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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27949: Agenda Cultural (890): Rescaldo da apresentação do livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, que teve lugar no passado dia 21 de Abril, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 24 de Abril de 2026:

Confesso que me foi muito reconfortante apresentar este livro na casa onde me bacharelei e licenciei, aqui me apresentei vindo da Guiné, com o estatuto de estudante-militar, encontrei muita solidariedade de colegas que me facultaram apontamentos das aulas e preciosas referências bibliográficas, que me permitiram ir paulatinamente fazendo exames enquanto trabalhava na Agência Militar. Presidiu à sessão de apresentação o Professor José Pedro Serra, académico e diretor da biblioteca da Faculdade de Letras, contei com os prestimosos comentários de dois investigadores de gabarito, a quem devo admiração e muita amizade, António Duarte Silva e Eduardo Costa Dias, ambos com estudos de referência tanto sobre a colónia como o período posterior, da Guiné Independente.

Tive a alegria da comparência de várias dezenas de amigos, limitei-me a enunciar os principais tópicos que abordei no livro sobre os séculos XIX e XX: os conflitos diplomáticos com a França e com o Reino Unido, a questão do Casamansa e a questão de Bolama, as iniciativas políticas de Honório Pereira Barreto, que se revelaram determinantes para a configuração do atual Estado, as guerras do Forreá, o desastre de Bolor, a formação do distrito autónomo da Guiné, a formação da Província da Guiné, a ocupação militar, o destaque das medidas políticas dos principais governadores, tais como Carlos Pereira, Velez Caroço, Carvalho Viegas e Ricardo Vaz Monteiro, pondo ponto final com a governação do comandante Sarmento Rodrigues, que pôs a Guiné no mapa não só do Império português como no contexto africano, criando um espaço autónomo na chamada África Ocidental francesa.

Braima Galissá fez um memorável recital, ele é de facto um exímio tocador de Korá, tem um espetáculo marcado para o Centro Cultural de Belém, no dia 9 de maio, pelas 17h, intitulado Bela-Nafa, uma sugestão cultural para todos os nossos confrades que vivem em Lisboa e arredores.

Aspecto da sala
Na mesa: o autor Mário Beja Santos; o investigador e historiador António Duarte Silva, no uso da palavra; o Director da Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, José Pedro Serra e o Prof. Jubilado do ISCTE, Eduardo Costa Dias
José Pedro Serra no uso da palavra
O nosso confrade Mário Beja Santos, autor do livro em apresentação, usando da palavra
José Pedro Serra; o economista Jorge Braga de Macedo e o autor Mário Beja Santos
Braima Galissá, exímio tocador de korá, durante o seu recital
Mário Beja Santos e Braima Galissá

OBS: - Edição e legendagem das fotos: Carlos Vinhal
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Nota do editor

Último post da série de 16 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27925: Agenda Cultural (889): Apreciação de Philip Havik ao livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, que será apresentado no próximo dia 21 de Abril de 2026, pelas 17h30, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

terça-feira, 21 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27937: Lembrete (55): Cerimónia de apresentação do livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos,: hoje, 21 de Abril de 2026, pelas 17h30, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Campo Grande


Capa do livro (Lisboa, Edições Húmus, 2026)




Sinopse do livro

A mais indefinível possessão portuguesa ganhou finalmente nome: Guiné.

Admitindo que navegadores portugueses aqui arribaram em finais da primeira metade do século XV, este espaço conheceu uma enormidade de nomes, desde Etiópia Menor, Guiné do Cabo Verde, Grande e Pequena Senegâmbia e muitos mais. Até que, em 1886, passou a chamar-se Guiné Portuguesa, e com menção constitucional. O livro aborda a história desta possessão de meados do século XIX e meados do século XX, um território que tinha praças e presídios, dependente de Cabo Verde; todas as companhias comerciais se tinham malogrado; foi preciso a comoção de um desastre militar num local chamado Bolor para, em 1879, se ter determinado a sua separação de Cabo Verde; estabeleceu-se uma capital em Bolama, mas a presença portuguesa manteve-se ténue, junto dos rios e rias. No final do século XIX, chegou a admitir-se a entrega da colónia a uma companhia majestática.





MÁRIO BEJA SANTOS


Biografia

Toda a sua vida profissional, entre 1974 e 2012, esteve orientada para a política dos consumidores. Ao nível da sua participação cívica e associativa, mantém-se ligado à problemática dos direitos dos doentes e da literacia em saúde, domínio onde já escreveu algumas obras orientadas para o diálogo dos utentes de saúde com os respetivos profissionais, a saber: Quem mexeu no meu comprimido?, 2009, e Tens bom remédio, 2013. Doente mas Previdente, dá continuidade a esta esfera de preocupações sobre a informação em saúde, capacitação do doente, o diálogo entre os profissionais de saúde, os utentes e os doentes.


(Com a devida vénia a Bertrand Livreiros)
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Nota de Mário Beja Santos:

A cerimónia de apresentação do livro será abrilhantada com uma actuação de Braima Galissá




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Notas do editor:

Vd. post de 11 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27911: Agenda Cultural (888): Convite para a cerimónia de apresentação do livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, a levar a efeito no próximo dia 21 de Abril de 2026, pelas 17h30, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A obra será apresentada por António Duarte Silva e Eduardo Costa Dias

Último post da série de 17 de novembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27434: Lembrete (54): Cerimónia Comemorativa do 107.º Aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º Aniversário do fim da Guerra do Ultramar, que se realiza amanhã, dia 18 de novembro, pelas 10h00, no Forte do Bom Sucesso, em Belém, Lisboa. Durante a cerimónia o nosso Editor Luís Graça será agraciado com a Medalha de Honra ao Mérito, grau Ouro, da Liga dos Combatentes

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27925: Agenda Cultural (889): Apreciação de Philip Havik ao livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, que será apresentado no próximo dia 21 de Abril de 2026, pelas 17h30, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Na impossibilidade de estar presente do próximo dia 21 de Abril, na FLUL, na cerimónia de apresentação do II Tomo de "Guiné - Bilhete de Identidade", da autoria do nosso confrade Mário Beja Santos, Philip Havik, doutorado em Ciências Sociais pela Universidade de Leiden - Países Baixos, distinto investigador, há muito ligado a Portugal, com ênfase na medicina tropical e em estudos orientados para a Guiné colonial, quis deixar a sua apreciação a esta obra de antologia para ser publicada no nosso Blogue.  


O mais recente opus de Mário Beja Santos, ‘Guiné - Bilhete de Identidade T. II: da Pequena Senegâmbia Guiné Portuguesa’ contem novamente uma antologia de textos cuidadosa selecionados em seis atos. Cobrindo um período de cem anos, dos meados do séc. XIX para o séc. XX, os textos amplamente citados e comentados, de autoria portuguesa e alguns franceses, levam o leitor numa viagem por este território que permite formar uma ideia da trajetória acidentada deste cantinho do dito império luso.

Principalmente servindo como um depósito de degredados e entreposto de exportação de escravos para as Américas, enfrentou grandes mudanças políticas nos séculos XIX e XX. Largamente esquecida até o Ultimato Britânico, o autor acompanha o despertar dos governos portugueses para não só revindicar, mas também de efetivamente ocupar parcelas do continente ‘distribuídos’ entre participantes da Conferência de Berlim. Nas 467 páginas o autor demonstra como os esforços diplomáticos vindo de dentro e fora da Guiné foram insuficientes para segurar a ‘Pequena Senegâmbia’ que o Honório Pereira Barreto ambicionava, esbatendo nas movimentações francesas na Casamance, ocupando pontos estratégicos, colocando as autoridades lusas perante um fait accompli.
O tratado luso-francês de 1886 que fixou pela primeira vez as fronteiras, foi encarado como uma derrota, por assinalar ‘a presença portuguesa […] ténue’ (p. 49) no terreno, que até aí se tinha limitado a uns presídios dispersos de uns meros centenas de metros quadrados. Quatro anos antes, o primeiro governador da ‘Guiné-Portuguesa’ ainda revindicava a zona da ‘Senegâmbia portuguesa do Sul do Rio Gâmbia até o Rio Nuno’ (p. 44/5).


Quando a partir de 1879 a ilha de Bolama alberga a capital da ‘Guiné Portuguesa’, os textos demonstram bem o facto que este território - governado durante séculos a partir de Cabo Verde - foi uma ficção do imaginário luso. Tal como o René Pélissier documentou na sua obra Naissance de la Guiné sobre as intermináveis guerras pelo domínio da Guiné, os relatos de oficiais e viajantes portugueses incluídos no livro lamentam e criticam duramente a falta de ambição e de êxito de sucessivos governadores e governantes na metrópole. Este abandono político contrasta com as pontas de cultivo de amendoim que começam a crescer na zona costeira da Guiné a partir dos anos 40 do século XIX, que por sua vez constituíram os primeiros passos para a colonização da terra africana, geridos por caboverdianos e ‘guinéus’. Foram eles próprios, nomeadamente as linhagens comerciais ou gan - cujo mais famoso exponente foi o Honório Pereira Barreto - que asseguraram a ‘herança’ Luso-Africana na zona, e conduziram a transição do tráfico de escravos trans-Atlântico para o chamado ‘comércio legítimo’, exportando as suas colheitas para o porto francês de Marseille… As fontes escritas tal como os relatórios dos governadores e relatos de viagem nos anos 80 e 90 do séc. XIX citados no livro lamentam amplamente a decadência destas feitorias e ainda sonham com ‘um futuro comercial brilhante’ mediante que a sua tão almejada ocupação ‘por todos os meios incluído a força’ (p. 133/4) se concretizasse.

Como os documentos do século XX perscrutados bem ilustram, a ocupação pela força em 1915 após campanhas muito sangrentas e devastadoras contra os povos costeiros conduzido com ‘quase só com irregulares’ (p. 360) numa terra ‘empapada de […] sangue’ (p. 229), afinal não transformou este futuro risonho em realidade. Após décadas de o comércio (de borracha e noz de palma) ter sido explorado por casas comerciais francesas e alemães, e companhias de capitais principalmente francêses terem adquiridos terrenos, a ocupação administrativa deste quinhão do império ‘insalubre’, mas repleto de riquezas naturais, não trouxe o fomento desejado pela 1.ª República. A ocupação da terra onde recém-chegados da metrópole eram recebidos com ‘as febres do paíz’ nos presídios cercados de pântanos, só trouxe diminutos capitais da metrópole, enquanto empresas como a CUF e a Casa Gouveia – além do Banco Ultramarino que tal com os primeiros deteve vastas explorações agrícolas - exerceram o quase monopólio do comercio de exportação, principalmente de amendoim não descascado. Sujeitando a ‘população indígena’ a novos estatutos fortemente discriminatórios e os régulos a nova ordem administrativa, os governos conduzem uma ‘politica indígena’ para impor a ‘pax lusitana’. Numa colónia onde se falava crioulo nos meios da função pública e do comércio, a obra de nacionalização podia, pensou-se, finalmente começar, como perspetivava um governador nos anos 20. Este mesmo deixou muito claro como se ia desenvolver o território: ‘Se o indígena não quer trabalhar, seja compelido a fazê-lo’ (p 238).

Virava-se assim, aparentemente, uma nova página na história desta Guiné, de curta duração, até que em 1963 estala o conflito armado. Passamos por descrições da rica flora e fauna guineense e do seu mosaico étnico complexo através de inquéritos etnográficos administrativos – não profissionais – que fazem distinções entre os dois extremos ‘dos atrasos de civilização’ dos Bijagós (p. 266) e ‘os racialmente superiores’ Futa-Fulas (p. 320), e as potencialidades da agricultura e o comércio, além de descrições da organização administrativa e seus serviços, sujeita a Reforma Administrativa Ultramarina nos anos 30 pelo Estado Novo (p. 351). Este último começa também por promover uma nova versão da então muito incipiente historiografia da Guiné, dos ‘descobrimentos’ até as ‘campanhas de pacificação’, após investidas anteriores de Cristiano José de Senna Barcellos (1899-1915), o geógrafo Ernesto Vasconcellos (1903) e de Carlos Pereira (1914), um antigo governador do território.

O Teixeira da Mota, oficial da Marinha, acaba por ‘atenuar’ e em parte ‘corrigir’ estas epístolas, quando publica os dois volumes da Guiné Portuguesa em 1954. Além de impulsionar uma série monografias administrativas baseado no inquérito etnográfico de 1946 que coordenou, ele também fundou o Centro de Estado da Guiné Portuguesa que publicou o Boletim Cultural da Guiné Portuguesa até 1973 (p. 374). Com as missões da Junta Científicas de Investigações do Ultramar (JCIU), forma o início de uma tentativa de documentar e investigar o território sob a batuta do governador Sarmento Rodrigues com o qual o livro fecha. Apelidado pelo autor como ‘o definidor da colónia guineense’ (p. 397), o Sarmento Rodrigues se afirma logo como um governante imbuído de um espírito reformista, que pretende desenvolver e modernizar o território.


Enquanto esperamos pelo terceiro tomo desta série, podemos já antecipar que este otimismo será de curta duração, e novamente posto em causa com o eclodir da guerra/luta em 1963. Parece que a história se repete… Para quem esteve no terreno da guerra nos fins dos anos 60, o autor encontrou neste segundo volume a inspiração e a oportunidade de partilhar com os leitores o seu conhecimento do terreno. Aliás, se nota nas páginas do livro que o conhecimento pessoal do autor dos vários cantos do território para construir uma antologia ‘passeada e comentada’, que é sem dúvida uma grande vantagem quando se comenta os muitos documentos que compõem este livro.

A sua paciência de consultar documentos e reservados poeirentos nas bibliotecas na capital, ilustra bem o seu comprometimento com a história deste pequeno talhão, a que se dedicou desde 2006, e que em 20 anos resultou numa ‘saga’ contínua de mais de dez livros publicados. Tal como disse, e cito: ‘Quando tudo leva a crer que estavam esgotados os filões sobre a Guiné, apareceu de rompante um projeto um tanto ambicioso …’ (p. 10) que, entretanto, resultou em dois volumes da Guiné-BI, deixando antever mais surpresas. A sua paixão não se limitou, como no caso de outros camaradas que lá combateram e descreveram as suas experiências no terreno – o que alias já fez em ‘dois volumes diarísticos’ (p. 9) – mas de ir mais a fundo sobre o passado e presente da Guiné-Bissau e as suas gentes, que hoje, ficaram, infelizmente, largamente esquecidas pela comunidade científica e o público em geral.


Philip J. Havik, abril 2026
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Nota do editor

Vd. post de 11 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27911: Agenda Cultural (888): Convite para a cerimónia de apresentação do livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, a levar a feito no próximo dia 21 de Abril de 2026, pelas 17h30, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A obra será apresentada por António Duarte Silva e Eduardo Costa Dias.

sábado, 11 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27911: Agenda Cultural (888): Convite para a cerimónia de apresentação do livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, a levar a efeito no próximo dia 21 de Abril de 2026, pelas 17h30, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A obra será apresentada por António Duarte Silva e Eduardo Costa Dias



Sinopse

A mais indefinível possessão portuguesa ganhou finalmente nome: Guiné.

Admitindo que navegadores portugueses aqui arribaram em finais da primeira metade do século XV, este espaço conheceu uma enormidade de nomes, desde Etiópia Menor, Guiné do Cabo Verde, Grande e Pequena Senegâmbia e muitos mais. Até que, em 1886, passou a chamar-se Guiné Portuguesa, e com menção constitucional. O livro aborda a história desta possessão de meados do século XIX e meados do século XX, um território que tinha praças e presídios, dependente de Cabo Verde; todas as companhias comerciais se tinham malogrado; foi preciso a comoção de um desastre militar num local chamado Bolor para, em 1879, se ter determinado a sua separação de Cabo Verde; estabeleceu-se uma capital em Bolama, mas a presença portuguesa manteve-se ténue, junto dos rios e rias. No final do século XIX, chegou a admitir-se a entrega da colónia a uma companhia majestática.



MÁRIO BEJA SANTOS

Biografia

Toda a sua vida profissional, entre 1974 e 2012, esteve orientada para a política dos consumidores. Ao nível da sua participação cívica e associativa, mantém-se ligado à problemática dos direitos dos doentes e da literacia em saúde, domínio onde já escreveu algumas obras orientadas para o diálogo dos utentes de saúde com os respetivos profissionais, a saber: Quem mexeu no meu comprimido?, 2009, e Tens bom remédio, 2013. Doente mas Previdente, dá continuidade a esta esfera de preocupações sobre a informação em saúde, capacitação do doente, o diálogo entre os profissionais de saúde, os utentes e os doentes.


(Com a devida vénia a Bertrand Livreiros)
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Nota de Mário Beja Santos:

A cerimónia de apresentação do livro será abrilhantada com uma actuação de Braima Galissá
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Notas do editor

Vd. post de 19 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27836: Antologia (101): "Guiné, Bilhete de Identidade, Tomo II, Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", a publicar brevemente (Mário Beja Santos)

Último post da série de 7 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27896: Agenda Cultural (887): Apresentação do Catálogo "O Movimento das Forças Armadas e o 25 de Abril", dia 9 de Abril de 2026, pelas 18h00, na Associação 25 de Abril, Rua da Misericórdia, 9 - Lisboa

segunda-feira, 23 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27850: Notas de leitura (1907): "Os Descobrimentos Portugueses, Viagens e aventuras", I volume, por Luís de Albuquerque, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, Editorial Caminho, 1991 (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 13 de Novembro de 2025:

Queridos amigos,
Não resisti a fazer uma recensão ao volume I do bem-sucedido projeto em que estiveram envolvidos o eminente historiador Luís de Albuquerque e duas escritoras consagradas principalmente na chamada literatura infantojuvenil, mas que também atingem outras camadas jovens. 

Será o caso deste livro aliciante na escrita, bem ilustrado por Emílio Vilar, descreve acontecimento históricos numa linguagem altamente acessível, com boas tábuas cronológicas e ilustrações de navios e instrumentos de navegação, mostrando igualmente os primeiro navios portugueses, as armas e as armaduras que se usaram na conquista de Ceuta, etc. 

É evidente que possuímos boas histórias dos Descobrimentos Portugueses, mas nada se compara com este projeto que aponta para as camadas mais jovens, não foi por acaso que esteve incluído no Plano Nacional de Leitura. Leitura oportuna para os nossos netos, digo-vos eu.

Um abraço do
Mário



O grande talento de saber contar a jovens a saga dos Descobrimentos Portugueses

Mário Beja Santos

Um eminente historiador, o Professor Luís de Albuquerque, duas notabilíssimas escritoras do infantojuvenil, e muito mais, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, um ilustrador altamente qualificado, Emílio Vilar, entraram numa aventura que comportava tremendos riscos de insucesso: fazer uma História dos Descobrimentos Portugueses sugestiva para as camadas mais jovens. Assim surgiu "Os Descobrimentos Portugueses, Viagens e aventuras", I volume, Editorial Caminho, 1991.

“Concebemos uma estrutura simples e incluímos alguns aspetos geralmente omissos como, por exemplo, armas e instrumentos musicais utilizados na conquista de Ceuta, povos que habitavam no Norte de África, peripécias curiosas que por um motivo ou por outro não passaram à História. E pusemos de lado certos mitos que falseiam a verdade. Decidimos ainda escrever para cada período aquilo a que chamamos ‘Uma história possível’. Essas histórias, embora enquadradas nos parâmetros da época, são pura ficção. Destinam-se a permitir ao leitor um contacto mais direto com outras maneiras de viver, sentir, de pensar. Fizemo-las porque entendemos que o relato de conquistas, viagens e aventuras proporciona uma ‘visão exterior’ e as ‘histórias possíveis’ de uma ‘visão interior’ dos Descobrimentos Portugueses.”

O renomado historiador e as duas grandes escritoras ganharam a aposta, é um livro invulgar em termos didático-pedagógicos, assim até apetece aprender. E vamos ao essencial das suas mensagens.

Primeiro, o que era o mundo antes dos Descobrimentos, para se sair do lugar onde se vivia era preciso navegar no mar alto. 

“E o mar era um grande desconhecido. Ninguém lhe sabia os limites. Ninguém lhe sabia os segredos. E quando assim é torna-se fácil inventar. As histórias que circulavam enchiam as pessoas de pavor e de espanto. O desafio começava para além da linha do horizonte, onde se imaginava existir a boca do Inferno, ondas gigantescas de água a ferver, remoinhos borbulhantes, monstros terríveis, sereias e tritões. Todas as estas coisas assustavam a faziam sonhar, de modo que uns se agarravam cada vez mais ao lugar onde viviam enquanto outros ansiavam partir ao encontro de tais maravilhas. Só no século XV começou a grande aventura que permitiu desvendar o mundo. A iniciativa coube aos portugueses.”

Segundo, enquadra-se Portugal nas vésperas da aventura, as supostas razões dadas para conquistar Ceuta, seguem-se desenhos sugestivos com as armas e armaduras no tempo da conquista de Ceuta, as bandeiras e os instrumentos musicais usados na guerra, conta-se como foram as primeiras viagens dos portugueses, como fomos às Canárias, Madeira e Porto Santo, como se processou o povoamento destas duas ilhas, seguiu-se o povoamento dos Açores, entremeiam-se histórias maravilhosas para prender a atenção dos jovens.

Terceiro, como se pensava e como se representava a Terra, em planisférios e livros de geografia e viagens, como foram as primeiras viagens ao longo da costa ocidental africana, como foi fundamental a passagem do Cabo Bojador; como, depois do desastre de Tânger, se avançou para o Sul. 

Em 1441, o Infante D. Henrique mandou armar um navio capitaneado por Antão Gonçalves, ele levava a incumbência de capturar lobos-marinhos, aproveitaram a circunstância para tentar capturar gente. Foi Antão Gonçalves quem fez os primeiros cativos na costa ocidental africana. Prosseguem as viagens, chega-se ao Golfo de Arguim, Lançarote de Lagos capturou 235 homens, mulheres e crianças. No seu regresso, fez-se a partilha em lotes equivalentes, o cronista Zurara dá-nos um relato dilacerante.

Quarto, o quadro das viagens abria as portas ao Novo Mundo, seguem-se as expedições à procura de novas terras e novas gentes, morreu Gonçalo de Sintra, comandava uma nova expedição ao golfo de Arguim, Dinis Dias atingiu o Cabo Verde, Nuno Tristão chegou ao rio Senegal; e tem lugar a primeira viagem pelo interior africano, no rio do Ouro, João Fernandes pôs-se ao caminho, regressou sete meses depois, trazia muitas histórias para contar.

Um veneziano, de nome Cadamosto, contacta o Infante, e partiu rumo ao Sul, visitou a Madeira, as Canárias, o Golfo de Arguim, a zona do Cabo Branco, o Senegal, o reino de Budomel, Cabo Verde continental, o rio de Barbacins, visita o reino de Budomel, irão ser achadas as ilhas de Cabo Verde. E faz-se um balanço dos Descobrimentos henriquinos. 

Enquanto isto se passa há mais conquistas no norte de África. Entra-se numa nova época no reinado de D. Afonso V, faz-se um contrato com Fernão Gomes, ele pode comerciar por aquela costa africana, mas foi comprometido a descobrir pelo menos 100 léguas de costa por ano. Os seus navios descobriram a faixa de terra desde a Serra Leoa até ao Cabo de Santa Catarina, incluindo as ilhas de São Tomé e Príncipe e Fernão do Pó. Edifica-se o Castelo da Mina.

Quinto, é época dos Descobrimentos joaninos, as viagens de Diogo Cão, os contactos com o Reino do Congo, a Viagem de Bartolomeu Dias e a descoberta da passagem para o Índico. Inevitavelmente que se fala do gigante Adamastor e vamos saber um pouco mais quem eram Diogo Cão, Diogo de Azambuja e Bartolomeu Dias, não é esquecida a viagem venturosa de Pêro da Covilhã.

Neste tempo já há outros intervenientes à procura de comércio e riqueza pelo mar fora. Cristóvão Colombo, ao serviço dos Reis Católicos, atingiu em 1492 as ilhas da América Central e convenceu-se de que chegara à Índia. Surgiram delicados problemas político-diplomáticos entre D. João II e os Reis Católicos. O desfecho para resolver todas as tensões foi o Tratado de Tordesilhas, em 1494, Portugal e Espanha dividiram o mundo ao meio, ficando metade para cada um. 

No século XV, os monarcas ibéricos sentiam-se no direito de proceder assim e não reconheciam a nenhum outro país a autoridade para lhes disputar o Novo Mundo: todas as terras descobertas a oriente pertenceriam a Portugal, e as terras descobertas ao ocidente pertenceriam a Castela. 

“No Tratado ficou escrito também que astrólogos e pilotos se deviam deslocar à zona de demarcação, viajando os espanhóis em navios portugueses e os portugueses em navios espanhóis. Se por acaso lá houvesse alguma ilha ou ‘ponta de terra firme’, construía-se uma torre ou muralha que marcasse o limite de forma bem visível. Incluiu-se também uma cláusula autorizando os navios espanhóis a circularem pelo mar português para se dirigirem À zona que lhes coubera.”

Finda este belíssimo livro que pertenceu ao Plano Nacional de Leitura referenciando navios e instrumentos de navegação e fazendo-se um balanço dos Descobrimentos joaninos e temos ainda uma cronologia que vai do reinado de D. Dinis ao reinado de D. João II. O II volume deste belo empreendimento foi também publicado na Editorial Caminho em 1996, inevitavelmente começa com a viagem de Vasco da Gama.

Doutor Luís Albuquerque
Isabel Alçada
Ana Maria Magalhães
O Castelo da Mina
Os primeiros contactos
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Nota do editor

Último post da série de 20 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27840: Notas de leitura (1906): "Portugal em África depois de 1851 (Subsídios para a História)", pelo Marquês do Lavradio; edição da Agência Geral das Colónias, 1936 (7) (Mário Beja Santos)

quinta-feira, 19 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27836: Antologia (101): "Guiné, Bilhete de Identidade, Tomo II, Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", a publicar brevemente (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 16 de Março de 2026, trazendo em anexo um texto intitulado "Agradecimentos e Dedicatória", no qual reproduz as razões curriculares que o conduziram ao lançamento do seu próximo livro "Guiné, Bilhete de Identidade, Tomo II, Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", cuja data de lançamento será anunciada oportunamente.


Agradecimentos e dedicatória

Permita-me o leitor que reproduza no Tomo II as razões curriculares que me conduziram a este empreendimento, tal como as escrevi na obra anterior:

O país que é hoje a Guiné-Bissau foi o local onde combati entre 1968 e 1970, matéria que tratei em dois volumes diarísticos, agradecendo penhoradamente as lições recebidas do povo amável com quem convivi, nomeadamente nos regulados do Cuor e Bambadinca; motivado por conhecer melhor os antecedentes deste território em décadas anteriores, meti mãos a um outro empreendimento, uma digressão um tanto romanesca à volta das memórias de uma nonagenária que casou com um administrador colonial, nos alvores da década de 1950 e conheceu os primeiros sinais da insurreição, assim escrevi A Mulher Grande; participante regular naquele que é, sem margem para dúvida, o blogue mais influente para antigos combatentes na então Guiné Portuguesa, Luís Graça & Camaradas da Guiné, senti impulso de ali regressar para me despedir dos meus soldados guineenses, e assim urdi A Viagem do Tangomau; ao longo desses anos de íntima relação com a realidade guineense, fui também procurando ler tudo quanto era literatura da guerra colonial, fundamentalmente do lado português – assim nasceu Adeus, Até ao Meu Regresso.

Os anos passavam, a Guiné continuava sempre presente, no coração, na memória, no desejo de melhor compreender o seu passado e até os seus tempos atuais. Em parceria, enveredei numa tentativa de fazer o arco cronológico entre dados fundamentais da Guiné Portuguesa até à Guiné-Bissau, assim nasceu o livro Da Guiné Portuguesa à Guiné-Bissau: Um Roteiro. Estava dado o balanço para intensificar as pesquisas, nos anos seguintes apareceram as História(s) da Guiné Portuguesa e História(s) da Guiné-Bissau.

Quis um feliz acaso que batesse à porta do então Arquivo Histórico do Banco Nacional Ultramarino (de saudosa memória) em busca de um livro ricamente ilustrado, fui não só compensado por o ter folheado demoradamente como surgiu a oportunidade de ter acesso a documentação inédita, e assim escrevi Os Cronistas Desconhecidos do Canal de Geba: O BNU da Guiné. A saga teve uma nova deriva, encontrei num alfarrabista o livro de um poeta popular, antigo combatente na Guiné, ali fez comissão entre 1963 e 1965, o seu poema galvanizou-me e deu-me a ideia de escrever um livro em que ia respondendo taco a taco às suas itinerâncias desde a recruta à passagem à disponibilidade, de novo aproveitei referências da imensa literatura produzida sobre aquela guerra, desde romance, conto, novela, poesia, memórias, e nesta parceria foi dada à estampa Nunca Digas Adeus às Armas.

Mais recentemente, novo surto para a deriva romanesca, desta feita na cidade de Bruxelas dois cinquentões apaixonam-se, ele vai regularmente a esta sede europeia, ela é intérprete e aceita o repto de passar a escrito as memórias de guerra, cronista amorosa num romance feito fundamentalmente de cartas, Rua do Eclipse, a Guiné atravessa-se nas suas vidas, do princípio ao fim.

Quando tudo levava a crer que estavam esgotados os filões sobre a Guiné, apareceu de rompante um projeto um tanto ambicioso: elaborar, por seriação do século XV ao século XX, um género de antologia com peças umas determinantes outras possuidoras de vigor testemunhal, sobre a presença portuguesa desde o tempo em que os navegadores e cartógrafos denominavam a região por nomes inconclusivos e até bizarros como Etiópia Menor, Rios da Guiné de Cabo Verde, Terra dos Negros ou Senegâmbia, termo que curiosamente foi usado e abusado até ao século XIX, sobretudo para referir uma costa ocidental africana entre o Cabo Verde e a Serra Leoa. Devo advertir o leitor que muitos outros textos aqui poderiam caber, mas creio não ter omitido intencionalmente nenhum que me tenha parecido essencial para a natureza desta obra de divulgação.

Esta antologia decorre de um processo laborioso, escrevi bastantes textos, de forma avulsa e um tanto ao corroer da pena no blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, recebi sugestões de mãos amigas, caso dos investigadores António Duarte Silva e Eduardo Costa Dias, um sem número de sugestões; jamais poderia esquecer as ajudas ou propostas de leitura que recebi da Helena Teotónio Pereira, então à frente da biblioteca do CIDAC, um espaço onde há relevante documentação histórica, e o mesmo podia dizer dos incentivos que tive no Arquivo Histórico do Banco Nacional Ultramarino (de saudosa memória); não esqueci a estimulante parceria que tive a felicidade de encontrar para escrever Da Guiné Portuguesa à Guiné-Bissau: Um Roteiro e também naquele outro livro a quatro mãos Nunca Digas Adeus às Armas.

Sendo eu um infoexcluído, tive a dita de receber uma admirável prestação na colaboração de Linda Sioga, vai para mais de três anos que andamos em belíssima colaboração intermediada pelo Skype/Teams. Naturalmente que agradeço e a junto a esta dedicatória.

Este livro, tal como o anterior, é dedicado a todos aqueles que se iniciam num estudo das relações luso-guineenses, seja em que local for; bem gostaria de lhes ser útil, porventura abrindo-lhes portas, dando-lhes dicas, o que aqui aparece ordenado pela cronologia de há muito foi investigado, ou nunca obteve tratamento público, caso dos documentos que consultei nos Reservados da Biblioteca da Sociedade de Geografia de Lisboa. Dedico, igualmente, o livro a duas figuras da Biblioteca da Sociedade de Geografia de Lisboa, Helena Grego e José Carlos Silva; ao longo de todos estes anos em que frequento tais instalações históricas, possuidoras de fascinante documentação, eles tudo têm feito para ter acesso a livros, revistas, relatórios, e, fundamentalmente, a papelada que consta dos Reservados, aqui encontrei textos fervilhantes ou esclarecedores, que o leitor agora vai encontrar deste período histórico em análise dos séculos XIX e XX.

A minha dívida com estes bibliotecários é impagável. Tanto mais que quando disse à Dr.ª Helena Grego que chegara ao fim da linha, nada mais havia para remexer nos arquivos, depois deste tomo II, ela desenganou-me: “Nem pense, agora vai começar a ler o Boletim Oficial do Governo Geral de Cabo Verde e depois o Boletim Oficial da Guiné, Colónia e Província, tem ali trabalho para os próximos anos.”
É o que presentemente está a acontecer, pelas minhas contas será o adeus neste vasculhar que levo à presença portuguesa na Guiné entre meados do século XV e primeiro quartel do século XXI.

"Guiné, Bilhete de Identidade, Tomo I, A Presença Portuguesa na Senegâmbia", de Mário Beja Santos, lançado em Setembro de 2024(*)
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Nota do editor

(*) Vd. post de 10 de janeiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26371: Agenda cultural (876): Apresentação do livro "Guiné, Bilhete de Identidade", de Mário Beja Santos, dia 13 de Janeiro de 2025, pelas 14h30, na Livraria Municipal Verney, Rua Cândido dos Reis, 90 - Oeiras

Último post da série de 20 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27652: Antologia (100): Uma caçada ao elefante em... Canjambari há mais de 100 anos (Conto publicado em "O Mundo Português", em 1936, da autoria de Artur Augusto Silva, 1912-1983)

domingo, 1 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27784: Agenda Cultural (884): Lançamento do livro "AVC – Acidente Vascular Cerebral - Viagem ao Mundo dos Sobreviventes", da autoria de José Saúde, dia 3 de Março de 2026, pelas 18 horas, na Biblioteca Municipal de Beja José Saramago


1. O nosso Camarada José Saúde, ex-Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523 (Nova Lamego, Gabu) - 1973/74, enviou-nos a seguinte mensagem.


Convite aos camaradas

 

Camaradas,

Longe vão os tempos das nossas “viagens” pelas picadas na Guiné, ou de trilhos enigmáticos, onde, como jovens militares enviados para as frentes de combate, desbravámos misteriosos matos, sendo a incerteza do momento constante sempre uma incógnita.

 

 

Hoje, postados em idades já avançadas, outros “conflitos” mexem com egos que, nesta fase da vida, somos simplesmente contemplados, mas que jamais havíamos admitido. Mexer com o tema AVC – Acidente Vascular Cerebral – é tão-só receber uma acidentada notícia que parecia estar tão longe de nós.

 


Mas, como humanos, somos meras pessoas em que o confronto com esta realidade – AVC – é demasiado frágil. “AVC Viagem ao Mundo dos Sobreviventes” é o meu 12º livro, o qual será oficialmente apresentado ao público no dia 3 de março, 2026, 18h00, na Biblioteca Municipal de Beja José Saramago, Edições Colibri, onde para além da tarde cultural temos também uma parte musical, com o cantor Luís Lameira e com os Cantadores do Desassossego de Beja    

Espero vós, camaradas.

Um abraço,  

José Saúde

Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BART 6523

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Nota de M.R.:

Vd. último poste da série de 14 de maio de 2025 > Guiné 61/74 - P26799: Agenda Cultural (883 ): "Livros a Oeste | Festival do Leitor", Lourinhã, 13 a 17 de maio de 2025: a 13ª edição está a decorrer, sob o lema "A História é Uma Encruzilhada"

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 – P27745: Agenda cultural (912): Viajando num velho “Cadillac” da vida: lançamento de novo livro (o 12.º), "AVC - Viagem ao Mundo de Sobreviventes", no dia 3 de março de 2026, terça feira, pelas 18h00, na Biblioteca Municipal José Saramago - Beja (José Saúde)



Viajando num velho “Cadillac” da vida...




1. O nosso Camarada José Saúde, ex-Fur Mil OpEsp/RANGER da CCS do BART 6523 (Nova Lamego, Gabu) - 1973/74, enviou-nos a seguinte mensagem. 

Camaradas, 
Divagando por um horizonte já curto por mim visionado, ouso usufruir de uma sumptuosa viagem num velho “Cadillac” da vida e lá vou debitando palavras que entendo como primordiais para uma sociedade aparentemente credora de valores, quiçá culturais, que se lança noutros patamares, mas cujos protagonistas parecem esquecer que o escritor, homem simples e honesto, é tão-só um ser humano cuja narrativa nos conduz a um sumptuoso mundo onde se consumem, por vezes, aquilo que o povo chama “assobiar para o lado”.

Sabeis, porque somos homens já crescidos, que a nossa virtualidade física é agora já uma simples ilusão. Caminhámos outrora por trilhos de uma Guiné onde nos deparámos com os mais diversificados contratempos. Éramos jovens e fazíamos jus à nossa condição física. Aliás, dávamos um “pontapé nas estrelas” e tudo parecia correr contra a infinidade de um tempo que depressa se definhe.

Mas, somos afinal pequenas e simples gotas de orvalho que num breve fechar de olhos se diluem em mantos deveras suturados de plenas incertezas. Conheço o meu corpo, sei o que fui e o que hoje sou. Porém, já nada como dantes. 

Com 55 anos, quando a vida parecia-me correr às mil maravilhas, só que inesperadamente fui surpreendido com um AVC que me deixou entre a vida e a morte. Sobrevivi, recuperei a minha mente, e lancei-me, com maior cuidado, à condição de escritor, muito embora a minha vida fosse pautada por uma eficaz entrega ao mundo do jornalismo ao largo de dezenas de anos. Tenho, ainda, Carteira Profissional de Jornalista, atualizada, e continuo a escrever para órgãos de comunicação social.

Todavia, escrever para deixar memórias sempre me seduziu. No meu 12º livro trago a público um conjunto de realidades que passam, obviamente, pela temática do AVC. Escrevo o que é saber lidar com um AVC, toda a sua estatística, a sua conjetura e um conjunto de opiniões de companheiros que a dada altura das suas vidas se viram constrangidos com a sinistra realidade.

A Colibri, Lisboa, tem sido o palco dos meus diversificados livros. Neste contexto, afirmo-o, com segurança, que no dia 3 de março, terça feira pelas 18h00, 2026, a Biblioteca Municipal de Beja José Saramago, será o local ideal para a apresentação da minha última obra. 

Farei, simultaneamente, uma tarde também musical, onde estará presente o Grupo de Cantadores Desassossego, de Beja, e o cantor Ruben Lameira. 

Abraço camaradas e um até já
Zé Saúde
Fur Mil OpEsp/RANGER da CCS do BART 6523

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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27507: Tabanca dos Emiratos (17): Prova de vida renovada (Jorge Araújo)








Seixal  > Corroios  > Alto do Moinho > Pavilhão Gimnodesportivo Municipal do Alto do Moinho > 18 de outubro de 2025 > Sessão de lançamento do livro de Jorge Alves Araújo sobre a história dos  50 Anos do Centro Cultural e Recreativo do Alto do Moinho (1975 - 2025), 2º volume

Fotos (e legendas): © Jorge Araújo (2025). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].





Jorge Araújo, ex-fur mil op esp / ranger, CART 3494 / BART 3873 (Xime e Mansambo, 1972/1974); a viver há uns anos entre Almada e Abu Dhabi, Emiratos Árabes Unidos; e é um dos nossos coeditores; como autor, tem 345 referências no nosso blogue; anima várias séries: "Tabanca dos Emiratos", "Memórias cruzadas...", "(D)o outro lado combate"...


I. Mensagem do Jorge Araújo:

Data - domingo, 16/11/2025, 16:52
Assunto - Prova de vida renovada


Caro Luís, boa tarde, desde as Arábias (aqui são mais 4 horas).

Antes de mais, esperamos que estejas bem, ao mesmo tempo que agradeço, em particular, a tua mensagem de parabéns.

1 - Como deixei expresso no espaço reservado a "comentários", nesse fim-de-semana viajamos até Doha, no Qatar, que durou 50 minutos, com o objectivo de romper com as rotinas negativas e/ou cansativas, para usufruir, o melhor possível, de outras ofertas culturais de um país que nos está próximo.

Aqui procurámos gerir a estadia de 3 dias, andando percursos a pé, de metro e de táxi, conforme os locais e os objectivos das visitas.

Mas o ponto alto da viagem era, e foi, a de comemorar uma efeméride, ou seja, a comemoração das minhas setenta e cinco "primaveras" (no Outono)... ainda faltam mais vinte e cinco para o centenário.

2 - Uma vez que possuo algumas dezenas de imagens, como seria natural, peço-te que me digas quantas devo incluir em cada uma das partes? Ou apenas uma só reportagem?

3 - Quanto à minha fraca participação no fórum, ela tem sido influenciada pelas sucessivas mudanças de actividades, algumas delas bastante problemáticas, onde se incluem as ocupações profissionais dos mais jovens, ao facto da minha filha ter ficado viúva, e de outros factos de pequenos/grandes detalhes que o destino faz questão de nos presentear. 

Não estou a desculpar-me, mas a situação de andar aos "saltos" de um lado para outro (Almada-Abu Dhabi-Almada) não ajuda.

4 - Acresce referir que, em função de me ter voluntariado para escrever, e editar, a história dos «50 Anos do Centro Cultural e Recreativo do Alto do Moinho» (P-24254, de 26.04.2023), que será constituído por cinco volumes, um por cada década, só no passado mês de Abril me foi comunicada a aprovação do patrocínio do 2º. Volume (década 1985-1995). 

Este atraso obrigou-me a ficar retido em Portugal, para acompanhar a respectiva composição de 320 páginas até ao seu lançamento, que ocorreu em 18 de Outubro último, com voo agendado para o dia 21.


Qatar> Doha : Museu Nacional > Um candeeiro tipo petromax


5. Pelo exposto, sugiro a seguinte metodologia de publicação:

(i) Reportagem sobre a publicação do 2º livro;

(ii) Tema - Petromax, na sequência dos P-27384 e P-27425, pois encontrei vários exemplares no Museu Nacional do Qatar, em Doha, mas estes eléctricos (com lâmpada);

(iii) Retrospectiva temática da viagem.

Aguardo um feedback sobre a proposta acima.

Agora vou anexar algumas fotos do ponto (i) para selecionar, e do petromax, a enquadrar na visita ao Museu Nacional.

Boa semana e até breve.
Um abraço.
Jorge Araújo e Maria João.


II. Resposta do editor LG:

Data - domingo, 16/11/2025, 22:22

Jorge (e Maria João): Folgo em ter notícias vossas. Ao fim de bastante tempo, e com mares (e guerras) a  separar-nos nem tudo o que me contas são coisas boas. A morte do teu genro (ainda novo, presumo) abalou a família, e sobretudo a tua filha (que deve ter filhos, teus netos).

Já todos passámos por diversos "lutos". A minha mulher, por exemplo, ainda não ultrapassou a perda da sua irmã mais querida, e já lá vão dois anos e meio. A vida nunca mais é como dantes,
quando a morte bate à nossa porta.

Mas temos de tratar dos vivos e fingir que somos... "imortais". Por isso, tu é que vais definir
as tuas prioridades (em relação ao blogue). E, se quiseres mandar-nos colaboração (que será sempre desejada e bem vinda), segue a tua "bússola" e o teu "mapa de navegação".

Mandas as fotos que entenderes (com boa resolução, como estas que anexas), de preferência com 0,5 MB ou superior. Não edites nada em pdf, dá-te uma trabalheira a ti e a mim. Prefiro que mandes o texto em word. As imagens, numeradas (com as legendas) no texto, devem vir em anexo, como estas que mandaste por mail. Desde que tenham  legendas (incluindo local e data), eu oriento-me. E depois edito, texto e fotos...

Carpe diem. E parabéns pelos 75 anos "resilientes".  Chicorações para os dois. Luís
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 4 de março de 2025 > Guiné 61/74 - P26552: Tabanca dos Emiratos (16): Visita nas férias de Natal ao antigo Ceilão, a Taprobana de "Os Lusíadas", hoje Sri Lanka (Jorge Araújo) - Parte IV

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Guiné 61/74 - P27247: Agenda cultural (901): Convite da Liga dos Combatentes para a Festa do Livro, a decorrer entre os dias 25 e 28 de Setembro nos Jardins do Palácio de Belém, conforme o programa


LIGA DOS COMBATENTES NA FESTA DO LIVRO

JARDINS DO PALÁCIO DE BELÉM

25 A 28 DE SETEMBRO

CONVITE

Exmos/as Senhores/as,

A Biblioteca da Liga dos Combatentes convida todos os interessados a participar na Festa do Livro nos Jardins do Palácio de Belém, que decorrerá entre 25 e 28 de setembro de 2025 (quinta-feira a domingo).

Pela primeira vez, a Liga dos Combatentes marcará presença com uma banca de venda de livros (a preços especiais) para divulgação das memórias dos Combatentes desde a Grande Guerra à Guerra do Ultramar.

O acesso à Festa do Livro é efetuado pela Loja do Museu da Presidência da República ou pelo Jardim Botânico Tropical e a ENTRADA É LIVRE! O programa é vasto mas damos nota de alguns dos destaques:

- Quinta-feira, 25 de setembro

16h00 – Abertura ao público

18h00 – Inauguração oficial da Festa do Livro em Belém 2025, com a presença de Sua Excelência o Presidente da República

19h30 – MÚSICA | Concerto de Carolina Deslandes

21h00 – Encerramento das bancas de livros

21h30 – MÚSICA | Concerto de Rui Veloso


- Sexta-feira, 26 de setembro

10h00 – Abertura ao público & Emissão em direto do Programa “Casa Feliz” da SIC c/ Diana Chaves e João Baião

21h00 – Encerramento das bancas de livros

21h30 – MÚSICA | Concerto de Bárbara Tinoco


- Sábado, 27 de setembro

11h00 – Abertura ao público

16h00 – DEBATE | «Portugal e o Futuro» | Oradores: Manuela Ferreira Leite e António Barreto | Moderador: Pedro Mexia

21h00 – Encerramento das bancas de livros

21h30 – MÚSICA | Concerto de Fernando Daniel


- Domingo, 28 de setembro

11h00 – Abertura ao público

21h00 – Encerramento das bancas de livros

21h30 – MÚSICA | Concerto de Xutos & Pontapés


Mais informação em: https://www.ligacombatentes.org/festa-do-livro-em-belem-25-28-de-setembro/

João Horta
Direção Central | Depto. Bibliotecas e Museus
Email: biblioteca@ligacombatentes.org | joaohorta@ligacombatentes.org
Tlf: 213 468 245/46 | Tlm: 918 938 043
Rua João Pereira da Rosa, 18 – 1249-032 Lisboa
https://www.ligacombatentes.org/

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Nota do editor

Último post da série de 10 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27203: Agenda cultural (900): Antestreia da série documental guineense "Martcha", do realizador e produtor Unkaff (pseudónimo de Onésio Caetano Soda, n. 1991): sexta, dia 12, 18h00, no Espaço Mbongi67, Praceta António Sérgio, nº 4, Queluz

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

Guiné 61/74 - P27173: Notas de leitura (1834): "A Corja de Batoteiros", por Rui Sérgio; 5livros.pt, 2019 (2) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 15 de Agosto de 2024:

Queridos amigos,
Não é demais salientar que procurei encontrar a mensagem deste romance em que um herói de guerra da Guiné, educado no meio de um bordel (o que nos lembra o romance Sagal, um herói feito em África, de António Brito, Clube do Autor, 2024), vive de expedientes e falcatruas, assumidamente chulo, hábil prestador de serviços na recruta e na especialidade, que soube montar o negócio da intendência da Guiné e que recheou a sua conta no banco Borges & Irmão, regressado de guerra, e na companhia de uma trupe trazida da Guiné, montou sucessivas empresas, mais tarde associou-se com um antigo alferes da polícia militar em Angola, aí a coisa fiou mais fino, meteu diamantes e outros negócios com os retornados. Acontece que Rui Sérgio diaboliza a descolonização e a gente sórdida que dela prosperou, e não sabemos muito bem o que ele fica a pensar deste Jordão Ribeiro que na sua ficção, pensava-se, merecia o lugar digno de alguém que praticara atos temerários, merecedores do respeito dos portugueses. Mas o autor nega-nos qualquer resposta.

Um abraço do
Mário



A arte da batota, antes, durante e depois da guerra da Guiné (2)

Mário Beja Santos

Corja de Batoteiros, de Rui Sérgio, 5livros.pt, 2019, confesso ao leitor que é um livro que me deixou desorientado quanto à natureza da mensagem que o autor pretende passar. Vimos antes que Jordão Ribeiro, pouco dado aos estudos, educado no meio de um bordel, cedo se habitou a viver de expedientes e falcatruas, chulando e recebendo os préstimos de senhoras ferventes de carícias. Andou pela Guiné e fez lautos negócios com outro tipo de falcatruas, no Porto desviava pregos, na Guiné forja quebras e faltas, escreve aerogramas para gente iletrada, manda clientela para o Chez Toi, teve um ato de heroicidade, recebeu uma Cruz de Guerra de 1ª Classe.

Regressa ao Porto e o patrão Pires, do tal armazém de ferragens onde trabalhou desde a juventude, propõe-lhe a venda do negócio. Trouxe consigo gente da Guiné. Mariama, a mulher de Bacar, terá direito a uma lavandaria para todas as roupas dos lupanares da madrinha, Bacar conduz uma carrinha furgão para o transporte das encomendas feitas ao armazém de ferragens e roupas da lavandaria. Jordão irá fazer percurso na Associação Comercial do Porto, no Ateneu Comercial do Porto.

Viera também da Guiné Ana Carolina, entra também no negócio, sempre a propósito ou a despropósito o Jordão vai cumprindo a sua função de garanhão. É convidado para pertencer à DGS, recusa. Ganha dinheiro chorudo num bilhete da lotaria, os negócios prosperam. Jordão investe em ações num banco fundado por Jorge de Brito, o Banco Intercontinental Português, compra ações de um conjunto de empresas bem cotadas na Bolsa, compra libras de ouro, as cotações sobem vertiginosamente em 1973.

Depois Rui Sérgio faz uma leitura do que se passa no país, no seio das Forças Armadas, aborda os acontecimentos de 1973; deplora que Marcello Caetano tenha recusado a ideologia esquematizada por Spínola, para se chegar a uma África lusófona. Jordão concluiu nesse ano o curso do Instituto Comercial, os negócios desenvolvem-se, há a compra de uma garagem/armazém, chega mais um guineense para tomar conta da garagem.

Os negócios de Jordão estendem-se aos diamantes de Angola, Jordão estabelece relações com Jarvas Pinto, alferes da Polícia Militar, as pedras preciosas vão circular por diferentes países, funda-se uma nova sociedade, a J. J. SA (Jarvas e Jordão – Sociedade Comercial por Ações), sempre benemérito, Jordão reparte a sua riqueza por Ana Carolina, Tristão, Bacar, Mariama, Sofia, Mamadu primo de Bacar graças à empresa Jota e Jota, Lda. de transportes. Dera-se o 25 de Abril, há desordem por toda a parte, Jarvas propõe ao sócio uma ida ao Alentejo para falar com um soldado do seu antigo pelotão, o Malaqueijo diamantes, mais internacionalização, desta vez entra-se numa offshore com sede em Gibraltar.

Começam a chegar os retornados, há caos por toda a parte, mas os bons negócios não vacilam, graças à companhia de transportes sai muita coisa do Alentejo para outros mercados, depois segue-se o transporte de retornados, e então Rui Sérgio perde a cabeça:
“Destruíram a essência da nossa cultura e da nossa estrutura multiétnica, multicultural, deste país pequeno, com um povo enorme, que mantinha territórios em todos os continentes, que esses políticos internacionais de merda levaram à liquidação do Império, estando-se a marimbar para o que se passava em relação aos ultramarinos que tiveram que abandonar os seus bens, as suas terras de origem.

O fundamental para esses cabrões era provocar o abandono pelo medo, de tudo e de todos, sem qualquer pingo de vergonha que nunca tiveram, nem medo das consequências, dizendo, quando perguntados pela maneira como descolonizaram, que foi possível (…) Tudo patranhas e balelas, destes batoteiros esquerdelhos que se dizem revolucionários, que conduziram ao fim de um sonho de globalização. A falta de planeamento de um programa de autodeterminação, faseada e com formação de quadros, irá levar a guerras civis partidárias e a centenas de milhares de mortos e feridos.”


Como uma sentença, caíra a desgraça neste jardim à beira-mar plantado, por culpa quer dos capitalistas de Estado quer por todos esses que vivem à custa do trabalho dos outros, com as suas teorias marxisantes, para se apropriarem do suor e das poupanças que tanto custam a juntar. Nunca sabemos se dentro da catilinária do autor cabem os negócios batoteiros do Jordão e do Jarvas, que ainda por cima se meteram como empreiteiros.

Depois veio o 25 de novembro, os negócios da empresa Jota e Jota andavam de vento em popa. “Enquanto o Império português acabava, outro começava, o nosso, em qualquer lugar do mundo, em qualquer moeda, com qualquer propósito e com o destino que lhe quiséssemos dar (…) Corja de batoteiros internacionais portugueses vendidos ao exterior, as vossas almas não terão paz e terão sempre a companhia de demónios para vos infernizar.”

Jamais saberemos o que o destino irá reservar a Jordão Ribeiro, herói na guerra da Guiné, o único filho de Maria Rameira, que se impôs desde a juventude como habilidoso falcatrueiro, entrou na engrenagem de negócios sórdidos e, tanto quanto me parece, não tem quaisquer problemas de consciência nem demónios para o infernizar…

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Notas do editor:

Vd. post de 25 de agosto de 2025 > Guiné 61/74 - P27151: Notas de leitura (1832): "A Corja de Batoteiros", por Rui Sérgio; 5livros.pt, 2019 (1) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 29 de agosto de 2025 >
Guiné 61/74 - P27165: Notas de leitura (1833): Para melhor entender o início da presença portuguesa na Senegâmbia (século XV) – 9 (Mário Beja Santos)