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sábado, 10 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27623: Os nossos seres, saberes e lazeres (717): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (238): Ver a Alhambra por um canudo, visitar o Palácio de Carlos V e partir para Córdova - 5 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 19 de Dezembro de 2025:

Queridos amigos,
Um dia de grande azáfama, não se atingiu na plenitude o objetivo de visitar a Alhambra, mas a guia ajudou imenso à festa; a guia e o tempo, era o pico alto da época turística, que vai de outubro a dezembro, as agências compram carradas de bilhetes para visitar o interior da Alhambra, dei com o nariz na porta, não havia desistências. Tudo somado, comecei pela Capela Real, dei uma espreitadela pela Catedral, deslumbrei-me com a Igreja do Sagrário, recomendo a todos os passeios por Albaicín e Sacromonte e confesso que desconhecia por inteiro as maravilhas do Bañuelo, os banhos árabes mais antigos e bem conservados da Andaluzia, três salas cobertas por abóbadas de berço redondo, os capitéis são na sua maioria de construção romana e visigótica, mas também do período do califado de Córdova. À falta de melhor, mostro-vos pormenores eloquentes do exterior da Alhambra. Prometo voltar, é só uma questão de saúde, a curiosidade não falta.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (238):
Ver a Alhambra por um canudo, visitar o Palácio de Carlos V e partir para Córdova - 5

Mário Beja Santos

Não vale a pena insistir, a Alhambra é um dos monumentos mais famosos do mundo, de longe parece uma singela fortaleza, pois estas muralhas não deixam prever o riquíssimo esplendor do seu interior. No século XI, quando os Nasridas viviam ainda em Albaicín, um judeu mandou construir para si um palácio fortificado. Os muçulmanos tomaram então conta de que aquela colina, além de panorâmica, possuía excelentes qualidades defensivas. E porquê? Trata-se da posição estratégica da colina mais elevada da cidade (há pontos em que é inacessível) e a leste apenas um pequeno desfiladeiro a separa das montanhas ali perto. Durante os 250 anos da soberania dos Nasridas, foi crescendo aquela cidade-palácio que hoje conhecemos por Alhambra. Maomé I, o primeiro Rei dos Nasridas, mandou construir a Alcazaba na parte ocidental da colina, construíram-se cisternas e aquedutos, resolveu-se o abastecimento de água. Com os seus sucessores, a construção continuou a ser alargada e complementada com os jardins do Generalife. Hoje apenas existe uma pequena parte da antiga cidade-palácio. Entre o que atualmente se pode ver encontra-se uma obra-prima, o antigo palácio real. Possui tal graciosidade e esplendor que nunca depois alguém se atreveu a destruí-lo. Mesmo quando Carlos V mandou construir o seu palácio junto das zonas emblemáticas dos muçulmanos, houve o cuidado em conservar o palácio real. Nos Contos de Alhambra, Washington Irving deixou-nos um precioso comentário: “Desmoronam-se salões e pátios, deterioram-se quadros e pinturas, mas, apesar do espetáculo desolador, a Alhambra não perdeu a magnificência e o esplendor, fazendo soar as cordas ocultas do visitante.”

Estando-me vedado ver o interior da Alhambra, fui registando os comentários da nossa guia, uma jovem de excelente comunicação. Sobre a Porta da Justiça disse tratar-se da maior das quatro portas principais, uma construção dos meados do século XIV. Passa-se por baixo do grande arco em ferradura, o visitante contorna e anda às curvas, atravessa cinco salas cobertas por abóbadas até chegar à Alhambra.

A caminho dos palácios, dos quais só tomámos um cheirinho, atravessa-se a Porta do Vinho, de planta quadrangular, tem em cima uma sala com janelas abertas. Começou por ser um monumento comemorativo a uma vitória de Maomé V. Retirei uma imagem da internet e captei outra na ocasião, gente em movimento.

Nada de interiores, e eu morto de curiosidade por voltar a visitar a Sala dos Embaixadores, o Pátio dos Leões, a Sala dos Reis, a Sala dos Abencerragens, etc. etc., fomos direitinhos para o Palácio de Carlos V. Paciência, hei de voltar numa próxima oportunidade.

A Porta do Vinho
Pormenor das imponentes muralhas e torres da Alhambra
Uma vista da Alhambra sobre o Albaicín, na outra colina
Pormenor da fachada principal deste palácio do renascimento, mandado contruir pelo Imperador em 1526, quando Carlos V visitou Granada. Reza a história que esta construção foi financiada por um imposto especial, com o qual os muçulmanos conseguiram comprar a sua liberdade religiosa. O arquiteto foi Pedro Machuca, aluno de Miguel Ângelo, não subsistem dúvidas que é uma das mais belas criações do Renascimento fora de Itália. As fachadas exteriores, de dois andares, são do início do Renascimento Toscano, apresentando na parte inferior pedras de cantaria rústica e, na parte superior, pilastras. Os anéis de bronze nas cabeças dos leões e das águias serviram em tempos para prender os cavalos. A zona dos portais está dividida por pares de colunas dóricas. O Palácio de Carlos V, expoente do mais depurado classicismo, tem uma planta bastante simples, há um círculo inscrito por um quadrado e não deixa de impressionar a harmonia das linhas que são de uma majestosa beleza. Resta dizer que na fachada principal se destacam os medalhões e os baixos-relevos no corpo inferior, que representam o triunfo da paz e batalhas.
O mais singular do Palácio é o grande pátio circular com 31 metros de diâmetro, tem colunas dóricas no piso inferior e jónicas no superior. O seu encanto reside na beleza das suas proporções, na sua sobriedade, que o convertem numa obra-prima do Renascimento espanhol. Importa dizer claro que no interior há dois museus, o Museu da Alhambra e o Museu das Belas Artes.
Os anéis de bronze nas cabeças dos leões e das águias da fachada do palácio serviram no passado para prender os cavalos.
Vá lá, andamos fora das grandes riquezas da Alhambra, mas somos contemplados com algumas surpresas. É o caso da mesquita da Alhambra, onde a nossa guia irá falar do banho de vapor, um dos elementos mais característicos da cultura islâmica. O seu uso purificador supõe a ablução maior, prévia à oração, daí podermos encontrar locais de banho nas proximidades. O uso do banho não cumpre somente a sua ação purificadora de carácter religioso, é também um espaço para a higiene e o balneário é um local de encontro social. Este balneário foi construído para dotar a mesquita Aljama que estava situada no lugar que hoje ocupa, ali mesmo ao lado, a Igreja de Santa Maria de Alhambra.
Estava numa cota superior e não resisti a tirar de novo uma fotografia à Porta da Justiça

Foi um dia em cheio, de novo a Carrera del Darro, a inesquecível visita ao Bañuelo, uma formidável surpresa e gostei imenso da visita guiada em torno da Alhambra. E pronto, ponho-me ao caminho para o último recanto da Andaluzia que me predispus a ver, Córdova.

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 3 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27599: Os nossos seres, saberes e lazeres (716): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (237): Granada, Carrera del Darro e depois à volta da Alhambra - 4 (Mário Beja Santos)

sábado, 3 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27599: Os nossos seres, saberes e lazeres (716): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (237): Granada, Carrera del Darro e depois à volta da Alhambra - 4 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 18 de Dezembro de 2025:

Queridos amigos,
Quando se pega num guia tipo Michelin e se pesquisa em Granada, encontramos três estrelas, o topo da excelência. Podemos ficar a saber o elementar sobre o alojamento, a restauração, os entretenimentos, os diferentes pontos do comércio. Os guias remetem para a Capela Real e para a Catedral, o que encontrar no casco histórico, as igrejas, privilegia-se no centro da cidade a Carrera del Darro que vai da Porta de Santana e acaba no Passeio dos Tristes. Passeamos por aqui deixando para trás a cidade moderna e o panorama muda por completo, parece que estamos num povoado antigo, vemos pontes de pedra e depois começam a aparecer edifícios de referência como o Museu Arqueológico, a Igreja de S. Pedro e S. Paulo, os banhos árabes e também a Igreja de Santa Ana e S. Gil. Mas é no guia tipo Michelin que vemos as três estrelas dadas à Alhambra e ao Generalife, e depois chegamos ao Palácio de Carlos V que é contemplado com duas estrelas.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (237):
Granada, Carrera del Darro e depois à volta da Alhambra - 4

Mário Beja Santos

Antes de entrar propriamente na Carrera del Darro, um dos lugares icónicos de Granada, e mesmo antes de caminhar para o monumento individual mais visitado do mundo, a Alhambra, importa explicar que esta rua de Granada, a Carrera del Darro é de uma indizível beleza. Granada situa-se nas férteis margens do Rio Genil, o Darro é seu afluente, divide as colinas do Sacromonte e Albaicín de Alhambra. Percorremos a rua e sentimos a história, há para aqui uma reminiscência do período da prosperidade económica de Granada, no tempo da dinastia Nasrid, talvez o ponto mais alto da cultura islâmica em solo espanhol. Teve comunidade judaica, era local de refúgio para os mouros expulsos da pátria.
Viveu séculos de declínio, nos séculos XVII e XVIII. Foi muito importante para a descoberta não só europeia de Granada quando o jornalista Washington Irving publicou os seus Contos de Alhambra, em 1832, e os pintores românticos descobriram os motivos orientais do castelo vermelho.

Despeço-me da Carrera del Darro falando da Igreja de S. Pedro e S. Paulo e dos banhos árabes, situados ali perto. A primeira imagem que vos mostro foi tirada ainda no passeio em Albaicín, sei perfeitamente que não há nada nela de espetacular, mas está ali o protótipo do modo de viver andaluz, as persianas protetoras do imenso calor e aquele branco, uma genuína herança árabe, para repelir os raios solares.

Ali à saída do Museu Arqueológico temos a Igreja de S. Pedro e S. Paulo em estilo mudéjar (é um estilo que se aplica a edifícios cristãos que tem influências da arte hispano-árabe) edifício do século XVI. O seu interior é claramente maneirista e barroco, é de planta de cruz latina com seis capelas. A nave central tem nas suas paredes uma coleção de magníficas cornucópias com emblema da irmandade dedicada à adoração de Cristo no sacramento da eucaristia; todas as suas seis capelas estão devidamente ornamentadas. Da sua torre, que, confesso subi um tanto amedrontado, uma escadaria íngreme que prossegue numa torre com a escada em caracol com precária proteção, tem-se uma vista soberba sobre a colina da Alhambra.


O protótipo da casa andaluza
A Igreja de S. Pedro e S. Paulo, perto do Museu Arqueológico de Granada, é visível uma torre da Alhambra, estamos na Carrera del Darro.
Vista do Altar-Mor da Igreja de S. Pedro e S. Paulo
Púlpito e pormenor do interior na Igreja de S. Pedro e S. Paulo
O assombroso teto em caixotão da Igreja de S. Pedro e S. Paulo
Os banhos árabes de Granada são os mais importantes de toda a Espanha. O nome espanhol é El Bañuelo, situam-se perto do que resta da Ponte de Cadí, têm a típica estrutura árabe, remontam aos séculos XI e XII, estão muito bem conservados. Estão formados por várias salas que têm a ver com o vestuário, os pontos de reunião e massagem e banho. Têm belas abóbadas onde não faltam capitéis romanos, visigodos e do período do califado. Cá fora veem-se perfeitamente as torres e as muralhas da Alhambra.
O que resta da Ponte de Cadí, fez parte da época de ouro árabe de Granada, era conhecida como Porta Ponte, resta este poderoso pilar e um tramo do arco em ferradura.
Procuro com estas três imagens mostrar o que há de fascinante nesta caminhada, o Rio Darro no fundo, o casario em paralelo à rua, parece que está pendurado, e as pontes que funcionam ligam sinuosamente a rua à monumentalidade da Alhambra.
Uma rua tipicamente árabe no casco histórico de Granada, na vizinhança da Carrera del Darro
Praça de Bib-Rambla com a fonte barroca chamada de Neptuno
Entrada na Alhambra pela Porta da Justiça
A Porta da Justiça vista com mais pormenor. A “Puerta de la Justicia” foi construída em 1348, sob o reinado do Sultão Yusuf I, o que faz dela uma das entradas mais antigas de. A Porta da Justiça também era conhecido por outros nomes, como Bib Axarea ou Portão dos Exames, devido à sua localização perto de tribunais e escritórios administrativos.
O desenho e os pormenores de construção refletem a arte Nasrida no seu período mais refinado. Este arco maciço em forma de ferradura ergue-se alto com entalhes intrincados que o adornam de cima a baixo. O arco mais exterior está adornado com inscrições que louvam Alá e versículos do Alcorão, enquanto uma moldura quadrada interior ostenta belos padrões de arabescos que significam o paraíso na terra. A parte superior alberga um balcão ao ar livre – “balcão do carcereiro” – que era utilizado para fazer anúncios públicos.

Porque agora o passeio prossegue para a inexcedível beleza da Alhambra. Recorde-se que os árabes chegaram a este ponto da Andaluzia no século VIII, o lugar tinha o nome de Castilia, eles mudaram o nome para Medina Elvira, a capital do território granadino. Fez-se anteriormente uma breve súmula do Califado de Córdova, referindo que é no tempo dos Almóadas e dos Almorávidas que Granada ganha imponência. De facto, a época mais gloriosa da Granada árabe inicia-se no ano de 1236 quando Granada passa a ser de facto e de direito a capital da Espanha muçulmana. Foi precisamente durante este esplendoroso período que a Alhambra se tornou no monumento único que é.
Não sendo possível visitar o seu interior, atrelei-me a uma visita guiada; há quem diga que o nome da Alhambra resulta de pôr em castelhano, palavras árabes que significam castelo vermelho. Pois precisamente é na harmonia arquitetónica do arco em ferradura da Porta da Justiça que a visita guiada vai começar.

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 27 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27577: Os nossos seres, saberes e lazeres (715): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (236): A Sevilha de um viajante apressado, nem pode acudir à Sevilha essencial: Granada, ainda com a Alhambra à distância - 3 (Mário Beja Santos

sábado, 27 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27577: Os nossos seres, saberes e lazeres (715): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (236): A Sevilha de um viajante apressado, nem pode acudir à Sevilha essencial: Granada, ainda com a Alhambra à distância - 3 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 17 de Dezembro de 2025:

Queridos amigos,
O que seria Granada sem o esplendor muçulmano? Talvez uma cidade com património do plateresco e do barroco e com o significado histórico de o reino de Espanha se ter firmado aqui com a queda do reino Mouro, em 1492. A Alhambra e o Generalife fazem parte da lista dos monumentos históricos mais visitados do mundo. Sem condições para visitar o interior da Alhambra (tudo esgotado até ao fim da temporada, em dezembro), comecei pelo Bairro da Catedral, primeiro a Madraça ou a Universidade Muçulmana construída no século XIV, meti-me ao caminho pela Carrera del Darro, um percurso encantador com diferentes pontes sobre o Rio Darro, dali se avistam as colinas míticas da Alhambra e do Albaícin, no regresso, após um almoço de regalo, dei-me ao cuidado de começar a tarde no Museu Arqueológico. Eu depois conto o resto do dia e a estafa que me está reservada para o dia seguinte.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (236):
Granada, ainda com a Alhambra à distância - 3


Mário Beja Santos

A visita desta manhã começa na Capela Real que confina com a Catedral. Mas que o leitor me permita um curto apontamento histórico. Granada ganha importância com a chegada dos árabes, há indícios de outras presenças como os iberos e os romanos. Em 713 Tarik submeteu a cidade, o núcleo original estendia-se pelas colinas da Alhambra e o Albaícin. Durante o Califado de Córdova, a cidade dependia dele, e quando se desagregou, em 1013, converteu-se numa taifa (reino independente) e aqui se instalou a dinastia Zirí. Em 1090 a cidade caiu nas mãos dos Almorávidas, foi depois arrebatada pelos Almóadas em meados do século XII. Com a chegada da dinastia Nazarí, em 1238, começou a idade de ouro da cidade. Havia um acordo firmado entre Fernando III e Muhammad in Nasr, fundador da dinastia, o muçulmano reconhecia-se vassalo do Rei Cristão. Este reino de Granada abarcava as Províncias de Almeria, Málaga, Sevilha, Córdova e Jaén. É então que se constrói a Alhambra, no século XIV e Granada torna-se uma cidade importantíssima. O século XV é uma época marcada de lutas internas o que facilitou a tarefa dos cristãos; em 2 de janeiro de 1492, os Reis Católicos tomaram a cidade. O esplendor não se perdeu, vieram riquezas das Índias Ocidentais que se refletem num conjunto de monumentos grandiosos.

Não se pode tirar imagens na Capela Real, no texto anterior mostrei pormenores das edificações, o interior é esplendoroso é ali que estão sepultados os Reis Católicos e também a filha, Joana, a Louca, e Filipe, o Belo, os pais do imperador Carlos V. O retábulo do altar-mor, arte renascentista é dedicado a S. João Evangelista e S. João Batista. As cenas, totalmente esculpidas e em relevo, são talhadas em madeira e divididas em pequenos painéis com imagens. Na sacristia encontram-se trabalhos da escola de pintura flamenca de grandes mestres como Rogier van der Weyden, van Eyck, Memling e Dieric Bouts.

Finda a visita, tomou-se o caminho da Catedral, o edifício gigantesco começado no século XVI e concluído no início do século XVIII. Uma catedral de cinco naves, com um único transepto e um deambulatório com capelas. O portal principal é arte plateresca. O interior é uma mistura de planificação gótica e renascentista, pilares de altura desmesurada, riqueza por toda a parte.

Deambulação até fartar, arroz à valenciana na Praça do Triunfo, retomada a energia foi-se percorrer os bairros castiços de Granada, para cima em minibus, calcorreou-se depois até ao centro histórico. Não havendo bilhetes disponíveis para visitar a Alhambra, fez-se inscrição para uma visita guiada no dia seguinte no exterior e com visita ao Palácio de Carlos V. regressou-se a um dos pontos mais adoráveis do centro histórico a Carrera del Darro, aproveitou-se a visita ao Museu Arqueológico, aos banhos árabes e à Igreja de S. Pedro e Paulo, tudo somado foi uma caminhada de estalo.

O que nos mostra o Museu Arqueológico são patrimónios pré-históricos que vêm de 5000 a.C., passamos depois para as colonizações em que intervieram fenícios, entre outros, depois deu-se a presença romana; o Museu mostra-nos também património moçárabe, paleocristão e belos espécimes da presença romana. Foi na galeria superior e no terraço que tirei as últimas imagens com que hoje me despeço do leitor. Amanhã, entre outras incursões a inolvidável Alhambra e o Palácio de Carlos V.

Retábulo principal da Capela Real de Granada
Igreja do Sagrario (Sacrário), anexa à Catedral de Granada, possui este belíssimo púlpito barroco
Retábulo na Igreja do Sagrario com a representação da Crucificação de Jesus
Fachada e o interior da Catedral de Granada
Fachada da Catedral de Granada ao longe
A Alhambra vista do terraço do Museu Arqueológico de Granada
Na Praça Nova de Granada, vindo da Carrera del Darro apanhei um minibus para visitar El Albaícin e o Sacromonte, a zona mais característica da cidade. No Albaícin construiu-se a primeira fortaleza árabe de Granada, só restam vestígios das muralhas. Temos um labirinto de ruas e ruelas a trepar pela colina, há o pitoresco das pracetas, nada como andar a pé para captar todo o encanto do bairro de traçado árabe.
El Albaícin com a Serra Nevada ao fundo
Até à última grande insurreição moura, em 1568, tanto Albaícin como o Sacromonte eram habitados por mouros que tinham fugido para Granada após as perseguições cristãs em Baeza. É bom que se diga que o bairro é uma pitoresca área residencial, na qual voltou a constituir-se uma comunidade muçulmana, temos aqui um santuário do Flamenco, uma herança cigana que chegou aos nossos dias. À porta de um estabelecimento onde se exibe o flamenco não resisti a fotografar esta composição azulejar com a Serra Nevada ao fundo.
Outra recordação deste mesmo estabelecimento
Uma outra perspetiva da Alhambra tirada do Sacromonte
Mosaico da Vila Romana dos Mondragones, segunda metade do século IV
Couraça anatómica grega, encontrada perto de Almuñécar, século IV a.C.
Homem togado, escultura que se identifica com o Imperador Cláudio, encontrado perto de Piñar, século I d.C.
Uma outra panorâmica da Alhambra tirada do piso superior do Museu Arqueológico de Granada
E mais outra panorâmica da Alhambra

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 20 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27552: Os nossos seres, saberes e lazeres (714): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (235): A Sevilha de um viajante apressado, nem pode acudir à Sevilha essencial: La Giralda, o Parque de María Luísa, Torre del Oro e algo mais; a caminho de Granada - 2 (Mário Beja Santos)

sábado, 20 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27552: Os nossos seres, saberes e lazeres (714): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (235): A Sevilha de um viajante apressado, nem pode acudir à Sevilha essencial: La Giralda, o Parque de María Luísa, Torre del Oro e algo mais; a caminho de Granada - 2 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 11 de Novembro de 2025:

Queridos amigos,
Foi dia e meio de deslumbramento, deu para saborear tapas, obrigatoriamente o arroz à valenciana, estar longamente especado e a cirandar pela Catedral, uma das maiores do mundo, passear pelos bairros típicos, recordar o Parque María Luísa e a Praça de Espanha; e até aconteceu, face a uma precisão da bexiga, ter pedido para ir aos aseos no Museu de História Natural, acolhido com muita simpatia, não me deixaram sair sem visitar uma exposição sobre a Antártida e o Chile. Creio ter aprendido a lição de que é uma tremenda injustiça passar por Sevilha como visita de médico, estou arrependido e quero voltar depressa.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (235):
A Sevilha de um viajante apressado, nem pode acudir à Sevilha essencial: La Giralda, o Parque de María Luísa, Torre del Oro e algo mais; a caminho de Granada - 2


Mário Beja Santos

Ninguém me mandou pôr o Rossio na betesga, tive a felicidade de visitar Sevilha em diferentes épocas, basta pensar na Catedral de Santa María, o Museu das Belas Artes, os diferentes Palácios e Igrejas, os imperdíveis Alcazáres Reais, os bairros típicos, como a Triana, os passeios pelas margens do Guadalquivir, as deambulações pelo Parque María Luísa e, sem exagero, passar-se-iam aqui cinco belos dias, incluindo o passeio pela Ilha da Cartuxa, aproveitando para visitar Itálica, a 7Km, os imperadores Trajano e Adriano descendiam de duas famílias nobres aqui residentes. Esta observação só serve para manifestar a minha mágoa, encontrei a Catedral fechada, para desfrutar a contemplação da Capela Maior fui à missa com bispo e um coro triunfal; amedrontei-me com aquela multidão quilométrica que queria entrar nos Alcazáres Reais, e que saudades Deus meu! Aqueles belos palácios e jardins. Tive um cheirinho dos bairros típicos, percorri o Parque de María Luísa e na Praça de Espanha lembrei-me de cenas filmadas do Lawrence da Arábia, um dos filmes épicos de topo. O tempo estava maravilhoso, nunca vi tanto turista em Sevilha, em resumo acho que foi um dia e meio que deram para lavar a alma, cresceu água na boca para voltar depressa. E de autocarro seguiu-se para Granada, a primeira etapa era mesmo a Capela Real, como aconteceu e se contará depois.
La Giralda, 97 metros de altura, começou por ser uma construção almóada (século XII), teve acrescentos no século XVI, lá em cima está uma estátua ao sabor do vento, o Giradillo.
Artéria comercial, saindo de La Giralda, muitos edifícios imponentes, muita traquitana para recuerdo de turista, aqui e acolá os cantores andaluzes oferecem os seus préstimos, cantam a gemer, há para ali toadas embebidas na memória mourisca, pois claro.
A dor em transe, em plena rua, muito estava a sofrer esta jovem de mãos postas, bem mereceu que deixássemos uma recordação em dinheiro.
Palácio de San Telmo, em frente aos jardins de Santa Cristina, é um dos palácios mais belos barroco-sevilhano. A joia do edifício é este portal de três andares. As colunas e as figuras ricamente ornamentadas mantém uma ligação com as ciências e as artes da náutica, emolduram o portal, a varanda central e o frontão. Na arcada descoberta está a estátua do padre Pedro Telmo, adorado pelos navegadores desde o século XVI. Começou por ser academia náutica, aqui viveu a Infanta María Luísa Fernanda, deixou o seu nome ao mais belo parque de Sevilha. É atualmente a sede da presidência da Junta de Andaluzia.
Parque de María Luísa, Praça de Espanha com o Palácio Espanhol. Foi a Infanta María Luísa de Orleães, que cedeu os terrenos para estas construções palatinas e parque. O parque é muitíssimo concorrido, tem superfícies relvadas, sebes, lagos e repuxos, ânforas de cerâmica e monumentos soberanos sevilhanos. A praça de Espanha e a praça da América, que estão integradas no parque, foram construídas por ocasião da Exposição Ibero-Americana em 1929-30. Os pavilhões da exposição dos 20 países participantes (entre eles Portugal) foram conservados até hoje. O Palácio Espanhol, arqueado em semicírculo recorre a vários estilos. As torres angulares recordam a Giralda e apresentam, em geral, elementos de estilo maneirista. A fachada central é barroca e o restante edifício é de estilo renascentista. Um canal, com uma ponte ao estilo de Veneza com um bonito corrimão em cerâmica, serve a curvatura do local. Há diferentes museus aqui, destaca-se o Museu Arqueológico da Província, nele se pode ver o tesouro de El Carambolo, consta de 16 chapas de cinto e toucados, dois broches, duas pulseiras largas e um fio com pendente de ouro maciço, peças em ouro dos séculos VIII e VII a.C.
Tesouro El Carambolo, Museu Arqueológico de Sevilha
A Torre del Oro data do século XIII, está numa margem do rio Guadalquivir, é um dos patrimónios mais visitados em Sevilha. Entre as cerca de 166 torres de defesa da fortificação almóada, a Torre del Oro ocupava uma posição privilegiada. Daqui podia observar-se uma serra com uma outra torre, atualmente destruída, era um sistema para proteger o porto de ataques inimigos. É um edifício dodecagonal, tem algumas janelas e fendas e em cima uma coroa de pináculos piramidais. Sobre a plataforma, eleva-se uma torre mais estreita também dodecagonal com uma lanterna do século XVIII.
Pormenor da Capela Real de Granada
Outro pormenor da Capela Real
Uma belíssima escola corânica (madrassa), perto da Capela Real
Pormenor da cúpula da Capela Real
Um outro ângulo das cúpulas da Capela Real
Uma bela fachada de um edifício perto da Capela Real

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 13 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27526: Os nossos seres, saberes e lazeres (713): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (234): A ópera Carmen, de Bizet, a maior igreja gótica do mundo, a Casa Lonja, tudo isto se passa em Sevilha, depois Granada e por fim Córdova - 1 (Mário Beja Santos)