Dois desenhadores de imprensa portugueses consagraram-se em França, no século XX: Leal da Câmara e Vasco de Castro. O primeiro era um fugitivo da polícia real, em Paris teve acesso às mais notáveis publicações do seu tempo. O segundo partiu para Paris em 1961 e regressou a Portugal em 30 de abril de 1974, viveu quase sempre em Montparnasse e foram-lhe franqueadas as portas da grande imprensa: Le Monde, Figaro, Canard Enchaîné, Harakiri/Charlie Hebdo, entre outras. Colaborou, lado a lado, com os maiores desenhadores que trabalhavam na grande imprensa parisiense. Além disso, fez cinema, foi ativista político, andou nas barricadas do maio de 68.
É este Vasco que será o motor do livro que ora se oferece ao leitor.
Mantivemos uma amizade de quatro décadas, aí por 2011, insisti teimosamente que era tempo de um dos mais importantes desenhadores portugueses de imprensa deixar documentado o seu itinerário, não bastava as lembranças e páginas de memória que espalhara pelos jornais. Não sem relutância, acedeu à iniciativa, acordámos na metodologia. Durante cerca de ano e meio, tomava o comboio em Roma-Areeiro até à Portela de Sintra e daqui um autocarro até Fontanelas. Sete horas de conversa com direito a uma pausa para amesendarmos com sandes e fruta e água. Uma conversa perfeitamente diacrónica: dados do nascimento, a infância, o colégio em Vila Real, as passagens por Coimbra e Lisboa, as lembranças de Lisboa noturna e do grupo coral, as peripécias da tropa, a viagem para Paris, e um nunca mais acabar de estúrdia, a revolução do desenho de humor, uma vida de boémia, os muitos amores, a militância esquerdista. Dirá um dia, em jeito de confissão, falando desses inesquecíveis anos parisienses: “Daqui nunca devia ter saído”.
La Bohème será apresentado por António Valdemar, escritor e decano dos jornalistas portugueses, que trabalhou em projetos com o Vasco, e Rui Cardoso Martins, professor universitário e escritor, que teve durante anos uma rúbrica no jornal Público com ilustrações do Vasco.
Pode, pois, perceber a natureza deste convite e a alegria que me dará pela sua presença. Para chegar ao Museu Rafael Bordalo Pinheiro (Campo Grande 382, 1700-097 Lisboa) autocarros não faltam com paragem à porta, o metro é a Estação do Campo Grande e há parqueamento na Lusófona, com entrada antes do edifício da universidade, como se fosse para o cinema Fernando Lopes.
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Nota do editor
Último post da série de 22 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28367: Agenda cultural (932): Feira do Livro de Fafe, Biblioteca Municipal, 24/9/2026, 5ª feira, 16h00: apresentação do livro do Jaime Bonifácio Marques da Silva, "Não Esquecemos os Jovens Militares do Concelho da Lourinhã Mortos na Guerra Colonial"










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