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sábado, 18 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28193: Os nossos seres, saberes e lazeres (741): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (262): Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 7 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 11 de Junho de 2026:

Queridos amigos,
Cheguei prevenido a Gjirokastër, era tudo menos uma aventura desportiva, mas que impõe atividade física a um octogenário, impõe, não há avenidas retilíneas, o casario sobre e desce em cascata, todo o cuidado é pouco para evitar quedas, nesta cidade de charme onde pontificam o branco e o cinzento. Os guias recomendam que se visite a casa natal do mais influente escritor albanês do século XX Ismail Kadaré, que não é fácil de encontrar neste dédalo vertical. A casa Skenduli, a tal que é dotada de 9 chaminés, 4 portas e 64 janelas exige alguma forma física, mas acaba por resgatar a energia despendida com as panorâmicas esplêndidas que dela se desfrutam. Aqui deixo as últimas imagens, não hesito em dizer que quero voltar, já apanhei o furgão para Sarandë, junto do Mar Jónico, tenho mais belezas deslumbrantes à minha espera, que convosco vou partilhar.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (262):
Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 7


Mário Beja Santos

Mostrar-vos a miniatura do mapa da Albânia não é um puro acaso, nasce da preocupação de vos dar conhecimento quanto ao itinerário seguido, no decurso desta viagem; houve partida em furgão de Tirana até Pogradec, para admirar o Lago Ohrid, seguiu-se depois para Korçë, há quem lhe chame uma pequena Paris, é, no mínimo, bonita e cosmopolita; mais adiante, graças a nova viagem em furgão chegou-se a Përmet, esperava uma maravilhosa igreja ortodoxa, como se mostrou; e daqui rumou-se para a espantosa Gjirokastër, um justificado Património da Humanidade. Foi uma visita de dois dias, bem arrependido fiquei por aqui ter estacionado tão pouco tempo. Mais uma razão de fundo para aqui voltar e ver o que já foi visto com os mesmos olhos deslumbrados.

Este livro intitulado Indignidade da Albanesa Lea Ypi, investigadora e professora universitária, foi uma das minhas companhias preferidas, assegurou-me que na Albânia atual é possível ter acesso aos arquivos dos serviços secretos dos tempos ditatoriais, e acompanhar a pesquisa que a autora faz de familiares seus perseguidos pelo regime de Enver Hoxha. Mergulhamos na vida de um pedaço da península balcânica desde a atmosfera do império otomano, da Grécia e da Albânia libertadas, vamos ler os relatórios das pessoas encarregadas de vigiar diariamente os avós da autora, assistiremos à detenção e prisão do avô e ao trabalho servil da avó, tratados um como traidor outra como hostil à República Popular Socialista. Leio este feito literário denso e comovente ao mesmo tempo que me vou deparando com as marcas da paranoia desse regime, as suas obras de realismo dito socialista e a vida da Albânia de hoje que procura desenfreadamente entrar na União Europeia cometendo todas as asneiras do turismo de massas, deslumbrados que estão pela corrida de investimentos a esta nova pérola do Mediterrâneo. Felizmente que o povo se começa a mobilizar contra a ganância destes investidores sem escrúpulos, que contam com a complacência política interna.
Percorro os últimos andares da Casa Zekate, construída em 1811, é o expoente máximo das casas-torre em Gjirokastër. Destaca-se pela sua fachada imponente com torres gémeas, tetos de madeira esculpida e uma vista deslumbrante sobre o Vale do rio Drino. Irei depois visitar a casa Skenduli, uma mansão do século XVIII com 64 portas, 44 janelas e 9 lareiras. Não deixo de me deslumbrar com esta cidade de pedra que, curiosamente, nada tem de uniforme nem de monótona, talvez por se dispor numa quase escadaria, num amplo anfiteatro, rodeada de vegetação, salpicada de branco e cinzento.
Um pormenor do quarto onde não falta chaminé, uma janela de vidros coloridos para induzir tranquilidade e até a cama de um bebé.
Outro quarto de família, prima pelo conforto e pela ausência de adornos.
Aqui sim, prima o luxo, dispõe de uma atmosfera requintada, nele se podem fazer casamentos, acolher as visitas, é uma decoração tipicamente otomana.
Outra lembrança do realismo dito socialista, uma exaltação aos libertadores que em 1944 fizeram a vida negra aos exércitos alemães em retirada, no fim desse ano Enver Hoxha e o seu partido comunista encetaram caminho para o controlo absoluto da Albânia, um regime que levou ao isolamento total, cortando primeiro as relações com os jugoslavos, que tinham ajudado o partido comunista albanês durante as lutas de libertação, cortaram relações com os soviéticos e mais adiante com os chineses, era tudo gente revisionista, inimigos da pátria albanesa. Foi assim até 1991, depois, como mostram os filmes, o regime caiu e deixou pouquíssimas saudades.
Há sempre um ângulo novo para explorar nesta Gjirokastër feiticeira. Numa rua a meio da colina pude captar a ligação entre a Gjirokastër medieval e a Gjirokastër que começou a sobressair desde o regime comunista, é indiscutível que esta ligação não é patrimonialmente ostensiva. Mas, francamente, o que mais me enche a alma é esta cercadura de montanhas e o verde vicejante por toda a parte, um diálogo permanente entre o património natural e o edificado.
No piso do alojamento em que me encontro, apanho de frente a entrada da mesquita que escapou às destruições decretadas depois de 1967, quando o regime decretou que a Albânia era uma sociedade ateia. A mesquita teve muitas operações, até foi escola de circo e de artes performativas. Visitei o seu interior, fizeram-se obras ganhou dignidade, é um templo em funções.
Volto-me para o outro lado neste mesmo piso em que fotografei a mesquita, agora é a vez de mostrar a rua principal do grande bazar, povoada de tapetes Kilim, nítida influência turco-otomana, muitas recordações para turistas, diferentes restaurantes para diferentes bolsas, ao fundo o castelo com a torre do relógio e uma proeminente montanha.
Imagem de um outro ângulo da cidade, à esquerda está a casa Skenduli, temos um denso povoamento até ao cume da montanha.
Visita ao museu etnográfico, antes houve aqui a casa em que nasceu em Enver Hoxha. Podemos ver o berço que lhe é atribuído.
Apresentações de indumentárias albanesas típicas.
A casa Skenduli, que visitei na companhia do seu proprietário. Confesso que o pormenor que mais me fascinou é esta impressionante fachada de uma casa fortaleza, povoada de compartimentos desde a cave ao último andar.
Duas imagens só para fazer alusão ao itinerário que se segue, Serandë e Butrint, esta última Património da Humanidade, aqui vos mostro um anfiteatro romano e as ruínas da casa de Esculápio, o médico mais famoso da antiguidade. É bem verdade que vim emocionado de Gjirokastër, um tanto frustrado por não ter visitado as ruínas de Adrianópolis, que foi grega e depois refundada pelo imperador Adriano, como igualmente não visitei o bunker reservado às altas figuras do partido comunista, na previsão de um ataque nuclear. Mais uma razão para voltar. Já estou na penúltima etapa desta viagem que há tanto ambicionava fazer, como sempre viajei de furgão de Gjirokastër até Sarandë. Pois tenho muito para vos contar.

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 11 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28172: Os nossos seres, saberes e lazeres (740): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (261): Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 6 (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28192: Humor de caserna ( 280): Treze sextilhas e um refrão para o nosso mano Jaime Silva, agora octogenário (Luís Graça)


Porto Santo > 2 de outubro de 2024 > Jaime e Laura

Foto (e legenda): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné


Vinheta nº 11 da BD dedicada ao Jaime Silva, que no passado dia 17 de julho celebrar o seu 80º aniversário


1. Mail que enviei ao Jaime Silva, esta manhã, às o9:08

Jaime: toma lá a(s) foto(s) que serviu/ram para fazer a vinheta 11 da tua BD...Mando também uma foto da Dina, 2017...Por limitações técnicas, não pude mandar mais do que 3 ou 4 fotos para a geração gráfica feita por IA, sob "prompting" meu (e orientação editorial: tens que lhe fornecer o guião)..


Uso a IA dos pobrezinhos (sem assinatura, a versão Pro ou Plus)..Por exemplo, não tinha nenhuma foto do teu pai... E das tuas manas, só da Esmeralda...Mas é preciso aprender a trabalhar com estas ferramentas... E gastar um bom par de horas para fazer "brincadeiras" como esta (que é uma homenagem à tua pessoa, espero que não tenhas levado a mal)...

Tem "corte, costura, borracha, emendas"... Fico admirado como a IA "aprende" também comigo, com os humanos... Já temos uma relação de "grande cumplicidade" e, mesmo em modo gratuito (não Plus) dão-me mais tempo de "antena" (no interesse deles, porque lhes ponho questões difíceis...e sou muito crítico; há uns tempos atrás não me fariam "bonecos" que pudessem violar a privacidade, como é o caso presente...esta vinheta nº 11, por exemplo, mas não identifico a Laura, não uso o seu nome profissional, ou o apelido...)

Ontem, foi bonita a festa, mano!...Um número redondo, muito amor, amizade, companheirismo, camaradagem, alegria...Três gerações...Poesia e música, no fim. E um jantar em cheio, com arroz de sapateira, saborosíssima e abundante com a assinatura do "chef" Inocêncio (ex-Café Nicola, Lourinhã).

Parabéns, tens uma bela família!... E amigos, bons (onde me incluo). Luís


2. Aqui vão os versinhos que foram ontem cantados (com esceção das estrofes 10 e 11) com a música da cançãoo tradicional açoriana, "Pona aqui o seu pezinho...". Músicos: Rogério Ferreira (voz e viola),Francisco (Xico) Costa (cavaquinho), Pinto de Carvalho (bandolim e voz), Leonor Ferreira, Esmeralda Costa, Maria do Céu Pintéuse Luís Graça (vozes)-


Sextilhas e um refrão para o nosso mano Jaime, agora octogenário

1. Nasci em quarenta e seis,
Não valia cinco réis,
Seria um gato esfolado,
Que o Zé Rei, nosso vizinho,
Me tratava por Jaiminho,
E me queria, adotado.

2. "Ponha aqui o seu menino,
Vou-lhe dar outro destino,
Nesta casa de fartura,
Irá ser o meu herdeiro,
Não me falta é dinheiro,
O que me falta é ternura".

3. Mas a minha catequista
P'ra ficar com Deus benquista
Mandou-me p'ro seminário
E o meu pai, seu jornaleiro,
Pôs o filho em primeiro
E livrou-me do seu calvário.

4. Deus olhou-me e sorriu:
"Este, padre não saiu,
Vai p'ra Angola, mobilizado,
Dilatar o império e a fé"...
Safei-me d'ir p'ra Guiné,
Castigo mais desgraçado.

5. Ó minha mãe, vou partir
Mas prometo que torno a vir,
Não tens que pagar promessa;
Paraquedista não chora,
Tem também a sua hora,
Mas seus medos não confessa.

6. Voltei vivo à minha terra,
Sem mostrar a cruz de guerra;
A Fátima tive qu' ir,
Minha mãe e mana a pé,
Eu atrás, sem grande fé,
Com vontade de fugir.

7. Boina verde, subi aos céus,
Sonhos cumpri e são meus,
Professor fui, com prazer;
Em Fafe fiz a morada,
Casei com a Dina adorada,
Reaprendi a viver.

8. Nasceram Pedro e Sofia,
Minha maior alegria,
Hoje cada um doutor;
Se algum diploma alcancei,
Foi o orgulho que conquistei
Por lhes valer tanto amor.

9. Aos fafenses mostrei valor,
Também fui vereador,
Do desporto e da cultura;
Orquestras e andebol
Foram a clave de sol
Das minhas lutas n' altura.

10. Veio a dura despedida, 
Com a Dina a perder a vida,
Depois do Alzheimer sofrer;
Fiquei só, sem grande alarde,
Quem ama nunca é cobarde,
Há o ganhar e o perder.

11. Cupido, maroto e fino,
'Inda arrumou o destino
Deste jovem do Seixal;
Veio a Laura, de mansinho,
Dar mais pica ao meu caminho,
Com conversa de coisa e tal.

12. Gosto muito de falar,
De cavaquinho tocar,
Além do golfe, qu' é burguês,
Sou do signo Caranguejo,
A saúde é o qu' mais desejo,
E até me chamam Marquês.

13. Se Deus me der mais uns anos,
Quero vivê-los, meus manos,
Com juízo e coração;
Não quero entrar pr'a História,
Não me tirem a memória,
E nem, já agora,... a t*são!


Refrão / Coro


Põe aqui o teu pezinho,
Devagar, devagarinho,
Que já és octogenário,
Obrigado p'la amizade,
E esta bela irmandade
No dia de aniversário.




17 de julho de 2026

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Nota do editor LG:

Guiné 61/74 - P28191: Bom dia desde Bissau (Patrício Ribeiro) (72): Bijagós: a ilha de Rubane


Foto nº 1 > Bubaque, tabanca de Bijana > Chabéu


Foto nº 2 > Ilha de Rubande, ao fundo


Foto nº 3 > Bubaque, porto-cais, vistio do barco que chega de Bissau

Guiné-Bissau > Arquipélago dos Bijagós > Ilha de Bubaque > Sábado, 11 de julho de 2026 >

Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]


1. Mais fotos da ilha de Bubaque, Bijagós, enviadas pelo nosso "embaixador" Patrício Ribeiro


Data - 12 jul 2026 19:15

Assunto - Porto cais de Bubaque | Ilha de Rubane, vista da ilha de Bubaque | Chabéu

Luis,

Agora já ando a passear pela Ilha de Bubaque (foto nº 3) à chuva,depois de ter estado no Gabú.

Fotos enviadas de Bubaque da casa de um amigo, do meu telemóvel ...Eate têm esta vista sobre o canal de Bubaque (Foto nº 2).

A tabanca de Bidjana transforma muito óleo de palma de forma tradicional (Foto nº 1).

Patricio Ribeiro
Impar Lda


2. Comentário do editor LG:

Recorde-se que o chabéu (Foto nº 1) é o fruto da palmeira-de-óleo (dendém) (Elaeis guineensis). É amplamente utilizado na culinária da Guiné-Bissau para preparar o tradicional Caldo de Chabéu.

Este ensopado é feito extraindo a polpa do fruto cozido para criar um molho espesso e avermelhado, misturado com peixe ou carne, vegetais e temperos locais. A palavra vem do crioulo cabéu ou cebén.

Quanto à ilha de Rubane: tem uma populaçãom flutuante, de cerca de centena e meia de habitantes (censo de 2009)... Existe uma pequena tabanca na ilha, chamada Ponta Anchaca. A habitação é sazonal: muitos dos nativos da etnia Bijagó que detêm terras em Rubane vivem, na verdade, na ilha vizinha de Bubaque. Eles deslocam-se para Rubane apenas temporariamente em determinadas épocas do ano para cultivar arroz, cuidar do gado ou praticar a pesca de subsistência.

Para o povo Bijagó, Rubane é um território sagrado habitado por divindades espirituais (irãs). Por causa disso, existem regras e proibições severas decretadas pelas autoridades tradicionais (como a proibição de derramar sangue, enterrar mortos ou realizar combates na ilha, ou fazer construções de alvenaria permanentes, salvo raras exceções autorizadas pelos anciãos).

Toda a região classificada pela UNESCO como Reserva da Biosfera e Património da Humanidade. Rubane não tem turismo de massas. É procurada sobretudo por pescadores desportivos e amantes da natuteza. É um verdadeiro bilhete-postal.
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Nota do editor LG

Vd. postes anteriores da série >

16 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28186: Bom dia desde Bissau (Patrício Ribeiro) (71): Bubaque, Bijana: 11 de julho de 2026: chuva e mais chuva...

15 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28184: Bom dia desde Bissau (Patrício Ribeiro) (70): A "Mona Lisa" de Ancamona, Bubaque, Bijagós

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28190: Notas de leitura (1940): "Uma História da África Lusófona Pós-Colonial", Edições tinta-da-China, 2026 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 30 de Junho de 2026:

Queridos amigos,
No prefácio deste memorável trabalho escreve o historiador António Costa Pinto: "Este livro representa o primeiro estudo substancial sobre os novos regimes políticos africanos surgidos com o fim do colonialismo português, que se tornaram independentes em 1974-1975. Publicado em inglês em 2001, não teve infelizmente até hoje um novo estudo que lhe desse continuidade."
Chabal conseguiu reunir um conjunto de nomes sonantes para apresentar em estudos país por país: David Birmingham para Angola, Malyn Newitt para Moçambique, Joshua Forrest para a Guiné-Bissau, Elisa Silva Andrade para Cabo Verde e Gerhard Seibert para São Tomé e Príncipe. Disse Chabal que foi uma auspiciosa conjugação de fatores, alguns pessoais e outros institucionais.
Obra volumosa, necessariamente que a teremos de repartir por um conjunto de textos, embora recomende a todos os interessados a sua aquisição. Volumosa pela apresentação da história destes cinco novos países, não descurando a descrição sistemática dos acontecimentos ocorridos pós-independência: o volume liga o passado pré-colonial e colonial ao período pós-colonial, numa tentativa de explicar como o seu passado pré-colonial estava a influenciar a condição atual, e visando mostrar de que modo a evolução dos cinco países se assemelha ou contrasta com a de Estados africanos semelhantes; e temos a combinação de conhecimentos específicos sobre cada país. Tarefa um tanto ciclópica, lê-se compulsivamente um estudo que apresenta no final toda a bibliografia fundamental para este quarto de século e o antes.

Um abraço do
Mário


Uma obra historiográfica de referência:
Os primeiros 25 anos das antigas colónias africanas - 1


Mário Beja Santos

É um trabalho magistral, datado de 2002, felizmente agora traduzido com o título "Uma História da África Lusófona Pós-Colonial", Edições tinta-da-China, 2026; o autor principal foi o eminente académico Patrick Chabal, que dirigiu o Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros do King’s College de Londres, acolitado por outros nomes sonantes da investigação, caso de David Birmingham, Joshua Forrest, Malyn Newitt, Gerhard Seibert e Elisa Silva Andrade. Como escreveu o prefaciador António Costa Pinto, trata-se do primeiro estudo substancial sobre os novos regimes políticos africanos surgir com o fim do colonialismo português, tornados independentes em 1974-75. É, pela força das circunstâncias, um trabalho datado, um quarto de século de independências africanas lusófonas.

A estruturação da obra é bem interessante: um longo ensaio de Patrick Chabal seguindo-se estudos complementares sobre Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo-Verde e São Tomé e Príncipe. Na ótica de Patrick Chabal, o livro é fruto de uma auspiciosa conjugação de fatores que permitiram a constituição desta equipa de renomados estudiosos da África Lusófona, e o resultado é uma história abrangente de cinco países discrepantes em dimensão, localização geográfica e perfil socioeconómico; a despeito de tais discrepâncias, estes cinco países estão ligados por uma longa história colonial, foi o domínio português que ligou estes territórios, suscitando mobilidades e encontros de povos: os cabo-verdianos fixaram-se na Guiné e tiveram uma importante presença em São Tomé e Príncipe; os angolanos foram levados para São Tomé, os indianos de Goa estabeleceram-se ao longo do Zambeze, em Moçambique a partir do século XVI.

Este volumoso trabalho de equipa revela aspetos inovadores na abordagem: temos uma primeira parte que apresenta a história destes cinco países em duas perspetivas complementares, incluindo capítulos analíticos e temáticos, primeiro, e uma descrição sistemática dos acontecimentos ocorridos durante um quarto de século, depois.

Por si só, a exposição de Chabal sobre a África lusófona numa perspetiva histórica e comparada podia até ser assumida como livre autónomo. É uma longa digressão sobre quem era quem na guerra colonial, como se exprimiam os movimentos independentistas, o seu peso revolucionário, se possuíam, ou não, uma ampla base nacional, como fundamentaram a contrainsurreição, como reagiam os portugueses, a tais hostilidades, política e militarmente. Chabal procede a uma análise da descolonização observando a evolução do nacionalismo dos diferentes países, a vitalidade ou fraqueza da luta pela libertação nacional nos termos em que se descolonizou e como esta descolonização foi acompanhada com compromissos ideológicos.

O tema subsequente é o da questão da unidade nacional e o Estado-Nação, ponderando as diferentes disparidades na Guiné, Angola e Moçambique, o que abre a porta para a análise do chamado nacionalismo revolucionário. Feita a exposição sobre a guerra colonial e as suas consequências o autor pondera os modos de construção do Estado-Nação onde observa o seguinte:
“Para compreender a política pós-colonial de África, é necessário compreender a natureza da relação entre a sua história política pré-colonial, colonial e pós-colonial. Assim, é mais importante estudar a evolução da política pós-colonial africana com base na perspetiva da evolução das sociedades africanas que formam estes países independentes, em vez de o fazer simplesmente do prisma do Estado pós-colonial tal como ele foi erigido, quando da independência, sobre os alicerces (e como reação a ele) do Estado colonial.”

E socorre-se de dois exemplos que considerem elucidativos:
“Em primeiro lugar, seria de esperar que da comparação entre o Estado pós-colonial na Guiné-Bissau e em Cabo Verde resultassem grandes semelhanças. Os dois países partilharam o mesmo movimento de libertação nacional, o PAIGC, no seio do qual combateram lado a lado nacionalistas cabo-verdianos e guineenses. Na época da independência, instituíram um Estado bicéfalo, de partido único em que os dois países estavam estreitamente ligados. O PAIGC estava empenhado em fomentar uma maior ligação entre os dois países. No entanto, no intervalo de poucos anos, os laços entre ambos desfizeram-se e cada um seguiu o seu caminho.
Em retrospetiva, é fácil afirmar que Cabo Verde e a Guiné-Bissau eram muito diferentes entre si, que a sua união não era viável e que era improvável que o seu respetivo desenvolvimento pós-colonial fosse semelhante. Contudo, uma perspetiva excessivamente centrada no Estado pós-colonial oferece uma base muito frágil para explicar as razões para tão acentuadas divergências.

Em segundo lugar, uma análise do significado político da UNITA e da RENAMO, em Angola e Moçambique, a partir de um ponto de vista estritamente pós-colonial, poderia sugerir a existência de semelhanças importantes. Os dois movimentos eram ‘antissocialistas’ e ‘anti mestiços’, ‘direcionados para os negros’ e ancorados em estrutura sociopolíticas ‘tradicionais’. Ambos recorreram à violência em grande escala, ambos contribuíram para a falência da economia do respetivo país e ambos procuraram obstinadamente destruir as infraestruturas e os símbolos do poder estatal. Por último, ambos tiveram o apoio da África Austral. É, todavia, evidente que esta linha de análise ocultaria, ao invés de revelar, a génese e a importância da UNITA e da RENAMO na evolução de Angola e Moçambique, no período pós-colonial."


Patrick Chabal (1951-2014)

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 14 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28182: Notas de leitura (1939): Prefácio de António Vilar ao livro "3x44: Abel e Caim em Contrapé", de António Carvalho (Porto: eVida, 2026, 287 pp.)

Guiné 61/74 - P28189: E as nossas palmas vão para... (36): O Jaime Bonifácio Marques da Silva, natural do Seixal da Lourinhã e filho adotivo de Fafe, ex-alf mil pqdt, BCP 21 (Angola, 1970/72), que celebra hoje o seu 80º aniversário









A promessa da mãe, se o filho viesse são e salvo





Lourinhã, Seixal, 17 de julho de 2017, na festa dos 71 anos do Jaime. Aldina Silva (Fafe, 1946-Lourinhã, 2022). Foto: LG





Hoje, no 80º aniversário, a família e os amigos da Lourinhã, Peniche e Bombarral (Luís Graça, Joaquim Pinto de Carvalho, Rogério Ferreira, Laurentino Marteleira, João Pereira, Xico Manel, João Miguel, João Batista, entre outros), vão-lhe fazer uma pequena homenagem, no jantar (reservado) a realizar na Associação Cultural, Recreativa e Desportiva do Lugar das Matas, servido pelo "chef" Inocêncio (ex-Café Nicola,Lourinhã).


Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné | Portal UTW  - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 13 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27731: E as nossas palmas vão para... (35): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convivas na festa do 16.º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algés, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte VII

Guiné 61/74 - P28188: Parabéns a você (2505): Jaime Bonifácio Marques da Silva, ex-Alf Mil Paraquedista da 1.ª CCP /BCP 21 (Angola, 1970/72)

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Nota do editor

Último post da série de 13 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28178: Parabéns a você (2504): António Tavares, ex-Fur Mil SAM da CCS/BCAÇ 2912 (Galomaro, 1970/72)

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28187: (Ex)citações (448): A Pista para aeronaves em Jumbembem (Artur Conceição, ex-Soldado TRMS)

1. Mensagem do nosso camarada Artur Conceição (ex-Soldado TRMS da CART 730/BART 733, Bissorã, Jumbembém e Farim, 1964/66), com data de 13 de Julho de 2026:

Boa tarde amigos e Camaradas Editores.

Como não tenho Quintal, nem Horta, nem Apiário tenho de contentar-me com os meus hábitos matinais de ligar o computador, consultar a meteorologia, ver as gordas do dia, dar uma espreitada ao blogue e verificar com vai a conta bancária, não vá o diabo tecê-las… Gato escaldado da água fria tem medo.

Escrevi algumas linhas sobre a famosa pista para aeronaves em Jumbembem que envio em anexo.
Escrevi também algumas linhas sobre um tema que serviu de mote para o primeiro.
Estou por cá a tentar cumprir com as indicações do Luís Graça. Vamos correr com o Alemão.

O meu Grande Abraço
Muita saúde para todos
Artur António da Connceição



História da Pista de aterragem de Jumbembem

Sendo a Guiné uma região plana tem e sempre teve excelentes condições para a criação de pistas de aterragem para qualquer tipo de aeronaves.
Jumbembem não fugia à regra e tinha condições excelentes para a criação de uma pista de aterragem.

A CART 730, enquanto sediada em Jumbembem, sempre recebeu a sua correspondência largada do Céu, a partir de uma avioneta, por não haver uma pista para aterragem.
As condições geográficas eram boas, havia tempo até de sobra, mas faltou sempre a boa vontade para levar a obra para diante.

Chegou a estar em Jumbembem uma máquina de terraplanagem para proceder à criação da tão almejada pista de aterragem. Essa máquina era manobrada por um 1.º Cabo pertencente à Engenharia sediada em Brá na cidade de Bissau.

A CART 730 enquanto esteve em Jumbembem dispunha de Messe para Oficiais, Messe para Sargentos e Rancho Geral. O 1.º Cabo, Operador de Máquinas considerando que como tinha de trabalhar oito horas por dia, pediu para que as suas refeições tivessem lugar na Messe de Sargentos. Tal não lhe foi concedido, mas logo na primeira oportunidade o nosso 1.º Cabo montou-se na máquina foi embora.

A dada altura o Senhor Comandante da CART 730, Capitão Amaro Rodrigues Garcia não comprou uma “cabritinha”, mas sim uma cabra adulta, que trazia consigo dois filhotes. O objectivo era passar a haver leite para o pequeno almoço na Messe de Oficiais. A cabra mãe e os filhotes pernoitavam em espaços separados e só tinham direito a mama depois de a cabra ser mugida para tirar o leite para a Messe de Oficiais. O cozinheiro da Messe, que era quem mugia a cabra logo pela manhã, quando foi para buscar os filhotes verificou que um deles havia desaparecido durante a noite.

O cozinheiro da Messe teve de dar conhecimento ao Senhor Capitão. Iniciadas as primeiras averiguações para saber o que se tinha passado, verificou-se ao fim de algumas horas de que tinha havido furto. Havia na Companhia um grupo de Alentejanos especialistas em petiscadas muito boas que logo se tornou suspeito. Feita uma minuciosa pesquisa na caserna foi encontrado, já sem vida, o cabritinho dentro de um caixote de guardar farda, mas que tinha ficado com o rabo de fora. Descoberto o crime e os criminosos, procedeu-se ao julgamento e leitura da sentença.

A sentença foi a seguinte: Tinham direito a comer o cabrito, mas como castigo teriam de derrubar 12 árvores na zona onde iria ser construída a futura pista de aterragem.

Pela manhã o grupo dos “condenados”, munidos de machados, pás e picaretas dirigiam-se ao local para cumprimento da pena que lhes havia sido aplicada. Para controlar o stresse iam também munidos de uns baralhos de cartas e algumas bebidas.

Volvidas duas semanas, o senhor Capitão resolveu ir verificar o ponto da situação em relação à execução da pena aplicada. Verificou de que todas as árvores sinalizadas para serem abatidas continuavam de pé.

Chamado o grupo, foi-lhes transmitido de que a sentença passava a ter a seguinte redacção: se no prazo de duas semanas todas as árvores não estiverem tombadas a sentença será revertida e substituída por 15 dias de detenção para cada um.

A sentença foi cumprida, mas as árvores permaneceram tombadas no mesmo local até à retirada de Jumbembem da CART 730.

O helicóptero que procedeu à evacuação do Senhor Capitão Rui Romero entrou pelo lado da futura pista e poisou ao fundo da parada junto aos abrigos subterrâneos.

Esta era a situação, em termos de pista de aterragem para aeronaves, quando da retirada da CART 730.
Eu sei, eu vi, eu estava lá.

Tudo o que se passou posteriormente a 17 de julho de 1966.
Eu não sei, eu não vi, eu não mais lá voltei.


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Posição relativa de Jumbembem na estrada Farim-Colina do Norte. © Infogravura Luís Graça & Camaradas da Guiné


Mote para a Pista

Primeiro interveniente

Deves estar a fazer uma grande confusão... Jumbembem com Iemberem ou outra terriola qualquer terminada em "em" desculpem a cacafonia provocada.

O Artur Conceição é que diz que no tempo dele 1965 em Jumbembem não havia pista e os editores vão na onda e fazem o descritivo da legenda nesse sentido.

Pois segundo reza a História do BArt 733 no dia 2/08/1965 1 GComb/CArt 730 continuou a construção da pista de aterragem e executou melhoramentos diversos no aquartelamento.

Portanto, talvez quando se verificou a morte do Cap Romero 10/07/66 quase um ano depois, talvez a pista já estivesse concluída. Não sei.


Segundo interveniente

O Luís é que escreve o seguinte:

"Segundo a última conversa que tive com o Artur, em Jumbembem não havia pista de aviação. O correio era largado às quintas-feiras, de avioneta. Acabada de chegar a Jumbembem, a CCÇ 1556 [1565] só recebeu o primeiro correio, no domingo, 10 de julho de 1966. Veio diretamente de Farim, por coluna auto."

Atenta no que acima escrevo invocando a História do BArt 733, não sei se a pista estava concluída ou não em 10/07/1966 um ano depois do início da sua construção, mas quase posso afirmar categoricamente que a evacuação que se vê na foto não é da parada de Jumbembem. É isso sim da pista ou do campo de futebol que ficava/fica paralelo à picada Cuntima>Jumbembem>Lamel>Farim e Jumbembem>Canjambari.
Pois a parada estava envolvida pela tabanca antiga que ainda é do meu tempo e fomos nós que a demolimos para construir uma tabanca nova a norte do aquartelamento e paralela à pista.

Donde da parada não se viam as árvores ao fundo nem em 1966 e nem quando fui para lá e só depois da demolição da tabanca velha é que se passou a ver, como se vê na minha foto a preto.

Em 2014


O SITREP era uma mensagem diária de classificação R (Rotina) transmitida ao fim da tarde e que tinha como objectivo enviar o ponto da situação. De um modo geral era transmitida pelo Artur porque o seu envio era sempre por volta da hora do jantar.

Todas as mensagens enviadas a partir de Jumbembem eram emitidas em fonia. Pelo fim da tarde as condições eram mais difíceis. Como o Artur tinha uma das melhores gargantas. Lá teria de ser, o que não significa que a mensagem onde veio este conteúdo tenha sido enviada pelo Artur.

São referidas neste retalho de SITREP 3 acções de elevado significado:

1. Patrulhamentos diários nas imediações da povoação e patrulhas de reabastecimento a FARIM, CANJAMBARI E CUNTIMA.

2. Melhoramentos e construção de edifícios e instalações para a criação de condições de vida e higiene em JUMBEMBEM e CANJAMBARI.

3. Construção da pista de aterragem de JUMBEMBEM e conservação da existente em CANJAMBARI

O terceiro ponto já foi censurado pelo 1.º Cabo António Bastos do Pelotão 953 que esteve em Canjambari.


Agora as mesmas 3 acções, mas com alguma mistura de verdade.

1. Logo pela manhã teve lugar banhinho matinal porque o pessoal da companhia admira a boa higiene, seguido de uma visita à tabanca para apalpar as bajudas.

2. Antes do almoço ainda houve tempo para uma suecada e para uma visita aos arredores para se possível apanhar alguma presa mais distraída.

3. Depois do almoço e após uma merecida sesta e depois de uma suecada, teve lugar um jogo de futebol entre as equipas, Alentejanos e não Alentejanos, que os não Alentejanos ganharam por 3 a zero.

Acreditar naquilo que está escrito nas actividades de Companhias e Batalhões é como acreditar no que está escrito na História de Portugal sobre a Padeira de Aljubarrota, Dona Brites de Almeida que terá matado com a pá de meter o pão no forno sete Castelhanos que se teriam escondido no forno onde Dona Brites cozia o seu pão. Isto para não falar daqueles que ainda acreditam no Pai Natal.

Esta é uma segunda imagem das várias que foram tiradas. Talvez nesta foto dê para identificar melhor a diferença entre o chão da parada e o chão do campo de futebol. De pista de aterragem nem vale a pena falar.

Partindo da “Porta de Armas” do acampamento de Jumbembem e seguindo sempre em linha recta até ao arame farpado entrava-se no espaço previsto para a tal pista.

Para lá do arame farpado do lado esquerdo ficava uma árvore de grande porte que dava frutos pequenos parecidos com figos e que em determinada época foi invadida por bandos de pombos bravos que vieram colher esses mesmos frutos. O Senhor Capitão tinha uma caçadeira que entregou ao Gamito que abateu umas quantas dezenas. Só não comeu pombo de churrasco quem teve preguiça de os depenar.

Do lado direito logo a seguir ao arame farpado ficavam as latrinas da Companhia. Uns 20 ou 30 metros mais adiante ficava uma cova onde eram testadas algumas munições.

Num desses ensaios já na presença do 1.º Sargento da Companhia 1565, aconteceu que uma granada de bazuca foi percutida, mas não saiu. O Primeiro Sargento da CART 730, Maurício Martins Clemente, quando se apercebeu do sucedido arremessou a bazuca para a maior distância que conseguiu, mas não conseguiu evitar ferimentos, não muito graves, mas que o forçaram a regressar a Bissau alguns dias mais cedo.

Entre o posto de rádio e o arame farpado e daí para diante apenas foi construída uma peanha para colocação de uma Metralhadora Antiaérea.

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Nota do editor

Último post da série de 12 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28092: (Ex)citações (447): O pessoal das transmissões: músicos, de talento (tirando eu que só tocava ferrinhos): o que é é feito de vocês, camaradas, Luís Dutra (já falecido), Eduardo Pinto, Victor Barros, Carlos Lã, Fernando Cruz, Fernando Marques, António Camilo, Miguel Pacheco, José Fanha, Nélson Batalha (já falecido), e outros, do meu curso de transmissões... (Hélder Sousa)

Guiné 61/74 - P28186: Bom dia desde Bissau (Patrício Ribeiro) (71): Bubaque, Bijana: 11 de julho de 2026: chuva e mais chuva...


Foto nº 1


Foto nº 2


Foto nº 3


Foto nº 4

Guiné-Bissau > Arquipélago dos Bijagós > Ilha de Bubaque > Bijana > Sábado, 11 de julho de 2026 > Dia de chuva

Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2026). Todos os direitos reservados, [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné ]


1. Fotos enviadas pelo Patrício Ribeiro, que chegou a Bubaque, no dia 10, por volta das 13:55. Apanhou muita chuva. Devido à lentidão da Net, manda-nos sempre uma foto de cada vez. Estas foram tiradas a 11 do corrente, por volta das 14h00. 

A tabanca de Bidjana (ou Bijana) é das  comunidades que beneficia da instalação de painéis solares. Projeto Tanka Mas, da ASAD (Asociación  Solidaria Andaluza de Desarollo) (ONGD, criada em 2005, com sede em Granada). Segundo o censo de 2009, Bijana tinha 94 habitantes (49 homens,  45 mulheres).


Data - 12/7/2026, c. 19:19

Assunto - Chuva

Luís:  A canseira é tanta que dá para tirar uma sesta à chuva... na varanda de uma casa, na tabanca de Bidjana.

Mantenhas
Patrício Ribeiro