Guiné-Bissau > Região de Bafatá > Janeiro de 2008 > Estrada Bissau-Bafatá > Passagem do Xico Allen pelas proximidades de Mato Cão (ou "Matu de Cáo"), onde foi criado, no tempo do ten cor inf Polidoro Monteiro, comandante do BART 2917 (Bambadinca, 1970/72), um destacamento, guarnecido pelo Pel Caç Nat 52.
Foto: Xico Allen (1950-2022) / Albano Costa (2008) / Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradasda Guiné
1. Comentário do João Crisóstomo ao post P 28143 (*)
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Data - segunda, 29/06/2026 22:40~
Assunto - Comentário ao poste P28143 (*)
"Mas voltando ao Mato Cão (**)”…
Nos meus tempos (1965/67), Mato Cão era conhecido pelos problemas que aí e à sua volta já tínhamos de enfrentar: especialmente a estrada de Porto-Gole- Enxalé- Bambadinca, com as suas emboscadas, minas e foram várias as que lembro, incluindo duas no mesmo dia, uma que vitimou o furriel Mano e logo a seguir outra quando eu próprio comandei uma coluna de socorro a essa coluna do Zagalo que tinha sofrido uma mina e e acabámos por cair noutra que vitimou o “Manel Açoreano” que era o único soldado dos Açores integrado na nossa companhia de madeirenses.
Mas quanto a protecção aos barcos nessa parte do Geba, ainda não se falava muito. Sei, especialmente pelos relatos do Beja Santos
Mas parece que isso só começou a sério depois de nós termos voltado a Portugal.
Durante a minha estadia na Guiné estive estacionado em Missirá várias vezes, por um mês, o que na prática por vezes se prolongavam por dois meses e mais. Mas não tínhamos obrigação de ir até Mato Cão ou fazer aí patrulhas com a finalidade de proteger embarcações.
Enquanto o Beja Santos foi para aí enviado com esse fim em vista (penso eu) e Missirá era já mais ou menos independente de Enxalé, nos meus tempos Missirá era apenas um simples destacamento de Enxalé.
Estávamos aí destacados fazendo mesmo muito pouco ou mesmo nada, excepto proteger quem ia buscar água a um poço aí perto, que era a única água fonte que fornecia a Tabanca de Missirá, esperando pacientemente que outro pelotão nos rendesse.
A nossa missão era apenas a de "dar proteção” nessa zona e participar em operações quando fosse preciso. O que era frequente e de facto o meu pelotão foi requisitado várias vezes para fazer parte em operações a nível de companhia ou mesmo de batalhão.
Missirá sofreu um grande ataque ainda no meu tempo, já perto da nosso regresso a Portugal.
O que me parece é que "o meu tempo” da CCAÇ 1439 foi um tempo de transição em que Missirá e Porto Gole, embora ainda integrados na companhia que estava em Enxalé, passavam a ter já mais autonomia.
Depois do nosso regresso a Portugal pelo que compreendo (mas o Beja Santos e o Henrique Matos poderão esclarecer tudo isto melhor que eu), os destacamentos de Missirá e Porto Gole passaram a ser mais independentes: Missirá passou a ser directamente dependente de Bambadinca, com pouca ou nenhuma ligação com Enxalé, e quanto a Porto Gole penso que ainda ficou por algum tempo mais dependente de Enxalé.
Mas já se sentia esse tempo de “transição” (que mais me pareceu um tempo de confusão do que transição) que não foi tão fácil para ninguém: quando destacaram para Porto Gole um "pelotão independente” sob o comando do alferes Maldonado, este destacamento de Porto Gole sofreu logo um tremendo ataque que levou a vida do próprio alferes Maldonado. E eu que de lá tinha saído semanas antes, não tive senão que aceitar as ordens do meu comandante, capitão Pires e tive de voltar para lá até que arranjassem outro alferes para o substituir. Foi o Henrique Matos.
O mesmo viria a acontecer com Missirá, que sofreu um tremendo ataque quando lá puseram um “pelotão independente”, ainda dependente de Enxalé, mas já com maior autonomia, sob o comando do alferes Marchand.
Depois de tremendo ataque a Missirá, quando o alferes Marchand aí se encontrava, a CCAÇ 1439 foi instruída a fornecer outra vez um dos alferes e foi o alferes Freitas que para lá voltou.
E até voltarmos nunca deixou de estar sob a dependência de Enxalé… na altura em que chegou hora de voltar a Portugal era eu que me encontrava em Missirá e de lá partimos para Fá, e daí para Bissau, rumo a Portugal.
( Vide Postes:
Isto tudo sobre "voltando ao Mato Cão” para dizer que, no que se refere a proteção das embarcações no Geba, nessa zona perto de Mato Cão, tudo mudou nessa altura, portanto em fins de 1967 e seguintes.
A CCAÇ 1439 teve como unidade mobilizadora o BII 19 (Funchal), partiu para o CTIG em 2/8/1965 e regressou a 18/4/1967, tendo passado por Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole, Missirá, Fá Mandinga.

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