segunda-feira, 24 de julho de 2017

Guiné 61/74 - P17616: (De)Caras (91): Américo Russa, ex-fur mil vagomestre, CCS/BART 3873: de Bambadinca (1972/74) a Tondela (2017)... Amigos para sempre (Jorge Araújo)













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Nota do editor:

Último poste da série > 22 de julho de  2017 > Guiné 61/74 - P17611: (De) Caras (90): Gente da "Linha", gente "magnífica"... Nos bastidores da Tabanca da Linha, Carcavelos, 32º almoço-convívio, 20 de julho de 2017 - Parte I

14 comentários:

Tabanca Grande disse...

No blogue, escrevemos "vagomestre", o termo que vem grafado nos dicionários... Mas recordo-me que na Guiné também dizíamos "vaguemestre", à franeesa... LG

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vagomestre | s. m.

va·go·mes·tre
(francês vaguemestre)
substantivo masculino
Suboficial do exército francês encarregado da correspondência.

"vagomestre", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/vagomestre [consultado em 24-07-2017].

Tabanca Grande disse...


Ciberdúvidas da Língua Portuguesa > Consultório > Perguntas

http://www.thecochranelibrary.com/view/0/index.html


Pergunta:

Vagomestre

O responsável pela alimentação num quartel militar, normalmente um elemento da classe de sargentos (furriel ou outro), é um “vaguemestre” ou “vague-mestre”?

Luís Barros Portugal

Resposta:

O «sargento responsável pela alimentação numa unidade» é o vagomestre («do alemão "Wagenmeister", 'mestre das equipagens'»), de acordo com o Dicionário da Porto Editora.

C. M. 17 de novembro de 2006

Tabanca Grande disse...

Jorge: em relação ao "resort" da ponte do Rio Udunduma, onde também passei algumas belas noites de céu estrelado, deixa-me dar-te conta da minha inveja e admiração: quatro anos depois, já havia "minibar" e, de vez em quando, "arroz de pato da bolanha"... além de jipe às ordens e petromax!... Melhor que nada, a verdade se vocês tivessem que pagar IMI, já tinham, na avaliação do "prédio urbano" mais uns pontozinhos a melhorar o coeficiente de qualidade e conforto...

Parabéns pela vossa imaginação e vontade de dar a volta às contrariedades: não me lembro de, na minha companhia, haver um raio de um petromax, da Casa Hipólito (que se exportava para Cuba!)... Ou então alguém se abotoava com os petromax que, em África, eram um tesouro!...

Tabanca Grande disse...

Ó Jorge, leitão para 30 jovens na flor da idade (mesmo que maioria fosse da CCS, onde sempre se comia melhor) era petisco divino, naquela época... Seguramente que tiveste que matar pelo menos 2 leitões... Gastaste "manga de patacão"...Será que ainda te lembras do preço do jantar do teu aniversário ?

Uma vaca andava pelos 900 pesos, no meu tempo, comprada em Sonaco... Também fui gerente de messe (tocava a todos), num mês, de que já não me lembro, com apoio do meu vagomestre, da CCAÇ 2590/CCAÇ 12, o Jaime Soares Santos (formou-se em economia e trabalhou na TAP; nunca mais o vi).

Cabritos, leitões e "pica no chão" era mais difícil de arranjar no meu tempo, ainda no início do reordenamento de Nhabijões (um dos maiores, senão o maior da Guiné)... Provavelmente, no teu tempo, já eram melhores as relações da tropa com a população balanta (a única, além dos "grumetes", que criava porco...). Tínhamos que percorrer tabancas "hostis" como os Nhabijões, Mero, Santa Helena, Fá Balanta...

Tabanca Grande disse...

Que bonita foto, a do Sousa de Castro, nosso tabanqueiro nº 2 e do camarada vagomestre Américo Russa!... E, para mais, tem como fundo uma escola Conde Ferreira!... Como a minha, na Lourinhã, onde tirei a 4ª classe... O camartelo camarário destruiu-a, sem dó nem piedade!... Podiam ao menos desmantelá-la e reconstruir a fachada noutro sítio!...

Infelizmente, era presidente da câmara um arquiteto "iconoclasta", que já tinha participado na destruição da Coimbra Velha!... Um dos colaboradores do Cristino da Silva, o arquiteto-mor do Estado Novo!... Estou a falar de um homem da minha terra, que integrou desde o início o Gabinete de Urbanização Colonial (GUC), criado por Marcello Caetano, em 1944...

Já aqui tenho faaldo deste homem, meu conterrâneo, por quem nunca nutri simpatia especial.. Era um arquitectos de regime, conservador, mas com reconhecida qualidade técnica... Era filho de um construtor civil da Lourinhã...

Já aqui o lembreo, o meu conterrâneo (e vizinho) arq Lucínio Cruz, já falecido, tem obra vária, edificada em Bissau e outras partes do nosso antigo império (Cabo Verde, Angola, etc.). Por ex., a Estação Metereológica, em Bissau, também é dele (1952), bem como o edifício dos CTT (1950, alterado). Também fez o projeto para a Câmara Municipal de Bissau (1948, não construído).

É também o autor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (1952-58), o Departamento de Física e Química da FCT/UC (1956-1975), parte do projeto da nova Cidade Universitária de Coimbra, exemplo acabado da arquitetura estadonovista. É bom lembrar que grande parte da Coimbra velha foi destruída para albergar estes mastodônticos edifícios...

Tem também, o arq Licínio Cruz, obra espalhada por outros sítios, incluindo a sua terra natal (n. 1914 e faleceu em finais de 1990 ou princípios de 2000). Inclusive o prédio, na Rua da Misericórida, Lourinhã, onde tenho um apartamento, foi projetado por ele.

Pôs termo à vida, na presença na sua última companheira, de origem africana. Sempre teve um especial fraquinho por africanas... Foi presidente da Câmara Municipal da Lourinhã (1969-74) e provedor da Misericórdia local, no pós-25 de abril. Nunca se conformnou com o 25 de Abril... Era um homem autoritário. Também era conhecido por Licínio Guia da Cruz. Não lhe perdo ter deitado abaixo a minha escola, que remontava ao último quartel do s+ec. XIX, e fazia parte do legado do grande benemérito José Ferreira, o conde de Ferreira...

Lamentavelmente não encontro, na Net, uma simples nota biográfica sobre este homem que tem obra e que faz parte, quer se goste ou não, da história da arquitetura portuguesa do séc. XX... Também não lhe perdoo o ter mando deitar abaixo o coreto do jardim do largo convento, onde eu brincava, e que era ao lado da minha escola... Era o nosso verdadeiro páteo do recreio...

Há crimes "urbanísticos" e "patrimoniais" que nos tocam muito, porque mexem com a nossa infância, as nossas memórias de infância, a nossa rua, o nosso bairro, a nossa terra... Licínio Cruz terá sido um "bom arquiteto" e um "péssimo autarca", não deixou saudades na sua terra que, apesar de tudo, tem a obrigação de o recordar... Os autarcas do pós-25 de Abril também fizeram muita merda... na minha terra, em todas as terras deste país...

Desgraçadamente somos um povo com fraca memória!...

Valdemar Silva disse...

Na CART.11 todos os soldados africanos eram desarranchados e o resto da Companhia do Soldado básico ao Capitão todos comiam do racho geral, embora em espaços 'salas' diferentes. Isto passava-se em Nova Lamego e o Furriel Mil. Vagomestre Ferreira via-se às aranhas para servir rancho como deve ser e quando mandava fazer rancho melhorado o 1º. Sargento aconselhava-o a ir se atirar ao Geba. O 1º. Sargento sempre tentou ser ele ou o 2º. Sargento, a tomarem conta do rancho. Não sei, não me lembro, como funcionava em Canquelifá, mas em Paunca também tínhamos o nosso próprio rancho e, também, em Guiro Iero Bocari. Em Guiro Iero Bocari era especial por se tratar não de rancho mas dum Restaurante premiado com uma estrela Michelin (ver fotos as instalações do Restaurante já publicadas no blogue).
Quanto a petiscos ou outros comes parecidos só apareciam quando ou se compravam umas galinhas ou o Macias e o Pais iam à caça que, depois, eram confecionados pelo Pereira fora das horas do rancho.
Saudações para todos
Valdemar Queiroz

Tabanca Grande disse...


O meu conterrâneo também é o arquiteto do Colégio de São João de Brito, projeto de 1950.

http://www.csjb.pt/historia/ARestauracaodaCompanhiadeJesus.pdf

Tabanca Grande disse...

Valdemar, ainda há dias estive com o Macias, em Carcavelos, no almoço-convívio da Tabanca d Linha e ele falou em ti com muito apreço...

Falar de ranchos, desarranchos, messes, vagomestres, sargentos, sobretudo de 1ºs primeiros sargentos, intendência, etc.... ainda parece que é tabu, ao fim de meio século!... Sabemos que o "comes & bebes", na guerra, era uma das áreas onde se podia "pôr a mão na massa"... Outra era o dos reordenamentos, que movimentava muito material de construção...

Não podemos generalizar, mas havia a ideia que a messe, o rancho e o bar davem para os gajos menos honestos se governarem... Da triste fama não se livram alguns camaradas nossos... Estive um mês à frente da messe, com o competente apoio e a experiência do Jaime Soares, e tanto quanto me lembro não tive prejuízos e prestei contas, transitando o saldo (positivo) para a gerência seguinte...Tanto quanto me lembro, comia-se bem nas messes (oficiais e sargentos) de Bambadinca: a cozinha era a mesma, os menus eram os mesmos, mas os espaços eram separados (se bem que contíguos), "como convinha" numa sede de batalhão... Tinha ideia que o gerente de messe o que fazia era sobretudo "abastecer" a cozinha: lembro-md e ir comprar vacas a Sonaco, a nordeste de Contuboel... e andar a bater as tabancas, de Badora ao Cossé, à procura de cabritos, leitões, galinhas... também se caçava, mas isso era para o petisco e para os "grupos de amigos": lebres, galinhas de mato, etc.

Era bom que aparecessem mais depoimentos sobre este tema... Quanto ao rancho geral, devia-se comer mal... em Bambadinca, como em toda a parte!

Tabanca Grande disse...

Com a devida vénia... LG

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Avenida de Roma. Fotografias 1930 – 2011


ARQUIVO MUNICIPAL DE LISBOA/NÚCLEO FOTOGRÁFICO
Rua da Palma, 246
LISBOA

22 JUL - 02 SET 2011


INAUGURAÇÃO:
21 de Julho 2011, 18h



PRESS RELEASE


Em 1941, o jornal semanário A Acção, saudava uma “Lisboa nova e moderna”, “aldeia grande que se transformava em grande e soberba cidade”, “adeus à Lisboa provinciana de manjerico à janela” (França 2008: 704).

O Bairro de Alvalade é consequência do Plano Geral de Urbanização e Expansão de Lisboa (PGUEL) de 1938, que definiu as grandes linhas de desenvolvimento da cidade, das quais se destaca a expansão para norte, nomeadamente para a zona de Alvalade.

Construído inicialmente pela Câmara Municipal de Lisboa, a urbanização do Bairro de Alvalade constitui uma intervenção pioneira criando uma nova parte da cidade edificada quase de raiz. O Município de Lisboa conseguiu conciliar a inovação urbanística, sobretudo no desenho e na gestão, com a utilização em larga escala de novos métodos construtivos, implicando a redução de custos de construção sem prejuízo da qualidade arquitectónica.

Espinha dorsal do Bairro de Alvalade a avenida de Roma é um livro aberto da história da arquitectura e do urbanismo do século XX. Aqui encontramos imóveis de grande qualidade arquitectónica, assinados por alguns dos melhores arquitectos da época, como Cassiano Branco, Joaquim Bento de Almeida, José de Lima Franco, Licínio Cruz, Formosinho Sanches, Filipe Figueiredo e José Segurado.

A presente exposição sobre a construção da avenida de Roma (1930 – 2011), insere-se no âmbito do levantamento fotográfico sistemático e actualizado do património cultural da cidade, o qual, nas suas diversas vertentes, constitui um aspecto estruturante da missão do Arquivo Municipal de Lisboa.

Das 50 imagens expostas, 25 são da colecção do arquivo e dão a conhecer a evolução da avenida entre os anos 30 e 80, do século XX.

As outras 25, tiradas nos primeiros meses deste ano, pelo fotógrafo Luís Pavão, mostram uma avenida que, apesar das feridas infligidas pelas “marquises”, é ainda um exemplo do que de melhor se fez em Portugal em planeamento urbanístico.

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http://www.artecapital.net/recomendacoes.php?ref=455

Valdemar Silva disse...

Luís, eu o Abílio Pinto e o Macias eramos os Furriéis do 4º. Pelotão. Praticamente, por o Alf. Pina Cabral ter problemas de saúde ao ponto de deixar a Companhia, eu por ser o mais velho e o Macias é que fomos os verdadeiros Comandantes do Pelotão.
O Macias, Manuel Maria Candeias Macias, da Aldeia Nova de S. Bento(Serpa)é um alentejano chapado e foi a pessoa mais completa que conheci. Era rapaz para dar mais de 20 carambolas seguidas a jogar bilhar, era um extraordinário jogador de qualquer jogo cartas, era o melhor atirador da Companhia quer com a sua caçadeira ou com a G3, sabia jogar bem à bola e era um às aos matrecos, cantava à alentejano nos vários tons do cante, até com o acordeão do Cunha já dava uns acordes e, só reparei à tempos num nosso Convívio, também dança muito bem. Era e deve continuar a ser um ferranho alentejano, ao ponto de quando nós dizíamos que o Alentejo não tem praias ele dizia que na costa alentejana havia várias praias com quilómetros de areal, pois tá bem mas não têm vinhas, ele dizia que o maior vinhedo do país é o da zona do Redondo, pois tá bem mas não têm nenhum jogador da bola de jeito, ele dizia que Vital do Lusitano d Évora foi o guarda-redes que mais vezes jogou na selecção (era militar) e assim sucessivamente, e o Alqueva ainda não existia.
Agora, dentro deste tema de comes e bebes o Macias quando, em Nova Lamego, ia à caça com o Pais de Sousa trazia sempre grandes 'caçadas', galinholas, perdizes, lebres, pombos verdes, que depois o Pereira cozinheiro tratar de arranjar grandes petiscos. Ficou-lhe em débito nunca ter apanhado nenhuma gazela (pra grande contentamento do Cunha).
Abraços
Valdemar Queiroz

Anónimo disse...

CAMARADAS,

BOM DIA.

A propósito das questões colocadas nos comentários supra, que agradeço, cumpre-me esclarecer o seguinte:

1. - No "resort da Ponte do Rio Udunduma" não "havia jipe às ordens". Ele era utilizado, sempre que possível, apenas para o transporte dos alimentos confeccionados na CCS, entre Bambadinca e o Destacamento.

2. - O reforço de "pato da bolanha" não tinha arroz. Ele era cozido durante +/- 3 horas, pois a carne era muito dura devido às suas características morfológicas, utilizando-se a chama de uma palmeira seca que se regava previamente com petróleo numa extremidade.
O tacho tinha de recuar à medida que a dita cuja (palmeira) se ia transformando em cinza. Depois de cozido e cortado em pedaços, o pato era frito adicionando-se depois um pouco de malagueta, como único condimento.

3. - Já não tenho presente o custo total da refeição (jantar) de aniversário. Tenho a ideia de que não foi muito. Creio que rondou os 200/300 pesos?!

4. - O leitão foi adquirido na Tabanca de Bambadinca na presença do camarada Américo, pois ele conhecia bem o meio e o valor dos animais.

5. - Já agora, e a propósito da foto 8, será que o camarada Juvenal Amado pode identificar o seu contexto?

Ab. Jorge Araújo.

Juvenal Amado disse...

Camarada Jorge Araújo

Tenho uma vaga ideia do desafio de futebol mas a verdade é se não tens falado nesse evento talvez nunca me recordasse do facto.
Copiei a tua foto para o grupo Galomaro Destino e Passagem e espero que algum dos camaradas de Galomaro tenham fotos do convívio/jogo.

Tentei adicionar-te ao grupo uma vez que tu deves conhecer outros furrieis do 3872 mas não consegui.
Não tens facebook? Se tiveres pede para ser adicionado.

Um abraço

Anónimo disse...

Camarada Juvenal Amado,

Obrigado pela tua pronta resposta.

Porque não tenho facebook... fico a aguardar por novos desenvolvimentos.

ab. Jorge Araújo.

Anónimo disse...

Jorge araujo
27 jul 2017 00:19

Luís, obrigado por teres colocado a questão da foto 8 ao camarada Juvenal Amado.

Quanto à pergunta sobre o "petromax", não faço a mínima ideia da sua marca ou origem. O importante para nós era, naturalmente, a sua função... a de nos dar alguma claridade em especial nas noites de lua nova. Obrigado... foi quanto nos custou o objecto, depois de termos feito um "choradinho" no comando do BART 3873, no sentido de nos cederem um exemplar.