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domingo, 1 de novembro de 2026

Guiné 61/74 - P28481: III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XVI: semana de 19 a 26 de maio

 













Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: Rui Chamusco (2026)
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI (2026)


Em tétum, laco (ou laku) refere-se à civeta-de-palmeira-asiática (Paradoxurus hermaphroditus), um pequeno mamífero carnívoro asiático conhecido popularmente em português como gato-de-algália ou civeta. Em algumas regiões de Timor-Leste, também recebe o nome de busa-fuik (gato-bravo).



1. Prosseguimos a publicação das crónicas de 2019 (III Viagem a Timor-Leste) do nosso amigo (e membro da Tabanca Grande), Rui Cham
usco
, professor de música reformado, natural da Malcata, Sabugal, a viver na Lourinhã.


Vai a Timor Leste todos os anos desde 2016 (só não foi na pandemia, 2020, 21 e 22). 

Tem sido apresentado aos nossos leitores como   um exemplo vivo do que é a solidariedade e o amor à lusofonia. Ele e a associação que ajudou a fundar, e de que é dirigente (a ASTIL).

É uma  história de dedicação às crianças das montanhas da martirizada Liquiçá (onde está funcionar, em Manatti / Boebau, a Escola de São Francisco de Assis), E merece ser conhecido pelos nossos leitores, os amigos e camaradas da Guiné. 

Através das suas crónicas temos conhecidos também   diversos aspetosda geografia, história e cultura de Timor-Leste, país membro da CPLP.

Em Timor-Leste, o "Tiu Rui" fica em Díli, na casa do "Eustáquio",  alcunha familiar de João Moniz,  irmão mais novo do Gaspar Sobral (outro dos co-fundadores e dirigentes da ASTIL juntamente com a Glória Sobral).



III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XVI: semana de 19 a 25 de maio (*)


19.02.2019, domingo  - De negociação...em negociação


Um dos motivos que aqui nos trouxe foi encontrar o terreno para a construção da casa residencial (dos professores) (entretanto já construída) (LG). 

Depois de visitarmos vários locais, ficamos de analisar as diversas possibilidades, de acordo com as exigências e as condições propostas, paradecidirmos qual a melhor solução.

O Eustáquio, que é um negociador nato, encarregou-se de explicar, nos diversos locais, as razões e a necessidade de construir esta casa. Apelando à força e proteção dos antepassados de Boebau, fazia um discurso eloquente e comovente a que os presentes respondiam com palavras e com gestos. E eu, sempre que solicitado, dava a minha opinião, em português com tradução, economizando as palavras. Porque, em “terra aliena”, vale mais ouvir do que falar.

Não tardará em tomarmos a decisão. Porque queremos que esta obra seja iniciada o mais breve possível.

Das quatro propostas de negócio escolheremos a que seja mais viável, tendo em conta a localização, a segurança, o acesso à água, a tranquilidade, O negócio far-se-á da seguinte maneira: o proprietário do terreno faz uma doação, devidamente registada, e a ASTILMB (Associação dos Amigis de Timor de Manaty / Boebau) comnpensará o preço acordado em dólares. 

Convenhamos até que para o proprietário do terreno escolhido será uma sorte ter algumas centenas de dólares na mão, uma vez que o dinheiro aqui é escasso.

Terante as várias ofertas de terrenos, o Eustáquio dizia sempre: "Agradeço a vossa colaboração e boa vontade de nos ajudar a resolver este assunto. Peço-vos que não fiqueis aborrecidos ou zangados connosco se não forem escolhidos. Amigos, amigos, negócios à parte."

Ainda não sabemos o preço do terreno, nem temos ainda o orçamento da obra. Mas disseram-nos que uma casa como a que nós pretendemos fazer fica mais ou menos entre vinte a vinte e cinco mil dólares. Seja como for, vamos avançar. E faremos como na construção da escola São Francisco de Assis. Com a colaboração de todos, e particularmente dos amigos e sócios da Astil, havemos de arranjar verbas para que a obra se realize. 

“Se o Senhor não construir a casa, em vão trabalharão os seus construtores.” Deus vai ajudar!

19.05.2019 - Ai Cami... Ai Cameli...

Estamos falando da flora que povoa estes montes de Boebau. Parecem a mesma coisa, mas são bem diferentes: Ai (árvore) Cami, uma árvore de grande porte, de quatro a cinco metros de altura, que dá um fruto parecido à avelã na forma e no gosto; Ai Cameli, uma árvore de altura média, cuja madeira foi e é muito apreciada pela sua textura e pelo seu odor. 

Estou a falar do famoso sândalo que outrora foi tão comercializado incluso pelas exportações que se faziam para Portugal. Pela primeira vez na minha vida pude saborear o fruto cami e cheirar a madeira de sândalo.

Como a natureza é pródiga em ofertas para os nossos sentidos. Há sempre algo desconhecido que nos é oferecido. Generosidade da “mãe natureza”, diria São Francisco de Assis.

19.05.2019 - Regresso a Ailok Laran, Díli


Ailok Laran é o nosso quartel geral. A maior parte do meu tempo é passada qui. Aqui comemos, aqui dormimos, aqui trabalhamos, sobretudo na escrita e na preparação dos eventos.

O nosso regresso a este lar deu-se sem incidências. Salvo as mazelas corporais que estas viagens provocam num físico com quase setenta e três anos de idade. Tenho que me convencer que, andar de “motor” nestas circunstâncias já não é bem para a minha idade. . Mas a teimosia e a vontade de me mostrar-me forte tudo suporta.

Não te cuides, não! Depois, queixa-te...

20.05.2019, segunda feira  - Comemoração da independência

Faz dezassete anos que a independência de Timor foi proclamada.

Por todo o lado se vive de alguma maneira o acontecimento. Bandeiras nacionais de todos os tamanhos são agitadas no vai e vem do carros, carretas, microletes e motores dando ares de festa. Aqui e ali ouvem-se discursos de circunstância, de todos os quadrantes políticos, com predominância das cerimónias promovidas pelo governo.

Em Ailok Laran pouco se sentiram as comemorações. Curte-se o dia feriado nacional, e pouco mais.

Quanto a mim, ao fim da tarde encontrei-me com o brother Peter Corr, que é o diretor do Instituto Católico de Formação de Professores de Baucau, segundo dizem o melhor estabelecimento para a formação de professores em Timor Leste. Falamos claro está da educação e do ensino neste país, e dos nossos projetos em curso. Foi um jantar bem saboroso pelos produtos consumidos e pelas conversas que mantivemos.

E VIVA TIMOR LESTE!

22.05.2019, quarta feira  - Santa paciência!...

Hoje, dezasseis horas e trinta e cinco minutos, já por cinco vezes que nos foi cortada a corrente elétrica.

Que falta de paciência!... Quem pode trabalhar no computador nestas condições? Que nas montanhas de Boebau haja fracas condições de comunicação e de trabalho compreende-se. Mas aqui, mesmo ao lado da capital, como é possível que isto aconteça? Imagino os estragos causados, sobretudo na área comercial. 

Quem assume os danos causados? Aqui ninguém ousa reclamar, seja o que for. Associações de defesa do consumidor são inexistentes.

Tanto caminho por fazer neste Timor em crescimento! É verdade que só em 2020 atinge a maioridade, mas este Timor indepedente ainda tem um longo caminho a percorrer.- Tão martirizado no passado e tão privado de bens essenciais no presente.

Força, país irmão! “A vitória é difícil mas é nossa!” O caminho faz-se andando...

25.05.2019, sábado - Lendas e histórias de Timor

Quase por acaso, à conversa com o Gaspar Sobral, veio à baila o tema da fidelidade que o cão tem para com o homem. Isto porque o Dura e a Lira, dois canídeos que pertencem à casa, estão a nossos pés, por interesse de apanharem as migalhas de pão que caiem da mesa dos senhores, ou por destino que Deus lhes deu de serem fiéis aos seus donos. 

Foi então que o Gaspar se lembrou duma história contada pelo Eustáquio sobre o tema em questão. “Pergunta ao Eustáquio que ele é que sabe bem esta história”.

E foi o que eu fiz. Logo que tive a oportunidade, perguntei-lhe pela lenda / história timorense sobre a fidelidade canina.

“Então o Tiu quer saber mais histórias?” E, sentados à mesa, foi contando e eu escrevendo as três lendas/histórias que vos apresento.

(i) Lenda da relação do cão e do homem

Quando Deus criou o mundo e tudo o que nele existe, o homem só tinha cabeça, que rebolava constantemente pelo chão. Ao contrário, o cão estava completo, com cabeça tronco e membros.

Um dia o homem, já cansado de andar a rebolar, foi ter com Deus e pediu-lhe para que lhe desse também um corpo inteiro. Deus acedeu ao seu pedido e deu-lhe então o  corpo que hoje conhecemos.

O cão ao ver o homem completo encheu-se de inveja por o homem já ter também todos os membros do corpo, e foi ter com Deus, pedindo-lhe que lhe desse mais alguma coisa para ser superior ao homem. E Deus disse-lhe: “Quando te criei, já te criei completo. Porque tens inveja do homem?” 

Então Deus castigou-o, dizendo-lhe:

“Se queres mais, toma estas patas e vais fazer de guarda e segurança do homem.”

A partir daí, o cão passou a ser o animal mais fiel ao homem.

(2) Lenda do cão e o laco

Antigamente o cão também subia às árvores, tal como outros animais seus conhecidos.

Uma vez o cão atacou o laco que, correndo mais veloz, subiu para uma árvore AiKu, árvore de quatro a cinco metros de altura cujo fruto é duro e pesado. (Existe uma aqui mesmo em frente da casa onde moramos.)

O cão logo que chegou olhou para o laco e preparou-se para subir e apanhar o laco.Mas o laco disse-lhe: “Tu não me vais apanhar. Só me apanhas se conseguires apanhar este fruto.” E atirou com o fruto ao cão que, ao tenter apanhá-lo se aleijou,ficando-lhe umas bolas nas patas. A partir de aí, nunca mais o cão pode subir às árvores, porque não se pode agarrar aos troncos.

(3) Lenda da corda kalik

Antigamente o céu estava perto da terra, e havia uma corda kalik feita das raízes aéreas de algumas árvores, que se puxava para a gente subir e descer de um lado para o outro.

Um dia a mãe mandou o filho a buscar lume. Entretanto o garoto começou a brincar com a kalik subindo e descendo, e esqueceu-se do recado da mãe. Quando chegou acasa a mãe ralhou com ele. Ele não gostou da reprimenda, e disse à mãe: 

“ Eu vou brincar lá para cima.” 

E, saindo de casa, pegou na corda, e foi subindo...subindo. A mãe zangada, foi buscar uma tesoura e cortou a kalik. Então o céu começou a afastar-se cada vez mais da terra.

Por isso agora o céu é tão distante da terra.

(Selereção, revisão / fixação de texto: LG)

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Nota do editor LG:

(`*) Último poste da série 15 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28437: III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XV: semana de 12 a 18 de maio

Guiné 61/74 - P28480: Parabéns a você (2536): José Carlos Gabriel, ex-1.º Cabo Operador Cripto de 2.ª CCAÇ / BCAÇ 4513/72 (Aldeia Formosa, Cumbijã e Nhala (1973/74)

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Nota do editor

Último post da série de 11 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28425: Parabéns a você (2535): Benito Neves, ex-Fur Mil Cav da CCAV 1484 (Nhacra, Catió, Cachil e Cufar, 1965/67); Eduardo Campos, ex-1.º Cabo TRMS da CCAÇ 4540 (Bigene, Cadique e Nhacra, 1972/74) e Patrício Ribeiro, Amigo Grã-Tabanqueiro, Empresário na Guiné-Bissau

sábado, 31 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28479: Os nossos seres, saberes e lazeres (757): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (277): Um jardim zen à moda de um jardim de Quioto, no Planalto das Sezaredas (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 27 de Outubro de 2026:

Queridos amigos,
Estava indeciso se vos devia falar hoje de uma importante exposição patente no Museu Nacional de Arte Contemporânea sobre as memórias do Tarrafal, com base numa obra de João Pina publicada na Tinta da China em 2024 ou dar-vos conta de uma amizade que ganhei a um pedaço de terra de barro duro e ácida, onde teimosamente se combate a dureza de um terreno infestado de pedregulhos e onde despontam árvores de fruto, imensos e inesperados catos, suculentos, bolbos, lírios bravos e agapantos. Ganhamos amor a um local, descobrimos nele o que há de belo num terreno cheio de acidentes que se veio encontrar cheio de mato bravio, dizia o anterior proprietário que não queria que ninguém por ali andasse para que não se dessem graves acidentes. Não é bem um jardim zen, é um jardim à medida dos sonhos que cada um de nós, por regra, acalenta, por amor à natureza.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (277):
Um jardim zen à moda de um jardim de Quioto, no Planalto das Sezaredas


Mário Beja Santos

Vai para uns anos bons adquiri num local chamado Reguengo Grande, uma freguesia do concelho da Lourinhã, já a abicar no distrito de Leiria e concelho do Bombarral, uns casebres que o anterior proprietário tinha em alojamento local. Fartara-se de obras, de desistências em cima da hora, de dificuldades em arranjar pessoal para as limpezas e até reparações. Pronto me afeiçoei ao interior das casinhas (um quarto, uma entrada/sala com cozinha e casa de banho, cada uma) parece terem sido moldadas para o dito alojamento local, o proprietário foi-me mostrando as dependências, os terraços e apontou para o que me pareceu um matagal, fiz-lhe perguntas, sim, o terreno fazia parte das casas, era muito pedregoso, temendo acidentes para os sucessivos usuários das casas, deixara crescer todo aquele mato bravio que indispunha qualquer curioso a meter-se por ali a dentro. Enquanto apalavrávamos o negócio, o dito senhor perguntou-me, depois de me dizer categoricamente que o preço não era negociável, que obras eu pretendia que ele fizesse antes da venda. Não fui peco a pedir: pinturas dos casebres, limpeza dos ladrilhos dos terraços e remoção daquela vegetação anárquica, queria saber o que me esperava para ali, tanto quanto possível, ajardinar. Cumpriu à risca, e quanto ao jardim dei com um declive tendo à entrada duas laranjeiras, uma infinidade de infestantes, um loureiro monumental e uma figueira.

Devo dar uma explicação para o título que usei para este texto, é um tanto bombástico e não cumpridor da verdade. De facto, um jardim zen tem a singularidade de assentar em rochas e muita areia. Este, que me coube, era uma terra barrenta e ácida, via-se imediatamente que tinha de trazer umas boas sacas de terra, testar o que ali podia medrar. Havendo barro pesado e ácido, era natural que ali se pudessem dar bem bolbos, catos, suculentos, narcisos, beladonas. Foi por aqui que começou a aventura jardineira, com o empolgante desafio de tentar de pôr plantas nas fendas e resquícios das rochas. Chegou a hora de mostrar as imagens e contar o que se ensaiou, o que resultou e o que fracassou.

Encostado a uma parede do terraço, acredita-se piamente que esta glicínia, que já pareceu ter morrido duas vezes, desta vez vai singrar. A glicínia pode demorar 15 anos para florescer, aquelas lianas têm que ser fixadas, conduzidas em linhas horizontais ou numa pérgola, dá aqueles cachos pendurados, tantas vezes de cor roxa, com os anos os troncos robustecem, a glicínia dura uma vida. E há aquele combate constante de limpar à volta, as infestantes não dão descanso. Foi aqui que tudo começou à volta das duas laranjeiras, limpando todo aquele mato fora de controlo.
É um exercício feito de paciência, aproveitar estas trinchas e estar atento à evolução dos catos, eu maravilho-me com este fulgor da natureza, como arrebitam catos dentro destes pedregulhos de calcário que devem ser muito anteriores ao Quaternário.
Está na estação do plumbago, já por aqui perto andaram agapantos e lírios bravos
Perco-me, extasiado, com estes sinais da natureza, catos teimosos, resistentes, ornam estas massas calcárias de eras muito antigas, há catos que dão flor, percorre-se com cuidado à procura de frinchas para meter mais catos, isto quando também se anda à procura de como estão as árvores de fruto que se plantaram, houve uma pereira que deu sinais de raquitismo e depois espigou, houve uma ameixoeira no primeiro ano da compra da casa deu umas ameixas amarelas saborosíssimas e depois secou… a vigilância tem de ser permanente, felizmente que nas ausências a nossa amiga Susana, uma vizinha adorável e que mora lá em baixo junto ao vale, sobe até aqui e põe a mangueira a funcionar. Com o andar da experiência, as perdas são cada vez menores.
Não dava nada por estes catos há um ano, bem me enganei, olho-os com a emoção de sentir a natureza vibrante, lutadora, a seu modo espetacular.
Uma imagem de baixo para cima, impõe-se ter um caminho bem definido por aqui amarinhar, descendo vou todo lampeiro ver a pereira tratada, a figueira limpa de infestantes, saber, como agora se sabe, que aqui podem crescer fisálias, jarros, malmequeres, açucenas; o loureiro está bom de saúde e recomenda-se, há um loendreiro branco, há sálvia mexicana, sálvia branca e púrpura, nerina que tem uma cabeça como se fosse um agapanto, não falta lantana nem alecrim, nos meses de verão delicio-me com tanta policromia.
O antigo e o novo, a árvore já cá estava, o cato veio com os novos proprietários
Detenho-me a olhar para o vale e a ver no topo da colina moinhos e miradouro, cá em baixo a Susana e o Henrique têm a terra em pousio, agora dedicam-se também à vinha, estou ansioso que plantem abóboras para eu fazer sopas.
Andei à procura do ângulo para tirar esta imagem, não tive fé nenhuma neste cato, pensei que desaparecesse com a primeira invernia, agora estou de joelhos a fotografá-lo, viçoso e saudável.
Uma outra perspetiva, o casario no topo de uma outra colina, e moinhos não faltam
Chegou o outono, mas na aspereza deste solo de barro pesado e ácido, como gotas de sangue, estas flores voltam-se para a luz do sol.
Daqui a umas semanas tenho à minha disposição umas laranjas sumarenta, mas um tanto ácidas, nada sei da limpeza das laranjeiras e a saúde do meu amigo Henrique fraqueja, paciência.
Despeço-me com duas imagens que só são idênticas na aparência, um pouco de vale no seu pousio, e dois níveis do casario, detenho-me às vezes a pensar nas alegrias que a vida nos dá, este permanente combate para que a terra seja vicejante, e sempre num estado de fé de que este Planalto das Sezaredas não venha a ser alvo de cobiças que lhe retirem a placidez de uma orografia que nos fala do esplendor da pedra, como se tivéssemos saído ontem da última etapa da Pré-História.
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Nota do editor

Último post da série de 24 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28460: Os nossos seres, saberes e lazeres (756): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (276): Os quadros de António Palolo, a sua alegria luminosa, as cores incandescentes, as transbordantes secções do mundo (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28478: Em busca de... (338): Manuel Joaquim Bonito Carvalho, ex-1.º Cabo da CART 730 / BART 733, procura testemunhas a fim de tratar do processo de deficiente das forças armadas, em virtude de ferimentos que recebeu numa emboscada ocorrida no dia 20 de Fevereiro de 1965 na zona do Olossato.

1. Mensagem de João Carvalho, filho do nosso camarada Manuel Joaquim Bonito Carvalho, enviada ao nosso Blogue em 21 de Setembro de 2026:

Bom dia, sou filho de Manuel Joaquim Benito (?) Carvalho, primeiro cabo 312 conhecido por Bonanza.
Meu pai esteve na Guiné de 1964 a 1965 e teve um incidente no qual foi ferido num pé por estilhaços.
Na altura não foi feito o mesmo relatório mas derivado ao mesmo tem tido complicações a nível venoso.
E foi aconselhado por um médico a avançar com o processo de deficiente as forças armadas, mas necessita de testemunhas. Sei que já passou muito tempo e muitos já não estão entre nós, mas tenho esperança de encontrar alguns camaradas dele para tentar resolver esta situação. Somos de Almada, também enviei para um camarada o mesmo e-mail, sendo ele também de Almada. O incidente do meu pai aconteceu quando passava uma ponte em Alosato (?). No mesmo faleceu um camarada que se chamava José Travancos.

Sem mais, agradeço a atenção e se me puder ajudar agradecia. Obrigado e muita saúde para todos aqueles que ainda estão entre nós.
João Carvalho


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2. Mensagem enviada no dia 22 ao João Carvalho:

Boa noite caro João Carvalho
Para o podermos ajudar, publicando no blogue um apelo, precisamos de saber qual a companhia, e batalhão se for o caso, a que pertenceu o seu pai. Qual o posto e especialidade que ele tinha e em que quartel esteve. Seria no Olossato?
Não encontrei nenhum José Travancos entre os mortos da Guiné pelo que deve haver engano no nome ou no militar. Qual a data da ocorrência?
Se nos responder a estas questões talvez os possamos ajudar.
Os nossos cumprimentos.
Ao dispor
Carlos Vinhal
Coeditor


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3. Mensagem de João Carvalho com data de 23:

Bom dia e obrigado pela sua disponibilidade.
Vou relatar o que o meu pai me contou.
O nome do meu pai é Manuel Joaquim Bonito Carvalho, foi primeiro cabo número 312, tinha a alcunha de Bonanza e era apontador de bazuca.
Combateu na Guiné Bissau de 1964 a 1966 e a companhia a que pertencia era a 730, artilharia 1 dos Ralis.
Localidade de Bissaram (?) e zona de Farim no destacamento de Jumbembem e o ferido foi na localidade de Olossato no dia 1 de Fevereiro de 1966 onde faleceu o soldado José Bexiga Troncão, no qual o meu foi ferido no pé direito por estilhaços.
Procuramos testemunhos de camaradas que tenham estado lá ou conhecimento do mesmo incidente.
Envio fotos nas quais a primeira é do soldado que faleceu, a segunda é do meu pai com a bazuca e a última, retirada (evacuação) do soldado que faleceu.
Sem mais, agradeço a sua atenção.
João Carvalho


José Bexiga Troncão, falecido em combate no dia 20 de Fevereiro de 1965, um dos meus maiores amigos.
Foto e legenda: © Manuel Carvalho, 1.º Cabo da CART 730
Manuel Joaquim Bonito Carvalho, 1.º Cabo da CART 730, com a sua bazuca
Foto: © Manuel Carvalho, 1.º Cabo da CART 730. Legenda do editor
Momento da evacuação do Soldado José Troncão
"Mais um camarada para o descanço - Guiné", escreveu Manuel Carvalho nas costas desta foto
Foto: © Manuel Carvalho, 1.º Cabo da CART 730
Identificação e síntese da Actividade Operacional do BART 733

O Batalhão de Artilharia n.º 733 tem História da Unidade (Caixa n.º 79 - 2.ª Div/4.ª Sec, do AHM)
Síntese da ActividadeOperacional da CART 730
Reprodução das páginas com a devida vénia à CECA - Estado-Maior do Exército


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4. Resolvemos contactar o nosso confrade Artur Conceição na esperança de que nos pudesse ajudar.

Eis a resposta do Artur em 25 de Setembro:

Bom dia caríssimo,
Vamos lá então pôr tudo direitinho.

O acontecimento a que o filho do 1º Cabo Manuel Carvalho se refere ocorreu a 20 de fevereiro do ano de 1965.

Do relatório de actividades da CART 730 consta o seguinte:
Em 20 de fevereiro de 1965 – A companhia reforçada com um grupo de combate da CART 566, novamente partiu para a missão de levantar abatizes, na zona do Olossato, sofrendo durante uma hora forte emboscada com GM, PM, MP e ESP, o que originou para as NT um morto e quatro feridos.
O morto foi, o José da Graça Bexiga Troncão, “O Baleizão”. Um dos quatro feridos foi o Manuel Carvalho, como também está escrito no mesmo relatório.

Eu só cheguei à Guine no dia 17 de fevereiro do ano de 1965, quarta-feira, e fui levado para Brá onde se encontrava a CCS do Batalhão 733. A CART 730 estava instalada em Bissorã. No sábado 20 de fevereiro assisti à passagem do helicóptero a caminho do Hospital com um morto e quatro feridos pertencentes à Companhia a que me fui juntar dois dias depois.

Este é o único testemunho dos factos que posso dar ao filho do Manuel Carvalho. Testemunho ocular não posso dar porque não estava lá.
Deixo uma sugestão: O Furriel João Parreira talvez seja a pessoa indicada para dar uma ajuda, penso que ele estaria presente.

Um grande Abraço e um bom fim de semana com muita saúde.
Artur António da Conceição


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5. Seguindo o conselho do Artur Conceição, contactámos o nosso confrade João Parreira, ex-Fur Mil da CART 730, do qual recebemos esta mensagem:

Boa tarde, caro Carlos Vinhal
Nessa data (20Fev65) não me encontrava na CArt 730, mas sim em Brá onde me fui apresentar a 10Fev65. (O.S. n.º 34, de 10 de Fev65 do BArt 733).
No relatório do Batalhão 733 menciona um morto e quatro feridos.

Relatório do Comandante da CART 730:

No dia 20 de Fevereiro de 1965, quando a Companhia se deslocava na estrada de Farim, com a missão de levantar abatizes, foi fortemente emboscada com GM,PM,MP, ESP e ESP AUT, durante uma hora, tendo sofrido um morto, Sold. 321/64 José da Graça Bexiga Troncão e os seguintes feridos:
1ºCabo 312/64, Manuel Joaquim Bonito Carvalho
Sold. 416/64, Leonel Marreiros (faleceu 22Jan2023)
Sold. 444/64, José Nunes Cardoso

Assinado no Quartel em Olossato, 20 de Fevereiro der 1965.


Talvez fosse mais fácil obter resultados sabendo o nome do Comandante do Pelotão ou do Chefe da Secção a que o Manuel Carvalho pertencia com os quais eu podia contatar.
Abraço.
João Parreira


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6. No dia 26 de Outubro foi enviada esta mensagem ao filho do nosso camarada:

Caro João Carvalho
Endereço-lhe a mensagem do ex-Fur Mil João Parreira.
O seu pai ainda se lembra do alferes que comandava o seu pelotão ou do furriel ou sargento que comandava a secção a que pertencia? Talvez com estes elementos se consiga alguma coisa.

Abraço
Carlos Vinhal


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7. Nota do editor CV:

- Como a partir desta data não tivemos mais notícias do João Carvalho, vamos mandar-lhe o link deste post e perguntar-lhe novamente se o pai se lembra do alferes do seu pelotão e do furriel/sargento da sua secção.

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Nota do editor

Último post da série de 30 de outubro de 2026 >Guiné 61/74 - P28474: Em busca de... (337): Eugénio Manuel Paulo Agostinho, Soldado Condutor Auto da CART 3493 / BART 3873 (Mansambo e Cobumba, 1971/74) procura antigos camaradas através da sua filha Ana Rita Agostinho

Guiné 61/74 - P28477: Para bom observador, meia palavra basta (14): Notícias da CCAÇ 556 (Enxalé e Bambadinca, 1963/65) e da embarcação que a levou de regresso a Bissau, em 27/10/1965... Não nos parece que fosse uma LDG nem muito menos uma LDM


Foto nº2 


Foto nº 1

Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Rio Geba Estreito > Bambadinca > Outubro de 1965 > "CCaç 556 (Bambadinca) - fim de comissão; saída do Aqt, em LDG no rio Geba". 

Foto do Arquivo Histórico-Militar (AHM), a preto e branco, reconstituída e colorizada com recurso à IA (ChatGPT / Open AI) | Blogue Luís Geraça & Camaradas da Guiné (2026)

Fonte: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (CECA) (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 6.º Volume; Aspectos da Actividade Operacional; Tomo II; Guiné; Livro I; 1.ª Edição; Lisboa (2014), pág. 300.


1. A CECA (2014, pág. 300) identifica o tipo de embarcação como LDG, erradamente (na nossa opinião), mas não identifica o nome nem o número de amura do navio.

A ser uma LDG, seria a LDG 101 Alfange, que acabara de chegar, em 1 de outubro de 1965, ao CTIG ?

A sugestão é da IA, seguindo a fonte citada. Mas nós temos sérias dúvidas, a embarcação não nos pareece uma LDG, pelo desemho, as formas do casco, a ponte de comando e, sobretudo, o armamento. Aliás, não é preciso ter andado na Marinha, bastava ter passado pela Guiné, para se perceber logo que isto não é uma LDG.

Sabe-se que a LDG 101 Alfange entrou ao serviço com duas metralhadoras Oerlikon Mk II de 20 mm. A experiência operacional na Guiné levou posteriormente à instalação de duas peças Bofors de 40 mm nas LDG que serviam naquele TO. Ora o armamento não é visível  na foto nº1 1 (nem na nº2, reconstituídea e colorizada). E a embarcação parece mais pequena que uma LDG. Mas também não é uma LDM.

Vamos pedir ajuda aos nossos camaradas da Marinha. E sobretudo aos nossos leitores, que conheceram bem as LDG que chegavam a Bambadinca (e partiam de Bambadinca)  até ao ano de 1968.

Esta foto, de qualquer modo, é rara, e merece ser recuperada.

Não conhecemos o brasão da CCAÇ 556. Nem temos nenhum representante desta subunidade, aqui na Tabanca Grande. Tal como são escassas (uma dúzia) as referências no blogue a esta subunidade.  É do tempo do Jorge Rosales (1939-2019) no Enxalé. Bem como do Alcídio Marinho (1940-2021). E ainda do nosso José Colaço (que pertenceu à CCAÇ 557).


2. Fichas de unidade > Companhia de Caçadores nº 556 (Enxalé e Bambadinca, 1963/65)

Identificação:  CCaç 556

Unidade Mob: RI6 - Porto

Cmdt: Cap Inf José Abílio Lomba Martins | Cap Inf Carlos Alberto Gonçalves | Ten Inf Fernando Gonçalves Foitinho

Divisa: "Sem Pavor"

Partida: Embarque em 04Nov63; desembarque em 10Nov63 | Regresso: Embarque em 28Out65

Síntese da Actividade Operacional

(i) inicialmente, ficou colocada em Bissau, sendo integrada, transitoriamente, no dispositivo do BCaç 600, com vista à segurança e proteção das instalações e das populações da área, até à chegada da CCaç 557;

(ii) em 08Dez63, substituindo um pelotão de CCaç 413, assumiu a responsabilidade do subsector de Enxalé, então criado na zona de acção do BCaç 512, com um pelotão destacado em Porto Gole; outro pelotão esteve destacado em Farim, de 05Dez63 a lan64, em reforço da guarnição local;

(iii) a partir de 20Dez64, passou a guarnecer com um pelotão o destacamento de Missirá; 

(iv) atuou ainda em operações realizadas no sector, nomeadamente nas regiões de Cuor, em 07Jan64, Ponta Luís Dias, em 22 e 23Jan65 e Mato Cobra, em 21Abr65, entre outras, em que foi capturada elevada quantidade de armas;

(v) em 09Out65, já então na dependência do BCaç 697, foi rendida, por troca, pela CCaç 1439 e foi deslocada temporariamente para o subsector de Bambadinca;

(vi) em 270ut65, após ser substituída pela CCav 1482, recolheu a Bissau, a fim de efetuar o embarque de regresso.

Observações - Não tem História da Unidade.

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002, pág. 326.

(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)
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Nota do editor LG:

Último poste da série de 24 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28458: Para bom observador, meia palavra basta (13): o crocodilo do canal do Enxudé, ao tempo da CCAÇ 1549 / BCAÇ 1888 (Tite, Quinhamel e Bissau, 1966/68)... e as alucinações da IA

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28476: Notas de leitura (1975): Meio século de lutas no Ultramar (Guiné), pelo Tenente-Coronel Bello de Almeida, edição da Sociedade de Geografia de Lisboa em comemoração da Semana das Colónias, 1937 - 1 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 31 de Agosto de 2026:

Queridos amigos,
O Tenente-Coronel Bello de Almeida não se limitou a repescar dados publicados em Tributo de Sangue, monografia das campanhas da Guiné, de António da Silva Loureiro, consultou Boletins Oficiais, relatórios, pesquisou nos arquivos. Se fizermos agora o cruzamento de várias obras congéneres, verificamos que há dados pertinentes em falta, logo o chamado massacre de Bolor, que causou profunda consternação no governo de Lisboa e desencadeou a desafetação da Guiné de Cabo Verde.
Os pontos salientes deste trabalho são os locais onde houve sublevações, operações militares, defesa das praças, facilmente concluímos quais eram os pontos nevrálgicos da Guiné das praças e presídios logo Cacheu, Geba, Buba, Bissau, há um silêncio completo sobre Farim, Fá e Bijagós. O grande incêndio era o Forreá, Bolama está a nascer, a presença nos Bijagós é ínfima, a correnteza comercial do rio Geba ia da praça de Bissau ao presídio de Geba. As sublevações prolongar-se-ão até ao início do século XX; curiosa é a acalmia em pontos que ganharão efervescência no século XX em toda a região de Mansoa. É bom relembrar que só se poderá falar da colónia da Guiné e da sua superfície a partir de 1886, depois da Convenção Luso-Francesa de 12 de maio.

Abraço do
Mário



Meio século de lutas no Ultramar (Guiné), pelo Tenente-Coronel Bello de Almeida, edição da Sociedade de Geografia de Lisboa em comemoração da Semana das Colónias, 1937 - 1

Mário Beja Santos

Como todo e qualquer pesquisador, não é incomum sentir-me inquieto quanto à utilidade das investigações em curso, e pensava concretamente no levantamento crítico que fizera ao Boletim Oficial da Costa da Guiné, Colónia e Província da Guiné, se podia ser usado como termo de aferição para outros estudos em matérias congéneres. Quem me dá muito apoio na Biblioteca da Sociedade de Geografia de Lisboa, a Dra. Helena Grego, surpreendeu-me com esta publicação que, no fundo, é uma das possíveis respostas ao manejo da diversidade documental que subjaz ao rigor histórico. O trabalho de Tenente-Coronel Bello de Almeida é um levantamento de todas as lutas no Império, obviamente que aqui só se vai anotar os acontecimentos havidos na Guiné, começando pela sublevação de Cacheu, em 1871, era então Comandante das Forças Coloniais J. A. Marques. O que acontecera?

O Governador da Guiné, Mário Teles Caldeira, reagiu à sublevação com uma coluna expedicionária de Caçadores n.º 1, com a cooperação de navios da Armada e auxiliares, a povoação foi arrasada e os sublevados severamente castigados.

Em 1880, houve que defender a Praça de Buba, pois em 1 de fevereiro os Fulas atacaram a Praça e foram repulsos com grossas perdas. Os civis, entre eles franceses, participaram na defesa. Dois anos depois, no mesmo local, houve operações militares. Em julho, a região foi teatro de devastações e atos de rebeldia praticados por gente de Mamadu-Paté. Foi nomeada uma coluna para o Forreá, sob o comando do Tenente-Coronel Francisco Rosa e foi batido o régulo Bacar-Quidali, este apresentou-se na fortaleza a pedir a paz, pagou indemnização dos roubos feitos nas feitorias do Rio Grande.

Em 1884, houve operações em Cacanda (região de Cacheu), comandou a operação o Tenente-Coronel Eusébio Catela do Vale que desalojou os revoltosos e perseguiu-os nas florestas circunvizinhas. Em 1886, houve operações militares em Geba. Em 19 de junho, uns quinhentos Fulas comandados pelo filho de Umbuco, assaltaram duas tabancas na região de Sancorlã, que estavam sob a proteção de Mussá-Molô. Este régulo, em represália do ataque, avançou com a sua gente sobre algumas populações das imediações do Presídio de Geba, que nenhumas culpas tinham na ação dos Fulas. O chefe do Presídio, Tenente Francisco Marques Geraldes, organizou prontamente uma coluna de duzentos homens e atacou tabancas daquele régulo, arrasando-as e pondo em fuga os seus defensores. Não dispondo de forças suficientes para prosseguir no castigo e vendo que a paz ainda não ficara consolidada, preparou nova expedição, composta de oitenta Praças de 1.ª linha e de cerca de 4.500 indígenas auxiliares (Biafadas, Mandingas, Fulas fiéis). A coluna, em plena estação das chuvas, atacou Mussá-Molô nas tabancas fortificadas de Fancá, bateu o régulo – e assim acabou a lenda de invencibilidade que lhe era atribuída.

Temos novas operações militares em Geba, em 1889. O régulo de Ganadu revelava abertamente desobediência às autoridades, e o Governador mandou efetuar a sua prisão e de quatro dos seus conselheiros. O ato não surtiu efeito, a gente do regulado revelou-se hostil, houve que nomear uma coluna para rebater os revoltosos, comandada pelo Capitão António José Machado, depois de sangrenta luta conseguiu dominar os rebeldes.

No ano seguinte procedeu-se a uma diligência policial em Buba. Na tarde de 19 de junho, o comandante militar desta Praça ordenou ao Alferes José Moreira do Carmo para intimar o régulo Mamadu-Paté, do Forreá, a comparecer naquela Praça para prestarem informações sobre uma ocorrência. O régulo não acatou a intimação como tentou assassinar aquele oficial. Gerou-se confusão e Mamadu-Paté foi abatido a tiro. Saiu uma nova força de Buba que dominou os indígenas do Forreá que, amotinados, tentavam vingar a morte do seu régulo.

Nesse mesmo ano e até março de 1891 houve operações militares na circunscrição de Geba. A gente do território Fula nas imediações de Geba, vendo que os Papéis de Bissau ali entretinham as nossas forças com contínuos ataques à fortaleza, revolta-se contra a nossa autoridade. O régulo Mali-Boiá, um dos principais chefes Fulas, auxiliado por outros régulos, assalta à mão armada os povos nossos amigos, tentando expulsar de Ganadu o respetivo régulo, aliado dos portugueses. O governo da Província organizou uma coluna com as unidades da guarnição e numerosos auxiliares indígenas fiéis, colaboraram também três canhoneiras, castigaram-se severamente os revoltosos, infligiram-se numerosas baixas, Mali-Boiá, principal régulo rebelde, conseguiu fugir. Esta coluna ainda encontrou energias para auxiliar as nossas forças na defesa da Praça de Bissau. Era comandante das operações o Capitão Zacarias de Sousa Lage.

O que leva agora a tratar a defesa da Praça de Bissau e falar da sortida sobre Antim e Bandim em março e abril de 1891. Em fevereiro de 1891, a ilha de Bissau começou a dar indícios de uma emergente revolta. Por prudência, o governo mandou para a Praça a unidade de Caçadores n.º 1 e a bateria de artilharia. O gentio começou a atacar a fortaleza, organizando um alerta permanente, com o apoio de duas lanchas canhoneiras. Em 19 de abril, saiu da Praça uma coluna que se dirigiu a Antim, acompanhada de alguns auxiliares indígenas. Em Antim, a coluna foi repentinamente atacada, houve que retirar, veio em seu auxílio uma outra força de Bissau que livrou a coluna de uma chacina total.

O Tenente-Coronel Bello de Almeida cita como bibliografia a obra Tributo de Sangue, monografia das campanhas da Guiné, de António da Silva Loureiro, bem como Boletins Oficiais da Província da Guiné, relatórios de oficiais arquivados no Arquivo Histórico Colonial (hoje Ultramarino).

Tendo inicialmente referido que é indispensável cruzar os documentos e obras de referência, sugiro aos interessados por este estudo obras como A Presença Portuguesa na Guiné, história política e militar, 1878-1926, por Armando Tavares da Silva, Caminhos Romanos 2016, e A Tradição da Resistência na Guiné-Bissau 1879-1959, INEP, 1994, e Guiné Bilhete de Identidade, Tomo I, A Presença Portuguesa na Senegâmbia, 2024.

Bilhete postal do início do século XX
Bilhete postal do início do século XX
Bilhete postal do início do século XX
Bilhete postal do início do século XX

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 26 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28465: Notas de leitura (1974): "Fado Alexandrino", por António Lobo Antunes; Publicações Dom Quixote (3) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28475: Convívios (1082): Encontro Convívio dos Meimoenses Antigos Combatentes da Guerra do Ultramar, seus familiares, Amigos e Simpatizantes, cuja Comissão Organizadora foi presidida pelo amigo Major-General João Afonso Belo Soares (Ernestino Caniço)

1. Mensagem do nosso camarada Ernestino Caniço, ex-Alf Mil Cav, CMDT do Pel Rec Daimler 2208 (Mansabá e Mansoa) e Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, (Bissau) (1970/1971), com data de 26 de Outubro de 2026:

Caros amigos
Votos de ótima saúde

Realizou-se em Meimoa em 2026.10.17 um Encontro Convívio  dos Meimoenses Antigos Combatentes da Guerra do Ultramar, seus familiares, Amigos e Simpatizantes, cuja Comissão Organizadora foi presidida pelo amigo Major-General João Afonso Bento Soares.

Meimoa é uma povoação portuguesa sede da Freguesia de Meimoa (20,58 km² de área e 307 habitantes - censo de 2021) do Município de Penamacor, distrito de Castelo Branco.

A freguesia da Meimoa fica a cerca de 12 Km a norte de Penamacor. Da sua fundação pouco ou nada se sabe. Presume-se que terá sido muito importante no tempo dos romanos devido à existência da ponte Romana/Filipina, erguida sobre a ribeira da Meimoa. Para a origem do seu nome aponta-se a mesma que a do Meimão. Segundo Frei de Sousa, o nome Meimão e Meimoa, são de origem árabe e derivam de Mamona, nome próprio de mulher, cujo significado é, estar segura, firme, constante, conservada, etc. Pinho Leal diz que a mais provável origem destes nomes (Meimão e Meimoa), é a palavra Mâmoa (monumento funerário). Tempos depois os romanos chamavam-lhe mamona, pela semelhança que tem com o peito da mulher (Junta de Freguesia Meimoa).

Ponte Romana – Foto de Ribeira de Meimoa River Beach ...

A minha presença foi proporcionada pelo amigo General João Afonso Bento Soares, ao qual estou grato.

O convívio, salutar, foi precedido de Missa vespertina na Igreja Matriz de Meimoa, tendo participado na concelebração o amigo Pe. José Torres Neves e alocução do General João Afonso.
Construída em 1673 e reconstruída em 1770, em 1905 e em 1917. Apresenta uma planta longitudinal composta por uma nave, uma capela-mor mais estreita e uma sacristia e uma torre sineira adossadas. No exterior, destaque para um cruzeiro construído reaproveitando um antigo silhar romano com inscrição votiva.

Anexo algumas fotografias bem como o discurso do amigo Gen. João Afonso, do evento, para postagem se for esse o vosso entendimento.

Um grande abraço,
Ernestino

TenGeneral João Afonso > Alocução na Missa
Pe. José Neves
Almoço
Antigos Combatentes

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Alocução do TenGeneral João Afonso:

ENCONTRO DOS ANTIGOS COMBATENTES MEIMOENSES NS GU

17 OUT2026

VOCATIVOS:
Quero cumprimentar e agradecer a presença de TODOS, mas permitam-me que refira:
- Os Caríssimos Pe Rui, Pe Jorge e nosso conterrâneo Pe Zé Torres Neves que concelebrando a Santa Missa proporcionaram a este nosso Encontro um seu ponto alto;
- O Caríssimo Presidente da JF da Meimoa, José madeiras Afonso que, institucionalmente, nos tem apoiado;
- Os Caríssimos Primos Dr.s Messias Bento, Júlio Bento, Celestino Bento, o Prof. Zé Rainho com sua ilustre visita, camarada da Marinha, Comandante Fernandes…
- O Caríssimo Dr. Ernestino, muito amigo do Pe meimoenses, Zé Torres Neves, que foi capelão na Guiné, por onde os três andámos no fim da década de 60;
- Queridas Manas Mifá e Mariazinha, Querida comadre Inês, Querida Mª Lucinda- a “Nossa Menina”, companheira de juventude e o Querido casal Teresa e Abreu Correia;
- Enfim, saúdo TODOS os Queridos Antigos Combatentes, Familiares, Conterrâneos e Amigos, aqui presentes: Ternamente vos abraço, pois Todos cabem no meu coração;
- Uma última, mas necessária palavra, para este simpático poiso onde a D. Alice e sua equipa nos tem simpaticamente acolhido em muitos dos nossos convívios.

Permitam-me iniciar as minhas palavras com uma pergunta:
Fará sentido que, vivendo nós hoje num mundo novamente pejado de guerras, nós,antigos combatentes de uma guerra — a Guerra do Ultramar — nos continuemos a reunir todos os anos?
A minha resposta é, sem hesitação: sim, faz todo o sentido!
E faz sentido porque nós não nos reunimos para celebrar a guerra, nem para exaltar a violência, nem para alimentar qualquer saudosismo belicista.
Reunimo-nos precisamente porque conhecemos o preço da guerra.

Conhecemo-lo na juventude que então tínhamos, nas terras distantes onde fomos chamados a cumprir o nosso dever, nas famílias que ficaram à espera, nas cartas (e nos famosos aerogramas do SMF) que atravessaram oceanos, nas amizades que nasceram em circunstâncias difíceis e, sobretudo, nas marcas que muitos trouxeram consigo quando regressaram:
Alguns voltaram feridos no corpo. Outros trouxeram feridas que não eram visíveis, mas que ficaram com mazelas para toda a vida. Infelizmente, muitos outros não regressaram.
É por isso que este nosso convívio é também um acto de memória. Memória daqueles que, tendo estado entre nós ao longo dos anos, já não podemos fruir da sua companhia.
E permitam-me recordar, de modo muito especial, um dos nossos conterrâneos: o Alferes Comando João J. Fonseca Nabais, que tombou em Fevereiro de 1974, já nos derradeiros meses da GU. Meimoa não o esquece.
A todos eles – os que nos deixaram - prestamos a nossa homenagem. Que descansem em paz.
Por tudo isto, resumo afirmando: Eu quero a PAZ. Todos nós queremos a Paz, pelo que a PAZ é a essência que emana destes nossos Encontros.

Meus amigos,
Nós pertencemos a uma geração que viveu uma parte particularmente marcante da História de Portugal.
Uma geração que conheceu dificuldades, sacrifícios e responsabilidades muito cedo. Uma geração que fez a sua parte, com os conhecimentos, os valores e as circunstâncias do seu tempo.
Não cabe hoje reescrever a História Lusa à medida das ideologias do presente.
A História deve ser conhecida, estudada e compreendida — não apagada, adulterada ou julgada com ligeireza por quem dela conhece apenas alguns fragmentos.
A História de Portugal, como a História de qualquer povo, tem páginas de grandeza e páginas de erro; tem momentos de glória e momentos dolorosos; tem feitos de que nos podemos orgulhar e decisões que o tempo veio a demonstrar serem desapropriadas.
Mas permanece uma verdade, a todos os títulos, essencial: um povo, sem memória, que deixe de conhecer a sua História fica mais pobre, mais vulnerável e sem identidade.
E é, precisamente, nesse passado e presente históricos que encontramos valores que continuam a fazer sentido, independentemente das mudanças dos tempos: a honra, a coragem, o sentido do dever, a palavra dada, a camaradagem, o respeito pelo outro e o amor à Pátria.
Valores estes que não pertencem a partidos políticos, nem a ideologias. Pertencem às pessoas que constituem o nosso POVO.

E há aqui uma circunstância que, para nós militares, merece ser recordada:
Foi obra de militares, a Revolução de 25ABR74, que nos trouxe o fim da guerra e a Liberdade e que depois de um período conturbado, nos garantiu a Democracia com o 25NOV75 (em que tive a honra de participar, directamente, já que no 25ABR74 estava a terminar uma missão, fora do Exército, dirigindo a EIOTAN – Estação Portuguesa de Comunicações por Satélite integrada no Projecto SATCOM NATO).

Nós, militares de então, cumprimos a missão que a História colocara em nossas mãos:
primeiro, combater onde fomos enviados; depois, contribuir para pôr termo ao conflito e devolver ao País a possibilidade de construir um novo futuro.
Não fomos nós que escrevemos sozinhos esse futuro. Foram muitos os portugueses e portuguesas que, de diferentes formas, participaram na construção da democracia.
Mas podemos dizer, sem arrogância: a nossa geração fez parte dessa História.
Há ainda outra razão para estarmos aqui. Chama-se camaradagem.
Há amizades que nascem em circunstâncias normais. Outras nascem em circunstâncias extraordinárias e ficam para toda a vida.
Quem passou pelas experiências que nós passámos sabe bem que há laços que não precisam de ser explicados. Um olhar, uma recordação, um nome ou uma velha fotografia bastam para nos fazer regressar, por momentos, a outros tempos e a outros lugares.
É também por isso que estes encontros têm valor e plena justificação.
Porque não são só encontros de antigos militares. São encontros de homens e mulheres ligados por uma memória comum e por uma terra comum – neste caso, a nossa querida Meimoa — a Princesa da Cova da Beira.
E, com orgulho, recordo uma iniciativa desde a primeira hora: estes encontros são muito mais do que encontros de ex-combatentes. As suas portas sempre estiveram abertas aos familiares, aos amigos, aos conterrâneos e todos os simpatizantes que queiram estar connosco.

E assim deverá continuar. Neste sentido, permitam-me deixar aqui uma promessa simples:
Haveremos de continuar a cultivar este sentimento de reunião enquanto, pelo menos, um de nós alguns de nós tiver forças e vontade para tanto.
Haveremos de continuar a sentar-nos à mesma mesa.
Haveremos de continuar a recordar os que partiram.
Haveremos de continuar a contar aos mais novos aquilo que vivemos, não para lhes transmitir ódios ou ressentimentos, mas para que saibam que a paz, a liberdade e a concórdia entre os povos são bens demasiado preciosos para serem tratados como coisas adquiridas para sempre.

E, sobretudo:
Haveremos de continuar a dizer aos nossos filhos e netos que um homem pode discordar sem odiar e pode defender as suas convicções sem desrespeitar as dos outros. É, talvez este, um dos melhores ensinamentos que podemos deixar.

De facto, quando vemos novamente guerras, sofrimento e destruição em várias partes do mundo, compreendemos ainda melhor aquilo que há muito aprendemos:
A guerra pode começar com grandes palavras e ditas boas intenções, mas acaba sempre em dor e sofrimento.
Que aqueles que têm responsabilidades de Estado nunca esqueçam isso.
E que nós, que experienciámos a Guerra, nunca deixemos de valorizar a Paz.
Meus amigos e camaradas,

Atendendo à vetusta idade da grande maioria de nós, dentro de algum tempo, outros ocuparão o nosso lugar nestas mesas. Outros falarão, eventualmente, de nós e quando esse dia chegar, espero que possam dizer, a nosso respeito, apenas isto:
Foram homens do seu tempo. Cumpriram o seu dever. Souberam honrar a sua Pátria e recordar, com respeito, os seus mortos. Não esqueceram as suas raízes. E, sobretudo, permaneceram sempre amigos.
Se assim for, terá valido a pena termos estado hoje, mais uma vez, aqui reunidos.

E é por isso que, neste dia de convívio, quero terminar como comecei:
Sim, meus amigos. Faz todo o sentido estarmos aqui. Faz sentido pela memória. Faz sentido pela camaradagem. Faz sentido pela Amizade. Faz sentido pela nossa Meimoa.
E faz sentido porque quem honra os seus mortos, respeita a sua História e valoriza a Paz está, seguramente, melhor preparado para construir o Futuro.
Que Deus tenha junto de Si todos aqueles que já partiram e que dê saúde e longa vida aos que ainda aqui estamos, hoje e para o ano, se a Providência o permitir.

Vou terminar, como habitualmente, com um poema (de fraco bardo) e, desta feita, dedicado à nossa terra natal “MEIMOA – A Princesa da Cova da Beira”:

BERÇO BEIRÃO
(À minha aldeia de Meimoa)

Em ti moram meus sonhos de menino,
É forte o chamamento a que me atenho,
Nem fria noite, nem o sol a pino
Abalam o amor que por ti tenho.

A ti sinto agarrado o meu destino
Ligado a um querer em que me empenho;
Um grito de alma, se converte em hino,
Ou simples Graça vinda por engenho.

Percorri teus caminhos e veredas,
Bebi teus cheiros e comi azedas,
Mergulhei no açude da Ribeira…

Sou grato à sorte, ou divina virtude
Por ter vivido a minha juventude
Nesta Princesa da Cova da Beira.

(João Afonso)


Muito obrigado.
João Afonso - Meimoa, aos 17 de Outubro do ano da graça de 2026

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Nota do editor

Último post da série de 29 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28471: Convívios (1081): Os antigos combatentes da vila de Loriga, a princesa da Serra da Estrela, homenagearam as suas mães, no almoço-convívio realizado na Escola Secundária de Sacavém, no passado sábado, dia 17 - Parte IV