terça-feira, 25 de julho de 2017

Guiné 61/74 - P17618: (De)Caras (92): "We Want You", Manuel Maria Candeias Macias, natural de Aldeia Nova de São Bento (Serpa), presença regular na Tabanca da Linha, ex-fur mil 4º Gr Comb da CART 2479 / CART 11, "Os Lacraus», Contuboel, Nova Lamego, Paunca 1969/70 (Valdemar Queiroz / Manuel Resende / Abílio Duarte)


Foto nº 1 >  Tabanca da Linha > Carcavelos > 20 de julho de 2017 >O Manuel Macias, que vive em Algés,  Oeiras. É presença assídua na Tabanca da Linha.


Foto nº 2 > Tabanca da Linha > Carcavelos > 20 de julho de 2017 > Manuel Macias e Miguel Rocha


Fotos (e legendas): © Manuel Resende (2017). Todos os direitos reservados. [edição; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº 3 > Tabhanca da Linha > XXII Convívio > Oitavos, Cascais, 19 de novembro de 2015 > Da esquerda para a para direita, Manuel Macias, Armando Pires e Miguel Rocha

Foto (e legenda): © Manuel Resende (2015). Todos os direitos reservados. [Edição; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Foto º 4  > Tabanca da Linha > Oitavos, Cascais > 11/9/2014 > Manuel Macias

Foto (e legenda): © Manuel Resende (2014).  Todos os direitos reservados. [edição; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº  5 > Nelas > Canas de Senhorim > 31 de maio de 2014 > 24º convívio da CART 2479 / CART 11 (Contuboel, Nova Lamego, Canquelifá, Paunca, Guiro Iero Bocari, 1969/71) > A referir nesta foto o 4º. Pelotão, com o ex-alf  mil Pina Cabral sentado, mais o Valdemar; à esquerda o ex-1º cabo at  Altino, mais o Manuel Macias, o Abílio Duarte Pinto, o Aurélio e a ainda o ex-fur  mil trms Silva-


Foto (e legenda): © Abílio Duarte (2014). Todos os direitos reservados. [Edição; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foyo nº 6 > Espinho > c. 1968 > CART 2479 (futura CART 11 e depois CCAÇ 11) > IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional > Legenda:

(i) na 4ª fila, fila. de pé o Valdemar Queiroz (1) e á sua direita o Bento (4);

(ii) o Cândido Cunha está no centro da foto (3) [, "na segunda fila, de pé, facilmente identificado por ser o que se está a rir, se calhar por todos os outros estarem tão sérios";

(iii) na 3ª fila. à esquerda do Cunha, o Renato Monteiro (2);

(iv) o  segundo, a contar da direita, na 1ª fila é Abílio Duarte (5): seguido do Pechincha (6) e do Manuel Macias (7).

O Renato, o Valdemar e o Abílio são membros da nossa Tabanca Grande.  Esperemos que o próximo venha  a ser o Manuel Macias,

Foto (e legenda): © Abílio Duarte (2014). Todos os direitos reservados. (Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.)



Foto nº 7 > Guiné > Zona leste > Região de Gabu > Nova Lamego > CART 2479 / CART 11 (1969/70) > O Valdemar Queiroz (12) ao lado do alf mil Pina Cabral (13) e o 4º.Pelotão... Restantes furriéis: Pinto (5) e Macias (9).

(...) Esta é uma grande (e enigmática) fotografia em que cada observador pode fazer ou conjecturar muitos comentários, provavelmente perguntar se o Alseine, Saliu, Camará, Mutaro, Bácar, Arfan, Macias, Bonco, Tamaiana, Silva, a ‘Judy’, Adulo, Altino, Jarga, Pinto, Lobo, Tagundé, Boi, Pina Cabral, Queiroz, Mamadu, Ussumane, Fode, Aliu e Rocha estarão vivos. Não sabemos.

O Macias, Silva, Altino, Pinto, Pina Cabral, Queiroz, Rocha e até o Boi Colubali estão vivos, os outros, agora com idades de mais de sessenta anos e até mais de setenta, não sabemos. A única coisa que sabemos é que esta fotografia existe e retrata vinte e nove jovens que estiveram na guerra da Guiné. (...)




Foto nº 8 > Guiné > Zona leste > Região de Gabu > Nova Lamego > CART 2479 / CART 11 (1969/70) > Da esquerda para a direita, furriéis Queiroz, Macias e Pinto.


Fotos (e legendas): © Valdemar Queiroz (2014). Todos os direitos reservados [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. O Manuel Macias, que vive em Algés, esteve comigo em Contuboel, cerca de dois meses, em junho/julho de 1969: ele era da CART 2479/CART 11 (, mais tarde, CCAÇ 11), eu da CCAÇ 2590 / CCAÇ 12... Lamentavelmente não temos recordações um do outro dessa época... Ele deu instrução de recruta à malta do recrutamento local que depois foi parar à nossa subunidade,  a CCAÇ 2590 (mais tarde, CCAÇ 12)... Cada um foi para o seu sítio, eles para Nova Lamego, nós para Bambadinca... Reencontrámo-nos na Tabanca da Linha, há uns tempos atrás.

Voltámos a estar juntos, há dias, na Tabanca da Linha (*), e a recordar alguns nomes de malta da sua subunidade, que integram a nossa Tabanca Grande: Valdemar Queiroz, Abílio Duarte, Renato Monteiro... Ao mesmo tempo, verifico que ele, o Manuel Macias, tem sido um presença assídua na Tabanca da Linha, mas ainda não faz parte da Tabanca Grande, que é a mãe de todas as tabancas... Está na altura de o desafiar ou convidar... Fica aqui o retrato dele, feito a corpo inteiro pelo seu amigo e e camarada de pelotão, o Valdemar Queiroz. Depois deste alto elogio, o nosso convite (o meu e o do Queiroz) é irrecusável (**):


(...) Eu,  o Abílio Pinto e o Manuel Macias éramos os furriéis do 4º. Pelotão. Praticamente, por o alf. Pina Cabral ter problemas de saúde ao ponto de deixar a Companhia, eu por ser o mais velho e o Macias é que fomos os verdadeiros comandantes do Pelotão.

O Macias, Manuel Maria Candeias Macias, da Aldeia Nova de S. Bento (Serpa), é um alentejano chapado e foi a pessoa mais completa que conheci.

Era rapaz para dar mais de 20 carambolas seguidas a jogar bilhar, era um extraordinário jogador de qualquer jogo de cartas, era o melhor atirador da Companhia quer com a sua caçadeira ou com a G3, sabia jogar bem à bola e era um às aos matrecos, cantava à alentejano nos vários tons do cante, até com o acordeão do Cunha já dava uns acordes e, só reparei há tempos num nosso convívio, também dança muito bem. 

Era e deve continuar a ser um ferrenho alentejano, ao ponto de quando nós dizíamos que o Alentejo não tem praias ele dizia que na costa alentejana havia várias praias com quilómetros de areal, pois, tá bem, mas não têm vinhas, ele dizia que o maior vinhedo do país é o da zona do Redondo, pois, tá bem,  mas não têm nenhum jogador da bola de jeito, ele dizia que Vital do Lusitano d' Évora foi o guarda-redes que mais vezes jogou na selecção (era militar) e assim sucessivamente, e o Alqueva ainda não existia.

Agora, dentro deste tema de comes e bebes,  o Macias quando, em Nova Lamego, ia à caça com o Pais de Sousa trazia sempre grandes 'caçadas', galinholas, perdizes, lebres, pombos verdes, que depois o Pereira,  cozinheiro,  tratava de arranjar grandes petiscos. Ficou-lhe em débito nunca ter apanhado nenhuma gazela (pra grande contentamento do Cunha). (...) (*)

(...) O [fulano] de farto cabelo branco, óculos, camisa aos quadrados vermelhos, com uma grande 'cebola' no pulso, risonho e braços cruzados é o ex-Fur.Mil. Manuel Maria Candeias Macias, da CART 2479/CART 11, «Os Lacraus», Contuboel, Nova Lamego, Paunca e mais algumas do Leste, 1969/70. 

Exímio atirador/caçador, excelente jogador de bilhar e de todos os jogos de cartas e, acima de tudo, um grande alentejano que sabia cantar a três vozes. Quando algum de nós lisboeta ou nortenho diziam que no Alentejo não havia, por exemplo praias, ela dizia que só uma chegava para resposta, a que ia de Troia a Sines um dos maiores areais da Europa, ou que no Alentejo não havia vinho, logo respondia que na zona de Reguengos estava a maior vinhedo de Portugal, até desistirmos de arranjar outras comparações.

Mas como é que ele foi parar a esse vosso encontro? (Foto nº  4) (...)

2. Mensagem do nosso editor LG, enviada ao Manuel Macias:


Camarada Manuel Macias:

Ficas sem alibi, estás em toda a parte... Não tens desculpas...Manda lá as "duas chapas" da ordem (fotografia atual e outra de há meio século...) para o Valdemar te poder apresentar formalmente  à Tabanca Grande... (Nem isso é preciso, temos tudo)...
Passarás a ser o grã-tabanqueiro nº 749... Ou seja, tens um lugar à sombra do nosso simbólico, secular, mágico e protetor poilão... É à sua volta que partilhamos memórias e afetos...Temos mais malta da CCAÇ 12 que esteve contigo/convosco em Contuboel, alguns dos quais são da Tabanca da Linha: o Humberto Reis, o António Marques...

Espero numa próxima oportunidade falar mais tempo contigo... Tenho o teu telemóvel (...). Ficas com o meu (...) O Manuel Resende pode atualizar a base de dados da Tabanca da Linha: falta lá  a tua subunidade, localidade, período....

Eu, para além de Contuboel e da rapaziada leal e valente que tu e os demais instrutores da CART 2479 prepararam na recruta, tenho por certo mais coisas em comum contigo: Serpa, o cante, os amigos de Vila Verde de Ficalho, o fabuloso grupo de cantadores da tua terra, Aldeia Nova de São Bento, o (e)terno Alentejo... Temos um amigo comum, o José Saúde, teu conterrâneo, nosso camarada da Guiné, membro da nossa Tabanca Grande, e notável escritor, já com meia dúzia de obras publicadas (, a última das quais  "AVC Recuperação do Guerreiro da Liberdade", livro sob a chancela da Chiado Editora, a ser lançada  no dia 10 de setembro, 17h30, domingo, nas instalações da Editora, Avenida da Liberdade, em Lisboa; já me contactou para, nessa data, fazer a apresentação do livro, tendo eu lhe dado o meu acordo de princípio.)

Sou estremenho, da Lourinhã, vivo em Alfragide, Amadora, com 40 e tal anos de Lisboa.
______________

Notas do editor

(*) Vd. poste da série > 22 de julho de  2017 >  Guiné 61/74 - P17611: (De) Caras (90): Gente da "Linha", gente "magnífica"... Nos bastidores da Tabanca da Linha, Carcavelos, 32º almoço-convívio, 20 de julho de 2017 - Parte I

(**) Último poste da série >  24 de julho de 2017 > Guiné 61/74 - P17616: (De)Caras (91): Américo Russa, ex-fur mil vagomestre, CCS/BART 3873: de Bambadinca (1972/74) a Tondela (2017)... Amigos para sempre (Jorge Araújo)

5 comentários:

Valdemar Silva disse...

Falta dizer aquilo que eu sempre desconfiei. Com a quele cabelo não tem 70 anos, ou a ter, até nisso ele ganha.
Queiroz

José Nascimento disse...

(III)Nº. 2 - O Renato Monteiro, viria a integrar a CART 2520. Já me encontrei com ele por duas ou três vezes em Albufeira e também num dos convívios da Companhia.

Tabanca Grande disse...

O Manuel Macias, pelo apelido, deve ter ascendência espanhola... De resto, nasceu em terra raiana... Sei que entre Vila Verde de Ficalho (onde tenho amigos) e Aldeia Nova de São Bento havia uma tradicional rivalidade... Não sei qual a razão...

José Saúde disse...

Luís, o Manel Macias é natural da sempre minha, nossa, querida Aldeia Nova de São Bento. Convivi com ele e com os irmãos João e Duarte. Em períodos de férias, nós como estudantes noutras paragens, o nosso passatempo passava por jogar à bola no campo do Rossio. Tempos que já lá vão. Éramos jovens. Fiquei a saber que o Manel andou por chão fula, tal como eu. Conhecemos Gabu. Afinal a nossa Tabanca é mesmo Grande. Zé Saúde

Tabanca Grande disse...

É verdade, Zé, de repente lembrei-me que tu eras o primeiro grã-tabanqueiro, natural da Aldeia Nova de São Bento!...

Curiosamente, em termos de Guiné, tu és "periquito", em relação a nós os dos.. O Macias já estava em Contuboel, a norte de Bafatá, três ou quatro meses antes de eu lá chegar, no princípio de junho de 1969.

Na altura aquilo funcionava como Centro de Instrução Militar,mas não tinha condições para albergar duas companhias... Lembro-me que ficámos em bivaque, ficávanos em tendas, o calor era insuportável de dia e de noite...

Os guineenses das nossas duas companhias (CART 11 e CCAÇ 12) fizeram lá a recruta, juramento de bandeira (,em Bissau,) especialidade e IAO... Era um "oásis de paz"... Lembro-me de fazermos a IAO sem bala real... Deve ter sido caso virgem na Guiné... Estamos a falar de julho de 1969, quando Madina do Boé já tinha sido retirada (em 6/2/1969) e o flanco sul do chão fula começou a esboroar-se... Mamadu Indjai aterrorizou os fulas do Corubal, Cossé, Padadada... Até que caiu num das nossas emboscadas e ficou gravemente ferido (Op Nada Consta, 18/8/1969).