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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28447: Para bom observador, meia palavra basta (12): Decifrado o enigma dos grafitos deixados pela CCAÇ 1620 em Cameconde e no Cachil: "3798" era, de facto, o SPM da companhia (Manuel Cibrão Guimarães, Rio Tinto / Gondomar, organizador do encontro anual do pessoal em 2018)



Brasão da CCAÇ 1620, "Em Perigos e Guerras Esforçados".
 Coleção Carlos Coutinho (2009). Restauro com IA (Gemini Google AI)








Foto mº 1B, 1A, 1 > O Manuel Cibrão Guimarães foi o organizador, em 2018, do convívio anual da sua Companhia, a CCAÇ 1620. O convite, personalizado, e com o respetivo programa, foi feito de maneira original através de impresso digitalizado dos nossos antigos aerogramas, adaptado com o brasão da subunidade e o respetivo SPM, 3798. Por razões óbvias ( proteção de dados, privacidade, segurança...), eliminámos o nome da rua e o número de policia do destinatário e do remetente.


Foto (e legenda): © Manuel Cibrão Guimarães (2026) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].






Manuel Cibrão Guimarães, ex-fur mil, CCAÇ 1620 (Bissau, Cameconde, Cacine, Sagonhá, Cachil, Bolama, 1966/68) > Aqui em Algés, na Tababnaca da Linha
Algés. Foto: Manuel Resende (2019)



1. Está decifrado o "enigma" dos grafitos do Cachil (1968) (foto de Manuel Cibrão Guimarães) e de Cameconde (2018) (foto de Patrício Ribeiro) (*). O número "3798" corresponde, de facto, ao SPM da CCAÇ 1620.

Aqui fica o esclarecimento, feito a nosso pedido, pelo nosso camarada de Rio Tinto, Manuel Cibrão Guimarães, membro da tertúlia O Bando do Café Progresso, Porto e da nossa Tabanca Grande:

Data - 18 de outubro de 2026, 16:28

Amigo e companheiro, administrador Luís Graça:

Espero que a tua saúde esteja a passar um momento.

Quanto ao cerne da questão do número do SPM da minha companhia, a CCAÇ 1620, efetivamente foi o 3798.
Tomei a liberdade de enviar este convite com o convívio organizado por mim no ano de 2018 que, como podes observar, foi feito em aerograma, e ainda tive o cuidado de imprimir o programa não esquecendo o nosso SPM 3798.
Então, o SPM é efetivamente o 3798. Isto para que não haja dúvidas para memória futura.

Cumprimentos, Cibrão Guimarães.



2. Sabíamos que esta companhia tinha passado por Cameconde e depois pelo Cachil, já no final da comissão.

Em 20 de março de 1968, por troca com a CCAÇ 1621, assumiu a responsabilidade do subsector de Cachil, ficando então integrada no dispositivo e manobra do BART 1913, e tendo entretanto, cedido um Grupo de Combate para reforço de forças daquele batalhão em operações, de 22 de março a 27 de abril de 1968.

Em 11 de julho de 1968, por retirada das forças aquarteladas em Cachil e consequente extinção do subsector, a CCAÇ 1620 recolheu a Bolama, onde permaneceu até ao embarque de regresso, no T/T Uíge.

A ordem de retirada (e consequente destruição) do aquartelamento foi dada por Spínola, que estivera no local quinze dias antes.


De há muito que o Cachil (desde1964) não oferecia condições para a permanências das NT: por exemplo, não havia água potável; o abastecimento era feito a partir de Catió, através de uma lancha, que vinha num dia, na maré-cheia, e só podia regressar no dia seguinte...

Fotos (e legendas): © Manuel Cibrão Guimarães (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Foto nº 2



Foto nº 3


Guiné > Região de Tombali > Cachil > CCAÇ 1620 > 11 de julho de 1968 > Retirada do Cachil. Em primeiro plano, á direita, o Manuel Cibrão Guimaraes (Foto nº 3). Fotos a preto e branco, reconstituídas e colorizadas com recurso à IA.




Foto nº 4


Guiné > Região de Tombali > Cachil > CCAÇ 1620 > 1968 > O "Forte Apache""... As instalações, forradas com chapas de bidões "grafitadas": pode ler-se, a olho nu e com a ajuda da IA, "lavadeiras", "am..", "CCaç 1620", "S. P. M. 3798", "Arouca"...


Em 11Ju168, por retirada das forças aquarteladas em Cachil e consequente extinção do subsector, a CCAÇ 1620 recolheu a Bolama, onde permaneceu até ao embarque de regresso. Mas antes passara por Cameconde, Cacine e Sangonhá. Foto, original, a preto e branco. Rescontituída e colorizada.

Foto (e legenda): © Manuel Cibrão Guimarães (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI) (Gemini / Google AI(]



Foto nº 5 B

Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cameconde > 11 de março de 2018> "Restos arqueológicos da presença dos tugas, há meio século atrás"...Em 2018, ainda foi possível apanhar este grafito, na parede de um dos abrigos que ainda resistiam em Cameconde... Na parede de um deles lia-se da esquerda para a direita "3798. Bar". Deduzimos que o número "3798" fosse o SPM da CCAÇ 1620.

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2018) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (Gemini / Google) ].

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Nota do editor LG:

sábado, 10 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28422: Para bom observador, meia palavra basta (11): Grafitos: a CCAÇ 1620, do Manuel Cibrão Guimarães, que passou pelo Cachil e por Cameconde, tinha o SPM 3798 ? Um "enigma" a decifrar...


Foto nº 1


Foto nº 2

Guiné > Região de Tombali > Cachil > CCAÇ 1620 > 1968 > O "Forte Apache""... As instalações, forradas com chapas de bidões  "grafitadas": pode ler-se, a olho nu e com a ajuda da IA, "lavadeiras", "am..", "CCaç 1620", " S. P. M. 3798", "Arouca"... Fotos, originais, a preto e branco. Restauradas e colorizadas.  A nº 2 mais fiel ao original...

Fotos (e legenda): © Manuel Cibrão Guimarães (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (Gemini / Google)]




Foto nº 3 B, 3A, 3

Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cameconde > 11 de março de 2018> "Restos arqueológicos da presença dos tugas, há meio século atrás"

Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2018) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (Gemini / Google) (ChatGPT / Opena AI) ].

 

Manuel Cibrãão Guimarães >
Algés. Foto de Manuel Resende (2019)
1. O que nos intriga nestas fotos (nºs 1 e 2) do Cachil, 1968, do Manuel Cibrão Guimarães,  e de Cameconde, 2018, do Patrício Ribeiro, são estes quatro algarismos: "3798".

Trata-se de simples coincidència ? Ou há alguma relação ?

Precisamos de confirmar se o SPM da CCAÇ 1620 era o "3798" ou o "3718". Ou nenhum deles.  (Falta-nos uma lista dos código SPM.)  Esta subunidade esteve no Cachil e em Cameconde, topónimos do sul da Guiné - Bissau.

É possível que os "grafitos",  na parede exterior  de antigo abrigo de cimento, que terá servido de "bar", tenha resistido á erosão do tempo ? Meio século num país tropical como a Guiné-Bissau é muito tempo. 

Alguém terá, entretanto, reavivado o grafito de Cameconde ?  Algum "turista", ex - combatente
 que voltou ao " local do crime".... ou algum elemento da população atual ?

Fica o desafio para o Manuel Cibrão e os demais camaradas que passaram pelo Cachil e por Cameconde,  para ajudar a "decifrar" este pequeno enigma (*)...


2. Sobre  o nosso camarada Manuel Cibrão Guimarães, ex-fur mil, CCAÇ 1620 (1966/68), que vive  em Rio Tinto, Gondomar,  escrevemos em tempos o seguinte, na sua apresentação à Tabanca Grande:

(i) dos cinco "Bandalhos" (leia-se: autodesignados membros do Bando do Café Progresso, Porto), que vieram ao 35º almoço-convívio da Magnífica Tabanca da Linha (Oeiras, Algés, Restaurante "Caravela d Ouro", 17/1/2018), era o único que ainda não era grão-tabanqueiro (leia-se: membro da Tabanca Grande, a mãe de todas as tabancas...);

(ii) manifestou o seu acordo ao meu convite "instantâneo" e logo ali, no "Caravela de Ouro", me mostrou um molhe de fotos do seu tempo do Cachil, Cameconde, Cacine e Gadamael";

(iii) fotografei umas tantas, e tomei algumas notas apressadas, não fosse o diabo da memória tecê-las e eu depois  baralhar os lugares: umas eram as  do Cachil, outras de Gadamael, outras ainda do T/T Niassa;

(iv) mais tarde, por mail,  mandou-.me umas tantas, com as devidas legendas sumárias; ficquei a  saber que ele foi quem fez o "check-out" do Cachil, que é como quem diz: estava lá quando foi a "extinção" do "forte Apache"...

Não tínhamos, até então ninguém da CCAÇ 1620, mobilizada pelo RI 1. Uma subunidade que partiu para o CTIG em 12/11/1966, no T/T Niassa, e regressou a 16/8/1968. Esteve em Cameconde, Sangonhá, Cachil ...  três sítios desgraçados que serão depois abandonados por  ordem do novo  com-chefe, o brig  António Spinola.

O Manuel Cibrão Guimarães passou a honrar-nos com a sua presença, sentando-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 766.

Mas ao fim destes anos todos, temos poucas referências (6) dele no blogue. Reparo agora que também foi "camecondense" (**)... E continua a ser, ao fim destes anos todos, o único representante da CCAÇ 1620. Mas o que me chamou a atenção é a existência das fotos "intrigantes" do Cachil (1968) e de Cameconde (2028).

3.  Ficha de unidade  > Companhia de Caçadores n.º 1620

Identificação CCaç 1620
Unidade Mob: RI 1 - Amadora
Cmdt: Cap Mil Inf Fernando António de Magalhães Oliveira
Divisa: -
Partida: Embarque em 12Nov66; desembarque em 18Nov66 | Regresso: Embarque em 16Ago68

Síntese da Actividade Operacional

(i) Em 18Nov66, substituíu a CCaç 762 nas suas funções de segurança e protecção das instalações e das populações da área de Bissau, na dependência do BCaç 1876, efectuando, simultaneamente, uma instrução de adaptação operacional na região de Nhacra, de 25Nov66 a 11Dez66.

(ii) Em 05Jan67, rendendo, por troca, a CCaç 799, assumiu a responsabilidade do subsector de Cameconde, com um pelotão destacado em Cacine, ficando integrada no dispositivo e manobra do BCaç 1861 e depois do BArt 1896.

(iii) Em 01Ago67, por rotação com a CArt 1692, assumiu a responsabilidade do subsector de Sangonhá, com um pelotão destacado em Cacoca, mantendo-se no mesmo sector do BArt 1896.

(iii) Em 20Mar68, por troca com a CCaç 1621, assumiu a responsabilidade do subsector de Cachil, ficando então integrada no dispositivo e manobra do BArt 19l3, tendo entretanto, cedido um GComb para reforço de forças daquele batalhão em operações, de 22Mar68 a 27Abr68.

(iv) Em 11Ju168, por retirada das forças aquarteladas em Cachil e consequente extinção do subsector, recolheu a Bolama, onde permaneceu até ao embarque de regresso.

Observações - Tem História da Unidade (Caixa no. 70 - 2a.  Div./4a. Sec, do AHM).

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002, pág, 360
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Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 6 de outubro de 2026 > Guiné 61/74 - P28408: Para bom observador, meia palavra basta (10): Gadamael, 2 de junho de 1973, CCP 122/ BCP 12: Usar ou não usar o capacete, eis a questão... (António Dâmaso / Carmo Vicente / Bernardino Sena)

(**) Vd. poste de 26 de janeiro de 2018 > Guiné 61/74 - P18257: Memória dos lugares (372): Cachil, na altura da extinção do aquartelamento, em 1 de julho de 1968 (Manuel Cibrão Guimarães, ex-fur mil, CCAÇ 1620, Bissau, Cameconde, Cacine, Sangonhá, Cacoca, Cachil e Bolama, 1966/68)

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28420: As nossas geografias emocionais (69): Cameconde, ontem e hoje - Parte I



Foto nº 1A e 1 > Guiné > Região de Tombali > Cameconde > CART 6552/72 (1973/74)  >  Vista aérea parcial do aquartelamento,  com as suas valas e trincheiras. Foto, a sépia, de Manuel Domingos Ribeiro


Foto nº 2 > Guiné > Região de Tombali > Cameconde > CART 6552/72 (1973/74)  >  Vista aérea parcial. Foto, a sépia, de Manuel Domingos Ribeiro. Vê-se que o  espaço foi alargado e melhoradas instalações, em relaçáo à situação em 1968.  No entanto, em em meados de 1973 "não tinha capacidade para albergar uma companhia inteira".

Fotos (e legendas): © Manuel Domingos Ribeiro  (2021). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (Gemini / Google)]


Foto nº 3



Foto nº 4A e 4





 Foto nº  5C, 5B, 5A e 4

Guiné > Região de Tombali > Setor de Cacine (S3) > Cameconde > 1968 > Três aspetos gerais do destacamento > Fotos, a preto e branco, e fraca resolução,  do álbum do nosso camarada António José Pereira da Costa, que era na altura alferes QP da CART 1692/BART 1914 (Cacine, Cameconde, Sangonhá e Cacoca, 1967/69) e mais tarde cap e cmdt das CART 3494/BART 3873, Xime e Mansambo, e CART 3567, Mansabá, 1972/74).  As imagens foram restauradas e colorizadas digitalmente com recurso à IA.

Na Foto nº 5C, assinalado com um círculo a amarelo há um obus 10.5 cm,do 1º Pel Art.  Na  Foto nº 3. no original, a bandeira portuguesa não estava hasteada...

Fotos (e legenda): © António J. Pereira da Costa (2013). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (Gemini / Google)]



Foto nº 6, 6A




Foto nº 7B, 7A. 7

Guiné-Bissau  > Região de Tombali > Cameconde > de março de 1968 >  "Restos arqeuológicos da presença dos tugas, há meio século atrás"

Fotos (e legendas): © Patrício Ribeiro (2018) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné  + IA (Gemini / Google( (ChatGPT / Opena AI) ].


Guiné > Região de Tombali > Carta de Cacoca (1960) > Escala 1/50 mil > Posição relativa de Cameconde, Cacoca e Sangonhá, nas proximidades da fronteira com a Guiné-Conacri, tendo a norte Gadamael e Ganturé. Cacine ficava a noroeste de Cameconde, a escassa meia dúzia  de quilómetros Cacine (vd. carta de Cacine). Nesta linha de fronteira, Cacine, Cameconde e Gadamael aguentaram até ao fim (25 de Abril de 1974). Cacoca, Sangonhá, Guileje, Mejo,  Gandembel, Balana, foram posições  abandonadas pela NT.

Cameconde era a guarnição militar portuguesa mais a sul, na região de Quitafine, na estrada fronteiriça Quebo-Cacine... Em 1968 era o batalhão que estava em Buba (BART 1896, 1966/68) quem defendia esta importante linha de fronteira...


Guiné > Carta geral da província (1961) > Escala 1/ 500 mil   >  Posição relativa de Cacine, Cameconde, Cacoca, Sangonhá, Gadamael, Ganturé (e mais acima Guileje, Gandembel e Balana)

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


1.  Sobre Camemonde temos mais de 60 referências no blogue. É uma das muitas estações do nosso calvário na Guiné. Desde o princípio da guerra, foi sempre um osso muito duro de roer. Diversos camaradas nossos (aqui representados na Tabanca Grande) lá estiveram e por lá passaram  (e por lá penaram...).

 Estive a organizar uma lista dos "camedondenses" mas  desapareceu, num daqueles "truques de magia" que, desgraçadamente, acontecem,  de vez em quando, aos pobres dos editores (e também aos leitores, que nos comentam...): basta, às vezes, tocar  na tecla errada... e é a morte do artista (irrecuperável,  irremediável, irreversível).

Um gajo fica "piurso"... Mas não adianta partir o computador... O material tem sempre razão, aprendemos na tropa. Por isso, siga a Marinha... 

O nosso último grão-tabanqueiro, o Fernando Villalôbos Filipe,  (foto acima) foi um deles, um dos "camedondenses". E, por sinal, comandou a CART 6552/72 a quem coube a entrega (pacífica e planeada) das fracas instalações aos novos "senhores da  guerra"... Em 19 de julho de 1974. No mesmo dia que Gadamael.

 

2. O José Vermelho, nosso grã-tabanaqueiro nº 471, ex-fur mil, CCAÇ 3520, Cacine,  e CCAÇ 6,  Bedanda, CIM Bolama (1972/74), descreveu Cameconde nestes termos realistas

(...) Cameconde era um destacamento de Cacine, distando 6/7 Kms entre si. Tinha uma forma mais ou menos rectangular, talvez aí de uns 50 por 70 mts., encravado no meio da mata, completamente isolado, sem qualquer população civil.

Era o destacamento das N/T situado mais a sul da Guiné. Tinha em permanência 1 Pelotão de Artilharia + 1 Grupo de Combate de Cacine, sendo este substituído mensalmente por outro, em regime rotativo.

Era feita uma coluna diária Cacine - Cameconde (com picagem) e volta. Nos primeiros meses de 1972, também fui um dos "turistas voluntários à força", convidado a visitar Cacoca... isto é... o pouco ou nada que restava dela! (...)

Quase meio século depois, o Patrício Ribeiro tirou umas chapas aos "restos arqueológicos" da presença dos tugas:


3. O Juvenal  Candeias (ex-alf mil, CCAÇ 3520,  Estrelas do Sul, Cacine e Cameconde e Guileje, 1971/74] ajudou-nos a melhor fazer o enquadramento de Cameconde na península de Quitáfine: 

(...) A região do Quitáfine, a Sul de Cacine, era considerada o santuário do PAIGC, que aí estava fortemente instalado e provido de dispositivos de segurança, que tornavam os nossos movimentos impossíveis, salvo com utilização de meios excepcionais. 

Trilhos minados e sentinelas avançadas, permitiam-lhes uma tranquilidade apenas quebrada pelos obuses de 14 cm, disparados do nosso destacamento de Cameconde!

Os efectivos de que dispunham com um grupo especial de 20 lança-granadas, responsável pelas constantes flagelações a Cameconde, apoiado por um bigrupo disperso pela zona de Cassacá e Banir (onde se supunha estar o comando), eram reforçados por uma vasta população armada em autodefesa, distribuída, entre outras, pelas tabancas de Ponta Nova, Bijine, Dameol, Cassacá, Banir, Campo, Cassebexe e Caboxanque.

O PAIGC furtava-se sistematicamente ao contacto, optando por uma estratégia defensiva de protecção às populações que controlava, privilegiando as flagelações e a colocação de engenhos explosivos! Quem circulava a Sul de Cambaque (que distava cerca de 3 km de Cameconde) tinha como certo algumas surpresas no trilho! Provavelmente um campo de minas e a seguir (algum humor-negro), munições de Kalash espetadas no chão formando a palavra PAIGC!

O Quitáfine permitia ainda, ao PAIGC, um reabastecimento regular e seguro, processado a partir da República da Guiné, através de vários rios, em especial o Caraxe e o Camexibó! Ao dispositivo militar juntava-se uma mata densa intransponível!

Os paraquedistas, após uma operação no Quitáfine, só à noite conseguiram chegar a Cameconde, com grande dificuldade e orientados pelo clarão da queima de cargas de obus, em cima dos abrigos!  O grupo de Marcelino da Mata, largado de helicóptero, fez um golpe de mão a Cabonepo, a base do PAIGC mais a Norte do Quitáfine, onde estaria instalado um posto transmissor. Quando chegou, após lenta progressão através da mata… não havia lá nada… a base tinha sido abandonada momentos antes!

O Quitáfine era, efectivamente, o santuário do PAIGC, desde o início da guerra! Foi ali que se realizou, na tabanca de Cassacá – a 15 Km de Cacine e a 8 Km de Cameconde -, em meados de fevereiro de 1964, o 1º Congresso do PAIGC, com a presença de Amílcar Cabral, Luís Cabral, Aristides Pereira e outras individualidades do Partido!

A CCaç 3520 tinha chegado ao porto de Cacine, a bordo da LDG Montante, em 24 de Janeiro de 1972, para render a CCaç 2726 – companhia açoriana comandada pelo Capitão Magalhães -, o homem que retorcia as pontas do bigode com cera e a quem o tabaco nunca faltava! Dizia-se mesmo, à boca pequena, que, quando o tabaco acabava em Cacine, o PAIGC deixava, no mato, uns macitos para o Capitão! Rumor ou realidade… ninguém sabe! Ficou por provar!

Decorria ainda o período de sobreposição, que se prolongou até 22 de fevereiro, quando foram recebidas instruções de Bissau, para ser preparada uma operação ao Quitáfine – Cabonepo e… Cassacá! (...)


4. Quase meio século depois, o Patrício Ribeiro  tirou umas chapas aos "restos arqueológicos" da presença dos tugas:

(...) Cameconde > Algumas fotos da fortaleza (quartel) que lá construíram, para os que lá dormiram dentro, recordar 

Ainda hoje são impressionantes, as construções. (...)

A estrada que liga Cameconde, Cassacá, até Campeane, está em bom estado, ainda encontramos muita floresta frondosa, muito verdejante, esta zona é muito bonita. Onde se produz muita fruta; cola, laranja, ananás, banana, etc. Mas a plantação de caju, já está a chegar, para deitar a floresta abaixo.

A estrada passou a ser uma rua, com muitas casas durante alguns quilómetros muita população. Como está perto da fronteira, muitos vieram do outro lado (...)

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Nota do editor LG:

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28417: Tabanca Grande (586): Fernando Manuel Villalôbos Filipe, ex-Cap Mil Inf, CMDT da CART 6552/72 (Cameconde, Cacine, Cabedú e Cufar), que se senta à sombra do nosso poilão, no lugar n.º 919

Cameconde > Cap Mil Inf Fernando Manuel Villalôbos Filipe, CMDT da CART 6552/72
Foto actual de Fernando Manuel Villalôbos Filipe no seu escritório

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1. Mensagem de Fernando Manuel Villalôbos Filipe, enviada ao nosso blogue em 26 de Maio de 2026:

Caro Camarigo,
Aproprio-me da palavra "criada" pelo Mexia Alves, simbiose de duas outras, das mais lindas do léxico português: "Camarada" e "Amigo", pelo significado e pelo conteúdo que encerram, para me dirigir a ti, hoje, quando se perfazem, exatamente, 53 anos da chegada à Guiné da CART 6552.

Ontem, solicitei a minha inscrição na Tabanca Grande, mas não enviei as duas fotografias indispensáveis ao processo de admissão: uma em Cameconde, outra, no meu escritório, em Lisboa.
Por isso, as remeto hoje, em anexo a este e-mail para completar a minha solicitação.

Um abraço reconhecido pela tua iniciativa.
Fernando Manuel Villalôbos Filipe

2. Mensagem do ex-Cap Mil Inf Fernando Manuel Villalôbos Filipe, CMDT da CART 6552/72 (Cameconde, Cacine, Cabedú e Cufar), enviada ao nosso blogue em 6 de Outubro de 2026 através do Formulário de Contactos do Blogger:

Em 25 de Maio passado solicitei a minha inscrição no "blogue". Por e-mail de 26 de Maio, remeti para o Luís Graça as duas fotos que complementariam o meu pedido. Não tive qualqer retorno, mas, hoje, perante os relatos das operações desenvolvidas pelos Páras em Gadamael e Cacine/Cameconde, recordei os momentos amargos de Junho e Julho de 1973 ali passados.

A CART 6552, que comandei, chegou a Cacine na mesma LDG em que seguiu a Companhia 121 do BCP 12. Presto aqui a minha homenagem aos paraquedistas que, integrando o BCP n.º 12, venceram a batalha de Gadamael.

Eu estava lá e posso afirmar que se houve militares que mereciam ser louvados pela ação desenvolvida, foram aqueles. A eles agradeço ainda, sobretudo ao malogrado Capitão Cordeiro, o decisivo contributo para que uma companhia treinada para agir no território de S. Tomé e Principe se transformar em unidade operacional no Sul da Guiné, em pleno Quitafine.


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3. Comentário do editor CV:

Caro camarigo Fernando Filipe, em primeiro lugar as nossas desculpas pela demora na tua apresentação ao Blogue. A(s) caixa(s) de correio do nosso editor Luís Graça é problemática pela quantidade de mensagens que lá caem diariamente. As mais antigas começam a ficar para baixo e fogem ao controle.

Está reposta a legalidade, estás devidamente apresentado à tertúlia, ocupando o lugar (estatístico) 919 da nossa tertúlia.

Falando de trabalho, nós, os mais antigos, temos uma certa curiosidade em saber pela boca dos que nos precederam e viveram o fim da ocupação em África, no nosso caso na Guiné, como se viveram aqueles tempos. Já temos alguns relatos, mas nunca é demais termos o registo dos diversos sectores onde havia tropa em quadrícula, quer ainda no tempo da guerra efectiva, como foi o caso da 6552/72, quer já na fase de "acalmia" e entrega dos aquartelamentos no pós 25 de Abril.

Aqui fica o desafio para partilhares connosco as tuas vivências, caso tenhas tempo e paciência para rebuscar papéis, gavetas da memória e "fotos falantes", como dizia o nosso saudoso Torcato Mendonça.

Em nome da tertúlia, dos editores e colaboradores permanentes deste blogue, aqui fica um abraço de boas-vindas e a nossa disponibilidade para o que entenderes podermos ser úteis.

Carlos Vinhal

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Nota do editor

Último post da série de 3 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28317: Tabanca Grande (585): Rui Osório Oliveira, natural do Porto, a viver em Aveiro, senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 918... Foi fur mil trms, CART 2742 / BART 2920 (Fajonquito, 1970/72)

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28406: Em busca de... (336): Camaradas de Júlio Lopes Santos, ex-Soldado Atirador da Companhia de Artilharia n.º 6552/72 (Cameconde, Cabedú e Cufar, 1973/74)

Foto do nosso camarada Júlio Lopes Santos, Soldado Atirador do 3.º Pelotão/3.ªSecção da CART 6552/72
Foto de antigamente de Júlio Lopes Santos
Foto actual de Júlio Lopes Santos

Fotos ©: editadas e legendadas por CV.


Júlio Lopes Santos está vivo e gostaria muito de reencontrar antigos camaradas e fotografias – CART 6552/72 – Cameconde

1. Mensagem de Lúcia Abel Varelas, enviada ao nosso Blogue em 3 de Outubro de 2026:

Exmo. Sr. Luís Graça,

Chamo-me Lúcia (namorada de David, um dos filhos de Júlio Lopes Santos) e estou a tentar reconstruir o percurso militar de Júlio Lopes Santos que é o pai de David, Manuel e Bruno, que esteve na Guiné durante a Guerra Colonial e pertenceu, segundo as informações que possuímos, à CART 6552/72 – “Honra e Dever”, no 3.º Pelotão, 3.ª Secção.

Júlio Lopes Santos nasceu a 27 de agosto de 1951, em Friões, concelho de Valpaços. É filho de Manuel dos Santos e Maria Silveira Lopes.

O seu número de identificação militar é 12445972. Foi incorporado no RI 13, em Vila Real, no dia 23 de outubro de 1972, tendo posteriormente seguido para a Guiné.

Ao pesquisar a história da CART 6552/72, descobri o vosso blogue e, em particular, os testemunhos e fotografias de Cameconde, incluindo os contributos de antigos militares desta companhia. Foi muito emocionante encontrar imagens dos locais onde Júlio terá vivido durante aquele período.

Gostaria muito de saber se algum antigo camarada da CART 6552/72, particularmente do 3.º Pelotão / 3.ª Secção, se recorda de Júlio Lopes Santos ou se possui fotografias, histórias ou outras informações sobre ele.

Junto a esta mensagem envio quatro fotografias de Júlio: uma fotografia militar da época, que consta do seu documento militar, outras fotografias quando era mais novo e uma fotografia atual. Autorizo a publicação destas quatros fotografias no blogue, caso considerem que isso possa ajudar a identificá-lo e a encontrar antigos camaradas.

Seria muito especial para nós conseguir encontrar fotografias de Júlio na Guiné, sobretudo em Cameconde, e eventualmente entrar em contacto com alguém que tenha servido com ele e ainda se recorde daqueles tempos.

Se possível, agradecia também muito a ajuda do Manuel Domingos Ribeiro, antigo camarada da CART 6552/72, que vi referido várias vezes no blogue e que parece possuir muitas memórias e fotografias da companhia.

Muito obrigada por todo o trabalho de preservação da memória dos antigos combatentes da Guiné e por qualquer ajuda que nos possam dar.

Com os melhores cumprimentos,
ABEL VARELAS Lúcia


2. Comentário do editor CV:

A CART 6552/72 tem só 8 entradas no nosso Blogue e um único confrade, o ex-Fur Mil At Art MA, Manuel Domingos Ribeiro,[1] a quem vamos dar conhecimento da petição do camarada Júlio Santos.

Esperemos que apareçam mais camaradas da 6552/72, gente ainda relativamente nova, para iniciarem contactos e relembrar memórias.

Quanto aos camaradas, Manuel Ribeiro e Júlio Santos, "guerreiros do fim do império", desejamos saúde e longa vida. Se encontrarem outros camaradas, tragam-nos até nós porque estamos sedentos de novas estórias.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Guiné 61/74 - P27349: Em busca de... (329): Fur Mil Art Silva, de Rio Tinto - Porto, que fez parte da CART 6552/72 (Cameconde, Cacine e Cabedú, 1973/74), companhia que, estando mobilizada para S. Tomé, acabou por ir cumprir a sua comissão de serviço na Guiné (João Ferreira, ex-Fur Mil Art da CART 6254/72)

Fotografia onde está o meu amigo Silva, de Rio Tinto, Porto. Eu sou o do centro e o Silva é o que está do lado direito da foto. O que tem a boina presa à presilha do blusão esteve comigo no Olossato (Furriel Barros), infelizmente já falecido.

Foto (e legenda): João Ferreira (2025)

1.
Mensagem do nosso camarada João Ferreira enviada ao blogue em 12 de Setembro de 2025 através do Formulário de Contacto do Blogger:

Caros camaradas

Procuro ex-Furriel Mil, Silva, de seu apelido, estampado na farda de trabalho. Somos do 2.º Turno/72, Leiria/Caldas, especialidade atirador na EPA Vendas Novas, (vínhamos os dois à boleia para o Porto, quando não havia autocarro).

Colocados no RAP-3 na Figueira da Foz, onde fomos mobilizados, eu para a Guiné, ele para S. Tomé e Príncipe (a Companhia/Batalhão, foi depois transferida/o para a Guiné, por interferência do Gen. Spínola).

Ele é de Rio Tinto-Porto, e a casa dele ficava à face da EN 15, que atravessa Rio Tinto, onde pernoitei uma vez devido ao avançado da hora, e já não haver comboio para a Póvoa de Varzim, onde moro.

Sei que os elementos de identificação que vos dou são muito poucos, mas com a vossa colaboração, talvez eu consiga ainda vir a dar um abraço a este amigo e camarada de armas.

Tenho uma fotografia onde ele aparece, mas não consigo postá-la aqui.

Grato pela atenção, aguardo notícias do meu amigo Silva de Rio Tinto
Cumprimentos,
João Ferreira
Póvoa de Varzim
16cidral21@gmail.com


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2. Mensagem enviada ao João Ferreira em 16 de Outubro:

Caro João Ferreira

Em relação ao teu camarada Silva, vai ser difícil encontrá-lo só pelo apelido.

Dizes que a Companhia/Batalhão dele ia destinada a S. Tomé, mas que foi desviada para a Guiné. Suponho que terá sido desviada no caminho, porque não aparecem registos de unidades de artilharia em S. Tomé e Príncipe depois de 1970.

Se ele viajou perto da tua data de ida para a Guiné, diz-nos quando foste, em que unidade, BART ou CART e quando regressaste.

Podes enviar a foto que possuis do Silva para este meu mail para eu publicar no Blogue.
Vê se te lembras de mais algum pormenor que possa ajudar a encontrá-lo.
Fico ao dispor

Abraço
Carlos Vinhal
Coeditor

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3. Mensagem do João Ferreira, ex-Fur Mil Art da CART 6254/72, com data de 23 de Outubro:

Bom dia Carlos Vinhal

Obrigado pela resposta ao meu pedido de informação sobre o meu amigo Silva.

Efetivamente, a informação que prestei foi muito escassa. Como sugerido por ti, acrescento que fiz parte da CART 6254 (Companhia Independente) e a data de embarque com destino à Guiné, em conjunto com 1 Batalhão e mais 2 companhias independentes, foi a 16 de Março de 1973 (Paquete Uíge), com chegada a Bissau a 22 do mesmo mês, tendo sido encaminhados para o Cumeré, onde fizemos o IAO.

Desconheço se havia na Guiné mais algum quartel, além do Cumeré, onde as tropas fizessem o IAO onde, eventualmente, a companhia/Batalhão do Silva o tivesse feito. Também pode dar-se o caso de ele ter feito o IAO na metrópole, e então aí, a ida dele para a Guiné terá ocorrido mais de um mês depois da minha.

Espero que este acréscimo de informação, com a vossa prestimosa ajuda, possa fazer vislumbrar a luz ao fundo do túnel, onde eu possa ver este meu amigo.
Mais uma vez grato pelo vosso empenho, aguardo esperançosamente boas notícias.
Um abraço fraterno.

João Ferreira
Ex-furriel Mil.



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4. Mensagem enviada hoje mesmo ao João Ferreira

Amigo João
Segundo o livro da Comissão para o Estudo das Campanhas de África (Estado-Maior do Exército), a tua Companhia de Artilharia 6254/72, foi mobilizada no RAP 2 (Vila Nova de Gaia).

Foi para a Guiné comandada pelo Cap Art Eduardo dos Anjos Costa. O RAP 3 (Figueira da Foz) não foi unidade mobilizadora, nem de Companhias, nem de Batalhões de Artilharia.

Em relação à Unidade do teu amigo Silva, achei muito estranho um Batalhão ser mobilizado para S. Tomé. Acho que nem havia lá condições para alojar tanta gente, mas posso estar enganado. Ainda se fosse uma Companhia?...

Procurei uma CART que tivesse ido para a Guiné depois de vocês, tendo encontrado a 6552/72, mobilizada pelo RAL 5 (Penafiel), que embarcou para a Guiné em 26 de Maio de 1973, indo de avião.

A partir daí foi só ir ao Blogue e lá estava, tudo explicadinho. Ainda em quartel, estava destinada a S. Tomé, mas foi desviada para a Guiné.

Lê aqui o que descobri (é só clicar):

e aqui: 

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2021/07/guine-6174-p22396-as-desventuras-da.html.

Vou fazer um post na série Em busca de com todos os elementos mais a foto.
Se entretanto quiseres fazer uma tentativa, tens aqui o contacto do Manuel Domingos Ribeiro [...] da CART 6552, pode ser que ele tenha ou saiba de alguém que tenha o contacto do Silva.

Boa sorte
Carlos Vinhal

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Notas do editor:

A propósito do "desvio" da CART 6552/72 de S. Tomé para a Guiné, lembremos o que escreveu o camarada Manuel Domingos Ribeiro no Poste 22393:

(...) Falando um pouco sobre o desvio da CART 6552/72, de S. Tomé para a Guiné, quando se encontrava a aguardar embarque na carreira na de tiro de Espinho, embarque que já tinha sido adiado duas vezes, eu que me encontrava em casa de licença fui convocado por telegrama para me apresentar na unidade para seguir de imediato para o ultramar, mas não mencionava o destino final.

Apresentei-me a uma sexta feira ao fim da tarde e tive de imediato fazer o espólio de algum fardamento para de seguida o pagar pois, como te deves de lembrar, recebíamos um valor monetário para compra de todo o fardamento e demais artigos necessários ao serviço militar, artigos esses que foram comprados no casão militar em Bissau.

Como me apresentei à última da hora só levei a farda que tinha vestida, algum fardamento que tinha no quartel e uma muda de roupa que transportava numa pequena mala de mão, foi nessa altura que nos foi comunicado que tínhamos sido desviados para a Guiné pelo nosso Comandante de companhia e encarregues de comunicar aos nossos militares e por pelotão o nosso destino.

Nós, os graduados, ainda ponderámos não embarcar, alguns ainda se deslocaram ao Porto já ao princípio da noite para falar com familiares e pedir algum conselho. Fomos aconselhados a embarcar pois as consequências seriam de certeza graves.

Depois de todos regressarem, reunimo-nos já ao principio da madrugada, explicámos a nossa situação e informámos que partiríamos ao início da madrugada em autocarros, com destino à Base Aérea de Figo Maduro, em Lisboa, onde embarcaríamos ao princípio da manhã de sábado.

Na altura de embarque surgiu alguma resistência por parte alguns soldados e graduados em embarcar por não nos terem alterado a nossa mobilização e não nos terem explicado por que razão estávamos a ser deslocados para a Guiné. 

Alguns elementos foram isolados da restante companhia e postos à guarda da policia aérea responsável pela segurança do aeroporto, foram confrontados por elementos civis e militares se não iam embarcar e as consequências de uma resposta negativa... Responderam, por fim, que embarcavam e seguiram para a pista, saindo o avião com cerca de uma hora de atraso.

Lembro-me de ver alguns familiares no aeroporto militar mas da parte de fora da rede, de ter entrado no avião a chorar de revolta por não nos terem dito a razão da nossa ida para a Guiné, da nossa chegada que foi cerca do meio dia, hora de muito calor, da saída do avião, o cheiro característico a que depois me habituei, o embarque quase de imediato em viaturas militares com destino ao Cumeré. (...)


Último post da série de 5 de outubro de 2024 > Guiné 61/74 - P26013: Em busca de... (328): Rastrear o percurso do meu avô Joaquim Martins Beirão (1932 - † 1991), 1.º Sargento, enquanto militar na guerra do Ultramar (Osvaldo Beirão Germano)

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Guiné 61/74 - P26162: Elementos para a História dos Pel Art - Parte I: Manuel Friaças, ex-fur mil art. 1º Pel Art (14 cm) (Cameconde e Cacine, 1971/73); vive em Aljustrel




Foto nº 1 e 1A > Guiné > Região de Tombali > Cameconde > 1º Pel Art > 1972 (?)






Foto nº 2 e 2A > Guiné > Região de Tombali > Cacine > 1º Pel Art > 1973


Foto nº 3  > Guiné > Região de Tombali > Cameconde > 1º Pel Art > c. 1971/72



Foito nº 4 > Guiné > Região de Tombali > Cacine > CCAÇ 2520 e  1º Pel Art  / > c. 1972  > Messe de sargentos (?)





Foto nº 5 e 5A > Guiné > Bissau > "Convívio durante um patrulhamento ao arame em Bissau 1973". (Publicado na página "Guiné-Recordações", Grupo Privado, 29 de março de 2022, 15:21)

Fotos (e legendas): © Manuel Friaças (2022). Todos os direitos reservados.[Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



1. Há um défice muito grande de informação sobre os Pel Art (Pelotões de Artilharia) que passaram pelo CTIG (integrados no BAC / BAC1 e depois, a partir de 1 de julho de 1970, no GAC1 / GA7).

 No final da guerra, eram mais de 3 dezenas, 34 ao todo... Só temos, no nosso blogue, referências (e para mais sucintas) a dezanove.


O que tem mais referências (=43) é o 23º Pel Art, que esteve em Gadamael, Cacine e Cuntima, graças aos postes de camaradas como, entre outros:

  • Manuel Vaz (Gadamael, 1965/67);
  • Vasco Pires (Gadamael, 1970/72);
  • Tibério Borges (Cacine, Cameconde, Gadamael e Bedanda, 1970/72);
  • Humberto Nunes (Gadamael e Cuntima, 1972/74);
  •  C.Martins (Gadamael, 1973/74)...

Vamos inaugural uma série com o título "Elementos para a História dos Pel Art". E vamos começar  pelo 1º Pel Art (14 cm), de que fez parte o Manuel Friaças, ex-fur mil art. Esteve em Cameconde e Cacine, entre 1971 e 1973. E, por exclusão de partes, só pode ter pertencido ao o 1º Pel Art (que não parece ter existido antes de 1971).

Encontrei, até agora, cinco fotos dele no Facebook. Ele tem uma página mas com uma muita reduzida atividade (não tem nenhuma publicação disponível). 

Também colaborou pontualmente na página  Escola Prática de Artilharia (Grupo Público), com um comentário.  Outra página, a dos Antigos Combatentes da Guiné (Grupo Público) reproduziu, sem qualquer edição, quatro fotos do seu álbum.

Na página da Escola Prática de Artilharia o Manuel Friaças comentou: 

"Estive nesse GI [Grupo de Instrução, da EPA] de abril a junho de 1971 e  [ fui 1º] cabo miliciano na 4ª BBF até setembro de 1971, data da mobilização para a Guiné" (9 de setembro de 2024, 14:24).

Na sua página pessoal, tem escassos elementos sobre si e a sua atividade operacional. Além das fotos que reproduzimos (depois de editadas, e que vinham sem legenda ou escassa informação sobre a data e o local), ficámos a saber que o Manuel Friaças:

(i) é alentejano de Aljustrel, onde de resto vive;

(ii) trabalhou na antiga Direcção Geral das Contribuições e Impostos (DGCI) (hoje Autoridade Tributária);

(iii)  estudou em Universidade de Évora.

Presume-ser que esteja reformado, sabendo-se que deve ter nascido por volta de 1949. Não temos o seu email. Mas fica desde já convidado a integrar a nossa Tabanca Grande. Tomamos "emprestadas" estas fotos, que são os primeiros elementos que encontramos para a história do 1º Pel Art.  Oxalá apareçam mais, dele e doutros camaradas.

2. Na época em que o nosso camarada Friaças esteve no CTIG, em rendição individual (1971/73), o 1º Pel Art esteve em Cameconde (1971/72) e depois foi transferido para Cacine (1973).


Em 1 de julho de 1971, o dispositivo das NT no subsetor de Cacine  / Setor S3 (BCAÇ 2930, Catió) era o seguinte:

  • CCaç 2726 (-) >  Cacine | 2 Pel  > Cameconde
  • 1º Pel Art (14 cm)  > Cameconde
  • Pel Mil 261/CMil 21 > Cameconde
  • Pel Mil 262/CMil 21 > Cacine
  • Pel Mil 263/CMil 21 > Cacine
Em 1 de julho de 1972, o dispositivo das NT no subsetor de Cacine  / Setor S3 (BCAÇ 2930, Catió) era o seguinte:

  • CCaç 3520 (-) > Cacine | 2 Pel Cameconde
  • 1° Pel Art (14cm) > Cameconde
  • Pel Mil 261 > Cacine (Reordenamento)
  • Pel Mil 262 (-)  > Cacine | 1 Sec > Cacine (Reordenamento)
  • Pel Mil 263 > Cacine

E,m 1 de julho de 1973, o 1º Pel Art (14 cm) estava em Cacine, subsetor de Cacine, COP 5, sendo a companhia de quadrícula a CCAÇ 3520 (com 2 pelotões em Cameconde e 1 no subsetor de Gadamael-Porto). Havia mais as seguintes subunidades no subsetor de Cacine:

  • Pel Mil 261 > Cacine (Reordenamento)
  • Pel Mil 262 (-) > Cacine | 1 Sec Cacine (Reordenamento)
  • GEMil  263  >  Cacine
  • CArt 6552/72 > Cameconde
  • Pel Rec Fox 3115 >  Cacine
Em 10 de abril de 1974, o dispositivo militar era o seguinte ( além do DFE 22. temporariamente em Cacine, e às ordens do Comando do COP 5):
  • CCav 8354/73 > Cacine
  • 1° Pel Art (14 cm)  > Cacine
  • CArt 6552/72 >  Cameconde
  • Pel  Rec Fox 8871/73 >  Cacine
  • Pel Mil 261 > Cacine (Reordenamento)
  • Pel Mil 262 (-) > Cacine | 1 Sec > Cacine (Reordenamentp)
  • GEMil 263 > Cacine
Fonte: Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 6º volume: aspectos da actividade operaciona. Tomo II: Guiné, Livro III, Lisboa: 2015,  554 pp.

PS - Não encontrámos quaisquer referências ao 1º Pel Art anteriores a 1971, nos livros da CECA, 6º volume (aspectos da actividade operaciona), tomo II (Guiné), Livros I e II. 

3. Fichas de unidade > BAC / BAC1 e GAC7/GA7

3.1. Bateria de Artilharia de Campanha | Bateria de Artilharia de Campanha nº  1

Identificação BAC | BAC 

Cmdt (a): Cap Art António Soares Fernandes | Cap Art Carlos Rodrigues Correia | Cap Art José Júlio Galamba de Castro | Cap Art João Carlos Vale de Brito e Faro |! Cap Art Ernesto Chaves Alves de Sousa | Cap Art José Augusto Moura Soares (a) (Os Cmdts Btr são apenas indicados a partir de 1jan61)

Divisa: "Os Olhos na Pátria e a Pátria no Coração"
Início: Anterior a 1jan61 | Extinção: 30kun70

Síntese da Actividade Operacional

Era uma subunidade da guarnição normal, com existência anterior a 1jan61 e foi constituída por quadros metropolitanos e praças indígenas do recrutamento local, estando enquadrada nas forças do CTIG então existentes.

Inicialmente, destacou efectivos para guarnecer algumas localidades até à chegada de forças de Caçadores, nomeadamente para Bissorã, de finais de abr61 a meados de ag061 para Mansabá, de finais de abr61 a princípios de nov61 e para Enxalé, de princípios de jun61 a princípios de nov61.

Após ter destacado pelotões de material 8,8 cm para Mansabá, a partir de 10ut63, para Bissorã, de 6nov63 a 24dez63, para Olossato, a partir de 24dez63 e para Catió, a partir de 4fev64 - este destacamento, inicialmente, para apoio da operação "Tridente", nas ilhas de Como, Caiar e Catunco, continuou a formar pelotões para atribuição em apoio de fogos a diversas guarnições. 

Assim, constituiu durante o ano de 1964 mais três pelotões, em 1966 mais seis pelotões, dos quais, três de material 11,4 cm e em 1967 mais três pelotões, estes de material 14 cm.

Em 1abr67, a subunidade passou a designar-se Bateria de Artilharia de
Campanha n.º 1.

A partir de 1968, os pelotões de 8,8 passaram a ser equipados com material de 10,5 cm, tendo ainda sido formados mais 7 pelotões de 10,5 e mais 4 pelotões de 14 cm, um dos quais, por extinção de um pelotão de 11,4 cm.

A localização dos pelotões foi caracterizada fundamentalmente pela capacidade de atuação sobre as linhas de infiltração do inimigo e de reação aos ataques sobre os aquartelamentos fronteiriços, como S. Domingos, Guidage, Cuntima, Buruntuma, Cabuca, Aldeia Formosa, Guileje e Cameconde, entre
outras e para prolongar as acções de fogo sobre as áreas de refúgio tradicionais do Morés, Tiligi, Caboiana, Quínara, Tombali e Cubucaré, entre outras.~

Em 1out70, a subunidade foi extinta e os seus meios foram transferidos para o GAC 7, então criado.
Observações - Não tem História da Unidade.

3.2. Grupo de Artilharia de Campanha nº 7 | Grupo de Artilharia nº 7

Identificação:  GAC 7 | GA 7

Cmdt: TCor Art António Luís Alves Dias Ferreira da Silva | TCor Art António Cirne Correia Pacheco | TCor Art Martinho de Carvalho Leal |! Maj Art José Faia Pires Correia

2.° Cmdt (a): Maj Art João Manuel de Magalhães Melo Mexia Leitão | Maj Art José Joaquim Vilares Gaspar | Maj Art Martinho de Carvalho Leal | Maj Art José Faia Pires Correia | Cap Art Jaime Simões da Silva | (a) só a partir de 27mar71

Divisa:
Início: 1jul70 | Extinção: 140ut74

Síntese da Actividade Operacional

A unidade foi criada em 1jul70, a partir dos meios de Artilharia da BAC 1, os quais já englobavam, na altura, 114 bocas de fogo constituídas em 27 pelotões, dos quais 16 pelotões eram de material 10,5, 2 pelotões de 11,4 e 9 pelotões de 14. 

Posteriormente, foram ainda organizados mais um pelotão de 10,5, em 1972 e mais um pelotão de 8,8, outro de 10,5 e dois pelotões de 14, em 1973.

Na sequência da missão da BAC 1, continuou a exercer o comando e controlo técnico dos diferentes pelotões colocados em apoio de fogos das diversas guarnições do interior, tendo comandado e coordenado diversas acções de fogo sobre bases inimigas situadas junto da fronteira. 

Comandou e coordenou ainda a atividade das subunidades de AA (antiaéreas).

Em 14nov70, passou a designar-se Grupo de Artilharia n.º 7, a fim de harmonizar a sua designação com o comando e controlo de baterias de AA, entretanto colocadas na Guiné, de acordo com despacho ministerial de 11ag070.

Após a recolha dos pelotões existentes, de acordo com o plano de retracção do dispositivo, a Unidade foi desactivada a partir de 2set74, tendo sido posteriormente extinta.

Observações - Não tem História da Unidade.

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002, pp. 658/661.