Último poste da série > 13 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27731: E as nossas palmas vão para... (35): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convivas na festa do 16.º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algés, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte VII
Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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sexta-feira, 17 de julho de 2026
Guiné 61/74 - P28189: E as nossas palmas vão para... (36): O Jaime Bonifácio Marques da Silva, natural do Seixal da Lourinhã e filho adotivo de Fafe, ex-alf mil pqdt, BCP 21 (Angola, 1970/72), que celebra hoje o seu 80º aniversário
Último poste da série > 13 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27731: E as nossas palmas vão para... (35): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convivas na festa do 16.º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algés, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte VII
segunda-feira, 6 de julho de 2026
Guiné 61/74 - P28159: In Memoriam (582): António Nunes Lopes (1942-2026), ex-fur mil at inf, CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Porto Gole, Enxalé e Missirá, 1965/67), e cruz de guerra de 3ª classe: senta-se simbolicamente, a título póstumo, no lugar nº 916, à sombra do nosso poilão
Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro > Convívio anual da Tabanca de Porto Dinheiro > O António Nunes Lopes (1942-2026) e João Crisóstomo. Ambos foram condecorados com a Cruz de Guerra, de 3ª e 4ª classe, respetivamente, por feitos em combate no decurso da Op Avante (30 de agosto de 1965).
Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro > Convívio anual da Tabanca de Porto Dinheiro. Régulo: Euardo Jorge Ferreira (1953- 2019), ex-alf mil, PA - Polícia Aérea, Bissalanca, 1973/74.
- António Nunes Lopes (1942-2026) e João Crisóstomo (ambos pertenceram à CCAÇ 1439, 1965/67);
- Helena do Enxalé (mulher do Álvaro Carvalho, fotógrafo; era filha do Pereira do Enxalé, que morreu em Bissau, em agosto de 1974);
- Vilma Crisóstomo (esposa do João);
- Dina (esposa do Jaime, já falecida) e Milita (esposa do Horácio) (as duas últimas naturais de Fafe);
- Eduardo Jorge Ferreira (193-2019);
- Maria Alice Carneiro e Luís Graça;
- Alexandre Rato (então presidente da junta de freguesia de Ribamar);
- Horácio Fernandes (1936-2025);
- Jaime Bonifácio Marques da Silva. (Falta o fotógrafo, o Álvaro Carvalho.)
Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro >De pé o Álvaro Carvalho... Sentados, da esquerda para a direita: Luís Graça, João Crisóstomo e o António Nunes Lopes (estava convidado, desde essa data, para integrar a nossa Tabanca Grande, mas não tinha endereço de email, ficando nós a aguardar o da esposa, o que nunca se chegou a concretizar.)
Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro "Recordar é viver", diz o João Crisóstomo, para o Luís Graça e o António Nunes Lopes.
Fotos: © Álvaro Carvalho (2015) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
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| Crachá da CCAÇ 1439 (1965/67) |
O António Lopes nasceu a 23/3/1942 e morreu a 23/2/2026, ia completar 84 anos. Foi fur mil at inf, pertencia ao pelotão comandado pelo João Crisótomo na madeirense CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Porto Gole, Enxalé e Missirá, 1965/67).
O João Crisóstomo e o António Nunes Lopes haveriam de encontrar-se ao fim de quase meio século, na Praia de Porto Dinheiro, Ribamar, Lourinhã, por ocasião do convívio da Tabanca de Porto Dinheiro, em 12 de julho de 2015... Pertenceram ambos à mesma companhia e ao mesmo pelotão...
No vídeo abaixo, gravado na altura (2015), e que voltamos a reproduzir, os dois evocam aqui, de maneira muito viva e emocionada, uma dos mais duros episódios de guerra por que passaram, em 30 de agosto de 1965, no decurso da Op Avante, em Darsalame (Baio), na zona de Baio/Buruntoni, no Xime, sctor L1 (Bambadinca). Era um ponto que o PAIGC sempre "controlou" durante toda a guerra, e onde era inevitável haver "contacto" com as NT, em operações de contrapenetração ou em patrulhamentos ofensivos...
Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Xime > CCAÇ 1439 (1965/67) > 30 de agosto de 1965 > O Armando Assunção Coutinho, de alcunha o "Pênalti", soldado do BCAÇ 697,adido à CCAÇ 1439, ferido no decurso da Op Avante. Foto: fonte desconhecida.
Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Susetor do Xime > Carta do Xime (1961) > Escala de 1/50 mil > Posição relativa do Xime e Darsalame (Baio) onde o pelotão do João Crisóstomo (alferes) e do António Nunes Lopes (furriel) sofreram uma violenta emboscada, em 1966, e tiveram um comportamento heróico, eles e os seus homens... Na zona de Poindom / Ponta do Inglês, havia população que cultivava as bolanhas, na margem direita do R Corubal e que "apoiava" a guerrilha... Também eu ali iria conhecer o inferno, três ou quatro anos mais tarde, em 1969/71... (LG).
Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2015).
Transcrição da Portaria publicada na Ordem do Exército nº 29, 3ª série, de 1966. Por Portaria de 20 de setembro de 1966:
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra de 3ª classe, ao abrigo dos artigos 9º e 10º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província da Guiné Portuguesa: O Furriel Miliciano de Infantaria, António Nunes Lopes, da Companhia de Caçadores nº 1439 / Batalhão de Caçadores nº 694 - Batalhão Independente de Infantaria nº 19.
Transcrição do louvor que originou a condecoração. Publicado na OS nº 89, de 29 de outubro de 1965, do QG/CTIG:
Louvo o Furriel Miliciano, António Nunes Lopes, da Companhia de Caçadores nº 1439, porque, na operação "Avante", quando as NT se encontravam debaixo de nutrido e violento fogo Inimigo, em terreno que nos era manifestamente desfavorável, fez parte, com a sua secção reforçada, do grupo que, sob o comando do comandante da operação, executou uma arrancada heróica ao encontro do inimigo oculto, do que resultou a suspensão do seu fogo e o consequente alívio da situação das NT (Nossas Tropas), tornando-se em sucesso para nós, embora com baixas, o que podia ter sido um desastre.
Durante esta acção incutiu no seu grupo a necessidade de avançar, a fim de descobrir e aniquilar um dos grupos do IN que mais flagelava as NT com o que demonstrou a sua coragem e decisão de enfrentar o perigo, a sua serena energia e sangue frio debaixo de fogo, bem como a sua valentia e bravura perante o IN traiçoeiro, nada tendo havido que conseguisse quebrar o seu ânimo, nem mesmo a morte de um dos seus melhores elementos ou o sibilar das balas à sua volta.
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Notas do editor LG:
(*) Último poste da série > 1 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28064: In Memoriam (580): Major-general Paraquedista Heitor Hamilton Almendra (1932-2026): cerimónias fúnebres hoje, às 13h00, na Igreja da Força Aérea, em São Domingos de Benfica, seguindo depois o funeral para o crematório dos Olivais
(**) Vd. poste de 24 de abril de 2021 > Guiné 61/74 - P22131: CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67): A “história” como eu a lembro e vivi (João Crisóstomo, ex-alf mil, Nova Iorque) - Parte VI: O baptismo de fogo no Xime (17/8/1965, e a Op Avante, ao Buruntoni (em 29-30/8/1965) com os primeiros mortossegunda-feira, 18 de maio de 2026
Guiné 61/74 - P28033: In Memoriam (579): Carlos Rios, ex-fur mil, CCAÇ 1420 (Mansoa e Bissorã, 1965/67); faleceu em 23/8/2022 , era membro também da Tabanca da Linha e morava em Carnaxide
Ali passei seis anos com imensas operações, vindo a ficar estropiado de 66 a 72. O director era um déspota bem como a maioria do pessoal ligado àquilo que deveria ser o lenitivo para as miséris que nos atingiam mas que afinal se vinha a transformar como que um castigo por termos sido feridos. De tal maneira que já no Depósito de Indisponíveis, onde se encontrava o pessoal em tratamentos ambulatórios, termos sido metidos nas escalas de serviço, como se os doentes em tratamento estivessem numa Unidade.
Imagina um Oficial de dia quase maneta e eu próprio, já coxo, a fazer o içar da bandeira na porta de armas, vindo ao exterior a comandar a guarda e dar ordens militares para o caso. Fui um espectáculo macabro, eu só consigo andar com uma bengala. Calcula o ridículo. (...)
Transcrição da Portaria publicada na OE n.º 12 — 3.ª série, de 1967.
Por Portaria de 04 de Abril de 1967:
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra, de 1.ª classe, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província de Guiné, o Furriel Miliciano de Infantaria, Carlos Luís Martins Rios, da Companhia de Caçadores n.º 1420/Batalhão de Caçadores n.º 1857 — Regimento de Infantaria n.º 2.
Transcrição do louvor que originou a condecoração.
(Por Portaria da mesma data, publicada naquela OE):
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, louvar o Furriel Miliciano de Infantaria, Carlos Luís Martins Rios, da Companhia de Caçadores n° 1420/Batalhão de Caçadores n.º 1857 — Regimento de Infantaria n° 2, porque, tendo tomado parte em numerosas acções de combate, como Comandante de Secção do Grupo de Combate Especial, para o qual se ofereceu, se revelou um graduado com excelentes qualidades de comando e de combatente.
Marchando normalmente a sua Secção na testa das forças empenhadas, exposto portanto a maiores perigos, soube o Furriel Rios incutir-lhe confiança, pelo ardor combativo que demonstrou nas acções de fogo, pelo exemplo que constantemente lhes deu e pelo entusiasmo com que cumpriu as missões que lhe foram dadas, mesmo nas situações mais críticas. É digna de realce a acção deste militar em diversas operações, nomeadamente nas operações "Ferro", "Estopim" e "Espectro".
Tomou parte na operação "Ferro", voluntariamente, apesar de se encontrar inferiorizado, fisicamente, e accionou uma armadilha durante a progressão para o objectivo, o que em nada contribuiu para alterar o optimismo com que sempre encarou as acções de combate.
Detectadas as nossas tropas nas proximidades do objectivo, lançou-se o Furriel Rios, de rompante, com a sua Secção sobre a Base Inimiga, onde elementos abrigados reagiram ao assalto, com volumoso fogo e armas automáticas e bazooka, desalojando-os e pondo-os em debandada, com baixas.
Destruído o objectivo e já no regresso ao aquartelamento, foi a cauda da força flagelada com volumoso fogo, quando atravessava um descampado. Acorreu prontamente o Furriel Rios à retaguarda, incentivando a reacção das nossas tropas. Conseguiu que a parte do grupo flagelado manobrasse com rapidez sobre o inimigo, que perante a ameaça de envolvimento, debandou, furtando-se ao contacto. Mostrou assim serena energia debaixo de fogo, coragem, decisão, sangue-frio e desprezo pelo perigo.
Durante a operação "Espectro", em que tomou parte também voluntariamente, foi o Furriel Rios vítima da sua dedicação e espírito de combatividade ao ser gravemente ferido à queima-roupa, quando tentava capturar um elemento inimigo que avistara em fuga, elemento esse que explorado convenientemente certamente contribuiria para um melhor cumprimento da missão.
Pelos motivos apontados, considera-se o Furriel Rios como um militar voluntarioso, abnegado, corajoso e cumpridor dos seus deveres, pelo que se tornou digno da maior consideração por parte dos seus superiores e admirado pelos seus subordinados, constituindo assim um exemplo vivo do Soldado Português.
domingo, 2 de novembro de 2025
Guiné 61/74 - P27376: Humor de caserna (219): Heróis de quatro patas que bem mereciam uma cruz de guerra: Bambadica, 1963, o Lobo e a sua matilha de cães rafeiros (Alberto Nascimento, ex-sold cond auto, CCAÇ 83, 1961/63)
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| O boxer Toby, um cão que foi um bravo combatente, mais do que mascote. Foto do João Sacôto. |
Alguém apareceu um dia no quartel, com dois cachorros recém desmamados, que foram imediatamente adotados e batizados com os nomes de Gorco, ele, e Djiu, ela.
Adaptaram-se facilmente ao hotel e, quando começaram a vadiar pelas imediações, devem ter feito grande publicidade porque passado pouco tempo veio outro e mais outro e mais uns quantos, até perto da dezena de rafeiros que, agora bem nutridos, não mostravam vontade nenhuma de voltar à antiga vida de privações e maus tratos.
Mais tarde, o tenente Castro, comandante do destacamento, juntou à matilha um boxer, o Lobo que, pelo seu pedigree, foi aceite como comandante da tropa canina, que passou a segui-lo para todo o lado.
Embora alguns dos rafeiros se desenfiassem durante algumas horas de dia, a hora das refeições e a pernoita eram sagradas e, após a última refeição, esparramavam-se num espaço entre as duas construções que constituíam o quartel, formando uma roda de cães no meio da qual, não sei se por estratégia, se acomodava o Lobo.
Uma noite, estava eu num posto guarda a trocar umas palavras com o sargento Leote Mendes, quando o Lobo se levantou subitamente e saiu a grande velocidade, seguido com grande algazarra pelo resto da matilha.
Ficámos preocupados a pensar que a reacção dos cães se devia à passagem de algum viajante, já que era hábito quando a distância a percorrer era grande, fazerem os percursos de noite a pé enquanto mastigavam noz de cola e mais preocupados ficámos quando vimos que o Lobo trazia na boca um cantil de plástico cheio de leite.
Depois da operação de Samba Silate (****), alguns prisioneiros disseram que nessa noite o quartel estava já cercado e seria atacado, não fora o alarme dado pelos cães, o que os levou a pensar que factor surpresa já não surtiria efeito.
Felizmente para nós, enganaram-se. Não sei que armas traziam mas a nossa surpresa ia com certeza ser grande. Nunca se soube com certeza absoluta, eu pelo menos não soube, com que apoios esta operação contava do exterior e do interior do quartel, mas um dia depois, um cabo indígena de Bafatá que reforçava o nosso destacamento, desertou.
Depois deste episódio, que recordamos sempre nos nossos encontros anuais, a matilha começou a desaparecer.
Todos os camaradas que estavam na altura em Bambadinca sabem, julgo eu, o que ficaram a dever àqueles animais que, por acção indirecta, acabaram por ser as únicas vítimas, pelo seu natural instinto de guardiães e defensores de um território, que também era seu.
Alberto Nascimento
__________
Notas de L.G.:
(*) Vd. poste de 1 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27374: O segredo de... (52): Luís Graça & Humberto Reis (CCAÇ 2590 / CCAÇ 12, Contuboel e Bambadinca, mai 69 /mar 71): Op Noite das Facas Longas, em que nem o pobre do "Chichas", a nossa mascote, escapou do tiro na nuca...
(**) Vd. poste de 19 de fevereiro de 2019 > Guiné 61/74 - P19507: Recortes de imprensa (102): "Diário de Notícias", 3/2/1966: o cão da CCAÇ 617, um bravo Boxer, que se bateu como um leão (João Sacôto / José Martins)
(...) " a CCAÇ 84, três meses depois de aterrar no aeroporto de Bissalanca, foi literalmente fragmentada e enviada para os mais diversos pontos do território, tendo o meu pelotão tido como último destacamento, entre Novembro de 1962 e 7 ou 8 de Abril de 1963, Bambadinca, sob o Comando de Bafatá.
"O primeiro destacamento, ainda em Julho de 1961, foi para Farim, após os primeiros e ainda pouco violentos ataques a Bigene e Guidaje. Seguiu-se o destacamento de Nova Lamego, conforme é dito no seu blogue (P 1292 - Contributos) onde o pelotão foi dividido por Buruntuma, Piche e Canquelifá.
"Só estou a mencionar o 1º pelotão da Companhia, porque à grande maioria dos camaradas dos outros pelotões só voltei a ver nos dias que antecederam o embarque para a Metrópole.
"Como a memória se perde no tempo por indocumentação, ou porque a essa memória se teve medo de atribuir qualquer importância (existiam e ainda existem muitos complexos sobre a guerra colonial), resolvi dar o meu contributo para esclarecer uma dúvida colocada no seu blogue, sobre quem teria participado nos massacres de Samba Silate e Poindom, no início de 63.
"Sem conseguir precisar o mês, um dia soubemos que a PIDE estava em Bambadinca para deter o padre António Grillo, italiano da Ordem Franciscana, acusado - não sabíamos se por denúncia, se por investigação - de colaborar, proteger, e fornecer alimentos a elementos do PAIGC, a partir de Samba Silate" (...).
quarta-feira, 15 de outubro de 2025
Guiné 61/74 - P27318 Louvores e condecorações (18): os bravos de Contabane, naquela longa e pavorosa noite de 22 de junho de 1968, posteriormente condecorados com a cruz de guerra: fur mil inf Joaquim de Oliveira S. Gonçalo, 1º cabo inf, Amândio da Conceição Justo e sold inf Fernando Gomes da Silva
Guiné > Região de Quínara > Buba > CCAÇ 2382 (1968/70) > Dia do "santo patacão", o do pagamento do pré. Cap Mil Art Carlos Nery de Sousa Gomes de Araújo, sentado; alf mil Curado, de pé, à direita; o sargento José Boiça, à esquerda e o fur Mil Henrique, ao centro, em segundo plano; ao fundo, o Ernesto Vasconcelos, identificado pelo nosso amigo e camarada José Manuel Cancela, também da CCAÇ 2382, e que estava em Contabane na noite do ataque.
A foto é do nosso camarada Manuel Traquina, retirada e editada, com a devida vénia, do seu livro, "Os tempos de guerra: de Abrantes à Guiné" (Abrantes: Palha de Abrantes, 2009, pág. 130).
Foto nº 1 e 1A > Guiné > Região de Tombali >_ Sector S 2 (Aldeia Formosa) > Contabane > Manhã de 23 de junho de 1968 > Chegada do heli com a enf pqdt Ivone Reis que vem evacuar os feridos, depois do ataque da noite anterior >
- creio que este ponto de vista é o do lado oposto ao da instalação inimiga e, portanto, menos atingido.; julgo que o lado Norte/Nordeste da tabanca;
- veem-se algumas casas poupadas ao incêndio (E):
- para cá da Mesquita (C), está um abrigo em princípio de construção (B); o solo foi cavado e, junto, estão já colocados alguns troncos de palmeira;
- o caminho bem marcado que se vê à direita, junto da cabeça do piloto, será o que vai em direcção ao Saltinho (F) (que ficava a Norte/nordeste de Contabane);
- mais abaixo, do lado esquerdo da foto, para cá do abrigo em início de construção (B), vê-se perfeitamente uma das fiadas de arame farpado (H); havia duas; esta creio que foi a lançada pela minha companhia (a amarelo); a outra, lançada pela 5ª. Companhia de Comandos, parece estar logo atrás, embora não tão fácil de ver, por estar mais escurecida;
- militares e elementos da população inspecionam os estragos (A);
- a parte mais destruída e queimada é visível no lado esquerdo da foto (D).
Foto nº 2 > Guiné > Região de Tombali > Sector S2 (Aldeia Formosa) > Contabane > Manhã de 23 de junho de 1968 > Chegada do heli com a enf pqdt Maria Ivone Reis (1929-2022) que vem evacuar os feridos, depois do ataque da noite anterior. (**)
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Maria Ivone Reis (1929-2022) |
Esta segunda foto foi tirada de mais perto e de um ângulo um pouco diferente. É perfeitamente visível o que restou de diversas casas consumidas pelo fogo. Dispersos pela tabanca vêem-se militares e cívis examinando as consequências do ataque.
Nas duas fotos parece perpassar um ambiente de perplexidade e de angústia. Aquela Contabane plena de vida e de simpatia tinha sido ferida de morte. Porém, a Companhia de "periquitos" tinha batido o pé a 'Nino' e aos seus morteiros e canhões sem recuo. Haveria tempo para outros recontros com o comandante lendário.
(---) "É talvez difícil de explicar o importante que era para nós, combatentes, a chegada de uma mulher ao local de combate onde sofrêramos baixas e estávamos ainda sob o efeito dessa traumatizante experiência. Senti-o intensamente em Contabane, na tabanca destruída por um dos ataques mais violentos da Guerra da Guiné.
A enfermeira paraquedista Ivone Reis quando se me dirigiu, tenho de o confessar, era a Pausa, o Lenitivo, a Mãe distante, a Noiva, a Mulher... Que sei eu? A sua decisão em ficar connosco, contrariando o estabelecido, enquanto os helicópteros levavam a Aldeia Formosa os feridos ligeiros, prestando os primeiros cuidados aos feridos graves que, em seguida, seriam levados para Bissau, foi de uma importância enorme para afastar a nossa angústia, para pôr uma pausa no nosso desespero!
Trocámos umas palavras, disse-lhe que aquela tinha sido a "minha noite mais longa"... Ouvi-lhe palavras apaziguadoras, que ainda guardo no meu íntimo.
Passadas semanas, já em Buba, recebo uma cartinha sua referindo essa "noite longa" acompanhada por duas fotos da tabanca destruída, tiradas por ela do helicóptero. Não serão muito bem tiradas mas são o objecto mais precioso das minhas recordações da Guiné" (...) (*)
Fotos (e legendas): © Maria Ivone Reis / Carlos Nery (2010). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Furriel Miliciano de Infantaria
JOAQUIM DE OLIVEIRA DOS SANTOS GONÇALO
CCac 2382 - RI 2
GUINÉ
3ª CLASSE
Transcrição da Portaria publicada na OE n. o 5 - 3. a série, de 1971.
Por Portaria de 12 de Janeiro de 1971:
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra de 3." classe, ao abrigo dos artigos 9.° e 10.° do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província da Guiné Portuguesa, o
Furriel Miliciano de Infantaria, Joaquim de Oliveira dos Santos Gonçalo, da Companhia de Caçadores n.º 2382 - Regimento de Infantaria nº 2.
Transcrição do louvor que originou a condecoração (Por Portaria da mesma data, publicada naquela OE):
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, louvar o Furriel Miliciano de Infantaria, Joaquim de Oliveira dos Santos Gonçalo, da Companhia de Caçadores n.º 2382, do Regimento de Infantaria nº 2 e na dependência operacional do Batalhão de Artilharia n.º 2866, pela forma briosa e eficiente como comandou a sua Secção e mesmo o seu Grupo de Combate, quando eventualmente chamado a desempenhar essa função.
Salienta-se a sua actuação no decorrer de um violento ataque inimigo a um aquartelamento em que, com evidente e absoluto desprezo pelo perigo, pegou na metralhadora e, debaixo de intenso fogo, aproximou-se do arame farpado, utilizando eficazmente a sua arma, conseguindo pôr em debandada os agressores, sendo ainda o primeiro a sair, na perseguição movida a esses elementos.
Nas flagelações, acorria logo à primeira salva, ocupando o local onde se encontrava instalado o morteiro 81, desprezando posições mais abrigadas, para orientar com precisão a resposta ao fogo adverso; e foi, justamente numa dessas situações, quando corria a descoberto numa zona fortemente batida por ajustado e contínuo fogo, que ficou gravemente ferido, ao ser atingido por estilhaços de uma granada de morteiro.
Astucioso e hábil na implantação e levantamento de minas e armadilhas colocou-as em grande número, conseguindo deste modo criar ao inimigo um clima de insegurança, muito contribuindo para o abandono por parte deste de um tradicional corredor de reabastecimentos.
Excepcionalmente dotado de qualidades de coragem e rara agressividade, aliadas a uma invulgar determinação no cumprimento do dever, tornou-se, o Furriel Gonçalo, credor da estima e apreço dos seus superiores e subordinados, devendo os seus serviços em campanha ser considerados de elevado mérito.
pp. 368/369
1º Cabo de Infantaria, n.º 09558167 AMÂNDIO DA CONCEIÇÃO JUSTO
CCaç 2382 - RI 2
GUINÉ
4ª CLASSE
Transcrição da Portaria publicada na OE nº 5 - 3. n série, de 1971.
Por Portaria de 12 de Janeiro de 1971:
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra de 4ª classe, ao abrigo dos artigos 9.° e 10.° do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província da Guiné Portuguesa, o
1.° Cabo de Infantaria, Amândio da Conceição Justo, da Companhia de Caçadores
n.º 2382 - Regimento de Infantaria nº 2.
Transcrição do louvor que originou a condecoração. (Publicado na OS n. 047, de 12 de Novembro de 1970, do QG/CTIG):
Que, por seu despacho de 06Nov70, louvou o 1º Cabo n.009558167, Amândio da Conceição Justo, da CCaç 2382, porque durante a sua permanência nesta Companhia, se revelou um elemento altamente positivo no desempenho das suas funções de graduado, mesmo quando, eventualmente, foi chamado
ao comando da sua Secção.
Elemento muito aprumado e modesto, demonstrou grande energia e coragem num violento ataque a um destacamento das nossas tropas, pois que, ao ver incendiar-se o tecto de colmo de uma casa perto de um abrigo abandonado pelos seus camaradas, nele entrou sozinho a fim de retirar um lança-granadas aí deixado, bem como as respectivas munições, em sério risco de explodirem, em virtude do calor abrasador proveniente do incêndio.
Apontador de metralhadora Iigeira e de lança-granadas, ocupou sempre os primeiros lugares, tendo em todas as situações de combate acção destacada, como aconteceu na reacção a uma emboscada montada às forças de segurança e picagem aos trabalhos de abertura de uma nova estrada, em que o 1.° Cabo Justo actuou corajosamente, fazendo vários disparos de lança-granadas, de pé e em posição desabrigada, devendo-se em parte a esta atitude a debandada do inimigo, com baixas prováveis.
Pelas qualidades evidenciadas, soube o 1º Cabo Justo ganhar a admiração e apreço de superiores e camaradas, creditando-se como militar de muito mérito.
pp. 374/375
CCaç 2382/BArt 2866 - RI 2
GUINÉ
4." CLASSE
n." 2382/Batalhão de Artilharia n." 2866 - Regimento de Infantaria n." 2.
(Publicado na OS n. o 34, de 13 de Agosto de 1970, do QG/CTIG):
(*) Vd. poste de 29 de maio de 2010 > Guiné 63/74 - P6489: As Nossas Queridas Enfermeiras Pára-quedistas (15): A minha homenagem à enfermeira pára-quedista Ivone Reis que ficou em Contabane a cuidar dos feridos graves (Carlos Nery)
sexta-feira, 22 de agosto de 2025
Guiné 61/74 - P27143: Louvores e condecorações (17): Mamadu Bonco Sanhá, tenente de 2ª linha, comandante da CMil 14 / BART 1904 (Bissau e Bambadinca, 1967/68), régulo de Badora: cruz de guerra de 4ª classe
Tenente de 2ª Linha MAMADU SANHÁ
CMil 14 - CTIG
GUINÉ
CRUZ DE GUERRA 4ª CLASSE
Transcrição do Despacho publicado na OE nº 5 - 2ª série, de 1968.
Agraciado com a Cruz de Guerra de 4ª classe, nos termos do artigo 12º do Regulamento da Medalha Militar, promulgado pelo Decreto nº 35 667, de 28 de maio de 1946, por despacho do Comandante-Chefe das Forças Armadas da Guiné, de 03 de fevereiro de 1968, o tenente de 2ª linha, Mamadu Sanhá.
Transcrição do louvor que originou a condecoração:
(Publicado na OS n.O06, de 08 de fevereiro de 1968, do QG/CTIG):
Que, por seu despacho de 02 do corrente e por proposta do Cmdt Agr 1980, louvou o tenente de 2ª Linha, Mamadu Sanhá, Comandante da Companhia de Milícias nº 14/BArt 1904, porque, ao ter conhecimento de que grupos itinerantes inimigos, muito numerosos e armados com o mais moderno material, se infiltravam no regulado de Badora, do qual é régulo, imediatamente organizou um grupo constituído por milícias, caçadores nativos e pessoal civil armado, num total de cerca de 550 homens e moveu tenaz e impiedosa perseguição ao ln, tendo conseguido com o seu dinamismo, coragem e serena energia, restabelecer o moral das populações que começavam a acusar indícios de perturbação.
Conseguiu assim, em proveito do seu
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Cruz de Guerra de 4ª Classe. Imagem: cortesia do Portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar |
No primeiro contacto, em 03 jan, continuando implacável perseguição ao ln, acabou novamente por com ele contactar na tarde de 06jan68, tendo o seu grupo infligido desta vez, onze mortos confirmados, capturando mais uma pistola metralhadora e diverso material. Mas nem mesmo assim abandonou Mamadu Sanhá a sua perseguição que só terminou no dia oito depois de se ter convencido de que o ln abandonara definitivamente a região.
Demonstrou assim o ten 2ª linha Mamadu Sanhá, extraordinárias qualidadesde chefe, coragem e fina tempera, pelas quais merece ser distinguido pela sua brilhante ação levada a cabo no regulado de Badora.
Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 5.° volume: Condecorações Militares Atribuídas, Tomo V: Cruz de Guerra (1968-1969). Lisboa, 1993, pp. 127/128
(Revisão / fixação de texto, título, negritos: LG)
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Nota do editor LG:
Último poste da série > 3 de julho de 2024 > Guiné 61/74 - P25710: Louvores e condecorações (16): Aurélio Trindade, ten gen ref (1933-2024), ex-cap inf, 4ª CCAÇ / CCAÇ 6 (Bedanda, 1965/67): Cruz de guerra de 2ª classe e Medalha de Valor Militar, Prata com palmasexta-feira, 18 de julho de 2025
Guiné 61/74 - P27028: Memórias da tropa e da guerra (Joaquim Caldeira, ex-fur mil at inf, CCAÇ 2314 / BCAÇ 2834, Tite e Fulacunda, 1968/69) (5): Consagração de um grande homem e combatente, o João Gualberto Amaral Leite (1944-2011)
Da esquerda para a direita, Fernando Almeida, Narciso Durão, João Leite e Anselmo Adrião, ex-furrieis da CCaç. 2314. Foto: cortesia de Blogue BART 1914 > 9 de fevereiro de 2011 (Legendagem: Joaquim Caldeira)
Joaquim Caldeira, ex-fur mil at inf, CCACÇ 2314, "Brutos", TIte e Fulacunda, 19689/609; nosso grão-tabanqueiro nº 905; vive em Coimbra; autor do livro, "Guiné - Memórias da Guerra Colonial", publicado pela Amazona espanhola (2021)
Despedimo-nos nesse dia e só voltámos a rever-nos no seguinte, na caserna que nos foi destinada. Ficámos a saber que o nosso destino era comum. Íamos formar companhia para depois seguirmos para o ultramar, mas nem sabíamos ainda para onde.
Não sabíamos que os dois anos seguintes iriam ser muito cheios de emoções fortes, perigos, mas também de solidariedade só possível de construir nos momentos mais difíceis e de grande perigo.
E vim a conhecer melhor o Leite e toda a equipa com quem fizemos grandes amizades.
Passarei a designá-lo por Leite, pois era o nome que usávamos por lá e mais tarde, já no fim da guerra, quando nos encontrávamos por ocasião dos convívios.
Afinal, era um homem diferente do que conheci à entrada do quartel, em Tomar. Era folgazão, brincalhão, sempre de boa disposição e muito bem humorado.
Cedo demos conta de que se tratava de homem determinado, sabia o que queria, como queria e quando queria.
Quis o destino que tivéssemos de viver o desastre de Bissássema onde ele, mesmo na linha da frente por onde o IN pretendia repetir o assalto, tal como fizera uns dias antes e se apoderara de armamento, equipamento e prisioneiros, soube infligir a maior derrota sofrida pelo IN durante toda a guerra que travou com o Exército português. Esta batalha nem consta da história de guerra do PAIGC.
Outros desastres aconteceram nas nossas vidas e, em todos, o Leite teve participação com vantagens para o nosso lado.
Desgostoso com o conformismo que reinava na companhia, decidiu formar o seu próprio grupo indo buscar os melhores de entre os melhores. E assim nasceu o grupo “Os Brutos ”. E fizeram história deixando um rasto de medo nos grupos do IN.
Estavam sempre na linha da frente. Tive o privilégio de os comandar nas ausências do Leite. Eram o escol da companhia. E ajudaram o seu comandante, o Leite, na conquista de uma condecoração justa e merecida, só atribuída aos bons. Uma “Cruz de Guerra” (**).
Mas nem sempre foi fácil a vida do grupo. Tiveram as suas horas más. Entre outras, talvez a pior, o acidente do Viriato Lopes.
E assim se passaram dois anos de uma convivência fraterna, só possível em teatros de guerra. Fizemos amizades para a vida. Ficaram as saudades dos amigos e de algumas, muitas vivências.
Só voltei a ver o Leite passados alguns anos, por ocasião dos convívios a que ele não queria faltar, mesmo vindo de tão longe.
Por fim, soube da sua doença. Fui dar-lhe o meu abraço numa das suas vindas a Lisboa para tratamentos. A doença venceu o homem. Mas não venceu o marido, o pai, o profissional bem realizado, o amigo e o camarada de quem todos sentimos saudades.
O Leite ainda vive em nós. Até sempre, companheiro.
(Revisão / fixação de texto: LG)
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Notas do editor:
(*) Último poste da série > 10 de julho de 2025 > Guiné 61/74 - P27001: Memórias da tropa e da guerra (Joaquim Caldeira, ex-fur mil at inf, CCAÇ 2314 / BCAÇ 2834, Tite e Fulacunda, 1968/69) (4): A carta de condução, tirada na Escola de Condução Angélica da Conceição Racha
(**) Furriel Miliciano de Infantaria JOÃO GUALBERTO AMARAL LEITE, CCaç 2314/BCaç 2834 - RI 15, GUINÉ - Cruz de Guerra, 4." CLASSE
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Cruz de Guerra de 4ª Classe. Imagem: cortesia do Portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar |
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra de 4ª classe, ao abrigo dos artigos 9.° e 10.° do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província da Guiné Portuguesa, o
Furriel Miliciano de Infantaria, João Gualberto Amaral Leite, da Companhia de Caçadores 2314/Batalhão de Caçadores nº 2834 - Regimento de Infantaria nº 15.
Transcrição do louvor que originou a condecoração.
(Por Portaria da mesma data, publicada naquela OE):
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, louvar o Furriel Miliciano de Infantaria, João Gualberto Amaral Leite, da Companhia de Caçadores nº 2314, do Batalhão de Caçadores nº 2834 - Regimento de Infantaria n.º 15, pelo modo brilhante e abnegado como se desempenhou de todas as missões de que foi incumbido durante a sua comissão de serviço na Província da Guiné.
Criando um Grupo de Combate tipo Comandos, "Os Brutos", soube logo de início imprimir-lhe notável eficiência para o combate, incutindo nos seus homens o espírito aguerrido e audaz de que ele próprio é' possuidor.
Realizando dezenas de emboscadas, participou em numerosas acções, onde a actuação do seu Grupo de Combate foi bastante influente nos resultados obtidos.
Num ataque sofrido por um dos nossos aquartelamentos, em 24 de Dezembro de 1968, apesar do intenso fogo, deslocou-se para um dos abrigos periféricos mais próximos das posições inimigas, onde dirigiu eficientemente o fogo do pessoal que o guarnecia, tendo ele próprio efectuado o lançamento de dilagramas, de posições a descoberto.






























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