Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta Bissorã. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bissorã. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 25 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27856: Historiografia da presença portuguesa em África (522): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1964, 2.º semestre (80) (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 3 de Outubro de 2025:

Queridos amigos,
O Boletim Oficial é um documento de leitura obrigatória para qualquer investigador que esteja focado na criação da colónia a partir da sua desanexação de Cabo Verde, o que aconteceu em 1879. Comecei este meu trabalho anos antes, considerei que era indispensável entender o significado dessa união Cabo Verde e Costa da Guiné, era assim que se tratava a Pequena Senegâmbia, convém não esquecer que Honório Pereira Barreto escreveu a sua memorável Memória sobre o Estado Actual da Senegâmbia Portuguesa em 1843. Agora que estamos em pleno conflito armado, o Boletim Oficial dá-nos a possibilidade de visualizar a extensão dos serviços, o funcionamento um tanto fictício do sistema económico e financeiro. E descobre-se que a Guiné tem um herói, o regedor de Porto Gole, Abna Na Onça, tanto quanto nos é dado a perceber é o primeiro bravo nascido na Guiné que enfrenta destemidamente as forças do PAIGC.

Um abraço do
Mário



Província da Guiné Portuguesa
Boletim Oficial da Guiné, 1964, 2.º semestre (80)


Mário Beja Santos

Este ano de 1964 regista uma continuidade de reforço de verbas, concessões de crédito, orçamentos suplementares, é a cortina de fumo para não dar notoriedade à desarticulação económica e aos tumultos demográficos que alteraram radicalmente a vida das populações principalmente no Sul, na região do Corubal, no Centro-Norte, com especial incidência na região do Morés. Deixaram de ser transitáveis eixos como Jugudul-Bafatá e Bissorã-Mansabá-Bafatá, o que exigiu o recurso aos transportes marítimos e aéreos, o porto de Bambadinca será fulcral para o abastecimento do Leste. Cresce o número de funcionários, que tanto podem ser professores, como médicos e enfermeiros. Descobre-se que há um herói guineense, virá a ser condecorado e mais tarde abatido por forças do PAIGC, Abna Na Onça. Tirando este destaque e a notícia de que é necessário importar muito arroz, o Boletim Oficial está discretamente longe da guerra.

No Boletim Oficial n.º 26, de 27 de junho, é aprovado o Estatuto do Corpo de Polícia de Segurança Pública da Guiné. Estamos agora em julho, no Boletim Oficial n.º 28, de 13 desse mês, pelo Decreto n.º 45785, reorganiza-se a atual Missão Permanente de Estudo e Combate à Doença do Sono e outras Endemias que passa a designar-se Missão de Combate às Tripanossomíases da Guiné, com duas finalidades: o combate e a profilaxia da doença do sono e o combate e profilaxia das tripanossomíases animais.

Abna Na Onça é o nome de um valente guerreiro que surge pela primeira vez no Boletim Oficial n.º 31, de 1 de agosto. Veja-se o teor das Portarias emanadas da Repartição Provincial dos Serviços de Administração Civil:
“Na madrugada do dia 4 de julho do corrente ano, o alferes de 2.ª linha e regedor de Porto Gole, Abna Na Onça, chefiando uma força de polícia administrativa atacou e destruiu um acampamento ilegal perto da povoação de Dembel.
Já no regresso à povoação de Porto Gole, conduzindo dezoito prisioneiros capturados no acampamento referido, a coluna que comandava foi surpreendida pelo inimigo, sendo duramente atingida pelo fogo desencadeado pelos terroristas emboscados.

Abna Na Onça enfrentou com valentia os assaltantes, conseguindo, embora bastante ferido, continuar a comandar os seus homens.
Demonstrou, o alferes de 2.ª linha Abna Na Onça, ter espírito de iniciativa, perfeito conhecimento dos seus deveres, dinamismo e patriotismo ao planear e pôr em execução a ação punitiva contra o acampamento ilegal de Dembel, cujo objectivo foi atingido, com êxito absoluto.
Demonstrou, igualmente, possuir qualidades de comando, autoridade, espírito de sacrifício e valentia quando da emboscada que sofreu.”

Foi promovido ao posto de tenente de 2.ª linha.

Segundo louvor:
“O 1.º Pelotão da Companhia da Polícia Administrativa, em serviço na área do Posto Administrativo do Porto Gole, levou efeito na madrugada de 4 do corrente, sob o comando do alferes de 2.ª linha e regedor Abna Na Onça, uma acção de polícia na região de Dembel, onde destruiu um acampamento terrorista.
Nesta operação incendiou dezoito barracas ilegais e grande quantidade de arroz. Abateu dois elementos terroristas e fez dezoito prisioneiros.

No regresso, suportou duro combate com um inimigo numeroso e fortemente armado que, emboscado, usufruía assim de enormes vantagens.
Todos os elementos do referido pelotão bateram-se com galhardia, demonstrando assim o seu alto grau de eficiência, disciplina e valentia.”

Conferiu-se louvor ao 1.º Pelotão pelos méritos demonstrados.

Terceiro louvor:
“Na emboscada sofrida pelo 1.º Pelotão da Companhia da Polícia Administrativa em serviço na área do posto administrativo de Porto Gole, na madrugada do dia 4 do corrente mês, quando regressava àquele posto, após ter efetuado com êxito um ataque ao acampamento terrorista, destacaram-se pela sua bravura, serenidade e espírito de iniciativa, os guardas Souleimane Seidi, João Fernandes, Armando Papo Seco e Amadu Bari.”
Pelos seus atos meritórios os quatro foram louvados.

Quarto louvor:
"No decurso da expedição conduzida com êxito pelo regedor Abna Na Onça, no combate que se travou entre a força da Ordem e os bandoleiros, os guardas António Gomes, Assalifam Té, Mussá Seidi e Aliu Baldé combateram até ao limite das suas forças, esvaindo-se em sangue dos ferimentos sofridos, caindo mortalmente."
Considerando ser justo dar público conhecimento da heroicidade destes guardas, eles foram louvados a título póstumo.

No Boletim Oficial n.º 45, de 7 de novembro, surge-nos o Diploma Legislativo n.º 1816:
“O imposto é um dever social de todo o cidadão para a satisfação de encargos do Estado no desenvolvimento das diferentes actividades de que todos beneficiam. Há determinadas isenções que não se justificam, em especial dos que exercem actividades remuneradas, que têm a restrita obrigação de contribuir para a colectividade. A partir de 1 de janeiro de 1965 todos os salários dos servidores do Estado, qualquer que seja o seu quantitativo, são passíveis de imposto de proventos.”

O Boletim Oficial n.º 48, de 28 de novembro, anuncia uma situação de graves irregularidades, e o Governador Arnaldo Schulz profere Despacho:
“Tendo alguns membros da direcção da Cooperativa dos Funcionários Públicos da Guiné solicitado ao Governo da província um inquérito às contas da referida Cooperativa, e, tendo esse inquérito revelado graves irregularidades que põem em risco o capital em giro, e um completo alheamento das suas funções por parte do Conselho Fiscal;
Considerando o importante papel de regulador de preços dos géneros de primeira necessidade desempenhado pela Cooperativa dos Funcionários Públicos junto do mercado local e as elevadas somas investidas na mesma, pelo Estado, sob a forma de subsídios, que precisam ser de melhor forma acauteladas;
Considerando ainda que a maior parte dos membros da direção eleita para o ano em curso pediu já a sua demissão; manda o Governador que a direcção da Cooperativa fique durante o período mínimo de dois anos a cargo de uma comissão administrativa.”

O Governador escolheu para presidente da referida comissão o Dr. Artur Augusto da Silva.

No Boletim Oficial n.º 50, de 16 de dezembro, temos o texto da Portaria n.º 1687. É designado o dia 17 de dezembro para a abertura das operações de comercialização da mancarra em toda a província, estabelecendo-se os preços de compra ao produtor e ao intermediário.

O Boletim Oficial n.º 52, de 26 de dezembro, publica um aviso referente à unificação das carreiras regulares de transportes coletivos de passageiros entre Bissau-Safim porto e Bula-João Landim, o concessionário por cinco anos é António Brites Palma.

No Suplemento do Boletim Oficial n.º 52, com data de 29 de dezembro, temos a Portaria n.º 1694 em que, a propósito da necessidade de promover a importação de arroz para o abastecimento público e impedir que o preço de venda desse arroz não ultrapasse o limite da tabela em vigor para o corrente ano, é autorizada a isenção de direitos até quinhentas toneladas de arroz de origem nacional.

Arnaldo Schulz, Governador e Comandante-Chefe da Guiné, numa alocução televisiva em fevereiro em 1968, em breve regressará a Lisboa, fez uma comissão de quatro anos.
Imagem extraída do filme Anos de Guerra – Guiné 1963-1974, realização de José Barahona, https://www.youtube.com/watch?v=mfSwSzRl9bM
Mancebo Felupe com um dos seus penteados característicos: cabelo empastado em azeite de palma e lama, formando uma carapuça, guarnecida de discos metálicos em cruz; no topo, um carro vazio de linha
Dançarino com a máscara Nimba
Rapariga Felupe com a dentadura limada
Armadura do tubarão serra
Mulher Pajadinca

Estas cinco imagens foram retiradas de números da Revista do Centro Cultural da Guiné Portuguesa, 1964

(continua)

_____________

Nota do editor

Último post da série de 18 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27834: Historiografia da presença portuguesa em África (521): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1964, 1.º semestre (79) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P27855: Esposas de militares no mato (3): Bissorã, em 1964/66 e em 1973/74


Guiné > Região do Óio > Bissorã > c. 1973/74 > Maria Dulcinea (Ni), esposa do nosso camarada Henrique Cerqueira, que esteve com o marido e o filho Miguel  em Bissorã, de outubro de 1973 a junho  de 1974 (*). [O Henrique Cerqueira foi fur mil, 3.ª CCAÇ / BCAÇ 4610/72, e  CCAÇ 13, Biambe e Bissorã, 1972/74]


Guiné > Região do Óio > Bissorã > c. 1973/74 > Miguel, o filho do Henrique Cerqueira, e da Maria Dulcinea (Ni),  com a filha de um capitão da CCS, no quintal da casa dos Cerqueira.


Guiné > Região do Óio > Mansoa > c. 1973/74 > Miguel, a Maria Dulcinea (Ni), de costas, com a esposa de um outro militar de Bissorã, também de costas, em visita a Mansoa.

Fotos (e legendas); ©  Maria Dulcinea (Ni) / Henrique Cerqueira  (2011), Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

 

Guiné > Região do Oio > Bissorã > CCS/BCAÇ 2861 (Bula e Bissorã, 1969/70) > Vista aérea (parcial): centro de Bissorã, onde se situava a Casa Gardete (8), o melhor edifício da povoação, sede de circunscrição (concelho).

Legendas [Armando Pires]:

1 – Caserna da CCAÇ 2444, e,  depois, da CCAÇ 13 | 2 – Sede da Administração de Bissorã |  3 – Enfermaria civil | 4 – Messe de oficiais | 5 – Secretaria da CCS BCAÇ 2861, Transmissões e espaldões de morteiros | 6 – Casernas e refeitório da CCS | 7 – Quartos de sargentos da CCS e bar | 8 – Secretaria do comando do batalhão no r/c e quartos dos oficiais no 1º andar !  14 – Campo de futebol.

Foto: Cortesia da página do © Carlos Fortunato : CCAÇ 13, Leões Negros >  Guiné - Bissorã  [Edição: LG /AP]


1. Continuação da nossa volta à procura de esposas de militares no mato (*) (e,  na Guiné, o mato era à saída de Bissau: Safim, Nhacra, Mansoa...), 

De Bissau a Mansoa já eram 60 km por estrada alcatroada, mas a partir daí começava o temível Óio. Em Bissorã estávamos no coração do Oio. 

Temos referências a esposas de militares em 1964/66 e em 1973/74 em Bissorã... Mas sabemos que também havia, no tempo do BCAÇ 2861 (1969/70), pelo menos a esposa do comandante da CCS, e que vivia na Casa Gardete.

O Armando Pires (que faz anos na sexta feira) pode fornecer-nos informação adicional, já pertencia a este BCAÇ 2861.  Bissorã era sede de circunscrição e uma povoação importante. Havia comerciantes libaneses. E, portanto, senhoras libanesas. Era também a terra de um filho ilustre da Guiné, o médico (e deputado pela Guiné na Assemnleia Nacional) Manuel Gardete Correia.


(i) Rogério Cardoso (ex-fur mil, CART 643/BART 645, Bissorã, 1964/66; tem mais de 6 dezenas de referências no nosso blogue, que integra desde dezembro de 2009; é membro também da Tabanca da Linha):

(...) Em 1964 e 1965 a Cart 643, "Águias Negras", estava sediada em Bissorã. O seu 1.º sargento,  de nome Rogério Meireles, estava acompanhado da mulher e de uma filha de pouca idade, residia numa pequena casa fora do aquartelamento. 

Acabou ao fim de um ano deixar de pertencer à companhia  por ter problemas de estômago, e deste modo foi embora com a família. Digo de passagem que foi o melhor que ele fez, pois, quando de alguns ataques noturnos, aquelas pobres sofriam bastante. 

Também o furriel vagomestre mandou ir a mulher, que chegou a Bissau no dia seguinte a ele ter sido ferido, mas sem gravidade. 

Ele ao fim de uns meses também mandou a mulher de regresso, pelas mesmas razões do anterior caso.


(ii) Carlos Alberto Fraga (foi alf mil na 3.ª CCAÇ/BCAÇ 4612/72, em Mansoa, na segunda metade do ano de 1973; foi adjunto, num curto período de 4 meses, até finais de 1973, do cap José Manuel Salgado Martins, indo depois ele próprio comandar, como capitão, uma companhia em Moçambique, a seguir ao 25 de abril de 1974; tem 26 referências no nosso blogue, que integra desde 2013)

 (...)  eu estive em Mansoa e quando lá estive não havia familiares de militares, embora me dissessem que em tempos esteve lá um casal (um alferes miliciano e mulher). 

Mansoa era uma zona bem protegida com várias companhias, etc, etc. Mas, em Bissorã, cerca de 30 kms a Norte, um local menos defendido do que Mansoa, aí havia familiares de um oficial superior. (...)


(iii) Maria Dulcinea (Ni) (esposa do Henrique Cerqueira, ex-fur mil, 3.ª CCAÇ / BCAÇ 4610/72, e  CCAÇ 13, Biambe e Bissorã, 1972/74; tem cerca de 3 de dezenas de referências no blogue, que integra desde 2011; não temos notícias do casal há muito, vai daqui um alfabravo para eles e para o Miguel que já deve ter c. 55 anos e, felizmente, não ter nenhumas recordações dos ataques do PAIGC)

(...) Quando chegamos a Bissorã e entro na nossa 'Casa' fiquei espantada pois estava decorada com assentos dum carocha, as camas eram da tropa, tínhamos um frigorífico a petróleo, a casa de banho eram dois bidões de chapa. 

Tínhamos chuveiro pois o Henrique conseguiu ir buscar água bem longe (daí a explicação do seu estado de magreza pois que arranjou casa, fez uma abrigo, decorou a casa e sempre fazendo a sua actividade militar, porque na CCAÇ 13 não se mandriava).

Quanto à nossa alimentação, foi organizada do seguinte modo: as refeições dos adultos vinham duma espécie de restaurante ("O Labinas") que tinha um acordo com a tropa, mas as refeições do nosso Miguel era eu que as confeccionava com artigos comprados na messe e outros sempre que possível na população.

Entretanto eu e o Henrique tirámos a carta de condução no mesmo dia em Bissau. Não pensem que nos facilitaram a vida, não, pelo contrário, foram bem exigentes no exame em Bissau.

Para além de ter tido um Natal muito especial em 1973, com pinheirinho (uma folha de palmeira enfeitada), rabanadas e aletria, tudo isto foi enviado pela família da metrópole. Mas o que mais gostei foi ter partilhado esse Natal com outros soldados que invadiram a nossa casa que até se esqueceram que havia algures por ali uma guerra.

Entretanto veio o 25 de Abril, e tive a oportunidade de ir cumprimentar o pessoal do PAIGC ainda no seu estado de combatentes inimigos. 

Uns dias antes os "patifes" tinham-nos bombardeado com foguetões, porque pareciam não estarem satisfeitos com o susto que me pregaram em dezembro, ao infligirem-nos um bruto ataque que foi o meu baptismo de fogo.  (...)

Em junho [de 1974] regresso a Portugal com o Miguel, e em julho regressa o Henrique, e uma vez mais fui ter com ele a Lisboa ao RALIS onde foi (fomos) definitivamente desmobilizado[s].

(...) Antes de acabar, lembro que em Bissorã viviam mais senhoras, esposas de militares, ou seja, dum soldado, dum furriel e de um capitão que tinha uma menina linda de quem vou tomar a liberdade de publicar a foto, junta com o meu Miguelito. (...) (**)

(Seleção, fixação/revisão de tempo: LG)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27570: Efemérides (380): Aconteceu há 60 anos em Jumbembem (Artur Conceição, ex-Sold TRMS)

1. Mensagem do nosso camarada Artur Conceição (ex-Soldado TRMS da CART 730/BART 733, Bissorã, Jumbembém e Farim, 1964/66), com data de 24 de Dezembro de 2025:

Aconteceu há 60 anos

No ano de 1965 foram colocados na Companhia de Artilharia 730 do Batalhão de Artilharia 733 dois Soldados de Transmissões Condutor Auto, que viria estar sediada em Jumbembem, de seu nome Artur António da Conceição, o Artur, e Manuel Mendes Almeida Santos, o MC.

Jumbembem, pertencia ao Sector de Farim e ficava a meio caminho entre Farim e Contima na bifurcação da estrada que vinha de Canjambari. Das instalações de Jumbembem fazia parte uma Casa Residencial, que terá sido a habitação de um Industrial de Serração de Madeiras.

O Artur indigitado para fazer a gestão do material de transmissões, localizou a dada altura um baú contendo todas as figuras necessárias para fazer um Presépio. Nas proximidades do Natal do ano de 1965 o Artur desafiou o MC, catequista tal como a Artur, a construir um presépio em Jumbembem usando para o efeito o material encontrado. O Homem sonha, a Obra nasce.
Presépio de Jumbembem no Natal de 1965

O Batalhão tinha maioritariamente origem no Sul do País, onde determinadas caraterísticas não permitem grande aceitação a eventos de carácter religioso.

Quando o Padre Maia se deslocava a Jumbembem o Cabo Martins ficava em Farim porque o Artur e o MC asseguravam as tarefas do auxiliar de Serviços Religiosos.

Se a Missa era por alma do Cachopo e do Baleizão, os dois mortos em combate, a Companhia comparecia em peso, mas se fosse uma Missa para cumprir calendário, só aparecia o Artur e o MC o Senhor Capitão e mais meia dúzia de especialistas.

Permitam-me a imodéstia, mas o Artur teve mais um posto enquanto militar que desempenhou com todo orgulho e aceitação. O Artur foi Decano das Praças da Companhia de Artilharia 730. Para além escala de serviço fazia os autos de destruição, as requisições de material, a manutenção das baterias e ainda tinha tempo para tratar da horta onde cresciam as melhores alfaces e o melhor tomate de Jumbembem.

Artur Conceição
_____________

Nota do editor

Último post da série de 18 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27545: Efemérides (380): No passado dia 10 de Dezembro, a Força Aérea Portuguesa condecorou as nossas Enfermeiras Paraquedistas com a Medalha de Mérito Aeronáutico, Primeira Classe. A cerimónia decorreu no Comando Aéreo, em Monsanto, e contou com a presença do Ministro da Defesa Nacional

quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27494: Aviões que serviram na guerra colonial na Guiné, e os do tempo da CCAÇ 816 (1965/67) (Rui Silva, ex-2.º Sarg Mil)

1. Trabalho enviado ao blogue pelo nosso camarada Rui Silva, ex-2.º Sarg Mil da CCAÇ 816 (Bissorã, Olossato e Mansoa, 1965/67) que ele elaborou e publicou no facebook privado da CCAÇ 816.


AVIÕES QUE SERVIRAM NA GUERRA COLONIAL NA GUINÉ, E OS DO NOSSO TEMPO (1965-1967)

- Nota: algumas destas aeronaves estiveram na Guiné antes de nós ali chegarmos e outras estiveram posteriormente

Os 9 primeiros conhecemo-los bem e, pessoalmente, mais ainda a avioneta DORNIER DO 27, o avião DAKOTA DC-6 e os helicópteros ALOUETTE II e o ALOUETTE III, estes 2 últimos no transporte de feridos do mato para o Hospital Militar de Bissau, nomeadamente nas operações a Iracunda (23Jun/65 e 7Mai/66), Biambi (10Jul/65), na limpeza da estrada Olossato-Farim (1 Ago/65) e na célebre operação a Morés (20Fev/66) aqui mais no transporte de evacuados por insolação e do material capturado levado para o Olossato:

A última foto mostra o avião civil (não militar) o quadrimotor “Super. Constellation” da TAP, no aeroporto de Bissau, que nos trazia para férias na metrópole. A viagem demorava cerca de 8 horas de Bissau para Lisboa e era direta. O regresso fazia-se com escala na ilha do Sal em Cabo Verde.


********************

Bombardeiro bem nosso conhecido, muitas vezes atuaram em operações nossas com realce para a atuação na célebre emboscada na bolanha de Joboiá (estrada Olossato-Farim) naquele domingo em 1 de Agosto de 1965 onde os bombardeiros tiveram uma ação preponderante e decisiva, sem esquecer a nossa valentia.arvard.
O T-6 foi um dos mais famosos aviões monomotores de hélice, conhecido por nomes como Texan, Harvard, Yale, Wirraway, Mosquito, Boomerang e Tomcat, conforme o país que o usava.
Foi adoptado na Força Aérea de 55 países, desde avião de treino de pilotos a bombardeiro.
Criado em 1935 pela North American, começou a ser utilizado em força em 1940, sendo introduzido em Portugal em 1946.
O T-6,avião convertido em caça-bombardeiro ligeiro, equipado com metralhadoras, mísseis, bombas convencionais ou de napalm debaixo das asas ou a actuar como avião de reconhecimento.

Caraterísticas do avião:
Monomotor de propulsão a hélice
Envergadura de 12,81m
Potência: 600 CV
Veloc. máx.: 335 km/h
Voo até 7400 metros de altura
Veloc. de subida: 6,1 metros por segundo

Equipamento de combate do T6:
4 metralhadoras Browning 7,7 mm (duas em cada asa)
2 bombas de 50 kg
6 bombas de 15 kg
Contentores de napalm (alternativa)
1 mira de pontaria


********************

Caça-bombardeiro monomotor turbo-jato também bem nosso conhecido.
Com 8,56 metros de envergadura, atingia a velocidade máxima de 1090 km/h; tinha um raio de acção de 1850 km; com tecto de serviço de 13.260 m.
Era armado com quatro metralhadoras Browning 12,7 mm ou dois canhões DEFA de 30 mm para além de 3 câmaras fotográficas Vinten, 1 frontal e 2 laterais.
Em Março de 1966, foram embarcados oito FIAT G.91R/4 que iriam constituir a Esquadra 21 "Tigres" na Base Aérea n.º 12 em Bissalanca, ex-Guiné Portuguesa, a qual se tornou operacional em finais de Junho do mesmo ano.
Regressaram a Portugal em 1974, após mais de 14.000 horas de voo em missões de combate.
Na Guiné foram abatidos ou destruidos por acidente 7 Fiat, 6 abatidos pelo inimigo, 3 deles por mísseis Strela; 1 por acidente com bomba, tendo morrido 1 piloto num dos aviões abatidos.


********************

Esta avioneta foi utilizada na Guiné em missões de observação e sobretudo para transporte de mantimentos, evacuação de feridos, etc. dadas as suas capacidades de descolar e aterrar em espaços muito curtos.
No Olossato, aquando das primeiras vezes que lá fomos antes de nos instalarmos definitivamente, ainda deu para ver os destroços de um junto à messe dos Furrieis.
Aeronave monomotor de trem de aterragem convencional fixo com roda de cauda, monoplano de asas altas, totalmente revestido a tela.
Tripulação: 1 piloto.
Capacidade de carga: 2 passageiros.
160 CV de potência.
Envergadura 10,97 metros
Velocidade máxima 211 km/h
Tecto de serviço 3900 metros.
Esta avioneta viria a ser substituida pelos Dornier, ainda dentro do nosso tempo


********************

Muitos de nós andaram nesta avioneta e logo começou nos primeiros tempos com o transporte por evacuação de Bissorã para o Hospital Militar de Bissau, do “Maravilhas” acidentado com arma de fogo.
O DO 27 é um avião monomotor, asa alta, trem de aterragem convencional fixo, com a capacidade de transportar seis passageiros ou o equivalente em carga.

Na Guiné tinha a missão de transporte de passageiros, evacuação de feridos, militares para consultas no Hospital Militar em Bissau, reconhecimento aéreo e transporte de correio a nossa avioneta do coração.
Esta avioneta transportou muitos elementos da Companhia para Bissau para férias ou ali em trânsito para férias na Metrópole.
Era também a avioneta do correio e muito exaltávamos quando a víamos no ar no dia certo.
Esporadicamente foram utilizados em missões de apoio utilizando foguetes montados sob as asas.
Avioneta com uma envergadura de 12 metros; uma velocidade máxima de 250 km/h e um teto máximo de 5,5 km.


********************

Avião bimotor, operava em missões de carga e transporte de passageiros. Durante a Guerra do Ultramar nas três frentes executaram missões de reconhecimento aéreo, lançamento de paraquedistas (principalmente), transporte de feridos, busca e salvamento e até serviu de bombardeamento.
Tripulação: 4 (piloto, co-piloto, navegador e operador de rádio)
Passageiros: (paraquedistas e outros) 28
Envergadura: 29,41m
Potência: 1200 CV
Velocidade máxima: 360 km/h
Teto máximo: 8045m


********************

Avião dos evacuados para os Hospitais da metrópole; o avião que me trouxe como evacuado (Jan1966), e ao “Doutor" e ao Alferes Costa em outras datas.
Eram aviões quadrimotores, construídos no final da II Guerra Mundial para missões de transporte de longa distância. A Força Aérea utilizou os DC-6 nos Transportes Aéreos Militares (TAM) que ligavam a Metrópole a Bissau, Luanda e Beira. Serviram frequentes vezes para evacuar os feridos dos teatros de operações para o Hospital Militar Principal em Lisboa. Podiam transportar além de uma tripulação de 4 pessoas também cerca de 55 passageiros, a uma velocidade de 500 quilómetros por hora.
16 horas de voo com escala (45 minutos) em Las Palmas, de Bissau a Lisboa.
Avião com uma envergadura de 35,81 m
Teto máximo 7600 m


********************

Avião bimotor de dupla cauda e de asa alta, com 2 motores em estrela e um peso máximo de descolagem de 21 mil kg. Visualização de manobras aéreas com salto de paraquedistas.
Intrigavamo-nos quando víamos passar aquele avião com duas fuselagens. Único no género, que víssemos.
Usados em Tancos para treino de paraquedistas e, nas colónias, conjuntamente com os Douglas (Dakotas), deram suporte aéreo nas áreas de comunicação, lançamento de paraquedistas e transporte de feridos.
Com uma envergadura de 32,5m
Velocidade máxima: 405 Km/h
Tecto de serviço: 7100 m
Distância máxima de voo: 2500 Km
Capacidade de transporte: 32 passageiros ou carga até 5800 Kg
Tripulação: 5 (2 pilotos, mecânico, navegador e operador de rádio).


********************

O helicóptero que transportava os feridos em macas suspensas do lado de fora da aeronave. Bem nosso conhecido pois, logo de princípio víamo-los passar por cima do quartel de Brá onde estivemos nos primeiros 15 dias de Guiné, já bem baixos e a caminho do Hospital Militar mais adiante e ali perto.
Intrigávamo-nos porque eles levavam um ou duas (uma de cada lado) o que pareciam macas suspensas do lado de fora da aeronave. Deduzimos que só podia ser para servirem ao transporte de feridos (ou mortos) e assim era.
Alguns militares da CCAÇ 816 chegaram a utilizá-los pelos piores motivos (feridos), nomeadamente em consequência das operações a Iracunda (23Jun65 - 2 feridos), a Biambi (10Jul65 – a única operação que atuamos em conjunto com a CCAÇ 818 –1 ferido) e na estrada Olossato-Farim (1Ago65 -3 feridos graves +1 morto, este o Furriel Silva que não chegou a sair do Olossato onde esteve em câmara ardente). Aqueles 3 feridos transportados também para o Hospital Militar de Bissau.
Os Alouette II começaram a ser substituídos em Novembro de 65 (tínhamos meio ano de Guiné) pelos Alouette III que se mantinham em operacionalidade quando regressamos à então Metrópole.
O Alouette II foi o primeiro helicóptero do mundo, motorizado com turbina a gás a ser certificado para voo.
Diâmetro do rótor principal: 10,20m
Potência: 530 CV
Velocidade máx: 185 km/h
Tecto máximo: 2300m
Capacidade de transporte: Piloto e co-piloto, e cinco passageiros ou peso equivalente de carga; ou então duas macas e assistente.


********************

O Alouette III veio substituir o II por ser mais rápido, mais ampla cabine de pilotagem e com capacidade para mais pessoas no interior; os feridos eram transportados no seu interior. O Alouette III tinha também uma mais ampla capacidade de voo, mais veloz e mais teto.
É um desenvolvimento do Alouette II, tendo um tamanho maior e uma maior capacidade de carga. O Alouette III era reconhecido pelas suas capacidades de operação em grandes altitudes, sendo o ideal para o salvamento em áreas montanhosas, o que na Guiné não era o caso.
Em Novembro de 1965 ocorreu o primeiro voo de Alouette III na Guiné, sendo colocados na BA 12 - Bissalanca.
Estes helicópteros foram introduzidos em Portugal em 1963, primeiro em Angola e depois na Guiné. Portugal terá sido o primeiro país que os usou em combate, em missões diversas, desde transporte de feridos ou por evacuação, mormente por insolação, até ao apoio no combate ou até escolta.
O Alouette III evacuou 3 feridos da CCAÇ 816 e outros evacuados por desidratação e ainda na envolvência de transportes de armamento militar capturado ao inimigo na célebre operação “Castor” em 20 de Fevereiro de 1966. Aqui foram 6 helicópteros a atuar, pela celeridade da operação, e num vai-e-vem constante. Mais tarde, aquando de nova operação a Iracunda, em 7 de maio 1966, transportou 1 ferido grave, o saudoso Tiago Manso, que viria a falecer uns dias mais tarde no Hospital Militar de Bissau. (RIP Tiago).
Tripulação: piloto e co-piloto + 5 passageiros
Diâmetro do rotor horizontal: 11,02m
Velocidade máxima: 220 km/h
Potência: 870 CV
Teto máx.: 3200 m


********************

Avião caça-bombardeiro, com motor turbo jato, monomotor e monoplano.
Foram fornecidos aos aliados dos EUA, nomeadamente Bélgica, Dinamarca, França, Itália, Holanda, Noruega, Portugal, Turquia e Republica da China (Taiwan) e a países não alinhados como o Irão, Tailândia, e Jugoslávia. Portugal seria o último país a abater os seus F-84G ao serviço operacional da sua força aérea, em 1976, depois de os utilizar de forma intensa na guerra de independência das suas colónias em África, em particular em Angola, onde equipou a esquadra 93.
Este caça terá atuado fugazmente na Guiné
Velocidade máxima: 1020 km/h
Teto de serviço: 12350 m
Taxa de subida: 19,1 m/s


********************

Avião caça transónico, com motor turbojato, monomotor, monoplano.
Primeiros caças na Guiné como aviões de reconhecimento antes da guerra eclodir.
Quando aquela começou estes caças transformaram-se em bombardeiros e equiparam-se com seis metralhadoras Browning Colt TM3, calibre 12,7 mm, e podiam transportar vários tipos de armamento, como os foguetes de 2,75”, bombas GP de 50 e 250 kg e tanques de napalm de 350 L.
Os Sabre foram, ainda em 1963, substituídos pelos T6 Havard que nós tão bem viemos a conhecer e a tê-los em companhia em diversas operações.
Tripulação: 1 piloto
Envergadura de 11,31m
Veloc. máx.: 995 km/h
Teto de serviço: 14600 metros


********************

O Lockeed PV2 Harpoon era um bombardeiro médio, bimotor. Transportava bombas no compartimento central e nas asas, podendo ser instaladas até oito metralhadoras 12,7 mm na proa.
Utilizado na Guiné também como se fosse um caça-bombardeiro.
Atingia a velocidade de 450km/h


********************

O C-54 Skymaster é um avião movido a hélice de quatro motores, desenvolvido pela Douglas Aircraft Company. Operou durante a Segunda Guerra Mundial e no transporte aéreo em Berlim. A partir de 1945, muitas companhias aéreas civis operavam com esta aeronave em todo o mundo.
Úteis em tarefas de transporte, lançamento de paraquedistas, como avião-hospital, etc.
O C-54 Skymaster foi usado na Guerra Colonial inclusivamente na Guiné
Envergadura: 35,8 m
Potência: 1450 CV
Velocidade máxima: 442 km/h
Teto máximo: 6800 m


********************

O avião Douglas Invader B-26 foi um avião bimotor desenvolvido pelos Estados Unidos como uma aeronave de ataque e bombardeiro leve durante a Segunda Guerra Mundial,
O trem de aterragem era triciclo, com comando da roda de proa a partir do “cockpit”.
3 tripulantes (piloto, mecânico de voo e operador de rádio)
Equipava metralhadoras, foguetes e bombas.
Envergadura: 21,34 m
Potência (por motor): 2000 CV
Velocidade máxima: 570 km/h
Teto máximo: 6700m


********************

Avioneta de fabrico francês utilizada em reconhecimento, transporte ligeiro, evacuação, etc. Avioneta parecida com a Auster e a Dornier, já acima referidas e que passou fugazmente pela Guiné.
Os franceses utilizaram os Broussard na luta contra os guerrilheiros argelinos, utilizando um canhão móvel que disparava através da porta traseira, situada no lado esquerdo.


********************

Aeronave bimotor terrestre de trem de aterragem convencional retrátil, monoplano de asa baixa, duplo estabilizador vertical, revestimento metálico, cabina integrada na fuselagem, destinado a transporte ligeiro, patrulhamento, reconhecimento e instrução de navegação.
Envergadura: 14,5 m
Velocidade máxima: 352 km/h
Teto de serviço: 5548 m
Tripulação: piloto e co-piloto


********************

Em 1970, (já passados 3 anos do regresso da CCAÇ 816) a Força Aérea Portuguesa adquiriu 13 helicópteros Puma, devido à necessidade de maior capacidade de transporte durante a Guerra do Ultramar.
Com uma tripulação de 2 pilotos e podendo transportar 18/20 homens com o seu equipamento habitual (paraquedistas), um número bastante superior aos 5 passageiros possíveis com os Alouette III, o que aumentou significativamente a mobilidade do Exército Português.
Considerado um helicóptero médio com capacidade para voar com todo o tempo. Estava equipado com 2 turbinas “Turbomeca” com 1900 CV de potência, tinha um peso máximo à descolagem de 3770 kg e uma velocidade máxima de 258 km/hora, possuindo uma autonomia de 5 horas. Podia ser equipado com armamento: 1 canhão de 20 mm, 2 metralhadoras coaxiais de 7,62 mm ou mísseis.
Também possuía um guincho para recolha de pessoas a partir do chão ou do mar, radar e piloto automático que lhe permitia fazer estacionário automaticamente.


********************

Foram 2 destes aviões que vieram a substituir os Dakota DC-6 que desde 1961 vinham mantendo a ligação da metrópole com Angola, Guiné e Moçambique.
O Boeing 707 é um avião comercial a jato quadrimotor de porte médio e fuselagem estreita desenvolvido e produzido pela Boeing entre os anos de 1958 e 1979.
Foram os aviões quadrireactores que passaram a transportar as tropas entre a Metrópole e as 3 colónias em guerra, substituindo os navios.
No nosso tempo a pista do aeroporto de Bissau não reunia condições para estes aviões a jato nem sequer estes existiam na frota portuguesa da TAP.
Tripulação: piloto, co-piloto e engenheiro de bordo
Capacidade para 202 passageiros
Envergadura 44,42m
Velocidade (de cruzeiro) 815 km/h

********************

Avião monomotor de asas fixas e baixas com um piloto e até 6 passageiros.
Avioneta com caraterísticas semelhantes às “Dornier”.
Possuía uma envergadura de 10 metros e uma potencia de 300CV, com uma velocidade máxima 280 km/h e com um teto de serviço de 4950m.


********************

O P2V5 Neptuno, equipados com meios sofisticados electrónicos principalmente para a detecção e o combate a submarinos.
A Força Aérea fez deslocar rapidamente vários meios aéreos para os chamados territórios ultramarinos e os P2V-5 passam também a ser usados nas colónias portuguesas em missões de natureza diversa.
O P2V5 Neptuno é um avião bimotor, asa média, de trem de pouso retráctil,
Aeronave de patrulha marítima e anti-submarina, com motores radiais a pistão e motor turbojato, bimotor monoplano, para uso civil e militar
Velocidade máxima: 515 km/h
Envergadura: 30,48m
Estavam equipados com oito suportes de rockets em cada asa


********************
_____________

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Guiné 61/74 - P27152: (De) Caras (238): o senhor Michel Ajouz, o comerciante libanês de Bissorã, cristão maronita, amante do bom uísque (Manuel Joaquim / Rogério Freire)



Guiné > 1956 >  Anúnico da casa comercial de Michel Ajouz, um sírio-libanês ou descendente . Fonte: Turismo - Revista de Arte, Paisagem e Costumes Portugueses, jan/fev 1956, ano XVIII, 2ª série, nº 2.




Ferreira do Alentejo > Figueira de Cavaleiros > 25 de Setembro de 2010 > Jantar em casa do Jacinto Cristina > Rótulo, já muito deteriorado, de uma garrafa de uísque trazida da Guiné... Buchanan's, from Scotland, for the Portuguese Armed Forces... with love...

 Esta foi comprada em Bissau, em junho de 1974, e aberta no nosso primeiro encontro, na festa de anos da filha do Jacinto Cristina, em março de 2010


Foto (e legenda): © Luís Graça (2010). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Garça & Camaradas da Guiné]

1. Na Guiné, aprendemos a distinguir o bom "scotch whisky" do "uísque marado de Sacavém" que se bebia nas noites de Lisboa e arredores (Reboleira, etc.) nos anos 60/70, nos primeiros bares de alterne que apareceram... 

Os comerciantes libaneses (ou de origem sírio-libanesa) também gostavam do bom uísque... E cultivavam a arte de bem receber. Como era o caso de Michel Ajouz, comerciante com loja em Bissorã, cristão maronita. (Haveria também libaneses, muçulmanos xiitas: será que também bebiam uísque com água de Perrier ou Vichy ?)

O Michel Ajouz, sobre o qual se publica dois testemunhos, devia ser cristão maronita: celebrava o natal cristão, recebia em sua casa os militares estacionados em Bissorã e tinha uísque do bom para oferecer às visitas. Infelizmente não temos nenhuma foto dele,.

Diz o Manuel Joaquim, que o conheceu em 1965, no Natal desse ano, e que era o mais idoso, o decano, dos comerciantes libaneses de Bissorã. Em comentário ao poste P13403 (*). acrescenta: 

(...) No P10966 deste blogue, o Pepito dá-o como um dos pequenos comerciantes libaneses localizados no chamado "Bissau Velho" em 1952, aquando do regresso de Amílcar Cabral à Guiné.

Pelo que me lembro de lhe ter ouvido, os seus negócios devem ter crescido muito nos anos seguintes. As referências que fazia à sua facilidade nos contactos com certas personagens "graúdas", do regime, e de certos meios económicos, e a ambientes luxuosos que teria frequentado em Portugal,  seriam só "garganta"? Acho que não.

Em 1966, a sua actividade comercial em Bissorã era reduzida mas percebia-se que o não teria sido antes. 

(...) Do meu tempo em Bissorã, como ligação económica da tropa com a comunidade libanesa, só me lembro do fornecimento do pão. Não convivi com a comunidade libanesa de Bissorã, a não ser neste caso que referi no meu poste (*). Melhor dizendo, não tive qualquer tipo de relação com a comunidade comerciante local, libanesa ou outra. Mas sei que outros meus camaradas mantinham contactos, alguns destes de carácter muito chegado.

(...) Quanto ao juizo de "em todas as guerras os comerciantes são peritos em tirar partido da situação, procurando estar bem com os dois lados", não está longe do que eu penso mas creio não se aplicar ao Michel  Ajouz. 

Curiosamente, fui eu quem, em 1966, prendeu um dos comerciantes locais, por sinal um dos que eu via todos os dias por seu meu vizinho e passar à sua porta quando me dirigia ao quartel. Ainda hoje estou para saber a razão de ter sido encarregado de tal acto. Experimentarem-me politicamente? (...) (Manuel Joaquim, quarta-feira, 16 de julho de 2014 às 06:20:04 WEST).

Anos mais tarde, em 1969/70, o Armando Pires (ex-fur mil enf, CCS/BCAÇ 2861 (Bula e Bissorã, 1969/70), também conheceu o  Michel Ajouz: 

(...) "As recordações com que ficámos um do outro não são famosas. Mas é conversa que não é para aqui chamada." (O Armando não quis partilhar connosco este segredo, alegando que havia protagonistas ainda vivos)... Não seria o caso do Michel Ajouz, que já em 1965/66 era o decano dos comerciantes de Bissorã. 

O Rogério Cardoso (ex-fur mil, CART 643/BART 645, Bissorã, 1964/66 também conviveu com o Michel Azjouz, "um velhote libanês de óptimo trato, grande sabedor de Bridge".


2. E a propósito dos  cristãos maronitas, recorde-se que  são uma das comunidades mais antigas e influentes do cristianismo oriental, com forte presença histórica no martirizado Líbano, dilacerado pelos conflitos político-militares e étnico-religiosos.

Qual é a sua origem ? O maronitismo deriva de um movimento monástico do séc. IV/V em torno de São Maron, eremita da região da Síria (c. 350–410). A comunidade consolidou-se nos montes do Líbano, preservando autonomia e identidade próprias,  mesmo durante os domínios bizantino, árabe, mameluco e otomano. Ou seja, até à I Grande Guerra (1914/18), em que colapsou o império otomano, e depois o Líbano tornou-se um protetorado francês.

A Igreja Maronita é uma igreja autónoma (sui iuris) dentro da Igreja Católica, mas em plena comunhão com Roma. Segue, todavia, a liturgia antioquena-siríaca. 

Os maronitas são a maior comunidade cristã do Líbano. Estima-se que constituem cerca de 20% a 30%  da população libanesa (o último recenseamento oficial é de 1932, por isso os números são sempre aproximados). O Líbano tera  hoje cerca de 6 milhões de habitantes (com c. 10,5 mil km2 de superfície).  A Igreja Maronita desempenhou um papel central na história e identidade do Líbano. 

Numericamente ainda mais significativos são os maronistas da diáspora (sobretudo Brasil, América do Norte e Austrália). Não há estatísticas exatas, mas estima-se que os maronistas no Mundo inteiro sejam  3 a 4 milhões. E no Líbano entre 1 e 1,5 milhões. Na Guiné-Bissau, o seu número é residual.
  

(i) Manuel Joaquim (ex-dur mil arm pes inf, CCAÇ 1419, Bissau, Bissorã e Mansabá, 1965/67) (*)

Na noite de Natal de 65, o decano dos comerciantes libaneses, o sr. Michel,  acho que era este o seu nome, preparou uma recepção na sua casa, para a qual convidou os comandantes das companhias alocadas em Bissorã, CART  643 e CCAÇ  1419, seus oficiais e 1.ºs sargentos e sendo o restante pessoal militar representado por um furriel e por um praça de cada uma das companhias. 

Posso estar enganado,  mas é a ideia que tenho.

Da CCAÇ 1419 fui eu o furriel escolhido. Não sei se “de motu proprio” ou cumprindo decisão superior, o 1º sargento  da companhia fez-me o convite que eu aceitei, algo contrariado, após alguma insistência.





Imagem:  Cartaz publicitário da extinta Casa Africana, uma loja emblemática da Rua Augusta, em Lisboa. S/ indicação da origem. Cortesia de Manuel Joaquim.


Para a ocasião vesti o meu fato “de ir à missa” comprado na  então famosa casa de moda da Baixa lisboeta, a Casa Africana, uns dias antes de embarcar. “Ótimo para usar em África”, disse-me o vendedor em resposta à minha inicial informação de que estava prestes a embarcar para a Guiné e precisava de um fato para levar.

E lá fui de fatinho azul-ténue, muito leve, com risquinhas verticais pretas e muito finas. A confraternização correu bem. Houve “comes e bebes” e muita conversa, geral e particular, entre os convidados e o dono da casa.

Recordo bem a qualidade do uísque, uma maravilha, do resto tenho noção vaga duma conversa do anfitrião discorrendo sobre as suas relações com personagens conhecidas na política e na sociedade empresarial, tanto na Guiné como em Portugal (no Continente, como então se dizia).

Não sei que idade teria o sr. Michel mas para mim era um homem já idoso, um senhor culto, bem viajado, bom conversador e de óptimo trato. Penso que teria sido, antes da guerra, um grande comerciante. Em 1965 a sua actividade comercial já estava muito reduzida.

Havia música mas não havia “garotas”! A animação não foi muita mas deve ter havido alguma já que o evento durou umas boas horas. O certo é que não me lembro dela. Talvez por causa do meu estado de espírito naquela altura como se pode adivinhar pela breve referência que fiz ao assunto num aerograma enviado à namorada:

(…) “Há por aqui umas famílias de emigrantes libaneses que nos proporcionaram umas festazinhas agradáveis na quadra que passou há pouco. Mas o sofrimento cá anda roendo a alma. E para muitos de nós a bebedeira foi a fuga. O whisky aqui é barato. Assim a bebedeira fica barata também.” (…)

Uma nota final: interessante o lembrar-me ainda hoje da qualidade do uísque do sr. Michel e não me lembrar de muitas outras coisas mais importantes. Pensando bem, compreendo. Pois para quem andava afogando mágoas, eu por exemplo, curtindo alegrias e lavando o estômago com VAT69, J. Walker red label e outros deste género, encontrar e saborear o uísque do velho libanês foi um momento inolvidável. Aquilo não era uísque, aquilo é que era whisky! (...)


 
(ii) Rogério Freire (ex-alf mil art, minas e armadilhas, CART 1525, Bissorã, 1966/67) (**)

(...) Vi a referência ao Michel Ajouz e ao meu nome e não posso deixar de contar uma história do "arco da velha".

Depois de regressar da Guiné, Bissorã, em finais de 1967, iniciei a minha atividade profissional como Delegado de Informação Médica (Propaganda Médica,  à moda antiga).

Uma das minhas zonas de trabalho era a região de Leiria. Num belo dia, creio que de 1971 ou 72, ao sair de Monte Real através do pinhal de Leiria a caminho da Marinha Grande, viajando a 80/90 km à hora, passo por um homem só,  que caminhava em direção a Monte Real e veio-me à memória o Sr. Michel Ajouz.

Fiquei de tal maneira incomodado com a visão que, passados uns bons 5 a 6 Km,  decidi voltar atrás e,  surpresa das surpresas, era mesmo... o Michel Ajouz!... Em pleno Pinhal de Leiria,  a fazer o seu passeio matinal.

Foi uma grande alegria, ele lembrava-se perfeitamente de mim e da CART 1525 bem como dos outros alferes, o Rui, o Oliveira e o Silva bem como do Capitão Mourão [ Jorge Manuel Piçarra Mourão]  que era ocasionalmente seu parceiro de bridge.

Fiquei a saber na altura que vinha às Termas de Monte Real à procura de alívio para as suas maleitas. E depois de um grande abraço nos separámos.

Foi um daqueles acasos ... em pleno Pinhal de Leiria quem me diria vir-me a encontrar com o Michel Ajouz, de Bissorã,  5 a 6 anos depois?  (***)

(Revisão / fixação de texto, itálicos e negritos, título: LG)

______________

Notas do editor LG:




(***) Último poste da série > 2 de agosto de 2025 > Guiné 61/74 - P27079: (De)Caras (237): Ercília Ribeiro Pedro, ex-enfermeira paraquedista, do 2º curso (1962), reconhecida pela Maria Arminda em foto de grupo, tirada no Brasil, em 2012, e pertença do álbum do cor art ref Morais da Silva

domingo, 3 de agosto de 2025

Guiné 61/74 - P27083: Seis jovens lourinhanenses mortos no CTIG (Jaime Silva / Luís Graça) (4): Alfredo Manuel Martins Félix (1948-1970), sold at inf, CART 2673, "Leões de Empada" (Empada e Brá, 1970/71), natural de Toxofal de Baixo; vítima de acidente de viação em Bissorã



Alfredo Manuel Martins Félix 
(Toxofal de Baixo, Lourinhã, 18/11/1948 - Bissorã, Guiné 26/04/1970)

Soldado atirador infantaria nº 096848/69, CART 2673, "Leões de Empada" (Brá e Empada,  1970/71) 

Local da sepultura - Cemitério Municipal da Lourinhã


A. Continuamos a reproduzir, com a devida vénia, alguns excertos do livro recente do Jaime Bonifácio Marques da Silva, "Não esquecemos os jovens militares do concelho da Lourinhã mortos na guerra colonial" (Lourinhã: Câmara Municipal de Lourinhã, 2025, 235 pp., ISBN: 978-989-95787-9-1).


Dos vinte militares louirnhanesnse que morreream em Ãfrica, seis foram no TO da Guiné. O Alfreod Manuel Martins Félizx é o quarto da lista (pp. 183/184)


1. REGISTO DE NASCIMENTO

Alfredo Manuel Martins Félix nasceu a 18 de novembro de 1948, às 12 horas, no lugar do Toxofal de Baixo. 

Era filho legítimo de Joaquim Martins Félix, de 29 anos, casado e com a profissão de fazendeiro, e de Maria do Rosário de 22 anos de idade, casada, doméstica, ambos naturais da freguesia e concelho de Lourinhã e domiciliados no lugar de Toxofal de Baixo. Neto paterno de Daniel Félix e de Alice do Rosário Félix . e materno de Joaquim Maria (à data já falecido) e Diana da Anunciação.

O registo de nascimento teve como testemunhas Manuel Félix, solteiro, maior, empregado no comércio, residente no Toxofal de Baixo, e Armando Ferreira, maior, cantoneiro e residente na vila de Lourinhã.

O registo foi assinado pelas testemunhas e não assinado pelo declarante por não saber escrever. Registo efetuado a 15 de dezembro de 1948 na conservatória do Registo Civil da Lourinhã.

2. REGISTO MILITAR

Recenseamento: recenseado pelo concelho e freguesia de Lourinhã sob o nº 4 em 1968. Era solteiro, com a profissão de empregado de mesa, tinha como habilitações literárias a 4ª classe e morava em Toxofal de Baixo.

Inspeção militar: alistado em 31 de maio de 1968 com o número mecanográfico nº E 096848/69. Media 1.62 m de altura, cabelo castanho, olhos castanhos, pesava 67 quilos. Foi apurado para Todo o Serviço.

Colocação durante o serviço: foi incorporado em 29 de julho de 1969, como recrutado, no RI 7 em Leiria. Pronto da Escola de Recrutas a 16.11.1969.

Especialidade: soldado Atirador

Unidades onde prestou serviço: RI 7 Leiria, 29.07.60;  e GACA 2 Torres Novas, 27.09.70


2.1. Comissão de serviço no ultramar, Guiné

Mobilização: mobilizado nos termos da alínea c) do artº 3º do Dec. 42937, de 22.04.1960, para servir no ultramar, no CTI da Guiné, pelo Grupo de Artilharia Contra Aeronaves  (GACA) nº 2 – Torres Novas. Recebeu 500$00 de abono de embarque (172 euros, a preços de hoje, de acordo o simulador de inmflação da Pordata).

Embarque: Lisboa a 31 de janeiro de 1970 a bordo do navio “Uíge”, fazendo parte da CART 2673.

Desembarque: em Bissau a 06.02.1970 desde quando aumenta 100% ao tempo de serviço.

Data do falecimento: 26.04.1970

Causa da morte: acidente de viação

Local do acidente: Bissorâ,

Abatido ao efetivo: 26 de abril de 1970

2.2. Registo disciplinar: condecorações e louvores

Louvor: por ter cedido sangue a título gracioso em benefício dos doentes assistidos pela Liga Portuguesa contra o Cancro manifestando com o seu gesto sentimentos de humanidade dignos de apreço (OS 220 de 18 set. 69 do RI 7).

3 . PROCESSO DE AVERIGUAÇÕES AO ACIDENTE: ANOTAÇÕES E CONTEXTO

(No seu processo, consultado no Arquivo Geral do Exército, não consta o Auto de Averiguações ao acidente que lhe provocou a morte.)

(Revisão / fixação de texto: LG)





B. Informação complementar sobre a CART 2673 (Empada e Brá, 1970/71)


(i) foi comandada pelo cap art Adolfo Pereira Marques, que foi substituído pelo cap mil  José Vieira Pedro;

(ii) usou como divisa “Leões de Empada” e a história da unidade encontra-se arquivada na caixa 91, na 2ª Divisão/4ª Secção do AHMM

(iii) do seu percurso no CTIG, refere-se que seguiu para Empada em 4 de fevereiro de 1970, para substituir a CCAÇ 2381 e assumir a responsabilidade do subsector em 26 desse mesmo mês;

(iv) desde 9 de abril, cedeu pelotões para reforço de Nhacra e Buba até 12 de julho de 1970, data em que regressaram a Empada; o subsector de Empada tinha sido alargado com as zonas de acção das áreas das penínsulas de Cubisseca e Pobreza.

(v) foram obtidos excelentes resultados nas operações realizadas pela subunidade nas operações realizadas nas regiões de Caúr, Buduco, Cancumba e Satecuta, entre outras.

(vi) foi rendida no subsector de Empada pela CCAÇ 3373, em 28 de maio de 1971, seguindo para Bissau onde substitui a CCAÇ 2571, na guarnição e defesa dos pontos sensíveis da área.

(vii) a 30 de maio de 1971 assumiu o subsector de Brá, integrando o COMBIS [Comando de Bissau], destacando efectivos para Safim e João Landim, subsector de Nhacra, e para Cumeré, em reforço das guarnições locais, até ser rendida pela CART 2672, para embarcar para a metrópole.