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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28429: Monografia de Fajonquito-Sancorla - Uma pequena contribuição (3): Património Material e Cultural, Economia e Figuras de destaque (Cherno Baldé)




Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Fajonquito > Junho de 1972  > De esquerda para a direita, soldados condutores da CCAÇ 3549, "Deixós-Poisar" (1972/74): (i) José Maria, João Vasconcelos, Carvalho, Fernando Silva, o Mandinga;  e (ii) os seus jovens amigos, Jorge Suleimane Baldé, Mamadu Saido Candé (Barbosa), Braima Baldé (Banda6) e Cherno Abdulai Baldé (Francisco ou Chico), junto da caserna da Ferrugem.

Foto original, a preto e branco, e baixa resolução, do álbum do Cherno Baldé.  Restauro, melhoria técnica e colorização: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI).

MONOGRAFIA DE FAJONQUITO-SANCORLA

“UMA PEQUENA CONTRIBUIÇÃO”


Natural de Fajonquito (Farimbali), nascido em meados de 1960 e baptizado em Sintchã Samagaia ou Luanda na margem direita de Berecolom.
Frequentou o Curso Geral dos Liceus em Bafata (1975/79) e o Complementar no Liceu Nacional Kuame N’krumah em Bissau.
De 1985 a 1990 fez estudos superiores de licenciatura e mestrado no Instituto Superior de Economia de Kiev que ostentava o nome do lider Soviético de origem ucraniana Demyan Serhiyovich Korotchenko (ex-URSS).
De 1993 a 1995 fez um Curso de Pós-graduação no Centro de Estudos Africanos do ISCTE-IUL de Lisboa e de 2001/2003 frequentou um curso de mestrado sobre a Cooperação Internacional e Desenvolvimento no ISEG/UT, Lisboa, Portugal.
Trabalhou sempre em Bissau com varias deslocações aos países da sub-região, primeiro como funcionário Publico do Ministério das Obras Públicas, Construções e Urbanismo, depois como Director Executivo da Associação Profissional das Instituições de Microfinanças (AP-SFD-GBissau) tendo, de seguida, trabalhado como Consultor/Gestor e Analista Financeiro em vários projetos de Desenvolvimento ligados a organizações internacionais, nomeadamente Banco Mundial, BAD, UE (FED-Célula de apoio ao MEF em Bissau) e no Sistema das NU/PNUD, de 2013 a 2026.



7. PATRIMÓNIO MATERIAL E CULTURAL

Suncudjuma – Bolanha situada a ocidente de Fajonquito e continuação da bacia hidrográfica do rio de Canjambari e que, por sua vez, é o prolongamento natural dos rios Farim ou Cacheu. O ponto principal de atracção da juventude e actividades recreativas era a ribeira (Mahel) de Saré-Tchumo, onde as jovens iam lavar roupa nos fins de semana e onde a juventude se concentrava para as suas diversões de fim de semana.

Berécolom ou Bercolon – Sítio importante pelo seu significado histórico, constituído pelas ruínas da antiga localidade mandinga de Bercolon, um dos sítios mais importantes do antigo império mandinga de Gabu (Farim-B’rassu) e pela bolanha de mesmo nome que, juntamente com a bolanha de Suncudjuma, fornece os principais cereais como arroz e milho, produtos base de alimentação da população das redondezas. À volta de Bercolon existiam vários matagais (Suru Marebaghé, Suru Sintchã, Suru Farimbali) com nascentes onde as mulheres iam buscar água fresca e potável para suas casas e também existia a lagoa de Bantaghel, o paraíso das aves pernaltas (Cunhgas-Guelodhé) e dos jovens pastores.

Djuncoré – Bolanha a Sudeste da Fajonquito, fronteira natural entre os Regulados de Sancorla e de Mansonna, perto de St. Adjango. Neste local existia uma grande lagoa que, sobretudo na época era o local, onde as mulheres vinham fazer a lixívia e onde os animais vinham matar a sede. Local mítico que, segundo a crença local, era a residência do chefe dos Irãs que viviam na zona. Durante o período nocturno, era visível a claridade que irradiava do seu grande Poilão situado mesmo ao lado da Lagoa, na sua margem esquerda (Mansonna). Muitas pessoas traziam para aqui as suas oferendas destinadas a satisfazer os pedidos ligados à sua vida económica, social e espiritual, manifestações de crenças e rituais de culturas pré-islâmicas que continuavam a animar e regular o ritmo da vida do dia a dia.

Na margem esquerda do lago Djunkoré encontrava-se um poilão bem alto e que, durante o período nocturno, irradiava uma luz florescente provocando o efeito bômina (claridade), que era visível a uma grande distância. Djunkoré funcionava como o refúgio dos homens e das aves, onde se praticavam as cerimónias e rituais masculinos. Todas as gerações passadas fizeram-se homens neste espaço mítico e verdejante. Deste ângulo subia uma linha de força de retorno à aldeia de Canhamina, sede do Regulado de Sancorla, completando assim, com as outras duas linhas de força invisíveis, uma espécie de triângulo místico, o famoso triângulo de vida de Canhámina. O conjunto formava assim um ambiente natural propício para a vida animal, em particular das aves selvagens. Mas, também constituía o centro da vida económica, social e cultural das aldeias e suas redondezas que incluia também a localidade de Fajonquito.

A escola pública de Fajonquito – Oficialmente, começou a funcionar no início dos anos 60 e teria beneficiado do seu primeiro pavilhão em 1962, cujo o primeiro Professor teria sido Inocêncio Kani, futuro quadro e combatente do PAIGC que, com o Mamadu Turé (Momo), Aristides Barbosa, Mamadu Indjai, entre outros, fizeram parte do grupo dos conspiradores que assassinaram Amílcar Cabral, fundador e Secretario-Geral do PAIGC em 20 de Janeiro de 1973, em Conacri. Mas os Professores e também Directores mais carismáticos que trabalharam nesta escola foram, sem sombra de dúvida, o Mambucar Sanhá (1966-1972) e Luis Abulai Mané (1970-1978?).

A Capela de Fajonquito – Construída em 1967, pela Companhia 1501, funcionou até 1974 e com a partida dos soldados portugueses em 1974, foi abandonada e mais tarde demolida para cosntruir em seu lugar a casa da associação das mulheres horticultoras de Fajonquito no centro da vila.

A Cooperativa Agricola de Fajonquito (CAF) – Uma inicitaiva do Governador Spínola (1968/73) no quadro da sua politica “Por uma Guiné melhor”, foi construída em 1970 para melhor organizar a produção e venda da fileira do amendoim e garantir a conservação e distribuição de sementes de qualidade logo no início das chuvas. No local ainda se podem observar as paredes e algumas poucas estruturas sobreviventes.

Mesquita de Fajonquito – Fundada em 1972, foi construída no espaço que servia inicialmente de campo de futebol, mesmo no centro da vila. Foi demolida em 2017 e no mesmo ano se iniciou a sua reconstrução num perímetro maior e com fundações, alvenaria e tecto em betão armado. A família de Aladje Coli-Waga Baldé (1915?-1993?) foi impulsionadora e garante da primeira mesquita e os seus filhos na pessoa de Tcherno Corca que o substituiu na direcção da mesma ao seu irmão mais novo, Aladje Amadu Baba, são os seus actuais continuadores.

Centro de Saúde de Fajonquito – Construído em meados de 1973/74, começou a funcionar após a independência em finais de 1974, com a partida dos soldados portugueses que se iniciou em Agosto de 1974, na sequência do golpe militar de 25Abril74 em Portugal, e culminou no dia 1 do mês de Setembro do mesmo ano com a cerimónia de hastear da bandeira nacional na parada do quartel. O seu primeiro Enfermeiro foi o Dr. Mamadu Candé, actualmente quadro superior do Ministério da Saúde e Técnico do Centro Piloto de Tratamento de Noma em Safim a seguir seria dirigida, durante muitos anos, pelo Enf. António Mendes Tavares, ja falecido.


8. ECONOMIA (COMÉRCIO E ARTESANATO)

Durante muito tempo a economia da zona baseou-se na produção do milho, do arroz de bolanha e do amendoim (mancarra) que sucederam paulatinamente a Borracha e o Coconote, para consumo das famílias e para comercialização. Ultimamente, com a baixa da procura e dos preços do amendoim no mercado internacional, o cajú transformou-se no principal e único produto comercial para obtenção de rendimentos na economia familiar segundado pelo Gergelim cuja procura tem aumentado nos últimos tempos.

Na época colonial, as principais casas comerciais da vila e da zona eram: A Casa Gouveia (Depois Armazéns do Povo), Casa Ultramarina (depois SOCOMIN), Casa Cardoso, Casa Mario Lima, Casa Esteves, Casa Luciano (Carvalho de Alvarenga), Casa Campos, Irmãos Casimiro e Costa Pinheiro, (mais tarde Denane Sissé).

Actualmente em Fajonquito funciona uma Feira semanal (Lumo), ao ar livre no espaço do antigo aquartelamento militar, todas as quartas feiras onde comerciantes de várias origens, incluindo da vizinha República do Senegal vêm vender as suas mercadorias e artefactos, evento que concentra toda a população das redondezas e constitui um acontecimento importante de troca de produtos, de abastecimento as famílias em produtos de primeira necessidade, principalmente arroz que, paulatinamente vem substituindo os outros produtos agrícolas como o milho, o fundo e o feijão que antes constituiam a base alimentar das populações da secção. A ocasião, também, serve para troca de informações e de encontros de natureza diversa.

No domínio do artesanato é de destacar a ourivesaria de Botché Baldé (Botché Bailo), as ferrarias de Djinnôh Sandem, Djammeh Cassama, de Braima Gumbo Baldé, entre outros.



9. FIGURAS DE DESTAQUE

Dadiina Baldé – Um rico ganadeiro é o mítico fundador do regulado de Sancorla, que após a guerra entre a confederação dos muçulmanos (fulas, mandinga-moris e Djacancas do império de Gabu), teria adquirido ou concedido as terras que hoje constituem o espaço do regulado de Sancorla das mãos dos homens de confiança de Alfa Molo. Todavia, existe uma outra versão que aponta o próprio Dadiina como um dos Fula-forros e homens de confiança de Alfa Molo que o apoiaram durante a guerra de libertação conduzida pelos fulas de Firdu, e a quem ele teria confiado a continuação da conquista desta região nas mãos dos Farinados Soninqués ainda muito activos, com os quais teria conseguido negociar para estabelecer uma convivência pacífica e que se mantém até hoje entre as duas étnias que partilhavam muito em comum a começar pela própria cultura e línguas.

Braima Djamé Baldé – Branjame (1856/1948) – Filho de Ellá Samba Baldé, neto de Samba Sáhabu e bisneto de Dadhina Baldé, líder carismático e que marcou a fase da ascenção e autonomia do regulado de Sancorla na sua aliança com a administração Portuguesa entre 1886 (batalha de Fanca entre os homens de Mussa Molo e a coluna do Tenente Marques Geraldes onde se teria distinguido levando à fuga definitiva de Mussa Molo para a Gambia) e 1935/36 (última guerra de pacificação contra os Canhabaques), onde perdeu a vida seu filho Abdu Buram, príncipe herdeiro de Sancorla. Segundo uma versão ainda por confirmar, o Branjame morreu em Canhâmina em 1938, vítima de ganância de uma das suas numerosas mulheres que o teria envenenado, pensando poder conquistar o seu coração, com uma posologia mágica, preparada por mãos inimigas.

Sambel Koiô Baldé (1916-1975/6) – Régulo de Sancorla após a morte do pai e o desaparecimento de Abdu Buran, príncipe herdeiro e seu irmão, na guerra de Canhabaque, foi durante a sua regência que eclodiu a guerra colonial. Juntamente com os seus irmãos e toda a família do regulado, defendeu com valor e muita bravura as terras de Sancorla de Cambaju a Suna, de Panambo a Cansonco, graças ao qual foi possível suster o avanço da guerrilha e proteger o território e as suas populações da fuga iminente para o Senegal. Consta que o PAIGC e seus principais dirigentes tudo fizeram para o mobilizar para a causa da luta que levavam a cabo, sem sucesso. Após a independência, em 1975 ou 76 um dos comandantes da guerrilha sediada em Fajonquito aconselhou-o a fugir, secretamente, pois tinham recebido ordens para a sua detenção. Sambel Koio teria abanado simplesmente a cabeça e respondido que ele nunca fugiu na sua vida e que, se tivesse que morrer, preferia morrer em Sancorla, a terra dos seus pais e avós. Segundo consta, foi preso e fuzilado em Bambadinca em 1975/76?, juntamente com o seu irmão mais novo, Demba Djulde Baldé, pelos homens do PAIGC (Madina Cudjido?). Os seus corpos nunca foram entregues às suas famílias para o luto a que tinham direito como homens, chefes de famílias e da sua comunidade.

Maudê Tôdhju Baldé (1917/1973?) – Alferes de 2.ª linha e Comandante do Pelotão de Milícias, tendo passado por Cambaju, Saré-Uale, Fajonquito e Suná, agraciado com a Medalha de Cruz de Guerra de 3.ª Classe e Prémio Governador da Guiné em 1966 por feitos heróicos como militar, morreu de crise cardíaca no Hospital Principal de Bissau, onde estava hospitalizado, em 1973.

Fanca Djau – Indigitado chefe da Tabanca de Fajonquito de 1964 a 1989..?, pai de Carlos Bubacar Djau, Alferes da 2.ª Companhia de CMD Africanos e do Professor Djibril Djau (Iddé), Director da escola de Fajonquito durante muitos anos, originário da aldeia de Bancô, abandonada com a eclosão da guerra colonial em 1963/64.

Alfa Módi Bailo Djaló – Originário de Futa-Djalon, República da Guiné-Conacri, no início do séc. XX, foi o primeiro Almame e um dos primeiros habitantes Fulas de Fajonquito, faleceu em (1995..?) na localidade de St. Samba (Samansata) a meio caminho entre Canhamina e Fajonquito, para onde se tinha mudado para se juntar ao seu sobrinho e genro, Alfa Umaro Djalo, iminente figura do Isláo e da comunidade local após ter perdido a liderança da mesquita a favor dos filhos de Coli Waga, regressados do Senegal, Futa-Toro após seus estudos coránicos.

Denane Sissé - Comerciante dinâmico e proprietário de uma das mais antigas casas em Fajonquito que teria adquirido nas mãos dos irmãos Pinheiro, aconselhado pelas autoridades locais, era também detentor de uma outra loja na localidade de Cambaju. Denane teria sido um dos primeiros filhos de Fajonquito a serem escolarizados e, mais tarde, a entrar no mundo dos negócios com a compra de uma das casas comerciais, no início da guerra colonial a conselho das autoridades militares e civis em Fajonquito que, segundo consta, temiam pela fuga da família para o Senegal como tinha acontecido com muitas famílias mandingas, logo no início da guerra colonial (1963-1974).

Professor Mambucar Sanha (Bafata) – Foi um dos primeiros e mais antigos professores em Fajonquito, onde trabalhou por mais de 10 anos e ajudou na formaçáo da primeira geração de alunos que saíram desta escola nos anos 60/70.

Carlos Borges Figueiredo (Portugal) – Capitão e comandante da companhia metropolitana do exército português, (CART 2742) que esteve estacionada em Fajonquito durante dois anos (1970/72) onde morreu vitima da explosão de uma granada defensiva accionada por um dos seus soldados, a 2 de Abril de 1972. Durante a sua permanência e, no quadro da política Spinolista “Por uma Guiné melhor” contribuiu para melhor a formação dos alunos da escola de Fajonquito bem como a relação entre os soldados e a população local, através de uma maior abertura e animação cultural da vila com a vinda de artistas e músicos da metrópole (grupo de Eva Maria em 1971).

Dr. Carlos Bubacar Baldé (1958/…) - Nascido na aldeia de Farimbali, arredores de Fajonquito, o primeiro Fajonquitense a concluir o 11.º Ano de escolaridade e depois a Licenciatura (em Farmácia na Universidade Nova de Lisboa em 1989). Foi um aluno e médico brilhante que sob a orientaçao sábia do professor Mambucar Sanhá concluiu o ciclo do ensino primário (4.ª Classe), no tempo recorde de 3 anos lectivos (1968/71), que, normalmente, era feito em 5 anos, tendo seguido para Bissau a fim de frequentar o Ciclo Preparatório na Escola Marechal Carmona (hoje Salvador Allende). Terminou o curso complementar dos Liceus (Honório Barreto, actual Kuame N’krumah) em 1978, com honra e distinção, integrando o melhor grupo de sempre deste liceu nacional, na companhia de destacados filhos da Guiné, em particular do também médico cirurgião e PhD, Joaquim Tavares (vulgo Djoca) actualmente a exercer nos Estados Unidos.

António Mendes Tavares (1937..?/2018) - Enfermeiro colocado em Fajonquito desde (1977...?), depois de passar alguns anos por Contuboel, desempenhou com um grande brio profissional as suas funções e, graças ao seu elevado grau de profissionalismo, humanismo, talento natural e carisma, conseguiu cativar a atenção e a estima da população de Fajonquito e arredores tendo-se reformado em meados de 1995.



GENEALOGIA DA CASA REINANTE DE SANCORLA (CANHAMINA)

DOS FILHOS DE DADINA (Patriarca de Sancorla)

- DADINA gerou SAMBA SAÁBU;

- SAMBA SAÁBU gerou DJOMEL SAMBA, HELLÂ SAMBA e NHIMA;

- DJOMEL SAMBA gerou ALIU FANTA …;

- HÊLLA SAMBA gerou MALAM HELLA, TOMBOM QUEBA, EGUÊ FILY, BRAIMA DJAME (BRANJAME), SAMBA UDÉ, DEMBA UDÉ, MERRA UDÉ, KUMBA UDÉ e N’DUNDE.

- NHIMA gerou MUSSUNDIM e MAMA.



DA DESCENDENCIA DOS FILHOS DE HELLÂ SAMBA

- MALAM HELLÂ gerou ALACOM e DJABU DANDJO.

- TOMBOM QUEBA gerou TCHERNO TOMBOM, MERA TOMBOM e SAMBA TOMBOM.

- EGUÊ FILY gerou NAÔH (NDÔ), AWA EGUÊ, SAMBA EGUÊ (SAMAGAIA), DEMBARO, PATÉ/PARÉ (PARERO) e TAMBA MAUDÔ.

- BRAIMA DJAME (BRANJAME) gerou ABDU, BONDHÔ, MÉRA, DEMBA, WUDÉ, SAMBEL KOIÔ, DEMBA NUMÔ, DJARI, GUNDÔ, FENDA, KUMBA NHAMA, MÂNSARA, MANUEL (MANELI), GUELA, NHARÔ, MÉRA, SÊGA, MBUNHA, DJOMEL, TÔBHO REDI, BAMBA, FANTA, ANSA, MANA NUIA, KINDI, MAUNDÊ TÔDJHU, MABÔ, DJAMANTI, KÔIO AWA, KUMBA AWA, NHAMA, TCHOMONKOLI, MUSSUNDIM, TUMANE, MAMUDO DJENA, CADI DJENA, SAMBA, KUNDJA, QUENDÔ, SANCULÉ, CADI BUIA, MADIU TATA, NDJUCAW, TAMBADU, MAMADU KUMA BAMBI, BINTA, DJHÔNHA, YOBA SIREM e BHOIDÔ TENEM. (49 filhos).

- SAMBA UDÉ (SAMA-UDÉ) - irmão de Branjame indicado para chefiar a “Diwal” de Kerwane/Panambo a Leste - gerou WALI, MUTARO, SIDI, NHANA, MARIAMA KINDI, MAKI, MARIAMA, DJIBA KULUNDO, NDUNDE KUMBA, DJADJA KOBA, KUMBA LAO, KUMBEL, BINTA BODJEL, BRANJAME, TUMANE, SIRANDIM, RUDDO, TCHEDEBEL, TALARA, KITALI e KUMBA BODJEL.

- DEMBA UDÉ (DEMA-DUORA) - indicado por consenso da familia para chefiar a “Diwal” de Lenkebémbe/Cambaju - gerou ALA BURI, YOBA I, ALFA, BINTA, DJAME, BOTA, GUELA, YOBA II, MAMADU ALIU (MAMA ALIU), HAMADU SHERIFO (HAMA-SHERIFO), MAMARE, NHANHA, TENEM DJUBA, ADULAI DJUBA, SIRAEL DJUBA, BOBOGUEL, USSAINATU (ASSINATU), SAMBA BODEDJO, UBBA, BEDJA e BACARI TCHOMONKOL.



DOS FILHOS DA EGUÊ FILY BALDÉ E MOLO BALDÉ
(seu primo nascido da mesma familia de Dadina, Patriarca de Sancorla):

MOLO (ou MOR-SEIDE) E EGUÊ FILY (ou MARIAMA BALDÉ), nascidos respectivamente em meados da década de 1850/60 em Panambo (?), o primeiro falecido por volta de 1922/23 em Kerewane onde residiam na altura e a segunda em 1967 na localidade de Cambaju, onde estavam refugiados após o inicio da guerra colonial de 1963/74 na entao Guiné Portuguesa hoje Guiné-Bissau.

DO CASAMENTO DE EGUÊ FILY E DO SEU PRIMO MOLO BALDÉ nasceram : NAÔH mais conhecido por N’DÔ (1907/8), AWA EGUÊ (1909/10), SAMBA GAIA (1911/12), DEMBARO (1913/14), PATÉ (1915/16) e TAMBA MAUDHO (1917/18).

- NAÔH, após a morte do pai em Kerewane e a mudança da familia para Canhâmina, casou com a Kumba Nhama, filha do seu tio Branjame com quem gerou BASSIRO, MARIAMA (MARÂ) E YOBA.

- SAMBA GAYE, tendo casado com Mansara, também filha de Branjame e gerou ALIU, ADAMA …

- DEMBARO gerou BOBO SUNCA, AWA SUNCA, ANSARU SUNCA.

- TAMBA MAUDHO (ALIU TAMBA) gerou IBRAIMA, BUBACAR TAMBA (CARLOS), CHERNO TAMBA, RAMATULAI, AISSATU FANTA, CANTABA, UMO ASSY, ROSA ASSY, MAMADU BOBO e ASSANA YOBA.


(Fim)
_____________

Nota do editor

Vd. post de 10 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28424: Monografia de Fajonquito-Sancorla - Uma pequena contribuição (1): Localização geográfica e população; Origem e significado do nome Sancorla e Significado e origem do nome Fajonquito (Cherno Baldé)
e
11 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28426: Monografia de Fajonquito-Sancorla - Uma pequena contribuição (2): Sancorla no contexto das guerras entre fulas e mandingas...; Início da guerra e a deslocação das primeiras Unidades Militares para Fajonquito e Imagens de Fajonquito (1964-1974) (Cherno Baldé)

domingo, 11 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28426: Monografia de Fajonquito-Sancorla - Uma pequena contribuição (2): Sancorla no contexto das guerras entre fulas e mandingas...; Início da guerra e a deslocação das primeiras Unidades Militares para Fajonquito e Imagens de Fajonquito (1964-1974) (Cherno Baldé)

MONOGRAFIA DE FAJONQUITO-SANCORLA

“UMA PEQUENA CONTRIBUIÇÃO”


Natural de Fajonquito (Farimbali), nascido em meados de 1960 e baptizado em Sintchã Samagaia ou Luanda na margem direita de Berecolom.
Frequentou o Curso Geral dos Liceus em Bafata (1975/79) e o Complementar no Liceu Nacional Kuame N’krumah em Bissau.
De 1985 a 1990 fez estudos superiores de licenciatura e mestrado no Instituto Superior de Economia de Kiev que ostentava o nome do lider Soviético de origem ucraniana Demyan Serhiyovich Korotchenko (ex-URSS).
De 1993 a 1995 fez um Curso de Pós-graduação no Centro de Estudos Africanos do ISCTE-IUL de Lisboa e de 2001/2003 frequentou um curso de mestrado sobre a Cooperação Internacional e Desenvolvimento no ISEG/UT, Lisboa, Portugal.
Trabalhou sempre em Bissau com varias deslocações aos países da sub-região, primeiro como funcionário Publico do Ministério das Obras Públicas, Construções e Urbanismo, depois como Director Executivo da Associação Profissional das Instituições de Microfinanças (AP-SFD-GBissau) tendo, de seguida, trabalhado como Consultor/Gestor e Analista Financeiro em vários projetos de Desenvolvimento ligados a organizações internacionais, nomeadamente Banco Mundial, BAD, UE (FED-Célula de apoio ao MEF em Bissau) e no Sistema das NU/PNUD, de 2013 a 2026.



4. SANCORLA NO CONTEXTO DAS GUERRAS ENTRE FULAS E MANDINGAS DURANTE A ÉPOPEIA DE ALFA MOLO E DO SEU FILHO MUSSA MOLO, REIS DE FIRDU OU FULADU (Taryk Fuladu)

Quem terá sido o primeiro habitante de Canhámina? Uma pergunta difícil de responder porquanto, os actuais habitantes de Sancorlá seriam capazes de jurar, a pés juntos, que foram os seus antepassados e com provas provadas dentro do esquema mitológico habitual do tipo: “Era uma vez, a família de caçadores do grupo dos nossos antepassados que, após um longo percurso, em perseguição de um animal de caça, acabaram por desembocar neste local milagroso…” O que, porém, não deverá suscitar muita controvérsia, é o facto de que estas paragens já eram habitadas por populaçoes Banhuns, (Bainouks ou Soninkés?) quando os Fulbhé (fulas) chegaram com as suas manadas de gado, vindos de Macina (Mali), de Boundu (Senegal) ou Futa-Djalon (Guiné-Conacri). Conta-se que, no seu périplo pela região na primeira metade do século XIX, o Cheik El-Adj Omar, futuro imperador do Sudão ocidental, teria passado por aqui a caminho de Futa-Djalon acompanhado do seu djatigui (2) e futuro Silatigui, o rei de Firdu, Alfa Molo Baldé, a quem ele teria dado todas as terras situadas entre as bacias dos rios Gâmbia e Geba, mais concretamente até ao local designado Dandum (Dandum Cossará), à condição que as pudesse retirar aos “infiéis” reis Soninquês, claro. Despediram-se após ter recebido das mãos do grande homem de letras a promessa de que a sua aventura seria coroada de êxito.
De regresso a casa, Alfa Molo convocou os grandes de entre os Fulbhé [fulas,] e disse-lhes:
- Como todos sabem, desde que vivemos entre os Soninquês [, ou Saracolés, na gravura, 1890, cortesia de Wikipédia], não somos mais os donos das nossas vacas, das nossas ovelhas nem das nossas próprias mulheres, por isso, vamos combatê-los e acabar com os seus abusos de poder.


Os grandes de entre os Fulbhé após terem escutado e, cheios de medo, responderam:
- Nós não vamos combater os Soninquês e tão pouco iremos ajudar aquele que o irá fazer. Então o Alfa Molo levantou-se em toda a sua altura e, sacudindo o fundilho das calças, disse a frase que ficaria para sempre gravada nos anais da história épica do reino de Firdu: “Se não me ajudarem a combatê-los, então ajudar-me-ão a fugir”, teria ele dito. E foi assim que tudo começou, Alfa Molo e os seus apoiantes entrincheirados no seu campo de refúgio que apelidaram de M’ban Ulém ou seja recusa total, atacaram os Soninquês e, com o apoio decisivo dos Almamis de Futa-Djalon, acabariam por conquistar a região e instalar o reino de Firdu (Fuladu), repartido em pequenos regulados entre os quais o de Sancorla que, mais tarde sera confiado aos seus aliados locais (Dadina pai do Samba Sáhabu?) e que, vindos de Panambô e de kerewane (perto da actual localidade de Sare-Bacar) escolheriam, mais tarde, para capital a localidade de Canhámina.


Na lógica e sub-mundo do homem e da consciência tradicional africana, nada acontece por acaso, tudo se justifica e se fundamenta em fórmulas simples e ao mesmo tempo complexas, e neste caso concreto de Canhámina (Sancorla), conta-se que a origem da força e do poder local se devia à conjunção de determinados factores de ordem mística e que, por conseguinte, a perda daquela força e do poder, verificada mais tarde (1974),  se deveu a violação do princípio regulador do equilíbrio ou pacto inicial estabelecido, que começou com a penetração de elementos estranhos ao meio, entrando nesse leque tudo o que veio a ligar-se com o processo da dominação colonial, da submissão e da penetração do sistema mercantilista da produção e comercialização (borracha, coconote, pele de animais, amendoim etc.); de elementos novos de sujeição, de opressão e alienação cultural e espiritual que se lhe seguiram os passos, onde os impostos de capitação e a balança dos comerciantes eram os elementos mais nocivos dentro do sistema de exploração e empobrecimento das populações, terminando com a entrada silenciosa e criminosa dos guerrilheiros do PAIGC que transformaram o recinto dos poilões num campo de tortura e de exterminação dos próprios filhos de Sancorla.

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Conta-se que, antigamente, da mata de poilões situada no centro de Canhámina, descia uma linha de força para sul até a floresta de palmeiras (Surumael), situada nos limites do regulado e no meio da qual se encontrava uma nascente cujas águas abasteciam a população da aldeia, estando ligada, por sua vez, à bolanha de Suncudjuma (prolongamento da bacia hidrográfica do rio Farim-Canjambari). Surumael (mata húmida) representava o ângulo feminino do triângulo de Canhámina onde se praticavam não só a produção do arroz nas terras baixas mas também todos os rituais femininos ligados a educação e/ou reprodução social (cerimónias de casamento, fanados etc.). De Surumáel, seguindo sempre o percurso da bolanha a Oeste, até à distância de três km, estava situado o terceiro ângulo ou o complexo masculino, a lagoa de Djunkoré, formado, por uma extensa área alagada durante a estação das chuvas e no meio da qual se encontrava uma extensa lagoa de água doce, bem no centro da bolanha. As populações das aldeias mais próximas e as aves pescadoras vinham aqui encontrar os peixes que subiam com as águas do rio Farim/Canjambari. Também aqui davam de beber as grandes manadas de gado (vacas, ovelhas, cavalos) que faziam o prestigio económico da região, acompanhadas de crianças nuas e barulhentas, com as flautas numa mão e as varas noutra na vasta planicie da bolanha de Suncudjuma. Na margem esquerda do lago Djunkoré encontrava-se um poilão bem alto e que, durante o período nocturno, irradiava uma luz florescente provocando o efeito bômina (claridade), que era visível a uma grande distância. Djunkoré funcionava como o refúgio dos homens e das aves, onde se praticavam as cerimónias e rituais masculinos. Todas as gerações passadas fizeram-se homens neste espaço mítico e verdejante.

Deste ângulo subia outra linha de retorno à aldeia, formando assim uma espécie de triângulo, o triângulo de vida de Canhámina. O conjunto formava assim um ambiente natural propício para a vida animal, em particular das aves selvagens. Mas, também constituía o centro da vida económica, social e cultural da aldeia e seus arredores. E, numa escala maior, reproduzindo fielmente o triângulo de Canhámina, a organização social e política do regulado, também, se apoiava em três pilares ou áreas geográficas (diwé): A área de Canhámina (ângulo sudoeste) onde habitava o régulo, patriarca e irmão mais velho, Buran-Djame; a área de Lenkebémbe /Cambajú (ângulo noroeste) entregue a família de Demba Udé ou Dema-Duora e a área de Kerwane/ Panámbo (ângulo nordeste), entregue a família de Samba Udé; cada uma das quais gozando de uma certa autonomia. Esta divisão territorial e administrativa fomentava muitas rivalidades, algumas das quais ainda hoje subsistem, mas também era factor de concorrência e de dinâmica criativa que permitia manter a necessária coesão social e política assim como a chama guerreira do regulado que permitia fazer face aos ataques e investidas de grupos de resistência Soninkés e, mais tarde, poder aguentar os assaltos da guerrilha no início da guerra colonial ou luta da libertação nacional conduzida pelo movimento rebelde do PAIGC (1963/74) ao qual eles não quiseram aderir, preferindo continuar a antiga aliança com a administração colonial portuguesa, desconfiados pela adesão massiva dos mandingas a este movimento e que se assemelhava a uma tentativa de recuperação dos seus domínios recentemente conquistados pelos fulas e seus aliados de Futa-Djalon.

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Todavia, a sucessão de Alfa Molo na segunda metade do Séc. XIX, não viria a ser nem bem sucedida e muito menos pacífica, obrigando ao seu sucessor, o intrépido Mussa Molo, a disputar não somente o trono com outros pretendentes dentro da família, como fazer face a pretensões autonomistas dos pequenos regulados em que estava dividido o reino de Fuladu, com particular incidência naqueles cuja liderança era chefiada por Fula-Forros, antigos suseranos e pouco inclinados a aceitar a vassalagem vis-a-vis de Fula-pretos cujo poder representava Mussa-Molo, sob o olhar atento dos Almamis de Futa-Djalon e ainda com a presença cautelosa mas insidiosa das potências europeias (os Portugueses a partir de Farim e Geba, os Franceses a partir de Sédiô no Senegal e os Ingleses na foz e ao longo do rio Gâmbia) que cobiçavam a região meridional do novo império de Fuladu (Firdu) dirigido por Mussa Molo Baldé.

Nestas circunstâncias, os pequenos regulados Fulbhé do nordeste e leste Guineense tinham que escolher entre submeter-se às ordens e a tirania de Mussa-Molo, apoiado sub-repticiamente pelos Franceses, ou aliar-se aos Portugueses. Assim nasceu a aliança de interesses entre Fulas e Portugueses que, tudo somado, pareciam distantes e sem quaisquer interesses em comum. Porém, esta aliança fortuita não estava isenta de algumas contradições. Os pequenos regulados fulas, de um lado, precisavam dos Portugueses para se proteger das ameaças e razias constantes dos homens de Mussa-Molo mas, sendo muçulmanos, eram portadores de um inevitável “proselitismo religioso” que estava na base da sua libertação e do seu poder conquistado perante os Soninquês.

Os portugueses, por seu turno, precisavam de aliados no interior onde não conseguiam chegar para fazer valer as suas pretensões para lá do rio Geba mas, também, tinham na bagagem a Bíblia e o compromisso da salvação de almas perdidas para justificar as suas conquistas de além-mar. Mas tarde e, sempre que se sentiriam aflitos, os portugueses não hesitariam em recorrer aos seus aliados muçulmanos do interior (Fulas e Mandingas) para reprimir os povos guerreiros “animistas” do litoral Guineense mas, logo que se sentiam minimamente aliviados da pressão, se apressavam a afastá-los destas zonas para não espalhar a sua indesejada influência religiosa com a qual não compatuavam. Com Teixeira Pinto e seus auxiliares muçulmanos, especialmente Abdul Indjai, os portugueses fecharam o capítulo da conquista e pacificação (?) do território da Guiné no início do século XX, impondo de seguida, a todos os habitantes da Guiné, a obrigação do pagamento de impostos. Com estes, veio a necessidade de produzir excedentes comerciais abrindo, desta forma, uma porta de entrada a produção do amendoim que, juntando-se a colecta da borracha, se transformariam, durante muito tempo, nas actividades obrigatórias de todas as regioes do interior, incluindo Sancorla.


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Com o florescimento do comércio nos anos 40 e 50, houve a necessidade de abrir vias de acesso e de ligação com as zonas portuárias de Farim e Bafatá. As medições feitas determinaram que a estrada tinha que passar no meio da mata de poilões de Canhámina, que seria o ponto de convergência das três estradas (Cambaju ao norte, Bafata ao sul e Farim a Oeste,). Esta foi a primeira abertura (ferida) no triângulo de Canhámina, o primeiro sinal inquietante da mudança dos tempos, que abriu as portas para a penetração de elementos estranhos no círculo de vida de Sancorla.

Com o intuito de preservar Canhámina da invasão do novo mundo e das suas consequências inevitáveis, Fajonquito serviu de escoadouro e aldeia satélite para canalizar todos os elementos que não se enquadravam no pacto de equilíbrio do mundo antigo. Foi assim que as casas comerciais que queriam instalar-se em Canhámina, foram aconselahadas a se instalar mais a poente, a três quilómetros de distância, a fim de preservar o triângulo. E foi assim que, pelas mesmas razões, tanto a escola portuguesa (1958?) assim como a primeira companhia de tropas metropolitanas (1964) enviada para reforçar o regulado com o avanço da guerrilha, ficaram pouco tempo na aldeia, tendo sido, de seguida, transferidas para Fajonquito. Era preciso manter o equilíbrio do pacto, tanto assim que, pese a vontade de o fazer, os guerrilheiros do PAIGC nunca conseguiriam penetrar no triângulo e atacar Canhámina, o coração de Sancorla, mesmo desguarnecida de tropas. Acredita-se que eram desviados para longe por forças ocultas.


5. INÍCIO DA GUERRA E A DESLOCAÇÃO DAS PRIMEIRAS UNIDADES MILITARES PARA FAJONQUITO.

A partir de 1962/63, a guerra começou a alastrar-se em toda a região Norte e Nordeste da Guiné e, em 08 de Julho de 1964, a Companhia de Caçadores (CCAÇ) n.º 674, comandada pelo Capitão de Infantaria José Rosado Castela Rio, foi destacada para a regiao de Bafata e assumiu a responsabilidade do subsector de Fajonquito em 13 de Maio de 1964.

E na noite de 24 de Agosto de 1964, a partir das 21:00, as instalações militares de Fajonquito foram pela primeira vez flageladas pelo PAIGC. Durante a madrugada de 03 de Setembro de 1964, Fajonquito foi de novo flagelado e pelas 20:00 de 08 de Setembro de 1964, o PAIGC iniciou sobre Fajonquito a terceira flagelação, que se prolongou de forma intermitente até aos primeiros alvores.

Em 12 de Setembro de 1964, uma acção de patrulhamento da CCAÇ 674 foi alvo de violenta emboscada por parte dos guerrilheiros, que causou as primeiras baixas naquela sub-unidade, na zona de Cansonco (Gam-Sanco), na estrada para Canjambari, conta-nos o soldado Inacio Maria Góis, no seu Diário de Guerra. De seguida, apresentamos o resumo das companhias que passaram por Fajonquito de 1964 a 1974.



As Companhias do exército português que passaram por Fajonquito durante a guerra colonial 1963-1974 (José Martins)

1. Companhia de Caçadores n.º 674, comandada pelo Capitão de Infantaria José Rosado Castela Rio, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º (.....), Mobilizado pelo Regimento de Infantaria 16 (RI16 - Évora), assumiu a responsabilidade do subsector em 13 de Maio de 1964, vindo a ser substituída pela CCaç 1497 em 27 Abril de 1966.

2. Companhia de Caçadores n.º 1497, comandada pelo Capitão de Infantaria Carlos Alberto Coelho de Sousa, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º (....), mobilizada em (...) no Regimento de Infantaria n.º (...), assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CCaç 674, em 27 de Abril de 1966, vindo a ser substituída pela CCaç 1501 em 26 de Janeiro de 1967.

3. Companhia de Caçadores n.º 1501, comandada pelo Capitão de Infantaria Rui Antunes Tomaz, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º 1877, mobilizada em Tomar no Regimento de Infantaria n.º 15, assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CCaç 1497, em 26 de Janeiro de 1967, vindo a ser substituída pela CCaç 1685 em 19 de Setembro de 1967. Foi a companhia que construiu a capela em Fajonquito, uma mesquita em Canhamina e uma escola na localidade de Ginane assim como o primeiro mastro da bandeira encimado por uma grande cruz em betao armado junto ao quartel em Fajonquito.

4. Companhia de Caçadores n.º 1685, comandada pelo Capitão de Infantaria Alcino de Jesus Raiano, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º 1912, mobilizada em Évora no Regimento de Infantaria n.º 16, assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CCaç 1501, em 19 de Setembro de 1967, vindo a ser substituída pela CCaç 2435 em 14 de Dezembro de 1968.

5. Companhia de Caçadores n.º 2435, comandada pelo Capitão de Infantaria José António Rodrigues de Carvalho e, posteriormente, pelo Capitão de Infantaria Raul Afonso Reis, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º 2856, mobilizada em Abrantes no Regimento de Infantaria n.º 2, assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CCaç 1685, em 07 de Dezembro de 1968, vindo a ser substituída pela CCaç 2436 em 20 de Abril de 1970. Foi a companhia que construiu o dispositivo de defesa através da escavação de valas a volta do quartel, construçao de abrigos de defesa em betão armado e mudou o assentamento da população, transferindo-a para a zona Leste e libertando espaço de tiro na zona oeste de onde vinham os ataques. Teve problemas com o Gen. Spinola devido a forma como lidava com a população em geral e com os prisioneiros de guerra, obrigados a fazer trabalhos forçados na escavação e limpeza das valas a volta do aquartelamento, extorção e torturas físicas. Levou uma porrada e foi transferido para local incerto.

6. Companhia de Caçadores n.º 2436, comandada pelo Capitão de Infantaria José Rui Borges da Costa, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º 2856, mobilizada em Abrantes no Regimento de Infantaria n.º 2, assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CCaç 2435, em 20 de Abril de 1970, vindo a ser substituída pela CArt 2742 em 13 de Agosto de 1970.

7. Companhia de Artilharia n.º 2742, comandada pelo Capitão de Artilharia Carlos Borges de Figueiredo e, posteriormente, pelo Alferes Miliciano de Artilharia Baltazar Gomes da Silva, unidade orgânica do Batalhão de Artilharia n.º 2920, mobilizada em Penafiel no Regimento de Artilharia Ligeira n.º 5, assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CCaç 2436, em 13 de Agosto de 1970, vindo a ser substituída pela CCaç 3549 em 21 de Maio de 1972. Foi a companhia que melhor se relacionou com a população, extendeu a iluminação eléctrica a rua principal da vila, realizou várias actividades lúdicas de diversão e animação sócio-cultural e apoiou o funcionamento da escola local. O seu comandante, viria a perder a vida num rebentamento de granada defensiva perpetrado por um dos seus soldados no dia 2 de abril de 1972, em vésperas da celebração da Páscoa.

8. Companhia de Caçadores n.º 3549, comandada pelo Capitão Quadro Especial de Oficiais José Eduardo Marques Patrocínio e, posteriormente, pelo Capitão Miliciano Graduado de Infantaria Manuel Mendes São Pedro, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º 3884, mobilizada em Chaves no Batalhão de Caçadores n.º 10, assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CArt 2742, em 27 de Maio de 1972, vindo a ser substituída pela 2.ª Companhia do BCaç 4514/72 em 15 de Junho de 1974. Tal como as duas companhias precedentes, passou toda a comissão em Fajonquito, de modo que, a parte alguns roubos de animais por ocasião das suas festas religiosas, de modo geral, tiveram um bom relacionamento com a população, facto que foi propício ao aprecimento de um fenómeno social novo e pouco conhecido, ou seja o nascimento de filhos mestiços de pais portugueses com mulheres locais, os chamados na gíria colonial, filhos do vento. Só na localidade de Fajonquito registaram-se, no mínino, 10 casos e que não foram reconhecidos pelos progenitores.

9. A 2.ª Companhia do BCaç 4514/72, comandada pelo Capitão Miliciano de Infantaria Ramiro Filipe Raposo Pedreiro Martins, unidade orgânica do Batalhão de Caçadores n.º 4514/72, mobilizada em Tomar no Regimento de Infantaria n.º 15, assumiu a responsabilidade do subsector, rendendo a CCaç 3549, em 15 de Junho de 1974, vindo a iniciar o deslocamento para Bissau a partir de 30 de Agosto de 1974, tendo um pelotão efectuado a desactivação e entrega, ao PAIGC, do aquartelamento em 01 de Setembro de 1974. (...). Esta companhia quando chegou estava desfalcada da maior parte dos seus grupos de combates destacados em outras frentes. Tinham vindo da zona Sul (Cadique e Cabomba, depois de passar por Guidage em 1973) e via-se que tinham sofrido muito com a guerra. Foram, do ponto do vista social, muito bons e bastante afáveis com as crianças que frequentavam o quartel marcando um notável contraste em relação às outras companhias. A guerra estava no fim, e vivia-se o período pós 25A74. Fizeram a entrega simbólica do aquartelamento ao PAIGC a fim de regressar às suas terras para um descanso bem merecido, mas com a marca da Guiné na alma e no coração para nunca mais esquecer.

(**) Vd. poste de 3 de Abril de 2009 > Guiné 63/74 - P4136: As Unidades que passaram por Fajonquito (José Martins)


6. IMAGENS DE FAJONQUITO (1964-1974)

Fajonquito, 1964/66 – Soldados da CCAÇ 674 e população, vendo-se à direita o Comandante da companhia, Capitão José Rosado Castela Rio.
Fajonquito, 1964/66 – Dança de batuque no espaço entre a porta d’armas e a casa Esteves (hoje mercado), na imagem vêm-se soldados da 674 (entre os quais Inácio Maria Góis, no meio e de bigode) e populares, entre os quais se vêm Djata/Zeca Mané (de tronco nu) e Munco Seidi (já falecidos) entre outrs residentes.
Fajonquito, 1966 – Um grupo de meninas vendedeiras, vendo-se em destaque a Djabu Embalo (falecida) de Gallé Djammê, Bairro situado dentro do Quartel na altura.
Fajonquito, 1964 –Soldados da CCAC 674 (Inácio Maria Góis, à direita) e meninas - Gallé Gumbo-Bairro situado dentro do Quartel nesse período.
Fajonquito 1968 - Aladje Tamba Baldé (pai do Cherno Baldé) e o Cabo Tintim (CCAÇ 2435- 1968/70), em frente da casa de Mário Lima, vendo-se na parede em cima o emblema deixado pela CCAÇ 1501 (1965/67)
Fajonquito 1971 – Carlos Bubacar Baldé (irmão mais velho de Cherno Baldé) da Mocidade Portuguesa, por ocasião do 10 de Junho, dia de Portugal e de Camões, na presença de oficiais da CART 2742 (dos quais Alferes José Félix que morreu no rebentamento da granada no dia 2/4/1972) comandada pelo Capitão Carlos Borges Figueiredo.
Fajonquito – Memorial da CART 2742 (1970-72)

1. Em primeiro plano, o Furriel das transmissões Farraia (CCAÇ 3549 – Deixós-Poisar, 1972/74), junto ao poste da bandeira e parada do quartel.
2. Na base do poste da bandeira vê-se uma lápide com a inscrição do nome do Cap. Carlos de Borges Figueiredo e os soldados mortos “no acidente” do caso Almeida na Páscoa de 1972, em Fajonquito.
3. Ao fundo estão as instalações onde funcionavam os Serviços de transmissões do quartel e junto a varanda da casa: da esquerda à direita, estão os Putos (rafeiros) Adama Sunto e o Cherno Baldé (Chico).
4. Neste local realizaram a cerimónia de entrega do aquartelamento ao PAIGC, simbolizando a passagem para a soberania nacional, em 1 de Setembro de 1974, com o hastear da bandeira nacional.
5. Fotografia cedida pelo ex-Furriel Miliciano José Cortes da CCAÇ 3549 - “Deixós-Poisar”, 1972/74.

Fajonquito, 1972/74

1. Foto em cima: Soldados da CCAÇ 3549 à civil, na rua principal da vila, ao fundo as casas comerciais de Costa Pinheiro (mais tarde Casa Gouveia) e dos Irmãos Casimiro (mais tarde Denane Sissé).
2. Foto ao meio: O falecido Furriel Cortes (José Augusto), junto a porta d’armas (entrada) do quartel de Fajonquito
3. Foto em baixo: Equipa Banda6 com o Capitao da CCAÇ 3549, Manuel Mendes São Pedro, primeiro à esquerda, de pé.


Fajonquito, 1972/74 – Soldados da CCAÇ 3549 (Furriéis José Cortes e Faraia) junto ao mercado. Ao fundo vê-se a imagem da oficina mecânica do Quartel
Fajonquito, Junho de 1972 – De esquerda para a direita, soldados condutores da CCAÇ 3549, Deixós-Poisar (1972/74): José Maria, João Vasconcelos, Carvalho, Fernando Silva, o Mandinga e seus jovens amigos: Jorge Suleimane Baldé, Mamadu Saido Candé (Barbosa), Braima Baldé (Banda6) e Cherno Abdulai Baldé (Francisco), junto da caserna da Ferrugem.

(continua)
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Nota do editor

Primeiro post de 10 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28424: Monografia de Fajonquito-Sancorla - Uma pequena contribuição (1): Localização geográfica e população; Origem e significado do nome Sancorla e Significado e origem do nome Fajonquito (Cherno Baldé)

sábado, 10 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28424: Monografia de Fajonquito-Sancorla - Uma pequena contribuição (1): Localização geográfica e população; Origem e significado do nome Sancorla e Significado e origem do nome Fajonquito (Cherno Baldé)

MONOGRAFIA DE FAJONQUITO-SANCORLA

“UMA PEQUENA CONTRIBUIÇÃO”


Natural de Fajonquito (Farimbali), nascido em meados de 1960 e baptizado em Sintchã Samagaia ou Luanda na margem direita de Berecolom.
Frequentou o Curso Geral dos Liceus em Bafata (1975/79) e o Complementar no Liceu Nacional Kuame N’krumah em Bissau.
De 1985 a 1990 fez estudos superiores de licenciatura e mestrado no Instituto Superior de Economia de Kiev que ostentava o nome do lider Soviético de origem ucraniana Demyan Serhiyovich Korotchenko (ex-URSS).
De 1993 a 1995 fez um Curso de Pós-graduação no Centro de Estudos Africanos do ISCTE-IUL de Lisboa e de 2001/2003 frequentou um curso de mestrado sobre a Cooperação Internacional e Desenvolvimento no ISEG/UT, Lisboa, Portugal.
Trabalhou sempre em Bissau com varias deslocações aos países da sub-região, primeiro como funcionário Publico do Ministério das Obras Públicas, Construções e Urbanismo, depois como Director Executivo da Associação Profissional das Instituições de Microfinanças (AP-SFD-GBissau) tendo, de seguida, trabalhado como Consultor/Gestor e Analista Financeiro em vários projetos de Desenvolvimento ligados a organizações internacionais, nomeadamente Banco Mundial, BAD, UE (FED-Célula de apoio ao MEF em Bissau) e no Sistema das NU/PNUD, de 2013 a 2026.



1. LOCALIZAÇÃO GEOGRAFICA E POPULAÇÃO

Fajonquito é uma localidade situada a norte da região de Bafatá, a meio caminho entre Contuboel, sede do Sector de mesmo nome, e a localidade de Cambaju, junto à fronteira com a República do Senegal. Em termos tradicionais e de acordo com a distribuição territorial, Fajonquito faz parte do Regulado de Sancorla (antiga província do império mandinga de Kaabu_sec. XII-XIX) que, por sua vez, faz fronteiras ao norte com a linha da fronteira com o Senegal através da Diwal (Sub-divisão territorial em língua Fula) de Cambaju, a Leste com o Regulado de Sama (região de Gabu) através da Diwal de Panambo/Kerwane, ao Sul e a Oeste com o Regulado de Mansona e a Oeste com os Regulados de Oio e de Kola-Caresse através da Diwal de Canhâmina (ver mapa em baixo).

Fajonquito e seus arredores têm uma população estimada em pouco mais de 5.000 habitantes, agrupados em cerca de 1.200 agregados familiares, dos quais, mais de 2/3 são do grupo etnolinguistico Fula e perto de 1/3 são mandingas. Ainda se contabilizam outros pequenos núcleos populacionais organizados em famílias tradicionais, como Balantas, Djacancas e Saracolés.

Durante o período da guerra colonial, com a concentração da população nos locais mais seguros, Fajonquito e arredores concentrava uma população superior a 7.000 habitantes (Gois 1964/66) que, com o fim da guerra retornaram às suas aldeias de origem.

Segundo Armando Tavares (historiador português), geograficamente, Fajonquito está situado no local que nos mapas portugueses anteriores a 1955 se designava por Gam-Sonco. Atualmente o topónimo "Gam-Sonco" (Cansonco em mandinga) como tal existe, tratando-se, provavelmente, da designação de uma antiga Província do império de Gabu (Kaabu), que mais tarde, teria sido incorporado no Regulado de Sancorla.

Gam-Sanco ou Cansonco tinha a sua antiga capital na localidade de Berécolom, situado a 2/3 kms a norte de Fajonquito. Este importante bastião do império mandinga foi destruído pela confederaçao dos exércitos Fulas dos Almames de Futa-Djalon e dos seus aliados Firdunkés de Alfa Molo Baldé em meados de 1848/50, no início da guerra que culminaria com a derrota definitiva dos Soninkés (mandingas animistas) na grande batalha de Cansala em 1867, segundo alguns historiadores.

Guiné > Carta Geral da Províncía (1961) > Escala 1 / 500 mil > Posição relativa de Fajonquito, a noroeste de Contuboel.
Cortesia do Prof. Armando Tavares da Silva, autor de “A Presença Portuguesa na Guiné, História Política e Militar (1878-1926)” (Porto: Caminhos Romanos, 2016, 972 pp.)


2. ORIGEM E SIGNIFICADO DO NOME SANCORLA

Tudo leva a pensar que o nome Sancorla vem da palavra Soncoya ou Sonkoya que significa terra dos Sonco ou Sonko. Segundo Djibril Tamsir Niane (Guiné-Conacri), investigador e especialista do império mandinga de Gabu, na origem, Sancorla podia ser Sonkolla, quer dizer, terra ou território pertencente à dinastia dos “Sonco/Sonko”, príncipes de origem diversa mas assimilados a cultura mandinga que governavam esta Província mestiça de Birassu/B’rassu (para mandingas e fulas), Brassá/Brazza (para os balantas e Djolas) no período áureo do império de Gabú ou Káabu. Ainda, segundo Djibril Tamsir Niane a Província de Sonkolla era o domínio do clã Sonko, oriundos de uma miscigenação (mistura étnica) de autóctones Banhuns e Padjadincas mandiguizados com grupos de fulas pastores vindos de Mali (Macina) e de Boundu (Senegal) que, em ligação com as províncias mandingas iniciais de Gabu–(províncias Nanthiôs de Pathiana/Propana, Djimara e Sama/Manna), formaram as províncias designadas pelo termo mandinga de Kôring (ou seja de origem não mandinga) de Birassu/Brassu (Farin-Ba) de que a região de Sonkolla seria parte integrante, se não mesmo o seu centro. Ainda, segundo Tamsir Niane (citando Sekéné Mody Cissoko), o nome de “Farinsangul” na historiografia portuguesa (reinado de D. Joao I da dinastia dos Avis-1385-1433), seria a deformação de Farin-Sonkolla, em referência ao poderoso governador de Soncolla em Berécolom.

No séc. XV, os chefes (Farins) de Sonkolla, província habitada por uma população mista e belicosa, se extenderam a Oeste e fundaram muitas aldeias entre as quais Salikénie (situado na fronteira entre o Senegal e a Guiné-Bissau perto de Cambaju), Solikoo (Solucocum na grafia portuguesa, também na linha da fronteira entre Cambaju e Sitatô no famoso corredor do mesmo durante a guerra colonial), Bantadjam (Bantandjan) e Kagnamina (Canhámina, actual capital do Regulado de Sancorla).**

A capital da província, Bérécolong (Berécolom), situada a norte da atual vila de Fajonquito), onde residiam os chefes da província (Farim) e que desempenhavam um papel preponderante nas relações entre o poder central do império de Mali e o reino de Portugal em meados dos séc. XIV/XV, é uma localidade tão antiga como a velha Kansala, capital do império mandinga de Kaabu, diz-nos Tamsir Niane.

Perto das ruínas de Berécolom ainda existe uma aldeia antiga, de nome Farimbali* ou Farim-Baló que na língua mandinga quereria dizer o mais velho ou o mais importante dentre os Farins locais. Provavelmente, aqui seria a residência ou uma parte das residências do chefe do poderoso clã Soninké dos Sonco, antes do seu desmembramento e fuga para o Sul e Oeste (regiões de Cuor no Oio), com a investida dos exércitos da Confederação muçulmana dos fulas de Firdu (Alfa Molo Baldé), dos Imames do Futa-Djalon (Alfa Ibrahima de Labe) e grupos de mandingas muçulmanos aliados (Moricundas) revoltados com os seus irmãos Soninqués. Assim, as numerosas famílias dos Sonko teriam fugido para sul, espalhando-se pelas vastas regiões de Djoladu, Oio, Cuor, Cossé, Corubal e Quinara, onde fundaram aldeias com os mesmos nomes da sua região de origem, tais como Bércolon, Saliquenhé, Cambaju, Fajonquito (Pejungunto?) e ocupar lugares importantes de chefia, como foi o caso de Infali Sonco, proclamado régulo de Cuor, após a morte do Régulo Beafada, Galona Mané em finais do séc. XIX ou do seu tio Calonandim Mané (?), régulo de Cossé, no inicio do séc. XX.

Farim queria dizer uma chefatura, diríamos hoje, Governador ou Chefe de uma ou várias províncias na língua mandinga de então. Quanto ao termo mandinga “Cansonco”, seria na mesma lógica, uma localidade ou região autónoma da Província de Birassu/Brassu ou então poderia designar a mesma entidade geográfica que seria Sonkolla ou Sancorla. Actualmente, os regulados vizinhos, são o Corla (com capital no planalto do norte ou Cuntima) e o Caresse a oeste/noroeste e os regulados de Mansonna e Oio a sul/sudoeste. Fajonquito teria sido, certamente, uma localidade fundada no auge da época dos Sonko e cuja designação, durante muito tempo, se confundia com o nome do regulado ou seja “Gam-sonco” como nos explica Armando Tavares da Silva. A grafia aportuguesada de Fajonquito, aparentemente sem significado e dificil de interpretar teria surgido mais tarde, nos mapas portugueses, provavelmente, a partir da palavra “Pejunguntô ou Pejunkuntô”. Para o historiador português Armando Tavares, nos mapas portugueses, o nome de Fajonquito é muito recente (depois de 1950), sendo que em seu lugar estaria grafado o nome de Gam-Sonco ou Gam-Sanco (ver mapa em anexo). Segundo este mesmo estudioso da história da Guiné, no Oio existe uma aldeia com o nome de Pejungunto que, conforme se pode notar, tem uma impressionante semelhança gráfica com Fajonquito e questiona-se se não seria a designação primitiva na língua mandinga.

**Djibril Tamsir Niane: Histoire des Mandingues d’Ouest, le Royaume du Gabou. Karthala, Assoc. ARSAN, Paris, 1989.

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NOTA AVULSA :

La propension de ces autorités prédatrices a être subverties sur le lieu même de leur pouvoir peut surprendre. Ces substitutions de commandement se trouvent favorisées par l’existence de conventions et de codes partagés par les parties contractantes, des conquérants et des autochtones. Les autochtones ne sont jamais démis par les conquérants, cela serait attentatoire à la cohésion du nouveau pouvoir. Cette cohésion est naturellement servie par des trahisons programmées, par l’obligation de compromis et par d’opportunes conversions (…).

Les mécanismes institutionnels fonctionnent à l’identique et se révèlent d’une grande efficacité dans le bassin du lac Tchad. Face à des institutions indéfiniment recyclables, leurs contenus humains s’avèrent en revanche, extrêmement changeants. Les anciens détenteurs de pouvoir sont invités à fournir le notable ou un collège de notables qui va introniser – et parfois démettre – le chef dans la nouvelle dynastie des « conquérants », que ce soit un bay, un bwi, un lamido21… Les précédents donneurs de roi ne sont pas écartés, mais rétrogradés à d’autres échelons de la notabilité. Le substrat social général reste souvent très labile, depuis les segments de lignages jusqu’aux grandes fractions de l’ethnie. Jamais ossifié, il se révèle capable d’encaisser des départs et d’enregistrer des arrivées, ce qui renvoie à des processus d’ethnogenèse sans véritable commencement, ni fin. Lorsque les Ful’be subjuguent les Zumaya, ces derniers peinent encore à imposer et leur langue et leurs rituels religieux au sein même de leurs zones de peupleme (…).


Outre à demeurer ce qu’il est, le pouvoir aspire à devenir plus puissant encore grâce aux nouveaux venus. Chaque refondation repose sur les mêmes principes guerriers, conditionnée qu’elle est par l’impératif de conserver et de faire fructifier les mêmes espaces de conquête. L’esclavage demeure le nervus rerum. C’est autour de lui que se construit l’histoire de ces principautés gigognes (…).

Les ethnonymes constituent un biais original pour remonter le temps. Ils servent une forme de connaissance indirecte et déductive. La multiplication de ces traces orales renvoie à des événements historiques qui n’échappent pas à leur caractère probabiliste. La question sur les ethnonymes hérités ou non crée néanmoins un ‘objet historique’ qui participe, pour le Nord du Cameroun, comme le dirait P. Ricoeur (2000 : 225) à un simple “allongement du questionnaire”. Leur utilisation se trouve pourtant limitée par le maillage encore trop lâche de nos connaissances historiques dans le circum tchadien.


Referência : Christian Seignobos, « Les ethnonymes peuls comme révélateurs d’histoire dans le bassin du lac Tchad », Journal des africanistes [En ligne], 79-2 | 2009, mis en ligne le 01 avril 2013, consulté le 25 octobre 2018. URL : http://journals.openedition.org/africanistes/3093.
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Em meados dos anos 30/40, com o fim das guerras de pacificação e o incremento do comércio no território da Guiné, aparecem na região de Sancorla os primeiros comerciantes portugueses e luso-africanos (Guineenses e Cabo-verdianos residentes), e as localidades de Fajonquito e Cambaju foram escolhidas pelos régulos de Sancorla, para funcionar como centros de instalação de casas comerciais (compra e venda de produtos agrosilvopastoris como a borracha, coconote, mancarra, peles de animais entre outros), e desta forma ganhar a primazia em detrimento de Cansonco que hoje representa somente a faixa mais a poente de Sancorla na fronteira com o Corla, administrativamente situada na região de Oio com capital em Farim que, no decurso dos séc. XVIII/XIX, representava simplesmente o maior centro comercial da região Nordeste. Todavia, no inicio dos anos 1950, data do primeiro recenseamento nacional no território da Guiné portuguesa, Canhamina, Farimbali, Bantandjan e Tendinto, seriam as localidades mais importantes do ponto de vista político, sócio-económico, religioso e demográfico.


3. SIGNIFICADO E ORIGEM DO NOME FAJONQUITO

"Caro Luís,
A tal aldeia de "Pejungunto" na região de Farim, bem poderia ser uma grafia alternativa à de 'Fajonquito',  isto antes da normalização com o Governador  Sarmento Rodrigues."

E o prof Armando Tavares da Silva comentava:

" E a aldeia de "Gam Sancó" que aparece no Atlas de João Soares (Sá da Costa, 1949) e que desapareceu na relação de nomes geográficos de 1948, e ausente nas cartas de 1/50 000, o que será? Poderá ser a actual 'Fajonquito'? E 'Gam Sancó',  o que foi/é?"

Mantenhas!...
Luís (***)

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Notas do editor:

(*) Vd. poste de  3 de janeiro de 2018 > Guiné 61/74 - P18170: Memórias do Chico, menino e moço (Cherno Baldé) (53): três balas de kalash para uma missão suicida: o trágico fim do ex-soldado 'comando', Cissé Candé, em abril de 1978

(**)  Vd. poste de 5 de outubro de 2017 > Guiné 61/74 - P17825: Historiografia da presença portuguesa em África (96): primeira relação de nomes geográficos da Guiné Portuguesa, em 1948, ao tempo do governador Sarmento Rodrigues (Parte II)

1. Mensagem do nosso amigo e grã-tabanqueiro Armando Tavares da Silva, com data de hoje:

Caro Luís Graça,

O Post P18170,  do Grã-Tabanqueiro Cherno Baldé (*), fez-me apressar o envio da carta da “Província da Guiné” inserta no Atlas Colonial Português da Comissão de Cartografia do Ministério das Colónias, de 1914. Esta carta, que tem 100 anos, ajuda a conhecer as mudanças que sofreu a toponímica da Guiné.(**)

Para além da imagem de toda a carta (ocupa 2 páginas e tem a dimensão de 43 x 32 cm), envio ainda a mesma carta mas dividida em quatro partes para melhor identificação das povoações.

Uma das povoações que nela figura é Gam Sancó, povoação que não figura nas cartas mais recentes. Esta povoação figurava também nas cartas da Comissão de Cartografia de 1889 e 1906, e ainda no atlas de João Soares, que teve várias edições nos anos 1940, e era utilizado no ensino liceal. Para melhor identificação da povoação segue ainda uma parte ampliada daquela mesma carta, com a região a norte de Bafatá.


Quando o Armando me perguntou sobre a aldeia de "Gam-Sanco" no Poste de 07/10/2017 (luisgraçaecamaradasdaguine), confesso que fiquei intrigado sem perceber a minha relação com o assunto. Agora a situação começou a ficar mais clara para mim. De facto, das duas uma:
(1.ª hipótese) Ou Gam-Sanco seria a actual vila de Fajonquito nos primeiros mapas (Atlas de 1914 e mapa de João Soares) ou
(2.ª hipótese) Gam-Sanco (Cansonco) seria a designação genérica de toda a área onde se localizará, mais tarde, a vila de Fajonquito e que os portugueses, devido às dificuldades de tradução e interpretação, confundiram com a própria aldeia.
Estou mais inclinado por esta segunda hipótese, pois olhando detalhadamente os três mapas em presença, constata-se que os dois primeiros eram ainda "rudimentares" e pouco precisos. Fajonquito (Gam-Sanco) e Sare Dico (S. Dico) estão quase juntos, quando na realidade, estão distantes uma da outra por mais de 20 Kms. Bangigara (actualmente no sector administrativo de Saré-Bacar) também está muito perto quando a distância real desta localidade é cerca de 40 Kms. Ou se calhar, o topónimo de Fajonquito nem sequer existia nessa altura (1914).
Capa do Atlas Colonial Português, 1914  > Mapa da Guiné > Posição relativa de Gam Sancó, entre Cambaju e Bafatá (Armando Tavares), Blogue luisgraçaecamaradasdaguiné.

FAJONQUITO NO REGULADO DE SANCORLA

Segundo o historiador Armando Tavares, durante muito tempo, na cartografia portuguesa, não existia o topónimo (Fajonquito) e em seu lugar a zona era conhecida como sendo Gam-Sonco ou Cansonco. Na nossa opinião, a designação desta localidade por Gam-Sonco terá a ver com o predomínio dos povos de origem autoctone Banhum, Jola, Pajadinca e de diferentes outras étnias, muito poderosas que estariam instaladas nessa região (ver Djibril tamsir Niane) na altura da invasão e da conquista mandinga desta zona e que estaria ligado à instalação da Província do Birassu/Brassu (Brassa dos balantas) assim como outras províncias vizinhas, tendo como Capital a localidade de Berécolom ou Bércolon ou então seriam duas entidades diferentes (Gam-sonco e Sancolla) respresentando o mesmo espaço territorial ou espaços diferentes. Esta localidade (Bércolon) seria posteriormente atacada e destruída em 1948/50 pela coligação dos Fulas encabeçados pelos Almames de Futa-Djalon no início da guerra entre Fulas e Mandingas que levaria à conquista do império de Gabu (Kaabu) na memoravel batalha de Cansala (1867). Sabe-se, através da história oral mandinga, que nesta guerra, os Sonco de Sancorla distinguiram-se através do seu grande lider Ghâlen Sonco que era o braço direito de Djanke Wali, último rei Soninké de Gabu nesta histórica e decisiva batalha, mais conhecida em língua mandinga por Durban/Turuban-Kélo (fim da semente).

(continua)

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domingo, 27 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P27380: Verso & reversos (6): A "fêmea", o "anjo mau", a "Eva", a graça Macute, do conto de Artur Augusto Silva (1912-1983), "O Cativeiro do Bichos" (escrito na Prisão de Caxias, 1966)...



Excerto da BD "O Cativeiro dos Bichos" (*)


1. Comentários so poste P22953 (**):

(i) Tabanca Grande Luís Graça

É interessante verificar que neste conto ou fábula da literatura oral fula, o "anjo mau" que introduziu o pecado, o mal, o conflito, a guerra no mundo seja também uma "Eva", uma "fêmea", a garça Macute (**)..

"Misoginia" das sociedades patriarcais, gerontráticas,  teocráticas, bíblicas ? Afinal da nossa comum cultura judaico-cristã ? ... Misoginia: o grego miseó ("ódio") e gyné ("mulher").

Por outro lado, o rei da selva não é o leão mas o elefante... 

Talvez o Cherno Baldé possa acrescentar algo mais ou contestar a minha "leitura". 

De resto este conto ou fábula, como toda a literatura oral tradicional,  não tem uma leitura "única"...

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022 às 10:11:00 WET 

Cherno Baldé,
Kiev, 1989

(ii) Cherno Baldé 

Caro Luis Graça, a tradição africana e fula em particular não menospreza a mulher nem a segrega como alguns estudiosos ocidentais apresentam em seus estudos. 

Os africanos, sobretudo, nas comunidades de cultura ou roupagem isláâmica, onde eu cresci e fui educado, protegem a mulher, poupando-a de muitos trabalhos físicos e da exposição exagerada ao público, ao mesmo tempo que fazem tudo para se proteger da inteligência superior e argúcia das mulheres. 

Mais tarde, ao ler a Bíblia (antigo testamento, livros poéticos e sapienciais) nos capítulos dos Salmos, provérbios, Eclesiástico, Cântico dos Cânticos, e sabedoria do Salomão, percebi a ligação com o fundo da cultura judio-cristã e asiática em geral.

No fanado (ritual de iniciação a vida adulta entre os africanos da região ocidental) a ferramenta mais importante consiste em dotar aos jovens rapazes a técnica de descobrir os malefícios e artimanhas inerentes ao sexo feminino e de capacidades de reconhecer as sementes da discórdia que as mulheres são capazes de semeiar entre irmãos da mesma familia. 

Diziam-nos (em letras musicais): 

"Se as fronteiras que nos dividem aparentam ser normais, são as mulheres que nos dividem, posto que, se todas as portas (da morança) são idênticas, cada uma limpa a porta da sua casa e cria a sua fronteira". 

Desta forma, a sociedade patriarcal tentava proteger-se da divisão, cada vez mais, em unidades menores das famílias extensas, que era um dos desafios maiores que as sociedade rurais africanas enfrentavam no limiar dos séculos XIX/XX, com recursos muito escassos do ponto do vista económico e com várias ameaças à coesão social a partir do exterior das comunidades.

A garça Macute do conto, com a ambição de se coroar em rainha da espécie,  representa a mulher pretensiosa que é uma ameaça à ordem estabelecida e à coesão familiar e  que alimenta a semente da discórdia e da divisão.

Em muitas comunidades e famílias africanas existem práticas e crenças, fundadas ou não, que atestam a "diabolização" da mulher, ligando-a a forças ocultas e/ou ao azar, má sorte para o homem em viagem ou que parte para a guerra.

Lembro-me que na nossa familia as mulheres se escondiam quando os homens partiam para uma viagem difícil ou para a guerra e ai de quem se atrevesse a cruzar-se de frente com o "bravo" à saida da morança e mesmo da aldeia, porque era um mau augúrio.

Infelizmente, por força destas vivências, mesmo não o impondo a ninguém, sou perseguido por estas crenças e não raras vezes sou confrontado com a opção difícil de acreditar ou não acreditar, de recuar ou avançar.  

A verdade é que, tenho constatado, o encontro com a mulher, em muitas ocasiões, sempre me deu azar, infelizmente. 

A minha "kontrada", pelos vistos, como dizem os guineenses,  é homem. Faz parte das pancadas ou taras que carreguei desde a infância. (***)

Quanto ao rei dos animais, de facto, é o elefante e não o leão.
É incrível como os contos encerram realidades vividas no passado. O elefante era sempre dotado de paciência, sabedoria e de capacidades extraordinárias de sobrevivência entre os animais em situações extremas de penúria e seca. 

Mais tarde, através de filmes, documentáros ocidentais, constatei a veracidade daquelas palavras dos antepassados, vendo como os elefantes conseguiam detectar a presença d'água e de a fazer aparecer à superfície salvando a manada e restantes animais de uma morte mais que certa.

Com um abraço amigo,

PS - Queria responder desde ontem, mas fui interrompido pelos acontecimentos lamentáveis que todos já sabem. (Alegada tentativa de golpe de Estado contra o Presidente Umaro Seco Embaló.)  



Vd. poste de 31 de janeiro de 2022 > Guiné 61/74 - P22951: Antologia (83): O Cativeiro dos Bichos, conto de Artur Augusto Silva (Cabo Verde, 1912 - Guiné-Bissau, 1983), escrito na Prisão de Caxias, em 1966, e que era uma fabulosa fábula que tinha também uma contundente crítica, implícita, à hipócrita política colonial do Governo Português da época