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segunda-feira, 11 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28011: Convívios (1065): Rescaldo do 41.º Encontro Nacional dos ex-Oficiais, Sargentos e Praças do BENG 447 - Brá- Guiné, levado a efeito no dia 9 de Maio de 2026, nas Caldas da Rainha (João Rodrigues Lobo, ex-Alf Mil)

"5 especiais" do Pelotão de Transportes Especiais. Da esquerda para a direita: alferes, três condutores e sargento, nomeadamente Lobo, Neves, Leal, Pessanha e Franklin. Pois... sem nós literalmente o Batalhão não andava.

1. Mensagem do nosso camarada João Rodrigues Lobo, ex-Alf Mil, CMDT do Pelotão de Transportes Especiais / BENG 447 (Bissau, Brá, 1968/71) com data de 9 de Maio de 2026:

Boa noite,
Com a presença de 189 camaradas e suas familias, realizou-se hoje o habitual convivio anual do BENG 447 com excelente organização do Araújo e do Lima.

Começou com tristeza com a noticia do recente falecimento do Capitão Aguiar.

Mas continuou com são convivio e as recordações de sempre nas nossas memórias.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27648: E as nossas palmas vão para... (31): O régulo Manuel Resende que conseguiu juntar 73 convívivas na festa do 16º aniversário da Magnífica Tabanca da Linha, em Algès, no passado dia 14 - Fotogaleria - Parte II


Foto nº 17  > António F. Marques e Gina (Cascais): dois históricos da Tabanca da Linha, o António cofundador; talvez o casal que mais frequentou os almoços-convívios  da Tabanca da Linha ao longo destes 16 anos (2010-2026). O Marques pertenceu à CCAÇ 2590/CCAÇ 12, (Contuboel e Bambadinca, 1969/71) . São os dois membros da Tabanca Grande.


Foto nº 18  > Luís R. Moreira e Irene (Sintra). O Luís R. Moreira ou Luís Cardoso Moreira pertenceu à CCS/ BATY 2917 (Bambadinca, 1970/72) (e depois ao BENG 447, onde acabou a comissão). Era alferes sapador. O Luís é membro da Tabanca Grande.


Foto nº 19 >  Jorge Pinto (Sintra) e António Maria Silva (Cacém): dois "magníficos" sempre presentes. (O Jorrge Pinto, ex-alf mil da 3.ª CART/BART 6520/72, Fulacunda, 1972/74, pertence à Tabanca  Grande). O António M. Silva esteve nas Operações Especiais, em Lamego (1966/67) mas não sei se passou pelo Ultramar (tenho que esclarecer isso com ele ou com o régulo).


Foto nº 20 >  Humberto  Reis (Amadora)  (CCAÇ 12, Contuboel e Bambadinca, 1969/71) e   o Jorge Nunes Costa (Linda-A-Velha)


Foto nº 21 > Fernando de Jesus Sousa (Lisboa), autor do livro de memórias "Quatro rios e um destino" (2014); DFA,  é natural de Penedono, distrito de Viseu. Pertenceu à CCAÇ 6, Bedanda, 1970/71. É  membro da Tabanca Grande.


Foto nº 22  > Aspeto da mesa: faltam o António Marques, o Jorge Pinto, o António M. Silva,  Fernando Sousa e o  António Silva. As mesas são de  9/10 lugares.

Magnífica Tabanca da Linha > Restaurante Caravela d' Ouro > Algés > 14 de janeiro de 2026 > 63º almoço-convívio > 16º aniversário   

Fotos: © Manuel Resende  (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Da Amadora a Sintra, da Linda a Velha a Cascais: assim se vê a "área de influência" da Magnífica Tabanca da Linha. 

Em 14 anos  (estamos a descontar os dois anos de pandemia), realizaram-se 63 almoços-convívios, o que dá uma média de 4,5 por ano.  

Na prática, reunimo-nos de dois em dois meses, excetuando os períodos de férias de verão e a quadra festiva de Natal e Ano  Novo e Páscoa.

Mais uma razão para dar os parabéns a todos os Magníficos, em geral, e ao régulo, Manuel Resende, em particular.  
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segunda-feira, 19 de maio de 2025

Guiné 61/74 - P26818: Convívios (1029): Rescaldo do XL Encontro Nacional dos Ex-Oficiais, Sargentos e Praças do BENG 447 (Brá/Guiné), levado a efeito no passado dia 17 de Maio e 2025 na Tornada - Caldas da Rainha (João Rodrigues Lobo)

1. Mensagem do nosso camarada João Rodrigues Lobo, ex-Alf Mil, CMDT do Pelotão de Transportes Especiais / BENG 447 (Bissau, Brá, 1968/71) com data de 17 de Maio de 2025:

Boa tarde,
Realizou-se hoje um magnífico almoço com 199 ex-camaradas e algumas famílias. Grande convívio com alguns reencontros e, algumas ausências, pelas quais guardámos um minuto de silêncio. Obrigado aos organizadores Lima e Araújo.

Anexo umas fotos.

João Rodrigues Lobo


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Nota do editor

Último post da série de 17 de maio de 2025 > Guiné 61/74 - P26810: Convívios (1028): Rescaldo do 53.º Convívio do pessoal da CCAÇ 414, levado a efeito no passado dia 27 de Abril de 2025, em Fafe (Manuel Barros Castro, ex-Fur Mil Enfermeiro)

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Guiné 61/74 - P26745: Tabanca Grande (572): Joaquim Galhós, ex-fur mil, de rendição individual, que integrou a CCAV 3420 (Pete, 3 meses), o Pel Caç Nat 57 (Cutia, 12 meses) e o BENG 447 (Brá, 9 meses): é natural do Barreiro, e senta-se à sombra do nosso poilão no lugar nº 902

 







Joaquim Galhós (n. Barreiro, 1950).


Guiné > Região Oeste >  Mansoa > Cutia > Pel Caç Nat 57 > Cheguei a Cutia no dia 22/10/72,  o artista que fui render mal tive tempo de o conhecer, pirou-se na primeira coluna para Mansoa. No dia 23 era preciso ir á água, íamos sempre a Mansoa mas o alferes disse que, como eu era novo, "vamos mostrar Mansabá que tem uma água muito boa"... Foi uma má ideia não chegámos a Mansabá,  parti o bico e deram cabo da vazilha...


Guiné > Região Oeste >  Mansoa > Cutia > Pel Caç Nat 57 > C. 1972/73 >  O Joaquim Galhós junto a uma bananeira.


Guiné > Região Oeste >  Mansoa > Cutia > Pel Caç Nat 57 > C. 1972/73 > O Joaquim Galhós junto ao acesso a um abrigo ou espaldão, protegido por bidões com areia...


Guiné > Região Oeste >  Mansoa > Cutia > Pel Caç Nat 57 > C. 1972/73 > O Joaquim junto a um papaieira.

Fotos (e legendas): © Joaquim Galhós (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. O Joaquim Galhós (ou Galhoz um apelido de origem espanhola, e com família oriunda de Évora) aceitou o nosso convite (*) para se sentar à sombra do nosso poilão no lugar nº 902 (**).

Já aqui falámos dele,  há dias, como nosso amigo no Facebook. Temos "20 amigos em comum". 

O  Joaquim Galhós nasceu em 23 de junho de 1950. É do Barreiro, vive no Barreiro, estudou na Escola Comercial e Industrial Alfredo da Silva (nome do fundador do grupo CUF), de 1961 a 1969. Tem formação técnica em eletricidade.

Fez a sua comissão de serviço militar, na Guiné, entre 23 junho 1972 a 29 junho de 1974 (24 meses). Já tinha casado em 6 de setembro de 1970. É diretor  do Grupo Desportivo Os Leças.

Fazia 22 anos no dia em que partiu para o CTIG, de avião, do aeroporto Figo Maduro. Quando chegou a Bissau, verificou que estava a destinado à CCAÇ 3 (aquartelada em Bigene). Devem ter mudado de ideias, mandaram-no para a companhia do cap cav Salgueiro Maia, a CCAV 3420, onde esteve 3 meses. (Sabemos que esta subunidade, em 9jul72, rendendo a CCaç 2789, assumiu a responsabilidade do subsector de Pete, com destacamentos em Ponta Consolação e Capunga, com vista à execução e controlo dos trabalhos de construção dos respectivos reordenamentos e promoção socioeconómica das populações.).

Em 22 de outubro de 1972 chegava a Cutia, para ir render um fur mil do Pel Caç Nat 57. No dia seguinte "embrulhou", quando ia buscar água a Mansabá.(Já não é do te,mpo do nosso coeditor Carlos Vinhal,. que esteve em Mansabá, até março de 1972.)

Na Guiné, era de rendição individual. Integrou, como furriel miliciano, o Pel Caç Nat 57 (Cutia, 1972/73).  Teve cerca de um ano no Pel Caç Nat 57. Os restantes nove meses da comissão passou-os no "bem-bom" do BENG 447, em Brá, para onde foi destacado. 

Já não se lembra do alf mil que comandava o Pel Caç Nat 57, mas seria alguém também com o apelido Rodrigues (. Conhecemos até agora dois alferes, o Fernando Paiva, 1967/69, e o Jacinto Rodrigues, 1969/71.)

Falámos um bom bocado  ao telefone, ele tem alguns histórias para nos contar aqui. Está reformado, trabalhou na Quimigal e conhece também desse tempo o eng tec Joaquim Fernandes, meu camarada da CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, mai 69/ mar 71). Conhece também o médico de saúde pública Mário Durval, agora reformado (foi delegado de saúde no Barreiro).

Dei-lhe já, antecipadamemte as boas vindas à Tabanca Grande. E expliquei-lhe por alto o funcionamento do blogue. Ele é mais "facebuqueiro"... Disse-lhe quão importante era reconstituir as memórias das subunidades africanas, como a minha CCAÇ 12 e a do dele Pel Caç Nat 57. Voltaremos um dia destes a falar ao telefone. 
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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 26 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26730: Facebook...ando (75): Joaquim Galhós, do Barreiro, pertenceu ao Pel Caç Nat 57 (Cutia, 1972/73) e ao BENG 447 (Brá, 1973/74): esteve três meses com o cap cav Salgueiro Maia em Pete, Bula

(**) Último poste da série > 7 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26660: Tabanca Grande (570): Armando Oliveira, ex-1º cabo, 3ª C/BART 6520/72 (Fulacunda, 1972/74): senta-se à sombra do nosso poilão no lugar nº 901

sábado, 26 de abril de 2025

Guiné 61/74 - P26730: Facebook...ando (75): Joaquim Galhós, do Barreiro, pertenceu ao Pel Caç Nat 57 (Cutia, 1972/73) e ao BENG 447 (Brá, 1973/74): esteve três meses com o cap cav Salgueiro Maia em Pete, Bula


"Com o Capitão Salgueiro Maia em 72, em Pete - Bula, nos 3 meses que estive na CCav 3420" (Joaquim Galhós, 5 de maio de 2023)... A foto é imprecisa, mas o Joaquim Galhós parece ostentar divisas de furriel... Impecavelmente fardado. Já o seu comandante, um oficial de cavalaria,  mostrava-se "pouco canónico no traje"... Com o clima da Guiné, ninguém respeitava o RDM em matéria de traje... 



Guiné > Zona Oeste >  "Cutia 72/73. Com este grupo que é parte do meu Pel Caç Nat 57 passei os piores momentos da minha vida,  tive a minha parte mas felizmente nada comparado com o que muitos camaradas sofreram e, com muita sorte,  aos 15 meses fui passar 9 meses ao BENG 447 até junho de 1974" (Joaquim Galhós, 19 de agosto de 2020) ·

Fotos da página do Facebook de Joaquim Galhós (aqui editadas e reproduzidas, com a devida vénia)


1. Joaquim Galhós é nosso amigo no Facebook. Temos "20 amigos em comum". É do Barreiro, vive no Barreiro, estudou na Escola Comercial e Industrial Alfredo da Silva (nome do fundador do grupo CUF), de 1961 a 1969.

Sabemos que fez uma comissão de serviço militar, na Guiné, entre 23 junho 1972 a 29 Junho de 1974. Já tinha casado em 6 de setembro de 1970. É sócio do Grupo Desportivo Os Leças... Faz anos a 23 de junho. (Foi em dia de anos, 23/6/1972, que partiu para o CTIG, de avião, do aeroporto Figo Maduro.)

Na Guiné, era de rendição individual. Integrou, como furriel miliciano,  o Pel Caç Nat 57 (Cutia, 1972/73).   Encontrámos na sua página do Facebook apenas duas fotos do seu tempo de Guiné, uma delas "preciosa", com o cap cav Salgueiro Maia, cmdt da CCAV 3420.

Vou-lhe telefonar para o convidar a juntar-se ao blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. A malta dos Pel Caç Nat "também é gente"...E sabemos muito pouco das suas andanças pelo CTIG...



O Joaquim Galhós, sinalizado com um circulo a azul. Será ele ou o dono da foto ? "Escola Primária nº 4 , 4ª classe 1960/61. Prof.Raposo".

Fotos (e legendas): © Joaquim Galhós (2025). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

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Nota do editor:

Último poste da série > 23 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26716: Facebook...ando (74): Manuel Ribeiro de Faria, ex-cap inf, cmdt da CCAÇ 3414 (Sare Bacar, Cumeré, Brá, 1971/73), a subunidade a que pertenceu o nosso saudoso amigo e camarada Joaquim Peixoto (1947-2018)

quarta-feira, 5 de março de 2025

Guiné 61/74 - P26554: Ainda o desastre do Cheche (Virgínio Teixeira, ex-alf mil SAM, BCAÇ 1933, Nova Lamego e Sáo Domingos, 1967/69)



Foto nº 1 > Guiné > Região de Gabu > Cheche > Rio Corubal > CART 1742 > c. set 1967 / c. abr 1968 > A jangada com estrado assente em três canoas... O Abel Santos diz que a a foto é de janeiro de 1968, ou seja, um ano antes da Op Mabeco Bravios.


Foto (e legenda): © Abel Santos (2020). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




1. Texto enviado pelo Virgílio Teixeira (ex-mil SAM, BCAÇ 1933, Nova Lamego e Sáo Domingos, 19567/69), comj data de 10 de fevereiro passado, 16:27: "Caro Luis, estive a desfolhar o meu imenso arquivo a que chamo "CTIG 67/69". E enciontro tantas coisas...  Vi este tema do Cheche, que já saiu, embora diferente há uns anos. Se vires interesse em repescar mais alguma coisa, podes dispor. Fiz uns pequenos aumentos, que na época deixei passar. Um abraço. VT."


CHECHE - AINDA ALGUNS CONTRIBUTOS PARA A TEORIA DO ACIDENTE

por Virgílio Teixeira



O DESASTRE DO CHE-CHE - PARTE I

Alguns contributos para a tentativa de, senão esclarecer, pelo menos contextualizar, no tempo e no espaço, aquele terrível acidente, que por muito tempo que ainda andemos por cá, nunca será esclarecido, é um daqueles mistérios, que ninguém quer ver revelados, é a minha opinião, sem qualquer intenção de julgar, até porque nada sei mais do que os outros.

O Abel Santos, que não tenho o prazer de conhecer pessoalmente, e
steve em Nova Lamego e Buruntuma (julho 1967/ junho 1969). É mais antigo que eu, gostava de lhe poder perguntar se esteve lá no mesmo período que eu, em Nova Lamego (NL): 21-09-67 até 26-02-68. 


A CART 1742 fazia parte de um grupo de 17 subunidades que estiveram naquele período sob o comando do meu BCAÇ 1933. Mas e
u não conhecia bem as instalações da chamada Companhia de Baixo, em Nova Lamego.

A CART 1742, ao contrário em São Domingos, com a CART 1744, que conhecia e bem e confraternizávamos, pois, aquilo era mais pequeno. Sei que, no setor de Nova Lamego, ficou na dependência do BCav 1915, depois do meu  BCaç 1933 e ainda do BCaç 2835. 

Tomou parte em operações realizadas nas regiões de Ganguiró, Canjadude, Cabuca e Sinchã Jobel, entre outras e ainda em operações conduzidas em outros sectores da zona Leste, bem como em escoltas a Béli e Ché-Ché. Em meados de abril de 1968, foi transferida, para Buruntuma, a fim de render a CCaç 1588... Portanto, já estava no setor L5 quando se realizou a Op Mabecos Bravios e se deu o desastre de Cheche, em 6 de fevereiro de 1969. (Regressaria à metrópole em junho de 1969.)
 
Estive a ler a História da Unidade (BCAÇ 1933), todos os acontecimentos no período de Nova Lamego, e não encontro referência a muita coisa, não sei qual o critério que seguia  essa brochura.

Contudo vejo que a CART 1742 estava sediada em NL, apenas o 3º pelotão estava em Camabajá. O Abel não sei de que pelotão era.

Ele diz que a foto nº 1  é de janeiro de 1968 (*), estava eu lá, em Nova Lamego, e notava-se sempre grande burburinho com as famosas colunas para Madina e Béli, tudo se agitava à volta deste tipo de acontecimentos, eu tenho reportagens feitas de madrugada a quando da saída das colunas.

Na história da Unidade (HU) não consta por exemplo a emboscada que provocou a morte do alferes Gamboa e outros, perto de Piche, da CCAV 1662, e que foi no 4º trimestre de 67.

Como também não refere aqui um caso que muito chocou a malta em NL, a emboscada de uma coluna vinda de NL, após rebentamento de minas perto do Cheche, e na sequência da qual foi morto com uma bazuca o major Ruas, entre outros. Este acontecimento causou grande consternação, em especial à mulher e família que estavam em Bissau. Os pormenores foram-me contados por um dos meus amigos, um soldado condutor, que estava lá presente, e que eu encontro com frequência em Vila do Conde, é um empresário da Têxtil em Guimarães, que me tem muito em consideração, e que eu retribuo.

Este oficial, major Ruas, que eu conheci na messe, pertencia ao Batalhão de Engenharia, e vinha com frequência a NL, pois era o responsável pela operacionalidade da jangada da morte.

Nunca me ocorreu, mas agora pergunto: essa foto nº 1 seria já de uma nova jangada com as 3 pirogas mandada construir pelo major Ruas? Não sei mais nada.

Mas a HU que não sei quem a supervisionava, era escrita pelo tenente Albertino Godinho, mas seguia as instruções do Comando, penso eu, mas nada sei.

Falhou muita coisa que eu vi e seria objecto de uma nota, nem que fosse pequena. Constava por exemplo coisas de nenhum interesse, passo a citar:
 
  • No dia X o comandante do batalhão deslocou-se a Piche;
  • No dia Y o comandante do batalhão deslocou-se em coluna a Pirada, acompanhado pela esposa do nosso Médico, vestida a rigor de camuflado...

Esqueceram-se de mencionar, por exemplo, um facto inédito:

  • No dia Z um alferes miliciano do CA, deslocou-se a Susana, comandando um grupo de 5 homens, num barco da Engenharia denominado de Sintex, para ir levantar alguns mantimentos que não existiam em S. Domingos, sede do Batalhão. Depois de 3 ou 4 dias, regressou no mesmo barco, carregado de vários mantimentos, entre eles um saco de batatas da Manutenção militar.
  • Só que o piloto do mesmo barco, com grande experiência dos imensos rios e riachos, acabou por se perder sem se saber onde fomos parar, a uma pequena povoação de Felupes.
  • Não tendo Rádio para transmissões, o piloto fez várias tentativas por rios que nunca acabavam, até que acabou mesmo foi a gasolina dos dois motores. Sem rações de combate, sem bebidas por ali esperamos que fosse avistado um meio aéreo, que naturalmente teria sido pedido uma vez que a data de saída de Susana foi transmitida ao comando do BCAÇ 1933, mas a chegada nunca aconteceu no tempo certo.
  • Após dois dias de calor, fome e sede, lá vimos uma avioneta a rondar o nosso frágil meio de transporte e depois deu-se a evacuação, já nem me lembro como foi.
  • Sendo eu o "comandante" daquela força expedicionária, não sabia o que fazer, muito menos os outros, e passei o tempo, ou parte dele, a dormir na banheira em cima do saco de batatas.
  • Por ignorância e coisas da idade, nunca me preocupei, pois pensei sempre que nos vinham buscar, antes se possível, de sermos levados como reféns para Conacri!

A razão desta falta (referência na HU), penso eu, ainda hoje, deve-se à ocultação do facto por ter sido um oficial dos SAM a comandar aquela força militar por sítios que nunca conheci, e não tinha formação militar para isso, foi um abuso de poder do major de operações, na falta do nosso original comandante, evacuado por ferimentos em combate.

Há um cabo das transmissões que mantinha informações permanentes com a BA12 e sabia do que se passava e foi com a sua insistência que acabaram por nos encontrar, isso deu muito que falar, mas poucos sabem do que realmente se passou.

E assim os Felupes não tiveram o gosto de comer carne humana, num churrasco num sítio que só podia ter sido no cu de judas (estiy a reinar, sei que eles só praticavam o necrogafia, cortando para isso a cabeça dos inimigos). E gostava de saber em que povoação fomos parar. 

Então a HU não conta tudo, só o que for relevante para as operações militares e não só.

Isto bem contado com os pormenores que não sei, até dava uma série televisiva (...).

No dia 17 de janeiro de 1968, dá-se a operação Lince, nome dado à operação de retirada da CCaç 1589 de Madina, e substituída pela CCAÇ 1790 do meu Batalhão e do capitão José Aparício.

Esta operação de 5 dias mobilizou enormes meios humanos e materiais, e lembro-me de ter assistido à chegada dos homens daquela companhia a NL completamente pirados, com o devido respeito, tinham passado um ano naquela fogueira, isolados do mundo.

O Abel, caso tenha participado nesta operação deve saber muito mais, e pelo menos sabe mais do que eu mesmo que não tivesse estado nessa operação.

Fica aqui o meu pequeno contributo, para a história deste caso, macabro.


O DESASTRE DO CHE-CHE  > PARTE II - PASSAGEM DE TESTEMUNHO

Acerca das dúvidas aqui levantadas, o porquê de irem primeiro alguns membros das companhias e batalhões, posso esclarecer com o meu caso.

O BCAÇ 1933 tinha feito o IAO em Santa Margarida, onde estive, quando vem uma Nota para seguirem à frente alguns oficiais e sargentos, com o objectivo de passar o testemunho, era assim que se dizia. Ou seja, tomar conta do espólio deixado pelas unidades que iam ser substituídas por outras e tomar conta dos acontecimentos mais relevantes:

Assim, consta na HU que o meu BCAÇ1933, tinha a CCS, as CCAÇ 1790, 1791 e 1792. Embarcaram para a Província da Guiné gvia Aérea, num velho DC6, do tempo da 2ª guerra mundial e com carga diversa, os seguintes oficiais e sargentos:

OFICIAIS DO COMANDO E CCS:

Tenente Coronel de Infantaria, Armando Vasco de Campos Saraiva, Comandante;
Major de Infantaria, Graciano Antunes Henriques, Oficial de operações;
Alferes Mil do SAM, Virgílio Oscar Machado Teixeira, Conselho Administrativo

COMPANHIA DE CAÇADORES 1790:

Alferes Mil de Infantaria, Evélio F. S. Amorim, Comandante de Pelotão
2º Sargento de Infantaria, Carlos de Oliveira, Comandante de Secção

COMPANHIA DE CAÇADORES 1791:

Alferes Mil de Infantaria, Antero T. Igreja, Comandante de Pelotão
2º Sargento de Infantaria, José Carlos A. Canas, Comandante de Secção

O restante pessoal do batalhão, o grosso dele, seguiu em 27 de setembro de 1967, no navio T/T Timor, chegando a Bissau em 03out67.

A CCAÇ 1792, não veio neste transporte, seguiu no Uíje um mês depois, juntamente com o BCAÇ 1932, e nunca mais esta Companhia esteve junto ao seu Batalhão orgânico.

A razão de ser desta força militar ir à frente, tem a ver com a tal passagem de testemunho, e pelo que toca aos Alferes das 2 companhias, eles são talvez dos mais antigos.

O NIM (Nº de Identificação Mecanográgico) acaba em 66 para o Eurélio, é, portanto, da inspecção de 65, nascido em 45, incorporado em 1965. Os outros são terminados também em 66 ou 65. O NIM do Igreja acaba em 65, inspecção de 64, nascido em 44, e possivelmente incorporado em 1964. Os outros são terminados em 65.

Para o meu caso, que nada tem a ver com estes, o NIM acaba em 64, inspecção de 63, nascido em 29-01-1943, e devido a adiamentos incorporado em Mafra, EPI, em 03-01-1967.

Quanto aos Sargentos, também me parece que é pela antiguidade, uma vez que os Furriéis são todos mais novos, e os 1º Sargentos eram da Secretaria, e não faziam parte destas contas.

Curiosamente, eu fui substituir o meu homólogo do BCAV 1915, do qual herdei imensos problemas, que tiveram de ser resolvidos por mim, e que ele nunca me agradeceu.

Por outro lado, o meu homólogo do BCAÇ 1932, seguiu junto das restantes tropas e não sei se os comandos foram também à frente de avião. Sei que regressou comigo, por isso fez menos um mês de comissão do que eu.

Salvo alguns lapsos, acho que dei conta da nossa situação, que era generalizada para todas as Unidades.


O DESASTRE DO CHE-CHE >  PARTE III

Cumprimento o Abel Santos, pelo desempenho e pormenor dos seus comentários, e fica claro que não quero falar em nome de ninguém e casos que não conheço no terreno.(**)

Infelizmente, nunca tive a oportunidade de viver no terreno, as experiências terríveis de combates, minas, emboscadas, apenas levei com bombardeamentos no quartel, e chegou.

Começo por dizer que não estamos aqui a julgar ninguém, nem nada, eu apenas me limitei e fazer eco daquilo que se dizia, mas nunca vi nada, porque não tinha de estar lá nem ver.

Muito menos quero fazer da minha intervenção casuística, um caso de justiça ou investigação.

O Abel não confirmou, mas pelas datas da sua estadia em Nova Lamego, estivemos lá na mesma época, sem dúvida. Como a vila era relativamente grandinha, não dava para se ver ou encontrar tanta gente que lá fazia o seu serviço militar.

Vou fazer um reparo, que pode confirmar-se ser engano, ou troca de números, pois, segundo diz, a sua CART 1742, foi substituir em 14set67 a CCAV 1963 (ou 1693?). Erro gráfico.

(i) Caso alferes Gamboa: Como disse estive com ele, conforme foto já divulgada nos postes, pouco antes da sua morte. Fiz várias vezes, colunas, entre NL-Piche - NL, e nunca aconteceu nada de especial, graças a Deus. Tive conhecimento da trágica morte deste amigo, uns dias depois, e cada um conta à sua maneira, como aliás tantas vezes aqui se contradizem uns aos outros.

E já agora, acho que não vi isso aqui escrito, mas falou-se que os terroristas, lhe arrancaram o coração, e no seu lugar colocaram os galões de tenente que ele trazia consigo, pois estava à espera da sua promoção para breve, o que nunca chegou a acontecer, infelizmente.

(ii) Caso major Pedras: conheci-o na messe de oficiais, embora diga-se que não sabia na altura qual era a sua função, o que se confirma agora, pois já falei com as minhas fontes. Este soldado condutor, que fazia parte de um grupo restrito dos petiscos, fez várias colunas para o Cheche, Medina e Beli, conduzindo a sua GMC. 

Ele contou, exactamente o que o Abel diz, o major Pedras,  do Serviço de Material, ia na viatura da frente juntamente com o furriel Jorge, da Engenharia, que nunca conheci, julgo eu. Este ex-militar contou-me há cerca de meia dúzia de anos aquilo que ele presenciou, nos termos em que contei e não vou repetir. 

Mas se o Abel estava lá, deve ter a sua versão, que, com bazuca ou com minas e armadilhas e emboscadas, o certo é que ele foi gravemente ferido e evacuado, acabando por falecer no HMP 241. E que tendo o tal soldado condutor ajudado a transportar o corpo para o Heli. Como não conheço estes factos, fico por aqui, e tanto faz para o efeito.

(iii) A jangada: Já foram aqui apresentadas várias versões do acidente mortal da fraca jangada, que nada tem a ver com essa da foto 1. Como eu não estava lá, nunca a vi, ficam as imagens que vão aparecendo nos Postes.

Com isto termino a minha intervenção.

Obrigado pela chamada aos postes desta tragédia que nunca deveria ter acontecido. E aproveito para desejra as melhoras do Abel Santos, que afinal é meu vizinho aqui do Norte.

Virgílio Teixeira
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31 de março de 2021 > Guiné 61/74 - P22053: Casos: a verdade sobre ...(21): a jangada que fazia a travessia do rio Corubal, em Cheche, já era assente em três canoas, no meu tempo, c. set 1967 / c. abr 1968 (Abel Santos, sold at, CART 1742, Nova Lamego e Buruntuma, jul 1967 / jun 1969)

(**) Vd. postes de:


2 de abril de 2021 > Guiné 61/74 - P22059: (In)citações (183): A propósito da(s) jangada(s) do Cheche... e lembrando aqui mais mártires do Boé: o major Pedras, da Chefia do Serviço de Material, QG/CTIG, e o fur mil Jorge, do BENG 447 (Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM; CCS / BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)

terça-feira, 10 de setembro de 2024

Guiné 61/74 - P25928: In Memoriam (508): Joaquim Nunes Sequeira (O Sintra) (1944-2024), ex-1.º Cabo Canalizador do BENG 447 (Brá, 1965-67)

I N  M E M O R I A M
JOAQUIM NUNES CERQUEIRA
EX-1.º CABO CANALIZADOR DO BENG 447 (1965/67)

Porta-bandeira do Núcleo de Sintra da Liga dos Combatentes, Joaquim Nunes Sequeira, o "Sintra", a ser cumprimentado pelo Chefe de Estado e Chefe Supremo das Forças Armadas Portuguesas, Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.
Em 2016, num dos convívios da Tabanca da Linha, Nunes Sequeira, à direita, na companhia de Francisco Henriques da Silva
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2. Notas do editor:

O camarada Joaquim Nunes Sequeira apresentou-se na Tabanca Grande em 8 de Março de 2016.
Pelo que pudemos constatar na sua página do facebook, a sua morte aconteceu de forma inesperada.
Era um assíduo frequentador dos convívios da Tabanca da Linha.
À sua família, camaradas e amigos mais próximos, a tertúlia e os editores, apresentam as suas mais sentidas condolências

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Nota do editor

Último post da série de 15 de julho de 2024 > Guiné 61/74 - P25744: In Memoriam (507): António Carlão (Mirandela, 1947 - Esposende, 2018), ex-alf mil at inf, CCÇ 2590 / CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadina, 1969/71) (Jorge Alvarenga, amigo da família)

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Guiné 61/74 - P25893: Verão de 2024: Nós por cá todos bem (8): Mensagem enviada ao Blogue pelo ex-Alf Mil Rogério Parreira do BENG 447 (Guiné, 1968/70)

1. Mensagem do ex-Alf Mil Rogério Parreira do BENG 447 (1968/70), enviada ao Blogue através do Formulário de Contactos em 24 de Agosto de 2024:

Caros amigos e ex-combatentes milicianos da Guiné,

Prestei serviço no BENG 447 como alferes miliciano no período entre finais de 1968 e final de 1970, tendo dirigido a construção da estrada Bula - Có - Pelundo em associação com as Obras Públicas da Guiné, chefiadas pelo encarregado geral Teixeira, no primeiro ano da comissão e chefiando as Oficinas de Máquinas de Terraplanagem do BENG 447 durante o segundo ano de comissão, durante o qual percorri quase toda a Guiné, por terra, mar e ar, na atribuição de equipamentos de engenharia para apoio de obras em diversos aquartelamentos.
Itinerário Bula-Có-Pelundo
Infogravura ©Luís Graça & Camaradas da Guiné

Guardo em particular as memórias de todos os bons companheiros com quem me cruzei nessa época e deixo aqui uma pequena homenagem a todos eles.
Um grande abraço a todos.

Cumprimentos,
Rogério Parreira

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Nota do editor

Último post da série de 29 de agosto de 2024 > Guiné 61/74 - P25891: Verão de 2024: Nós por cá todos bem (7): ... E vamos lá estar, no Porto, na Casa da Música: Orquestra Médica Ibérica, Concerto solidário, dia 8 de setembro, domingo, às 18h00

terça-feira, 14 de maio de 2024

Guiné 61/74 - P25521: Convívios (993): Rescaldo do 39.º Encontro Nacional dos ex-Oficiais, Sargentos e Praças do BENG 447 /Brá, levado a efeito no passado dia 11 de Maio de 2024 nas Caldas da Rainha (João Rodrigues Lobo)

1. Mensagem do nosso camarada João Rodrigues Lobo, ex-Alf Mil, CMDT do Pelotão de Transportes Especiais / BENG 447 (Bissau, Brá, 1968/71)

Boa tarde,
Com excelente organização dos ex-furrieís Lima e Araújo, realizou-se o 39.º Encontro do BENG 447, com cerca de 210 convivas, camaradas e familiares, nas Caldas da Raínha.
Muitos já não nos víamos desde 1969 e 1970!!!
E, como nós eramos e como nós somos, já não nos reconhecíamos (embora nos lembrássemos dos nomes de alguns).

Este ano encontrei muitos camaradas dos anos 1969 e 1970 que gostei de rever, tais como os já acima mencionados como também o "grande" Simão e o Ex-Sargento Franklin.

Grande abraço
João Rodrigues Lobo


Vista geral
Ex-Ten Mil Serrador, ex-Alf Mil Barata e ex-Alf Mil Santos
Ex-Alf Mil Santos e ex-Alf Mil Fernandes
Quatro "ilustres" que receberam a Medalha das Campanhas da Guiné, no mesmo dia, imposta na parada pelo Ten-Cor Lopes da Conceição
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Nota do editor

Último poste da série de 8 DE MAIO DE 2024 > Guiné 61/74 - P25493: Convívios (992): XXVIII Almoço/Convívio dos combatentes que passaram por Bambadinca entre 1968/1971, dia 25 de Maio de 2024, em Vila Nogueira de Azeitão (João Gonçalves Ramos, ex-sold radiotelegrafista, CCAÇ 12, 1969/71)

sexta-feira, 5 de abril de 2024

Guiné 61/74 - P25340: Reordenamentos Populacionais (2): Em louvor do BENG 447 e do PTE - Pelotão de Transportes Especiais (João Rodrigues Lobo, ex-alf mil, cmdt do PTE / BENG 447, Brá, 1967/1971)



Capa do livro "A Engenharia Militar na Guiné - O Batalhão de Engenharia". Coord. Gabinete de Estudos Arqueológicos da Engenharia Militar. Lisboa : Direcção de Infraestruturas do Exército, 2014, 166 p. : il. ; 23 cm. PT 378364/14 ISBN 978-972-99877-8-6.  (O livro parece estar esgotado. Há uma recensão publicada no nosso blogue.)



1. Dois comentários do João Rdrigues Lobo ao poste P 25336 (*):




João Rodrigues Lobo, ex-alf mil, 
cmdt do PTE (Pelotão de Transportes 
Especiais) / BENG 447 (Bissau, Brá, 
dez1967/fev1971)


(i) (...) Para a grande obra dos reordenamentos (**) também gostava de salientar o contributo do PTE - Pelotão de Transportes Especiais do BENG 447 que coordenou as descargas, cargas e transportou todos os materiais listados neste poste (P25336). 

E, saliento o seu contributo para minizar o "desaparecimento" de muitos deles antes do seu destino (só esta parte dava uma "história "). 

Na minha comissão o PTE do BENG 447 era compsto por um alferes miliciano, dois sargentos, quatro furriéis milicianos e cerca de noventa condutores. Com dezenas de viaturas de todos os tipos.

Os seus condutores-auto são dignos de apreço.

(ii) Não possuo documentação nem sei muita história do BENG 447. 

Fui em rendição individual em dezembro de 1968 e saí em Janeiro de 1971. Não conheci quem fui substituir nem conheci quem me substituiu. 

Quando cheguei apercebi-me porém do grande trabalho que se desenvolvia no Batalhão e da sua presença não só em Brá, em várias valências todas importantes para a sua missão, mas em toda a Guiné onde se desenrolavam obras. 

A minha estadia teve dois comandos. Sou de firme convicção que Spinola fez e mandou fazer grande obra, nomeadamente construção de estradas e reordenamentos (estes não só para apoio às populações mas também por estratégia militar). 

Sobre o BENG 447, Spinola sempres depositou grande atenção e "impôs" a nomeação do Major Lopes da Conceição para o seu comando, e consequente graduação em tenente coronel para poder comandar o Batalhão. 

Aliás um dos "defeitos" que os nossos engenheiros atribuiam a Spinola era a imposição de prazos para concluir as obras quer das estradas quer dos reordenamentos. Prazos que só eram excedidos por razões técnicas e sempre com a devida explicação prévia do Comando do BENG. 

Só posso pois descrever o trabalho desenvolvido pelo PTE - Pelotão de Transportes. Sem saber o que se teria passado antes de mim, constatei nos primeiros dias a grande "confusão" do Pelotão. Tendo o total apoio do Comando, e, do determinado por Spinola, reorganizei o Pelotão, racionalizando os movimentos dos homens e viaturas, estabelecendo controlos de movimentações e, com a satisfação de todos,  pois sabíamos o que faziamos e como o fazíamos. 

Trabalhámos por turnos as 24 horas quer nas descargas dos navios fretados quer nas cargas das LDG, e LDM. Dada a enorme quantidade dos materiais envolvidos e seu transporte urgente, nas descargas utilizávamos também viaturas civis contratadas pelo Quartel General quando as nossas eram insuficientes, mesmo usando a Enorme Continental conduzida pelo Grande Simão que ocupava toda a estrada sempre precedida pela Policia militar a abrir caminho, e pelas Plataformas de transporte de Máquinas e Catterpilars. 

Em colunas protegidas fazíamos transportes por terra. Os nossos condutores e viaturas davam apoio nas obras das estradas e reordenamentos.

O "desaparecimento" de materiais era enorme e para mim irracional como se considerava normal. O cimento (era considerado pelo QG uma quebra normal entre 5 e 10% !!!), as chapas de zinco e as rachas de cibe, como muitas peças para máquinas, "evaporavam-se" nas descargas em Bissau e nos transportes para as unidades de destino. 

Nas descargas a "evaporação" desapareceu em pouco tempo. No transporte para as unidades, com o apoio da Marinha e de um homem nosso armado em cima das cargas também desapareceu. 

De salientar que nem tudo foi fácil e nem tudo bem recebido, mas valeu-nos o total apoio do Comando do Batalhão e, do Comandante Spinola, para o conseguirmos. 

Sobre o cimento já falei em post anterior (***), sobre as chapas de zinco, rachas de cibe e peças, ainda nada mais digo.

Concluindo por agora, o BENG 447 foi um grande Batalhão, com camaradas muito capazes e bons engenheiros. Fez muita obra bastante impulsionada e exigida pelo Comandante Spinola. 

Sobre o "meu" PTE nada mais soube desde que saí e só espero que o camarada que me substituiu tenha tido o apoio que eu tive. Muitas pequenas histórias aconteceram neste anos, algumas já contei, outras ainda contarei.

Grande abraço para os que tiveram a pachorra de me ler e, os que me considerarem imodesto têm razão.


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Notas do editor:

(*) Vd. poste de 4  de abril de 2024 > Guiné 61/74 - P25336: A nossa guerra em números (25): Reordenamentos populacionais: materiais (das rachas de cibe às chapas de zinco) e custos

(**) Último poste da série > 2 de julho de 2008 > Guiné 63/74 - P3013: Reordenamentos Populacionais (1): Gadamael, o primeiro, na sequência da retirada de Sangonhá e Cacoca em meados de 1968 (António J. Pereira da Costa)

(***) Vd. poste 23 de junho de 2022 > Guiné 61/74 - P23380: Reavivando memórias do BENG 447 (João Rodrigues Lobo, ex-Alf Mil, cmdt do Pelotão de Transportes Especiais, Brá, 1968/71) - Parte X: A "guerra do cimento"