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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27765: As nossas geografias emocionais (61): Boé, do Cheche a Lugajole: uma missão de três meses dos Médicos Sem Fronteira, em 1987 (Ramiro Figueira, ex.alf mil op esp, 2ª CART/BART 6520/72, Nova Sintra, 1972/74)




Fotoo nº 1 > Guiné-Bissau > Região de Gabu > Boé > 1987 > Missão dos Médicos Sem Fronteiras ao Boé > Cheche > "Cambança" do rio Coruba, ao fundo a margem norte (direita), com a estrada seguindo depois para Canjadude e Gabu




Fotoo nº 2A e 2 > Guiné-Bissau > Região de Gabu > Boé > 1987 > Missão dos Médicos Sem Fronteiras ao Boé > Cheche > "Cambança" do rio Corubal: em primeiro, o médico Ramiuro Figueira 





Fotoo nº 3A e 3 > Guiné-Bissau > Região de Gabu > Boé > 1987 > Missão dos Médicos Sem Fronteiras ao Boé > Cheche >  "Cambança" do rio Corubal em jangada



Fotoo nº 4A e 4 > Guiné-Bissau > Região de Gabu > Boé> 1987 > Missão dos Médicos Sem Fronteiras ao Boé >  Cheche > Rio Corubal > O ministro que nos  acompanhou, decidiu tomar um banho...


Fotoo nº 5  > Guiné-Bissau > Região de Gabu > Boé  > 1987 > Missão dos Médicos Sem Fronteiras ao Boé > Cheche >Os "djubis", sempre curiosos



Fotoo nº 6 > Guiné-Bissau > Região de Gabu > Canjadude> 1987 > Missão dos Médicos Sem Fronteiras ao Boé > Partimos de Gabu (antiga Nova Lamego), passando por Canjadude, a caminho do Cheche (ponto de "cambamça" do rio Corubal"), Madina do Boé e Lugajole  (destino final)



Fotoo nº 7A e 2 > Guiné-Bissau > Região de Gabu > Boé> 1987 > Missão dos Médicos Sem Fronteiras ao Boé > Tabanca perto do Cheche (antes ou depois da cambança ?)




Foto nº 8A e 8 > Guiné-Bissau > Região de Gabu >  Boé > 1987 > Missão dos Médicos Sem Fronteiros ao Boé >  A paisagem árida, semidesértica... A caminho de Lugajole, amas perto de Beli.  Estas formações são "bagabagas", num paisagem algo lunar.






Fotoo nº 9A e 9 > Guiné-Bissau > Região de Gabu > Boé > 1987 > Missão dos Médicos Sem Fronteiras ao Boé > Pequena tabanca, a caminho de Lugajoge 



Fotoo nº 10A  e 10 > Guiné-Bissau > Região de Gabu > Boé > 1987 > Missão dos Médicos Sem Fronteiros ao Boé > Lugajole >  Orre Fello > A morança que teria pertencido ao Amílcar Cabral. Fello, em fula, quer dizer montanha, colina ( que na região anda pela cota  50,  100, 150, máximo  200/300 metros).


Fotoo nº 11A e 2 > Guiné-Bissau > Região de Gabu > Boé > 1987 > Missão dos Médicos Sem Fronteiras ao Boé > Lugajole > Orre Fello > Palanque onde teria sido proclamada a independència da GB em 24 de setembro de 1973, seguindo o guia local.


Fotos (e legendas): © Ramiro Figueira (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Guiné-Bissau > Região de Gabu > Boé >  Posição relativa de Cheche (no rio Corubal), Madina do Boé, Tiankoye (já na Guiné-Conacri, corredor do ataque a Madina do Boé em 10/11/1966 em que morreu Domingos Ramos e muitos outros combatentes do PAIGC), Beli, Lugajole, Vendu Leidi (e perto de Lugajole, Orre Fello) e, por fim, Lela, também já do outro lado da fronteira. 


Infografia. Jorge Araújo / Blogue Luís Graça & Camaradas dfa Guiné (2026).  




Ramiro Figueira, médico aposentado, foi alf mil op esp, 2ª CART/BART 6520/72 (Nova Sintra, 1972/74); membro da Tabanca Grande desde 23 de junho de 2022, tendo 10 referências no blogue; em 1987, cumpriu uma missão de 3 meses em Lugajole, Boé, Guiné-Bissau, como membro dos Médicos Sem Fronteiras (MSF).


1. Mensagem de Ramiro Figueira:

Data -  Data: 23 de fevereiro de 2026, 16h35
Assunto -  Boé


Boa tarde

Como de costume, espreito diariamente o blogue da  Tabanca Grande, virou um hábito curioso mas certamente saudável.

Tenho seguido essas últimas crónicas que lentamente vão juntando a história (triste) da aposentadoria do Boé em 1969. 

Foi cerca de três anos antes da minha chegada à Guiné, em junho de 1972. E fui para um lugar ainda distante do Boé, Nova Sintra, no região de Quínara. Mas todos fomos ouvindo as histórias daquele desastre e constava da memória de toda a gente na Guiné.

Quis o destino que 13 anos depois de ter voltado para casa (em setembro de 1974) fosse enviado para a Guiné (agora Guiné-Bissau), mais propriamente para o Boé (*), e mais especificamente para a tabanca de Lugajole (ou Lugadjole), perto de fronteira com a Guiné-Conacri.

Essa circunstância se deveu ao fato de pertencer aos Médicos Sem Fronteiras que ali iam abrir uma missão junto às populações.

 Assim seguimos para Bissau e depois para Gabu (Nova Lamego) onde ficámos um dia instalados na casa de um tal Paulo, governador da região que, pelo que percebi, era um antigo combatente do PAIGC, o que se notava bem já que era notória a deficiência que apresentava coxeando da perna direita (durante a estadia em Gabu viemos a saber que era por ter uma prótese dado ter sido amputado por uma mina). 

 De lá seguimos no dia seguinte, passando por Canjadude, até a margem do Corubal para a passagem do jipe ​​​​e caminhão de material em que transportávamos todo o material necessário.

 Pelo caminho ainda havia vários destroços de veículos, provavelmente militares, abandonados. Era a tristemente cambança do Cheche, de que eu tanto ouvira falar durante a guerra.

Assim atravessámos na jangada o Corubal até à margem seguinte, confesso que me recordo bem, passados ​​​​estes anos de ter sentido um arrepio ao pensar que, naquele mesmo local, vinte anos antes ali tinham ficado quarenta e tal camaradas. 

No que não fiquei sozinho, comigo na equipe ia outro médico que, na mesma época que eu, tinha sido fuzileiro e conversámos na altura várias vezes sobre o assunto.

Na chegada a Lugadjole, depois de uma viagem atribuladíssima e demorada, nos deparámos com uma tabanca razoavelmente organizada com bastante gente e muitos prédios em bom estado, mas abandonados. 

Ficámos sabendo que se tratava de prédios construídos pela União Soviética que estivera ali explorando bauxite mas que se mostrou não ser viável depois de alguns anos de explorações. Eles deixaram o local deixando algum material, inclusive um grande gerador. 

Foi em um desses prédios que instalámos nossa base logística para dormir, um modesto refeitório e depósito de medicamentos.

Iniciámos nosso trabalho, começando por instalar um hospital de campanha que nos fora fornecido pelas Forças Armadas, após o que abrimos as consultas e os tratamentos.

Durante minha estada em Lugadjole, também tivemos a oportunidade de viajar, acompanhado pelo administrador local, Kassifo N'Kabo, ao mítico local da declaração de independência em 1973
 [Orre Fello]. (**)

Foi uma viagem também bastante conturbada por trilhas terríveis e subidas íngremes, mas você acaba chegando lá. 

Era uma colina de onde se disfrutava uma vista extensa, onde havia uma espécie de palanque coberto e relativamente bem arranjado e, ao lado uma bonita palhota em cimento que o  Kassifo garantia como sendo a morança  de Amílcar Cabral. 

Pessoalmente não acredito que fosse assim e também não acredito que aquele era o local da declaração de independência, mas isso são outras discussões. 

Ainda tentei que me levassem ao    [antigo] quartel de Madina do  Boé, mas a recusa foi peremptória: “Terreno com muita mina”. 

Não sei se era assim ou não, mas lá tinha que ser.

Foram três meses de missão em um país que ficou para sempre gravado em minha memória.

(Revisão / fixação de texto, parênteses retos, negritos;  LG)


2. Comentário do editor LG:

Obrigado, Ramiro. Se tiveres mais fotos do tempo desta tua missão ao serviço dos MSF, iniciada em setembro de 1987 (até dezembro, não ?!), e achares de interesse divulgar, manda, podemos depois fazer um dossiê.

Poucos de nós, antigos combatentes, conhecemos o Boé (Béli foi retirado em meados de 1968, Madina do Boé e Cheche em 6/2/1969).

 E, de fato, continuamos sem saber onde foi extamente o "berço da Nação"... Duvido que algum dia as coordenadas corretas apareçam. Não havia GPS. Nem o PAIGC tinha cartas. Nem se guiava por elas.

E a IA hoje  só lança ainda mais confusão, quando a gente lhe pergunta. Como sabes, a IA não faz pesquisa em primeira mão. Nós sabemos muito mais que ela, que tem a mania que sabe tudo... Mas não, não sabe e só atrapalha. 

O assunto ainda é polémico. O nosso blogue levantou a questão . Mas ainda há muita boa gente a aceitar, acriticamente, que a independência da GB foi proclamada em Madina do Boé. 

Já temos muita documentação sobre o Boé. Mas é preciso colocá-la, em dossiês temáticos, em pdf, formato mais facilmente pesquisável na Net.

Temos, nós, ex-combatentes (e sobretudo nós, portugueses) a obrigação de deixar pistas para esclarecer esses e outros pontos, mais ou menos obscuros, da história recente da Guiné-Bissau, que também é parte da nossa história. 

A ignorância é muita, a incultura geral ainda mais. E nem tudo o que vem à rede é peixe. Duvido até que os jovens guineenses saibam onde fica(va) a mítica Madina do Boé... Hoje, sim, uma pequena tabanca, reconstituída na picada que segue do Cheche até â fronteira.

Há dias, conversando com jovens guineenses (homens e mulheres) que fazem parte da segurança privada de um hospital público, e que estão aqui em Portugal há 10 anos ou mais, constatei que eu conhecia muito muito melhor a geografia e a história do seu país do que eles.  Já nasceram em Bissau e de lá só saíram para emigrar para Portugal. É gente com alguma escolaridade, a suficiente para poderem  trabalhar doze horas por dia como "seguranças", à noite e por turnos, no departamento de psiquiatria e saúde mental do hospital.

Quanto a ti, és sempre bem aparecido. Um alfabravo. Luis

PS - Ramiro,recordo o que escreveste em comentário em 14/7/2022 (**):

(...) Conforme o mapa, o local (Orre Fello) situa-se muito perto da fronteira mas antes de Vendu Leide, portanto dentro da Guiné Bissau

(...) Sobre o desfile militar na cerimónia da independência,  nada sei. O local tem um espaço relativamente grande e plano em frente à construção pelo que é possível ter feito ali um "ronco" com desfile de tropas. A construção (suspeito, sem certezas nenhumas) será de depois mas, dado que a fotografia foi feita em 1987 (14 anos depois da declaração), eventualmente já existiria.

Como já se publicou tanta coisa sobre este local vamos, ver se aparece alguém com indicações presisas sobre o assunto. (..:)

quinta-feira, 14 de julho de 2022 às 17:40:29 WEST
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Notas do editor LG:

(*) Último poste da série : 29 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27475: As nossas geografias emocionais (60): Cape of Good Hope / Cabo da Boa Esperança, South Africa / África do Sul (António Graça de Abreu, Portugal)



(...) Chegámos a Lugadjole já ao anoitecer e ainda tivemos de descarregar a camioneta para termos camas onde dormir dado que a casa onde fomos alojados nada mais tinha do que paredes, eram casas construídas pelos soviéticos quando tentaram explorar bauxite naquele local, o que acabou por não se revelar rentável e o local foi abandonado.

Os dias foram-se passando entre as consultas e trabalhos para nos instalarmos e um belo dia conseguimos convencer o responsável local, um homem de poucas falas, chamado Kassifo N’Cabo, a levar-nos ao local onde fora declarada a independência.

No jipe dele e ainda no jipe que nos tinha sido cedido pelo governo guineense, saímos a caminho da fronteira com a Guiné Conakri e, pouco antes da tabanca de Vendu Leidi subimos a um ponto um pouco mais alto, que na crónica da Tina Kramer fiquei a saber que se chamava Orre Fello, onde uma estrutura meio abandonada nos foi indicada como tendo sido o local da declaração da independência.

Na verdade, não sei se realmente terá sido ali que se deu o acontecimento, mas dada a proximidade da fronteira (Vendu Leidi situa-se praticamente nela) e o local meio perdido nos confins do Boé, admito que terá sido esse o tal local.

Por agora é só, as descrições do trabalho em Lugadjole são longas e provavelmente fastidiosas. Resta dizer que montámos o hospital de campanha que tinha bloco operatório e que esteve a funcionar creio que cinco ou seis anos. (...)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27764: Notas de leitura (1899): "Amílcar Cabral O Africano que Abalou o Império", por José Alvarez, Âncora Editora, 2025 (3) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 5 de Setembro de 2025:

Queridos amigos,
O romance de José Alvarez destaca as atividades de Cabral entre a sua reunião em Bissau (nesta altura ele tem intensa atividade profissional em Angola) em setembro de 1959, reunião determinante para pôr o movimento político de que ele é o cérebro em marcha, já se fala numa direção no exílio (Conacri) e no trabalho clandestino no interior da Guiné liderado pelo Presidente Rafael Barbosa. Cabral revela-se um ideólogo de referência em reuniões africanas, sensibilizando os novos Estados para a luta pela independência das colónias portuguesas. A ida a Londres será muitíssimo importante, quer pelo documento que Cabral elabora e que irá situar na imprensa e nas redes diplomáticas quer pela amizade que fará com Basil Davidson. Será em Tunes que se ouvirá pela primeira vez falar no PAI, à escala internacional. No romance, o autor procura recriar situações de grande tensão no casal, Maria Helena tinha extrema dificuldade no escasso ambiente familiar decorrente das atividades de Cabral. Este conseguirá êxitos diplomáticos com a China e com a URSS. a China assegura um plano de apoio militar, com a formação de elementos do PAIGC em Nanquim, e oferecendo armas. A URSS irá recebê-lo em 1961 e começará por oferecer bolsas de estudo, mais adiante formação e armamento.

Um abraço do
Mário



O primeiro romance histórico sobre a vida e obra de Amílcar Cabral – 3

Mário Beja Santos

Estamos chegados à controversa reunião em Bissau de 18 de setembro de 1956, há quem tenha assegurado que Amílcar Cabral não estava nesse dia em Bissau. Reza a história oficial do PAIGC que ocorreu aqui a data fundacional do partido, estariam presentes Luís e Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Fernando Fortes, Elisée Turpin e Júlio de Almeida. Amílcar teria dito que a hora era propícia para a formação de um novo partido, o PAI, teria havido acordo da pequena plateia, e Cabral teria dado o seu pseudónimo, Abel Djassi. Como estava apressado para seguir para Angola. A verdade é que só se falará do PAI em 1960, e é dado como seguro que Amílcar estará em Bissau pouco depois dos acontecimentos do Pidjiguiti, de 3 de agosto de 1959, reunião determinante para estabelecer o arranque da vida partidária.

Amílcar Cabral recebe na sua casa em Lisboa, na Avenida Infante Santo, n.º 8, o nacionalista angolano Viriato da Cruz, 1957. Viera da China, cometera a asneira de vir para Lisboa, a PIDE estava a persegui-lo, conseguira desorientá-los, vinha pedir ajuda, Amílcar pôs-se em contacto com Lúcio Lara, há conversas sobre o Partido Comunista Angolano. Amílcar estará ativo em Lisboa, já tem relatório na PIDE, na sua ficha assinala-se fazer parte de uma rede de articulações políticas e ligações com movimentos clandestinos. Luís Cabral e a mulher visitam Amílcar e a mulher em Lisboa, dão notícias do que se está a passar na Guiné, Amílcar explica o que vai fazer em Angola, fala-se igualmente das eleições presidenciais de 1958. Amílcar volta a África, pago pelo Estado português, mas comparece de 8 a 13 de dezembro em Accra como observador, à 1.ª Conferência dos Povos Africanos, a vaga anticolonialista continuava a alastrar em África, dera-se a independência da Guiné-Conacri, o exército português começa a reorganizar-se, não há ilusões quanto a futuros conflitos entre os nacionalistas e o Estado Novo.

Amílcar Cabral irá conhecer um crioulo natural da Martinica, Frantz Fanon, em abril de 1959, este líder revolucionário, à margem do II Congresso dos Escritores e Artistas Negros, propôs, em nome do Governo Provisório Revolucionário da Argélia a formação de onze jovens angolanos. As relações de Cabral com Fanon não foram das melhores, diferem claramente nas suas estratégias, Fanon andará próximo de Guevara quanto à teoria do Foco, para Cabral inaceitável, pretende a presença de guerrilheiros e tornar a vida impossível aos colonos, garantindo uma continuada guerra de guerrilhas que leve à independência nacional.

Nesse ano de 1959, Cabral ainda trabalhava em Angola, na Companhia Angolana de Agricultura, em setembro chega a Bissau, encontra-se sigilosamente com Fernando Fortes, Aristides Pereira e Rafael Barbosa. É delineada a linha estratégica, a direção irá instalar-se em Conacri, a mobilização no interior da Guiné passará pela mobilização e organização dos camponeses. Amílcar conversará longamente com o irmão sobre os acontecimentos de Pidjiguiti em 3 de agosto, Luís partirá também para a clandestinidade ficará instalado em Ziguinchor. Amílcar moldou do seu espírito que deverá haver a união de Cabo Verde com a Guiné. Regressa a Lisboa via Dakar.

Aqui escreverá a Lúcio Lara:
“Estive na minha terra durante uns dias. Apesar de todas as opressões, de todas as manhas, a luta continua, cada vez mais conscientemente, cada dia mais reforçada. De tal maneira que eu próprio fico admirado de tanta vontade espontânea, de tanto desejo consciente fazer alguma coisa de concreto e consequente em relação à terra. Dado que surgiram outros movimentos (organizações clandestinas) é objetivo fundamental do programa traçado, conseguir uma união sólida, a formação de uma só frente para lutar. A chacina feita pela polícia e civis portugueses teve este balanço: 24 mortos e 35 feridos, alguns deles muito graves. Chegaram a matar alguns africanos dentro de água, quando tentavam fugir à polícia e alcançar os barcos que estavam ancorados perto do cais de Pidjiguiti.”

No final do ano regista-se uma grande atividade da PIDE, há muitas prisões em Luanda. Procurando a maior descrição, em viagens ao serviço do Governo português, Cabral procura reunir-se com elementos do Movimento Anticolonialista. Quando regressa a Angola sabe da prisão dos guerrilheiros selecionados. Saiu precipitadamente de Luanda escolhendo um itinerário a partir do Gana e outros países antes de chegar a Bissau. As atividades de Amílcar em Lisboa são acompanhadas pela PIDE, avisado por um professor do Instituto Superior de Agronomia sobre a vinda de elementos da PIDE ali para obterem informações dele, parte apressadamente para Paris, Maria Helena irá ter com ele, terá havido uma grande discussão no casal. Ela regressará a Lisboa e ele parte para a conferência em Tunes e depois para Londres. Em Tunes, Amílcar estará muito ativo na Conferência dos Povos Africanos, houve a exigência de que os delegados deveriam obrigatoriamente representar movimentos políticos com formação nacional própria. Pela primeira vez, a nível internacional, surge o nome do PAI e o Movimento Anticolonial passa a designar-se por FRAIN – Frente Revolucionária Africana para a Independência Nacional das Colonias Portuguesas. Cabral pede a Hugo Azancot de Menezes que lhe dê auxílio na sua ida a Londres e se o ajudava nas diligências para ter autorização para a instalação de membros do Movimento Anticolonial na Guiné-Conacri.

Em Londres, Cabral encontra-se com o jornalista e escritor Basil Davidson, que se transformará numa grande amizade. Vai aparecer o primeiro documento saído do punho de Cabral que sensibilizará a opinião pública internacional: The Facts about Portugal African Colonies, assinado com o nome de Abel Djassi. Hugo Menezes escreve a Cabral dizendo-lhe que está autorizado a residir em Conacri com a família, irá trabalhar como técnico do Governo. Instalado em Conacri, Cabral encontra-se com diplomatas, o primeiro secretário da embaixada da China mostra-se particularmente recetivo, de contacto em contacto uma delegação de movimentos nacionalistas constituída por Viriato da Cruz, Eduardo M. dos Santos e Cabral recebem o convite para uma visita de estudo e amizade à China.

Em meados de 1960, a PIDE emite uma nota sobre Amílcar Cabral e as suas atividades, nota que inclui falsidades como lhe atribuir responsabilidade na revolta dos estivadores do porto de Bissau, em agosto de 1959. Luís Cabral foge para Conacri. Maria Helena e a filha abandonam Lisboa, vão primeiro a Paris e depois Conacri. Um grupo de jovens, parte para a China, entre eles Nino Vieira e Osvaldo Vieira.

A atividade de outros movimentos anticolonialistas guineenses preocupa Cabral são-lhe hostis, destacam o que eles consideram ser a exploração secular dos guineenses pelos cabo-verdianos. No final do ano de 1960, Cabral recebe o convite para visitar a URSS em março do ano seguinte, a primeira oferta dos soviéticos são bolsas de estudo nas instituições de ensino técnico e superior da URSS. Estimulado por estas ajudas, Cabral prepara uma escola de formação em Conacri e vai confrontar-se com outros movimentos independentistas guineenses.

Amílcar Cabral e Maria Helena, sua mulher, na Guiné, mota com sidecar
Coisa curiosa, a PIDE da Guiné em 1958, não apurou nada em desabono de Cabral, moral e politicamente, o que faz cair por terra, as demissões e expulsões, os impedimentos de visitar a família, etc., têm aparecido na hagiografia mitológica e martirológica de Cabral.
Cabral na China em 1960, delegações do MPLA e do PAIGC

(continua)
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Nota do editor

Post anterior de 16 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27738: Notas de leitura (1896): "Amílcar Cabral O Africano que Abalou o Império", por José Alvarez, Âncora Editora, 2025 (2) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 20 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27754: Notas de leitura (1898): "Portugal em África depois de 1851 (Subsídios para a História)", pelo Marquês do Lavradio; edição da Agência Geral das Colónias, 1936 (3) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P27763: História de vida de um capelão militar: Horácio Fernandes / Francisco Caboz (1935-2025) - Parte X: A desconstrução do padre, que ainda andou nos navios da marinha mercante (T/T Niassa e petroleiros)


Guiné > Legenda: "Recordação do Niassa. Lisboa - Guiné - Lisboa.... Missão Cumprida!... Lisboa, de 1 de maio de 1968 / Bissau, 3 de abril de 1970)... Transportando a CCÇ 2381, além de outras unidades. Cortesia de José Teixeira (1.º cabo aux enf, CCAÇ 2381, Buba, Quebo, Mampatá, Empada, 1968/70), nosso colaborador permanente. O padre frei Horácio Fernandes também aqui foi capelão, depois de terminar a sua comissão de serviço como capelão militar, no CTIG, em finais de 1969.

Foto (e legenda): © José Teixeira (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Estamos a reproduzir excertos da dissertação de mestrado em ciências da educação, pela Faculdade de Psicologia e Ciências das Educação da Universidade do Porto (1995), da autoria do nosso grão -tabanqueiro Horácio Fernandes, que foi nosso camarada como capelão militar no CTIG (BART 2913, Catió,  1967/69), e que faleceu, ainda recentemente, em novembro de 2025, com 90 anos completos.



Horácio Fernandes
(1935-2025)
No capº IV daquele trabalho académico, ele narra e comenta a história de vida de Francisco Caboz, seu "alter ego". Trata-se, pois, de uma autobiografia, que em 30 páginas, a duas colunas, cobre a sua infância, adolescência, juventude e idade adulta até 1972, o ano em que, prestes a fazer 37 anos, regressa ao estado laical e constitui família, passando a viver no Porto.

Nos nove  postes anteriores já publicados (*), ele fala-nos, sucintamente, de:

(i) a sua terra natal, "Arribas do Mar" [leia-se Ribamar, da Lourinhã], bem como as 3 figuras da família que o marcaram: 
o pai (José Fernandes Nazaré), a mãe (Elvira Neto) e o avô materno (nascido provavvelmemnte na década de  1880), o sacristão da freguesia, o Ti João das Velas de Santa Bárbara;

(ii) como foi criando raízes a ideia de ser padre: o avô materno, sacristão, e a professora primária acabaram por ser as pessoas que mais pesaram nessa decisão;

(iii) a entrada no Colégio Angélico (leia-se, Seráfico, na altura Montariol, em Braga, a mais de 300 km de distância da sua terra, Ribamar, Lourinhã), e os "quatro cenários" onde se vai desenrolar a sua vida de "angélico" (ou seja, até ao 5º ano, correspondente hoje ao 9º ano de escolaridade): a camarata, o refeitório, a sala de aulas, o salão de estudo, e onde vigorava o panoptismo;

(iv) os mecanismos de vigilância dos internos e os rituais de punição por parte dos prefeitos;

(v) o 6.º ano, quando passa a ser noviço (Convento do Varatojo, Torres Vedras);

(vi) segue-se o Coristado de Filosofia (em Leiria, no seminário de São Francisco / convento da Portela) e depois de Teologia (no Seminário da Luz, Carnide, Lisboa), até à ordenação sacerdotal (em agosto de 1959).

(vii) no início do 2º semestere de 1967, é chamada para fazer, na Academia Militar, o 1º curso de capelães militares;

(viii) é mobilizado para a Guiné, em rendição individual, como capelão militar, sendo colocado em Catió no BCAÇ 1913;

(ix) a sua vocação sacerdotal é abalada com a sua passagem pelo sul da Guiné.

Terminada a comissão, em finais de 1967, andou ainda na marinha mercante (transporte de tropas e navios petroleiros), como capelão, até deixar o sacerdócio em 1972, antes de completar os 37 anos.

Casou, passou a viver no Porto. Teve 3 filhos. Estava reformado da Inspeção Geral de Educação onde trabalhou 25 anos na zona norte. Em 2006, aos 70 anos, doutorou-se em ciências da educação pela Universidade de Salamanca, Espanha.

Reencontrámo-nos, por volta de 2015, na Tabanca de Porto Dinheiro, Lourinhã, ao fim de 57 anos de vidas completamente separadas.


2. É uma história de vida que merece ser conhecida dos nossos leitores. Um verdadeiro testemunho de uma época que ainda coincide, em parte, com a nossa.

É um trabalho académico, relevante não só para a história da capelania castrense como também para o conhecimento do ensino confessional ministrado em seminários diocesanos e regulares, onde se formava o clero católico ao tempo da Ditadura Militar e Estado Novo (1926-1974).

Imagem do lado direito: capa do livro do Horácio Fernandes, publicado 14 anos depois da sua dissertação de mestrado (1995): ""Francisco Caboz: a construção e a desconstrução de um padre" [Porto: Papiro Editora, 2009, 185, (7) pp. ISBN 978-989-636-446-5].(O livro está esgotado.)


História de vida de um capelão militar: Horácio Fernandes / Francisco Caboz (1935-2025) - Parte X:   A desconstrução do padre, que ainda andou nos navios de transporte de tropas e nos petroleiros


por Horácio Fernandes


6.  A desconstrução do habitus. O Trãnfuga.

As férias, de Capelão Militar, duas vezes por ano, eram passadas em casa de meus pais "Arribas do Mar" [leia-se, Ribamar, da Lourinhã],- 

 Celebrava na minha terra e era muito solicitado pelas famílias da redondezas, para saberem notícias dos filhos. Não tinha tempo para ir visitar a instituição [ OFM - Ordem dos Frades Menores em Portugal, também conhecida como Província Portuguesa da Ordem Franciscana].

Aliás, com o meu dinheiro, custeava as despesas dos estudos de minha irmã [mais nova, a maois velha era enfermeira],  frequentava já o Instituto Comercial e consegui, com as economias, liquidar as restantes dívidas de meu pai. 

Vivia, portanto, praticamente à margem da minha instituição. Ainda cheguei a escrever algumas cartas, mas nunca obtive resposta. 

Talvez, por isso, quando acabou a tropa, escrevi aos Superiores a dizer que não estava disposto a voltar imediatamente para o Convento. Responderam-me, acenando-me com um lugar de Superior, numa residência da instituição, recusei e sem saber para onde ir, pedi para ficar mais um ano no serviço militar.

Como me disseram que não havia lugar, fiquei bastante ofendido, pois sabia que outros conseguiram ficar. Frustrada uma ida para Angola, para dar aulas no Liceu de Nova Lisboa [,hoje, Huambo], oferecí-me ao Clube Stella Maris para ir para Capelão do Mar, a ver como as coisas evoluíam, depois achava que não era capaz de voltar para a instituição.

Tinha de tomar uma decisão, mas era muito penoso. A pressão social da minha família e das gentes que em mim tinham confiado continuava a ser um grande obstáculo, cada vez mais difícil de transpor. Preferi, pois, adiar mais algum tempo. Nascia também em mim o Tânsfuga.

O Apostolado da Mar, organização católica que fornecia capelães para os navios da Marinha Mercante, foi a solução provisória encontrada. Ganhava, assim, mais algum tempo, fora da jurisdição da instituição, podia continuar a ajudar a família e entretanto tinha tempo para ponderar melhor a sua decisão.

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Este adiamento nada resolveu. A decisão tinha de ser minha. O clima relacional nos navios da Marinha Mercante, fretados ao exército para transporte de tropas, era duplamente penalizador.  

Após as emoções da partida, os soldados iam, como animais para o matadouro, em camaratas improvisadas nos porões. Alguns enjoavam e outros bebiam demais e nem para as refeições se levantavam. Revoltados, vingavam-se nos colchões de espuma que, no fim da viagem, eram mandados ao mar. 

Por sua vez,  a tripulação do navio, sob a jurisdição do comando militar, vivia num contínuo stress. A tripulação era constituída na sua grande maioria por jovens oficiais, a cumprir deste modo o serviço militar. Afogavam, pois, em garrafas de uísque a sua desdita.

Nos navios petroleiros a situação não era melhor: passavam cerca de 25 dias a sonhar com o porto de Lisboa ou Leixões, mas aí chegados, passadas 48 horas, o navio zarpava novamente.

Eu percorria, durante o dia, todo o navio, quando o mar era calmo, mas só era solicitado para ouvir desabafos. Por isso, sentia-me inútil como padre,  não obstante todos me tratarem com correcção. Sentia-me como uma ave rara, com quem todos, levados pela curiosidade, queriam discutir assuntos de religião. Tirava algumas dúvidas, mas não resolvia as minhas.

Entretanto, ia-me preparando para o exame de admissão à Faculdade de Letras. Esta admissão constava da matéria de História do 5° ao 7° ano e Filosofia do 6º e 7°.

Nas últimas viagens ao Golfo Pérsico, estava mesmo disposto a mudar de profissão, pedindo a redução ao estado laical. O isolamento de cerca de 25 dias de viagens, só com 30 a 40 homens a bordo, tentando esquecer o tempo, bebendo, ou criando situações conflituais, desenraizados socialmente, trouxe-me a noção do meu próprio isolamento. Nada me faltava a bordo. Contudo, achava inútil a minha presença ali.

Na minha indecisão ía-os ouvindpo,  mas também desabafando os meus problemas. 

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Esta situação não lhes passou despercebido e, na hora do desembarque, ofereceram-me um saco confecionado a bordo e uma caneta, num estojo, onde se lia: «para o capelão. Prenda de casamento».

Nesta indecisão, bem dolorosa para mim e toda a minha família, novamente, uma pessoa teve grande influência: o padre da minha freguesia, um belga,  assistente da Universidade de Lovaina em Físico-Químicas, que veio, já vocação tardia, para o Patriarcado  [de Lisboa].

Ousadamente, tentou sacudir a religiosidade tradicional do povo da freguesia, preocupando-se, sobretudo, em reconciliar as muitas famílias desavindas, o que para ele era essencial. Deixou de celebrar missa semanal na igeja paroquial, preferindo antes as casas das pessoas. Aí reunia toda a família, e outros que quisessem participar. No meio da refeição normal, constituída por aquilo que cada um levava, lia alguns extratos do Evangelho apropriados. Consagrava, depois, o pão e o vinho e dava a comunhão que era o momento alto da reconciliação das pessoas, umas com as outras, porque, dizia, ninguém pode estar de bem com Deus, sem estar de bem com os outros.

Nos dias de semana trabalhava como camarada de um barco e recebia o seu quinhão de peixe. Disso vivia e das aulas no Instituto dos Invisuais em Lisboa, sem levar dinheiro pelos outros serviços, prestados aos fregueses. 

Toda a gente o estimava e admirava peia sua dedicação e desprendimento que contrastava com a normalidade. Foi incompreendido pelas hierarquias do Patriarcado, acabando por sair e casar com uma professora cega, com mais três irmãos cegos que continuou a amparar.

Foi ele que me orientou. Ia para sua casa e falávamos, demoradamente. Os seus conselhos e a sua corajosa atitude ajudaram a libertar-me da indecisão.

Depois de mais uma vez regressar à Guiné, com tropas [no T/T «Niassa»], ,fiz a última viagem a Cabinda . Desembarquei e fui hospedar-me, como de costume, numa residência da instituição. Pedi a redução ao estado laical e fiquei a aguardar. 

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Embora continuasse a celebrar, recebia a visita de minha irmã, então a trabalhar no Porto e de outras raparigas, entre elas a minha futura mulher.

Esta situação deve ter chegado aos ouvidos dos Superiores Maiores, que se ofereceram para me pagar determinada quantia mensal, para alugar um quarto na cidade, se eu abandonasse, de vez, a residência.

Mal abandonei a residência, esqueceram-se da promessa e fui morar com mais três colegas, num quarto alugado. Para sobreviver, dava explicações e oito horas semanais de aulas. Em contrapartida, leguei aos meus ex-confrades as alfaias litúrgicas do Apostolado do Mar e à Igreja de Arribas do Mar, os cálices que me tinham oferecido na Missa Nova.

Casei na capela românica da Cedofeita, com a assistência apenas dos padrinhos, tal como me impôs o Bispo do Porto, em 1972. Tudo em conformidade com o 'habitus' da obediência e subordinação. A paixão é que foi transferida do simbólico para o real

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Fonte: Excertos da dissertação de mestrado do Horácio Neto Fernandes, "Francisco Caboz: do angélico ao trânsfuga, uma autobiografia". Porto: Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. 1995, pp. 133-136 (A dissertação, orientada pelo Prof Doutor Stephen R. Stoer, já falecido, está aqui disponível em formato pdf).

(Continua)

(Revisão/ fixação de texto, negritos, links, parênteses retos, título: LG)
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Nota do editor LG:

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5 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27607: História de vida de um capelão militar: Horácio Fernandes / Francisco Caboz (1935-2025) - Parte II: A escola primária e a comunhão solene

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17 de janeiro de 2026 Guiné 61/74 - P27642: História de vida de um capelão militar: Horácio Fernandes / Francisco Caboz (1935-2025) - Parte IV: Vigiar e punir

20 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27651: História de vida de um capelão militar: Horácio Fernandes / Francisco Caboz (1935-2025) - Parte V: O noviço

27 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27676: História de vida de um capelão militar: Horácio Fernandes / Francisco Caboz (1935-2025) - Parte VI: Corista de filosofia e teologia e depois padre