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sábado, 26 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28378: Os nossos seres, saberes e lazeres (752): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (272): Heidelberg, do castelo para o centro histórico da cidade, amanhã vou passear em Idstein e depois assistirei a um concerto memorável no Festival de Música do Reno - 7 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 16 de Setembro de 2026:

Queridos amigos,
Não escondo que percorri alguns sítios de Heidelberg um tanto na mó de baixo, tinha o destino marcado para na semana seguinte ir fazer uma intervenção cirúrgica à hérnia inguinal, que bem se manifestava, a despeito dos comprimidos para afastar a dor. o Castelo é de visita obrigatória, tanto que já está conservado e restaurado como pelo que, pelo adiante, terá obras, tornando ainda muito mais belo esse património. Não foi possível visitar o interior dos edifícios restaurados, pelo que vi das imagens, os príncipes eleitores viviam em grande magnificência, rodeados de arte soberba, fica para a próxima visita, não me importaria de voltar amanhã a Heidelberg. Como me deslumbrei no Centro Histórico e todo o seu embelezamento, a igreja do Espírito Santo tem igualmente um gótico deslumbrante. No regresso desta visita fui fazer um passeio de despedida à terra dos meus anfitriões, Idstein, estou convicto que os leitores gostarão de ver toda esta magnífica estrutura com vigas em madeira e sobretudo da igreja protestante da cidade que possui um teto que é uma autêntica bíblia ilustrada, mostro na próxima semana.

Um abraço do
Mário


Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (272):
Heidelberg, do castelo para o centro histórico da cidade, amanhã vou passear em Idstein e depois assistirei a um concerto memorável no Festival de Música do Reno - 7


Mário Beja Santos

Confesso que é a custo que me despeço do Castelo de Heidelberg, elogios e exultações sobre este património que vêm na literatura que consultei, desde expoente do romantismo ao mais pitoresco dos castelos em arenito rosa. Passeei-me por edifícios devidamente restaurados, como foram mostrados na semana anterior, mas por vezes andei por ali especado a cogitar em que dão as guerras, no caso vertente deste castelo tudo se deveu à Reforma e a razões políticas da sobrançaria francesa. Em 1622, o Marechal Tilly, da Liga Católica, devastou a cidade. Anos depois, em 1633 e 1635, dois novos assaltos. Seguem-se os jogos da ambição política. O eleitor Carlos Luís (1632 e 1680) Príncipe calvinista tolerante e pacífico, restaurou o Palatinado devastado pela guerra, procurou a aproximação com a França, fez o acordo de casamento da sua filha Elizabete Carlota com Filipe de Orleãs, irmão de Luís XIV. Esta aliança, contraída com a finalidade de proteger o Palatinado, trouxe, ao contrário, trágicas consequências. Em 1685, o único irmão da princesa morreu sem herdeiros e Luís XIV reclamou o Palatinado – começou assim a guerra (1688-1697) desastrosa para o Palatinado e particularmente funesta para Heidelberg. Em 1689 as tropas francesas pilharam a cidade e destruíram o castelo. A história não fica por aqui, seguiram-se as guerras napoleónicas, com a derrota do imperador esta região tornou-se possessão da Baviera com o nome de Palatinado. Reconstruiu-se Heidelberg, as obras de reedificação e restauro do castelo continuarão por muito tempo, a primeira fotografia que se mostra é uma pálida amostra.
Estamos perto da entrada ou saída do castelo, protegi-me por baixo daquelas belas arcadas e a olhar para as destruições que dão o fanatismo religioso e a cegueira do poder.
É a igreja do Espírito Santo, templo protestante que se apresenta como aberto ao povo de todas as religiões, culturas e nações. Situada na região nobre da praça do mercado, aqui tiveram como última morada 54 príncipes eleitores e a biblioteca da universidade. A igreja foi profundamente afetada pelas destruições de 1683. Em 1558, o então príncipe eleitor estabeleceu a fé protestante, e hoje pautou-se pelo catecismo da igreja calvinista reformada. O seu órgão é moderno, foi construído em 1983 e renovado em 1987. Mozart, Mendelssohn e Albert Schweitzer tocaram órgão nesta igreja. Existiu aqui a mais importante biblioteca do Ocidente dos tempos do Renascimento, a Biblioteca Palatina, também sofreu com a guerra religiosa, durante a Guerra dos Trinta Anos a biblioteca foi transferida para o Vaticano, aqui voltou em exposição em 1986. Deslumbrou-me pelo seu gótico final adicionado ao barroco e intervenções que se estendem a alguns vitrais.
Uma bela fachada, ali bem perto da igreja do Espírito Santo.
Era inevitável, havia que visitar o rio Neckar e contemplar a outra margem do rio, atravessa-se esta bela ponte com duas formosas torres de guarda, a ponte velha, que data de 1786 está decorada com estátuas.
A torre sineira da igreja do Espírito Santo, vista assim nem dá para imaginar que lá dentro há uma igreja salão que deslumbra quem quer que seja, crente ou descrente.
Não havendo condições de visitar a universidade nem o museu do Palatinado, deu-me para bisbilhotar o centro histórico, agradou-me esta rua e a vista ao fundo da frondosa colina.
Mudamos agora de rumo, regresso a terras de Hessen, mais propriamente a Idstein, aqui pontificaram os condes de Nassau-Idstein, condes e soberanos, a cidade foi o centro da região entre finais do século XIII e do século XVIII. Tem um belo castelo de residência, mas comecei o percurso em frente da casa de Killing com esta magnífica fachada escultórica com estrutura de vigas de madeira expostas, li na brochura que me deram no turismo que é a casa mais luxuriante de Idstein.
O centro histórico está enxameado de preciosidades arquitetónicas, como é o caso desta casa inclinada, também dotada de estruturas de vigas de madeira, tem uma altura de quatro andares, teve farmácia, foi imóvel comercial e casa de habitação. A sua inclinação decorre de erros arquitetónicos. Teve restauros no final do século XX, é hoje património da edilidade.
E despeço-me por agora com esta escultura inesperada de homenagem aos varredores, uma coisa é certa não há latas, nem garrafas, nem papéis nestes pavimentos, seguramente por disciplina cívica do povo e trabalho de higiene urbana afincado. Prossegue-se o passeio em Idstein, volta-se ao Vale do Reno e depois é hora da despedida, um dia de visita em Trier, comboio para o Luxemburgo, avião para Lisboa.

(continua)

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Notas do editor:

Vd. post de 19 de Setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28360: Os nossos seres, saberes e lazeres (750): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (271): Heidelberg, cidade poupada na Segunda Guerra Mundial, pilhada pelos exércitos de Luís XIV em 1689, as ruínas mais famosas do romantismo - 6 (Mário Beja Santos)

Último post da série de 20 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28362: Os nossos seres, saberes e lazeres (751): Alcobaça Terra de Paixão (Juvenal Amado da CCS / BCAÇ 3872)

sábado, 19 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28360: Os nossos seres, saberes e lazeres (750): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (271): Heidelberg, cidade poupada na Segunda Guerra Mundial, pilhada pelos exércitos de Luís XIV em 1689, as ruínas mais famosas do romantismo - 6 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 1 de Setembro de 2026:

Queridos amigos,
Viagem inesquecível a vários títulos. Como quem não sabe é como quem não vê, andou-se à procura de parqueamento, não se viu qualquer indicação de transporte para o topo da cidade, foram umas boas centenas de degraus, em dado momento viu-se passar um funicular, deu bastante jeito no regresso para quem, como eu, andava em passada branda com as moinhas de uma hérnia inguinal bilateral. Vi satisfeito um sonho da minha juventude. Não só do que tinha lido em obras românticas, fotografias avulsas da quase mítica universidade e dos passeios no vale do rio Neckar, o meu cunhado, sempre que vinha a propósito, falava de professores seus, mundialmente distintos e do deslumbramento da cidade encravada entre montanhas com o rio à porta. Comecei o passeio pelo velho castelo de Heidelberg, uma joia mutilada no século XVII e curiosamente poupada pelos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial. É no meio desta visita deslumbrante que avistei a entrada do Museu Alemão da Farmácia, logo me veio à mente a visita que fiz em Leipzig a um museu com valiosíssima documentação de produtos de farmácia, não hesitei na visita a este museu. É o que vos mostro na primeira parte desta itinerância por uma cidade encantadora.

Abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (271):
Heidelberg, cidade poupada na Segunda Guerra Mundial, pilhada pelos exércitos de Luís XIV em 1689, as ruínas mais famosas do romantismo - 6


Mário Beja Santos

Foi uma das raras cidades alemãs poupadas dos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial. Heidelberg está situada à entrada do radioso Vale do Neckar, entre as montanhas e o rio, e é dominada pelo castelo romântico em arenito vermelho. A cidade é célebre pela sua unicidade fundada em 1386; foi um dos lugares de maior relevo do romantismo alemão. Mas há outros dados históricos. Foi um centro político do antigo Palatinado Renano, aqui viviam os zeladores da justiça dos imperadores germânicos, condes que tinham dignidades feudais. É uma história que se irá desenvolver a partir do século XII e que floresce no século seguinte com o Palatinado Renano. A cidade profundamente afetada pelos problemas religiosos da Reforma, sofreu assaltos e destruições no século XVII, a chamada guerra de Orleãs ou do Palatinado, pilhagens e destruições, a sua reconstrução recomeçou em 1700 e no século XVIII o Palatinado voltou à posse da Baviera, tudo irá mudar com a criação do II Reich, no século XIX. Havia que optar o que visitar nesta cidade tão bela, possuidora deste castelo assombroso, fiquei embasbacado por visitar no seu interior o Museu Nacional da Farmácia, para chegar ao castelo subi umas boas centenas de degraus, isto na altura em que estava à espera de ser operado a uma hérnia inguinal bilateral. Descemos até ao casco histórico, deslumbrante, visitei a Igreja do Espírito Santo e depois a ponte velha, datada de 1776, precedida de uma torre-porta e decorada de estatuária, já não havia e energia para mais, embora houvesse uma grande apetência para passear pelo Vale do Neckar.

Heidelberg a vista do alto, ao fundo corre o rio Neckar, ainda não cheguei ao castelo romântico, um dos mais belos do mundo
Visão aproximada para se ver a velha ponte sobre o Neckar, por onde passeou Goethe e outros próceres do romantismo
Um belo pórtico do castelo que resistiu às destruições de 1622 e 1689. Andava por ali um guia com uma excursão de japoneses, britânicos e letões, pus o ouvido à escuta para ouvir falar da nostalgia do romantismo, o guia esmerava-se por mostrar que o castelo e a fortaleza se fundem entre si de modo imponente, casamatas, torres poderosas, fachadas palacianas no interior com as suas figuras decorativas que são um tesouro do Renascimento; atrelado ao grupo, fui ouvindo pormenores sobre dois edifícios de arquitetura sublime, o Edifício Frederico, quando se desce o pátio interior temo-lo pela frente; e o edifício Ottheinrich, revestido de impressionantes figuras decorativas, e descendo por aqui temos terraços que no seu tempo foram considerados os jardins renascentistas mais famosos do mundo. Não se pode entrar em nenhum dos edifícios, estava tudo em obras.
O edifício foi cruelmente destruído, subsistem estas belas esculturas
Os eleitores palatinos viviam neste edifício sumptuoso chamado Friedrich que está a ser alvo de restauros, nesta altura não se pode visitar o interior do palácio
Pormenor do Museu Nacional da Farmácia, sediado no castelo de Heidelberg. Visitei este espantoso museu levando uns bons encontrões, os grupos de turistas revezavam-se uns aos outros, imparáveis. Não consegui literatura, mas encontrei informação no local bem curiosa. Li que nas cidades da Idade Média a vida pública se concentrava sobretudo na praça central do mercado, era ali que os comerciantes e artesão vendiam os seus produtos em rústicas construções em madeira, às vezes junto da igreja ou da Câmara Municipal. As primeiras farmácias funcionaram deste modo. Com o desenvolvimento, as farmácias ganharam dimensão e surgiu a possibilidade de distribuir os diferentes tipos de medicamentos por diferentes divisões. A verdadeira oficina ficava no rés-de-chão, era aqui que se preparavam os medicamentos, depois guardados em gavetas bem como em valiosos recipientes de porcelana e estanho, vidro ou madeira. O cliente podia espreitar através da janela as prateleiras e os armários e a mesa de preparação. Durante muito tempo, foi comum comunicar com o farmacêutico e receber o medicamento através de uma pequena janela. Desde os séculos XVII e XVIII que a venda e a espera passaram a ser feitas no interior da farmácia. Assim, uma nova área de vendas com um balcão como espaço de atendimento foi adicionada à área tradicional de preparação. Desde então, a farmácia passou a ser identificada por dois elementos básicos: a mesa de preparação, o balcão e o mobiliário. Atualmente, a generalidade dos medicamentos é preparada pela indústria farmacêutica. Em cada farmácia existe um local para consulta, que é uma das tarefas mais importantes de um farmacêutico de oficina, é a matriz da confiança do doente-farmacêutico.
Outro pormenor do Museu Nacional da Farmácia
Durante séculos, as fachadas das farmácias apareciam marcadas por um símbolo farmacêutico personalizado e distintivo. Havia placas de cores específicas, exibia-se o nome da farmácia e do proprietário, por vezes incluindo o ano da fundação. Não era incomum haver representações de animais, criaturas míticas ou santos padroeiros. A partir da década de 1920, as farmácias na Alemanha começaram a procurar um símbolo padronizado. O nome podia referir-se à localização específica da farmácia ou uma conotação popular para a região, havia nomes de homenagem a diferentes simbologias.
Pormenor da fachada renascentista do edifício Frederico
Pormenor da fachada em arenito vermelho do edifício Ottheinrichs, tem a seus pés jardins espetaculares e belas panoramas sobre o rio Neckar
Restauros no castelo de Heidelberg é matéria infindável

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 12 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28342: Os nossos seres, saberes e lazeres (749): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (270): O dia passado em Wiesbaden, amanhã viaja-se para Heidelberg - 5 (Mário Beja Santos)

sábado, 12 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28342: Os nossos seres, saberes e lazeres (749): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (270): O dia passado em Wiesbaden, amanhã viaja-se para Heidelberg - 5 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 15 de Agosto de 2026:

Queridos amigos,
Estivera em Wiesbaden para ir a uma récita da ópera A Flauta Mágica, vi pela noitinha pormenores de uma cidade com opulência, ditada pela sua notoriedade e fama de local muito aprazível onde se fazem congressos, múltiplos eventos e há uma grande afluência termal; mas agora tive a oportunidade de a visitar com mais detalhe, o lastimável era o calor sufocante daqueles primeiros dias de agosto, mas deu para ver a cidade de uma bela colina, visitar um templo ortodoxo russo, uma homenagem à primeira mulher do Grão-Duque, uma princesa russa que morreu com 18 anos; ainda houve a tentação de nos metermos no museu, mas preferiu-se andarilhar até ao limite, o que aqui se regista são meros pormenores, a arquitetura civil da cidade é deslumbrante, tudo farei para regressar com uma temperatura mais amena.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (270):
O dia passado em Wiesbaden, amanhã viaja-se para Heidelberg - 5


Mário Beja Santos

O dia de hoje é reservado a Wiesbaden, outrora capital do Ducado de Nassau, mais tarde sede da província prussiana de Hesse-Nassau, atualmente capital do Land de Hesse. Vindo de carro logo me apercebi nas imediações da prosperidade destas gentes, belas vivendas que se conjugam muito bem com os terraços das montanhas florestadas do Taunus. A cidade goza de uma reputação mundial, devido aos seus festivais, congressos, tratamentos termais. Tem um opulento museu onde não faltam cerâmicas romanas, tapeçarias, esculturas medievais, peças etnográficas de grande valor, uma rica galeria de pintura. Os meus anfitriões levaram-me em primeiro lugar a Neroberg, uma colina bem florestada, não faltam magníficos jardins, piscinas termais e não termais, o passeio destinava-se a ir visitar a igreja ortodoxa russa que também é conhecida por capela grega, mas de facto é russa, serve de mausoléu à primeira mulher do Duque Adolfo de Nassau, ela chamava-se Elisabeth, era filha do Grão-Duque Miguel da Rússia, pertencia à família Romanov. A Grã-Duquesa morreu de parto, tinha 18 anos, repousa agora num túmulo de mármore ornado de 16 figuras dos apóstolos e das virtudes teologais. É proibido tirar fotografias no interior, tive de ir surripiar uma imagem, o iconóstase e o altar-mor são muito belos. A construção terminou em 1855.

Após uma refeição ligeira, descida para a cidade, o calor é sufocante, aproveitam-se todas as sombras, retiram-se as imagens possíveis, todos concordam em regressar a casa, fizemos bem amanhã vou cumprir um sonho da juventude, conhecer Heidelberg e o seu esplendor, por isso me despeço mostrando um pórtico de um castelo que já foi faustoso e ficou bem derruído naquelas guerras em que entraram exércitos de várias nações, tudo questões de família – o castelo de Heidelberg, entretanto, renasce em primorosas obras de conservação e restauro, como irei mostrar.

Uma das quatro fachadas da igreja ortodoxa russa em Neroberg, com cinco cúpulas bolbosas douradas
Túmulo da Grã-Duquesa Elizabeth Mikhailovna, no interior da igreja russa de Wiesbaden
Imagem retirada da Wikipédia, mostra o iconóstase desta igreja
Imagem de bilhete postal adquirido na igreja e que mostra o interior na atualidade
Três imagens da Igreja do Mercado, neogótica, luterana, construção de meados do século XIX
Fonte do Mercado no centro histórico de Wiesbaden, em frente ao Parlamento
Edifício histórico do início do século XX, uma fusão de estilos onde não falta a Arte Nova, sede do jornal dos tempos da preponderância prussiana e agora de um jornal regional
Edifício das termas do Imperador Frederico, construído entre 1910 e 1913, inspirado nas antigas termas romanas
Imagem de uma fonte termal em Wiesbaden
Repuxos para alegria das crianças em dia de canícula
Pórtico do castelo de Heidelberg, lembrança de tempos faustosos

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 5 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28324: Os nossos seres, saberes e lazeres (748): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (269): Ainda em Frankfurt, depois Wiesbaden, mas volto atrás, a Mainz - 4 (Mário Beja Santos)

sábado, 5 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28324: Os nossos seres, saberes e lazeres (748): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (269): Ainda em Frankfurt, depois Wiesbaden, mas volto atrás, a Mainz - 4 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 14 de Agosto de 2026:

Queridos amigos,
A memória já não é o que era, descurei umas imagens que guardei na câmara quanto ao passeio em Mainz, por mero acaso entrei num museu que tem uma certa grandiosidade e um património da presença romana nesta porção de território alemão que é invejável. Fica o registo do que vi e sonho voltar a ver a preceito. Concluo a viagem a Frankfurt, graças à minha maleita sou forçado a andar com conta peso e medida e sem dores graças ao paracetamol. Não é a primeira vez que mostro imagens desta catedral, ela dispõe de um património histórico-cultural incomum, era aqui que era eleito o imperador do Sacro Império Romano-Germânico, enquanto fiz os meus estudos de História, jamais associei porque se chamava ao imperador Carlos V e Carlos I de Espanha, isto para dizer que só bem tarde me apercebi da História deste Império que se extinguiu em tempos napoleónicos. À cautela, ao fim daquela tarde sobreaquecida meti-me no comboio e regressei a Idstein. O dia seguinte será igualmente precioso, reservado a Wiesbaden, estive cá o ano passado na ópera local vi uma inesquecível récita de A Flauta Mágica, de Mozart, mas não deu para ver a cidade e os seus encantos.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (269):
Ainda em Frankfurt, depois Wiesbaden, mas volto atrás, a Mainz - 4


Mário Beja Santos

Devido a uma certa desordem de imagens na câmara do meu telemóvel, permite-me voltar atrás, estou novamente na cidade de Mainz, escuso de dizer que o calor é sufocante, ninguém dá uma explicação clara do transporte até à igreja de Santo Estevão, vou palmilhando as ruas da cidade, dou com a fachada de um museu que não concorre em popularidade com o de Gutenberg, mas que é verdadeiramente opulento, entrei, uma amável rececionista brasileira bem me despertou o apetite para a visita neste edifício que foi uma caserna militar e que desde 1803 é o ex-libris de um património glorioso sobretudo da presença romana, há uma boa secção da pré-história, arte tumular medieval, pintura alemã dos séculos XVI em diante, não falta uma aguarela de Turner, outra de Signac e um belo Picasso de 1908. O suficiente para ter dito com sinceridade à estimável senhora que hei de voltar logo que puder. Voltemos então a Frankfurt.
Fachada do Landesmuseum, Mainz
Pablo Picasso, Cabeça de Mulher, 1908, Landesmuseum, Mainz
Detalhe do magnífico mosaico romano tendo no centro Orpheu a dedilhar a sua cítara, Lendesmuseum, Mainz
O altar-mor da Catedral de São Bartolomeu, Frankfurt
Sempre que visito esta catedral venho aqui deslumbrar-me com aquela que é para mim a mais emocionante escultura medieval, representa a morte de Maria, são inultrapassáveis as expressões de consternação e há aquele delicado, único, pormenor do anjinho a fechar um olho à mãe de Cristo, aqui me detenho também para concelebrar com os meus mortos.
Última ceia, parte do Altar de Santa Ana na Catedral de Frankfurt, obra dos inícios do século XVI
Era um ruidoso dia de festa no centro histórico de Frankfurt, bem procurei um ângulo que desse relevo à monumentalidade da catedral, julgo ser impossível, a 22 de março de 1944, uma vaga de bombardeamentos anglo-americanos destruiu o centro histórico e a mais velha estrutura medieval que existia na Europa, fez-se a reconstrução, focou-se na área vizinha da catedral, Frankfurt foi reconstruída, mas fora desta reconstrução é uma cidade insípida, só veio a ganhar carácter com os arranha-céus com que ficamos a saber que aqui é a sede do Euro, uma gigantesca praça financeira e estamos perto de um outro não menos gigantesco conglomerado, a Hoechst, da indústria química e farmacêutica. Suscitou-me a curiosidade de procurar um ângulo da agulha da torre com um desses edifícios magnificamente reconstruídos.
Digamos que se está no centro histórico de Frankfurt, chama-se Die Rõmer, na imagem da esquerda ao centro, o novo imperador do Sacro Império Romano-Germânico, conjuntamente com os sete príncipes eleitores, recebia em audiência as notabilidades; obviamente que estamos a ver duas imagens da praça com edifícios totalmente reconstruídos.
Outra imagem de Die Rõmer, vê-se a torre da igreja de São Nicolau
Outro pormenor da praça Die Rõmer
Como a minha memória já não é o que era, mesmo tendo num bolso um bloco de notas, aquele calor estonteante bulia-me com os nervos, só queria andar à sombra e beberricar da garrafa de água. Esta imagem é uma mera curiosidade de alguém que à cautela procura fixar os sítios por onde anda, no caso vertente a igreja de São Nicolau, sóbria, mas cheia de espiritualidade.
Altar-mor da igreja de São Nicolau
Ontem, andei por Frankfurt, hoje o passeio é a Wiesbaden, quem aqui me trouxe chamou-lhe igreja russa na verdade é uma igreja ortodoxa grega e tem por detrás uma história de amor, eu depois vou contar.

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 29 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28305: Os nossos seres, saberes e lazeres (747): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (268): Ainda a visitar Mainz, no dia seguinte em Frankfurt - 3 (Mário Beja Santos)