Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Guiné 61/74 - P28316: Luís Gonçalves Vaz, Amigo Grã-Tabanqueiro, ex-Fur Mil PE (EPC, 1983/84)
Nota do editor
Último post da série : 1 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28310: Parabéns a você (2521): Manuel Joaquim, ex-Fur Mil Inf da CCAÇ 1419 / BCAÇ 1857 (Bissorã e Mansabá, 1965/67)
segunda-feira, 20 de julho de 2026
Guiné 61/74 - P28196: Tabanca Grande (584): Eduardo Brito de Azevedo, ex-alf mil inf, GA 7 (dez 1973/out 1974): guardo, acima de tudo, boas recordações da Guiné, das noites africanas, das pessoas que conheci, do ambiente humano...
1. Comentáriodo novo grão-tabanqueiro, nº 917, o Eduardo Brito de Azevedo, ex-alf mil inf, GA7 (Bissau, dez 1973/out 74) (*)
Confesso, no entanto, que tenho algum pudor em escrever sobre a minha própria experiência na Guiné, seguramente menos digna de interesse, menos intensa e menos dramática do que a de muitos camaradas que conheço aqui nos Açores e da reportada em muitos dos depoimentos apresentados no blogue.
Talvez por isso, ao contrário do que transparece em muitos dos testemunhos que conheço, guardo da Guiné, acima de tudo, boas recordações.
Por todas estas razões não me sinto habilitado a contribuir de forma significativa para o blogue porque não seria honesto criar essa expectativa. Mas, sempre que considere poder dar algum contributo útil para este extraordinário repositório de memórias, fá-lo-ei com muito gosto.
Entretanto, continuarei, como mais um camarada da Tabanca Grande, a acompanhar com interesse os vossos testemunhos e reflexões.
Ediuardo B. Azevedo
Eduardo, depois de tão calorosa e afetuosa apresentação da tua pessoa à Tabanca Grande feita pelo Carlos Vinhal (que sabe tratar como ninguém a malta da Madeira e dos Açores), só me resta reiterar os votos de boas vindas.
Não preciso de dizer que os camaradas dos Açores ficam aqui todos bem, sentados à sombra do nosso poilão. E pena que muitos deles andem dispersos e anónimos pela diáspora lusófona. ÉCongratulo-me com a tua entrada para o nosso blogue, para mais sendo também tu um homem da Academia como eu. E, além disso, "apadrinhado" pelo Luís Vaz. Mas mais importante é a tua condição de português, açoriano e antigo combatente do valoroso GA 7.
Fico na expetativa de que nos brindes com mais memórias do teu tempo de soldado do fim do Império.
É com enorme satisfação e amizade que te dou as boas-vindas à nossa "Tabanca Grande", o blog Luís Graça & Camaradas da Guiné.
Recordo-me perfeitamente de que os nossos caminhos se cruzaram pela primeira vez, curiosamente, lá longe na Guiné, eu um adolescente e tu um jovem militar miliciano. Fomos cunhados e a vida encarregou-se de nos apresentar naquele cenário que marcou as nossas juventudes e as nossas vidas para sempre.
Hoje, entras nesta nossa tertúlia por direito próprio e com uma missão, tornar o nosso Blog ainda maior e mais "rico". Tenho a certeza absoluta de que o teu rigor científico, a tua capacidade de observação e as tuas memórias vão enriquecer imenso as nossas partilhas e o espólio deste nosso blog.
Sê muito bem-vindo a este nosso ponto de encontro. Que te sintas verdadeiramente em casa entre nós.
(...)
sexta-feira, 17 de julho de 2026 às 00:28:00 WEST
(iii) Hélder Valério
Pois, caro amigo Eduardo, que sejas bem-vindo. Foi uma boa decisão. Estamos sempre à espera de enriquecer este espaço com memórias que nos façam "renascer".
sexta-feira, 17 de julho de 2026 às 10:11:00 WEST
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Nota do editor LG:
domingo, 21 de junho de 2026
Guiné 61/74 - P28118: Nomadizações de um marginal-secante (Luís Graça) (7): duas "retiradas finais": Bissau (15/10/1974) e Saigão (29-30/4/1975): (dis)semelhanças

Fonte: Instituição: Fundação Mário Soares e Maria Barroso | Pasta: 06822.172.27196 | Título: Diário de Lisboa | Número: 18752 | Ano: 55 | Data: Quarta, 30 de Abril de 1975 | Directores: Director: António Ruella Ramos; Director Adjunto: José Cardoso Pires | Edição: 2ª edição | Fundo: DRR - Documentos Ruella Ramos | Tipo Documental: Imprensa
Vietname > Saigão> 29 de abril de 1975 > Um membro da CIA ajuda um grupo de evacuados civis, a subir uma escada para um helicóptero da Força Aérea Norte-Amerivcana, no telhado do número 22 da rua Gia Long, pouco antes da queda iminente de Saigão às mãos das tropas norte-vietnamitas. Foto histórica do fotojornalista neerlandês Hubert van Es (1941-2009). Imagem do domínio público. Cortesia de Wikimedia Commons.
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Luís Gonçalves Vaz |
Ao analisamos, porém os detalhes, constatamos que s diferenças são tão importantes quanto as semelhanças.
O texto do Luís Gonçalves Vaz (**) descreve a retirada portuguesa como uma operação cuidadosamente planeada, e melhor executada, baseada na Ordem de Operações n.º 1/74, na sequência do acordo político entre Portugal e o PAIGC.
Cerca de 2.500 militares metropolitanos (os últimos de um exército que totalizava dez vezes mais, sem contar com cerca de 15 mil homens em armas, do recrutamento local, incluindo milicias), foram retirados por via marítima, sob coordenação da Marinha (Comodoro Al,meida D'Eça), mantendo-se dispositivos de segurança até ao último momento.
E tudo aconteceu com dignidade, segurança, ordem, disciplina, com respeito, até essa data, no que foi assinado nos acordos de paz entre as NT e o PAIGG. ( O que se passou depois é outra história, a "caça" aos "cães dos colonialistas"...)
O que têm em comum as duas retiradas, separadas no tempo apenas por seis meses? E, no espaço: os portugueses estavam a 4 mil km de casa, os norte-americanos a 13 mil (***).
(i) O fim de uma guerra sem vitória militar clara
Em ambos os casos, os exércitos retiravam-se sem terem sido derrotados numa batalha decisiva nos dias finais. Portugal abandonava a Guiné após o 25 de Abril e o reconhecimento da independência da Guiné-Bissau, em 10 de setembro de 1974, aceitando retirar as últimas tropas até 15 de outubro de 1974. Por seu turno, os EUA abandonavam o Vietname do Sul após anos de guerra (1965/73) e depois dos Acordos de Paris de 1973.
Em ambos os casos, a decisão foi sobretudo política.
(ii) Forte componente logística
Tanto em Bissau como em Saigão, o desafio principal foi retirar pessoal, equipamento e documentação.
No caso português, o texto do Luís Gonçalves Vaz destaca o papel dos navios T/T Uíge e Niassa e da fragata NRP Comandante Roberto Ivens como núcleo da operação, além das LFG Lira e Orion.
Em Saigão, os americanos recorreram a uma gigantesca ponte aérea por helicópteros a partir da embaixada e de navios da 7.ª Frota. Foram evacuados 6500 militares e civis, incluindo diplomatas.
(iii) O simbolismo das imagens
As imagens do arriar da bandeira portuguesa em Bissau e das multidões junto à embaixada americana em Saigão tornaram-se símbolos do fim de uma época.
As diferenças fundamentais;
- A retirada portuguesa foi negociada; a de Saigão foi uma evacuação de emergência
Esta é provavelmente a maior diferença. Na Guiné, existia o Acordo de Argel (26 de agosto de 1974). O PAIGC cooperou na transição. E a retirada foi planeada com datas, meios e responsabilidades relativamente bem definidas.
Em Saigão, o exército norte-vietnamita e o Vietcongue avançavam rapidamente. A capital estava prestes a cair. A evacuação dos últimos soldados e funcionários diplomáticos bem como de milhares civis (sobretudo sul-vietnamitas) foi feita sob enorme pressão temporal, para não dizer pânico.
- Não houve colapso militar português
O texto da autoria do Luís Gonçalves Vaz (que tinha 14 anos em 1974, quando deixou Bissau, antes do pai, que foi dos últimos militares a sair, por avião), insiste numa ideia importante: o sucesso consistiu precisamente em não haver violência armada porque as forças portuguesas mantiveram capacidade de combate até ao último momento. Ou seja, as NT não depuseram as armas. Embarcaram de armas na mão.
Em Saigão aconteceu o contrário: o exército sul-vietnamita desintegrou-se em muitas zonas. Houve pânico entre civis e militares, e a evacuação tornou-se caótica. Enfim, foi uma retirada humilhante e traumatizante para quem a viveu.
- O ambiente psicológico foi diferente
Em Bissau, foi mantida a disciplina militar (de um lado e do outro). A cadeia de comando manteve-se intacta. A transferência formal de soberania foi feiota como o prevista. E, por outro lado, não houve praticamente civis a evacuar.
Em Saigão, pelo contrário, houve pânico generalizado, milhares de pessoas (mais próximas no núcleo duro do regime do Vietname do Sul e dos seus aliados) tentavam desesperadamente embarcar nos helicópteros, ao mesmo tempo que se verificava o colapso administrativo do Estado sul-vietnamita.
As famosas imagens dos helicópteros sobre os telhados (vd,. foto acima) refletem isso.
Onde é que a comparação é válida? Historicamente, pode dizer-se que ambos os acontecimentos representam o fim de projetos coloniais ou de influência geopolítica. Reconhecia-se (e aceitava-se) que a solução militar para o conflito deixara de ser sustentável. Houve, num caso e noutro, impactos de natureza societal e psicológica.
Para muitos militares portugueses que serviram na Guiné, Angola ou Moçambique, o 15 outubro de 1974, em Bissau, terá tido um peso emocional semelhante ao que o 29/30 de abril de 1975 teve para muitos veteranos americanos do Vietname. (Salvaguardadas as devidas distâncias...). Em todo o caso, não se pode falar da Guiné como o "Vietname Português"...
Onde é que as duas retiradas não são comparáveis ? Se estivermos a falar da execução militar da retirada, a comparação torna-se mais fraca.
Segundo os elementos do documento que partilhámos no blogue (**), a retirada da Guiné aproxima-se mais de uma extração militar organizada e negociada, enfim, uma retirada planeada sob paz armada; enquanto que, no caso de Saigão (29/30 de abril de 1975), foi uma evacuação de emergência perante o colapso de um regime aliado dos EUA (o Vietname do Sul).
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| ~ Manuel Beleza Ferraz |
E até terá passado despercebida da maior parte dos antigos combatentes portugueses..... De facto, não houve imagens de pânico, não houve combates finais (nem sequer escaramuças), nem multidões a tentar fugir.
De resto, os portugueses em Portugal (mas também em Angola e Moçambique, as duas verdadeiras "joias da Coroa"), seis meses depois do 25 de Abril, tinham mais do que se preocupar do que com o fim da "guerra da Guiné"...
De qualquer modo, do ponto de vista militar, o que fica para a história é que o planeamento logístico cumpriu o seu objetivo, como diz o nosso Luís Gonçalves Vaz (**). Os 2500 militares, os últimos soldados do império no território da Guiné (a partir de então Guiné -Bissau),Notas do editor LG:
(*) Vd. poste de 5 de maio de 2025 Guiné 61/74: P26766: Efemérides (454): O fim da guerra do Vietname foi há 50 anos ("Diário de Lisboa", 30 de abril de 1975)(***) Vd., poste de 11 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28089: Nomadizações de um marginal-secante (Luís Graça) (6): quando a cultura reforça a desigualdade de género e a violência (física, psicológica, simbólica) sobre as mulheres: neste caso o barlaque em Timor-Leste ou o alambamento em Angola ou o "pidi noiva" na Guiné-Bissau
sexta-feira, 19 de junho de 2026
Guiné 61/74 - P28114: Documentos (64): A Última Operação: Retirada Final – Ordem nº 1/74: Retirada da Guiné em 15 de outubro de 1974 (Luís Gonçalves Vaz, filho do Cor Cav CEM Henrique Gonçalves Vaz (Barcelos, 1922- Braga, 2001), último Chefe do Estado-Maior do CTIG, 1973/74),
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Luís Gonçalves Vaz, grão-tabanueiro nº 530 filho do Cor Cav CEM Henrique Gonçalves Vaz (Barcelos, 1922- Braga, 2001) (último Chefe do Estado-Maior do CTIG, 1973/74, e, a partir de 26 de agosto de 1974, foi também o chefe do Estado-Maior do Comando Unificado no TO da Guiné) |
Introdução: A Memória e o Documento — Revisitando o 15 de outubro de 1974
Ao longo das últimas décadas, a narrativa sobre a presença portuguesa na Guiné tem sido construída, por um lado, pelo depoimento vivido daqueles que ali serviram e, por outro, pelo silêncio, muitas vezes imposto, dos documentos que só agora começam a ser plenamente integrados na historiografia pública com a sua "Desclassificação" nos vários Arquivos Portugueses.
Este artigo propõe uma revisitação necessária à data de 15 de outubro de 1974 — o marco derradeiro da retirada das tropas portuguesas do CTIG.
Através do cruzamento inédito entre a Ordem de Operações nº 1/74 do Comando Unificado — documento que traçou, com precisão técnica e logística, o complexo movimento de retirada por via marítima entre os dias 14 e 15 de outubro — e os testemunhos diretos, nomeadamente do meu falecido pai, cor cav CEM Henrique Gonçalves Vaz, último Chefe do Estado-Maior do Comando Unificado na Guiné, e a perspetiva, no terreno, do meu primo marinheiro radiotelegrafista Manuel Beleza Ferraz, procura-se aqui não apenas narrar, mas documentar a mecânica da descolonização nesta Colónia Portuguesa.
Mais do que o relato de um fim, este artigo pretende ser um exercício de rigor histórico: confrontar o plano operacional com a realidade humana da partida. Ao alinhar a "Ordem de Operações" com a "ordem dos afetos e da vivência", este trabalho oferece aos amigos e camaradas da Guiné e aos demais leitores do nosso blogue uma nova leitura sobre o desfecho de uma missão que marcou, definitivamente, a história de Portugal e da Guiné.
Um grande Abraço
Braga, 08/06/2026
Luís Beleza Vaz
(Tabanqueiro nº 530 e filho do último CEM/CTIG)
A fragata “Comandante Roberto Ivens” foi o navio-chefe onde se coordenou toda a operação e onde embarcou o Comandante da FO27 (Força de Combate 27), o comodoro Vicente Almeida d'Eça (foto: cortesia de Navios da Armada, página do Facebook (Do Livro da Fabrica das Naus de Fernando Oliveira aos nossos dias. Viva a Briosa).
Enquanto a narrativa política se foca no 25 de Abril e nas negociações, a execução prática da retirada, especialmente a retirada final em quinze de outubro de 1974, foi uma operação logística de uma complexidade técnica monumental, quase exclusivamente conduzida pelos meios navais.
- A Logística de Transporte: retirar 2.500 militares não significava apenas embarcá-los. Implicava transportar armamento pesado, equipamento de comunicações, arquivos confidenciais e material de intendência. A Marinha organizou o "Comboio da Descolonização", onde o NRP Uíge e o NRP Niassa foram as peças-chave.
- Segurança e Cessar-Fogo: a Ordem de Operações Nº 1/74 tinha de prever a manutenção de um perímetro de segurança em Bissau até ao último segundo; o rigor era vital para evitar incidentes que pudessem degenerar em confrontos armados no momento da transição, o que exigia uma coordenação minuciosa entre as guarnições dos navios, os fuzileiros em terra e os postos de comando conforme relato no artigo da Retirada Final, em 14 e 15 de outubro de 1974 (Luís Gonçalves Vaz / Manuel Beleza Ferraz) (*);
- “Segundo o ex-marinheiro radiotelegrafista, Manuel Beleza Ferraz, os navios que se encontravam a realizar a 'segurança de rectaguarda' mais próxima às tropas que iriam retirar-se para os navios ao largo no Rio Geba, eram a LFG Órion e a LFG Lira.
Guiné > Bissau > c. out 1974 > Lancha de Fiscalização Grande (LFG) Lira, atracada na ponte-cais, poucos dias antes da “retirada final” em 15 de Outubro de 1974. Foto do álbum do marinheiro radiotelegrafista 812/70 Manuel Beleza Ferraz.
Fotos (e legendas): © Manuel Beleza Ferraz (2012). Todos os direitos reservados. (Edição e legendagem: Bogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)
Guiné > Bissau > s/d > Três das LFG (Lanchas de Fiscalização Grandes) que integraram a Operação nº 1/74 no cais de Bissau (Foto: cortesia do blogue de Luís Cavaleiro, Rio dos Bons Sinais, disponível aqui)-
- a manutenção de perímetros de segurança com tropas de infantaria e fuzileiros, prontos para responder, foi o que impediu o vácuo de poder que, noutros cenários mundiais de descolonização, levou a massacres;
- o apoio naval: as lanchas de desembarque com metralhadoras prontas não eram apenas um dispositivo de transporte; eram plataformas de fogo de cobertura; o facto de a Marinha ter mantido esse poder de fogo visível e operante foi o fator dissuasor que garantiu que nenhum grupo se sentisse tentado a atacar as colunas de retirada;
- a "não-violência" como sucesso militar: um dos maiores erros históricos é pensar que "não houve combates" porque "não houve guerra"; o sucesso real foi que não houve combates precisamente porque a força portuguesa se manteve capaz de combater; se a prontidão não estivesse ao mais alto nível, a operação teria sido um alvo fácil.
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Fonte: Luís Gonçalves Vaz (2024) |
quinta-feira, 20 de novembro de 2025
Guiné 61/74 - P27446: Memórias dos últimos soldados do império (9): os "últimos moicanos" - Parte VI: A Retirada Final, em 14 e 15 de outubro de 1974 (Luís Gonçalves Vaz / Manuel Beleza Ferraz)
Guiné > Bissau > c. out 1974 > 4 Lanchas de Fiscalização Grandes (LFG), uma pequena, e uma LDM na Ponte Cais em Bissau, npoucos dias antes da “retirada final” do dia 14 de outubro de 1974. É visível o N/M Uíge ao fundo, preparado para transportar os últimos militares portugueses da Guiné. Foto do álbum do marinheiro radiotelegrafista 812/70 Manuel Beleza Ferraz.
Guiné > Bissau > Setembro de 1974 > Ponte cais de Bissau com duas Lanchas de Fiscalização Pequenas (LFP) e uma de desembarque ( LDM ) ao fundo do lado direito.. Algumas destas lanchas foram deixadas na Guiné-Bissau. Foto do álbum do marinheiro radiotelegrafista 812/70 Manuel Beleza Ferraz.
Guiné-Bissau > 14 de outubro de 1974 > A LFG Lira, depois de abandonar o Rio Geba na Guiné, a escoltar os T/T Uíge e Niassa até águas internacionais. Foto do álbum do marinheiro radiotelegrafista 812/70 Manuel Beleza Ferraz.
- o Complexo Militar de Santa Luzia, onde se encontrava o QG/CTIG (Quartel General do Comando Territorial Independente da Guiné);
- e o QG/CCFAG (Quartel General do Comando-Chefe das Forças Armadas da Guiné) instalado no histórico Forte da Amura, que se localizava mesmo em frente à ponte-cais em Bissau. (#)
Os “Planos de Entrega destes Aquartelamentos” foram realizados pelo cor Henrique G. Vaz com a colaboração do major Mourão, e entregues ao brigadeiro graduado Carlos Fabião no dia 10 de outubro de 1974, um dia antes da reunião com os comandantes do PAIGC.
Foto: © Manuel Coelho (2011). Todos os direitos reservados. (Edição e legendagem: Bogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)
(i) a CCS / BCAC 4612/74, comandada pelo major Ramos de Campos:
(ii) o comandante do batalhão, tenente coronel Américo Costa Varino;
(iii) um bigrupo de combate do PAIGC;
(iv) um grupo de pioneiros do mesmo partido;
(v) Ana Maria Cabral (viúva de Amílcar Cabral) e seu filho;
(vi) o comissário político do PAIGC, Manuel Ndinga;
(vii) e, em representação do chefe do Estado-Maior do Comando Territorial Independente da Guiné (CEM do CTIG), o tenente-coronel Fonseca Cabrinha (informações dadas pelo próprio militar que arriou a nossa bandeira em Mansoa, o nosso coeditor Eduardo José Magalhães Ribeiro, fur mil Op Esap / Ranger, CCS/BCAÇ 4612/74 ).
Guiné > Região do Oio > Mansoa >9 de setembro de 1974 > Cerimónia da transição da soberania nacional na Guiné, que decorreu em 9 de setembro de 1974, aquando da entrega do aquartelamento de Mansoa ao PAIGC, e troca de cumprimentos entre o Comandante do BCAÇ 4612/74, tenente coronel Américo da Costa Varino e os comandantes do PAIGC presentes na cerimónia.
Guiné > Região de Tombali > Rio Cacine > s/d > Evacuação de pessoal civil (cuja origem se desconhece, náo devendo ser de Gadamael nem de Jemberé,m), passagem dos civis de uma Lancha de Desembarque, para a LFG Lira, em pleno Rio Cacine, muito abaixo da “marca lira”.
Guiné > LFG Lira > s/l > c. out 1974 :> O marinheiro radiotelegrafista Manuel Beleza Ferraz, no seu navio navio, à espera da missão da “Retirada Final"
Guiné > LFG Lira > c. ou 1974 _ Elementos da guarnição do NRP Lira, em convívio na sala comum/refeitório. Foram estes os marinheiros que no dia 14 de outubro de 1974, nos seus lugares de combate e outros, asseguraram a operacionalidade da NRP Lira, no que diz respeito ao apoio e segurança na evacuação do último contingente militar do território da Guiné.
Estima-se que seriam algumas centenas de militares dos três Ramos das Forças Armadas Portuguesas. Neste grupo estavam representadas as várias Especialidades do navio, nomeadamente, Artilheiros, Eletricistas, Telegrafistas e Manobras. Este navio, o NRP Lira, sob o comando do 1º tenente Martins Soares, teve um papel importante na missão de “Retirada Final”, já que era o navio de apoio de retaguarda que se encontrava mesmo em frente à Ponte cais de Bissau, como tal o navio mais próximo do Forte da Amura. O Marinheiro Radiotelegrafista, Manuel Beleza Ferraz é o que está a olhar para o fotógrafo.
Fotos do álbum do marinheiro radiotelegrafista 812/70 Manuel Beleza Ferraz.
Nessa cerimónia encontrar-se-iam o Governador (brigadeiro graduado Carlos Fabião), o Comandante Militar (brigadeiro Galvão de Figueiredo), o Chefe do Estado-Maior do CTIG (coronel Henrique Gonçalves Vaz), outros oficiais, alguns sargentos e praças. Os primeiros depois de assistirem ao embarque de todos os militares nos navios que se encontravam ao largo no estuário do Rio Geba, seguiram para o Aeroporto, onde mantínhamos ainda um dispositivo de segurança.
Mal acabou a cerimónia referida anteriormente, e segundo testemunho do ex-marinheiro radiotelegrafista, Manuel Aurélio A. Beleza Ferraz, que se encontrava nesta altura na LFG Lira, todas as guarnições dos nossos navios que se encontravam na zona, estavam por ordens superiores, em posição de combate (para qualquer eventualidade), estando todos os operacionais equipados com coletes salva-vidas, capacetes metálicos e as Bofors (peças de artilharia antiaéreas de 40 mm) sem capa e municiadas, prontas a realizar fogo de protecção à retirada das nossas tropas, que ainda se encontravam em terra.
Segundo o ex-marinheiro radiotelegrafista, Manuel Beleza Ferraz, os navios que se encontravam a realizar a “segurança de rectaguarda” mais próxima às tropas que iriam retirar-se para os navios ao largo no Rio Geba, eram a LFG Órion e a LFG Lira.
Após o “Arriar da Bandeira Portuguesa”, as tropas portuguesas dos três Ramos das Forças Armadas, presentes na referida cerimónia, logo de seguida, foram transportadas em zebros e LDM (lanchas de desembarque médias) para o navio Uíge, que os aguardava no meio do Rio Geba, a cerca de 400 metros afastados do cais, onde se encontrava já com as máquinas em pleno funcionamento (pairavam) por razões de segurança.
O ex-Marinheiro Radiotelegrafista, Manuel Beleza Ferraz, fonte destes testemunhos históricos, aqui relatados, informou-me ainda de que as ordens vindas do Comando Naval, com apenas 24 horas de antecedência, foram entregues em mão aos comandantes das duas LFG (Orion e Lira) e do patrulha Cuanza, presentes ao largo do cais, no caso do seu navio, o patrulha Lira, recebeu directamente o seu Comandante, 1º tenente Martins Soares.
Como tal, os comandantes destes três navios que constituíam nesse dia, a “força naval” em frente ao cais de Bissau, receberam ordens expressas “para se posicionarem em postos de combate”, com todas as peças Bofors de 40mm, devidamente municiadas e preparadas para realizarem fogo, como apoio de retaguarda à retirada das nossas tropas, de terra para os navios, nomeadamente o Uíge.
Felizmente tudo correu bem, não sendo preciso fazer fogo nenhum, já que a retirada se desenrolou como o previsto, sem altercação de qualquer natureza.
O Marinheiro Radiotelegrafista, Manuel Beleza Ferraz, ainda informou que a flotilha que rumou em direção a Cabo-Verde, além dos navios já referidos (NRP Comandante Roberto Ivens, LFGs Orion e Lira e patrulha Cuanza) faziam parte também as LDG Ariete, Alfange e Bombarda, tendo estes navios da Armada atracado em 20 de outubro no porto de Mindelo na ilha de S. Vicente, Cabo Verde
A comitiva constituída pelo Governador (Brigadeiro Carlos Fabião), o Comandante Militar (Brigadeiro Figueiredo), o Chefe do Estado-Maior do CTIG (Coronel Henrique Gonçalves Vaz), bem como alguns outros oficiais do Estado-Maior, sargentos e praças, depois de assistirem ao embarque de todos os militares nos navios, que se encontravam ao largo do estuário do Rio Geba, e assegurando-se que tudo tinha corrido sem problemas e de acordo com o previsto nos “Planos de Retirada”, elaborados pelo CTIG/CCFAG que nesta altura se afirmava como o único Comando das Forças Armadas Portuguesas neste TO da Guiné, seguiram directamente para o Aeroporto de Bissalanca, onde mantínhamos ainda um dispositivo de segurança.
Às 2h30m do dia 14 de Outubro de 1974, estes militares serão os últimos a retirar da Guiné (por via aérea). Nesse momento estiveram presentes alguns Comandantes do PAIGC, que quiseram despedir-se dos “seus antigos inimigos”, e assim foi o fim da colonização da Guiné com cerca de 500 anos.
Mas antes de finalizar este artigo, gostaria aqui de referir o árduo trabalho atribuído ao último CEM/CTIG, coronel Henrique Manuel Gonçalves Vaz, já que foi o responsável, por “despacho escrito do Brigadeiro/Governador”, Carlos Fabião, pela elaboração dos “Planos de Retirada do nosso Exército”, da “Carta sobre a Redução de Efectivos e Comissões Liquidatárias”, dos “Planos de entrega dos Aquartelamentos da Ilha de Bissau”, do “Estudo da Comissão Liquidatária do QG/CTIG em Lisboa”, das "Cargas dos aviões", entre outras responsabilidades.
Enfim o brigadeiro Carlos Fabião determinou que este oficial do Corpo do Estado-Maior e Chefe do Estado-Maior do CTIG/CCFAG, coronel Henrique Gonçalves Vaz, se responsabilizasse por todos estes assuntos, como tal fica aqui a minha homenagem a ele, bem como a todos os oficiais, sargentos e praças, que sob o seu comando, o ajudaram a realizar essa importante tarefa, nomeadamente o senhor tenente-coronel de artilhgaria Joaquim José Esteves Virtuoso, o senhor major Mourão, o senhor capitão Lomba, e outros oficiais, sargentos e praças, que colaboraram nesta última missão militar no TO da Guiné, a “Retirada Final”, a todos eles, a minha homenagem, o meu respeito e uma grande admiração, pois ficaram neste episódio da longa história portuguesa.
20 de Fevereiro de 2012
Luís Filipe Beleza Gonçalves Vaz
(Tabanqueiro nº 530 e filho do último CEM/CTIG)
(Uma primeira versão deste texto já tinha sido pubpicada sob o poste P9535, de 26/2/2012. Nova versão, com revisão / fixação de texto, edição de imagem e negritos: LG)
Só agora li o seu comentário ao meu escrito sobre o último a sair da Guiné.
Eu dependia do seu falecido pai. O seu pai saiu, pela manhã, para o Palácio do Governo ou para a Base Aérea da Bissalanca. Quando cheguei ao aeroporto, pelas 23h15, já todos os militares lá estavam.
Tenho jornal que tem a notícia da chegada do avião com os últimos militares da Guiné, que vou procurar, para confirmar a data. Tem a foto do general Galvão de Figueiredo.
´
Os meus cumprimentos.
Albano Mendes de Matos
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014 às 21:21:18 WET
Notas do LGV:
Conforme o prometido, segue em anexo finalmente, o meu artigo sobre "A Retirada Final: Os Últimos Militares Portugueses a Retirar da Guiné (Dia 14 de Outubro de 1974)".
Para este artigo, além de consultar as notas pessoais do meu falecido pai, também entrevistei um primo meu, que era na altura Marinheiro Radiotelegrafista da Guarnição do Patrulha Lira (LFG Lira), com quem estive ainda na Guiné, mas que ficou lá até ao último dia, o dia 14 de outubro de 1974, juntamente com muitos outros militares, um deles, o meu falecido pai, o último CEM/CTIG.
Este meu primo, Manuel Aurélio de Araújo Beleza Ferraz, relatou-me na primeira pessoa as últimas horas da retirada para o navio Uíge, dos militares portugueses ainda presentes nesse dia em terra, para assegurarem a última cerimónia, o "Arrear da Bandeira Portuguesa", bem como me forneceu um conjunto de fotografias, que ilustram o poste (...)
Espero que não tenha "distorcido muito" estas últimas horas da nossa "Retirada Final" da Guiné, se o fiz, foi sem intenção. Por outro lado, peço desculpa não "elencar o nome" de todos aqueles militares que nesse mesmo dia, "deram o seu máximo" para não manchar o Bom Nome da Nação, numa altura difícil da nossa longa história... se um de vós lá estava, então deixe aqui "o seu depoimento", pois assim enriquecerá este relato de mais um dos "episódios históricos da descolonização portuguesa".
Grande Abraço
Luís Gonçalves Vaz
(##) Um agradecimento especial:
(i) ao meu primo e ex-Marinheiro Radiotelegrafista, Manuel Beleza Ferraz, marinheiro da guarnição de um dos últimos navios a abandonar as águas da Guiné, o Patrulha Lira;
e também
(ii) ao Eduardo José Magalhães Ribeiro, Furriel Miliciano de Operações Especiais/Ranger da CCS do BCAÇ 4612/74, Cumeré/Mansoa/Brá – 1974, pois sem os seus testemunhos, não poderia ter dado parte importante das informações, relatadas nesta minha pequena narrativa sobre a “retirada final da Guiné”.
Aos dois, que foram testemunhas deste momento histórico, o meu muito obrigado.
Nota do editor LG:




































