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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P27381: In memoriam (588): António Dâmaso (ex-srg-mor pqdt) (1940-2026): Textos publicados no blogue dos Especialistas da BA12 - Parte III: De Elvas a Tancos: como é que eu fui parar aos paraquedistas e fiquei apurado, no dia em que Portugal perdeu a Índia



Foto nº 1A



Foto nº 1B


Fotos nº  1

Elvas > Regimento de Lanceiros nº 1 > 1961 > Recruta > O António Dâmaso é o 2º da 1ª fila, a contar da esquerda para a direita  (Vd. em detalhe, a foto nº 1A).


Foto (e legenda): © António Dâmaso (2011). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (ChatGPT / Open AI].



Excerto da 1ª página o "Diário de Lisbos", 20 de dezembro de 1961


(1961), “Diário de Lisboa”, n.º 14016, ano 41, quarta, 20 de dezembro de 1961, Fundação Mário Soares e Maria Barroso / Ruella Ramos (Diário de Lisboa e Sempre Fixe), Disponível em: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_16535 (consultado em 2026-09-27)


1.  António Dâmaso, srgt mor pqdt  reformado (Odemira, 12/6/1940 - Lisboa, 22/9/2026), com três comissões na Guiné ao serviço do BCP 12  (1966/67, 1969/70 e 1972/74), é  
membro da Tabanca Grande desde 26/7/2009, tendo  à data da sua morte mais de 4 dezenas referências no nosso blogue. Publicou diversos postes aqui e no blogue dos Especialistas da Base Aérea 12 (Guiné, 1965/74).


Não é muito habitual os paraquedistas, antigos combatentes da guerra do ultramar / guerra colonial, "abrirem o livro" da sua vida, civil e militar... 

Entre eles, há o que se pode chamar um "pacto de silêncio" (o mesmo sucede com outras tropas especiais, como os comandos e os fuzileiros). E também há o "pudor social"... que, num blogue de pares como nosso, limita, condiciona  ou até inibe a partilha de memórias mais pessoais ou íntimas.

O Dâmaso é (ou foi) uma das exceções que confirmam a regra do "pacto de silêncio". Daí nos sentirmos na obrigação, em sua homenagem (e em homenagem também  aos camaradas que com ele combateram, brava e galhardamente, no CTIG), de recuperar e divulgar, para um público mais vasto, alguns postes que ele entendeu mandar em exclusivo para o blogue dos nossos camaradas da BA 12, fundado pelo nosso querido Victor Barata, que infelizmente também já realizou o seu "último voo". 

Recorde-se que na época (desde 1955 e até 1993), os "boinas verdes" estavam integrados na Força Aérea e consideravam-se, eles próprios (e com razão), uma "tropa de elite". 

Sabe-se pouco sobre o  "lado humano" das tropas especiais: por exemplo, o que é que levava os jovens, oriundos do povo, a oferecerem-se como voluntários, para os paraquedistas, em plena guerra do Ultramar, a partir de 1961... quando o império colonial português se começou a desmoronar... Falar apenas em "patriotismo" é redutor...

A motivação humana é complexa, mas também passa pelo "pão com manteiga"... Já que tenho a tropa, porque não fazê-la em Tancos onde me ttatam muito melhor do que em Elvas ? 

 A seleção era exigente e o treino muito duro: o Dâmaso relata que metade dos 30 candidatos que foram com ele,  de Elvas para Tancos,  chumbaram nas provas físicas e exames médicos...E depois sabia-se que os paraquedistas não iam propriamente para África para fazer... "sol & praia".

Nascido no Baixo Alentejo, em Odemira, o Dâmaso tinha apenas a 4ª classe do ensino primário. Mas já trabalhava em Lisboa ( " já tinha mundo"),  quando, aos 21 anos, foi chamado para cumprir o Serviço Militar Obrigatório. 

Mostrou, entretanto, ter "físico" e "aptidões psicotécnicas" para 1º cabo e condutor auto... 

Em abril de 1962 já tinha o "brevet" de paraquedista.  Em 1966, está na Guiné como furriel (ligado ao serviço de manutenção auto, a "ferrugem", do BCP 12).  Mas também foi operacional, como 2º sargento, na Guiné (onde esteve na batalha dos 3 G, em Guidaje,  em Gadamael) e em Moçambique (onde participou na Op Nó Górdio). 

Com 20 anos de paraquedistas, e 4 ou 5 comissões em África (3 na Guiné), atingiu o  topo da hierarquia da classe de sargentos, tendo-se reformado  como sargento-mor.  

Podia ter feito, julgamos nós,   o curso de oficiais, mas optou por trabalhar como enfermeiro e depois técnico de radiologia, no Hospital da Força Aérea e por fim no Centro de Saúde da sua terra, Odemira,  durante mais 30 anos... 

Os sargentos, oriundos de praças, foram a espinha dorsal dos paraquedistas na guerra de África, e alguns chegaram a oficiais... Eram homens com experiência de liderança no terreno e conhecimento prático de diferentes teatros de operações.  Tinha outro "calo", outra maturidade, outro saber-ser, saber-estar e saber-fazer que, se calhar, faltava a alguns ou até muitos dos oficiais subalternos ( milicianos ou até do QP).

As tropas especiais não gostam de dar a conhecer o "outro lado da lua"  das suas vidas e atividade operacional. No brilhante historial do Regimentos de Caçadores Paraquedistas, durante a guerra do Ultramar, não houve apenas  "honra & glória", mas também alguns insucessos, pontos fracos,  tricas,  rivalidades, problemas disciplinares, etc., como em todas as organizações e instituições. (Como se costuma dizer, nenhum de nós é perfeito, só juntos podemos sê-lo.)

Este depoimento, escrito já aos 70 anos (e cuja pontuação revi, o Dâmaso escrevia como falava...) tem grande interesse documental, sociologicamente falando... 

Neste texto, a seguir, ele conta-nos como é que, chamado a fazer a recruta no Regimento de Lanceiros 1, em Elvas, em agosto de 1961,  e acabou por ir, como voluntário, em dezembro desse ano, para o Regimento de Caçadores Paraquedistas (RCP), em Tancos. (Originalmente publicado no Blogue Especialistas da Base Aérea 12, Guiné 1965/74 >  domingo, 16 de outubro de 2011 > Voo 2530: Venturas e Desventuras da Vida Militar; corrigimos a pontuação, fizemos a revisão e fixação de texto.)



Fur pqdt António Dâmaso, BA 12, BIssalanca,
Natal de 1966


De Elvas a Tancos: como fui parar aos paraquedistas, e fiquei apurado, no dia em que Portugal perdeu a Índia

por António Dâmaso


(i) Corria o mês de agosto de 1961, já tinha feito 21 anos de idade (em 12 de junho) e tinha atingido a maioridade. Como estava a trabalhar em Lisboa recebi uma carta da terra (Odemira)  a dizer que tinha de lá ir levantar umas guias  para ir para a tropa, cumprir o Serviço Militar Obrigatório.

Uma vez chegado à terra, dirige-me ao regedor que me deu uma guia de marcha e uma requisição de transporte para Elvas. 

Passei a noite de 20 de agosto a andar de camioneta e comboio, tendo chegado à estação de Elvas pela manhã, por sorte havia transporte à espera.

Assentei praça no Regimento de Lanceiros 1, situado no Forte de Santa Luzia,  em Elvas. No dia 21 de agosto de 1961, fiz exame psicotécnico para condução auto, tendo ficado aprovado. 

No mesmo dia foi-me perguntado se queria ir para a Polícia Militar, ao que respondi que não,  por ter presenciado as abordagens que a PM fazia aos magalas em Lisboa.

Depois entrei de licença registada até 15 de outubro, data da incorporação, fui integrado no CICA 3 / RL 1, Elvas,   para frequentar a instrução de condutor auto simultaneamente com a recruta.

Em Elvas existiam duas Unidades, Regimento de Caçadores 8 (RC 8) e Regimento de Lanceiros 1 (RL 1). 

No pico de um cerro havia um presídio militar a que chamavam o Forte da Graça. O trabalho dos prisioneiros era descerem com barris para carregarem água às costas, alguns diziam que chegavam lá acima despejavam a água para virem buscar mais.

A instrução estava a decorrer com normalidade até que sofri o primeiro revés na vida militar: as nossas malas com os pertences civis foram guardadas numa arrecadação, a minha mala tinha os meus pertences, o meu melhor fato, camisa, camisola, sapatos de biqueira quadrada e o dinheiro que tinha levado.

Como a alimentação além de escassa era de inferior qualidade (e eu precisava de suplemento alimentar),  vi-me na necessidade de ir à mala levantar mais dinheiro para poder ir à cantina aviar-me de sandes para me alimentar... Azar dos azares, da mala nem rasto.

Dois ou três dias depois a dita mala apareceu num palheiro que ficava ao lado do refeitório e em frente à minha caserna, mas arrombada e sem nada dentro. Claro que dali para a frente, até receber algum dinheiro de casa, passei fome.

(ii) Quando fui informado de que os paraquedistas pediam voluntários, apesar de na altura dizerem que o pessoal que optava por servir nas Tropas Páraquedistas era todo maluco, não liguei e vi ali uma maneira de me escapar daquele local. 

Ofereci-me imediatamente e comecei a praticar saltos em altura e exercícios com cordas no picadeiro.

Já tinha feito exame de condução, jurado bandeira em 8 de dezembro, feito a escola de cabos e passado ao CIACA (Centro de Instrução de Adaptação de Condução Auto) para adaptação a todas as viaturas de rodas existentes no Exército.  

Depois de ter feito nove tiros, estava apto para embarcar para Angola,  integrando qualquer Companhia ou Batalhão, como aconteceu aos meus camaradas que ficaram em Elvas, até que recebi guia de marcha para embarcar no comboio das 21,25 no dia 18 de dezembro para ser submetido a exames médicos e provas psicofísicas, e lá fomos cerca de trinta elementos com destino a Tancos.

Embarcámos numa carruagem de 3.ª Classe, a que nós chamávamos o comboio do Texas porque aquele tipo de carruagens faziam parte dos cenários dos filmes de cowboys por ter portas dos dois lados e ao meio dois bancos corridos de madeira em ripas virados um para o outro não existindo corredor para comunicação.

Chegámos à estação de Almourol por volta das duas da manhã do dis 19, tínhamos elementos do RCP para nos indicarem o caminho e lá fomos a pé e entrámos na porta de armas do antigo mas ainda recente BCP, já à data RCP.

Levaram-nos para uma companhia de alunos onde nos colocaram no sótão com uns colchões estendidos e duas mantas para passar o resto da noite.

No dia seguinte  (20 de dezembro) fomos ao pequeno-almoço e verificámos que estávamos num mundo diferente, dois pães com manteiga e marmelada, café com leite à descrição, com um pequeno-almoço daquela natureza pensámos estar preparados para o que viesse.

Lá me fui desenvencilhando das provas físicas, salto do muro, salto em altura, salto para a lona, salto em comprimento, corrida de velocidade, subir uma corda a pulso de 8 metros de altura, exercícios físicos, até que me apareceu a prova de boxe... 

Calçaram-me umas luvas pesadas, que só elas pelo peso cansavam, colocaram-me um adversário na frente, cometemos a estupidez de combinar não bater com muita força, fomos apartados e puseram-nos com outros adversários. 

Aqui ainda existiu a combinação, claro que mais uma vez novo adversário e o aviso de que a prova de boxe era eliminatória... Disse para o meu adversário para me desculpar porque dali para a frente era pancadaria a torto e a direito, até nos entusiasmámos e demos e levámos pancadaria até sentirmos o cansaço do peso das luvas.

Com o almoço ainda ficamos mais maravilhados com a qualidade e quantidade, tratava-se nada mais, nada menos, de que uns bons bifes, coisa que não tínhamos tomado nem o cheiro em Lanceiros 1. Já ao jantar embora primoroso, não o pude saborear convenientemente devido ao murro que tinha levado nos queixos que me dificultava a mastigação.

No dia seguinte (dia 21 de dezembro) foi à inspecção médica para os que tinham passado nas provas físicas: fomos metidos numas viaturas Bedford 4 x 4, com umas rodas enormes e levados para o Posto de Socorros da BA 3. Foram considerados aptos para o paraquedismo cerca de 50%. 

Os que chumbaram voltaram para a unidade e os aprovados ficámos adidos ao RCP e entrámos de licença registada, isto no dia em que se soube que Portugal disse adeus à Colónia Indiana.

Durante os dois meses que estive em Elvas, depois de ter sido roubado,  tinha um pó aquele local. Já a primeira experiência de vivência em grupo foi positiva, tinha no meu Pelotão uns indivíduos bem apanhados, havia um que sonhava alto, depois de ter feito exame de condução, escreveu uma carta à mãe e à noite a dormir desbobinou o conteúdo da mesma.

-Querida mãe, fiz exame e fiquei bem..., chega-te 
para lá Moreira… (Passados que são 50 anos ainda me lembro do nome de alguns.)

O Regimento de Lanceiros 1 foi extinto a 25 de Abril de 1975.

Saudações Aeronáuticas

A Dâmaso

(Seleção, revisão / fixação de texto, negritos, links, título: LG)
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27746: Documentos (57): A retirada de Madina do Boé (Hilário Peixeiro, ex-cap mil inf, cmdt, CCAÇ 2403 / BCAÇ 2851, Nova Lamego, Piche, Fá Mandinga, Olossato e Mansabá, 1968/70)


Foto nº 1 > Guiné >  Zona Leste > Região de Gabu > Canjadude > Op Mabecos Bravios > 2 de fevereiro de 1969 >  Concentração das NT em Canjadude, quartel guarnecido pela CCAÇ 5, "Gatos Pretos".


Foto nº 2 > Guiné >  Zona Leste > Região de Gabu > Canjadude > Op Mabecos Bravios > 2  fevereiro de 1969 >  Canjadude foi o local onde as NT se reuniram para o início, propriamente dito, da Operação. À esquerda os pilotos da FAP Cap Pilav José Nico (filmando) [, hoje ten gen pilav ref] [1] e o Sarg mil  Honório [2] e o Cmdt da Operação, Cor Inf Hélio Felgas [, Cmd Agrup 2957, Bafatá, 1968/70][3].

Fotos (e legendas): © Hilário Peixeiro (2011). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




1. Este é o testemunho do cor int ref Hilário Peixeiro, ex-capitão, cmdt da CCAÇ 2403 / BCAÇ 2851, Nova Lamego, Piche, Fá Mandinga, Olossato e Mansabá, 1968/70. Reeditamos o seu relatório da Op Mabecos Bravios, agora na série "Documentos" (*).

 
Natural de Beja, vive atualmente em Elvas. É da colheita de 1941. Deu há dois anos uma extensa entrevista ao jornal "Linhas de Elvas, sobre a sua história de vida, a sua carreira militar e a sua participação no 25 de Abril.  É membro da nossa Tabanca Grande desde 10 de maio de 2011. Tem 18 referências no nosso blogue. Tem página no Facebook. É particante de golfe,.
 
 
A retirada de Madina do Boé  

por Hilário Peixeiro

Durante o mês de Janeiro [de 1969] tiveram lugar os preparativos e reconhecimentos na zona do Boé, com vista à Operação de evacuação de Madina do Boé, denominada “Mabecos Bravios”.

Para além da CCaç 1790, local, comandada pelo Cap inf  [José] Aparício,  participaram na operação outras 6 Companhias [incluindo a CCaç 2405, Destacamento F].

A 2 de Fevereiro [de 1969] a CCaç 2403, com 3 Gr Comb [Destacamento D ], deslocou-se para Canjadude e depois para o Cheche onde chegou já no final do dia, transportada nas viaturas destinadas ao transporte, no regresso, dos materiais da CCaç 1790 e da população de Madina. 

Desta vez todos os Gr Comb eram comandados pelos respectivos alferes.

Juntamente com a CCaç 2405, do Cap Jerónimo [Destacamento F], atravessou o Corubal numa das jangadas, recém-construídas para o efeito, indo cada uma ocupar as colinas que flanqueavam a estrada para Madina, à esquerda e à direita. 

Quando as Companhias se separaram, já noite fechada, o IN lançou 2 granadas de morteiro sobre a estrada, sem consequências, o que, 15/20 minutos antes, poderia ter tido resultados bem diferentes. 

Na manhã seguinte [3 de fevereiro], as Companhias seguiram, apeadas, rumo a Madina, sempre sobrevoadas por 1 T6 ou 1 DO até ao final do dia.

 
Foto nº 3 > Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Cheche > Op Mabecos Bravios > 3 de fevereiro de 1969 > Progressão da coluna em direção a Madina do Boé, sob a proteção do DO 27 do srgt pil Honório


Foto nº 4 > Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Cheche > Op Mabecos Bravios > 3 de fevereiro de 1969 > Progressão da coluna em direção a Madina do Boé, sob a proteção do DO 27 do srgt pil Honório

A meio da manhã [do dia 3 de fevereiro] houve um reabastecimento de água, planeado e, mais à frente, não planeado, um fortíssimo ataque de abelhas à CCaç 2405  [Destacamento F] que deu origem à evacuação de alguns homens no heli do Comandante da Operação, Cor [Hélio]  Felgas, que aterrara entretanto.

Este contratempo provocou grande atraso na coluna e, a certa altura, o efeito do calor e das abelhas fez-se sentir mais acentuadamente sobre a CCaç 2405, tendo a CCaç 2403 [Destacamento D] que ia na retaguarda, passado para a frente com o intuito de pedir a Madina reabastecimento de água para o pessoal mais atrasado que estivesse em dificuldades. 

Quando, cerca de 10 minutos depois, um Gr Comb se preparava para sair do quartel, chegou a outra Companhia [CCAÇ 2405].

Enquanto o pessoal foi instalado,  os Capitães receberam do Comandante a missão para o dia seguinte  [4 de fevereiro] que consistia na ocupação dos morros que se estendiam a sul de Madina entre esta e a República da Guiné.


Foto nº 5 > Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Cheche > Op Mabecos Bravios > 3 de fevereiro de 1969  > Evacuação de vítimas de ataques de abelhas e insolação, com o helicanhão a sobrevoar a zona.
 

Foto nº 6 > Guiné > 
Zona Leste > Região de Gabu > Cheche > Op Mabecos Bravios > A caminho de Madina do Boé > 3 de fevereiro de 1969 > Viaturas das NT (Mercedes), abandonadas em colunas anteriores.


Foto nº 7  > Guiné > Zona Leste > Região de Gabu > Cheche > Op Mabecos Bravios > A caminho de Madina do Boé  > 3 de fevereiro de 1969 > Viatura das NT abandonada (Berliet)


Foto nº 8  > Guiné > 
Zona Leste >  Região de Gabu > Cheche > Op Mabecos Bravios > A caminho de Madina do Boé > 4/5 de fevereiro de 1969 > Viatura das NT abandonada (Berliet)


Foto nº 9 > Guiné > 
Zona Leste > Região de Gabu > Cheche > Op Mabecos Bravios >  Madina do Boé > 5 de fevereiro de 1969 > Reparação de GMC (rebocada) e sem paragem da coluna, de regresso a Cheche.

Quando se fez dia  [em 5 de fevereiro de 1969] o pessoal ficou surpreendido com o cabeço a que Madina estava encostada e os que a rodeavam. Eram autênticas “montanhas” na Guiné, onde tudo era plano. 

As Companhias ocuparam as elevações que lhes foram indicadas e aí permaneceram nesse dia enquanto as viaturas chegaram e no dia seguinte enquanto se procedeu ao seu carregamento com os materiais da guarnição e da população civil que ia ser deslocada para Nova Lamego. 

No dia 6 [de fevereiro], logo que se fez dia, deslocaram-se para a coluna que já se encontrava em movimento a caminho do Cheche, assumindo a segurança dos flancos e retaguarda. 

Antes de atingir o rio Corubal, a coluna ainda foi alvo de mais um feroz ataque de abelhas que só provocou, como vítimas, a morte de dois cães da população.


Foto nº 10 > Guiné >
Zona Leste >  Região de Gabu > Cheche > Op Mabecos Bravios >  6 de fevereiro de 1969 >  Imagem da jangada com a CCaç 2403 a embarcar para a última travessia antes da tragédia, na maregm sul (esquerda) do rio Corubal


Foto nº 11 > Guiné > 
Zona Leste > Região de Gabu > Cheche > Op Mabecos Bravios > 6 de fevereiro de 1969 >  Imagem da jangada com a CCaç 2403 a embarcar para a última travessia antes da tragédia.


Foto nº 12 > Guiné > 
Zona Leste >   Região de Gabu > Cheche > Op Mabecos Bravios > 6 de fevereiro de 1969 >  Imagem do pessoal da CCaç 2403 a embarcar para a última travessia antes da tragédia.

Fotos (e legendas): © Hilário Peixeiro (2011). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

As viaturas e pessoal foram atravessando o rio até só restarem as 2 Companhias e parte da CCaç 1790 de Madina. Comandava a operação de carregamento da jangada o Cap Aparício [da CCAÇ 1790]. 

Na penúltima travessia foram transportadas a CCaç 2403 e parte da CCaç 2405, tendo a primeira recebido imediatamente ordem do Cor Felgas para montar a segurança do flanco esquerdo da coluna que partiria, logo que pronta, rumo a Canjadude.

Para a última travessia, seria embarcado o pessoal que restava das CCaç 2405 e CCaç 1790, muito menos de 100 homens. 

Enquanto se aguardava a chegada do pessoal que faltava para a coluna se pôr em marcha foram disparadas 1 ou 2 granadas das armas pesadas do Destacamento do Cheche. 

Pouco depois surgiu um soldado a correr em direcção ao rio, a chorar, dizendo que a jangada se havia virado e que muita gente tinha caído à água no meio do rio. 

Através do rádio do Capitão,  foi ouvido o cor Felgas em comunicação com o general Spínola, que não esteve no local, dizendo que havia muitos homens desaparecidos no rio. 

Com grande atraso em relação à hora prevista, a coluna iniciou o deslocamento para Canjadude onde pernoitou.

No dia seguinte [7 de fevereiro] chegou a Nova Lamego, onde o Comandante-Chefe falou às tropas participantes na Operação.

Com a chegada da CCaç 1790 a Nova Lamego, a CCaç 2403 recebeu ordem de marcha para o Olossato com passagem por Fá Mandinga (...) e aí ficou mais de 1 mês, em missão de intervenção do Comando de Agrupamento de Bafatá. (...)

[Revisão / fixação de texto, parêntses retos, negritos: LG]
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Nota do edidtor LG:

(*) Último poste da série > 17 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27741: Documentos (56): A retirada de Madina do Boé (José Jerónimo, ex-cap mil, cmdt, CCAÇ 2405 / BCAÇ 2852, Galomaro e Dulombi, 1968/70)

quinta-feira, 3 de abril de 2025

Guiné 61/74 - P26647: A cidade ou vila que eu mais amei ou odiei, no meu tempo de tropa, antes de ser mobilizado para o CTIG (37): A Praça de Elvas onde à noite eram fechadas as portas da cidade! (Fernando Ribeiro)









Elvas > 2 de março de 2014 >  Confesso que é claustrofóbica... mas fotogénica... Não gostaria de lá viver...  Tinha 30 mil habitantes em 1950, 22,2 mil em 1970, 20,7 mil em 2021.

Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e as suas Fortificações": um  conjunto histórico-cultural classificado como Património Mundial da UNESCO em 2012,  

O sítio classificado foi fortificado de forma extensiva entre os séculos XVII e XIX, e representa o maior sistema de fortificações abaluartadas do mundo. No interior das muralhas, a cidade inclui grandes casernas e outras construções militares bem como igrejas e mosteiros. Enquanto Elvas conserva vestígios que remontam ao século X, as suas fortificações datam da época da restauração da independência de Portugal em 1640. Várias das fortificações, desenhadas pelo padre jesuíta neerlandês João Piscásio, representam o mais bem conservado exemplo de fortificações do mundo com origem na escola militar holandesa.

O sítio classificado compreende: Centro histórico | Aqueduto da Amoreira, construído para permitir resistir a longos cercos |  Forte de Nossa Senhora da Graça | Forte de Santa Luzia | Fortim de São Mamede | Fortim de São Pedro | Fortim de São Domingos   (Fonte: Adapt. de  Wikipedia)



Fotos (e legenda): © Luís Graça (2014). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]





Fernando de Sousa Ribeiro, ex-alf mil at inf, CCAÇ 3535 /
BCAÇ 3880 ( Zemba e Ponte do Zádi, Angola, 1972/74);
membro da Tabanca Grande desde 11 de novembro de 2018,
com o nº 780, tem 34 referências no nosso blogue.
Engenheiro, natural do Porto, é o administrador  
do blogue "A Matéria do Tempo", que mantém ativo
 desde janeiro de 2006 até hoje,
um caso notável de longevidade na Net.


1. Comentário de Fernando Ribeiro ao poste P26640 (*): 


Entre outubro e dezembro de 1971, dei uma recruta em Elvas, mais concretamente no Batalhão de Caçadores 8. 

Sobre a minha experiência pessoal não falarei, porque não quero passar por mentiroso.

A cidade de Elvas tinha naquele tempo mais militares do que civis. Era a chamada Praça de Elvas, que incluía o comando da Praça de Elvas, o Batalhão de Caçadores 8, o Regimento de Lanceiros 1, o CICA não-sei-quantos (não me lembro do número do CICA), o Forte da Graça (que embora já não estivesse dentro do perímetro da cidade, também fazia parte da Praça de Elvas) e até um hospital, aliás pequeno, que era o Hospital Militar da Praça de Elvas. 

Uma curiosidade com sabor medieval: à noite, eram fechadas as portas da cidade! A partir do momento em que as portas fossem fechadas, só se podia entrar e sair do centro histórico muralhado com autorização especial! Julgo que a autorização era muito fácil de obter por qualquer civil, mas ele tinha que a possuir...

O BC8 ficava num antigo convento, que tinha sido o Convento de S. Paulo, situado no ponto mais alto da cidade de Elvas, isto é, na vizinhança da capela de Nossa Senhora da Conceição. Na minha qualidade de aspirante, eu dormia num quarto que era uma antiga cela de frades, que dava diretamente para o claustro do convento. O claustro era muito aprazível e muito fresco (no inverno até era fresco demais), como são todos os claustros. Atualmente, funciona um hotel nas antigas instalações do BC8.

A recruta não era dada no antigo convento, mas sim num edifício histórico situado em frente, do outro lado da rua. Era neste edifício que ficavam as instalações da companhia de instrução e as casernas dos recrutas. A instrução era quase toda dada numa espécie de parada que havia atrás do edifício e se debruçava sobre a muralha da cidade. A companhia de instrução, portanto, ficava claramente separada do resto do BC8. Neste edifício histórico está agora um estabelecimento de ensino, pertencente ao Instituto Politécnico de Portalegre.

As condições de instrução no BC8 eram muito deficientes. A instrução de tática, então, tinha que ser dada nuns terrenos vizinhos do magnífico Aqueduto da Amoreira, enquanto os carros passavam ali mesmo ao lado, a caminho de Espanha ou de Campo Maior. Aquilo não tinha condições absolutamente nenhumas.

A roubalheira que havia no BC8 era escandalosa e como sempre feita à custa dos soldados. Fiz duas ou três vezes serviço de oficial de prevenção ao sábado, e observei, com estes que a terra há de comer, como eram desviados géneros alimentícios para as malas de carros que faziam bicha junto à porta das traseiras do edifício do convento, numa rua que desce para o Jardim das Laranjeiras.

 Não era por acaso que a comida no BC8 era péssima. A bela carne e o belo peixe eram desviados, enquanto os soldados roíam os ossos e as espinhas de bacalhau, que lhes eram servidos com manga-de-capote. E não conto mais nada, porque não quero ser tomado como mentiroso. (**)

2025 M04 2, Wed 18:24:05 GMT+1

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Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 2 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26640: A cidade ou vila que eu mais amei ou odiei, no meu tempo de tropa, antes de ser mobilizado para o CTIG (35): Elvas... Oh!, Elvas, oh!, Elvas, Badajoz à vista! (Mário Fitas)

(**) Último poste da série > 3 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26646: A cidade ou vila que eu mais amei ou odiei, no meu tempo de tropa, antes de ser mobilizado para o CTIG (36): Lamego, Amadora, Oeiras, Lisboa ... e depois Cufar ! (Mário Fitas)


quarta-feira, 2 de abril de 2025

Guiné 61/74 - P26640: A cidade ou vila que eu mais amei ou odiei, no meu tempo de tropa, antes de ser mobilizado para o CTIG (35): Elvas... Oh!, Elvas, oh!, Elvas, Badajoz à vista! (Mário Fitas)




Elvas > março de 2014 > Antiga Sé Catedral e praça da República

Foto (e legenda): © Luís Graça (2014). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Do Alentejo à Guiné: putos, gandulos e guerra > VI - Por Terras de Portugal: Tavira, Elvas, Lamego, Oeiras...

Elvas (pp. 29-30)


por Mário Vicente



O Mário Fitas, março de 2016, Magnífica Tabanca da Linha,  Oitavos, Guincho, Cascais. 
Tem 165 referências no nosso blogue.



Oh Elvas! Oh Elvas! Badajoz à vista!.

Velha praça cer­cada de belas e antiquíssimas muralhas, sua segunda terra, aqui veio parar (recordar Vagabundo. Voltou a casa de seus tios, voltou a casa de seus segundos pais, vivendo)

Torna a subir ao fortim da Srª. da Conceição. Entra na capela e contemplativo, olha para a imagem da Santa e vê quão diferente se tornou, desde os tempos de estudante quando por ali passava. É gratificante por vezes ficarmos assim sós e repensar tudo o que se passou regredindo, ou sonhando tentando na futurologia adivinhar o amanhã.

Como antigamente, sobe às ameias, por sobre as muralhas da Cisterna e do Jardim das Laranjeiras, revê as eiras onde tantas vezes jogou futebol. Espraiando a vista pela cidade, fica tempos deliciando-se com os píncaros das igrejas e as pontas do forte de Santa Luzia em cujas grutas com Picolo, Orelhas de Camurça e outros, caçavam morcegos.

Alongando mais a vista pela planí­cie, extasiava-se vislumbrando lá longe o fio de prata do Guadiana. Desce pela muralha, pára na velha Cisterna que resistente, continua a dar de beber à cidade. Revê a fonte ao fundo da rua dos Cavaleiros e o recanto onde tantas vezes jogou ao berlinde com Picolo. Vê a porta velha e os degraus da casa do Tio Pinga, e tem saudades dos seus tremoços. Enquanto desce até ao jardim das Laranjeiras, vai recordando os pregões típicos:

– Queijo assente Requeijão! Oh queijo assente!....

– Água da Plata, água fresquinha!...

–  Quem qué boiinhas, há bolo fesquinho, Caramelo americano!... Arvelhana torradinha… Chora minino chora qui o Rodas si vai embora!...

Relembra outros tempos de infância, e tantas figuras típicas desta sua segunda terra. Zé da Lorca, Tio Pinga, Isidro, Alcides e a sua galinha debaixo do braço, o Ica do Monte, o tio Rodas, o Matias à frente da Banda 14 de Janeiro, lançando fo­guetes em tardes de Pendões, a Sali Pompa na garagem do Painho, levantando as saias para a estudantada dar um tostão, e outros tantos mais, pessoas simples, desta maravilhosa cidade.

Que saudades!... Pontapeando as pedrinhas que encontrava, dava a volta até entrar novamente lá em cima nas Portas da Esquina e aí, então, admirava a magnificência do Aqueduto da Amoreira feito a custas do povo, pagando o selo real de imposto durante três gerações.

Demoradamente olhava!... por detrás do horizonte, sentia a sua terra e as terras do lado do norte. Endurecido resis­tia, mas no coração tinha um "bypass" não na veia mas de gra­vação: Tânia.

No fosso das velhas muralhas, tendo como fundo o belo Forte da Graça, os recrutas são ensinados, de uma forma humana e preparados para a guerra. Não é necessário tratá-los como animais. Há sã convivência e respeito mútuo. O pelotão tem como instrutores João Bar, Vagabundo e João Uva, que formam o trio "Locos". O pessoal pode rir quando a "égua" Luz aparece na muralha e João Bar alerta o cabo Monforte. Este raspa as botas da tropa na terra transformando-as em cascos e relincha como um garanhão com cio, enquanto a "égua" Luz se desmancha toda e bamboleia o traseiro.

O Tlinta e Tlês é aplaudido, quando se baba todo como um chibo, ao perder a virgindade com vinte anos. O trio paga todas as despesas da festa, e o Tlinta e Tlês quer mais! Faça-se a sua vontade, e a malta bate palmas e dá vivas ao herói nas casas próximo do Castelo.

– Nandinha! Sempre atenciosa e fogosa, foram tão simpáticas as noites e os momentos na tua casa. Nunca pensei que o João Uva ganhasse a aposta.

O trio não pára, de mota ou carro. Nos arredores da própria cidade, não há poiso certo. Os três são adorados pelos soldados básicos, na maioria do Baixo Alentejo. Não conseguem dar resposta aos convites para festins e patuscadas. Derivado dos transportes e ligações para as suas terras, toda a gente vai de fim-de-semana, com ou sem dispensa assinada, não interessa pois o código de honra é que manda. Segunda-Feira de manhã todos têm de estar presentes na chamada do pequeno-almoço. Não houve uma única falta em dezenas de homens! Felizes ficavam João Bar, Uva e Vagabundo.

Retorna a terras do norte mas clandestinamente. Fala sobre Tânia, mas mantêm-se firme. Os "Locos" mantêm-se unidos e convivem com as professoras de terras do Norte. Voltam os convívios com as miúdas da sua EICE - Escola Industrial e Comercial de Elvas. Os três entram nas brincadeiras. Há uma professora que se vê atrapalhada com as armadilhas, mas tudo na sã convivência. A professora cai no ardil montado pelo trio. As bonecas para a Mariazinha, pederasta, soldado lerdo das ideias e com a mania que era mulher, eram executadas na pró­pria aula da Formação Feminina com conhecimento da professora.

No Luso colégio das freiras, Vagabundo arranja uma "girl friend".

– Fomos loucos, não fomos, Tuxa? Mas com a ajuda da Gény foram tempos agradáveis!

Tinha de resistir aos ventos que sopravam dos lados do Norte, que tomavam o coração tão fraco, tão fraco, que a luz da candeia de ténue chama de resistência, várias vezes tremeu e o enfarte do miocárdio esteve eminente.

– Atenção cabo miliciano Vagabundo, tem uma chamada telefónica!

– Atenção cabo miliciano João Uva, tem uma chamada telefónica!

– Atenção alferes miliciano João Bar, tem uma chamada telefónica!

Os microfones do BC 8 ecoavam pelo quartel. Os sargentos Correeiro e Serralheiro, nas suas oficinas comentavam:

– Lá estão eles outra vez! Passam mais tempo ao telefone do que a dar instrução. Juntou-se ali uma trempe e peras! Não param na “canastra”. E depois o capitão ainda lhes dá apoio!... Deram volta aos soldados, mas pelo menos aqui anda tudo cer­tinho. Vá lá a gente entender estas coisas?!...

Loucuras de Vagabundo, sã amizade:

– Cély, foste simplesmente impecável, obrigado pela canção com o nome de Vagabundo. Foste recordada nos dias tristes de solidão e guerra.

– Teresinha da Praia, porquê?! Deliciosos tempos de gandulo, maravilhosos já de Vagabundo, fiquei em dívida para contigo por aquele lenço perdido no Circo.

– Tuxa! criança das loucuras! As contas dos bilhetes do cinema ficaram certas? Perdi-te a pista nas areias da Costa da Caparica. Fizeste bem em teres efectuado a substituição logo a seguir. A vida de Vagabundo também não valia muito.

Bons momentos, mas que iam cavando mais fundo a fossa em que o militar se afundava. A vida não pára e mais uma instrução básica, agora com o con­terrâneo e amigo Zé Luís, do Rossio de Cima como aspirante miliciano a comandar o pelotão. Belos tempos!...

Este cabo miliciano tem boa pele para se lhe tirar, por­tanto o melhor é mandá-lo para Lamego para as Operações Especiais. Vai dar um bom Ranger. Segue as pegadas de João Uva que já tinha partido.

(Contimnua)

(Seleção, revisão / fixação de texto para efeitos de publicação deste poste no blogue: LG)




Capa do livro (inédito) "Do Alentejo à Guiné: putos, gandulos e guerra", da autoria de Mário Vicente [Fitas Ralhete], o nosso querido camarada Mário Fitas, ex-fur mil inf op esp, CCAÇ 763, "Os Lassas", Cufar, 1965/67, e cofundador e "homem grande" da Magnífica Tabanca da Linha, escritor, artesão, artista, além de nosso grã-tabanqueiro da primeira hora, alentejano de Vila Fernando, concelho de Elvas, reformado da TAP, pai de duas filhas e avô.

Esta edição é uma segunda versão, reformulada, aumentada e melhorada, do livro "Putos, gandulos e guerra" (edição de autor, Estoril, Cascais, 2000, com apop da Junta de Freguesia de Vila Fernando, 174 pp.,).

A nova versão  (2010, 99 pp.) já foi reproduzida no nosso blogue. Tem prefácio do nosso camarada António Graça de Abreu.


Elvas > Março de 2024 > O Forte de Santa Luzia


Elvas > Março de 2024 > O Forte da Graça

Fotos (e legendas): © Luís Graça (2014). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


2. Comentário do editor LG:

Em 2014 lançámos esta série, "A cidade ou vila que eu mais amei ou odiei, no meu tempo de tropa, antes de ser mobilizado para o CTIG"... Ao fim de uma dezena de anos, já temos os depoimentos de mais de três dezenas de camaradas, alguns infelizmente já falecidos (como o Veríssimo Ferreira,  o Vasco Pires, o António Eduardo Ferreira, o  José Manuel Dinis)...

 Aqui ficam os seus nomes, por ordem cronológica de publicação do poste (entre parênte4ses o número do poste):

José Martins (1, 19) | Carlos Vinhal (2) | António Manuel C. Santos [Tomanel] (3) | António Graça de Abreu (4) | Luís Nascimento (5) | Manuel Amaro (6) | Veríssimo Ferreira (7) | José Colaço (8) | Fernando Gouveia (9) | Juvenal Amado (10) | Vasco Pires (11, 15) | António Eduardo Ferreira (12) | Francisco Bapatista (13) | Veríssimo Ferreira (14) |! Manuel Luís Lomba (16) | Mário Miguéis (17,22) | Henrique Cerqueira (18, 21, 27) | Hélder Sousa (23, 32) | José Manuel Dinis (24) | Jorge Picado (24A) | César Dias (25) | Luís Graça (25A) | Augusto Silva Santos (26) | António J. Pereira da Costa (28) | Paulo Rapos0 (29) | António Tavares (30) | Manuel Traquina (31) | | José Saúde (33) | Mário Fitas (34, 35) |

Observ - Houve algunds erros na numeração dos postes... 

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Nota do editor:

Último poste da série > 1 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26637: A cidade ou vila que eu mais amei ou odiei, no meu tempo de tropa, antes de ser mobilizado para o CTIG (34): Tavira... Nem bom cavalo, nem bom soldado! (Mário Fitas)

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

Guiné 61/74 - P24600: Álbum fotográfico do António Alves da Cruz, ex-fur mil at inf, 1ª C/BCAÇ 4513/72 (Buba, 1973/74) (2): O percurso de muitos de nós: Tavira (CISMI), Elvas (BC 8), Tomar (RI 15), T/T Uíge...


Foto nº 6 > Tavira > CISMI > Recruta > 2º turno 1972 Ao centro o Machado; o camarada da esquerda não recordo o nome; eu, à direita, de óculos.




Foto nº 7 > Tavira > CISMI > 1972 > Quando acabei a especialidade (atirador).



Foto nº 8 > Elvas > BC 8 > A dar recruta 4º turno 1972 [os pelotões eram numerosos, contam-se aqui quase meia centena de homens; o Cruz é o oitavo da fila de pé, a contar da direita]



Foto nº 9 > Tomar > RI 15 > 1973 : A formar o BCAÇ 4513/72 mobilizado para a Guiné: eu e o Victor Domingues com o nosso aspirante Jorge, no meio, de blusão, a formar o 3º pelotão da 1ª companhia.



Foto nº 10> T/T Uíge > Março de 1973, rumo à Guiné: da esquerda para a direita, Raposo, Cruz, Victor Domingues e Félix.



Foto nº 11 > T/T Uíge > Março de 1973, rumo à Guiné: O pessoal a dar ao dente a bordo do Uíge: da esquerda para a direita, Loução, Félix, Baeta e o outro camarada não recordo o nome.


Foto nº 12 > T/T Uíge > Março de 1973, rumo à Guiné: à minha direita, o Félix e à esquerda o Victor Domingues.



Foto nº 13 T/T Uíge > Março de 1973, rumo à Guiné: - No Uíge com o Félix

Fotos (e legendas): © António Alves da Cruz (2023). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Continuação da publicação de uma seleção de fotos do álbum do António Alves da Cruz (*).  Já em 2014 tínhamos descoberto a sua página do Facebbok, e publicámos dois postes. Já  na altura fizemos o convite, formal, para se juntar ao nosso blogue,  o que veio acontecer agora: é o novo membro, nº 880 da Tabanca Grande (**).

Ele fez o percurso de muitos de nós: Tavira (CISMI), Elvas (BC 8), Tomar (RI 15), T/T Uíge, conforme documenta as fotos acima publicadas... E depois Bolama (CIM),  de acodo com o próximo poste.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Guiné 61/74 - P21914: Tabanca Grande (514): Eduardo Ablu, ex-fur mil, CCAV 678 (Ilha do Sal, Bissau, Fá Mandinga, Ponta do Inglês, Bambadinca, Xime, 1964/66): senta-se à sombra do nosso poilão, no lugar nº 836


Foto nº 1

Foto nº 2


Cabo Verde >  Ilha do Sal > CCAV 678 > c. maio / julho 1964 > O ex-fur mil Eduardo Ablu




Foto nº 3

Guiné > Região de Bafatá > Bambadinca > Fá Mandinga > CCAV 678(1964/66)
 
Da esquerda para a direita: Furrieis [Manuel] Bastos [Soares], [Eduardo]Ablu, [Jorge] Ferreira (pai do Rui Ferreira), Primeiro Sargento Alberto Mendes, Furrieis Frazão, Matos e Guimarães.


Foto nº 3

Elvas > 2021 > Foto atual do Eduardo Ablu, novo membro da Tabanca Grande, nº 836  (*)

Fotos (e legendas): © Eduardo Ablu (2020). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].



1. Mensagem de Eduardo Ablu, ex-fur mil, CCAV 678 (Bissau, Fá Mandinga, Ponta do Inglês, Bambadinca, Xime,1964/66)

Assunto - Tabanca Grande

Data - domingo, 7/02/2021, 16:30

Boa tarde,  Luís.

Conforme pedido, para que possa entrar para a Tabanca Grande, aí vão os meus dados:

(i) sou o Eduardo dos Santos Roque Ablu,
(ii) natural e residente em Elvas, 
(iii) 79 anos de idade.
(iv) casado e 2 filhos,
(v)  e reformado da Banca.

Da vida militar, já sabem por onde andei:  Cabo Verde e Guiné.

Em relação às perguntas que me fazem..., pois não sei onde e como o Jorge Ferreira apanhou a bicicleta (**).

Se o Jorge, andou de LDM, também não posso dizer. Vê-se que fez, pelo menos, uma escolta [, a Catió] (**).

Enquanto estivémos em Bissau, houve colegas que fizeram escoltas e falaram em barcos de nativos a fazerem o reabastecimento. Foram e, só quando chegavam, estavam em segurança.

Envio as fotos pedidas, uma actual [, foto nº 4] e as outras [, fotos nº 1 e 2]  são da Ilha do Sal. Da Guiné já tinha mandei uma em grupo, tirada em Fá Mandinga [, foto nº 4](***)

Um abraço
Eduardo Ablu



Foto nº 5

Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Bambadinca > Julho de 1965 > Festa de 1º. aniversário da CCAV 678. Na mesa dos oficiais e sargentos, o 1º de frente e da esquerda é o Fur Mil At Manuel Bastos Soares, autor destas fotografias, natural de Vila Nova de Gaia e residente na Maia, Gueifães.


Foto (e legenda): © Manuel Bastos Soares  (2008). Todos os direitos reservados.[Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


2. Comentário do editor:

Ok, Eduardo, obrigado por teres aceite o nosso convite. Precisamos cá de malta do teu tempo, do caqui amarelo!... Como te disse, não há quotas nem joias. Já pagaste, já pagámos o pesado imposto....

A tal Companhia de Caçadores Especiais (, a designação caiu depois em desuso,), nº 302, que vocês foram substituir, esteve na Ilha do Sal entre 25/4/1962 e 18/5/1964. Por sua vez, a vossa CCAV 678 desembarcou do T/T do Uíge, na Ilha do Sal, em 20/5/1964. E partiu para o CTIG, três meses depois, no Contratorpedeiro Lima, em 17/7/1964.

Gostávamos de saber, camarada, o que é andaram por lá a fazer e se ainda havia vestígios da presença dos expedicionários do RI 11 (Setúbal) que estiveram no tempo da II Guerra Mundial, vinte anos antes,,, E depois gostávamos de saber também das vossas andanças lá para os lados de Bambadinca, Xime, Ponta do Inglês, que alguns de nós irão conhecer uns anos mais tarde...

Pergunto-te também se manténs contactos com mais camaradas da tua CCAV 678... Na nossa Tabanca Grande o único representante da tua companhia era, até agora, o Manuel Bastos Soares (desde novembro de 2008) (****).

Natural de Vila Nova de Gaia, o Manuel Bastos Soares vive na Maia. (Ficou de me mandar um foto atual, quando lhe telefonei em 2011; não tive mais notícias dele, espero que esteja vivo e de boa saúde.)

Recorde-se ainda que a tua CCAV 678 foi mobilizada pelo RC 7, partiu para o TO da Guiné em 18/7/1964 e regressou à Metrópole em 27/4/1966. Passou por Bissau, Fá Mandinga, Bambadinca e Xime. Teve 3 comandantes, todos do quadro permanente: Cap Cav Juvenal Aníbal Semedo de Albuquerque; Cap Cav Inácio José Correia da Silva Tavares; e Cap Art José Vitor Manuel da Silva Correia.

Pronto, Ablum senta-te no teu lugar, nº 836, e espero que possas a partilhar connosco mais memórias do tempo em que andaste, quatro anos antes de mim, por estes sítios (míticos) do leste: Fá Mandinga, Bambadinca, Xime, Ponta do Inglês...