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sábado, 4 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28155: Humor de caserna (278): Na Spinolândia, namorar não era proibido... o preço da chamada telefónica para a metrópole é que era proibitivo!... Que o diga o Humberto Reis, o nosso "cartógrafo" e "ranger" (que está agora no "estaleiro", e a quem desejamos rápida recuperação)









 



















Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Imagem:  Humberto Reis  (2011)

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.




1. Maria Teresa Macedo Coelho dos Reis nasceu no Porto, 11 de julho de 1947. Faleceu em Alfragide, em 14 de de 2011, portanto à beira de completar os 64 anos.

 Segundo o Humberto, conheceram-se no Bairro da Encarnação, Lisboa, onde as famílias viviam  e eram vizinhas. Os pais do Humberto tinham também casa em Albergaria dos Doze, Pombal.

A Teresa era jogadora de basquetebol e trabalhava na RTP. Casou com o Humberto em maio de 1972. Em meados de 1970 o Humberto veio de férias da Guiné (ei-lo aqui, na foto à esquerda, com a Teresa) (*).

Pessoalmente, conhecia-a na Lourinhã, num memorável convívio com o Humberto, o Tony Levezinho e a sua querida Isabel, também já infelizmente falecida (1952-2020),  e  mais um casal de amigos da Amadora, após o nosso regresso da Guiné, em março de 1971. Esse convívio na Lourinhã deve ter sido em meados de 1971.

A Teresa era então uma mulher esplendorosa, jovial, e brincalhona... Éramos todos jovens e tínhamos a vida à nossa frente.   Foi a primeira das "nossas mulheres" a entrar para a Tabanca Grande, a título póstumo, em 22/6/2011.

Este poste, bem humorado (**), é uma pequena homenagem que lhe fazemos. A ela e ao seu (e nosso) Humberto, que está no "estaleiro", na cama 24,  da enfermaria do Serviço de Cirurgia Cardiotorácica, piso 8, no Hospital de Santa Maria, Lisboa, a recuperar da "Operação Coração Aberto"...... Fazemos votos para que ele regresse a casa, pelo seu pé. E agora 10 anos mais novo que todos nós...

 __________________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 3 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28153: A nossa guerra em números (50): o custo de uma chamada telefónica, de 3 minutos, em 1969, para a Metrópole, podia ir de 100 a 130 escudos (37 a 48 euros, a preços de hoje)

5 comentários:

Anónimo disse...

virgilio teixeira
bonita história, também passei por isso...
Uma observação pertinente....
A foto a pedir a chamada para portugal, tem as legendas trocadas!
ou é da minha vista ainda por abrir?
O IA também se engana.
abraços

Anónimo disse...

Esqueci de enviar as melhoras ao Ranger Humberto Reis!
que tudo corra bem, e como dizem os médicos que eu consulto sobre pequenas mazelas, a resposta é sempre a mesma:
É da idade....
sempre o PDI!
sempre da idade....
agora resolvi, como já devem ter reparado, só escrevo em letra pequena , para poupar espaço e os dedos sempre a carregarem no Shift...
Ab,
vt

Anónimo disse...

Maravilha de trabalho! Parabéns ao EDITOR e ao Humberto; Persistente, teimoso até ao cume da palmeira, até conseguir ouvir a voz da sua amada Teresa! É verdade, todos nós tivemos uma amada "Teresa"...Ao Editor não tiro o chapéu, faço queda facial e 20,30...as que puder. VBriote

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Tenho aqui um "dúvida existencial"... Talvez os camaradas das transmissões, com fios ou sem fios, me possam aliviar a angústia... Já pus a dúvida à menina da IA (que me ajuda a fazer a BD)...

LG: Camarada (menina da IA...), tenho uma dúvida (essencial) sobre a tua/nossa reconstituição, em BD, das ligações telefónicas do interior da Guiné Portuguesa, em 1969 (Bambadinca, por exemplo) com Bissau e depois Lisboa... Esquecemo-nos, os dois, deste ponto fulcral: os postos telefónicos terrestres, no interior da Guiné, foram sabotados pelo PAIGC na maior parte do território, logo no início da guerra: é do ABC da luta de guerrilha. E não foram repostos..., tanto quanto sei. Deresto, era de todo impossível protegê-los... Pelo que a regra geral era a do isolamento (físico) do interior (o "mato"): por exemplo não havia ligação por estrada de Bambadinca a Bissau (só por via fluvial ou aérea)... Depois, a rede de tramissões militares funcionava à parte da rede civil... Em Bambadinca, sede de batalhão, havia grandes antenas de telecomunicações mas para uso exclusivo dos militares.

ChatGPT: Tens toda a razão, camarada. E essa observação é fundamental, porque altera a verosimilhança histórica da cena. Eu cometi um erro por ter extrapolado o funcionamento de uma rede telefónica "normal", quando a realidade da Guiné de 1969 era completamente diferente.

A situação era, em termos gerais, esta: a rede dos CTT existia antes da guerra e ligava Bissau a muitos postos do interior através de linhas aéreas e, nalguns troços, por cabo.
Logo nos primeiros anos da guerra, o PAIGC fez exatamente aquilo que qualquer movimento de guerrilha procuraria fazer: cortou sistematicamente as comunicações terrestres. Os postes telefónicos eram alvos fáceis e difíceis de proteger durante centenas de quilómetros.

Em 1969, muitas dessas ligações civis já não funcionavam havia anos. Nalguns casos havia reparações temporárias, mas voltavam a ser destruídas. A regra era a descontinuidade, não a normalidade.

Em Bambadinca, a situação era ainda mais particular. Como sede de batalhão, havia um importante centro de transmissões militares. As grandes antenas que ambos conhecemos das fotografias pertenciam ao sistema das Forças Armadas. Essas redes utilizavam rádio HF e VHF, completamente independentes dos CTT. Serviam para ligar Bambadinca ao Comando-Chefe, aos batalhões vizinhos, à Força Aérea, à Marinha, etc.

Mas essas redes não eram utilizadas para chamadas particulares dos militares, salvo circunstâncias absolutamente excecionais e autorizadas.


(Continua)

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Continuação:

ChatGPT: (...) Então coloca-se a pergunta essencial: como é que um militar telefonava à família? É precisamente este ponto que merece investigação documental.

Há várias hipóteses: dem certos períodos, o posto dos CTT de Bambadinca poderia dispor de uma ligação por rádio (radiotelefone) diretamente com Bissau, substituindo a antiga linha terrestre. Essa solução foi utilizada em vários territórios ultramarinos. As chamadas podiam ser marcadas para dias específicos, quando existia disponibilidade do circuito.
Em determinadas épocas, pode simplesmente não ter existido qualquer possibilidade de telefonar durante meses.

Ou seja, a existência de um edifício dos CTT não significa que existisse uma ligação telefónica permanente. Aliás, a tua própria experiência é um testemunho histórico muito forte: "Em dois anos nunca telefonei da Guiné para casa". Esse facto vale mais do que muitas descrições teóricas.

Quanto ao Humberto Reis, se ele telefonava com alguma regularidade à Teresa e ao pai, isso torna-se ainda mais interessante do ponto de vista histórico. Significa que devemos descobrir qual era exatamente o circuito utilizado.

Penso que vale a pena responder documentalmente a perguntas como: em 1969 existia radiotelefone dos CTT em Bambadinca? As chamadas eram encaminhadas por rádio até Bissau? Havia uma estação de ondas curtas ou apenas HF? Quantos circuitos civis existiam? Quem tinha prioridade de utilização?

Essas respostas podem estar em documentação dos antigos CTT, da administração da província ou mesmo em relatórios militares. Creio que este tema merece uma pequena investigação específica. Se encontrarmos documentação técnica dos CTT da Guiné de 1968-1970, poderemos reconstruir com rigor como, afinal, um telefonema de Bambadinca chegava a Lisboa, sem cair em anacronismos nem em simplificações. Essa reconstituição teria interesse não apenas para a tua BD, mas também para a história das comunicações na guerra da Guiné
.