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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28366: Notas de leitura (1963): "Sobretudo a Agonia, Angola, Memórias de uma Guerra Íntima", por Celso Braga Rosa, Edições Afrontamento, 2025 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 19 de Maio de 2026:

Queridos amigos,
Começa a ganhar velocidade de cruzeiro esta nova dimensão da literatura da guerra colonial em que os filhos de ex-combatentes vão pelos trilhos do passado, evocam o percurso do pai, no caso vertente Celso Braga Rosa consegue dar-nos o ambiente de horror que se viveu em Carmona (hoje Uíge) na guerra travada entre o MPLA e o FNLA, a fuga dramática de brancos e pretos, os raptos, os roubos, os vexames, a agonia vivida até chegar um avião que os transportou para Portugal. E temos aqui uma relação não conseguida entre pai e filho, como o autor dirá na parte final, a originalidade desta obra assenta também em escritos que são memórias dos outros, portanto citações adequadas e ajustadas, há citações de sufoco, até lamentos por termos perdido a memória como escreveu António Lobo Antunes em Os Cus de Judas: "Tudo é real, sobretudo a agonia [...] Tudo é real menos a guerra que não existiu nunca: jamais houve colónias, nem fascismo, nem Salazar, nem Tarrafal, nem PIDE, nem revolução, jamais houve, compreende, nada, os calendários deste país imobilizaram-se há tanto tempo que nos esquecemos deles [...]."

Um abraço do
Mário



Nascido em Angola, filho de ex-combatente, uma dilacerada relação com o pai

Mário Beja Santos

É um livro que manda respeito, não só pelo alto mérito da narrativa, um estupendo carrossel de memórias órfãs de Angola e de conflitos familiares ainda com muito por resolver; como, igualmente, uma peça de grande calibre para esta nova abordagem da literatura da guerra colonial em que os filhos peregrinam e se encaminham para os locais onde as famílias, ou tão somente os pais, ficaram indelevelmente marcados pelas experiências da guerra, à procura de sublimação, pelo claro entendimento do que ali aconteceu, para que haja reconciliação ou perdão.

Celso Braga Rosa
Sobretudo a Agonia, Angola, Memórias de uma Guerra Íntima, por Celso Braga Rosa, Edições Afrontamento, 2025, é um livro de dor na recuperação da memória, dotado de uma hábil construção, não faltam múltiplas citações e obras de outros autores, mas tudo num rendilhado com forte coesão destas diferentes vozes. O autor é antropólogo, nasceu em 1973 num ponto do Quanza Norte, vivia em Carmona (hoje Uíge) quando se deram os terríveis combates entre a FNLA e o MPLA, obrigando muita gente a fugir dessa quadra infernal.

A figura central desta memória de uma guerra íntima é o fantasma/espectro do pai, um jovem que parecia destinado ao seminário, em Mogofores, e que fugiu para Angola ao encontro do pai, fazendeiro em Quiculungo, e depois fez três comissões militares antes de passar à vida civil. Celso Braga rendilha primorosamente a trama narrativa, aquele pai não embarcou no cais da Rocha do Conde de Óbidos, não houve lágrimas nem lenços brancos, o pai partiu jovem, fez várias comissões militares em Angola, foi desmobilizado, conseguiu emprego em Quiculungo, no Banco Pinto e Sotto Mayor, aqui casou, Celso nasce a 23 de setembro de 1973, o pai irá revelar-se violento, mas muito pouco comunicativo e terno com o filho.

Um dos momentos mais vibrantes desta narrativa passa pelos acontecimentos que viveu em Angola depois do 25 de abril, aqui se retratam os horrores da guerra civil, os combates mortais entre a FNLA e o MPLA, estamos no Kwanza norte, no início dos acontecimentos, tudo parece decorrer na normalidade, as viagens entre povoações, sob proteção de colunas militares, vão gradualmente tornando-se um risco demasiado grande. Em 1975, a caminho da independência, sai-se da paz podre entre os três movimentos, o autor irá descrever os acontecimentos vividos em Carmona. Havia acordos entre FNLA e a UNITA, nessa Carmona depois batizada de Uíge, a população branca era obrigada a ter o cartão de membro da FNLA.

No final do ano as forças do MPLA já controlavam Vila Salazar, depois rebatizada como N’Dalatando, caminharam para Carmona, traziam um poderio militar muito superior ao da FNLA, vão começar os combates nas ruas, e começa então uma formidável fuga numa coluna de viaturas. “Viam-se pessoas desesperadas nos passeios e assistia-se a discussões entre condutores no meio da rua, gritos e choro por todo o lado, carros batidos no meio da estrada. E os tiros e bombardeamentos sempre ali a estalar nos tímpanos, como uma banda sonora macabra. Viam-se grupos de pessoas fugindo a pé ou tentando pedir boleia aos condutores das viaturas que passavam na estrada. Ninguém se importava com ninguém, num salve-se quem puder.”

E assim se fez uma viagem até junto à fronteira com o Zaire, três dias com inúmeros incidentes, vai seguir-se o horror das rusgas e das intimidações Zairenses e dos combatentes angolanos, os fugitivos serão esbulhados nas diferentes triagens. E depois um Boeing 747 da TAP traz a família para Portugal.

Será um regresso inacabado, a vida daquele agregado familiar conheceu uma amputação, como escreve o autor o seu passado é uma imensidão de falhas, de perdas, de grandes silêncios. Ele guarda boas recordações da Nazaré, onde chegaram no mês de fevereiro de 1978, o pai tinha lugar no banco. Ele descreve-nos a adaptação, o grupo de pequenada que se formou, a hostilidade manifesta para quem tinha vindo de África. A mãe voltou ao ensino, o pai progrediu na agência do Banco, tornou-se numa figura de tranche bastante simpática no meio. A irmã de Celso nasce em 1980. Quando vai estudar para Coimbra, Celso sente-se perdido e sozinho, é como que uma ausência de identidade.

E depois os pais divorciam-se, o pai praticamente desaparece da sua vida. Celso regressa a Angola em 2007. Na véspera de partir, recebe um telefonema do pai, queria marcar um encontro. Em 2009, Celso perde a sua companheira, faleceu num acidente de viação e estava grávida. Recebe novo telefonema do pai, Celso, depois da perda da sua companheira, entra no quadro depressivo, tudo se passa em Angola, depois regressa. Em 2019 encontra-se com o pai, almoçam. “Ao regressar a casa depois de almoço, já sozinho, acabei a censurar-me por não ter feito as tantas perguntas que lhe queria fazer, por não o ter colocado frente aos tantos silêncios que queria entender.” Ainda falam ao telefone em 2021, nesse ano o pai morre num acidente de automóvel.

É muito tocante o sentir da despedida que este antropólogo de profissão nos oferece na atmosfera da despedida do seu pai:
“A morte social não se compadece com a morte física. E por isso o meu pai vive ainda porque o escrevo, porque o esquecimento é o único modo de morrer para sempre, e porque acredito que de cada vez que alguém diz o nosso nome, tornamos a viver, nem que seja por um breve instante. Porque nem todas as estórias e vidas ficam registadas em livro, o meu pai, cujo corpo de transmutou em cinzas que foram entregues ao mar de Sagres no mês de novembro, vive ainda em memórias que guardo em caixas que só eu conheço o paradeiro. Vai-se afastando devagar o passado, indiferente, sem se despedir de mim, alheio à herança que me deixou nas mãos e nas páginas. Ao meu pai, que fez finalmente caminho comigo nestas últimas horas e dias, dir-lhe-ia se pudesse, olhando-o nos olhos: a ti calhou-te a guerra, e as guerras depois da guerra.
Calhou-te talvez ser marido sem que o quisesses ser, pai sem que o tivesses verdadeiramente desejado, e a mim, calhou-me ser teu filho, fazer traduções literárias, amar uma mulher de olhos castanhos. Que nem chegaste a conhecer. Este foi um esforço íntimo e assumido de criação e construção de memória, relato de uma viagem que não vai parar de acontecer. Escolhi o que recordar tanto tempo o que deveria esquecer, e nas memórias de outros não só me busquei como essa busca não se revelou infrutífera: encontrei-me nessas memórias alheias, como se, sem que o soubessem, tantos e tantos escrevessem sobre mim há tanto tempo.”


Um belíssimo romance. Uma originalidade na literatura da guerra colonial (haverá quem diga que se trata de literatura da guerra pós-colonial, conceito em que não acredito).

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Nota do editor

Último post da série de 18 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28357: Notas de leitura (1962): "Origem: África", pelo jornalista, escritor e académico Howard W. French; Bertrand Editora, 2022 (6) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28365: Manuscrito(s) (Luís Graça) (296): Quinta de Candoz: "aguarelas"

 


Foto nº 1 > Não, não é  uma pintura a óleo... Muito menos uma aguarela. ´R uma peça em cerâmica vidrada, com um estilo muito característico das majólicas ou vinhagens portuguesas, especialmente associadas à Fábrica Bordallo Pinheiro (Caldas da Rainha). A técnica de vidrado brilhante e as cores vibrantes (verdes, vermelhos, amarelos) são típicas do trabalho da oficina, que produzia peças utilitárias e decorativas desde o século XIX.

 Está cá em casa há cerca de 27 anps.  Não está assinada nem tem a marca da oficina. De qualquer modo, é um tributo em barro à antiga abundância de Quinta de Candoz, sita na região de Entre-Douro-e-Minho, terra roubada aos castanheiros e aos carvalhos, feita de solcalcos (uma dezena), nas faldas da serra de Montedeiras, no concelho de Marco de Canaveses, que o Zé do Telhado tristemente celebrizou com o trágico assalto à Casa do Carrapatelo, em 1852. Quinta que já  foi de milho  agora é de vinha. Mas sempre deu de tudo um pouco, das cebolas às batatas, das castanhas às cerejas, do milho ao linho, do centeio ao vinho, dos tomates às pencas...



Foto nº 2 > A castanha já a sorrir, á espera do dia de São Martinho e do vinho novo. Antes da batata, a castanha era a comida dos pobres. O cultivo da batata levou muito a generalizar-se.


Foto nº 3 > A casta de uva branca "Pedernã" ou " Arinto"... Maduríssima, a uva,  este ano, o vinho terá um álcool provável de 14 graus. Há uma crise na vitivinicultura nacional (e mundial). Estamos  a chegar ao fim de um ciclo. Os nossos vizinhos ainda têm vinho ao ano passado nas cubas de inox...


Foto nº 4 > O nosso azevinho (Ilex aquifolium), tão cobiçado,  no Natal, pelos portugueses. Hoje, espécie protegida. Presentemente, o risco de ameaça de extinção do azevinho em Portugal é considerado "pouco preocupante". Com a ajuda da IA, as bagas ficaram mais vermelhas (ainda estão alaranjadas...)


Foto nº 5 > Uma romã da romãzeira (Punica granatum) da tia Nita (1947-2023), a alma-mãe da Quinta de Candoz.




Foto nº 6  e 6A> Entre o apeadeiro do Juncal (Marco de Canaveses) e o apeadeiro da Pala (Baião) na Linha do Douro existe este viaduto que é a Ponte das Quebradas, uma grande obra de arte ferroviária, dos anos 40 (veio substituir uma de ferro). E é de trágica memória, devido ao acidente que em 1 de setembro de 2009, às 5h55 fez 6 vítimas mortais, naturais da freguesia de Santa Leocádia, incluindo o chefe da  junta de freguesia. (Estávamos em casa, quando o acidebnte ocorreu, e da nossa janela, demos, pela manhá, com o aparato de ambulâncias). Um automóvel foi colhido por um comboio regional. Os passageiros dirigiam-se e para Fátima, A ponte tem 170 metros de comprimento, e fica no km 67,9. 

Depois deste viaduto da Ponte Quebrada, a seguir ao apeadeiro da Pala e antes da estação de Mosteiró / Tormes, vem o ainda mais espectacular viaduto da Pala, ao km 70,3 (tem 195 metros de extensão e vistas soberbas sobre a albufeira da barragem do Carrapatelo).  

A Imagem, acima, nº 6, foi gerada pela IA, a partir da foto original, a nº 6A, tirada da nossa casa em Candoz; a ponte e em alvenaria, um trabalho magnífico, obra do Estado Novo; ainda me lembro do patriarca da família, José Carneiro, nascido em 1911, falar dela, e dos carros de bois e centenas de braços que mobilizou, em plena II Guerra Mundial)

Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Candoz > Quinta de Candoz > Vindimas > 18 de setembro de 2026 >  "Aguarelas"


Fotos (e legenda): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI].

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 15 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28348: Manuscrito(s) (Luís Graça) (295): Em 6 de setembro passado, a orografia que rodeia a Quinta de Candoz retirou-me cerca de uma hora e meia de insolação direta: cerca de 35 minutos de manhã e cerca de uma hora ao fim da tarde.

Guiné 61/74 - P28364: Parabéns a você (2527): José Macedo, 2.º Ten Fuz Esp da RN (DFE 21, Cacheu e Bolama, 1973/74)

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Nota do editor

Último post da série de 15 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28347: Parabéns a você (2526): Manuel J. Ribeiro Agostinho, ex-Soldado Radiotelegrafista da CCS/QG/CTIG (Bissau, 1968/70)

domingo, 20 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28363: No céu não há disto: comes & bebes: sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande (56): batatada de peixe seco num dos almoços das vindimas da Quinta de Candoz

 





Marco de Canaveses > Paredes de Viadores > Candoz > Quinta de Candoz > Vindimas > 18 de setembro de 2026 > Batatada de peixe seco (raia, safio, cação, sapata...) "by chef Alice"...( Na primeira foto, o peixe já demolhado, como o bacalhau.)


Fotos (e legenda): © Luís Graça (2023). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI].


1. Já não é a primeira vez que a gente traz peixe seco da Lourinhã para as vindimas  da Quinta de Candoz... É uma prato festivo (e com muita "sustância", como diria o cavador de enxada de antigamente). Prato que, por isso, fica bem nas "serviçadas".  

Quem já o provou, pela primeira vez, aqui no Norte, há dois ou três anos, gostou e aprovou. São saberes e sabores antigos, provavelmente tão ou mais antigos que o bacalhau escalado, salgado e seco ao sol. Era o governinho da mulher do pescador e do lavrador das aldeias ribeirinhas da Lourinhã, antes da chegada da electricidade e da arca frigorífica. Tal como aqui é o porco que era guardado na salgadeira, e que tinha que dar para o ano todo, até à próxima matança, no início do inverno.

Desta vez a dose era generosa, dava bem para 8 comedores. (Obrigado, Jaime, por teres sido o internmediário na transação.) E diversificada: tinha raia, sapata (cada vez mais rara), safio (aqui diz-se "congro"), cação... O nosso "vagomestre" merece chapa 5. E a "chef" Alice, com tão boa matéria-prima, só teve cozer, à parte, a batata (com pele), a cebola (muita!) e os ovos (ingrediente facultativo, mas que fica bonito, na travessa e na fotografia).

Serve-se com muito azeite e vinagre. E repete-se. Pode ser acompanhado com um vinho verde tinto, "carrascão",,,que a gente agora já não faz, na Quinta de Candoz. Mas ainda se arranja por aqui...

Tudo isto, caros amigos, não é para vos fazer inveja. É só para vos dizer que no céu não há disto. E é bom a gente começar a tratar de um lugarzinho, à direita ou à esquerda de Deus Pai (ideologias à parte)... E, a propósito, ainda hoje, por coincidência, tive dois telefonemas de antigos colegas (e amigos) das lides académcias. Há uma dezenas de anos que não sabiam de mim. E em vão ligavam para um antigo número de telemóvel ou escrevima um endereço de email, descontinuado. Um deles, que sempre foi muito brincalhão, mostrou-se exuberanhte e feliz por, finalmente, saber do meu paradeiro e ouvir a minha voz

- Porra, pá, constava para aí que já tinhas "ido...para a terra"!

Ao que, refeito da surpresa, retorqui:

- Em boa verdade, tenho andado de terra em terra. Agora estou em Candoz, nas vindimas, que já acabaram ontem...E, se queres que te diga, não estou com pressa de me despedir da Terra da Alegria... Nem ainda escrevi o poema que alguém há de ler no meu enterro...

O que vale é que eu não sou supersticioso... E vamos marcar um almoço para fazer a prova de de vida. Obrigado, Carlos, obrigado, Prista, pelo vosso cuidado.  Parafraseando o Marc Twain,  a notícia da minha morte foi manifestamente exagerada... 
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 26 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28214: No céu não há disto: comes & bebes: sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande (55): Mafé e Baguitch (Henk Heggens, médico neerlandês, especialista em saúde global, cooperante na Guiné-Bissau, Fulacunda e Bissau, 1980/84)

Guiné 61/74 - P28362: Os nossos seres, saberes e lazeres (751): Alcobaça Terra de Paixão (Juvenal Amado da CCS / BCAÇ 3872)

1. Mensagem do nosso camarada Juvenal Amado (ex-1.º Cabo CAR da CCS/BCAÇ 3872, Galomaro, 1971/74), com data de 1 de Setembro de 2026:


Alcobaça Terra de Paixão

Não há amor como o primeiro dizem, e eu estou totalmente de acordo.

Alcobaça é uma cidade calma longe do fulgor industrial e comercial que teve até ao ano 2000. Não acabou o Mundo como era profetizado, mas acabou uma época de crescimento. Actividades industriais, muitas com história, desapareceram e hoje são motivo de lembrança em museu de cerâmica a visita obrigatória.

Vivi na Av. Bernardino Lopes de Oliveira e passei à sua residência (palacete na rua da Conceição, hoje Dr. Nascimento e Sousa) pelo menos quatro vezes por dia,  durante 14 ou 15 anos, e nada sabia do nome desse ilustre alcobacense.

No passado mês de Junho foram os alcobacenses convidados a participar numa visita guiada a dez palacetes de Alcobaça.

Ao ler esta notícia lamentei não poder participar, mas trouxe-me à lembrança os edifícios apalaçados da minha juventude. Alguns ainda existem, outros desapareceram para sempre dando lugar a prédios de apartamentos.

Mas voltando ao nome da rua onde morei desde 1963 até aos fins dos anos 70. Bernardino Lopes de Oliveira foi um dos regressados que fizeram fortuna no Brasil, que ao chegar ficou chocado com o atraso da vila e decidiu dedicar-se a tentar remediar as carências – Assim fundou o Gabinete de Leitura de Alcobaça, o Asilo Para Infância Desvalida, sendo ainda Fundador e Provedor do Hospital da Misericórdia de Alcobaça. Republicano, participou no 5 de Outubro de 1910 e, na 1.ª República, obteve cargos como Vice-cônsul do Brasil e presidente da Câmara de Alcobaça.

Palacete Bernardino Lopes de Oliveira

Em matéria de palacetes construídos em finais do Século XIX, arquitectura romântica e apontamentos vindos do Brasil, está Alcobaça bem fornecida de História, bem de nomes importantes. Continuam muitos desses edifícios de plena saúde e utilidade. Exemplos como o do Pena que foi residência do senhor Francisco Oriol da Pena. Foi construído nos terrenos de uma antiga Gafaria Pena, hoje Câmara Municipal de Alcobaça.
Palacete de Francisco Oriol da Pena

O palacete das Escadinhas como nós garotos conhecíamos foi residência do director da companhia de fiação e tecidos depois externato Dr. Cabrita e por fim alugado à CEERIA, cooperativa de ensino especial, é posteriormente comprada por esta no seguimento da falência da empresa COFTA. No seguimento das obras de manutenção regressou à sua cor inicial que ocre.
Palacete das Escadinhas

O Palacete da Cova Da Onça foi residência do senhor António Magalhães, um dos meus patrões enquanto trabalhei na Crisa Cristais de Alcobaça. Embora fossem vários irmãos sócios, o senhor António Magalhães era um industrial que nasceu rico mas soube modernizar-se e modernizar a sua empresa (chegou a ser a mais avançada da Europa na área do cristal). Dizia ele que tinha uma caneta guardada para firmar acordos com o duro sindicato vidreiro, habituado às lutas e reivindicações, bem como às perseguições politicas.
Trabalhavam lá famílias inteiras como a minha.

Tinha cooperativa de abastecimento para os seus empregados, creche com horário para as mães amamentarem, comparticipação nos medicamentos, e quando eu fui para a tropa ainda funcionava uma cantina onde podíamos almoçar por um valor irrisório.

Eu ainda guardo as recordações de a minha tia me enviar a esta casa, com a roupa que a senhora dona Regina mandava limpar na lavandaria, onde a minha tia era empregada. Está claro que a gorjeta era o principal incentivo.
Palacete da Cova da Onça

Embora só aqui tenha mencionado uns poucos, não posso deixar de falar do palacete Rino mais conhecido como o da Rina.
O construtor deste palete foi um grande lavrador poprietário de terras que se estendiam pelos concelhos de Alcobaça e Batalha, chegando a ser dono do mosteiro de Cós. Foi casado com a filha do fundador da fiação e tecidos a que lhe chamou Maria Cristina Rino. Ela foi casada com um filho do nosso escritor Eça de Queiroz e, posteriormente, com Dr. Pereira de Matos, historiador que se dedicou ao estudo da região.
Foto do Casamento, em Paris, de Maria Cristina Rino com António Eça de Queiroz, filho do famoso escritor Eça de Queiroz.

Bem mas a história não acaba aqui. A dona Maria Cristina Rino após a viuvês duou o Chalet a uma ordem religiosa de S. José de Cluny que assim beneficiou de um dos recheios mais ricos da região. É habitado pelas freiras e julgo que funciona uma cresche nas suas instalações.
Mas como tudo na vida na vida desta Dama foi-se o brilho e o lustro, nos últimos anos da sua vida sem criados, tinha algum apoio de pessoas da terra, entre elas a minha colega Alice (rata) que fazia recados e ajudava na casa. Está claro que cá para fora veio muito do que passava lá dentro. Conta-se que uma bela vez, a peixeira que vendia pelas portas, ao vê-la pegar num carapau com ar enjoado lhe de disse: - “O qué foi dona? O carapau ca…… “descuidou-se?”.

Palacete Rino

Há muito para observar e apreciar a sua beleza mais alguns, bem como casas apalaçadas que para muito terá contribuído o êxito das visitas guiadas.
Casa Tomaz Silveira Raposo
Palacete da Fonte Nova hoje uma unidade hoteleira
Casa Ilda Serrano mesmo em frente ao Mosteiro

Os seus palacetes, o Mosteiro, a sua zona histórica onde poderão ouvir o Belo Canto num dos arcos entre duas praças, jantar, enfim dar razão à Maria de Lurdes Resende quando cantava:
Quem Passa Por Alcobaça / Não passa sem lá voltar.
De Silva Tavares e Belo Marques

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Nota do editor

Último post da série de 19 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28360: Os nossos seres, saberes e lazeres (750): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (271): Heidelberg, cidade poupada na Segunda Guerra Mundial, pilhada pelos exércitos de Luís XIV em 1689, as ruínas mais famosas do romantismo - 6 (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28361: Humor de caserna (292: Em Bissau, bebia-se "Cuba Livre", e em Lisboa, no Cais do Sodré, ..."uísque de Sacavém"






















Prompt original e orientação editorial: Luís Graça.
Textos  Jorge Golias (2024) | Luís Graça (2026)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


1. Excerto do texto "Memórias do Agrupamento de Transmissões e Histórias de Guerra na Guiné – 1972/74", da autoria do cor eng trms ref Jorge Golias, publicado em 24/9/2024, no sítio "História das Transmssões Militares" (reproduzido com a devida vénia...):



(...) 12. À margem da guerra


Por vezes alguém se lembra de um episódio, ou anedota, passada na Guiné e que, pela sua graça, aqui deixo alguns registos.

Um Comandante de uma Unidade de Artilharia, o major Gaspar [maj art José Joaquim Vilares Gaspar, mais conhecido na tropa por Gasparinho, na altura 2ª cmdt do GA7 - Grupo de Artilharianº 7 ] (*) enviou a seguinte mensagem Imediato para o Comando-Chefe:

– Info impossível cumprir missão por falta de mat rádio. Solicito envio urgente de meios rádio.

Resposta do Com-Chefe:

– Ref v/ msg info não haver rádios disponíveis; Mais info Teixeira Pinto pacificou Guiné sem rádios.

Réplica do major Gaspar com mensagem Relâmpago:

– Ref v/ msg solicito envio urgente de Teixeira Pinto.

Há quem atribua o protagonismo deste episódio ao ten-coronel Sanches da Gama, comandante das trms, e ao major Gaspar, de artilharia, ambos muito conhecidos pelo seu bom humor.

O major Gaspar, aliás, viria a tornar-se num mito, pelas deliciosas histórias que se contam da sua autoria. Relatarei apenas mais duas: quando um dia ao aproximar-se um heli com o general Spínola a caminho da sede do CAOP (**) ele enviou mensagem ao escalão superior dizendo: "Info Vexa que Sexa passou na mexa!"

Conta-se que a partir daqui foi proibido o uso destes termos em mensagens.

Era proverbial a aversão do major Gaspar aos papéis e à burocracia. Dizia-se que dependurava todas as notas vindas do QG/CTIG em cordões por cima da sua mesa de trabalho. E, quando vinha alguém de Bissau e indagava sobre um processo qualquer, ele, passando a mão pela nota dependurada e abanando-a, respondia:

– Está pendente!

À medida que o tempo ia passando, as pessoas iam ficando “apanhadas do clima”. Era o efeito do cacimbo em terra de extremos!

A propósito do passar do tempo, era prática corrente encher o calendário de cruzes à medida que os dias iam passando, e os que não confessavam esta prática eram traídos quando sabiam sempre os dias certos que estavam em falta para o regresso.

Mas, a partir de certa altura, quando se constatou que na messe se comia sempre uma banana de sobremesa (durante o ano de 1973 foi sempre assim), então começaram a aparecer os que mediam o tempo de comissão pelos km de bananas que tinham comido, ou o tempo em falta pelos km de bananas que faltava comer!

Coisas de apanhados! Ficou célebre o dito dos que iam acabando a sua comissão:

– Está na mala!

Apanhados e não, depois das refeições, nomeadamente à noite, saboreavamos um bom velho uísque, Martins20, Swing, Old Parr, com água “Perrier” ou um bom brandy Napoleón ou Curvoisier ou uma boa aguardente Carvalho Ribeiro & Ferreira.

Não fazíamos a coisa por menos porque estas excelentes bebidas eram baratas. Os mais modernaços iam para a coca-cola, bebida proibida em Portugal antes da revolução! E assim se descobriu a "Cuba-Livre" (***) que, na Guiné, era a mistura da coca-cola com uísque.

(Revisão / fixação de texto, negritos, títulos, notas de rodapé: LG) (****)
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Notas do editor LG:

(*) Mas antes, foi cap art, o primeiro de 3 comandantes da CART 3330 (Nhamate e Bula, dez 1970/dez 1972); Comandente do COP 6 (Mansabá) e 2º cmdt do GA7.

(**) Mais provavelmente COP6

(***) Variante do cocktail "Cuba-libre" (que junta rum, coca-cola e sumo de lima, simbolizando historicamente a transição da independência cubana e a influência dos Estados Unidos no Caribe da viragem do séc. XIX para o séc. XX); a criação do cocktail remonta ao contexto da Guerra Hispano-Americana (1898) e aos primeiros anos da ocupação militar norte-americana em Cuba; o brado de guerra das forças libertadoras cubanas contra o domínio colonial espanhol era "¡Cuba Libre!" (Cuba Livre).

sábado, 19 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28360: Os nossos seres, saberes e lazeres (750): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (271): Heidelberg, cidade poupada na Segunda Guerra Mundial, pilhada pelos exércitos de Luís XIV em 1689, as ruínas mais famosas do romantismo - 6 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 1 de Setembro de 2026:

Queridos amigos,
Viagem inesquecível a vários títulos. Como quem não sabe é como quem não vê, andou-se à procura de parqueamento, não se viu qualquer indicação de transporte para o topo da cidade, foram umas boas centenas de degraus, em dado momento viu-se passar um funicular, deu bastante jeito no regresso para quem, como eu, andava em passada branda com as moinhas de uma hérnia inguinal bilateral. Vi satisfeito um sonho da minha juventude. Não só do que tinha lido em obras românticas, fotografias avulsas da quase mítica universidade e dos passeios no vale do rio Neckar, o meu cunhado, sempre que vinha a propósito, falava de professores seus, mundialmente distintos e do deslumbramento da cidade encravada entre montanhas com o rio à porta. Comecei o passeio pelo velho castelo de Heidelberg, uma joia mutilada no século XVII e curiosamente poupada pelos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial. É no meio desta visita deslumbrante que avistei a entrada do Museu Alemão da Farmácia, logo me veio à mente a visita que fiz em Leipzig a um museu com valiosíssima documentação de produtos de farmácia, não hesitei na visita a este museu. É o que vos mostro na primeira parte desta itinerância por uma cidade encantadora.

Abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (271):
Heidelberg, cidade poupada na Segunda Guerra Mundial, pilhada pelos exércitos de Luís XIV em 1689, as ruínas mais famosas do romantismo - 6


Mário Beja Santos

Foi uma das raras cidades alemãs poupadas dos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial. Heidelberg está situada à entrada do radioso Vale do Neckar, entre as montanhas e o rio, e é dominada pelo castelo romântico em arenito vermelho. A cidade é célebre pela sua unicidade fundada em 1386; foi um dos lugares de maior relevo do romantismo alemão. Mas há outros dados históricos. Foi um centro político do antigo Palatinado Renano, aqui viviam os zeladores da justiça dos imperadores germânicos, condes que tinham dignidades feudais. É uma história que se irá desenvolver a partir do século XII e que floresce no século seguinte com o Palatinado Renano. A cidade profundamente afetada pelos problemas religiosos da Reforma, sofreu assaltos e destruições no século XVII, a chamada guerra de Orleãs ou do Palatinado, pilhagens e destruições, a sua reconstrução recomeçou em 1700 e no século XVIII o Palatinado voltou à posse da Baviera, tudo irá mudar com a criação do II Reich, no século XIX. Havia que optar o que visitar nesta cidade tão bela, possuidora deste castelo assombroso, fiquei embasbacado por visitar no seu interior o Museu Nacional da Farmácia, para chegar ao castelo subi umas boas centenas de degraus, isto na altura em que estava à espera de ser operado a uma hérnia inguinal bilateral. Descemos até ao casco histórico, deslumbrante, visitei a Igreja do Espírito Santo e depois a ponte velha, datada de 1776, precedida de uma torre-porta e decorada de estatuária, já não havia e energia para mais, embora houvesse uma grande apetência para passear pelo Vale do Neckar.

Heidelberg a vista do alto, ao fundo corre o rio Neckar, ainda não cheguei ao castelo romântico, um dos mais belos do mundo
Visão aproximada para se ver a velha ponte sobre o Neckar, por onde passeou Goethe e outros próceres do romantismo
Um belo pórtico do castelo que resistiu às destruições de 1622 e 1689. Andava por ali um guia com uma excursão de japoneses, britânicos e letões, pus o ouvido à escuta para ouvir falar da nostalgia do romantismo, o guia esmerava-se por mostrar que o castelo e a fortaleza se fundem entre si de modo imponente, casamatas, torres poderosas, fachadas palacianas no interior com as suas figuras decorativas que são um tesouro do Renascimento; atrelado ao grupo, fui ouvindo pormenores sobre dois edifícios de arquitetura sublime, o Edifício Frederico, quando se desce o pátio interior temo-lo pela frente; e o edifício Ottheinrich, revestido de impressionantes figuras decorativas, e descendo por aqui temos terraços que no seu tempo foram considerados os jardins renascentistas mais famosos do mundo. Não se pode entrar em nenhum dos edifícios, estava tudo em obras.
O edifício foi cruelmente destruído, subsistem estas belas esculturas
Os eleitores palatinos viviam neste edifício sumptuoso chamado Friedrich que está a ser alvo de restauros, nesta altura não se pode visitar o interior do palácio
Pormenor do Museu Nacional da Farmácia, sediado no castelo de Heidelberg. Visitei este espantoso museu levando uns bons encontrões, os grupos de turistas revezavam-se uns aos outros, imparáveis. Não consegui literatura, mas encontrei informação no local bem curiosa. Li que nas cidades da Idade Média a vida pública se concentrava sobretudo na praça central do mercado, era ali que os comerciantes e artesão vendiam os seus produtos em rústicas construções em madeira, às vezes junto da igreja ou da Câmara Municipal. As primeiras farmácias funcionaram deste modo. Com o desenvolvimento, as farmácias ganharam dimensão e surgiu a possibilidade de distribuir os diferentes tipos de medicamentos por diferentes divisões. A verdadeira oficina ficava no rés-de-chão, era aqui que se preparavam os medicamentos, depois guardados em gavetas bem como em valiosos recipientes de porcelana e estanho, vidro ou madeira. O cliente podia espreitar através da janela as prateleiras e os armários e a mesa de preparação. Durante muito tempo, foi comum comunicar com o farmacêutico e receber o medicamento através de uma pequena janela. Desde os séculos XVII e XVIII que a venda e a espera passaram a ser feitas no interior da farmácia. Assim, uma nova área de vendas com um balcão como espaço de atendimento foi adicionada à área tradicional de preparação. Desde então, a farmácia passou a ser identificada por dois elementos básicos: a mesa de preparação, o balcão e o mobiliário. Atualmente, a generalidade dos medicamentos é preparada pela indústria farmacêutica. Em cada farmácia existe um local para consulta, que é uma das tarefas mais importantes de um farmacêutico de oficina, é a matriz da confiança do doente-farmacêutico.
Outro pormenor do Museu Nacional da Farmácia
Durante séculos, as fachadas das farmácias apareciam marcadas por um símbolo farmacêutico personalizado e distintivo. Havia placas de cores específicas, exibia-se o nome da farmácia e do proprietário, por vezes incluindo o ano da fundação. Não era incomum haver representações de animais, criaturas míticas ou santos padroeiros. A partir da década de 1920, as farmácias na Alemanha começaram a procurar um símbolo padronizado. O nome podia referir-se à localização específica da farmácia ou uma conotação popular para a região, havia nomes de homenagem a diferentes simbologias.
Pormenor da fachada renascentista do edifício Frederico
Pormenor da fachada em arenito vermelho do edifício Ottheinrichs, tem a seus pés jardins espetaculares e belas panoramas sobre o rio Neckar
Restauros no castelo de Heidelberg é matéria infindável

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 12 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28342: Os nossos seres, saberes e lazeres (749): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (270): O dia passado em Wiesbaden, amanhã viaja-se para Heidelberg - 5 (Mário Beja Santos)