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quinta-feira, 6 de junho de 2024

Guiné 61/74 - P25609: Elementos para a História do Pel Caç Nat 51 (1966/74) - Parte II: Cacine, Catió, Cufar, Bedanda (c. 1970) (Armindo Batata)


Guiné > Região de Tombali > Cacine > c. dez 1969/jan 70 > Foto nº 53 > O pessoal do Pel Caç Nat 51 e 67 em trânsito por Cacine, tendo chegado de LDM vindo de Gadamael. A "avenida das palmeiras" que ia desembocar ao cais fluvial: "A ponte cais ao fundo e a messe (ou bar?) de sargentos à direita. A messe, bar e alojamentos dos oficiais era do lado opsto, donde tirei a fotografia. O acesso à ponte cais era uma agradável avenida ladeada de palmeiras."


Guiné > Região de Tombali > Cacine > c. dez 1969/jan 70  > Fotoº s/n > O ex-alf mil Armindo Batata, cmdt  Pel Caç Nat 51,  em trânsito para Catió e Cufar,  tendo chegado de LDM vindo de Gadamael Porto: aqui junto a uma AML Daimler da escolta.


Guiné > Região de Tombali > Cacine > c. dez 1969/jan 70  > Foto s/n > O ex-alf mil Armindo Batata, cmdt  Pel Caç Nat 51,  em trânsito para Catió e Cufar,  tendo chegado de LDM vindo de Gadamael Porto: aqui junto a uma AML Daimler da escolta, com a LDM à esquerda. Ao fundo, o Cantanhez, na margem direita do rio Cacine. (Frente a Cacine fica  hoje o porto fluvial e a aldeia piscatória de Cananima  que não existia nesse tempo)


Guiné > Região de Tombali > Cacine > c. dez 1969/jan 70  > Foto nº 52 > O porto fluvial na margem esquerda do rio Cacine: "praia a jusante da ponte cais onde desembarcámos das LDM, durante a noite, vindos de Gadamael Porto".

Guiné > Região de Tombali > Cacine > c. dez 1969/jan 70  > Foto nº 50 > O NRP Alvor LFP, Lancha de Fiscalização Pequena) que escoltou o comboio fluvial com os Pel Caç Nat 51 e 67 até Catió.


Guiné > Região de Tombali > Catió > s/d (c. dez 1969/jan 70)  > Foto nº 72 > O pessoal do Pel Caç Nat 51 e 67 em trânsito para Catió, a caminho de Cufar


Guiné > Região de Tombali > Cufar  (?) > s/d (c. 1970)  > Foto nº 78 >  Pel Caç Nat 51


Guiné > Região de Tombali > Cufar  (?) > s/d (c. 1970)  > Foto nº 59 >  Pel Caç Nat 51


Guiné > Região de Tombali > Cufar  (?) > s/d (c. 1970)  > Foto nº 79 >  Pel Caç Nat 51


Guiné > Região de Tombali > Cufar  (?) > s/d (c. 1970)  > Foto nº 61 >  Pel Caç Nat 51


Guiné > Região de Tombali > Cufar  (?) > s/d (c. 1970)  > Foto nº 81 >  Pel Caç Nat 51


Guiné > Região de Tombali > Cufar  (?) > s/d (c. 1970)  > Foto nº 58 >  Pel Caç Nat 51: o alf mil Armindo Batata, à esquerda, de óculos


Guiné > Região de Tombali > Cufar > Pel Caç Nat 51 >  s/d (c.1970)  > Foto nº 69 > A pista de Cufar


Guiné > Região de Tombali > s/l > Pel Caç Nat 51 >  s/d (c.1970)  > Foto nº 80

Vista aérea (detalhe) > O José Vermelho (nosso grão-tabanqueiro nº 471, fur mil, CCAÇ 3520 - Cacine, CCAÇ 6 - Bedanda, CIM - Bolama, 1972/74) diz que esta parece-lhe ser uma vista aérea de Bedanda:

(i) na parte inferior da foto, a edificação mais comprida era o refeitório das praças;

(ii) o meio, estão duas árvores paralelas, mais altas, que faziam um género de "portal de entrada" para esta parte das instalações;

(iii) junto dessas duas árvores, está outra edificação comprida, onde eram os quartos, a messe e bar de oficiais e messe de sargentos;

(iv) a edificação pequena que está junta, era o bar de sargentos;

(v) os furrieis, cabos e soldados metropolitanos, dormiam nos abrigos;

(vi) para cima e um pouco à esquerda das mesmas árvores há dois edificios: o de telhado mais escuro era a enfermaria e o outro era a secretaria;

(vii) a picada que se vê sair para a direita levava ao destacamento (pelotão) e ao "porto" junto ao rio.



O João Martins (ex-alf mil art PCT, Bedanda, 1968/1969), diz que também que lhe parece ser Berdanda a  foto nº 80: "Reconheço a localização dos obuses, a casa habitada pelo capitão de que tenho uma fotografia nas minhas memórias, com muitos cartuchos do canhão s/r  IN, a residência do chefe do posto, os abrigos em V que não vi em mais lado nenhum na Guiné". 


Fotos (e legendas): © Armindo Batata (2012). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Continuação da publicação de algumas das melhores das mais de 8 dezenas de fotos do álbum do Armindo Batata, ex- alf mil at art, cmdt  Pel Caç Nat 51 (Guileje e Cufar, 1969/1970).

Estas fotos (numeradas de 1 a 81) não tinham legendas, mas estavam distribuídas por 4 grupos: (i) Guileje (jan 69/jan70), (ii) Cacine (dez 69 / jan 70); (iii) Cufar (jan / dez 70) e (iv) Outros locais (como Catió, Bendanda...).

Guileje e Cufar foram, pois, as duas localidades onde o fotógrafo passou mais tempo.


2. Legendagem posterior do Armindo Batata, com data de 12 de outubro de 2012, 22:50 (**):

(...) Os Pel Caç Nat 51 e 67, este de comando do alf mil Esteves, passaram por Cacine em dezembro 1969/janeiro 1970, em trânsito para Cufar [Fotos s/n, e nºs 50, 52, 53] . 

O Pel Caç Nat 67 tinha guarnecido o destacamento do Mejo até à evacuação desta posição em janeiro de 1969.

O deslocamento de Guileje para Cufar teve um primeiro troço em coluna de Guileje para Gadamael Porto. Prosseguiu em LDM para Cacine onde aguardámos a formação de um comboio fluvial. Chegámos a Cacine já a noite tinha caído. Desembarcámos na praia  a jusante da ponte cais, com 1 ou 2 AML Daimler  a fazerem a segurança e iluminados por viaturas.

Os militares nativos "espalharam-se" com as famílias e haveres pelas tabancas de acordo com as respectivas etnias. Nessa noite dormi num quarto com aspeto de quarto, que até tinha mesa de cabeceira e, paredes meias, uma casa de banho que, para meu grande espanto, tinha um autoclismo, daqueles de puxar uma corrente; que maravilha tecnológica!.

Ficámos uns dias, não me lembro quantos, mas deu para eu ir a Cameconde, numa das colunas que se efectuavam diariamente (?). Tenho de Cameconde a imagem de uma fortaleza em betão, daquelas fortalezas dos livros da escola, a que só faltavam as ameias. Quem por lá andou me corrija por favor esta imagem, se for caso disso.

Deu também para umas passeatas no rio Cacine. Mas só na praia-mar, quando era um rio azul digno de um qualquer cartaz turístico daqueles locais chamados de sonho. Depois vinha a baixa-mar e o cartaz turístico ficava cinzento. E naquele tempo era quase sempre baixa-mar.

Num fim de tarde, as marés a isso obrigaram, embarcámos nas LDM e ficámos fundeados a meio do rio Cacine em companhia do NRP Alvor, que nos iria comboiar até Catió. O 2º tenente RN, comandante do NRP Alvor , convidou-nos, a mim e ao alferes Esteves, para bordo e entre umas (muitas) cervejas e não menos ostras, passámos a noite. A hospitalidade habitual da Marinha.

As embarcações suspenderam o ferro com o nascer do sol (exigências da maré) e lá seguimos para Catió. No último troço da viagem, já o rio era mais estreito, portanto já não era o Cacine, fomos acompanhados por T6 no ar e fuzileiros em zebros a vasculharem o rio, já que tinha havido, recentemente, um qualquer "conflito" entre uma embarcação e uma mina. Nada se passou, e o fogo de reconhecimento para as margens, a partir das LDM, não teve resposta.

Não houve incidente algum portanto, mas a viagem foi um bocado complicada, em termos logísticos. Um pelotão de nativos integra as famílias dos militares, os seus haveres e animais domésticos. Família, haveres e animais domésticos que afinal eram o triplo ou quádruplo do inicialmente inventariado. Nos animais domésticos estão incluídos os porcos dos não islamizados, que terão que viajar separados dos islamizados. E a aguardente de cana. E o ... e a mulher do ... e o "alferes desculpa mas não pode ser". Em coluna auto lá se arranjaram, mas em LDM não foi fácil. Valeu a paciência dos furrieis, um deles de nome Neves e do 2º sargento (que era de Bissau).

Catió tinha uma estação de correios com telefone para a metrópole, um restaurante daqueles em que se come e no fim se pede a conta e se paga. E pessoas brancas sem serem militares. Um espanto! 
[Foto nº 72].

O plano inicial era os dois pelotões, o 51 e o 67,  deslocarem-se por estrada de Catió para Cufar. Esse percurso já não era utilizado há bastante tempo (meses?) e foi considerado de risco muito elevado. Não me lembro dos argumentos avançados, mas acabámos por ir para Cufar por rio (LDM com desembarque em Impugueda no rio Cumbijã ou sintex/zebro com desembarque em Cantone, não tenho a certeza, pode ser que alguém de mais fresca memória se lembre). (...)


 

Guiné > Mapa geral da província ( 1961) > Escala 1/500 mil > Posição relativa das guarnições fronteiriças, de Quebo a Cameconde, a guarnição militar portuguesa mais a sul, na península de Quitafine, e na estrada fronteiriça Quebo-Cacine... 


Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2013)

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Notas do editor:

(*) Poste anterior da série > 5 de junho 2024 >  Guiné 61/74 - P25604: Elementos para a História do Pel Caç Nat 51 (1966/74) - Parte I: Guileje, ao tempo da CART 2410 (jan 69/jan 70) (Armindo Batata)

(**) Vd. poste de 8 de novembro de 2012 > Guiné 63/74 - P10634: Álbum fotográfico de Armindo Batata, ex-comandante do Pel Caç Nat 51 (Guileje e Cufar, 1969/70) (10): "Outros locais": Catió, Bedanda, Cufar...

sábado, 20 de agosto de 2022

Guiné 61/74 - P23540: Memória dos lugares (442): Rio Cacine, Cafal, Cananima, ontem e hoje

 

Guiné-Bisssau > Região de Tombali > Sector de Bedanda > Cananima > 2 de Março de 2008 > Praia fluvial e aldeia piscatória de Cananima, na margem direita do rio Cacine, em frente a a vila de Cacine. (*)


Guiné-Bisssau > Região de Tombali > Sector de Bedanda > Cananima > 2 de Março de 2008 > Praia fluvial e aldeia piscatória de Cananima, na margem direita do rio Cacine,  Canoas.(*)


Guiné-Bisssau > Região de Tombali > Sector de Bedanda > Cananima > 2 de Março de 2008 > Praia fluvial e aldeia piscatória de Cananima, na margem direita do rio Cacine, Construção de canoas. (*)

Guiné-Bisssau > Região de Tombali > Sector de Cacine > Cacine, na margem esquerda do Rio Cacine > 2 de Março de 2008 > Simpósio Internacional de Guileje (Bissau, 1-7 de Março de 2008) > Visita ao Cantanhez dos participantes do Simpósio > Rio Cacine, perto do cais de Cacine: Tarrafo...


Guiné-Bisssau > Região de Tombali > Sector de Bedanda > Cananima > 2 de Março de 2008 > Era domingo, para nós, participantes (a maior parte estrangeiros...) do Simpósio Internacional de Guiledje, de visita ao sul do país... mas não para o pescador, que precisa de remendar as redes e ir à pesca..


Guiné-Bisssau > Região de Tombali > Sector de Bedanda > Cananima > 2 de Março de 2008 > A simpatiquíssima Cadidjatu Candé (infelizmemte já falecida, segundo informação do Zé Teixeira), da comissão organizadora do Simpósio Internacional de Guileje e colaborada da ONG AD - Acção para o Desenvolvimento, servindo um fabuloso arroz com filetes de peixe do Cacine e óleo de palma local, que tem fama de ser o mais saboroso do país, devido à qualidade da matéria-prima e às técnicas e condições de produção (artesanal). Na imagem, um diplomata português, o nº 2 da Embaixada Portuguesa, que integrou a nossa caravana (e cujo nome, por lapso, não registei, lapso de que peço desculpa).

Guiné-Bisssau > Região de Tombali > Sector de Bedanda > Cananima > 2 de Março de 2008 > Um dos pratos que foi servido no almoço de domingo, aos participantes do Simpósio Internacional de Guileje, foi peixe de chabéu, do Rio Cacine, do melhor que comi em África... Durante a guerra colonial, na zona leste, em Bambadinca, só conheci conhecíamos o desgraçado peixe da bolanha..


Guiné-Bisssau > Região de Tombali > Sector de Cacine > Cacine, na margem esquerda do Rio Cacine > 2 de Março de 2008 > Simpósio Internacional de Guileje (1-7 de Março de 2008) > Visita dos participantes ao sul > Depois de um belíssimo almoço em praia fluvial e porto piscatório de Cananima, na margem direita do Rio Cacine, houve um grupo de cerca de 30 valentões (e valentonas) que se meteram numa canoa senegalesa, motorizada, de um pescador local, e aproveitaram a tarde para visitar a mítica Cacine.  Sem coletes salva-vidas!... A distância entre as as duas margens ainda é grande... A canoa a motor, carregada de pessoal, terá levado meia hora a fazer a travessia...


Guiné-Bisssau > Região de Tombali > Sector de Cacine > Cacine, na margem esquerda do Rio Cacine > 2 de Março de 2008 > Simpósio Internacional de Guileje (1-7 de Março de 2008) > Visita dos participantes ao sul > O nosso amigo, o saudoso  Leopoldo Amado (1960-2021) , historiador, um dos organizadores do Simpós
o e conferencista, veio encontrar aqui um antigo condiscípulo de liceu, hoje administrador de Cacine (sector de Quitafine).


Guiné-Bisssau > Região de Tombali > Sector de Cacine > Cacine, na margem esquerda do Rio Cacine > 2 de Março de 2008 > Simpósio Internacional de Guileje (1-7 de Março de 2008) > Visita dos participantes ao sul > Está na hora do regresso a Cananima... O pessoal deixa Cacine, já ao fim da tarde, de sapatos na mão, para tomar o seu lugar na canoa... Em primeiro plano, a Maria Alice Carneiro e o antigo embaixador cubano, na Guiné-Conacri, Oscar Oramas (estava lá, quando foi assassinado, em 1973, o fundador e dirigente histórico do PAIGC)..

Fotos  (e legendas): © Luís Graça (2017). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Guiné-Bissau > Região de Tombali > Sector de Bedanda > Cananima >  9 de Dezembro de 2009 > c. 18h >  Pescador e canoa da aldeia piscatória de Cananima, na margem direita do Rio Cacine, frente a Cacine. (**)

Foto  (e legenda): © João Graça (2009). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Guiné-Bissau > Região de Tomvali > Rio Cacine > Praia de Cafal, na margem direita do rio > 2022 > De costas, em primeiro plano, o padre Carlos, dos missionários  Oblatos da Maria Imaculada, que chegaram aqui há 10 anos, acrescentando  Cacine às duas missões ja existentes, a de Antula, Bissau, e a de Farim. Em Cacine têm duas escolas, uma em Cafal e outra em Quitafine  (que tem 270 alunos). O padre Costa conversa com os mototaxistas, que são o único transporte motorizado que aqui existe (para além das canoas)...


Guiné-Bissau > Região de Tomvali > Rio Cacine > Praia de Cafal, na margem direita do rio > 2022 > Um dos mototaxistas com uma T-shirt "made in China"...


Guiné-Bissau > Região de Tombali > Cacine > 2022 > Uma loja de roupa

Fotos (e legendas) de Andre Cuminatto (2022), "Além-Mar" (revista dos Missionários Combonianos), abril 2022, pp. 44-45 (com a devida vénia)


1. Estivemos aqui há 12 anos, andámos por aqui (e comemos, ao almoço o belíssimo peixe do rio Cacine, um fabuloso chabéu de peixe), por altura  de uma visita ao Cantanhez, em 2 de março de 2008, no âmbito do Simpósium Internacional de Guileje (Bissau, 1-7 de março de 2008). E escrevemos (*):

(...) A região de Tombali, com pouco mais de 3700 km2 (o que representa cerca de 10,3% do território da Guiné) e pouco mais de 90 mil habitantes (7,1% do total) tem grandes potencialidades, devido ao seu património ambiental e cultural, ainda insuficientemente conhecido e valorizado pelos próprios guineenses. A jóia da coroa é o massiço florestal do Cantanhez e os dois rios principais que o atravessam, o Cumbijã e o Cacine. (...)

(...) Cananima é uma praia fluvial e um aldeia piscatória. Gente de vários pontos, desde os Bijagós até à Guiné-Conacri, vêm para aqui trabalhar na actividade piscatória. No entanto, é preciso saber gerir os recursos do rio e do mar com sabedoria... A sobre-exploração de certas espécies pode ser um desastre... Por outro lado, as infra-estrututuras de apoio à pesca são precárias ou inexistentes. (...)

(...) No estaleiro naval artesanal, de Cananima, também se constroem barcos, segundo os modelos tradicionais. A matéria-prima, a madeira, é abundante. Abate-se uma árvore centenária para fazer uma piroga. Felizmente, as pirogas não são feitas em série. E hoje há, também felizmente, restrições ao abate de árvores no Cantanhez. O problema são, muitas vezes, os projectos megalómanos e inconsistentes, que acabam por morrer na praia, como estas embarcações senegalesas que viemos aqui encontrar. (...)

(...) Em frente, do outro aldo do rio, fica Cacine, que tem muito que contar, aos nossos camaradas do exército e da marinha... Alguns deles ficaram por aqui, enterrados e abandonados... A guerra e as suas memórias estão por todo o lado, não nos largam. (...)

(...) A areia não é fina, as águas não são azuis, nem a paisagem é a mais bela do mundo, mas tudo depende dos olhos com que se olha, dos ouvidos com que se ouvem, das emoções com que se capta o instante, o efémero, o diferente (..).

(...) É preciso salvar o Cantanhez, dando uma chance às crianças de Tombali. Projectos como o ecoturismo, ou o turismo de natureza, podem vir a ser um factor dinamizador de mudanças, a nível local e regional. (...)

(..) A diversidade étnico-linguística e cultural da Guiné-Bissau, em geral, e do Tombai, em particular, não deve ser vista como uma obstáculo, mas sim como um factor potenciador da cidadania e do desenvolvimento... Os demónios étnicos não podem é dormir descansados na Caixinha de Pandora... Combatem-se com as armas da saúde, da educação, da democracia, da integração, do desenvolvimento económico, social e cultural... (...)


2. Há dias lemos na revista "Além-Mar" um interessante artigo, "Evangelho e promoção social na Guiné-Bissau: Cacine, Missão Escolar", edição de abril de 2022 (pp. 43-45)... Tomamos a liberdade de reproduzir aqui este excerto do viajante e jornalista italano, Andrea Cuminatto.

(...) Na orla, entre as vacas que lambem o sal deixado pela maré alta, há também, um grupo de pescadores. Um é da Serra Leoa, outro da Libéria e ainda outro do Gana. Vêm da vizinha Guiné: sairam de Conacri,  com dois barcos de pesca e foram vistos a pescar, surpreendidos sem autorização nas águas da Guiné-Bissau. Há doze dias que estão à espera no pequeno cais de cimento que o seu chefe envie o dinheiro para pagar a multa do resgaste e poder zarpar. 

Até para os pescadores locais não é fácil tirar algo destas águas. Desde que os Coreanos compraram os direitos de pesca, a maior parte da captura é congelada  e enviada para a Ásia. E assim as pirogas,  feitas de madeira muito leve de ' fromager', tão ágeis nestas águas plácidas, descansam na areia, carregando pouquíssimos peixes nas panelas de Cacine. Estamos satisfeitos com o arroz, pelo menos não falta" (...) 

A vila de Cacine tem hoje 2 mil habitantes. E já nada é como dantes... (***)
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sábado, 6 de outubro de 2012

Guiné 63/74 - P10487: Álbum fotográfico de Armindo Batata, ex- comandante do Pel Caç Nat 51 (Guileje e Cufar, 1969/70) (6): Cacine e o Rio Cacine, deslumbrantes (dezembro de 1969)


Foto nº 49


Foto nº 55


Foto nº 53


Foto nº 54



Foto nº 47


Foto nº  48

Foto nº 51

Foto nº 50

Foto nº 52

Guiné > Região de Tombali > Cacine > Pel Caç Nat 51 > Dezembro de 1969 > Álbum fotográfico do Armindo Batata, ex-alf mil, que esteve em Guileje de  janeiro de 1969 a janeiro de 1970...  De cima para baixo: fotos nºs 49,  55, 53, 54, 47,  48, 51,  50, 52... 

Não sabemos - mas ele vai explicar-nos - o que ele e o pelotão vieram aqui fazer a Cacine, em dezembro de 1969... Possivelmente fizeram a viagem de LDM, de Gadamael a Cacine, uma vez findo destacamento em Guileje, seguindo depois para Cufar. Terá sido assim ?

Temos de reconhecer, até por experiência própria, que o Rio Cacine  é magnífico, que a viagem de barco é emocionante e que a vila de Cacine deveria ser uma terra encantadora em finais de 1969, com os seus altos poilões e cabaceiras...  Continua a ser hoje, apesar da sua decadência, um dos mais lugares mais exóticos e belos da Guiné. Estive lá em março de 2008, tendo atravessado o rio entre as duas margens (Cananima / Cacine). Cananima não existia no nosso tempo, é hoje um porto e aldeia piscatória.

Fotos: © Armindo Batata (2007). / AD - Acção para o Desenvolvimento Todos os direitos reservados [Fotos editadas por L.G.]







Guiné > Mapa da província (1961) > Escala 1/500 mil > Posição relativa de Guileje, Gadamael  Porto e Cacine, no sul, região de Tombali.

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Nota do editor:

Último poste da série > 2 de outubro de 2012 >  Guiné 63/74 - P10465: Álbum fotográfico de Armindo Batata, ex- comandante do Pel Caç Nat 51 (Guileje e Cufar, 1969/70) (5): Guileje: a messe de oficiais...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Guiné 63/74 - P7727: Notas fotocaligráficas de uma viagem de férias à Guiné-Bissau (João Graça, jovem médico e músico) (3): 9 e 10/12/2009, em busca do dari (chimpanzé), em Farim e Madina do Cantanhez...



Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Madina > 10 de Dezembro de 2009 > 7h32 > Um dari (chimpanzé) descendo uma árvore...




Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Madina > 10 de Dezembro de 2009 > 7h32 > Outra foto do  dari (chimpanzé) a descer a árvore...

 Este grande símio (o mais aparentado, do ponto de vista genético, ao ser humano) é muito difícil de observar e fotografar... Contrariamente a outros primatas que existem no Parque, com relativa abundância com o macaco fidalgo (fatango) (fotos a seguir)....


Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Madina > 10 de Dezembro de 2009 > 7h32 > O fatango, um autêntico acrobata...



Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Madina > 9 de Dezembro de 2009 > 15h50 > O macaco fidalgo...


Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Farim do Cantanhez > 9 de Dezembro de 2009 > 17h00 > Uma das belas árvores, seculares, do parque...


Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Farim do Cantanhez > 9 de Dezembro de 2009 > 17h36 > A exuberância da vegetação do parque...



Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Farim do Cantanhez > 9 de Dezembro de 2009 > 17h06 >  Com mais de 100 mil hectares, este parque é muito importante, segundo o IBAP - Instituto da Biodiversidade e das Areas Protegidas, com sede em Bissau: 

"Grande diversidade da fauna e da flora com a existência de várias florestas húmidas onde se destacam sobretudo as essências raras e únicas, tais como: copaifera, salicaunda, 'pau' miseria, mampataz, 'pau' de veludo, tagarra, faroba de 'lala' e outras. Ainda alberga diferentes espécies de fauna  (elefante, búfalo, baca branco, sim-sim, chimpanzé, macaco fidalgo, porco de mato), entre outros: é reconhecido por WCMC como um dos 9 sitios importantes do ponto do vista da bioiversidade.  Cantanhez é igualmente uma das 200 eco-regiões mais importantes do mundo identificadas pela  WWF."


Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez > Farim do Cantanhez > 9 de Dezembro de 2009 >9h34 > Restos da refeição (mangas) de um ou mais daris...



Guiné-Bissau > Região de Tombali > Parque Nacional do Cantanhez >  Cananima > 9 de Dezembro de 20090 > 18h05 > Uma aldeia de pescadores frente a Cacine, situada na margem direita do Rio Cacine... Não existia no tempo da guerra...

Fotos: © João Graça (2009) / Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné. Todos os direitos reservados


1. Continuação da publicação das notas, quase meramente telegráficas, do diário de viagem à Guiné, do João Graça, acompanhadas de algumas das centenas fotos que ele  fez, nas duas semanas que lá passou (*)... 

Nos  cinco primeiros dias (de 6 a 10 de Dezembro de 2009) vamos encontrá-lo, como médico, voluntário,  no Centro de Saúde Materno-Infantil de Iemberém

 Ao 5º dia, 9 de Dezembro de 2009,  tentou, pela primeira vez, mas em vão, ver o "despertar" dos chimpanzés do Parque Nacional do Cantanhez, em Farim. Conseguiu "apanhá-los", com a sua Nikon D60, reflex, no dia seguinte de manhã, em Madina...

Nalguns casos, por serem de todo ilegíveis ou fazerem referências muito pessoais a terceiros, optei por assinalar com parênteses rectos e reticências [...] essas partes do diário... Noutros casos, acrescentei, também dentro de parênteses rectos [   ], algumas notas da minha lavra,  decorrentes das nossas conversas sobre esta viagem (memorável, para ele)... As notas dos primeiros dias foram escritas à noite, à luz da pilha, em Imemberém, depois de um dia extenuante com dezenas de doentes nas consultas [L.G.].




Dia 5 – 9/12/2009, 4ª feira,  Iemberém

5.1 . 3º  dia de consultas – Visita aos chimpanzés.

5.2. Levantámo-nos às 5h00. Viagem até à terra da Cadi, Farim [do Cantanhez], onde estariam os chimpanzés.

5.3. Afinal não estavam em grupo. Vimos formigas a picarem o nosso corpo.

5.4. Fomos dois jipes: Cadi [, grávida de 7  meses], Antero e eu;  motorista, Alexandre, Joana e Zeca [, guia do Parque].

5.5. Ficámos à espera dos chimpanzés na casa da Cadi: Pai, ex-combatente [do PAIGC, Abdu Indjai], mostrou-me  [a sua prótese, foi amputado de uma perna durante a guerra colonial]; avó, velhinha, 70 anos, que me ofereceu um cesto para a minha mãe e outro para a Rita [, minha namorada].

5.6. Seis/sete miúdos com leishmaniose. Amanhã falar com Vera, Enf[ermeira do Centro de Saúde Materno-Infantil de Iemberém].

5.7. Voltámos a Iemberém às 10h30. Pequeno-almoço com Alex e Joana [dois investigadores portugueses].

5.8. Tabató, aldeia de músicos perto de Bafatá. Tenho que lá ir.

5.9. Consultas no Centro de Saúde: inicialmente não havia ninguém, mas foram chegando. 12/13 doentes, só 2 graves/urgentes. Escrevi cartas para a Enf Vera [, brasileira,], que não estava lá.

5.10. Um doente [que fez parte do] Batalhão Operação Mar Verde [, possivelmente, fuzileiro especial, do DFE 21].
[…]

5.12. Viagem [para visita às instalações da Televisão Comunitária Massar, em Iemberém…]. Termiteiras, árvore gigante, aldeia de pescadores [, Cananima], galhofa na viagem!

5.13. Amarildo aguardava-me na TV Massar. Cheguei atrasado 40 minutos. Pela 3ª vez! Gostou da ideia, vai-se fazer o vídeo [comunitário].

5.14. Jantar na casa da Joana, em Madina.

5.15. Vídeo do Zeca […].

5.16. Anedota [, contada pelo Zeca]: João tinha uma mulher e esta mais dois amantes: Vida e José. Quando João estava fora, [ela] avisava-os e iam para sua casa fazer ‘brincadêra’.
Um dia a mulher tinha chamado os 2 amantes com receio de que um deles não aparecesse. Nisto, João voltou sem avisar.

Primeiro, Vida bate à porta. ‘Brincadêra’. Depois bate o 2º, [José]. Vida, pensando que era o João, esconde-se no tecto do quarto. O 2º bate à porta, afinal não era o João. [Mais]‘brincadêra’.

Um 3º bate à porta, [desta vez era o ] João. O outro, José, mete-se debaixo da cama. João entra. Deita-se na cama [e exclama]:
- Ai, vida!

[O Vida, julgando-se descoberto, justifica-se:]
- Não sou  o único, não sou o único! Ah, também há um [outro] debaixo da cama!...


10/12/2009, 5ª feira, Iemberém

6.1. 4º dia de consultas. Viagem Iemberém-Bissau.

6.2. Pai muçulmano, filha com Sida. Não voltou ao Centro de Saúde. Vai morrer em breve.

6.3. Abcesso craniano drenado.

6.4. Despedidas: Vera, Amarildo, Zeca, Cadi, Domingos, Abdulai.

6.5. Visita,  de manhã,  aos chimpanzés, em Madina. Desta vez apanhámo-los.

Continua


[Fixação / revisão de texto / selecção e edição de fotos: L.G.]

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Nota de L.G.:

(*) Vd. postes anteriores:

28 de Janeiro de 2011 > Guiné 63/74 - P7686: Notas fotocaligráficas de uma viagem de férias à Guiné-Bissau (João Graça, jovem médico e músico) (2): 6/12/2009, domingo, 1ª consulta, um baptizo muçulmano, um casório católico, uma visita a uma fábrica de caju... 7/12/2009, 2ª feira: 1º dia de consultas. 42 doentes à porta do C.S. Materno-Infantil de Iemberém