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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28159: In Memoriam (582): António Nunes Lopes (1942-2026), ex-fur mil at inf, CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Porto Gole, Enxalé e Missirá, 1965/67), e cruz de guerra de 3ª classe: senta-se simbolicamente, a título póstumo, no lugar nº 916, à sombra do nosso poilão

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro > Convívio anual da Tabanca de Porto Dinheiro > O António Nunes Lopes (1942-2026) e João Crisóstomo. Ambos foram condecorados com a Cruz de Guerra, de 3ª e 4ª classe, respetivamente, por feitos em combate no decurso da Op Avante (30 de agosto de 1965).

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro > Convívio anual da Tabanca de Porto Dinheiro. Régulo: Euardo Jorge Ferreira (1953- 2019), ex-alf mil, PA - Polícia Aérea, Bissalanca, 1973/74.


(i) Da esquerda para a direita, na primeira fila:
  • António Nunes Lopes (1942-2026)  e João Crisóstomo (ambos pertenceram à CCAÇ 1439, 1965/67); 
  • Helena do Enxalé (mulher do Álvaro Carvalho, fotógrafo; era filha  do Pereira do Enxalé, que morreu em Bissau, em agosto de 1974);
  • Vilma Crisóstomo (esposa do João);
  • Dina   (esposa do Jaime, já falecida) e Milita (esposa do Horácio) (as duas últimas naturais de Fafe); 
(ii) na segunda fila:
  • Eduardo Jorge Ferreira (193-2019);
  • Maria Alice Carneiro e  Luís Graça;
  • Alexandre Rato (então presidente da junta de freguesia de Ribamar);
  • Horácio Fernandes (1936-2025);
  • Jaime Bonifácio Marques da Silva. (Falta o fotógrafo, o Álvaro Carvalho.)

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro >De pé o Álvaro Carvalho... Sentados, da esquerda para a direita: Luís Graça, João Crisóstomo e o António Nunes Lopes (estava convidado, desde essa data,  para integrar a nossa Tabanca Grande, mas não tinha endereço de email, ficando nós a aguardar o da esposa, o que nunca se chegou a concretizar.)

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro  "Recordar é viver", diz o João Crisóstomo, para o Luís Graça e o António Nunes Lopes.

Fotos: © Álvaro Carvalho (2015) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Crachá da CCAÇ 1439
(1965/67)
1. A triste notícia chegou-nos de Nova Iorque: o João Crisóstomo, pesaroso, telefonou-me a comunicar que só agora, 4 meses depois, é que tivera notícia da morte do António Nunes Lopes (*). Por intermédio da sua viúva. 

O António Lopes nasceu a 23/3/1942 e  morreu a 23/2/2026, ia completar 84 anos. Foi fur mil at inf, pertencia ao pelotão comandado pelo João Crisótomo na madeirense CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Porto Gole, Enxalé e Missirá, 1965/67).

O João Crisóstomo e o António Nunes Lopes haveriam de encontrar-se ao fim de quase meio século, na Praia de Porto Dinheiro, Ribamar, Lourinhã, por ocasião do convívio da Tabanca de Porto Dinheiro, em 12 de julho de 2015... Pertenceram ambos à mesma companhia e ao mesmo pelotão... 

No vídeo abaixo, gravado na altura (2015), e que voltamos a reproduzir, os dois  evocam aqui,  de maneira muito viva e emocionada,  uma dos mais duros episódios de guerra por que passaram, em 30 de agosto de 1965, no decurso da Op Avante, em Darsalame (Baio), na zona de Baio/Buruntoni, no Xime, sctor L1 (Bambadinca). Era um ponto que o PAIGC sempre "controlou" durante toda a guerra, e onde era inevitável haver "contacto" com as NT, em operações de contrapenetração ou em patrulhamentos ofensivos...


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Xime > CCAÇ 1439 (1965/67) > 30 de agosto de 1965 > O Armando Assunção Coutinho, de  alcunha o "Pênalti", soldado do BCAÇ 697,adido à CCAÇ 1439,  ferido no decurso da Op Avante. Foto: fonte desconhecida.

No vídeo fala-se também do "Pênálti", que terá sido simultaneamente herói e desertor, segundo a "vox populi" (**)..


Vídeo (7' 31''). Alojado em You Tube > Luís Graça 


Lourinhã > Ribamar > Praia de Porto Dinheiro > Convívio da Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > O João Crisóstomo e o António Nunes Lopes  evocam aqui, com uma espantosa precisão de detalhes, e grande emoção,  uma dos mais duros episódios de guerra por que passaram, em 1965, em Darsalame (Baio), na zona de Baio/Buruntoni, no subsector do Xime (Sector L1 / Bambadinca) (Op Avante, 15 de agosto de 1965).(**)

João Crisóstomo, que é natural de uma freguesia vizinha, A-dos-Cunhados, do concelho de Torres Vedras, fez-se à vida depois do regresso da guerra (em 1967). Andou pela Europa e Brasil, até se fixar em 1975, nos EUA, onde hoje vive (em Queens, Nova Iorque) e que é a sua segunda pátria. 

O António Nunes Lopes, "seu furriel", e por ele sempre muito acarinhado, fora convidado na altura a integrar a Tabanca Grande, convite que ele aceitou de bom grado. Ficou, entretanto, de nos mandar o endereço de emaiçl da esposa, o que nunca chegou a acontecer. Perdemos o contacto, veio a pandemia (em 2022), nunca mais nos encontrámos, e entretanto começoiu a sofrer de doença crónica degenerativa. 

Mas é justo, e para mais sendo um dos "bravos do pelotão" do nosso João Crisóstomo, juntá-lo no nosso "panteão": senta-se simbolicamente, a título póstumo, no lugar nº 916, à sombra do nosso fraterno poilão. É mais um amigo e camarada da Guiné, que em vida interagiu connosco, e que não podemos deixar "ficar inumado na vala comum do esquecimento". 


Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Susetor do Xime > Carta do Xime  (1961) > Escala de 1/50 mil > Posição relativa do Xime e Darsalame (Baio) onde o pelotão do João Crisóstomo (alferes) e do António Nunes Lopes (furriel) sofreram uma violenta emboscada, em 1966, e tiveram um comportamento heróico, eles e os seus homens... Na zona de Poindom / Ponta do Inglês, havia população que cultivava as bolanhas, na margem direita do R Corubal e que "apoiava" a guerrilha... Também eu ali iria conhecer o inferno, três ou quatro anos mais tarde, em 1969/71... (LG).

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2015).


2. O nosso camarada António Nunes Lopes foi condecorada com a Cruz de Guerra de 3ª classe por feitos em combate no decurso da Op Avante (Subsetor do Xime / Sector L1, 15 de agosto de 1965) (***)

■ Furriel Miliciano de Infantaria - ANTÓNIO NUNES LOPES 
 -  Companhia de Caçadores nº 1439 - BII 19 – 3ª CLASSE 


Transcrição da Portaria publicada na Ordem do Exército nº 29, 3ª série, de 1966. Por Portaria de 20 de setembro de 1966:

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra de 3ª classe, ao abrigo dos artigos 9º e 10º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província da Guiné Portuguesa: O Furriel Miliciano de Infantaria, António Nunes Lopes, da Companhia de Caçadores nº 1439 / Batalhão de Caçadores nº 694 - Batalhão Independente de Infantaria nº 19.

Transcrição do louvor que originou a condecoração. Publicado na OS nº 89, de 29 de outubro de 1965, do QG/CTIG:

Louvo o Furriel Miliciano, António Nunes Lopes, da Companhia de Caçadores nº 1439, porque, na operação "Avante", quando as NT se encontravam debaixo de nutrido e violento fogo Inimigo, em terreno que nos era manifestamente desfavorável, fez parte, com a sua secção reforçada, do grupo que, sob o comando do comandante da operação, executou uma arrancada heróica ao encontro do inimigo oculto, do que resultou a suspensão do seu fogo e o consequente alívio da situação das NT (Nossas Tropas), tornando-se em sucesso para nós, embora com baixas, o que podia ter sido um desastre.

Durante esta acção incutiu no seu grupo a necessidade de avançar, a fim de descobrir e aniquilar um dos grupos do IN que mais flagelava as NT com o que demonstrou a sua coragem e decisão de enfrentar o perigo, a sua serena energia e sangue frio debaixo de fogo, bem como a sua valentia e bravura perante o IN traiçoeiro, nada tendo havido que conseguisse quebrar o seu ânimo, nem mesmo a morte de um dos seus melhores elementos ou o sibilar das balas à sua volta.

________________

Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 1 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28064: In Memoriam (580): Major-general Paraquedista Heitor Hamilton Almendra (1932-2026): cerimónias fúnebres hoje, às 13h00, na Igreja da Força Aérea, em São Domingos de Benfica, seguindo depois o funeral para o crematório dos Olivais

(**) Vd. poste de 24 de abril de 2021 > Guiné 61/74 - P22131: CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67): A “história” como eu a lembro e vivi (João Crisóstomo, ex-alf mil, Nova Iorque) - Parte VI: O baptismo de fogo no Xime (17/8/1965, e a Op Avante, ao Buruntoni (em 29-30/8/1965) com os primeiros mortos

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28064: In Memoriam (580): Major-general Paraquedista Heitor Hamilton Almendra (1932-2026): cerimónias fúnebres hoje, às 13h00, na Igreja da Força Aérea, em São Domingos de Benfica, seguindo depois o funeral para o crematório dos Olivais

1. Faleceu,  no passado dia 28 de maio, o major-general paraquedista Heitor Hamilton Almendra (1932-2026), oficial de Cavalaria e uma das figuras mais marcantes da história das Tropas Paraquedistas portuguesas. Tinha 93 anos. Com ele desaparece toda uma geração de grandes combatentes portugueses.

Nascido em Zoio, concelho de Bragança, em 18 de dezembro de 1932, integrou a geração de militares que construiu e consolidou a arma paraquedista portuguesa, distinguindo-se tanto em campanha como em funções de comando. 

Tem uma brilhante carreira militar (fez cinco comissões de serviço no ultramar, incluindo Timor, Angola, Guiné e Moçambique).

Fexuma comussão no CTIG (julho de 1966 / maio de 1968).

Na 2ª comissão  em Angola, foi 2.º comandante e depois comandante do BCP 21 (Batalhão de Caçadores Paraquedistas n.º 21), tendo participado em numerosas operações no norte e leste do território. 

 Os louvores e condecorações que recebeu testemunham as qualidades de coragem, liderança e capacidade operacional que lhe eram reconhecidas pelos seus superiores e subordinados (como foi o caso do nosso amigo e camarada, e membro da nossa Tabanca Grande, ex-alf mil pqdt Jaime Bomifácio Marques da Silva,  que serviu sobre as suas ordens em Angola, em 1970/72). A antiga enfermeira paraquedista Rosa Serra também conheceu e conviveu, em Luanda, com o ilustre militar. Foi, de resto, ela que nos fez chegar a triste notícia do seu falecimento. 

Após o 25 de Abril, desempenhou funções de elevada responsabilidade militar, comandando a Escola e o Corpo de Tropas Paraquedistas, e teve papel relevante nos acontecimentos de 25 de Novembro de 1975. 

A sua carreira culminaria com o posto de major-general, deixando uma forte memória entre várias gerações de paraquedistas.

Segundo nota do sítio oficial da Presidência da República, "o Major-General Almendra foi o primeiro Oficial-General Paraquedista e goza de enorme prestígio no seio nas Forças Armadas, em especial junto das tropas paraquedistas. Ao longo da sua ilustre carreira militar recebeu inúmeras condecorações, destacando-se o grau de oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e duas medalhas de valor militar com palma, uma grau ouro e outra grau prata".

As cerimónias fúnebres completam-se hoje, com missa de corpo presente às 13h00, na Igreja da Força Aérea (antigo convento de São Domingos de Benfica, Pupilos do Exército, Lisboa), seguindo o funeral às 14h00 para o Crematório dos Olivais.

Os votos de pesar da Tabanca Grande para a família enlutada e os antigos camaradas de armas.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28033: In Memoriam (579): Carlos Rios, ex-fur mil, CCAÇ 1420 (Mansoa e Bissorã, 1965/67); faleceu em 23/8/2022 , era membro também da Tabanca da Linha e morava em Carnaxide


Lisboa > Bairro Alto > s/d > Alguns graduados da CCAÇ 1420 num jantar de confraternização no Bairro Alto. Da esquerda para a direita - Carlos Rios, José Monteiro, Henrique Sacadura Cabral, José Manuel Bastos e Rui Alexandrino Ferreira  (1943- 2022)

Fonte: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné




Carlos Luís Martins Rios (1943 - 2022)


1.  Só há dois meses  tivemos conhecimento da morte do Carlos Rios, ex-furriel mil, CCAÇ 1420 (Mansoa e Bissorã, 1965/67),  membro da nossa Tabanca Grande, desde 21/11/2011 (*). 

Tem 3 dezenas de referências no nosso blogue. É autor das séries "Porto de Abrigo" e "Fragmentos da Minhya Passagem pela Tropa".
 
Tinha 70 anos em 29/5/2013, presumimos que tenha nascido em 1943. Natural da Parede, Cascais, morava em Carnaxide.  

Esteve presente 3 vezes em almoços-convívios da Tabanca da Linha. Foi por informação do Manuel Resende que soubemos do seu falecimento, que ocorreu em 23/8/2022. 

Que descanse em paz! (**)

2. O prtimeiro poste que publicámos do Carlos Rios foi em 18 de junho de 2011 (***)

(...) Aqui deixo o meu testemunho: fui dos que passou pelas instalações e sofri as piores atribulações que aquelas miseráveis e desumanas instalações, principalmente o anexo (Texas),  tinham. 

Ali passei seis anos com imensas operações, vindo a ficar estropiado de 66 a 72. O director era um déspota bem como a maioria do pessoal ligado àquilo que deveria ser o lenitivo para as miséris que nos atingiam mas que afinal se vinha a transformar como que um castigo por termos sido feridos. De tal maneira que já no Depósito de Indisponíveis, onde se encontrava o pessoal em tratamentos ambulatórios,  termos sido metidos nas escalas de serviço, como se os doentes em tratamento estivessem numa Unidade. 

Imagina um Oficial de dia quase maneta e eu próprio, já coxo,  a fazer o içar da bandeira na porta de armas, vindo ao exterior a comandar a guarda e dar ordens militares para o caso. Fui  um espectáculo macabro, eu só consigo andar com uma bengala. Calcula o ridículo.  (...)

3. Foi-lhe atribuída a  Cruz de Guerra, 1.ª classe, por  feitos em combate

Transcrição da Portaria publicada na OE n.º 12 — 3.ª série, de 1967.
Por Portaria de 04 de Abril de 1967:


Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra, de 1.ª classe, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província de Guiné, o Furriel Miliciano de Infantaria, Carlos Luís Martins Rios, da Companhia de Caçadores n.º 1420/Batalhão de Caçadores n.º 1857 — Regimento de Infantaria n.º 2.

Transcrição do louvor que originou a condecoração.
(Por Portaria da mesma data, publicada naquela OE):


Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, louvar o Furriel Miliciano de Infantaria, Carlos Luís Martins Rios, da Companhia de Caçadores n° 1420/Batalhão de Caçadores n.º 1857 — Regimento de Infantaria n° 2, porque, tendo tomado parte em numerosas acções de combate, como Comandante de Secção do Grupo de Combate Especial, para o qual se ofereceu, se revelou um graduado com excelentes qualidades de comando e de combatente.

Marchando normalmente a sua Secção na testa das forças empenhadas, exposto portanto a maiores perigos, soube o Furriel Rios incutir-lhe confiança, pelo ardor combativo que demonstrou nas acções de fogo, pelo exemplo que constantemente lhes deu e pelo entusiasmo com que cumpriu as missões que lhe foram dadas, mesmo nas situações mais críticas. É digna de realce a acção deste militar em diversas operações, nomeadamente nas operações "Ferro", "Estopim" e "Espectro".

Tomou parte na operação "Ferro", voluntariamente, apesar de se encontrar inferiorizado, fisicamente, e accionou uma armadilha durante a progressão para o objectivo, o que em nada contribuiu para alterar o optimismo com que sempre encarou as acções de combate.

Detectadas as nossas tropas nas proximidades do objectivo, lançou-se o Furriel Rios, de rompante, com a sua Secção sobre a Base Inimiga, onde elementos abrigados reagiram ao assalto, com volumoso fogo e armas automáticas e bazooka, desalojando-os e pondo-os em debandada, com baixas.

Destruído o objectivo e já no regresso ao aquartelamento, foi a cauda da força flagelada com volumoso fogo, quando atravessava um descampado. Acorreu prontamente o Furriel Rios à retaguarda, incentivando a reacção das nossas tropas. Conseguiu que a parte do grupo flagelado manobrasse com rapidez sobre o inimigo, que perante a ameaça de envolvimento, debandou, furtando-se ao contacto. Mostrou assim serena energia debaixo de fogo, coragem, decisão, sangue-frio e desprezo pelo perigo.

Durante a operação "Espectro", em que tomou parte também voluntariamente, foi o Furriel Rios vítima da sua dedicação e espírito de combatividade ao ser gravemente ferido à queima-roupa, quando tentava capturar um elemento inimigo que avistara em fuga, elemento esse que explorado convenientemente certamente contribuiria para um melhor cumprimento da missão.

Pelos motivos apontados, considera-se o Furriel Rios como um militar voluntarioso, abnegado, corajoso e cumpridor dos seus deveres, pelo que se tornou digno da maior consideração por parte dos seus superiores e admirado pelos seus subordinados, constituindo assim um exemplo vivo do Soldado Português.

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 5.° volume: Condecorações Militares Atribuídas, Tomo IV: Cruz de Guerra (1967). Lisboa, 1992, pág. 260
_________________

Notas  do editor LG:


(**) Último poste da série > 24 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27945: In Memoriam (578): Silvério Pires Dias (1934 - 2026), o "senhor Pifas", por antonomásia, radialista do Programa das Forças Armadas em Bissau (1969/74), faleceu no passado domingo, aos 91 anos; era casado desde 1960 com a Maria Eugénia, a "senhora tenente"

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P27996: Humor de caserna (264): o 1º cabo corneteiro António Torres (1949-2023), CCAÇ 3398 / BCAÇ 3852 (Buba, 1971/73), no HM 241, sujeito a uma delicada e embaraçosa operação cirúrgica a um varicocelo (Joaquim Pinto de Carvalho)

 


Brasão da CCAÇ 3398 / BCAÇ 3852, Os Incendiários" (Buba, 1971/73)



Notícia necrológica: António Rodrigues Meira Torres (1949-2023). In: "Voz de Antas", diretor/editor: Pe. M. Brito Ferreira, Antas, Esposende, março-abril 2023, nº 314, 3ªISSN 2182 - 474, pág, 4, 


1. O António Torres foi 1º cabo corneteiro, nº 14327070, CCAC 3398 / BCAÇ 3852 (Buba, 1971/73). Nasceu em S. Paio de Antas, Esposende, em 1949. Era o quarto de 8 irmãos. Fez parte da banda de música de Antas, onde, durante oito nos, tocou clarinete. Tembém tocava viola. Na tropa foi corneteiro. Foi mobilizado para a Guiné, integrando a CCAÇ 3398 / BCAÇ 3852, "Os Incendiártios" (Buba, 1971/74). Depois da peluda esteve um ano em França e dez na Venezuela onde exerceu a sua profissãod de carpinteiro. No regresso a Portugal, foi viver para Fão, Esposende.  Morreu em 2023. Está sepultado na sua terra natal. 

O António Torres é o protagonista desta história pícara que ele transmitiu, oralmente, ainda em vida ao Joaquim Pinto Carvalho e que este adaptou livremente, publicando-a na brochura "A 'chama' que nos chamou:  um contributo para a história da CCAÇ 3398, 'Os Incendiários', Buba, Guiné (1971-1973), na comemoração do seu cinquentenário" (ed. de autor, s/l, 2021, 88 pp.). (O livro foi lançado no Cadaval, em 18/9/2021, no âmbito do XXV convívio anual da CCAÇ 3398, comemorativo dos 50 anos da constituição da subunidade.)

A história das nossas unidades devia/deve ser também  um apanhado das "pequenas histórias" de cada um dos militiares que as integraram, nomedamente no TO da Guiné. Esta, com o seu quê de  brejeiro bem  nortenho, passa-se com o 1º cabo corneteiro António Torres que teve se ser operado de urgência, no HM 241, em Bissau, por causa de um varicocele (ou varicocelo (=tumor formado pela dilatação varicosa das veias do cordão espermático, segundo o dicionário Priberam, e que pode ser causa de infertilidade masculina).

É também uma homenagem, do autor e do nosso blogue,  a este camarada que faleceu por doença em 2023, e que era presença regular nos convívios dos "incendiários de Buba". Repare-se na elegância e subtileza com que a cena é reconstituída e descrita pelo nosso Joaquim António Pinto de Carvalho (JAPC), prova de que não é preciso usar o palavrão de caserna, isto é, "ser ordinário", para pôr o leitor a rir ou a sorrir.  

Nem, de resto,  ficava bem a um membro da "nobreza" tabanqueira: afinal, o JAPC é o nosso "Duque do Cadaval", e o régulo da distinta, seleta e algo misteriosa Tabanca do Atira-te ao Mar (...E Não Tenhas Medo).


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domingo, 26 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27954: O PIFAS, de saudosa memória (20): relembrando aqui o "senhor primeiro" Silvério Dias e a "senhora tenente" Maria Eugénia, figuras carismáticas do programa radiofónico das Forças Armadas (Rep ACAP / QG / CCFAG, 1969/74)


A mascote do Programa [de Informação] das Forças Armadas (PIFAS), da responsabilidade da Repartição de Assuntos Civis e Acção Psicológica (Rep ACAP / QG / CCFAG). A mascote do PIFAS... tem pai(s): segundo informação do João Paulo Dinis, um dos locutores do programa em 1970/72, o pai da "ideia" foi o fur mil Jorge Pinto, que trabalhava no QG, ideia a que depois deu corpo um outro camarada, o José Avelino Almeida, cuja companhia estava em Mampatá e Aldeia Formosa...

Imagem cedida pelo nosso camarada Miguel Pessoa, cor pilav ref (ex-ten pilav, Bissalanca, BA 12, 1972/74).



Alguns de nós lembram-se do filme, "Good Morninbg, Vietanm"  (EUA, 1981, 121 m, a cores) (em portuguès, "Bom Dia, Vietname).  (Cartaz: cortesia da Wikipedia)

Sinopse: 

Em 1965, o DJ Adrian Cronauer, protagonizado pelo grande ator cómico  Robin Williams (1951-2014), é recrutado para dirigir o programa de rádio das forças armadas norte-americanass  no Vietname. 

Irreverente, ele agrada aos soldados, mas enfurece Steven Hauk, um segundo-tenente e superior imediato de Cronauer, que tinha uma necessidade enorme de provar que era o "patráo". Movido pela inveja e ciumeira, ele tenta lixar o Cronauer, mas a sua popularidade é tal que é protegido pelos altos escalões.


 Guiné > Bissau > PFA (Programa das Forças Armadas), o popular Pifas > c. junho de 1971 > Noite 7 (Emissão especial aos sábados).

Na foto, o 1º cabo José Camacho Costa e o 1º srgt Silvério Dias. Reconhecem-se do na gravação, excertos musicais de Carlos do Carmo, José Mário Branco, Beatles e outros... Faz-se referência á chegada do homem à lua, à guerra no Laos e no Camboja, e dá-se a notícia da flagelação, à cidade de Bissau, com foguetões 122 mm de origem russa (em 9 de junho de 1971)... O Pifas era considerado mais "liberal" do que a EN - Emissora Nacional, a "voz do regime".

[Ouvir aqui o compacto aúdio, de Garcez Costa, antigo locutor.  Vídeo (6' 31''): Alojado em You Tube > Nhabijoes ]

Foto (e ficheiro áudio): © Garcez Costa (2012). Todos os direitos reservados.  [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Silvério Dias, que acaba de falecer (*), soube aproveitar o talento de jovens radialistas (militares) (como o  José Camacho Costa, o Dias Pinto, o Garcês Costa, o João Paulo Dinis, o Armando Carvalhêda, etc.), era o "senhor Pifas", por antonomásia (**). 

A sua bela e potente voz era conhecida por toda a gente, pela tropa (em Bissau e no mato) bem como pela população civil. O programa era o nosso "Good Morning, Vietnam!", salvaguardadas algumas diferenças substanciais e o contexto.

Silvério Pires Dias (Vila Velha de Ródão, 1934 - Oeiras, 2026) esteve à frente do programa de rádio das Forças Armadas Portuguesas (PFA ou PIFAS, como era conhecido popularmente, Bissau, Rep ACAP /QG /CCFAG, de 1969 a 1974).

Trabalhou com "capitães de Abril" como Ramalho Eanes e Otelo Saraiva de Carvalho, depois de ter feito  em 1967/69 uma comissão de serviço  na CART 1802 (Nova Sintra, 1967/69). Veja-se aqui a ficha de unidade.


2. Ficha de unidade > Companhia de Artilharia n.º 1802

Identificação: CArt 1802
Unidade Mob: RAL 3 - Évora
Cmdt: Cap Mil Art António Nunes Augusto | Cap Art Luís Fernando Machado de Sousa Vicente  | Cap Mil Art Emílio Moreira Franco
Divisa: "Honra e Glória"
Partida: Embarque em 280ut67; desembarque em 02Nov67 | Regresso: Embarque em 23Ag069.

Síntese da Actividade Operacional

Em 03Nov67, seguiu para Farim a fim de efectuar a instrução de adaptação operacional sob orientação do BCaç 1887 e, seguidamente, reforçar temporariamente, este batalhão numa série de operações realizadas no sector respectivo.

Em 10Dez67, recolheu a Bissau, a fim de integrar as forças de intervenção e reserva à disposição do Comando-Chefe, tendo tomado parte em diversas operações em reforço de vários batalhões, nomeadamente na região de Ponta do Inglês, na operação "Grão-Duque", em reforço do BCaç 1888 e na região de Choquemone, nas operações "Bolo Rei" e "Buzinar Novo", em reforço do BCav 1915, entre outras.

Em 11Jan68, foi deslocada para S. João, onde substituíu um pelotão da CCaç 1566 e desenvolveu a actividade de reconhecimentos, patrulhamento e batidas na área e abertura e limpeza de itinerários, com vista à criação do subsector de Nova Sintra na zona de acção do BArt 1914. 

Em 06Mai68, assumiu então a responsabilidade deste novo subsector de Nova Sintra, com um pelotão destacado em S. João.

Em 030ut68, foi substituída, por fracções, pela CCav 2484, seguindo para Bissau, a fim de colmatar anterior saída do CArt 1689 no dispositivo do BCaç 1911 e colaborar na segurança e protecção das instalações e das populações da área.

Em 12Mar69, iniciou o deslocamento por pelotões para os destacamentos de Pelundo e ilha de Jete, tendo em 18Mai69 substituído, totalmente, por troca, a CCaç 1683, como força de intervenção e reserva do sector do BCaç 2845, com a sede em Teixeira Pinto.

Em 29Abr69, por criação do subsector respectivo, foi colocada em Pelundo, mantendo um pelotão destacado na ilha de Jete e continuando integrada no dispositivo e manobra do BCaç 2845; em O1Ju169, por alteração dos limites dos sectores, passou à dependência do BArt 2866 e depois do BCaç 2884.

Em 06Ag068, foi rendida no subsector de Pelundo pela CCaç 2586 e recolheu temporariamente a Bula, onde se manteve até à véspera da data de embarque, seguindo então para Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso.

Observações - Não tem História da Unidade. Tem Resumo de Factos e Feitos (Caixa n." 124
- 2ª Div/4ª Sec, do AHM).

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 7.º volume: Fichas das Unidades. Tomo II: Guiné. Lisboa: 2002, pp. 456/457.


Maria Eugénia e Silvério Dias, em 2017. Foto de LG (*)

3. Numa entrevista ao programa da Antena 1, Reportagem Tarde, em 11/2/2024, o Silvério Pires Dias e a esposa Maria Eugénia Valente dos Santos Dias contam, à  Sílvia Mestrinho, como acabaram por trabalhar na rádio.



O Pifas - Silvério Pires Dias era militar de carreira na Guiné e, meio por acaso, acabou aos microfones da rádio. Memórias contadas à jornalista Sílvia Mestrinho | 11 fev 2014 (vd.ficheiro aúdio aqui)

 
4. O "senhor primeiro" e a "senhora tenente" são figuras lendárias desses tempos da rádio, e do programa que ficou comnhecido por Pifas. (Poderia ter- se chamado"Bom Dia, Guiné!".)

E,m 1969, o Silvério Dias, já 1º srgt art, acabou por tornar-se "o homem por trás da voz", o "senhor Pifas".

Era conhecido pelo seu  lado  humano e proximo,  pela sua empatia, e pela sua bela voz...Daí o epíteto de “senhor Pifas” entre a tropa. Depois da guerra acabou por ficar em Bissau como civil (delegado de propaganda médica) e mais tarde em Portugal manteve uma veia literária, com o blogue “Poeta Todos os Dias”. (Publicou inclusive, em 2017, um livro de poesia.)


A "senhora tenente" (Bissau, c. 1970/72)
 Foto de Garcês Costa  (2012)
A referência à “senhora tenente” também é mais que justa: Maria Eugénia (bastante mais nova do que ele, e com quem casou em 1960, e de quem um filho, Manuel Valente, a viver na Dinamarca):  era uma rapariga "alta e esbelta", com vinte e poucos anos quando se juntou ao marido em Bissau, por volta de 1969 (provavelmente no fim da comissão na CART 1802). 

Tornou-se, por sugestão de Ramalho Eanes (que em 1969/71,chefiava  o Serviço de  Radiodifusão e Imprensa), um elemento fundamental da equipa,  quase uma extensão emocional do "senhor Pifas", sobretudo na gestão dos aerogramas que os ouvintes (nomeadamente militares) enviavam ao programa) e na resposta aos “discos pedidos”, mas também quando aparecia no mato com o "senhor primeiro" para fazer uma reportagem ou para gravar as mensagens de Natal. ( O material era depois montado no estúdio, uma vivenda em Bissau; não havia emissões em direto.)

O Silvério Dias (e a Maria Eugénia, que era uma simples civil, que envergava camuflado e usava galões de tenente, com a cumplicidade dos responsáveis da Rep ACAP)  foram duas figuras agregadoras,  um belo par que fazia companhia à distância, pelas ondas hertzianas,  aos homens no mato.

Na realidade, o Pifas foi  mais que um programa de rádio. O PFA / PIFAS (Programa das Forças Armadas) era emitido a partir de Bissau e tornou-se de algum modo lendário. 

Silvério Dias, nesta entrevista à Antena 1, não esconde a razão de ser da sua criação, que  era obviamente política. Mas também sublinha que a sua função principal era, de facto, o entretenimento da tropa e a elevação do seu moral.

Era, igualmente, a ligação afetiva com a metrópole, a terra, a casa (através de cartas, mensagens, música). Tinha, por fim, um papel de ação psicossocial (integrado na estrutura militar e  na prossecução da política spinolista "Por uma Guiné Melhor"). 

Não era por acaso que o Pifas  era gerido pela Rep ACAP (Repartição dos Assuntos Civis e Acção Psicológica). 

A Rep ACAP/QG/CCFAG, na Amura, era uma das 4 repartições do Com-Chefe. Era responsável por conquistar a população local ("ganhar corações e mentes") através de apoio social, educação, saúde, melhorias de infraestruturas, informação e  propaganda (como o programa de rádio Pifas). 

A Rep ACAP articulava-se  com a estratégia de Spínola de "portugalizar" a Guiné, focando-se na ação psicológica e no apoio à população civil para contrariar a influência do PAIGC. Incluía a organização de manifestações de apoio à política do Governador, prestação de cuidados de saúde, administraçao,   ensino, distribuição de medicamentos e alimentos (nomeadamenmet arroz) e, claro, propaganda radiofónica, destacando-se nesse papel o Pifas (Programa de Informação das Forças Armadas).

Esta repartição funcionava no âmbito do Quartel General do Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné (QG/CCFAG), sob o comando direto de Spínola, e era uma estrutura fundamental na "guerra de contrassubversão"

Falaremos, noutro poste, dos conteúdos típicos do programa, que tinha três emissões diárias, e era feito em instalações próprias do QG/CCFAG, numa vivenda,  na Av Arnaldo Schulz. Incluíam discos pedidos (o coração do programa), leitura de aerogramas e mensagens pessoais, música da época (pop portuguesa e internacional), conversa leve, humor, notícias culturais. Diz a Maria Eugénia na entrevista que os discos mais pedidos eram os do conjunto Maria Albertina e a Valsa da Meia-Noite"...

 Há quem defenda que o Pifas era o equivalente português de “Good Morning, Vietnam!”. E a afirmação não anda longe da verdade, embora haja diferenças substanciais.

O impacto psicológico nas NT era grande. Era ouvido pelas NT, pelo IN e pela população. Do lado dos nossos militares, há  testemunhos que sugerem que “uma hora do Pifas" podia ser tão ou mais importante que uma carta ou aerograna da família.

Se quisermos, um programa radiofónico como o Pifas, em contexto de guerra e de isolamento da tropa,   tinha efeitos positivos: criava rotina num ambiente "caótico" (que era a vida em tempo de guerra no mato); humanizava a guerra; dava sensação de pertença (“alguém que falava para nós”); enfim, era ouvida em todo o lado, de Bissau a Buruntuma, do Cacheu a Cacine, nos quartéis e destacamentos do mato,  mas também nas messes e  repartições de Bissau,  na BA 12 em Bissalanca, nas embarcações da marinha, nas tabancas, etc,

Havia alguma liberdade criativa, mais solta (e até com alguma irreverência) do que a rádio em Portugal, a Emissora Nacional, mas sempre com limites de censura (e sobretudo autocensura, como disse o Armando Carvalheira).  Misturava informalidade com disciplina militar, Silvério Dias recebia instruçóes do Ramalho Eanes e mais tarde Otelo. 

Tinha até uma feliz “mascote” (o boneco do Pifas), uma espécie de "branding" avant la lettre.
 
Conhece-se alguma coisa da estrutura e dinâmica do programa, embora, e ao contrário do universo popularizado por "Good Morning, Vietnam!", o Pifas tenha ficado muito menos documentado e estudado de forma sistemática. Temos uma série, que merece ser revisitada, "O PIFAS., de saudosa memória" (de que se publicaram até agora 20 postes) (*)
 
O PIFAS (Programa de Informação das Forças Armadas) surge no contexto da governação de António de Spínola na Guiné (1968–1973), integrado numa estratégia mais ampla de ação psicológica: comunicação interna com as tropas, e com populações locais. Não era apenas rádio, articulava-se com um sistema de comunicação militar com várias vertentes: emissões radiofónicas, folhas informativas / boletins, semanário, cinema itinerante, campanhas cívico-militares, etc.

A rádio dentro do PIFAS: a componente radiofónica existia, mas não era uma “estrela solitária” como no caso americano. Funcionava mais como: 
  • rádio de apoio às tropas (música, muito dela pedida pelos ouvintes, militares e vivis), dedicatórias (“para o aquartelamento X, do camarada Y…”), mensagens de apoio moral;
  • informação controlada: notícias filtradas sobre a guerra,  relatos de operações com tom positivo, ausência de críticas ou ambiguidade;
  • ligação emocional: leitura de cartas, referências à “metrópole”, reforço da ideia de missão e camaradagem, humor,  notícias deptortivas,  chave do totoloto, etc.
Aqui nota-se a diferença entre o Pifas e o "Good Morning, Vietnam!": não havia espaço para figuras “à Robin Williams”, irreverentes ou disruptivas.
 
O Pifas (que emitia em protuguès, crioulo e principais línguas nativas) estava muito ligado à doutrina de “ganhar corações e mentes”, semelhante (em teoria) ao que os EUA também tentavam no Vietname sem sucesso (ao que parece).

Mas no caso português havia especificidades... Era uma programa mais "institucional"; integração com a política do “Portugal plurirracioal e pluricontinental”; tentativa de legitimar a presença histórica portuguessa na Guiné; dirigido em simultâneo aos militares e à população guineense (incluindo a que se encontrava sob controlo do PAIGC). Ou seja, não era só entretenimento, era  guerra psicológica estruturada.

O conhecimento sobre o Pifas vem sobretudo de memórias de militares (como as recolhidas no nosso blogue) (*), alguns estudos sobre ação psicológica na guerra colonial, documentação militar dispersa

Lamentavelmente, falta o arquivo sistemático das emissões, O  estudo académico aprofundado da rádio militar portuguesa e a comparação internacional detalhada (com o que foi feito noutras guerras coloniais...).

Com base nos testemunhos que temos, uma emissão típica do Pifas poderia soar assim: (i) abertura com música do filme "2001 - Odisseia no Espaço",; (ii)  locutor com voz vibrante mas mais sóbrio que o Robin Williams no filme "Good Morning, Vietname!", em todo o caso próximo do ouvinte; (iii)  leitura de mensagens entre unidades, notícias “positivas” de operação recente,  informaçáo desportiva, humor, etc.; (iv) fecho com música ou saudação...

Sem sarcasmo, sem confronto, mais próximo de uma “rádio de companhia disciplinada" do que de um palco criativo. Até por que o Silvério Dias, embora fosse um "homem da palavra", não era propriamente um radialista em 1969. 

O PIFAS foi discreto, mas importante, estruturado, mas pouco estudado, eficaz em alguns aspetos do moral da tropa, mas limitado pelos constrangimentos da hierarquia militar e pela censura. Mesmo assim, mais "liberal" do que a Emissora Nacional (EN), que era a voz do regime.
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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27945: In Memoriam (578): Silvério Pires Dias (1934 - 2026), o "senhor Pifas", por antonomásia, radialista do Programa das Forças Armadas em Bissau (1969/74), faleceu no passado domingo, aos 91 anos; era casado desde 1960 com a Maria Eugénia, a "senhora tenente"


Oeiras > Galeria-Livraria Municipal Verney > 4 de março de 2017 > 15h00 - 16h30> A antiga equipa que deu voz e alma ao PIFAS (Programa de Informação das Forças Armadas): o primeiro sargento Silvério Pires  Dias (nosso grã-tabanqueiro nº 651) e a famosa "senhora tenente", a sua esposa.Matria Eugénia. 
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Foto tirada na sessão de lançamento do livro de fotografia, da autoria de Jorge Ferreira, "Buruntuma: algum dia dia serás grande!... Guiné, Gabu, 1961-63" (edição de autor:  Oeiras, 2016; impressão: Jotagrafe - Artes Gráficas Lda)...    A apresentação esteve a cargo do nosso editor Luís Graça.

Foto (e legenda): © Luís Graça (2017). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Silvério Pires  Dias  (Vila Velha de Ródão, 1934- Oeiras, 2026). Viveu nove anos na Guiné, desde 1967 a 1976, os últimos dois como "delegado de propaganda médica", e cinco locutor e apresentador na rádio das Forças Armadas, gerida pela Rep ACAP / QG / CCFAG.



Silvério Dias, ex-2º sargt art, CART 1802, Nova Sintra, 1967/69; 1º srg art, locutor do PFA - Programa das Forças Armadas, Bissau, Rep ACAP,/QG/CCFAG, 1969/74m

Fotos : Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)



A mascote do Programa [de Informação] das Forças Armadas (PIFAS), da responsabilidade da Repartição de Assuntos Civis e Acção Psicológica Rep ACAP / QG / CCFAG. Autor da imagem:  (até à data) desconhecido. Imagem cedida pelo nosso camarada Miguel Pessoa, cor pilav ref (ten pilav, Bissalanca, BA 12, 1972/74).

Silvério Dias, que os jovens radialistas (militares) (como o Garcês Costa, o João Paulo Dinis,  o José Camacho Costa, o Armando Carvalheda, etc.)  tratavam por "paizinho", era o "senhor Pifas", por antonomásia. A sua bela e  potente voz era conhecida por toda a gente, pela tropa (em Bissau e no mato) bem como pela população civil e inclusive pelo IIN   O programa era o nosso "Good Morning, Vietnam!".


1. Através do formulário de contacto do Blogger, soubemos, pelo João Paulo Dinis, do falecimento (*) do nosso camarada Silvério Dias.  A notícia foi-lhe dada pelo "pifaniano" Jorge Varanda,  e conformada pela própria viúva, Maria Eugénia, a nossa conhecida "senhora tenente".

Segundo a sua página no Facebook, o Silvério Dias tinha orgulho nas suas raízes beirãs:  (i) nasceu em 19 de agosto de 1934, em Sarnadinha, Vila Velha de Ródão;  (ii) frequentou a Escola Industrial Machado de Castro, Lisboa; (iii) fez careira militar (passou pela Índia, Moçambique e Guiné);  (iv) vivia em Oeiras; (v) era casado e tinha pelo menos um filho, Manuel Valente vive na Dinamarca.
 
No CTIG, o Silvério Dias  esteve como 2º srgt art, CART 1802 (Nova Sintra, 1967/69) e depois, por convite, como 1º srg Art, locutor do PFA, Bissau QG/CCFAG, 1969/74 (onde trabalhoou na Rep ACAP com, entre outros oficiais,  Ramalho Eanes e Otelo Saraiva de Carvalho). Como  civil, foi delegado de propaganda médica, em Bissau (1974/76). 

Disse ele: 

(...) Para descrever as minhas (memórias), diria que só num livro de muitas páginas. Basta referir que "por lá andei" (na Guiné ) durante 9 (nove) anos, de 1967 a 1976. Granjeei amigos de todas as etnias e credos, admiradores ouvintes do PFA. e agradecimentos pelo bem-fazer, na minha condição de Delegado de Propaganda Médica, após abandono voluntário do Exército. (...) (**).

Era nosso grão-tabanqueiro nº 651 (desde 24/3/2014),  e um  caso extraordinário de "resistência e resiliência" contra os "males da idade"...Tem c. 3 dezenas de referências no nosso blogue.

Tinha deixado, infelizmente, de nos dar notícias, depois do último convívio da malta do Pifas no "Páteo Alfacinha", em Lisba, em 9/9/2023, com a presença do general Ramalho Eanes (***).

Tinha então 89 anos completados em 18 de agosto. Ainda me desafiou para aparecer, o que não me foi possível por estar fora de Lisboa. Um das últimas vezes que o vi, terá sido em Oeiras, na Galeria-Livraria Municipal Verney, em 4 de março de 2017, na apresentação do livro do Jorge Ferreira.

Editava o blogue "Poeta Todos Dias" ( criado em janeiro de  2011). E todos os dias, publicava um, dois, três, quatro , cinco ou seis apontamentos poéticos (em geral, quadras populares, sobre temas do quotidiano). Foram mais de 15 mil postes, até quase ao final de 2023. O blogue (ainda "on line") tem c. de 700 mil visualizações. 

Publicou em vida o livro de poesia "Neste lugar onde nasci" (2017).

 À viúva, filho, demais família e amigos "pifanianos", o nosso abraço de solidariedade na dor pela perda deste camarada, que foi um referência para muitos de nós que passámos pela "Spinolândia".



Lisboa > Páteo Alfacinha > 31 de maio de 1985 > Convívio do pessoal do emissor regional da Guiné e do PFA - Programa das Forças Armadas.

Foto: © Garcez Costa (2012). Todos os direitos reservados.  [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



 Guiné > Bissau > PFA - Programa das Forças Armadas, c. junho de 1971 > Noite 7 (Emissão especial aos Sábados).

Na foto, o 1º cabo José Camacho Costa e o 1º srgt Silvério Dias. Reconhecem-se excertos musicais de Carlos do Carmo, José Mário Branco, Beatles e outros... Faz-se referência á chegada do homem à lua, à guerra no Laos e no Camboja, e dá-se a notícia da flagelação, à cidade de Bissau, com foguetões 122 mm de origem russa (em 9 de junho de 1971)... O Pifas era considerado mais "liberal" do que a EN - Emissora Nacional, a "voz do regime".

[Ouvir aqui o compacto aúdio, de Garcez Costa, antigo locutor.  Vídeo (6' 31''): Alojado em You Tube > Nhabijoes ]

Foto (e ficheiro áudio): © Garcez Costa (2012). Todos os direitos reservados.  [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


quinta-feira, 2 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27880: In Memoriam (577): Mário Magalhães (1937-2026), membro da Tabanca da Linha e da Tabanca Grande, ex-srgt mil, CCAV 252 (Bafatá, Nova Lamego, Buruntuma, Bula, Caió, Mansabá e S. Domingos, 1961/63)



O nosso "veteraníssimo" Mário Magalhães (1937-2026), membro da Tabanca da Linha e Tabanca Grande (nº 742), ex-srgt mil da CCAV 252 (Bafatá, Bula, Mansabá e S. Domingos, 1961/63).




Tabanca da Linha > 34º almoço-convívio > Algés > Restaurante "Caravela de Ouro" > 16 de novembro de 2017 > Da esquerda para a direita, o Jorge Ferreira e o Mário Magalhães,  na altura já membros, recentes, da Tabanca Grande. O Jorge Ferreira, que passou a frequentar a Tabanca da Linha, no almoço-onvívio nº  32 ( Riviera Hotel, Carcavelos, 20/6/2017) deve ter trazido o  Mário Ferreira (que se estreou no almoço-convívio nº 34, aqui no Caravela d'Ouro, Algés).

Foto (e legenda): © Manuel Resende (2017). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Oeiras > Algés > Restaurante "Caravela de Ouro >36º Convívio da Magnífica Tabanca da Linha > 22 de março de 2018 > Da esquerda para a direita, Jorge Rosales (1939-2019) e Mário Magalhães (1937-2026), dois meninos da Linha, dois veteraníssimos da guerra da Guiné, 


Foto (e legenda): © Manuel Resende (2018). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].




Leiria > Monte Real > 25 de maio de 2019 > XIV Encontro Nacional da Tabanca Grande >  Mário Magalhães, o veteranos dos veteranos da Guiné, mais a esposa, Fernanda (Sintra)«

Foto: © Manuel Resende  (2019). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1.  Soubemos, pelo Manuel Resende, régulo da Magnífica Tabanca da Linha (que se vai reunir no próximo dia 16, para o seu 64º almoço-convívio), da morte recente (*), em finais de janeiro, do nosso veteraníssimo Mário Magalhães, membro da Tabanca Grande (nº 742, desde  12/4/2017) e Tabanca das Linha (desde 16/11/2017) (**), ex-srgt mil da CCAV 252 (Bafatá, Bula, Mansabá e S. Domingos, 1961/63). Tinha 88 anos.

Eis algumas notas biográficas do nosso camarada:

(i) data de nascimento: 13 de setembro de 1937;

(ii) estado civil: casado:

(iii) habilitações literárias 7º ano do liceu;

(iv) teve dois períodos de serviço militar: 
um 1º período, de 7 de abril de 1959 a 7 de março de 1961 (Escola Prática de Cavalaria, Curso de Sargentos Milicianos; BA 4, Açores, Polícia Aérea); e um 2º período, em que foi reintegrado,  em 6 de junho de 1961, no CIOE, Lamego, sendo entratanto mobilizado para a Guiné em agosto de 1961,  como furriel miliciano da CCAV 252;

(vi) até novembro de 1963, passou por Bafatá, Nova Lamaego, Buruntuma, Bula, Caió e S. Domingos; e ainda por Bula, Binar,Caió, Mansoa, Farim, Olossato, Oio/Morés, Susana, Varela, S. Domingos, Ingoré, etc.;

(vii) foi promovido a 2º srgt mil em 28/2/1963;

(viii) a sua subunidade, a CCAV 252 teve um louvor coletivo do comandante-chefe, o brigadeiro Fernando Louro de Sousa (**).

(ix) esta subunidade foi a primeira, da arma de cavalaria, a chegar à Guiné; mobilizada pelo RC 3, Estremoz, partiu em 10/8/1961 e regressou a 6/11/1963; esteve sediada em Bissau, Bula, São Domingos e Bula; o seu 1º comandante, o  cap cav António Lopo Machado Carmo   morreu em combate em 14/3/1963, nas proximidades de São Domingos; foi condecorado com a Cruz de Guerra de 2ª Classe; foi substituído pelo cap cav Luís Alberto do Paço Moura dos Santos.

2.  Para a família e amigos mais próximos, vão as condolênicias da Tabanca Grande. 

Ontem dei a triste notícia ao Jorge Ferreira, nosso grão-tabanqueiro nº 728,  contemporâneo do Mário no CTIG: o Jorge foi alf mil, 3ª CCAÇ (futura CCAÇ 5, "Gatos Pretos", a partir de meados de 1967), tendo passado por  Bolama, Nova Lamego e Buruntuma, 1961/63); o fur mil cav Mário Magalhães comandava o destacamento de Buruntuma, ainda antes da chegada do Jorge Ferreira (em outubro de 1961).
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Notas do editor LG:

quinta-feira, 26 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27860: In Memoriam (576): Fafe também teve os seus heróis, entre eles o meu amigo e companheiro de escola, Coronel José Augusto Nogueira Ribeiro (1940-2017) (Manuel Barros Castro, ex-Fur Mil Enfermeiro)

IN MEMORIAM



Coronel José Augusto Nogueira Ribeiro
(Fafe, 6 de Janeiro de 1940 - Guarda, 8 de Janeiro de 2017)




Milhares, muitos milhares de jovens perderam uma boa parte da sua juventude ao longo da guerra colonial.

Fafe, como todo o país, respondeu ao chamamento e muitos por lá deixaram a vida ou vieram estropiados.

Fafe também teve os seus heróis, sendo de destacar o meu amigo e companheiro de escola, Coronel José Augusto Nogueira Ribeiro que, com a devida vénia, aqui exalto, valendo-me do livro “Os últimos Guerreiros do Império”:




Alf mil Nogueira Ribeiro, 4ª CCAÇ,
Bedanda, c. 1964/66.
Arquivo do blogue Luís Graça
& Camaradas da Guiné
(i) nasceu na freguesia de São Gens, concelho de Fafe em 6 de Janeiro de 1940 e faleceu na cidade da Guarda, cidade que adotou, em 8 de Janeiro de 2017;

(ii) aluno inteligente e vivo, frequentou a escola primária da freguesia, seguindo os estudos no Seminário Diocesano de Braga até ao 7.º ano;

(iii) continuou estudando, agora no Ensino Secundário em Guimarães e no Porto; foi aluno da Faculdade de Direito de Lisboa até ser incorporado no Serviço Militar;

(iv) em 1963, como Oficial Miliciano, foi mobilizado para o CTI da Guiné-Bissau onde cumpriu a primeira comissão até Maio de 1966, na 4ª CCAÇ (Bedanda, 1964/66) (futura CCAÇ 6, a partir de 1967):

(v) em1967-1969 cumpre a segunda comissão na Região Militar de Moçambique;

(vi) regressado à Metrópole, é colocado no RI 5 (Caldas da Rainha) de onde segue para mais uma comissão, desta vez, Angola, 1973-1975;

(vii) em Agosto de 1974 ingressou no Quadro Especial de Oficiais (QEO) e em 1975 foi colocado no Batalhão de Infantaria da Guarda e, de 1979 a 1990 no Batalhão de Infantaria Mecanizada da 1.ª Brigada Mista Independente; nesse período, mais propriamente, em 1983, foi promovido, por distinção, ao posto de Major;

(viii) foi ferido duas vezes em combate.

(ix) recebeu várias condecorações, como:

- Grau de Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, de Lealdade e Mérito, com Palma;
- Medalha da Cruz de Guerra de 2ª. Classe;
- Medalha da Cruz de Guerra de 3ª. Classe, Medalha de Cruz de Guerra de 4ª. Classe;
- Medalha de Mérito Militar de 2.ª. Classe;
- Medalha de Mérito Militar de 3.ª. Classe;
- Medalha da Ordem de Aviz – Grau de Cavaleiro;
- Medalha de Prata de Comportamento Exemplar;
- Medalha de Ouro de Comportamento Exemplar;
- Medalhas Comemorativas das Campanhas da Guiné, de Moçambique e de Angola;
- Prémio Governador Geral da Guiné e 22 louvores, 12 dos quais em Combate.

Manuel Barros Castro
Fafe, 24 de Março de 2026.