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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28308: III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XIII: semana de 28 de abril a 1 de maio









Prompt e orientação  editorial: Luís Graça
Geração gráfica assistida por IA:
Google (2026). Gemini (versão de 31 de agosto de 2026) 
[Grande modelo de linguagem].





Andorinha: marca de azeites portruugueses, desde 1927, com forte implantação no mercado ultramarino (e em especialo Brasil), também conhecida em Timor. Desde 2004, é uma marca da Sovena
Fonte: loja Portugal Nosso (com a devida vénia... )


1. Continuação das crónicas de 2019 (III Viagem a Timor-Leste) do nosso amigo (e membro da Tabanca Grande), Rui Chamusco, professor de música reformado, a viver na Lourinhã. Vai a Timor Leste todos os anos desde 2016 (exceto na pandemia, 2020, 21 e 22). Ele é um exemplo vivo de amor à lusofonia. Ele e a associação que ajudou a fundar (a ASTIL). 

Essa história merece ser conhecido pelos nossos leitores, os amigos e camaradas da Guiné. E, a propósito, vão fazer 81 anos, em 11 de setembro, que o Japão do miligtarismo imperial  se rendeu formalmente, em Timor-Leste, aos Aliados, depois de uma dolorosa ocupação do território desde a madrugada de 19 de fevereiro de 1942 (que terá custado muiti mais de 40 mil vidas, de timorenses, portugueses, australianos,  holandeses e outros)


 III Viagem a Timor-Leste : 2019 (Rui Chamusco, ASTIL) - Parte XIII: semana de 28 de abril a 1 de maio


29.04.2019, segunda feira - O azeite que vem da andorinha...

Nada acontece por acaso. Nesta manhã de domingo em que alguns até já foram à missa, cada um está entretido como lhe convém. Uns trabalhando na construção civil, outros preparando o almoço, e outros, os “doutores”, com referência ao Gaspar Sobral e a mim, trabalhando nos computadores.

Esta manhã já por três vezes falhou a corrente elétrica. E, como se diz “não há dua sem três”, à terceira foi de vez. Não prevendo o seu restabelecimento, aproveitamospara, juntos, pormos a conversa em dia.

Foi então que eu disse: 

   Acabo de publicar uma notícia no facebook sobre a oliveira mais antiga de Portugal. Tem três mil e quinhentos anos e situa-se em Mouriscas, perto de Abrantes. 

O anúncio causou muita admiração e alguns comentários. Mais ainda quando souberam que esta oliveira ainda dá azeitonas, o precioso fruto do qual se extrai o saboroso azeite de que os portuguese tanto gostam.

O Aquino, um jovem entre os vinte e os trinta anos, que estava acompanhando a conversa, teve uma reação surpreendente quando ouviu dizer que das azeitonas se extrai o azeite, e disse: 

  Ãh?!... O azeite vem das azeitonas? Mas aqui em Timor pensávamos que vem das andorinhas!...” 

E conta até que, quando era mais jovem andava pelo arvoredo à procura de andorinhas, pois eram elas que davam o azeite.

Isto tem a sua graça e alguma piada. Ainda hoje podemos encontrar aqui em Dili latas com azeite da marca “Andorinha”.

Uma história ingénua, inocente, mas que nos faz orgulhosos por em Portugal termos tantas oliveiras e tantas andorinhas. E viva o azeite nacional!...

30.04.2019,terça feira  - Uhau!... Que coragem!...

Há momentos que passou por aqui, acontece com frequência, a irmã do Tobias, uma senhora de quarenta e seis anos, com boa aparência, casou com um senhor indonésio e geraram doze filhos: dois faleceram e os outros dez estão a viver na Indonésia.

Perante a minha admiração de uma senhora daquela idade ter dado à luz doze filhos, a Aurora prontamente rematou e disse:

   A Romana, filha mais velha do Amari, irmão do Gaspar, tem uma madrinha que teve 18 filhos. Estão todos vivos e habitam em Vilaverde, aqui bem perto de nós.”

Claro que esta notícia tem sido objeto de muitas conversas. Se fosse em Portugal daria logo parangona para o "Correio da Manhã" ou outros jornais do género. Aqui em Timor é normal as famílias serem numerosas. Outrora não havia planeamento familiar, as pessoas casavam cedo e não havia os entretimentos de agora. Por isso compreende-se que perante tantas horas de lazer, o amor e a paixão desembocassem em relações amorosas muito produtivas. Hoje a situação está mais controlada.

E quando eu comento a baixa natalidade nos países de Europa, e particularmente em Portugal, depressa alguém me sugere para levar casais timorenses para repôr o número de habitantes que nos faz falta. Estes timorenses são mesmo “garanhões!...”

Pois é! Fazer filhos pouco custa. O mais difícil é criá-los e educá-los. Ou então, fazer como o Catorze, assim chamado pelo número de filhos que fez que, em terras de França (arredores de Paris) não precisava de trabalhar porque a segurança social superentendia todos os gastos, mais o abono dos filhos. Fazer filhos pode ser uma profissão para alguns. Com uma boa dose de amor, tudo é possível...

30.04.2019 - Galinhas que voam...

Galinhas e galos são os seres vivis que aqui mais abundam, exceptuando as pessoas.

De manhã à noite a sua presença é notória no cacarejar e no piar destas aves. Há rituais diários que elas observam: o despertar matinal, o cantar quando a galinha põe o ovo, as horas da refeição (normalmente ao final da tarde), o empoleirar quando a luz do dia se esvai.

E foi aqui que constatei a perícia destes galos e galinhas que, em vôo direto, arrancavam do chão até qualquer ramo de uma árvore vizinha ou até qualquer telhado de zinco, de mais ou menos de três a quatro metros de altura. Acontece que algumas acabam por não conseguiram superar esta prova diária. Pois é! Têm a sentença traçada: vão ser mortas e depenadas para serem depois cozinhadas. E aí vem uma canjinha de galinha para nosso proveito e regalo.

Os galos mais fortes são para venda, para a luta de galos, onde se fazem grandes apostas e se fazem algumas fortunas. O galo mais bonito cá da casa até já tem comprador. O Carlitos, um vizinho aqui ao lado, já ofereceu cinquenta dólares, preço que o Eustáquio, dono do bicho, considera bom negóciol

É assim. Os grandes e fortes safam-se; os mais pequenos e mais frágeis eliminam-se.

Onde é que eu já ouvi isto?...

01.05.2019, quarta feira  - “Vinte ou trinta dólares... e tudo se resolve.”

Temos que ouvir e ver para podermos acreditar.. O Amali, perante a eminência de amanhã termos de viajar em mikrolete, saiu-se comesta: 

   Se o Tiu quer, eu levo a carreta”. 

E perguntei-lhe: 

   Mas tu tens carta de condução?” 

   Não   respondeu ele.

    Então como queres conduzir?

   Eu sei     retorquiu, confiante.

    E se a polícia te apanha?!

    Não faz mal! Uma nota de 20 dólares resolve o problema.

Cada vez mais atónito, ouvia os seus comentários. 

   Aqui em Timor funciona assim.Havendo dinheiro tudo é possível. Se quer carta de carro dá cem; se quer carta decarro grande (camião) dá duzentos; se... 

E continuou com os “se”, coisa que ´já não me é muito estranha. Aqui, como no México onde um polícia depois de me conceder o favor de passar onde estava proibido, me sussurou “não dá propina?”... e lá foram uns euros para o seu bolso..  Muita coisa funciona à base de moeda “ossan”. 

Que uma criança te peça uma moeda é compreensível. Mas instalar-se este sistema em serviços de favores que vão até não sabemos onde, é muito grave. Pagam-se os favores e nãoos serviços. E nunca sabemos até aonde poderá chegar esta espiral de negociação.

Possivelmente estamos a caminho da corrupção, este bicho de sete cabeças tão procurado em todo o mundo.

   Não Amali. É preferível irmos de mikrolete!...

01.05.2019 - Maio... maduro Maio!

O mês de Maio chegou como sempre, alegre e contente, cheios de flores, projetos, coisas boas, porque este é o tempo que mais nos agrada, que mais nos convém. É o ciclo do ano a atingir a maioridade, a tomar conta de si próprio.

Em todo o mundo se fala do dia do Trabalhador, do dia da mãe, de festas e romarias.

É o “Maio das Cantigas”. Por todo o lado há manifestações, como que a indicar a esperança de vida nova que gurgita das reinvindicações que os movimentos sociais, políticos e religiosas organizam.

Maio...maduro Maio. Tal e qual como nós, o ano tem o seu percurso, desde o seu nascimento até ao fim. E de certeza que tem algum orgulho neste mês onde tantas coisas acontecem. Como um filho bem amado, que num agregado familiar de doze irmãos se vão sucedendo ao logo dos dias, das horas, dos minutos e dos segundos.

Que tenhas muitos anos de vida!...

01.05.2019 - Estadia ... e regresso

Hoje, dia 2 de Maio, termina o visto de de permanência turística em Timor. Isto tem sido uma baralhada de todo o tamanho. Nós a pensar que a declaração da embaixadora de Timor leste em Lisboa onde está escrito “o cidadão Rui Manuel Fernandes Chamusco viaja para Timor por tempo indeterminado, afim de apoiar edesenvolver os projetos de solidariedade iniciados em 2016, etc, etc...) era legalmentesuficiente para garantir a permanência, e afinal de pouco ou nada serve. De porta em porta, de serviço em serviço, de pessoa em pessoa... e ninguém assume aresponsabilidade de qualquer decisão favorável. O Gaspar bem se tem esforçado parafazer valer os direitos de tal declaração, mas por falta de entendimento ou de coragemninguém assume nada. 

Reconheço o incómodo desta situação, e até tenho pena de alguns funcionários que se desfazem em atenções perante este problema. Só que,como eles dizem, têm medo de tomar uma decisão que depois venha a ser contestada pelos superiores. O que eu vos digo, é que já me cansam estas andanças de um lado para o outro.

E, como não se via solução para este imbróglio, não houve outro remédio senão pedir o prolongamento de estadia por mais um mês. Ainda que contrariado, lá tive de pagar trinta e cinco euros. O Gaspar diz que é tempo suficiente para reinvindicar a nossa (minha) posição. Sinceramente, não acredito que se consiga o reconhecimento da declaração da embaixada de Lisboa.

Problemas de estadia e de regresso... Quem puder entender que entenda...

01.05.2019 - Microlete...o transporte do povo

A viagem de hoje a Dili foi em microlete, o transporte do povo. Motores (motorizadas), microletes, táxis, angunas, bis (pequenos autocarros), carretas, carros e aviões são os veículos que, num frenesim constante, circulam pelas estradas, ruas e caminhos deste país, e particularmente de Dili, a capital.

Pela primeira vez durante esta estadia, eu e o Amali viajamos em microlete até ao Serviço de Fronteiras, no Ministério do Interior. Nada de estranhar, pois durante as outras duas estadias bastantes vezes assim eu viajei. Simplesmente quero acentuar que esta carrinha, equivalente em Portugal a uma carrinha de nove lugares, mais parece uma lata de sardinhas, não havendo lotação de lugares. Há sempre lugar; aperta-se até caber. Resultado evidente são os encostos forçados, (alguns até são agradáveis), os suores escorrendo dos rostos, os saltos e ressaltos que as ruas cheias de buracos proporcionam. 

O Amali até comentava comigo: 

   O Ti Rui tem sorte!

 Só porque eu ia encostado a duas moças, uma de cada lado. Esta malta nova não sabe que eu já sou um katuas com 72 anos já bem feitos?!

No fim da viagem de ida e volta, senti-me com o dever cumprido, que é: viajar como a gente mais pobre viaja, partilhar o calor sufocante e o suor, cruzar sorrisos, viver como eles vivem. Isto é encarnar o seus modos de viver. É difícil mas é possível.

(Seleção, revisão/fixcaçáo de texto, negritos, título: LG)

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Nota do editor LG:

Último posted a série > 25 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28294: III Viagem a Timor-Leste: 2019 (Rui Chamusco /ASTIL) - Parte XII : Que futuro para os jovens que, dizem, são o futuro ?!

terça-feira, 16 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28103: Timor-Leste: passado e presente (35): Barlaque: casamento tradicional e modernidade, o verso e o reverso (resumo analítico de artigo, publicado pelo Diligente, excelente jornal digital, feito em Díli)


Prompt original e composição editorial: Luís Graça.

Texto: Luís Graça + Rui Chamusco

Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.

Barlaque: ritual de união familiar ou ataque à igualdade de género?
Autoria: Equipa do Diligente
Fonte: Diligente (16 de julho de 2023)


1. Sobre a "Equipa do Diligente", convirá saber o seguinte:


“Sobre as pessoas. Para as pessoas”

Somos um grupo de jovens jornalistas timorenses ansiosos por melhorar a indústria dos media no nosso país. Queremos difundir informação imparcial que possa ajudar as pessoas a enfrentar todas as questões sociais e económicas com pensamento crítico.

Queremos que o povo timorense seja ouvido. Queremos que todos estejam conscientes do que se passa no nosso país.

Ambicionamos ser um projeto inovador, com uma aposta forte em trabalhos de investigação, reportagens, podcasts e outros conteúdos informativos.

Como primeiro website informativo totalmente em português, em Timor-Leste, temos a preocupação acrescida de produzir conteúdos de fácil compreensão e explicar assuntos complexos de forma simples.

Vamos dar voz aos cidadãos, promovendo debates sobre os direitos humanos e a defesa das minorias, ao mesmo tempo que mostramos ao mundo a riqueza cultural de Timor-Leste e os aspetos que o tornam único.


2. Aqui vai uma sinopse crítica do artigo supracitado, estruturada, para melhor legibilidade.   Inclui os pontos-chave, as tensões culturais e as vozes dissonantes, além de uma reflexão final que convida ao debate.

O barlaque (ou barlak, em tétum) é uma tradição ancestral timorense que formaliza o casamento através da negociação entre famílias, envolvendo a troca de bens (dinheiro, animais, adornos como belak ou kaebauk) como símbolo de união e respeito. 

Originário do termo indonésio berlaki (mulheres com companheiro para casamento), o ritual divide-se em três fases:

(i) Tuku odamantan (“bater à porta”): 

primeiro contacto entre famílias, a do pretendente e a da futura noiva, com troca de presentes simbólicos: cigarros, vinho, cabrito, noz-de-areca (equivalente à noz-de-cola africana).

(ii) Hamos dalan (“abrir o caminho”): 

cerimónia de reconhecimento mútuo, onde a mulher passa a integrar a família do homem (fetosán), e os homens da família da noiva se tornam umane (herdeiros da uma lisan, casa sagrada).

(iii) Kahe aitahan (“prenda”): 

casamento cultural, com troca de anéis e fios de ouro/p e prata; aqui, define-se se o sistema é patriarcal (kaben sai: a mulher e filhos passam à uma lisan do homem) ou matriarcal (habanin: o homem entra na uma lisan da mulher).

A Face oculta: violência, dívida e desigualdade

O artigo desmonta o mito da “união familiar” ao expor casos concretos de exploração económica e opressão de género (os nomes são fictícios, para proteger a privacidade das pessoas entrevistadas):

  • Martinha, mãe de duas filhas, recusa o barlaque por considerá-lo uma "venda de mulheres": os tios da noiva (figuras centrais no processo) decidem o valor e ficam com a maior parte, reduzindo a mulher a um objeto de transação. 

A recusa de Martinha em ser "barlaqueada" (sic) gerou conflitos familiares, mas a sua resistência expôs uma verdade incómoda: mulheres barlaqueadas são frequentemente vítimas de bullying, violência doméstica e controle excessivo por parte do marido e da família do marido.

“Se eu não fosse a um funeral ou não soubesse cozinhar, seria alvo de ofensas. Não quero ser propriedade de ninguém.”

  • Yane Maia, revisora linguística, viu o seu casamento desmoronar-se devido a conflitos entre sistemas matriarcais e patriarcais, na cultura Bunak (matriarcal), as mulheres barlaqueadas não podem pertencer à uma lisan do homem, sob pena de “maldição de morte” para si e para os filhos; a família do marido recusou um compromisso híbrido, demonstrando a rigidez de um sistema que nega autonomia às mulheres.

Mais de 50% das mulheres timorenses (15-49 anos) já sofreram violência física ou sexual por parceiros masculinos (fonte: CEDAW/ONU). 

O barlaque, segundo o artigo, agrava esta realidade: casais endividados para pagar o ritual (que pode ir até aos 20 mil dólares, num país em que os rendimentos médios mensais andam na casa dos 150 dólares) vivem sob stress extremo, gerando divórcios e agressões.
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O artigo opõe três perspetivas

Defensores
do Barlaque
Críticos
do Barlaque
Neutrais
(Antropólogos)

Eugénio Sarmento (lia-nain):

o barlaque é um fator de união familiar e respeito pela fertilidade da mulher.

 
A violência doméstica não é culpa da tradição, mas de “pessoas que não a compreendem”.
Berta Antonieta (ativista feminista):
´
o barlaque reduz a mulher a um bem material, equiparando-a a búfalos ou dinheiro.

A cultura é dinâmica e deve ser mudada.
Alessandro Boarccaech

o barlaque é um facto social com dois lados: união familiar vs. discriminação.

A violência doméstica está ligada a fatores estruturais (educação, hierarquias, álcool, políticas públicas).

Josh Trindade
(antropólogo): os objetos trocados não são para “comprar” a mulher, mas para valorizar a sua fertilidade.

Critica os “colonialistas” que julgam a cultura sem a conhecer.

Martinha/Yane Maia
:

o ritual perpetua a desigualdade e a violência, especialmente quando as famílias pobres usam as filhas como fonte de rendimento.
Paulino dos Santos (engenheiro):

propõe reduzir os custos do barlaque e de outros rituais (lia mate, lia moris) para evitar pobreza e divórcios.
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O Debate Central: Tradição vs. Direitos Humanos

O artigo levanta questões incómodas e urgentes:


(i) O barlaque é compatível com a igualdade de género?

  • Os defensores argumentam que o ritual simboliza respeito e consolida laços familiares.
  • Os críticos respondem que, na prática, a mulher perde autonomia: os tios decidem o seu valor, e ela passa a ser “propriedade” da família do marido (ou, no caso matriarcal, o homem é que se torna dependente).
(ii) O barlaque é a causa da violência doméstica?

  • Não diretamente, segundo os antropólogos: a violência tem raízes mais profundas (educação, poder, álcool).
  • Mas legitima-a: ao tratar a mulher como um bem transacionável, o ritual normaliza a sua subalternização, criando um ambiente propício ao abuso.

(ii) Pode o barlaque adaptar-se aos tempos modernos?

  • Josh Trindade sugere que o pagamento pode ser fracionado (em prestações), aliviando a pressão financeira.
  • Berta Antonieta propõe uma revolução cultural: “A cultura foi feita pelo homem, mas é dinâmica. Podemos mudá-la.”
  • Alessandro Boarccaech questiona: “Para que serve o barlaque hoje? É justo? Respeita a diversidade?

Reflexão final: um espelho para Portugal  ( e Guiné-Bissau) ?

O artigo do Diligente é um retrato cru de como a tradição pode ser ao mesmo tempo um pilar cultural e uma prisão

OkEm Timor-Leste, o barlaque é um sistema complexo, com nuances entre o matriarcal e o patriarcal, mas com um denominador comum: a mulher é o último elo da cadeia de decisão.

Paralelos com Portugal

  • A dote (ou enxoval ou bargal) em Portugal também já foi um símbolo de status e negociação familiar, mas evoluiu para um gesto simbólico.
  • A violência doméstica em Portugal (como em Timor-Leste) tem raízes culturais profundas, muitas vezes mascaradas por “tradições”.
  • A resistência de Martinha lembra as mulheres portuguesas que, nas décadas de 60/70, recusaram casamentos arranjados pelas famílias ou a submissão ao marido, "chefe da família.
  • A igualdade da mulher perante a lei em Portugal é um direito fundamental consagrado no Artigo 13.º da Constituição da República Portuguesa, que garante que todos os cidadãos são iguais e proíbe qualquer discriminação com base no sexo.A revisão do Código Civil, que entrou em vigor em abril de 1978, marcou uma revolução histórica nos direitos das mulheres em Portugal. Pela primeira vez, a lei instituiu a igualdade de género no casamento, abolindo o estatuto de dependência legal e económica da mulher face ao marido.
  • A revisão do Código Civil, que entrou em vigor em abril de 1978, marcou uma revolução histórica nos direitos das mulheres em Portugal. Pela primeira vez, a lei instituiu a igualdade de género no casamento, abolindo o estatuto de dependência legal e económica da mulher face ao marido.
  • As principais alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 496/77 incluíram: (a) fim da figura de "chefe de família": o poder de decisão exclusiva do marido sobre o agregado familiar foi eliminado; (b) gestão conjunta do património: o marido deixou de ser o único administrador dos bens do casal, passando a direção da família a pertencer a ambos os cônjuges.

Pergunta para os leitores do nosso blogue:

Até que ponto uma tradição (o "fanado", por exemplo, ou o "casamento infantil", na Guiné-Bissau) pode ser “respeitada” se ela perpetua desigualdades ou tem práticas que atentam contra os direitos humanos ?

 Será o barlaque um ritual de união… ou um mecanismo de controle social ? 

Veremos, em próximo poste, algumas semelhanças com o casamento tradicional na Guiné-Bissau.

Nota para citação: Sinopse crítica elaborada por LG +  IA  ( Vibe  / IA Mistral Medium 3.5) a partir do artigo “Barlaque: ritual de união familiar ou ataque à igualdade de género?”, publicado no Diligente, 16 de julho de 2023.

(Revisão / fixação de texto, negritos, links, título: LG)
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 11 de maio de 2026 > Guiné 61/74 - P28012: Timor-Leste: passado e presente (34): a revolta de Manufai (dez 1911 / out 1912) - Parte I

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Guiné 61/74 - P28012: Timor-Leste: passado e presente (34): a revolta de Manufai (dez 1911 / out 1912) - Parte I


"Um contingemte de soldados de artilharia e infantaria embarcou no África com destino a Moçambique, a fim de que possam ser destatacadas forças d'aquela provínica para Timor, onde os régulos fizeram há pouco um movimento de revolta que as nossas autoridades sufocaram, sendo necessário, todavia, assegurar ali  com a presença de tropas mais completa tranquilidade.

"É sobretudo na região d' Oecússi que é maior a agitação provocadas por medidas políticas para o régulo  [Boaventura Boaventura da Costa Sottomayor], cujo pai  [Duarte da Costa Sottomayor ] foi um tão dedicado amigo de Portugal que seus filhos foram educados à custa do governo na colónia de Macau"


Legendas: 1 - No tombadilho do Africa os soldados da coluna. | 2 - Os oficiais da coluna ao centro o comandnate, tendo à direita os srs. tenente Ribeiro da Fonseca e alferes Cidrães e à esquerda os srs. tenente Domingos Vicente e alferes Cabeçadas. |  3 - A despreocupação dos soldados expedicionários. | 4 - A coluna formada antes do embarque. | 5 - O embarque das tropas. - Clichés de Benoliel.

Fonte: Ilustração Portuguedsa, 2ª série, nº 325, 13 de maio de 1912, pág.640 (Cortesia de Hemeroteca Digital / Câmara Municipal de Lisboa)


Pélissier, René — Timor em Guerra: A Conquista Portuguesa (1847-1913). Lisboa: Editorial EstampA, 2007, 512 pp.


Sinopse: "A partir do estudo de fontes portuguesas e holandesas, a obra analisa, nomeadamente, mais de cinquenta campanhas e expedições, necessárias à Monarquia e à Primeira República para que os guerreiros timorenses se tornassem súbditos portugueses.

"Neste livro, o leitor ficará a saber como o governador José Celestino da Silva (1894-1908) foi o grande aniquilador da resistência dos «reinos locais» e um «precursor» da unidade luso-timorense. O que não impediu a eclosão e o esmagamento assaz sangrento da última grande revolta (1911-1912) contra a Administração colonial.

"Sem maniqueísmo e com uma atenção aos pormenores inigualada até hoje, esta obra faz cair por terra alguns mitos relativos à presença portuguesa na Oceânia."



Timor Leste > Parque Dom Boaventura. Comemoração,  dos 20 anos do referendo sobre a independência da Indonésia (1999-2019), e centenário da revolta de Manufai.

A estátua (gigante)  de Dom Boaventura foi inaugurada em 23 de novembro de 2012, por ocasião da comemoração do 37° Aniversário da Proclamação da Independência (28 de Novembro de 1975 – 28 de Novembro de 2012) e do 1o. centenário da Revolta de Manufai ( 1912-2012), liderada por Dom Boaventura ( que terá morrido no desterro, em Moçambique).

Foto: cortesia de Wikimedia Commons (editada pelo Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, 2024)


1. No tempo da República, Timor era, como as restantes colónias portuguesas, parte integrante de Portugal (segundo o artº 2º da Constituição de 1911). 

TÍTULO I - DA FORMA DO GOVERNO E DO TERRITÓRIO DA NAÇÃO PORTUGUESA 

ARTIGO 1.º A Nação Portuguesa, organizada em Estado Unitário, adopta como forma de governo a República, nos termos desta Constituição.

ARTIGO 2.° O território da Nação Portuguesa é o existente à data da proclamação da República.

 § único -  A Nação não renuncia aos direitos que tenha ou possa vir a ter sobre outro qualquer território. (Fonte: Assembleia da República)

A desastrosa, precipitada, mal planeada e sangrenta participação de Portugal na I Guerra Mundial, foi justificada pelos políticos da República como o  imperioso dever do país face ao imperalismo alemão que olhava, com olhos de ave de rapina, territórios como Angola e Moçambique.  

Em contrapartida, Timor ficava longe da Europa e podia ter menos interesse para as grandes potências coloniais, com exceção da Holanda (hoje Países Baixos)...

A República (1910-1926)  sempre defendeu, para as colónias, um modelo de descentralização administrativa e financeira, com recurso a um Alto Comissário ou governador. 

A instabilidade política, militar, social e económica da República não permitiu o aprofundamento e aperfeiçoamento do modelo. (Em 16 anos, houve 45 Governos e 2 Juntas, incluindo governos de um só partido, coligações e governos militares; 8 Presidentes da República Eleitos pelo parlamento, com grande instabilidade no cargo;  refira-se ainda a elevada rotatividade dos governos e a grande crispação política, para além da participação na I Grande Guerra, crise económica, social e sanitária, etc.)

Com a  Ditadura Militar (a partir de 1926) e o Estado Novo (a partir de 1933), há um claro retrocesso na autonomia administrativa e financeira das colónias.  O Acto Colonial (1930) vai ser integrado na Constituição de 1933. É o triunfo da perspetiva imperial na relação metrópole-colónias.

A relação da República com Timor e os timorenses também não será pacífica, em parte por inabilidade dos republicanos... 

Há a  "revolta indígena"  de Manufai (1911/12),  cuja história merece ser melhor conhecida dos nossos leitores. Ocorreu  durante o governo de Filomeno da Câmara Melo Cabral (o primeiro governador republicano, 1911/13  e 1914/17). (Nasceu em Ponta Delgada, em 1873, e morreu em Lisboa, em 1934; foi governador, controverso,  de Timor em dois períodos, 1911-1913, e 1914-1917; na sua última comissão, em 1915, foi promovido a capitão-tenente.)

O território (do que é hoje Timor Leste) estava  dividido em 71 reinos, cada um com o seu liurai e a sua pequena corte e o seu pequeno exército!...  
 
Houve  causas próximas para explicar a revolta de Manufai de 1911/12, e  que seria uma réplica da iniciada em 1895 (ao tempo do governador Celestino da Silva).

 Desta vez foi iderada por Dom Boaventura da Costa Sottomayor, filho de Dom Duarte da Costa Sottomayor:

(i) A mudança de regime em Portugal (1910) e a imposição da bandeira republicana (verde e vermelha):    foram vistas como uma ruptura de um pacto simbólico com a Coroa, a quem muitos liurais, como Boaventura, juravam lealdade; a bandeira monárquica (azul e branca) era vista como sagrada e associada a uma relação de vassalagem direta com o rei de Portugal, não com o presidente da República; os timorenses davam (e ainda dão) muita importância a símbolos nacionais como a bandeira:  a sua lealdade ia para o rei e para a bandeira "azul e branca" da monarquia, que de repente  é substituída  (em 29 de novembro de 1910); durante a revolta, o "gentio" amotinado, sob o comando de Dom Boaventura, usaram a bandeira monárquica como emblema de luta, reforçando a ideia de que estavam a defender não só os seus direitos seculared, mas também uma relação histórica com Portugal que a República havia rompido;

(ii) a ambiguidade e a instabilidade da transição política foram aproveitadas  pela Holanda (uma monarquia)  para incitar os timorenreses à revolta contra os "novos senhores" da metrópole, e pôr em causa as fronteiras do território;

(iii) a substituição da "finta" pelo "imposto de capitação " (equivalente ao "imposto de palhota" na Guiné) vem afetar os poderes gentílicos, semifeudais,  limitando o poder discriconário dos "régulos" (ou "liurais"), 

(iv) o recrutamento forçado de trabalhadores ("corveia") para as plantações de café e algodão;

(v) a proibição do abate de árvores de sândalo e de animais para rituais tradicionais; 

(vi) a resistência (aberta)  à autoridade colonial portuguesa, que procurava consolidar o controlo sobre as estruturas tradicionais de poder timorenses;

(vii) a escassa presença militar portuguesa no território (agravada pela longa distância,por via marítima, entre Lisboa e Díli, funcionando Moçambique como uma espécie de entreposto ou base recuada);

Não temos elementos para perceber  o papel da Igreja Católica, que, em alguns casos, era vista como aliada dos portugueses, mas também como mediadora entre as populações locais e o poder colonial; a igreja, nesta época, era claramente antirrepublicana, e o jesuitas tinham sido expulsos, ainda em 1910, do território.

O aumento do imposto de capitação (a "finta" ou "imposto e cabeça") e o arrolamento de coqueiros e gados, a principal riqueza dos timorenses), a par da proibição do corte de árvores de sândalo (prática sancionada com multas), serão talvez  as razões mais visíveis que levam a despoletar a revolta de Manufai.

A partir do reino de Manufai, a revolta conquista grande adesão das populações e levará mais tempo a ser debelada. 

A revolta foi militar, tendo sido subjugada por uma conjugação de forças que envolveu:
  • militares portugueses metropolitanos;
  • militares provenientes das colónias portuguesas (de Goa, de Macau e principalmente de Moçambique,  os "landins").
  • e, sobretudo, aliados dos reinos timorenses.
As forças africanas e nativas correspondiam a 88% dos efetivos militares envolvidos, segundo o historiador René Pelissier (2007).

A resposta foi militar, com o envio de tropas  oriundas da metrópole. A artilharia fez grandes razias. Aldeias inteiras são arrasadas. As baixas entre os revoltosos vão reflectir-se mais tarde na demografia do território. Fala-se em 5 mil a 20 mil mortos, números difíceis (ou impossíveis hoje) de confirmar. 

A par disso, e como seria de prever, a forte repressão vai agravar as relações entre colonizados e colonizadores... 

Aponta-se como  início formal da revolta o dia 24 de dezembro de 1911, domingo, véspera de Natal . Essa data marca o ataque ao posto de Same: o primeiro-tenente Luiz Alvares da Silva, da marinha, é  morto e decapitado, à frente da mulher.

A guerra vai decorrer até meados de 1912 num movimento de cerco e aniquilamento das forças rebeldes, acabando de levá-las à rendição. Todavia, o destino do líder da revolta ainda hoje é controverso: terá sido  poupado e desterrado para Moçambique.

O Estado vai anexa terras dos vencidos (caso da futura Sociedade Agrícola Pátria e Trabalho). O poder dos "liurais" passou a ser mais simbólico, mas mesmo assim o governador Filomeno da Câmara soube depois imprimir uma dinâmica de desenvolvimento e pacificação efetiva do território, política que será prosseguida com algum êxito até à II Guerra Mundial.

O triunfo das autoridades portuguesas e seus aliados vai marcar a consolidação da até então precária soberania  em toda a parte oriental da ilha.( A delimitação da fronteira só fica resolvida em 25 de junho de 1914, com a decisão do tribunal de Haia sobre o diferendo relativamente ao enclave de  Oecússi-Ambemo: a demarcação no terreno só vai acabar em abril de 1915.)

A revolta do régulo de Manufai será o último dos grandes levantamentos contra a autoridade colonial. E tende hoje a ser vista como uma "revolta protonacionalista", de cariz anticolonialista, "avant la lettre" (Figueiredo, 2003).


Carlos Bessa (2004, pág. 333) tirou deste período trágico da história de Timor  (e de Portugal) a  seguinte conclusão:

(...) A nobreza nativa sairá muito enfraquecida destas campanhas, mas, mesmo assim, a autoridade portuguesa continuou a não pretender ser mais do que superestrutura aglutinadora e arbitral das autoridades nativas dos vários reinos, embora se tornasse marcante factor de identidade e unificação política através da influência de uma cultura luso-timotense e do catolicismo,  contrapostos ao islamismo e à influência calvinista holandesa excercida na restante Indonésia, do que resultou o tão impressionante e conhecido culto dos Timorenses pela bandeira portuguesa".
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Bibliografia:

Bessa, Carlos : "Timor Do Domínio Liurai à Pacificação Portuguesa", in Manuel Themudo Barata e Nuno Severiano Teixeira, ed. lit - Nova Históriaa Militar de Portugal. Vol. 3. S/l: Círculo de Leitores.  2004. 323-333.

Figueiredo, Fernando Figueiredo, "Timor (1910-1955), in: "História dos Portugueses no Extremo Oriente", 4º volume: Macau e Timor no Períod0 Republicano", dir. A. H. de Oliveira Marques, Lisboa: Fundação Oriente, 2003, pp. 521-575.


Pélissier, René — Timor em Guerra: a Conmquista Portuguesa (1847-1913).                            Lisboa: Editorial EstampA, 2007, 512 pp.

Pesquisa: LG + Bibliografia + Wikipedia + IA (Le Chat Mistral AI | ChatGPT Open AI)

(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos, links, parênteses retos: LG)
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27678: Agenda cultural (911): "Complexo Brasil", uma exposição a não perder na Fundação Calouste Gulkenkian até ao próximo dia 17 de fevereiro





Data - 14 nov 2025 – 17 fev 2026  | 10:00 – 18:00
sáb, 10:00 – 21:00 | Encerra à Terça

Local: Galeria Principal e Galeria do Piso Inferior | Fundação Calouste Gulbenkian (FCG)

Preço: 8,00 € – 14,00 € Incluído no bilhete Exposições Temporárias Gulbenkian e All-inclusive
 
Domingo: Entrada gratuita das 14:00 – 18:00. Levantar presencialmente o bilhete numa das bilheteiras da FCG



Sinopse
 
Reunindo obras de arte, vídeos, peças musicais e documentos vários, a exposição complexo brasil propõe uma viagem pela cultura brasileira, procurando problematizar as relações seculares entre o Brasil e Portugal e promovendo o diálogo entre os dois países.

Com curadoria de José Miguel Wisnik, Milena Britto e Guilherme Wisnik, a exposição não é concebida como uma simples mostra de objetos, mas como uma travessia de experiências que pretende dissolver estereótipos e abrir novas perspetivas de entendimento.

Projetada por Daniela Thomas, a mostra ocupa as duas galerias do Edifício Sede da Fundação Calouste Gulbenkian, e é acompanhada por um programa de atividades paralelas e por uma publicação, que amplifica a investigação realizada pela equipa curatorial.

Esta exposição contém conteúdos inadequados para crianças e suscetíveis de ferir a sensibilidade dos visitantes.


Fonte: Fundação Calouste Gulbenkian

2. Alguns destaques feitos pelo editor LG, que visitou  a exposição no passado dia 25 de janeiro, e recomenda-a aos amigos e camaradas da Guiné. 

Recomenda-se também o livro-catálogo, "complexo brasil" (org. de José Miguel Wisnik, 2025, 240 pp.) (23,00 euros, preço de capa). 

Não perder os vídeos. E, claro, a Amazónia. Com calma e vagar, é uma tarde em que se aprende muito sobre  o "complexo Brasil" e o "Brasil complexo"...Que eu  não conheço, ao vivo e a cores. Talvez visite na próxima incarnação, se ainda existirem os povos da Amazónia.

Da página 11, reproduz-um excerto do discurso do Chico Buarque, na entrega do Prémio Camões, 2023:

"O meu pai era paulista, meu avô pernambucano, meu bisavô mineiro e meu tataravô baiano. Tenho antepassados negros e indígenas, cujos nomes meus antepassados brancos trataram de suprimir da história familiar. Como a imensa maioria do povo brasileiro, trago nas veias o sangue do açoitado e do açoitador (...).

E mais este excerto, delicioso, de Sérgio Rodrigues ("Qual o sabor da nossa língua?", 2023), pág. 14: 

"O português brasileiro não tem só acúcar, mas também dendê, sal, pimenta,alho, urucum,tucupi e cachaça  (...)."









Cabeças do Bando de Lampião. Fotografia.Arquivo Instituto Salles / ICCA e Sociedade do Cangaço










Denilson Baniwa (Brasil), The Call of the Wild / Yawareté tapuya, 2003 / O Chamado da Natureza//Yawareté Tapuia, 2023. Tina acrílica e pastel de óleo sobre tela  100 x 130 x 3,5 cm Antonio Murzi & Diana Morgan.

Fotos (e legendas): Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026), com a devida vénia *a FCG e aos curadotres


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Nota do editor LG:


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27572: Documentos (48): Brochura "Missão na Guiné", da autoria do Estado Maior do Exército. 3ª ed. (Lisboa, SPEME, 1971, 78 pp.) - Parte V: aspecto humano (continuação): Governo e administração; resumo histórico (pp. 40-50)


Capa do livro: Portugal. Estado Maior do Exército - "Missão na Guiné". 

Lisboa: SPEME, 1971, 77, [5] p., fotos.


1. Tem valor ,"sentimental"  mas também "documental" esta brochura do Estado Maior do Exército, que nos era distribuída já a bordo do navio que nos transportava para a Guiné (ou do avião dos TAM, a partir de finais de 1972). Estamos a reproduzir a brochura da 3ª edição,  de 1971.

Tem 77 páginas (mais 5 inumeradas) e é ilustrada com  9 fotos.  Tudo a preto e branco. Baratinho. A edição é do SPEME (Serviço do Publicações do Estado Maior do Exército).  Em 1967 (de 1958 a 1969) era Chefe do Estado Maior  (CEME) o gen Luís Câmara Pina (1904-1980). 

É constituída por três partes:  (i) Missão no Ultramar;  (ii) Monografia da Guiné: aspeto físico, humano e económico;  (iii) Informações úteis. 

Vamos continuar a reproduzir, sem comentários,   a parte da monografia respeitante ao aspeto humano (pp. 40-50). Esperamos que os nossos leitores possam fazer a sua apreciação (crítica) do documento. Tal como o PAIGC tinha os seus documentos de doutrinação e propaganda, também as NT tinham os seus. "Missão na Guiné" não era um texto apenas técnico e informativo. Tinha uma componente político-ideológiica, como acontece em todas as guerras.

apresentados pelo Ministro do Ultramar ou pelo Governador
 (função consultiva).

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(Continua)


Fonte: excertos de Portugal. Estado Maior do Exército: "Missão na Guiné". 
 Lisboa: SPEME, 1971, pp. 40-50.


(Seleção, edição de fotos e páginas, fixação de texto: LG)
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Nota do editor LG: