Foto nº 1 e 1A > Guiné > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > Edifício dos CTT (Correios, Telégrafos e Telefones): à porta, presume-se que seja um funcionário (talvez cabo-verdiano) à espera de...clientes. Naquela época, os clientes seriam, na sua grande maioria, os militares. Só nos CTT podíamos fazer "chamadas particulares" (para a família, a namorada, um ou outro amigo...). Era preciso marcar data e hora. Em geral, de véspera. Era uma exercício de paciência e persistência, de um lado e do outro...
Foto nº 2 e 2A> Guiné > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > Edifício dos CTT, sito no lado direito, descendente, da rua principal da povoação... A rua, de terra batida, vinha do quartel (construído num pequeno promontório à cota 33) seguia para o rio, o porto fluvial e a estrada de Bafatá, a nordeste.
Foto nº 3 > Guiné > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > Edifício dos CTT > Outra perspetiva da rua que dividia a tabanca ao meio, e era muito movimentada (peões, animais e viaturas; vê-se ao fundo um jipe que se dirige ao quartel que ficava num pequeno promontório)
Foto nº 4 > Guiné > Bambadinca > CCS/BCAÇ 2852 (1968/70) > Vista (parcial) da tabanca e da zona ribeirinha de Bambadinca. Pontos de referência: o edifício dos CTT, o fontenário, e o rio Geba Estreito.
Foto nº 5 > Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Bambadinca > 2010 > Antigo edifício dos CTT, em ruína (1)
Foto nº 6 > Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Bambadinca > 2010 > Antigo edifício dos CTT, em ruína (2) e moranças vizinhas
Foto nº 7 > Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Bambadinca > 2010 > Antigo edifício dos CTT, em ruína (3) e aspeto parcial da rua, já então em desuso
Foto nº 8 > Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Bambadinca > 2010 > Antigo edifício dos CTT, em ruína (4)... A povoação deve ter passado dos 1500 habitanets em 1970 para os 8 mil em 2010...Hoje, todo o setor de Bambadinca (cidade e comnunidades rurais) deve ter nmais de 32 mil. Bambadinca cresceu ao longo da nova estrada, alcatroada que circunda a bolanha.
Fotos: © Jaime Machado (2015). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Foto nº 9 > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCS/BART 2917 (1970/72) > Vista aérea: do lado esquerdo parte (nordeste) do quartel e posto administrativo; ao centro, a tabanca; ao fundo, o caprichoso rio Geba Estreito, o porto fluvial, o destacamento da intendência (Pel Int) e o início da bolanha de Finete (na margem norte do rio), já no regulado do Cuor; e, do lado direito, a nova estrada em construção que ligará o Xime a Bafatá, e que em Bamdinca, contornava a bolanha (que ficava a sul), a grande bolanda de Bambadinca (cujo nome em mandinga quer dizer "cova do lagarto", ou seja, do crocodilo).
Foto nº 10 > Guiné > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCS/BART 2917 (1970/72) > Vista aérea(1): Legendas:
Parte do recinto do quartel (1) e rede de arame farpado, a leste e nordeste; porta de armas,com cavalo de frisa (4); casa e loja do Rendeiro (3); edifício dos CTT (5) e fontenário (6) (e logo a seguir o edifício do mercado), ambos na antiga rua principal; nova estrada, circundando a tabanca pelo lado leste/nordeste (7); ligação ao porto fluvial à esquerda e à estrada (já existente, alcatroada) de Bafatá (11); porto fluvial / cais (8); rio Geba (9); destacamento da Intendência (10).
Foto nº 11 > Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCS/BART 2917 (1970/72) > Vista aérea (2): Legendas:
Rio Geba (1), destacamento da Intendência (2), porto fluvial / cais (3), bolanha de Finete (4), rampa de acesso ao quartel e posto administrativo (5), loga e casa do Rendeiro (6), edifício dos CTT (7), fontenário (8) .
Foto nº 12 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCAÇ 12 (1969/71) > 1970 > Entrada principal, pelo lado nordeste (sentido Bafatá), do aquartelamento. O fontenário está sinalizado com um círculo a vermelho, ficava a uns 50 metros da casa e estabelecimento comercial do Rendeiro; do outro lado, ficava o edifício dos CTT. Nesta rampa (íngreme) ia perdendo a vida o major Ribeiro, o "major elétrico", º comandante do BCAÇ 2852 (de nome completo, Ângelo Augusto da Cunha Ribeiro, já falecido): o seu jipe ficou debaixo de toros de madeira que se desprenderam de uma camioneta (civil ?) que terá perdido os travões ou parado na subida da rampa...

Foto nº 13 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCAÇ 12 (1969/71) > 1970 > Vista (parcial) da rua principal que atravessava tabanca de Bambadinca, e que descia do quartel (cota 33) até ao Rio Geba... Assinalado com um círculo a vermelho o fontenário... O edifício dos CTT não é visível, mas ficava do lado direito, logo a seguir ao edifício com muro branco, no canto inferior direito da foto... No final da rua, do lado direito ficava a loja e o bar do Zé Maria (comerciante branco, de quem se dizia, justa ou injustamente, que jogava com um pau de dois bicos, como qualquer comercinte numa situação de guerra).
Foto nº 14 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > CCAÇ 12 (1969/71) > 1970 > Vista (parcial) da tabanca de Bambadinca, com o Rio Geba ao fundo. Foto tirada do lado nordeste. Em primeiro plano, contígua ao arame farpado, a casa e o estabelecimento comercial do Rodrigo Rendeiro, um dos poucos comerciantes portugueses que conhecemos na Guiné, em 1969/71. (Mas parece que havia 11 estabelecimentos comerciais.) Assinalado com um círculo a vermelho o fontenário de Bambadinca, melhoramento inaugurado em 1948. Nunca lá parei para beber água (só hoje sei donde é que vinha...).
Fotos do álbum do Humberto Reis, ex-fur mil OE/ranger, CCAÇ 2590/CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, maio 69/março 1971).
Fotos: © Humberto Reis (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
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Jaime Machado, foto atual,
na Senhora da Hora,
Matosinhos |
1. No tempo do Jaime Machado, alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2046 (Bambadinca, maio de 1968/fevereiro de 1970), bem como no meu/nosso tempo (CCAÇ 2590/CCAÇ 12, 1969/71), o edifício dos CTT era um edifício moderno, funcional, bastante utilizado pelo pessoal militar, e nomeadamente para se fazer chamadas telefónicas para a metrópole.
Nunca lá entrei. As ligações nem sempre eram fáceis, e tinham de ser pedidas de um dia para o outro.
Havia CTT nas principais povoações da Guiné, e noemdamente das sedes de circunscrição e nalguns postos administrativos mais importantes. No caso de Bambadinca, desconheço a data da sua instalação, mas deve ser de meados da década de 1950.
O Beja Santos, que lá voltou a Bambadinca, também em 2010, recorda o nome da empregada dos CTT, a Dona Leontina ("uma gentil senhora com quem se apalavrava o dia e a hora para telefonar para Lisboa"). Presumo que a senhora fosse cabo-verdiana, tal como a professora da escola primária ,a Dona Violante, e o chefe de posto (de quem não me lembro o nome).
Contrariamente à capela, à escola e ao posto administrativo, o edifício dos CTT ficava fora do recinto do quartel de Bambadinca (como se infere das fotos publicadas acima)... Mais exatamente, ficava no lado direito da rua principal que, descendo do quartel, atravessava a tabanca de Bambadinca, dando acesso do lado esquerdo ao porto fluvial (e destacamento da Intendência) e do lado direito à estrada (alcatroada) para que seguia Bafatá (c. 30 km)...
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Mansoa : Anos 60 >Edifício dos CTT. Fonte: Arquivo do Blogue |
No nosso tempo (CCAÇ 12, julho 69/mar 71), Bambadinca nunca foi atacada... Desde o último ataque (28/5/1969), melhorou o dispositivo de segurança. E a presença de uma companhia de intervenção, de pessoal fula, mantinha o PAIGC em respeito, à distância...
Os nossos soldados do recrutamento local viviam nas duas tabancas, Bambadinca e Bambadincazinha. Com as suas famílias. E a G3 ao alcance da mão.
2. Ainda não sei a data de construção do edifício dos CTT de Bambadinca. De acordo com carta de 1: 50 mil, em 1955 Bambadinca já tinha, além de posto sanitário (S), um serviço telégrafo-postal (TP), mas ainda não tinha serviço telefónico (T).
O edifício dos CTT de Bafatá é de 1969 e é da mesma tipologia do de Nova Lamego/Gabu, Mansoa e Cacheu (iremos comparar as duas tipologias em próximo poste):
- Gabu em 1957 ainda não tem serviço telégrafo-postal (TP);
- Mansoa e Bissorá, em 1954, também não;
- São Domingos também não, em 1953, só serviço alfandegário (A);
- Cacheu já tem: S, PT e A;
- Incrível, em 1955, Bafatá não tem nada;
- O mesmo se passa com Teixeira Pinto / Canchungo, em 1953;
- Catió, em 1956, também não:
- Farim, em 1954, idem, aspas!
Parece poder concluir-se que a rede de postos dos CTT só se desenvolve nos anos 60, com a guerra... E, de resto, em Portugal, o telefone (particular) ainda era um luxo. Telefonar, do interior da Guiné para a Metrópole, era uma privilégio, só para alguns. Quem tinha telefone em casa ?!... Mas é também dos anos anos 60 a rede de postos de CTT construídos em Portugal nas cidades e vilas mais importantes (recordo-me ainda da construção do da minha terra, Lourinhã). |
Bambadinca: fachada do edifício dos CTT, foto de José Carçlso Lopes, c. 1968/0 |
O modelo de Mansoa, Gabu, Cacheu, Bafatá, etc., muito divulgado na época, era do "estilo tradicional português", desenhado como os t0dos os edifícios públicos pelos arquitetos do Gabinete de Urbanização Colonial (GUC), criado ainda durante a Segunda Guerra Mundial, em 1944, por Marcelo Caetano, então ministro das Colónias.
Em 1951 o GUC passa a Gabinete de Urbanização do Ultramar (GUU) e, em 1957, a Direcção de Serviços de Habitação e Urbanismo da Direcção-Geral de Obras Públicas e Comunicações
(DSUH-DGOPC) do Ministério do Ultramar.
O ediffício típico dos CTT, na Guiné (e nos rest5anjtes territórios), nos anos 60/70, era um pavilhão térreo, de composição simétrica, coberto por amplo telhado, apresentando fachada rematada por um frontão curvo, sobrepujado por beiral; uma varanda alongada, ao modo de alpendre, a toda a largura da frontaria...
Sabemos que o de Bafatá é de 1969. É uma arquitetura pública do Estado Novo tardio (anos 60/70).
O de Bambadinca deve ser, anterior, já de meados dos anos 50. Recorde-se que a sede dos CTT, em Bissau, é dessa época:
(...) Insere-se numa estratégia geral de intervenção do Estado Novo, durante o período em que Sarmento Rodrigues era Ministro do Ultramar (1950-1955), que releva a importância das ligações telegráficas com o propósito de dotar o território guineense de uma infraestrutura de equipamentos e serviços públicos adequados.
" Lucínio Cruz desenha em 1950 a primeira versão e em 1955 o projecto final do Edifício dos C.T.T.. O edifício ocupa o lote inicialmente previsto para construção da Câmara Municipal, um projeto do mesmo arquiteto apresentado em 1948, que acabará por não se concretizar.
"A localização é proposta para o eixo monumental, em frente à Sé, onde se encontram diversos equipamentos públicos." (...) (Fonte: HPIP)
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Fontenário de Bambadinca (c. 1968/70). Crédito fotográfico: Jaime Machado (2015)
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3. Voltando ao edifíicio dos CTT de Bambadinca... Em janeiro de 1974, foi objeto de arremesso de uma granada de mão, defensiva, de origem chinesa... mas sem consequências de maior... Foi mais exatamente no dia 18/1/1974, às 20h45.
O efeito foi mais psicológico. Após buscas pelas NT, foram encontradas mais duas granadas, do mesmo tipo, chinesas, que não rebentaram ou que provavelmente foram arremessadas com cavilha de segurança, por algum tosco aprendiz de guerrilheiro...
Tudo indicava que havia, por esta altura, uma célula ativa do PAIGC na localidade de Bambadinca... Essa hipótese já tinha sido levantada pelo comando do BART 3873 quando em novembnro de 1972, a PIDE/DGS [, de Bafatá,] efetuara uma prisão, de um elemento ligado à comunidade cabo-verdiana, prisão essa que foi seguida de distribuíção de planfletos denunciando a atuação da polícia política.
Tanto para o PAIGC como para as NT, Bambadinca era uma posição estratégica, porta de entrada para o leste (mas também para o sul), económica, demográfica e militarmente muito relevante. Mas tudo indica que, nessa altura, o PAIGC estava tentado em multiplicar as ações de "terrorismo urbano":
- 21/1/1974: primeira acção do PAIGC na cidade de Bissau, com lançamento de engenhos explosivos contra autocarros da Força Aérea;
- 26/2/1974: atentado no recinto do café Ronda, em Bissau: duas granadas de mão defensivas com disparador de atraso explodiram no recinto do café, causando cinco feridos graves e 44 feridos ligeiros entre os militares e um morto e 13 feridos entre os civis.