Guiné > Região de Tombali > Gadamael > Maio / junho de 1973 > BCP 12 > Aquartelamento > O estado em que ficou uma "morança", após mais um ataque do PAIGC, cuja base de fogos se situava para lá da fronteira, já na Guiné-Conacri. As estruras edificadas eram, em geral, frágeis, construídad com tigolos de adobe e cobertura de chapa de zinco.
Doto bto nº 2, 2A, 2B
Guiné > s/l (Bissalanca, BA 12 ?) > Gadamael > 1973 > BCP 12 > Rampa de lançamento de foguetões de 122mm, capturada pela CCP 122 / BCP 12 em 1 de janeiro de 1973 durante a acção “Tumarú” (Foto: História do BCP12).
Fotos originais, a preto e branco, publicados pelo António Dâmaso, a nº 1, do seu arquivo pessoal, a 2ª oriundas da Hstória do BCP 12.
Restauro, melhoria técnica e coloerização: LG + IA (ChaGPT / Opem AI) (2026)
1. Em 1973, o 1º srgt paraquedista António Dâmaso, natural de Odemira, a exercer a função de 2º cmdt do seu 3º Gr Comb / CCAÇ 121 / BCP 12, depois de ter perdido 3 dos seus homens no Cufeu, a caminho de Guidaje (Op Mamute Doido, 23 de maio de 1973) , é enviado para reforçar a defesa de Gadamael, no sul da Guiné, região de Tombali, junto à fronteira (Op Dinossauro Preto, Gadamael, 2 jun - 17 jul 1973).
Ele escreveu , na primeira pessoa, como viveu e sobreviveu à batalha de Gadamael, sempre operacional, e mesmo doente.
Este texto, que se segue, foi inicialmente publicado no Blogue Especialistas da Base Aérea 12,
Guiné 65/74 > segunda-feira, 11 de abril de 2011 > Voo 2244: Gadamael Porto (3). Subtítulo: Pontualidade.
Nesses longos 45 dias que durou a batalha de Gadamael, também houve lugar a momentos de descontração e de bom humor...Afinal, a morte coabita sempre com a vida. E a vida, afinal, é um jogo de sorte e azar. Como o loto.
É agora republicado o texto, com melhoria das imagens (que o acompanhavam, a preto e branco), em homenagem a este camarada do BCP 12 que há dias se depediu da Terra da Alegria e que em vida nos honrou com a sua presença, ativa e produtiva, na Tabanca Grande. É também a nossa forma de mostrar o respeito e o apreço que nos merecem todos os nossos camaradas que participaram na Batalha dos 3 G (Guidaje, Guileje e Gadamael) (maio-julho de 1973).
Recordações amargas de Gadamael (3)por António Dâmaso
(1940-2026)
Ao longo da minha vida sempre tenho procurado ser pontual. Estávamos no “inferno” de Gadamael Porto onde diariamente éramos brindados com várias flagelações de armas pesadas diversas. Os ataques eram tantos que já estava habituado aos seus horários. No entanto, em virtude da sua precisão, todas as granadas caiam dentro do aquartelamento, se não queríamos lá ficar, tínhamos de ter muito cuidado.
O meu amigo e camarada Jota tinha chegado à Província quando eu estava no outro inferno chamado Guidage, tinha feito uma comissão em Moçambique em 1966/68, pelo que não estava familiarizado com o chamado ”Vietname Português”. O Jota tinha sido Condutor Auto
tal como eu, era do meu Curso de Primeiros Socorros, de Cabos, de Furriel, lançamento de Pessoal e Material, de Mecânica, de Técnicas de Instrução e foi parar ao meu Pelotão (3º / CCAÇ 121 / BCP 12.
Estava no seu primeiro destacamento, não tinha ainda avaliado a dimensão daquela guerra. Um dia à tarde eram perto das 17 horas, ele entre a morança de adobo com telhado de zinco que nos abrigava da chuva e a vala, tinha o pano de tenda estendido e chamou-me:
− Tóino, anda para aqui jogar ao loto.
Nós, nos intervalos quando não estávamos no mato, procuravámos passar o tempo jogando às cartas, loto ou qualquer outro entretenimento. Ele naquele dia queria loto, eu olhei para a altura do Sol e depois para o relógio, disse-lhe que não porque estava na hora do ”lanche”. Uns chamavam-lhe "lanche", outros chamavam-lhe “o chá das 5”.
Fui buscar o capacete e a arma e dirigi-me à vala, o pessoal do Pelotão lá estava.
Ele ainda insistiu mas eu disse-lhe que não porque elas (as granadas) tinham olhos. O bom do Jota, contrariado, acabou por seguir o meu exemplo mas não tão depressa como devia. Foi buscar o capacete e, quando se dirigia para a vala, foi projectado para a mesma, ajudado pelo sopro provocado pelo rebentamento de uma granada de foguetão 122mm que caiu pouco mais de um metro à frente do pano de tenda,
.
Quando acabou o ataque o Jota foi ver os estragos, não me recordo se o pano de tenda estava estendido no enfiamento da morança, se esta sofreu danos, mas duma coisa tenho a certeza, do pano de tenda e do equipamento pouco restou.
O Jota, a chorar de raiva, começou aos pontapés ao que restava do seu equipamento, dizendo:
− Olha o que eles me fizeram ao equipamento!
Eu, a gozar com ele, disse-lhe:
− Com que então querias loto?!
Afinal às vezes respeitar a pontualidade pode salvar vidas. Se tivesse ido na conversa dele tínhamos lá ficado os dois. Mais uma vez não tinha de ser. A partir dali o camarada Jota passou a respeitar o horário imposto pelos guerrilheiros do PAIGC e teve de se mentalizar que aquela guerra era a sério.
Quando encontro o Jota pergunto-lhe se vai um joguinho de loto... Ele responde:
− Tás parvo, ou quê ?!
Saudações Aeronáuticas
A. Dâmaso
(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, título: LG)
_____________________