(Foto, a preto e preto, do AHM -Arquivo Histórico Militar | CECA, 2014, pág., 402 | Imagem reconstituída e colorizada: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné+ IA (Google / Gemini).
1. (CECA (2014): excertos do Anexo n° 4 - Relatório de Posse do Comando do CTIG de 31 de Outubro de 1966
O Comandante Militar, Brigadeiro António M. Malheiro Reymão Nogueira, apresentado na Guiné em 07Set66, elaborou um Relatório de posse do Comando em 31 Out66, em que referia a situação sumária, a essa data, dos principais problemas em diversas áreas e terminava com uma conclusão geral.
Referia "duma forma geral, todas as deficiências citadas ao longo deste Relatório já foram expostas à Metrópole, algumas delas insistentemente, principalmente quando afectam grave e directamente aactividade operacional".
Porque há facetas interessantes que elucidam o trabalho realizado em missões não operacionais, extraem-se do Relatório aspectos relacionados com os;
- Serviços de Informações Militares
- Contra-Informação,
- Logística,
- Transportes,
- Engenharia,
- Transmissões,
- Serviço de Material,
- Intendência,
- Saúde,
- Contabilidade e Administração,
- Postal Militar,
- Destacamento de
- Ligação e Reconhecimento das Transmissões n° 8
- Conclusão geral
(Continuação) (ª)
(ii) Transportes Terrestres
Meios, necessidades e disponibilidades
A partir de Bissau, transporta-se, em média mensal, para o interior a seguinte tonelagem (dados de 1966):
- Sector de Bula: 180 ton
- Sector de Mansoa: 210 ton
- Sector de Farim (quando possível): 210 ton
- Total Geral 600 ton
Tendo em atenção que só existe uma Unidade de Transportes Rodo, a Companhia de Transportes 1576 (20 viaturas "Mercedes" das quais 12 operacionais, em média) que na realidade transporta aproximadamente 270 ton / mês, verifica-se um desequilíbrio grande no binário Necessidades-Disponibilidades,que não é possível anular mesmo lançando mão das viaturas do BINT (Batalhão de Intrendência) que transportam em média 1500 ton/mês e que estão praticamente sempre empenhadas nos carregamentos de embarcações para o interior.
Com a saída dos Destacamentos de Intendência para o interior, a Secção de Transportes vê diminuídas as suas possibilidades de transporte dentro de Bissau e daqui para os Sectores de Bula e Mansoa, porque deixa de poder ser reforçada a Companhia de Transportes com uma média de 8 viaturas daqueles Destacamentos.
[...].
(ii) Transportes Aéreos
Existem presentemente carreiras aéreas de avião "DO-27" que fazem as ligações entre várias Subunidades dos Batalhões, de uma a três vezes por semana.
Não satisfazem as necessidades dos Batalhões, em especial dos Sectores L3 (Nova Lamego) , S2 (Buba) e S3 (Catió).
Alternadamente são realizadas com aviões "Dakota", carreiras para Nova Lamego-Farim e Bafatá- Tite.
Sempre que necessário é feito à FA o pedido especial para transporte de carga e bem assim para evacuações de doentes e feridos.
Estes pedidos porém são sempre condicionados às disponibilidades existentes as quais ficam aquém das necessidades.
Assim, por exemplo, o fornecimento de frescos às Unidades do interior, não pode fazer-se com regularidade, devido à falta de capacidade dos transportes aéreos, sem recorrer ao fretamento de aviões civis [...].
(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos: LG)
Fonte: Excertos de: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 6.º Volume; Aspectos da Actividade Operacional; Tomo II; Guiné; Livro I; 1.ª Edição; Lisboa (2014), pp. 477, 484/485, 498,
(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos: LG)
2. Comentário do editor LG:
Não se faz referência ao Pelotão de Transportes Especiais que já existia, em 1966, e que fazia parte do BENG 447 (*). Mas falaremos em próximo(s) poste(s) do ponto da situção no que diz respeito à Engenharia, bem como à Intendência e, eventualmente, a outros comandos de armas e chefias serviços.
É interessante a conclusão geral do relatório do então comandante militar do CTIG, brigadeiro António Maria Malheiro Reymão Nogueira (1909-1987), um militar oriundo da arma de cavalaria, contemporâneo de António Spínola na Escola do Exército, e que irá ser demitido por Marcello Caetano em 27 de maio de 1971, do lugar de cmdt da Região Militar de Coimbra, por alegadamente ter criticado em público a proposta de revisão constitucional do Governo (um dos 3 pontos mais polémicos era justamente a do estatuto dos territórios ultramarinos).
Para o então cmmdt militar do CTIG, havia deficiências gritantes, no apoio logístico, apresentadas em 31/10/1966, à Metrópole. Por exemplo, estas duas, relevantes para o problema dos Transportes (*):
(i) "Possibilidades limitadas dos meios navais de transporte que são insuficientes para atenderem as necessidades operacionais e logísticas"
(ii) "As tonelagens a movimentar são superiores às possibilidades de escoamento das embarcações, das viaturas e dos meios aéreos disponíveis".
___________________
Nota do editor LG:
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