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segunda-feira, 20 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28196: Tabanca Grande (584): Eduardo Brito de Azevedo, ex-alf mil inf, GA 7 (dez 1973/out 1974): guardo, acima de tudo, boas recordações da Guiné, das noites africanas, das pessoas que conheci, do ambiente humano...


1. Comentáriodo novo grão-tabanqueiro, nº 917, o Eduardo Brito de Azevedo, ex-alf mil inf, GA7 (Bissau, dez 1973/out 74) (*)

Caros Camaradas e amigos 

Agradeço as vossas generosas palavras de boas-vindas à Tabanca Grande.

Conheço há muito tempo este blogue e reconheço o importante papel que tem desempenhado na preservação da memória de uma geração de portugueses que viveu a Guerra da Guiné. Num primeiro momento, e por razões óbvias, motivado pelo trabalho de recolha e de investigação do Luis Vaz, muitas vezes baseado no espólio do seu pai, coronel de cavalaria Henrique Gonçalves Vaz, último Chefe do Estado Maior do CTIG/CCFAG.

Confesso, no entanto, que tenho algum pudor em escrever sobre a minha própria experiência na Guiné, seguramente menos digna de interesse, menos intensa e menos dramática do que a de muitos camaradas que conheço aqui nos Açores e da reportada em muitos dos depoimentos apresentados no blogue. 

A minha comissão decorreu numa fase muito particular, já no final da guerra, passada quase integralmente em Bissau com esporádicas deslocações ao interior (Mansoa, Porto Gole, Quinhamel...). 

Assisti, antes do 25 de Abril, ao incremento da atividade crescente do PAIGC na periferia e interior da cidade, bem como, após esta data, acompanhei a logística da retirada, tendo participado no movimento, encarregue por Bouza  Serrano (?), juntamente com o Nuno Nazaré Fernandes (BENG 447), de ocupar e promover a transição do Emissor Regional da Guiné. 


Talvez por isso, ao contrário do que transparece em muitos dos testemunhos que conheço, guardo da Guiné, acima de tudo, boas recordações

Recordações das noites africanas, das pessoas que conheci, do ambiente humano que encontrei e de um período da minha vida que, apesar das circunstâncias históricas em que decorreu, mantenho com muito agrado na minha memória.

Por todas estas razões não me sinto habilitado a contribuir de forma significativa para o blogue porque não seria honesto criar essa expectativa. Mas, sempre que considere poder dar algum contributo útil para este extraordinário repositório de memórias, fá-lo-ei com muito gosto.

Entretanto, continuarei, como mais um camarada da Tabanca Grande, a acompanhar com interesse os vossos testemunhos e reflexões.

Recebam um forte abraço amigo,
Ediuardo B. Azevedo

2. Comentários à entrada do nosso novo grão-tabanqueiro:

(i) Tabanca Grande Luís Graça

Eduardo, depois de tão calorosa e afetuosa apresentação da tua pessoa à Tabanca Grande feita pelo Carlos Vinhal (que sabe tratar como ninguém a malta da Madeira e dos Açores), só me resta reiterar os votos de boas vindas.

Não preciso de dizer que os camaradas dos Açores ficam aqui todos bem, sentados à sombra do nosso poilão. E pena que muitos deles andem dispersos e anónimos pela diáspora lusófona. ÉCongratulo-me com a tua entrada para o nosso blogue, para mais sendo também tu um homem da Academia como eu. E, além disso, "apadrinhado" pelo Luís Vaz. Mas mais importante é a tua condição de português, açoriano e antigo combatente do valoroso GA 7.

Fico na expetativa de que nos brindes com mais memórias do teu tempo de soldado do fim do Império.  



Caro Eduardo,

​É com enorme satisfação e amizade que te dou as boas-vindas à nossa "Tabanca Grande", o blog Luís Graça & Camaradas da Guiné. 

Como colaborador deste Blog há já mais de 10 anos, já vi muitas histórias cruzarem-se aqui, mas a tua chegada traz-me uma alegria muito particular.

​Recordo-me perfeitamente de que os nossos caminhos se cruzaram pela primeira vez, curiosamente, lá longe na Guiné, eu um adolescente e tu um jovem militar miliciano. Fomos cunhados e a vida encarregou-se de nos apresentar naquele cenário que marcou as nossas juventudes e as nossas vidas para sempre.

​Hoje, entras nesta nossa tertúlia por direito próprio e com uma missão, tornar o nosso Blog ainda maior e mais "rico". Tenho a certeza absoluta de que o teu rigor científico, a tua capacidade de observação e as tuas memórias vão enriquecer imenso as nossas partilhas e o espólio deste nosso blog.
​Sê muito bem-vindo a este nosso ponto de encontro. Que te sintas verdadeiramente em casa entre nós.
(...)

sexta-feira, 17 de julho de 2026 às 00:28:00 WEST 

(iii) Hélder Valério 

Pois, caro amigo Eduardo, que sejas bem-vindo. Foi uma boa decisão. Estamos sempre à espera de enriquecer este espaço com memórias que nos façam "renascer". 

O escrito do Luís Vaz, aqui acima (e também o do Graça) é bem o espelho das expectativas. O nosso Blogue ganhou direito a figurar como um lugar de repositório das memórias da Guiné e é isso que pretendemos que continue a ser.

Claro que nem tudo são rosas... mas, com vontade, as diferenças que sempre aparecem, são na generalidade resolvidas. (...)

sexta-feira, 17 de julho de 2026 às 10:11:00 WEST

_____________________

Nota do editor LG:

2 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Eduardo, é bom ler aqui, para mais vindo de um camarada como tu, que a Guiné, de finais de 1973 a outubro de 1974, também foi capaz de deixar "boas recordações"... E porque não ?!... Não és o primeiro (nem serás o últijmo) a fazer esta "confidência"...

Aproveito o teu comentário de agradecimento às nossas "boas vindas", para te pedir que explicites melhor este episódio da "logística da retirada, tendo participado no movimento, encarregue por Bouza Serrano (?), juntamente com o Nuno Nazareth Fernandes (BENG 447), de ocupar e promover a transição do Emissor Regional da Guiné".

O Nuno Nazareth Fernandes, figura pública da música, televisão e rádio, é membro da Tabanca Grande desde 2/5/2015.

Sobre o Bouza Serrano (se o nome estiver certo...), gostava que nos dissesses quem era ou quem foi, o posto, a unidade a que pertencia...Era de transmissões ou da engenharia militar ? Fazia parte do MFA ?

Há um conhecido embaixador (jubilado) e escritor José Bouza Serrano, nascido em 1950, e que, a ter feito o serviço militar, bem podia ter passado pelo CTIG, em 1972/74, e portanto ser teu contemporâneo.

E há o capitão-de-mar-e-guerra Manuel Bouza Serrano, que no CTIG foi comandante da companhia nº 2 de fuzileiros, em serviço na Guiné, 1972/73.

Este último já não pode ter sido teu contemporâneo na Guiné.

Um alfabravo, Luís Graça


Tabanca Grande Luís Graça disse...

Luís Vaz, tu não estás há 10 anos na Tabanca Grande, mas sim há 15, desde 13/12/2011...És o grão-tabanqueiro nº 530. Qualquer dia já és um veterano...