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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28391: Historiografia da presença portuguesa em África (546): A Guiné vista por estrangeiros - I: A viagem na Senegâmbia e na Guiné Portuguesa pelo Capitão Henri Brosselard (14): Le Tour du Monde, nouveau journal des voyages, 1889, 1.º semestre, Livraria Hachette (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 4 de Março de 2026:

Queridos amigos,
Em primeiro lugar uma explicação. Sou um tradutor não qualificado, depara-se-me em cada uma destas páginas termos que os dicionários nem sempre ajudam. O Capitão Brosselard fala em sabre, seguramente que quer dizer catana ou machete; a palavra marigot traduz-se por pântano nesta narrativa não tem tal sentido, tem a ver com bolanha; falando de árvores, sãos empre árvores enormes, da família Bombax, podem ser poilões ou outra coisa, são sempre árvores gigantescas, à cautela ponho sempre poilões. Este trecho da narrativa que envolve a descrição de Buba, onde se volta a relevar o estado de destruição e completa ruína em que se encontra o Forreá, a passagem por Bolama e depois Bissau, onde voltamos a saber que a generalidade do comércio está na mão de franceses, e Brossselard não esconde que o Geba pode transformar-se num potentado agrícola. Caminhamos a passos largos para a viagem até ao Casamansa e aqui findará a viagem do Capitão Brosselard que está a escrever um relatório para as suas autoridades, como é evidente há no documento informações políticas pertinentes.

Um abraço do
Mário



A Guiné vista por estrangeiros - 1:
A viagem na Senegâmbia e na Guiné Portuguesa pelo Capitão Henri Brosselard – 14
Le Tour du Monde, nouveau journal des voyages, 1889, 1.º semestre, Livraria Hachette


Mário Beja Santos

A narrativa do Capitão Henri Brosselard é relevante na medida em que exprime o ponto de vista do chefe da missão francesa à primeira demarcação das fronteiras da recém-criada Guiné portuguesa, uma narrativa que deve ser aferida com a do Tenente da Armada-Real Costa Oliveira, chefe da missão portuguesa, esta aqui já publicada no blogue e que irá reaparecer no meu livro "Guiné Bilhete de Identidade Tomo II".

O Capitão Brosselard conta com muita vivacidade o mal-entendido que ocorreu à sua chegada a Buba, vários atiradores tinham feito fogo para o ar para pedir ajuda, os Biafadas vieram de catana em riste temendo um ataque dos Fula-Cundas, desfeita a trapalhada, a comissão francesa foi recebida pelo comandante de Buba, e Brosselard mostra-se impressionado com a postura militar da força portuguesa. Passamos-lhe agora a palavra.

A guarnição de Buba é de 50 homens, comandada por um oficial às ordens do Comandante da Praça. O recinto é formado por uma proteção contruída com peças de madeira bem apertadas entre si e solidamente enredadas. O dispositivo defensivo possui quatro peças de artilharia e quatro metralhadoras, a instalação militar é representada pela habitação do comandante, uma construção com rés-de-chão e primeiro andar.

O rio Grande de Buba não é um rio; é uma espécie de fiorde (entradas de mar entre alturas declivosas), muito recortado por numerosas calhetas (pequenas enseadas) que se ramificam. Buba está situada na extremidade de um desses numerosos pontos formados pelo fiorde principal com os seus braços laterais. A bolanha de Guinala (Brosselard refere sempre a palavra marigot, entre nós pântano, obviamente que tem a ver com campos alagados) é um dos braços mais importante do rio Grande de Bolola; foi sobre as suas margens que se estabeleceram os primeiros colonos portugueses.

Buba é considerada o local mais salubre da Guiné. Aliás, de um modo geral, o rio Grande de Bolola é salubre. O estabelecimento de Bambaïa, propriedade de uma casa francesa situada sobre uma ponta, à entrada deste vasto fiorde, frente à ilha de Bolama é considerado como o sanatório desta região costa africana.

Não se vê nenhuma povoação nas margens do rio Grande, elas estão no interior das enseadas. Veem-se somente sobre os pequenos promontórios algumas feitorias e armazéns, outrora florescentes, hoje arruinados e abandonados.

O Tenente da Marinha Hallez, Comandante da Mésange, informado da presença da nossa missão em Buba, aparelhou e veio fundear a três milhas da povoação. A missão francesa e os oficiais portugueses embarcaram neste aviso e regressaram a Bolama em 27 de março. É a época mais ativa do tráfico dos trabalhadores. Na Praça da Feitoria Maurel e Prom, os negros cortam as bolas de borracha para lhes retirar as pedras fraudulentamente introduzidas; as mulheres e raparigas transportam cargas de amendoim e uma montanha desta leguminosa está no pátio interior. Podemos observar o tipo Fula muito puro destes carregadores. É uma família principesca do Forreá que teve de fugir depois da deposição do rei Bacar Guidali. Estes infelizes exilados estão reduzidos à miséria. No dia seguinte, a Mésange partiu para Bissau.

Vista do mar, Bissau lembra uma pequena cidade da França; as casas estão próximas umas das outras e contruídas à europeia, os tetos estão cobertos por telhas; o recinto e a cidadela, do que nos apercebemos das muralhas, dão a ilusão de uma praça-forte. Existe um desembarcadouro que, na maré-alta, permite às embarcações que possam operar o desembarque das mercadorias; mas quando se desce a terra durante a maré-baixa o desembarque é difícil e, como em Bolama, tem de ser feito às cavalitas.

As ruas estão nitidamente desenhadas pelo alinhamento das casas, e estas estão bastante bem mantidas. O mercado realiza-se perto da aguada, à sombra de grandes poilões; é muito animado pela presença da gente de Bissau, de Manjacos e Balantas que põem à venda laranjas, bananas, galinhas, porcos e alguns legumes.

Em Bissau só há estabelecimentos comerciais franceses. No nosso ponto de vista, a situação desta feitoria é bastante superior à de Bolama. As grandes embarcações que hesitarão sempre a difícil navegação no desembarcadouro do rio Grande de Bolola, devido aos bancos de areia. Poderão vir sem perigo a Bissau. Durante as marés-altas os navios de uma certa tonelagem podem subir até Geba, situada sobre o rio do mesmo nome, cujas margens têm terras muito ricas. Aqui se cultiva um excelente amendoim, e também arroz, cera, coconote e borracha. Esta região possui também imensas manadas. O amendoim de Geba pode rivalizar com o de Cayor, e serve para a preparação de óleos de primeira qualidade.

As casas comerciais têm, vai para alguns anos, plantações de cana-de-açúcar no rio Geba, para a preparação de aguardente e assim evitar os pesados direitos alfandegários sobre álcoois à entrada na Guiné.

A população de Bissau compõe-se de dois elementos bem diferentes. O primeiro compreende os naturais; o segundo gentes de diversas etnias, todos cristãos e fiéis a Portugal. Estes têm o nome de Grumetes; é com eles que se armam as embarcações que sobem o Geba.

Recorde-se que o Sr. Galibert tinha deixado Kandiafara em 29 de fevereiro, com uma lancha desmontado e uma escolta composta de nove carregadores, três estivadores e um intérprete. No dia seguinte chegou a Chan-E-Biro povoação situada a uma hora de Koliba; e, no dia seguinte, atravessou uma sucessão de colinas e ficou surpreendido por se encontrar diante de um rio com uma largura de 500 metros.


Capitão Henri Brosselard, gravura de Thiriat, segundo uma fotografia
Gravura representando trajes típicos da Senegâmbia, à venda na Galerie Napoleon, Paris, com a devida vénia
O cais do porto de Bolama em 1912
Ruínas de Bolama, imagem retirada do site Saiyu Travel Co. Ltd
Ruínas de Bolama, fotografia de Francisco Nogueira, publicada no livro Bijagós Património Arquitetónico, Tinta-da-China, 2016
Fotografia de Sorry Dara, chefe da Província de Telko, Guiné Francesa

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 23 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28371: Historiografia da presença portuguesa em África (545): A Guiné vista por estrangeiros - I: A viagem na Senegâmbia e na Guiné Portuguesa pelo Capitão Henri Brosselard (13): Le Tour du Monde, nouveau journal des voyages, 1889, 1.º semestre, Livraria Hachette (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28390: Coisas & loisas do nosso tempo de meninos e moços (41): a "vinha de enforcado" ou "uveira"





Foto nº 1, 1A, 1B

Foto original, a preto e branco. In: Aguiar, P. M. Vieira de - Descrição Histórica, Corográfica e Folclórica de Marco de Canaveses. Porto: Esc Tip Oficina de S. José. 1947, pág. 375  (Com a devida vénia).

Restauro, melhoria técnica e colorização digital: Blogue Luis Graça & Camaradas da Guiné +  AI (Gemini / Google), 2026.



1. Já não é do meu tem
po a "vinha de enforcado", na Quinta de Candoz, Paredes de Viadores, Marco de Canaveses, onde comecei a ir a partir de 1975. E onde casei em 1976. Mas recordo-me, antes da modernização da nossa vinha (meados da década de 1980), já só existiam videiras nas bordaduras ("ramadas") e que o essencial da produção era o milho, algum centeio e erva para o gado, mais a policultura tradicional (produtos hortofrutícolas). 

Mas havia vizinhos que tinham "vinha de enforcado" e muitos pés de "produtores diretos", com o famigerado jaquê, uma casta de uvas da espécie híbrida de origem norte-americana (proibida em França e em Portugal, em 1935).

Alguns dos nossos leitores, e nomeadamente camaradas do nosso tempo, oriundos do Minho e de Entre-Douro-e-Minho, ainda se lembram, por certo, destas "uveiras"  e do cabo dos trabalhos que era a vindima nesse tempo...com recurso a escadas. que podiam "ter dezasseis degraus com cerca de doze metros de comprimento" (Aguiar, 1947, pág. 374).

Além disso, a realidade das décadas de 1940 a 1950, em que nascemos, no Portugal rural era de extrema pobreza e subsistência. E a vida era muito marcada pela dureza do trabalho agrícola, nomeadamente da região do Vinho Verde.  

O vestuário de trabalho masculino no campo, incluindo nas vindimas,  consistia em calças de panos grosseiros, riscados simples ou cotim já muito gastos, frequentemente repletos de remendos sobrepostos para prolongar a vida útil da única roupa que possuíam (Foto nº  1A). 

Não se trata de miserabilismo neorrealista, era a realidade pura e dura, para mais num concelho como o Marco de Canaveses. Muitos andavam descalços ou usavam socos. (**)

De acordo com os dados históricos e análises da estrutura fundiária da época (associados ao Inquérito Agrícola de 1952 e às estatísticas agrícolas publicadas ao longo da década de 1950), o concelho de Marco de Canaveses tinha mais de metade (50%) dos seus agricultores numa situação de rendeiros.

A região de Entre-Douro-e-Minho, onde o concelho se insere, caracterizava-se tradicionalmente pelo minifúndio e por uma elevadíssima taxa de exploração da terra sob regimes de arrendamento e parceria (agrícola e pecuária,  formas pré-capitalistas de produção). 

 Esta era uma das brutais realidades socioeconómicas dominantes neste concelho, antes da grande vaga de emigração das décadas seguintes. Terra, de resto, de gente ilustre, como a cantora Carmen Miranda (1909-1955),  o general Carlos de Azeredo (1930-2021) ou o empresário Belmiro de Azevedo (1938-2017).
 E olhando estas fotos antigas (agora restauradas...), pergunto-me: quanto pesavam estes cestos de vime, carregados de uvas ? 
Nas décadas de 1930, 1940 e 1950, estes cestos tradicionais de vime (frequentemente chamados de canastras ou gigas) carregados de uvas pesavam, em média, entre 40 kg e 60 kg quando totalmente cheios. O peso final variava consoante alguns fatores na época: 

(i)  estes cestos tinham habitualmente uma capacidade que variava entre os 40 e os 50 litros; como 1 litro de uvas compactadas equivale a pouco mais de 1 kg, o peso das uvas rondava essa mesma fasquia; (ii) feitos de vime denso ou ripas de castanheiro, os cestos vazios já eram pesados por si só, pesando entre 3 kg e 5 kg; se estivessem húmidos ou impregnados com o mosto de utilizações anteriores, ficavam ainda mais pesados: (iii)  importante notar que existiam cestos maiores, os chamados "cestos vindimos" (típicos de regiões como o Douro): eram carregados às costas maioritariamente por homens e podiam atingir uns impressionantes 70 kg a 100 kg.; para conseguir equilibrar e suportar estas cargas monumentais diretamente no topo da cabeça sem sofrer lesões imediatas, as mulheres utilizavam a "sogra" ou "rodilha"  (uma proteção de pano ou palha enrolada visível sob o cesto da camponesa à direita) (Foto nº 1B).



por Augusto Pinto Soares (Gusto) (2005)


(...) Era o tempo em que a data da vindima era marcada de acordo com as disponibilidades dos outros lavradores do lugar ou das proximidades, para que, os pais e os filhos (normalmente mais de seis por família) pudessem distribuir-se na ajuda a prestar uns aos outros. Era o sistema comunitário, a "serviçada", a funcionar.

Então era ver, manhã cedo, homens e rapazes com escadas de madeira (até 12 passos) às costas, com a cesta de vime com o cambito pendurado ao ombro, em romaria às várias propriedades onde a vindima se ia realizar.

Iniciado o corte das uvas, após um frugal mata-bicho – bagaço com açúcar e um naco de broa de milho e centeio –, as conversas, os ditos, as interjeições iam-se sucedendo entre os homens e as mulheres, procurando assim animar os espíritos e dar algum intervalo às dores de costas dos homens, que para além de constantemente terem de mudar as escadas pesadas entre as uveiras altas – as vides como que serpenteavam os choupos que serviam de armação: a tradicional vinha de "enforcado" – ainda tinham, quantas vezes, de se encarrapitar para fora da escada de forma a chegar a um cacho de uvas que teimava em ficar a amadurecer por mais algum tempo.

As mulheres, essas, no seu corrupio entre as leiras e a adega com os cestos de vime pesados à cabeça e com o sumo das uvas, de tão calcadas, a escorrer-lhes pela cara e costas abaixo,  chegavam afogueadas e com o suor adocicado.

Até as crianças e moçoilas, ainda sem idade para acartar cestos, tinham o seu quinhão na azáfama da vindima. Como diz o ditado, “o trabalho do menino só não o quer quem não tiver tino “, e então era vê-las, cada qual com o seu açafate, empenhadas na sua válida tarefa de apanhar todo e qualquer bago que caísse ao chão, pois desperdiçar era proibido e muitos bagos (envolvidos em terra ou sem ela) sempre davam mais uns quantos litros de vinho.

Aqui e ali ouviam-se os "cantaréus", ao despique, efectuados por 3 ou 4 moças que se juntavam junto às bordas, no intervalo de mais um carreto de cestos e que, ecoando vale abaixo, indicavam aos vizinhos que ali se vindimava e qual o seu estado de alma. (...)



2. A "vinha de enforcado" (também conhecida tradicionalmente como "uveira") é um sistema ancestral de condução da vinha típico do Minho e da região do Vinho Verde.

A ideia básica é simples e "economicista": em vez de postes de madeira, pedra, metal ou betão, a videira (até quatro) é plantada junto de uma árvore e conduzida pelo tronco até à copa. utiliza-se um tutor vivo. Em geral, árvores como choupos, ulmeiros, plátanos, carvalhos, nogueiras, etc.

A própria planta ajuda. A Vitis vinifera é uma trepadeira: as suas gavinhas permitem-lhe prender-se a suportes enquanto os lançamentos procuram espaço e luz. O agricultor aproveitou essa capacidade natural e transformou-a num sistema de produção racional: ganhava superfície útil para outras culturasA videira crescia até grande altura — muitas vezes entre os 3 e os 6 metros (ou mais) — e a folhagem e os cachos de uva ficavam pendurados nos ramos das árvores, daí a designação "enforcado".

Origem, ao que parece romana, da "vinha de enforcado":


(i) numa região de minifúndio (propriedades agrícolas pequenas e muito divididas, e muitas em terrenos em socaldo, roubados à floresta de castanheiro e de caravalho) e de economia de subsistência, a "vinha de enforcado" permitia rentabilizar a terra ao máximo: o solo por baixo das árvores ficava livre para as culturas de regadio do ciclo de verão (milho, feijão, hortaliças, cebolas, pasto para o gado, etc.;

(ii) o elevar as uvas bem acima do solo, protegiam-se os cachos da humidade excessiva do chão e de doenças fúngicas (como o míldio), além de permitir uma melhor exposição solar no topo das copas;

(iii) trata-se de uma técnica milenar de origem romana (arbustum), muito difundida no Noroeste Peninsular ao longo dos séculos, e nomeadamente a partir da Idade Média;

(iv) em cntrapartida, a colheita nestas vinhas era uma tarefa exigente e perigosa; os vindimadores subiam a altas escadas de madeira afuniladas no topo (as chamadas escadas de moinho ou "escadas de ponta") para colher os cachos pendurados na copa das árvores, transportando as uvas em pesados cestos de verga;

(v) a partir do anos 60/70, com a emigração, a modernização da viticultura, a lenta entrada de maquinaria, a reorganização da Região Demarcada do Vinho Verde, as exigênciasdo mercado, as preocupações com a segurança alimentar e o controlo de qualidade, etc.,  a "vinha de enforcado" foi sendo progressivamente substituída por sistemas de condução modernos, como o cordão simples, o cruzeta ou a ramada/pérgola.

Apesar de ser hoje rara e considerada um património etnográfico e de biodiversidade em risco de extinção, ainda é possível encontrar uveiras em algumas explorações tradicionais do Minho e de Entre-Douro-e-Minho, em concelhos como Lousada, Guimarães e  
Cabeceiras de Basto.



Legenda: "10- Vinha de enforcado Fotografia da vinha de enforcado. Este sistema consiste em guiar a vinha por árvores altas e deixar os terrenos agrícolas para outras culturas. Aqui vê-se homens empoleirados em altas escadas de madeira a tratar da vinha. Duas pessoas seguram numa das escadas e as outras duas limpam o terreno".

Foto (e legenda): Biblioteca Digital do Cávado // Câmara Municipal de Vila Verde (Com a devida vénia).
 

(Pesquisa: LG + Blogue A Nossa Quinta de Candoz + Guia Rural + IA)

(Condensação, revisão/ fixação de texto: LG)

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Notas do editor LG:

(**) Último poste da série > 14 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28345: Coisas & loisas do nosso tempo de meninos e moços (40): A Venda de Medas, aliás, de "Emendadas" (segundo o António Carvalho, autor do romance "3 x 44: Abel e Caim em Contrapé", Porto, ed. Vida Económica, 2026, pp. 33/37)

Guiné 61/74 - P28389: Para bom observador, meia palavra basta (9): Bingo, camaradas, a resposta certa era... Mansoa!


Foto nº 1

Foto nº 2

Guiné > Região do Oio > Mansoa > CCAÇ 2405 / BCAÇ 2852 > 1968 > O Paulo Raposo (ex-alf mil at inf., com a especialidade de Minas e Armadilhas) esteve cinco meses em Mansoa, antes de partir para a zona leste (L1), Galomaro e Dulombi, subsector de Galomaro. Aí a  CCAÇ 2405  irá perder 17 homens no desastre do Cheche, no Rio Corubal, na sequência da retirada de Madina do Boé, em 6 de fevereiro de 1969 (Op Mabecos Bravios).

Nas fotos nºs 1 e 2, ele pousa junto a duas  placa toponímicas indicando  que, por estrada, Mansoa distava 96 km de Bafatá, 52 km de Farim e 30 km de Mansabá... Na  foto nº1, a distância em relação a Bafátá é mais curta (93 km). É possível que a foto nº 2 tenhasido tirada já na estrada para Jugudul (que distava 3 km, a sul,  de Mansoa). Ou, então, mais provavelmente. no encontro, a nordeste de Mansoa, das estradas para Bissora (a noroeste) e Mansabá e Farim (a nordeste).

 Restauro, melhoria técnica e colorização digital: Blogue Luis Graça & Camaradas da Guiné + ChatGPT/OpenAI, 2026.  As fotos orginais, a preto e branco, são do Paulo Raposo (2006).  A nº 2 era uma mera focópia, de muito má qualidade .


Foto nº 3

Guiné > Região do Óio > Mansoa > c. 1963 > Dois VCC,  militares presumivelmente  da CCAÇ 413 (1963/65)... posando junto a uma tabuleta rodoviária,  toponímica e quilométrica, indicando diversas localidades de destino e respetivas distâncias: Encheia (18 Km), Nhacra Posto (28 Km), Bissalanca / Bissau (48 Km), Porto Gole (28 Km), Enchalé (50 Km), Bambadinca (85 Km) e Bafatá (93 Km). Foto original, a preto e branco , reproduzida com a devida  vénia do livro "Nos celeiros da Guiné", de Albano Dias Costa e José Sá-Chaves (Lisboa: Chiado Editioar, 2015).

Vários anos separam as fotos nº 1 e 3: mas nas duas persiet a gralha ou o erro de impressão do topónimo "Bissau" (sem o "u").

 Restauro, melhoria técnica e colorização digital das 3 fotos: Blogue Luis Graça & Camaradas da Guiné + ChatGPT/OpenAI, 2026.



1. Respondendo ao desafio lançado no poste P28386 (*), a resposta correta era Mansoa... Várias leitores acertaram, ou andaram lá próximos, no blogue e na página do Facebook daTabanca Grande... Outros (nomeadamente na página do Facebook, apontaram para o Norte ou para o Sul...).

(i) Cherno Baldé:

Na minha opinião o painel estaria situado no centro do país, mais precisamente na área de Mansoa, pois a distância de Bissau a Mansoa é de, aproximadamente, 57 km; e de Mansoa a Bafatá seriam os 93 km, perfazendo assim a distância aproximada de 150 km (57 km + 93 km) de Bissau a Bafatã, embora alguns defendam que a mesma é de 154 km.

 (ii) César Dias: 

Jugudul
 
 (iii) Arur Conceição:
 
Binar

(iv) Antº Rosinha

Mansoa provavelmente.

 (v)  Jerónimo Magina

Mansoa

(vi) Emanuel Ribeiro Fernandes

Penso que a localidade mais próxima será Mansoa, onde estive várias vezes.

(vii) Lucinda Aranha

Nem me atrevo...
 
(viii) Artur Godinho Gomes

Safim
 
(ix) António Sedas

Estava na zona de Mansoa.

 (x) João Reis Melo

Aposto as moedas todas em Mansoa. Quando muito, poderia ser Jugudul mas, passo lá todos os anos e, como de Jugudul a Mansoa, são menos de 3 km... poderá ser qualquer uma delas...

(xi) José Marques

Julgo ser Mansoa.
 
(xii) Tabanca Grande Luís Graça

Bingo, é Mansoa!.. Parabéns aos camaradas e amigos que acertaram!...

(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)
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Guiné 61/74 - P28388: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XLII: Porto Gole, na margem direita do rio Geba (2)






Foto nº 1A, 1B e 1 > Capela de Porto Gole. Não   sabemos ainda por quem foi construída.







Foto nº 2A, 2B, 2C e 2 >  Monumento ao explorador português , Diogo Gomes Parente, que aqui chegou em 1456...Há um troço de estrada que vai do quartel ao cais; antes do rio Geba, há uma bolanha onde os habitantes locais cultivam arroz. Ao fundo, a mais de 7 km de distância, vê-se a outra margem do rio Geba, a península de Gampará e, mais à esquerda, fica a Foz do rio Corubal, uma zona que ficou fora do controlo das NT até tarde (1972).


Diogo Gomes (c. 1402-1420? – c. 1502), também referido como Diogo Gomes de Sintra, foi um navegador e explorador português do século XV, da casa do Infante Dom Henrique,  mais conhecido pela exploração do estuário do rio Gâmbia e sua alegação de ter descoberto a ilha de Santiago, Cabo Verde, e de ter chegado até ao estuário do rio Geba.



Foto nº 3 > O monumento visto pelo lado do rio. Foi mandado erigir em 1946, ao tempo do governador Sarmento Rodrigues, no àmbito das comemorações do V Centenário da chegada dos navegadores portugueses e das suas caravelas ao atual território da Guiné (Senegâmbia, no  passado)


Guiné > Carta de Fulacunda (1955) > Escala de 1/50 mil > Posição relativa de Porto Gole, rio Geba, península de Gampará e foz do Rio Corubal. Quinhentos anos antes, o Diogo Gomes andou por aqui a estabelecer os primeiros contactos com os "guinéus". 


Infografia:  Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI)]


1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71).


Hoje missionário da Concordata, reformado e nonagenário, José Torres Neves é natural de Penamacor.

O seu espólio fotográfico  tem estado à guarda do seu e nosso amigo e camarada Ernestino Caniço (ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, Bissau, Fev 1970/Dez 1971; hoje, médico, foi diretor do Hospital de Tomar, 6 anos, de 1990 a 1996, e diretor clínico cumulativamente 3 anos, de 1994 a 1996, vivendo então em Abrantes; hoje vive em Tomar).

Com este publicamos o poste nº 42 (em numeração romana, XLII). Já devemos ter publicado perto de 3 centenas de imagens, obtidas a partir do álbum do nosso amigo e camarada, antigo capelão.

Tratando-se de "slides" digitalizados, as fotos em geral têm boa qualidade e resolução, permitindo-nos fazer "recortes de detalhes", como é o caso da presentes fotos (melhoradas, entretanto,  com recurso à IA).

Graças à paixão do padre José Torres Neves pela fotografia e ao seu amor pela Guiné e a sua gente, temos no nosso blogue uma documentação de excecional valor sobre o sector O4 (Oeste 4) (Mansoa) ao tempo do BCAÇ 2885 (1969/71).

Esta visita do capelão a Porto Gole (e também a Bissá) foi feita ainda  no tempo da CART 2411. 

Em 07nov68, rendendo a CART 1661, a CART 2411 assumiu a responsabilidade do subsector de Porto Gole, com destacamentos em Bissá e Enxalé (este até à sua passagem para a zona de acção do BCaç 2852, sector L1, Bambadinca, em 290ut69) e ficando integrada no dispositivo e manobra do BCAÇ  1912 e depois do BCAÇ 2885; foi rendida em 5 de março de 1970 pela CCAÇ 2587 / BCAÇ 2885. 

 O nosso capelão reve deslocou-se  de avioneta (ou heli) de Mansoa até Porto Gole. Visitou Bissá, indo até lá de sintex (!)... 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28387: Retalhos da vida militar (11): Levar a carta a Garcia (Artur Conceição, CART 730, Jumbembem, 1965/67)

1. Mensagem do nosso camarada Artur Conceição (ex-Soldado TRMS de Inf e Condutor Auto, da CART 730 / BART 733, Bissorã, Jumbembém e Farim, 1964/66), com data de 23 de Setembro de 2026:


Levar a carta a Garcia

A expressão "levar a carta a Garcia" significa cumprir uma missão difícil ou impossível com eficácia, iniciativa e sem hesitação, superando todos os obstáculos. Terá sido isto que me aconteceu quando fui mobilizado para o Comando Territorial Independente da Guiné, CTIG.

Um dos meus três patrões civis era o Senhor GARCIA. Dos três era o mais mau de aturar e como se isso não bastasse era pai de um filho com uma deficiência psíquica que também gostava de mandar. Fui mobilizado e vim com guia de marcha para o RAL 1, em Lisboa, para me apresentar ao senhor Capitão GARCIA Leandro. Embarquei a 11 de fevereiro de 1965, a bordo Navio Timor, cheguei a Bissau a 17 e logo que houve coluna militar com destino a Bissorã lá parti para me apresentar ao Senhor Comandante da CART 730 Capitão Amaro Rodrigues GARCIA. Passado cerca de mês e meio estava em consulta externa em Brá. Era norma o pessoal de transmissões em consulta externa irem fazer turnos ao Quartel General.

Também me calharam uns quantos turnos onde ficava às ordens do Senhor Capitão GARCIA dos Santos.

Senhor Capitão Garcia dos Santos tinha sempre a porta do seu Gabinete aberta. Sempre que aparecia um novato também chamado de maçarico era-lhe feito o batismo. A missão era levar algo ao senhor Capitão. O senhor Capitão não respondia à pergunta que o maçarico lhe fazia.

Dá licença meu Capitão? E ficava à espera da resposta que não vinha. Então a tarefa dava para o turno interno. Com o Senhor Capitão Garcia dos Santos era assim. Fazia a pergunta e entrava-se de imediato. Se o senhor Capitão não pudesse atender de imediato o que raramente acontecia, respondia, aguarda um minuto ou coisa parecida.

Todos sabemos que a expressão “Levar a carta a Garcia” tem outra origem, mas em meu entender esta também não ficava mal aplicada.

Voltando um pouco atrás também o senhor Capitão Garcia Leandro tinha uma caraterística muito especial que era a de entender que todos os soldados eram provenientes das obras ou do sector agrícola. Na escala de serviço havia uma tarefa designada por Brigada da Pedra. O senhor Capitão andava a fazer uma vala com mais de 100 metros de comprimento com um metro de profundidade e 50 cm de largura. Para a Brigada da Pedra eram escalados apenas os soldados. Este senhor Capitão Garcia Leandro que já tinha chegado ao Posto de Capitão ainda não tinha percebido de que a origem social de Cabos e Soldados era mais ou menos a mesma.

No dia em que entrei na escala da Brigada da Pedra, o meu colega de brigada perguntou-me se eu queria usar a pá ou a picareta, respondi que queria a pá, quando ele acabou o trabalho de picareta, eu disse-lhe que havia mudado de ideias, toma lá a pá e dá cá a picareta. Quando o meu colega de brigada percebeu que tinha de fazer tudo sozinho foi fazer queixa, e com toda a razão. O castigo foi: Guarda ou Piquete todos os dias, por me ter recusado a trabalhar de pedreiro. Já tinha trabalhado em muitas profissões, mas de pedreiro nunca tinha experimentado.

Ao contrário do que havia acontecido em Setúbal, na Guiné ninguém se terá apercebido da segunda especialidade de condutor auto. Logo na primeira saída deram-me um PRC10 e um “carregador” para transportar o rádio.

Em Jumbembem havia um Unimog adaptado e todo revestido com chapa de bidons e sacos de areia e com uma cobertura feita também de chapas de bidons. Este Unimog também chamado de “Palucha” tinha atribuído um condutor que ou era o Alberto ou o Pato. Nas colunas dominicais para ir a Farim levar a correspondência emitida, a “Palucha” ficava às ordens do pelotão que ficava junto ao Rio Lamel a manter a segurança. Este serviço salvo muito rara exceção cabia ao Artur.

Sempre que era o terceiro pelotão a ficar a fazer segurança, o Alferes Crespo refugiava-se dentro da “palucha” onde ouvíamos o programa Música na Estrada, programa de discos pedidos emitido pela Emissora Nacional. Para sintonizar a Emissora Nacional, o Unimog tinha de estar no local exacto, isto queria dizer que a sintonia cabia também ao condutor da “palucha”. Um metro mais atrás ou mais à frente fazia toda a diferença. Com o Alberto, “O pachorras” da Companhia, a coisa era fácil. Com o Pato era mais difícil a sintonia. O Alberto era de tal maneira calmo que um domingo em que não ia a conduzir a “palucha”, mas sim um Unimog, pregou um susto à rapaziada.

A velocidade entre Jumbembem e o Rio Lamel era nos limites. A estrada tinha a picagem feita porque a CART 732 vinha sempre à frente. A dado momento o amigo Alberto despista-se, entra pela mata dentro com os ocupantes todos aos gritos foi sempre conseguindo desviar-se de todas as árvores que lhe apareceram pela frente. Quando conseguiu parar o Unimog, meteu a marcha atrás e fez questão de voltar a entrar na picada no mesmo sítio onde tinha saído.

Para além do um enorme “cagaço” não aconteceu mais nada.

Para terminar quero apenas deixar um bem-haja ao senhor Alferes João José Andrade Crespo pela amizade. Tantas foram as vezes que passou pelo Posto de Rádio e disse: Artur quando tiveres uma aberta passa pela Cantina.

Os radiotelegrafistas e os radiotelegrafistas condutor auto, eram tratados como radiotelegrafistas. Da mesma maneira também os Transmissões Condutor auto eram tratados como transmissões. Os radiotelegrafistas eram 1.ºs cabos e tinham direito ao celebre prémio de especialidade, os soldados tinham só os 400 pesos. Os premiados pagavam o azeite para regar a salada que era caro como caraças.

Um grande Abraço para aqueles que ainda o possam receber, com muita amizade. E não se esqueçam! Vamos tornar o blogue do Luis Graça e Camaradas da Guiné cada vez mais novo com os cada vez mais velhos. Reajam porra…! Porra não carago…! que eu sou do Norte.

Artur Conceição
SPM 2578

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Nota do editor

Último post da série de 22 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28369: Retalhos da vida militar (10): As galinhas que eram tão poucas que quase provocavam uma indigestão (Artur Conceição, CART 730, Jumbembem, 1965/67)

Guiné 61/74 - P28386: Para bom observador, meia palavra basta (8): qual a povoação, no sector oeste do CTIG, que ficava a 93 km de Bafatá, a leste ?





Guiné > s/l > c. 1963 >Dois VCC,  militares presumivelmente  da CCAÇ 413 (1963/65)... posando junto a um tabuleta rodoviária,  toponímica e quilométrico, indicando diversas localidades de destino e respetivas distâncias: Encheia (18 Km), Nhacra Posto (28 Km), Bissalanca / Bissau (48 Km), Porto Gole (28 Km), Enchalé (50 Km), Bambadinca (85 Km) e Bafatá (93 Km). Foto original, a preto e branco , reproduzida com a devida  vénia do livro "Nos celeiros da Guiné", de Albano Dias Costa e José Sá-Chaves (Lisboa: Chiado Editioar, 2015)

 Restauro, melhoria técnica e colorização digital: Blogue Luis Graça & Camaradas da Guiné + ChatGPT/OpenAI, 2026.

1. Estes painéis de informação são designados por placas de orientação, painéis toponímicos e de distâncias ou sinais de indicação de itinerário (à época também conhecidos popularmente por placas toponímicas/quilométricas da rede viária), existiam na Guiné, no tempo colonial, onde eram elementos comuns da rede rodoviária, localizados em  geral junto às principais povoações do interior da Guiné ou entroncamentos. Eram habitualmente instalados e mantidos pela Junta de Autónomas de Estradas (JAE) ou pelos serviços de obras públicas locais. Jugalmos que remontam ao tempo do governador  Sarmento Rodrigues (1945-49). Grande parte deles devem ter sido desttruída com o  início da guerra,. Lembrei-me de ver alguns no leste.

Para testar os teus conhecimentos de geografia...Meu caro leitor,  se és bom observador, diz-me: tendo em conta o cruzamento e as distâncias indicadas, o painel estaria situado em que região (Oeste, Leste, Sul) ? E mais próximo de que localidade ?


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Nota do editor LG:

Último poste da série > 19 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28359: Para bom observador, meia palavra basta (7): O obus 14 cm do 17º Pel Art (Bedanda, agosto de 1972): quando a bota (foto do Vasco Santos, ex-1º cabo cripto, da CCAÇ 6, 1972/73) não condiz com a perdigota (as versóes modificadas pela IA)

Guiné 61/74 - P28385: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XLI: Porto Gole, na margem direita do rio Geba (1)


Foto nº 1 e 1A > Vista aérea de Porto Gole, e da sua pista de aviação (!), à direita, com a bolanha ao fundo



Foto nº 2 e 2A > Porto Gole >  Quartel, pau da bandeira e monumento ao pessaol da CART 1611 (1066/68) (a que pertenceu o nosso camarada Abel Rei). O edifício ocupado pelas NT era a antuga casa do chefe de posto mais o celeiro local. Como aconteceu em muitas outras povoaçóes.  Com o início da guerra, e sobretudo a partir de 1963, a adminisytração civil ficou desarticulada...





Foto nº  3  e 3A > Quartel ao tempo da CART 2411 (Porto Gole, Bissá e Enxalé, 1968/70). Antiga casa do chefe de posto.


Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI)] 




Guiné-Bissau > Região do Oio > Porto Gole > s/d > E tudo o vento dfa História levou... Foto muito posterior à independència... As antigas instalações (casa do chefe de posto + celeiro, depois quartel das NT) em estado de completa ruina. A casa estava virada para o  rio (que se vê ao fundo). Imagem restaurada pela IA (ChatGPT / OpenAI), a partir de fotos de Patrício Ribeoiro (2019) e de Mário Beja Santos (s/d).



O antigo alferes graduado
capelão José Torres Neves

1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71). 

Hoje missionário da Concordata, reformado e nonagenário, José Torres Neves é natural de Penamacor,
a terra também do nosso atual Presidente da República, 
António José Seguro e de figuras históricas como o Sanches Ribeiro, o maior médico portuguès do séc. XVIII e uma das grandes referèncias do Iluminismo europeu.

O espólio fotográfico do José Torres Nerves tem estado à guarda do seu e  nosso amigo e camarada Ernestino Caniço (ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, Bissau, Fev 1970/Dez 1971; hoje, médico, foi diretor do Hospital de Tomar, 6 anos, de 1990 a 1996, e diretor clínico cumulativamente 3 anos, de 1994 a 1996, vivendo então em Abrantes; hoje vive em Tomar).
 

Excerto de foto
 do Abel Rei (2002)

Com este publicamos o poste nº 41 (em numeração romana, XLI). Já devemos ter publicado perto de 3 centenas de imagens, obtidas a partir do álbum do nosso amigo e camarada, antigo capelão. 

Tratando-se de "slides" digitalizados, as fotos em geral têm boa qualidade e resolução, permitindo-nos fazer "recortes de detalhes", como é o caso da presentes fotos  (melhoradas com recurso à IA).

Graças à paixão do padre José Torres Neves pela fotografia e ao seu amor pela Guiné e a sua gente, temos no nosso blogue uma documentação de excecional valor sobre o sector O4 )Peste 4) (Mansoa) ao tempo do BCAÇ 2885 (1969/71).

Nas fotos nºs 2 e 3 vê-se o monumento aos bravos da CART 1661 (enão aos "mortos"), que aqui estiveram em 1967/68. (A IA não conseguiu reproduzir com fidelidade a inscrição no monumento; também não se pode exigir que... adivinhe, quando a resolução das fotos é baixa; compare-se  a leitura da IA com a inscrição ao lado:  "Para testemunho de fé e de trabalho  do povo balanta (?)"... Hilariante!..

Esta visita do capelão deve ter sido feita em julho / agosto de 1969, quando se faz na Guiné o plantio do arroz (a recolha é em novembro, dezembro, janeiro); em Porto Gole estava então a CART 2411 que foi rendida em 5 de março de 1970 pela CCAÇ 2587 / BCAÇ 2885.  Deve ter-se deslocado de avioneta, de Mansoa até Porto Gole (foto nº 1). Visitou Bissá, indo até lá de sintex (!)...O nosso capelão não era homem para "capinar sentado", como se diz no Brasil. Foi a todos os sítios onde havia gente que  precisava dos seus cuidados espirituais.



Excerto da foto original do
José Torres Neves (2026)
Em 07nov68, rendendo a CART 1661,  a  CART 2411 assumiu a responsabilidade do subsector de Porto Gole, com destacamentos em Bissá e Enxalé (este até à suapassagem para a zona de acção do BCaç 2852,sector L1, Bambadinca,  em 290ut69) e ficando integrada no dispositivo e manobra do BCAÇ 1912 e depois do BCAÇ 2885.

O João Crisóstomo (que pertenceu à CCAÇ 1439, 1965/67) vai ficar feliz ao rever o Porto Gole do seu tempo... E o Abel Rei também. (Temos mais fotos.)

Guiné 61/74 - P28384: Tabanca da Diáspora Lusófona (45): O regúlo que chega à terra dos seus antepassados Crisóstomos & Crispins para passar o outono /outubro connosco...



Foto nº 2


Foto nº 2

Guiné > Região do Óio > Porto Gole > CCAÇ 1439 (1965-67) > s/d > O alf mil João Crisóstomo  e o capitão de 2.ª linha Abna Na Onça. A foto nº 2, original, é a preto e branco, e faz parte do álbum João Crisóstomo, ex-alf mil at inf, CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67). Restauro, melhoria técnica e colorização digital: ChatGPT/OpenAI, 2026.   Na colorização procurou-se, tanto quanto possível, respeitar as características das fardas da época: João Cristóvão surge com a farda de trabalho n.º 3, de sarja, mais para o branco sujo. Abna Na Onça com farda camuflada verde.  A foto nº 1 é uma montagem também com recurso à IA (ChatGPT/OpenAI), a partir de uma foto do padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) (de um lote de fotos sobre Porto Gole, a publicar dentro de dias)  e da foto nº 2, original, do João Crisóstomo (2019).



Guiné > Carta de Fulacunda (1955) > Escala 1/50 mil > Pormenor: posição relativa de Porto Gole e Bissá, e de outras povoações na margem direita do rio Geba, algumas abandonadas com a guerra.

Segundo o nosso camarada Abel de Jesus Carreira Rei, autor do livro "Entre o Paraíso e o Inferno: De Fá a Bissá: Memórias da Guiné, 1967/1968" (Prefácio do ten gen Júlio Faria de Oliveira, edição de autor, 2002, 171 pp. Execução gráfica: Tipografia Lousanense, Lousã), a ocupação de Bissá pelas NT remontava a 7 de abril de 1967. 

Passaria a ser um destacamento, guarnecido por um pelotão (-) da CART 1661 e uma companhia (-) da Polícia Administrativa de Porto Gole, comandandada pelo valente capitão de 2ª linha, e régulo balanta, Abna Na Onça.  

Uma semana depois, na noite de 14 para 15 de abril de 1967, um ataque do PAIGC a Bissá, de duas horas,  faria sete mortos e cinco feridos. Entre os mortos, contou-se o Abna Na Onça.  Na sequência deste desastre, o destacamento foi (temporariamente) abandonado e depois reocupado pelas NT.

Infografia; Blogue Luís Graça & Canmaradas da Guiné (2019) 

 1. É uma pequena homenagem ao nosso amigo e camarada, luso-americano, João Crisóstomo, que acabou de chegar este fim de semana de Nova Iorque, terra onde vive há meio século: como muitos outros  camaradas nossos, depois da "peluda" (em 1967), correu mundo à procura de melhores condições de vida. Acabou por ir parar à Terra do Tio Sam, onde nasceram os seus dois filhos. Em 2013 casou, em segundas núpcias, com  s nossa amiga,  a esloveno-americana Vilma Kracun, que também se senta à sombra do nosso poilão.

O João é uma figura conhecida de (e estimada por)  todos nós. Vem regularmente a Portugal. É o régulo, "por decreto", da Tabanca da Diáspora Lusófona.

Recentemente, mandou-me um mail a que, indecentemente, ainda não respondi. Estive fora do "escritório", mais de 3 semanas (no Norte, nas vindimas).

Resumo do mail: (i) o João propõe almoço de aniversário do Manuel Resende a 10 de outubro, sábado, no restaurante Caravela de Ouro; e (ii) solicita envio de cartas físicas ao Primeiro-Ministro de Portugal protestando contra o projeto de exploração mineira em Peniche.

Ele não conseguiu chegar a tempo de participar, como tencionava, no último almoço-convívio da Tabanca da Linha no passado dia 24 de setembro. Quer, entretanto, tirar o máximo partido da sua estadia em Portugal. Tem já uma agenda cheia. Vamos a ver como conseguiremos compaginá-la com a nossa e a de outros camaradas e amigos.

Data - 06/09/2026, 09:23

Assuntos - Dois assuntos : um deles , um "SOS"! Paremos a "mina de desgraças" em Portugal!


(...) "Quando já tinha comprado os bilhetes de viagem e tudo o mais, recebi instruções para estar livre durante a semana da Assembleia Geral das Nações Unidas para poder encontrar-me com um dos participantes que quer falar comigo.´

Só poderei ir nos últimos dias de setembro, e vou estar aí o mês de outubro. Mas não quero deixar de fazer coisas importantes como o de me encontrar com os familiares e amigos que estiverem ao meu alcance durante o mês de outubro.

Como o Manuel Resende, régulo da Tabanca da Linha, faz anos no dia 10 de outubro, um sábado, eu gostava de o ver nesse dia e pergunto-me se seria possível convidar quem  estiver disponível... Podíamo-nos encontrar então nesse dia para almoçar no mesmo restaurante, o Caravela de Ouro, onde ele organiza os convívios da Tabanca da Linha. Para simplificar cada um pede o que quiser do menu normal da casa e cada um paga por si… Que achas ? Diz algo sim? (...)"


Por outro lado, o João  não deixou, em Queens, Nova Iorque, as suas "armas de ativista social"... Onde há um "boa causa", direta ou indiretamente relacionada com a sua terra natal, e a terra dos seus antepassados Crisóstomos &  Cripins, que até Torres Vedras, Oeste, Estremadura, Portugal, ele aí está, inquieto e pronto para inquietar-nos e mobilizar-nos para a ação.

(...) "Segundo: muito importante, sobre essa malfadada mina de desgraças que estão a pensar explorar em Portugal. E logo pertinho de nós, no Oeste … Essa... Não!
´
Aqui vai o que estou a fazer e a enviar a todos a quem posso chegar. Neste caso os meus camaradas da Guiné, na esperança de que cada Tabanca participe, e cada régulo envie uma carta (real de papel, com selo, pelo correio normal), e   cada carta com várias assinaturas, ao nosso Primeiro Ministro (...)

Segue, no mail,  a minuta, que depois divulgaremos, por mail, se for caso disso: temos de fazer o ponto da situação e concertar estratégias, além de discutir se essa petição pública tem cabimento no blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, tendo em conta as nossas regras editoriais.

Para já saúdo, em meu nome pessoal e da Alice,  bem como de toda a Tabanca Grande, a chegada do João e da Vilma, que entretanto espero  poder abraçar e com eles "partir mantenhas"  dentro de  dias na Lourinhã, que é uma extensão da sua terra natal.

 Welcome to Portugal, John and Vilma!

(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)
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Nota do editor LG: