sexta-feira, 5 de abril de 2024

Guiné 61/74 - P25340: Reordenamentos Populacionais (2): Em louvor do BENG 447 e do PTE - Pelotão de Transportes Especiais (João Rodrigues Lobo, ex-alf mil, cmdt do PTE / BENG 447, Brá, 1967/1971)



Capa do livro "A Engenharia Militar na Guiné - O Batalhão de Engenharia". Coord. Gabinete de Estudos Arqueológicos da Engenharia Militar. Lisboa : Direcção de Infraestruturas do Exército, 2014, 166 p. : il. ; 23 cm. PT 378364/14 ISBN 978-972-99877-8-6.  (O livro parece estar esgotado. Há uma recensão publicada no nosso blogue.)



1. Dois comentários do João Rdrigues Lobo ao poste P 25336 (*):




João Rodrigues Lobo, ex-alf mil, 
cmdt do PTE (Pelotão de Transportes 
Especiais) / BENG 447 (Bissau, Brá, 
dez1967/fev1971)


(i) (...) Para a grande obra dos reordenamentos (**) também gostava de salientar o contributo do PTE - Pelotão de Transportes Especiais do BENG 447 que coordenou as descargas, cargas e transportou todos os materiais listados neste poste (P25336). 

E, saliento o seu contributo para minizar o "desaparecimento" de muitos deles antes do seu destino (só esta parte dava uma "história "). 

Na minha comissão o PTE do BENG 447 era compsto por um alferes miliciano, dois sargentos, quatro furriéis milicianos e cerca de noventa condutores. Com dezenas de viaturas de todos os tipos.

Os seus condutores-auto são dignos de apreço.

(ii) Não possuo documentação nem sei muita história do BENG 447. 

Fui em rendição individual em dezembro de 1968 e saí em Janeiro de 1971. Não conheci quem fui substituir nem conheci quem me substituiu. 

Quando cheguei apercebi-me porém do grande trabalho que se desenvolvia no Batalhão e da sua presença não só em Brá, em várias valências todas importantes para a sua missão, mas em toda a Guiné onde se desenrolavam obras. 

A minha estadia teve dois comandos. Sou de firme convicção que Spinola fez e mandou fazer grande obra, nomeadamente construção de estradas e reordenamentos (estes não só para apoio às populações mas também por estratégia militar). 

Sobre o BENG 447, Spinola sempres depositou grande atenção e "impôs" a nomeação do Major Lopes da Conceição para o seu comando, e consequente graduação em tenente coronel para poder comandar o Batalhão. 

Aliás um dos "defeitos" que os nossos engenheiros atribuiam a Spinola era a imposição de prazos para concluir as obras quer das estradas quer dos reordenamentos. Prazos que só eram excedidos por razões técnicas e sempre com a devida explicação prévia do Comando do BENG. 

Só posso pois descrever o trabalho desenvolvido pelo PTE - Pelotão de Transportes. Sem saber o que se teria passado antes de mim, constatei nos primeiros dias a grande "confusão" do Pelotão. Tendo o total apoio do Comando, e, do determinado por Spinola, reorganizei o Pelotão, racionalizando os movimentos dos homens e viaturas, estabelecendo controlos de movimentações e, com a satisfação de todos,  pois sabíamos o que faziamos e como o fazíamos. 

Trabalhámos por turnos as 24 horas quer nas descargas dos navios fretados quer nas cargas das LDG, e LDM. Dada a enorme quantidade dos materiais envolvidos e seu transporte urgente, nas descargas utilizávamos também viaturas civis contratadas pelo Quartel General quando as nossas eram insuficientes, mesmo usando a Enorme Continental conduzida pelo Grande Simão que ocupava toda a estrada sempre precedida pela Policia militar a abrir caminho, e pelas Plataformas de transporte de Máquinas e Catterpilars. 

Em colunas protegidas fazíamos transportes por terra. Os nossos condutores e viaturas davam apoio nas obras das estradas e reordenamentos.

O "desaparecimento" de materiais era enorme e para mim irracional como se considerava normal. O cimento (era considerado pelo QG uma quebra normal entre 5 e 10% !!!), as chapas de zinco e as rachas de cibe, como muitas peças para máquinas, "evaporavam-se" nas descargas em Bissau e nos transportes para as unidades de destino. 

Nas descargas a "evaporação" desapareceu em pouco tempo. No transporte para as unidades, com o apoio da Marinha e de um homem nosso armado em cima das cargas também desapareceu. 

De salientar que nem tudo foi fácil e nem tudo bem recebido, mas valeu-nos o total apoio do Comando do Batalhão e, do Comandante Spinola, para o conseguirmos. 

Sobre o cimento já falei em post anterior (***), sobre as chapas de zinco, rachas de cibe e peças, ainda nada mais digo.

Concluindo por agora, o BENG 447 foi um grande Batalhão, com camaradas muito capazes e bons engenheiros. Fez muita obra bastante impulsionada e exigida pelo Comandante Spinola. 

Sobre o "meu" PTE nada mais soube desde que saí e só espero que o camarada que me substituiu tenha tido o apoio que eu tive. Muitas pequenas histórias aconteceram neste anos, algumas já contei, outras ainda contarei.

Grande abraço para os que tiveram a pachorra de me ler e, os que me considerarem imodesto têm razão.


__________

Notas do editor:

(*) Vd. poste de 4  de abril de 2024 > Guiné 61/74 - P25336: A nossa guerra em números (25): Reordenamentos populacionais: materiais (das rachas de cibe às chapas de zinco) e custos

(**) Último poste da série > 2 de julho de 2008 > Guiné 63/74 - P3013: Reordenamentos Populacionais (1): Gadamael, o primeiro, na sequência da retirada de Sangonhá e Cacoca em meados de 1968 (António J. Pereira da Costa)

(***) Vd. poste 23 de junho de 2022 > Guiné 61/74 - P23380: Reavivando memórias do BENG 447 (João Rodrigues Lobo, ex-Alf Mil, cmdt do Pelotão de Transportes Especiais, Brá, 1968/71) - Parte X: A "guerra do cimento"

2 comentários:

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Quem é que tem um exemplar do livro sobre a história do BENG 447 ? Precisamos de cópia da parte relativa aos reordenamentos ?

Tabanca Grande Luís Graça disse...

Quem é que tem um exemplar do livro sobre a história do BENG 447 ?

Precisamos de cópia da parte relativa aos reordenamentos.