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domingo, 28 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28139: Nomadizações de um marginal-secante (Luís Graça) (8): ainda e sempre os nossos (e)ternos "barcos turras"




Guiné > s/d > s/ l > A embarcação "Bubaque", ostentando a bandeira portuguesa... Antiga LP 4 (Lancha de Patrulha 4, da nossa Marinha, no ativo entre 1963 e 1964), terá sido anteriormente uma traineira de pesca, algarvia... Depois de abatida ao efetivo, foi comprada pelo pai do nosso camarada Manuel Amante da Rosa (embaixador da República de Cabo Verde, reformado) (*).

Foto: © Manuel Amante da Rosa (2014). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Contuboel > CART 2479 / CART 11 (1969/70) > 21 de julho de 1969, dia em que o homem chegou à lua... O Valdemar, sentado num saco, em frada nº 2,  vai a caminho de Bissau, num barco civil, daqueles a que chamávamos, depreciativamente, "barco turra" (**). 

Foto (e legenda): © Valdemar Queiroz (2019). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís GRaça & Camaradas da Guiné]



Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca) > O Rio Geba... o estreito (do Xime para montante) e o largo (do Xime para jusante)... c. 1970, no tempo seco... O rio era navegável de Bissau até Bafatá!... Mas normalmente, as embarcações civis (os "!barcos turras") iam até Bambadinca... As LDG ficavam pelo Xime, mas chegavam a Bambadinca, pelo menos até a 1968... Dois pontos vulneráveis do percurso eram a Ponta Varela (na margem esquerda do Rio, entre a Foz do Corubal/Ponta do Inglês e o Xime), e o Mato Cão (entre o Xime e Bambadinca, no troço serpenteante do Geba Estreito).

Foto do álbum do Humberto Reis, ex-fur mil op esp (CCAÇ 12, Bambadinca, 1969/71)

Foto: © Humberto Reis (2006). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça &vCamaradas da Guiné]


1. Os ataques e flagelações à navegação no rio Geba, entre Bissau, Xime e Bambadinca não eram sistemáticos nem sequer regulares. Mas ficaram na memória da malta que passou pela Zona Leste (***). 

Em geral, o PAIGC não se metia com a malta da Marinha (as LDG, as LDM que eram "caça grossa"). Preferia a "caça miúda", indefesa, as embarcações civis ( a que nós chamávamos os "barcos turras", por, erradamente ou não, acharmos que os "patrões" pagavam "imposto revolucionário" ao partido do Amílcar Cabral, e que só eram atacados os barcos com as "quotas em atraso")... 

Havia dois ou três pontos críticos: Ponta Varela, Mato de Cão e São Belchior. E em geral, esses ataques ataques e flagelações eram ao fim da tarde ou à noite. A guerrilha sabia que, a essas horas, não seria perseguida pela aviação (e muito menos por forças terrestres de aquartelamentos e destacamentos nas proximidades: Xime, Bambadinca, Enxalé, Finete, Missirá...)

Foi o caso, por exemplo, do ataque à 1 hora e meia da noite, do dia 1 de junho de 1973, ao barco civil, "Bubaque", no Geba Estreito, no troço entre Bambadinca e o Xime, em São Belchior, antes do Mato Cão (que nesta altura já tinha um destacamento permanente das NT); ia a bordo o proprietário e capitão do barco, o Amante da Rosa, pai do nosso camarada (e diplomata, cabo-verdiano, hoje reformado) Manuel Amante.

Uma semana e tal depois, a 10 de junho, ao cair da tarde, há novo ataque, desta vez em Ponta Varela, a oeste do Xime, a um comboio de 3 barcos civis.


2. Pelo pouco que sabemos, a  partir das histórias das unidades e  dos testemunhos e das memórias dos militares e civis que navegaram no Geba, não há indícios de que o PAIGC tivesse desenvolvido uma campanha sistemática para interditar toda a navegação no rio Geba, como aconteceu, por exemplo, em certos troços do Cacheu ou do Corubal em determinadas fases da guerra. 

O que existia eram emboscadas oportunistas, concentradas em alguns locais onde o rio estreitava, obrigando as embarcações a reduzir velocidade ou a aproximar-se das margens.

Esses pontos  críticos eram Ponta Varela (quando o rio começava a estreitar, antes do Xime) e depois no rio Geba Estreito, entre o Xime e Bambadinca: Mato Cão e São Belchior.

Quem serviu no Sector L1 (nos subsetores de Bambadinca,  Xime, Mansambo e Xitole)  fala repetidamente destes locais como "zonas perigosas", embora houvesse longos períodos sem qualquer incidente.

Quanto ao "Bubaque", os registos conhecidos são muito claros.

Na História do BART 3873 surge registado o ataque da madrugada de 1 de junho de 1973, cerca da 01h30, em São Belchior, no troço entre Bambadinca e o Xime, antes do Mato Cão. O barco era propriedade de Amante da Rosa, que seguia a bordo como patrão e comandante. Houve 2 feridos graves na tripulação e o ataque foi suficientemente importante para merecer destaque na história da unidade.

Poucos dias depois, em 10 de junho de 1973, ao fim da tarde, encontra-se registado um novo ataque, desta vez contra um comboio de três embarcações civis, em Ponta Varela. Também este episódio figura na mesma documentação militar. (***)

Há outro aspeto muito interessante, que ajuda a desfazer um mito que muitos de nós ouvimos na época.

O próprio Manuel Amante da Rosa, filho do proprietário do "Bubaque", escreveu anos depois que o pai nunca pagou qualquer "imposto revolucionário" ao PAIGC, nem existiria um acordo de imunidade. 

Segundo ele, o barco fazia simplesmente um serviço público essencial, utilizado indistintamente por população civil, comerciantes, familiares de guerrilheiros, e até guerrilheiros e simpatizantes do PAIGC, além de militares portugueses em deslocação, e sempre desarmados: ninguém levava G3, quando seguia para Bissau, para apanhar o avião da TAP, ir ao dentista, tratar de algum assunto da sua tropa,  ou simplesmente para "desopilar" (o chamado "desenfianço").

Na memória do Manuel Amante da Eosa, o "Bubaque" navegou cerca de dez anos naquela carreira e foi atacado apenas uma vez, precisamente nessa madrugada de 1 de junho de 1973, o que ele considera ter resultado de um erro de identificação.

Enfim, esta explicação parece-nos  bastante plausível e aceitável, mesmo sabendo da ligação do Manuel Amante da Rosa ao PAIGC.

O PAIGC tinha pouco interesse estratégico em destruir barcos (incluindo os da "odiada" Casa Giuveia!) que abasteciam populações sob a sua própria influência, transportavam familiares dos combatentes, asseguravam o comércio local (mas também abastecia a tropa...) e que, na prática, o único meio regular de transporte entre Bissau, Xime e Bambadinca, já que a estrada Bafatá-Mansoa- Bissau estava interdita em diversos troços.

3. Atacar uma LDG ou uma LDM era uma operação muito mais difícil e arriscada. As unidades da Marinha navegavam armadas, tinham treino específico, resposta de fogo muito superior e podiam desencadear rapidamente operações de retaliação. 

Daí que, quando havia ataques, estes incidissem sobretudo sobre embarcações civis desprotegidas ou sobre ocasiões em que se julgava haver militares transportados em número reduzido.

Além disso, os grupos do PAIGC especializados em atacar  embarcações no rios eram poucos e náo tinham o dom da ubiquidade.

A nossa observação sobre a evolução da situação em Mato Cão também faz sentido. Em 1972, com a instalação de um destacamento permanente das NT, o local tornou-se menos favorável para emboscadas prolongadas, o que poderá explicar a deslocação de alguns ataques para zonas como São Belchior (ou a jusante,ou Ponta Varela), onde continuavam a existir boas condições para abrir fogo a partir das margens, embora na mira dos 3 obuses 10,5 cm do Xime.


4. Ao tempo do BART 3873 (Bambadinca, 1972/74), já tinha ocorrido, em 10 de outubro de 1972, às 1h15 da noite, no final das chuvas, e ao fim de dez meses de comissão, o primeiro ataque a um barco civil, o "Mampatá", no Rio Geba Estreito, de que resultaram 4 feridos, 1 militar e 3 civis (um dos quais grave) (***)

Na leitura do comando do batalhão, o ataque do PAIGC ao "Mampatá" inseria-se na estratégia de criar dificuldades ao abastecimento das NT no Leste.

O In voltaria, no mês de julho de 197, a fazer outro ataque ataque, no Rio Geba Estreito, em São Belchior, a seguir ao Mato Cão, desta vez à embarcação "Manuel Barbosa" (ligada a uma comercial de Bissau,); o barco, civil, conseguiu chegar a Bambadinca com um ferido;

5. Talvez valesse a pena  tentar responder à pergunta: quantos ataques houve realmente à navegação no Geba entre 1963 e 1974?

Foram seguramente mais do que aqueles que ficaram na nossa memória, mas certamente muito menos numerosos do que a fama do Geba Estreito poderia fazer supor.  Nalguns casos terima sido "flagelações" ou "tiros sobre embarcações", sem vítimas ou danos importantes, e esses episódios nunca entraram nas cronologias gerais da guerra 8e muito menos no relato da actividade operacional feita nos livros da CECA - Comissão para o Estudo das Campanhas de África).

Para fazer a  cronologia completa dos ataques e flagelações à navegação no rio Geba (1963-1974), seria preciso cruzando as histórias das unidades que passaram pelo Sector L1, relatórios da Marinha, testemunhos dos antigos tripulantes dos chamados "barcos turras" (que ninguém sabe quem eram, com exceção do Manuel Amante e do seu filho, que viajava muitas vezes com opai durante as férias escolares, o hoje embaixador Manuel Amante da Rosa).

Penso que esse levantamento mostraria, com bastante rigor histórico, que a navegação no Geba viveu num equilíbrio muito peculiar: 

(i) perigosa o suficiente para nunca deixar ninguém completamente tranquilo;

(ii)  mas suficientemente segura para que, durante anos, centenas de pessoas continuassem a fazer regularmente a viagem entre Bissau, Xime e Bambadinca. 

Isso ajuda a compreender porque esses barcos ficaram tão profundamente gravados na memória de quem serviu na Zona Leste, como eu, o Carlos Marques dos Santos, o Valdemar Queiroz, o Joaquim Mexia Alves, o Humberto Reis, e tantos outros (*****).

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(***) Vd. poste de 27 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28137: As nossas geografias emocionais (68): o temível Mato Cão, no rio Geba Estreito

sábado, 27 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28137: As nossas geografias emocionais (68): o temível Mato Cão, no rio Geba Estreito








Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Foto:  Joaquim Mexia Alves (2026)

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Foto: Carlos Marques dos Santos (2014)

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.


1. A nossa Marinha tinha LDP, LDM e LDG que faziam este percurso, Bissau - Xime- Bambdinca. Até 1969 iam todas até Bambadiuca, metendo-se pelo rio Geba Estreito acima, a partir do Xime. Com a conmstrução da ponte-cais do Xime, em 1969, as LDG deixaram de subir o rio Gena Estreito (Xaianga).

Eram os famosos "barcos turras" que fariam, até ao fim, a ligação fluvial entre a capital e o interior da Guiné, e nomeadamente na Zona Leste. A viagem de barco tinha dois pontos críticos; a PontaVarela, entre a Foz do Rio Corunal e o Xime  e depois o Mato Cão (na margem do rio Geba Estreito, entre Nhabijões e Bambadinca).

Em 1 de julho de 1972, o dispositivo das NT já permitia uma melhor defesa da navegaçáo no rio Geba Estreito, relativamente ao tempo qem que a CCAÇ 12 e outars subunidades, ao serviço batalhão sedfiado em Bambadinca (Sector L1) eram obrigadas a manter segurnaça móvel, sempre que subia ou descia um "barco turra"... O quer era penoso; saíamos do quartel de Bambadinca, atravessávamos a bolanha de Fonte e montávcamos emboscada, a nível de pelotão, nbas imediçóes de Mato Cão.

Em 1 de julho de 1972,  já havia um destacamento permanente em Mato Cão (ou Mato de Cão). Nessa data, era guarnecido pelo Pel Caç Nat 54 (anualmenbte, ia rondando: Pel Caç Na 52, em 1973, e Pel Caç Nat 63,  em 1974), reforçado com um 1 esquadrão de um pelotão de morteiro (em 1 de julho de 1973, era o Pel Mort 4575/72). 

Do outro lado do rio (margem esquerda), já também  havia, em 1 de julho de 1972, no destacamento de Nhabijões, uma guarnição constituida por um pelotão (CCS/BART 3873) e uma 1 esquadra do Pel Mort 2268. 

No limite, o Mato de Cão podia ser batido pelo obus 10,5 cm do Xime (20º Pel  Art). A defesa do rio Geba Estreito, no subsetor de Bambadinca (sector L1, que incluía ainda mais 3 subsetores: Xime, Mansambo e Xitole), era ainda assegurada por Bambadinca (sede de batalhão: CCS/BART 3873 + CCAÇ 12 + Pel Mort 2268 + Pel Rec  Daimler 3085)...No total, com os Pel Mil (Finete e Missirá) e Pel Caç Nat (Mato de Cão, Fá Mandinga e Missirá), o subsetor de Bambadinca teria cerca de 550 homens enm armas!...

Guiné > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca) > Mato Cão >  Pel Caç Nat 52 (1973 /74) >   Vista do Rio Geba e bolanha de Nhabijões, a partir do "planalto" do Mato Cão. 

Foto (e legenda): © Luís Mourato Oliveira (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


Guiné > Região de Bafatá  > Sector L1 > Bambadinca > Destacamento do Mato de Cão > Pel Caç Nat 52 > 1973 > "A chegada à estância era sempre um momento vivido com prazer"... O sintex era a única ligação... à outra margem do Rio Geba (e nomeadamente, a Bambadina)... Claro que só se viajava de dia, por razões técnicas de navegação e de segurança. O sintex nã tinha holofotes nem armas coletivas. Era um estertura frágil que não aguentava com o embate do macaréu.

Foto (e legenda): © Joaquim Mexia Alves (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].

Guiné > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Rio Geba > A caminho de Bissau > c. 1968/1969 > O Fur Mil Carlos Marques dos Santos (1943-2019), "viriato" da CART 2339, Mansambo (1968/69), num barco civil ("barco turra"), a caminho de Bissau.

Era um dos típicos barcos civis de transporte de pessoal e de mercadoria, que fazia a ligação Bissau-Bambadinca, e Bambadinca-Bissau, passando pela temível Ponta Varela, na confluência do Rios Geba e Corubal e, a seguir, o assustador Mato Cão, no Geba Estreito, entre o Xime e Bambadinca. Estes barcos (alguns ligados a empresas comerciais, como a Casa Gouveia) tinham, como principal cliente a Intendência militar. Pelo Xime e por Bambadinca passava a alimentação e tudo o mais que era preciso para saciar o "ventre da guerra" da Zona Leste: homens, viaturas, armas,  munições, materiais de construção, etc.

Foto(e legenda): © Carlos Marques dos Santos (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.]

 Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Contuboel > 1969 > CART 2479 / CART 11 (1969/70) > 20 de julho de 1969 > "Efeméride: no dia que o homem chegou à Lua, eu descia o rio Geba (Bambadinca-Bissau, com passagem no célebre Mato Cão e depois na não menos temível Ponta Varela, a seguir ao Xime)...

Era um barco fretado para levar material usado da tropa. Estivemos parados várias horas: primeiro por causa da maré, depois devido a avaria no motor do barco só resolvida (por desenrascanço...) com uma peça sacada dum carro que seguia no barco para sucata.  "Viagem inesquecível, até ao fim da minha vida!", escreveu o saudoso Valdemar Queiroz (ex-fur mil, CART 2479/CART 11, 1969/70).

Foto (e legenda): © Valdemar Queiroz (2014). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís GRaça & Camaradas da Guine.]
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quarta-feira, 25 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27858: Convívios (1052): 39.º Encontro-Convívio do pessoal da CART 3494/BART 3873, dia 6 de Junho de 2026, em Nogueira do Cravo, Oliveira do Hospital (Sousa de Castro)

39.º Encontro-Convívio da CART 3494
6 de Junho de 2026
52 Anos do Regresso: Honrar o Passado, Celebrar a Vida

Camaradas e Amigos,
Passaram-se 52 anos desde que os nossos pés pisaram de novo o solo da pátria, vindos da Guiné. Regressámos homens diferentes, marcados pela distância e pela dureza, mas unidos por um laço que nem o tempo, nem a distância, conseguiram apagar.

No próximo dia 6 de junho de 2026, voltamos a reunir a nossa "família dearmas". Sob o lema "NA GUERRA CONSTRUINDO A PAZ", celebramos a nossa resiliência e a alegria de estarmos aqui, mais de meio século depois, a partilhar a mesma mesa e as mesmas histórias.


Roteiro do Encontro:

- 10:00 horas - A Concentração: Encontramo-nos junto à Capela do Divino Senhor das Almas, em Nogueira do Cravo (Oliveira do Hospital). Um local de paz para recordarmos os 52 anos de caminho percorrido e aqueles que, embora ausentes, marcham sempre connosco na memória.

GPS: 40.33437, -7.86508

- 11:30 horas – Seguimos em caravana auto até Pinhanços - Seia

O Convívio:

O combate deste ano será travado à mesa, no Restaurante “Manjar da Serra”

Morada: AV. Dos Emigrantes, 69
6270-141 PINHANÇOS – concelho de Seia, distrito da Guarda
Contacto: 238 481 004

GPS: 40.45946, -7.69132

Mais do que um almoço, este é um tributo à nossa juventude, à nossa camaradagem e à paz que, juntos, ajudámos a construir e que hoje desfrutamos.
Que este trigésimo nono encontro seja mais um marco na nossa história. Porque mais do que uma companhia de artilharia, somos uma família que o tempo não apaga.
Contamos convosco!
José Vicente
Sousa de Castro

52 anos depois, a CART 3494 continua presente!
Data: 6 de junho de 2026
Confirmações até: 17 de maio de 2026 para os contactos:
José do Espírito Santo Vicente n.º 913 070 993 António Castro, 963 673 628 – E-mail:sousadecastro@gmail.com


O preço: 37,00€


MENU

ENTRADAS
- Pasteis de Bacalhau, Rissóis, Bola, Presunto, Paio e Queijo.
- Porto, Martini e Favaios

QUENTES
- Sopa Regional
- Bacalhau assado com Batata a Murro ou Vitela Estufada c/arroz, Batata Frita e Salada
- Buffet de Sobremesas
- Bolo comemorativo

Bebidas
- Águas Minerais e de Mesa, Refrigerantes, Espumante e Vinho Branco e Tinto da Região - Café

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Nota do editor

Último post da série de 19 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27837: Convívios (1051): 41.º Encontro Nacional dos ex-Oficiais, Sargentos e Praças do BENG 447 - Brá- Guiné, a levar a efeito no próximo dia 9 de Maio de 2026, na Tornada, Caldas da Rainha

domingo, 28 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27580: Casos: a verdade sobre... (62): Al-Hajj Cherno Rachide Jaló (1906-1973)... O itinerário das colunas que levaram, de Bambadinca a Aldeia Formosa / Quebo, os fiéis que foram à cerimónia fúnebre do imã (Paulo Santiago)


Guiné > Carta Geral da Província (1961) (Escal 1/500 mil) > Percurso (a amarelo) que seguiram os fiéis do Cherno Rachide que foram ao seu funeral em setembro de 1973:  Bambadinca - Xitole - Cambessê - Uria Candi - Cambança do Rio Corubal - Aldeia Formosa / Quebo. A vermelho, o troço  de estrada que estava interdito: Saltinho - Rio Mabiá - Contabane - Aldeia Formosa / Quebo. 

As distâncias quilométricas são mais ou menos as seguintes (hoje em dia): Bambadinca-Xitole: 30  km; Xitole-Saltinho, 20 km; Saltinho-Quebo: 20 km. No nosso tempo, e na época das chuvas, com risco de minas e emboscadas, uma coluna Bambadinca-Xitole-Saltinho podia levar um dia ou até mais... O troço Mansambo - Xitole-Saltinho esteve interdito cerca de um ano (set 1968/ set 69).

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2025)


1. Comentário do Paulo Santiago  (ex-alf mil, cmdt Pel Caç Nat 53, Saltinho 1970/72) (*):

O  poste do Luís fala numa coluna militar para levar os fiéis do Cherno Rachid, de Bambadinca a Aldeia Formosa (Quebo). 

Direi que seriam duas colunas. Assim,as viaturas saídas de Bambadinca seguiam em direcção ao Xitole,e aqui seguiam em direcção ao Saltinho.

Passada a tabanca de Cambessê,  a última do Xitole, poucos quilómetros  andados aparecia a tabanca de Uria Candi onde se cortava à direita por uma picada até atingir o rio Corubal, onde de canoa se cambava  para a outra margem onde estariam viaturas de Aldeia Formosa.

Uma vez, em  que fui a Aldeia Formosa, saí do Saltinho indo até à cambança e na outra margem tinha o pessoal de Aldeia.

O trajeto Saltinho-Rio Mabiá-Contabane estava minado pelas NT e pelo IN.








Guiné > Zona Leste > Setor L1 > Bambadinca > BCAÇ 2852 (1968/70) e CCAÇ 12 (1969/71) > Visita que o Cherno Rachide fez a Bambadinca, no início de janeiro de 1970...  As fotos devem ser de 10 de janeiro.

Fotos do álbum do ex-fur mil at inf Arlindo Roda, da CCAÇ 12 . Sem legenda. (Infelizmente as fotos do meu camarada Arlindo Roda não trazem legendas, local, data, etc.)... 

A personagem  de azul escuro  e "gorro" preto, assinalada a amarelo, tudo indica que seja o Cherno Rachide, a presidir a um encontro com os seus fiéis do regulado de Badora e outras paragens, que se deslocaram a Bambadinca para o cumprimentar, rezar com ele,  ouvir os seus conselhos, etc.. 

 Um seu "adjunto", vestido de branco e também com um gorro preto, segurando um lenço,  recolhe oferendas ao imã (moedas, "pretas" e "brancas", poucas notas, nozes de cola). O Cherno Rachide na altura teria 63 anos. Morreria  3 anos depois.

Recordo-me de as NT lhe terem armado uma tenda, no recinto do quartel de Bambadinca, para ele receber condignamente não só as autoridades locais, civis e militares, como também os seus fiéis...  O chão era coberto por tapetes. O gen Spinola deve ter mandado assegurar o seu transporte e acomodação. A ele e ao seu séquito.

Ele virá a falecer, em Aldeia Formosa, onde residia, em setembro de 1973, em dia que não podemos precisar.  

Na altura, o comandante do BART 3873 (Bambadinca, 1972/74) terá  organizado uma coluna de transporte  para os muçulmanos do sector L1  poderem ir prestar-lhe ( ao imã)  a última homenagem em Aldeia Formosa / Quebo.

No meu tempo ( 1969/71) o troço Saltinho- Contabane - Aldeia Formosa estava interdito, logo a partir da Ponte do Saltinho, sobre o rio Corubal... O transporte até Aldeia Formosa teria que ter segurança militar e seguir outro trajeto, como sugere  o Paulo Santiago, que conheceu bem o terreno  (esteve lá em 1970/72 e voltou lá em 2005 e 2008).

Foto: © Arlindo Roda (2010). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


2. De acordo com a História do BART 3873 (Bambadinca, 1972/74), há uns tantos pontos a destacar no mês de setembro de 1973:

(i) choveu intensamente, e as populações, nomeadamente, os balantas, ocupam-se dos trabalhos agrícolas (cultivo das bolanhas);

(ii) começou para os muçulmanos o Ramadão (de 27 de setembro a 26 de outubro de 1973); 

(iii) o comando do BART 3873 propõe, à Rep ACAP, que dois dos  mais prestigiados ( e "fiéis") régulos do sector L1, o do Xime e o de Badora, sejam escolhidos para a viagem de peregrinação aos lugares santos do Islão, a expensas do governo da província (o critério era sempre o apoio à "causa nacional");

(iii) o PAIGC escolheu, estranhamente (?), a data de 24 de setembro de 1973 (em plena época das chuvas e a 3 dias do início do Ramadão), para proclamar unilateralmente a independência da Guiné-Bissau (em local que ainda hoje é objeto de grande controvérsia, mas que a sua descarada propaganda teimou em dizer durante décadas que tinha sido... em Madina do Boé!) 

(iv) estranhamente, não: a 28ª sessão ordinária da Assembleia Geral da ONU acabava de se iniciar em 18 de setembro de 1973, e logo nesse dia as "duas Alemanhas", a República Federal da Alemanha (Ocidental) e a República Democrática Alemã (Oriental) foram admitidas simultaneamente como Estados-membros da ONU;

(v) morreu o Cherno Rachide (ou Rachid) de Aldeia Formosa / Quebo e o comando do BART 3873 prontificou-se a organizar uma coluna de transporte para os "muitos fiéis muçulmanos" (sic)  do setor L1 (Bambadinca) que quisessem assistir às cerimónias fúnebres; nesta altura, estava em Aldeia Formosa o BCAÇ 4513 (1973/74)-

As NT sempre deram grande importância à "lealdade" dos fulas e da sua elite dirigente, a quem o Amílcar Cabral chamava, com profundo desprezo, os "cães dos colonialistas".  Nunca saberemos ao certo qual o papel que o Al-Hajj Cherno Rachide  Jaló (1906-1973) desempenhou  na "nossa guerra" (***). 

Há quem, como o José Teixeira,  defenda a opinião de que os ataques e flagelações a Aldeia Formosa eram dirigidos para o aeródromo e  o quartel das NT, e nunca para a tabanca (onde residia o imã). E que, por outro lado, um seu sobrinho seria "cabo de guerra" na região, pelo lado do PAIGC (comandante de bigrupo, ou coisa parecida). 

Em conversa há dias com nosso camarada Arménio Santos (ex-fur mil, Rec Inf, Aldeia Formosa, 1968/70), que "trabalhou"  com o Cherno Rachide, no campo da informação e acção psicológica (e que, portanto, o conheceu bem), percebi que este dossiê ainda está longe de estar encerrado de todo. 

Oxalá apareçam mais histórias e testemunhos sobre o Cherno Rachide, cujo sucessor, o seu filho,  Al-Hajj Amadú Dila Djaló, será depois deputado pelo PAIGC, a seguir à independência, na Assembleia Nacional Popular. Contradições ? Realismo político ? O(s) poder(es) tem (têm) horror ao vazio. Sempre. Em toda a parte.


3. Excertos da H. U. (História da Unidade) | BART 3873 (Bambadinca, 1972/74) - Cap. II: 17º fascículo: setembro de 1973 , pp. 67/68/69 (***)







4. Excertos da história do BCAÇ 4513 (Aldeia Formosa, 1973/74) (Transcrição, para suporte digital: Fernando Costa) (****)

CAPÍTULO II > ACTIVIDADE NO TO DA GUINÉ > 4º Fascículo (período de 1Set a 30Set73)

(...) Verificou-se no período o falecimento do Cherno Rachid, chefe religioso de extraordinário prestígio no meio muçulmano, cuja perda abalou muita a população, receando-se não ser fácil encontrar quem o substitua com o mesmo prestígio e a mesma devoção à Causa Nacional (sic) (***).

No dia 29Set73 regista-se a chegada à Província do novo Governador e Comandante-chefe, General Bettencourt Rodrigues, que substituiu nos cargos o General António Spínola. (...)

5º Fascículo (período de 1Out a 31Out73)

(...) Durante o período continuaram a deslocar-se a Aldeia Formosa, em virtude do falecimento do Cherno Rachid, várias autoridades tradicionais, algumas estrangeiras, entra as quais se destaca o Cherno Aliu Cham, do Senegal.

Sekuna, filho do Cherno Racxhid, foi eleito, em assembleia dos "Homens Grandes", sucessor de Cherno Rachid.

Por motivo do acto eleitoral no dia 28 (*****),  e a festa do Ramadão nos dias 28 e 29, efectuaram-se diversas colunas a Buba, Nhala, Rio Corubal, para transporte da população. (...)

04Out73

(...) O Cmdt recebe a visita de todos os "Homens Grandes" da região que vêm comunicar que, reunidos em assembleia, elegeram Sekuna, filho do Cherno Rachid, como seu sucessor. 

Exprimem todo o seu apoio e lealdade à Causa Nacional. Este mesmo facto é comunicado à Rep ACAP, para ser transmitido a Sua Excelência Comandante-Chefe. (...)

09Out73

(...) Esteve presente no Comando do Batalhão, a apresentar os seus cumprimentos de despedida, o Cherno Aliu Cham, da Rep Senegal., e que agradeceu todo o apoio prestado quando do falecimento do Cherno Rachid e todo o apoio sanitário que continua a ser dado em todos os postos fronteiriços da Rep Senegal.(...)


28Out73

(...) Processou-se o acto eleitoral  (*****) e iniciaram-se as festas do Ramadão, que trouxeram a Aldeia Formosa muita população de Buba, Nhala e Saltinho. (...)

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, LG)
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Notas  do editor LG:

(*) Vd. poste de 23 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27564: (In)citações (283): Em louvor dos Postos Escolares Militares e do Cherno Rachide (Cherno Baldé, Bissau)

(***) Vd. poste de 23 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27565: Casos: a verdade... (61): Aldeia Formosa / Quebo é atacada ou flagelada pelo menos 7 veses em 1969 e 1971, em pleno consuklado Spinolista: em 7/3/69, 8/3/69, 21/3/69, 9/7/71, 11/7/71, 31/7/71, 12/8/71... E continuou a ser atacada ou flagelada em 1972... Faz sentido continuar a considerar o Cherno Rachid como um "agente duplo" ?

(****) Vd. poste de 27 de janeiro de 2010 > Guiné 63/74 - P5716: Morte e sucessão do Cherno Rachide, ao tempo do BCAÇ 4513, em Set / Out 1973 (Fernando Costa)

(*****) Recorde-se que em  28 de outubro de 1973 realizou-se, em Portugal, as últimas eleições legislativas sob a égide do Estado Novo. 

Acção Nacional Popular (ANP), partido único do regime "recauchutado" (sucessor da União Naci0nal), elegeu todos os deputados para a Assembleia Nacional (150), num escasso 1,4 milhóes de votos, enquanto a Oposição Democrática boicotou o processo, denunciando a falta de liberdade e condições para eleições sérias e justas, num contexto de crescente contestação política e social do regime.  Seis meses depois aconteceu o 25 de Abril de 1974. O Estado Novo caiu de podre, sem honra nem glória. A Assembleia Nacional foi imediatamente dissolvida.

Pelo "círculo eleitoral da província ultramarina da Guiné", e para a" XI Legislatura da Assembleia Nacional! foi eleitos dois deputados Leopoldino de Almeida e Benjamim Pinto Bull, com menos de 12,2 mil votos.

Por sua vez, o Ramadão de 1973 (ano 1393,  no calendário islâmico) começaria a 27 de setembro  (quinta-feira) e terminaria  a 26 de outubro de 1973 (sexta-feira). 

O Eid al-Fitr, que marca o fim do Ramadã, foi celebrado a 27 de outubro de 1973. (A Guerra do Yom Kippur, também conhecida como a Guerra do Ramadão, começou a 6 de outubro de 1973, coincidindo com o 10º dia do Ramadão.)

O Eid al-Fitr marca o fim do jejum do mês sagrado do Ramadão.  É uma celebração de gratidão a Deus pela força para completar o jejum.  Centra-se muito na caridade (Zakat al-Fitr), no uso de roupas novas e em orações comunitárias logo pela manhã.

Náo confundir com o Eid al-Adha (Tabaski ou a "festa do carneiro", na Guiné-Bissau). Celebra a devoção de Abraão (Ibrahim) e o sacrifício de um cordeiro em lugar do seu filho. Quase todas as famílias que têm condições,  sacrificam um animal (geralmente um carneiro) e dividem a carne em três partes: uma para a família, outra para amigos e vizinhos, e outra para os pobres. Ocorre cerca de dois meses e meio após o fim do Ramadão.

sábado, 8 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27402: (in)citações (280): A mata (Joaquim Mexia Alves, ex-Alf Mil Inf)

Joaquim Mexia Alves, ex-Alf Mil Inf
Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Bambadinca > Fevereiro de 1966 > Vista aérea de Bambadinca, tirada do lado do Rio Geba e da estrada Bafatá-Bambadinca

1. Mensagem do nosso camarigo Joaquim Mexia Alves (ex-Alf Mil Op Especiais da CART 3492/BART 3873, Xitole/Ponte dos Fulas; Pel Caç Nat 52, Ponte Rio Undunduma, Mato Cão e CCAÇ 15, Mansoa, 1971/73) com data de 7 de Novembro de 2025:


A MATA

Caminhas, sentindo a pele molhada, quase pegajosa, por causa daquela constante humidade, por causa daquele calor sufocante.

Dentro de ti há um misto de medo e de determinação, que vai obrigando o coração a bater mais depressa, praticamente compassado com cada passo que dás.
A mata envolve-te, árvores altas, arbustos baixos, coisas que deveria ser lindo ver, não fossem as circunstâncias em que estás envolvido.

Olhas para trás e vês os teus homens que te seguem, uns com um semblante apreensivo, outros com uma calma aparente.
Querias poder transmitir-lhes paz e serenidade, mas sabes que também tu não estás tão calmo e sereno como aparentas estar.

À tua frente apenas o guia, um guineense, filho da terra, em quem confias para te guiar mata adentro.

Por um breve momento voltas a casa dos teus pais, à tua vida anterior que agora parece tão longe, e um tímido sorriso chega à tua boca, e deixas-te levar pela saudade.
Abanas a cabeça para sair desse torpor, pois sabes bem que ali, naquela mata, a distração pode ser fatal.

Queres olhar para além da vegetação que ladeia o trilho em que caminhas, mas se há espaços em que consegues ver mais longe, a maior parte do tempo apenas caminhas quase sem ter a noção certa do que te rodeia.
Levantas a cabeça, enches o peito, endireitas-te porque, caramba, és tu que tens que dar o exemplo, é a ti que os homens devem seguir com confiança e esperança.

Cada um deles, ao longo destes meses já passados, tornou-se num amigo teu e preocupa-te mais o seu bem estar naqueles tempos difíceis, que o teu próprio bem estar.

Sentes que deves a cada um deles a promessa a cumprir de os fazer regressar a todos ao aquartelamento primeiro, e depois, quando for tempo disso, regressar à casa que deixaram lá longe, ou até mais perto.

Vais ouvindo os barulhos da mata, o vento nas árvores, os animais que “falam” uns com os outros, os cheiros que já vais conhecendo bem, e continuas avançando como que a dizer que aquela mata agora é tua e de mais ninguém.

De repente percebes que um silêncio profundo se instalou.
Não se ouve nada, nem vento, nem animais, parece que até os cheiros deixaram de cheirar.

Numa fracção de segundo tomas consciência de que algo está errado, e gritas para os teus homens se prepararem para aquilo que vai acontecer.

Os cheiros regressam, mas são cheiros de pólvora.
Os animais já não “falam”, mas ouvem-se os gritos dos homens e a “voz” das armas.

Num instante, que parece uma eternidade, tudo termina.

Olhas apreensivo para todos e todos te devolvem o olhar, alguns com o medo espelhado nos olhos, outros com um olhar de alívio imenso.

Olhas para o céu, por entre as árvores, e tu, que nem costumas rezar, pensas apenas: Obrigado, meu Deus!

Marinha Grande, 7 de Novembro de 2025
Joaquim Mexia Alves

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Nota do editor

Último post da série de 23 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27245: (in)citações (279): Por favor, cuidem-se (Tony Borié, ex-1.º Cabo Operador Cripto)

sexta-feira, 25 de abril de 2025

Guiné 61/74 - P26727: Convívios (1023): 38.º Encontro/Convívio da CART 3494/BART 3873, dia 7 de Junho de 2025, em Montemor-O-Velho (Sousa de Castro, ex-1.º Cabo Radiotelegrafista)

38.º ENCONTRO / CONVÍVIO DA CART 3494/BART 3873

MONTEMOR-O-VELHO

DIA 7 DE JUNHO DE 2025

Caros companheiros d'armas,
Está em marcha a realização do 38.º Encontro/Convívio da CART 3494


Dia 03 de abril de 2025 é o dia de aniversário da nossa chegada da Guiné, toda a malta foi à sua vidinha, faz 51 anos, passaram muito rápido, - A concentração dos mobilizados começou a 15 de novembro de 1971 e terminou a 27 do mesmo mês no Regimento de Artilharia Pesada n.º 2 em Vila Nova de Gaia.
Depois da viagem no dia 21 para Lisboa por caminho de ferro, embarcou para a Guiné em 22 de dezembro de 1971 a bordo do navio N/M NIASSA. Foram 27 meses e 12 dias de comissão.

Assim, vamo-nos juntar para comemorar essa data no dia 07 de junho de 2025 a partir das 10:00 horas num grande encontro/convívio em Montemor-O-Velho que o ex-Fur. Milº Infª António Bonito está a preparar. Apelamos a uma grande participação, é fundamental que assim seja, para homenagear também todos aqueles que de uma forma ou outra deixaram a vida terrena, já são 41 camaradas que temos conhecimento, mas, devem ser mais!...

Daremos mais informações sempre que se justifique.

Contacta por e-mail, telefone, mensagem para os seguintes endereços:
António de Sousa Bonito - 963 529 764
E-mail: antonio.bonito@sapo.pt
GPS: 40.1739, -8.68739


"Quinta do Taipal"
Largo Quinta do Taipal 4
3140-254 Montemor-O-Velho

Sousa de Castro
Abril 2025

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Nota do editor

Último post da série de 24 de Abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26720: Convívios (1022): Rescaldo do Encontro comemorativo do 55.º aniversário do regresso da CCAÇ 2381 (Maiorais) da Guiné, levado a efeito no passado dia 12 de Abril em Fátima (José Teixeira, ex-1.º Cabo Aux Enfermeiro)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Guiné 61/74 - P26513: Imagens das nossas vidas: CART 3494 (1971/74) (Jorge Araújo / Luciano Jesus) - Parte III: A CART 3494 no Xime para render a CART 2715


Foto nº 1 > Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá >  Sector L1 (Bambadinca) > Xime > CART 3494 >  O fur mil António Bonito, do 2.º Gr Comb da CART 3494, preparado para a Op Desfle Festivo (14/15 de março de 1972)

Foto (e legenda): © Luciano Jesus (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá >  Sector L1 (Bambadinca) > Xime, Mansambo e Xitole,  localidades onde ficaram estacionadas as subunidades do BART 3873, respectivamente CART 3494, CART 3493 e CART 3492 (infografia acima).

Acrescentaram-se as subunidades do BCAÇ 3872:  CCAÇ 3489, em Cancolim; CCAÇ 3490, no Saltinho  e CCAÇ 3491, em Dulombi.


Infografia: Jorge Araújo (2025)




Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá >  Sector L1 (Bambadinca) > Xime, Vista do cais do Xime situado na margem esquerda do rio Geba onde a CART 3494 se aquartelou assegurando o apoio à população da Tabanca (com o mesmo nome) e executando todas as missões que lhe foram atribuídas.



Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá >  Sector L1 (Bambadinca) > Xime > CART 3494 >  “Porta d’Armas” do aquartelamento do Xime – entrada norte junto ao Cais seguindo a picada da imagem acima. O Jorge Araújo em março de 1972 (portanto há 53 anos).


Foto (e legenda): © Jorge Araújo  (2025). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



IMAGENS DAS NOSSAS VIDAS NA GUINÉ (1971-1974) - PARTE III

A CART 3494 NO XIME PARA RENDER A CART 2715




► Continuação do P24326 (II) (19.05.2023) (*)

1 – INTRODUÇÃO

Após um interregno superior a um ano, motivado por questões de saúde relacionadas com distúrbios na visão, que me levaram ao bloco operatório, retomamos a série "Imagens das nossas vidas na Guiné (1971-1974)” (*), com recurso ao álbum do meu/nosso camarada Luciano de Jesus, fur mil da CART 3494, organizado ao longo dos mais de vinte e sete meses da sua permanência no CTIG, e que fez questão de me oferecer uma cópia, para partilha no blogue.

Com estas imagens carregadas de demasiadas histórias e de outras tantas emoções e sentimentos, onde todas/todos se situam a uma distância temporal superior a meio-século, procura-se também recuperar a história da nossa vida militar, enquanto milicianos, contribuindo deste modo para uma crescente evolução do puzzle de memórias da nossa juventude na guerra da Guiné (1971-1974).

Na Parte I (P24191 - 3.4.2023), “Em Bolama para o I.A.O.”, historiamos o itinerário náutico desde Lisboa a Bissau e, depois, a estadia na Ilha de Bolama, para, no C.I.M., se concluir o processo de instrução global para a “guerra de guerrilha”, denominado de I.A.O.

Na Parte II (P24326 - 19.5.2023), “De Bolama ao Cais do Xime em LDG”, divulgamos o contexto relativo à viagem efectuada a bordo de uma LDG, em 27 de Janeiro de 1972, 5.ª feira, desde Bolama até ao Xime, local reservado à CART 3494 para cumprir a sua missão ultramarina.

Nesta viagem de “Cruzeiro no Geba ” - a primeira, pois outras haveriam de ser feitas ao longo da comissão - para além do contingente da CART 3494, seguiam as restantes unidades de quadricula do BART 3873, comandado pelo Cor Art António Tiago Martins (1919-1992), cuja CCS e Comando tinham como destino Bambadinca (a sede), a CART 3492, o Xitole, e a CART 3493, Mansambo (ver infografia acima).

Tendo por objectivo geral efectuar a sobreposição e render
 a CART 2715, do BART 2917, em final de período operacional visando o seu regresso à Metrópole, foram realizadas diferentes actividades até 15 de Março de 1972, delas fazendo parte algumas operações.

2 – PRINCIPAIS ACTIVIDADES OPERACIONAIS NA SOBREPOSIÇÃO
(Mata do Fiofioli)


► -Operação «Periquito Raivoso» = em 10 e 11fev72

● Forças da CART 3492 e CART 2716, com patrulhamento às áreas de Satecuta e Galo-Corubal.

● Forças da CART 3494 e CART 2715, com patrulhamento á Ponta do Inglês - Ponta Varela - Poidon. O 1.º Agrupamento (E, F) destruiu 16 palhotas e apreendeu 1 granada de RPG; o 2.º Agrupamento (A, B) sofreu uma flagelação da margem esquerda do Rio Buruntuma sem consequências e capturou 1 granada de RPG. Nas zonas do Rio Bissari e Rio Samba Uriel, forças da CART 3493 formam o 3.º Agrupamento (C, D). Em Bambadinca, 1 Avioneta DO, armada, assegurava o apoio aéreo.

► Operação «Trampolim Mágico", de 24 a 26fev72

● Forças da CART 3492, com 4 Gr Comb reforçada com 1 Gr Comb da CCAÇ 3489 e outro da CCAÇ 3490, integrando o agrupamento «Laranja»; 4 Gr Comb da CART 3493 reforçada por 2 Gr Comb da CCAÇ 3491, integrando o agrupamento «Castanho», desembarcaram conjuntamente na presença de Sua Excelência o Governador e Comandante-Chefe, após batimento de zona pela Artilharia da LDG e da FAP.

● Paralelamente aqueles agrupamentos atravessam as regiões da Ponta Luís Dias e Tabacuta. Actuaram em apoio, o agrupamento «Azul» (CART 3494 mais 2 Gr Comb da CCAÇ 12), agrupamento «Amarelo» (GEMIL’s 309 e 310); agrupamento «Preto» (CCAÇ 3490); agrupamento «Verde» (CCP 123); 1 parelha de FIAT’s de BISSAU, 1 parelha de T-6, 2 Helicópteros e 1 Heli-Canhão (Bambadinca).

● Foram recolhidos 32 elementos da população, aprendida documentação e material de secundária importância e destruídas várias tabancas. As NT sofreram 10 evacuados por cansaço, insolação e desidratação.

Sobre a Op Trampolim Mágico, ver:












Mata do Fiofioli >1972 > Zona de mato denso onde estavam diversas palhotas que serviam de refúgio a elementos do PAIGC e população que os apoiava e que foram destruídas pela nossa passagem. (Foto de Luís Dias, ex-alf mil, CCAÇ 3491, Dulombi, 1971/74 (imagem repetida no P16396


► Operação «Desfile Festivo» em 14 e 15MAR72

● Executada por 3 Gr Comb da CCAÇ 12; 1 Gr Comb da CART 3494; 1 Gr Comb (+) da CART 2715; 1 Gr Comb da CART 3493; PEL CAÇ NAT 52 (-); Pel Caç Nat  54; GEMIL 309 e 310; PEel Mil  241, 242, 243, nas regiões de Bambadinca, Mato Cão, Enxalé, Xime, Ponta Coli e Mansambo.


Foto nº 1(  à direita ) >  O fur mil António Bonito, do 2.º Gr Comb da CART 3494, preparado (?) para a Op Desfle Festivo.



3 – EM 14.MAR.72 - RENDIÇÃO DA CART 2715 PELA CART 3494



Concluído o processo de sobreposição e substituição da CART 2715, a CART 3494 assumiu na plenitude o controlo do subsector do Xime, desenvolvendo a actividade operacional integrada no dispositivo e manobra do BART 3873, sediado em Bambadinca, através da realização de operações, patrulhamentos, emboscadas, protecção e segurança do itinerário rodoviário Xime-Bambadinca-Xime, bem como garantir a total protecção das populações mais próximas, incluindo a assistência médica (enfermagem) e a redução da iliteracia dos jovens.

4– DESTACAMENTO DO ENXALÉ – 2.º Grupo de Combate


De acordo com a responsabilidade operacional do seu subsector, foi nomeado um Gr Comb para o Destacamento do Enxalé, situado na margem direita do Rio Geba, em frente ao Xime. Essa decisão recaiu no 2.º Gr Comb, comandado pelo alf José Henrique Fernandes Araújo (?-2012), de Arco de Valdevez, e dos furriéis: Luciano de Jesus, de Cascais; António Bonito, da Carapinheira  e Benjamim Dias, do Porto.





Foto 1 - Março de 1972 > Quarteto de comando do 2.º Gr Comb da CART 3494. Da esquerda para a direita:  fur Luciano de Jesus; alf José Araújo; fur Benjamim Dias e fur António Bonito.



FOTOGALERIA DO ENXALÉ - 1972


Em função dos objectivos desta série, foram seleccionadas as primeiras oito imagens do álbum do camarada Luciano de Jesus:



Foto 2 – Principal edifício do Enxalé e instalação das transmissões.



Foto 3 – Mulheres da população pilando o arroz.


Foto 4 – Parque auto a céu aberto


Foto 5 – Jipe de serviço.



Foto 6 – Espaldar da bazuca, vala de segurança e instalações de pernoita.



Foto 7 – Parede de bidões de protecção das habitações (neste caso a da enfermaria).



Foto 8 – Parede de bidões de protecção das habitações (exemplo).


Fotos (e legendas): © Luciano Jesus (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

(Continua)

Terminamos agradecendo a atenção dispensada.

Com um forte abraço de amizade e votos de muita saúde.

Jorge Araújo e Luciano de Jesus

31Jan2025

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Nota do editor:

Vd. poste anterior > 3 de abril de 2023 > Guiné 61/74 - P24191 Imgens das nossas vidas: CART 3494 (1971/74) (Jorge Araújo / Luciano Jesus) - Parte I: De Lisboa a Bolama