sábado, 22 de janeiro de 2011

Guiné 63/74 - P7655: A minha CCAÇ 12 (11): Início do reordenamento de Nhabijões, em Novembro de 1969 (Luís Graça)



Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > Nhabijões > 1970 > Luta balanta, presenciada por militares destacados para protecção do reordenamento (à esquerda, o furriel miliciano Henriques, da CCAÇ 12, de calções, tronco nu e óculos escuros, o autor destas linhas... Ao fundo, a nova tabanca, reordenada...


Foto do arquivo pessoal de Humberto Reis (ex-Fur Mil At Inf, Op Esp,  CCAÇ 12, Bambadinca, 1969/71).



Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > Mapa de 1955 (Escala 1/50000) > Detalhe: o núcleo populacional de Nhabijões (círculo a azul).

Fotos: © Humberto Reis (2006) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados

Continuação da série A Minha CCAÇ 12 (*), por Luís Graça 

(11) Novembro de 1969: Início do reordenamento de Nhabijões 

A partir deste mês, 1 Gr Comb da CCAÇ 12 passaria a patrulhar quase diariamente as tabancas de Nhabijões cujo projecto de reordenamento estava então em estudo, a cargo da CCS/BCAÇ 2852.

Nhabijões era considerado um centro de reabastecimento do IN ou pelo menos da população sob seu controle. As afinidades de etnia e parentesco, além da dispersão das tabancas, situadas junto à bolanha que confina com a margem sul do Rio Geba, tornava-se impraticável o controle populacional. Impunha-se, pois, reagrupar e reordenar os 5 núcleos populacionais, dos quais 4 balantas (Cau, Bulobate, Dedinca e Imbumbe) e 1 mandinga, e ao mesmo tempo criar "polos de atracção" com vista a quebrar a muralha de hostilidade passiva para com as NT, por parte da população que colaborava com o IN.


Guiné > Zona Leste > Sector L1 (Bambadinca) > Nhabijões > 1970 > Uma pausa nos trabalhos do reordenamento de Nhabijões. Foto gentilmente cedida por Luís Moreira, ex-Alf Milf Sapador da CCS do BART 2917 (Bambadinca, 1970/72) (**), vítima de mina A/C em 13 de Janeiro de 1971, membro da nossa Tabanca Grande.


Foto: © Luís Moreira (2005) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados.

A CCAÇ 12 participaria directamente neste projecto de recuperação psicológica e promoção social da população dos Nhabijões, fornecendo uma equipa de reordenamentos e autodefesa (constituída pelo Alf Mil At Inf António Manuel Carlão, Fur Mil At Inf Joaquim Augusto Matos Fernande, 1º Cabo At Inf Virgilio S. A. Encarnação e Sold Arv Alfa Baldé que foram tirar o respectivo estágio a Bissau, de 6 a 12 de Outubro de 1969) e ainda 2 carpinteiros (1º Cabo At Sousa [?] e 1º Cabo Aux Enf Carlos Alberto Rentes dos Santos).E indirectamente criando as condições de segurança aos trabalhos.


Numa primeira fase estava previsto levar a efeito a desmatação do terreno, a fabricação de blocos e a construção de 300 casas de habitação e 1 escola. Durante este período a CCAÇ 12 realizaria várias acções, montando nomeadamente linhas descontínuas de emboscadas entre os núcleos populacionais de Nhabijões, além de constantes patrulhas de reconhecimento e/ou contacto pop.

A partir de Janeiro de 1970 seria destacado um pelotão da CCS/BCAÇ 2852 a fim organizar a autodefesa de Nhabijões. Admitia-se a possibilidade do IN tentar sabotar o projecto de reordenamento, lançando acções de represália e intimidação contra a população devido à colaboração prestada às NT.

A partir de Abril de 1970, o reordenamento em curso passaria a ser guarnecido por 1 Gr Comb da CCAÇ 12. Na construção de novo destacamento estiveram empenhados o Pel Caç Nat 52 e a CCAÇ 12, a 3 Gr Comb, durante vários dias.

A segunda fase do reordenamento (colocação de portas e janelas e cobertura de zinco em todas as casas, abertura de furos para obtenção de água, etc.) começaria quando o BART 2917 passou a assumir a responsabilidade do Sector L1 (em 8 de Junho de 1970).

A partir de Julho, a CCAÇ 12 deixaria de guarnecer o destacamento de Nhabijões, tendo-se constituído um pelotão permanente da CCS/BART 2917 enquadrado por graduados da CCAÇ 12.

No meu diário, escrevi o seguinte, na altura:

 (...) puro etnocídio sociocultural, o que se está aqui a fazer, obrigando os pobres dos balantas e mandingas de Nhabijões a transferir-se da beira rio para uma zona de planalto, sobranceira ao Geba, e a viver em casas desenhadas e construídas por europeus...  [Daí talvez] esta hostilidade passiva que julgo poder ler nos olhos e nas atitudes da população de Nhabijões que alimenta a guerrilha, em homens e mantimentos, provavelmente mais por razões de parentesco do que por simpatia para com o PAIGC: ao avistarem-me, fardado, na sua tabanca – a mim, tuga, representante da tropa ocupante - os mais velhos baixam a cabeça ou viram-me as costas como se sentissem acabrunhados com a minha presença… Quem se sente mal, sou eu, que venho invadir-lhes a sua privacidade e perturbar os seus irãs… 

Está-se agora proceder ao reagrupamento e reordenamento das tabancas de Nhabijões, ditas sob duplo controlo. Mas esse plano (...) obedece mais a razões psicológicas e sociais (aculturação ou assimilação através da construção de raiz de casas de adobe e rachas de cibe, com cobertura de zinco, portas e janelas à portuguesa, e arruamentos feitos a régua e esquadro) e estratégicas (controlo populacional, demarcação de zonas livres a partilharia e a força aérea, corte do cordão umbilical com a guerrilha) do que a um deliberado plano de promoção social dos guineenses, se bem que esteja prevista uma certa cobertura escolar e sanitária das populações reordenadas… Com o recurso a pessoal de educação e de saúde, recrutados entre os próprios militares!!!... Contam-se pelos dedos da mão os civis, brancos, missionários, comerciantes, professores, médicos ou enfermeiros, que existem nesta região, de Bambadinca, parte integrante do concelho de Bafatá… Eu apenas conheço três: dois comerciantes e uma professora (...).

[Vd. também a brochura Os reordenamentos no desenvolvimento sócio-económico das populações. Província da Guiné, Bissau: Comando-Chefe das Forças Armadas da Guine. Quartel General. Repartição AC/AP. s/d, já reproduzida no nosso blogue ] (***)

Fontes consultadas:

História da CCAÇ 12: Guiné 69/71. Bambadinca: CCAÇ 12. Cap. II

Diário de um Tuga, de Luís Graça (arquivo pessoal)

Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, I Série
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Notas de L.G.:

(*) Vd. postes anteriores desta série > 









(**) Vd. I Série, poste de 24 de Setembro de 2005 > Guiné 63/74 - CCIX: Luís Moreira, de alferes sapador a professor de matemática

(...) Nasci numa vila para os lados de Viseu, mais proprimente em Torredeita, que até vem em alguns mapas e tem uma Escola Superior de Agricultura (Politécnica) (...) 

Em 1969, com 25 anos e o curso de engenharia interrompido, entrei em Mafra para o curso de oficiais para canhão, onde terminei a especialidade em minas e armadilhas (éramos 16 no pelotão), curso que não terminámos sem que 15 de nós fossemos contemplados com 19 dias de detenção e 45 de dispensas cortadas (...). E a punição não foi mais severa porque com 20 dias iríamos todos parar ao contingente geral e não teriam oficiais sapadores para enviarem para os teatros de guerra. Se o pudessem fazer estavam-se a borrifar para a oportunidade de reorientarmos o nosso comportamento.

Já como aspirante miliciano fui para Bragança instruir soldados que iriam para a as ex-colónias. Terminada a instrução fiz uma passagem por Tancos onde, pretensamente, deveria aprender mais alguma coisa sobre minas e armadilhas mas fiquei convencido de que, com o que aprendemos em Mafra, sabíamos mais que os oficiais e sargentos nossos instrutores em Tancos.

Finalmente fui para Viana do Castelo onde me encontrei com todos os ex-camaradas de infortúnio e formámos o BART 2917. 

Em princípios de Maio de 1970 embarcámos naquela que foi a última viagem do velho Carvalho Araújo e desembarcámos em Bissau a 17 do mesmo mês. Ainda me recordo da expressão do Capitão que foi o meu comandante de Companhia e de que não me recordo do nome (...) quando viu um pequeno furo à proa do navio, cerca de um metro acima da linha de àgua, por onde saía um fio de óleo e que o deixou preocupado desconfiando que não chegaria ao destino. Mas chegou e nós também naquela que até foi uma viagem calma.

O resto foi igual ao que já todos sabem. Desembarque, alojamento no Quartel de Adidos em Brá, saída uns dias depois e embarque na LDG que nos levou ao Xime e daí para os outros destinos em coluna.

Em 13 de Janeiro do ano seguinte, 1971, foi o acidente com a mina anticarro de que já se falou e se voltará a falar, precedida, na altura do Natal, por uma visita do "homem do caco" ao reordenamento dos Nhabijões, onde esperou 20 minutos pelo alferes sapador, eu, que tinha ido à lenha com umas bajudas, mas que foi encoberto pelo David Guimarães e restantes ex-camaradas que lhe disseram que tinha ido buscar bidões de água para oas obras que estávamos a fazer. A peta pegou pois quando fui almoçar a Bambadinca ninguém me perguntou por onde andei. (...)


Após o acidente e consequente evacuação para o Hospital de Bissau, fui logo no dia seguinte visitado pelo dito Senhor Comandante que me desejou as rápidas melhoras. Devia estar a fazer falta no reordenamento que, diziam, era a menina dos olhos dele. Mas os médicos trocaram-lhe as voltas pois passaram-me aos serviços auxiliares e, depois de uma breve passagem por Bambadinca. vim fazer mais 15 ou 16 meses de serviço até 7 de Junho de 1972, mas no Batalhão de Engenharia [, BENG 447, foto à esquerda], com direito a ar condicionado e tudo na messe e no bar de oficiais.

Regressei, terminei a minha licenciatura em Matemática (resolvi mudar de curso) e passei a ser mais um dos tão criticados professores do ensino secundário que todos acusam de nada fazer a não ser martirizar as criancinhas (...)

(***) Vd. postes de: 

12 de Setembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2100: A Política da Guiné Melhor: os reordenamentos das populações (1) (A. Marques Lopes / António Pimentel)

16 de Setembro de 2007 > Guiné 63/74 - P2108: A Política da Guiné Melhor: os reordenamentos das populações (2) (A. Marques Lopes / António Pimentel)

(...) Notas do nosso co-editor Virgínio Briote:

(i) Segundo a directiva 49, de 16/10/1968, do Comando Chefe das F. A. da Guiné, a Divisão de Organização e Defesa das Populações ficou encarregada do estudo, impulsionamento, coordenação e fiscalização do reordenamento, pelo recenseamento e pelo enquadramento e defesa das populações.

(ii) Segundo o Relatório de Comando, 1971, do Comando-Chefe das F. A. da Guiné, em Dezembro de 1971, estavam registadas 46 tabancas organizadas em auto-defesa. (...)~

Guiné 63/74 - P7654: Notas de leitura (192): A História da CART 1802 (Teixeira Pinto, Binar, Pelundo, Farim, São João. Nova Sintra e Jabadá, 1967/69) (Mário Beja Santos)

1. Mensagem de Mário Beja Santos* (ex-Alf Mil, Comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 20 de Janeiro de 2011:

Queridos amigos,
Pesquisa Ponta do Inglês e chega-se ao autor da história da CART 1802, uma história muito bonita de alguém que fez uma comissão militar em Moçambique e que se tornou amigo de alguém que fez comissão militar na Guiné e que se rendeu ao seu entusiasmo. Para que conste, é uma brochura singela e estamos muito carentes de brochuras como estas.

Um abraço do
Mário


A história da Companhia de Artilharia 1802

Beja Santos

Às vezes, a intenção é tudo. Manuel Pedro Dias, que prestou serviço militar em Moçambique fez amizade com Manuel Balhau (proprietário da Gráfica 2000) e que prestou serviço militar na Guiné. Manuel Pedro Dias deitou mãos ao trabalho, consultou no Arquivo Histórico-Militar a história da CART 1802, e fez-se brochura.

É um exemplo para muitos. Temos aqui um documento sóbrio, destacando as principais andanças, não descurando o In Memoriam e mostrando até os guiões dos outros batalhões com quem os “Pioneiros da Nova Sintra” tiveram articulação. Coisa bonita.

A CART 1802 andou por Teixeira Pinto, Binar, Pelundo, Farim, S. João, Nova Sintra e Jabadá, ou seja percorreram o Sul, Centro e Norte. Tiveram ainda pelotões destacados em Enxudé e ilha de Jeta.

Foram mobilizados pelo Regimento de Artilharia 3 (Évora), a sua divisa era “Honra e Glória”. Uma comissão que se estendeu de Outubro de 1967 a Agosto de 1969. Mal desembarcados, seguiram para Farim; depois de treino operacional participaram numa operação na Ponta do Inglês e noutra em Binar, em ambas tiveram mortos e feridos.

Estavam de intervenção ao Comando-Chefe. Começaram o ano de 1968 numa operação em Binar e depois partiram para S. João, aqui construíram abrigos, patrulharam e limparam itinerários com vista à criação do subsector de Nova Sintra na zona de acção do BART 1914. É um período de intensa actividade operacional. Em Outubro vão para Jabadá dois pelotões, um outro fica em S. João e mais outro em Enxudé. Em Março, uma parte da companhia chega a Teixeira Pinto, vão para a ilha de Jeta e para o Pelundo. A partir daqui, apoiam trabalho de desmatação na estrada Teixeira Pinto – Bachile, bem como na estrada Pelundo – Có. Em Agosto de 1969, a 1802 recolhe a Bula, seguindo depois para Bissau.

Encontrei estes elementos enquanto pesquisava dados e factos referentes à Ponta do Inglês. Foi assim que cheguei ao conhecimento da brochura que Manuel Pedro Dias me emprestou. Bom seria que toda esta documentação aparecesse em linguagem de divulgação, ao alcance de todos.

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Nota de CV:

Vd. último poste da série de 19 de Janeiro de 2011 > Guiné 63/74 - P7640: Notas de leitura (191): Intervenção Rural Integrada, a experiência do norte da Guiné-Bissau, de Mamadu Jao (Mário Beja Santos)

Guiné 63/74 - P7653: Parabéns a você (205): Rogério Freire, ex-Alf Mil da CART 1525, Bissorã, 1966/67 (Tertúlia / Editores)

PARABÉNS A VOCÊ
22 DE JANEIRO DE 2011

ROGÉRIO FREIRE

Caro camarada Rogério Freire*, a Tabanca Grande solidariza-se contigo nesta data festiva.

Assim, vêm os Editores em nome de toda a Tertúlia desejar-te um feliz dia de aniversário junto dos teus familiares e amigos.

Que esta data se festeje por muitos anos, repletos de saúde, tendo sempre por perto aqueles que amas e prezas.

Na hora do brinde não esqueças os teus camaradas e amigos do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, que irão erguer também uma taça pela tua saúde e longevidade.
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Notas de CV:

(*) Rogério Freire foi Alf Mil da CART 1525, que esteve em Bissorã nos idos anos de 1966/67

(*) Vd. poste de 22 de Janeiro de 2010 > Guiné 63/74 - P5685: Parabéns a você (66): Rogério Freire, ex-Alf Mil da CART 1525 (Editores)

Vd. último poste da série de 21 de Janeiro de 2011 > Guiné 63/74 - P7647: Parabéns a você (204): João Graça, médico, músico e amigo da Guiné-Bissau (Tertúlia / Editores)

Guiné 63/74 - P7652: (In)citações (24): Bemba di vida [O celeiro da vida], documentário sobre a biodiversidade e as áreas protegidas da Guiné-Bissau, produzido pelo IBAP (2009) (com a colaboração da AD - Acção para o Desenvolvimento)

 
Doc 
Documentário sobre a biodiversidade e as áreas protegidas da Guiné-Bissau, produzido em 2009 pelo IBAP - Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas, com sede na Rua São Tomé, Casa nº 6A, C.P. 70 - Bissau, Guiné Bissau, email: ibap@gtelecom.gw,  telefone: + 245 20 71 06.  

Vídeo (9' 36''): Alojado em AD - Acção para o Desenvolvimento (reproduzido aqui com a devida vénia...


Um dos parceiros do IBAP é a AD - Acção para o Desenvolvimento, dos nossos amigos Pepito, Isabel, Domingos Fonseca, Tomané Camará e outros.

No sítio do IBAP lê-se que este instituto "mantem relações com as instituições nacionais e estrangeiras que intervêm na gestão dos recursos naturais e desenvolvimento durável, mais especifica na gestão das áreas protegidas e no seguimento da biodiversidade, para citar alguns: UICN, Banco Mundial, PS76 ONLUS, FIBA, WWF, Wetlans International,  UNESCO, Comité MAB, Laboratório Géome Swissaid, PRCM, IRD, INEP, CIPA, Direcção Geral das Florestas e Caça, INPA, GPC, INITA, AD - Acção para o Desenvolvimento, Tininguena, Nantinyan,Turismo, Direcção Geral do Ambiente, Cadastro"...

No IBAP trabalha a Cristina Ribeiro Schwarz da Silva (Pepas, para os amigos e familiares), a  filha mais mais velha dos nossos amigos Pepito, Carlos Schwarz da Silva, guineense, e Isabel Levy Ribeiro, portuguesa. A Pepas, de 37,anos,  é licenciada em biologia marinha, e casada com um professor português. O casal tem uma filha, que foi a primeira neta do Pepito e da Isabel. No IBAP, a Pepas é a Coordenadora para o Seguimento das Espécies. Aprecia o nosso blogue, que considera de grande utilidade para o seu trabalho, e muito em particular as nossas velhas cartas militares... Através do pai, ofereci-lhe em tempos um CD com as cartas que faltam no nosso blogue, isto é, não estão disponíveis "on line" (nomeadamente as das ilhas do arquipélago dos Bijagós, hoje )...

Em 2010, estavam oficializadas as seguintes áreas, nomeadamente costeiras: 

- Parque Natural dos Tarrafes do Rio Cacheu (PNTC), com sede em Cacheu; 

- Parque Natural das Lagoas de Cufada (PNLC), na região de Buba;  

- Parque Nacional do Grupo das Ilhas de Orango (PNO), na região de Bolama/Bijagós; 

- Parque Nacional Marinho João Vieira e Poilão (PNMJVP), na região de Bolama/Bijagós


- Reserva da Biosfera do Arquipélago Bolama Bijagós (RBBB); e

- Parque Nacional das Floresta do Cantanhez (PNFC), na região de Tombali, a  mais recente área natural da Guiné a ser objecto de protecção legal...



A superfície dos mangais é da ordem dos 2,5 milhões de hectares (no mapa a seguir, a azul).







Fonte:  IBAP (2010) (reproduzido com a devida vénia...)


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Nota de L.G.:


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Guiné 63/74 - P7651: Histórias e memórias de Belmiro Tavares (4): Os Adidos


1. O nosso Camarada Belmiro Tavares, ex-Alf Mil da CCAÇ 675 (Quinhamel, Binta e Farim, 1964/66), enviou-nos em 20 de Janeiro último a seguinte mensagem.
Os Adidos
Durante os mais de treze anos que durou a guerra do Ultramar (legalmente naquela época já não havia colónias) foram muitas as companhias ditas independentes que actuaram nos três T.O. – Angola, Moçambique e Guiné. Talvez não só por razões economicistas, mas também com o intuito de se conseguir uma melhor e mais efectiva coordenação de esforços, estas companhias, no terreno, adiam a um batalhão do qual passavam a depender operacional e administrativamente.

Estes adidos andavam inicialmente um pouco ao “Deus dará” sem saber de quem iriam depender e como iria ser a sua dependência. Se lhes calhava um batalhão com mais tempo de comissão, eles eram os maçaricos (mais tarde periquitos) e os “bombos” da festa; se os adidos eram já experientes, chamavam-lhes “velhotes” e ninguém acreditava no que tinham ou não tinham feito.

A conjuntura era diferente apenas quando a adida tinha uma estrutura consistente, porque era comandada por um capitão bem mais experiente e com muito mais conhecimentos, senhor do seu nariz, de “antes quebrar que torcer”. Este capitão, como diz o poeta “era mais para mandar que para mandado” e a sua companhia nunca se sentiria subjugada. Raramente isto acontecia ou porque o capitão “adido” não tinha as características atrás citadas ou porque, por questões de hierarquia, (que na tropa daquela época era extremamente rígida) se sentia atrofiado.

Assim a maioria dos adidos sentia na pele as consequências de serem simplesmente adidos (e também mal pagos).
O relacionamento entre as companhias do batalhão (uma CCS e três operacionais) e as “bastardas” nem sempre era o melhor, por vezes, nem sequer o desejável ou aceitável.
- De quem seria a culpa?
- Ora mais de uns; ora mais de outros; muitas vezes das duas partes. Na verdade “ninguém discute sozinho” como a minha mãe me dizia.

As “pegas” frequentemente aconteciam porque as unidades eram oriundas de “Armas” diferentes. Os oficiais de acordo com a “Arma” donde provinham pensavam e agiam cada um à sua maneira puxando cada qual a brasa à sua sardinha como se o objectivo de todos não fosse o mesmo e/ou não estivessem todos ao serviço do mesmo “patrão”.

Essas rivalidades, se não fossem intencionalmente maldosas, até podiam (deviam) ser salutares; bastava que cada um se esforçasse no sentido de trabalhar mais e melhor que o outro sem molestar ou atropelar quem quer que fosse.

Estas querelas iniciavam-se, por regra, entre os oficiais do quadro; os subalternos, sargentos e praças de cada companhia seguiam as pegadas do seu capitão e cada companhia passava a defender as cores do seu chefe.

O mais deplorável acontecia quando as desavenças iam para além da cor das “Armas” e se entrava no ataque (e defesa) pessoal ou de grupo. Uma companhia prejudicava intencionalmente, malèvolamente a unidade do lado (adida) apenas porque o capitão desta era doutra “Arma”, mais moderno e/ou mais “macio”. Assistia-se por vezes a pura perseguição e até atropelo.
Na base das desavenças havia por vezes muita inveja e/ou também aquela crise hepática tipo D.C. (leia-se “dor de corno”). Neste caso a convivência tornava-se insustentável, ou quase.

A minha companhia, a gloriosa CCaç 675, nasceu em Évora em Janeiro de 1964 e pisou solo guineense, pela primeira vez, em Maio do mesmo ano.

Depois de mes e meio em Bissau, nos fins de Junho, marchámos (navegámos no Cargueiro Alexandre da Silva) para Binta na margem direita do Cacheu, lá quase no extremo norte da Guiné; fomos adir ao BCav 490 com sede em Farim.

Este batalhão celebrizou-se na tristemente afamada “guerra do Como”, guerra inglória (como inglório foi o esforço e o sacrifício de todos nós); os seus soldados bateram-se ali galhardamente com grande abnegação, coragem e estoicismo em condições que, mesmo naquele tempo, podíamos considerar infra-humanas sobreviveram cerca de quatro meses com rações de combate tendo diariamente direito de uma sopa fornecida pelo “Vouga” que apoiava a operação. Apoio puramente teórico porque o navio não podia fazer fogo: já não se fabricava material daquele calibre... e o existente destinava-se apenas ao “ronco”.

Há pouco tempo encontrei-me com um coronel de Infantaria que tirou o curso de História. Contou-me que estava a elaborar uma obra sobre as mais célebres e significativas batalhas do nosso Exército desde a Fundação da Nacionalidade até aos nossos dias. Seleccionou três batalhas da Guerra do Ultramar – uma de cada T.O. da Guiné distinguiu aquela a que chamou “Batalha do Como”.

Sugeri que com mais precisão, lhe chamasse “batalha sem-fim” e expliquei as minhas razões. Já meti a foice em seara alheia e não era essa a minha intenção. Retomaremos o nosso rumo.
Durante o nosso primeiro mês de mato (Julho de 1964) as relações com o batalhão não foram as melhores... mas o caldo nunca chegou a entornar-se; houve como que um pequeno “ranger de dentes”, chamemos-lhe assim.

À frente do Batalhão estava o Ten Cor F. Cavaleiro,  de Cavalaria; o Cap Tomé Pinto era de Infantaria; não se conheciam mas tratando-se de oficiais dignos, briosos, honestos, trabalhadores, valentes, corajosos, respeitavam-se mutuamente. Era essencial que assim fosse.

A primeira ordem que o comandante batalhão transmitiu à minha companhia foi, como segue: -“Antes de mais reabrir a estrada Binta/Farim”.

O Capitão Tomé Pinto adiou o cumprimento daquela ordem por cerca de um mês – eis a razão do tal desaguisado. Não quero nem aceito que alguém pense que o Cap Tomé Pinto adiou o cumprimento daquela ordem (sem nunca o manifestar) pelo mero prazer de desobedecer. Não era (não é) Homem para brincar às guerras nem às escondidas.

Como escrevi em texto anterior o Cap Tomé Pinto sabia de guerrilha bem mais que a maioria dos capitães daquele tempo. Ele sabia que, antes de retirar as abatises e utilizar aquela via, era primordial “afugentar” o inimigo para bem longe dali para que não pudesse abeirar-se facilmente da estrada incomodando-nos com tiros e/ou novas abatises. Por outro lado, o Cap Tomé Pinto, sendo um transmontano puro, era rijo como aço, persistente (quase teimoso – peço perdão) sempre disposto a enfrentar e ultrapassar obstáculos que pudessem de qualquer modo prejudicar os seus comandados. Ele era mais que ninguém o tal “Homem dum só parecer, dum só rosto e duma só Fé d’antes quebrar que torcer...!!” Como escreveu o poeta.

Antes da nossa entrada na quadrícula, a CCav 487 tentou várias vezes desobstruir aquela estrada mas sem sucesso. Retiravam umas tantas pesadas abatises; sofriam algumas emboscadas mais ou menos perigosas e quando regressavam ao quartel já havia novas árvores a entupir a estrada - era jogo do gato e do rato -.

Reabrimos a dita estrada no dia 2 de Agosto de 1964; retirámos todas as abatises excepto numa – ver foto – porque não impedia a passagem das viaturas; parecia um viaduto. O inimigo, talvez por razões ambientalistas, não cortou outras árvores para aquela estrada.

Durante cerca de dois anos houve ali apenas numa emboscada... mas essa foi da nossa autoria: desbaratámos os últimos resistentes (defensores) do corredor Sanjalo/Canicó; eles foram atraídos à “zona de morte” e até houve luta corpo-a-corpo entre o nosso Manuel Castro, soldado nº 2146 e um combatente africano: a coragem e a força quase sobre-humana do Castro desequilibraram a favor das NT.

A partir daquela data o nosso relacionamento com o batalhão 490 não podia ser melhor; tudo rolava sobre esferas; não houve mais atritos.

Numa época em que muitas unidades quase não saíam ou não conseguiam sair dos quartéis, a CCaç 675, devido a uma actividade sem par desalojou o inimigo, afugentando-o da zona. Para que tal fosse possível calcorreámos intensamente o nosso território, dando milhões de passos em todas as direcções. Só assim, ao fim de quinze meses, podíamos afirmar com toda a verdade que havia pegadas nossas (só nossas) em todos os recantos da zona. Se alguém aterrasse no local mais recôndito da nossa zona, (20 x 20 Km) nós podíamos garantir que no mínimo a 50 m desse local já tínhamos passado.

Alem disso recuperámos a população que se tinha refugiado no Senegal e construímos de raiz dois grandes aldeamentos em Guidage e em Binta – a Vila Tomé Pinto; proporcionámos àquela gente condições de vida, de trabalho, segurança e confiança no futuro com que nunca antes tinham sonhado.

Rasgámos ruas perpendiculares (à Marquês de pombal), edificaram-se moranças, abriu-se uma CREB (circular Regional Exterior de Binta); Os jovens aprenderam instrução militar e faziam a auto defesa da povoação. Construímos duas pistas de aterragem, uma igreja, um posto de socorros para nativos e uma escola; os miúdos (alunos da escola) cantavam “a Portuguesa” enquanto se hasteava ou arreava a Bandeira.

Conseguimos sementes (muitas sementes) graças ao apoio prestimoso e extraordinário do Sr. Governador da Guiné, Gen. Schultz; em suma: os nativos passaram a usufruir de pão, paz, instrução, saúde e segurança. Por tudo isto – e por muito mais que não cabe em poucas linhas – a CCaç 675 foi louvada colectivamente pelo Comdt do Batalhão 490, Ten Cor F. Cavaleiro.
Soube recentemente que este oficial comentou, na época, que sentia uma grande mágoa porque a melhor companhia do batalhão não pertencia ao batalhão: era uma adida – era a CCaç675.
Um dia Ten Cor Cavaleiro apareceu de surpresa no nosso aquartelamento: pretendia visitar os militares destacados em Guidage, um posto fronteiriço defendido por um pelotão reforçado por alguns militares africanos.
Este vosso escriba foi incumbido de o escoltar; Nunca tal me tinha acontecido.
Eu era um alferes “imberbe e loiro” e não sabia se tinha de proceder a qualquer diligência especial; nunca tinha ido para o mato na companhia dum oficial superior.
Passou-me pela cabeça pedir apoio ao capitão mas faltou coragem.
- O Ten Cor  – Conjecturei eu – não vai comandar o meu pelotão porque... o grupo é meu; além disso oficial superior não desce a este nível.
- Seja o que Deus quiser, segredei eu aos meus botões.

À hora pré-determinada, os meus soldados, ainda ensonados aproximavam-se das viaturas; apareceu o nosso Ten. Coronel e perguntou em voz alta.
- Oh nosso Alferes! Qual é a minha viatura? 

Com alívio senti que o nó estava a desfazer-se.
- O meu Coronel não vai na primeira nem na última! Pode escolher uma das restantes.
- Se houver uma emboscada qual é o meu papel?
- Como o meu coronel nunca actuou connosco, o melhor, portanto, é meter-se debaixo da viatura e aguardar; nós tratamos do assunto!
Ele não retorquiu... mas eu sei (sabia) que ele não era homem para se esconder debaixo da viatura. Sei que um dia um pleno mato, debaixo de grande tiroteio, ele ordenou a um capitão que se levantasse do solo porque “está a falar com o seu comandante”; o Ten. Coronel, debaixo de fogo intenso, mantinha-se de pé, dando ordens – ousadia e temeridade.
Mais um problema resolvido, pensei sozinho.
Não houve complicações no itinerário o qual nós conhecíamos bem de mais.
O BCav 490 concluiu a comissão... para mal dos nossos pecados; não imaginávamos o que viria a seguir.

Em 1965, em Maio ou Junho, entrou na zona o BArt 733; a CCS e uma companhia operacional instalaram-se em Farim; as outras rumaram a Jumbembem e Cuntima (colina do norte).
Eu tinha na cabeça que a companhia de Farim era a do Ten Azevedo mas um companheiro tertuliano corrigiu-me e certamente com razão. Isto, porém, em nada altera o que vou narrar. Em causa está apenas o Sr. Azevedo.
Poucos meses depois de entrar na zona, o Ten Azevedo era promovido a Capitão – nada de anormal. Pouco tempo depois, o já capitão foi promovido a major passando a 2º comandante do batalhão. Com a saída do Ten Cor Glória Alves (num velho ídolo do atletismo do Benfica), o nóvel major Azevedo passou a comandar interinamente o batalhão. Que grande cavalgada! E era de artilharia!
Um dia, no colégio militar, falei desta ascensão meteórica e nada usual a um grupo de oficiais; um capitão, provocando gargalhada geral, comentou:
- Mas a mulher dele era cá uma brasa!
No consulado do Ten Cor Glória Alves houve um óptimo entendimento entre as partes; a nossa actividade operacional foi abrandando lentamente (era humanamente impossível manter o ritmo intenso dos primeiros 13/16 meses) mas nunca descurando ou negligenciando a vigilância e a segurança; os patrulhamentos, embora perdendo alguma intensidade, mantinham-se a um ritmo que causava inveja a muita tropa com bastante menos tempo de mato que nós. A nossa zona continuou a ser patrulhada palmilhada de lés-a-lés. Seria muito perigoso para nós e uma grande perda de prestígio se “alguém” reocupasse as posições perdidas na nossa zona.
Por tudo quanto continuávamos a operar com grande esforço, coragem e sacrifício (no mato e no apoio à população recuperada) a CCaç 675 foi comtemplada com mais um louvor colectivo – prova evidente que o nosso trabalho continuava a ser meritório e era reconhecido. Este louvor, porém, engasgou alguém provocando-lhe a tal “complicação hepática” de que atrás se falou.

O pelotão de morteiros 980 viajou connosco no navio Uige na ida e na volta.

Como nós, esteve também adido no BCav 490 de inicio e ao BArt 733 na fase final.

Este pelotão entrava na escala de saídas com os grupos da companhia de Farim. Enquanto o “980” procedia, por exemplo, a uma distribuição de géneros a Junbembem e Cuntima, tarefa complicada, um pelotão patrulhava Mato Grosso, outro fazia uma batida em Mato Cão e o 3º recolhia lenha para as cozinhas. Quando o “980” regressava à base, estava de novo no topo da escala. A fava ia saindo sempre ao mesmo!

Devemos deixar aqui bem claro que um dos “matos” atrás citados situava-se no fim da pista de aterragem e o outro atrás do quartel da 1ª CC.

No fim de Setembro o cap Tomé Pinto foi chamado a frequentar o curso do E.M. O Ten Cruz que comandara por algum tempo o “980”, depois de algumas “andanças” veio comandar a CCaç 675.

Como nós tínhamos conhecimento do que se havia passado em Farim acordámos com o novo comandante da CCaç 675 que ele não iria a Farim receber ordens, ficando essa missão destinada a um dos subalternos. Esta missão, pelo menos duas vezes, coube ao autor destas linhas.

Da primeira vez fui recebido pelo Sr. Major Azevedo que, aparentemente, com um sorriso sarcástico nos lábios (digo eu), comunicou, ter sido informado pela F.A. que a 3/4Km de Binta, na mata entre o rio Cacheu e a estrada de Bigene, havia um acampamento de, aproximadamente, 200 casas de mato – impunha como missão a “sua urgente destruição”.

Lamentei que se pretendesse fazer crer que havia inimigos onde eles não estavam nem ousariam, sequer, pensar nisso. Informei que, dois dias antes, em próprio havia patrulhado aquela zona até para além da Bolanha de Sansancutoto sem encontrar qualquer vestígio de ocupação ou passagem. Duzentas casas de mato albergariam perto de um milhar de pessoas que, necessariamente, se deslocariam na mata abrindo trilhos cada vez mais vincados. O Sr Major Azevedo sugeriu que “baptizasse” aquela “operação” e fizesse um relatório circunstanciado da mesma.

Recusei! Tratava-se apenas de mais numa patrulha rotineira.
O Sr Major não desarmava. Caia-lhe a matar que houvesse um acampamento mesmo nas barbas da CCaç 675.

Sugeri que a F.A. enviasse a Binta o piloto “descobridor” e com ele sobrevoaríamos a zona; neste ponto houve acordo e foi enviada uma mensagem urgente à F.A. Minutos depois chegou a resposta... absolutamente lacónica: “houve erro de coordenadas”!

O Sr. Major ficou sem cor e perdeu o pio.

Da 2ª vez que fui a Farim receber uma ordem operacional, o caldo entornou-se... azedou quase completamente. Agora a nova (má nova) provinha de informadores indígenas: - há um acampamento na região de Sanjalo; detectem-no e destruam-no urgentemente.

Aleguei:
 - Do nosso lado não há qualquer acampamento; se existe, está na zona da Companhia de Farim.

O Sr. Major defendia dispor de informações absolutamente seguras e propôs que pernoitássemos em Guidage e atacássemos a zona de norte para sul, porque eles “tinham sentinelas do lado do Senegal”.

Senti que a situação era absolutamente ridícula.
- Se há sentinelas do lado do Senegal (o que considero nada fiável) nunca atacaremos por esse lado; o Cap Tomé Pinto ensinou-nos que devemos evitar sempre os sentinelas!

O Sr Major levou as mãos rapidamente ao estômago porque, ouvir falar do Cap Tomé Pinto, causava-lhe uma azia insuportável.

Depois de longa discussão (altercação) por vezes em tom acalorado ou mesmo exaltado, concordei que faríamos uma “batida” naquela zona (será mais uma!) mas quando e como nós decidíssemos.

Fui ameaçado com prisão; respondi que preferia a prisão ao suicídio.

Por fim, com grande relutância, a minha proposta foi aceite.
A operação – que “baptizámos” de “centrífuga” – realizou-se e o tal acampamento foi destruído... mas ficava na zona da companhia de Farim.

Esta acção foi por mim descrita em texto anterior intitulado Disciplina – parte II – salvo pelo capacete. É inútil repeti-la aqui.

O fim da nossa comissão aproximava-se... com grande lentidão! Deu azo a que surgisse mais um grave e inesperado obstáculo – (era só mais um!)
Desta vez o Alf. Santos – António Duarte dos Santos, um algarvio de gema, natural de Alferce – foi a Farim saber com que linhas nos “queriam coser”.

A CCaç 675 foi “delicadamente” convidada a operar na península de Sambuia, onde a base mais poderosa a norte do Cacheu, continuava a provocar estragos sérios e frequentes.

Em 5 de Janeiro de 1965 nós destruímos todas as moranças e muitas casas de mato em toda a península. Encurralámos o in no canto sudeste (junção do rio Malibolon com o Cacheu) mas devido ao tremendo acidente com pelotão de morteiros 980 (7 ou 8 soldados afogaram-se nas infernais águas cinzentas do Cacheu) a ponte de Malibolon não foi defendida como planeado e o inimigo escapou por ali. Ninguém deu continuidade à nossa actuação... e a base continuou lá – não se elimina uma base por decreto!

A zona era portanto nossa conhecida mas quando por lá “passeámos” a situação era totalmente diferente: a nossa força física e anímica estavam no auge; não temíamos obstáculos e nada nos impedia de atingir qualquer objectivo mesmo fora do nosso terreno quer fosse em Sambuiá ou no tão badalado Oio... mas à beira do fim da comissão já não podíamos, como soe dizer-se, com uma gata pelo rabo – dependia da gata!

Ordem de operações: destruir Sambuiá! A CCaç 675 desloca-se em viaturas, passa por Guidage e bate o terreno de norte para sul; a companhia de Farim viaja num navio de guerra (vedeta), desembarca e ataca de sul para norte.

O Alf Santos argumentou:
- Em Binta há apenas 2 Gr Comb mas metade do pessoal está no HMP a fazer desparasitização intestinal; o quartel não pode ficar desamparado e as viaturas têm de ser protegidas. Assim não é possível reunir sequer um Grupo de Combate para actuar na perigosa zona de Sambuiá.

Resposta do Comdt interino do batalhão;
- Tanto quanto sei em Binta está uma companhia; não há motivo válido para não participarem na destruição daquela base.
- No papel, na verdade, em Binta estará uma companhia: um Gr Comb permanece em Guidage; o efectivo equivalente a um pelotão está internado no HMP; retirando pessoal para a defesa do quartel e das viaturas, iremos a Sambuiá apenas com um pelotão reduzido, o que me parece uma loucura... fatídica!

Mais uma vez a força dos galões venceu!

No entanto o Sr Major deve ter sentido um peso na consciência (será que a tinha?!) e enviou cerca 40 milícias para defesa do quartel e protecção das viaturas enquanto as NT actuavam sobre o objectivo.

A CCaç 675 conseguiu reunir um Gr Comb com dois alferes... mas faltava um furriel. O nosso amigo Jero, sendo furriel enfermeiro, esqueceu a seringa por umas horas e, substituindo-a pela G3, comandou com grande eficácia e muita perícia uma secção de atiradores: das tripas fez-se coração!
A companhia de Farim, cujo lema era "audazes, corajosos, valorosos" (não me recordo se era exactamente assim), desembarcou no local previsto, avançou sem dificuldade em direcção ao objectivo (que teoricamente já não existia) até que... de repente, foram não só impedidos de progredir como se viram logo obrigados a retroceder “velozmente” em direcção ao Cacheu; foram tão “velozes” que chegaram ao navio bem antes da hora prevista. Para que conseguissem reembarcar, o pessoal da vedeta teve de fazer fogo farto com metralhadoras e “peças” de 4,5cm.

Ficou provado que Sambuiá não era local para brinca às guerras ou fazer exibições sem sentido e desconexadas.

Quero realçar que não nos movia (em nove) qualquer animosidade ou ressentimento contra os militares do BArt 733; Porém ainda hoje sentimos um quase “ódio de estimação” quando falamos do tenente/capitão/Major Azevedo! No entanto se ele não existisse, eu não escreveria esta crónica!

Mas vai mais uma... mais hilariante. Não cito aqui a estória cómica dos “ananases” do régulo de Canicó, (alferes de 2ª linha Mamadu Baldé, irmão do nosso malogrado guia Baldé, abatido no assalto a Cansenha), porque esta “estória” foi tratada com muita arte e engenho pelo companheiro Jero no seu livro “Golpes de Mão’s”.

O BArt 733 organizou campeonato de “pontapé na bola” entre as companhias do batalhão. A CCaç 675 não foi convidada a participar – não por ser adida, claro – mas talvez porque, em jogo amigável, venceu a companhia do batalhão a qual estaria antecipadamente destinada a ganhar a prova.

O pelotão de morteiros 980, sendo adido como nós, participou e discutiu campeonato palmo a palmo. O último jogo era uma autêntica final: quem ganhasse era campeão. O “980” venceu por 1 a 0 e festejou a vitória; os vencidos... no terreno, porém, não aceitaram a derrota; recorreram às altas esferas desportivas do Batalhão e “ganharam”... na secretaria, alegando que o adversário (adido) fez alinhar, na guarda da sua baliza, um atleta que não pertencia de raiz aos seus quadros.

Na verdade o guarda-redes que defendeu as cores do 980 era também adido (adido ao adido) enquanto aguardava transporte para Bissau.

Este “adido”, de seu nome completo Fernando Marques da Silva, Sold At nº 2575 fez uma exibição dita de outra galáxia (não é exagero!)... defendeu até uma grande penalidade!

Logo os “três grandes” da nossa praça quiseram contratá-lo mas ele borrifou-se nos milhões que lhe ofereceram... e ainda hoje, com muita honra, veste a camisola da gloriosa CCaç 675.

O comandante interino puniu com derrota (no papel) a equipa considerada fraudulenta e a companhia pré-destinada a vencer... cantou de galo.

Inspirando-se nestes factos, alguns dos então futuros e honrados dirigentes desportivos nacionais também se dedicaram a semelhantes tropelias como é do conhecimento geral.

Quanto vale um mau exemplo?
Um bom exemplo vale mais que mil palavras!
Um mau exemplo... vale tudo!
Belmiro Tavares
Ten Mil da CAÇ 675

Fotos: © Belmiro Tavares (2010). Todos os direitos reservados.
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Nota do editor:

Vd. último poste desta série de 17 de Setembro de 2010 > Guiné 63/74 - P7001: Histórias e memórias de Belmiro Tavares (3): A(s) Disciplina(s): Ser ou não ser... disciplinado, eis a questão

Guiné 63/74 - P7650: Operação Tangomau (Mário Beja Santos) (16): Até Bissau num toca-toca e conversas sobre a história do PAIGC

1. Mensagem de Mário Beja Santos* (ex-Alf Mil, Comandante do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 19 de Janeiro de 2011:

Queridos amigos,
Estejam descansados, já estamos nos últimos dias.
Aquele Tangomau partiu para a capital lamuriento, embirrando consigo próprio, devia ter feito mais para cumprir o seu propósito de ver quase tudo onde vivera e onde combatera. As coisas não correram de feição, agora pretende-se ouvir um dos destinatários dessa medonha guerra, o outro, o PAIGC.

Um abraço do
Mário


Operação Tangomau (16)

Beja Santos

Até Bissau num toca-toca e conversas sobre a história do PAIGC

1. Na véspera, já no quarto e pronto para dormir, o Tangomau ainda escreve no seu caderninho viajante: “O tocador de korá que vem na fotografia tirada no Bambadincazinho chama-se Seco Galissá e é parente do Braima Galissá; não se falou da visita de Demba Seidi, ele até aparece numa das fotografias em casa do Fodé, compareceu ao almoço de confraternização, foi sempre um soldado estimável e colaborante, não merece o anonimato; tenho de me encher de coragem e pedir ao Fodé para amanhã, no regresso, fazermos uma curta paragem em Finete, perdeu-se todo o material fotográfico, é um desgosto não mostrar a ladeira alcantilada que subimos e descemos centenas de vezes, tirar uma imagem à capela católica, construída nos anos 80 e que ameaça ruina iminente; e novamente captar a imagem da casa onde viveu Bacari Soncó e que me cedeu ali um quarto, sempre que pernoitei no quartel; afinal a fotografia que atribuo ao filho de Mankaman Biai é de Lamine Suane, o filho de Cherno. Tudo isto é resultado de não escrever imediatamente o que se está a fotografar, em cima das situações, não há memória que resista a tanto nome, depois vem esta caldeirada de nomes”.
O Tangomau desperta mal-humorado, sabe muito bem que quer ficar mais tempo, mas não pode espadeirar contra factos consumados. Tem a bagagem em ordem, já recebeu os presentes para entregar ao embaixador Inácio Semedo, também foi presenteado com erva-cidreira e doce de papaia, é nisto que começa a troar o carro de combate onde Calilo e Fodé Dahaba me vão depor na Pensão Central, em Bissau, a Avó Berta avisou-me que me espera para o almoço.



2. O Tangomau despede-se com um pesar sincero dos anfitriões, agradece e redobra cumprimentos, sente-se feliz pelo calor do acolhimento, aquela família deu o que podia dar, até tinham falta de transporte, disponibilizaram cordialidade, interessaram-se por todos os itinerários, ao longo de 10 dias. É um casal com dois filhos, como já se referiu, o Toinho e o Thierry, este bem pequenino. Vamos mostrá-los todos, menos a Dada que cismou não estar aprontada e só por isso não cabe no rectângulo da fotografia. Primeiro o Toinho, aprimorado e nada rabugento, às vezes dá noites difíceis, dá gosto ver estes olhos vivos, em pose para a fotografia.



3. Temos agora o pai e os filhos, Fernando Semedo (o Mio), Toinho e Thierry, o Tangomau gosta muito do ângulo, está ali a mesa onde leu e escrevinhou, onde, amanheceres e entardeceres a fio, se deslumbrou com Bambadinca ao longe, à esquerda, as bolanhas de Ponta Nova e Finete e Mato de Cão, ao centro, à direita e ao fundo. Até o cão, que deu companhia ao Tangomau, se fez fotogénico e se juntou à recordação.



4. Alguém alvitrou que o anfitrião se devia mostrar ao lado do hóspede, ou vice-versa. O hóspede está encolhido, já choramingou, anda há dez dias em efusões e infusões, tem o ânimo abalado, o balanço é altamente positivo, em nenhum momento se arrependeu desta empreitada, e tantos foram aqueles que o advertiram: “Não vás, é um sofrimento desmesurado, aquele mundo que conheceste vive convulsionado, serás interpelado por gente de mão estendida, haverá equívocos e grandes espectativas, juízos infundados, não vás!”. O Tangomau foi bem acolhido no Bairro Joli, tirando um bêbado na Ponta do Inglês toda a gente veio à fala, foi cordial, deu informação, mesmo sabendo-se como são ínvios, por portas e travessas, os silêncios africanos. Tira fotografia, dá cá um abraço e garanto-te que me despeço sinceramente com um “adeus, até ao meu regresso”. Alberto Djata, o cozinheiro, colocou-se a jeito para apreciar a cena.



5. É a vez de fixar Fodé Dahaba para o mísero álbum das glórias do Tangomau. Este é o amigo a quem se chama irmão, é uma amizade que arde e resiste a todo o sopro. Dá que pensar como se supera, entre ele e o Tangomau, a tensão cultural, o Fodé é mandão, presumiu que na sua terra tudo quanto determinasse seria irrefragável, deu chispa, aqui e acolá gritavam, com mais ou menos sinceridade. Ainda bem, o que importa foi o desvelo, a gratidão, a recepção de braços abertos. O Tangomau caminha para estes olhos vazios dentro de um rosto atento, pois os outros sentidos cresceram à custa da visão que se perdeu. Mais de 40 anos de uma grande amizade. É o momento propício para se agradecer todas as gentilezas com que se foi cumulado. Mesmo quando o Fodé perdeu o volante da condução das viagens, manteve-se vigilante, pairando, graças ao telemóvel, por aquelas viagens de motocicleta pelos pontos ermos. O Tangomau esteve mesmo à beira de o surpreender e embaraçar, dizendo: “Não me vou embora, sigo para Demba Taco, Taibatá e Moricanhe, amanhã desço até ao Corubal, vou inteirar-me dos santuários do PAIGC, faz boa viagem, logo que possa regresso a Bissau de canoa”. Mas o Tangomau resignou-se às vontades do calendário, meteu-se no toca-toca, num banco corrido que em tempos teve um assento confortável e agora é uma simples chapa de ferro. Será uma viagem atribulada mas inesquecível. Nem o Tangomau terá coragem de pedir para se fazer uma pausa em Finete. Para quem desconhece uma viagem a toca-toca é qualquer coisa como um autocarro de carreira, com a diferença de que em muitos casos são os passageiros que fazem a paragem, tal o volume de sacos de carvão, de malas com peixe, cachos de bananas, volumes de todas as dimensões, alguns deles nos colos ou junto aos pés dos passageiros; aquela senhora anafada que se atirou para cima do Tangomau e o espalmou junto do banco do motorista, a ponto de o obrigar a levar as mãos no ar, como se fosse a rezar, é uma viagem com gritos constantes a mandar parar e seguir, passando pela Bantanjã Mandinga, Finete, Gambaná, Mato de Cão, Gã Mamadu, ao longe avista-se o Geba, já se passou o Enxalé, duas horas e meia depois de peripécias entra-se na estrada que une Safim a Bissau, dá agora para compreender como os subúrbios da capital crescem descontrolados, agravando os problemas e a miséria geral, não há recursos para este saneamento básico, para ter adequados cuidados de saúde, escolas, captação de actividades económicas. Esfomeado, o Tangomau é depositado na Pensão Central.



6. Esclareça-se o leitor que quer por motivos de cansaço quer pelo compromisso de não tirar fotografias a determinados interlocutores, a partir de agora as imagens vão rarear até ao fim da viagem. Aproveita-se a prata da casa, imagens ainda não publicadas ou aquelas, por serem sugestivas, mereçam ser colocadas a propósito. É assim que o Tangomau aparece de novo ao lado da Avó Berta, a proprietária da Pensão Central, e que conhece vão passados 40 anos. Estão ambos comovidos pelo encontro, era então a manhã de 18 de Novembro. O que importa é que o Tangomau encontrou um quarto à sua espera, já comeu uma sopinha bem apurada e com gosto a batata e cenoura, comeu peixe de caldeirada e até sobremesa doce. Vai descansar uma hora a ouvir o ruído monótono da ventoinha, seguirá para a embaixada, para certificar os compatriotas de que está vivo, e daí partirá para uma reunião que o Delfim Silva organizou, há gente de várias precedências e talentos que se prontificou a dar esclarecimentos sobre certos pontos que o Tangomau ainda os acolhe em claro-escuro, mas também com zonas prolongadas de cinzento e tons desmaiados.



7. Tranquilizou-se na embaixada de Portugal quem andava desassossegado pela falta de notícias, Tangomau é mesmo Tangomau quando se abalança a ir para o mato não dá sinal de vida. Fazem-se telefonemas para derradeiros encontros nos dois últimos dias, há abraços a dar aos Soncó, principalmente será importante reencontrar Mamadu Soare Soncó, a quem há dias morreu o seu irmão Quecuta. Parte-se para uma prolongada reunião, é-se acolhido numa moradia, apresentam-se os quadros políticos e militares de um passado menos próximo. O primeiro ponto que o Tangomau solicitara para a discussão era o da documentação histórica do PAIGC, até 1974, parece assunto menor mas não é. Está-se a falar de fontes primárias ou da mais genuína matéria-prima. O que se vai apurar, durante esta conversa informal e muito amiga é que tudo quanto está na Fundação Mário Soares é um soberbo arquivo mas incompleto. Desapareceu integralmente o recheio do que veio de Conacri, à data da independência, correspondência dos dirigentes entre si e com os aliados, só por aí se ficaria a saber, com mais conhecimento de causa, a evolução do armamento, os apoios internacionais, o aprovisionamento tanto a partir da Guiné Conacri como do Senegal; os arquivos pessoais de Amílcar Cabral estão na posse de duas herdeiras; os ficheiros do PAIGC em Bissau foram devastados, tanto por decisões arbitrárias de quem mandou eliminar ou desviar documentos como pelo próprio conflito político-militar de 1998/1999; há várias biografias de Cabral, há as publicações propagandísticas, há indícios sobre a existência de alguns diários, como o de Chico Té, fala-se na importância das investigações de Leopoldo Amado (o Tangomau há muito que se propõe ir lê-la à Faculdade de Letras), afinal Vasco Cabral, de quem se esperava inúmeras revelações, nada deixou escrito, e por aí adiante. Há inúmeras peças soltas e se escândalo maior se quisesse evidenciar bastava referir que tudo o que foi o processo do julgamento sobre o assassinato de Amílcar Cabral, absolutamente tudo, desapareceu. Ponto final, no futuro os historiadores que descalcem a bota para fixar as peças do puzzle, qualquer lógica para o retrato.
Seguem-se outros temas, de acordo com os interesses manifestados pelo Tangomau: como se deu a supremacia dos militares sobre os políticos; porque se radicalizaram as posições durante a independência, quando era certo e seguro que o PAIGC até tinha proposto por mais tempo a presença portuguesa.
Com entusiasmo, os diferentes participantes foram expondo as suas razões. Despedimo-nos até à próxima com uma outra versão daquele poilão da Ponta do Inglês que fala inequivocamente da guerra e da presença humana, como se testemunhasse que há memórias que não se querem apagadas, em vez de lançarem uma garrafa ao mar, ao lado das marcas das balas, os soldados tatuaram a árvore, como se dissessem: até sempre, não nos esqueçam.


Continua
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Nota de CV:

Vd. último poste da série de Guiné 63/74 - P7645: Operação Tangomau (Mário Beja Santos) (15): Uma ida aos Nhabijões, com o coração cheio de lembranças da CCaç 12