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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Guiné 61/74 - P28393: In memoriam (589): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte IV: Recordações amargas de Gadamael (1)




Foto nº 1A, 1






Foto nº 2,  2A, 2B, 




Foto nº 3,  3A, 3B

Guiné > Região de Tombali > Gadamael > Maio / junho de 1973 > BCP 12 > Chegada, de LDG (foto m 1) e abertiuras de abrigos e trincehiras(Fotos nº 2 e 3). Fotos originais, a preto e branco, publicados pelo António Dâmaso,oriundas da Hstória do BCP 12.

Restauro, melhoria técnica e coloerização: LG + IA (Gemini / Google) (2026)

 

1. Em 1973, o 1º srgt paraquedista António Dâmaso, natural de Odemira, a exercer a função de 2º cmdt do seu 3º Gr Comb / CCAÇ 121 / BCP 12, depois de ter perdido 3 dos seus  homens no Cufeu, de má memória,  a caminho de Guidaje (Op Mamute Doido, 23 de maio de 1973) , é enviado para reforçar a defesa de Gadamael, no sul da Guiné, região de Tombali, junto à fronteira (Op Dinossauro Preto, Gadamael, 2 juh - 17 jul 1973). 

Ele escreveu , na primeira pessoa, como viveu e sobreviveu à batalha de Gadamael, sempre operacional, e mesmo doente.  (À mesma CCP 121/BCP, 2º Gr Comb, pertenceu o nosso amigo e camarada Victor Tavares. ex-1º cabo pqdt, apontador de MG42, natural de Águeda.)

Este texto, que se segue, foi inicialmente publicado no Bogue Especialistas da Base Aérea 12, Guiné 65/74 > Domingo, 20 de fevereiro de 2011 > Voo 2164_ a Operação "Dinossauro Preto" contada na primeira  pessoa 

É agora republicado, com melhoria das imagens (que o acompanhavam, a preto e branco), em homenagem a este camarada do BCP 12 que em vida nos honrou com a sua presença, ativa e produtiva, na Tabanca Grande, bem como em homenagem a todos os nossos camaradas que participaram na Batalha dos 3 G (Guidaje, Guileje e Gadamael) (maio-julho de 1973).


Recordações amargas de Gadamael (1)

por António Dâmaso (1940-2026)


Operação “Dinossauro Preto” > Entre 2jun73 e 17jul73 em Cacine e Gadamael Porto > Força:  BCP 12 com 3 Companhias a 4 Gr Comb (*)


Os primeiros paraquedistas que chegaram a Gadamael Porto (1), além de terem quase tudo arrasado, viram-se na necessidade de cavar abrigos e abrir valas suficientemente profundas para poderem sobreviver à intensidade e pontaria dos ataques.

É do conhecimento geral que fora abandonada uma posição fortificada (Guileje), transitando essa tropa (CCAV 8350) para outra (Gadamael),  sem as mínimas condições de defesa fortificada (2).

Desconheço se não tiveram tempo de cavar trincheiras, por se verem repentinamente sob um inferno de metralha em cima, ou se se estiveram nas tintas para o fazer. A “necessidade aguça o engenho”, durante uma emboscada vi um militar esgravatar com as mãos para proteger a cabeça e o resto do corpo, depois do bagabaga que o tinha protegido ter sido arrasado, isso permitiu-lhe escapar e estar cá entre nós.

Depois os Páras começaram a fazer a segurança próxima e afastada como se impunha.

No dia 2jun73, chegou a Gadamael Porto a CCP 122, depois a CCP 123 a 4jun73 e a minha Companhia, a CCP 121, ainda não completamente refeita dos acontecimentos de Guidage, embarcou no dia 11jun73 pelas 23h30, no cais de Bissau, na LDG Bombarda, rumo a Cacine aonde chegámos no dia 12 de madrugada. Fomos transferidos para um Navio Patrulha (LFG) que nos levou até perto de Gadamael Porto.

Fizemos transbordo para botes de borracha e sintex em virtude da maré estar baixa e da zona do cais estar a ser atacada. 

Fomos deixados na margem mas dentro de água num braço do rio oposto ao cais, choviam granadas que entravam na água à nossa frente mandando um repuxo de água pelos ares.  Primeiro “rebentavam”,  depois ouvia-se o silvo da trajectória e só mais tarde a saída. 

Chamávamos-lhe "supersónicas" , era um tipo de granadas a que não estávamos habituados, mais tarde vim a saber que se tratava dum canhão 130. Não houve estragos por se enterrarem no lodo, fez-me lembrar cenas do filme “ O dia mais longo”, a uma escala muito reduzida.

No Alentejo para pequena complicação costuma-se dizer “ se isto é conduto antes prefiro comer pão seco”. Naquele dia pensei para com os meus botões:  "Porra! …, Se isto é conduto não quero comer nada,  que bela recepção com que nos brindaram."

Assim que entrei no aquartelamento, verifiquei que algum pessoal da CCP que lá andava, estava bastante “apanhado”, vi dois sargentos de braço dado a passear com chapéu-de-chuva aberto durante uma flagelação, a única chuva no momento era de granadas. Conhecia-os de outra comissão na mesma província, para mim não estavam a armar aos “cucos”, estavam mas era bem “apanhados”.

No dia 13jun73, ainda de noite, a minha  CCP 121 saiu para o mato, não tínhamos andado um km o pessoal da frente parou,  por ter ouvido algum ruído, ficámos todos atentos, estávamos assim havia pouco mais de 10 minutos, o dia ia começando a clarear.

Eu já estava como adjunto de comando domeu pelotão.  Como não tinha havido tempo para instruir convenientemente um apontador do morteiro 60, eu tinha junto de mim o militar que levava o morteiro, foi ele que me alertou para um guerrilheiro que vinha a rastejar na nossa direcção, eu disse-lhe para abrir fogo para cima, rebenta ali um tiroteio de armas ligeiras e pesadas que durou cerca de meia hora.

Mais uma vez agarrei no morteiro e comecei a despejar granadas para cima deles. Eram muitos e alguns estavam em cima das árvores. Um apontador de RPG 7 da minha Companhia cortou uma palmeira ao meio deitando o guerrilheiro que lá estava abaixo. Se não tivessem sido detectados e não estivéssemos em posição defensiva, tínhamos tido ali mais um dissabor.

Aquilo para mim já se tinha considerado rotina, o pior era o meu estado físico, eu estava muito fraco, estava doente física e psicologicamente, era um hospedeiro nato de ténias e lombrigas. Tinha tomado uma droga para as matar mas que me provocava um tremendo mal-estar, em toda a minha vida nunca me tinha sentido tão mal como naquela altura. 

Voltei a ter os mesmos sintomas quando depois de 25 de Abril fui submetido a outra desparasitação, tinha férias marcadas para aquela data e não me deixaram ir de férias, quando toda a gente tinha vindo até ali e estava mesmo necessitado de as gozar depois do que tinha passado em Guidage. Lei do funil, eu não fui mas o comandante da Companhia foi. Deixei enterrar o tubo do morteiro e não tive força para o desenterrar, teve de ser o novo comandante de companhia a desenterrá-lo.

Tivemos um morto e um ferido grave, do pessoal que fazia de guia, o morto estava esventrado de tal modo que quando passou na zona onde eu estava, vi um alferes cujo estômago não aguentou a cena e teve de "chamar pelo Gregório” ali mesmo. Tivemos de voltar para trás com eles e para nos remuniciar, em virtude de termos ficado com poucas munições.

Saudações Aeronáuticas

A. Dâmaso (**)

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Notas do autor AD:

(1) Devido às baixas sofridas por doença e ferimentos, o Comandante do Batalhão (BCP 12) teve de se socorrer de graduados e praças que prestavam serviço na CMI (Companhia de Material e Infraestruturas) para repor os efectivos. Foi assim que vi em Gadamael camaradas que estavam prestes ou já tinham acabado a comissão, a dar o seu contributo na ajuda aos camaradas que estavam numa situação difícil.


(2) A posição fortificada abandonada refere-se  a Guilege. Estive lá durante uma semana debaixo de ataques de morteiradas 120 mm em 1970. Se aquela posição tivesse sido reforçada em abril ou maio de 1973, provavelmente teria ficado mais um cemitério militar em Guilege.

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, título: LG)

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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28375: In Memoriam (587): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte II : O meu Natal de 1966, no Clube de Sargentos, na BA 12, Bissalanca







Foto nº  1A, 1B, 1C, 1D  e 1> Guiné > Bissalanca > BA 12 >  Comemoração do Natal de 1966 >  Clube de Sargentos > Sargentos da Base Aérea 12 e do BCP 12: em primeiro plano, do centro para a esquerda, o  1º srgt MMT Azevedo e o furriel  sou eu. Em segundo, plano, à direita, o "barista; à esquerda, camaradaa que já não consigo identificar.



 






Foto nº 2A, 2B, 2C 2 > Guiné > Bissalanca > BA 12 >  Comemoração do Natal de 1966 >  Clube de Sargentos > 

Em primeiro plano, da esquerda para a direita: (i)  o 1º srgt Telo, do BCP 12,  brincalhão de primeira; (ii) e pé o srgt Bergano, da Messe; (iii)  fur  Dâmaso (BCP 12), de bigode; (iii)  srgt pqdt  Coimbra; (iv) 1º srgt /MMT Azevedo; (v) barista. Os restantes elementos do grupo estão por identificar.

 





Foto nº 3A e 3 > Guiné > Bissalanca > BA 12 >  Comemoração do Natal de 1966 >  Clube de Sargentos > 

Primeiro plano, da esquerda para a direita, (i) (?); (ii)  srgt pqdt  Coimbra; (iii) srgt ajud Fróis (?);  (iv) O de pêra e canhangulo ao ombro (?); 

Em segundo plano, da esquerda para a a direiat: (i)  srgt pqdt Castanheira; (ii) 1 srgt SG Telo; (iii) srgt pqdt Coutada; (iv) 1º srgt MMT Azevedo; e (v) fur  pqdt  Dâmaso
 

Fotos (e legendas): © António Dâmaso (2009). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI].



1. O António Dâmaso (1940-2026), natural de Odemira,  membro da Tabanca Grande desde 26/7/2009, tinha à data da sua morte cerca de 4 dezenas de  referências no nosso blogue. Publicou diversos postes aqui e no blogue dos Especialistas da Base Aérea 12 (Guiné, 1965/74).

Estamos recuperar um ou outro poste que tem a ver com as relações, mais próximas, que ele mantinha com os nossos camaradas da BA 12, nas suas passagens pelo CTIG (1966/68, 1969/70 e 1972/74), e naturalmente com as tropas paraquedistas, a cujo batalhão pertencia, o BCP 12, como furriel e depois 2º srgt. (*)

Neste poste (Voo 904, de 9 de abril de 2009) ele recorda alguns dos camaradas que passaram com ele o Natal de 1966, no Clube de Sargentos da BA 12. Um dos muitos natais passados fora da família.

Recordações da Guiné: Natal de 1966, na BA 12, Clube de Sargentos

por António Dâmaso (1940-2026)


O BCP 12, além das três Companhias operacionais, tinha ainda uma 4.ª Companhia que
começou por se chamar CP (Companhia de Pessoal) e posteriormente CMI (Companhia de Material e Infraestruturas).

Cada Companhia era constituída pelos seus efectivos, no caso da CMI a sua constituição era a seguinte (n=58)



Como se pode ver existem cerca de 50 elementos de outras especialidades, que viviam o dia-a-dia dos páras e, como diziam alguns,  só lhe faltava saltarem para estarem totalmente integrados.

Tal como eles, eu que estive por diversas vezes integrado na CP/CMI / BPC 12, convivemos muito de perto com os Especialista da FAP e eles comigo, de modo que,  além da camaradagem existente nestes casos, havia algo mais que nas circunstâncias nos unia mais como família FAP.

Já falei aqui do 1º srgt MMT Azevedo que me acompanhou no sentido de conseguir peças para as viaturas do BCP 12, que tinham ido para lá já usadas do RCP, mais concretamente os Unimog 404. Íamos ao Serviço de Material do Exército, na Amura.

 Por cortesia os nossos camaradas mecânicos lá nos iam desenrascando umas peças usadas mas ainda com capacidade de fazer alguns quilómetros, a lei do desenrascanço, que a tropa mandava desenrascar.

Nos contactos na Amura, dava sempre direito a irmos ao bar, como toda a gente sabe, aquele calor provocava cá uma sede que só com “ bazucas” frescas a conseguíamos debelar, uns tinham mais poder de absorção que outros e alguns andavam sempre bem aviados, enfim, dizia-se que estavam apanhados pelo clima.

Para os camaradas Especialistas da BA 12, seguem algumas fotos da época, no Natal de 1966, com alguns,  vestidos a rigor, outros nem mais para menos. Talvez me possam ajudar a identificar os de que eu já não lembro o nome.
 
Saudações aeronáuticas
António Dâmaso
Odemira

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, título: LG)
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Nota do editor LG:

 

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28374: In Memoriam (586): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte I: os 50 anos dos "brevetados" do 1º Curso de Paraquedismo Militar (1962-2012)

Foto nº 1 > Tancos > Escola de Tropas Paraquedistas > 25 de outubro de 2012 > Três pioneiros do 16.º Curso, eu,  a enfermeira Eugénia e o Nunes Ferreira (eu e ele viemos do RL 1 em Elvas).

Foto nº 2 >  Tancos > Escola de Tropas Paraquedistas > 25 de outubro de 2012 > As enfermeiras Eugénia Espírito Santo Sousa e Maria do Céu Pedro, irrandiando ternura.


Foto nº 3 >  Tancos > Escola de Tropas Paraquedistas > 25 de outubro de 2012 > Na Capela da Unidade na missa por alma dos que já partiram.

Foto nº 4 >  Tancos > Escola de Tropas Paraquedistas > 25 de outubro de 2012 > Porta de armas das TP, com o emblema do Exército

Fotos (e legendas): ©  António Dâmaso  (2012). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI].


1. O António Dâmaso (1940-2026) (*), membro da Tabanca Grande desde 26/7/2009, tinha à data da sua morte  42 referências no nosso blogue. Publicou diversos postes aqui e no blogue dos Especialistas da Base Aérea  12 (Guiné, 1965/74). 

Vamos recuperar um ou outro poste que têm a ver com as relações, mais próximas, que manteve com os nossos camaradas da BA 12, nas suas passagens pelo CTIG (1966/68, 1969/70 e1972/74), e naturalmente com as tropas paraquedistas, a cujo batalhão pertencia, o BCP 12, como furriel e de+ppois 2º srgt

Oriundo de 1º cabo, tirou o brevet em abril de 1962 (16º Curso). Em 1966 era furriel e esteve ligado ao serviço de manuntenção auto, a "ferraugem", do BCP 12. Mas também foi operacional, como 2º sargento, na Guiné e em Moçambique. Já publicámos no nosso blogue (e estão publicadas também no blogue criado pelo Victor Barata, o nosso saudoso grão-tabanqueiro da FAP) algumas das  suas memórias da Guiné (anos de 1969 e 1973). 

O primeiro  texto que recuperamos, do blogue dos Especialistas da Base Aérea 12 (Voo nº 2552, de 14 de novembro de 2012)  é uma notícia do reencontro do pessoal do 16º Curso de Paraquedismo nº 16 (1962),  cinquenta anos depois, em Tancos (2012). 


Cinquentenário dos Brevetados em Paraquedismo Militar em 1962, Curso nº 16 


por António Dâmaso (1940-2026) 


Caros camaradas/companheiros de armas:

Alguns esqueceram-se que as Tropas Paraquedistas (TP) pertenceram por muitos e bons anos à Força Aérea Portuguesa, que o digam aqueles que,  não sendo paraquedistas, com eles prestaram serviço e viveram em harmonia com os Páras e, no que me foi dado observar nos vinte anos que lá estive, a sua colaboração foi excelente.

De início esteve o BCP (Batalhão de Caçadores Paraquedistas) com sede em Tancos Militar, posteriormente promovido a RCP (Regimento de Caçadores Paraquedistas), tudo isto debaixo da tutela do então Secretário de Estado da Aeronáutica, brigadeiro Kaúlza de Arriaga. 

Este senhor foi o impulsionador das TP em Portugal e, dentro das mesmas, do Quadro das Enfermeiras Paraquedistas. Estas jovens,  sem serem aventureiras na aceção da palavra, aventuraram-se no altruísmo e na convicção de que,  na sua qualificação de paraquedistas, poderiam alargar o seu horizonte na sua prestação de cuidados de saúde a militares.

Enfrentaram novos horizontes, tiveram de fazer ver a muita gente que podiam competir com os homens, isto na altura em que todos os que se lançavam em paraquedas eram malucos.

Depois da introdução vamos aos factos:

Desde há seis anos que tenho promovido esforços junto de diversas individualidades no sendo de saber endereços dos meus camaradas de Curso, o 16º, só recebi negas. E por último através deste blogue dos especialistas da BA 12 (Guiné, 1965/74).

Gastei algum dinheiro em chamadas que não deram em nada, mesmo assim contribuí para a localização de vários elementos não só do meu Curso como de outros.

A União Portuguesa de Paraquedistas, organizadora do evento,  convocou os que teve acesso ao endereço e que ainda estavam vivos para comparecerem na cerimónia: uns não compareceram por motivos económicos, por estado de saúde e outros porque não quiseram, estamos num país “livre”.

No dia 25 de outubro de 2012, data do termo do último Curso de 1962, lá fui a caminho de Tancos levando comigo um vizinho que é do Curso a seguir ao meu. Quando chegámos,  conheci a maior parte dos presentes, exceto aqueles que depois de terem cumprido a sua obrigação militar se foram embora.

Dos 78 finalistas do meu Curso (16º), encontrei 10, alguns que não via há 48 anos. A salientar que englobados no meu Curso estão 5 Enfermeiras que complementaram os saltos na mesma altura, em junho de 1962:

  • Maria Amélia Reis de Morais (nº 1596)

Destas apenas compareceram duas, foi com emoção que as cumprimentei por ter sido instruendo de uma e posteriormente ter tido o privilégio de ter trabalhado com elas em prol da prestação de cuidados de saúde a militares da Força Aérea Portuguesa. Para mim apesar da morfologia da idade, continuam a ser aquelas jovens que conheci e com quem privei profissionalmente.

Com elas aprendi a prestar cuidados de saúde com dedicação, entusiasmo e empatia, nos mais de trinta anos em  que exerci.

O dia estava de aguaceiros, mas com algumas pequenas abertas. Levava a minha máquina fotográfica que, apesar de estar na garantia, pifou,  julgo que devido a pilhas, e  fui obrigado a desembolsar 19 Euros pelo conjunto da reportagem.

Este "voo" é dedicado às Enfermeiras Paraquedistas e demais camaradas de 1962. Seguem algumas fotos.

António Dâmaso, srgt-mor pqdt ref
Azeitão

(Seleção, revisão / fixação de texto, links,  negritos, título: LG)
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 Nota do editor LG:

(*) Vd. poste de (*) Vd. poste de 23 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28373: In Memoriam (585): António Dâmaso, SMor Paraquedista Reformado (12/6/1940 - †22/9/2026) das CCP 121 e 123 (Guiné, 1969/70 e 1972/74)

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28373: In Memoriam (585): António Dâmaso, SMor Paraquedista Reformado (12/6/1940 - †22/9/2026) das CCP 121 e 123 / BCP 12 (Guiné, 1969/70 e 1972/74)


IN MEMORIAM


António Maria Dâmaso (12 de Junho de 1940 - † 22 de Setembro de 2026)
SMor Paraquedista Reformado das CCP 122 e 123 / BCP 12 (Guiné, 1969/70 e 1972/74). Brevet nº 1555 (abril de 1962)

Foto (melhorada pela IA): Cadique, Naatl de 1972 


1. Ontem, dia 22 de Setembro de 2026, recebemos uma mensagem de Maria Costa, neta do nosso camarada António Dâmaso, participando a notícia do seu falecimento:

Boa tarde,
Venho com grande tristeza informar que o Sargento Mor António Maria Dâmaso, que já escreveu para este blog, faleceu esta manhã no Hospital das Forças Armadas.

Muito obrigada por terem dado voz ao meu avô.

Com os melhores cumprimentos
Maria Costa

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2. No mesmo dia foi enviada resposta à neta do nosso camarada:

Caríssima amiga Maria:

Foi com muita consternação que ficamos a saber da morte do senhor seu avô, o nosso querido camarada António Dâmaso.

Se quiser que dêmos os pormenores das cerimónias fúnebres do seu avô, envie-nos o mais cedo que puder para publicarmos atempadamente no Blogue.

Apresente a toda a família os nossos mais sentidos pêsames, e a certeza de que estamos solidários com a vossa dor.

Ao vosso dispor
Carlos Vinhal
Coeditor

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3. O camarada António Dâmaso, que agora nos deixou para fazer parte do Batalhão Celestial, apresentou-se formalmente ao Blogue em 26 de Julho de 2009, tendo participado uns dias antes, 20 de Junho, no IV Encontro Nacional da Tasbanca Grande, em Ortigosa.
Quinta do Paul, Ortigosa > IV Encontro Nacional > 20 de Junho de 2009 > Na foto: à esquerda António Dâmaso, ao centro António Martins de Matos e à direita António Graça de Abreu

António Dâmaso teve uma colaboração muito importante no Blogue com mais de 40 referências. Nas suas memórias ficamos a conhecer algumas operações levadas a efeito pelos Paraquedistas em território da Guiné. Também nos deu a conhecer atritos com a hierarquia castrense o que lhe valeram alguns dissabores na vida pessoal e porfissional.

33.º Aniversário em Gadamael Porto (12-07-73)
29.º Aniversário, Gabú, em 1969

Perante o falecimento do amigo Dâmaso, resta-nos apresentar o nosso pesar à família, assim como a nossa solidariedade e disponibilidade.

Como até esta hora não recebemos nenhuma mensagem com os pormenores das cerimónias fúnebres, não nos é possivel indicar o local, data e hora das mesmas.

C.V.

4. Informação adicional:

Apesar de estar reformado como sargento-mor de infantaria, e ter integrado o BCP 12, com três comissões de serviço na Guiné (1966/68, 1969/70 e 1972/74), o nosso camarada e grão-tabanqueiro António Dâmaso:

(i) tinha um curso de sargento enfermeiro tirado no NEFA1 (Hospital da Força Aérea) com a duração de 18 meses, equivalente a dois anos lectivos:

(ii) conforme OA n.º 45, 3.ª Série, pág. 579, exerceu  enfermagem no mesmo Hospital até 1981;

(iii) era técnico de radiologia também diplomado no Hospital da Força Aérea com o aval da Escola Superior de Saúde Pública (sic);

(iv) exerceu  radiologia no HFA e durante 26 anos no Centro de Saúde de Odemira (onde morava em 2008);

(v) colaborou também no blogue dos Especialistas da BA 12 (Guiné 1965/74);

(vi) em 2009 vivia em Azeitão, Setúbal:

(vi) de seu nome completo, António Maria Dâmaso, tirou o brevet em abril de 1962 (nº 1558 da lista) (curso de paraquedismo, nº 16);

(vii) fez as seguintes comissões de serviço no Ultramar:
  • Angola, de nov64 a jan 65, no posto de Cabo, ainda fez uma Operação em Vista Alegre na mata de Cambamba;
  • Guiné, de nov 66 a abr68, no posto de furriel na "ferrugem" (mecânico desampanador auto);
  • Guiné, de mar69 a jun70, no posto de 2.º sargento, na "ferrugem" e como operacional (BCP 12);
  • Moçambique, Nacala, de jun70 a Jul71 no posto de 2.º sargento, tendo tomado parte na Operação "Nó Górdio";
  • Guiné, de nov72 a ago74, como 2º srgt pqdt (BCP12).

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28219: In Memoriam (584): António Augusto Santos Faneco (1951 - † Ponta Delgada, 25 de Junho de 2026), ex-1.º Cabo da 1.ª CART/BART 6521/72 (Pelundo, Cadique, Ilha de Jete e Jemberem 1972/74)

IN MEMORIAM

António Augusto Santos Faneco (1951 - †Ponta Delgada, 25 de Junho de 2026)
Ex-1.º Cabo da 1.ª CART/BART 6521/72 (Pelundo, Cadique, Jemberem e Ilha de Jete, 1972/74)

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2. Comentário do editor:

Foi também através do facebook, neste caso na própria página do malogrado camarada António Faneco (https://www.facebook.com/antonio.faneco.3) que soubemos do seu passamento no passado dia 25 de Junho, no Hospital de Ponta Delgada.
Embora natural do Continente (Montijo?), o Faneco vivia na Ribeira Grande, Ilha de S. Miguel, Açores.

O camarada António Faneco aderiu à tertúlia do nosso Blogue em 2010 (vd. Post Guiné 63/74 - P6531: Tabanca Grande (224): António Faneco, ex-1.º Cabo da 1.ª CART/BART 6521/72, Pelundo, Cadique, Jemberém, Ilha de Jete, 1972/74 de 4 de Junho de 2010.

Embora com uma colaboração escassa no Blogue, o António Faneco, acompanhado pela sua esposa Tina, esteve nos Convívios Nacionais da Tertúlia, em Moste Real, em 2014; 2015 e 2016.

A tertúlia, os editores e colaboradores permanentes deste Blogue, apresentam à família do nosso amigo e camarada António Faneco, que agora faz parte do Batalhão Celestial, as mais sentidas condolências e a certeza da nossa solidariedade.

Carlos Vinhal
Coeditor

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Nota do editor

Último post da série de 27 de Julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28217: In Memoriam (583): José Maria Monteiro (Miranda do Douro, 1951 - Cascais, 2026), ex-Marinheiro Radiotelegrafista (LFP Bellatrix, 1969/71 e Comando Naval da Guiné, 1971/73)

Guiné 61/74 - P28217: In Memoriam (583): José Maria Monteiro (Miranda do Douro, 1951 - Cascais, 2026), ex-Marinheiro Radiotelegrafista (LFP Bellatrix, 1969/71 e Comando Naval da Guiné, 1971/73)

IN MEMORIAM

José Maria Monteiro (1951-2026), ex-Marinheiro Radiotelegrafista (LFP Bellatrix, 1969/71 e Comando Naval da Guiné, 1971/73). Nasceu em 17 de março de 1951, em Miranda do Douro. Vivia em São Domingos de Rana, Cascais. Tinha página no Facebook.


Notícia publicada na página do Facebook da Magnífica Tabanca da Linha, com data de ontem, 26/7/2026:

Caros Magníficos,

É sempre com imensa tristeza que se comunica o falecimento de um Camarada, e de um Magnífico.

José Maria Monteiro, mais conhecido entre nós por Monteiro, José Maria faleceu ontem, dia 25 de Julho.

Advogado de profissão, grande defensor dos ex-combatentes na luta por melhores regalias e fiel depositário das bandeiras nacionais no Concelho de Cascais, para serem usadas na cobertura das urnas dos ex-combatentes que o solicitassem.

O funeral foi hoje, dia 26 em Tires, seguindo para o crematório de Alcabideche.

Sentidas condolências a toda a família e amigos.

Monteiro, até um dia e que a tua alma descanse em paz.

Foto e texto: © Manuel Resende (com a devida vénia)


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2. Comentário do editor:

O nosso camarada José Maria Monteiro foi convidado há três anos e meio para fazer parte da tertúlia, (Vd. Post Guiné 61/74 - P23966: Tabanca Grande (541): José Maria Monteiro, ex-Marinheiro Radiotelegrafista (LFP Bellatrix, 1969/71 e Comando Naval da Guiné, 1971/73), que se senta no lugar n.º 868 da nossa Terúlia), porque, sendo ele muito activo no que concerne à reivindicação de direitos e regalias sociais, que a nossa geração de antigos combatentes se sente credora por parte dos actuais e antigos governantes, o nosso Blogue poderia, e fê-lo sempre que por ele foi solicitado, dar notícias das diversas acções, contactos com o poder político, manifestações públicas, etc., da sua iniciativa ou de organizações onde estivesse integrado.

Fomos surpreendidos com a notícia do seu falecimento, mas, por outro lado, já vamos ficando habituados ao desaparecimento de muitos de nós, dia após dia.

À sua esposa, Rosa Fidalgo,  e filhos,  Marco e Marta Monteiro, particularmente, a tertúlia, editores e colaboradores permanentes deste blogue, deixam o seu mais profundo pesar pelo falecimento do marido e pai.

A todos os que com o José Maria Monteiro privaram, deixamos o nosso abraço solidário.

Carlos Vinhal
Coeditor

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Nota do editor

Último post da série de 6 de julho de 2026 > Guiné 61/74 - P28159: In Memoriam (582): António Nunes Lopes (1942-2026), ex-fur mil at inf, CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Porto Gole, Enxalé e Missirá, 1965/67), e cruz de guerra de 3ª classe: senta-se simbolicamente, a título póstumo, no lugar nº 916, à sombra do nosso poilão

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28159: In Memoriam (582): António Nunes Lopes (1942-2026), ex-fur mil at inf, CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Porto Gole, Enxalé e Missirá, 1965/67), e cruz de guerra de 3ª classe: senta-se simbolicamente, a título póstumo, no lugar nº 916, à sombra do nosso poilão

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro > Convívio anual da Tabanca de Porto Dinheiro > O António Nunes Lopes (1942-2026) e João Crisóstomo. Ambos foram condecorados com a Cruz de Guerra, de 3ª e 4ª classe, respetivamente, por feitos em combate no decurso da Op Avante (30 de agosto de 1965).

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro > Convívio anual da Tabanca de Porto Dinheiro. Régulo: Euardo Jorge Ferreira (1953- 2019), ex-alf mil, PA - Polícia Aérea, Bissalanca, 1973/74.


(i) Da esquerda para a direita, na primeira fila:
  • António Nunes Lopes (1942-2026)  e João Crisóstomo (ambos pertenceram à CCAÇ 1439, 1965/67); 
  • Helena do Enxalé (mulher do Álvaro Carvalho, fotógrafo; era filha  do Pereira do Enxalé, que morreu em Bissau, em agosto de 1974);
  • Vilma Crisóstomo (esposa do João);
  • Dina   (esposa do Jaime, já falecida) e Milita (esposa do Horácio) (as duas últimas naturais de Fafe); 
(ii) na segunda fila:
  • Eduardo Jorge Ferreira (193-2019);
  • Maria Alice Carneiro e  Luís Graça;
  • Alexandre Rato (então presidente da junta de freguesia de Ribamar);
  • Horácio Fernandes (1936-2025);
  • Jaime Bonifácio Marques da Silva. (Falta o fotógrafo, o Álvaro Carvalho.)

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro >De pé o Álvaro Carvalho... Sentados, da esquerda para a direita: Luís Graça, João Crisóstomo e o António Nunes Lopes (estava convidado, desde essa data,  para integrar a nossa Tabanca Grande, mas não tinha endereço de email, ficando nós a aguardar o da esposa, o que nunca se chegou a concretizar.)

Lourinhã > Ribamar > Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > Restaurante O Viveiro  "Recordar é viver", diz o João Crisóstomo, para o Luís Graça e o António Nunes Lopes.

Fotos: © Álvaro Carvalho (2015) Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Crachá da CCAÇ 1439
(1965/67)
1. A triste notícia chegou-nos de Nova Iorque: o João Crisóstomo, pesaroso, telefonou-me a comunicar que só agora, 4 meses depois, é que tivera notícia da morte do António Nunes Lopes (*). Por intermédio da sua viúva. 

O António Lopes nasceu a 23/3/1942 e  morreu a 23/2/2026, ia completar 84 anos. Foi fur mil at inf, pertencia ao pelotão comandado pelo João Crisótomo na madeirense CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Porto Gole, Enxalé e Missirá, 1965/67).

O João Crisóstomo e o António Nunes Lopes haveriam de encontrar-se ao fim de quase meio século, na Praia de Porto Dinheiro, Ribamar, Lourinhã, por ocasião do convívio da Tabanca de Porto Dinheiro, em 12 de julho de 2015... Pertenceram ambos à mesma companhia e ao mesmo pelotão... 

No vídeo abaixo, gravado na altura (2015), e que voltamos a reproduzir, os dois  evocam aqui,  de maneira muito viva e emocionada,  uma dos mais duros episódios de guerra por que passaram, em 30 de agosto de 1965, no decurso da Op Avante, em Darsalame (Baio), na zona de Baio/Buruntoni, no Xime, sctor L1 (Bambadinca). Era um ponto que o PAIGC sempre "controlou" durante toda a guerra, e onde era inevitável haver "contacto" com as NT, em operações de contrapenetração ou em patrulhamentos ofensivos...


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Xime > CCAÇ 1439 (1965/67) > 30 de agosto de 1965 > O Armando Assunção Coutinho, de  alcunha o "Pênalti", soldado do BCAÇ 697,adido à CCAÇ 1439,  ferido no decurso da Op Avante. Foto: fonte desconhecida.

No vídeo fala-se também do "Pênálti", que terá sido simultaneamente herói e desertor, segundo a "vox populi" (**)..


Vídeo (7' 31''). Alojado em You Tube > Luís Graça 


Lourinhã > Ribamar > Praia de Porto Dinheiro > Convívio da Tabanca de Porto Dinheiro > 12 de julho de 2015 > O João Crisóstomo e o António Nunes Lopes  evocam aqui, com uma espantosa precisão de detalhes, e grande emoção,  uma dos mais duros episódios de guerra por que passaram, em 1965, em Darsalame (Baio), na zona de Baio/Buruntoni, no subsector do Xime (Sector L1 / Bambadinca) (Op Avante, 15 de agosto de 1965).(**)

João Crisóstomo, que é natural de uma freguesia vizinha, A-dos-Cunhados, do concelho de Torres Vedras, fez-se à vida depois do regresso da guerra (em 1967). Andou pela Europa e Brasil, até se fixar em 1975, nos EUA, onde hoje vive (em Queens, Nova Iorque) e que é a sua segunda pátria. 

O António Nunes Lopes, "seu furriel", e por ele sempre muito acarinhado, fora convidado na altura a integrar a Tabanca Grande, convite que ele aceitou de bom grado. Ficou, entretanto, de nos mandar o endereço de emaiçl da esposa, o que nunca chegou a acontecer. Perdemos o contacto, veio a pandemia (em 2022), nunca mais nos encontrámos, e entretanto começoiu a sofrer de doença crónica degenerativa. 

Mas é justo, e para mais sendo um dos "bravos do pelotão" do nosso João Crisóstomo, juntá-lo no nosso "panteão": senta-se simbolicamente, a título póstumo, no lugar nº 916, à sombra do nosso fraterno poilão. É mais um amigo e camarada da Guiné, que em vida interagiu connosco, e que não podemos deixar "ficar inumado na vala comum do esquecimento". 


Guiné > Zona leste > Setor L1 (Bambadinca) > Susetor do Xime > Carta do Xime  (1961) > Escala de 1/50 mil > Posição relativa do Xime e Darsalame (Baio) onde o pelotão do João Crisóstomo (alferes) e do António Nunes Lopes (furriel) sofreram uma violenta emboscada, em 1966, e tiveram um comportamento heróico, eles e os seus homens... Na zona de Poindom / Ponta do Inglês, havia população que cultivava as bolanhas, na margem direita do R Corubal e que "apoiava" a guerrilha... Também eu ali iria conhecer o inferno, três ou quatro anos mais tarde, em 1969/71... (LG).

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2015).


2. O nosso camarada António Nunes Lopes foi condecorada com a Cruz de Guerra de 3ª classe por feitos em combate no decurso da Op Avante (Subsetor do Xime / Sector L1, 15 de agosto de 1965) (***)

■ Furriel Miliciano de Infantaria - ANTÓNIO NUNES LOPES 
 -  Companhia de Caçadores nº 1439 - BII 19 – 3ª CLASSE 


Transcrição da Portaria publicada na Ordem do Exército nº 29, 3ª série, de 1966. Por Portaria de 20 de setembro de 1966:

Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra de 3ª classe, ao abrigo dos artigos 9º e 10º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província da Guiné Portuguesa: O Furriel Miliciano de Infantaria, António Nunes Lopes, da Companhia de Caçadores nº 1439 / Batalhão de Caçadores nº 694 - Batalhão Independente de Infantaria nº 19.

Transcrição do louvor que originou a condecoração. Publicado na OS nº 89, de 29 de outubro de 1965, do QG/CTIG:

Louvo o Furriel Miliciano, António Nunes Lopes, da Companhia de Caçadores nº 1439, porque, na operação "Avante", quando as NT se encontravam debaixo de nutrido e violento fogo Inimigo, em terreno que nos era manifestamente desfavorável, fez parte, com a sua secção reforçada, do grupo que, sob o comando do comandante da operação, executou uma arrancada heróica ao encontro do inimigo oculto, do que resultou a suspensão do seu fogo e o consequente alívio da situação das NT (Nossas Tropas), tornando-se em sucesso para nós, embora com baixas, o que podia ter sido um desastre.

Durante esta acção incutiu no seu grupo a necessidade de avançar, a fim de descobrir e aniquilar um dos grupos do IN que mais flagelava as NT com o que demonstrou a sua coragem e decisão de enfrentar o perigo, a sua serena energia e sangue frio debaixo de fogo, bem como a sua valentia e bravura perante o IN traiçoeiro, nada tendo havido que conseguisse quebrar o seu ânimo, nem mesmo a morte de um dos seus melhores elementos ou o sibilar das balas à sua volta.

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Notas do editor LG:

(*) Último poste da série > 1 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28064: In Memoriam (580): Major-general Paraquedista Heitor Hamilton Almendra (1932-2026): cerimónias fúnebres hoje, às 13h00, na Igreja da Força Aérea, em São Domingos de Benfica, seguindo depois o funeral para o crematório dos Olivais

(**) Vd. poste de 24 de abril de 2021 > Guiné 61/74 - P22131: CCAÇ 1439 (Xime, Bambadinca, Enxalé, Porto Gole e Missirá, 1965/67): A “história” como eu a lembro e vivi (João Crisóstomo, ex-alf mil, Nova Iorque) - Parte VI: O baptismo de fogo no Xime (17/8/1965, e a Op Avante, ao Buruntoni (em 29-30/8/1965) com os primeiros mortos

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28064: In Memoriam (580): Major-general Paraquedista Heitor Hamilton Almendra (1932-2026): cerimónias fúnebres hoje, às 13h00, na Igreja da Força Aérea, em São Domingos de Benfica, seguindo depois o funeral para o crematório dos Olivais

1. Faleceu,  no passado dia 28 de maio, o major-general paraquedista Heitor Hamilton Almendra (1932-2026), oficial de Cavalaria e uma das figuras mais marcantes da história das Tropas Paraquedistas portuguesas. Tinha 93 anos. Com ele desaparece toda uma geração de grandes combatentes portugueses.

Nascido em Zoio, concelho de Bragança, em 18 de dezembro de 1932, integrou a geração de militares que construiu e consolidou a arma paraquedista portuguesa, distinguindo-se tanto em campanha como em funções de comando. 

Tem uma brilhante carreira militar (fez cinco comissões de serviço no ultramar, incluindo Timor, Angola, Guiné e Moçambique).

Fexuma comussão no CTIG (julho de 1966 / maio de 1968).

Na 2ª comissão  em Angola, foi 2.º comandante e depois comandante do BCP 21 (Batalhão de Caçadores Paraquedistas n.º 21), tendo participado em numerosas operações no norte e leste do território. 

 Os louvores e condecorações que recebeu testemunham as qualidades de coragem, liderança e capacidade operacional que lhe eram reconhecidas pelos seus superiores e subordinados (como foi o caso do nosso amigo e camarada, e membro da nossa Tabanca Grande, ex-alf mil pqdt Jaime Bomifácio Marques da Silva,  que serviu sobre as suas ordens em Angola, em 1970/72). A antiga enfermeira paraquedista Rosa Serra também conheceu e conviveu, em Luanda, com o ilustre militar. Foi, de resto, ela que nos fez chegar a triste notícia do seu falecimento. 

Após o 25 de Abril, desempenhou funções de elevada responsabilidade militar, comandando a Escola e o Corpo de Tropas Paraquedistas, e teve papel relevante nos acontecimentos de 25 de Novembro de 1975. 

A sua carreira culminaria com o posto de major-general, deixando uma forte memória entre várias gerações de paraquedistas.

Segundo nota do sítio oficial da Presidência da República, "o Major-General Almendra foi o primeiro Oficial-General Paraquedista e goza de enorme prestígio no seio nas Forças Armadas, em especial junto das tropas paraquedistas. Ao longo da sua ilustre carreira militar recebeu inúmeras condecorações, destacando-se o grau de oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e duas medalhas de valor militar com palma, uma grau ouro e outra grau prata".

As cerimónias fúnebres completam-se hoje, com missa de corpo presente às 13h00, na Igreja da Força Aérea (antigo convento de São Domingos de Benfica, Pupilos do Exército, Lisboa), seguindo o funeral às 14h00 para o Crematório dos Olivais.

Os votos de pesar da Tabanca Grande para a família enlutada e os antigos camaradas de armas.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28033: In Memoriam (579): Carlos Rios, ex-fur mil, CCAÇ 1420 (Mansoa e Bissorã, 1965/67); faleceu em 23/8/2022 , era membro também da Tabanca da Linha e morava em Carnaxide


Lisboa > Bairro Alto > s/d > Alguns graduados da CCAÇ 1420 num jantar de confraternização no Bairro Alto. Da esquerda para a direita - Carlos Rios, José Monteiro, Henrique Sacadura Cabral, José Manuel Bastos e Rui Alexandrino Ferreira  (1943- 2022)

Fonte: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné




Carlos Luís Martins Rios (1943 - 2022)


1.  Só há dois meses  tivemos conhecimento da morte do Carlos Rios, ex-furriel mil, CCAÇ 1420 (Mansoa e Bissorã, 1965/67),  membro da nossa Tabanca Grande, desde 21/11/2011 (*). 

Tem 3 dezenas de referências no nosso blogue. É autor das séries "Porto de Abrigo" e "Fragmentos da Minhya Passagem pela Tropa".
 
Tinha 70 anos em 29/5/2013, presumimos que tenha nascido em 1943. Natural da Parede, Cascais, morava em Carnaxide.  

Esteve presente 3 vezes em almoços-convívios da Tabanca da Linha. Foi por informação do Manuel Resende que soubemos do seu falecimento, que ocorreu em 23/8/2022. 

Que descanse em paz! (**)

2. O prtimeiro poste que publicámos do Carlos Rios foi em 18 de junho de 2011 (***)

(...) Aqui deixo o meu testemunho: fui dos que passou pelas instalações e sofri as piores atribulações que aquelas miseráveis e desumanas instalações, principalmente o anexo (Texas),  tinham. 

Ali passei seis anos com imensas operações, vindo a ficar estropiado de 66 a 72. O director era um déspota bem como a maioria do pessoal ligado àquilo que deveria ser o lenitivo para as miséris que nos atingiam mas que afinal se vinha a transformar como que um castigo por termos sido feridos. De tal maneira que já no Depósito de Indisponíveis, onde se encontrava o pessoal em tratamentos ambulatórios,  termos sido metidos nas escalas de serviço, como se os doentes em tratamento estivessem numa Unidade. 

Imagina um Oficial de dia quase maneta e eu próprio, já coxo,  a fazer o içar da bandeira na porta de armas, vindo ao exterior a comandar a guarda e dar ordens militares para o caso. Fui  um espectáculo macabro, eu só consigo andar com uma bengala. Calcula o ridículo.  (...)

3. Foi-lhe atribuída a  Cruz de Guerra, 1.ª classe, por  feitos em combate

Transcrição da Portaria publicada na OE n.º 12 — 3.ª série, de 1967.
Por Portaria de 04 de Abril de 1967:


Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, condecorar com a Cruz de Guerra, de 1.ª classe, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província de Guiné, o Furriel Miliciano de Infantaria, Carlos Luís Martins Rios, da Companhia de Caçadores n.º 1420/Batalhão de Caçadores n.º 1857 — Regimento de Infantaria n.º 2.

Transcrição do louvor que originou a condecoração.
(Por Portaria da mesma data, publicada naquela OE):


Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro do Exército, louvar o Furriel Miliciano de Infantaria, Carlos Luís Martins Rios, da Companhia de Caçadores n° 1420/Batalhão de Caçadores n.º 1857 — Regimento de Infantaria n° 2, porque, tendo tomado parte em numerosas acções de combate, como Comandante de Secção do Grupo de Combate Especial, para o qual se ofereceu, se revelou um graduado com excelentes qualidades de comando e de combatente.

Marchando normalmente a sua Secção na testa das forças empenhadas, exposto portanto a maiores perigos, soube o Furriel Rios incutir-lhe confiança, pelo ardor combativo que demonstrou nas acções de fogo, pelo exemplo que constantemente lhes deu e pelo entusiasmo com que cumpriu as missões que lhe foram dadas, mesmo nas situações mais críticas. É digna de realce a acção deste militar em diversas operações, nomeadamente nas operações "Ferro", "Estopim" e "Espectro".

Tomou parte na operação "Ferro", voluntariamente, apesar de se encontrar inferiorizado, fisicamente, e accionou uma armadilha durante a progressão para o objectivo, o que em nada contribuiu para alterar o optimismo com que sempre encarou as acções de combate.

Detectadas as nossas tropas nas proximidades do objectivo, lançou-se o Furriel Rios, de rompante, com a sua Secção sobre a Base Inimiga, onde elementos abrigados reagiram ao assalto, com volumoso fogo e armas automáticas e bazooka, desalojando-os e pondo-os em debandada, com baixas.

Destruído o objectivo e já no regresso ao aquartelamento, foi a cauda da força flagelada com volumoso fogo, quando atravessava um descampado. Acorreu prontamente o Furriel Rios à retaguarda, incentivando a reacção das nossas tropas. Conseguiu que a parte do grupo flagelado manobrasse com rapidez sobre o inimigo, que perante a ameaça de envolvimento, debandou, furtando-se ao contacto. Mostrou assim serena energia debaixo de fogo, coragem, decisão, sangue-frio e desprezo pelo perigo.

Durante a operação "Espectro", em que tomou parte também voluntariamente, foi o Furriel Rios vítima da sua dedicação e espírito de combatividade ao ser gravemente ferido à queima-roupa, quando tentava capturar um elemento inimigo que avistara em fuga, elemento esse que explorado convenientemente certamente contribuiria para um melhor cumprimento da missão.

Pelos motivos apontados, considera-se o Furriel Rios como um militar voluntarioso, abnegado, corajoso e cumpridor dos seus deveres, pelo que se tornou digno da maior consideração por parte dos seus superiores e admirado pelos seus subordinados, constituindo assim um exemplo vivo do Soldado Português.

Fonte: Excertos de Portugal. Estado-Maior do Exército. Comissão para o Estudo das Campanhas de África, 1961-1974 [CECA] - Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África (1961-1974). 5.° volume: Condecorações Militares Atribuídas, Tomo IV: Cruz de Guerra (1967). Lisboa, 1992, pág. 260
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Notas  do editor LG:


(**) Último poste da série > 24 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27945: In Memoriam (578): Silvério Pires Dias (1934 - 2026), o "senhor Pifas", por antonomásia, radialista do Programa das Forças Armadas em Bissau (1969/74), faleceu no passado domingo, aos 91 anos; era casado desde 1960 com a Maria Eugénia, a "senhora tenente"