quinta-feira, 18 de maio de 2017

Guiné 61/74 - P17375: Inquérito 'on line' (116): Fátima... Num total (final) de 84 respostas, conclui-se que : (i) todos lá fomos, pelo menos uma vez na vida, antes (44%), durante (8%) ou depois da tropa (20%); (ii) não tanto como peregrinos (20%) mas mais como turistas (55%)... A questão admitia mais do que uma resposta.

I. INQUÉRITO 'ON LINE':
N. Sra. de Fátima de Guileje...
Foto do António Camilo (2010)



"FUI COMBATENTE, NUNCA FUI A FÁTIMA"...



Total de respostas > 84


1. Fui lá ainda em miúdo 

ou ainda antes de ir para a tropa > 37 (44%)

2. Fui lá, como militar, 
antes de ir para o ultramar > 7 (8%)

3. Fui lá logo depois de vir do ultramar > 15 (17%)

4. Só fui lá muitos anos depois 
(de vir do ultramar) > 17 (20%)

5. Fui lá como verdadeiro peregrino ou crente > 17 (20%)

6. Fui lá como simples turista ou em passeio > 47 (55%)

7. Nunca fui a Fátima 
mas ainda gostaria de lá poder ir > 0 (0%)

8. Nunca fui a Fátima 
nem tenho especial interesse em lá ir > 0 (0%)


II. O prazo de resposta terminou na 4ª feira, dia 18. (*)


O facto mais surpreendente é que todos nós, ex-combatentes, crentes ou não crentes, já fomos a Fátima, num dado  momento da nossa vida, uma ou mais vezes. 

A maioria (55%) respondeu que foi lá "como simples turista ou em passeio". E só um em cada cinco admitiu que foi lá como "verdadeiro peregrino ou crente" (20%).  

Os que lá foram logo depois de vir do ultramar (17%) ou muitos anos depois de vir do ultramar (20%) somam mais de um terço. Nestes haverá, por certo, um nº razoável de pagadores de promessas, mas que é difícil de quantificar, talvez uns 10% ou menos dos respondentes.(**)

Faltam-nos testemunhos de camaradas que tenham ido em peregrinação a Fátima, a pé ou de carro, por razões de fé, e nomeadamente no pagamento de promessas feitas por ocasião da guerra no ultramar /guerra colonial (por ex., não ter sido mobilizado, não ter ido como atirador, não ter morrido ou não ter sido ferido, ter voltado são e salvo). 

Mas este é um assunto do foro íntimo, é difícil encontrar camaradas dispostos a dar, em público, no nosso blogue, o seu testemunho sobre a sua ida a Fátima.

7 comentários:

Tabanca Grande disse...

Em 60 camaradas que foram comigo para a Guiné, pertencentes à CCAÇ 2590 (futura CCAÇ 12), sei pelo mennos de 1 que foi a Fátima com a mãe, cumprir uma promessa, depois de passar à "peluda"... Foi ele próprio que mo contou. É um camarada do Norte. Vestiu o camuflado e pôs-se ao caminho. Fez o trajeto nas calmas, com a "endurance" que trazia da Guiné. Se não erro, a promessa fora feita pela da mãe que, no entanto, por razões de saúde, teve que ir de carro.

Luís Graça

Tabanca Grande disse...

Este é um exemplo do viés que existe (ou pode existir) na resposta a este tipo de questionários 'on line':

(i) quem não tem computador nem Net não pode responder;

(ii) quem nos lê, muito provavelmente não está no nº dos pagadores de promessas;

(iii) haverá maior proporção de pagadores de promessas entre as praças do que entre os graduados (milicianos ou do QP);

e (iv) mesmo que os haja, alguns pagadores de prmessas, na Tabanca Grande, como o meu camarada F..., têm sempre mais dificuldade que os outros em esrever um depoimento...

Há problemas de literacia funcional e informática a ter em conta na resposta a estes inquéritos 'on line'... Mesmo assim, os resultados parecem-me interessantes.

António José Pereira da Costa disse...

Olá Camaradas
Parece-me que as respostas levam a concluir que embora haja alguns que acreditam - com mais ou menos confiança - a grande maioria não tem por aquele local mais do que uma vaga curiosidade. Se nos anos 30 e 40 era possível uma utilização por parte do fascismo e da igreja para captar verbas e satisfazer "as necessidades espirituais do povo" o que é inegável é que "o fenómeno" é cada vez mais discutível. Como tempo poderá tornar-se numa segunda Lourdes.
O próprio Papa foi claro ao alertar para o facto de que Nossa Senhora "não faz milagres a baixo preço". É a condenação do contratualismo religioso (em troca da uma dada graça uma dada retribuição). Mais ainda os santos e as santas não são ou não devem ser cunhas no céu.
Se houvesse comissão de ética no céu alguns santos - os mais populares - ficavam mal vistos. Eram os que recebiam mais cunhas e tinham mais influência junto de Deus...
E não foram poucos os padres que puseram "o fenómeno" em causa.
Pois é, é a lógica a vir à superfície...
Mas a Multinacional da Fé, tal como as outras não podia perder esta oportunidade. Para o ano, a pedido de várias famílias, lá vem a canonização da Lúcia, uma "vidente" que atravessou o Séc. XX, quase todo, assistiu a tantos momentos dramáticos do mundo e no seu próprio país e ficou fechada no Carmelo (para não dizer asneiras e não fazer disparates) sem dar um simples conselho...

Um Ab.
António J. P. Costa

Tabanca Grande disse...

O que realmente me interessa, enquanto editor do blogue, é que na sequência deste inquérito'on line' possam aparecer fotos e até textos sobre "peregrinações a Fátima", realizadas por camaradas nossos na altura da tropa ou depois do regresso da Guiné...

Houve casos, de resto documentados na época pelas reportagens de televisão, rádio e jornais, de ex-combatentes, por vezes fardados de camuflado, que foram a Fátima, em cumprimento de promessas... Não vamos discutir a motivação, a fé de cada um é sagrada... E muito menos vamos fazer juízos de valor... As memórias dos nossos peregrinos serão bem vindas!

Luís Graça, editor

António José Pereira da Costa disse...

Tá bem, Luís!
o pragmatismo acima de tudo...
Um Ab.
António Costa

José Botelho Colaço disse...

Creio que a maioria das mães faziam promessas se o seu querido filho voltasse da guerra são e salvo, nestes termos a minha mãe também fez uma promessa à nossa senhora da Piedade de Odemira.

Antº Rosinha disse...

Jorge Sampaio, Presidente, condecorou em 2006 (Wikipédia) o grande impulsionador no processo da canonização dos pastorinhos.
Chama-se a isso o verdadeiro "pragmatismo" da parte de um "não crente" confesso, destas coisas, J. Sampaio.
Jorge Sampaio, não condecorou um português, mas um anti-comunista (?)húngaro que se dedicou à história dos pastorinhos.
Tem uma praça em Fátima com o nome desse Hungaro, Luís Kondor (Wikipédia).
Pragmatismo é uma coisa Fé é outra...veja-se que na Inglaterra os reis e rainhas ainda casam pela igreja, abençoados pelo bispo e não abdicam.