Guiné > Carta Geral da Província (1961) (Escal 1/500 mil) > Posição relativa de Dulombi, Paiai Lémenei, Rio Corubal, Ché-Ché, Béli, Madina do Boé. Com a retirada das nossas posições, em Béli, Madina do Boé e Ché-Che, o PAIGC passou a considerar o Boé como "zona libertada", a partir de 6/2/1969, e ameaçar todo o "chão fula", a sul e a leste. Paiai Lémenei terá sido a zona onde morreu, em combate, o nosso camarada Lucídio Rasinhas, da CCAÇ 2405 (Dulombi, 1968/70).
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Rui Felício |
Estamos, todavia, a dar continuidade à sua série, com mais algumas "estórias" que vamos recuperando da sua página do Facebook... É o caso de mais esta, que merece honras de blogue.
Recorde-se que o Rui Felício foi alf mil at inf, CCAÇ 2405 / BCAÇ 2852 (Dulombi, 1968/70). Perdeu 11 dos seus homens do seu pelotão na Op Mabecos Bravios, mortos por afogamento na "cambança" do Rio Corubal, em 6/2/1969, efeméride que acabámos de evocar. Ele foi um dos sobrevientes, tendo conseguido libertar-se da arma e cartucheiras.
Há uma morte posterior, em combate, no dia 13 de julho de 1969, a meio da comissão (e não já no fim, como por lapso refere a seguir) (**)
Uns dias antes o Dulombi tinha sido atacado com rockets, morteiros 82, canhões sem recuo e armas ligeiras por um bigrupo pelas 22 horas.
As balas tracejantes que antecederam o ataque, serviram para indicar o alvo naquilo que parecia o desencadear de um fogo de artifício em festas da Rainha Santa [em Coimbra, onde o Rui nasceu, viveu e estudou].
A Companhia respondeu ao fogo com as armas de que dispunha, designadamente morteiros 81 e 60, metralhadoras HK, Borsig e espingardas G3.
Desde que a região do Boé ficou sem efectivos militares por decisão estratégica do Comando Chefe, a retracção do dispositivo originou o que se esperava. Ou seja, a guerrilha avançou as suas forças para norte do rio Corubal e as flagelações a quartéis como o Saltinho, Dulombi, Mondajane, Cansamba, Cancolim e outros começaram a ser mais frequentes.
Uma semana depois foi planeada e executada uma operação de patrulhamento com origem no Dulombi, ficando apenas no quartel o Victor David e o seu Grupo de Combate. (O Victor David [1944-2024], instalado a poucos kms, em Mondajane, teve que se deslocar com a sua tropa para guarnecer o quartel do Dulombi, enquanto a Companhia arrancava de madrugada para o dito patrulhamento.
Toda a restante Companhia iniciou o percurso por sueste com o objectivo de contornar Paiai Lemenei, onde se supunha que se acoitassem os guerrilheiros como base para aproximação ao nosso aquartelamento.
Ao 2.º dia à tarde, sem encontrarmos sinais do inimigo, iniciámos o regresso.
E é verdade que a nossa presença não foi detectada como adiante se verá.
Já no regresso, ao fim do dia, depois de andarmos perdidos no meio da mata, encontrámos finalmente a picada que ligava Dulombi à base de Paiai Lemenei.
Reunidos na picada, sentados e conversando, estavamos o Capitão [Jerónimo], o [Jorge] Rijo, o [Paulo] Raposo e eu, isto é, todos os oficiais, para além de alguns furriéis como o Ribas, o Veiga e o Esteves.
E pedi ao furriel Esteves para se posicionar atrás de nós, vigiando a nossa retaguarda.
Nisto, os dois soldados destacados para fazerem a segurança próxima a norte da picada, efectuaram algumas rajadas de G3 e correram ao nosso encontro já debaixo de fogo do inimigo.
Felizmente, foi evacuado para Bissau e depois para Lisboa tendo-se salvo.
Durante mais de meia hora o combate foi violento e percebia-se que os rockets choviam ininterruptos, especialmente na direcção do local onde estávamos porque era dali que irradiavam as vozes de comando.
Um dos rockets acertou mesmo em cheio no sitio onde estava o Capitão e os Alferes.
Ao meu lado um estilhaço acertou na cabeça do soldado que estava mesmo ao meu lado e que veio a morrer no próprio local.
Ainda auxiliei no seu transporte durante uns dois quilómetros. O cheiro a sangue no meu braço ainda hoje o sinto quando recordo.
Foi um dos estilhaços dessa forte explosão que atingiu mortalmente a cabeça do soldado Rasinhas que estava a poucos metros de mim.
Ainda tivemos tempo um mês depois, de lhe prestarmos uma homenagem póstuma dando o seu nome ao aeródromo de Galomaro, sede do Batalhão, numa singela placa de betão.
(Foto à direita: Lucídio Rasinhas: foi homenageado na sua terra, Paus, Resende, em 29/4/2023)
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Notas do editor LG:
(*) Último poste da série > 5 de março de 2025 > Guiné 61/74 - P26555: Estórias de Dulombi (Rui Felício, CCAÇ 2405) (11): A fome era má conselheira... e apertava mais no tempo das chuvas, em Sangué Cabomba, subsector de Cancolim
(**) A CCAÇ 2405 pertenceu ao BCAÇ 2852 (Bambadincsa, 1968/70), a esteve adida a minha companhia, CCAÇ 2590/CCAÇ 12.
Em 1/7/1969, a CCAÇ 2405 estava colocada em Galomaro , com 1 Pel em Dulombi, 1 Pel em Samba Cumbera e 1 Pel (-) em Fá.
A CCaç 2405 seguiu em 30Jul68 para Mansoa, a fim de efectuar o treino operacional até 21Ago68 sob orientação do BCaç 1912 e seguidamente substituíu a CCaç 1686 na sua função de intervenção e reserva do sector, tendo tomado parte em diversas operações realizadas nas regiões de Changalana, Cubonge e Inquida, entre outras.
Quebo-Morés, esta em reforço temporário do BCaç 2851.
variáveis, efectivos seus destacados em Pate Gibel, Campata e Cansamba e depois, em meados de Mar69, em Samba Juli, Dulombi e Samba Cumbera.
Em 28Ju169, passou à dependência operacional do COP 7, mantendo-se em Galomaro e agora com pelotões destacados em Imilo, Cantacunda, Dulo Gengele e Mondajane e depois em Dulo Gengele, Samba Cumbera e Cancolim, de onde saiu após criação do subsector em 07Nov69.
Em 07Nov69, após criação do Sector L5, assumiu a responsabilidade do subsector de Dulombi, também então criado, para onde foi transferida em meados de Dez69, permanecendo um pelotão em Galomaro e passando a integrar o dispositivo e manobra do BCaç 2851.
O pessoal ficou conhecido como os "baixinhos de Dulombi". E a sua divisa: "Peri9gos Vários".
5 de julho de 2023 (Memórias que não se apagam)
21 de maio de 2024 (Guerra)




























