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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27919: Casos: a verdade sobre... (67): Kalashnikovmania - Parte II




Foto nº 1 > Guiné > Região de Tombali > Guileje > CCAV 8350 (1972/74) > Março de 1973 > O  fur mil op esp J. Casimiro Carvalho empunhando, para a fotografia, A AK-47,  usada pelo Grupo do Marcelino da Mata, antes ou depois da operação de resgate do ten pilav Miguel Pessoa, cujo Fiat G-91 foi o primeio a ser abatido por um Strela sob os séus de Guileje, em 25 de março de 1973. Ao Casimiro Carvalho chamo-lhe o "herói de Gadamael", foi um dos bravos que ajudou a aguentar àquela posição, juntamente com os páras do BCP 12... O exército ficou-lhe a dever uma cruz de guerra...




Foto nº 2  > Guiné > Região de Tombali > Guileje > CCAV 8350 (1972/74) > Março de 1973 > O  fur mil op esp J. Casimiro Carvalho empunhando, para a fotografia, um RPG 7,  usado pelo Grupo do Marcelino da Mata, antes ou depois da operação de resgate do ten pilav Miguel Pessoa.



Foto nº 3> Guiné > Região de Tombali > Guileje > CCAV 8350 (1972/74) > Março de 1973 > O  fur mil op esp J. Casimiro Carvalho com a nossa metralhadora ligeira HK-21 que, com ele, "nunca encravava".



Foto nº 4 > Lamego > CIOE > c. 1971 > O soldado-instruendo J. Casimiro Carvalho,  na instrução com a  G3

Fotos (e legendas) : © J. Casimiro Carvalho (2009). Todos os direitos reservados [Edição e legendcagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné



1. O José Casimiro Carvalho foi fur mil op esp da CCAV 8350 ("Piratas de Guileje")  e da CCAÇ 11 ("Lacraus de Paunca"), tendo passado por Guileje, Gadamael, Nhacra e Paunca, entre outros sítios, entre 1972 e 1974. 

Nas quatro fotos acima, vemo-lo "aprendendo a amar" a G3 (em Lamego), usando a HK-21 (de fita ) (em Guileje) e depois, em março de 1973, ainda em Guileje, "dando uma voltinha com as gajas do IN", a AK-47 e o RPG 7K47 (*)..

Muito franca e honestamenet ele descobriu, no CTIG, que tinha (ou podia ter tido) 3 amores... O texto que se reproduz, abaixo,  é resultante de um seu  comentário, datado de 26 de novembro de 2010 às 14:58:00 WET, ao poste P7334 (*).

O J. Casimiro Carvalho é um histórico do nosso blogue para o qual entrou em finais de 2005. Tem uma centena de referências. É atualmente o régulo da TabanKa da Maia, cidade onde vive.

Eu tinha três... amores

por J. Casimiro Carvalho


Ele há coisas que não têm explicação.
Uma delas  são as armas.
Eu, em Lamego, adorava a G3.
Na Guiné adorava a HK 21 
falava com ela
ela compreendia-me,
pois eu a conhecia.
Comigo a gaja não encravava.

Posteriormente, já em Gadamael, 
apaixonei-me por aquela outra gaja, a AK 47.
E foi amor duradouro, caramba,
mas a gaja era mesmo boa,
que me perdoe a minha querida G3, 
pois não sou gajo de  traições.

Portanto, temos três gajas,
todas elas boas,
com as suas particularidades,
convenhamos.
Como as mulheres, né ?!

Um abraço deste vosso camarigo,
J. Carvalho

(Revisão / fixação de  texto: LG)


_________________

Notas do editor LG:


(**) Vd. poste de 25 de novembro de 2010 > Guiné 63/74 - P7334: Kalashnikovmania (4): O fetichismo da G3... Há amores que não se esquecem (Torcato Mendonça)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Guiné 61/74 - P27481: Fotogaleria do José António Sousa (1949-2025), ex-sold cond auto, CCAV 3404 / BCAV 3854 (Cabuca, 1971/73): viagem de saudade em 2010 - III (e última) Parte: Canquelifá, Buba, Guileje



Foto nº 14 > Antigo cais de Buba (?) > 2010 > Zé António  Gomes de Sousa é o primeiro à esquerda, e o Manuel Joaquina, também soldado da CCAV 3404.  Em segundo plano, alguém escreveu a tinta branca , em maiúsculas, "a paz".




Foto nº 15A, 15 B, 15 >  Canquelifá ? > 2010 > O José António Sousa é o primeiro a contar da direita, e o Rogério Paupério é o terceiro





Foto nº 16 > Guileje >Núcleo Museológico Memória de Guileje > 2010 > De pé,  da esquerda para a direita; João Paupério (filho do Rogério),  Pereira (familitar do Eugénio).  Rogério Paupério João BragaGomes de Sousa
De joelhos: da esquerda para a direita, Manuel Joaquina, António Faria  e Eugénio Pereira.

Atrás do grupo, uma peça de museu, um Unimog 404, das NT.



Foto nº 17 > Guileje >Núcleo Museológico Memória dfe Guileje > 2010 > Macaco-cão.



Foto nº 18 > Guileje >Nucleo Museológico Memória de Guileje > 2010 > Reconstituição do perímetro com arame-farpado e garrafas de cerveja vazias 



Foto nº 19 > Guileje >Núcleo Museológico Memória de Guileje > 2010 > Pórtico de entrada do antigo aquartelamento das NT


Foto nº 20 > Guileje >Núcleo Museológico Memória de Guiledje > 2010 > O brasão da CCAV 8350, "Piratas de Guileje", 1972/74. (O aquartelamento foi abandonado em 22/5/1973.)



Foto nº 21 > Buba >Painel do Parque Natural das Lagoas de Cufada > 2010 >


Foto nº 22 > Guiné- Bissau >  2010 >   Passeando nas ruas de Bissau Velho. O José António de Sousa, o Rogério Paupério (o 2º e o 3º a contar da direita, respetivamente) e demais companheiros.


Fotos: © José António Sousa  (2010). Todos os direitos reservados. (Edição e legendagem: Bogue Luís Graça & Camaradas da Guiné)


1. Em 2010, talvez em março,  em plena época seca, o José António Sousa (1949 - 2025), ex-sold cond auto, CCAV 3404/BCAV 3854 (Cabuca, 1971/73), voltou à Guiné (agora Guiné-Bissau), com mais um grupo de camaradas, entre eles  o Rogério Paupério e o Eugénio Antunes Pereira.
 
Tanto o Rogério Paupério como o Zé António  Sousa pertenciam na época ao Bando do Café Progresso bem como à Tabanca de Matosinhos. Mais tarde registaram-se na Tabanca Grande.

 Respondendo à nossa pergunta sobre quem foi com o José A. Gomes de Sousa à Guiné em 2010, o Rogério Paupério, que também foi, respondeu-nos:

(...) "Com este grupo foi o Manuel  Joaquina, soldado atirador, que também pertenceu à CCAV 3404 .

Foi também o Eugénio Antunes Pereira,  ex-furriel.  que esteve em Canquelifá em 72/74,  na CCaç. 3545. 

Houve outro de nome Pereira,  que esteve na Guiné 62/63 mas não sei a companhia. Dos outros,  um fez a tropa em Angola mas queria conhecer a Guiné.  Outro ainda foi um amigo e o meu filho.

Visitámos:
  • Bissau (hospital de Cumura) | Bambadinca | Bafatá | Gabú |Cabuca | Piche | Canquelifá
  •  Xitole | Saltinho | Quirafo | Quebo | Buba | Gadamael | Guileje (incluindo o Núcleo Museológico Memória de Guiledje)" (...)


(Revisão / fixação de texto, edição de imagem: LG

________________

Nota do editor LG: 

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Guiné 61/74 - P27335 O vinho... pró branco de 2ª e pró tinto de 1ª (4): transporte e recipientes


Guiné > Zona Sul > Região de Tombali > Pel Rec Fox 42 > 1964 > Fev / mai 1964 >  Ganturé > O sold cond auto Armando Fonseca na hora do repouso do guerreiro  a escrever, sentado, à porta da sua morança; em segundo plano, do lado direito, assinalado a amarelo, um garrafão de 10 litros,  usado pela Manutenção Miliutar para distribuir o vinho pelos destacamentos, guarnições mais pequenas que os aquartelamentos. Eram também usados pelos militares (e pela população) para transporte de água.

Foto (e legenda): © Armando Fonseca (2012). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




Guiné > Região de Tombali > Guileje > Pel Caç Nat 51 (1969/70) > Em 1972/73, a fonte que abastecia o aquartelamento e a tabanca de Guileje, distava cerca de 4 km. Ficava no Rio Afiá. No tempo da CART 2140 (1969/70 e do Pel Caç Nat 51, o abastecimento era manual e fazia-se com recurso a bidões, jericãs e garrafões (de 10 litros) (assinalado um, a amarelo). No tempo da CCAV 8350, a companhia que retirou de Guileje em 22/5/1973, havia já um bomba de água de água, a motor. 

Foto  do álbum do Armindo Batata, comandante do Pel Caç Nat 5 (1969/70)

Foto (e legenda): © Armindo Batata / AD - Acção para o Desenvolvimento (2007). Todos os direitos reservados [Ediºão e legendcagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné

..

Guiné > Região de Tombali > Guileje > CCAV 8350 (1972/73) > O fur mil op esp José Casimiro Carvalho, cuidando do jardim...Em segundo plano um conjunto de barris, já desconjuntados...  No tempo da CCAÇ 3325, em 1971,  terão tido melhor uso...

Foto: © José Casimiro Carvalho (2007). Todos os direitos reservados.  [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.]



Guiné > Região de Tombali > Guileje > CCAÇ 3325 > 1971 > O com-chefe gen António de Spínola a chegar (faria duas visitas nesse ano). Originalidade: o pavimento do acesso do quartel à pista de aviação (a chamada entrada VIP) era revestido com milhares de garrafas de cerveja. 

Numa série de barris sobrepostos (de 100 litros, parece-nos), no lado direito, lê-se, em Português, a inscrição a tinta branca "Boa-V(iagem)". Por baixo, a frase árabe بيت السلام (Bayt al-Salam):
  • بيت (Bayt) significa "Casa".

  • السلام (al-Salam) significa "A Paz".


É a nossa leitura com a ajuda da IA (Perplexity  e Gemini).  Ambas as frases exprimem votos, a quem chega,   de boa jornada, estadia e segurança naquele contexto (que era de guerra).

​Foto nº 18 do álbum fotográfico do cor inf ref Jorge Parracho

Foto: © Jorge Parracho (2007). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.]


 Transporte e recipientes do vinho



1. Num excerto do jornal "O Século", de 15 de janeiro de 1899 (citado por José Capela, "O Vinho para o Preto", Porto, Afrontamento, 1973, pág. 61), fomos encontrar expressão "barris de quinto ou décimo". 

O que eram exatamente estas medidas ? 

1. A "pipa"

No comércio vinícola português do século XIX (sobretudo no Norte), a pipa era a principal unidade de medida de capacidade para o vinho, equivalente a cerca de 520 a 550 litros, dependendo da região e do tipo de vinho. No Douro, por exemplo, 1 pipa ≈ 550 litros (às vezes também chamada “pipa de vinho do Porto”). Equivalente a 25 almudes.

A pipa fazia fazia parte do sistema das antigas unidades  de medida de capacidade para líquidos. A unidade da pipa acima era o tonel (2 pipas). O terno ficou no nosso léxico atual
 

Barril de 100 litros,
em castanho,´
já industrial. Dimensões (em cm):;
altura=80; bojo=50,
diâemtro da cabe=40
Fonte: Loja Agropecuaria

2.  “Barril de quinto” e “barril de décimo”

As expressões “barril de quinto” e “barril de décimo” indicam a quinta parte ou a décima parte de uma pipa.

Assim:

  • Barril de quinto = 1/5 de pipa ≈ 105 a 110 litros

  • Barril de décima = 1/10 de pipa ≈ 52 a 55 litros

Portanto, tratava-se de submúltiplos da pipa, usados sobretudo em contextos de comércio, transporte marítimo e exportação, quando não se justificava enviar uma pipa inteira, mais difícil de manobrar e acondicionar nos navios.

Esses recipientes (em madeira, em carvalho ou castanho, feitos pelos tanoeiros) eram menores do que a pipa,por  isso  mais manejáveis nos navios e nos portos africanos, e adequados ao comércio por retalho ou escambo com intermediários locais (muitas vezes “lançados”, afro-luso-descendentes ou comerciantes cabo-verdianos).

Por outro lado, o uso de medidas fracionadas da pipa permitia ajustar melhor os volumes exportados conforme as taxas alfandegárias e o poder de compra nos destinos africanos.

 3.  O transporte de vinho da Manutenção Militar para a Guiné (1961/74)

O fornecimento de géneros alimentícios, incluindo o vinho, ao CTIG, era da responsabilidade do Serviços de Manutenção Militar... No entanto, a forma como esse vinho chegava  ao BINT (Batalhão de Intendência), em Bissau, e às unidades e subunidades no mato,  revela os enormes desafios logísticos daquele teatro de operações.

A Guiné era, de facto, um território logisticamente muito complicado, dependente de transporte aéreo (helicóptero, DO-27, ou paraquedas, etc.), fluvial (lancha da marinha, barco civil ou "barco-turra") ou terrestre (coluna auto,  sujeita a minas e emboscadas).

Tudo indica que o transporte de Lisboa para Bissau fosse feito originalmente em barris (sobretudo de 100 litros) e não em pipas. Mais tarde (não sabemos exatamente quando, mas mais para o fim da guerra) terão aparecido os bidões metálicos, de 200/210 litros. 

Nenhuma das plataformas de IA por nós consultadas refere o transporte do vinho, metropolitano, para o CTIG em navios-tanque ou conbtentores. Será que havia em Bissau infraestruturas portuárias para descarregar esses tanques e esses contentores ? Em Luanda e Lourenço Marques haveria. Mas Bissau  também recebia navios-tanque com combustíveis...E eram as próprias "gasolineiras" (c0mo a Sacor) que abasteciam diretamente as guarnições militares no mato,  pelo menos as mais acessíveis por via fluvial. Enfim, é uma questão que fica em aberto, a do transporte do vinho em navios-tanque.

Na Guiné, o vinho era fornecido pela Manutenção Militar (MM), com origem em Portugal continental. O circuito habitual era:

Portugal → Bissau (por navio) → Depósito do BINT →  Depósitos Regionais (Bissau, Tite, Bula, Bafatá, Farim, Bambadinca e Catió, com os respetivos PINT - Pelotões de Intendência).

Quanto aos recipientes, dependia da fase da guerra, do meio de transporte  e da acessibilidade do local:

  • na origem (Metrópole), o vinho era expedido em barris de 100 litros e, mais tarde, bidões metálicos de 200–210 litros, dependendo do tipo de transporte e destino;
  • os bidões metálicos devem ter aparecido, de facto,  já mais para o fim da guerra: o  nosso camarada João Lourenço, ex-alf mil SAM, cmdt do PINT 9288 ( Cufar, 1973/74), escreveu:  "O vinho era fornecido pela MM [Manutenção Militar] em bidões de 215 lts, salvo erro, e usado assim mesmo, devido ao calor havia por vezes o hábito de usar um bidão sem a tampa onde eram colocadas barras de gelo feitas com água tratada e potável claro, o que dava sobras";
  • nos depósitos regionais (onde havia Pelotões de Intendência: Bissau, Bula, Bambadinca, Tite, Farim, Cufar), o vinho podia ser redistribuído em garrafões de 5 ou 10 litros, de vidro (mas já revestido a plástico, no caso dos de 5 litros, ou vime/tiras de madeira, os de 10 litros); ou seguir em barris de 100 litros e, mais tarde, em  bidões  de 200/210 l (para boa parte dos aquartelamentos);
  • os barris de 50 l ou 100 l (os tais barris de décimo e de quinto), em madeira de castanho ou carvalho, eram uma solução tradicional e robusta para o transporte de vinho; eram relativamente manobráveis; além, náo tinham que ser devolvidos à Intendência: a malta acaba por aproveitá-los para fazer cadeiras reclináveis, bancos, mesas, mobiliário diverso, etc. , ou então comno lenha;
  • nos quartéis e destacamento do mato, os garrafões de 5 e 10 litros eram os mais práticos e comuns, porque podiam ser transportados  por Unimog,  jipe ou até à mão; eram demasiado frágeis para o transporte em condições de guerra (lançamento por paraquedas, transporte em camiões por picadas minadas); eram mais usados para o fornecimento das messes de oficiais ou sargentos, que por vezes recebiam vinhos de melhor qualidade em separado;
  • os bidões metálicos de 200/210 litros (semelhantes aos de combustível, mas estanhados por dentro, para não oxidar o vinho) eram mais utilizados para transporte em massa; esta era, muito provavelmente, a forma mais comum de transportar o vinho  a granel para os depósitos dos PINT (Pelotões de Intendência (Bissau, Tite, Bula, Bambadinca, Bafatá, Farim, Cufar); estes bidões (semelhantes aos de combustível) eram extremamente robustos: podiam ser rolados ou içados  (embora não houvesse monta-cargas na maior parte dos sítios; havia gruas e pequenos guindastes nos portos fluviais, como Bambadinca).
Em suma: o vinho chegava a granel ao teatro de operações da Guiné em barris sobretudo de 100 litros e, mais tarde, bidões metálicos de 200/210 litros; a Intendência fazia a redistribuição para as 220 e tal guarnições militares do território (aquartelamentos e destacamentos). Se o transporte fosse em coluna auto, poderia ir nos próprios barris ou bidões. Se fosse por lancha para sítios mais isolados (rio Cacheu, rio Cumbijã, rio Cacine, por exemplo), o vinho era muitas vezes recondicionado em recipientes mais pequenos e manobráveis: aqui, barris de 50 l ou outros recipientes metálicos robustos (como jerricãs, embora menos comuns para vinho) seriam preferíveis aos frágeis garrafões.

 Os problemas logísticos ditavam que a robustez da embalagem era mais importante do que qualquer outra consideração. 



4. A cor dos bidões metálicos para vinho

 Quando apareceram  os bidões metálicos, de 200/210 litros, para vinho, tinha uma  cor exterior que permitia distinguí-los logo dos restantes bidões usados para combustíveis e óleos:
  • Vermelho = Gasolina
  • Azul = Gasóleo
  • Verde-Claro = Petróleo branco
  • Amarelo = Óleos

Os bidões metálicos de vinho, utilizados durante a guerra colonial na Guiné Portuguesa, mas já mais para o fim (1973/74), tinham geralmente um volume de 200 a 210 litros, eram estanhados por dentro (para evitar a corrosão do recipiente e  a contaminação do vinho) e, no exterior, eram pintados de cor prateada ou cinzento-metálico (ou  cor metálica natural ou tinta alumínio) (vd. imagem à direita, de um bidão moderno, "made in China").

Os bidões para vinho não seguiam o mesmo código cromático que os combustíveis e óleos (vermelho, azul, verde-claro, amarelo), pois não transportavam produtos inflamáveis. Podiam ser  reaproveitados para outros fins, devendo ser em princípios devolvidos à Intentência.  (Ou não ?... Fica para confirmar.)

Em 1969/71, não me lembro de os ver em Bambadinca... Devem aparecido mais tarde. (Mas eu, confesso, nunca fui visitar o destacamento da Intendência, no cais fluvial de Bambadinca,)

 5. 
Conclusão provisória

Segundo a(s) assistente(s)de IA que consultámos, não foi encontrada, nas fontes de acesso aberto,   
descrição normativa padronizada do acondicionamento específico do vinho para a Guiné, ao tempo da guerra colonial (barris de 50 L,  barris de 100 l, bidões de 200-210 L, garrafões de 5 e 10 l, etc.). A Intendència foi-se adaptando também, conforme a tecnologia de acondicionamento dos líquidos, a par da modernização dos portos, da estiva e dos transportes marítimos. 

 Em conslusão, o "vinho ... pró branco de 2ª"  (que foi o Rosinha em Angola e todos nós na Guiné...) era fornecido a granel, em embalagens de grande capacidade, para facilitar o transporte e reduzir custos (inicialmente em barris de 100 l).  Para o interior, para o mato, foi encontrando soluções à medida, conforme as necessidades e os obstáculos. 

Veremos, em detalhe, em poste a seguir, os problemas logísticos que levantavam o abastecimento de vinho às NT.

 (Contimua)

(Pesquisa: LG + Assistente de IA (ChatGPT, Gemini, Perplexity, Meta, Mistral)

(Condensação, revisão / fixação de texto, negritos: LG)

___________________

Nota do editor LG:


Último poste da série > 18 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27330: O vinho... pró branco de 2ª e pró tinto de 1ª (3): a ração diária do "tuga" seria de 1/4 de litro, o que dava 90 litros em média por ano, diz a "Sabe-tudo"

domingo, 12 de outubro de 2025

Guiné 61/74 - P27309: O início da guerra (Armando Fonseca, ex-sold cond, Pel Rec Fox 42, mai 62 / jul 64) - Parte III: 5 de fevereiro de 1964: início da construção do aquartelamento de Guileje

 


Guiné > Zona Sul > Região de Tombali > Guileje > Fevereiro de 1964 > "Eu e aminha amiga MG-47-50"...


Guiné > Zona Sul > Região de Tombali > Guileje > Fevereiro de 1964 > Ramadã (1)



Guiné > Zona Sul > Região de Tombali > Guileje > Fevereiro de 1964 > Ramadã (2)



Guiné > Zona Sul > Região de Tombali > Guileje > Fevereiro de 1964 > Ramadã (3)

Em 1964, o Ramadã  (ou Ramadão, existiem as duas grafias em português) ocorreu entre 25 de janeiro e 23 de fevereiro, seguindo o calendário lunar islâmico. O mês é sagrado no Islão: acredita-se que foi durante este período que o Alcorão foi revelado ao profeta Maomé. O Ramadã é o nono mês do calendário islâmico. É um período de jejum, oração, reflexão e comunidade para os muçulmanos em todo o mundo. Coincidiu com a ocupação e instalação de Guileje. Já em 1973 (ano da retirada de Guileje), o Ramadã coneçaria a 17 de setembro e terminaria a 16 de outubro.


Fotos (e legendas): © Armando Fonseca (2012). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Armando Fonseca, ex-sold cond cav, Pel Rec Fox 42, Bissau, Mansoa, Porto Gole, Buba, Bedanda, Guileje e Aldeia Formosa, 1962/64; também conhecido como o "Alenquer", integra a nossa Tabanca Grande desde 22 de setembro de 2010; tem cerca de 20 referências no nosso blogue. Julgamos que nasceu em 1941. Natural de Alenquer, vive na Amadora desde 1965, depois do regresso à "peluda". É autor da série "O Alenquer retoma o contacto" (de que se publicaram 7 postes, em 2012).
 


I. O Armando Fonseca (de alcunha,  o "Alenquer", terra donde é natural, mas que vive hoje na Amadora desde 1965), ex-soldado cond cav, Pel Rec Fox 42 (1962/64), foi dos primeiros militares, da arma de de Cavalaria, a chegar à Guiné, quando "oficialmente" ainda não havia guerra.

Cumpriu o serviço militar desde abril 1961 até julho 1964 (3 anos e 3 meses). Esteve 26 na Guiné, desde maio de 1962 até julho de 1964. Chegou ao CTIG em finais de maio de 1962. 

Nos primeiros 16 meses esteve em Bissau, fazendo segurança ao aeroporto em Bissalanca. 

É depois colocado, em outubro de 1963, em Mansoa, às ordens do BCAÇ 512, para fazer segurança às colunas logísticas a Mansabá e Bissorã. Conhece então a guerra pura e dura, apanha as primeiras minas. Com a sua Fox inutilizada, regressa a Bissau a 18 desse mês. 

Vai para o Sul, região Quinara (Buba) e de Tombali (Aldeia Formosa, Guileje, Bedanda). Em 4/2/1964, dá-se início à construção do aquartelamento de Guileje.

Nesse tempo ainda se ia de Bissau a Bafatá, passando por Mansoa e Mansabá (a estrada ficará depois interdita). Levou 10 horas o percurso em 21/1/1964. Depois, no dia seguinte, para chegar ao Saltinho à hora do almoço, levou-se a manhã inteira. 

Chegam a Aldeia Formosa ao fim do dia, acompanhados do Pel Rec Fox 888 mais um companhia de caçadores, que deve ter sido a CCAÇ 526 (que lá estava desde maio de 1963) ou então já a CART 495.

No dia 3 de fevereiro de 1964 a CArt 495 iniciou a concentração e preparativos para a Op Lapa,  a fim de instalar uma força militar em Guileje. No dia 5, realizou-se a operação sem contacto com o lN. Um Gr Comb da CArt 495 e auxiliares Fulas ocuparam a tabanca de Guileje. Oo Pel Rec Fox 42 assegurou a protecção da instalação.

Recorde-se a lista das 11 subnunidades que passaram por Guileje, entre fevereiro de 1964 e maio de 1973:

 


Infografia: Nuno Rubim (2006) | Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2025)

 

O início da guerra  (Armando Fonseca,  ex-sold cond, Pel Rec Fox 42,  mai 62 / jul 64) 

Parte III:  o início da construção do quartel de  Guileje, em 5 de fevereiro de 1964 

No dia 21 de janeiro pelas 07h30 o Pel Rec Fox 42 saiu de Bissau, com destino indefinido, passando por Mansoa e Mansabá até chegar a Bafatá por volta das 17h30.

A marcha foi vagarosa e cheia de precauções devido às possibilidades de sofrer emboscadas ou de encontrar minas, mas chegámos sem anormalidades, pernoitando aí para prosseguir no dia seguinte.

No dia seguinte, 22, às 07h30,  lá seguimos rumo a Sul agora acompanhados por pessoal da CCav 154 que estava sediada em Bafatá, chegando ao Saltinho pela hora do almoço

O percurso foi muito vagaroso visto seguirem à frente dos carros camaradas a pé com detectores de minas e até picando a estrada com sabres para ser certificada a ausência de minas.

Entretanto a meio do percurso houve um pequeno ataque, seguido por largada de abelhas,  que deixou todos desnorteados,  uns para cada lado,  com camaradas mordidos pelas abelhas. Mas, depois de tudo reorganizado, seguimos a viagem.

Depois do almoço,  saímos do Saltinho com destino a Aldeia Formosa e, entretanto,  veio ao nosso encontro o Pelotão de Reconhecimento Fox 888 que estava sediado naquela localidade junto com uma companhia de caçadores da qual já não me lembro o número.

À nossa chegada não havia pão e muito menos vinho, mas lá comemos qualquer coisa e fomos procurar acomodarmo-nos para aí permanecer algum tempo.

Mas no dia 23, logo pelas 07h45,  lá íamos outra vez, agora a caminho de Buba para aí pernoitar. 

Durante a tarde foram feitas duas saídas aos arredores em reconhecimento e no dia seguinte foi então o regresso a Aldeia Formosa com mantimentos para aquele destacamento, visto que o transporte era feito de barco até Buba e depois por terra para abastecer os destacamentos daí dependentes.

Durante as saídas para os reconhecimentos nos arredores de Buba, o alferes de minas e armadilhas aproveitou para efectuar algumas operações nos caminhos que se julgava serem percorridos pelo IN.

A dormida em Buba foi no chão com uma manta por colchão, visto aquele destacamento não estar preparado para receber mais um pelotão e os condutores das viaturas que se destinavam a trazer as cargas.

Durante os dois dias que se seguiram não houve nenhuma saída mas no dia 27 de janeiro  lá fomos até Guileje fazer um reconhecimento, onde nada existia além de laranjeiras carregadas de frutos e algumas bananeiras com bananas que,  mesmo muito verdes, depois de uns dias embrulhadas em papel dentro da mala do carro, já marchavam.

Havia também alguns ananases mas muito poucos. Nesta altura Guileje não passava de um matagal com algumas árvores de fruto pelo meio.

Foram passando os dias com algumas saídas a Buba a escoltar as viaturas que iam buscar mantimentos até que; no dia 4 de fevereiro pelas 02h30 da manhã lá vamos a caminho de Guileje agora para montar um aquartelamento onde ia ficar instalado um pelotão ( da CART 495) e alguns milícias fulas com as suas famílias.

Nos dias que se seguiram foi a preparação do aquartelamento,  a capinagem,  a montagem de tendas e depois o inicio das construções e a preparação dos terrenos onde mais tarde foi feita a pista para as avionetas aterrarem e levantarem voo.

Durante esta permanência,  no dia 13 de fevereiro foi o meu pelotão deslocado a Bedanda para deitar fogo, através das balas incendiárias das metralhadoras instaladas no meu carro, a umas casas de mato que se encontravam muito perto do rio que separava a zona onde estavam as nossas tropas e o reduto do IN.

 O rio era a baliza, nem os militares passavam para lá nem o IN se aventurava a passar para cá, no entanto, haviam constantes ataques de  morteiro, de ambas as partes.

Os dias foram passando com algumas idas a Aldeia Formosa e a Buba e, a partir de certa altura,  chegou informação de que o IN iria dinamitar a ponte sobre o rio Balana e então nunca mais se juntaram os dois pelotões Fox do mesmo lado do rio: quando nós passávamos para um lado,  o Pel Rec Fiox  888 passava para o outro.

Já veio descrito em postes anteriores o trágico final do destacamento de Guileje (retirado pelas NT em 22 de maio de 1973)  e aparece agora descrito o início da formação deste mesmo destacamento (5 de fevereiro de 1964).

Segue-se depois Ganturé e Gadamael...

(Continua)

(Revisão / fixação de texto, negritos,  título: LG)

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Nota do editor LG:

(*) Vd. postes anteriores da série >

30 de setembro de 2025 Guiné 61/74 - P27271: O início da guerra (Armando Fonseca, ex-sold cond, Pel Rec Fox 42, mai 62 / jul 64) - Parte II: outubro de 1963: os primeiros grandes sustos com as minas A/C

30 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27269: O início da guerra (Armando Fonseca, ex-sold cond, Pel Rec Fox 42, mai 62 / jul 64) - Parte I: aquele terrível mês de setembro de 1963

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Guiné 61/74 - P26224: Recortes de imprensa (141): Morreu aos 80 anos o comandante do PAIGC, Júlio de Carvalho ("Julinho"), e também primeiro cmdt das Forças Armadas de Cabo Verde ("A Semana", de 26nov2024)


Júlio de Carvalho (1943 - 2024).
Foto. Cortesia de ACOLP / A Semana,
 26nov2024

1. Recorte de imprensa que nos chega através do nosso amigo e camarada Zeca Macedo
 (ex-2º tenente fuzileiro especial, RN, DFE 21, Cacheu e Bolama, 1973/74; nasceu na Praia, Santiago, Cabo Verde, em 1951; vive nos Estados Unidos, onde é advogado; é membro da nossa Tabanca Grande desde 13/2/2008):


Data . terça, 26/11, 14:06


Luis, junto te envio anoticia publicada hoje, dia 26 de Novembro, sobre o falecimento do Comandante Júlio Carvalho, um dos heróis da Luta pela Independência de Cabo Verde (e da Guiné)

 Ab, Ze Macedo

2. Recortes de imprensa  > Óbito: Faleceu Júlio de Carvalho o primeiro comandante das Forças Armadas de Cabo Verde

A Semana, 26 nov 2024


Faleceu na madrugada de hoje, na cidade da Praia, o primeiro comandante das Forças Armadas de Cabo Verde, Júlio de Carvalho, também combatente da liberdade da Pátria, comunicou a Associação dos Combatentes da liberdade da Pátria (ACOLP).

Julinho Carvalho, como era conhecido, de acordo com a ACOLP, nasceu no Mindelo a 27 de Janeiro de 1943, estudou no Liceu Gil Eanes, onde se destacou pela sua “participação apaixonada” pelas atividades desportivas, tendo inclusive integrado a seleção de voleibol do referido liceu.

Nessa altura, refere um comunicado da ACOLP, com Abílio Duarte, toma conhecimento dos ideais da luta pela independência de Cabo Verde desenvolvida pelo PAIGC, com as quais ele logo se simpatizou, tendo em 1961 viajado para Portugal onde se inscreve como estudante de Engenharia Química,  juntamente com Amaro da Luz, Tito Ramos, e outros estudantes nacionalistas.

“Decidido a exercer um papel activo na luta encabeçada pelo PAIGC, nos finais de 1964, Julinho foge para Paris onde se junta a Manecas Santos, Manuel Delgado, Joaquim Pedro Silva e Olívio Pires. Sob a orientação de Pedro Pires, ele participa na mobilização de um grupo de cabo-verdianos emigrantes na região de Moselle, na França”, lê-se no comunicado da ACOLP.

Júlio de Carvalho, segundo explica ACOLP, integrou a luta armada em Kandjafara, como comandante de artilharia da Frente Sul e, em Maio de 1973, participou na operação que culminou com a tomada do quartel fortificado de Guiledge, prenunciando o fim da ocupação portuguesa na Guiné.

Após o 25 de Abril de 1974, participou nas primeiras negociações com militares portugueses realizados a 15 de Julho, em Cantanhez, no sul da Guiné, visando o estabelecimento de um cessar fogo na Guiné, tendo em fins de 1974, depois da Independência da Guiné, permanecido em Bissau onde, durante cinco anos, exerceu as funções de comissário político das Forças Armadas.

Depois do golpe de Estado de 1980,  estabeleceu-se em Cabo Verde onde exerceu funções de ministro do Interior, primeiro e, de seguida, ministro da Defesa e Segurança, no último mandato de Pedro Pires como primeiro-ministro.

Com a derrota eleitoral do PAICV, fixou residência no Sal onde viveu nos últimos tempos como empresário.

Júlio de Carvalho foi membro da Comissão Política do PAICV e durante toda a sua vida de luta evidenciou, conforme a ACOLP, um “grande patriotismo” como “um elevado espírito de sacrifício e dedicação” em prol de Cabo Verde.
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