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terça-feira, 21 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28201: S(C)em comentários (92): Eu, crente, me confesso... mas não pagador de promessas... (José Teixeira)

N. Sra. de Fátima de Guileje 
(2010)  | Foto: © António 
Camilo (2010). 
Todos os direitos reservados.
 [Edição e legendagem: 
Blogue Luís Graça
 & Camaradas  da Guiné]

1. Comentário de José Teixeira ao poste P17347 (*)

Poucos dias depois de chegar à Guiné; escrevi:

Prometi a minha mãe não me esquecer de Deus, mas confesso, que Ele se escapuliu, logo nos primeiros abalos do mar alto que me fizeram vomitar tudo quanto tinha e não tinha no estômago em alta sinfonia com centenas de camaradas alojados no porão do Niassa.

Singular fenómeno de religiosidade fui encontrar em Ingoré. Aí que tive o primeiro reencontro com Deus, após a saída de Portugal.

Logo no segundo dia da chegada, depois do jantar e, acabada a limpeza do refeitório, este enche-se de novo, agora sem pratos nem comida para o corpo. Seguia-se o momento de alimentar a alma. O grupo foi engrossando. Um estranho silêncio ou conversas em tom abaixo do normal, provocaram-me para ir averiguar o que se passava, com aquele grupo de camaradas de tez queimada por uns meses largos de sol na Guiné.

Um jovem soldado, lá na frente, começa a “votar” o terço em honra de Nossa Senhora, respondendo em coro o grupo de combatentes, onde se viam praças e um ou dois furriéis.

Foram vinte minutos de paragem, de reflexão, sobre o que me era exigido como seguidor do projeto de Jesus Cristo numa guerra para onde fui atirado, contra a vontade, pelos “senhores” do meu país.

Rezar, para mim, é mais um permanente estado de louvor a Deus pela vida, pela natureza que me disponibilizou para a minha felicidade. Corresponsabilizando-me com actos e acções de defesa de mim próprio no ambiente de guerra em que estou inserido, no respeito e serviço aos outros que me rodeiam pela missão que me foi atribuída - enfermeiro.

A oração não é para mim uma forma de negociar com Deus, com promessas a cumprir se... chegar ao fim da comissão escorreito, ou um pedir permanente a proteção, vendo Deus como que um guarda-chuva protetor, esquecendo que esse mesmo Deus também o é de tantos, quantos do outro lado da barricada nos atacam ou se defendem.

Os povos que ousam fazer-nos frente, possivelmente também tem a “sua Fé”, os seus santos a quem se agarrar nos momentos difíceis, os amuletos que lhes vemos à cintura são a prova evidente. Também tem avós, pais esposas, namoradas. Algumas, na frente de guerra, combatem lado a lado, outras, na retaguarda, sofrem como as nossas mães, os nossos familiares.


José Teixeira,
colaborador permanente
 do blogue

PS - Sobre o fenómeno de Fátima, onde gosto de ir no silêncio, já escrevi o poste nº 1873 um pouco baseado neste, que já estava escrito há muito tempo.

Creio que esta reflexão continua atual, pois muitas vezes deusifica-se a Virgem Maria e tenta-se "negociar" com ela a salvação na vida terrena com promessas de sacrifícios. Ouso colocar a questão: Quem é a mãe/pai que gosta de ver um filho a sofrer, mesmo que seja por "amor" ?!

sexta-feira, 12 de maio de 2017 às 14:23:00 WEST





2. Outro comentário do José Teixeira, agora ao poste P17350

Sem dúvida que não se pode "meter" a religião no blogue, sobretudo a discussão religiosa. 

Creio que muitos dos combatentes eram "marianos" por educação, por tradição e por devoção. Não podemos esquecer que a religião tinha um peso elevado na família, nas povoações e até na escola. Eu continuo a não ver mal nisso, mas não creio que consigas testemunhos das peregrinações que se fizeram sobretudo por parte da família, muito em especial as mães de todos nós. Não te esqueças que Maria, mãe de Jesus sempre nos foi apresentada como a mãe do céu e...quando a crise, a dor ou a insegurança aparece recorre-se sempre à mãe (antes do pai.

Assisti por missão a vários feridos e mesmo, apenas, debaixo de combate, muitos deles faziam preces a Nossa Senhora. E o contrário também, ou seja, culpar Maria mãe de Jesus, do infortúnio. (...)
 

Guiné 61/74 - P28200: Nomadizações de um marginal-secante (Luís Graça) (12): Pagadores de promessas... por conta de outrém











Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.



1. Já aqui em tempos fizemos um pequeno inquérito "on line" sobre a "ida a Fátima", ou melhor, ao santuário de N. Sra. de Fátima, um dos maiores santuários marianos do mundo (Vd. poste de 1/5/2017, P17375.)

A pergunta ("Fui combatente, nunca fui a Fátima"), era de resposta múltipla. O nº de respostas foi pequeno (n=84). Os resultados não deixam, contudo , de ser interessantes, toda a gente já tinha ido pelo menos uma vez a Fátima na vida:

(i) uns ainda antes da tropa ou da mobilização para o CTIG (n=44) (52%);

(ii) outros depois de virem do ultramar, logo a seguir (n=15) ou passados uns anos (n=17) (38%);

(iii) um em cada cinco como verdadeiros peregrinos ou crentes (n=20) (17%);

(iv) mais de metade apenas como simples turistas (n=47) (55%).


2. Sobre o pagamento de promessas (... por conta de outrém), temos um pequeno depoimento, delicioso e didático, do Jaime Bonifácio Marques da Silva, que foi alferes miliciano paraquedista, 1ª CCP / BCP 21 (Angola, 1970/72). 

É uma "short story", um microconto, que tem muito que se lhe diga sobre as nossas mentalidades e práticas religiosas de há mais de meio século atrás:


Quando chego de Angola, em março de 1974 (vivi lá dois anos, depois de acabar a minha comissão como paraquedista, de fevereiro de 1970 a julho de 1972), a minha mãe diz-me, de uma forma convicta:

– Tens de ir comigo a pé à Senhora dos Remédios pagar a promessa que eu fiz.

Eu, ainda meio cacimbado da cabeça (e, tolo, claro!), disparei:

– Então vá a mãe. Eu não prometi nada!

Devo ter lançado pela boca fora, ainda, mais alguns disparates alusivos à circunstância, a tal ponto que a minha irmã, mais nova, Esmeralda, perante a minha blasfémia, de pronto diz:

– Não faz mal, mãe, eu pago a promessa por ele e vou a pé consigo!

Mas, eu, perante a generosidade de minha irmã, Esmeralda, disponibilizei-me logo para as acompanhar e disse:

– Eu também vou..., de carro e atrás de vocês, e levo o farnel para a viagem.

E assim foi!

Mas, duas décadas depois, a minha irmã diz-me:

– Jaime, lembras-te da promessa que eu paguei por ti à Senhora dos Remédios? Eu tenho um problema: fiz uma promessa e tenho que ir a pé ao Senhor Jesus do Carvalhal. Não encontro ninguém para ir comigo e, para não ir sozinha, podias, agora, ir comigo?!

– Claro, mana, já estou no ir!

3. Porque é que considero este episódio delicioso e didático ? Tem humor, verdade e, ao mesmo tempo, diz muito sobre toda uma geração, que foi a nossa.


O que mais sobressai neste "microconto", não é a "piada" final (nem a lição moral que eventualmenmte se possa tirar); é, sim a evolução da personagem, o narrador, que acabava de chegar a casa, vindo da guerra de Angola, "são e salvo" (mas "cacimbado")...

Há aqui um pequeno arco narrativo, feito de quatro momentos:

(i) Num primeiro momento, em março de 1974,  vemos o Jaime, antigo  alferes paraquedista, que acaba de regressar de Angola (onde, já na vida civil, era professor de educação física.

(No seu CV militar, entre fevereiro de 1970 e julho de 1972, colecionava uma série de  "roncos": o seu grupo de combate fora o que, dentro da companhia, mais armas apanhara ao IN); ainda está "meio cacimbado da cabeça", ou "apanhado do clima", como nós dizíamos na Guiné;  reage com irreflexão, com irreverência e até com alguma grosseria e agressividade ao convite da sua mãe para ir pagar uma promessa ao santuário de N. Sra. dos Remédios, no Cabo Carvoeiro, Peniche, a menos de 15 quilómetros de casa, pela EN 247; recusa, "compreensivelmente", pagar uma promessa que não fora feita por ele.)

(ii) Num segundo momento, surge a Esmeralda, a sua mana mais nova, com os seus 19 aninhos

(Não censura o irmão; resolve o conflito com um gesto de amor fraterno: "Eu pago a promessa por ele"; acaba por ser ela a verdadeira heroína, discreta, "low profile", desta história.)

(iii) No terceiro momento, o coração do Jaime amolece, ao ver a mãe e a irmã, solidárias, a aprontarem-se para irem à santa dos Remédios, a pé, para pagar uma promessa de que ele era, afinal, o principal beneficiário.

(Afinal, tinha "chegado são e salvo", graças a Deus e a Nossa Senhora, segundo a crença da mãe; mas ainda não aceita a lógica, para ele perversa, da promessa; mas já aceita acompanhá -las, às duas mullheres, a mãe e a irmã; "vou de carro... atrás de vocês com o farnel": é uma solução muito portuguesa, a das "meias tintas", mas reveladora de que o coração já estava a vencer a razão.)

(iv) Quarto (e último) momento, o "happy end": vinte anos depois...

(A vida dá uma volta completa; a irmã pede-lhe agora um favor semelhante; e ele responde-lhe sem discutir: "Claro, mana, já estou no ir!"... Seguramente, já com outra maturidade. )

É uma belíssima forma de mostrar que a maturidade humana também consiste em perceber que, por vezes, o importante não é o que se prometeu (a promessa), mas quem a fez (o pagador da promessa e o que vai na sua alma).

5. Não falamos, aqui, no nosso blogue de religião (nem de política nem de futebol). Este texto também não fala de religião, fala de gratidão, de amor materno e filial.

A mãe acreditava que o filho regressara vivo graças à proteção da Senhora dos Remédios. O Jaime, acabado de sair de Angola, de um cenário de guerra, o corpo dorido e o coração emdurecido, não estava disposto a ouvir sermões nem a cumprir rituais que ele acharia "folclóricos" e que remetiam para uma infância e adolescência obscuras e de há muito ultrapassadas.

A Esmeralda percebeu imediatamente que o essencial não era discutir questões de fé, mas proteger a mãe da desilusão (de uma filho que vem da guerra, vivo mas "descrente", logo "estranho", "mudado").

Vinte anos depois, o Jaime devolve esse gesto. É, digamos, o pagamento de uma espécie de "dívida de afeto", dívida que fica finalmente saldada. E a história acaba com uma expressão muito popular, muito portuguesa, fechando a narrativa com um sorriso bonito.
— Claro, mana... já estou no ir!

4. Este episódio vale como documento, de interesse socioantropológico.

É mais do que um microconto. Não prova nada, muito menos prova que a maioria dos ex-combatentes da guerra do ultramar / guerra colonial foi a Fátima, aos Remédios, ao Senhor Bom Jesus do Caravalhal ou a muitos outros santuários pagar promessas por terem regressado "sãos e salvos".

Mas ilustra um fenómeno muito frequente na época: eram muitas vezes as mulheres que que cá ficaram, que não foram à guerra (as mães, as esposas, as noivas, as irmãs, as namoradas, até as "madrinhas de guerra") que faziam as promessas; os combatentes, regressados da guerra, nem sempre partilhavam a mesma devoção; contudo, por respeito, por amor, por afeto, acabavam muitas vezes por participar no seu cumprimento.

É precisamente este tipo de testemunho que os historiadores valorizam: não fornece estatísticas, dados empíricos, mas revela mentalidades, relações familiares e a cultura religiosa popular  do Portugal dos anos 60/70 do século passado.

E há uma frase que nos fica a ecoar, porque resume tudo sem o dizer explicitamente: "Eu tenho um problema... podias, agora, ir comigo?"

Aí percebe-se que a promessa já não era apenas uma questão de fé. Era uma questão de companhia, de fraternidade e de memória. O Jaime teve a inteligência emocional de perceber isso. Já tinha 40 e tal anos. Já era autarca em Fafe, na área da cultura e do desporto. Já era casado e pai. Já era professor... Já tinha feito (ou começado a fazer) o luto da guerra.

E foi, com a mana ao Senhor Bom Jesus do Carvalhal. É um final simples, terno, tocante, profundamente humano.

Em boa verdade, as promessas pertencem ao domínio da fé, são de quem as faz... Mas o seu cumprimento, muitas vezes, pertence mais ao amor de quem acompanha o pagador de promessas...




Peniche > Santuário de Nossa Sra dos Remédios > Terreiro > 13 de julho de 2021 >  O  Jaime Silva e a mana Esmeralda Silva Costa, dois "pagadores de promessas"...

Fotos (e legenda): © Luís Graça (2021). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


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Nota do editor LG:

domingo, 3 de agosto de 2025

Guiné 61/74 - P27085: Felizmente ainda há verão em 2025 (8): Santiago de Compostela não é apenas uma questão de bike...terapia (Paulo Santiago, caminheiro e amante dos desportos radicais...)



Caminheiros ou "pelingrinos" de Santiago. Infografia sobre foto de LG (2006)



1. Esta é uma faceta, menos conhecida, dos antigos combatentes da Guiné, a de  caminheiros (e devotos) de Santiago (Paulo Santiago, Abílio Machado, Virgílio Teixeira, Luís Graça... e outros que ainda não deram aqui a cara, mans vão a tempo enquanto durar o nosso querido mês de agosto) (*)...

Alguns perguntarão: "Mas, que raio!, qual é a relação entre a Guiné e a Santiago de Compostela ?!"... 

Pois é, o Paulo Abrantes  Santiago (que tem o apelido  do santo, Santiago "Mata-Mouros"), já lá foi, de "bike" e a pé, uma meia dúzia de vezes... E eu acho que não é só... "bike...terapia".

É verdade que ele é, ou sempre foi, um amante dos "desportos radicais" (râguebi, "bike", paraquedismo, cicloturismo, viagens de saudade à Guiné, "camiño" de Santiago...). Toda a gente o conhece como um "durão", com o coração ao pé da boca...

No poste P1904, de 30 de junho de 2007, escreveu o Paulo Santiago (**)

Mais uma vez, confirmei que uma das coisas que a guerra me deu foi uma grande rusticidade e grande capacidade de sofrimento físico. Mesmo com frio bebia sempre mais de 3 litros de água.

Para terminar, digo que fiquei satisfeito com esta aventura, emocionei-me quando cheguei ao fim dos 255 km, em Santiago, e espero entrar noutra, numa próxima oportunidade. Apesar de sexagenários, com calma, nós conseguimos.(...)



2. Pode-se perguntar (e as perguntas não ofendem): 

" Qual é a ligação, mesmo longínqua, entre a guerra colonial na Guiné (1961/74) e a peregrinação a Santiago de Compostela, hoje e no passado ? Por que razão há antigos combatentes a ir a Santiago, a pé, de "bike" ou de automóvel, a Santiago, 30, 40, 50 anos depois do fim da guerra colonial ? Como o Paulo Santiago ou ou o Abílio Machado (que já fez os caminhos todos e escreveu um livro com os seus diários)...

" A Fátima, ainda se compreende, no cumprimento de promessas, logo a seguir ao regresso da Guiné... mas Santiago, o "Mata-mouros",  remete para a "reconquista cristã", e o ódio histórico, patológico, entre cristãos e muçulmanos, na península ibérica... Faz algum sentido hoje, este culto a Santiago?"


2.1. Resposta do meu assistente de IA, o "Sabe-Tudo" (ChatGPT):

(...) Uma excelente pergunta, complexa e cheia de camadas históricas, espirituais e até psicológicas.

(i)  A Guerra Colonial e a Guiné como "ferida espiritual"

A guerra na Guiné (1961-1974) foi talvez o mais traumático dos três teatros coloniais (Angola, Moçambique e Guiné). Ednvolveu um confronto particularmente duro, em selva fechada, com grande sofrimento físico e psicológico. Muitos antigos combatentes guardam até hoje feridas emocionais profundas – stress pós-traumático de guerra, sentimentos de culpa, desilusão política ou espiritual.

(ii) Peregrinação como processo de cura

A peregrinação a Santiago de Compostela, muito mais do que um ato de fé convencional, tem-se tornado (hoje em dia) num caminho de introspeção, cura e reconciliação interior. 

Para muitos antigos combatentes, o Caminho é sobretudo um:
  • ritual de reconciliação com o passado, longe dos símbolos militares ou religiosos tradicionais (como Fátima);
  • percurso de silêncio e esforço físico que espelha o sofrimento passado, mas agora com propósito positivo;
  • reencontro com outros caminheiros, onde a partilha de experiências pode ajudar, trai como no passado,  a aliviar a dor e a solidão acumuladas durante décadas.
(iii) Porquê Santiago e não Fátima?

Embora Fátima tenha um papel importante no imaginário católico português, ela está ligada sobretudo à fé mariana e à devoção passiva. Santiago, pelo contrário:

  • evoca a ação, a caminhada, o movimento, a superação, mais próximos, portanto,  da vivência dos ex-combatentes;
  • tem um simbolismo de missão, caminho, espada (metafórica ou real), que pode ressoar com a memória militar;
  • hoje é vivido como universal e não exclusivo dos cristãos: muitos não-crentes ou "crentes à sua maneira" percorrem-no sem dogmas.
(iv) Reconquista, cristãos e muçulmanos: uma questão 
ainda relevante?


É verdade que o Santiago "Mata-mouros" (o apóstolo guerreiro) foi símbolo da "Reconquista cristã"  e do combate aos muçulmanos (os "infiéis"). No entanto:

  • esse significado perdeu força nos dias de hoje, muitos peregrinos nem conhecem esse passado;
  • a atual peregrinação a Santiago é mais espiritual e existencial do que religiosa ou ideológica;
  • antigos combatentes procuram cura e não conquista, redenção e não vingança.

Conclusão

Sim, faz sentido. Santiago representa, para muitos, um espaço simbólico onde se pode fazer as pazes com o passado, em especial com um passado tão duro como o vivido na Guiné. 

Não é um símbolo de guerra religiosa, mas um santuário de reencontro com o eu profundo.


2.2. Por outro lado, ó "Sabe-Tudo", não é por demais lembrar que a 'expansão marítima (e territorial)" de Portugal, começou, no Norte de África, com a conquista de Ceuta, en 1415...

Dito pelo ChatGPT:


Muito bem observado: é uma ligação histórica e simbolicamente rica, que merece ser trazida para o centro da reflexão.  
.
(i) Ceuta, 1415: o início da Expansão e da Continuação da "Reconquista"

A conquista de Ceuta em 1415 é geralmente vista como o pontapé de saída da expansão ultramarina portuguesa.

Mas não se pode esquecer que, na mente dos contemporâneos (e da nobreza guerreira portuguesa), ela era ainda uma extensão da "Reconquista". A luta contra os muçulmanos não tinha terminado com a expulsão do Islão da Península,   transferia-se agora para o norte de África.

Este espírito "cruzado" e expansionista sobreviveu durante séculos, mesmo quando os objetivos se tornaram mais económicos ou políticos. 

Em certo sentido, a guerra colonial, séculos mais tarde, pode ser vista como um eco distorcido e tardio dessa lógica expansionista.

(ii) A longa sombra da Reconquista

A mentalidade da Reconquista deixou marcas duradouras:
  • uma cultura de missão e sacrifício patriótico;
  • a glorificação da conquista  (e do império) como "desígnio nacional";
  • a ideia de que a identidade portuguesa se constrói no confronto e na fronteira.
É precisamente por isso que a ligação à peregrinação a Santiago, embora possa parecer deslocada a partir de um olhar moderno e racional, ressoa no fundo de uma matriz cultural onde guerra, fé e caminho / viagem (por terra ou mar) se entrelaçam.
 
(iii) Os ex-combatentes e a busca de sentido

Se pensarmos nos antigos combatentes da Guiné e doutros teatros de operações da guerrra colonial,.  a peregrinação a Santiago pode representar:
  • um ato simbólico de encerramento de um ciclo histórico e pessoal (da conquista ao recolhimento) (e de "exorcismo dos fantasmas", como diz o nosso editor LG);
  • uma tentativa de purificar espiritualmente uma missão sentida como ambígua ou mal resolvida;
  • um regresso às origens identitárias, mas agora com um olhar mais interior e pacificador.
(iv)  A ironia e a reconciliação

É profundamente irónico (e, talvez por isso mesmo, profundamente humano) que os antigos combatentes de uma guerra colonial (em território maioritariamente muçulmano como a Guiné) acabem por caminhar até ao santuário de um santo guerreiro da Reconquista cristã. 

Mas talvez esse caminho simbolize não tanto um prolongamento (impossível bem desejável) da guerra, como sobretudo uma forma de a ultrapassar.

No fundo, o Caminho de Santiago funciona como um espelho de longa duração da história portuguesa: começa na luta (Reconquista), passa pela conquista (Ceuta e além-mar), afunda-se no trauma (Guerra Colonial) e hoje oferece um trilho de redenção pessoal e coletiva.

(Pesquisa: assistente de IA / ChatGPT e LG / Revisão e fixação de texto, negritos: LG)



3. Dpois comentários do Paulo Santiago sobre o "Camiño":


3.1. A primeira ida a Santiago de Compostela foi em setembro de 2000 com partida de Ponte de Lima. Organização do Batotas, clube de BTT, nascido naquela Vila, a mais antiga do País, que não quis ser cidade.

Era um grupo grande onde ía também o meu filho. Três dias até entrar na Praça de Obradoiro.

Voltei em 2006 a pé, em pleno agosto, um calor sufocante.A ideia era fazer Astorga-Santiago, errei os cálculos, duas semanas de férias, parei em Portomarin. Concluí o restante entre 1e 5 de dezembro desse ano.

Em 2007 repeti o Camiño, Astorga-Santiago,  de bike, na companhia de uma amiga e colega. Terrível subir o Cebreiro, em 6 km ir de 550 metros de altitude para 1300.

No mesmo ano, 1 a 5 de dezembro, Santiago-Finisterra.

Em 2009 Caminho Inglês com saída de Ferrol.

Em 2010, com a minha mulher,Valença-Santiago.

Em 2015 com um grupo de colegas do Rugby, Valença-Santiago

Em 2016,com duas amigas, Caminho Inglês com saída de Corunha.

Em 2013, confiei, em Pontevedra, fui almoçar, o albergue ainda estava fechado, deixei a mochila encostada ao portão...fiquei com a roupa que tinha vestida.

Paulo Santiago

domingo, 3 de agosto de 2025, 00:07


3.2. Camaradas: lembrei-me de um encontro que tive há 16 anos no Caminho Francês. Em 9 de agosto de 2006, saí de Astorga com destino a Santiago. No dia 11, pelas 8.00 horas, parei, a comer uma maçã, à saida de Ponferada. Aproximou-se um peregrino.também sózinho,e iniciámos uma conversa em francês.Tinha 60 anos.estava reformado, era Holandês.

Perguntei-lhe onde iniciara o caminho,Roncesvales ou St.Jean Pied de Port ?

Respondeu-me: começara a caminhar em Amsterdão no dia 4 de abril. 

Devo ter ficado de boca aberta.

Passados dias, jantamos juntos em Tricastela.Durante a conversa disse-me que ía ficar mais um dia naquela localidade porque estava adiantado.

Explicou-me a razão.A mulher vinda da Holanda,via aérea,aterrava em Santiago numa determinada data,e ele chegaria nesse mesmo dia.Feitas as contas havia que parar durante um dia.

Iria estar com ela durante três dias,ao fim dos quais,ela seguiria ara a Holanda,de avião,e ele prosseguia para Finisterra.Voltaria à Holanda por via terrestre, avião era muito rápido para quem caminhava desde abril.

Abraços

Paulo Santiago

sexta, 1/08/2025 20:35

(Revisão / fixação de texto: LG)

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Notas do editor LG:

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Guiné 61/74 - P26720: Convívios (1022): Rescaldo do Encontro comemorativo do 55.º aniversário do regresso da CCAÇ 2381 (Maiorais) da Guiné, levado a efeito no passado dia 12 de Abril em Fátima (José Teixeira, ex-1.º Cabo Aux Enfermeiro)

1. Em mensagem do dia 23 de Abril de 2025, o nosso camarada José Teixeira, ex-1.º Cabo Aux Enfermeiro da CCAÇ 2381 (Buba, Quebo, Mampatá e Empada, 1968/70), enviou-nos o rescaldo do convívio comemorativo do 55.º aniversário do regresso dos Maiorais da Guiné.


A Companhia de Caçadores 2381 (Ingoré, Buba, Aldeia Formosa, Empada 1968 - 1970) comemorou o 55.º de regresso da Guiné com um almoço no Restaurante do Hotel SDIVINE em Fátima, no passado dia 12 de abril.

Dos cerca de 150 militares que embarcaram no Niassa em 1 de maio de 1968, com destino à Guiné, e regressaram em 9 de abril de 1970, estiveram presentes trinta e três, com os seus familiares (esposas, filhos e netos), que, como é hábito, partilham da nossa alegria e totalizaram 83 pessoas em festa.

Foram lembrados os camaradas falecidos na Guiné, e também, todos os que de nosso conhecimento já partiram para a eternidade, conforme listagem a seguir:

Adelino Sousa Costa
Agostinho Carvalho
Alberto Cruz Gomes
Albino Oliveira
António Delfim de Carvalho
Armando Martins Filipe
Armando Vitorino Pinheiro
Carlos Castelo Dias
Eliseu Caetano
Feliciano Henriques
Fernando Monteirinho
Francisco Carvalho
Franquelim Costa
Honorato
Ilídio Heliodoro Morgado
Ilídio Lopes Alves
João Caliça
João Figueiredo
Joaquim Sousa Barbosa
José Agostinho António
José Manuel Pedro
José Manuel Viana
José Salvaterra
Luís Alves Ferreira
Luís José Campos Silva
Luís Rodrigues Franco
Nuno José P Santos
Mário Caixeiro
Vítor Alves Pires
Moisés de Jesus Marques
José Hipólito Massano
António Maria Úrsula
Leonel Valente
Manuel Vieira Godinho
Vítor Santos (furriel)
Bertino Cardoso (furriel)
Vasco Rosado Moreira
Joaquim Carvalho de Almeida
Joaquim Basílio Branco

Depois de ser feita a chamada de cada um deles, seguiu-se um minuto de silêncio em sua memória.

Recordamos alguns veteranos da Companhia que não puderam estar presentes. Alguns por doença, outros porque já não conduzem, outros, outros por ter familiares doentes ou por razões pessoais que os impediram de estar presentes, mas deram sinal de vida.

Acácio Marques
António Catarino Ferreira
António Carvalho Martins
Hélder Correia
Hernâni Ferreira
Joaquim Veríssimo
José António Caetano
José Costa
José Manuel Silva
José Lagarinhos
Nuno Pereira Rosa
Raul rolo Brás
Manuel Martins

Seguiu-se o almoço. Como sempre a alegria foi uma constante. Os abraços de amizade e as conversas carregadas de nostalgia e saudade foram o prato do dia. Também as mazelas do tempo que foi passando e não perdoa foram tema, mas ficou a promessa de sempre - para o ano há mais! Será no mesmo local, dia 11 de abril.

José Teixeira

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Nota do editor

Último post da série de22 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26715: Convívios (1021): XXIX Convívio do pessoal da CCAÇ 3398/BCAÇ 3852 (Buba, 1971/73), dia 10 de Maio de 2025, em Santo Tirso (Joaquim Pinto Carvalho, ex-Alf Mil)

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Guiné 61/74 - P25985: Memórias de um artilheiro (José Álvaro Carvalho, ex-alf mil, Pel Art / BAC, 8.8 cm, Bissau, Olossato e Catió, 1963/65) - Parte X: o pai chamava-lhe o "C"... e, embora não fosse crente, foi a Fátima a pé, para cumprir uma promessa que fizera, caso o filho regressasse inteiro...



Guiné > Região de Tombali >  Catió >  c. 1964/65 > Espaldão do obus 8.8. Ao lado, o comandante do Pel Art, alf mil art José Álvaro Carvalho, populamente conmhecido por "Carvalhinho"




Guiné > s/l (Região de Tombali ? ) >  Catió  (?) >  c. 1964/65  (?) >  O  alf mil art José Álvaro Carvalho sentado a escrever

Fotos: © José Álvaro  Carvalho (2024). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Capa do "Livvro de C", de José Álvaro
Almeida de Carvalho (Lisboa
Chiado Books, 2019, 710 pp.)
 
1. Publicamos hoje a X (e última) parte das memóras do ex-alf mil art, José Álvaro Carvalho (*), membro nº 890 da nossa Tabanca Grande, desde 26 de junho de 2024 (**):

(i) tem 85 anos, sendo natural de Reguengo Grande, Lourinhã;

(ii) com 26 meses de tropa, acabou por ser moblizado para o CTIG por volta da primavera de 1963 (não conseguimos ainda apurar a data);

(iii) foi render um alferes de uma companhia de intervenção, de infantaria, sediada em Bissau (QG/CTIG) (não conseguimos ainda identificar qual);

(iv) irá cumprir mais uns 26 ou 27 meses, no TO da Guiné, entre o primeiro trimestre de 1963 e o início do segundo semestre de 1965;

(v) passou por Bissau, Olossato, Catió e a ilha do Como, aqui já a comandar um Pel Art, obus 8.8 (a duas bocas de fogo), com que participou, entre outras, na Op Tridente (jan-mar 1964);



Guiné > Região de Tombali > Ilha do Como > Ilustração,  "Tridente - Memórias de um Veterano", de António Manuel Constantino Vassalo Miranda (2007)
(com a devida vénia...)


(vi) no CTIG era popularmente conhecido pelo seu nome artístico, "Carvalhinho" (cantava o fado de Lisboa e tocava guitarra); em Bissau, chegou a fazer espetáculos com o alf médico Luís Goes (que cantava e tocava o "fado de Coimbra");

(vii) tornou-se também amigo dos então alferes milicianos 'comandos' Justino Coelho Godinho e Maurício Saraiva (já falecidos), quando se estavam a organizar os Comandos do CTIG (ofereceu-se para os "comandos",mas não foi aceite);

(viii) o José Álvaro Almeida de Carvalho (seu nome completo) publicou em 2019 o "Livro de
 C", Lisboa, na Chiado Books (710 pp.)  ("C" é o "nickname" pelo qual o pai o tratava);

(ix) é empresário reformado, trabalhou também como quadro técnico em empresas metalomecânicas como a L. Dargent Lda; aqui foi diretor do departamento de trabalhos exteriores, e sócio minoritário (fez, por exemplo, a montagem da superestrutura metálica e cabos de suspensão da ponte na foz do Rio Cuanza em Angola).



2. Em Catió ficou adido ao BCAÇ 619 (1964/66), comandando um Pel Art obus 8.8 a duas bocas de fogo. Participou em grandes operações no setor de Catió ("Tridente", "Broca", "Macaco", "Tornado" e "Remate"). A sua atuação operacional, como comandante do Pel Art, valeu-lhe, em 1967, uma Cruz de Guerra de 3ª Classe.


O alferes Carvalho esteve em dois meses na Ilha do Como, no àmbito da Op Tridente (jan-mar 1964).

 
Memórias de um artilheiro (José Álvaro Carvalho, ex-alf mil, Pel Art / BAC, 8.8 cm, Bissau, Olossato e Catió, 1963/65) 

Parte X:   o pai chamava-lhe o "C"... e, embora não fosse crente,  foi a Fátima a pé, para cumprir uma promessa que fizera, caso o filho regressasse inteiro...



O horizonte era verde visto do pequeno avião em que voava com o piloto, por cima da floresta.

Ia ali para poder dar as ordens de fogo ao sargento que ficara a comandar as bocas de fogo. Tinha que observar o tiro de avião por não haver referências no matagal cerrado.

De cima havia duas tonalidades de verde. Um mais escuro da floresta mais elevada, com raízes em terra firme e o outro mais claro, que era a maior parte, da floresta com menos porte que nascia na lama e era inundada na maré cheia. Esta multiplicava-se com ramos que desciam da parte superior até ao chão
e se enterravam depois na lama e assim enraizavam. Eram mais tarde o habitat natural de ostras que aos milhares a estes se vinham agarrar.

De terra disseram que estavam a vê-lo.

Respondeu:

− Dispara um very-light para te poder assinalar no mapa.

Daí a pouco subiu um no céu, que assinalava a posição do pelotão sobre o lado esquerdo, a qual pela direcção da bússola do avião e pela distância percorrida, marcou no mapa.

Estou a ser emboscado. Tenho feridos.

Enviou ao sargento os elementos de fogo para 500 jardas á frente da posição assinalada. Pouco depois ouviu os disparos pela rádio. Pelas tabelas de tiro calculou o tempo que as granadas levavam a chegar e na altura própria disse ao piloto:

 − Pique sobre o objetivo cerca de 1 km à direita do ultimo rebentamento.

O piloto assim fez. Começaram a ouvir-se os pec pec pec das chicotadas das balas das metralhadoras inimigas apontadas ao avião, á medida que se aproximavam do objetivo.

E de repente o rebentamento das duas granadas enviadas:

− Broummmmm! Broummmmm!

O comandante do pelotão disse: 

− A direcção está certa mas os tiros estão compridos.

Entretanto o comandante da companhia de intervenção informou que já tinha vindo para o local um novo pelotão de reforço. Pediu também ao alferes deste pelotão que disparasse um very-lyght para o assinalar no mapa o que veio a acontecer daí a pouco.

Disse ao Sargento para encurtar a alça 200 jardas e disparar quando pronto.

Daí a pouco ouviu no rádio este ordenar: 

Fogoooo! – duas vezes.  

E daí a alguns minutos viu-se e ouviu-se o rebentamento das granadas:

 − Broummmmm! Broummmmm!

A chicotada das balas do inimigo a passarem junto ao avião intensificou-se: Pec! Pec! Pec! .... O piloto disse:

− Ou nos pomos a andar daqui ou vamos parar lá abaixo.

Respondeu o alferes Carvalho: 

− Vamos embora.

O piloto descreveu uma curva larga para a direita e subiu. Depois voou de novo para a esquerda para não se perder o contacto rádio dos comandantes do pelotão. Este disse: 

− Preciso de mais alguns tiros 500 metros à direita e à esquerda.

Deu ao sargento do pelotão ordens de fogo nesse sentido.

Pouco depois o piloto disse:

 
− Temos que reabastecer.

Disse para terra:

− Fogo terminado. Vamos reabastecer. Depois vimos de novo.

Regressaram à pequena clareira coberta de erva alta que servia de pista, na sede do batalhão,  onde pousaram.

Enquanto se processava o reabastecimento, aproveitou para desenferrujar as pernas. O espaço no pequeno avião era muito apertado e mal lá cabiam ele e o piloto. Aproveitou também para refletir sobre a sua vida, o que dum modo geral evitava.

Naquele dia o alferes Carvalho  deu-lhe para aquilo. Pensou na família e principalmente no pai, que tinha pago à mais variada casta de traficantes, amiguistas, supostos influentes do regime, etc. para que ele não viesse a África.

Pedia-lhe frequentemente para acompanhar um ou outro, a falar aqui e ali, supostos de moverem influências nesse sentido mas o que queriam era apanhar-lhe dinheiro.

Nunca se sentira muito bem neste papel e duvidou sempre da capacidade desses indivíduos para realizar o que se propunham. Por outro lado, toda a sua geração estava a caminhar para África e não lhe parecia muito correto evitar fazê-lo.

Até que um dia no seguimento de mais uma dessas diligências disse :

 − Ó pai,  deixemo-nos disto. Já devia estar em África há muito tempo!  − o que deixou toda a gente boquiaberta.

Mas o pai nunca desistiu. Já próximo do final da comissão recebera uma carta dele a dizer :

−  Agora é que conheci um sujeito que te vai tirar daí.

Continuava nestas diligências não só por si mas também pressionado pela mãe.

Quando mais tarde regressou, o pai, embora não fosse crente foi a Fátima a pé, para cumprir uma promessa que fizera de assim fazer se o filho regressasse inteiro.

Acreditava que nos movimentos de libertação havia boa gente, mas também muitos oportunistas. Quanto ao recrutamento de soldados, havendo dinheiro era fácil de fazer em África.

Por fim pôs-se a pensar na filosofia da guerra. Há cerca de dois mil anos, um imperador chinês de grande sucesso, adotou e impôs na China uma filosofia (mais tarde religião ) – “Legalismo “ – que se fundamentava em que o homem era por natureza mau e,  não sendo regido por leis e regras rígidas, destruiria a sociedade. No seguimento desta imposição proibiu o Confucionismo e o Taoismo, filosofias mais antigas e moderadas. 

Com base nestas novas regras e leis, este imperador veio a unificar o país, a escrita e a moeda, sendo assinalado como um dos grandes criadores da civilização chinesa.

Por outro lado a formação que tivera, fizera-o acreditar que havia uma grande falta de tolerância no mundo. A tolerância pode ser real ou imaginária. Esta última, a mais comum, fundamenta-se no princípio de que uma coisa é adotá-la e outra concretizá-la, mesmo quando colide com os nossos interesses materiais ou ideológicos.

No que a si se refere, naquela situação optou pela filosofia do verdadeiro soldado, que é a de que as ordens não se discutem.

Todos estes pensamentos pareciam contraditórios, já que era,  por educação, de cultura antimilitarista.

Procurou incutir ao seu pessoal o comportamento de soldado acima referido e talvez por isso o seu pelotão fora elogiado ou louvado em todas as operações em que participou.

Sendo talvez também por isso que, não tendo condições para integrar qualquer exército, acabou por ser condecorado com uma cruz de guerra.

Nas horas vagas o que lhe dava o maior prazer era alhear-se de tudo e de todos e escrever versos nem sempre muito coerentes, principalmente nos que pretendia descrever a vida duma personagem histórica que o fascinava: Menés,  o primeiro faraó do Egipto que viveu há cerca de 5000 anos.

Descendente duma tribo do Sul,  conseguiu conquistar e unificar todo o vale do rio Nilo. Região cuja prosperidade se começara a fazer notar e cujos excessos de produção permitiam que uma parte significativa da sociedade se dedicasse a atividades diferentes do cultivo, recolha,  caça ou conquista de alimentos. 

No que se refere à religião que derivou da feitiçaria, acabou por se tornar ainda no seu tempo numa notável organização de alguns sacerdotes a que ele próprio presidia na qualidade de Horus,  o deus falcão,  descendente principal de Amon --Rá,  adorado pelo clã da tribo de que descendia e modelo do seu símbolo totémico, distribuídos por alguns locais de adoração, dedicados a outros tantos deuses todos descendentes de Amon-Rá e Hórus que detinham o poder e a maior parte da riqueza existente.

Estes locais de adoração vieram muito mais tarde, nas dinastias que se lhe seguiram,  a transformar-se em sumptuosos templos.

Assim que enchia um caderno com versos destes, levava-o para o Quartel General, na capital, e guardava-o juntamente com os restantes num cacifo que tinha na messe de oficiais. Queria deixar estas recordação ao filho que viesse a ter.

(Revisão / fixação de texto: LG)

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Notas do editor:

(*) Último poste da série > 16 de setembro de 2024 > Guiné 61/74 - P25947: Memórias de um artilheiro (José Álvaro Carvalho, ex-alf mil, Pel Art / BAC, 8.8 cm, Bissau, Olossato e Catió, 1963/65) - Parte IX: De novo em Catió... P*rra, deixem-me comer o petisco em paz!

(**) Vd. poste de 26 de junho de 2024 > Guiné 61/74 - P25684: Tabanca Grande (560): José Álvaro Almeida de Carvalho, ex-alf mil art, Pel Art / BAC, obus 8.8 m/943 (1963/65) , adido 14 meses ao BCAÇ 619 (Catió, 1964/66): senta-se no lugar nº 890, à sombra do nosso poilão

segunda-feira, 27 de maio de 2024

Guiné 61/74 - P25569: Convívios (998): Rescaldo do Almoço / Convívio dos combatentes, e respectivas famílias, da CCAÇ 2796 ("Os Gaviões de Gadamael"), levado a efeito no passado dia 18 de Maio de 2024, em Fátima (Cor Morais da Silva, CMDT da CCAÇ 2796)

Foto de família dos combatentes da CCAÇ 2796 presentes no Almoço/Convívio de 2024

1. Mensagem do nosso camarada, Coronel Art Ref, António Carlos Morais da Silva (ex-Instrutor da 1.ª CCmds Africanos em Fá Mandinga; Adjunto do COP 6 em Mansabá e Comandante da CCAÇ 2796 em Gadamael, 1970 e 1972), com data de 21 de Maio de 2024, com a foto de família relativa ao Convívio da sua Unidade:

Caro Vinhal

Anexo foto do almoço anual da CCaç Ind 2796 – "Gaviões de Gadamael" no passado dia 18 de Maio.

Presentes 41 militares que acompanhados de familiares permitiram reunir à mesa o total de 97 convivas mais 2 bebés.

Reencontro de camaradas com amizade forjada nas terras da Guiné no período 70-72.

Abraço cordial e o desejo de muita saúde
Morais da Silva
Cap cmdt da CCaç 2796

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Nota do editor

Último post da série de 22 DE MAIO DE 2024 > Guiné 61/74 - P25550: Convívios (997): Rescaldo do Almoço / Convívio dos combatentes, e respectivas famílias, da CCAÇ 2796 ("Os Gaviões de Gadamael"), levado a efeito no passado dia 18 de Maio de 2024, em Fátima (Adolfo Cruz, ex-Fur Mil Inf)

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Guiné 61/74 - P25550: Convívios (997): Rescaldo do Almoço / Convívio dos combatentes, e respectivas famílias, da CCAÇ 2796 ("Os Gaviões de Gadamael"), levado a efeito no passado dia 18 de Maio de 2024, em Fátima (Adolfo Cruz, ex-Fur Mil Inf)


1. Mensagem do nosso camarada Adolfo Cruz, ex-Fur Mil Inf da CCAÇ 2796 (Gadamael e Quinhamel, 1970/72), com data de 21 de Maio de 2024, também com a notícia do Convívio da CCAÇ 2796, em Fátima

Encontro Anual CCAÇ IND 2796 “OS GAVIÕES” - Guiné 70/72

E foi mais um Encontro / Convívio, desta vez, nos arredores de Fátima.

E contámos com a disponibilidade e vontade de um número significativo de Amigos, alguns dos quais aproveitando para um fim de semana em Família, todos imbuídos de um espírito fraterno que não se desfaz, com o tempo.

E, ao mesmo tempo, uma oportunidade de Homenagem a todos os que, por uma ou outra razão, não podem estar presentes.

A dedicação e empenho dos organizadores destes eventos continuam a merecer, naturalmente, todo o nosso reconhecimento, fazendo votos para que assim se mantenham.

Um Abraço para Todos Vós!
Adolfo Cruz

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Nota do editor

Último post da série de 15 DE MAIO DE 2024 > Guiné 61/74 - P25525: Convívios (996): 56º convívio da Magnífica Tabanca da Linha, Algés, 5ª feira, 23 de maio de 2024: inscrições precisam-se!... Já temos 36 e alguns vêm de longe, como o Paulo Santiago, de Águeda (Manuel Resende)

quinta-feira, 14 de março de 2024

Guiné 61/74 - P25273: Convívios (983): XXXI Convívio do pessoal da CCAÇ 2381 - "Os Maiorais" - a levar a efeito no próximo dia 13 de Abril de 2024, em Fátima, com concentração na Rotunda dos Peregrinos (José Teixeira / Eduardo Moutinho Santos)


CCAÇ 2381 - OS MAIORAIS

GUINÉ, 1968/70

XXXI CONVÍVIO

FÁTIMA - DIA 13 DE ABRIL DE 2024

Caro irmão “Maioral “

Estamos a comemorar o 54.º aniversário do nosso regresso da Guiné.
Foi no dia 9 de abril de 1970 que chegámos. Lembras-te daquela manhã gloriosa?
Infelizmente não regressámos todos. Houve três camaradas que partiram antes do tempo.
Muitos já partiram de vez. Paz à sua alma.
Alguns desligaram-se completamente desta família de "Os Maiorais". Até hoje não deram sinal de vida. Esperemos que estejam de boa saúde.
Outros, o estado de saúde impede-os de vir ao nosso encontro. Doi o coração, corroído de saudades.
Nós vamos resistindo.

Agora é tempo de conviver no tempo que nos resta. Toca a reunir.
Desta vez será em Fátima, como combinamos no convívio do ano que passou.


XXXI CONVÍVIO “OS MAIORAIS” DE EMPADA

Data: 13 de abril de 2024 (sábado)
Local: Fátima
SDIVINE – FÁTIMA HOTEL
Rotunda dos Peregrinos, 101
Fátima
Telef. 249 532 163

Local de Encontro: ROTUNDA DOS PEREGRINOS (A partir das 10 h.)
FÁTIMA
Custo do almoço 24€/pessoa

TRAZ OUTRO MAIORAL CONTIGO

Escreve ou telefona a confirmar a tua presença, para:
J.Teixeira - Telm: 966 238 626 - Mail: jteixei@msn.com

Nota: O ALMOÇO É SERVIDO EM REGIME DE SELF SERVICE

Agradecemos que confirmes, via telefone ou mail, a presença no convívio até ao dia 6 de Abril.

Se não puderes estar presente, telefona a gritar: Não posso ir, mas estou vivo e de boa saúde.

Aguardando as tuas notícias, aceita um fraternal abraço dos camaradas

José Teixeira
Eduardo Moutinho Santos (capitão)

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Nota do editor

Último post da série de 11 DE MARÇO DE 2024 > Guiné 61/74 - P25262: Convívios (982): 55º almoço-convívio da Magnífica Tabanca da Linha: Algés, quinta feira, 14 de março de 2024 ... Uma das novidades é a presença pela primeira vez dos "nova-iorquinos" João Crisóstomo e a filha Cristina