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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28476: Notas de leitura (1975): Meio século de lutas no Ultramar (Guiné), pelo Tenente-Coronel Bello de Almeida, edição da Sociedade de Geografia de Lisboa em comemoração da Semana das Colónias, 1937 - 1 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 31 de Agosto de 2026:

Queridos amigos,
O Tenente-Coronel Bello de Almeida não se limitou a repescar dados publicados em Tributo de Sangue, monografia das campanhas da Guiné, de António da Silva Loureiro, consultou Boletins Oficiais, relatórios, pesquisou nos arquivos. Se fizermos agora o cruzamento de várias obras congéneres, verificamos que há dados pertinentes em falta, logo o chamado massacre de Bolor, que causou profunda consternação no governo de Lisboa e desencadeou a desafetação da Guiné de Cabo Verde.
Os pontos salientes deste trabalho são os locais onde houve sublevações, operações militares, defesa das praças, facilmente concluímos quais eram os pontos nevrálgicos da Guiné das praças e presídios logo Cacheu, Geba, Buba, Bissau, há um silêncio completo sobre Farim, Fá e Bijagós. O grande incêndio era o Forreá, Bolama está a nascer, a presença nos Bijagós é ínfima, a correnteza comercial do rio Geba ia da praça de Bissau ao presídio de Geba. As sublevações prolongar-se-ão até ao início do século XX; curiosa é a acalmia em pontos que ganharão efervescência no século XX em toda a região de Mansoa. É bom relembrar que só se poderá falar da colónia da Guiné e da sua superfície a partir de 1886, depois da Convenção Luso-Francesa de 12 de maio.

Abraço do
Mário



Meio século de lutas no Ultramar (Guiné), pelo Tenente-Coronel Bello de Almeida, edição da Sociedade de Geografia de Lisboa em comemoração da Semana das Colónias, 1937 - 1

Mário Beja Santos

Como todo e qualquer pesquisador, não é incomum sentir-me inquieto quanto à utilidade das investigações em curso, e pensava concretamente no levantamento crítico que fizera ao Boletim Oficial da Costa da Guiné, Colónia e Província da Guiné, se podia ser usado como termo de aferição para outros estudos em matérias congéneres. Quem me dá muito apoio na Biblioteca da Sociedade de Geografia de Lisboa, a Dra. Helena Grego, surpreendeu-me com esta publicação que, no fundo, é uma das possíveis respostas ao manejo da diversidade documental que subjaz ao rigor histórico. O trabalho de Tenente-Coronel Bello de Almeida é um levantamento de todas as lutas no Império, obviamente que aqui só se vai anotar os acontecimentos havidos na Guiné, começando pela sublevação de Cacheu, em 1871, era então Comandante das Forças Coloniais J. A. Marques. O que acontecera?

O Governador da Guiné, Mário Teles Caldeira, reagiu à sublevação com uma coluna expedicionária de Caçadores n.º 1, com a cooperação de navios da Armada e auxiliares, a povoação foi arrasada e os sublevados severamente castigados.

Em 1880, houve que defender a Praça de Buba, pois em 1 de fevereiro os Fulas atacaram a Praça e foram repulsos com grossas perdas. Os civis, entre eles franceses, participaram na defesa. Dois anos depois, no mesmo local, houve operações militares. Em julho, a região foi teatro de devastações e atos de rebeldia praticados por gente de Mamadu-Paté. Foi nomeada uma coluna para o Forreá, sob o comando do Tenente-Coronel Francisco Rosa e foi batido o régulo Bacar-Quidali, este apresentou-se na fortaleza a pedir a paz, pagou indemnização dos roubos feitos nas feitorias do Rio Grande.

Em 1884, houve operações em Cacanda (região de Cacheu), comandou a operação o Tenente-Coronel Eusébio Catela do Vale que desalojou os revoltosos e perseguiu-os nas florestas circunvizinhas. Em 1886, houve operações militares em Geba. Em 19 de junho, uns quinhentos Fulas comandados pelo filho de Umbuco, assaltaram duas tabancas na região de Sancorlã, que estavam sob a proteção de Mussá-Molô. Este régulo, em represália do ataque, avançou com a sua gente sobre algumas populações das imediações do Presídio de Geba, que nenhumas culpas tinham na ação dos Fulas. O chefe do Presídio, Tenente Francisco Marques Geraldes, organizou prontamente uma coluna de duzentos homens e atacou tabancas daquele régulo, arrasando-as e pondo em fuga os seus defensores. Não dispondo de forças suficientes para prosseguir no castigo e vendo que a paz ainda não ficara consolidada, preparou nova expedição, composta de oitenta Praças de 1.ª linha e de cerca de 4.500 indígenas auxiliares (Biafadas, Mandingas, Fulas fiéis). A coluna, em plena estação das chuvas, atacou Mussá-Molô nas tabancas fortificadas de Fancá, bateu o régulo – e assim acabou a lenda de invencibilidade que lhe era atribuída.

Temos novas operações militares em Geba, em 1889. O régulo de Ganadu revelava abertamente desobediência às autoridades, e o Governador mandou efetuar a sua prisão e de quatro dos seus conselheiros. O ato não surtiu efeito, a gente do regulado revelou-se hostil, houve que nomear uma coluna para rebater os revoltosos, comandada pelo Capitão António José Machado, depois de sangrenta luta conseguiu dominar os rebeldes.

No ano seguinte procedeu-se a uma diligência policial em Buba. Na tarde de 19 de junho, o comandante militar desta Praça ordenou ao Alferes José Moreira do Carmo para intimar o régulo Mamadu-Paté, do Forreá, a comparecer naquela Praça para prestarem informações sobre uma ocorrência. O régulo não acatou a intimação como tentou assassinar aquele oficial. Gerou-se confusão e Mamadu-Paté foi abatido a tiro. Saiu uma nova força de Buba que dominou os indígenas do Forreá que, amotinados, tentavam vingar a morte do seu régulo.

Nesse mesmo ano e até março de 1891 houve operações militares na circunscrição de Geba. A gente do território Fula nas imediações de Geba, vendo que os Papéis de Bissau ali entretinham as nossas forças com contínuos ataques à fortaleza, revolta-se contra a nossa autoridade. O régulo Mali-Boiá, um dos principais chefes Fulas, auxiliado por outros régulos, assalta à mão armada os povos nossos amigos, tentando expulsar de Ganadu o respetivo régulo, aliado dos portugueses. O governo da Província organizou uma coluna com as unidades da guarnição e numerosos auxiliares indígenas fiéis, colaboraram também três canhoneiras, castigaram-se severamente os revoltosos, infligiram-se numerosas baixas, Mali-Boiá, principal régulo rebelde, conseguiu fugir. Esta coluna ainda encontrou energias para auxiliar as nossas forças na defesa da Praça de Bissau. Era comandante das operações o Capitão Zacarias de Sousa Lage.

O que leva agora a tratar a defesa da Praça de Bissau e falar da sortida sobre Antim e Bandim em março e abril de 1891. Em fevereiro de 1891, a ilha de Bissau começou a dar indícios de uma emergente revolta. Por prudência, o governo mandou para a Praça a unidade de Caçadores n.º 1 e a bateria de artilharia. O gentio começou a atacar a fortaleza, organizando um alerta permanente, com o apoio de duas lanchas canhoneiras. Em 19 de abril, saiu da Praça uma coluna que se dirigiu a Antim, acompanhada de alguns auxiliares indígenas. Em Antim, a coluna foi repentinamente atacada, houve que retirar, veio em seu auxílio uma outra força de Bissau que livrou a coluna de uma chacina total.

O Tenente-Coronel Bello de Almeida cita como bibliografia a obra Tributo de Sangue, monografia das campanhas da Guiné, de António da Silva Loureiro, bem como Boletins Oficiais da Província da Guiné, relatórios de oficiais arquivados no Arquivo Histórico Colonial (hoje Ultramarino).

Tendo inicialmente referido que é indispensável cruzar os documentos e obras de referência, sugiro aos interessados por este estudo obras como A Presença Portuguesa na Guiné, história política e militar, 1878-1926, por Armando Tavares da Silva, Caminhos Romanos 2016, e A Tradição da Resistência na Guiné-Bissau 1879-1959, INEP, 1994, e Guiné Bilhete de Identidade, Tomo I, A Presença Portuguesa na Senegâmbia, 2024.

Bilhete postal do início do século XX
Bilhete postal do início do século XX
Bilhete postal do início do século XX
Bilhete postal do início do século XX

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 26 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28465: Notas de leitura (1974): "Fado Alexandrino", por António Lobo Antunes; Publicações Dom Quixote (3) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28475: Convívios (1082): Encontro Convívio dos Meimoenses Antigos Combatentes da Guerra do Ultramar, seus familiares, Amigos e Simpatizantes, cuja Comissão Organizadora foi presidida pelo amigo Major-General João Afonso Belo Soares (Ernestino Caniço)

1. Mensagem do nosso camarada Ernestino Caniço, ex-Alf Mil Cav, CMDT do Pel Rec Daimler 2208 (Mansabá e Mansoa) e Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, (Bissau) (1970/1971), com data de 26 de Outubro de 2026:

Caros amigos
Votos de ótima saúde

Realizou-se em Meimoa em 2026.10.17 um Encontro Convívio  dos Meimoenses Antigos Combatentes da Guerra do Ultramar, seus familiares, Amigos e Simpatizantes, cuja Comissão Organizadora foi presidida pelo amigo Major-General João Afonso Bento Soares.

Meimoa é uma povoação portuguesa sede da Freguesia de Meimoa (20,58 km² de área e 307 habitantes - censo de 2021) do Município de Penamacor, distrito de Castelo Branco.

A freguesia da Meimoa fica a cerca de 12 Km a norte de Penamacor. Da sua fundação pouco ou nada se sabe. Presume-se que terá sido muito importante no tempo dos romanos devido à existência da ponte Romana/Filipina, erguida sobre a ribeira da Meimoa. Para a origem do seu nome aponta-se a mesma que a do Meimão. Segundo Frei de Sousa, o nome Meimão e Meimoa, são de origem árabe e derivam de Mamona, nome próprio de mulher, cujo significado é, estar segura, firme, constante, conservada, etc. Pinho Leal diz que a mais provável origem destes nomes (Meimão e Meimoa), é a palavra Mâmoa (monumento funerário). Tempos depois os romanos chamavam-lhe mamona, pela semelhança que tem com o peito da mulher (Junta de Freguesia Meimoa).

Ponte Romana – Foto de Ribeira de Meimoa River Beach ...

A minha presença foi proporcionada pelo amigo General João Afonso Bento Soares, ao qual estou grato.

O convívio, salutar, foi precedido de Missa vespertina na Igreja Matriz de Meimoa, tendo participado na concelebração o amigo Pe. José Torres Neves e alocução do General João Afonso.
Construída em 1673 e reconstruída em 1770, em 1905 e em 1917. Apresenta uma planta longitudinal composta por uma nave, uma capela-mor mais estreita e uma sacristia e uma torre sineira adossadas. No exterior, destaque para um cruzeiro construído reaproveitando um antigo silhar romano com inscrição votiva.

Anexo algumas fotografias bem como o discurso do amigo Gen. João Afonso, do evento, para postagem se for esse o vosso entendimento.

Um grande abraço,
Ernestino

TenGeneral João Afonso > Alocução na Missa
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Alocução do TenGeneral João Afonso:

ENCONTRO DOS ANTIGOS COMBATENTES MEIMOENSES NS GU

17 OUT2026

VOCATIVOS:
Quero cumprimentar e agradecer a presença de TODOS, mas permitam-me que refira:
- Os Caríssimos Pe Rui, Pe Jorge e nosso conterrâneo Pe Zé Torres Neves que concelebrando a Santa Missa proporcionaram a este nosso Encontro um seu ponto alto;
- O Caríssimo Presidente da JF da Meimoa, José madeiras Afonso que, institucionalmente, nos tem apoiado;
- Os Caríssimos Primos Dr.s Messias Bento, Júlio Bento, Celestino Bento, o Prof. Zé Rainho com sua ilustre visita, camarada da Marinha, Comandante Fernandes…
- O Caríssimo Dr. Ernestino, muito amigo do Pe meimoenses, Zé Torres Neves, que foi capelão na Guiné, por onde os três andámos no fim da década de 60;
- Queridas Manas Mifá e Mariazinha, Querida comadre Inês, Querida Mª Lucinda- a “Nossa Menina”, companheira de juventude e o Querido casal Teresa e Abreu Correia;
- Enfim, saúdo TODOS os Queridos Antigos Combatentes, Familiares, Conterrâneos e Amigos, aqui presentes: Ternamente vos abraço, pois Todos cabem no meu coração;
- Uma última, mas necessária palavra, para este simpático poiso onde a D. Alice e sua equipa nos tem simpaticamente acolhido em muitos dos nossos convívios.

Permitam-me iniciar as minhas palavras com uma pergunta:
Fará sentido que, vivendo nós hoje num mundo novamente pejado de guerras, nós,antigos combatentes de uma guerra — a Guerra do Ultramar — nos continuemos a reunir todos os anos?
A minha resposta é, sem hesitação: sim, faz todo o sentido!
E faz sentido porque nós não nos reunimos para celebrar a guerra, nem para exaltar a violência, nem para alimentar qualquer saudosismo belicista.
Reunimo-nos precisamente porque conhecemos o preço da guerra.

Conhecemo-lo na juventude que então tínhamos, nas terras distantes onde fomos chamados a cumprir o nosso dever, nas famílias que ficaram à espera, nas cartas (e nos famosos aerogramas do SMF) que atravessaram oceanos, nas amizades que nasceram em circunstâncias difíceis e, sobretudo, nas marcas que muitos trouxeram consigo quando regressaram:
Alguns voltaram feridos no corpo. Outros trouxeram feridas que não eram visíveis, mas que ficaram com mazelas para toda a vida. Infelizmente, muitos outros não regressaram.
É por isso que este nosso convívio é também um acto de memória. Memória daqueles que, tendo estado entre nós ao longo dos anos, já não podemos fruir da sua companhia.
E permitam-me recordar, de modo muito especial, um dos nossos conterrâneos: o Alferes Comando João J. Fonseca Nabais, que tombou em Fevereiro de 1974, já nos derradeiros meses da GU. Meimoa não o esquece.
A todos eles – os que nos deixaram - prestamos a nossa homenagem. Que descansem em paz.
Por tudo isto, resumo afirmando: Eu quero a PAZ. Todos nós queremos a Paz, pelo que a PAZ é a essência que emana destes nossos Encontros.

Meus amigos,
Nós pertencemos a uma geração que viveu uma parte particularmente marcante da História de Portugal.
Uma geração que conheceu dificuldades, sacrifícios e responsabilidades muito cedo. Uma geração que fez a sua parte, com os conhecimentos, os valores e as circunstâncias do seu tempo.
Não cabe hoje reescrever a História Lusa à medida das ideologias do presente.
A História deve ser conhecida, estudada e compreendida — não apagada, adulterada ou julgada com ligeireza por quem dela conhece apenas alguns fragmentos.
A História de Portugal, como a História de qualquer povo, tem páginas de grandeza e páginas de erro; tem momentos de glória e momentos dolorosos; tem feitos de que nos podemos orgulhar e decisões que o tempo veio a demonstrar serem desapropriadas.
Mas permanece uma verdade, a todos os títulos, essencial: um povo, sem memória, que deixe de conhecer a sua História fica mais pobre, mais vulnerável e sem identidade.
E é, precisamente, nesse passado e presente históricos que encontramos valores que continuam a fazer sentido, independentemente das mudanças dos tempos: a honra, a coragem, o sentido do dever, a palavra dada, a camaradagem, o respeito pelo outro e o amor à Pátria.
Valores estes que não pertencem a partidos políticos, nem a ideologias. Pertencem às pessoas que constituem o nosso POVO.

E há aqui uma circunstância que, para nós militares, merece ser recordada:
Foi obra de militares, a Revolução de 25ABR74, que nos trouxe o fim da guerra e a Liberdade e que depois de um período conturbado, nos garantiu a Democracia com o 25NOV75 (em que tive a honra de participar, directamente, já que no 25ABR74 estava a terminar uma missão, fora do Exército, dirigindo a EIOTAN – Estação Portuguesa de Comunicações por Satélite integrada no Projecto SATCOM NATO).

Nós, militares de então, cumprimos a missão que a História colocara em nossas mãos:
primeiro, combater onde fomos enviados; depois, contribuir para pôr termo ao conflito e devolver ao País a possibilidade de construir um novo futuro.
Não fomos nós que escrevemos sozinhos esse futuro. Foram muitos os portugueses e portuguesas que, de diferentes formas, participaram na construção da democracia.
Mas podemos dizer, sem arrogância: a nossa geração fez parte dessa História.
Há ainda outra razão para estarmos aqui. Chama-se camaradagem.
Há amizades que nascem em circunstâncias normais. Outras nascem em circunstâncias extraordinárias e ficam para toda a vida.
Quem passou pelas experiências que nós passámos sabe bem que há laços que não precisam de ser explicados. Um olhar, uma recordação, um nome ou uma velha fotografia bastam para nos fazer regressar, por momentos, a outros tempos e a outros lugares.
É também por isso que estes encontros têm valor e plena justificação.
Porque não são só encontros de antigos militares. São encontros de homens e mulheres ligados por uma memória comum e por uma terra comum – neste caso, a nossa querida Meimoa — a Princesa da Cova da Beira.
E, com orgulho, recordo uma iniciativa desde a primeira hora: estes encontros são muito mais do que encontros de ex-combatentes. As suas portas sempre estiveram abertas aos familiares, aos amigos, aos conterrâneos e todos os simpatizantes que queiram estar connosco.

E assim deverá continuar. Neste sentido, permitam-me deixar aqui uma promessa simples:
Haveremos de continuar a cultivar este sentimento de reunião enquanto, pelo menos, um de nós alguns de nós tiver forças e vontade para tanto.
Haveremos de continuar a sentar-nos à mesma mesa.
Haveremos de continuar a recordar os que partiram.
Haveremos de continuar a contar aos mais novos aquilo que vivemos, não para lhes transmitir ódios ou ressentimentos, mas para que saibam que a paz, a liberdade e a concórdia entre os povos são bens demasiado preciosos para serem tratados como coisas adquiridas para sempre.

E, sobretudo:
Haveremos de continuar a dizer aos nossos filhos e netos que um homem pode discordar sem odiar e pode defender as suas convicções sem desrespeitar as dos outros. É, talvez este, um dos melhores ensinamentos que podemos deixar.

De facto, quando vemos novamente guerras, sofrimento e destruição em várias partes do mundo, compreendemos ainda melhor aquilo que há muito aprendemos:
A guerra pode começar com grandes palavras e ditas boas intenções, mas acaba sempre em dor e sofrimento.
Que aqueles que têm responsabilidades de Estado nunca esqueçam isso.
E que nós, que experienciámos a Guerra, nunca deixemos de valorizar a Paz.
Meus amigos e camaradas,

Atendendo à vetusta idade da grande maioria de nós, dentro de algum tempo, outros ocuparão o nosso lugar nestas mesas. Outros falarão, eventualmente, de nós e quando esse dia chegar, espero que possam dizer, a nosso respeito, apenas isto:
Foram homens do seu tempo. Cumpriram o seu dever. Souberam honrar a sua Pátria e recordar, com respeito, os seus mortos. Não esqueceram as suas raízes. E, sobretudo, permaneceram sempre amigos.
Se assim for, terá valido a pena termos estado hoje, mais uma vez, aqui reunidos.

E é por isso que, neste dia de convívio, quero terminar como comecei:
Sim, meus amigos. Faz todo o sentido estarmos aqui. Faz sentido pela memória. Faz sentido pela camaradagem. Faz sentido pela Amizade. Faz sentido pela nossa Meimoa.
E faz sentido porque quem honra os seus mortos, respeita a sua História e valoriza a Paz está, seguramente, melhor preparado para construir o Futuro.
Que Deus tenha junto de Si todos aqueles que já partiram e que dê saúde e longa vida aos que ainda aqui estamos, hoje e para o ano, se a Providência o permitir.

Vou terminar, como habitualmente, com um poema (de fraco bardo) e, desta feita, dedicado à nossa terra natal “MEIMOA – A Princesa da Cova da Beira”:

BERÇO BEIRÃO
(À minha aldeia de Meimoa)

Em ti moram meus sonhos de menino,
É forte o chamamento a que me atenho,
Nem fria noite, nem o sol a pino
Abalam o amor que por ti tenho.

A ti sinto agarrado o meu destino
Ligado a um querer em que me empenho;
Um grito de alma, se converte em hino,
Ou simples Graça vinda por engenho.

Percorri teus caminhos e veredas,
Bebi teus cheiros e comi azedas,
Mergulhei no açude da Ribeira…

Sou grato à sorte, ou divina virtude
Por ter vivido a minha juventude
Nesta Princesa da Cova da Beira.

(João Afonso)


Muito obrigado.
João Afonso - Meimoa, aos 17 de Outubro do ano da graça de 2026

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Nota do editor

Último post da série de 29 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28471: Convívios (1081): Os antigos combatentes da vila de Loriga, a princesa da Serra da Estrela, homenagearam as suas mães, no almoço-convívio realizado na Escola Secundária de Sacavém, no passado sábado, dia 17 - Parte IV

Guiné 61/74 - P28474: Em busca de... (337): Eugénio Manuel Paulo Agostinho, Soldado Condutor Auto da CART 3493 / BART 3873 (Mansambo e Cobumba, 1971/74) procura antigos camaradas através da sua filha Ana Rita Agostinho

1. Mensagem de Ana Rita Agostinho, filha do antigo combatente Eugénio Manuel Paulo Agostinho, Soldado Condutor Auto, NM 03019571, da CART 3493 / BART 3873 “NA GUERRA CONSTRUINDO A PAZ” (Mansambo e Cobumba - zona do Cantanhês, 1971/74) a viver em Rio Torto – Gouveia:

Agora, com mais de meio século passado, o seu maior desejo é simples: rever os amigos que deixou para trás. Se alguém serviu com ele, se tem fotografias da companhia ou conhece alguém que esteve nessa unidade, a família agradece imenso o contacto.
Vamos tentar reunir novamente estes antigos camaradas.

O meu pai gostaria muito de conseguir reencontrar antigos colegas com quem partilhou essa fase tão marcante da sua vida. Realizar até um possível almoço convívio.
Qualquer informação, por pequena que seja, poderá ajudar-nos a recuperar amizades e memórias de há mais de 50 anos.
Vamos tentar reunir novamente estes antigos camaradas!

Muito obrigada a todos pela ajuda e partilha.

Contacto: rita.agostinho81@gmail.com
TM: 965 113 731
Ana Rita Agostinho


FOTOGALERIA

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2. Comentário do coeditor CV:

Esperemos que o Eugénio Agostinho encontre os seus antigos companheiros para reatar os contactos e lembrar os tempos de juventude passados naquela parcela de África, para nós verdadeiramente desconhecida.

Está bem encaminhado pelo nosso camarada Sousa de Castro, que sendo da 3494, pertencente ao mesmo Batalhão, tudo fará para o ajudar nesta missão.

Para o Eugénio Agostinho, o nosso abraço e os votos de saúde.

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Nota do editor

Último post da série de 5 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28406: Em busca de... (336): Camaradas de Júlio Lopes Santos, ex-Soldado Atirador da Companhia de Artilharia n.º 6552/72 (Cameconde, Cabedú e Cufar, 1973/74)

Guiné 61/74 - P28473: Humor de caserna (300): O plano de vacinação da tropa: a nossa "dose de cavalo" (Carlos Vinhal, José Câmara, António Murta, Luís Graça, José Teixeira)









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Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Carlos Vinhal | José Câmara | António Murta | Luís Graça | José Teixeira  (2026)
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI (2026)



1. Comentários aos poste P28470 (*):

1.1. José Câmara (EUA):

Mano Carlos,

Em Tavira eramos mais sotisficados. A referida vacina, se bem me lembro, foi dada na nádega e na parada do CISMI.

Abraço atlântico fraterno.

José Câmara
quarta-feira, 28 de outubro de 2026 às 22:45:21 WET


1.2. António Murta (Figueira da Foz):

Olá, Carlos Vinhal.

Eu também passei por uma cena caricata no dia das vacinas, mas não desmaiei. A bicha para receber a vacina foi formada na rua e, como a vacina era dada no braço, mandaram-nos descer o blusão para as costas e deixá-lo preso nos braços. 

O ritual da vacinação foi exactamente como descreves. Ora, quando o enfermeiro (que eu pensava que era o último) enfiou a seringa na agulha e a despejou, seguiu para o "cliente" seguinte sem uma palavra. Eu, sem mais aquelas, julgando ter-me já safado, puxei o blusão para os ombros e fiquei a aguardar. 

Uns minutos depois aparece outro enfermeiro e, fitando-me nos olhos, perguntou-me onde é que eu tinha posto a agulha. Perguntei-lhe "qual agulha?" e ele mandou descer o blusão e abriu muito os olhos quando viu a agulha ainda no braço. Olhei de esguelha e nem quiz acreditar... Não desmaiei mas nunca mais me esqueci do incidente.

António Murta.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026 às 23:38:48 WET

1..3. Tabanca Grande Luís Graça:

Carlos e António: Não me lembro de ter desmaiado na vida...

Mas nessa "cena da vacinação" na tropa, na recruta, nas Caldas da Rainha (julgo eu), comecei a ver as cores do arco-íris a desaparecer...Já estava entre o verde e o amarelo desmaiado, o céu cada vez mais a desbotar-se, quando, cheio de orgulho machão, arrebitei, endireitei o corpo, ergui a cabeça ao alto... Mas foi por um triz, senão tinha caído ao chão, e não seria o primeiro, naquela enorme fila de espera onde estava os bravos filhos do povo...

Sei que estive em tronco nu, ao sol, de manhã (?), com pouca coisa no estômago... Estávamos em bicha de pirilau, e o ritual está muito bem descrito pelo Vinhal...

Aquilo parecia uma linha de montagem automóvel, e cada enfermeiro (da tropa!) tinha uma função "especializada": um homem, uma tarefa, um posto de trabalho... O "taylorismo" também tinha chegado à tropa...

Ainda não descobri foi o raio da vacina que apanhámos !... Tétano, febre tifóide... ? A da  febre amarela apanhava-se mais tarde era só para os felizes contemplados com um cruzeiro (de borla) até ao Ultramar.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026 às 09:39:20 WET


1.4. Tabanca Grande Luís Graça:

Numa pesquisa rápida na IA / Google, apurei o seguinte:

(i) Durante os anos 60 e 70, no contexto da Guerra Colonial / Guerra do Ultramar, os militares mobilizados na Metrópole (Portugal Continental) para servir na Guiné eram sujeitos a um protocolo de vacinação militar obrigatório bastante rigoroso antes de embarcarem;

(ii) A administração das vacinas ocorria habitualmente na reta final da recruta ou durante a Instrução de Aperfeiçoamento Operacional (IAO), nas unidades mobilizadoras, para garantir que as reações secundárias não perturbassem os treinos iniciais;

(iii) As principais vacinas obrigatórias administradas na Metrópole incluíam:

  • Vacina contra a Febre Amarela: era a imunização mais crítica e exigida pelo Regulamento Sanitário Internacional para quem viajava para a África Ocidental; o registo era feito no célebre Certificado Internacional de Vacinação (a famosa caderneta amarela) que todos os militares tinham de transportar;
  • Vacina contra a Varíola: ainda uma ameaça global na época, a vacinação (ou revacinação) antivariólica era aplicada a todo o contingente (através do método de escarificação no braço);
  • Vacina contra a Febre Tifóide (frequentemente combinada com a vacina TAB, hoje em descontinuada): protegia contra a febre tifoide e paratifoides A e B, doenças comuns em teatros de operações com condições de saneamento, água e alimentos precários;
  • Vacina contra o Tétano: essencial para militares expostos a ferimentos de combate, picadas e cortes no terreno;
  • Vacina contra a Cólera: administrada consoante os surtos ativos e as exigências sanitárias do período da mobilização (já existia em 1971)....

Ainda não havia, nem ainda há, vacina contra o paludismo... Mas há havia a vacina contra a Pólio (Poliomielite): durante as décadas de 1960 e 1970, na sequência da introdução global da vacina oral Sabin, a vacinação contra a poliomielite passou também a fazer parte do protocolo sanitário e da caderneta de vacinação das Forças Armadas. Não sei se já fomos abrangidos...

(iv) Outras medidas profiláticas:

Para além das vacinas injetáveis aplicadas nos quartéis, os militares iniciavam ainda na Metrópole (ou imediatamente antes do desembarque) a toma diária ou semanal de comprimidos de quimioprofilaxia contra o paludismo (malária ou "sezonismo"), habitualmente à base de quinino ou cloroquina, que continuavam a tomar rigorosamente durante toda a comissão na Guiné. (Se hoje estamos surdos, agradeçam ao quinino que era  ototóxico...)

(Pesquisa: LG + IA / Google) (Condensação, revisão / fixação de texto: LG)

quinta-feira, 29 de outubro de 2026 às 09:45:32 WET

1.5. José Teixeira (Matosinhos):

Eu, como todos nós, passei pelo "castigo" das vacinas. Numa segunda fase já como pronto e colocado no Ral 2 em Santa Clara, Coimbra, fui um dos que participei em duas ou três séries de aplicações da vacina, antes de ir para a Guiné.

Devia estar presente o médico da unidade e acolher cada recruta antes de ser dada a vacina. Porém, o médico da unidade trabalhava no Hospital Civil de Coimbra e ia ao quartel quando o rei fazia anos.
Para o substituir e preencher o questionário clínico, fui o felizardo escolhido, talvez por usar óculos. Recebidas as orientações, vesti uma bata branca, esteto ao ombro, sentado numa cadeira no fundo da sala. Cada recruta entrava e era direcionado para mim para o questionar.

Depois de preenchido o inquérito e antes de o mandar sentar na cadeira do martírio seguinte, fazia-lhe uma pergunta sacramental.

− Então não te queixas de nada?... Nem da carteira?

 − Sr. Dr., dinheiro não tenho.

− Então senta-te a seguir ao último.

E o outro, a seguir;

− Sr. Dr.,  não me posso queixar muito.

− Ótimo. Então, estás a ver aquelas seringas partidas,  ali à porta.? Os pobres rapazes enfermeiros têm de as pagar. Deixa lá cinco coroas para os ajudar.

Houve um ou outro que reagiu:

− E se eu der vinte paus e o Sr. Dr. diz para serem meiguinhos comigo?!...

− Ó nosso cabo, tome nota. Este que vai sentar-se agora,  deve ser tratado com cuidado.

No fim, seguíamos todos para a cantina, comprávamos umas latas de atum, casqueiro e umas cervejitas e petiscávamos, à custa dos mancebos que foram vacinados, logo na sexta-feira seguinte à sua entrada para a especialidade de condutores no Cica de Coimbra.

José Teixeira
quinta-feira, 29 de outubro de 2026 às 14:44:31 WET


(Seleção, revisão / fixação de título: LG)


2. Comentário do editor LG:

Camaradas, a final qual era a famosa "dose de cavalo" ou "a de cavalo", na nossa  gíria militar ?

A que deixou  marcas e memórias dolorosas na rapazida  era a vacina TAB,  a vacina contra a Febre Tifóide e Paratifoides A e B (frequentemente administrada em fórmula tripla ou associada ao Tétano, a TAB-T).

Mas eu não sei qual era exatamente o plano de vacinação obrigatório da tropa que era mobilizada... Temos que admitir que não todos apanhávamos as mesmas vacinas... Falta aqui o testemunho dos nossos médicos e dos nossos enfermeiros. Além disso, náo eram tomadas todas de uma só vez. Quem não era mobilizado para o Ultramar, não tomava a vacina contra a febre amarela... Havia vacinas que se tomavam na recruta e outras antes do embarque para o Ultramar. Temos de ter em conta essas particularidades...

Na documentação sobre o plano de vacinação dos militares portugueses destinados aos teatros de operações, encontramos, por exemplo, em 1963, a vacinação contra:

  • Varíola;
  • Febre tifoide;
  • Febre amarela;
  • Tétano;
  • Poliomielite.

No início da décadaa de1970, aparece também a vacina contra a cólera.

Mas eis algumas das razões por que a TAB, que podia ser ou não combinada com a  vacina contra o Tétano, deixou em muitos de nós marcas traumáticas:

(i) Volume e agulhas eeutilizáveis:

Na época, ainda hão havia as seringas de plástico descartáveis, pelo menos não chegavam às nossas "cavalariças"...  As vacinas eram administradas em massa com seringas de vidro e agulhas grossas de metal, fervidas e reutilizadas dezenas e dezenas de vezes, até "partirem"... A densidade da dose e o calibre da agulha tornavam a penetração muscular e a injeção extremamente dolorosas.

(ii) Administração dolorosa (subcutânea / muscular profunda): muitas vezes era administrada no braço, mas também era frequente ser inoculada na região subscapular (nas costas/omoplata) ou no peitoral; a sensação no momento da aplicação era descrita como "um ferro em brasa" ou um "soco de chumbo".

(iii) Reações secundárias violentas (Efeito pós-vacinal): sendo composta por bactérias inativadas (Salmonella enterica de vários serotipos), a TAB era extremamente reatogénica; poucas horas após a administração, a malta desenvolvia uma série de sintomas : febre muito alta (frequentemente acima dos 39 °C) e calafrios intensos; dores musculares e articulares generalizadas (mialgias e artralgias); dor local incapacitante: o braço ou a zona das costas onde fora dada a injeção ficava inchado, vermelho e tão dorido que o militar mal conseguia mover o membro ou apoiar-se; cefaleias (dores de cabeça) fortes, náuseas e prostração total...

Era habitual companhias inteiras ficarem "de baixa" no dia seguinte à aplicação da TAB. Nos quartéis, o dia da vacinação resultava em camaratas cheias de homens prostrados na cama, com febres altas e a queixarem-se do "braço dorido" ou da "picada nas costas". (Aqui não havia "heróis" !)

Embora a varíola deixasse a característica marca de escarificação (a cicatriz circular no braço) e a febre amarela fosse a mais exigida internacionalmente, no imaginário e na memória, dorida (!),  da tropa que embarcou para a Guiné, Angola e Moçambique, a TAB foi indiscutivelmente a rainha do "terror sanitário" .

Pesquisa: LG + IA (Gemini / Google | ChatGPT / Open AI) (Condensação, revisão / fixação  de texto: LG)

__________________

Notas do editor LG:

(*) Vd. posgte de 28 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28470: (Ex)citações (450): Quando o "115" precisou de emergência médica (Carlos Vinhal, ex-Fur Mil da CART 2732)

(**) Último poste da série > 25 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28463: Humor de caserna (299): Só foi pena os lagostins, após o "incidente" com o Unimog, na estrada Enxudé-Tite, terem conseguido voltar, a nado... à bolanha

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28472: Historiografia da presença portuguesa em África (551): quem foi o João Landim ? Seguramente mais do que um topónimo...




Guiné > Região  de Cacheu  >  Bula > João Landim> Margem direita do rio Mansoa >   Junho de 1973 > Travessia de João Landim, que se fazia em jangada. Aqui, de norte para sul... Primeiro entravam as viaturas, depois as pessoas. Bissau ficava a cerca de vinte quilómetros. 

Foto do álbum de Francisco Gamelas. Foto a cores, reconstituída, melhorada digitalmente com recurso a IA/Google.


O Victor Costa
 já aqui explicou qual era o trajeto, de quem vinha de Bissau (sexta-feira, 10 de abril de 2026 às 11:38:00 WEST):

  • Bissalanca,
  • Safim,
  • João Landim Sul ( edificio com antena de transmissões), 
  • Rio Mansoa,
  • João Landim Norte (saída da estrada de alcatrão a cerca de 5 km e entrada numa picada) 
  • até ao destamento de João Landim Norte 
  • e , por fim, Bula.


Foto (e legenda): © Francisco Gamelas (2016). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Portugal > Ministério das Colónias > Comissão de Cartografia  > Carta da Guiné (Esboço)  (1933) > Escala 1/500 mil. Comp e des M Diniz > Imagem da carta  cedida pelo cartógrafo João Escravana (cortesia do portal Ultramar TerraWeb > Dos Veteranos da Guerra do Ultramar ).

Em 1933, existia na margem direita do rio Mansoa a Ponta João Landim. E Bissau era uma ilha. Vinte anos depois, a carta de Bula (escala de 1/50 mil) sinaliza aqui um ponto de cambança; João Landim, entre as duas margens do rio Mansoa. E a estrada que vai para Bula atravessava duas zonas distintas, João Landim e Mato Dingal. Ainda na bacia hidrográfica do Mansoa havia a Ponta Geraldo Landim. 

Na carta de Bula, estão sinalizadas muitas outras pontas. Por exemplo, na margem direita do rio Dingal: Germano Landim, Joaquim Mendes, Domingos Monteiro (?), Batijaqui, etc.; na margem direita do rio de Bula:  Conselho, Soares, Consolação, Umbrum, Alfama. etc.

É mais que provável que o João, o Geraldpo e o Germano pertencessem à família Landim, já que o apelido Landim é comum aos três "ponteiros"...

Escreveu o António Rosinha, a propósito da jangada de João Landim:

"Só entre a jangada de João Landim e Bula, encontram-se naquelas redondezas treze pontas, e provavelmente a maioria seriam de Caboverdianos.E até se poderá dizer que pelo resto da Guiné seria assim já desde Honório Barreto, até Amilcar Cabral e o herdeiro da Ponta Alfama terem as suas ideias da União/Junção/Anexação Guiné-Cabo Verde.

O Mapa de Bula onde vemos essas pontas, é de 1953, ora nessa data já a pacificação da Guiné e das outras colónias portuguesas viviam numa paz e numa calma que até iludiu os estudantes do império, que era facílimo governar aquilo mais e melhor por eles do que pelos atrasados dos portugueses.

E de facto o ex-guerrilheiro Alfama ainda chegou a governante, na Guiné, mas só até 1980, pois deve ter acompanhado Luís Cabral que também "desistiu" em 1980.

Mas talvez tenham sido eles, que ajudaram a garantir que aquele arquipélago a figurar como país com fronteiras e bandeira própria".



Guiné > Carta de Bula (1953) / ewcal 1/50 mil > Posição relatiuva de João landim, no rio Mansoa, sinalizada na carta como ponto de combança do  rio Mansoa.

 Infografias: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


1. Ainda a propósito da jangada do João Landim... Quem foi afinal o João Landim, consagrado pelos nossos cartógrafos e a memória do povo ?  Qual a origem deste topónimo ? 

Teria sido algum "ponteiro" ? "Tuga" ou cabo-verdiano? Algum "herói das campanhas de pacificação" ? Hoje há uma ponte (c. 800 metros), conhecido por "ponte Amílcar Cabral", mas para o povo é a "ponte João Landim". Tal como a ponte de São Vicente, na "estrada euro-africana", ligando a Guiné-Bissau, aos países a norte e nordeste (Senegal, Gâmbia, Guiné-Conacri...): continua associado, o nome, a uma ponta que aqui existia antes do início da guerra...

É uma pergunta para os especialistas de história, cartografia  e  toponímia da Guiné, a começar pelo nosso erudito e apaixonado por estas coisas, o Mário Beja  Santos. 

É uma pergunta para os "ratos de biblioteca", mas com uma particularidade: conhecemos muito bem, os antigos combatentes, a velha jangada de João Landim (que funcionava todos os dias, durante  a guerra colonial, de 1961 a 1974, e que deve ter continuado a funcionar, depois da independêncai até finais de 2003!), mas não temos, até agora, uma identificação documental segura da pessoa que se esconde por detrás do topónimo. 

A pesquisa que fizemos permite confirmar a importância histórica do lugar, mas não permite afirmar que João Landim tenha sido um militar português, um ponteiro cabo-verdiano ou um protagonista das chamadas campanhas de pacificação. Seria arriscado transformar uma hipótese numa biografia.

(i) João Landim: quem é o o homem por detrás do topónimo ?

O nome já estava consagrado na cartografia colonial. A localidade situava-se junto ao rio Mansoa, cerca de 20 quilómetros a norte de Bissau, numa passagem estratégica entre a capital e as regiões do norte da Guiné. A travessia fazia-se por jangada, muito antes de existir a ponte atual (pronta em 2004, inaugurada em 2005).

Mas quem foi, afinal, esse tal João Landim? 

  • Um português? É possível, mas não encontrámos prova documental que o confirme;

  • Um cabo-verdiano? Também não há fundamento para essa hipótese;

  • Um militar ou antigo participante nas "campanhas de pacificação" ? Não há, nas fontes consultadas, elementos que permitam estabelecer essa ligação;

  • Um colono, comerciante, proprietário ou morador, ou um desterrado,  que deixou o nome ao lugar? 

São hipóteses possíveis, mas continuam por demonstrar. João Landim tem 23 referências no nosso blogue. 

O nome próprio e o apelido, por si sós, não permitem determinar a origem étnica, a nacionalidade ou a profissão do indivíduo. Mas provavelmente o João, o Germano

Landim é um apelido portuguès, antigo, medieval, provavelmente de origem toponímica... Há uma fanília e um antigo mosteiro, Santa Maria de Landim, em Vila Nova de Famalicão...


(ii) O que nos dizem os testemunhos dos antigos combatentes?

O nosso blogue é, neste caso, uma fonte preciosa para a história do lugar, ainda que não resolva a identidade do homem.

No poste P16489, de 14 de setembro de 2016 o destacamento e a jangada de João Landim, no Rio Mansoa, recolhemos testemunhos de antigos militares que conheceram o local em diferentes períodos. Mas nenhum deles avança uma pista para esclarecer a origem do topónimo.

  • Alcídio Marinho [ex-fur mil inf, CCAÇ 412  (Bafatá, 1963/65); (1940-2021); vivia no Porto];
  • Francisco Gamelas [ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 3089 (Teixeira Pinto, 1971/73), adido ao BCAÇ 3863 (1971/73): vive em Aveiro];
  • José Nascimento [ex-fur mil art, CART 2520, (Xime, Enxalé, Mansambo e Quinhamel, 1969/71); vive no Algarve];

  • Leonel Olhero [ex-Fur Mil Cav do Esq Rec 3432 (Panhard) (Bula, 1971/73); vive em Vila Real].


Há três pormenores que merecem ser destacados:

  • A jangada era uma infraestrutura essencial: transportava militares, viaturas e abastecimentos entre as duas margens do Mansoa, ligando Bissau às regiões do norte, nomeadamente do Cacheu (Bula, Binar, Có, Pelundo, Jolmete, Teixeira Pinto...);
  • O lugar tinha uma história possivelmente anterior à guerra:  testemunho de Alcídio Marinho remonta a 1963/65, quando ali esteve destacado com uma secção de militares; a jangada que então operava não era a mesma dos anos 70;
  • A memória do lugar sobreviveu à função militar; hoje, mesmo com a construção da ponte, o nome João Landim continua a identificar a localidade e a travessia.

Estes testemunhos ajudam-nos a reconstruir a história da jangada e da presença militar. Não esclarecem, porém, quem foi o homem que lhe deu o nome.

(iii) A ponte Amílcar Cabral... ou ponte João Landim?


A ponte sobre o rio Mansoa tem oficialmente o nome de Ponte Amílcar Cabral. Foi construída com financiamento da União Europeia, pela empresa espanhola "Necso Intercanales", e inaugurada oficialmente em 9 de maio de 2005. Com interrupções devido aos sucessivos conflitos militares, a ponte foi construída em 28 meses. Já estava aberta ao tráfego em 2004. Tem cerca de 785 metros de comprimento, 11,4 metros de largura e duas vias de circulação automóvel, de 3,5 metros cada.

Parece que o nome do "Pai da Pátria" não se conseguiu sobrepor ao topónimo João Landim...

Curiosamente fomos encontrar, no portal Casa Comum, da Fundação Mario Soares e Maria Barroso, dois militantes do PAIGC com o apelido Landim:

  • o cmdt de grupo Grad, Paulo Correia Landim (set 1970), e que em outubro de 1962 foi mandado pelo Amílcar Cabral para estudar em Moscovo (!);
  • e o nosso (da CCAÇ 12...) já conhecido Pedro Landim (comissário político, sector 02 / Xitole - Bafatá / Frente Leste ) (novembro de 1970) (fazia parte dos quadro do Exército Popular, então criado, EP 38/70, comissário político no Xitole...no meu tempo (1969/71) (e tinha instruções para limpar o sebo aos graduados da CCAÇ 12 e aos seus "cães")...

Amílcar Cabral dispensa apresentações: foi o fundador do PAIGC e uma figura central na luta pela independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde. O João Landim já ninguém sabe quem é...

Mas há aqui um fenómeno de memória popular interessante: o nome oficial da ponte homenageia Amílcar Cabral; o nome tradicional da passagem continua a ser João Landim. A designação da localidade acabou por se sobrepor, na linguagem quotidiana, à designação oficial da infraestrutura. O mesmo aconteceu com a Ponte Salazar sobre o rio Tejo em Lisboa (1966), rebatizada Ponte 25 de Abril, em 1974.

(iv) Pistas para pesquisa

Para tentar descobrir a identidade de João Landim, a IA sugere-nos quatro pistas documentais:

  • Cartografia antiga: comparar cartas da Guiné anteriores à ocupação efetiva do território, designadamente mapas do século XIX e do início do século XX;
  • Boletins oficiais e registos administrativos: procurar referências a pessoas chamadas João Landim, proprietários, comerciantes, funcionários ou autoridades locais;
  • Documentação militar e colonial: consultar relatórios de operações e registos administrativos das chamadas campanhas de pacificação, sem pressupor que João Landim tenha participado nelas;
  • História oral guineense: recolher testemunhos de habitantes antigos da região de Safim, Bula e João Landim; a tradição oral pode conservar uma explicação que não chegou aos documentos escritos.

A primeira pista a explorar  seria a cartografia mais antiga: importa saber quando aparece pela primeira vez o topónimo e se a sua forma original era efetivamente «João Landim». Bom, já sabemos que em 1933 havia um "Ponta João Landim", na margem norte do Rio Mansoa, a norte de Safim.

Em conclusão, não temos provas para dizer quem foi João Landim. Temos, isso sim, um topónimo antigo, uma jangada que marcou a vida de várias gerações de antigos combatentes, e uma ponte moderna que, apesar do nome oficial, continua associada à memória do lugar.


 [Pesquisa: LG + UTW + IA (ChatGPT / Open AI)]

Guiné 61/74 - P28471: Convívios (1081): Os antigos combatentes da vila de Loriga, a princesa da Serra da Estrela, homenagearam as suas mães, no almoço-convívio realizado na Escola Secundária de Sacavém, no passado sábado, dia 17 - Parte IV


Foto nº 32



Foto nº 33


Foto nº 34


Foto nº 35


Foto nº 36


Foto nº 37


Foto nº 38


Foto nº 39


Loures > Sacavém > Escola Secundária de Sacavém > 17 de outubro de 2026 > Almoço-convívio dos antigos combatentes do ultramar de Loriga, Seia (*)



Fotos (e legendas)  © Zé Fernandes Pina (2026). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné] (Cortesia da página do facebook do loriguense Zé Fernanes Pina, antiogo combatenmte)


Legenda das fotos  nº 35 e 36:  "A mesa da comissão organizadora: de costas, em primeioro plano, o António de Brito Ribeiro,  ladeado  à direita por outro elemento da comissão organizadora do almoço-convívio, o Gabriel Pina; e à esquerda, pelo presidente da Junta de Freguesia de Loriga, Luís Costa, que veio cá abaixo com uma delegação de gente da aquela terra serrana, de gente voluntariosa, trabalhadora e bairrista (tem hoje c. de 850 habitantes; tinha em 1950, no auge da indústria de lanifícios, c. de 3 mil). Outros elementos da comissão organizadora, que estavam presentes na mesa nº 1: além do António Ribeiro (Guiné) e do Gabriel Pina (Moçambique):  António Fernandes (Guiné); José Manuel Alves (Angola); e José Ambrósio (Guiné). Há ima um convidado, represent6ante da CM Loures".

Legenda da foto nº 37: "Mesa nº 5, membros da Tabanda da Linha e da Tabanca Grande".


1. Mais fotos do memorável almoço-convívio dos antigos combatentes de Loriga, Seia, realizado no passado sábado, em  17 de outubro de 2026, na Escola Secundária de Sacavém. As fotos acima são do José Fernandes Pina, loriguense,  nascido em 1949 (pertenceu à 32ª CCmds, esteve  29 meses no Ultramar, 3 em Angola, e o restante tempo em Moçambique, fev 1971 / julho 1973; segundo percebi da sua ficha de combatente, foi condutor auto; vive em Loriga).

Publicamos também informação adicional sobre o encontro e os seus participantes:

1.1. Mensagem de António Brito Ribeiro

Data - quinta, 22/10/2026, 17:58

Maria de Jesus Mendes
Assunto - Registo de Memórias e Homenagem a Mãe

 Boa tarde, amigo Luís Graça,

Como prometido, envio em anexo o registo de memórias de alguns ex combatentes de Loriga que eu e o Adelino Pina (Alemanha) conseguimos registar com base em textos enviados pelos próprios, ou redigidos por nós com base em dados recolhidos (86 páginas em formato A4) .

Cada memória é a recordação / passagem, contada na primeira pessoa, de uma fase da nossa vida, que agora tem um sentimento especial mais ou menos sentido, mas quase sempre doloroso.

Por curiosidade encaminho-te para os textos dos dois “José Brito Ribeiro”, um na India e o outro (meu irmão) em Moçambique.

Envio-te também a folha de homenagem de Maria de Jesus Mendes, mãe de 4 filhos, ainda vivos que estiveram no ultramar:
  • Fernando António Mendes Alves, Moçambique, 61/63, Exército,
  • Nuno Mendes Alves Pereira, Moçambique, 70/72, Paraquedista,
  • Tarcísio Mendes Pereira, Timor, 68/70, Exército,
  • Vítor Manuel Mendes Alves, Angola, 71/73, Exército.

Em Loriga ainda houve outra família / mãe com 4 filhos no ultramar. Penso que poucas famílias tiveram esse n.º de filhos enviados para a guerra colonial. Gostaria que evidenciasses esta situação, porque estas MÃES devem ser devidamente homenageadas.

Abraço, António Ribeiro.

1.2.  Mensagem de  Luís Graça (by email)

Data - sábado, 24/10/2026, 21:32

António (e companheiros da mesa nº 5, em C/C) (Foto nº 37)

António: obrigado pelos documentos que me mandaste (o teu CV, que vou ler com toda atenção + testemunhos de antigos combatentes loriguenses, os da Guiné poderei publicar na Tabanca Grande + a foto da mãe loriguense Maria de Jesus Mendes que teve 4 filhos mobilizados, mas tu falaste de uma outra, que também me escapou, quando visionei o painel, "au vol d'oiseau")...

Publiquei já  a 3ª parte da nossa "reportagem" do encontro de sábado... E aproveito para pedir:

(i) ao Manuel Resende, para me confirmar os nomes dos membros da Tabanca da Linha, da mesa do Orlando Pinela, o Alpoim (Algés) e sobretudo o Ambrósio (Lisboa) (Foto nº 30);

(ii) a ti e ao Jaime, para me confirmarem o nome do antigo combatente que esteve em Angola e ainda é pastor na Serra da Estrela...Fiquei com a ideia que se chamava Abílio (Foto nº 31);

(iii) ao Hélder, para me lembrar o nome do "loriguense", dos TSF, que ele foi render em Piche (e que esteve no almoço);

(iv) ao João Crisóstomo, para me escrever "duas linhas" com as suas impressões (dele e da Vilma) sobre o encontro...(Oh, Vilma, não ficaste para o fim, houve música africana, como tu gostarias de ter ouvido ouvir, bolo da festa e "champanha"...).

Um alfabravo, para ti e todos os "camarigos" a quem mando esta mensagem em C/C.

PS - Já te transmiti, António, a impressão da Alice: em geral crítica como todas as nossas companheiras em relação a estes encontros ("da tropa"), foi sincera e pediu-me para te dizer que adorou e que te manda, a ti e demais loriguenses presentes, um abraço fraterno... Ficou impressionada com o nível do encontro em todos os aspetos. E ficou com vontade de, um dia destes, dar um salto até Loriga...

domingo, 25 de outubro de 2026 às 06:09:08 WET


1.3. Comentário do Hélder Sousa
 
Ora bem, aceitando o desafio do Luís Graça, sempre posso dizer que apesar de já termos estado em troca de comentários, nunca tinha chegado a estar "ao vivo" com o "Zé Bentinha", pois é esse o nome pelo qual ele responde, embora saiba que "Bentinha" é uma espécie de alcunha.

Ora o "Zé Bentinha" era o homem que tinha a responsabilidade de Posto do STM em Piche, imediatamente entes de eu para lá ser enviado. Por um motivo qualquer, que nunca esclareci bem, ele saiu de Piche e por esse motivo a chefia do referido Posto sofreu um hiato até à minha chegada na primeira semana de Dezembro de 1970.

Na prática fui substituí-lo mas nunca cheguei a estar com ele.

Já descobri, entretanto, que o "Zé Bentinha" é o José Mendes Gouveia, conforme escreveu, faz pouco tempo, o Brito Ribeiro nos comentários a outro "post".

Quanto ao evento foi, de facto, notável. Tanto na organização como na forma como decorreu. Sinceramente fiquei agradavelmente surpreendido. E aproveitei, a par do Jaime Suilva para voltar a praticar "falar francês" com a Vilma Kracun, esposa do João Crisóstomo.

Relativamente ao António Brito Ribeiro pois também foi um conjunto de circunstâncias que se precipitaram. Já o conhecia dos encontros na Tabanca da Linha, onde vou irregularmente, mas, claro, sabia dele muito pouco. E ele de mim.

Sabia que tinha estado na Guiné mas não quando nem onde.

Agora já sei que esteve em rendição individual no Batalhão de Piche que antecedeu aquele ao qual também estive adido durante cerca de 6 meses, mas não nos encontrámos por lá.

Entretanto ele também andou a pesquisar e ficou a saber que eu também era Engenheiro Técnico e telefonou-me na passada sexta-feira para saber se eu também pertencia à OET (Ordem dos Engenheiros Técnicos) e se sabia dum evento que iria ocorrer (e ocorreu) no sábado, dia 24 e, caso sim, se iria lá, para nos voltarmos a encontrar ao vivo.

Disse-lhe que sim e que certamente teria uma surpresa, pois não lhe disse que seria um dos oradores e que sou detentor de um cargo na instituição.

Correu tudo muito bem, exceto o facto de ele ter sido homenageado no grupo dos membros com 25 anos de associados, quando o deveria ter sido no grupo dos de 50 anos, o que o deixou bastante aborrecido.

Certamente foi um caso de erro administrativo (perfeitamente possível, dada a quantidade de elementos a tratar) mas que tivemos a possibilidade de abordar com o Bastonário, o qual, conjuntamente comigo, ficámos de averiguar o sucedido e depois agir em conformidade.

Na prática, um conjunto de sucessivos acontecimentos que se precipitaram e que mostram como a nossa "teia de contactos" permite estas coisas: 

(i) o João Crisóstomo ao dar-me os parabéns pelo telefone disse-me que gostaria de dar ao vivo e que devia contactar o Manuel Resende para que isso fosse possível num almoço em Sacavém; falei com o Resende que me passou ao Brito Ribeiro e assim lá fui;

(ii) conversa puxa conversa, e o Brito Ribeiro apercebeu-se da minha "função civil", seguiu a pista, e acabámos por nos encontrar num evento bem significativo;

(iii) sucedeu um percalço e, fruto do (re)conhecimento recente, tal será certamente resolvido.

Abraço, HS

domingo, 25 de outubro de 2026 às 23:57:00 WET 


1.4. Mensagem do A. Brito Ribeiro (by email)

Data - domingo, 25/10/2026, 23:37

Boa noite Luís,

Antes de mais um bem-hajas pelo relevo que tens dado ao evento realizado pelos ex-combatentes loriguenses de homenagem às suas mães.

Vou tentar responder às solicitações / observações que colocaste.

Como te referi, existem em Loriga 2 famílias/mães que tiveram 4 filhos no ultramar, uma foi a que te indiquei, Maria de Jesus Mendes. Não consegui indicação do nome da outra mãe que teve 2 filhos na Guiné, 1 em Angola e 1 em Moçambique (mas vou procurar).

Na mesa do Alpoim e do Orlando Pineda esteve outro magnífico da Tabanca da Linha, Fernando Pereira Ambrósio (Guiné 73/74) (Foto nº 30) (*).

Além do Fernando e de mim, estiveram ainda no evento mais 2 magníficos, o António Mendes Fernandes (mesa 1) e o José Mendes Fernandes (mesa 7). Faltou ainda à ultima hora o magnífico António Santos Pina.

O antigo combatente em Angola (67/68), pastor na Serra da Estrela, é o Abílio Gomes de Brito (Foto nº 31(.

O Combatente presente que como o Hélder pertencia às transmissões STM, é o José Mendes Gouveia (70/72), que atua no grupo Chão da Ribeira (baixo), irmão da vocalista Maria Mendes, que tu já enalteceste. Também esteve em Piche simultaneamente comigo, comforme foto que te envio em anexo.

Podes ter a certeza que tanto tu como a Alice serão sempre bem-vindos e bem recebidos em Loriga e irão adorar.

Abraço a todos,

António Ribeiro

quarta-feira, 28 de outubro de 2026 às 22:45:38 WET


 (Seleção, revisão / fixação de texto: LG)