sábado, 29 de julho de 2017

Guiné 61/74 - P17629: O nosso livro de visitas (192): O meu pai, José Manuel Teixeira Rodrigues, esteve no Saltinho, na CCAÇ 2701, 1970/72. Está hoje reformado, na sua casa em Cerdal, Valença do Minho. Eu nasci e vivo em França, há 42 anos, escrevo mal o português. Mas gostaria de partilhar fotos do álbum do meu pai e saber mais sobre a história das nossas origens (Adolfo Manuel Teixeira Rodrigues)


Guiné > Zona leste > Saltinho >  Ponte do Saltinho... Militares da CCAÇ 12 que acabavam de chegar, em coluna logística, oriunda de Bambadinca... Presumo que a foto de seja do 3º ou 4º trimestre de 1969... Em primeiro plano, à esquerda, de costas, o Humberto Reis com 1º cabo, do seu 2º Gr Comb, o "Alfredo"... Mais à frente, à direita, também de costas, mas assinaldo com um círculo a vermelho, o nosso edditor, Luís Graça...Como se vê na foto, não havia na altura nem cavalos de frisa,. nem postos de sentinela, nem ninhos de metralhadora, nos topos da ponte...

A CCAÇ 12 fez segurança à coluna  que levou o pessoal da CCAª 2701, do Xime até Saltinho.


Foto: © Arlindo Teixeira Roda (2010). Todos os direitos reservados. [Editada e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.]


1. Mensagem do nosso leitor Adolfo Manuel Teixeira Rodrigues, que vive em França e é filho de um camarada nosso, de Valença do Minho:

Data - 21/0772017





Senior Luis Graça,

Encontrei eu seu blogo por hasar, a porcura de informaçaos sobre a historia do Ultramar Portugues, que nao conheco, Tenho 42 anos, sou filho de immigrante portugues, narci e estao vivendo em França.

O meu pai, José Manuel TEIXEIRA Rodrigues, estive na Guinè em 70-72, na regiao do Saltinho, me recordo de ver este emblema, que vi no seu blogo, na nossa casa, em Portugal, (Cerdal, Valença do Minho 4930) :



O meu pai esta hoje na reforma em Portugal, e eu a muito anos que gostaria conhecer a historia das nossas origem, mas commo vocé pode ver, na sei muito bem escriver Portugues, pesso desculpa por as faltas, e em frança os livros sobre a Guinè, nao a grande coisa. Ja falei o meu pai do sei blogo, e com a autorisaçao de ele, temos muitas fotografias de esse tempo em casa, do Barco no porto de Lisboa as fotografias da Ponte do Saltinho e tembem do meu pai.

Cumprimentos
Adolfo Manuel TEIXEIRA Rodrigues


2. Comentário do nosso editor Luís Graça:


Obrigado, amigo, pelo seu contacto. Sendo filho de um camarada nosso, nosso filho é também.

Temos cerca de 3 dezenas de referências sobre a CCAÇ 2701, a companhia que julgamos ter sido a do seu pai. Temos alguns camaradas dessa companhia, ou que passaram pelo Saltinho, nesse período.

Pode dar ao seu pai estas referências:


Mário Migueis da Silva (ex-Fur Mil Rec Inf, Bissau, Bambadinca e Saltinho, 1970/72): vive hoje em Esposende;

Carmelino Cardoso, ex-Soldado Condutor Auto da CCAÇ 2701/BCAÇ 2912 (Saltinho) e QG (Bissau, 1970/72);

Paulo Santiago (ex-Alf Mil At Inf do Pel Caç Nat 53, Saltinho, 1970/72) (,vive em Águeda).

Há mais referências a camaradas desta companhia: por exemplo, o capitão Carlos Clemente, hoje coronel; o sold Tony Tavares,do 4º pelotão; o ex-alf Martins Julião, que chegou a comandar a companhia na ausência co capitão... O Martins Julião é hoje empresário em Oliveira de Azeméis.

Adolfo, teremos todo o gosto em publicar fotos do álbum do seu pai, e apresentá-lo ao resto dos camaradas e amigos que compõem a nossa Tabanca Grande. Estamos a caminho dos 750!... SE ele nõ tiver endereço de correio eletrónico, podemos usar o seu.

Louvamos o seu esforço em falar e escrever a língua dos seus antepassados e procurar saber mais sobre a história desta guerra e a ida do seu pai para a Guiné.

Não corrigimos, sequer, a sua mensagem. É publicada na íntegra, tal como a enviou. Infelizmente os nossos governos (os de Portugal e os da França) nunca deram o devido apoio ao ensino das línguas das suas comunidades migrantes. Há um milhão de portugueses e de descendentes de portugueses em França. Quantos falarão e escreverão corretamente o português ?

Esteja à vontade para nos volar em contactar. Também é uma forma de treinar o seu português,uma língua que tem 250 milhões de falantes em todo o mundo.

Muita saúde e felicidades. Um grande alfabravo (ABraço) para si e para o seu pai.

PS - Diga ao seu pai que eu ainda conheci a sua companhia, a CCAÇ 2701. Aliás, fomos nós, a "africana" CCAÇ 12 (Bambadinca, junho de 1969/março de 1971), a dois grupos de combate, quem, em maio de 1970, fez uma coluna logística, de Bambadinca ao Saltinho, escoltando os "periquitos" da CCAÇ 2701 e levando reabastecimentos até ao local de destino.

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Guiné 61/74 - P17628: Historiografia da presença portuguesa em África (83): Um testemunho sobre a deportação de Abdul Indjai em 1919 (Mário Beja Santos)

Abdul Injai
Foto editada


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 25 de Julho de 2017:

Queridos amigos,
O Gabinete de Património Histórico da Caixa Geral de Depósitos possui todo o riquíssimo arquivo do BNU. Por ali ando, a ler relatórios e documentação avulsa, nesta primeira fase circunscrito a agência de Bolama.
Esta agência entrou em funções em 1903 e funcionou até ao fim da capital em Bolama, 1941. A documentação que eu tenho consultado começa na I Guerra Mundial, e presta-se a vários tipos de surpresas. O que há de mais surpreendente é, sobretudo na fase em que a agência de Bolama corresponde a um período vigoroso da vida da capital e do seu comércio, as apreciações por vezes chocantes do gerente, não no relatório mas num anexo, é de admitir que fosse para leitura confidencial, no topo da administração em Lisboa, esta devia autorizar o uso de terminologia quase bombástica ao relator.
E este ofício com informação sobre a deportação de Abdul Injai é uma bela peça, é com muito orgulho que vos apresento o seu teor.

Um abraço do
Mário


Sobre a deportação de Abdul Injai em 1919, um testemunho

Beja Santos

A minha mais recente investigação dá-me imensas satisfações, junto tudo o que posso e o que de pertinente encontro escrito a partir da agência em Bolama do BNU, asseguro-vos que há para ali documentação relevante, necessariamente para ser compulsada com outras fontes documentais.

Há um ponto enigmático do funcionamento daqueles relatórios para o qual ainda não encontrei justificação plausível. O gerente prepara um copioso relatório que descreve o ano financeiro, as letras protestadas, os créditos, o dinheiro estrangeiro, o mais que se sabe. Findo este documento segue-se um anexo onde por vezes encontramos comentários chocantes, frases desbocadas, apreciações eminentemente políticas. Devia haver um protocolo interno em que a administração em Lisboa solicitava comentários discretos ao gerentes, seria uma forma dos decisores, ao nível do topo da administração, conhecerem, caso a caso, o que corria bem e mal na colónia, tinha ali materiais para previsão, especulo eu.


Aqui há uns dias foi lançado um mote sobre o mais que controverso Abdul Indjai, cada um de nós deu as suas razões. Pois nas minhas andanças acabo de encontrar com data de 25 de Agosto de 1919 um documento dirigido a Lisboa, tendo como assunto “Guerras”. Vejamos o teor do ofício enviado pelo gerente:
“Tendo-se revelado o régulo Abdul Indjai da região do Oio, foi batido pelas forças do governo e aprisionado bem como os seus conselheiros. Estão já em Bolama.
Este régulo era um dos de mais prestígio na Guiné e de nomeada pelos atos de banditismo praticados, que se estendiam até dentro do território das colónias estrangeiras fronteiras à nossa, o que em tempos deu lugar a reclamações diplomáticas por parte dos governos francês e inglês. Há anos que foi batido e deportado para S. Tomé, conseguiu, quando passou por ali em viagem às colónias o falecido Príncipe Real D. Luís Filipe, ser indultado, regressando à Guiné.
Quando das operações levadas a efeito para bater os papéis o governo utilizou os seus serviços, tendo desempenhado então papel preponderante e exercendo todos os excessos sobre os vencidos e pilhando algumas milhares de cabeças de gado.
Acabada a campanha não se julgou suficientemente pago, ficou com armas e vinha de exigência em exigência rebelando-se contra o governo. Dotado de grande astúcia e muito inteligente, chegou a impor ao governo que lhe fosse dada uma percentagem sobre todo o imposto de palhota cobrado atualmente nas regiões que ele ajudou a bater, substituição de oficiais e sargentos em determinados postos e ainda outras exigências. Ultimamente preparava-se para tomar Farim e vir até Bissau. O comércio estava já temendo que com ele fizessem causa outros régulos, quando numa feliz operação foi cercado e aprisionado. Morreu um alferes e algumas praças indígenas.
Da parte dos rebeldes houve algumas centenas de mortes não só devido aos tiros da artilharia como ao corte de cabeças feitos pelos auxiliares e pelo gentio que vinha sofrendo os rigores da gente do régulo preso. 
Depois deste feliz resultado desenhou-se porém um certo movimento político contra o governador, capitaneado segundo dizem pelo Major Médico Francisco Regala, que faz serviço em Bissau, que veio aqui, levando alguns membros do Conselho do Governo a votarem contra a expulsão da colónia, do régulo, e ser antes submetido a julgamento dos tribunais. Este julgamento seria demoradíssimo e talvez impossível pela dificuldade de se cumprirem determinadas formalidades judiciais, parecendo que havia só o intuito de protelar a questão com fins políticos. O certo é que o Conselho em sessão consultiva votou por maioria que fosse entregue aos tribunais e não expulso. Este facto causou certo alarme entre o comércio pois a permanência na província do prisioneiro era certamente a repetição dos factos ocorridos e um incitamento para outros régulos.
Hoje reuniu de novo o Conselho do Governo em sessão deliberativa, e talvez porque alguns chefes de serviço reconhecessem o caminho errado que iam seguindo com politiquices contra o governador, acompanharam os vogais eleitos votando por maioria a expulsão da colónia por 10 anos, máximo período que a carta orgânica permite, fixando-lhe para cumprimento do desterro, por proposta do Governador, a ilha da Madeira”.

Em rigor, Abdul Injai parte para Cabo Verde e ensaia a sua defesa, adoece e ali morre, nunca chegou a ir à ilha da Madeira. Este testemunho evidencia os excessos a que se entregou um homem que foi figura determinante nas campanhas de Teixeira Pinto, acirrou ódios nas populações, intimidou a administração, inquietou os comerciantes, ficou literalmente só como qualquer tirano descontrolado. Um testemunho destes vale pelo que vale, nunca pode ser tomado como verdade axiomática, há que comparar, envolver outros testemunhos até encontrar a resposta mais imparcial possível, com base no juízo crítico do cientista social. É assim que se faz a História.
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Nota do editor

Último poste da série de 21 de Julho de 2017 > Guiné 61/74 - P17609: Historiografia da presença portuguesa em África (82): o caso de Abdul Injai: "Roma não paga a traidores" (António J. Pereira da Costa).... "mas Lisboa e Paris também não" (Cherno Baldé)... Ainda comentários de Hélder Sousa, Mário Beja Santos e Nuno Rubim

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Guiné 61/74 - P17627: Agenda cultural (576): Montemor o Novo, Biblioteca Municipal, Clube de Leitura, ciclo temático "A guerra colonial", 2ª sessão: "África na Literatura Portuguesa - Um tema de uma geração", por Carlos Matos Gomes, 4 de agosto, às 18h00. Entrada livre, aberta e incentivada à participação de todos/as.


Cartaz do evento

1.  Com pedido de divulgação, em 25 do corrente, por parte da  técnica responsável da biblioteca municipal de Montemor o Novo:


No próximo dia 04 de Agosto às 18h00, o Clube de Leitura da Biblioteca Municipal Almeida Faria, Montemor-o-Novo, realizará a sua segunda sessão integrada num ciclo de leitura e debate com pano de fundo a "Guerra Colonial" na Literatura Portuguesa".

Esta sessão terá a apresentação do Coronel Carlos Matos Gomes que, a partir de "Nó Cego", abordará "África na Literatura Portuguesa - Um tema de uma geração".

A sessão tem entrada livre, aberta e incentivada à participação de membros e não membros do Clube de Leitura.

Segue em anexo cartaz da sessão.

Com os melhores cumprimentos,

Liliana Pincante
Biblioteca Municipal Almeida Faria

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Nota do editor:

Último poste da série > 18 de julho de 2017 > Guiné 61/74 - P17597: Agenda cultural (575): Leiria, Biblioteca Municipal, sarau literário, comemorativo dos 100 anos do nascimento do capitão e escritor Manuel Ferreira (1917-1992)

Guiné 61/74 - P17626: Notas de leitura (981): Relatório sobre a situação dos direitos humanos na Guiné-Bissau, 2008/2009, Lema: a força sem discernimento colapsa sob o seu próprio peso (2) (Mário Beja Santos)

Tagme Na Waie e Nino Vieira


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 24 de Fevereiro de 2016:

Queridos amigos,

Deve-se à Liga Guineense dos Direitos Humanos um labor sem precedentes na análise e no protesto às violações dos direitos humanos no país, e no seu mais vasto ecrã.

Reservámos para esta resenha as suas chamadas de atenção para devastadores crimes ambientais, como sejam os turvos negócios que permitiram um grupo de chineses desflorestar no Sul do país com total impunidade e a criação de um corredor aberto ilegalmente na zona que liga o futuro porto de Buba à estrada Buba-Fulacunda, outra violação miserável. Mais adiante, o relatório da Liga referente a este período chama atenção para o papel quase ditatorial das forças de Defesa e de Segurança que, conforme escreve a Liga, constituiu o principal óbice à sua conversão em forças republicanas.

Um abraço do
Mário


Relatório sobre a situação dos direitos humanos na Guiné-Bissau, 2008/2009, 
Lema: a força sem discernimento colapsa sobre o seu próprio peso (2)

Beja Santos

Trata-se de um importantíssimo relatório onde se analisa o largo espectro dos direitos humanos, incluindo aqueles que se prendem com a inclusão social, tipo educação, saúde e emprego. Referimos no texto anterior os domínios que têm a ver com a antidemocracia decorrente do poder das Forças Armadas que subvertem a vida das instituições democráticas. No período em análise ocorreram o assassinato de um Presidente da República, um Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, houve prisões arbitrárias, torturas, uma completa deriva dos poderes regionais, como é o caso da região do Oio onde os N’Kumans detiveram ilegitimamente o poder, perpetrando toda a casta de furtos, espancamentos e intimidações.

Os crimes ambientais são uma outra vertente que o relatório contempla. No ano 2009 assistiu-se a um escândalo de corte ilegal e desenfreado de madeiras provocado por um grupo de chineses, na zona sul do país, com o único propósito de exportar a madeira para a China, facto que mereceu uma reação dos populares e de alguns deputados eleitos naquela zona; contudo, apurou-se que os chineses atuavam naquela zona a coberto de uma ordem superior em troca de interesses fictícios e de duvidosa legalidade.

Caso de extrema gravidade é o da demarcação de cerca de 25 hectares de terreno pela empresa Bauxite Angola, no Sul do país, com o único propósito de abrir uma estrada em direção ao local onde supostamente irá ser construído o futuro porto de Buba. A abertura desta via de acesso não teve estudo prévio e decorre à revelia dos departamentos do Estado. O mais grave de tudo é que esta zona é reconhecida internacionalmente como uma área protegida denominada RAMSAR, zona protegida das lagoas de Cufada. A empresa angolana procedeu a derrubes desenfreados de milhares de árvores nesta zona protegida. Esta mesma empresa contratou uma sua congénere brasileira para fazer o estudo do impacte ambiental sem ter havido um contrato definitivo com o Estado guineense que espelhasse de forma clara as modalidades e a forma como devia ser conduzida o estudo. Aqui se pode avaliar como o Estado é frágil, não se consultaram previamente as entidades estatais competentes, caso do IBAD, encarregado de gerir o Parque Natural das Lagoas de Cufada, dentro do qual se pretende construir o futuro porto.

 Parque Natural das Lagoas de Cufada

Passando para outro domínio, o funcionamento das instituições democráticas, escreve-se que o desempenho dos órgãos de soberania ao longo deste período ficou caraterizado pela desconfiança, falta de coabitação e primazia de interesses pessoais sobre os interesses institucionais. O princípio da complementaridade institucional, fundado na interdependência dos referidos órgãos não foi observado. O Presidente da República tentou controlar o governo e impor controlo político na administração do aparelho de Estado – esta pretensão esteve na origem do derrube do primeiro governo de Carlos Gomes Júnior, em 2005. Com o termo do mandato do governo em Abril de 2008, o presidente da República foi obrigado a anunciar ao parlamento a necessidade da adoção de medidas para evitar o vazio institucional. A Assembleia Nacional Popular aprovou a Lei Constitucional Excecional e Transitória, em 16 de Abril de 2008, com o objetivo de prorrogar a legislatura e o funcionamento regular e pleno da Assembleia e continuidade do governo do Pacto de Estabilidade liderado pelo Engenheiro Martinho N’Dafa Kabi. Um grupo de deputados submeteu ao Supremo Tribunal de Justiça uma ação de pedido de inconstitucionalidade, e o Supremo Tribunal de Justiça decidiu que a prorrogação da legislatura não era razoável, fazendo ocorrer o perigo de uma transição constitucional sem eleições legislativas. Com base nesta decisão, o Presidente da República dissolveu a Assembleia, demitiu o governo de Martinho N’Dafa Kabi e nomeou Carlos Correia como novo primeiro-ministro, que liderou o governo de gestão até às eleições legislativas de 2008, ganhas pelo PAIGC. Esta queda de governo inaugurou o corte de relações entre Nino Vieira e Tagme Na Waie. Os dois tinham estado em concertação permanente depois do conflito político-militar de 1998-1999, mesmo estando Nino Vieira com o estatuto de exilado político em Portugal. A perda de Tagme Na Waie como aliado foi um rude golpe para o Presidente. A desconfiança foi de tal ordem que Nino Vieira preferiu recrutar os elementos das milícias, que ficaram conhecidos pelo nome de “aguentas” para lhe servirem de segurança pessoal.


Carlos Gomes Junior


Martinho N'Dafa Kabi

A vitória das legislativas de 2008 pelo PAIGC abriu uma nova luta desenfreada sobre o controlo do poder entre Nino, Carlos Gomes Júnior e Tagme Na Waie, tornaram-se em antagonismos pessoais, a coabitação desequilibrou-se profundamente. Segundo o relatório, o combate ao narcotráfico agudizava a referida relação triangular na medida em que a determinação e predisposição dos três não eram convergentes. A sociedade civil ia reclamando que se adotassem mecanismos eficazes com vista a assegurar a neutralidade das Forças Armadas na vida política.

No que respeita à Assembleia Nacional Popular, este órgão não foi além de empreender esforços para viabilizar diplomas e resoluções em benefício da classe parlamentar e político-partidária. No entender da Liga, o funcionamento da ANP reflete a imagem real da classe política, caraterizada pela falta de ideologias. Os partidos políticos carecem de democracia interna, marcada pelo não funcionamento dos órgãos dirigentes dos partidos, não realização de congressos, partidos unipessoais que se resumem apenas à figura do líder, partidos sem sede e estruturas nacionais. Quanto às iniciativas orientadas para uma verdadeira reconciliação nacional, observa a Liga que esta precisa de um processo preparatório bem pensado e consistente para construir a confiança entre os atores envolvidos, abertura ao diálogo, respeito pela minoria, compromisso com a verdade e determinação contra a impunidade.

E o que se escreve sobre as forças de Defesa e Segurança é também de uma grande importância. Lembra-se neste relatório que estas forças surgiram muito antes da proclamação da independência, são património da luta de libertação nacional, foram concebidas como braço armado de uma luta política e militar de libertação nacional. Pois bem, esta politização perdurou formalmente até 1991, data em que através de revisão constitucional se pôs fim ao regime de partido único. Mas como diz a Liga, a matriz formal destas forças de Defesa e Segurança sobrevive sustentada pelos argumentos de que foram os promotores de independência e conseguintemente têm a responsabilidade histórica de imprimir um determinado rumo ao país. É esta visão que justifica as várias interferências de tais forças na vida política e constitui o principal óbice à sua conversão em forças republicanas.
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Nota do editor

Último poste da série de 24 de julho de 2017 > Guiné 61/74 - P17614: Notas de leitura (980): Relatório sobre a situação dos direitos humanos na Guiné-Bissau, 2008/2009, Lema: a força sem discernimento colapsa sob o seu próprio peso (1) (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P17625: "Tite (1961/1962/1963) Paz e Guerra", brochura de 2002, da autoria do nosso camarada Gabriel Moura do Pel Mort 19 (9): Págs. 65 a 72

Capa da brochura "Tite (1961/1962/1963) Paz e Guerra"

Gabriel Moura

1. Continuação da publicação do trabalho em PDF do nosso camarada Gabriel Moura, "Tite (1961/1962/1963) Paz e Guerra", enviado ao Blogue por Francisco Gamelas (ex-Alf Mil Cav, CMDT do Pel Rec Daimler 3089, Teixeira Pinto, 1971/73).


(Continua)
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Nota do editor

Último poste da série de 25 de julho de 2017 > Guiné 61/74 - P17617: "Tite (1961/1962/1963) Paz e Guerra", brochura de 2002, da autoria do nosso camarada Gabriel Moura do Pel Mort 19 (8): Págs. 57 a 64

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Guiné 61/74 - P17624: Convívios (819): Estão convocados os camaradas e amigos da Tabanca de Porto Dinheiro para atacar a monumental "batatada tradicional de peixe seco" no dia 31 de julho, segunda feira, com concentração por volta das 19h, na Associação Cultural e Recreativa da Ventosa (do Mar), Lourinhã.... E, já agora, sabem porque é que as tropas de Junot perderem a batalha do Vimeiro em 1808 ? É porque não sabiam que o peixe seco da Lourinhã era um produto "gourmet"... (Eduardo Jorge Ferreira, o régulo)



Associação Cultural e Recreativa da Ventosa (ACRV), Lourinhã > Cabeçalho do programa das comemorações do 35º aniversário > Dia  31 de julho, segunda feira, o prato forte do jantar é a "tradicional batatada (peixe seco)"... Para quem só conhece o bacalhau (da Noruega) e o carapau (da Nazaré), este "restaurante gourmet", da ACRV, é um sítio a descobrir... Mas não é todos os dias que há "batatada"... Tomem nota na vossa agenda: Ventosa (do Mar),. Lourinhã, 31 de julho de 2017, 19h00...



1. Manda o régulo da Tabanca de Porto Dinheiro,  Lourinhã, Eduardo Jorge Ferreira [, sargento do RI 19m noutra encarnação], através do seu secretário e editor deste blogue, Luís Graça, convocar os tabanqueiros do costume, e mais outros camaradas e amigos da Guiné, atabancados ou não, que se queiram juntar, para no dia 31 de julho de 2017,  a partir das 19h, dar início à Operação " Batatada Tradicional de Peixe Seco", com que se encerram as cerimónias do 35º aniversário da sempre ativa e simpática Associação Cultural e Recreativa da Ventosa, Lourinhã, onde somos sempre bem acolhidos, acarinhados e tratados. As suas iniciativas são abertas ao público em geral.

Não há inscrições prévias... Há uma fila democrática para a inscrição no jantar, por ordem de chegada... A caixa deve abrir por volta das 19h30. A Tabanca de Porto Dinheiro vai ver se "reserva" uma mesa para os seus apreciadores deste produto "gourmet" da região atlântica da Estremadura (Oeste)... (Felizmente que o Junot não sabia da sua existência...).

A Ventosa (do Mar), que pertence à freguesia de Santa Bárbara, concelho da Lourinhã,  rivaliza com as vizinhas localidades da Marquiteira e do Porto Dinheiro, na confeção desta iguaria...

Esperamos por ti, camarada!  E divulga o evento!
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Nota do editor:

Guiné 61/74 - P17623: "Expedicionários do Onze a Cabo Verde (1941/1943)", da autoria do capitão SGE José Rebelo (Setúbal, Assembleia Distrital de Setúbal, 1983, 76 pp) - Parte XIII: Quarenta nos depois, continuavam a reunir-se e a homenagear os seus mortos...



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1. Continuação da publicação da brochura "Expedicionários do Onze a Cabo Verde (1941/1943)", da autoria do capitão SGE ref José Rebelo (Setúbal, Assembleia Distrital de Setúbal, 1983, 76 pp. inumeradas, il.) [, imagem da capa, à direita].(*)

José Rebelo, capitão SGE reformado, foi em plena II Guerra Mundial um dos jovens expedicionários do RI I1, que partiu para Cabo Verde, em missão de soberania, então com o posto de furriel (1º batalhão, RI 11, Ilha de São Vicente, ilha do Sal e ilha de Santo Antão, junho de 1941/ dezembro de 1943). 

Faria depois da Escola de Sargentos de Águeda, tal como o futuro cap SGE e escritor Manuel Ferreira (1917-1992), mobilizado como furriel miliciano pelo RI 7 (Leiria) (esteve no Mindelo entre 1941 e 1946). 

Promovido a alferes, o José Rebelo comandou a GNR em Tavira, até 1968. Colaborava com regularidade, no jornal "Povo Algarvio", onde o nosso camarada Manuel Amaro o conheceu, pessoalmente. Em 1969, já capitão, foi o Comandante da Companhia da Formação no Hospital Militar da Estrela, em Lisboa.

É  muito provável que já não esteja entre os vivos. De qualquer modo, é credor de toda a nossa simpatia, apreço e gratidão, cabendo-nos por isso honrar a sua memória e a dos seus camaradas, onde se incluíram os pais de alguns de nós, mobilizados para Cabo Verde, por este e por outros regimentos.


[Foto, à esquerda, do então furriel José Rebelo, expedicionário do 1º batalhão do RI 11]


2. A brochura, de grande interesse documental, e que estamos a reproduzir, é uma cópia, digitalizada, em formato pdf, de um exemplar que fazia parte do espólio do Feliciano Delfim Santos (1922-1989), que foi 1.º cabo da 1.ª companhia do 1.º batalhão expedicionário do RI 11, pai do nosso camarada e grã-tabanqueiro Augusto Silva dos Santos (que reside em Almada e foi fur mil da CCAÇ 3306 / BCAÇ 3833, Pelundo, Có e Jolmete, 1971/73).

Recorde-se que se trata de um conjunto de crónicas publicadas originalmente no semanário regional, "O Distrito de Setúbal", e depois editadas em livro, por iniciativa da Assembleia Distrital de Setúbal, em 1983, ao tempo do Governador Civil Victor Manuel Quintão Caldeira.

A brochura, ilustrada com diversas fotos, dos antigos expedicionários ainda vivos nessa altura, tem 76 páginas, inumeradas. As páginas que publicamos hoje [cap XV],  não vêm numeradas no livro. [corresponderiam às pp pp. 52 a  57].

O batalhão expedicionário do RI 11, Setúbal, com pessoal basicamente originário do distrito, partiu de Lisboa em 16 de junho de 1941 e desembarcou na Praia, ilha de Santiago, no dia 23. Esteve em missão de soberania na ilha do Sal cerca de 20 meses (até 15 de março de 1943), cumprindo o resto da comissão de serviço (até dezembro de 1943) na ilha de Santo Antão.

Quarenta anos do seu regresso, os expedicionários do Onze  conrtinuavam a reunir-se e a homenager os seus mortos. É um ritual universal, que aontece em todos os países, em todas as épocas, em todas as guerras... (LG)

PS - Nesta cerimónia, realizada em Setúbal, em 9 de abril de 1981,  esteve presente  o cor inf Luís Casanova Ferreira (1931-2015) que fez duas comissões no CTIG (1964/66 e 1970/74) e foi um dos capitães de Abril. Provavelmente na sua qualidade de antigo comandante do RI 11, tendo passado à reserva justamente nesse ano de 1981.

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Guiné 61/74 - P17622: "Resumo do que era a Guiné Portuguesa há vinte anos e o que é já hoje", da autoria do 2.º Sargento Ref António dos Anjos, Tipografia Académica, Bragança, 1937 (9): Págs. 80 a 88 (Alberto Nascimento, ex-Soldado Condutor Auto)


1. Continuação da publicação do livro "Resumo do que era a Guiné Portuguesa há vinte anos e o que é hoje", da autoria do 2.º Sargento António dos Anjos, 1937, Tipografia Académica, Bragança, enviado ao Blogue pelo nosso camarada Alberto Nascimento (ex-Soldado Condutor Auto da CCAÇ 84 (Bambadinca, 1961/63).


(Continua)
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Nota do editor

Último poste da série de 24 de julho de 2017 > Guiné 61/74 - P17613: "Resumo do que era a Guiné Portuguesa há vinte anos e o que é já hoje", da autoria do 2.º Sargento Ref António dos Anjos, Tipografia Académica, Bragança, 1937 (8): Págs. 70 a 79 (Alberto Nascimento, ex-Soldado Condutor Auto)