Luís Graça & Camaradas da Guiné
Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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domingo, 23 de agosto de 2026
Guiné 61/74 - P28286: O Nosso Livro de Visitas (232): João Bonifácio, a viver no Canadá desde 1974, ex-Fur Mil Sam da CCAÇ 2402 / BCAÇ 2851 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70)
1. Mensagem do nosso camarada João Bonifácio, Ex-Fur Mil do SAM da CCAÇ 2402/BCAÇ 2851 (Có, Mansabá e Olossato, 1968/70), com data de 14 de Agosto de 2026:
Parece ser o momento para por este meio enviar um abraço amigo a todos os que por aqui ainda visitam e escrevem.
Não tenho muito para contar, porque não esperava ver-me mais uma vez a entrar pela Tabanca do Luís e amigos. O tempo passa e já vão 16 anos desde que tive a triste ideia de me reformar em Portugal. Mas não é tudo mau. Já não tenho 65 anos mas estou a perder altitude nos 81 e em Fevereiro já cá cantam 82.
Nesta reforma que todos tanto desejamos, ficam as dores nas pernas e as energias que se vão perdendo. Por causa disso, não tenho podido ir a Portugal.
No próximo dia 5 de Setembro, o Esparteiro irá fazer a última reunião militar da CCAÇ 2402. Já se perderam muitos amigos e camaradas e em conjunto com a idade, temos de analisar a situação financeira de alguns, que já não podem andar na estrada, para se deslocarem para os pontos de reunião.
Neste ponto, eu apenas desejava dizer-lhes que estou bem vivo, com dores aqui e ali, mas ainda capaz de escrever e dizer-lhes que aprecio muito poder enviar um abraço amigo para todos, e pedir ao nosso chefe de Tabanca que aceite e divulgue as minhas saudações. Para o Luís Graça e todos os restantes, o meu eterno agradecimento por nos dar esta oportunidade.
Pronto. Um dia destes escrevo uma história acerca da minha vivência no Canadá, onde cheguei em Fevereiro de 1974. Again, thank you, stay well and enjoy life.
João Bonifácio
Ex-Fur Mil do SAM
CCAÇ 2402/BCAÇ 2851
Có, Mansabá e Olossato
1968/70
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Nota do editor
Último post da série de 21 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28275: O Nosso Livro de Visitas (231): Arsénio Puim, antigo alferes graduado capelão, CCS/BART 2917 (Bambadinca, 1970/72), acaba de lançar um novo livro sobre o povo da sua ilha, e vem "partir mantenhas"
Guiné 61/74 - P28285: Em busca de... (335): Camaradas do Batalhão de Cavalaria n.º 8320/73 (João Rodrigues de Freitas, BCAV 8320/73, Bissorã e Bissau, 1974)
1. Mensagem do nosso camarada João Rodrigues de Freitas do BCAV 8320/73, enviada ao Blogue no dia 20 de Agosto de 2026 através do formulário de Contacto do Blogger:
O meu nome é João Rodrigues de Freitas e sou de Espinho.
Escrevo porque gostava de entrar em contacto com ex-colegas que estiveram na Guiné comigo. Pertencemos ao Batalhão de Cavalaria 8320/73.
Fomos os últimos a abandonar a Guiné. Fomos em Junho de 1974 e viemos em Outubro do mesmo ano, portanto só estivemos lá 4 meses, 2 meses em Bissorã, onde fomos colocados para render um Batalhão que já tinha 26 meses e 2 em Bissau no forte de Amura.
No dia 15 de outubro pelas 00h00, entre alas dos militares do PAIGC, embarcamos em várias barcaças que nos levou até ao navio Niassa. Ao fim de 5 horas estavamos todos a bordo para regressarmos a Lisboa.
De todos os colegas, o que mais gostava de encontrar era o Ferraz de Algés, pois partiu o braço direito e era eu que escrevia à família e namorada o que ele ditava, naturalmente.
Despeço-me agradecendo toda a atenção possível.
João Rodrigues de Freitas.
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Nota do editor
Último post da série de 22 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28045: Em busca de... (334): camaradas que tenham conhecido o meu amigo, do Porto, ex-alf mil Alberto Fontão, comandante de um PINT (Pelotão de Intendência), em Bissau, no período de 1967/69 (Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)
O meu nome é João Rodrigues de Freitas e sou de Espinho.
Escrevo porque gostava de entrar em contacto com ex-colegas que estiveram na Guiné comigo. Pertencemos ao Batalhão de Cavalaria 8320/73.
Fomos os últimos a abandonar a Guiné. Fomos em Junho de 1974 e viemos em Outubro do mesmo ano, portanto só estivemos lá 4 meses, 2 meses em Bissorã, onde fomos colocados para render um Batalhão que já tinha 26 meses e 2 em Bissau no forte de Amura.
No dia 15 de outubro pelas 00h00, entre alas dos militares do PAIGC, embarcamos em várias barcaças que nos levou até ao navio Niassa. Ao fim de 5 horas estavamos todos a bordo para regressarmos a Lisboa.
De todos os colegas, o que mais gostava de encontrar era o Ferraz de Algés, pois partiu o braço direito e era eu que escrevia à família e namorada o que ele ditava, naturalmente.
Despeço-me agradecendo toda a atenção possível.
João Rodrigues de Freitas.
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Nota do editor
Último post da série de 22 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28045: Em busca de... (334): camaradas que tenham conhecido o meu amigo, do Porto, ex-alf mil Alberto Fontão, comandante de um PINT (Pelotão de Intendência), em Bissau, no período de 1967/69 (Virgílio Teixeira, ex-alf mil SAM, CCS/BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)
Guiné 61/74 - P28284: Notas de leitura (1953): "Geração Afro: Os Últimos Guerrilheiros do Império" , de Recaredo (volume I, 2026, 455 pp); análise feita pela AILA (A IA da Editora Clube de Autores)
Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto e imagens: Angelino dos Santos Silva (2026)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.
1. Texto que nos foi enviado pelo nosso camarada Angelino Santos Silva (pseudónimo literário, Recaredo: ele é natural de Recarei, Paredes, distro do Porto; foi fur mil 'cmd', 26ª Cmds, CTIG, 1970/71)
Data - 29/7/2026, 18:44
Assunto - Análise crítcia
Boa tarde, amigo e camarada Luís Graça.
Em anexo segue o parecer da Editora Clube do Autor.
(i) Estrutura e organização
A obra apresenta uma estrutura de romance histórico, organizada em 68 capítulos numerados, precedidos por uma introdução autoral, registos históricos e um posfácio dedicado aos pais do autor.
Todavia, a obra transcende a mera crónica bélica para se constituir como uma *meditação sobre o fim de um império* e sobre a complexidade étnica e política de um território onde "todos são família" — irmãos, meios-irmãos e primos combatendo em bandeiras opostas.
Emergem temas secundários de grande densidade:
A mensagem última é de desencanto patriótico e reconciliação memorialista: os jovens que embarcaram convictos regressam céticos, mas o autor recusa o rancor, defendendo antes que "as páginas sobre a História da Guerra Colonial jamais se podem fechar enquanto houver um único combatente enterrado no meio de nada".
Merece destaque a incorporação de :
Do lado menos conseguido, observa-se inconsistência revisora: gralhas ("conductor" por "condutor", "biber" por "viver" — este último talvez intencional para marcar o falar popular), oscilações de pontuação nos diálogos e alguma repetição de fórmulas ("cada um tem o seu pedaço").
(iv) Impacto emocional
O impacto emocional é intenso e cumulativo, construído menos pelo espectáculo bélico do que pela acumulação de pequenos gestos humanos.
Particularmente pungente é:
A mistura de géneros — romance polifónico, epistolário, memória autobiográfica, ensaio historiográfico, poesia — é ambiciosa. O uso do restaurante fadista de Theodoro Afonso Isaque, cantor negro rejeitado em Lisboa que canta fado em crioulo, é uma invenção poética memorável.
Menos original é a estrutura narrativa em pares de camaradas, tributária de uma tradição já estabelecida na literatura sobre a Guerra Colonial (Lobo Antunes, João de Melo, Álamo Oliveira).
(vi) Público-alvo ideal
O público-alvo natural da obra é constituído pelos antigos combatentes da Guerra Colonial e seus familiares — os cerca de 400 mil ex-combatentes ainda vivos e as suas famílias, para quem o livro funciona como espelho memorialista e reparação simbólica.
Um segundo público relevante são os estudiosos e interessados na História Contemporânea de Portugal, particularmente na fase final do Estado Novo, na descolonização e nas relações luso-africanas.
Historiadores amadores, jornalistas, professores de História e investigadores universitários encontrarão material documental valioso, sobretudo pela perspectiva pouco frequente dos combatentes africanos que lutaram do lado português.
Um terceiro público são os leitores lusófonos da Guiné-Bissau, Cabo Verde e diáspora africana, para uem a valorização das etnias manjaca, papel, balanta e mandinga, e o retrato de Bissau, Bula, Teixeira Pinto e Mansoa constituem património afectivo partilhado.
Recomenda-se para leitores maduros (a partir dos 40 anos, idealmente), pela densidade histórica e pela linguagem por vezes crua. Não é uma obra vocacionada para jovens leitores nem para quem procure ficção de entretenimento rápido: exige paciência, contexto histórico mínimo e disponibilidade emocional.
(vii) Livros irmãos
Dentro do próprio catálogo do autor, o livro dialoga directamente com "Geração de 70 – Época das Chuvas" (imnagem da capa, à direita) e "O Subinspector", ambos romances de Recaredo sobre a Guerra Colonial, formando com "Geração Afro" uma trilogia informal de testemunho.
Na literatura portuguesa sobre a Guerra Colonial, "Geração Afro" inscreve-se numa tradição rica que inclui:
Pela valorização das personagens africanas e pela reflexão sobre a complexidade étnica da Guiné, o livro aproxima-se também de obras dos escritores guineenses Abdulai Silá ("Eterna Paixão") e Filinto de Barros ("Kikia Matcho"), bem como do angolano Pepetela ("Mayombe"), com o qual partilha a atenção à guerrilha no interior da selva.
Do ponto de vista memorialístico, remete para "Guiné 1963/1974" do general Spínola e para os testemunhos reunidos em "A Guerra" de Manuel Amaro Bernardo.
(viii) Faixa de preço
Trata-se de um romance histórico de nicho, com forte apelo ao mercado lusófono ex-combatente e à diáspora, mas com alcance internacional limitado pela especificidade temática e pela ausência (por enquanto) de tradução.
O Clube de Autores oferece um serviço de análise literária por IA por 19 euros (por cada manuscrito de 150/200 páginas), com entrega do relatório no prazo de 24 horas, o que é muito mais rápido e barato do que a média de mercado (c. 236 euros e entrega entre 6 a 10 semanas, segundo a publicidade que o Clube de Autores faz).
Nota do editor LG:
Último poste da série > 22 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28280: Notas de leitura (1952): "Geração Afro: Os Últimos Guerrilheiros do Império" (volume I, 2026, 455 pp sinopse feita pelo autor, Recaredo (pseudónimo literário de Angelino Santos Silva, ex-fur mil 'cmd', 26ª Cmds, CTIG, 1970/71)
Em anexo segue o parecer da Editora Clube do Autor.
Seleccionei alguma partes, mas claro, cada leitor fará a sua selecção de acordo com a sua sensibilidade. Esta, acho que vai de encontro à mensagem que pretendo passar nesta obra.
Um abraço.
Angelino
Um abraço.
Angelino
2. Análise crítica
“Geração Agro: Os Últimos Guerrilheiros do Império”
(Volume I), da autoria dia Recaredo
(i) Estrutura e organização
A obra apresenta uma estrutura de romance histórico, organizada em 68 capítulos numerados, precedidos por uma introdução autoral, registos históricos e um posfácio dedicado aos pais do autor.
A arquitectura narrativa é multiperspectiva, alternando entre dois núcleos principais de personagens: o par Martins da Costa / Morais Cardoso (chegados à Guiné em 1966) e o par António / Augusto (chegados em 1970), permitindo cobrir diferentes momentos da Guerra Colonial e diferentes especialidades militares (Cavalaria / Panhard e Comandos).
A organização temporal é maioritariamente linear, embora recorra frequentemente a analepses. sobretudo nas evocações da infância dos protagonistas e nos episódios da instrução em Lamego (Comandos) ou Estremoz (Cavalria) .
A organização temporal é maioritariamente linear, embora recorra frequentemente a analepses. sobretudo nas evocações da infância dos protagonistas e nos episódios da instrução em Lamego (Comandos) ou Estremoz (Cavalria) .
O autor intercala capítulos em forma epistolar (as cartas de Martins da Costa à namorada) com diálogos extensos e passagens ensaísticas sobre a História de Portugal, criando um mosaico onde ficção, memória documental e reflexão política coabitam.
Contudo, a arquitectura ressente-se de alguma irregularidade rítmica: certos capítulos concentram acção militar intensa, enquanto outros se dilatam em digressões historiográficas (o Condado Portucalense, D. Dinis, a Encruzilhada) que, embora ricas, quebram o fluxo dramático.
Contudo, a arquitectura ressente-se de alguma irregularidade rítmica: certos capítulos concentram acção militar intensa, enquanto outros se dilatam em digressões historiográficas (o Condado Portucalense, D. Dinis, a Encruzilhada) que, embora ricas, quebram o fluxo dramático.
O anúncio de que a obra continuará num Livro II justifica alguns nós narrativos deixados em aberto, mas fragiliza a autonomia deste volume.
(ii) Temas e mensagens principais
O tema central é a Guerra Colonial Portuguesa na Guiné (1961-1974/75) e a homenagem ao milhão decombatentes da chamada "Geração Afro".
(ii) Temas e mensagens principais
O tema central é a Guerra Colonial Portuguesa na Guiné (1961-1974/75) e a homenagem ao milhão decombatentes da chamada "Geração Afro".
Todavia, a obra transcende a mera crónica bélica para se constituir como uma *meditação sobre o fim de um império* e sobre a complexidade étnica e política de um território onde "todos são família" — irmãos, meios-irmãos e primos combatendo em bandeiras opostas.
Emergem temas secundários de grande densidade:
- a pobreza estrutural do povo português apesar dos Descobrimentos;
- a crítica ao Estado Novo e à PIDE/DGS;
- a admiração pela figura de Spínola e pela sua visão política;
- a solidão dos combatentes africanos ao lado da bandeira portuguesa;
- o drama dos mutilados e "apanhados pelo clima";
- a emigração clandestina;
- e a denúncia da desproporção entre o custo material da guerra e o valor da vida humana (o episódio da Panhard de 1500 contos) (mais de meio milhão de euros, a preços de hoje).
A mensagem última é de desencanto patriótico e reconciliação memorialista: os jovens que embarcaram convictos regressam céticos, mas o autor recusa o rancor, defendendo antes que "as páginas sobre a História da Guerra Colonial jamais se podem fechar enquanto houver um único combatente enterrado no meio de nada".
É uma obra de testemunho e reparação simbólica.
(iii) Linguagem e estilo narrativo
O estilo é marcadamente oral e testemunhal, privilegiando o diálogo directo como motor narrativo.
Recaredo (assumidamente combatente na Guiné em 1970/71( opta por uma linguagem pré-Acordo
Ortográfico de 1990, escolha que reforça a ancoragem temporal e a autenticidade documental.
(iii) Linguagem e estilo narrativo
O estilo é marcadamente oral e testemunhal, privilegiando o diálogo directo como motor narrativo.
Recaredo (assumidamente combatente na Guiné em 1970/71( opta por uma linguagem pré-Acordo
Ortográfico de 1990, escolha que reforça a ancoragem temporal e a autenticidade documental.
A prosa mistura registos:
- o coloquialismo cru dos soldados ("que se foda a guerra", "filhos da puta");
- o lirismo pontual nas cartas de Martins da Costa;
- e a dicção ensaística nas digressões históricas.
Merece destaque a incorporação de :
- crioulo da Guiné-Bissau;
- expressões militares de época ("bazuca" para cerveja, "bajuda", "periquito", "velhinho", "peluda");
- topónimos ancestrais;
- e vocabulário etnográfico (embondeiro, bagabaga, bianda, mancarra, gindungo), que confere textura antropológica notável.
Do lado menos conseguido, observa-se inconsistência revisora: gralhas ("conductor" por "condutor", "biber" por "viver" — este último talvez intencional para marcar o falar popular), oscilações de pontuação nos diálogos e alguma repetição de fórmulas ("cada um tem o seu pedaço").
O estilo é, no cômputo, funcional e emotivamente eficaz, mesmo quando tecnicamente rugoso.
(iv) Profundidade filosófica
A profundidade filosófica da obra manifesta-se
(iv) Profundidade filosófica
A profundidade filosófica da obra manifesta-se
- o primeiro é uma refiexão sobre a ética na guerra, articulada sobretudo pelo capitão Ombendi e pelo tenente Quínara: a rejeição do heroísmo gratuito, a distinção entre matar por necessidade e matar por vingança, e a substituição do binómio "certo/errado" pelo binómio "o que devemos ou não fazer"; esta é uma proposta ética situacionista de considerável maturidade;
- o segundo eixo é uma filosofia da História desenvolvida através da figura do Dr. Fanon Mané, que percorre da Borgonha ao Condado Portucalense, de D. Dinis à "Encruzilhada" que separou governantes e governados; a tese — de que a pobreza estrutural portuguesa nasce da ausência de um projecto de instrução popular durante seiscentos anos — é discutível historiograficamente, mas oferece um enquadramento crítico substantivo;
- o terceiro eixo é uma meditação sobre o acaso, a sorte e o destino, condensada no poema "Sorte" e no episódio autobiográfico do rebentamento da mina; o autor recusa o determinismo fatalista, propondo uma visão em que a sorte "tem mãos" e a memória vence a morte.
(iv) Impacto emocional
O impacto emocional é intenso e cumulativo, construído menos pelo espectáculo bélico do que pela acumulação de pequenos gestos humanos.
Cenas como:
- a do capelão Mário Gonçalves consolando Morais Cardoso pela morte do irmão sob um céu de estrelas em São Vicente;
- a partilha do arroz manjaco na tabanca de Nassim Mané II;
- ou o telegrama que devolve a paz a Martins da Costa a bordo do Alfredo da Silva,
Particularmente pungente é:
- a evocação das mães portuguesas ("ǫue Nossa Senhora da Boa Viagem vos~leve e traga vivos e sãos"):
- a figura do Toninho paraplégico da infância de Augusto;
- e a história do soldado emigrante repatriado que se lança ao mar antes de chegar a Bissau.
O leitor sente o peso da injustiça social sobreposta à injustiça da guerra.
O epílogo autobiográfico, dedicado aos pais do autor, com o relato do rebentamento da mina e do zumbido que perdura há 55 anos, transforma toda a leitura anterior numa experiência de testemunho vivo.
O epílogo autobiográfico, dedicado aos pais do autor, com o relato do rebentamento da mina e do zumbido que perdura há 55 anos, transforma toda a leitura anterior numa experiência de testemunho vivo.
Esse gesto final — "até que eu adormeça para sempre" — é de rara comoção. A obra provoca no leitor um misto de indignação política, ternura pelos combatentes e melancolia histórica que perdura muito para além da última página.
(v) Originalidade e inovação
A grande originalidade de "Geração Afro" reside na valorização das personagens africanas que
combateram sob bandeira portuguesa — Mamadu Fodé, Domingos Djaló, Abna Besna, o capitão Ombendi Sábado, os tenentes João Quínara e Carlos Nhalon, e o fascinante Dr. Fanon Mané.
(v) Originalidade e inovação
A grande originalidade de "Geração Afro" reside na valorização das personagens africanas que
combateram sob bandeira portuguesa — Mamadu Fodé, Domingos Djaló, Abna Besna, o capitão Ombendi Sábado, os tenentes João Quínara e Carlos Nhalon, e o fascinante Dr. Fanon Mané.
Em vez de os tratar como figurantes, o autor confere-lhes densidade psicológica, projecto político próprio e uma voz articulada que problematiza a dicotomia tradicional colonizador/colonizado. Esta é uma contribuição inovadora dentro da literatura portuguesa sobre a Guerra Colonial.
Igualmente inovadora é a denúncia de uma "outra guerra" paralela — aquela que opunha Spínola, a PIDE e a cúpula do PAIGC em interesses divergentes — sugerindo que o "Massacre do Chão Manjaco" (a morte dos negociadores) foi um acto interno de sabotagem das negociações, tese heterodoxa que a obra sustenta pela boca das personagens africanas.
Igualmente inovadora é a denúncia de uma "outra guerra" paralela — aquela que opunha Spínola, a PIDE e a cúpula do PAIGC em interesses divergentes — sugerindo que o "Massacre do Chão Manjaco" (a morte dos negociadores) foi um acto interno de sabotagem das negociações, tese heterodoxa que a obra sustenta pela boca das personagens africanas.
A mistura de géneros — romance polifónico, epistolário, memória autobiográfica, ensaio historiográfico, poesia — é ambiciosa. O uso do restaurante fadista de Theodoro Afonso Isaque, cantor negro rejeitado em Lisboa que canta fado em crioulo, é uma invenção poética memorável.
Menos original é a estrutura narrativa em pares de camaradas, tributária de uma tradição já estabelecida na literatura sobre a Guerra Colonial (Lobo Antunes, João de Melo, Álamo Oliveira).
(vi) Público-alvo ideal
O público-alvo natural da obra é constituído pelos antigos combatentes da Guerra Colonial e seus familiares — os cerca de 400 mil ex-combatentes ainda vivos e as suas famílias, para quem o livro funciona como espelho memorialista e reparação simbólica.
Estes leitores encontrarão eco em cada topónimo, cada ração de combate, cada canção de Coimbra cantada no bar do quartel.
Um segundo público relevante são os estudiosos e interessados na História Contemporânea de Portugal, particularmente na fase final do Estado Novo, na descolonização e nas relações luso-africanas.
Historiadores amadores, jornalistas, professores de História e investigadores universitários encontrarão material documental valioso, sobretudo pela perspectiva pouco frequente dos combatentes africanos que lutaram do lado português.
Um terceiro público são os leitores lusófonos da Guiné-Bissau, Cabo Verde e diáspora africana, para uem a valorização das etnias manjaca, papel, balanta e mandinga, e o retrato de Bissau, Bula, Teixeira Pinto e Mansoa constituem património afectivo partilhado.
Recomenda-se para leitores maduros (a partir dos 40 anos, idealmente), pela densidade histórica e pela linguagem por vezes crua. Não é uma obra vocacionada para jovens leitores nem para quem procure ficção de entretenimento rápido: exige paciência, contexto histórico mínimo e disponibilidade emocional.
(vii) Livros irmãos
Dentro do próprio catálogo do autor, o livro dialoga directamente com "Geração de 70 – Época das Chuvas" (imnagem da capa, à direita) e "O Subinspector", ambos romances de Recaredo sobre a Guerra Colonial, formando com "Geração Afro" uma trilogia informal de testemunho.
Na literatura portuguesa sobre a Guerra Colonial, "Geração Afro" inscreve-se numa tradição rica que inclui:
- António Lobo Antunes ("Os Cus de Judas", "Fado Alexandrino") — com o qual partilha o desencanto patriótico, ainda que Recaredo opte por uma prosa muito menos experimental;
- João de Melo ("Autópsia de um Mar de Ruínas") — com quem comunga a dimensão coral;
- Álamo Oliveira ("Já não gosto de chocolates");
- Manuel Alegre ("Jornada de África");
- e Lídia Jorge ("A Costa dos Murmúrios") — embora esta última numa chave feminina e moçambicana.
Pela valorização das personagens africanas e pela reflexão sobre a complexidade étnica da Guiné, o livro aproxima-se também de obras dos escritores guineenses Abdulai Silá ("Eterna Paixão") e Filinto de Barros ("Kikia Matcho"), bem como do angolano Pepetela ("Mayombe"), com o qual partilha a atenção à guerrilha no interior da selva.
Do ponto de vista memorialístico, remete para "Guiné 1963/1974" do general Spínola e para os testemunhos reunidos em "A Guerra" de Manuel Amaro Bernardo.
(viii) Faixa de preço
Trata-se de um romance histórico de nicho, com forte apelo ao mercado lusófono ex-combatente e à diáspora, mas com alcance internacional limitado pela especificidade temática e pela ausência (por enquanto) de tradução.
O volume é substancial (Livro I de uma série), o que justifica um preço médio-alto no mercado português e brasileiro, e um preço mais elevado nos mercados europeus não-lusófonos, onde funcionará sobretudo como importação especializada.
Faixa de Preço Recomendada
(ix) Recomendações de divulgação
A estratégia de divulgação deve articular-se em torno de três eixos principais:
Faixa de Preço Recomendada
- Estados Unidos USD 22 - 32
- Reino Unido GBP 18 - 26
- lemanha EUR 20 - 28
- Itália EUR 19 - 27
- Espanha EUR 18 - 25
- Portugal EUR 18 - 24
- França EUR 20 - 28
- Brasil BRL 65 - 95
- Austrália AUD 32 - 45
(ix) Recomendações de divulgação
A estratégia de divulgação deve articular-se em torno de três eixos principais:
Em primeiro lugar, uma campanha dirigida às associações de ex-combatentes (Liga dos Combatentes, ADFA - Associação dos Deficientes das Forças Armadas, APVG - Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra), com sessões de apresentação em núcleos locais, feiras de veteranos e comemorações do 25 de Abril e do Dia do Combatente (9 de Abril); estas sessões devem incluir leituras dramatizadas de excertos e testemunhos vivos.
Em segundo lugar, uma abordagem académica e mediática: envio de exemplares a centros de investigação em História Contemporânea (IHC-UNL, CEIS20-Coimbra, CH-ULisboa), programas culturais da RTP2, Antena 2 e revistas especializadas ("História", "National Geographic Portugal"); a entrevista imaginada com João Paulo Diniz no PIFAS (referida na própria obra) sugere um filão de comunicação retro-radiofónica interessante.
Em terceiro lugar, uma projecção lusófona sistemática: contactos com livrarias e feiras do livro em Bissau, Praia, Luanda, Maputo, Rio de Janeiro e São Paulo, além das comunidades emigrantes em Paris, Toronto, Newark e Joanesburgo; as redes sociais dedicadas à Guerra Colonial no Facebook (grupos como "Combatentes da Guiné") são vias de divulgação de custo reduzido e alto impacto.
Sugere-se ainda a produção de um documentário complementar com o autor a percorrer os locais reais do romance, o que multiplicaria o interesse comercial e memorialístico.
Em terceiro lugar, uma projecção lusófona sistemática: contactos com livrarias e feiras do livro em Bissau, Praia, Luanda, Maputo, Rio de Janeiro e São Paulo, além das comunidades emigrantes em Paris, Toronto, Newark e Joanesburgo; as redes sociais dedicadas à Guerra Colonial no Facebook (grupos como "Combatentes da Guiné") são vias de divulgação de custo reduzido e alto impacto.
Sugere-se ainda a produção de um documentário complementar com o autor a percorrer os locais reais do romance, o que multiplicaria o interesse comercial e memorialístico.
(Revisão / fixação de texto, negritos: LG)
3. Aviso ao leitor:
Certamente por lapso, o nosso grão.tabanqueiro Angelino Santos Silva (escritor, já com vários livros publicados) não mencionou o facto desta análise literária acima publicada (com revisão e fixação de texto feita por um dos editores do blogue) ter sido produzida por uma ferramenta de IA (AILA, a IA do Clube de Autores, que é uma plataforma de autopublicação).
Isso é um ponto forte para autores que entram agora nas lides literárias, querem publicar o seu primeiro livro ou ter um primeiro "feedback" do seu trabalho e não têm recursos financeiros para investir em análises humanas detalhadas.
Portanto, este é um ponto positivo do recurso à AILA (a IA do Clube de Autores), que, além disso, faz uma abordagem relativamente abrangente, focando 14 dimensões do manuscrito:
(...) 1. Estrutura e organização: fluidez e lógica da sua narrativa | 2. Livros irmãos: sugestão de livros semelhantes para referência de mercado. | 3. Temas e mensagens principais: claridade das ideias centrais do livro. | 4. Faixa de preço recomendado: indicação de valor para otimizar as vendas (no mercado interno e externo). |5. Linguagem e estilo narrativo: avaliação da "voz" do autor e do ritmo da leitura. | 6. Recomendações de divulgação: dicas práticas para promover o livro. | 7. Profundidade filosófica: a dimensão das reflexões presentes no livro. | 8. Pontos fortes: o que há de melhor e mais impactante em escrita do autor | 9. Impacto emocional: capacidade da história de envolver e comover o leitor. | 10. Oportunidades de melhoria: sugestões para aprimorar a qualidade do livro. | 11. Originalidade e inovação: "o quão único" é o livro no cenário literário português. | 12. Parecer final: uma conclusão clara sobre o potencial do livro; pontuação (de 1 a 5) da IA sobre o manuscrito. | 13. Público-alvo ideal: quem são os leitores perfeitos para o livro. | 14. A AILA sugere ainda a produção de um documentário complementar com o autor a percorrer o cenário ou os lugares da ação. (...)
Mas as limitações da análise literária da AILA (ou outras ferramentas de IA) são óbvias:
- falta de sensibilidade humana, incapacidade para entender, em profundidade, o contexto cultural, histórico ou emocional da ação e dos personagens;
- falta de criatividade e subjetividade, análise superficial, baseada em fórmulas pré-definidas, sem profundidade crítica;
- não-personalização (a AILA não dialoga com o autor, não tem empatia, etc.)...
Em resumo, o Clube de Autores é uma plataforma de autopublicação, oferecendo um serviço de análise "baratucho" , e que serve como "engodo" para atrair clientes para os outros serviços (edição, impressão, tradução, divulgação, etc.).
E não é preciso, mas convem dizê-lo: a AILA ainda não chega aos calcanhares do nosso crítico literário, o Mário Beja Santos.
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Nota do editor LG:
Último poste da série > 22 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28280: Notas de leitura (1952): "Geração Afro: Os Últimos Guerrilheiros do Império" (volume I, 2026, 455 pp sinopse feita pelo autor, Recaredo (pseudónimo literário de Angelino Santos Silva, ex-fur mil 'cmd', 26ª Cmds, CTIG, 1970/71)
Guiné 61/74 - P28283: Parabéns a você (2518): Fernando Cepa, ex-Fur Mil Art da CART 1689 / BART 1913 (Catió, Cabedú, Gandembel e Canquelifá, 1967/69)
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Nota do editor
Último post da série de 22 de Agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28279: Parabéns a você (2517): José Luís Vacas de Carvalho, ex-Alf Mil Cav, CMDT do Pel Rec Daimler 2206 (Bambadinca, 1969/71)
Nota do editor
Último post da série de 22 de Agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28279: Parabéns a você (2517): José Luís Vacas de Carvalho, ex-Alf Mil Cav, CMDT do Pel Rec Daimler 2206 (Bambadinca, 1969/71)
sábado, 22 de agosto de 2026
Guiné 61/74 - P28282: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (116): Lei n.º 52/2026, de 19 de Agosto, que "Estende o direito ao transporte público gratuito para os antigos combatentes a todo o território Nacional, alterando a Lei n.º 46/2020, de 20 de Agosto"
1. Embora ainda aguarde a aprovação do próximo Orçamento de Estado para entrar em vigor, deixamos aqui, para conhecimento, a Lei n.º 52/2026, de 19 de Agosto, que "Estende o direito ao transporte público gratuito para os antigos combatentes a todo o território Nacional, alterando a Lei n.º 46/2020, de 20 de Agosto".
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Nota do editor
Último post da série de 26 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27675: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (115): Comparticipação adicional de 100% da parte não comparticipada pelo SNS nos medicamentos adquiridos pelos Antigos Combatentes Reformados
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Nota do editor
Último post da série de 26 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27675: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (115): Comparticipação adicional de 100% da parte não comparticipada pelo SNS nos medicamentos adquiridos pelos Antigos Combatentes Reformados
Guiné 61/74 - P28281: Os nossos seres, saberes e lazeres (746): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (267): Lisboa-Luxemburgo, daqui para Trier, o passeio pelo Mosela, depois Koblenz até Wiesbaden, foi este o início da viagem - 2 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52
1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 12 de Agosto de 2026:
Queridos amigos,
Jogo à defesa com as limitações que me impõe uma hérnia inguinal bilateral que, acabo hoje de saber, vai à faca em 18 de outubro, estou bem farto dela e de engolir comprimidos de paracetamol; ponho-me à sombra em casa dos anfitriões e continuo a reler Fado Alexandrino, deste livro notável falarei no blog num outro espaço; à tarde sou honrado com o convite de ir ao primeiro dos dois espetáculos com que fui seduzido, um concerto no castelo de Johannisberg, um espaço histórico e vinícola onde se bebe o vinho Riesling, um parente talvez remoto do João Pires, ainda por cima acompanhado de água mineral com borbulhas. Um passeio estupendo que dá para ver como o Reno tem pouca água, tal o poder da canícula. No dia seguinte viagem até Mainz, o que mais me tocou foram os vitrais de Marc Chagall, achei a catedral, com o devido respeito, um tanto matacão, o claustro esplendoroso, impressionado com um Cristo escultórico contemporâneo, Mainz é uma bela cidade cosmopolita, haja saúde e voltarei aqui de bom grado.
Um abraço do
Mário
Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (267):
De Wiesbaden para Idstein, o Festival de Música do Reno no castelo de Johannisberg, visita a Mainz - 2
Mário Beja Santos
É este o terceiro dia de viagem, tenha-se em conta que se voo de Lisboa para o Luxemburgo, grão-ducado percorrido de noite em direção a Trier, aqui se pernoitou, ao alvorecer encetou-se a viagem de comboio à volta do rio Mosela até Wiesbaden, aqui os meus anfitriões levaram-me para Idstein, burgo que pertenceu ao príncipe de Nassau-Idstein, hoje na órbita de Wiesbaden, a umas dezenas de quilómetros de Frankfurt. Dois dias de viagem que justificam, a quem padece de uma hérnia inguinal bilateral e que tem um programa previsto à volta do Reno, um belo concerto do Festival de Música do Reno, no castelo Johannisberg, o Quarteto Maxwell, música de Haydn Brahms e música folclórica da Escócia, um bom pedaço de repouso. Enquanto me ponho à sombra para fugir à caloraça que progride para perto dos 40ºC, vou bisbilhotar o jardim de quem tão amigavelmente me recebeu, vejo um ácer bem novinho a fazer sombra a um Buda, vou até ao fim da vedação e avisto um ácer maduro de um vizinho ali em frente, é uso e costume dizer-se que são os britânicos que têm a paixão dos jardins, e então os alemães? Enfim, mitos e preconceitos. E fico toda a manhã, embevecido, a reler Fado Alexandrino, já que tenho limite na bagagem trouxe estas 700 páginas para grande regalo.
Fachada do castelo Johannisberg, um dos palcos em que decorre o festival musical do Reno, pertenceu ao Príncipe Klemens Wenzel von Metternich, que teve um relevante papel no Congresso de Viena, é aqui que desde o século XVIII se passou a cultivar a uva com que se produz o vinho Riesling
Gosto de chegar cedo, garanto que quando subiu ao palco o Quarteto Maxwell não havia uma cadeira vazia
De paredes meias com o castelo temos uma reminiscência medieval, uma igreja associada a um convento, tudo cercado de vinha, no final do concerto percorre-se o caminho para disfrutar um esplêndido panorama de Wiesbaden ao fundo e o serpenteio do rio RenoEra o fim de tarde, muita gente perto, tal é a maravilha do panorama, mesmo com o Reno com pouca água, estávamos embevecidos com o maravilhoso cenário
No dia seguinte partiu-se de comboio para Mainz, em português Mogúncia, em francês Mayence, é a capital do Land Renânia-Palatinado, ali perto corre o rio Meno. Consta que há uma população afável, tem um dos carnavais mais espetaculares da Alemanha, uma história que supera dois mil anos, por aqui andaram as legiões de Roma, teve um período dourado na Idade Média, como não se pode visitar uma grande cidade em escassas horas, não pude visitar o museu Gutenberg, considerado uma joia para a história daa imprensa. Vim munido de um calhamaço que há meio século era famoso, um Guide Bleu dedicado à República Federal da Alemanha. Recomendava-me que fosse diretamente da Gare Central à Catedral, daqui à Praça Schiller, desobedeci, queria ir à igreja de Santo Estevão, famosa pelos vitrais de Marc Chagall, foi um regalo para a alma, vou mostrar
Não escondo a comoção, estes vitrais, além de serem os únicos que Chagall fez para a Alemanha, como expressão do que ele entendia ser a reconciliação entre os judeus e os alemães, foram os únicos vitrais feitos diretamente por Chagall, são nove na envolvência do altar-mor. Depois do seu falecimento, um conjunto de discípulos terminou o trabalho dos vitrais da paróquia de Santo Estevão. A escolha desta igreja teria sido devido à amizade que unia Chagall ao respetivo padre de Santo Estevão. Se é verdade que as imagens podem substituir mil palavras, deixo a quem me está a ler o deslumbramento destes azuis de incomparável intensidade.
A Fonte do Carnaval, na praça Schiller, é uma impressionante escultura em bronze com quase 9 metros de altura. Projetada pelo artista Blasius Spreng e inaugurada em 1967, a obra celebra a rica e animada tradição carnavalesca da cidade. A torre de bronze está repleta de mais de 200 figuras detalhadas, incluindo bobos da corte, heróis, animais e símbolos satíricos da história local e da mitologia.
Escultura "Christus" (1998), da autoria do artista alemão Karlheinz Oswald, Catedral de Mainz
Vista do interior da Catedral de Mainz, são bem visíveis as múltiplas adições, recorde-se que o templo foi muito danificado pelos bombardeamentos da Segunda Guerra MundialPúlpito do período tardo-gótico, renovado no século XIX, um impressionante trabalho escultórico, de cima a baixo
Estamos a falar de uma catedral com 112 metros de comprimento, com o nome de São Martinho e Santa Genoveva, teve inicialmente três naves, hoje cinco, duas absides, recorda os tempos carlíngios, fica aqui um pormenor das suas torres vista do claustro tardo-góticoUma perspetiva do claustro, ainda há mais coisas para mostrar, fica para a semana
(continua)
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Nota do editor
Último post da série de 15 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28262: Os nossos seres, saberes e lazeres (745): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (266): Lisboa-Luxemburgo, daqui para Trier, o passeio pelo Mosela, depois Koblenz até Wiesbaden, foi este o início da viagem - 1 (Mário Beja Santos)
Guiné 61/74 - P28280: Notas de leitura (1952): "Geração Afro: Os Últimos Guerrilheiros do Império" (volume I, 2026, 455 pp sinopse feita pelo autor, Recaredo (pseudónimo literário de Angelino Santos Silva, ex-fur mil 'cmd', 26ª Cmds, CTIG, 1970/71)
Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto e imagens: Angelino dos Santos Silva (2026)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.
O Angelino é até agora o primeiro e único representante da 26ª CCmds na Tabanca Grande, para onde entrou formalmente em 21 de janeiro de 2025 (*).
. É natural de Recarei, Paredes. Como escritor, usao pseudónimo literário Recaredo. Publoicou recentemente o livro (o primerio de dois), "Geração Afro: os últimos guerrilheiros do Império" (edição de autor, 2026, 455 pp.) (**)
GERAÇÃO AFRO – OS ÚLTIMOS GUERRILHEIROS DO IMPÉRIO - Livro I
Resumo feito pelo autor, Recaredo (pseudónimo lietrário de Angelinmo da Silva Santos) (***)
Este documento é uma homenagem aos combatentes portugueses e africanos da Guerra Colonial em África, abordando suas experiências, conflitos e o impacto histórico da guerra.
Para criar um resumo focado nas experiências dos combatentes portugueses e africanos durante a Guerra Colonial, utilizei exclusivamente os relatos, testemunhos e análises presentes no documento "Geração Afro – Os Últimos Guerrilheiros do Império".
O objetivo é apresentar uma visão clara, humana e multifacetada das vivências dos combatentes, destacando tanto os aspetos comuns quanto as diferenças entre portugueses e africanos que combateram sob a bandeira portuguesa ou nos movimentos de libertação.
Resumo das experiências dos combatentes portugueses e africanos
1. O início: patriotismo, desencanto e realidade
Os jovens portugueses embarcavam para África "imbuídos de um mesmo amor à Pátria, considerando as suas comissões uma causa justa".
No entanto, logo no início da viagem, o desconforto, as más condições nos navios e o choque com a realidade africana geravam desencanto e frustração.
Ao chegarem, deparavam-se com combatentes africanos armados ao serviço de Portugal, o que causava estranheza e, ao mesmo tempo, aliviava o desconforto inicial.
2. A Vida no terreno: dificuldades, medos e camaradagem
2. A Vida no terreno: dificuldades, medos e camaradagem
O quotidiano era marcado por condições extremas: calor, humidade, doenças como o paludismo, chuvas torrenciais, emboscadas, minas e noites mal dormidas na selva.
A camaradagem entre soldados era fundamental para suportar o medo, a saudade e o desgaste físico e psicológico. O humor, as pequenas festas e as conversas ajudavam a aliviar a tensão constante.
Os combatentes africanos, como os do Grupo Especial de Combate (GEC), partilhavam o risco e o sacrifício, mas tinham motivações e preocupações distintas, muitas vezes relacionadas com o futuro das suas famílias e a incerteza do pós-guerra.
3. Contradições e dilemas
Muitos africanos lutavam ao lado dos portugueses, enquanto familiares seus combatiam no PAIGC (movimento de libertação). Isso criava situações de "irmãos contra irmãos", ilustrando a complexidade das lealdades e dos laços familiares.
Os portugueses, por sua vez, questionavam o sentido do sacrifício, especialmente ao perceberem que a guerra era "uma causa perdida" e que o império colonial estava no fim.
4. O impacto psicológico e social
O regresso à Metrópole era frequentemente marcado por traumas psicológicos, ausência de apoio psiquiátrico e falta de reconhecimento social. Muitos ex-combatentes sentiam-se ignorados e desamparados.
Entre os africanos, o medo de represálias após a independência e a incerteza quanto ao futuro das suas famílias eram fontes de grande angústia.
5. O quotidiano e a sobrevivência
5. O quotidiano e a sobrevivência
As operações militares eram descritas como extenuantes e perigosas, com relatos de emboscadas, minas, flagelações e ataques noturnos.
A sobrevivência dependia tanto da preparação militar quanto da adaptação ao ambiente hostil e do apoio dos guias e combatentes africanos, conhecedores do terreno.
6. Humanidade, humor e resistência
Apesar da dureza da guerra, havia espaço para a amizade, o humor e até para momentos de festa e confraternização, com refeições de churrasco (ementa desconhecida na Metrópole).
O contacto com a cultura local, a aprendizagem de palavras em crioulo e a partilha de refeições aproximavam portugueses e africanos, criando laços que iam além da guerra.
7. O fim da guerra e o legado
O fim do conflito trouxe sentimentos mistos: alívio, mas também frustração e sensação de missão inacabada.
Muitos combatentes, portugueses e africanos, carregaram para sempre as marcas físicas e psicológicas da guerra, sentindo-se "diferentes" e, por vezes, incompreendidos pela sociedade.
Exemplo de testemunho resumido
Exemplo de testemunho resumido
"Já lá fomos e voltamos. Percorremos o lado negro da vida, tropeçamos na face má da sorte e andamos por trilhos e picadas da morte. [...] Já lá sorrimos e penamos. E abrimos a caixa de Pandora e antes de virmos embora enfrentamos medos e emboscadas, carregamos sonhos e granadas, corremos perigo e aflição, bebemos água da bolanha, comemos colados ao chão, adormecemos de arma na mão, socorremos camaradas feridos, beijamos rostos estendidos, cerramos os punhos cantando, festejamos a vida chorando, deixamos os sonhos esquecidos..."
Conclusão
As experiências dos combatentes portugueses e africanos na Guerra Colonial foram marcadas por sofrimento, coragem, dilemas morais e laços de solidariedade. O livro retrata com realismo e sensibilidade a complexidade humana da guerra, dando voz a todos os que nela participaram, independentemente do lado em que lutaram.
"Do embarque ao regresso a casa, o leitor com poucos conhecimentos sobre a Guerra Colonial Portuguesa em África vai ter o privilégio de acompanhar, em tempo real, o dia a dia da maior parte dos combatentes: desde as deficientes condições de viagem até à estranha surpresa ao desembarcar, quando vê, no cais, soldados africanos a combater ao lado da bandeira portuguesa. Já no “mato”, vai acompanhar os passos de quem faz a guerra “mexer”, testemunhando os dias de sorriso e tristeza, os dias de aflição e lazer, e os “acasos” do azar e da sorte que separam a vida da morte. Por fim, vai sentir no corpo e na “cabeça” as mazelas que trouxemos de África e a injustiça do tratamento inadequado votado aos combatentes por parte dos governos, desde o regime do Estado Novo ao regime do pós-25 de Abril — algo que permanece até hoje
Principais locais onde se desenrola o romance:
Bissau, Brá, Bula, Binar, Bissorá, Olossato, Mansoa, Mansabá, K3.
São Vicente, Pelundo, Teixeira Pinto, Bachile, Cacheu.
Catió, Cabedu, Guileje, Gadamael Porto, Kandiafara [Guiné-Conacri] e Cumuré.
Hospital Militar de Bissau.
Bissau, Brá, Bula, Binar, Bissorá, Olossato, Mansoa, Mansabá, K3.
São Vicente, Pelundo, Teixeira Pinto, Bachile, Cacheu.
Catió, Cabedu, Guileje, Gadamael Porto, Kandiafara [Guiné-Conacri] e Cumuré.
Hospital Militar de Bissau.
Angelino dos Santos Silva
(RECAREDO)
(RECAREDO)
Combatente na Guiné-Bissau, 1970-71
Contactos para encomenda do livro:
e-mail: recaredo241148@gmail.com | telem 926365774
Fonte: adapt da página do Facebook da Tabanca Grande Luís Graça, 5 de agosto de 2026, 08:42(Revisão / fixação de texto: LG)
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Notas do editor LG:
(*) Vd. poste de 21 de janeiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26409: Tabanca Grande (566): Angelino dos Santos Silva, grão-tabanqueiro nº 897, ex-fur mil OE, 26ª CCmds (Brá, 1970-1972), poeta e escritor, natural de Recarei. Paredes, Vale do Sousa
(*) Vd. poste de 21 de janeiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26409: Tabanca Grande (566): Angelino dos Santos Silva, grão-tabanqueiro nº 897, ex-fur mil OE, 26ª CCmds (Brá, 1970-1972), poeta e escritor, natural de Recarei. Paredes, Vale do Sousa
(***) Últino poste da série > 21 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28278: Notas de leitura (1951): "Origem: África", pelo jornalista, escritor e académico Howard W. French; Bertrand Editora, 2022 (2) (Mário Beja Santos)
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