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sábado, 25 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28212: Os nossos seres, saberes e lazeres (742): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (263): Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 8 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 19 de Junho de 2026:

Queridos amigos,
Aqui se põe termo a uma inesquecível estadia na Albânia, visitei relíquias da ditadura, prodígios da nova arquitetura, lagos deslumbrantes, a permanência das florestas declivadas dos ermos das montanhas, impressionantes mesquitas e igrejas, num país que prima pela tolerância religiosa; falando da arquitetura, guardo a imagem das residências otomanas de Gjirokastër, as esculturas do realismo socialista. E pude igualmente aperceber-me que este país até há tão pouco tempo quase inacessível, está agora na mira dos potentados da promoção turística hoteleira, a Albânia corre o risco de se encher de Torremolinos e Las Palmas, sacrificando lagunas, praias selvagens, ambientes aprazíveis, florestas impressionantes. Quero voltar, os Alpes dos albaneses são uma tentação. Resta saber se ainda tenho pernas para tanta caminhada.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (263):
Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 8


Mário Beja Santos


Mostrar-vos a miniatura do mapa da Albânia não é um puro acaso, nasce da preocupação de vos dar conhecimento quanto ao itinerário seguido, no decurso desta viagem; houve partida em furgão de Tirana até Pogradec, para admirar o Lago Ohrid, seguiu-se depois para Korçë, há quem lhe chame uma pequena Paris, é, no mínimo, bonita e cosmopolita; mais adiante, graças a nova viagem em furgão chegou-se a Përmet, esperava-me uma maravilhosa igreja ortodoxa, como aqui se mostrou; e daqui rumou-se para a espantosa Gjirokastër, um justificado Património da Humanidade. Foi uma visita de dois dias, bem arrependido fiquei por aqui ter estacionado tão pouco tempo. Mais uma razão de fundo para aqui voltar e ver o que já foi visto com os mesmos olhos deslumbrados.

Segue-se a penúltima viagem, Sarandë, mas com os olhos postos no Parque Nacional de Butrint, no seu interior há ruínas fortificadas de tal importância que levaram a UNESCO a consagrá-la como Património da Humanidade. De facto, este local, de acordo com os vestígios e documentos conhecidos, foi ocupado desde 50.000 a.C., por aqui passaram gregos, romanos, bizantinos, venezianos e otomanos, encontramos indícios da sua presença nestas ruínas, caso do bem conservado anfiteatro grego, os banhos romanos, as igrejas bizantinas e as torres venezianas, isto para já não falar das poderosas muralhas helenísticas ou no teatro românico de Esculápio, santuário de peregrinação. Butrint teve um aqueduto feito pelos gregos, abandonado no princípio da Idade Média e reconstruído pelos bizantinos aí por 800 d.C. há também vestígios da adição otomana, uma fortaleza junto do antigo canal, obra do início do século XIX. Ou seja, escolheu-se Sarandë pelos magníficos panoramas que oferece na sua citação no mar Jónico, ali perto há uma praia famosa, Ksamil, situada entre Sarandë e Butrint, mas eram as ruínas de Butrint que me tinham trazido ao extremo sul da Albânia.

Entrada da área de devoções a Esculápio, o famosíssimo médico da Antiguidade
Júlio César mandou construir uma colónia em Butrint no século I a.C., introduziu-se mudanças radicais nas infraestruturas. Construiu-se um fórum onde no passado os gregos tinham a sua praça de comércio, a norte do fórum foram construídos três santuários. As ruínas do Fórum foram descobertas em 2005, o destaque vaia para o pavimento admirável que mede 20x52 metros e é datado de 2000 a.C.
O Batistério de Butrint é um dos mais importantes monumentos bizantinos do Mediterrâneo central. A sua complexa estrutura coloca-o ao lado dos grandes batistérios independentes da Itália da Antiguidade Tardia e da Idade Média, e o seu extraordinário pavimento em mosaico é o mais bem preservado e, de longe, o mais elaborado de todos eles. O desenho do pavimento é constituído por sete faixas que circundam a pia batismal central, num total de oito, o número cristão que representa a salvação e a eternidade. A salvação é um dos principais temas do mosaico, expressa como a água do batismo e a água da vida. Os mosaicos bizantinos estão cobertos por medida de segurança, não podem ser sujeitos a agressões ambientais.
Ruínas da Igreja cristã
Duas imagens da zona fortificada, as muralhas são impressionantes, aquele touro esculpido na parte superior da entrada não escapou à câmara de todos os turistas
Pormenor da Fonte de Junia Rufina, uma fonte romana do século I/II d.C. dedicada às ninfas, virá mais tarde a ser capela
Um aspeto de Sarandë e a sua marginal. É desmesurado o efeito da carga urbanística na orla marítima, são muralhas de edifícios uns atrás dos outros, ao arrepio das medidas de sustentabilidade. Aliás, os noticiários falam de grandes manifestações de protesto a construções que irão deformar a paisagem, a fauna e as áreas protegidas. Quando os grandes investidores descobriram esta nova pérola do Mediterrâneo, logo se fascinaram pela possibilidade de açabarcarem áreas protegidas, extremamente belas e selvagens, finalmente as populações estão a reagir. Só que a explosão turística é um dos motores do desenvolvimento albanês, uma nação que pretende a todo o custo entrar na União Europeia. Não será por acaso que todos os edifícios ministeriais ostentam a bandeira do país e a da União Europeia.
Não acreditei no que estava a ver, um hotel, restaurante e bar implantado sobre o rochedo, e este cheio de vida, erguendo vegetação para os céus, isto em Sarandë.
Numa das ruas da cidade encontrei o museu arqueológico, pequeno, mas com a singularidade de nos mostrar partes significativas de um mosaico bizantino.
Turista é turista, a marginal de Sarandë está cheia de convites como este, convidando a passeios a grutas, praias secretas, baías recônditas, deslumbramentos da água turquesa. Lá fui ao passeio, de facto tudo é fascinante, mas para meu gosto nada supera a vegetação que cresce e que cresce e cobre aquelas montanhas de pedra batidas pela água do mar.
Encantado por aquele rochedo quase escultórico, despeço-me de Sarandë e viajo para Tirana. Agora só penso em voltar, haja saúde e viajarei para o norte, para ver os altos albaneses, uma decoração selvagem preservada por torrentes tumultuosas de florestas espessas. Espero que venha a acontecer. Até à próxima, Albânia.
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Nota do editor

Último post da série de 18 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28193: Os nossos seres, saberes e lazeres (741): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (262): Uma amostra do País das Águias, a Albânia entre Tirana e Butrint/Saranda - 7 (Mário Beja Santos)

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