Pesquisar neste blogue

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28207: Retalhos da vida militar (7): A minha ida para o serviço militar obrigatório (Artur Conceição)

1. Mensagem do nosso camarada Artur Conceição (ex-Soldado TRMS da CART 730/BART 733, Bissorã, Jumbembém e Farim, 1964/66), com data de 21 de Julho de 2026:

Boa tarde amigos e Camaradas Editores
Um pequeno texto para recordar.

O meu Grande Abraço
Com votos de muita saúde para todos
Artur António da Conceição



A minha ida para o serviço militar obrigatório

A minha ida para cumprimento do serviço militar obrigatório não me retirou hábitos de trabalho, diria mesmo que talvez por uma questão relacionada com o sistema nervoso, terá dado o seu contributo.

Durante vários meses do ano de 1964, enquanto estive no Regimento de Infantaria 11 na cidade de Setúbal, tinha a missão de atender às 8 e às 18 horas uma chamada via rádio relacionada com a segurança da Região Militar.

Como tinha muito tempo disponível, durante o dia ia trabalhar para o Conselho Directivo, onde havia sempre muita coisa para fazer.
Guiné > Região do Oio > Jumbembém > CART 730 (1965/67) > Artur Conceição, o hortelão na sua horta onde se gabava de cultivar os melhores tomates e alfaces do CTIG.

Durante os dois anos de estadia na Guiné e no tempo de Jumbembem fazia a escala de serviço da qual fazia parte, fazia a manutenção das baterias, fazia os autos de destruição, fazia a requisição de material, fazia a gestão de stocks e ainda tinha tempo para tratar da horta de onde vinha o tomate e a alface para a salada destinada à secção de transmissões e para a Messe de Oficiais.

Permitam-me que aqui recorde, com a mesma amizade e admiração, dois dos Furriéis mais “malandros” e da mesma forma os dois mais “trabalhadores”.

Começando pelos dois com que não era possível contar com eles, para fazer qualquer coisa de jeito temos:

O Furriel de Manutenção Auto, Ilídio Barros dos Reis. Um grande abraço.
O Furriel de Transmissões, Higino José Gama Passos, que era natural da Ilha da Madeira. Um grande abraço meu Furriel.

Agora os dois que inventavam algo para ocuparem os seus tempos livres.

O Furriel José Joaquim Nunes da Venda, atirador.
O Furriel Amadeu Júlio Neves Cruz, atirador.

Os restantes jogavam à lerpa durante os seus tempos livres, onde se obtinham lucros que davam para uma viagem à Metrópole. O meu abraço para todos.

Permitam-me agora um especial realce para o Senhor Furriel Amadeu Cruz.

Sendo atirador, desempenhou com a mais elevada competência, a função de Vaguemestre durante muito tempo da sua estadia em Jumbembem.

Encontrei-o em 1973 como gerente de uma loja de uma famosa marca de móveis em Lisboa. “Móveis Baía”.

Encontrei-o mais uma vez num almoço do Batalhão 733, que teve lugar na Cidade de Lagos no Algarve.

Ao aproveitar para enaltecer as qualidades do Amigo Amadeu Cruz, tive como resposta palavras que nunca mais esquecerei.

- Enquanto estive a cumprir o serviço militar senti-me sempre em serviço. Enquanto estou em serviço não bebo. Daí que durante todo o tempo que estive na tropa nunca apanhei uma bebedeira.

De todos os Sargentos e Oficiais da CART 730, todos nascidos em 1943 ou antes, só tenho conhecimento do falecimento do Furriel Vira, natural de Setúbal. Descansa em PAZ.

Damaia, 16 de julho, 2026
Artur Conceição

_____________

Nota do editor

Último post da série de 16 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28187: Retalhos da vida militar (6): História da Pista de aterragem de Jumbembem (Artur Conceição, ex-Soldado TRMS)

Sem comentários: