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segunda-feira, 16 de março de 2026

Guné 61/74 - P27825: Manuscrito(s) (Luís Graça) (283): Maratona da amizade e da camaradagem


Lisboa > Largo da Madalena > 15 de novembro de 2009 > Pormenor da calçada à antiga portuguesa, à entrada da Igreja da Madalena...Se náoo forem os nossos amigos calceteiros, portugueses, de origem cabo-verdiana, já não há ninguém a faça...F*da-se, dá cabo das costas e dos joelhos!


Foto (e legenda): Luís Graça (2009). Direitos reservados


A maratona da amizade e da camaradagem
por Luís Graça


O João Crisóstomo
o mais famoso dos mordomos portugueses de Nova Iorque,
e agora régulo da Tabanca da Diáspora Lusófona,
instituiu o dia 14 de fevereiro 
como o Dia da Amizade... e da Camaradagem (*), 
Pois que seja o Dia do Camarigo, por causa das confusões.

E eu lembrei-me da maratona
que vamos fazendo,
trilhando velhas picadas, 
cada um até ao seu dia,
cada um de nós, os amigos e camaradas da Guiné.
Lembrei-me, 
revisitando um velho, longo poema
que estava no baú das minhas blogarias (**).

Juram, os amigos,
que a amizade não se esgota
nas questões de lana caprina.
Nem se dilui na espuma dos dias.
Testa-se e reforça-se na provação.
A amizade e a camaradagem
(que só pode existir na guerra
e noutras situações-limite).

É verdade, Abel  Abílio, Acácio,Adão, Adelaide,Adelino, 
 Adélio, Adolfo, Adriano,  Afonso, Agostinho ?!

Dizem outros que eles, os amigos,
devem ser para as ocasiões.
Todas as ocasiões ?
As pequenas e as grandes ?
As boas e as más ? Sobretudo as más ?
A estação seca e a estação das chuvas  ?
A paz e a guerra ?

 ... Albano, Albertino,  Alberto,  Alcides, 
Alexandre, Alfredo, Alice,  Almeida,   

Ou tudo isso é letra morta, treta?!
Que os amigos conhecem-se
na adversidade, diz o provérbio.

Almiro,  Altamiro, Álvaro, Amaral, Amaro,  
Américo,  Amílcar, Ana, Anabela,  
Angelino  Aníbal, Anselmo, Antero ?!

E os camaradas, na guerra,
dizia o senhor doutor Lobo Antunes.
E os colegas nas tainadas e nas putas,
dizia o teu instrutor
de minas, fornilhos e outras armadilhas da vida.

Dizem que sim com a cabeça, 
António,  Arlindo, Armandino  Armando, 
Arménio, Armindo,  Augusto,  Áurea

Quem em caça, política, guerra e amores se meter,
não sairá quando quiser.


Sairá ou não,
Belarmino, Belmiro, Benito, Benjamim, 
Benvindo, Bernardino, Braima ?!
 

Os amigos, os verdadeiros e os falsos,
conhecem-se nas ocasiões.
Que a adversidade é o teste da amizade.
A prosperidade traz amigos,
a adversidade os afasta,
diz o chinoca da tua rua,
que não tem amigos,
a não ser o dicionário de português-cantonês,


que poderia ter sido escrito
o que é que vocês acham ?!,
p'lo Campelo, Cândido, Carlos,
se tivessem nascido em Macau,
filhos desventrados e desventurados
do Fernão Mentes Minto ?!


Oh, Galissá, Galissá, 
que no céu se fazem amigos;
e, no inferno da guerra, inimigos,
canta o poeta, cego, da tua rua,
tocador de cora,
deambulando de tabanca em tabanca,
no que resta do regulado de Gabu.

Lembram-se Carmelino, Carvalhido, Casimiro, 
Cátia, Célia, César,  Cherno, 
Cláudio, Conceição,  Constantino, Cristina ?!

Que a amizade é um edifício
que leva uma vida a construir,
e que num minuto pode ruir,
garante o Esquilo Sorridente,
que era o nome de guerra de alguém,
quando bom escoteiro em Ingoré, 
lá no Norte da Guiné.

Pelo menos assim te contaram, 
Daniel, David, Delfim, Diamantino. 

Não, vocês, não passaram por Ingoré.
Mas passaram por outros sítios da Guiné 
onde Jesus Cristo nunca parou.
Nem Alá.

Diana, Dina, Domingos,  Duarte e Durval.

No aperto do perigo, conhece-se o amigo.
Essa é a verdade,
e a verdade é um osso duro de roer,
até para o cão que rói o osso,
na opinião de quem  em Bissorã teve um cão.

Dizem que um cão é uma boa companhia,
Edgar, Eduardo, Egídio, Ernestino, Ernesto, 
Estêvão, Eugénio, Evaristo,
que nunca tiveram cão de guerra.

Que os amigos fazem-se,
praticando a amizade,
E os camaradas a camaragem.
E os camaradas que são amigos
a camaradagem.

Felismina, Fernandino, Fernando, 
Ferreira, Filomena, Fradique.

Tal como os caminhos que, se não se usarem,
ganham espinhos, ervas, silvas, moitas, carrascos,
pedras soltas, calhaus, pedregulhos,
tornam-se abatizes, obstáculos, bagabagas, 
cabeços, colinas, montanhas.

Vero ?!...Gabriel, Garcez, George, Germano, 
Gil, Gilda, Gina, Giselda.

Ou na versão de um velho homem grande, 
mandinga de Contuboel,
algures na velha Guiné agora Bissau:
"a amizade é uma picada
que desaparece na areia, na bolanha ou no mato,
se não a usares todos dias".
Disse-te ele um dia.

Gonçalo, Graciela, Gualberto, 
Guilherme, Gumerzindo, Gustavo.

Não aceito que digas:
"Amigo não empata amigo",
porque o amigo é isso,  
tens toda a razão, camarigo,
que o amigo é para se usar, se guardar
e se resguardar.

 
Achas que sim ou que não ?!, 
Hélder, Henrique, Herlânder, 
Hernâni, Hilário, Hugo, Humberto. 

Para se resguardar das pontadas de ar, 
dos tiros tensos do canhão sem recuo 
e das emboscadas
e dos estilhaços do "jato do povo"-
Não é para se usar, expor e deitar fora,
na berma da picada armadilhada.

Ah!, Idálio, Ildeberto, Inácio, Inês,
Ah!,  Isabel, Ismael... 

A amizade não é um objecto descartável,
manda o profeta dizer no seu último mail.
(Ou foi o Sócrates, o grego, antes da cicuta ?).

A conselho amigo, não feches o postigo,
além de que amigo diligente é melhor que parente.
Sobretudo se te dói o dente.

Ah!, Jota A, Jota C, Jota F, Jota L., Jota M.
 
E já que tens físico amigo,
queres dizer médico no antigamente,
manda-o a casa do teu inimigo.
Escreveu o Dom Dinis, 
que foi rei, e régulo da Tabanca da Linha, 
e já morreu, em plena pandemia,
mandou lavrar cantiga de escárnio e mal dizer,
além do pinhal de Leiria.
Quem seu inimigo poupa, às mãos lhe morre.

Ah! Jacinto, Jaime, Jean, Jéssica, João
Joaquim, Jochen,
será que vocês assinam por baixo ?

Mas, atenção, 

amigo disfarçado, inimigo dobrado.
E o que fazer ao amigo que não presta
e à faca que não corta, 
Jorge ?

Também se diz que os amigos novos
metem os velhos no canto ou a um canto.
Se não se diz, pensa-se.
Será assim, mano,
que os amigos também cansam
como a sarna na pele,
como a pele e as suas sete camadas ?

Que se percam, pouco importa!
proclama pela telegrafia sem fios
o coro dos Josés de A a Z

Não sei o que é que vocês pensam:
"Os amigos têm prazo de validade" ?

Joviano, Júlia, Júlio, Juvenal.
 
Uma questão que nada tem de metafísica:
ovo de uma hora,
pão de um dia,
vinho de um ano,
mulher de vinte,
amigo de trinta
e deitarás boa conta.


Lázaro, Leão, Leonel,  Lia, 
Libério, Lígia, Luciana, 
Luciano, Lucinda, Luís com s ou com z, 
conforme o desacordo ortográfico.

Amigo, vinho e azeite... o mais antigo,
garante quem passou por Buruntuma
ond enão havia azeite (ou se o havia, era o de dendê)
nem vinho... mas havia amigos.

 Mamadu, Manuéis de A a Z,  
Margarida, Maria, Mário.

O vinho e o amigo, quer-se do mais antigo,
recomendam o outro Jorge, que é engenheiro,
mais o Picado, que foi agrónomo.
E o que farás dos teus novos amigos, Virgílio,
que não fazem anos no mesmo dia que tu ?

Marisa, Marta, Martins, 
Maurício, Maximino, Melo, Miguel,
 
Faz como o vinho, Zé Manel da Régua,
se for bom mete-o a envelhecer
em cascos de carvalho.
Francês.
Ou castanho.
Português.
A amizade não tem pátria 
Nem é chauvinista. 
Nem é racista.

Garantem o Natalino, o Nelson, o Norberto, 
mais o Nunes e o Nuno,

E por que é que os amigos dos teus amigos 
teus amigos são ?
É como os filhos do teu filho, serão dele ou não…
Que ao menos,
Jorge, 
 cresçam Narcisos no teu jardim.

Que sabem vocês, 
que sabemos nós, 
amigos e camaradas da Guiné ?!
 Só sabíamos do desalento, 
e do vento
e da morte na alma
e da terrível secura na garganta
e das lágrimas que não podíamos chorar
quando trazíamos do mato, 
os camaradas mortos,
às costas...


Orlando, Orlando, Osvaldo, Otacílio.

Só damos valor às coisas,  
quando elas nos faltam,
e aos amigos
quando fazemos o luto pela sua perda.
E já perdemos tantos, "alfero" Cabral",
tantos de A a Z
camaradas como tu e o António, 
ou amigas como a Zélia!

São tantos os estereótipos, 
amigos e camaradas,
sobre os amigos e a amizade.
E os camaradas.

Pacífico, Patrício, Paula,  Paulo, Pedro.

Sem falar do 'Nino', e do Pires, e do Mané, e do Manecas, e do Indjai, 
dos teus inimigos, que, esses, afinal
eram os mais previsíveis,
estavam sempre do outro lado da ponte...

Que à volta eles cá te esperam,
Amílcar Cabral,
aliás Abel Djassi.
Bolas, vocês até podiam ter sido,
se não amigos,  bons vizinhos!
Que camaradas, salvo seja,
cada "dari" ou chimpanzé no seu galho!
Que chimpanzé não é macaco,
era ferreiro castigado por Alá 
por trabalhar ao sábado 
e andar a fazer drones e espadas de guerra
em vez de arados para lavrar a terra.


Ramiro, Raul, Ribeiro, Ricardo, 
Rogé, Rogério, Rosa, Rui.

Amigo verdadeiro, esse vale mais do que dinheiro,
meu pobre Amadu Djaló,
bom crente, bom muçulmano,
bravo combatente,
leal aos teus amigos "tugas",
tu a quem já te acusaram de mercenário.

Mas vale a morte que tal sorte, Marcelino,
quando os amigos que tens não os tens.
Como os velhos elefantes, 
devias ter voltado para o teu chão,
para morrer entre os teus
e seres enterrado debaixo do teu poilão
Zé Carlos Suleimane Baldé.

O próximo teste,
é quando ganhares o Euromilhões.
Ou quando ficares esticado no caixão, ao comprido:
será que lá terás todos os gatos pingados da companhia ?

Sadibo, Santos, Sebastião, Sérgio, Serra,  
Silvério, Sílvia, Sílvio, Souleimane,  Sousa, Susana, 

Antes boa que má companhia, 
nem que seja a do gás e electricidade.
Amigos, amigos, negócios à parte,
dizia o teu primeiro,
que chegou a "mandjor"...

Tibério, Timóteo, Tina, Tomané, Tomás, Tony.

Afinal, quem vai à guerra dá e leva.
Quem te avisa, teu amigo é,
leste uma vez no bilhetinho anónimo
do tempo da delação e do inquisidor-mor.

Quem seu amigo quiser conservar,
com ele não há-de negociar.
E será que se pode blogar,
Carlos ?
Longe da cidade, tanto melhor, diz o
Vinhal,
que é da vila de Leça do Balio.

Mas... quem tem amigos, não morre na cadeia,
nem no exílio, dourado,
seja feio ou belo, 
e mesmo que se chame José, o viking.

Um rico avarento não tem amigo nem parente.
As boas contas fazem os bons amigos.
Ao bom amigo, com o teu pão e o teu vinho.
Ao rico mil amigos se deparam,
ao pobre até seus irmãos o desamparam.

Os camaradas, comandos e parafusos  dizem: 
"Connosco ninguém fica para trás"...
Aquele que te tira do perigo, é teu amigo.
Bocado comido não faz amigo,
porque não é partilha...
Defeitos do teu amigo ?

Lamento, meu caro Mário, mas não maldigo
o teu nome de guerra,  "Tigre de Missirá"
Em tempo de figos, não há amigos.
Chacun que se governe, Patrício,
em caso de peste (de que Deus nos livre!).
Ou de ataque de abelhas.
Ou de pânico mortal.
Ou de fobia,
acrescenta aí, "Duque do Cadaval".

Muitos conhecidos, poucos amigos:
não é nenhuma heresia,
é palavra do Senhor,
e o Senhor esteja contigo,
meu camarigo  Jaquim,
e com todos nós, filhos da humanidade,
de Abel e de Caim.
Afinal foi Jesus Cristo que nos mandou
amar a Deus acima de todas as coisas 
e ao próximo como a nós mesmos.
Mas parece muito mais fácil 
cumprir o primeiro mandamento do que o segundo,
dizia o camarigo  Jero
Ora, bolas, como podemos amar a Deus que não vemos, 
se não amarmos o próximo que está à nossa frente, 
pergunta o capelão Puim?!

Guardem-se , entretanto, do alvoroço do povo, 
todo os Josés e todo os Joões,
mais os Martins,
e de travar com o doido.

Mas se calhar não há maior amigo 
do que o mês de julho
com o seu trigo que dá pão.
Olha, mulher, se não tens marido,
pouca sorte a tua,
não tens amigo e acabas na rua,
Lena, Hiena, de Bafatá.

Amigo mesmo é aquele que sabe o pior
a teu respeito
e mesmo assim... continua a gostar de ti,
mesmo que tenhas perdido a tua caderneta de vôo,
meu inFélix piloto Jorge dos Allouettes...

Quando uma pessoa perde dinheiro, perde muito;
quando perde um amigo, perde mais,
ó herói de Gadamel, agora tabanqueiro na Maia;
quando perde a coragem e a fé, perde tudo.
Onde é que já leste isto, Gil,
da Tabanca dos Melros ?

Valente, Valentim, Vasco, Victor (com c e sem c).

Difícil, meus amigos e camaradas da Guiné,
é ganhar um amigo numa hora;
fácil é ofendê-lo
e perdê-lo num minuto.
O Torcato Mendonça "dixit", 
da sua janela do Fundão
que dava para a Gardunha,
a Serra da Estrela e a cova da Beira.

Vilma,Virgílio, Virgínio,   Zé.

Hoje é o amanhã
que tanto nos preocupava ontem,
escreveste tu isto no teu diário,
nas páginas dos feriados 
 e dos Dias de Todos os Santos guerreiros...

Mas não menos sábia 
do que a do teu amigo Cherno
é a sabedoria do mongol:
o vitorioso tem muitos amigos, fracos,
mas o vencido tem bons amigos, valentes.
E até o otomano aprendeu à sua custa:
"Quando o machado entrou na floresta,
as árvores disseram:
'O cabo é dos nossos,
mas a lâmina de aço... não a estamos a reconhecer' ".

Resta-nos a agridoce memória do passado,
as toponímias da nossa peregrinação trágico-marítima,
do Pijiguiti ao Xime,
de Bolama a Buba,
de Gandembel a Guileje,
de São Domingos a Catió,
sem esquecer o Cheche, 

e o Paulo, e o Rui, e o Aparício 

O que foi duro de sofrer,
lá longe da Pátria,
é agora doce de recordar,
no lar, no doce lar, 
conclui o cadete da Academia,
na fria pedra de mármore de Vila Viçosa.

Olha o Cufeu, Amílcar,
olha o Cufar, Fitas!

Planta hoje a semente da amizade,
mesmo que não sejas lavrador,
para colheres amanhã a flor da gratidão.
Ser amigo é ser generoso,
é dar antes de te pedirem,
é um gesto gratuito.
Quiçá o mais puramente gratuito dos teus gestos.
Ou será interesseira, a amizade ?
Para ti, não é como dar aos pobres...
Aí emprestas a Deus,
tu que és Paulo e Lage, tu que és pedra,
e Deus paga-te em vida ou na morte,
com os dividendos do poder,
da glória, da fama, da riqueza 
ou da eternidade,
lá no Olimpo dos Camarigos

Se estás tão cansado, meu amigo,
Junqueira, Condeço, Tavares,
que não possas dar-me um sorriso,
eu deixo-te o meu,
a ti que és Victor,
E "In Hoc Signo Vinces".

Não, nunca digas:
"Chega-te para lá, que me tapas o meu sol".
Por que o sol quando nasce devia ser para todos.
As lágrimas dos bons caem no chão,

Arminda, Rosa, Áurea, Giselda, Ivone, Zulmira,

para poderem vir a engrossar os rios da revolta
e da indignação.
Inútil tentares juntar as tuas mãos,
se elas não estiverem vazias,
diz o teu guru do Tibete, agrilhoado.
Os amigos escolhe-os tu,
os parentes são os que Deus te deu.
Quando estás certo, ninguém se lembra;
quando estás errado, ninguém esquece.

Amigos e camaradas paraquedistas,
poucos e loucos mas bons,
que não são do arre-macho
nem da tropa-macaca,
que também é gente e primata,

Volta o teu rosto na direção do sol, 
tu, Miguel, que és o mais "strelado" de todos nós,
para que as sombras fiquem para trás, 
E não caias do céu aos trambolhões, 
tu, tenente pilav que chegaste a general.

À laia de conclusão,
amigos e camaradas da Tabanca Grande, de A a Z,
sintam-se todos evocados e convocados,
para esta maratona da amizade e camaradagem.
E honrados.

Antes de começares o trabalho de mudar o mundo,
dá três voltas dentro de tua casa...
E sobretudo não esqueças a lição
sobre a parábola da Sabedoria e da Asneira:
"Para os erros alheios,  
temos os olhos do lince;
para os nossos próprios, 
os olhos da toupeira".
 
 
PS - Requiem para os amigos e camaradas da Tabanca Grande
que já se despediram da Terra da Alegria


A. Marques Lopes (1944-2024) 
Agostinho Jesus (1950-2016) 
Alberto Bastos (1948-2022) 
Alcídio Marinho (1940-2021) 
Alfredo Dinis Tapado (1949-2010) 
Alfredo Roque Gameiro Martins Barata (1938-2017) 
Amadu Bailo Jaló (1940-2015) 
Américo Marques (1951-2019) 
Américo Russa (1950-2025) 
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António Manuel Sucena Rodrigues (1951-2018) 
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António Rebelo (1950-2014) 
António Teixeira (1948-2013) 
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Armandino Alves (1944-2014) 
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Armando Teixeira da Silva (1944-2018) 
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Aurélio Duarte (1947-2017) 

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Carlos Azeredo (1930-2021) 
Carlos Cordeiro (1946-2018) 
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Carlos Filipe Coelho (1950-2017) 
Carlos Geraldes (1941-2012) 
Carlos Marques dos Santos (1943-2019) 
Carlos Rebelo (1948-2009) 
Carlos Schwarz da Silva, 'Pepito' (1949-2012) 
Carronda Rodrigues (1948-2023) 
Celestino Bandeira (1946-2021) 
Clara Schwarz da Silva (1915-2016) 
Cláudio Ferreira (1950-2021) 
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Fernando Rodrigues (1933-2013) 
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Francisco Pinho da Costa (1937-2022) 
Francisco Silva (1948-2023)
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Gertrudes da Silva (1943-2018) 
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Ivo da Silva Correia (c. 1974-2017) 

João Barge (1945-2010) 
João Cupido (1936-2021)
João Caramba (1950-2013)
João Diniz (1941-2021)
João Henrique Pinho dos Santos (1941-2014)
João Meneses (1948-2020)
João Rebola (1945-2018) 
João Rocha (1944-2018) 
João Silva (1950-2022)
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Joaquim da Silva Correia (1946-2021) 
Joaquim Peixoto (1949-2018) 
Joaquim Sequeira (1944-2024) 
Joaquim Vicente Silva (1951-2011) 
Joaquim Vidal Saraiva (1936-2015) 
Jorge Cabral (1944-2021) 
Jorge Rosales (1939-2019)
Jorge Teixeira (Portojo) (1945-2017) 
José António Almeida Rodrigues (1950-2016) 
José António Paradela (1937-2023) 
José Augusto Ribeiro (1939-2020) 
José Barreto Pires (1945-2020) 
José Carlos Suleimane Baldé (c.1951-2022) 
José Ceitil (1947-2020) 
José Eduardo Alves (1950-2016) 
José Eduardo Oliveira (JERO) (1940-2021) 
José Fernando de Andrade Rodrigues (1947-2014) 
José Luís Pombo Rodrigues (1934-2017)
José Manuel Amaral Soares (1945-2024)
José Manuel Dinis (1948-2021) 
José Manuel P. Quadrado (1947-2016) 
José Marcelino Sousa (1949 - 2023) 
José Martins Rosado Piça (1933-2021) 
José Maria da Silva Valente (1946-2020) 
José Marques Alves (1947-2013) 
José Moreira (1943-2016) 
José (ou Zé) Neto (1929-2007) 
José Pardete Ferreira (1941-2021) 
Júlio Martins Pereira (1944-2022) 

Leite Rodrigues (1945-2025) 
Leopoldo Amado (1960-2021) 
Leopoldo Correia (1941-2024)
Libório Tavares (Padre) (1933-2020) 
Lúcio Vieira (1943-2020) 
Luís Borrega (1948-2013) 
Luís Encarnação (1948-2018) 
Luís Faria (1948-2013) 
Luís F. Moreira (1948-2013) 
Luís Henriques (1920-2012) 
Luís Rosa (1939-2020) 
Luiz Fonseca (1949-2024)
Mamadu Camará (c. 1940-2021) 
Manuel Amaral Campos (1945-2021) 
Manuel Carneiro (1952-2018) 
Manuel Castro Sampaio (1949-2006) 
Manuel Dias Sequeira (1944-2008)
Manuel Marinho (1950-2022) 
Manuel Martins (1950-2013)
Manuel Moreira (1945-2014) 
Manuel Moreira de Castro (1946-2015) 
Manuel Varanda Lucas (1942-2010) 
Manuel Gonçalves (Nela (1946-2019 (*) 
Marcelino da Mata (1940-2021) 
Maria da Piedade Gouveia (1939-2011) 
Maria Ivone Reis (1929-2022) 
Maria Manuela Pinheiro (1950-2014) 
Mário de Oliveira (Padre) (1937-2022) 
Mário Gaspar (1943-2025)
Mário Gualter Pinto (1945-2019)
Mário Vasconcelos (1945-2017)
Nelson Batalha (1948-2017) 
Nuno Dempster (1944-2026)
Nuno Rubim (1938-2023)

Otelo Saraiva de Carvalho (1936-2021) 
Paulo Fragoso (c.1947-2021) 
Queta Baldé (1943-2021) 
Raul Albino (1945-2020) 
Renato Monteiro (1946-2021)
Regina Gouveia (1945-2024) 
Rogério da Silva Leitão (1935-2010) 
Rui Alexandrino Ferreira (1943-2022) 
Rui Baptista (1951-2023) 
Suleimane Baldé (1938-2025)
Teresa Reis (1947-2011) 
Torcato Mendonça (1944-2021)
Umaru Baldé (1953-2004) 
Valdemar Queiroz (1945-2025)
Vasco Pires (1948-2016) 
Veríssimo Ferreira (1942-2022) 
Victor Alves (1949-2016) 
Victor Barata (1951-2021) 
Victor Condeço (1943-2010) 
Victor David (1944-2024) 
Vítor Manuel Amaro dos Santos (1944-2014) 
Xico Allen (1950-2022) 
Zélia Neno (1953 - 2023)
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Luís Graça (2009). O original foi escrito num noite de insónias,
há muitos anos (**).

Revisto e melhorado em 14/3/2026,
o dia em que a minha neta Rosa Klut Graça começou a andar,
 às 20:15, na casa da Graça.
30 pequenos passos de gigante.
O primeiro "sprint" da sua vida. Aos 13 meses e meio.
E eu, por sorte, registei em vídeo esse momento único.
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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 14 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27734: Efemérides (383): O dia 14 de Fevereiro é para mim mais que "o Dia dos Namorados”, é o ‘Dia da Amizade” (João Crisóstomo, ex-Alf Mil Inf)

João, já existe o Dia Internacional do Amigo e da Amizade. A Assembleia Geral das Nações Unidas resolveu convidar todos os países membros a celebrar o Dia Internacional da Amizade em 30 de julho. Só temos 365 dias por anos (mais um,  nos bissextos). O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca é...Grande. Por causa das confusões, fica o Dia do Camarigo, no dia 14 de fevereiro.

(**) Vd. poste 21 de novembro de 2009 > Guiné 63/74 - P5309: Blogpoesia (58): Para os amigos e camaradas da Guiné que esta noite tiveram insónias (Luís Graça)

(***) Último poste da série > 
16 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27824: Manuscrito(s) (Luís Graça) (284): a crise da habitação não é apenas dos humanos, é também das... cegonhas que se renderam ao "fast food" e já não migram para África!

Guiné 61/74 - P27824: Manuscrito(s) (Luís Graça) (284): a crise da habitação não é apenas dos humanos, é também das... cegonhas que se renderam ao "fast food" e já não migram para África!


Portugal > Alentejo > Casa de campo na Herdade do Serrado de Baixo > Caminho Municipal 1081-2, Sr. dos Aflitos, 7005-874 Évora, Portugal > 1 de março de 2026 


Portugal > A2 > Sentido Lisboa > 1 de março de 2026 > A crise da habitação (1)


Portugal > A2 > Sentido Lisboa > 1 de março de 2026 > A crise da habitação (2)

Portugal > A2 > Sentido Lisboa > 1 de março de 2026 > A crise da habitação (3)


Portugal > A2 > Sentido Lisboa > 1 de março de 2026 > A crise da habitação (4)

Portugal > A2 > Sentido Lisboa > 1 de março de 2026 > A crise da habitação (5)... Fotos tiradas de dentro carro em andamento, com o vidro sujo... (tirando a primeira).

Fotos (e legendas): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. A série "Manuscrito(s) (Luís Graça)" é onde eu, em geral, escrevia (e continuo a escrever) as minhas "blogarias"... Também tenho direito a elas, bolas. Pus o meu blogueforanada, criado em 8 de outubro de 2003, ao serviço da comunidade virtual dos amigos e camaradas da Guiné. Progressivamente, sobretudo a partir de finais de 2004/princípios de 2005, deixei de falar de mime do meu umbigo (como diria o nosso Alberto Branquinho, escritor da guerra colonial).

De facto, daí em diante abstive-me de falar da atualidade, da minha vida, da minha profissão, dos meus lazeres, dos meus amores e ódios de estimação, das minhas angústias existenciais, da minha vida sentimental, das minhas crises financeiras, das minhas crises de fé e de patriotismo, e de outras merdas que não interessam a mais ninguém a não ser ao meu confessor e ao meu psicoterapeuta. Esporadicamente, falo das minhas geografias emocionais, da Lourinhã, da Quinta de Candoz, de uma outra "escapadela" (viajo cada vez menos)...

Há dias, depois do vendaval que tudo levou, fui/fomos dar uma volta pelo Alentejo (do Alto) a ver se estava tudo no mesmo sítio. Gosto do Alentejo (e até mais do Baixo), tem a vantagem de ocupar um terço deste país (31,5 mil km2) e ter c. de 4,4 % (470 mil) da população total.

O Alentejo tem singularidades, uma das quais vale a pena destacar:

  • 1 cegonha por cada 30–50 pessoas;
  • 1 abetarda por cada 400/500 pessoas;
  • e cada vez menos mouros (e cada vez menos sobreiros e azinheiras, ou seja, montado).

Para uma região europeia, isto é extraordinário, porque estas aves (pesadonas, e nomeadamente a abetarda...) dependem de paisagem agrícola extensiva, que praticamente desapareceu em grande parte da Europa.

Muitos dos nossos leitores (que nunca viram uma abetarda) não sabem, mas há mais abetardas em poucos concelhos do Baixo Alentejo (Castro Verde e pouco mais) do que em muitos países europeus inteiros.

Mas eu não fui a Castro Verde (que é a capital das abetardas portuguesas), fui a Évora e a Montemor-o-Novo. E pelo caminho fui-me dando conta que a "crise da habitação" também já chegou a terras do sul... Aqui fica um registo fotográfico dos "ocupas"...


2. Já agora acrescente-se, sobre a grande ave das estepes cerealíferas, a Abetarda (Otis tarda), que:


  • em Portugal existem cerca de 900–1.200 indivíduos;
  • cerca de 80% vivem na região de Castro Verde, no chamado “Campo Branco”;
  • é praticamente exclusiva do Alentejo, em Portugal;
  • a Espanha tem a maior população mundial (c. 25.000–30.000 aves), seguida da Hungria (c. 1500) e... do Alentejo;
  • em todo o mundo não haverá mais do que 36.000 abetardas, a espécie nos últimos 15 anos perdeu 35% da sua população.

3. Sobre a cegonha: a espécie dominante é a Cegonha‑branca (Ciconia ciconia):
  • em Portugal, segundo os dados do último censo anual da espécie, realizado em 2014, haveria c. de 12.000 ninhos ocupados (um aumento substancial face aos 1.533 ninhos que estavam ocupados 30 anos antes, no censo de 1984);
  • estes "emigras" (e "ocupas") dão-se tão bem em Portugal (e não descontam para a Segurança Social!...), que nem migram para África, imaginem (ainda não li, nas redes sociais, os gajos racistas e populistas a pedirem a expulsão das cegonhas, mas lá chegarem0s, pelo andar da carruagem);
  • esse aumento tem sido acompanhado por uma população residente cada vez maior (passou de 1.187 aves registadas no censo de inverno realizado em 1995, em que se contaram cegonhas que não tinham migrado, para um total de 19.295 que o não fizeram em 2020, segundo os dados do censo de inverno feito em outubro passado);
  • mais de 80% dos ninhos estão no Sul, sobretudo nos distritos de Beja, Évora, Setúbal, Santarém e Portalegre — ou seja, essencialmente Alentejo e envolvente;
  • põe-se então a questão de saber quando é que se atinge o "limite máximo de carga" (aliás, é o mesmo problema que se põe patra nós. humanos); para quem vai por essa autoestrada do sul, a A2, a caminho do bem-bom (férias, praia, sol, golfe, boa vida, comes & bebes,...), já se nota nos postes de alta tensão da REN sinais da "crise de habitação... das cegonhas".
Pesquisa: LG + Wilder + IA (ChatGPT / OPen AI)
(Condensação, revisão / fixação de texto: LG)

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domingo, 15 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27823: No céu não há disto: comes & bebes: sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande (50): Não há sável ? Come-se lúcio...




 Lúcio (Esox lucius), peixe do rio, frito,  com arroz de ervilhas e cenoura... Para matar saudades do sável que este ano "cá tem", diz a "chef" Alice. 

Fotos (e legendas): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Há meses, pelo menos desde as vindimas (*),  que os vagomestres da Tabanca Grande não dão notícías, o mesmo é dizer, sinais de vida. Com todos os inconvenientes que isso traz para o moral da tropa.

Agora que é a época do sável e da lampreia,  ainda pior. Nem sável nem lampreia nem comes & bebes...
A lampreia há anos que  não a aprovamos, está mais cara que a lagosta... E o sável, este ano, teima em não aparecer na banca da nossa peixeira. O melhor período para a pesca e consumo seria agora, mas sável nem vê-lo.

Talvez na sexta santa, dia 3 de abril deste ano, a gente ainda apanhe algum sável retardatário no Douro Bar Petiscaria, na Barragem do Carrapatelo, São Cristóvão da Nogueira, Cinfães. Sem sável, não há Quaresma nem Páscoa, diz a "chef" Alice, que é do tempo em que o sável e a lampreia iam à mesa dos pobres.

Até lá, e para matar saudades, frita-se o lúcio, 
Lúcio (Esox lucius).
Fonte: cortesia da Wikipedia
que é um predador voraz que foi desgraçadamente
introduzido nos nossos rios e barragens, vindo da América e de Franaça, para grande gáudio dos pescadores desportivos e desespero dos ambientalistas.. 

Pode chegar a 1 e tal metro e aos 20/30 quilos (e, pior, viver até aos 30 anos!)... A "carne" é saborosíssima 
e, frito,  tem poucas espinhas. Temo-lo encontrado na peixeiria do Auchan Alfragide, em geral exemplares com 2 quilos e tal / 3 quilos, e a 6 euros o quilo. 

Não sei qual a sua proveniência mas o mais provável é ser do Rio Guadiana ou afluentes.

O segredo é saber cortá-lo, tal como o sável, em postas finas. E depois saber fritá-lo. Ainda não está nos hábitos gastronómicos dos portugueses. 

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Nota do editor LG:

Guiné 61/74 - P27822: Humor de caserna (246): O anedotário da Spinolândia (XVIII): Ó nosso furriel, a Guarda não destroça, recolha!.... (Domingos Robalo, ex-fur mil art, BAC 1 / GAC 7 / GA 7, Bissau, 1969/71; foi também cmdt do 22º Pel Art, em Fulacunda, 1969/70);


Domingos Robalo, ex-fur mil art,
BAC 1 / GAC 7 / GA 7, Bissau, 1969/71;
foi comandante do 22º Pel Art, em Fulacunda
(1969/70); nasceu em Castelo Branco,
trabalhou na Lisnave,
vive em Almada; tem cerca de
 3 dezenas de referências no nosso blogue.

I. Mais algumas algumas anedotas de caserna da Spinolândia (1968/73), quando o general Spínola foi Comandante-Chefe e Governador da então Guiné Portuguesa (hoje Guiné-Bissau) (*). 

A primeira é do Domingos Robalo, as restantes foram selecionadas por nós, de uma recolha feita pela IA (ChatGPT / Open AI)


1. Ó nosso furriel, a Guarda não destroça, recolhe

Esta é do Domingos Robalo, merece honras de montra principal (isto é, ser editada em poste):

A minha comissão na Guiné foi de maio/69 a maio/71. A única alcunha que conheci do General era a do “Caco Baldé”. Devido ao uso do monóculo.

A minha unidade ficava nas traseiras do QG: era a BAC1, que mais tarde passou a GAC7 e por fim em GA7, com a chegada do reforço da antiaérea na sequência da operação "Mar Verde”.

Em um sábado fui nomeado “sargento da Guarda” ao QG e áreas envolventes. A meio da manhã fui informado da entrada do General pela porta de armas onde eu estava Tinha o pessoal da Guarda formado e pronto para as honras devidas.

O General chegou na viatura e saiu desta para passar a porta de armas, a pé. Foi prestada a guarda de honra mas eu, como miliciano, não conhecia algumas regras e normas devidas para estas honrarias. Assim, quando o general se afastou, mandei “destroçar” o pelotão.

De imediato, o general vira-se para trás e diz-me:


— Ó nosso Furriel, não sabe que a Guarda não destroça, mas recolhe ?!

Encavacado, respondi, com as formalidades exigidas no momento, que não sabia.

A última palavra do general:

— Então não esqueça.

Nunca mais esqueci e fui passando palavra aos camaradas.

sábado, 14 de março de 2026 às 10:26:00 WET


2. O mapa sempre otimista

Num dos famosos briefings do QG/CCFAG em Bissau, um oficial de operações apresentava o mapa cheio de alfinetes vermelhos (zonas de controlo e/ou atividade do PAIGC).

Spínola olhou e comentou:

— Se continuarmos a pôr alfinetes vermelhos, qualquer dia não sobra mapa.

O oficial respondeu:

— Mas, meu general, também temos os azuis (posições das NT)

Ao que Spínola comentou, sarcástico:

— Pois… mas os azuis não se mexem.

A sala ficou em silêncio.


3. A barba regulamentar


Spínola introduziu uma certa tolerância com barbas e bigodes, sobretudo nas tropas africanas e em algumas unidades especiais. Não era habitual ele preocupar-se com esses detalhes. Os oficiais superiores da sua entourage faziam-no discretamente, mandando cortar barbas e cabelos.

Numa inspeção a um quartel, um alferes muito jovem apareceu com uma barba enorme. O general dessa vez não gostou e perguntou:

— Então, nosso alferes, isso é barba de guerrilheiro ou de revolucionário?

Resposta nervosa:

— É barba de operacional, meu general.

Diz-se que Spínola respondeu:

— Muito bem… desde que também seja um bom operacional no mato.

4. Soldado africano, "manga de contente"

Numa visita a tropas africanas, o general perguntou a um jovem soldado:

— Então, "djubi", gostas de combater sob a nossa bandeira ?

O soldado respondeu prontamente:

— Sim, meu general.

Spínola insistiu:

— E porquê?

Resposta:

— Porque o meu primeiro sargento paga sempre patacão a  tempo e horas.

A história correu pelos quartéis como exemplo da sabedoria pragmática dos soldados do recrutamento local.


5. O relatório demasiado optimista

Um comandante de companhia enviou um relatório dizendo que a sua zona estava “totalmente controlada”.

Poucos dias depois houve um ataque do PAIGC nessa área. Spínola comentou ironicamente:

— Se isto é totalmente controlado, então eu não quero imaginar o que seja meio descontrolado.


6. A definição de “Spinolândia”

Entre os militares do CTIG  começou a circular o termo “Spinolândia” para designar a Guiné durante o comando de Spínola.

Um capitão terá dito numa messe:

— Isto agora é a Spinolândia.

Perguntaram:

— Então, porquê?

Resposta:

— Porque aqui tudo funciona à maneira do nosso general: administração civil, política, guerra, propaganda, psico, reordenamentos,  cerimónias, idas a Meca,  louvores e porradas.


(Pesquisa: LG + IA (ChatGPT / Open Ai) | Condensação, revisão / fixação de texto: LG)
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Nota do editor LG:


(*) Último poste da série > 13 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27820: Humor de caserna (245): O anedotário da Spinolândia (XVII): A Anedota e a Piada...

sábado, 14 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27821: Os nossos seres, saberes e lazeres (726): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (247): A câmara clara e a câmara escura de manhã ao anoitecer: Acasos e descasos de exultação do fotógrafo remendão (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 25 de Fevereiro de 2026:

Queridos amigos,
São fotografias avulsas, fruto de situações desirmanadas, recolhidas entre a manhã e o anoitecer, para falar com mais propriedade, entre o alvorecer e a queda do dia. Tomadas como instantâneos de carácter pessoal, como serve de exemplo passar junto de um vendedor de mancarra, caju e cola, ali no Rossio, fixar o olhar naquelas nozes que, pasme-se, até serviram de refrigério para a sede, quando se passava uma noite inteira no planalto de Mato de Cão, viera-se com um cantil de água, estava previsto transitar por ali barcos às oito da noite, passaram afinal com a primeira luz do dia, e de Mato de Cão a Canturé, onde se podiam apanhar as toranjas mais ácidas do mundo, eram 7Km e a língua encarquilhava pelo caminho, era nisto que uma mão amiga me dava um pedaço de noz para mascar, assim se apaziguava a tortura da sede, era impossível não estar ali deleitado com a recordação de coisas vividas há mais de meio século. Há recordações da natureza, há saudades de caminhadas, o leitor que de desculpe com aquilo que eu chamo os acasos e descasos de exultação do fotógrafo remendão.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (247):
A câmara clara e a câmara escura de manhã ao anoitecer:
Acasos e descasos de exultação do fotógrafo remendão


Mário Beja Santos

As imagens que agora se desfilam cabem perfeitamente na categoria de acasos e descasos, passou-se por ali e o acaso é quando a memória entra em rotação, chega a produzir efeitos retroativos, logo o caso da primeira imagem, saiu-se do metro no Rossio, caminha-se pela Praça D. Pedro IV, são umas centenas de metros até à Sociedade de Geografia de Lisboa, há ali uns bancos, penso que por usucapião, pertença de homens grandes, alguns deles prontos para a venda ambulante, coisas da Guiné de lá vindas, ou coisas cá feitas para guineenses. O olhar fixa-se naquele saco aberto, coração estremece, toca a sineta das lembranças, puxa-se conversa com vendedor, se me dá licença que remexa nas nozes de cola, explico como elas me são familiares, como me ajudaram a matar a sede, mesmo com o seu grau de acidez peculiar, quem estava sentado faz perguntas, onde e quando esteve, já partimos mantenhas, escuso-me de prolongar a conversa, parto com recordações vívidas, dê por onde der, a Guiné vai dos cinco sentidos ao que há dentro da pele. Pois bem, vou justificar-me da razão das imagens que se seguem.
Nozes de cola à venda na Praça D. Pedro IV
Caminhava-se para o Natal, há sempre um pretexto para fazer um grupo e ir ver as iluminações da baixa. Só dei pelo aparato da imagem em casa, este rei D. José I terá dado muito trabalho a Machado de Castro, mas se o leitor decidir ir visitar o Museu Militar será surpreendido com uma construção ciclópica feita para transportar todo este peso até ao Terreiro do Paço. Francamente, o que mais gosto é ter o monarca bastante esfumado e mergulhado na escuridão com aquele casario estranhamente azulado, seguramente um acidente na operação do fotógrafo.
Ponho-me ali pasmado a conversar com a árvore luminosa, nem sei mesmo se aquela luz lá no cimo é a estrela de Belém, o que me deslumbra em toda esta cenografia da luz é o espetáculo das compras que a luminotecnia favorece, por ora anda-se ali em multidão só para desfrute da Baixa iluminada, ponho muitos pontos de interrogação se quem anda a esta hora aqui a passear vem amanhã ao longo do dia participar no frenesim das compras.
Não escondo que sou um aficionado da Feira da Ladra, venho cedo fundamentalmente por causa da compra de livros, mas sempre deitando um olho à variada traquitana. O grande fornecedor dos apetecíveis livros ainda não chegou, avanço para junto do antigo Hospital da Marinha que vai seguramente ser um condomínio de prestígio e apanho em simultâneo as luzes amarelecidas da noite que escapa e daquele céu que clareia na outra banda, com o Tejo de premeio.
Vou depois deambular pelos fascinantes murais opostos ao paredão do Jardim de Santa Clara, gozo com o artifício das luzes amareladas, que não existem na realidade neste monumental azulejar, ali predominam os tons azuis e as cores berrantes, enfim são artifícios só possíveis porque a noite ainda não acabou e o dia ainda não nasceu.
É quase um espetáculo fantástico aqui no Largo de Santa Clara, estão a chegar os vendedores, vão tirar todos os seus trastes das carrinhas e ocupar os espaços demarcados, os agentes da polícia municipal a vigiar os movimentos, mas o que me interessa é a luz esborratada do céu a conjugar-se com aquele amarelo da noite agonizante.
Sou um grande apreciador do artista Jacinto Luís, tenho dele um óleo e uma serigrafia, cativa-me o seu claro-escuro que podem ser edifícios ou até naturezas mortas, e quando me voltei para o Panteão de Santa Engrácia foi instantaneamente a lembrança que me ocorreu, estivesse aqui o Jacinto Luís, certo e seguro de que teríamos tiro e queda para quadro a óleo ou serigrafia.
Estou no terraço do meu casebre no Reguengo Grande, a última freguesia no concelho da Lourinhã já a bordejar o Bombarral, fantasio que vem lá do cimo do mar e tem o oceano a menos de 20Km toda esta Glória dos céus, mais do que o anúncio do fim do dia encho-me de felicidade com esta cavalgada de céu sanguíneo, há para ali uma mensagem em que me convida a amar a vida e a bendizer o dia que fenece e a agradecer a Deus a bênção do dia seguinte.
Desço um caminho escalavrado a partir de minha casa, cumprimento a Susana e o Henrique, depois o casal alemão da casa ao lado, meto-me numa vereda e minutos depois estou em Vale Cornaga, um mundo que me parece perdido, terá tido moinhos, campos lavrados, possui recantos idílicos, e nesta invernia água não falta; todo este caminho é frequentado por pedestres e há quem para aqui traga os seus cães, nos declives houve outrora culturas, agora é tudo abandono e as próprias habitações entraram em derrocada. É um vale que nos mostra o significado da interioridade, a pouco mais de 70Km de Lisboa, a perto de 60Km da vastíssima Loures, uma das dimensões suburbanas da Área Metropolitana. É assim o nosso Portugal desigual.
Toda a Igreja de Nossa Senhora de Fátima é património incomparável que saiu do traço do arquiteto Porfírio Pardal Monteiro e do génio de Almada Negreiros. Sempre que posso venho contemplar os vitrais de Almada e a harmonia que se respira de todo o conjunto. É inevitável a visita ao batistério, aqui fui batizado em julho de 1945, da comunicação entre Pardal Monteiro e Almada resultou esta efervescência de luz e a transbordante espiritualidade que nos evoca o princípio da caminhada na crença de um amor de Deus que se reparte pelos outros humanos.
Um dia, o meu amigo João Sousa Pires, que foi furriel em Missirá, no Regulado do Cuor, mostrou-me esta imagem, a chegada da água da fonte em bidons para o então horrível balneário, um recinto rodeado de folheta, alguma dela ferrugenta, onde muita gente se golpeou, antes ou depois de se lavar naquela água a cheirar a petróleo ou coisa parecida. O que importa neste momento é ver na caixa da viatura Cido Indjai, militar brioso, caçador exímio, não percebia bem porque é que eu não gostava nem da carne do porco do mato nem da gazela; a caminhar para nenhures vejo em tronco nu Nhaga Macque, primeiro-cabo, fumava cachimbo e tinha as maneiras de um príncipe. Saudades de dois amigos que não voltarei a ver.
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Nota do editor

Último post da série de 7 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27803: Os nossos seres, saberes e lazeres (725): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (246): O Palácio Biester, de romantismo inconfundível, envolvido por um par de sonho - 2 (Mário Beja Santos)