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terça-feira, 15 de julho de 2025

Guiné 61/74 - P27018: Efemérides (462): No passado dia 12 de Julho de 2025, a União das Freguesias de Lavra, Perafita e Santa Cruz do Bispo, do Concelho de Matosinhos, homenageou os seus Combatentes mortos na Guerra do Ultramar (Núcleo de Matosinhos da LC / Carlos Vinhal)

O programa deste ano de homenagem aos combatentes da União de Freguesias de Perafita, Lavra e Santa Cruz do Bispo, mortos na Guerra do Ultramar, teve o seu início pelas 09h45, nos cemitérios das freguesias de Santa Cruz do Bispo e de Perafita com a deposição de uma coroa de flores por parte do Sr. Vítor Alves, Vogal do executivo da União de Freguesias e do Presidente do Núcleo de Matosinhos da Liga dos Combatentes, junto da placa/memorial onde constam os nomes dos falecidos daquelas duas freguesias.
Igualmente foi feito o toque de homenagem aos mortos pelo clarim dos Bombeiros de Matosinhos - Leça da Palmeira.

Santa Cruz do Bispo - Lápide de Homenagem aos três Combatentes da freguesia, mortos na Guerra do Ultramar
Santa Cruz do Bispo - Homenagm aos Combatentes da freguesia
Perafita - Lápide de Homenagem aos quatro Combatentes da freguesia, mortos na Guerra do Ultramar
Perafita - Homenagem aos Combatentes da Freguesia caídos em campanha

De seguida, realizou-se em Lavra, conforme planeado para este ano, a cerimónia promovida pelo Núcleo, em colaboração com a União das Freguesias de Perafita, Lavra e Santa Cruz do Bispo – Polo de Lavra.

Pelas 10H30, iniciou-se o programa estabelecido com a concentração dos participantes em frente ao edifício da Junta, sendo içada a Bandeira Nacional ao mesmo tempo que o clarim dos Bombeiros de Matosinhos-Leça da Palmeira, o Porta Guião do Núcleo e dezenas de sócios combatentes prestavam as honras militares à Bandeira Nacional. Procedeu-se à deposição de uma coroa de flores no memorial em frente ao edifício daquela Junta pelo membro do executivo, Sr. Vítor Alves e pelo Presidente da Direção do Núcleo, Tenente Coronel Armando Costa. Posteriormente, os participantes seguiram em romagem ao cemitério local, acompanhando o Porta Guião do Núcleo.

Lavra - Hastear das bandeiras junto ao edifício da Junta de Freguesia
Guarda de honra composta pelos Combatentes presentes
Lavra - Deposição de coroa de flores no memorial em frente ao edifício da Junta de Freguesia

Pelas 10H45, já no cemitério junto ao Panteão onde se encontram os lavrenses que tombaram pela Pátria, realizou-se a cerimónia que se iniciou com a apresentação do programa, por parte do orador, o Vogal Sargento Ajudante Joaquim Oliveira, que deu a indicação para se iniciar a audição do Hino Nacional.
Sargento Ajudante Joaquim Oliveira, Vogal do Núcleo de Matosinhos da LC, orador da cerimónia

De seguida, três sócios, um de Lavra, um de Perafita e outro de Santa Cruz do Bispo fizeram a chamada de todos os combatentes mortos na Guerra do Ultramar da União das Freguesias, seguindo-se a deposição de coroas de flores no referido Panteão, pelos membros do executivo e pelo Presidente da Direção do Núcleo e Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Núcleo.
Cemitério de Lavra - Os Combatentes de Lavra, Perafita e Santa Cruz do Bispo, fazendo a chamadas dos camaradas caídos em campanha
Cemitério de Lavra - Deposição de coroa de flores no Panteão aos combatentes caídos em campanha, pelo Presidente da Direcção e Presidente da Mesa da AG do Núcleo de Matosinhos da LC
Cemitério de Lavra - Deposição de coroa de flores no Panteão aos Combatentes caídos em campanha, pelo Vogal e pelo Secretário do executivo da União de Freguesias de Lavra, Perafita e Santa Cruz do Bispo, senhores Vítor Alves e João Torres.

A cerimónia prosseguiu com os respetivos toques de homenagem aos mortos e, após um minuto de silêncio, foi lida a prece do Exército pelo orador.

Dando continuidade ao programa traçado, foram proferidas alocuções alusivas ao ato pelo Presidente da Direção do Núcleo e por um elemento do executivo da Junta da União das Freguesias de Perafita, Lavra e Santa Cruz do Bispo.
Tenente Coronel Armando Costa na sua alocução
O Vogal do executivo da União de Freguesias, senhor Vítor Alves, dirigindo-se aos presentes. A sua mensagem foi de tal modo tocante que no fim da sua alocução muitos combatentes se abeiraram dele para o felicitar e agradecer as suas palavras. O editor pediu-lhe autorização para publicar o discurso no nosso Blogue:

Sr Tenente Coronel, Caros Combatentes, Queridas familias, Minhas Senhoras e Meus Senhores.
Há silencios que falam.
Hoje, neste local, esse silêncio é feito de saudade e de amor.
Amor à Patria, amor às famflias que ficaram, amor à vida que teimou em continuar, mesmo quando o horizonte se enchia de selva, poeira e incerteza.

Quando aqueles rapazes da nossa terra embarcaram, levaram duas coisas no peito: o emblema de Portugal... e uma fotografia amarrotada de casa. Talvez uma esquina de Perafita ao entardecer, a praia de Lavra varrida de vento, ou o adro da igreja de Santa Cruz do Bispo num domingo de Páscoa.

Permitam-me, hoje, dar voz a todas as mães e pais, a todas as esposas, noivas e irmãs que esperaram de coração apertado. Ouçamos um excerto de uma carta verdadeira, escrita em 10 de Dezembro de 1969 por Dona Leopoldina Duarte ao filho mobilizado na Guiné. É uma mãe que poderia ser qualquer uma das nossas:

"Meu filho, a tua mãe
Tanto suspira por ti,
Até chego a pensar
Que não te lembras de mim.
Se tu soubesses, meu filho,
0 amor que a tua mãe te tem,
Vejo vir os aviões
E notícias tuas não vêm."

lmaginem a mão trémula que dobrou o papel, a lágrima que manchou a tinta, o som do sino da aldeia marcando as horas vazias até ao próximo correio.
É por essa dor e por essa força que hoje estamos aqui.

Porque cada soldado levado pelo dever, carregou consigo todas as almas da sua rua, da sua escola, do seu clube.
E quando regressou, não foi apenas ele que voltou diferente; foi cada casa, cada mesa, cada festa de família que teve de aprender a abraçar uma versão nova, muitas vezes calada, do mesmo filho, do mesmo irmão.

Caros Combatentes,
Alguns de vós guardam lembranças tão vivas que basta fechar os olhos para ouvir o estampido no mato ou o coaxar dos sapos nas noites quentes de Luanda, de Bissau e de Nampula.
Outros procuram esquecer, mas a memória, essa fiel e teimosa companheira regressa sempre, nos cheiros, nos sonhos, na forma como a luz de fim de tarde se deita sobre o Atlântico aqui mesmo, em Angeiras.
E, no entanto, nunca vos faltou coragem. Coragem de partir. Coragem de lutar.
Coragem, sobretudo, de regressar e levantar de novo a vida: voltar ao mar, à lavoura, ao camião, ao banco da escola onde os vossos filhos ainda copiavam o abecedário.
Hoje, em vosso nome, queremos também abraçar os que não voltaram.

Na nossa memória ergue-se uma fileira de cadeiras vazias, com o nome de cada companheiro que repousa em solo estrangeiro. Que saibam, onde quer que estejam, que a sua terra não os esquece.

Queridas Famílias,
Sabemos que a coragem deles foi a vossa coragem: a de esperar, a de sorrir para não chorar na frente dos mais novos. A de rezar todos os dias a mesma oração até que o portão se abrisse e a voz tão desejada chamasse “Mãe” outra vez.

A todos vós, Combatentes do Ultramar, dizemos: obrigado. Obrigado por terem arriscado tudo.
Obrigado por terem voltado e construído connosco esta comunidade que hoje floresce em paz e liberdade.
Fica também uma promessa solene: enquanto houver uma criança a aprender a história destas freguesias, haverá alguém que conte o vosso exemplo. Enquanto houver mar que nos embale, haverá quem recorde que as ondas trouxeram de volta heróis cansados, mas de cabeça erguida.
Que cada lágrima de agora seja semente de gratidão.
Que este aplauso que vai nascer seja ponte entre as gerações.
Que a memória viva dos nossos Combatentes ilumine o futuro de Perafita, Lavra e Santa Cruz do Bispo.
Bem hajam

Viva os Combatentes do Ultramar
Viva a nossa União de frguesias
Viva Portugal


A cerimónia terminou com a audição do Hino da Liga dos Combatentes.
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Notas:
Texto: Núcleo de Matosinhos da Liga dos Combatentes
Fotos: Combatente José Trindade
Selecção, edição e legendagem das fotos: Carlos Vinhal

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Nota do editor

Último post da série de 11 de julho de 2025 > Guiné 61/74 - P27004: Efemérides (461): Foi inaugurado no passado dia 6 de Julho de 2025 um Memorial dedicado aos antigos Combatentes da guerra do ultramar da freguesia de Areias de Vilar, concelho de Barcelos (José Morgado, ex-Soldado CAR)

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Guiné 61/74 - P26970: Efemérides (460): Rescaldo da cerimónia de inauguração do Memorial em homenagem aos Combatentes de Leça da Palmeira caídos em campanha na guerra do ultramar


CERIMÓNIA DE INAUGURAÇÃO DE MEMORIAL EM HOMENAGEM AOS COMBATENTES DE LEÇA DA PALMEIRA MORTOS NA GUERRA DO ULTRAMAR

O Núcleo de Matosinhos da Liga dos Combatentes promoveu, em colaboração com a União de Freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira, a cerimónia em epígrafe, que contou com as presenças do Presidente do Núcleo de Matosinhos da Liga dos Combatentes, Tenente Coronel Armando Costa, do Presidente da União de Freguesias de Matosinhos e Leça da Palmeira, Sr. Paulo de Carvalho, da Presidente da Câmara, Dra. Luísa Salgueiro, membros do Executivo, membros dos Órgãos Sociais do Núcleo, sócios da Liga, familiares e amigos e cidadãos de Leça da Palmeira, o clarim dos Bombeiros de Matosinhos-Leça da Palmeira, o Porta Guião do Núcleo, num total de dezenas participantes.

Pelas 10H00, iniciou-se a cerimónia militar na entrada do parque público Fernando Pinto de Oliveira, em frente ao edifício da Junta de Freguesia de Leça da Palmeira, com a concentração dos presentes em frente ao Memorial, onde se encontram os nomes dos combatentes leceiros que tombaram pela Pátria.

O orador da cerimónia, Tesoureiro da Direção, Sargento Mor David Caetano, deu início à leitura do Guião da cerimónia a que se seguiu a audição e entoação do Hino Nacional por todos os presentes e a inauguração e bênção do Memorial pelo Rev. Padre Francisco Andrade.

O Presidente da Mesa da Assembleia Geral do Núcleo, Sr. Ribeiro Agostinho, fez a chamada de todos os combatentes mortos da freguesia na Guerra do Ultramar, seguindo-se a deposição de uma coroa de flores e o Rev. Padre Francisco Andrade proferiu uma evocação religiosa.

A cerimónia prosseguiu com os respetivos toques de homenagem aos mortos e, após um minuto de silêncio, o clarim dos Bombeiros de Matosinhos-Leça da Palmeira fez o toque de alvorada. De seguida, foram proferidas alocuções alusivas ao ato pelo Presidente da Direção do Núcleo, pelo Presidente da Junta e pela Presidente da Câmara.

Por último, ouviu-se o Hino da Liga dos Combatentes.

Para além da inauguração de mais um Memorial aos Combatentes do Ultramar no concelho de Matosinhos, esta atividade teve igualmente o objetivo de levar à prática o Programa Estruturante da Liga dos Combatentes “Conservação das Memórias”.


Antigos combatentes e autoridades
Sargento Mor David Caetano, orador da cerimónia
Porta-Guião do Núcleo de Matosinhos da Liga dos Combatentes
Clarim dos Bombeiros Voluntários de Matosinhos-Leça
Momento da inauguração do memorial com os nomes dos leceiros caídos em campanha
O Rev. Pe. Francisco benzendo o memorial
O Combatente Ribeiro Agostinho fazendo a chamada dos leceiros caídos em campanha
Momento da evocação religiosa aos mortos pelo Rev. Pe. Francisco
O combatente Daniel Folha declama dois poemas de sua autoria, um dedicado às Mães e o outro dedicado aos combatentes da guerra do ultramar
O Presidente do Núcleo de Matosinhos da LC no uso da palavra
O Presidente da União de Freguesias Matosinhos-Leça da Palmeira, dirigindo-se aos combatentes presentes
A Dra. Luísa Salgueiro, Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, falando aos presentes

Texto do Núcleo de Matosinhos da LG
Fotos: José Trindade, editadas e legendadas por CV

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Nota do editor

Último post da série de 12 de junho de 2025 > Guiné 61/74 - P26913: Efemérides (459): Discurso de Lídia Jorge, Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do 10 de Junho de 2025, em Lagos

sábado, 28 de junho de 2025

Guiné 61/74 - P26964: Os 50 anos da independência de Cabo Verde (4): Cemitério Central do Mindelo: Talhão dos combatentes portugueses (Nelson Herbert / Luís Graça) - II (e útima) Parte

 


Foto nº 10


Foto nº 11


Foto nº 12


Foto nº 13



Foto nº 14



Foto nº 15



Foto njº 16


Foto nº 17


Foto nº 18


Foto nº 19



Foto nº 20




Foto nº 21 e 21A


Cabo Verde > Ilha de São Vicente > Mindelo > Cemitério Municipal > Maio de 2025

Fotos: © Nelson Herbert  (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagemn: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.



1. Publicação das restantes fotos do Talhão da Liga (Portuguesa) dos Combatentes, no Cemitério Municipal do Mindelo, ilha de São Vicente, Cabo Verde,  enviadas no passado dia 25 de maio, pelo nosso grão-tabanqueiro Nelson Herbert, jornalista reformado da VOA - Voice of America, guineense de origem cabo-verdiana.

Sabemos que o talhão das "Forças Expedicionárias Portuguesas (1939-1945)" é constituído  por  68 campas, de militares mortos por doença ou acidente, na Iha de São Vicente (40) e na Iha do  Sal (28)(*).

A sigla G.A.C.A (fotos nº 14 e 16) quer dizer "Grupo de Artilharia Contra Aeronaves".

Na foto nº 21 pode ler-ser a seguinte inscrição:

"À memória do cirurgião-mor do exército L. L. Guibara,  falecido em 31 de agosto,  por  ocasião do aparecimento do cólera-morbo. Testemunho de gratidão dos habitantes da ilha de São Vicente. Em 1856".

Trata-se do tenente graduado médico do exército português, Henrique Leopoldo Lopes Guibara (Gibraltar, 1826-1856), reconhecido como  um médico-mártir devido ao seu falecimento  num surto de cólera (ou cólera-morbo, como se dizia então),  em 31 de agosto de 1856, na ilha de São Vicente, Cabo Verde.

Eis a informação que recolhemos de Manuel Brito-Semedo, no seu blogue "Esquina do Tempo" (em poste de 13 de agosto de 2020), 

(...) "No dia 23 de agosto de 1856, começou em São Vicente a epidemia da cólera-morbo, importada de um vapor procedente da Madeira trazendo a bordo doentes dessa moléstia. 

Faleceram 645 indivíduos, até ao dia 20 de setembro, estando nesse número o delegado de saúde, o cirurgião-mor do exército Henrique Guibara, que morreu a 31 de agosto, ficando a ilha sem um dos principais responsáveis pela gestão da crise sanitária." (...)

Na altura São Vicente não teria mais do que 1,4 mil habitantes. (Na segunda metade do séc. XIX, Mindelo  começa a desenvolver-se,  graças sobretudo à sua atividade portuária: o porto da Baía Grande torna-se um ponto estratégico para o reabastecimento de navios a carvão; como imigrantes das ilhas próximas, como Santo Antão e São Nicolau, reforça-se a população local; no início da II Guerra Mundial, estima-se a população em 15 mil; segiundo o censo de 2010, teria mais de 70 mil.)

(...) "Conforme Henrique de Santa-Rita Vieira, no seu livro 'História da Medicina em Cabo Verde' (1999), como testemunho de gratidão da ilha de São Vicente, foi construído um mausoléu em sua homenagem, em 1856 (hoje desaparecido, aliás, como o cemitério, que ficava situado na Chã de Cemitério)." (...)

(...) Henrique Leopoldo Lopes Guibara poderá pertencer à leva de judeus que vieram para Cabo Verde no século XIX, provenientes do enclave inglês (de Gibraktar) e de Marrocos.

Um decreto datado de 10 de junho de 1851 nomeou o cirurgião civil Henrique Leopoldo Lopes Guibara para o serviço do Exército, passando a ser 'cirurgião ajudante', colocado no Batalhão de Caçadores n. º1.

Um novo decreto de 31 de agosto de 1854 determinou que o Dr. Henrique Guibara passasse a servir na ilha de São Vicente, por tempo de 6 anos e, para o efeito, foi promovido a 'cirurgião mor' do exército. Em março de 1855, foi nomeado Delegado de Saúde dessa ilha." (...)


Tem nome de rua no Mindelo.

sexta-feira, 27 de junho de 2025

Guiné 61/74 - P26963: Os 50 anos da independência de Cabo Verde (3): Cemitério Central do Mindelo: Talhão dos combatentes portugueses (Nelson Herbert / Luís Graça) - Parte I




Foto nº 1 > Forças Expedicionárias Portuguesas: talhão dos combatentes  (1)


Foto nº 2 >  Forças Expedicionárias Portuguesas: talhão dos combatentes  (2) 


Foto nº 3 >  Forças Expedicionárias Portuguesas: talhão dos combatentes  (3)



Foto nº 4 > Mindelo, 23 de outubro de 2002>  Homenagem da Liga dos Combatente  aos Militares da Força Expedicionária Portuguesa em Cabo Verde, 1939-1945

 

Foto nº 5 > Forças Expedicionárias Portuguesas: Militar não identificado


Foto nº 6  > Forças Expedicionárias Portuguesas: 2º saregnto Josér M. Mendes, falecido em 14/6/1941



Foto nº 7 > Forças Expedicionárias Portuguesas: José H. Feliciano,1º cabo eng, falecido em 28/10/1941



Foto nº 8 > Sergeant J. A. E. Crawfor, AIF (Australian Imperial Force)~(...) St Vincent Place. Mebourne. Who (...) (ilegíveis  as duas últimas frases).


Informação adicional : "15046 Staff Sergeant John Alfred Eric Crawford, Australian Army Medical Corps, died 16th September 1916". (Sargento-ajudante, nº 15046,  John Alfred Eric Crawford, do Corpo Médico do Exército Australiano, falecido em 16 de setembro de 1916)



Foto nº 9 > Tradução: À terna memória de Walter, querrido marido de Fances Herrinmg, morto em 29 de julho de 1942. Um dos heróis de Inglaterra".

Informação adicionl: "Chief Steward Walter Herring, S.S. Siris (London), Merchant Navy, died 29th July 1942, aged 36. Husband of F. Herring, of Hessle, W. Yorks." (Comissário-Chefe Walter Herring, S.S. Siris (Londres), Marinha Mercante, falecido em 29 de julho de 1942, aos 36 anos. Marido de F. Herring, de Hessle, West Yorkshire.)


Fotos: © Nelson Herbert (2025). Todos os direitos reservados. (Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)



Cabo Verde > Ilha de São Vicente > Mindelo > Cemitério de Mindelo > 1943 > Foto do álbum de Luís Henriques (1920-2012), com a seguinte legenda: "Justa homenagem àqueles que dormem o sono eterno na terra fria. Companheiros de expedição os quais Deus chamou ao Juízo Final. Pessoal da A[nti] Aérea [do Monte Sossego] depois das cerimónias desfila fazendo continência às sepulturas dos companheiros. Oferecido pelo meu amigo Boaventura [Horta, conterrâneo, da Lourinhã,] no dia 17-8-1943, dia em que fiquei livre da junta (médica)."

Segundo  Adriano Miranda Lima, autor do livro "Forças Expedicionárias a Cabo Verde na II GuerraMundial" (Mindelo, São Vicente, 2020, ed. de autor), morreram em São Vicente, entre 1941 e 1946, 40 militares das forças expedicionários (pág. 172) e 28 na ilha do Sal (pág, 173).

Fotos (e legendas): © Luís Graça (2020). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.


1. O Cemitério Municipal  do Mindelo, no Talhão da Liga (Portuguesa) dos Combatentes, continha, em 2018, 68 campas de militares portugueses, expedicionários durante a II Guerra Mundial (1939-1945) (*). 

Há, além disso, lápides de cidadãos da Commonwealth, militares e civis (marinha mercante) que morreram na I Guerra Mundial (cinco ingleses e um australiano) e  na II Guerra Mundial (três britànicos).

Recentemente recebemos fotos desse lugar histórico, que vamos apresentar em dois postes.



2. Mensagem do nosso grão-tabanqueiro Nelson Herbert (tem mais de 7 dezenas de referências no nosso blogue).


Data - 25/06/2025, 21:13
Assinto - Fotos-relíquia

Hi ..., meu velho amigo

Em São Vicente, Cabo Verde, de férias e de uma visita da “praxe” ao túmulo dos meus pais…no Cemitério Central do Mindelo, algo que nem um ritual se repete sempre e quando por estas ilhas me “veraneio",  dou de caras com este “cantinho”, talhão dos combatentes, onde jazem elementos da tal força expedicionária portuguesa  (**) de que muito falávamos e que se cruza com a “história” de nossas vidas…, dos nossos “Velhos” …

Diga-se, um talhão devidamente conservado e “tido em conta", visitado, reza o testemunho dos coveiros, por muitos turistas… face ao interesse que o sítio histórico começa a despertar, sobretudo entre os ingleses…

Pois são igualmente visíveis,  e em relativo estado de conservação, túmulos de soldados e tripulação de navios ingleses “torpeados” nestas águas de Cabo Verde por submarinos alemães.

Curiosamente grande parte dos túmulos de expedicionários portugueses visitados, com exceção de um punhado deles , são de soldados não identificados, como se pode ver nas fotos que anexo (não de grande qualidade mas enfim…).

Do porquê dessas campas, salvo raras exceções, não terem na lápide tumular a identificação do soldado expedicionário,  gerou-me uma certa curiosidade… Why ?

Relativamente aos túmulos de ingleses também “não identificados”, reza a versão da época…, é pelo o facto de serem restos mortais de marinheiros, cujos corpos terão sido  recuperados por pescadores desta Ilha … e em avancado estado de decomposição e na sequência de navios “torpeados” nestas águas… palco, como se sabe , de algumas batalhas navais da época.

Ficam estas observaçõe, redigidas num Café â Beira Mar … e nesta Ilha acolhedora da minha ancestralidade.

“O Mais Velho”  (**) iria por certo adorar,  rever tais momentos de uma juventude consumida em parte por esta acolhedora Ilha de S Vicente. (***)


(Revisão / seleção de texto: LG)

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Notas do editor LG:

(*) Recorde-se que,  durante a II Guerra Mundial, à semelhança dos Açores (cuja guarnição militar foi reforçada com 30 mil homens, bem como da Madeira, com mil homens), para a defesa de Cabo Verde, e sobretudo das duas ilhas com maior importância geoestratégica, a ilha de São Vicente e a ilha do Sal, foram mobilizados 6358 militares, entre 1941 e 1944, assim distribuídos por 3 ilhas (i) 3361 (São Vicente): (ii) 753 (Santo Antão); e (iii) 2244 (Sal).

Mais de 2/3 dos efetivos estavam afetos à defesa do Mindelo (ou seja, do porto atlântico, Porto Grande, ligando a Europa com a América Latina, a par dos cabos submarinos).

Os portugueses, hoje, desconhecem ou conhecem mal o enorme esforço militar que o país fez, na II Guerra Mundial, para garantir a soberania portuguesa nas ilhas atlânticas e nos territórios ultramarinos. Cerca de 180 mil homens foram mobilizados nessa época.

Vd. poste de 20 de agosto de 2012 > Guiné 63/74 - P10282: Meu pai, meu velho, meu camarada (30): Dispositivo militar metropolitano em Cabo Verde (Ilhas de São Vicente, Santo Antão e Sal) durante a II Grande Guerra (José Martins)


(**)  O Nelson Herbert Lopes (que foi jornalista da VOA - Voz da América) refere-se   aqui ao seu pai, Armando Lopes  (Mindelo, 1920 -  Mindelo, 2018), uma antiga glória do futebol cabo-verdiano e guineense, Armando Búfalo Bill, seu nome de guerra, o melhor futebolista da UDIB e do Benfica de Bissau, tendo sido também internacional pela selecção da antiga Guiné Portuguesa:


(...) O meu velho entrou para a tropa a 15 de agosto de 1943. Fez a recruta e o treino militar em Chã de Alecrim [a nordeste da cidade do Mindelo, Ilha de S. Vicente, Cabo Verde].,Depois do juramento da bandeira (...) é transferido para Lazareto e São Pedro [na parte oeste, sudoeste da ilha].

Lembra-se perfeitamente do corpo expedicionário vindo da então Metrópole. Termina o serviço militar em janeiro de 1945. Frequenta , como vários outros nativos crioulos, o Curso de Sargentos Milicianos, graduação a que entretanto dificilmente os nativos chegavam... (...)