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domingo, 28 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28139: Nomadizações de um marginal-secante (Luís Graça) (8): ainda e sempre os nossos (e)ternos "barcos turras"




Guiné > s/d > s/ l > A embarcação "Bubaque", ostentando a bandeira portuguesa... Antiga LP 4 (Lancha de Patrulha 4, da nossa Marinha, no ativo entre 1963 e 1964), terá sido anteriormente uma traineira de pesca, algarvia... Depois de abatida ao efetivo, foi comprada pelo pai do nosso camarada Manuel Amante da Rosa (embaixador da República de Cabo Verde, reformado) (*).

Foto: © Manuel Amante da Rosa (2014). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Contuboel > CART 2479 / CART 11 (1969/70) > 21 de julho de 1969, dia em que o homem chegou à lua... O Valdemar, sentado num saco, em frada nº 2,  vai a caminho de Bissau, num barco civil, daqueles a que chamávamos, depreciativamente, "barco turra" (**). 

Foto (e legenda): © Valdemar Queiroz (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís GRaça & Camaradas da Guiné]



Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca) > O Rio Geba... o estreito (do Xime para montante) e o largo (do Xime para jusante)... c. 1970, no tempo seco... O rio era navegável de Bissau até Bafatá!... Mas normalmente, as embarcações civis (os "!barcos turras") iam até Bambadinca... As LDG ficavam pelo Xime, mas chegavam a Bambadinca, pelo menos até a 1968... Dois pontos vulneráveis do percurso eram a Ponta Varela (na margem esquerda do Rio, entre a Foz do Corubal/Ponta do Inglês e o Xime), e o Mato Cão (entre o Xime e Bambadinca, no troço serpenteante do Geba Estreito).

Foto do álbum do Humberto Reis, ex-fur mil op esp (CCAÇ 12, Bambadinca, 1969/71)

Foto: © Humberto Reis (2006). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça &vCamaradas da Guiné]


1. Os ataques e flagelações à navegação no rio Geba, entre Bissau, Xime e Bambadinca não eram sistemáticos nem sequer regulares. Mas ficaram na memória da malta que passou pela Zona Leste (***). 

Em geral, o PAIGC não se metia com a malta da Marinha (as LDG, as LDM que eram "caça grossa"). Preferia a "caça miúda", indefesa, as embarcações civis ( a que nós chamávamos os "barcos turras", por, erradamente ou não, acharmos que os "patrões" pagavam "imposto revolucionário" ao partido do Amílcar Cabral, e que só eram atacados os barcos com as "quotas em atraso")... 

Havia dois ou três pontos críticos: Ponta Varela, Mato de Cão e São Belchior. E em geral, esses ataques ataques e flagelações eram ao fim da tarde ou à noite. A guerrilha sabia que, a essas horas, não seria perseguida pela aviação (e muito menos por forças terrestres de aquartelamentos e destacamentos nas proximidades: Xime, Bambadinca, Enxalé, Finete, Missirá...)

Foi o caso, por exemplo, do ataque à 1 hora e meia da noite, do dia 1 de junho de 1973, ao barco civil, "Bubaque", no Geba Estreito, no troço entre Bambadinca e o Xime, em São Belchior, antes do Mato Cão (que nesta altura já tinha um destacamento permanente das NT); ia a bordo o proprietário e capitão do barco, o Amante da Rosa, pai do nosso camarada (e diplomata, cabo-verdiano, hoje reformado) Manuel Amante.

Uma semana e tal depois, a 10 de junho, ao cair da tarde, há novo ataque, desta vez em Ponta Varela, a oeste do Xime, a um comboio de 3 barcos civis.


2. Pelo pouco que sabemos, a  partir das histórias das unidades e  dos testemunhos e das memórias dos militares e civis que navegaram no Geba, não há indícios de que o PAIGC tivesse desenvolvido uma campanha sistemática para interditar toda a navegação no rio Geba, como aconteceu, por exemplo, em certos troços do Cacheu ou do Corubal em determinadas fases da guerra. 

O que existia eram emboscadas oportunistas, concentradas em alguns locais onde o rio estreitava, obrigando as embarcações a reduzir velocidade ou a aproximar-se das margens.

Esses pontos  críticos eram Ponta Varela (quando o rio começava a estreitar, antes do Xime) e depois no rio Geba Estreito, entre o Xime e Bambadinca: Mato Cão e São Belchior.

Quem serviu no Sector L1 (nos subsetores de Bambadinca,  Xime, Mansambo e Xitole)  fala repetidamente destes locais como "zonas perigosas", embora houvesse longos períodos sem qualquer incidente.

Quanto ao "Bubaque", os registos conhecidos são muito claros.

Na História do BART 3873 surge registado o ataque da madrugada de 1 de junho de 1973, cerca da 01h30, em São Belchior, no troço entre Bambadinca e o Xime, antes do Mato Cão. O barco era propriedade de Amante da Rosa, que seguia a bordo como patrão e comandante. Houve 2 feridos graves na tripulação e o ataque foi suficientemente importante para merecer destaque na história da unidade.

Poucos dias depois, em 10 de junho de 1973, ao fim da tarde, encontra-se registado um novo ataque, desta vez contra um comboio de três embarcações civis, em Ponta Varela. Também este episódio figura na mesma documentação militar. (***)

Há outro aspeto muito interessante, que ajuda a desfazer um mito que muitos de nós ouvimos na época.

O próprio Manuel Amante da Rosa, filho do proprietário do "Bubaque", escreveu anos depois que o pai nunca pagou qualquer "imposto revolucionário" ao PAIGC, nem existiria um acordo de imunidade. 

Segundo ele, o barco fazia simplesmente um serviço público essencial, utilizado indistintamente por população civil, comerciantes, familiares de guerrilheiros, e até guerrilheiros e simpatizantes do PAIGC, além de militares portugueses em deslocação, e sempre desarmados: ninguém levava G3, quando seguia para Bissau, para apanhar o avião da TAP, ir ao dentista, tratar de algum assunto da sua tropa,  ou simplesmente para "desopilar" (o chamado "desenfianço").

Na memória do Manuel Amante da Eosa, o "Bubaque" navegou cerca de dez anos naquela carreira e foi atacado apenas uma vez, precisamente nessa madrugada de 1 de junho de 1973, o que ele considera ter resultado de um erro de identificação.

Enfim, esta explicação parece-nos  bastante plausível e aceitável, mesmo sabendo da ligação do Manuel Amante da Rosa ao PAIGC.

O PAIGC tinha pouco interesse estratégico em destruir barcos (incluindo os da "odiada" Casa Giuveia!) que abasteciam populações sob a sua própria influência, transportavam familiares dos combatentes, asseguravam o comércio local (mas também abastecia a tropa...) e que, na prática, o único meio regular de transporte entre Bissau, Xime e Bambadinca, já que a estrada Bafatá-Mansoa- Bissau estava interdita em diversos troços.

3. Atacar uma LDG ou uma LDM era uma operação muito mais difícil e arriscada. As unidades da Marinha navegavam armadas, tinham treino específico, resposta de fogo muito superior e podiam desencadear rapidamente operações de retaliação. 

Daí que, quando havia ataques, estes incidissem sobretudo sobre embarcações civis desprotegidas ou sobre ocasiões em que se julgava haver militares transportados em número reduzido.

Além disso, os grupos do PAIGC especializados em atacar  embarcações no rios eram poucos e náo tinham o dom da ubiquidade.

A nossa observação sobre a evolução da situação em Mato Cão também faz sentido. Em 1972, com a instalação de um destacamento permanente das NT, o local tornou-se menos favorável para emboscadas prolongadas, o que poderá explicar a deslocação de alguns ataques para zonas como São Belchior (ou a jusante,ou Ponta Varela), onde continuavam a existir boas condições para abrir fogo a partir das margens, embora na mira dos 3 obuses 10,5 cm do Xime.


4. Ao tempo do BART 3873 (Bambadinca, 1972/74), já tinha ocorrido, em 10 de outubro de 1972, às 1h15 da noite, no final das chuvas, e ao fim de dez meses de comissão, o primeiro ataque a um barco civil, o "Mampatá", no Rio Geba Estreito, de que resultaram 4 feridos, 1 militar e 3 civis (um dos quais grave) (***)

Na leitura do comando do batalhão, o ataque do PAIGC ao "Mampatá" inseria-se na estratégia de criar dificuldades ao abastecimento das NT no Leste.

O In voltaria, no mês de julho de 197, a fazer outro ataque ataque, no Rio Geba Estreito, em São Belchior, a seguir ao Mato Cão, desta vez à embarcação "Manuel Barbosa" (ligada a uma comercial de Bissau,); o barco, civil, conseguiu chegar a Bambadinca com um ferido;

5. Talvez valesse a pena  tentar responder à pergunta: quantos ataques houve realmente à navegação no Geba entre 1963 e 1974?

Foram seguramente mais do que aqueles que ficaram na nossa memória, mas certamente muito menos numerosos do que a fama do Geba Estreito poderia fazer supor.  Nalguns casos terima sido "flagelações" ou "tiros sobre embarcações", sem vítimas ou danos importantes, e esses episódios nunca entraram nas cronologias gerais da guerra 8e muito menos no relato da actividade operacional feita nos livros da CECA - Comissão para o Estudo das Campanhas de África).

Para fazer a  cronologia completa dos ataques e flagelações à navegação no rio Geba (1963-1974), seria preciso cruzando as histórias das unidades que passaram pelo Sector L1, relatórios da Marinha, testemunhos dos antigos tripulantes dos chamados "barcos turras" (que ninguém sabe quem eram, com exceção do Manuel Amante e do seu filho, que viajava muitas vezes com opai durante as férias escolares, o hoje embaixador Manuel Amante da Rosa).

Penso que esse levantamento mostraria, com bastante rigor histórico, que a navegação no Geba viveu num equilíbrio muito peculiar: 

(i) perigosa o suficiente para nunca deixar ninguém completamente tranquilo;

(ii)  mas suficientemente segura para que, durante anos, centenas de pessoas continuassem a fazer regularmente a viagem entre Bissau, Xime e Bambadinca. 

Isso ajuda a compreender porque esses barcos ficaram tão profundamente gravados na memória de quem serviu na Zona Leste, como eu, o Carlos Marques dos Santos, o Valdemar Queiroz, o Joaquim Mexia Alves, o Humberto Reis, e tantos outros (*****).

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(***) Vd. poste de 27 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28137: As nossas geografias emocionais (68): o temível Mato Cão, no rio Geba Estreito

Guiné 61/74 - P28138: Bom dia, desde Bissau (Patrício Ribeiro) (66): Cidade do Gabu, o "milagre do sol"


Guiné-Bissau > Zona Leste > Região de Gabu > Gabu > Junho de 2026 > Sistema solar montado pela Impar Lda

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]


1.  Mais uma foto do Gabu, enviada pelo Patricio Ribeiro

Data - domingo, 21/06/2026, 14:14
Assunto .- Gabu

As coisas que sol pode fazer... é só o encaminhar para o lugar certo.

Há quem goste de o fazer até aos 90 anos.

Patrício Ribeiro
Impar Lda
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sábado, 27 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28137: As nossas geografias emocionais (68): o temível Mato Cão, no rio Geba Estreito








Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Foto:  Joaquim Mexia Alves (2026)

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Foto: Carlos Marques dos Santos (2014)

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


1. A nossa Marinha tinha LDP, LDM e LDG que faziam este percurso, Bissau - Xime- Bambdinca. Até 1969 iam todas até Bambadiuca, metendo-se pelo rio Geba Estreito acima, a partir do Xime. Com a conmstrução da ponte-cais do Xime, em 1969, as LDG deixaram de subir o rio Gena Estreito (Xaianga).

Eram os famosos "barcos turras" que fariam, até ao fim, a ligação fluvial entre a capital e o interior da Guiné, e nomeadamente na Zona Leste. A viagem de barco tinha dois pontos críticos; a PontaVarela, entre a Foz do Rio Corunal e o Xime  e depois o Mato Cão (na margem do rio Geba Estreito, entre Nhabijões e Bambadinca).

Em 1 de julho de 1972, o dispositivo das NT já permitia uma melhor defesa da navegaçáo no rio Geba Estreito, relativamente ao tempo qem que a CCAÇ 12 e outars subunidades, ao serviço batalhão sedfiado em Bambadinca (Sector L1) eram obrigadas a manter segurnaça móvel, sempre que subia ou descia um "barco turra"... O quer era penoso; saíamos do quartel de Bambadinca, atravessávamos a bolanha de Fonte e montávcamos emboscada, a nível de pelotão, nbas imediçóes de Mato Cão.

Em 1 de julho de 1972,  já havia um destacamento permanente em Mato Cão (ou Mato de Cão). Nessa data, era guarnecido pelo Pel Caç Nat 54 (anualmenbte, ia rondando: Pel Caç Na 52, em 1973, e Pel Caç Nat 63,  em 1974), reforçado com um 1 esquadrão de um pelotão de morteiro (em 1 de julho de 1973, era o Pel Mort 4575/72). 

Do outro lado do rio (margem esquerda), já também  havia, em 1 de julho de 1972, no destacamento de Nhabijões, uma guarnição constituida por um pelotão (CCS/BART 3873) e uma 1 esquadra do Pel Mort 2268. 

No limite, o Mato de Cão podia ser batido pelo obus 10,5 cm do Xime (20º Pel  Art). A defesa do rio Geba Estreito, no subsetor de Bambadinca (sector L1, que incluía ainda mais 3 subsetores: Xime, Mansambo e Xitole), era ainda assegurada por Bambadinca (sede de batalhão: CCS/BART 3873 + CCAÇ 12 + Pel Mort 2268 + Pel Rec  Daimler 3085)...No total, com os Pel Mil (Finete e Missirá) e Pel Caç Nat (Mato de Cão, Fá Mandinga e Missirá), o subsetor de Bambadinca teria cerca de 550 homens enm armas!...

Guiné > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca) > Mato Cão >  Pel Caç Nat 52 (1973 /74) >   Vista do Rio Geba e bolanha de Nhabijões, a partir do "planalto" do Mato Cão. 

Foto (e legenda): © Luís Mourato Oliveira (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


Guiné > Região de Bafatá  > Sector L1 > Bambadinca > Destacamento do Mato de Cão > Pel Caç Nat 52 > 1973 > "A chegada à estância era sempre um momento vivido com prazer"... O sintex era a única ligação... à outra margem do Rio Geba (e nomeadamente, a Bambadina)... Claro que só se viajava de dia, por razões técnicas de navegação e de segurança. O sintex nã tinha holofotes nem armas coletivas. Era um estertura frágil que não aguentava com o embate do macaréu.

Foto (e legenda): © Joaquim Mexia Alves (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].

Guiné > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Rio Geba > A caminho de Bissau > c. 1968/1969 > O Fur Mil Carlos Marques dos Santos (1943-2019), "viriato" da CART 2339, Mansambo (1968/69), num barco civil ("barco turra"), a caminho de Bissau.

Era um dos típicos barcos civis de transporte de pessoal e de mercadoria, que fazia a ligação Bissau-Bambadinca, e Bambadinca-Bissau, passando pela temível Ponta Varela, na confluência do Rios Geba e Corubal e, a seguir, o assustador Mato Cão, no Geba Estreito, entre o Xime e Bambadinca. Estes barcos (alguns ligados a empresas comerciais, como a Casa Gouveia) tinham, como principal cliente a Intendência militar. Pelo Xime e por Bambadinca passava a alimentação e tudo o mais que era preciso para saciar o "ventre da guerra" da Zona Leste: homens, viaturas, armas,  munições, materiais de construção, etc.

Foto(e legenda): © Carlos Marques dos Santos (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.]

 Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Contuboel > 1969 > CART 2479 / CART 11 (1969/70) > 20 de julho de 1969 > "Efeméride: no dia que o homem chegou à Lua, eu descia o rio Geba (Bambadinca-Bissau, com passagem no célebre Mato Cão e depois na não menos temível Ponta Varela, a seguir ao Xime)...

Era um barco fretado para levar material usado da tropa. Estivemos parados várias horas: primeiro por causa da maré, depois devido a avaria no motor do barco só resolvida (por desenrascanço...) com uma peça sacada dum carro que seguia no barco para sucata.  "Viagem inesquecível, até ao fim da minha vida!", escreveu o saudoso Valdemar Queiroz (ex-fur mil, CART 2479/CART 11, 1969/70).

Foto (e legenda): © Valdemar Queiroz (2014). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís GRaça & Camaradas da Guine.]
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Guiné 61/74 - P28136: Os nossos seres, saberes e lazeres (738): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (259): Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 4 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 27 de Maio de 2026:

Queridos amigos,
Os dias passam e ganha mais entusiasmo ir descobrindo tão diversificado património da história deste povo, seguramente com raízes indo-europeias e uma língua autónoma, por aqui andaram gregos, tribos ilírias que Alexandre o Grande desbaratou, o Império Romano, os bizantinos do Império Romano, o rei Carlos de Anjou, turcos otomanos (e por muitos séculos) a poderosa Veneza, e depois a Albânia independente em 1912, o rei Zog I em 1928, a conquista italiana, a presença germânica do III Reich, depois da ditadura de Enver Hoxha até 1991, a partir daí um país que aderiu à NATO, que anseiam fazer parte da União Europeia, que se moderniza, com três religiões dominantes (o Islão, os ortodoxos e os católicos) vive numa atmosfera de franca tolerância; apercebemo-nos que as manifestações de modernidade são mais evidentes na arquitetura; a Albânia tem lagos magníficos, como Ohrid, onde desfrutamos o panorama das montanhas da Macedónia do Norte; e não deixa de surpreender a omnipresença escultórica do realismo socialista.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (259):
Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 4


Mário Beja Santos


Mostrar-vos a miniatura do mapa da Albânia não é um puro acaso, nasce da preocupação de vos dar conhecimento quanto ao itinerário seguido; houve partida em furgão de Tirana até Pogradec, para admirar o Lago Ohrid, seguiu-se depois para Korçë, há quem lhe chame uma pequena Paris, é, no mínimo, bonita e cosmopolita; mais adiante, nova viagem em furgão até Përmet, esperava uma maravilhosa igreja ortodoxa, vão ver; e daqui rumou-se para a espantosa Gjirokastër, um justificado Património da Humanidade, temos depois a última viagem até ao sul, já no mar Jónico, em Sarandë, visita ao Lago Butrint e o sítio arqueológico respetivo, também e justificadamente Património da Humanidade. Vamos por partes, desembarquei em Pogradec, vou caminhar até ao Lago Ohrid.
A libertação da Albânia deu-se em finais de 1944, os guerrilheiros, que fizeram frente aos italianos e aos alemães, em um compósito ideológico, os comunistas prevaleceram, era, aliás, uma estratégia montada em Moscovo, anos depois a Península Balcânica torcerá pelo comunismo, com exceção da Grécia, será confrontada com uma sangrenta guerra civil, o comunismo neutralizado. Em todas as localidades visitadas guarda-se memória dessas lutas de libertação, o traço escultórico dominante é o do realismo socialista, sobressai a tipologia do herói, individual ou coletivo, encontrarei manifestações artísticas semelhantes desde a RDA à Bulgária. O sistema democrático saído das eleições de 1992 preservou todo este património que está associado à identidade albanesa.
Não posso esconder que este panorama provoca êxtase, há para ali uma ilusão ótica dada pela linha do horizonte, na cumeada da cordilheira permanecem as neves, é território da Macedónia do norte, o lago Ohrid é transfronteiriço, tem uma política ambiental por isso transnacional. Saí do furgão e caminhei pelas ruas de Pogradec, lugar nitidamente pouco desenvolvido, muita gente entre a modéstia e a pobreza, equipamentos muito antigos e grande parte do parque habitacional envelhecido ou descurado. A região é manifestamente aprazível, dou como certo e seguro de que dentro em breve o turismo fará aqui das suas.
Para chegar ao Lago Ohrid houve que passar por um bonito parque, inevitavelmente com esculturas, temos aqui mais um herói da libertação e uma mulher em costume tradicional albanês, no fundo o lago Ohrid, e não faltam neves na cumeada.
De Pogradec seguimos para Korçë, das obras consultadas vinha a recomendação de visitar com tempo a área do antigo Baza, um conjunto de ruas cheias de comércio, era o 1.º de maio, apanhei tudo praticamente fechado, temos aqui um equipamento urbano manifestamente singular, verei no dia seguinte que há as inevitáveis lojas chinesas e indianas, todas as reminiscências turcas e a comida internacional, dando-se primazia à cozinha italiana.
Passeando pelas ruas de Korçë deparei-me com esta belíssima cerejeira ornamental, houve logo uma pronta associação com as cerejeiras ornamentais da Avenue du Geai, num bairro de Bruxelas onde passei férias, houve saborosa lembrança, pois recordei amigos que já partiram.
Impressionou-me a linha arquitetónica, é um nítido hibridismo de património ocidental e oriental, por razões por demais compreensíveis.
Quem havia de dizer? No jardim do Consulado da Grécia em Korçë temos o busto de Jorgos Seferis (1900-1971), foi o Prémio Nobel da Literatura em 1963, cônsul em Korçë de 1936 a 1937.
Já aqui se referiu que o regime liderado por Enver Hoxha decretou que a Albânia era um país ateu, isto em 1967, os templos religiosos foram destruídos ou reciclados, encontrei uma mesquita que se transformou em ginásio e uma igreja ortodoxa que albergou grupos de artes performativas. Esta é a igreja ortodoxa de Korçë, obra recente, a meio da avenida há a memória do local onde existiu a primitiva igreja mandada destruir para naquele espaço dar lugar a uma biblioteca.
Não resisti a fotografar este teatro, uma bela e sugestiva fachada, naquela noite, segundo o cartaz à esquerda havia um recital de canto e piano, ainda estive tentado, mas o corpinho pedia cama, amanhã temos novo furgão e novo destino.
Ocorreu-me falar das controversas campanhas de Oliviero Toscani para a Benetton, deram brado por mostrar seres humanos a morrer com SIDA, trânsfugas das guerras do norte de África, a relação que tenha o homem qualquer cor, o coração tem sempre a mesma composição, e naquele ano de 1992 mostraram-se albaneses em fuga, fugiam da operação, era a liberdade de procurar futuro noutras paragens, era como se a Benetton aprovasse a solidariedade do acolhimento.

(continua)

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Nota do editor

Últio post da série de 20 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28117: Os nossos seres, saberes e lazeres (737): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (258): Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 3 (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28135: Parabéns a você (2499): Vítor Caseiro, ex-Fur Mil Inf da CCAÇ 4641/72 (Mansoa, Braia, Infandre e Ilondé, 1973/74)

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Nota do editor

Último post da série de 22 de Junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28119: Parabéns a você (2498): Cor Art Ref António José Pereira da Costa, ex-Alf Art da CART 1692/BART 1914 (Sangonhá e Cameconde, 1968/69) e ex-Cap Art, CMDT da CART 3494/BART 3873 e da CART 3567 (Xime, Mansambo e Mansabá, 1972/74) e João Crisóstomo, ex-Alf Mil Inf da CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé e Fá Mandinga, 1965/67)

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28134: Notas de leitura (1931): "Morrer no Cacheu", um trabalho do jornalista Rui Araújo, publicado na Revista do Semanário Expresso do dia 31 de Março de 2001 (Mário Beja Santos)

1. Com a devida vénia ao semanário Expresso, reproduzimos um trabalho da autoria do jornalista Rui Araújo, intitulado "Morrer no Cacheu", publicado no dia 31 de Março de 2001 na Revista do referido semanário. Este recorte foi enviado pelo autor ao nosso confrade Mário Beja Santos.

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Nota do editor

Último post da série de 22 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28122: Notas de leitura (1930): "Furriel não é Nome de Pai, Os filhos que os militares portugueses deixaram na Guerra Colonial", de Catarina Gomes; Tinta da China, 2016 (1) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28133: Documentos (66): Para a história da administração civil ultramarina: "Levante auto e envie os indígenas para Bolama a fim de serem expulsos da Província!"... Despacho (do Governador ?) a uma nota do administrador António Augusto de Barros, vítima de agressão, em Pete, chão mancanha, em 8/4/1920


Governo da Província da Guiné Portuguesa | 5ª Circunscrição CFivil (Brames) | Secretaria dos Negócios Indígenas | 2ª Secção | Ano de 1920 | *Processo nº 41 | Objeto: Agressão ao adminstrador da 5ª circunscrição civil (Brames), António Augusto de Barros, e assuntos que a mesma se prendam 

(A letra manuscrita, lê-le: "Concessão de terreno, Okika de Sá")


Governo da Província da Guiné  | Administração da Circunscrição Civil dos Brames |  

Bula, 9 de abril de 1920 
À Secretaria dos Negócios Indígenas   
Bolama

Registo de entrada: Governo da Província da Guiné Portuguesa | 3ª Secção  Nº 0717 | 17 abr 1920 | Secretaria Geral | Procº nº 9/1920

Despacho (ao alto, em letra manuscrita): 

Mo mo "Levante auto e envie os indígenas para Bolama a fim de serem expulsos da Província. 24-4-920.  


Para conhecimento dessa Secretaria e devidos efeitos, tenho a honra de comunicar o seguinte:

Em 1917, por informação que obtive, os indígenas da povoação de Pete reclamaram ao então administrador interino desta circunscrição, Eugénio Veloso da Veiga, a entrega de uns terrenos destinados à cultura de arroz, os quais, segundo se afirma, desde há muitos anos eram cultivados pelo concessionário João Gomes Okika [de Sá] que os adquiriu por compra ao antigo régulo do Brame Grande, Muncuruco. 

Aquele, porém, receando que as insistentes reclamações dos indígenas conseguissem  tirar-lhe uns terrenos que só a ele pertenciam, quis pôr termo a essas reclamações apresentando, 



para esse efeito, o documento da compra e o alvará da sua concessão na qual supunha que entravam os terrenos em litígio e, ainda, para maior segurança, requereu uma nova medição.

 Esta, porém, tendo sido feita por pessoal competente, veio demonstrar, muito ao contrário do que ele, Okika, imaginava, que as terras não tinham entrado nos 200 hectares da concessão.

Restava-lhe, pois, a última prova, além da testemunhal,  o documento de compra, mas este não o pôde apresentar por lhe ter desaparecido juntamente com outros papéis e dinheiro num incêndio que dias antes houvera na sua casa.

Muito desanimado, teve que assistir à posse que foi dada aos mancanhas de Pete, das suas bolanhas, mas ainda convencido que lhas restituiam logo que ele pudesse provar que desde há

2.

muitos anos, essas bolanhas eram por ele cultivadas e que, para as desbravar e preparar para a cultura de arroz, tinha gasto algumas centenas de escudos, aproveitou as disposições da Portaria nº 588, de 5 de dezembro findo, requerendo a S. Exª o Governador a  mera posse dessas terras. 

Seguindo para Bolama a fim de tratar do assunto, de lá voltou com umas tabuletas para a demarcação das mesmas, pedindo-me para eu assistir à sua colocação.

Anui ao pedido para evitar um conflito entre os mancanhas de Pete e o Okika, o que, certamente, se dava logo que eles vissem aquele a colocar as referidas tabuletas.

Seguindo, pois, para aquela povoção às 5 horas da manhã do dia 8 do corrente, mandei chamar os indígenas para lhes dizer que as tabuletas não representavam para eles nenhum prejuízo e que eu muito desejava que entre todos houvesse um entendimento sobre a futura cultura das bolanhas, afim de se pôr termo a rivalidades e a questões que, a todo o transe, eu não permitiria.

Ouviram-me muito desconfiados e, um tanto exaltados, pediram-me para os

acompanhar a fim de eu ver o terreno demarcado pelo pessoal da agrimensura e também verificar que as bolanhas eram só deles e não do Okika. 

Para ali me dirigi no intuito de examinar essa demarcação e verificar se os marcos tinham ou não sido deslocados do seu primitivo lugar.

No momento, porém, em que eu, a cavalo, examinava uma dessas tabuletas, fui agredido por um indígena de nome [ espaço em branco ] o qual, devo confessar, não matei a tiro em seguida à agressão, porque as nossas leis não permitem que uma autoridade civil, quando gravemente ofendida por um indígena, execute imediatamente esse indígena para que o respeito e o prestígio sejam sempre, e através de tudo, bem mantidos.

Limitei-me, pois, a defender-me o melhor que pude, arrancando-lhe das mãos o cacete com o qual continuava a ameaçar-me e apenas o castiguei com o mesmo o cacete. O castigo, porém, foi pequeno mas... Dura Lex... Sed Lex...

Encontra-se  aqui, sob prisão, o indígena que me agrediu, à disposição de S. Exª o Governador, e, por intermédio dessa Secretaria, eu peço licença ao mesmo Exmo. Sr. para me dispensar de propor a penalidade que lhe deve ser imposta.

3.

Devo ainda acrescentar que, se a falta de respeito praticada por esse indígena é grave, a altivez desrespeitosa como  os indígenas me falaram, fazendo até ameaças, não é a meu ver menos grave. 

Mas, infelizmente, não é só nos Brames que se nota a pouca consideração e a falta de respeito que os indígenas têm, ultimamente, pelas ordens da autoridade; em outras circunscrições o mesmo está acontecendo. 

Dão-se ordens para os indígenas trabalharem nas estradas, recusam-se ou fogem. O comércio precisa de trabalhadores, não os encontra porque eles preferem morrer de fome ou afogados em aguardente do que trabalhar; e,  não tendo necessidades, têm no entretanto abundância de dinheiro e este não se esgota rapidamente porque o álcool, ultimamente, tem faltado na Província.

Finalmente, sou de opinião que os indígenas estão carecendo, presentemente, de castigos muito severos e que as autoridades administrrativas devem ter poderes mais latos para poderem proceder com o máximo rigor nos casos em que seja preciso mostrar e manter bem íntegros o respeito e os poderes das mesma autoridade Não são as deportações para os Bijagós que os


incomoda, como eles de resto confessam: as multas, pouco ou nenhuma diferença lhes fazem - há dinheiro em quantidade -  e na aplicação de castigos corporais todo o cuidado é pouco porque as leis da metrópole, tendo aplicação nos julgamentos indígenas, aparece nos Tribunais um ou outro advogado para defender e exigir uma condenação severa para os administradores por terem abusado da sua autoridade.

Concluindo, são estas as considerações que tomo a liberdade de levar ao conhecimento dessa Secretaria, informando-a igualmente que o indígena em questão também já faltou ao respeito ao meu colega Eugénio Veloso da Veiga quando ele aqui esteve como administrador interino, tentando agredi-lo, tendo o referido administrador que o mandar amarrar e conduzir para esta Administração onde o mesmo se conservou algum tempo sob prisão.

O administrador, António Augusto de Barros,

Instituição: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa, Bissau

Pasta: 09907.085 | Assunto: Envio de nota da 5.ª circunscrição civil (Brames), respeitante a concessão de terrenos, assinada pelo administrador António Augusto de Barros | Remetente: Secretaria Geral do Governo | Destinatário: Secretaria dos Negócios Indígenas | Data: Sexta, 21 de Maio de 1920 | Fundo: C1.6 - Secretaria dos Negócios Indígenas | Tipo Documental: Correspondencia | Cota Original: C1.6/01.085 

Fonte: (1920), Sem Título, Fundação Mário Soares / C1.6 - Secretaria dos Negócios Indígenas, Disponível HTTP: http://www.casacomum.org/cc/visualizador?pasta=09907.085 (2026-6-25)
[ Com a devida vénia...]


1. É um documento (de 3 páginas ) interessante para que se conhecer as "agruras" da vida de administrador de circunscrição na "província da Guiné Portuguesa", mal acabada de "pacificar" em plena República..

Esta "nota" do administrador António Augusto de Barros, da 5ª Circunscrição Civil (Brames), não é um simples "fait-divers",   tem um enorme valor documental para a historiografia da presença portuguesa em África e, em especial, para a história do  colonialimo na Guiné.

Não temos dados biográficos deste administrador, possivelmente de origem cabo-verdiana. Mas sabemos por onde andou nos anos de 1920, de acordo com registos da plataforma Casa Comum (que disponibiliza a reprodução e descrição de documentos custodiados pela Fundação Mário Soares e Maria Barroso, neste caso do .Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP), Bissau):

  • Administrador da 13.ª circunscrição civil (Bijagós) em 1924;
  • Administrador da circunscrição civil de Buba em 1928;
  • Intendente, Intendência de Bolama, em 1930.

É contemporâneo de Eugénio Veloso da Veiga, outro administrador colonial português na Guiné, com atividade registada nas décadas de 1920 e 1930, de acordo coma a mesma fonte (INEP / Casa Comum):

  • Administrador de Bubaque (Arquipélago dos Bijagós): documentos entre 1927 e 1928 registam a sua correspondência com a Direcção dos Serviços e Negócios Indígenas; as suas funções incluíam a cobrança do imposto de palhota pelas ilhas e o envio de mapas de importação de bebidas;
  • Administrador de Gabu, em  1933 e 1934; 
  • Administrador da Circunscrição Civil de Bafatá em 1934;
  • Membro da Comissão de Limites (1934):  a 25 de janeiro de 1934, integrou a comissão portuguesa de representação do governo da Guiné Portuguesa que se reuniu com as comissões da Guiné Francesa na região de Catabá, para definir a fronteira.


Augusto de Barros
(1917-1969). Arquivo da família.
Não sabemos quando terminou a  carreira do António Augusto de Barros.. Mas há mais nomes de apelido Barros, ligados à administração ultramarina na Guiné: por exemplo, António Augusto de Barros Júnior, bem como Augusto de Barros.  É possível que tenham alguma relação de parentesco. 

Este último, Augusto de Barros,  nasceu em 1 de março de 1917 e faleceu em 21 de maio de 1969.  Foi administrador do concelho de Nova Lamego (1960/69). Deixou em vida um primeiro volume de  um livro inacabado em língua fula, que ele intitulou “Rudimentos da Língua Fula” e escreveu no final da década 1950 enquanto chefe de posto de Piche. 

O seu filho, António Augusto de Jesus Ferreira de Barros (nascido em Piche, em 17 de setembro de 1958) publicou em coautoria o livro "Rudimentos da língua fula: fúlbé rímbé ê djiábé = fulas forros e pretos" (Lisboa, Edições Nimba, 2023, 223 pp.).

Mas voltando ao administrador António Augusto de Barros, acrescente-se que à data da "nota" acima transcrita, era Govcrnador da Guiné Henrique Alberto de Sousa Guerra (de 31 de maio de 1919 a 16 de Junho de 1920).

Será dele o despacho, seco e cru, "Levante auto e envie os indígenas para Bolama a fim de serem expulsos da Província. 24-4-920" ?.



Durante a República (1910-1926), a taxa de "turnover" dos governadores da Guiné era altíssima: praticamente o governador mudava todos os anos (ou a cada governo da Metrópole)...

Enfim, não somos especialistas da historiografia da presença portuguesa em África, e muito menos da história do nosso colonialismo.  Talvez o nosso especialista, amigo, camarada e colaborador permanente do blogue, o Mário  Beja Santos, queira e possa acrescentar algo mais sobre este caso e sobre esta época, bem co.o sobre o papel da Secretaria dos Negócios Indígenas.

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, itálicos, notas, parênteses retos, links e título: LG)
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Nota do editor LG:

Último poste da série >  25 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28131: Documentos (65): A administração civil ultramarina