospara, juntos, pormos a conversa em dia.

Foi então que eu disse: 

   Acabo de publicar uma notícia no facebook sobre a oliveira mais antiga de Portugal. Tem três mil e quinhentos anos e situa-se em Mouriscas, perto de Abrantes. 

O anúncio causou muita admiração e alguns comentários. Mais ainda quando souberam que esta oliveira ainda dá azeitonas, o precioso fruto do qual se extrai o saboroso azeite de que os portuguese tanto gostam.

O Aquino, um jovem entre os vinte e os trinta anos, que estava acompanhando a conversa, teve uma reação surpreendente quando ouviu dizer que das azeitonas se extrai o azeite, e disse: 

  Ãh?!... O azeite vem das azeitonas? Mas aqui em Timor pensávamos que vem das andorinhas!...” 

E conta até que, quando era mais jovem andava pelo arvoredo à procura de andorinhas, pois eram elas que davam o azeite.

Isto tem a sua graça e alguma piada. Ainda hoje podemos encontrar aqui em Dili latas com azeite da marca “Andorinha”.

Uma história ingénua, inocente, mas que nos faz orgulhosos por em Portugal termos tantas oliveiras e tantas andorinhas. E viva o azeite nacional!...

30.04.2019,terça feira  - Uhau!... Que coragem!...

Há momentos que passou por aqui, acontece com frequência, a irmã do Tobias, uma senhora de quarenta e seis anos, com boa aparência, casou com um senhor indonésio e geraram doze filhos: dois faleceram e os outros dez estão a viver na Indonésia.

Perante a minha admiração de uma senhora daquela idade ter dado à luz doze filhos, a Aurora prontamente rematou e disse:

   A Romana, filha mais velha do Amari, irmão do Gaspar, tem uma madrinha que teve 18 filhos. Estão todos vivos e habitam em Vilaverde, aqui bem perto de nós.”

Claro que esta notícia tem sido objeto de muitas conversas. Se fosse em Portugal daria logo parangona para o "Correio da Manhã" ou outros jornais do género. Aqui em Timor é normal as famílias serem numerosas. Outrora não havia planeamento familiar, as pessoas casavam cedo e não havia os entretimentos de agora. Por isso compreende-se que perante tantas horas de lazer, o amor e a paixão desembocassem em relações amorosas muito produtivas. Hoje a situação está mais controlada.

E quando eu comento a baixa natalidade nos países de Europa, e particularmente em Portugal, depressa alguém me sugere para levar casais timorenses para repôr o número de habitantes que nos faz falta. Estes timorenses são mesmo “garanhões!...”

Pois é! Fazer filhos pouco custa. O mais difícil é criá-los e educá-los. Ou então, fazer como o Catorze, assim chamado pelo número de filhos que fez que, em terras de França (arredores de Paris) não precisava de trabalhar porque a segurança social superentendia todos os gastos, mais o abono dos filhos. Fazer filhos pode ser uma profissão para alguns. Com uma boa dose de amor, tudo é possível...

30.04.2019 - Galinhas que voam...

Galinhas e galos são os seres vivis que aqui mais abundam, exceptuando as pessoas.

De manhã à noite a sua presença é notória no cacarejar e no piar destas aves. Há rituais diários que elas observam: o despertar matinal, o cantar quando a galinha põe o ovo, as horas da refeição (normalmente ao final da tarde), o empoleirar quando a luz do dia se esvai.

E foi aqui que constatei a perícia destes galos e galinhas que, em vôo direto, arrancavam do chão até qualquer ramo de uma árvore vizinha ou até qualquer telhado de zinco, de mais ou menos de três a quatro metros de altura. Acontece que algumas acabam por não conseguiram superar esta prova diária. Pois é! Têm a sentença traçada: vão ser mortas e depenadas para serem depois cozinhadas. E aí vem uma canjinha de galinha para nosso proveito e regalo.

Os galos mais fortes são para venda, para a luta de galos, onde se fazem grandes apostas e se fazem algumas fortunas. O galo mais bonito cá da casa até já tem comprador. O Carlitos, um vizinho aqui ao lado, já ofereceu cinquenta dólares, preço que o Eustáquio, dono do bicho, considera bom negóciol

É assim. Os grandes e fortes safam-se; os mais pequenos e mais frágeis eliminam-se.

Onde é que eu já ouvi isto?...

01.05.2019, quarta feira  - “Vinte ou trinta dólares... e tudo se resolve.”

Temos que ouvir e ver para podermos acreditar.. O Amali, perante a eminência de amanhã termos de viajar em mikrolete, saiu-se comesta: 

   Se o Tiu quer, eu levo a carreta”. 

E perguntei-lhe: 

   Mas tu tens carta de condução?” 

   Não   respondeu ele.

    Então como queres conduzir?

   Eu sei     retorquiu, confiante.

    E se a polícia te apanha?!

    Não faz mal! Uma nota de 20 dólares resolve o problema.

Cada vez mais atónito, ouvia os seus comentários. 

   Aqui em Timor funciona assim.Havendo dinheiro tudo é possível. Se quer carta de carro dá cem; se quer carta decarro grande (camião) dá duzentos; se... 

E continuou com os “se”, coisa que ´já não me é muito estranha. Aqui, como no México onde um polícia depois de me conceder o favor de passar onde estava proibido, me sussurou “não dá propina?”... e lá foram uns euros para o seu bolso..  Muita coisa funciona à base de moeda “ossan”. 

Que uma criança te peça uma moeda é compreensível. Mas instalar-se este sistema em serviços de favores que vão até não sabemos onde, é muito grave. Pagam-se os favores e nãoos serviços. E nunca sabemos até aonde poderá chegar esta espiral de negociação.

Possivelmente estamos a caminho da corrupção, este bicho de sete cabeças tão procurado em todo o mundo.

   Não Amali. É preferível irmos de mikrolete!...

01.05.2019 - Maio... maduro Maio!

O mês de Maio chegou como sempre, alegre e contente, cheios de flores, projetos, coisas boas, porque este é o tempo que mais nos agrada, que mais nos convém. É o ciclo do ano a atingir a maioridade, a tomar conta de si próprio.

Em todo o mundo se fala do dia do Trabalhador, do dia da mãe, de festas e romarias.

É o “Maio das Cantigas”. Por todo o lado há manifestações, como que a indicar a esperança de vida nova que gurgita das reinvindicações que os movimentos sociais, políticos e religiosas organizam.

Maio...maduro Maio. Tal e qual como nós, o ano tem o seu percurso, desde o seu nascimento até ao fim. E de certeza que tem algum orgulho neste mês onde tantas coisas acontecem. Como um filho bem amado, que num agregado familiar de doze irmãos se vão sucedendo ao logo dos dias, das horas, dos minutos e dos segundos.

Que tenhas muitos anos de vida!...

01.05.2019 - Estadia ... e regresso

Hoje, dia 2 de Maio, termina o visto de de permanência turística em Timor. Isto tem sido uma baralhada de todo o tamanho. Nós a pensar que a declaração da embaixadora de Timor leste em Lisboa onde está escrito “o cidadão Rui Manuel Fernandes Chamusco viaja para Timor por tempo indeterminado, afim de apoiar edesenvolver os projetos de solidariedade iniciados em 2016, etc, etc...) era legalmentesuficiente para garantir a permanência, e afinal de pouco ou nada serve. De porta em porta, de serviço em serviço, de pessoa em pessoa... e ninguém assume aresponsabilidade de qualquer decisão favorável. O Gaspar bem se tem esforçado parafazer valer os direitos de tal declaração, mas por falta de entendimento ou de coragemninguém assume nada. 

Reconheço o incómodo desta situação, e até tenho pena de alguns funcionários que se desfazem em atenções perante este problema. Só que,como eles dizem, têm medo de tomar uma decisão que depois venha a ser contestada pelos superiores. O que eu vos digo, é que já me cansam estas andanças de um lado para o outro.

E, como não se via solução para este imbróglio, não houve outro remédio senão pedir o prolongamento de estadia por mais um mês. Ainda que contrariado, lá tive de pagar trinta e cinco euros. O Gaspar diz que é tempo suficiente para reinvindicar a nossa (minha) posição. Sinceramente, não acredito que se consiga o reconhecimento da declaração da embaixada de Lisboa.

Problemas de estadia e de regresso... Quem puder entender que entenda...

01.05.2019 - Microlete...o transporte do povo

A viagem de hoje a Dili foi em microlete, o transporte do povo. Motores (motorizadas), microletes, táxis, angunas, bis (pequenos autocarros), carretas, carros e aviões são os veículos que, num frenesim constante, circulam pelas estradas, ruas e caminhos deste país, e particularmente de Dili, a capital.

Pela primeira vez durante esta estadia, eu e o Amali viajamos em microlete até ao Serviço de Fronteiras, no Ministério do Interior. Nada de estranhar, pois durante as outras duas estadias bastantes vezes assim eu viajei. Simplesmente quero acentuar que esta carrinha, equivalente em Portugal a uma carrinha de nove lugares, mais parece uma lata de sardinhas, não havendo lotação de lugares. Há sempre lugar; aperta-se até caber. Resultado evidente são os encostos forçados, (alguns até são agradáveis), os suores escorrendo dos rostos, os saltos e ressaltos que as ruas cheias de buracos proporcionam. 

O Amali até comentava comigo: 

   O Ti Rui tem sorte!

 Só porque eu ia encostado a duas moças, uma de cada lado. Esta malta nova não sabe que eu já sou um katuas com 72 anos já bem feitos?!

No fim da viagem de ida e volta, senti-me com o dever cumprido, que é: viajar como a gente mais pobre viaja, partilhar o calor sufocante e o suor, cruzar sorrisos, viver como eles vivem. Isto é encarnar o seus modos de viver. É difícil mas é possível.

(Seleção, revisão/fixcaçáo de texto, negritos, título: LG)

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Nota do editor LG:

Último posted a série > 25 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28294: III Viagem a Timor-Leste: 2019 (Rui Chamusco /ASTIL) - Parte XII : Que futuro para os jovens que, dizem, são o futuro ?!

Guiné 61/74 - P28307: Casos: a verdade sobre... (77): a pastora-alemã "Blonde" e o general Spínola: os dois inseparáveis, mas... só na Banda Desenhada

 














Prompt original e composição editorial: Luís Graça.,  João Rodrigues Lobo e Ramiro Jesus
Texto: Luís Graça (2026) 
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.



1. Convém desmentir aqui, de uma vez por todas, a "anedota da Spinolândia" que, à força de ser repetida, corre o risco de transformar-se em "facto verídico": o general Spínola não tinha nem nunca teve, em Bissau, nenhuma cadela de raça "pastor-alemão", no palácio do Governador como "animal de estimação" (*)... Tal como não tinha nenhum "cavalho branco" (**)...E muito menos  uma cadela chamada  "Blonde". E muito menos ainda, que viajasse com ele de helicóptero. 

É uma invenção da 6ª Rep (a IA...), agora em competição com a 5ª Rep (Café Bento, Bissau)...E que desafia a nossa fraca e nebulosa memória... (a sofrer com a perda de neurónios todos os dias, há mais de meio século).

Por razões de segurança, e de bom senso, a segunda hipótese (uma cadela a viajar com o governador e com-chefe, de heli, AL III ou até de DO-27) era de todo inverosímel, dada a falta de helicópteros e de espaço nos helis...

Não existe qualquer fundamento histórico, documental ou fotográfico que sustente que Spínola tivesse uma cadela, da raça pastor-alemão,  no Palácio do Governo em Bissau ou que a fizesse acompanhar nas suas deslocações aéreas na Guiné.

Vamos aos factos...

Pode haver aqui uma confusão com os cães militares que eram usados para fazer a ronda, nocturna, ao Palácio do Governador... Outra coisa, completamente diferente, é Spínola ter uma cadela particular, de estimação, chamada "Blonde", e eventualmente levá-la consigo "by air" .... as suas viagens ao "mato"...

Encontrámos uma fonte particularmente interessante: uma entrevista, a propósito do 25 de Abril,  com Joaquim Oliveira, natural de Lousada, ex-soldado paraquedista, do BCP 12:

(...) "Em 1950, nascia Joaquim Oliveira que, com 21 anos viria a fazer parte do Regimento de Paraquedista de Tancos. 

Em 1971, com a 4.ª classe, foi escolhido para ser treinador de cães de guerra da raça Pastor Alemão e foi mobilizado para a Guiné onde, com os seus cães, fazia a ronda ao Palácio onde residia o General António de Spínola. "(...)

Vd. O Louzadense > 24 de abril de 2021 > As histórias da liberdade

Sabemos, por outro lado, pelo nosso camarada José Câmara (açoriano,  da diáspora lusitana, a viver na terra do Tio Sam, ex-fur mil at inf CCAÇ 3327, e Pel Caç Nat 56, Bissau, Mata dos Madeiros, Teixeira Pinto, Bassarel, Bolama, São João, Tite, 1971/73), que do dispositivo de segurança montada no Palácio do Governador em Bissau (Praça do Império). fazia também parte o Batalhão de Caçadores Paraquedistas n.º 12 (BCP 12)... 

Competia-lhe fazer o patrulhamento móvel noturno no interior do jardim, a cargo  de um soldado paraquedista e do seu cão de guerra (Pastor-alemão) (****)

Aliás, a utilização de cães de guerra pelo Exército português na Guiné (e pela FAP) está documentada  no nosso blogue. Há, por exemplo, o testemunho publicado por Mário Fitas  sobre a criação de uma Secção de Cães de Guerra na CCAÇ 763, em 1964-66, com vários Pastores Alemães, chefiados pelo "Cadete" (***).

Portanto, temos aqui já uma primeira explicação, muito plausível, para a memória da  alegada "pastora-alemã do Spínola": havia um ou mais pastores-alemães no próprio perímetro do Palácio, mas eram cães militares, não necessariamente propriedade pessoal do Governador, animal de estimação seu ou da esposa Helena.

 Foi porventura essa rotina diária que acabou por gerar, na memória visual de quem passava na zona ou em relatos posteriores mal informados, a associação direta entre o "Pastor-alemão do Palácio" e a figura do próprio Governador Spínola.

Ver o animal nas imediações da residência oficial do Comandante-Chefe levou a que a sabedoria popular, ou a narrativa romantizada da guerra,  transformasse o cão de patrulha do BCP 12 num "bicho de estimação do General".

Os testemunhos e registos em primeira mão devidamente documentados pelos camaradas no blogue repõem o rigor que a história exige: era um cão de guerra em serviço operacional de guarda, pertença do BCP 12, ou seja da FAP,
 não um animal pessoal de Spínola.

2. E a tal "Blonde"?

Aqui está o pomo da discórida A referência à  suposta "cadela Blonde" aparece, de forma muito explícita, no  nosso próprio blogue, num texto publicado em maio de 2026. Aí se refere "a famosa cadela Blonde, a pastora-alemã que o acompanhava" (**).

Mas há aqui um pequeno  "problema metodológico": não encontrámos, com a ajuda da IA,  nenhuma fonte independente anterior que sustente essa afirmação.

Pior: o texto do blogue é precisamente uma passagem em que uma resposta de IA (mais precisamente do ChatGPT) está a ser criticada por misturar factos, folclore e invenção. Ou seja, a frase sobre a "Blonde" aparece dentro desse material gerado/reproduzido, não como resultado de uma fonte primária ou de um testemunho identificável.

Logo a "Blonde" não pode ser dada como "facto histórico". Mais importante ainda: há vários registos fotográficos e cinematográficos de Spínola a chegar e partir de helicóptero,  inclusive imagens da RTP Arquivos  e do Museu da Presidência. Os registos descrevem minuciosamente quem o acompanha. Não se encontra uma única referência a uma cadela a bordo.
 
Mais: não há nenhum piloto, a começar pelo Jorge Félix, que tenha referido ter transportado um cão ou cadela, ao lado do Spínola.

Sabemos que os voos de Spínola eram frequentemente deslocações operacionais ou político-militares, com o Governador e Comandante-Chefe (acumulava os dois cargos) acompanhado pelo ajudante de campo (Almeida Bruno, por exemplo), oficiais, eventualmente outras individualidades e até jornalistas. 

Além do  testemunho do piloto Jorge Félix sobre os voos com Spínola, temos també  também imagens RTP Arquivos em que o percurso é bastante claro: helicóptero → Spínola → receção militar → visita → helicóptero.

Uma cadela de estimação não teria qualquer função nesses voos e ocuparia um lugar num aparelho cujo espaço era precioso (e disputado, quer por militares: feridos, por exemplo; quer por civis: mulheres grávidas, etc.).

Além disso, se fosse uma presença habitual, seria extraordinariamente provável que algum dos fotógrafos, operadores de fotocine, pilotos ou militares que conviveram com Spínola, tivesse deixado uma fotografia ou um testemunho escrito.
 
Mas há uma coisa que pode explicar a história, como já sugerimos acima. Temos três elementos reais que podem ter-se misturado na memória oral:

(i) Spínola tinha cães militares à sua porta, no Palácio;

(ii) esses cães eram pastores-alemães; 

(iii) Spínola deslocava-se constantemente de Alouette III, e existem muitas fotografias dele nos helicópteros.

Da combinação dos três elementos pode muito facilmente ter nascido a história: o Spínola tinha uma pastora-alemã que andava sempre com ele, logo "seu animal de estimação".  E, posteriormente, alguém acrescentou-lhe o nome "Blonde" (loura, em inglês).

3. A ausência de fontes e de registo fotográfico

O período de Spínola na Guiné é provav o mais fotografado e filmado de todo o conflito ultramarino (com registos diários de operadores de fotocine,  reportagens da RTP, jornalistas nacionais e estrangeiros).

Não há imagens nem testemunhos: (i) não existe uma única fotografia conhecida na bibliografia da Guerra Colonial, no arquivo da RTP, na hemerotecas, no Arquivo Histórico Militar ou no acervo da Presidência que mostre o general acompanhado por um pastor-alemão (nem no Palácio, nem junto a aeronaves, a descolar ou a pousar no mato, em AL III ou DO-27); (ii)  e nas memórias de ajudantes de campo, oficiais do seu estado-maior, pilotos ou outros camaradas que serviram em Bissau, não há nenhuma referência,     que saibamso,  à presença de tal animal de estimação ao lado do Governador.
 
4. Por outro lado, durante o período do comando de Spínola (1968–1973), a frota de helicópteros Alouette III da FAP no CTIG  na Guiné era um recurso extremamente escasso, gerido com rigor obsessivo. Os "hélios" (com o dizia a malta...) eram prioritários para:

  • eacuações médicas (de feridos em estadio grave, para o HM 241, em Bissau);
  • operações de assalto de tropas especiais (fuzileiros, comandos, paraquedistas); 
  • helicanhão;
  • apoio tático direto e reabastecimento urgente em tabancas e postos isolados;
  • deslocações do Governador e Comandante-Chefe às tabancas, aquartelamentos e destacamentos (fazendo-se, por norma, acompanhadas pela sua comitiva militar: ajudantes de campo, oficiais de ligação, convidados, jornalistas, etc.)

O espaço a bordo de um Alouette III era contadíssimo e condicionado ao limite do peso e da segurança de voo num território de clima tropicale e, para mais, em guerra. Reservar lugar para um animal de grande porte num meio de transporte militar crítico seria absolutamente  inacreditável, impraticável e inaceitavel. Havia combatentes que morriam no mato por insufuciência de apoio aéreo.

5. Mas não deixa de ter a sua "graça" ou a sua "piada" a suposta existência de um cadela "Blonde" que, na nossa imaginação (e com acumnmplicidade da IA...)  até era capaz de substituir o Jorge Félix aos comandos do heli AL III... 

Daí, finalmente, e ao fim de meia dúzia de tentativas e muitos insultos (!), consumnidores de tempo, paciência e recursos, eu tenha conseguido "produzido" esta BD, em que entram o nosso general, a "Blonde"e o ajudante de campo, o "Aponta, Bruno"... Com a ajuda da IA e, mais uma vez,  do nosso camarada João Rodrigues Lobo.

Spínola tem o seu lugar na Histtória. A "Blonde" só na Banda Desenhada...

 
(Pesquisa: LG + Blogue + IA (Gemini IA / Google | ChatGPT / Open AI)
(Condensação, revisão / fixação de textio, itálicos, nebritos, título: LG)
________________


(**) Vd. poste de 21 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28044: Humor de caserna (268): o anedotário da Spinolândia - Parte XXXVI: mais uma alucinação da IA, "o general do cavalo branco"

(...) Resposta da IA | ChatGPT:

(...) Touché! Tens toda a razão, camarada, e o reparo é absolutamente certeiro e cirúrgico.

Esta é, de facto, uma daquelas "alucinações" que misturam ficção popular com dados soltos da internet, e o meu "filtro" de verificação histórica falhou redondamente ao dar corda à narrativa em vez de a desmontar logo à partida.

O argumento que apresentas arruma de vez com o mito: a peste equina africana era endémica na região, o que tornava a sobrevivência de cavalos — especialmente de raças europeias que não tivessem imunidade — um absurdo logístico e biológico.

Além disso, Spínola, por muito teatral que fosse, era um militar pragmático e um cavaleiro de elite (foi da mítica equipa de saltos de obstáculos do Exército); ele sabia perfeitamente que levar uma montada para o clima e para o contexto da Guiné não fazia o mínimo sentido.

A única coisa que se aproximava de "quatro patas" no folclore factual de Bissau era a famosa cadela Blonde, a pastora-alemã que o acompanhava, e os helicópteros Alouette III, que eram os seus verdadeiros "cavalos de ferro" para as ações de impacto psicossocial nas tabancas. (...)

 Vd. também poste de  19 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28037: Humor de caserna (267). o anedotário da Spinolândia - Parte XXXV: alucinações da IA II: crítica e autocrítica

(***) Vd. psote 18 de março de 2008 > Guiné 63/74 - P2664: Os Cães de Guerra (Mário Fitas e Carlos Filipe, ex-Fur Mil, CCaç 763, Cufar, 1965/66)


(****) Vd. poste de 23 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28047: Humor de caserna (269) : O anedotário da Spinolàndia - Parte XXXVI: o que faz o sargento de guarda ao palácio do Governador com uma mensagem relâmpago ("zulu") num domingo, já noite dentro ? Se necessário, faz o Governador saltar da cama...

(...) O sistema de segurança que era então montado ao Palácio do Governador, sito na Praça do Império, no início da Av da República, englobava as seguintes forças essenciais (**):

(i) uma secção de tropa regular, comandada por um Sargento da Guarda, que tinha a seu cargo os postos de sentinela ao fundo do jardim e ainda um posto de sentinela ao lado direito do jardim; a segurança era feita durante o dia do lado de fora do jardim; com o render dos postos de sentinela às seis horas da tarde a segurança passava a ser feita do lado de dentro dos muros;


(ii) uma secção da Polícia Militar, incluindo um sargento e um oficial, que tinha a seu cargo o pórtico principal do Palácio e o portão lateral de serviço geral;

(iii) durante a noite, entre as dezoito da noite e as seis horas do dia seguinte, a segurança era reforçada com um elemento da Polícia de Segurança Pública (PSP), que ficava encarregado do espaço entre a casa da guarda e do pessoal civil servente do Palácio e o edifício principal;

(iv) também durante a noite, a segurança era ainda reforçada com um cão treinado em segurança e respectivo tratador, na altura um paraquedista, que tinha a seu cargo o patrulhamento do interior do jardim.


(*****) Último poste da série > 20 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28272: Casos: A verdade sobre... (76): O soldado básico que era médico, e que eu conheci no Campo Militar de Santa Margarida, entre 23 de fevereiro e 24 de abril de 1970 (António Tavares, ex-fur mil SAM, CCS/BCAÇ 2912, 1970/72)

domingo, 30 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28306: Convívios (1072): Rescaldo do almoço/convívio do pessoal da CCAÇ 816, levado a efeito em Maio passado na linda cidade de Aveiro (Rui Silva, ex-2.º Sarg Mil)

Os velhinhos da OITO16, que têm a mania que ainda são novos


1. Mensagem do nosso camarada Rui Silva, ex-2.º Sarg Mil da CCAÇ 816 (Bissorã, Olossato e Mansoa, 1965/67) com data de 27 de Agosto de 2026:

Os velhinhos da OITO16 (Comp.ª Caç. n.º 816), que têm a mania que ainda são novos, e que estiveram na Guiné Portuguesa em 1965-1967 (Bissorã, Olossato e Mansoa), tiveram mais um Almoço-Convívio, feito anualmente, desta feita, e como imperadores que são, no Hotel Imperial em Aveiro no mês de Maio passado.

A Ana, filha do “Aveiro” nosso militar, primou em conceber um programa à altura dos pergaminhos da Companhia.

Assim, começou logo pela manhã numa visita ao Museu Santa Joana em Aveiro (ver duas primeiras fotos) e após um animado e concorrido almoço fizemos uma visita às famosas e muito propaladas Salinas de Aveiro (ver duas últimas fotos), e,... depois,... depois,... todos foram embora para casa após efusiva troca de abraços e até com lágrimas à mistura! Pró ano há mais, sDq.!

Um grande Abraço para todos os combatentes da Guiné!
Fiquem bem!
Rui Silva e as outras!


"Os teus olhos, negros, negros, / São gentios, são gentios da Guiné;"
"Da Guiné, por serem negros, / Gentios por não ter fé."
"Os teus olhos são brilhantes / Semelhantes aos luzeiros que o céu tem."
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Nota do editor

Último post da série de 25 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28292: Convívios (1071): Almoço-Convívio do pessoal da 2.ª CART do BART 6521/72, a realizar-se no próximo dia 26 de Setembro, em Fátima (José Morgado, ex-Soldado CAR)