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Guiné > Região de Tombali > Cufar > CAOP1 > c. 1973/74 >O António Graça de Abreu no rio Cumbijã. Tem c. 390 referèncias no blogue Foto (e legenda) : © António Graça de Abreu (2007). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné] |
1. Comentário do António Graça de Abreu, ex-alf mil, CAOP1 (Canchungo, Mansoa e Cufar, 1972/74) ao poste P27749 (*)
"Esta história parece-me mal contada.
"Esta história parece-me mal contada.
No meu 'Diário da Guiné0 tenho o relato de um ataque do PAIGC à coluna Teixeira Pinto-Bissau. Aí vai."
2. Nota do editor LG:
Desde o Natal de 2011 que temos vindo a publicar a série "Excertos do Diário do António Graça de Abreu (CAOP1, Canchungo, Mansoa e Cufar, 1972/74) (**).
Já lá vão 25 postes com este. Temos a competente autorização (e sobretudo a manisfestação da amizade e da camaradagem) do autor para publicar excertos do seu livro de memórias, que sejam de interesse para o nosso blogue e os nossos leitores.
Temos o ficheiro em word, completo (com exceção das fotos) do seu "Diário da Guiné", bem como um exemplar do livro com uma dedicatória autografada, datada de março dr 2007... A brincar, já lá vão quase vinte anos!...
Estamos a falar do livro Diário da Guiné: Lama, Sangue e Água Pura (Lisboa: Guerra & Paz Editores, 2007, 220 pp), que é uma referência absolutamente obrigatória para quem quiser aprofundar o conhecimento da situação político-militar no CTIG nos últimos 3 anos (1972, 1973, 1974), vista por uma alferes miliciano de um CAOP, com formação universitária, culto, vivido, informado e mais velho (25/26 anos) do que a média dos outros milicianos, tendo passadp por regiões nevrálficas e sensíveis da Guine, na zona Oeste (Mansoa / setor O1 e Teixeira Pinto / sector O5) e Sul (Cufar /S3).
3. Diário da Guiné > Canchungo, 31 de outubro de 1972 (**)
Esta manhã às seis e vinte, acordei de maneira diferente. Era pum, pum, pum, catrapum, os rebentamentos secos na distância.
Acordámos os três alferes, o que é, estão a atacar o quê? Era longe daqui, mas não muito. Eu disse: “Deve ser a coluna para Bissau.”
O IN concentrou o fogo sobre as primeiras viaturas, só cinco é que foram atingidas num total de quarenta.
Quando acontecem estas coisas, pedem-se logo os helicópteros de Bissau para a evacuação dos feridos e vem também o helicanhão que faz fogo sobre os itinerários de retirada do IN.
(*) Vd. poste de 19 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27749: Notas de leitura (1897): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte IX: o batismo de fogo numa das primeiras colunas de Teixeira Pinto - Pelundo - Bissau (Luís Graça)
Estamos a falar do livro Diário da Guiné: Lama, Sangue e Água Pura (Lisboa: Guerra & Paz Editores, 2007, 220 pp), que é uma referência absolutamente obrigatória para quem quiser aprofundar o conhecimento da situação político-militar no CTIG nos últimos 3 anos (1972, 1973, 1974), vista por uma alferes miliciano de um CAOP, com formação universitária, culto, vivido, informado e mais velho (25/26 anos) do que a média dos outros milicianos, tendo passadp por regiões nevrálficas e sensíveis da Guine, na zona Oeste (Mansoa / setor O1 e Teixeira Pinto / sector O5) e Sul (Cufar /S3).
3. Diário da Guiné > Canchungo, 31 de outubro de 1972 (**)
Esta manhã às seis e vinte, acordei de maneira diferente. Era pum, pum, pum, catrapum, os rebentamentos secos na distância.
Acordámos os três alferes, o que é, estão a atacar o quê? Era longe daqui, mas não muito. Eu disse: “Deve ser a coluna para Bissau.”
O Tomé telefonou para as transmissões do CAOP1. Trava-se mesmo da coluna, a tal que não era atacada há imenso tempo e hoje pumba, um festival de fogo.
A emboscada foi entre Pelundo e Có, a uns quinze quilómetros daqui. Passei por lá duas vezes, com a 35ª CComandos, em setembro, e outra vez há três semanas atrás quando vim de Bissau.
O IN concentrou o fogo sobre as primeiras viaturas, só cinco é que foram atingidas num total de quarenta.
E quem ia à frente? A abrir a coluna, um Unimog com pessoal armado cujas armas parece que não funcionaram, depois o jipe com o meu coronel Rafael Durão que caiu na zona de morte e nada sofreu, a seguir outro jipe com dois tenentes-coronéis e um major, tendo ficado um dos tenentes-coronéis muito estilhaçado, mas sem gravidade.
Atrás vinham as viaturas pesadas cujo pessoal levou com mais estilhaços, tendo alguns deles partido pernas e braços ao saltarem para o chão. A coluna seguia a razoável velocidade, o que contribuiu para a confusão.
Houve cerca de dez feridos, alguns graves. Um alferes do Pelundo que ia na primeira viatura saltou com os primeiros tiros e por azar foi atropelado pelo jipe do meu coronel, mas dizem-me que debaixo de fogo o coronel mostrou uma coragem e sangue-frio notáveis.
Quando acontecem estas coisas, pedem-se logo os helicópteros de Bissau para a evacuação dos feridos e vem também o helicanhão que faz fogo sobre os itinerários de retirada do IN.
Foi então abatido um guerrilheiro que veio de heli para Teixeira Pinto. Eu sabia que havia feridos e lá estava na pista.
O fuzileiro do PAIGC chegou ainda vivo, com o uniforme azul manchado de sangue e um estilhaço na cabeça, de bala de helicanhão.
O médico [Mário Bravo ? ] e um furriel enfermeiro fizeram-lhe massagens no coração que de nada valeram, o homem morreu ali. Foi o primeiro guerrilheiro que vi, e logo agonizando numa maca de lona.
António Graça de Abreu
(Revisão / fixação de texto, parênteses retos, negritos, itálicos: LG)
Fonte: António Graça de Abreu - Diário da Guiné: Lama, Sangue e Água Pura (Lisboa: Guerra & Paz Editores, 2007, il, 220 pp. ), pág. 62
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Notas do editor LG:
(*) Vd. poste de 19 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27749: Notas de leitura (1897): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte IX: o batismo de fogo numa das primeiras colunas de Teixeira Pinto - Pelundo - Bissau (Luís Graça)
(**) Último poste da série > 31 de janeiro de 2021 > Guiné 61/74 - P21832: Excertos do Diário de António Graça de Abreu (CAOP1, Canchungo, Mansoa e Cufar, 1972/74) (24): O gen Costa Gomes, Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, em visita ao CTIG, em 8/1/1973, cumprimenta oficiais e população, em Teixeira Pinto, segundo vídeo da RTP Arquivos

