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quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Guiné 61/74 - P28494: O que é feito de ti, camarada ? (21): antigos comandantes da CART 2411 (Mansoa, Porto Gole, Bissá, Enxalé, 1968/70), cap mil art Manuel da Silva Frasco, António Dias Lopes e Virgílio Graça Pereira Saganha ?


Guiné > Região do Oio > Sector 04 (Mansoa) > Porto Gole > CART 2411 > 16 de agosto de 1969. Almoço comemorativo do primeirio aniversário da chegada à Guiné do pessoal da CART 2411 ("Velamdo em Toda a Parte" ) (Mansoa, Porto Gole, Bissá e Enxalé, ago68 / abr70).

Teve 3 comandantes, todos capitãe milicianos de artilharia:  por ordem cronológica, Manuel da Silva Frasco, António Dias Lopes e Virgílio Graça Pereira Saganha. Qual deles é o que está assanalado a amarelo na foto ?

Foto (e legenda): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA ( Gemini / Google)]




1.  Foram três 
comandantes da CART 2411 (Mansoa, Porto Gole, Bissá, Enxalé, 1968/70). Eram todos capitães milicianos e de artilharia. Cinquenta e muitos  anos depois, o que é feito deles ?! 
  • Manuel da Silva Frasco,
  • António Dias Lopes,
  • Virgílio Graça Pereira Saganha
Não há notícias deles, na Net ?... Não deixaram rasto, "pegada digital", memórias, fotos ?... Estarão vivos ? Onde moram (ou moraram) ? Têm família ? Encontram-se ou encontraram-se alguma vez com o resto da malta da CART 2411 ? 

Podemos ainda interrogarmo-nos: nunca mais quiseram ouvir falar da Guiné ?... Invocam o "direito ao esquecimento" na Net ?  Querem serem inumados na "vala comum do esquecimento" ?.. 

Ora, nada mais público do que o serviço militar e a participação numa guerra, mesmo a "contragosto" ... 

De qualquer modo, este "silêncio digital" parece ser o padrão recorrente entre antigos comandantes operacionais, milicianos ou do quadro permanente, em geral mais velhos (até 10 anos) do que os seus subordinados (praças, furriéis milicianos, sargentos, alferes milicianos)...e que pertencem a uma geração com graves problemas de literacia informática ou digital.

A escassez de dados públicos sobre o paradeiro e o estado atual dos três capitães milicianos de artilharia que comandaram a CART 2411 (mobilizada pelo GACA 2, Torres Novas, e operando em Mansoa, Porto Gole, Bissá e Enxalé entre agosto de 1968 e agosto de 1970) reflete um padrão comum a muitos oficiais milicianos da Guerra do Ultramar / Guerra Colonial que não seguiram carreira militar ativa nem ocuparam cargos públicos de grande visibilidade mediática.

Eis o ponto da situação sobre cada um destes comandantes operacionais (logo, nossos camaradas), numa pesquisa feita na Net (incluindo o nosso blogue), com a ajuda da IA (Gemini / Google AI, ChatGPT / Open Ai, Claude /Anthropic AI, Vibe / Mistral AI...)

2. Gemini / Google AI

Cap Mil Art Manuel da Silva Frasco (por ordem cronológica, o 1.º Comandante)

Situação: sem rasto público recente ou presença digital ativa registada.

Contexto: comandou a unidade na fase inicial da comissão (1968). Tendo sido  miliciano, é provável que tenha regressado à sua vida civil original após  o regresso da Guiné sem manter ligação editorial a associações de veteranos com presença na web.  Muito menos sabemos por que razão (de saúde, disciplinar, ou outra) deixou precocemente o comando da CART 2411

Cap Mil Art António Dias Lopes (2.º Comandante, por ordem cronológica)

Situação: não se encontram registos de obituário formal ou notícias públicas confirmadas.

Contexto: o nome "António Dias Lopes" é particularmente comum nos registos civis portugueses, o que dificulta a identificação cruzada em bases de dados abertas sem o número de identificação militar ou a data/local de nascimento exatos.

Cap Mil Art Virgílio Graça Pereira Saganha (3.º  e último  Comandante)

Situação: identificado em registos oficiais de carreira na administração pública nas décadas de 1980, 1990 e 2000.

Detalhes: consta do Diário da República com vínculo profissional à Direção-Geral das Alfândegas / Alfândega do Porto. A sua passagem para o setor aduaneiro  após o serviço militar confirma o seu percurso na administração pública profissional. Não existem registos públicos recentes de falecimento com o seu nome completo.

 Estarão vivos? Tendo em conta que a comissão da CART 2411 decorreu entre 1968 e 1970 e que os capitães milicianos rondavam habitualmente os 23/25 a 28/30 anos de idade à data da sua mobilização (nascidos aproximadamente entre 1938 e 1945), a faixa etária atual destes antigos combatentes situa-se entre os 80/90 anos.

A ausência de registos necrológicos ou de homenagens post mortem publicadas nos canais habituais (como o portal da Liga dos Combatentes, convívios anuais da CART 2411, blogues e sítios de veteranos, como o portal Ultramar TerraWeb  outras redes sociais) indica duas possibilidades principais: (i) permanecem felizmente vivos, mantendo uma vida discreta no âmbito familiar/privado, sem participação em fóruns digitais ou redes sociais;  (ii) já faleceram, infelizmente, sem registo digital, situação recorrente para óbitos ocorridos há mais tempo ou cujos anúncios se limitaram à imprensa regional impressa.

3. Claude / Anthropic AI

Fui procurar, e o resultado confirma o padrão de que falas. 

O único rasto público que encontrei dos três é o que o teu próprio blogue já publicou a partir da ficha da CECA (...).  

Fora disso, nada: nem memórias, nem fotos, nem participação em encontros que tenham deixado marca "online".

 A própria companhia aparece no blogue na série das companhias e outras subunidades sem representantes na Tabanca Grande.  E até a imagem do monumento da CART 2411 em Bissá só chegou ao blogue pela mão de um homem de outra unidade, o António Rodrigues, enfermeiro da CCAÇ 2587, que a rendeu em Porto Gole a 5 de março de 1970.

Quanto ao resto das perguntas (se estão vivos, onde moram, que família têm, etc.), não vou procurar isso. 

São hoje simples cidadãos, pessoas com direito a privacidade pelo que reunir dados sobre a vida delas sem que o saibam, seria precisamente atropelar o “direito ao esquecimento”  que tu próprio admites que podem estar a exercer. Todos os antigos combatentes  têm  "direito ao esquecimento".

Se algum quiser ser encontrado, o caminho mais respeitoso é deixar-lhe a porta aberta para vir por si.
 
E há boas formas de abrir essa porta. Um poste no blogue com os três nomes, em jeito de apelo, chega muitas vezes a quem conhece a pessoa, um filho, um neto, um antigo vizinho, um antigo camarada, ou colega de trabalho, que depois decide se lhe passa a mensagem. 

A Liga dos Combatentes e os núcleos regionais costumam saber dos convívios de companhias, e se a CART 2411 alguma vez fez encontros anuais, alguém da organização terá os contactos. 

A ligação ao GACA 2 de Torres Novas, onde a companhia foi mobilizada, também pode dar pistas sobre a origem geográfica dos homens. E o Arquivo Histórico Militar guarda os processos individuais, que servem para a história da unidade, embora não para localizar pessoas vivas.

Quanto ao padrão em si, parece-me tão revelador como qualquer memória escrita. Muitos destes oficiais milicianos que foram para a guerra como capitães porque se acabou o stock de capitães quadro, eram homens com carreira civil feita ou por fazer, que viveram a guerra como um parêntesis a fechar, na sua história de vida.  E muitos já eram casados e com filhos.

Comandar uma companhia aos vinte e tal anos, com mortos e feridos às costas, é um peso que alguns, talvez muitos,  preferiram arrumar para sempre. 

O silêncio deles também é parte da história da CART 2411, e talvez mereça um poste próprio, mesmo que nunca respondam, como este que estás a fazer.

4. ChatGPT / Open AI

Meu caro camarada, esta é uma investigação que vale a pena fazer. E há aqui uma questão que me parece particularmente interessante: o silêncio dos antigos comandantes das companhias operacionais da Guerra da Guiné.

A CART 2411, no período de 1968-1970, passou por Mansoa, Porto Gole, Bissá e Enxalé.  E teve 3 comandantes,  capitães milicianos de Artilharia que tu identificas (...).

Quero separar três coisas: aquilo que está documentalmente comprovado, aquilo que podemos encontrar em fontes públicas e aquilo que seria mera especulação (ou até intromissão  quiçá abusiva,  na esfera da vida privada).

Uma ressalva importante: não encontrar uma pessoa na Internet não significa que tenha morrido, que tenha cortado relações  p
 com os antigos subordinados ou que tenha querido muito simplesmente apagar ou  negar o passado. E não devemos confundir ausência de pegada digital com direito ao esquecimento.

Vamos procurar sobretudo nos arquivos da Guerra Colonial, no blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, nas referências à CART 2411 e nos registos de antigos combatentes.

(i) A primeira descoberta: há uma pista bastante concreta, encontrei uma ficha publicada no teu próprio blogue, em 26 de fevereiro de 2022, intitulada: CART 2411 — Companhias sem representantes na Tabanca Grande.

Confirma os três comandantes, as suas patentes e a especialidade (...)  e acrescenta outras informaçóes importantes (unidade de mobilizaçáo, data de embarque e desembarque, atividade operacional,  etc.). Sabemos que tem História da Unidade,  depositada no Arquivo Histórico Militar, caixa n.º 118, 2.ª Divisão, 4.ª Secção.

E há um pormenor que merece atenção: o blogue classificou a CART 2411 como uma companhia sem representantes na Tabanca Grande. Ou seja, em fevereiro de 2022, não tinhas conseguido identificar nenhum antigo militar da companhia disposto a integrar a tua tertúlia.

(ii) Uma pista que não devemos desperdiçar: o Facebook. A mesma ficha informa que a CART 2411 teve uma página no Facebook, criada em 2011 e inativa desde finais de 2019. Tinha poucas fotografias, mas é precisamente aí que eu procuraria: nomes dos antigos militares; fotografias de convívios; comentários de antigos comandantes; referências às famílias; eventuais contactos entre os três capitães e os seus homens.

Arquivo de publicações do blogue com a etiqueta CART 2411.

(iii) Há ainda uma fotografia de António Rodrigues, antigo 1.º cabo auxiliar de enfermagem, da CCAÇ 2587, junto ao monumento da CART 2411 em Bissá, tirada em 2019. É mais uma peça da memória material da companhia.

(iv) O que consegui apurar sobre cada comandante

Fiz pesquisas pelos três nomes completos, por variantes sem acentos e por combinações com «Guiné», «CART 2411», «capitão miliciano» e «Artilharia». Não encontrei uma biografia posterior confirmável sobre cada um deles.

 Não consegui confirmar se algum dos três está vivo ou se morreu. Também não encontrei fontes fiáveis que permitam estabelecer residência atual ou antiga, familiares ou participação em convívios.

Não seria sério atribuir-lhes uma morada ou uma família com base em homónimos. E muito menos concluir que invocaram o direito ao esquecimento.

(v) Há três pistas que considero especialmente promissoras: podemos lá encontrar respostas que a Internet não dá.

(a) Arquivo Histórico Militar: a História da Unidade da CART 2411 existe, segundo a ficha oficial reproduzida pelo blogue. A caixa 118 é uma referência concreta para pedir consulta. Arquivo Histórico Militar. O processo poderá conter relações de comando, alterações de efetivos, datas de rendição e documentação assinada pelos capitães.

(b) Os antigos militares da companhia: a página de Facebook da CART 2411 continua a ser uma pista, apesar da inatividade indicada desde 2019: CART 2411 — 68/70 — Guiné.

(c) Os camaradas que estiveram no mesmo sector (O4, Mansoa):

O blogue publicou fotografias recentes de Porto Gole e Bissá, incluindo material do Padre José Torres Neves, que esteve no sector de Mansoa em 1969-1971, como capelão. Os antigos militares das unidades que renderam a CART 2411 poderão conhecer os seus comandantes.

A publicação de 2022 não recebeu comentários. Isso não significa que ninguém saiba deles; significa apenas que a chamada pública não produziu, pelo menos naquele registo, respostas.

(vi) A minha proposta: não deixar morrer esta investigação

Há uma iniciativa que me parece mais eficaz do que continuar a fazer pesquisas cegas na Internet: publicar um apelo dirigido aos antigos militares da CART 2411, aos familiares e aos camaradas das unidades vizinhas. Não apenas à procura dos três capitães, mas também de fotografias, histórias e notícias dos encontros da companhia.

 O apelo poderia ter este título: «CART 2411 — Velando em toda a parte: onde param os nossos três capitães?»

E terminaria com uma pergunta simples: 

"Algum antigo militar, familiar ou amigo sabe o que foi feito de Manuel da Silva Frasco, António Dias Lopes e Virgílio Graça Pereira Saganha?" (...)

 (vii) Uma última observação: não temos, por enquanto, qualquer fundamento para dizer que estes homens quiseram esquecer a Guiné. 

Talvez tenham simplesmente seguido as suas vidas, como tantos outros oficiais milicianos (sem falar dos do quadro permanente...), sem deixar testemunho escrito. Aliás, a grande maioria dos antigos combatentes, oficiais, sargentos e praças.

Mas os  subordinados desses comandantes têm o direito a procurar saber quem eles foram e que caminho percorreram depois de agosto de 1970, quando todos passaram a " peluda"...

Afinal, também eles fizeram parte da história da CART 2411.

Posso continuar a vigiar as referências públicas a estes três nomes e avisar-te quando aparecer alguma informação nova.

5. Vibe / Mistral AI

(...) Uma única pista documental independente: Virgílio Graça Pereira Saganha.

O nome completo dele aparece   no Despacho (extracto) n.º 26 988/2002, de 23 de dezembro de 2002, Diário da República, 2ª Série : 

(...) "Pelo despacho de 9 de Dezembro de 2002 do subdirector-geral das Alfândegas e dos Impostos Especiais sobre o Consumo, licenciado João Martins, no uso dos poderes que lhe foram delegados (...), foram promovidos a secretários aduaneiros principais da carreira de secretário aduaneiro, do quadro de pessoal desta Direcção-Geral, os seguintes funcionários:

(...)  Virgílio Graça Pereira Saganha (...)"

(Pesquisa: LG + IA (Gemini, Claude, ChatGPT, Vibe)

(Condensaçáo, revisão / fixação de texto, negritos: LG)
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Guiné 61/74 - P28493: Álbum fotográfico do Padre José Torres Neves, ex-alf graduado capelão, CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) - Parte XLV: A "velhice" (o pessoal da CART 2411, 1968/70) fez um ano (em 16 de agosto de 1969) e houve rancho melhorado

 

Foto nº  1A, 1




Foto nº 2B, 2A,  2


Foto nº 3

Foto nº 4

Foto nº 5

Guiné > Região do Oio > Sector 04 (Mansoa) > Porto Gole > CART 2411 > Agosto de 1969

Fotos (e legendas): © José Torres Neves (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA ( Gemini / Google]


1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do alferes graduado capelão José Torres Neves, nosso grão-tabanqueiro, que pertenceu à CCS/BCAÇ 2885 (Mansoa, 1969/71) (*)

Hoje missionário da Concordata, reformado (e nonagenário!), o José Torres Neves é natural de Penamacor (a terra também do nosso atual Presidente da República, António José Seguro).

O espólio fotográfico do José Torres Nerves tem estado à guarda do seu e nosso amigo e camarada Ernestino Caniço (ex-alf mil cav, cmdt do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, Bissau, Fev 1970/Dez 1971; hoje, médico, foi diretor do Hospital de Tomar, 6 anos, de 1990 a 1996, e diretor clínico cumulativamente 3 anos, de 1994 a 1996, vivendo então em Abrantes; hoje mora em Tomar).

Como sugerem as fotos sobre Porto Gole, esta visita do capelão foi feita em agosto de 1969, altura em que o arroz jã estava plantado na bolanha (a recolha é em novembro, dezembro, janeiro). 

Por outro lado, as fotos que publicamos acima,  são da festa do "1º ano da velhice" (sic), diz  o fotógrafo nas suas lacónicas legendas. Ora, recorde-se,  a CART 2411 desembarcou na Bissau em 16Ago68. Logo, em 16Ago69 estava a comemorar um ano de Guiné.

Em Porto Gole (Sector O4, Mansoa), nessa altura,  além da CART 2411 (que será rendida em 5 de março de 1970 pela CCAÇ 2587 / BCAÇ 2885), estava ainda o Pel Caç Nat 54 e 1 pelotão da CCAÇ 2589, em 1 de julho de 1969.

A CART 2411 tinha também, nessa altura,  forças destacadas em Bissá (menos de 2 Pel) e no  Enxalé (1 Pel). 

O nosso capelão deve ter-se deslocado de avioneta, de Mansoa até Porto Gole. Estamos em plena época das chuvas. Visitou depois Bissá, indo até lá de sintex (*). 

 Na foto nº 1, acima, vemos o comandante da companhia, a discursar, antes do início da refeição. Não sabemos quem  é ele, mas deve ser um dos 3 capitães, milicianos, que a CART 2411 teve, todos da arma de artilharia: 

Cap Mil Art Manuel da Silva Frasco | Cap Mil Art António Dias Lopes | Cap Mil Art Virgílio Graça Pereira Saganha.

Também não sabemos qual foi o "petisco": as fotos (nº 2 e 3) não têm suficiente nitidez e detalhe para se saber qual foi o "rancho" que nesse dia tinha de ser melhorado.

 Pode ser que algum dos nossos camaradas queira arriscar um palpite.. Frango, era pouco provável. Bacalhau, ainda mais improvável. Acompanhamento, ou arroz ou massa, para variar. Batatas, nem pensar!... Eram um luxo. E porque não caça ? Ou uma vaquinha magricelas dos balantas ?... 

Não era muita malta, apenas um pelotão... 

Quanto à bebida, não há qualquer dúvida: era a a Cristal (fotos nºs, 2,3,4). Na  imagem melhorada pela IA (foto nº 4), vemos a icónica garrafa de vidro âmbar da Cerveja Cristal,  e o seu clássico rótulo oval com fundo vermelho e letras brancas. 

É possível observar nitidamente a menção à CUFP (Companhia União Fabril Portuense) e à emblemática fábrica de Leça do Balio no fundo do rótulo.
Naquela época, a Cristal era de facto a grande marca nortenha e uma das principais concorrentes da Sagres, marcando presença obrigatória nas mesas e no imaginário dos portugueses,  inclusive nos aquartelamentos e destacamentos da Guiné. Mas aqui bebia-se o que a Intendência mandava: Sagres, Cristal, "água de Lisboa", etc.

 2. Relembre-se, entretanto, a ficha da unidade já aqui publicada:

Companhia de Artilharia nº 2411


Esta é uma subunidade que  continua a  não ter, até à data, nenhum representante na Tabanca Grande. São também muito escassas as referências no blogue, contrariamente à CART 2410 e à CART 2412.  

Tem, todavia, uma página no Facebook (criada em 2011, inativa desde finais de 2019). Tem poucas fotos.

Daí justificar-se esta ficha de unidade. O brasão (ou crachá ?), que se reproduz ao lado, com a devida vénia, e que foi melhorado pela IA,  é da valiosa coleção do  Carlos Coutinho (2011). (Ele contou-me, há dias, por email, com o é que tudo começou com a sua coleção... Haveremos de partilhar essa história, que é de amor, e que é bonita; fê-la por causa do seu pai!)

Identificação: CArt 2411

Unidade Mob: GACA 2 - Torres Novas

Cmdt: Cap Mil Art Manuel da Silva Frasco | Cap Mil Art António Dias Lopes | Cap Mil Art Virgílio Graça Pereira Saganha

Divisa: "Velando em toda a parte"

Partida: Embarque em 11Ag068; desembarque em 16Ag068 | Regresso: Embarque em 18Abr70



Síntese da Actividade 
Operacional

(i) em 26Ag068, seguiu para Aldeia Formosa, a fim de efectuar o treino operacional sob orientação do BCaç 2834, o qual foi interrompido e continuado em Mansoa, a partir de 04Set68 até 26Set68, então sob orientação do BCaç 1912;

(ii) depois a companhia permaneceu temporariamente em Mansoa, em reforço do BCaç 1912, a fim de tomar parte em operações realizadas nas áreas de Changalana, Inquida, Polibaque e Bindoro, tendo um pelotão sido colocado no destacamento de Bissá, a partir de 22Set68; de 310ut68 a 02N ov68, participou ainda numa operação realizada na região do Morés, sob controlo operacional do BCaç 2851;

(iii) em 07Nov68, rendendo a CArt 1661, assumiu a responsabilidade do subsector de Porto Gole, com destacamentos em Bissá e Enxalé (este até à sua passagem para a zona de acção do BCaç 2852, em 290ut69) e ficando integrada no dispositivo e manobra do BCaç 1912 e depois do BCaç 2885;

(iv) em 14Mar70, foi rendida no subsector de Porto Gole pela CCaç 2587, sendo colocada em Bissau, onde substituíu a CCaç 2382 no dispositivo do BArt 2866, com vista à segurança e protecção das instalações e das populações da área; destacou ainda um pelotão para o subsector de Nhacra, que se instalou em Safim e João Landim.

(v) em 16Abr70, foi substituída, temporariamente, no subsector de Bissau por dois pelotões da CArt 2412, a fim de efectuar o embarque de regresso.

Observações - Tem História da Unidade (Caixa n.º 118 - 2.ª Div/4.ª Sec. do AHM).

Fonte: Excertos de: CECA - Comissão para Estudo das Campanhas de África: Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974) : 7.º Volume - Fichas das Unidades: Tomo II - Guiné - 1.ª edição, Lisboa, Estado Maior do Exército, 2002, pág 464.
 

(Revisão / fixação de texto, negritos: LG)

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Nota do editor LG:

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Guiné 61/74 - P28492: Historiografia da presença portuguesa em África (551): A Guiné vista por estrangeiros - I: A viagem na Senegâmbia e na Guiné Portuguesa pelo Capitão Henri Brosselard (19): Le Tour du Monde, nouveau journal des voyages, 1889, 1.º semestre, Livraria Hachette (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 16 de Março de 2026:

Queridos amigos,
Estamos já nas últimas páginas do documento elaborado pelo Capitão Henri Brosselard. Confesso que encontrei inúmeras dificuldades na tradução. logo a torto e a direito ele fala em ville e village, vi-me na obrigação, em muitos casos de falar em aldeamentos ou povoações, a palavra village por exemplo não me parece ter cabimento em português para falar de seis ou oito moranças. O mesmo direi da descrição que ele faz das florestas, todas as árvores gigantes lhe parecem ser da família Bombax, ora nós sabemos que há diferentes designações; e nos primeiros textos que aqui publiquei ia referindo que os indígenas empunhavam sabres quando na verdade empunhavam catanas; para acabar este meu lamento, há também as expressões à volta de terrenos pantanosos e braços de rio, só muito raramente o Capitão Brosselard fala em mangrove, o equivalente a tarrafe.
Posto isto, este penúltimo texto assinala o fim dos trabalhos da comissão, os portugueses deixaram a Casamansa e o oficial francês antes de partir para Gorée vai espiolhar rios menores que desaguam no Casamansa. Como iremos ver no último texto, as referências à Guiné portuguesa não serão muito abonatórias, vê-se claramente que o oficial francês deve abocanhar aquele pedaço de território enquistado na África ocidental francesa, a Gâmbia será também um outro corpo estranho, mas o poder da Grã-Bretanha não permite veleidades, é melhor nem falar do assunto.

Um abraço do
Mário



A Guiné vista por estrangeiros - 1:
A viagem na Senegâmbia e na Guiné Portuguesa pelo Capitão Henri Brosselard – 19
Le Tour du Monde, nouveau journal des voyages, 1889, 1.º semestre, Livraria Hachette


Mário Beja Santos

A narrativa do Capitão Henri Brosselard é relevante na medida em que exprime o ponto de vista do chefe da missão francesa à primeira demarcação das fronteiras da recém-criada Guiné portuguesa, uma narrativa que deve ser aferida com a do Tenente da Armada-Real Costa Oliveira, chefe da missão portuguesa, esta aqui já publicada no blogue e que irá reaparecer no meu livro "Guiné Bilhete de Identidade Tomo II".

A narrativa do Capitão Brosselard caminha para o fim, a comissão portuguesa já deixou o Casamansa, o oficial francês vai percorrer outras zonas antes de chegar a Gorée. A comissão portuguesa deixou o Casamansa no Guadiana e a comissão francesa no Mésange. Voltamos ao relato na primeira pessoa do singular.

Antes de tomar a rota para Gorée, o nosso barco navegou no rio Sâloum. Quando se deixa Dacar indo para o sul, este rio é o primeiro dos rios franceses que tem uma saída para o interior, da mesma maneira que o rio Mellacorée é o último.

O rio Sâloum é navegável por noventa milhas. Os navios de comércio de 30 a 250 toneladas sobem facilmente até ao posto de Kawlakh, que foi construído em 1861. A barra apresenta algumas dificuldades, porque é formada por bancos movediços. Nós entrámos seguindo uma linha de balizas que marcam o canal. As margens do Sâloum e do Sîn, um dos seus afluentes, são baixas e cobertas de espessos e altos tarrafes cheios de aves aquáticas, graças brancas e azuis e pelicanos. Imensas lalas estendem-se a perder de vista, podemos ver os troncos cónicos e acobreados das árvores gigantes; o leopardo e a pantera caçam aqui, a gazela e os antílopes. Alguns, raros, elefantes vivem solitários e temidos junto dos rios e também nos espaços desérticos do alto Sâloum; para lá de Kawlakh habita a girafa.

O círculo de Sîn-Sâloum compõe-se de dois reinos indígenas; o Sîn, com capital em Fatick, e o Sâloum, com capital em Kawn. São dois reinos Sérères habitados o primeiro pelos Sîn-Sîn, o segundo pelos Sîn-Sâloum. Os Sérères são os indígenas mais selvagens e os mais cruéis do Senegal; são especializados na ciência temível dos venenos com efeitos lentos e estranhos; e certas tribos, no entanto vizinhas de nós, habitam ainda nas árvores como os macacos.

A singular doença do sono, muito espalhada na Senegâmbia, faz numerosas vítimas no território Sérère. A povoação de Portudal foi completamente destruída pela aparição desta doença que lembra bastante um longo envenenamento e causa aos negros o maior pavor. As casas comerciais do Senegal estabeleceram delegações em Foundiougne, Kawlakh e Fatick. Foundiougne acha-se na ilha do mesmo nome, na margem esquerda do Sâloum; as relações entre Gorée e esta escala são antigas e ativas. Quatro estabelecimentos de cor branca alinham-se na margem com os seus longos cais de madeira avançando no rio. Entrevê-se atrás delas as casas bem alinhadas do aldeamento indígena postas como enormes colmeias sobre os verdes-pálidos de uma grande floresta. Durante o ano de 1888 a quantidade de amendoim tratado em Foundiougne foi superior a 5 milhões de quilos.

O nosso aviso estava fundeado em Foundiougne, subi o rio Sîn com a chalupa a vapor e assim cheguei a Fatick, subindo as intermináveis sinuosidades do rio. Em Fatick, o Sîn torna-se bastante estreito, a partir daqui já não é navegável. Quatro armazéns dirigidos pelos de Foundiougne são construções novas, datam do ano passado. À volta são dois grandes aldeamentos indígenas, um na margem do rio, o outro no interior. Subindo a margem vê-se a pouca distância um grupo de cinco ou seis casas cercadas por uma paliçada e à sombra de um soberbo tamarindo: é o posto ocupado por um sargento europeu e alguns atiradores indígenas. Tamarindos, poilões, árvores da borracha envolvem a povoação de uma magnífica cintura de sombra e verdura. Pássaros de todas as cores, melros metálicos, colibris, pombos verdes, chilreiam nas árvores, e os grandes bois dos Fulas circulam livremente pelos prados. Regresso desta excursão na mesma embarcação até à povoação de Kawlakh, erigida sobre o Sâloum, quase numa das extremidades de um dos seus braços. Era neste lugar que existia outrora a mais importante escala da região.

Hoje, depois da doação feita à França da ilha de Foundiougne pelo régulo Sâloum, deu-se uma emigração de indígenas e Kawlakh perdeu a importância do passado. Há em Fatick quatro feitorias dirigidas pelos de Foundiougne. O posto está abandonado e arruinado.

As escalas de Foundiougne, Fatick e Kawlakh são território francês: o resto não é mais do que um país protegido, sob o nosso controlo, mas regido pelas leis e costumes indígenas. Apesar da propaganda muçulmana, o fetichismo é a forma religiosa do país. A serpente é o emblema da divindade. O feiticeiro é um personagem oficial, sacerdote e médico ao mesmo tempo.

Triste sorte terá o indígena que não pertencendo à confraria se ponha a fazer de feiticeiro: será morto desde que, com razão ou sem ela, se faça passar por feiticeiro. É difícil penetrar no segredo dos ritos religiosos dos Sérères. Sabe-se, contudo, que existe entre eles uma vasta sociedade secreta que tem muita analogia com a dos Simons, que encontramos entre os Nalus e os Bagas; como nestes últimos, esta sociedade é todo-poderosa e, sob a máscara religiosa, parece igualmente não ter uma só finalidade, uma espécie de função social que consiste em defender o indígena contra o poder. Graças a um sistema admiravelmente organizado, pode transmitir instantaneamente a sua palavra de ordem até aos lugares mais longínquos do território Sérère.

E o Capitão Henri Brosselard vai despedir-se na sua narrativa falando da Guiné Portuguesa. Será assim que concluiremos o texto que publicou em Le Tour du Monde, em 1889.


Capitão Henri Brosselard, gravura de Thiriat, segundo uma fotografia
Fotografia antiga de Casamansa
Imagem do Capitão Brosselard no país dos Banhuns
Mulheres na fonte em Ziguinchor

Imagens antigas retiradas do site Senegal Online

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de > Guiné 61/74 - P28469: Historiografia da presença portuguesa em África (550): A Guiné vista por estrangeiros - I: A viagem na Senegâmbia e na Guiné Portuguesa pelo Capitão Henri Brosselard (18): Le Tour du Monde, nouveau journal des voyages, 1889, 1.º semestre, Livraria Hachette (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P28491: A nossa guerra em números (53): "As tonelagens a movimentar são superiores às possibilidades de escoamento das embarcações, das viaturas e dos meios aéreos disponíveis" (brig Reymão Nogueira, cmdt militar do CTIG, 31Out1966)

 

Guiné > Zona Leste  > Sector L3 (Nova Lamego)  > Viatura do BCAÇ 1856 atolada. Em 1Mai66, o BCAÇ 1856 tinha assumido a responsabilidade do Sector L3, com sede em Nova Lamego, no qual estavam incluídos os subsectores de Bajocunda, Canquelifá, Piche, Buruntuma, Madina do Boé e Nova Lamego. O Sector L3 (Nova Lamego) era, a par do S2 (Buba) e S3 (Catió), um  dos mais afetados com a carência de meios de transporte (terrestres e aéreos). As colunas logísticas eram sempre um pesadelo, agravado no tempo das chuvas., quando as "picadas" se tornavam intransitáveis.

(Foto, a preto e preto, do AHM -Arquivo Histórico Militar | CECA, 2014, pág., 402 |  Imagem reconstituída e colorizada: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné+ IA (Google / Gemini).


1. (CECA (2014): excertos do Anexo n° 4 - Relatório de Posse do Comando do CTIG de 31 de Outubro de 1966

O Comandante Militar, Brigadeiro António M. Malheiro Reymão Nogueira, apresentado na Guiné em 07Set66, elaborou um Relatório de posse do Comando em 31 Out66, em que referia a situação sumária, a essa data, dos principais problemas em diversas áreas e terminava com uma conclusão geral. 

Referia "duma forma geral, todas as deficiências citadas ao longo deste Relatório já foram expostas à Metrópole, algumas delas insistentemente, principalmente quando afectam grave e directamente aactividade operacional".

Porque há facetas interessantes que elucidam o trabalho realizado em missões não operacionais, extraem-se do Relatório aspectos relacionados com os;

  • Serviços de Informações Militares
  • Contra-Informação,
  • Logística,
  • Transportes, 
  • Engenharia, 
  • Transmissões, 
  • Serviço de Material, 
  • Intendência,
  • Saúde, 
  • Contabilidade e Administração, 
  • Postal Militar, 
  • Destacamento de
  • Ligação e Reconhecimento das Transmissões n° 8 
  • Conclusão geral

(Continuação) (ª)

(ii) Transportes Terrestres

Meios, necessidades e disponibilidades

A partir de Bissau, transporta-se, em média mensal, para o interior a seguinte tonelagem (dados de 1966):

  • Sector de Bula: 180 ton
  • Sector de Mansoa: 210 ton
  • Sector de Farim (quando possível): 210 ton
  • Total Geral 600 ton

Tendo em atenção que só existe uma Unidade de Transportes Rodo, a Companhia de Transportes 1576 (20 viaturas "Mercedes" das quais 12 operacionais, em média) que na realidade transporta aproximadamente 270 ton / mês, verifica-se um desequilíbrio grande no binário Necessidades-Disponibilidades,que não é possível anular mesmo lançando mão das viaturas do BINT (Batalhão de Intrendência) que transportam em média 1500 ton/mês e que estão praticamente sempre empenhadas nos carregamentos de embarcações para o interior.

Com a saída dos Destacamentos de Intendência para o interior, a Secção de Transportes  vê diminuídas as suas possibilidades de transporte dentro de Bissau e daqui para os Sectores de Bula e Mansoa, porque deixa de poder ser reforçada a Companhia de Transportes com uma média de 8 viaturas daqueles Destacamentos.

[...].

(ii) Transportes Aéreos

Existem presentemente carreiras aéreas de avião "DO-27" que fazem as ligações entre várias Subunidades dos Batalhões, de uma a três vezes por semana.

Não satisfazem as necessidades dos Batalhões, em especial dos Sectores L3 (Nova Lamego) , S2 (Buba) e S3 (Catió). 

Alternadamente são realizadas com aviões "Dakota", carreiras para Nova Lamego-Farim e Bafatá- Tite.

Sempre que necessário é feito à FA o pedido especial para transporte de carga e bem assim para evacuações de doentes e feridos. 

Estes pedidos porém são sempre condicionados às disponibilidades existentes as quais ficam aquém das necessidades. 

Assim, por exemplo, o fornecimento de frescos às Unidades do interior, não pode fazer-se com regularidade, devido à falta de capacidade dos transportes aéreos, sem recorrer ao fretamento de aviões civis [...].

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos: LG)

Fonte: Excertos de: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 6.º Volume; Aspectos da Actividade Operacional; Tomo II; Guiné; Livro I; 1.ª Edição; Lisboa (2014), pp. 477, 484/485, 498,

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos: LG)

2. Comentário do editor LG:

Não se faz referência ao Pelotão de Transportes Especiais que já existia, em 1966, e que fazia parte do BENG 447 (*). Mas falaremos em próximo(s) poste(s) do ponto da situção no que diz respeito à Engenharia, bem como à Intendência e, eventualmente, a outros comandos de  armas e chefias serviços. 

É interessante a conclusão geral do relatório do então comandante militar do CTIG,  brigadeiro António Maria Malheiro Reymão Nogueira (1909-1987),   um militar oriundo da arma de cavalaria, contemporâneo de António Spínola na Escola do Exército, e que irá ser demitido por Marcello Caetano em 27 de maio de 1971, do lugar de cmdt da Região Militar de Coimbra, por alegadamente ter criticado em público  a proposta de revisão constitucional do Governo (um dos 3 pontos mais polémicos era justamente a do estatuto dos territórios ultramarinos).

 Para o então cmmdt militar do CTIG, havia deficiências gritantes, no apoio logístico, apresentadas em 31/10/1966, à Metrópole. Por exemplo, estas duas, relevantes para o problema dos Transportes (*):

(i)  "Possibilidades limitadas dos meios navais de transporte que são insuficientes para atenderem as necessidades operacionais e logísticas"

(ii) "As tonelagens a movimentar são superiores às possibilidades de escoamento das embarcações, das viaturas e dos meios aéreos disponíveis".

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Nota do editor LG:
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Guiné 61/74 - P28490: A nossa guerra em números (52): Ao fim de um ano, eu e tu, camarada, gastávamos, cada de um nós, uma GMC carregada de abastecimentos, 2,8 toneladas...

 

















Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Texto: CECA (2014)
Imagens : Arquivo do blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI (2026)


1. Camaradas, os números podem ser "fastidiosos". Todos temos falhas de numeracia. O português não gosta de pensar e falar com números. Mas  estes são  muito interessantes para uma abordagem, mesmo superficial,  da logística militar no CTIG (1961-1974). 

Aliás, há aqui uma questão que merece ser valorizada: a nossa guerra da Guiné não se fazia apenas com homens e armas; fazia-se também com toneladas e toneladas de abastecimentos, transportadas por terra, ar e, sobretudo, por água.

No mato, sentíamos a falta dos abastecimentos (víveres, artigos de cantina, comida, bebida, correio, munições, etc.). Mas nunca nos preocupámos muito em saber da  logística que estava por detrás de tudo isso (do planeamento aos transportes)... 

Ora, era uma condição indispensável da operacionalidade das NT. E, num território como a Guiné, com uma extensa rede hidrográfica, más estradas e mais de 200  guarnições dispersas e muitas isoladas, em ambiente de guerra (às vezes danada!), o transporte fluvial tinha uma importância estratégica enorme.

Cada companhia destacada num aquartelamento ou destacamento representava uma obrigação logística permanente. Não bastava lá colocar 150 ou 160 homens, em Farim, em Canjadude, no Xitole, em Fulacunda, em São  João, em Buba, em Aldeia Formosa, em Guileje, em Catió...  

Era preciso alimentá-los, equipá-los, municiá-los, assegurar o combustível das viaturas e geradores, fornecer medicamentos, manter as ligações postais, carrear materiais para a "psícola", sem esquecer o arroz com que alimentávamos grande parte da população que estava sob a bandeira portuguesa...

 Spínola também sabia que não havia almoços grátis (neste caso a bianda nossa de todos os dias)...

Dá para pensar o que cada um das nossas companhias no mato consomia por mês:

Tipo de abastecimento | Peso mensal
  • Víveres | 14 500 kg
  • Artigos de cantina | 3 000 kg
  • Combustíveis | 8 000 kg
  • Munições | 700 kg
  • Medicamentos | 500 kg
  • Lubrificantes | 500 kg
  • Fardamento e calçado | 300 kg
  • Correio | 250 kg
  • Total | 37 750 kg
Ao fim de um  ano (12 meses), eu e tu, camarada  gastávamos, cada de um nós,  uma GMC  carregada de abastecimentos, 2,8 toneladas... (E ainda faltam aqui materiais de construção, etc.; aliás, cada companhia de quadrícula não eram 160 homens, era também muitas vezes uma tabanca inteira!)

Esta BD didática convida-nos a não esquecer estes números. E mais: que guerra também se fazia a bordo do BOR, das LDM, das LDG, dos "barcos-turras"... 

E essa é uma dimensão da história da Guiné que merece ser contada, também com a memória dos marinheiros e das guarnições que asseguravam aquelas ligações, entre Bissau e o mato.

Marinheiros, mas também pessoal de terra e de ar...Não esqueçamos ninguém. 
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 3 de novembro de 2026 > Guiné 61/74 - P284888: A nossa guerra em números (51): a epopeia dos transportes: só por via fluvial, e por mês, Bissau enviava em 1966 c. 3 mil toneladas para o interior (o "mato")


terça-feira, 3 de novembro de 2026

Guiné 61/74 - P28489: Efemérides (398): No Dia dos Fiéis Defuntos, romagem aos cemitérios de Leça da Palmeira e Matosinhos para homenagear a memória dos matosinhenses caídos na I Guerra Mundial e Guerra do Ultramar (Carlos Vinhal)

Realizou-se no passado dia 2 de Novembro, Dia dos Fiéis Defuntos, a tradicional romagem ao Cemitério n.º 1 de Leça da Palmeira e Cemitério n.º 2 de Matosinhos (Sendim), locais onde existem Talhões da Liga dos Combatentes, para homenagear os matosinhenses caídos em Campanha na I Guerra Mundial e Guerra do Ultramar.

A cerimónia teve início no Talhão do Cemitério de Leça da Palmeira, pelas 10h30, com a deposição de duas coroas de flores, seguindo-se o toque de homenagem aos mortos e uma evocação religiosa pelo Pároco de Leça da Palmeira, Padre Francisco Andrade.

Em Matosinhos, pelas 11h15, no Cemitério de Sendim, depôs-se uma coroa de flores no Talhão, a que se seguiu o toque de homenagem aos mortos e foi lida a prece do Exército.

Posteriormente, no mesmo cemitério, os participantes dirigiram-se para junto do Memorial aos 70 Combatentes Mortos na Guerra do Ultramar, onde se procedeu à deposição de duas coroas de flores, seguindo-se o toque de homenagem aos mortos e a leitura da prece do Exército.

Os toques nas cerimónias foram executados, como habitualmente, pelo senhor Francisco, Clarim dos Bombeiros Voluntários de Matosinhos-Leça.

Estiveram presentes nas cerimónias:
o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Dr. Carlos Mouta;
o Presidente da Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, Dr. Plácido Santos;
em representação da Junta de Freguesia de Matosinhos, Prof. Paulo Ferreira.

O Núcleo de Matosinhos da Liga dos Combatentes fez-se representar pelo Presidente da Direcção, TCor Armando Costa e Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Combatente Ribeiro Agostinho;
Assitiram e participaram nas cerimónias, Antigos Combatentes, familiares e público em geral.

Foto 1 > Leça da Palmeira > Início da cerimónia
Foto 2 > Leça da Palmeira > Senhor Pe. Francisco Andrade, Dr. Carlos Mouta, Dr. Plácido Santos e Tenente Coronel Armando Costa
Foto 3 > Leça da Palmeira > Momento da deposição de coroa de flores pelos TCor Armando Costa e Dr. Carlos Mouta.
Foto 4 > Leça da Palmeira > Momento de reflexão
Foto 5 > Leça da Palmeira > Dr. Plácido Santos depois da deposição da coroa de flores da Junta de Freguesia
Foto 6 > Leça da Palmeira > Momento religioso pelo Pe. Francisco Andrade, auxiliado pelo Antigo Combatente Raul Ramos
Foto 7 > Leça da Palmeira > Talhão da Liga dos Combatentes
Foto 8 > Matosinhos > Sargento Mor David Caetano, do Núcleo de Matosinhos da LC que coordenou as cerimónias; Clarim dos B.V. de Leça da Palmeira, senhor Francisco, e Porta-estandarte do Núcleo, Antigo Combatente Neves
Foto 9 > Matosinhos > Autoridades e Antigos Combatentes presentes na cerimónia
Foto 10 > Matosinhos > Momento da deposição da coroa de flores no Talhão da LC do Cemitério de Sendim
Foto 11 > Matosinhos > Cemitério de Sendim > Talhão da Liga dos Combatentes
Foto 12 > Matosinhos > Memorial aos Combatentes Matosinhenses caídos em campanha na Guerra do Ultramar > Deposição de coroa de flores
Foto 13 > Matosinhos > Momento de reflexão junto ao Memorial
Foto 14 > Matosinhos > Parte do Memorial onde constam os 69 nomes dos Combatentes caídos em campanha
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Fotos: © José Trindade. Editadas e legendadas pelo coeditor CV

Guiné 61/74 - P28488: A nossa guerra em números (51): a epopeia dos transportes: só por via fluvial, e por mês, Bissau enviava em 1966 c. 3 mil toneladas para o interior (o "mato")



Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá >  Sector L1 (Bambadinca) > Rio Geba > Xime > A LDG 101 "Alfange" a abicar ao porto fluvial do Xime... O pessoal desembarcado, mais as bagagens e o armamento, seguiam depois em coluna auto para os seus destinos, mais a leste (Bambadinca, Bafatá, Nova Lamego, Canjadude, Madina do Boé, Piche, Pirada, Buruntuma, Canquelifá etc.)...

Em 7 de maio de 1968, desembarcaram aqui, nesta ou noutra LDG, os elementos que constituíam o Pel Rec Daimler 2046, comandado pelo alf mil cav Jaime Machado, e colocado no setor L1 (Bambadinca). Vinte e dois meses depois, em fevereiro de 1970, terminada a comissão, os nossos camaradas de cavalaria voltavam apanhar a LDG, de regresso a Bissau onde, em abril de 1970, regressavam a casa, no mesmo T/T Niassa, que os tinha trazido 


Foto (e legenda): © Jaime Machado (2015). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Sabe-se que uma companhia (160 homens, em média, de atiradores, de infantaria, de artilharia ou de cavalaria) precisava de cerca de 40 toneladas de abastecimentos por mês...o que é equivalente à capacidade de carga de:

  • 1 motor"Bor", "BM1" ou "Bm2";
  • 3 a 4  LDM (Lancha de Desembarque Médio);
  • 1/5 de uma LDG (Lancha de Desembarque Grande) (como a foto acima),

Imaginemos que o transporte fosse apenas feito por via fluvial e por LDG: ao fim da um comisssão de serviço de 22 meses, a carga transportada (880 toneladas por companhia) implicaria:

  • 22 viagens de um motor como o "Bor";
  • 4  viagens de LDG;
  • c. 80  viagens  de LDM.

2. Discriminam-se a seguir, por tipologia de abastecimento, os respetivos valores por mês (em percentagem do total e em quilogramas) (*)

(i) 38,7 %; víveres (alimentação): 14,5 mil  kg, sendo 12 mil kg de víveres secos, e 2,5 mil kg de víveres frescos:

(ii) 34,7%: artigos de cantina (cerveja, tabaco, higiene, papelaria, etc.): 13 mil kg:

(iii) 21,4%: combustíveis (gasóleo, gasolina, petróleo): 8 mil kg;

(iv) 1,6%: munições:  700 kg;

(v) 1,3%: medicamentos; 500 kg:

(vi) 1,1%:  lubrificantes (óleo para viaturas e armamento, etc.): 500 kg;

(vii) 0,7%: fardamento e calçado: 300 kg;

(viii) 0,5%: correio: 250 kg.

Total= 100% | 37750 kg (a dividir por 160 homens=235,9 kg).

3. Os transportes foi sempre um "problema bicudo" no TO da Guiné, do princípio ao fim.  Por muitas razões, a começar por:

  •  falta de meios (homens, viaturas, embarcações, aeronaves, etc.);
  • escassez de  infraestruturas (terminais portuários, estradas, aeródromos, etc.); 
  • crescente aumento de efetivos e de guarnições;
  • incremento da resposta às necessidades de desenvolvimento socioeconómico (reordenamentos, estradas, equipamentos sociais, etc.).

No 4° trimestre de 1964, no 2º ano ano oficial da guerra, o CTIG dispunha de um total estimado de 15150 militares. Nove anos depois, em 1973, as NT (Exército, FAP e Marinha) ultrapassavam os 35 mil efetivos.

O número de companhias (caçadores/atiradores de infantaria, mais atiradores de artilharia e infantaria, vai crescendo com a intensificação da guerra: 

  • 30 (1963), 
  • 50 (1965), 
  • 60 (1967),  
  • 84 (1969), 
  • 87 (1971), 
  • 98 (1974)... 

(Excluem-se outras subunidades: companhias de comandos, esquadrões e pelotões de reconhecimento, pelotões de artilharia,  pelotões de caçadores nativos,  pelotões de armas pesadas de infantaria, companhias de milícas, etc.)

Vale a pena citar a CECA (2014), que faz uma boa síntese sobre a situação dos transportes (fluviais, terrestres e aéreos) em 1966, e nos dá alguns números que merecem reflexão  (**):


Transportes

Generalidades

Embora já tenha sido criada a Chefia do Serviço de Transportes do CTIG, cujos QO foram aprovados superiormente, continua a existir na 4ª Rep por não ter sido ainda nomeado o respectivo Chefe, o Major do Serviço de Transportes.

Compete à 4ª Rep o planeamento do emprego dos meios da Companhia de Transportes, cujo QO, já aprovado, prevê a constituição de 8 Secções de Transportes e a dotação de 40 viaturas TG. 

Presentemente esta Companhia dispõe apenas de 4 Secções e 20 viaturas, das quais 50% operacionais, em média, o que é manifestamente insuficiente para as necessidades. 

Num futuro próximo, serão atribuídas ao CTIG 30 viaturas "Mercedes" tipo civil, para serviço não operacional o que em muito virá beneficiar os transportes rodoviários e permitir a recuperação de algumas viaturas operacionais para a Companhia de Transportes.

Pelas dificuldades verificadas na estiva do porto de Bissau e pela necessidade de se proceder a carregamentos noutros locais e às mais variadas horas, houve que manter a constituição dum grupo de estivadores assalariados privativo do CTIG, o qual se tem mostrado extremamente útil e rendoso. 

Também para alguns terminais do interior está autorizada a utilização de pequenos grupos de estiva, até 15 homens, com a finalidade e aliviar as guarnições respectivas, libertando-as para o seu emprego operacional, como é lógico. 

Em muitos casos e para carregamentos da ordem das 100 ton, ou superiores, têm-se utilizado grupos de estivadores acompanhando a carga até aos respectivos pontos de descarga.


1. Transportes Fluviais

Em média, é a seguinte a tonelagem que mensalmente se torna necessário enviar de Bissau para o interior, por via fluvial: Total Geral = 2.920 ton

Meios Disponíveis:

- Serviços de Marinha

Os Serviços de Marinha da Província dispõem das seguintes embarcações:

  • Rebocador "Diana";
  • Rebocador "Atro";
  • Motor "Bor" ( 40 ton);
  • Motor "Corubal" (30 ton):
  • Motor "BM 1" (40 ton);
  • Motor "BM 2" (40 ton);
  • Motor "Formosa" (25 ton);
  • Draga "Geba"

Embora empenhados, na sua maior parte, em carreiras normais dentro da Província, às FT (Forças Terrestres)  são sempre cedidos 2/3 da carga.

Por outro lado, sempre que necessário, estas embarcações são dispensadas ao CTIG no regime de frete redondo para fazerem face ao transporte quer de pessoal quer de carga.

Tem sido a seguinte a aplicação dos meios dos Serviços de Marinha da Província:
  • Rebocadores "Diana" e "Atro": reboque de batelões ou lanchas fretados às casas comerciais de Bissau (Casa Gouveia, Sociedade Ultramarina, Manuel Barbosa, etc.);
  • Motores "Bor", "Corubal", "BM I", "BM 2" e "Formosa": transporte de carga e pessoal quer em carreiras normais quer em frete redondo;
  • Motor "Rui Manuel": transporte de pessoal e de pequenas cargas, utilizando as carreiras normais;
  • Draga "Geba": transporte de pessoal e carga dos T/T (navios de transporte de tropa)  para o cais e vice-versa, em regime de fretamento.

A média mensal transportada nestas embarcações pode computar-se como se segue:

  • Regime de fretamento: 100 ton;
  • 2/3 carga carreiras normais: 200 ton;
  • Total=300 ton
Nota do editor LG: Não sei se o motor "Rui Manuel" não era também conhecido por "Pecixe" (operava mais no rio Cacheu, segundo informação do António Bastos). 

Na lista de embarcações do Serviço da Marinha da Província, não se incluem as embarcações civis, privadas, pertencentes às casas comerciais (como a "Manuel Barbosa"), ou a armadores que operavam os chamados "barcos turras": a "Bubaque" (do pai do Manuel Amante da Rosa), a "Mampatá", a "Olhão"... Quatro embarcações  (cito de cor) que foram atacadas no Geba Estreito; Ponta Varela, Mato Cão, São Belchior... (Mas a LDG Bombarfa também atacada em plena do dia, em 3 de agosto de 1970, na Pona Varela.)

Voltando à CECA (2014, pp. 481/484)...


Comando da Defesa Marítima (CDM)

O CDM continua a estabelecer quinzenalmente um crédito para transportes logísticos, de acordo com as suas disponibilidades; sendo porém as necessidades do CTIG muito superiores, neste crédito são incluídos um determinado número de LDM (entre 2 e 4) e uma ou duas LDG em serviço na Província ("Alfange" e "Montante").

  • Uma LDM transporta 10/12 ton;
  • As LDG apresentam uma capacidade de carga de cerca de 200 ton, o que nem sempre aconselha o seu emprego;
  • No entanto, as LDG vêm sendo permanentemente empenhadas em carregamentos de grande vulto, como seja, para Bambadinca, Teixeira Pinto, Farim, Rio Grande de Buba e Rio Cacine [...].

Casas Comerciais

Estas embarcações continuam a ser, em geral, orientadas para os portos
que interessam às casas comerciais e só podem ser fretados quando disponíveis,
o que raramente acontece, sucedendo também que muitas vezes  o batelão está disponível, mas não há rebocador. 

Além disso estes meios por pertencerem a firmas civis, pelas suas más condições de serviço e por insuficientes, não permitem um emprego regular nem um planeamento prévio; no entanto, note-se que a grande corrente de reabastecimento é através destas embarcações (os chamados "barcos turras", LG).

Cargas e descarga de barcos fretados

Durante o mês de novembro  de 1966 chegaram a Bissau, vindos da metrópole, dois T/T (navios de transporte de tropa) que exigiram um empenhamento da quase totalidade dos meios (CDM, Serviços de Marinha e Casas Comerciais). 

No mês de dezembro chegam a Bissau um T/T e outro barco em carreira comercial transportando uma Companhia de Comandos. O volume de trabalho é um factor negativo que contribui para o desequilíbrio do sistema Disponibilidades-Necessidades pelos meios que se tornam necessários desviar dos serviços normais de reabastecimento. 

Assim, o sistema de transportes encontra-se em permanente crise pois quando se procura atenuar, de novo se agrava com a chegada de novos T/T [...].

(Continua)

Fonte: Excertos de: Fonte: Fonte: Excertos de: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 6.º Volume; Aspectos da Actividade Operacional; Tomo II; Guiné; Livro I; 1.ª Edição; Lisboa (2014), pp. 481/485.

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos: LG)

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Notas do editor LG:


(*) Vd. poste de 11 de novembro de 2021 > Guiné 61/74 - P22707: A nossa guerra em números (4): Cada militar necessitava em média, por mês, de 240 kg de abastecimentos (no essencial, víveres e artigos de cantina, mais de 70%)... O consumo "per capita" mensal de outros artigos era o seguinte: 50 kg de combustíveis; 4,4 kg de munições; 3,1 kg de medicamentos; 1,6 kg de correio... E, miséria das misérias, tínhamos direito a... 520 gramas de víveres frescos por dia!

(**) Último pposte da série > 3 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28153: A nossa guerra em números (50): o custo de uma chamada telefónica, de 3 minutos, em 1969, para a Metrópole, podia ir de 100 a 130 escudos (37 a 48 euros, a preços de hoje)