Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Guiné 61/74 - P27661: Blogpoesia (808): "Era assim lá no Canchungo" (Albino Silva, ex-Soldado Maqueiro)
1. Mensagem do nosso camarada Albino Silva, ex-Soldado Maqueiro da CCS/BCAÇ 2845, Teixeira Pinto, 1968/70) com data de 19 de Janeiro de 2025:
Olá Carlos
Espero e faço votos para que esteja tudo bem convosco e com a Tabanca Grande, para a qual envio mais este trabalhito e, apenas para não perder o hábito de escrever assim desta maneira e porque já estão habituados.
Um grande abraço para os Régulos e para toda a tertúlia
Bino Silva
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Nota do editor
Último post da série de 14 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27219: Blogpoesia (807): "O nosso segredo", por Adão Cruz, ex-Alf Mil Médico da CCAÇ 1547 / BCAÇ 1887 (Canquelifá e Bigene, 1966/68)
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Guiné 61/74 - P27632: Humor de caserna (233): "Fermero fica quieto, abelha, não faz mal ! Não mexee, não respira, nem que lhe passe um car*lho pela boca" (José Teixeira)
Guiné-Bissau > Região de Tombali > Ponte Balana > Novembro de 2000 > Um tuga, um homem de calças na mão...na Ponte Balana, antigo destacamento de Gandembel, ao tempo da CCAÇ 2317 (Abril de 1968/janeiro de 1969). O motivo foi um ataque formidável de... formigas carnívoiras! ... Na foto, o Zé Teixeira. Ainbda hoje tem mais medo das formigas do que das abelhas...
Foto (e legenda) © Albano Costa (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. Ó Zé Teixeira é um dos camaradas mais afáveis, brincalhões, prestáveis e populares da Tabanca Grande. Também dos mais leais, ativos e produtivos. Tem mais de 450 referências.
Recorde-se que o José Teixeira :
A coluna com trinta viaturas carregadas e três obuses de 14 mm, protegida pela CCAÇ 2381 e pelos pelotões da Companhia do Capitão Rei, estacionada em Aldeia Formosa que nos tinha vindo buscar a Buba, ficou na sua maior parte à mercê do IN, perto de Sinchã Cherno.
Só que este, o IN, não tinha na sua agenda atacar naquele local, mas mais à frente. Atacou só no dia seguinte depois de nos fazer um morto numa A/C [mina anticarro] comandada que rebentou só na quinta viatura, a do rádio.
Também eu, aqui, fui um homem de sorte. O milícia que ia a meu lado, ao ver as abelhas aos milhões, agarrou-me por um braço e metemo-nos atrás de um arbusto:
- Fermero fica quieto, abelha, não faz mal ! Não mexe, não respira, nem que te passe um car*lho... pela boca.
Assim quieto senti-as à minha volta. Pude ver os meus colegas todos a fugir, a sacudir, a coçar e a desaparecer. Ficaram apenas as viaturas e os obuses, na picada.
Andávamos a montar segurança à engenharia que construía a estrada Buba-Aldeia Formosa. Sentado ao lado do manobrador do caterpílar apreciava como esta máquina derrubava árvores gigantescas, quando de lá de cima cai um grande enxame. Formou-se uma nuvem e toda a gente a gritar, pernas para que vos quero. Até uma cadelinha, nossa mascote, que nos acompanhava desapareceu, até hoje. Numa fracção de segundos vejo-me só.
Quico atravessado na cabeça, para me proteger do zumbido, braços cruzados, impávido e sereno (a tremer por todos os lados), sentado no caterpílar, a aguardar o ataque. Imaginem o Zé Teixeira como que vestido com um fato novo. Fiquei coberto de abelhas da cabeça aos pés. Só o zumbido me incomodava.
Passado algum tempo começaram a levantar, pois eu não dava luta e com este gajo é melhor não se meterem. Deixaram-me sem uma beliscadura. Os camaradas foram-se aproximando todos picados. Ficaram mais espantados que eu, por me verem são e salvo de um ataque de abelhas. Pomada para toda a gente. Tive inclusive de injectar anti-histamínicos ao Ferraz para evitar a morte por asfixia devido ao facto de ser alérgico.
Ainda hoje tenho mais medo das formigas, mas essas tem outras histórias já aqui contadas.
ÚLtimo poste da série > 12 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27627: Humor de caserna (232): As formigas e as abelhas, nossas amigas... (José Teixeira, ex-1º cabo aux enf, CCAÇ 2381, "Os Maiorais", Buba, Quebo, Mampatá, Empada, 1968/70)
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
Guiné 61/74 - P27469: Notas de leitura (1867): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte V: a IAO em Bolama: "Eh, pá, estás morto!... Atira-te para o chão, que estás morto!" (Luís Graça)
Com a especialidade de 1º cabo auxiliar de enfermeiro feita em Coimbra, no RSS (Regimento de Serviços de Saúde) (jan/mai 1972), o Luís é mobilizado para a Guiné, indo formar batalhão, o BART 6521/72, no RAL 5, Penafiel (jun / set 1972).
Daqui parte para o CTIG, por via aérea (TAM), em 22/9/1972 (*)
Em 11 páginas (pp. 48-59) descreve a sua estadia em Bolama, em cujo CIM iria fazer a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional. O tom que adota continua a ser irónico, e às vezes burlesco, a raiar o absurdo.
![]() |
| ~ Crachá da 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) |
desbotados" (pág.48).
Após a realização da IAO, no CIM, em Bolama, a 2ª C/ BART 6521/72 seguiu, em 290ut72 para Có, sector do Pelundo, a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 3308.
terça-feira, 4 de novembro de 2025
Guiné 61/74 - P27385: Os nossos enfermeiros (21): Tirei o curso de enfermagem (3 meses) na Escola de Serviço de Saúde Militar (Lisboa, à Estrela) com estágiuo de 8 meses no HM Porto (António Figuinha, ex-fur mil enf, CCS / BCAÇ 2884, Bissau, Buba e Pelundo, 1969/71)
1. Mensagem de António Figuinha, ex-fur mil enf, CCS/BCAÇ 2884 (Bissau, Buba e Pelundo, 1969/71).
O António Sebastião Figuinha mora em Miratejo, Seixal. É membro da Tabanca Grande, nº 861, bem como da Magnífica Tabanca da Linha.
Assunto - Curso de enfermeiro militar nos anos 60/70
Olá, Luis.
Conforme o solicitado por ti acerca da preparação de conhecimentos de saúde administrados aos Enfermeiros ( Furriéis, Cabos e Maqueiros) que serviram o exército durante a guerra no Ultramar Português (escrevo ultramar e não colónias porque era essa a designação na altura até porque, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe eram ilhas onde os portugueses foram os primeiros habitantes, e, na Comunidade Europeia, assim têm tratamento os locais ultramarinos que a França ainda possui e outros países europeus, conforme li nos regulamentos comunitários).
Meu nome para que conste é António Sebastião Figuinha, nascido em Vila Nova de Foz Côa, Engenheiro Técnico Agrário, Furriel Enfermeiro na CCS / BCAÇ 2884.
Permaneci em Bissau desde maio de 1969 até fins de setembro desse ano. Durante este tempo, após a primeira semana, fui convidado pelo Quartel General em Bissau, a fazer um estágio na Granja Agrícola em Bissau.
Fui para o meu Batalhão no Pelundo em outubro de 1969 com a missão de atender as populações, além dos militares da CCS e da CCAÇ 2586 já que, o furriel enfermeiro desta companhia preferia ir para o mato de que atender os seus militares da companhia. Este furriel veio a morrer de doença quase no final da comissão. Nesta altura, eu encontrava-me em Có.
Quanto ao curso administrado, este decorreu na Escola de Serviço de Saúde Militar que se situava atrás da Basílica da Estrela e não nos Sapadores em Campo de Ourique.
O curso teve aulas teóricas de anatomia, cuidados de saúde primários de acordo com os casos habituais em África e, em cada um dos locais. para onde poderíamos ser chamados, aulas de acção psicológica com filmes sobre a Guerra na Coreia (aqui alguns dos alunos não aguentavam e saíam para deitar tudo o que tinham no estomago(.
Estas aulas eram dadas por médicos Militares com o posto de coronel ou tenente- coronel.
Este Curso teve a duração de três meses com provas escritas no final.
Regressei a Lisboa onde passei por Oftalmologia , Otorrino e por último, em Campolide no anexo e no serviço de deficientes com serviço de Fisioterapia Física, e da Fala.
Para terminar, devo dizer que que a formação que nos foi dada desde que cada um de nós se aplicasse na dita formação, estavámos habilitados a cumprir bem o nosso dever.
Amigo Graça, espero poder ter-te ajudado sobre este tema .
Com um grade abraço
António S. Figuinha
Hoje Eng Tec Agrário aposentado
segunda-feira, 20 de outubro de 2025
Guiné 61/74 - P27333: Notas de leitura (1853): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có,1972/74) - Parte IV: de Figo Maduro a Bissalanca "by air", e depois de LDG até Bolama para a estopada da IAO (Luís Graça)


A bordo teve direito a um copo de água.
A título de curiosidade, ficamos a saber que os dois Boeing 707 dos TAM, encomendados em 1970 e entregues em finais de 1971, "transportaram nos 3 anos seguintes cerca de 318 mil passageiros do Exército (78%), Marinha (7%) e Força Aérea (15%), além de muitas toneladas de carga. sem que tenham falhado uma missão". Uma história exemplar, os TAM, ao que parece.
Na chegada a Bissalanca, e com a abertura das portas da aeronave, o Luís não levou a tempo a dar-se conta de que estava nos trópicos: "entrou um bafo de tal modo quente que, de imediato, começámos a transpirar e a sentir o incómodo que nos iria acompnhar ao longo de dois anos - o tempo que durou a nossa comissão de serviço na Guiné" (pág. 46).

- nasceu em 2 de março de 1950, mas só foi registado seis meses depois, em 4 de outubro;
- de alcunha o "Beatle", quando jovem;
- profissionalmente já estava ligado à restauração, antes de ir para a tropa, tendo trabalhado em diversos estabelecimentos conhecidos da Linha, e nomeadamente em Cascais, a começar pelo famoso Muchaxo (Guincho).
- foi trabalhador-estudante;
- na tropa e na guerra, foi 1º cabo aux enf, tendo sido mobilizado para o CTIG, integrado na 2ª C /BART 6521/72 (Có 1972/74);
- o batalhão estava sediado no Pelundo; regressaram a casa já em finais de agosto de 1974;
- é hoje empresário, dono do conhecido café Pão de Lis, Rua de Alvide, 89, Fontaínhas, Cascais
(*) Último poste da série > 17 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27326: Notas de leitura (1852): "Ecos Coloniais", coordenação de Ana Guardião, Miguel Bandeira Jerónimo e Paulo Peixoto; edição Tinta-da-China 2022 (2) (Mário Beja Santos)
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
Guiné 61/74 - P27325: A nossa guerra em números (41): quantos eram os elementos do serviço de saúde por batalhão ? E por companhia ? Médico, enfermeiro, auxiliar de enfermeiro, maqueiro...
Guiné > Região de Bafatá >Sector L1 (Bambadinca) > CCAÇ 12 (Bambadinca, 1969/71) > Finete > Elementos da 1.ª secção do 2.º Gr Comb da CCAÇ 12 , num patrulhamento ofensivo ao Mato Cão, para montagem de segurança à navegação do rio Geba Estreito >
"Eu, Fernando Andrade Sousa, à esquerda, na primeira fila, com a mala de primeiros socorros, e a minha G-3 (nunca usei pistola), com malta de da 1ª secção do 2º Gr Comb, da CCAÇ 12.
Foto (e legenda): © Fernando Andrade Sousa (2016). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
1. Cada Batalhão (Infantaria, Artilharia ou Cavalaria) ou deveria ter, segundo as famosas NEP que ninguém conhecia:
- quatro médicos (um por companhia);
- quatro sargentos enfermeiros (um por companhia);
- nove cabos auxiliares de enfermeiro (três por cada subunidade de quadrícula ou companhia operacional);
- quatro maqueiros (só a CCS).
2. Pegando na História da Unidade do BCAÇ 4612/72 (Mansoa, 1972/74):
- a CCS levava um furriel enfermeiro;
- dois 1ºs cabos aux enf;
- e dois sold maqueiros;
- um fur mil enf;
- dois 1ºs cabos aux enf.
3. Um batalhão, a que eu estive adido (de julho de 1969 a maio ou junho de 1970), o BCaç 2852 (Bambadinca, 1968/70), parecia ter o quadro orgânico completo:
- a CCS tinha 3 médicos (mas eu só conheci um; também não tinha capelão);
- dispunha de um fur enf + um 1º cabo aux enf + 2 sold maqueiros (e ainda um 1º cabo de análise e depósito de águas);
Das companhias de quadrícula, a CCAÇ 2404, CCAÇ 2405 e CCAÇ 2406, verifico, pela história da unidade, que todas estavam dotadas de:
- um fur enf;
- três 1ºs cabos aux enf.
- os soldados maqueiros só existiam nas CCS.
- 2 alferes médicos (mas eu, em meados de 1970, só conheci um) (trazia também um capelão, o nosso amigo Arsénio Puim);
- 1 fur mil enf;
- 1 cabo aux enf;
- 4 soldados maqueiros;
- 1 cabo analista de águas.
- 1 fur mil enf;
- 3 cabos aux enf.
Em comentário à publicação do álbum de Fernando Andrade Sousa que foi 1º cabo aux enf, CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, entre maio de 1969 e março de 1971), e mora na Trofa, já escrevemos aqui me tempo o seguinte:
É inacreditável como é que a CCAÇ 12, uma subunidade de intervenção, só tinha dois enfermeiros operacionais para alinhar no mato, aliás, dois 1ºs cabos aux enf, o Fernando Sousa e o Carlos Alberto Rentes dos Santos.
E este último só por pouco tempo, já que foi trabalhar como carpinteiro (!) no reordenamento de Nhabijões!...
Os alf mil medicos e os furrieis mil enfermeiros (como era o caso do nosso João Carreiro Martins, de resto já enfermeiro na vida civil ) não alinhavam no mato (!), sendo cada vez mais absorvidos pelas tarefas de prestação de cuidados de saúde às populações civis!... E não tinham mãos a medir!
Spínola parecia confiar apenas no HM 241, nos helicópteros da FAP e nas enfermeiras paraquedistas que vinham fazer as evacuações Ypsilon!...
Nunca vi ninguém protestar por esta insólita situação. Aliás, protestava-se pouco. A nossa geração nasceu já com a canga em cima! A malta comia e calava...
Mais: a CCAÇ 12 é obrigada a participar diretamente no "projecto de recuperação psicológica e promoção social da população dos Nhabijões", ao tempo do BCAÇ 2852 (e depois do BART 2917), fornecendo uma equipa de reordenamentos e autodefesa, constituída pelos operacionais:
- alf mil António Carlão (cmdt do 2º Gr Comb, transmontano, oriundo do CSM, já falecido);
- fur mil at inf Joaquim M. A. Fernandes (cmdt da 1ª seção do 4º Gr Comb; será ferido numa mina /AC à porta do reordenamento, em 1371/1971);
- 1º cabo at inf Virgílio Encarnação (cmdt da 3ª seção do 4º Gr Comb);
- sold arv at int Alfa Baldé;
- (e adicionalmente) sold cond auto Manuel Costa Soares (morreu na mesma mina A/C a 13/1/71 em Nhabijões; nunca conheceu a filha pequena que deixou na terra).
A CCAÇ 12 tinham 24 operacionais (graduados e 1ºs cabos atiradores), metropolitanos ( os restantes eram especialistas), e uma centena de praças do recrutamento local, praticamente todos fulas, distribuídos por 4 grupos de combate.
Na prática, e durante muitos meses, o pobre do 1º cabo aux enf Fernando Andrade Sousa era o único a "alinhar no mato", dos 4 elementos iniciais da equipa de saúde!... (A CCAÇ 12 não tinha, de resto, soldados maqueiros, que só existiam nas CCS; é possível que, por vezes, tenha alinhado o pessoal sanitário da CCS em operações a nível de batalhão.)
E o Fernando também tinha, além disso, de integrar as equipas de "ação psicossocial" (!), por exemplo, as visitas às tabancas, vacinação, etc....
Em conclusão foram homens como o Fernando Andrade Sousa, "marca car*lho...",, como se diz no Norte, que seguraram as pontas desta "p*ta... de guerra"!...
Último poste da série > 15 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27321: A nossa guerra em números (40): em 1967, no CTIG, existiam 76 tabancas em autodefesa, 350 com armamento distribuído, e 20 mil "mausers" (c. 12 mil em mãos de civis)
quarta-feira, 15 de outubro de 2025
Guiné 61/74 - P27319: Os nossos enfermeiros (20): os furriéis milicianos enfermeiros tiravam a especialidade em Lisboa, os 1ºs cabos auxiliares de enfermeiro e os soldados maqueiros, em Coimba (Manuel Amaro / José Teixeira / António Carvalho)
(i) Manuel Amaro, ex-fur mil enf, CCAÇ 2615 / BCAÇ 28922, Nhacra, Aldeia Formosa e Nhala, 1969/71]
Andei, entretanto, um ano a "marcar passo" entre Tavira e Évora, em conflito com o exército. Como eu tinha razão, em julho de 1968 iniciei o Curso de Sargento Enfermeiro, em Lisboa, no Hospital da Estrela.
Sobre a matéria dos cursos não tenho documentos mas foi suficiente para o que nos era exigido na Guiné.
Mais, cada Batalhão de Infantaria tinha, ou deveria ter, quatro sargentos enfermeiros (um por companhia), nove cabos auxiliares de enfermeiro (três por companhia operacional), e, creio que quatro maqueiros (na CCS).
(ii) José Teixeira, ex-1º cabo aux enf, CCAÇ 2381, "Os Maiorais" ( Buba, Quebo, Mampatá, Empada, 1968/70)
Um pelotão com mais de quarenta homens em que 50% vinham do CSM por chumbo forçado dado o excesso do ano anterior em que por necessidade chamaram para o CSM mancebos com o 2º ano. Descontentes e ressabiados, encontraram pela frente um médico que praticamente nunca apareceu no pelotão, um cabo RD enfermeiro, que era bom rapaz e mais nada, dava anatomia do corpo humano a gente que sabia mais que ele.
De notar que os cabos enfermeiros com destino aos serviços hospitalares fizeram o mesmo curso que eu, bem como os maqueiros. Os destinados a ser enfermeiros hospitalares, creio que tinham mais um mês de estágio e os maqueiros não os vi em estágio.
A verdadeira aprendizagem foi no terreno.
(iii) António Carvalho (ou "Carvalho de Mampatá"), ex-fur mil enf, CART 6250/72 (Mampatá, 1972/74)
No que concerne aos cabos milicianos saídos da recruta, eles tiravam a especialidade unicamente em instalações anexas à Basílica da Estrela em Lisboa, posteriormente estagiavam durante seis meses num dos hospitais das diferentes regiões militares. Isto acontecia nos anos setenta.
2. Comentário do editor LG:
- a CCS evava um furriel enfermeiro, dois 1ºs cabos aux enf, e dois sold maqueiros;
- a 1ª C/BCAÇ 4612/71 levava um fur mil enf, dois 1ºs cabos aux enf;
- a 2ª Companhia não tinha, originalmente, nem fur enf nem 1ºs cabos aux enf.
- a 3ª tinha um fur enf, e um 1º cabo aux enf.
Este batalhão vinha, pois, desfalcado de pessoal sanitário. Pelos complementos e recomplementos, qwue constam da história da unidade, vê-se que o pessoal de saúde teria maior taxa de turnover ou rotação... ou então havia já, na metróp0ole, escassez deste pessoal...
- a CCS tinha 3 médicos (mas eu só conheci um; também não tinha capelão);
- dispunha de um fur enf + um 1º cabo aux enf + 2 sold maqueiros (e ainda um 1º cabo de análise e depósito de águas);
- das companhias de quadrícula, a CCAÇ 2404, CCAÇ 2405 e CCAÇ 2406, verifico, pela história da unidade, que todas estavam dotadas de um fur enf + três 1ºs cabos aux enf.;
- os soldados maqueiros só existiam nas CCS.
O RSS foi extinto em 1975, deixando de existir qualquer unidade mobilizadora do Serviço de Saúde no Exército Português.
terça-feira, 14 de outubro de 2025
Guiné 61/74 - P27315: Notas de leitura (1851): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có,1972/74) - Parte III: de Leiria a Coimbra, e da Carregueira a Penafiel, a caminho do CTIG (Luís Graça)
Luís da Cruz Ferreira (n. 1950, Benedita, Alcobaça)
1. Continuando a leitura do livro do Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys" (edição de autor, 2025, il., 184 pp,) (ISBN 978-989 -33.7982-0) (*).
A qualidade da instrução militar (recruta e especialidade) ressentia-se da necessidade, sobretudo do Exército, em mobilizar e preparar rapidamente dezenas de milhares de jovens para um conflito de longa duração, a milhares de quilómetros de casa e de baixa popularidade. Técnica, tática, física e culturalmente, os militares portugueses iam mal preparados para uma guerra dita de contra-guerrilha (ou "contra-subversão"), num terreno difícil, de clima tropical.
2. Luís da Cruz Ferreira é natural da Benedita, Alcobaça. Nasceu em 2 de março de 1950, mas só foi registado seis meses depois, em 4 de outubro.
Em Leiria, um quarto dos recrutas do contingente geral eram cooptados para o CSM (Curso de Sargentos Milicianos). Com três disciplinas que lhe faltavam para acabar o 5º ano do liceu, o jovem recruta, com 21 anos e 6 meses de idade (ou só 21 anos, segundo o registo civil), tinha algumas esperanças de ser um dos "eleitos"... Não o foi, alegadamente por não ter nenhuma "cunha", revoltou-se mas depressa se resignou, a viver naquele espaço "onde tudo quanto mexia, (...) era de cor verde" (pág. 11).
Um dia apanhou boleia até à Figueira da Foz, onde chegou às cinco da manhã. O comboio para Coimbra era só às sete. Com medo de chegar tarde à formatura, teve de ir de táxi, viagem que lhe custou uma pequena fortuna, 150 $00, o equivalente a 10 jantares (ou a 42 euros, a preços de hoje).
Comia-se tão mal no quartel, que era um antigo convento (e depois instalaçpes do RI 12 e, a oartir de 1965, do Regtimento do), que o Luís e um colega decidiram fazer, mesmo sem estarem desarranchados, as suas refeições por conta própria.
Quanto ao que aprendeu em Coimbra, entre janeiro e maio de 1972, foi muito pouco. E também ali não se falava do "conflito do ultramar"...
É pena que, passado mais de meio século, sobre o seu tempo de instrução de especialidade, em Coimbre e depois no HMP, à Estrela, haja poucas referências ao que ali aprendeu. Diz-nos apenas que foi pura perda de tempo. Mesmo assim, da sua passagem pelo "serviço de cirurgia plástica" do HMP, diz-nos que "através de observação, aprendi alguma coisa, não muito" (pag. 27).
Sabemos que o curso de especialidade para 1º cabo auxiliar de enfermeiro, ministrado apenas em Coimbra, no Regimento do Serviço de Saúde (criado em 1965, poara responder às necessidades de pessoal sanitário nos 3 teatros de operaçóes. Os futuros furriéis enfermeiros, esses, tiravam a especialidade em Lisboa, no antigo quartel de Campo de Ourique, onde funciona a Escola do Serviço de Saúde Militar, a ESSM).
Portanto, o Luís deve ter recebido uma formação intermédia entre o socorrista civil e o enfermeiro profissional, com forte ênfase na autonomia e na improvisação em condições adversas (recorde-se que, na Guiné, tanto o furriel enfermeiro como o alferes médico, ambos milicianos, raramente saíam para o mato, sendo cada vez afetos, no tempo do gen António Spínola, aos serviços de saúde da província, prestando cuidados primários (e secundários) não só aos militares como à população civil.) (Os casos mais graves careciam de evacuação para o HM 241, em Bissau.)
Foto do álbum de Alfredo Dinis (já falecido) – P6060, com a devida vénia. Ver, também, "Memórias de Gabú (José Saúde): Recordando o saudoso enfermeiro Dinis" – P14106.
______________________
(*) Vd. postes anteriores >
27 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27259: Notas de leitura (1842): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có,1972/74) - Parte I: Apresentação sumária (Luís Graça)
29 de setembro de 2025 > 7 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27291: Notas de leitura (1847): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có,1972/74) - Parte II: "Ó Beatle, queres mesmo ir para a Guiné ?", perguntou-lhe o antigo patrão, o sr. António Muchaxo... (Luís Graça)(**) Ùltimo poste da série > 13 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27314: Notas de leitura (1850): " Um Império de Papel", por Leonor Pires Martins; posfácio de Manuela Ribeiro Sanches; Edições 70, 2.ª edição, 2014 (1) (Mário Beja Santos)


























