Os Frangos do Vagomestre
Uma BD inspirada num microconto
do Alberto Branquinho (2013)
... Que o essencial dos reabastectmentos vinha de barco ou em em coluna logística, uma ou duas vezes por mês, conforme a estação do ano ou as necessidades!
... Oh!, homem, come e cala, que amanhã podes perder o apetite!
... E quem disse que não havia já "chefs" de cozinha, arrojados, criativos, capazes de apresentar pratos exóticos, fazendo das tripas coração e valendo-se dos recursos locais (com o lagarto, o jagudi, o macaco-cão, etc.) para fazer um arroz especial... com mafé ?!
... Vida dura, a do mato !...
Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto : Adpat de Alberto Branquinho (2013)
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.
1. Eu achei o conto "magistral" (*)... Mas, confesso, esperava mais comentários ao poste...O desmérito é do editor, náo do autor... De facto, em vez de "Arroz especial... com mafé", eu devia ter optado por um título mais provocatório... "Hoje há arroz de jagudi no forno"...ou outro título de fazer crescer a água da boca dos camaradas de Baião e do Marco de Canaveses onde se faz o melhor arroz de anho no forno...Em Portugal & arredores.
Recorde-se, para quem leu, que a história começa com um princípio (ou um ameaço) de "levantamento de rancho"...
Isto passa-se na Guiné, durante a guerra colonial, por volta de 1968, ao tempo em que o Branquinho andava lá com a sua valorosa companhia de caçadores (de "turras", presume-se).
Uma solução à "chico esperto", expedita, do vagomestre e do cozinheiro, para contornar a falta de víveres (e nomeadamente de carne...) e assim enganar toda a gente, a começar pelo capitão, foi recorrer aos pobres dos "abutres-de-capuz" (vulgo, "jagudis") que rondavam o quartel e se alimentavam nas nossas lixeiras...
Ora, toda a gente sabia que o repugnante e feio jagudi era um "animal sagrado".. E desde 1955, que era proibida a sua caça... Eram os "almeidas" da Guiné, comiam os bichos mortos, limpavam as carcaças e, quando havia festa nas tabancas (nomeadamente, o "tchoro", por morte de alguém importante), abatiam-se vacas, não faltavam vísceras para os "almeidas" se banquetearem...
Não tenho que lisonjear o autor, como faz a menina da IA que é para a gente ficar "agarrados a ela".. De facto, a IA é uma nova adição, a par do sexo, da pornografia, da droga, da comida, dos ansiolíticos, do trabalho, do ginásio, do jogo ("gaming"), do telemóvel, das viagens, etc..
Não tenho que lisonjear o autor, como faz a menina da IA que é para a gente ficar "agarrados a ela".. De facto, a IA é uma nova adição, a par do sexo, da pornografia, da droga, da comida, dos ansiolíticos, do trabalho, do ginásio, do jogo ("gaming"), do telemóvel, das viagens, etc..
O Alberto Branquinho já tem os seus créditos firmados. É uma grande microcontista, a par do "alfero Cabral", de saudosa memória, e de mais talentos literários que se sentam à sombra do nosso poilão.
A ideia do autor é excelente e a execução resulta. Tem um daqueles ingredientes que fazem com que as histórias de caserna não morram, como as anedotas, na hora seguinte: é plausível, é absurda e, no fim, toda a gente diz "isto podia perfeitamente ter acontecido".
Porque é que o texto não suscitou comentários imediatos ? Esta é a questão que me intriga... Se o conto é "magistral", porque é que não houve comentários "magistrais" ?
Reconheço que o título não provoca "pica", não tem "sex...apelo". "Arroz especial... com mafé"é um título prosaico, sensaborão, chato...
De facto, só pode despertar curiosidade em quem sabe o que é o "mafé" e se interessa pela culinária da Guiné-Bissau. Para muitos leitores, o poste terá sido visto apenas como mais uma história gastronómica da Guiné-Bissau mais um poste da série do "Comes & bebes: no céu não disto: sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande", com que tapamos às vezes alguns buracos, sobretudo nas férias de verão em que o pessoal vai a águas.
O verdadeiro motor narrativo está lá escondido: "...afinal os frangos do vagomestre eram... jagudis."
É aí que o conto explode. O leitor percorre duas ou três páginas sem imaginar o desfecho. É uma boa surpresa literária. Mas o título não convida a entrar. Vamos experimentar agora com outro: "Os frangos do vagomestre"... mas em em banda desenhada.(**)
É aí que o conto explode. O leitor percorre duas ou três páginas sem imaginar o desfecho. É uma boa surpresa literária. Mas o título não convida a entrar. Vamos experimentar agora com outro: "Os frangos do vagomestre"... mas em em banda desenhada.(**)
O autor merece uma boa BD. Esta "estória cabraliana" (neste caso. "branquiana" ?!...) merece uma boa BD. Os nossos leitores também o merecem.
Digam-nos depois da vossa justiça. Leiam e comentam. À vontade. E também podem rir, se for caso disso. E se vos apetecer rir. Claro, também podem dizer que não tem graça nenhuma (a BD, não o conto)...
No final, não deixamos de fazer uma ressalva: não temos nenhum "parti-pris", sentimento ou ressentimento contra os nossos vagomestres e cozinheiros que nos mataram a fome durante os dois anos de Guiné. Este conto é também uma homenagem a eles. (Ao pessoal da Intendência, fica para outra altura.) (**)
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Notas do editor LG:
(**) Último poste da série : 28 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28220: Humor de caserna (283): "Arroz especial ... com mafé" (um conto magistral de Alberto Branquinho, "Cambança Final", 2013, pp. 85-89)













































