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domingo, 24 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28049: (In)citações (287): Obrigado a todos que me deram os parabéns pelos meus 90 anos, obrigado ao Padre Bártolo e ao Virgílio Teixeira pelo livro que me mandaram de presente (Arsénio Puim, ex-alf graduado capelão, BART 2917, Bambadinca, maio 1970/maio 1971)


Arsénio Puim (n. 1936):  ilhéu, açoriano de Santa Maria,  ex- sacerdote católico, ex-capelão militar,  foi autarca, enfermeiro do SRS dos Açores, e jornalista; é  escritor,  pai, avô, amigo, cidadão do mundo. 

Foto:  Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné


1. Mesnagem de Arsénio Puim, que vive em Vila Franca do Campo, Sáo Miguel, Açores:


Data - 23 de maio de 2026 12:37
Assunto - 90 anos depois

Caríssimo amigo Luís Graça

Foi tal e qual como referiste. No da 8 de Maio celebrei os 90 anos do meu nascimento, com a minha família nuclear (já são nove pessoas) em Vila Franca do Campo. Uma semana depois, fizemos uma nova celebração, com os familiares vindos de várias partes do mundo, na freguesia de Santo Espírito de Santa Maria.

Esta foi uma data em que me senti muito feliz e repleto de gratidão: a Deus, que me concedeu tantas graças, aos meus familiares pelo seu amor e dedicação, a tantas pessoas amigas com quem me encontrei, convivi e aprendi - aqui, em Santa Maria, nas Paróquias, no Batalhão de Artilharia 2917 e até na terra da Guiné. 

Estou a lembrar-me especialmente daquelas mulheres e crianças que foram aprisionadas numa operação militar e trazidas para Bambadinca, onde viveram em condições extremamente precárias. No dia em que foram libertadas, uma das mulheres, na minha presença e em nome do grupo, agradeceu ao «padre capilom» porque ele «é amigo dos mininos» ( eu tinha-lhes levado pacotes de leite para a sua alimentação) e disse que iam pedir aos Irãs muitas felicidades na minha vida. Só podia dizer-lhes, comovidamente: obrigado!

Quando regressei aos Açores, não escrevi sobre a guerra na Guiné , mas publiquei vários trabalhos sobre o conceito e a realidade da guerra, «esse monstro», irreconciliável com o Evangelho e com a inteligência humana, mas sempre presente na história da humanidade e, lamentavelmente, muito presente, activo e cruel nos dias que vivemos. 

Basta de ódio, ganância, sofrimento, morte que os homens se causam mutuamente.

Luís, muito obrigado pelos teus emails, pelas tuas palavras amigas, pelo teu «horóscopo poético», muito belo e demonstrativo da capacidade literária do autor, o qual foi lido pelo meu filho Miguel no jantar do aniversário após o partir do bolo. 

Obrigado ao João Crisóstomo pelas suas palavras de amizade e compreensão, e também ao «Anónimos» (Adriano Moreira, Eduardo Francisco, José da Càmara, José Cancela), muito obrigado ao Luís Graça, ao Virgílio Teixeira e ao Padre Bártolo pela oferta dum interessante livro, escrito por uma pessoa que soube ser padre e ser militar, que respeito.
  
Hoje vivo com várias limitações de saúde, como é natural nesta idade, mas vivo a vida que tenho. Espero que um dia nos encontremos nesta casa da Figueira do Casquete,  em Vila Franca do Campo.

Para a Alice e toda a família os meus sinceros cumprimentos. Para ti, Luís, um abraço com elevada estima e os melhores votos. Arsénio Puim.

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Nota do editor LG:

Último poste da série > 27 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27960: (In)citações (286): Guerra colonial (Adão Cruz, Cardiologista, ex-Alf Mil Médico)