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sábado, 4 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27889: Os nossos seres, saberes e lazeres (729): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (250): Palácio de Belém, o menos conhecido de todos os antigos palácios reais (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 17 de Março de 2026:

Queridos amigos,
Sim, é de facto o menos conhecido de todos os antigos palácios reais. Há, contudo, uma razão de ser. Foi, ao longo de quase duzentos anos, uma quinta de veraneio, lugar de reis e princesas. Marca-o a singularidade de ter sido o único palácio a resistir intacto ao terramoto, facto que não lhe alterou a discrição. Aqui viveram D. Carlos e D. Amélia enquanto foi rei D. Luís. Com a República, instalou-se aqui a presidência, foi escolhido para a residência oficial do Chefe de Estado. Mas continuou fora dos circuitos de visita, incluindo o Estado Novo. Foi na presidência do General Ramalho Eanes que o Palácio de Belém abriu as suas portas ao público. Com Mário Soares e Jorge Sampaio a utilizar o Palácio de Belém exclusivamente como local de trabalho, houve uma vontade de aproximação aos cidadãos, mais tarde com substanciado na criação do Museu da Presidência da República. Está belissimamente conservado e pode muito bem acontecer que na visita guiada onde estiver o leitor apareça ali de rompante o novo inquilino, quando os visitantes estiverem no gabinete de trabalho do Presidente, frente à mesa onde ele às terças-feiras recebe o Primeiro-ministro.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (250):
Palácio de Belém, o menos conhecido de todos os antigos palácios reais

Mário Beja Santos

Era uma visita guiada, não quis perder a oportunidade de conhecer o Palácio depois de visitar o Museu da Presidência; os antigos combatentes têm visita gratuita. O Palácio é monumento nacional desde 2007 e desde 1910 é sede da instituição presidencial. Na livraria do Museu deu-me para comprar um livro sobre os azulejos, estuques e tetos do Palácio de Belém. Foi aqui que fiquei a saber que é o único Palácio que resistiu intacto ao terramoto de 1855. Dá-se a explicação que o Palácio tinha uma importância inconstante no conjunto dos restantes palácios reais, os constrangimentos continuaram pelo facto de ser a residência oficial do Chefe de Estado. Esteve até recentemente fora dos circuitos de visita. Foi no segundo mandato do General Ramalho Eanes que o Palácio abriu as suas portas ao público. Mário Soares e Jorge Sampaio passaram a utilizar o Palácio de Belém exclusivamente como local de trabalho. A abertura do Museu e a inclusão do Palácio nos circuitos de visita motivaram um crescente interesse em estudar todo o património e daí as monografias sobre todo o seu acervo, caso desta dedicada aos azulejos, estuques e tetos.

O Museu da Presidência detém milhares de peças, entre objetos pessoais, retratos, presentes de Estado e condecorações. O seu Arquivo integra milhares de documentos que testemunham a vida publica e familiar da maioria dos Presidentes da República. Este Museu também tem a seu cargo a valorização do Palácio da Cidadela de Cascais, bem como uma significativa coleção de carros que serviram os Presidentes da República, a coleção está exposta no Porto, no Museu de Alfandega.

A visita permite conhecer a galeria dos retratos oficiais, os símbolos nacionais associados à República, os presentes de Estado, as Ordens Honoríficas e o acervo dos trabalhos de Paula Rego para os quadros que estão expostos na capela do Palácio.

Posta a visita ao Museu da Presidência segui para o Palácio de Belém, começou-se pelo Jardim do Buxo e pela varanda, obviamente que se entrou pela Sala das Bicas.

As galerias com os retratos dos Presidentes da República. Na altura da minha visita ainda não tinha sido colocado o retrato do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa feito por Vhils, rompendo com a tradição de quadros com pinturas a óleo, desta feita elaborado com troços de jornais.
Jardim do Buxo, vendo-se ao fundo, antes da estátua de Afonso de Albuquerque, o Tejo
Na varanda do Palácio de Belém estão patentes uma série de painéis, os maiores representam dois dos doze episódios dos trabalhos de Hércules, são dos últimos anos do século XVII, com restauros dos séculos XVIII e XX. Neste painel temos Hércules lutando com uma das aves de rapina do lago de Estinfália, na Arcádia, episódio relativo ao sexto trabalho. O herói recebeu ordens para expulsar do lago as terríveis aves com o bico de bronze. Neste painel azulejar ele é representado em pé armado da habitual clava com a qual tenta suprimir o animal.
Este painel evoca o segundo trabalho do herói, de pé, enfrenta e mata a hidra de Lerna, serpente aquática de sete cabeças. Ele veste a pele de leão e levanta a clava em direção à serpente.
Neste painel temos Hércules e a égua de Diomedes, ilustração do oitavo trabalho do herói que tem como missão eliminar as éguas do rei Diomedes, animais selvagens que se alimentavam de carne humana, o herói é representado de pé tentado dominar o equídeo. Na mão direita, ele segura a clava e na esquerda segura a corrente com a qual prende a égua pelo bridão. Hércules veste já a pele do leão de Nemeia, foi o seu primeiro trabalho.

A publicação que eu adquiri sobre azulejos estuques e tetos do Palácio de Belém refere que no século XIX houve um notório desinteresse pelos azulejos. Tanto a varanda como a Sala das Bicas são referidas sem se abordar o azulejo. Foi necessário chegar ao adiantado século XX para se ouvirem comentários altamente elogiosos, como o do arquiteto e historiador de arte Aires de Carvalho que, a propósito dos azulejos da fachada que terão sido colocados em 1778, conclui: “Esses belíssimos painéis de azulejos que felizmente ainda perduram e são inspirados em gravuras seiscentistas com assuntos mitológicos, se não conhecêssemos as contas e que foram pintados expressamente para aplicar nos espaços entre portas e janelas, poderíamos pensar que seriam originais e do século XVII.” Os azulejos da fachada estão dispostos em 14 painéis de grandes dimensões. Cada apinel representa em tamanho natural, uma figura mitológica. Este conjunto tem sido descrito, erradamente, como uma ilustração de Hércules, porque Hércules é, com efeito, a figura que mais se destaca e que é representada em vários painéis.

Confesso que me emocionei profundamente com esta capela do Palácio que alberga oito obras de Paula Rego denominadas O Ciclo de Vida da Virgem Maria. O Presidente Jorge Sampaio não apreciava grandemente esta capela vazia e numa visita a Londres, em 2002, convidou a artista a tal desempenho, ela aceitou prontamente, no Museu da Presidência podemos ver o acervo dos esboços, mas é na capela que podemos testemunhar a genialidade destas oito pinturas a pastel.
Quem vai ser recebido pelo Presidente da República entra no Palácio pela Sala das Bicas, é aquela que vemos mais frequentemente na televisão. Chama-se assim por ter ao fundo duas bicas que deitam água para umas bacias de pedra. A Sala das Bicas também dá acesso à Arrábida, isto é, a zona reservada à vida privada do dia-a-dia do Presidente da República, ele tem direito de morar aqui com a sua família ou sozinho.
A Sala Dourada precede as Salas Império e dos Embaixadores. É uma sala sumptuosa, com mobília encomendada para o casamento do Príncipe D. Carlos, em 1886. Num quadro da escola de Rubens, Cristo triunfando sobre a morte.
No Jardim da Cascata temos os viveiros que D. Maria I mandou construir para os seus pássaros exóticos. Por baixo deste jardim encontram-se as jaulas onde antigamente viviam leões e outros animais ferozes.
O Palácio de Belém conserva nos salões nobres um diversificado conjunto de tetos decorados que incluem um belíssimo exemplar ornamental barroco, que aqui se mostra, está na Sala das Bicas, mas há igualmente teto com pintura mitológica na Sala Dourada, teto com revestimento neoclássico na Sala Império, isto é só uma lembrança para que quando for visitar o Palácio de Belém não se esqueça de olhar para cima.
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Nota do editor

Último post da série de 28 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27866: Os nossos seres, saberes e lazeres (728): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (249): Notícia póstuma de uma notável exposição dedicada a Rogério Ribeiro - 2 (Mário Beja Santos)

sábado, 9 de setembro de 2023

Guiné 61/74 - P24636: Convívios (972): Almoço/Convívio do pessoal do Programa das Forças Armadas da Guiné (PIFAS), hoje, 9 de Setembro de 2023, com a presença do senhor General Ramalho Eanes (João Paulo Diniz)

Lisboa > Páteo Alfacinha > 31 de maio de 1985 > Convívio do pessoal do emissor regional da Guiné e do PFA - Programa das Forças Armadas.

Foto: © Garcez Costa (2012). Todos os direitos reservados



1. Mensagem do nosso camarada João Paulo Diniz, um dos radialistas do PFA, chegada ontem ao nosso Blogue através do Formulário de Contacto do Blogger:

Quem foi militar na Guiné decerto recorda-se do PFA - Programa das Forças Armadas, carinhosamente tratado por PIFAS! Era um programa de Rádio, com três emissões diárias, feito em instalações próprias do Comando Chefe, em Bissau.

O Pifas tinha grande impacto, não só junto dos militares, mas também da população civil.

Uma das pessoas que chefiou o Pifas foi o Capitão Ramalho Eanes, no início da década de '70.

Em 1985 - já lá vão 38 anos... - houve um jantar entre aqueles que passaram pelo Pifas. Um dos presentes foi o então Presidente da República, Ramalho Eanes que, nesse dia regressado de uma visita oficial à China, fez questão de estar junto dos seus Amigos!

Agora é tempo de reencontros, e por isso, neste sábado, 9 de Setembro, está marcado um almoço no Páteo Alfacinha, em Lisboa, a partir das 12:30. O General Ramalho Eanes estará presente, juntamente com sua esposa, a Dra. Manuela Eanes. Na ementa do almoço estão incluídos muitos abraços, algumas lágrimas de emoção e... os sorrisos felizes de todos os presentes!!!

(Abraço, Luís Graça)

Cumprimentos,
João Paulo Diniz

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Nota do editor

Último poste da série de 7 DE SETEMBRO DE 2023 > Guiné 61/74 - P24629: Convívios (971): CCAÇ 3398 (Buba, 1971/73): Cinquentenário do regresso, Freiriz, Vila Verde, 2set2023 (Joaquim Pinto Carvalho)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Guiné 61/74 - P24046: Efemérides (381): Os 60 anos da formação dos primeiros Comandos, em Zemba, Angola... Convite para a sessão solene comemorativa do encerramento das Comemorações, no auditório do Instituto de Defesa Nacional, Lisboa, 15/2/2023, 17h00 (Associação de Comandos)



1. Convite que nos chegou ontem por intermédio do cor inf ref Manuel Bernardo, com uma mensagem da Associação de Comandos (Delegação de Lisboa), que é do seguinte teor:

De: Associação de Comandos Delegação de Lisboa <associacao.comandos.lisboa@gmail.com>
Date: segunda, 6/02/2023 à(s) 11:40
Subject: Convite

Caros Sócios, Companheiros e Amigos,

Anexo convite para a sessão solene do 60º aniversário da formação dos primeiros Comandos em Zemba.

Mama Sume
Jaime Silveira

2. Chama-se a atenção para os nossos camaradas que queiram comparecer a esta sessão solene, que deve ser dada, até ao dia 10 do corrente, a  confirmação de presença,  para estes contactos;

Telf: 21 353 83 73 

Tlm: 926 991 129

email: associacao.comandos.dn@gmail.com
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Nota do editor:

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Guiné 61/74 - P24040: Memórias de Luís Cabral (Bissau, 1931 - Torres Vedras, 2009): Factos & mitos - Parte II: O comandante Pombo que intercedeu junto do 'Nino' Vieira por causa da situação humilhante em que se encontrava o Luís Cabral, detido no Forte da Amura, sem cinto nas calças e atacadores nos sapatos, depois do golpe militar de 14/11/1980


Foto nº 1 > Guiné > c. 1972/74 > O comandante Pombo aos comandos de um Cessna dos  TAGP (Transportes Aéreos da Guiné Portuguesa) (era uma aeronave muito melhor equipada com instrumentos de navegação do que a DO-27)


Foto nº 2 > Guiné > c. 1972/74 > Imagens do Cessna, vermelho, pilotado pelo comandante Pombo (foto nº 1), dos TAGP (Transportes Aéreos da Guiné Portuguesa) em que o nosso camarada Álvaro Basto, ex-fur mil enf, CART 3492 (Xitole, 1971/74)  fez várias viagens entre o Xitole e Bissau, nos anos da sua comissão.

Fotos (e legendas): © Álvaro Basto (2008). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1º Srgt Pombo, piloto de F-86-F Sabre,
BA 5, Monte Real, 1961.

1. Há histórias que andam por aí perdidas, no nosso blogue, na floresta-galeria dos mais de 24 mil postes publicados desde 2004, e que fazem mais sentido se as situarmos num contexto de "memórias cruzadas". Por outro lado, é difícil dizer onde começa(m) e acaba(m) a(s) nossa(s) história(s), mesmo que seja(m) com h pequeno.

No seu livro de memórias (*), o Luís Cabral (1931-2009) não fala do seu piloto privativo, o comandante Pombo, pela simples razão de que o livro acaba no dia seguinte ao assassinato do irmão Amílcar Cabral (1924-1973).  

Ao que parece, esteve ( prometido um segundo livro com as "memórias presidenciais" (1973-1980) que, infelizmente, nunca chegaram a ser escritas ou, pelo menos, publicadas. E nesse segundo volume talvez o Luís Cabral quisesse (u pudesse) fazer a justiça de evocar, pelo menos, o nome do dedicado piloto, português,  do seu avião a jato, presidencial, um Falcon...

O mítico comandante Pombo, José  Luís Pombo  Rodrigues (1934-2017),  também já não está, fisicamente, entre nós. Morreu há seis anos, em 2/9/2017. Tinha 83 anos, feitos em 3 de junho desse ano.  

Tive o privilégio de falar com ele, duas ou trêz vezes, não na Guiné mas já cá, a primeira vez foi em 3/2/2015: tinha regressado, por razões de saúde, do Brasil (para onde fora viver em 2010). Tivemos uma longa conversa ao telemóvel. Depois conhecemo-nos pessoalmete e  estivemos juntos, pelo menos duas vezes, na Tabanca da Linha. 

Ao telefone, o nosso camarada, José Luis Pombo Rodrigues, popular e carinhosamente conhecido como o comandante Pombo, começou por falar-me dos problemas de saúde que o preocupavam então, e que terão motivado o seu regresso a Portugal. Transmiti-lhe os nossos votos de rápidas melhoras, em nome dos amigos e camaradas da Guiné, depois disso, recuperada a saúde, ele arranjaria, por certo, tempo e disposição para passar à escrita muitas das suas histórias e memórias da FAP e da Guiné, antes e depois da independência, e partilhá-las connosco. Infelizmente isso não chegou a acontecer. Mas ingressou, postumamente, na Tabanca Grande, e a sua presença, sob o nosso poilão, honra-nos a todos. (*)

O Pombo era então capitão piloto reformado.  Tinha feito, segundo bem percebi, 4 comissões na Guiné. Vivia em Bucelas, sendo grande amigo do major gen paraquedista Avelar de Sousa, que passou pelo TO da Guiné, integrando o BCP 12, como comandante da CCP 123 (1970/71), e foi ajudante de campo, entre 1976 e 1981, do gen Ramalho Eanes, 1º presidente da República eleito democraticamente no pós 25 de abril. E esse facto é relevante para se perceber a influência, discretíssima, que o comandante Pombo terá tido na libertação do ex-1º primeiro ministro da Guiné-Bissau, Luís Cabral, depois do golpe de Estado do ‘Nino’ Vieira em 1980.  Pareceu-me que não haver aqui imodéstia ou fanfarronice.

O comandante Pombo privou com os dois, o Luís Cabral e o 'Nino' Vieira. Dos dois era inclusive "amigo". Ao ‘Nino’ Vieira tratava-o mesmo por tu. E o Pombo continuou a ser o comandante Pombo, depois da independência da Guiné-Bissau. 

Terá havido, ao que parece,  um acordo entre as novas autoridades de Bissau e o governo português para que ele ficasse na Guiné... Desconheço as condições em que ele lá ficou. Sabemos que o PAIGC não tinha pilotos (muito menos MiG ou outros aviões). O comandante Pombo pilotava o pequeno Falcon que fora oferecido ao Luís Cabral, já não sei por quem (talvez pelos suecos). 

O Luís Cabral gostava muito do cmdt Pombo, e sempre que viajava com ele trazia-lhe uma garrafa de... champagne. (É interessante que o PAIGC não tinha ido buscar um piloto cabo-verdiano como o antigo sargento piloto, da FAP, o Honório Brito da Costa  (de resto mais novo, nasceu em 1941, sendo também um perfeito conhecedor dos céus da Guiné: depois de servir na FAP, no CTIG, onde terá feito duas comissões, regressou à sua terra; foi piloto comercial nos TACV - Transportes Aéreos de Cabo Verde, onde terá chegado a comandante).

Depois veio o golpe militar do ‘Nino’ em 14/11/1980 e o Luis Cabral ficou preso na Fortaleza da AmuraSem cinto, por alegadas razões de segurança!... (E possivelmente sem atacadores nos sapatos: é dos livros.)

O comandante Pombo foi visitá-lo e encontrou-o sem cinto, com as calças na mão, numa situação caricata e humilhante para um ex-chefe de Estado… Diziam-lhe, os seus carcereiros, que era para ele não poder fugir. Achando essa uma situação indigna, o Pombo foi falar ao seu amigo ‘Nino’, que lhe deu razão…

Mais tarde o Pombo moveu as suas influências, junto do seu amigo e camarada Avelar de Sousa… O presidente Ramalho Eanes, como é sabido publicamente, exerceu forte influência junto de ‘Nino’, no sentido de obter a libertação de Luís Cabral, preso há 13 meses. Primeiro, foi para Cuba e mais tarde veio para Portugal, tendo passado também, antes, por Cabo Verde.  Acabou por viver o resto da sua vida (cerca de 25 anos) em Portugal: viria a morrer, no antigo Hospital do Barro, em Torres Vedras, em 30/5/2009. Ramalho Eanes e Luís Cabral tinham muita estima mútua.

2. A este propósito o António Rosinha que viveu e trabalhou na República da Guiné-Bissau (era topógrafo na empresa TECNIL), depois da independência, entre 1979 e 1993, escreveu o seguinte comentário no poste P24031 (*):

"(...) Até certo ponto, o Presidente Ramalho Eanes teria dois motivos para receber bem, muito bem, o exilado Luís Cabral. E se não estou equivocado, também foi atribuída uma "mesada" ao presidente exilado.

Mas um dos motivos no meu entender, para Ramalho Eanes receber bem Luís Cabral, seria motivo político, era um ex-presidente de um PALOP.

O segundo motivo, no meu entender, seria um caso pessoalmente muito motivador, é que Luís Cabral proporcionou uma recepção na Guiné ao Presidente Ramalho Eanes, de tal maneira calorosa que passados mais de 2 anos dessa visita (1978), ainda se viam grandes cartazes com a foto do nosso Presidente, intactas e bem tratadas, nas mais importantes ruas da cidade de Bissau.

Mais tarde já com Nino na presidência, Ramalhos Eanes também foi bem recebido, mas não com tanta euforia. (...)"


Voltando ao comandante Pombo: contrariamente ao boato que corria na Guiné, no tempo da guerra colonial, ele nunca esteve feito com os “turras”… E a prova disso é que umas das aeronaves (não era um Cessna, era uma outra avioneta tipo DO 27…) foi perseguida por dois mísseis Strela, já depois do último avião da FAP ter sido abatido (em 31/1/1974, no leste do território)…

Ele contou-me os pormenores ao telemóvel: deve ter sido, deduzo eu, por volta de março ou mesmo abril de 1974, um ano depois do aparecimento dos Strela. O comandante Pombo vinha de Bissau para Farim, na “carreira normal” dos TAGP (Transportes Aéreos da Guiné Portuguesa)… O PAIGC (o Manecas dos Santos) conhecia o horário e os apontadores do Strela estavam à espera da aeronave nas imediações de Farim…

Havia a indicação de que a guerrilha queria mesmo cortar todas as ligações aéreas com o nordeste da Guiné. Deve ter havido falhas na segurança militar, nas imediações da pista de aviação… Para iludir os guerrilheiros, o comandante Pombo vinha com a sua avioneta a baixa altitude e a baixa velocidade. como mandavam as regras de segurança emitidas pela FAP no período pós-Strela. Mas antes de chegar ao destino ele fez inteligentemente uma mistura de combustível que não deixava rasto, isto é, "fumaça"… E, antes de aterrar, terá feito uma manobra de subida, na vertical, seguida de um voo a pique…

Foi o que eu percebi, desculpem-me se o relato é tecnicamente grosseiro… Mesmo assim não se livrou de ver passar-lhe, por perto, dois mísseis que lhe vinham dirigidos… Conseguiu, por fim, aterrar em segurança… "Não ganhei para o susto: os auscultadores saltaram-me da cabeça!", confessou-me ele...

3. Esta é umas das suas muitas histórias de piloto lendário, desde a famosa "Missão" de 1961, que já aqui foi contada (**)... De facto, o que muita gente também não sabia (eu incluído…) é que o comandante Pombo era um orgulhoso sobrevivente da “Operação Atlas”, a primeira (e única) travessia Monte Real – Bissalanca, feita pela Esquadra 51/201 (BA 5), constituída por aviões F-86F “Sabre”, realizada em agosto de 1961… Era então um jovem 1.º sargento piloto, com 27 anos...

O comandante Pombo esteve depois muitos anos no antigo Zaire em Kinshasa a trabalhar como piloto da companhia Sicotra Aviation (aviões de carga). Trabalhou ainda em Angola antes de ir para o Brasil em 2010.

O  que o Pombo nunca foi, isso não,  foi "piloto privativo" do Sékou Touré, a seguir à independência da Guiné-Bissau, como chegou a constar por aí... Esse boato foi desmentido pela filha, Maria João Pombo Rodrigues. 

Nas conversas que tive com ele, apercebi-me apenas que tinha pilotado o pequeno Falcon da presidência da Guiné-Bissau, tendo estado ao serviço do Luís Cabral e depois do 'Nino"... E que nessa condição chegou a levar várias vezes o presidente de São Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa, isso sim, no avião que era do Luís Cabral e que este emprestava ao seu amigo são-tomense... 

O comandante Pombo tem 24 referências no nosso blogue.  Já agora publicamos a seguir uma foto de grupo, tirada na BA 12, Bissalanca, em 1973, em que aparece o Pombo. Cortesia do Miguel Pessoa e do blogue dos Especialistas da BA 12, Guiné 65/74). (****)




Guiné > Bissalanca > BA 12 > 1973 > Foto (histórica) de grupo com diversos pilotos (sargentos e oficiais, alguns já nossos conhecidos e referenciados no nosso blogue, como por exemplo - citamos de cor - o cor Moura Pinto, o ten cor Lemos Ferreira ou o cap Branco) e duas enfermeiras (a Giselda e a Piedade). O Pombo (que nessa altura já estava nos TAGP, não sabemos quando entrou) é o terceiro da primeira fila, a contar da direita para a esquerda. (E em quinto lugar, o nosso então ten pilav Matos, António Martins de Matos, hoje ten gen ref; o Miguel Pessoa não aparece na foto, pode ter sido ele o fotógrafo.)

Foto (e legenda): © Miguel Pessoa (2014). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
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Notas do editor:

(*) Vd. poste de 2 de fevereiro de 2023 > Guiné 61/74 - P24031: Memórias de Luís Cabral (Bissau, 1931 - Torres Vedras, 2009): Factos & mitos Parte I: Ainda não foi desta que o autor nos contou toda a verdade...

Vd. também o poste de 4 de março de 2009 > Guiné 63/74 - P3983: Nuvens negras sobre Bissau (16): O Nino e o Luís Cabral que eu conheci, em 1979-1993 (António Rosinha)


(***) Vd. poste de 4 de fevereiro de 2015 > Guiné 63/74 - P14218: Gloriosos Malucos das Máquinas Voadoras (32): Falei ao telefone com o comandante Pombo, amigo de Luís Cabral e de 'Nino' Vieira... e sobretudo um orgulhoso sobrevivente dos Strela (em 1973/74) e da "Operação Atlas", em agosto de 1961 (travessia, com uma esquadra de F-86F “Sabre”, Monte Real-Bissalanca, num total de 3888 km e o tempo de 7h50 sobre o Atlântico) (Luís Graça, com José Cabeleira, cap TMMA ref, Leiria)

(...) No dia 8 de agosto de 1961, oito F-86F "Sabre" descolaram da BA-5 para dar início a uma longa viagem que os levaria até Bissalanca (!)... Os aviões escolhidos para a missão foram os seguintes 5307, 5314, 5322, 5326, 5354, 5356, 5361 e 5362. A missão foi executada com êxito, os 8 aviões aterraram em Bissalanca no dia 15 de agosto. Segundo informação do blogue dos nossos camaradas "Especialistas da BA 12, Guiné, 65/74", o Pombo terá levado para Bissalanca o F-86F "Sabre" 5314.  (...)



(****) Blogue Especialistas BA12 Guiné 65/4 > 28 de fevereiro de 2014 > Voo 3068 > A Minha Colaboração (Miguel Pessoa, cor pilav, Lisboa)

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Guiné 61/74 – P23356: (Ex)citações (408): Da parte operacional, pouco sei para além do que os meus amigos, quando vinham a Bissau, me contavam parte do que por lá passaram e também do meu serviço no Centro de Mensagens do QG (Carlos Pinheiro, ex-1.º Cabo TRMS/CTM/QG/CTIG)

1. Comentário do nosso camarada Carlos Pinheiro (ex-1.º Cabo TRMS Op MSG, Centro de Mensagens do STM/QG/CTIG, 1968/70), publicado no dia 14 de Junho no Poste P23344: Agenda cultural (814): Tabanca dos Melros, 11 de junho de 2022: apresentação do livro do Joaquim Costa, "Memórias de Guerra de um Tigre Azul" (2021) - Parte I: Intervenção de Luís Graça, representado pelo escritor António Carvalho, ex-fur mil enf, CART 6250 (Mampatá, 1972/74):

Caro e grande Camarigo Luís Graça
Primeiro que tudo os meus votos de boa recuperação do teu joelho que te deve ter obrigado a uma paragem sempre inconveniente em todos os sentidos, mas ao mesmo tempo te deve ter dado oportunidade para ires pondo a escrita em dia. Boas melhoras são os meus desejos sinceros.
joaquim costa
Agora quero dar-te os meus parabéns por esta magnifica apresentação, mesmo à distância, do livro do Camarigo Joaquim Costa “Memórias de Guerra de um Tigre Azul”, que foi uma autêntica lição de história que merecia ser bem divulgada, especialmente junto das entidades do poder, que ainda hoje não sabem, nem querem saber, que o País esteve em guerra durante 14 longos anos.

Como sabes e aliás desde o primeiro dia em que abriguei à sombra da Tabanca Grande, em todos os meus escritos sempre me referi a Bissau onde passei os meus 25 meses de comissão. Portanto, da parte operacional, pouco sei para além do que os camaradas meus amigos, quando vinham a Bissau, me contavam parte do que por lá passaram e também do meu serviço no Centro de Mensagens do QG, quando, infelizmente, eramos confrontados a qualquer hora do dia ou da noite, com os pedidos de apoio aéreo e pior do que isso, do pedido de evacuações derivadas da guerra.

Tenho lido muitos livros escritos por camaradas que passaram por lá as passas do Algarve como se costuma dizer, mas há um livro, “Nos Celeiros da Guiné, Memórias de Guerra” da autoria de Albano Dias Costa que em 1963, com a especialidade de Sapador de Infantaria e com o curso de explosivos, minas e armadilhas, foi mobilizado para a Guiné como Alferes Miliciano Atirador e de José Jorge de Campos Sá-Chaves que, como militar, frequentou o CEPM e estagiou no CIOE. Mobilizado em Julho de 1962 integrou a CCAÇ 413 tendo cumprido missão como Alferes Miliciano, na antiga Província Ultramarina da Guiné, (Dados retirados das badanas da capa e contracapa do referido livro) e Prefácio “Metamorfose dolorosa” do General Ramalho Eanes, que me escuso de transcrever na totalidade, apesar ser merecida a sua transcrição, porque são sete páginas, mas mesmo assim permito-me transcrever a 1.ª frase deste Prefácio, páginas 11 a 17:
“Poderia esta obra ter por titulo “Duas variações dramáticas sobre o mesmo tema”, dado que o tema, fundamental, são os jovens soldados na guerra – na guerra da Guiné -, que a guerra definitivamente marcou, roubando a uns, a vida, incapacitando, fisicamente, outros, marcando de angústia indelével o subconsciente e a memória não só destes últimos mas, também, a de todos os que lhe sobreviveram.” Mas permito-me ainda transcrever a última frese deste Prefácio: “Sentindo-me um irmão ex-combatente, destes ex-combatentes da CC 413, entendi não os abraçar com uma frase para a capa do livro, como me pediram, mas, sim, abraçá-los com este manifesto despretensioso, pequeno, mas sentido manifesto de solidariedade.” António Ramalho Eanes.

Sem querer ser fastidioso, ainda tenho que transcrever parte da “Dedicatória” dos autores, inserta na página 9, do citado Livro: “À memória dos camaradas da CC 413 que não envelheceram, tombados na Guiné, no cumprimento da comissão de serviço que lhes foi imposta, o Ataliba Pereira Faustino, o Francisco Matos Valério, o José Gonçalves Pereira, o José Basílio Moreira, o José Rosa Camacho, o José Pereira Rodrigues, o José Ramos Picão e o Joaquim Maria Lopes, em relação aos quais carregamos a culpa de continuarmos vivos.”

E refiro-me especialmente a este livro porque o mesmo, para além de tudo o mais, este livro regista a primeira morte, no conjunto dos três teatros de operações, de um conterrâneo meu, natural de Alcanena, o José Gonçalves Pereira, que despareceu em combate, cujos restos mortais vieram a ser recuperados mais tarde.

As minhas desculpas por este longo comentário
Um grande abraço.
Carlos Pinheiro
14.06.2022

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Nota do editor

Último poste da série de 8 DE MAIO DE 2022 > Guiné 61/74 – P23247: (Ex)citações (407): Pedaços da vida militar. A tropa e o caminho rumo à Guiné. (José Saúde)

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Guiné 61/74 - P22426: Tabanca Grande (523): O cap art Otelo Saraiva de Carvalho, com quem trabalhei na Rep ACAP, QG/CCFAF, em 1971, ao tempo do major inf Ramalho Eanes e do ten cor inf Mário Lemos Pires (Ernestino Caniço)... Em sua memória, é reservado o lugar nº 846, à sombra do nosso poilão


Foto 1 > Guiné > Bissau > Amura > QG / CC FAG > Rep ACAP (Assuntos Civis e Acção Psicológica) > 1971 > Uma foto histórica: o  Major Ramalho Eanes (Diretor da Secção de Radiodifusão e Imprensa), à ponta esquerda; o ten cor Lemos Pires (chefe da repartição), na ponta direita;  o alf mil Ernestino Caniço está ao centro, na segunda fila.


Foto 1A > Guiné > Bissau > Amura > QG / CC FAG > Rep ACAP (Assuntos Civis e Acção Psicológica) > 1971 > Uma foto histórica: o  Major Ramalho Eanes, de óculos de sol  (Diretor da Secção de Radiodifusão e Imprensa), à ponta esquerda; o ten cor Lemos Pires (chefe da repartição), na ponta direita;  o alf mil Ernestino Caniço está ao centro, na segunda fila.


Foto 1B > Guiné > Bissau > Amura > QG / CC FAG > Rep ACAP (Assuntos Civis e Acção Psicológica) > 1971 > Uma foto histórica: na segunda fila, o  então capitão de artilharia Otelo Saraiva de Carvalho, na ponta esquerda, na segunda fila; ao centro, o terceiro a contar da direita deve ser o então já ten cor Luz Almeida (, será comandante da Polícia Militar em 1973).


Foto 2 > Guiné > Bissau > Fortaleza da Amura > QG/CCFAG > 1971 > Rep ACAP (Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica)  > Departamento de Fotocine > Ao centro, o Cap Art Otelo Saraiva de Carvalho e à sua esquerda o Alf Mil Cav Ernestino Caniço, seu colaborador.

Fotos (e legendas): © Ernestino Caniço (2021). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné] 

1. Mensagem do nosso camarada Ernestino Caniço (ex-Alf Mil Cav, Comandante do Pel Rec Daimler 2208, Mansabá e Mansoa; Rep ACAP - Repartição de Assuntos Civis e Acção Psicológica, Bissau, Fev 1970/DEZ 1971, hoje médico, e que aos  77 anos teima em continuar ao serviço dos outros de acordo com o seu juramento hipocrático; vive em Tomar, estando reformado do SNS):


Date: sexta, 30/07/2021 à(s) 17:59
Subject: Otelo

Amigo Luís Graça:

Perante o teu convite para umas referências à Rep ACAP, a propósito do Coronel Otelo Saraiva de Carvalho, pela sua empatia, munificência e humanismo, vou espichar algumas linhas, tentando que, após meio século, não seja atraiçoado pela memória.

Como já tinha referido,  fiz parte da Rep ACAP, no QG/CCFAG, na Fortaleza da Amura -Bissau no ano de 1971. À data era chefe da repartição o Major Lemos Pires (posteriormente promovido a Tenente Coronel).

Faziam parte, com funções de relevo, o Major Ramalho Eanes, o Major Luz Almeida, o Capitão Otelo Saraiva de Carvalho, o Alferes Arlindo Carvalho e o 1º Cabo João Paulo Dinis.

O Major Ramalho Eanes era o Diretor da Secção de Radiodifusão e Imprensa do Comando-Chefe. Com ele partilhei a responsabilidade da biblioteca, além de outros contactos nas nossas funções.

Na manobra psicológica em curso no T.O.  o Capitão Otelo era Relações Públicas por mim coadjuvado e dentro da missão da Rep ACAP, com enfoque nos contactos internacionais, acompanhando figuras proeminentes, nomeadamente jornalistas, atores, senadores, etc., instalando-os e preparando programas, que o Tenente Coronel Lemos Pires apresentava ao General Spínola.

O louvor que me foi atribuído pelo Agrupamento de Bissau, foi redigido pelo Capitão Otelo por indicação do Tenente Coronel Lemos Pires.

Para a entrada na ACAP (após a desativação do meu pelotão Daimler) tinha-me sido destinado a Secção de Assuntos Civis. À minha chegada e pelos contactos anteriores, entendeu o Major Lemos Pires que eu tinha perfil para a Ação Psicológica, pelo que me colocou na Secção de Operações Psicológicas, dirigida pelo Major Luz Almeida

Competia-me então (entre outros) dar apoio logístico ao General Spínola, Governador e Comandante Chefe,  nas suas intervenções nas populações, bem como a feitura de ofícios para as entidades civis e militares por determinação do chefe da repartição. 

Numa outra área intervinha na sensibilização das populações, nomeadamente através de
obras e estruturas efetuadas pelas nossas tropas. A gestão e fruição destas informações estavam a cargo do Alf mil Arlindo Carvalho, de acordo com as normas emanadas superiormente e com a supervisão do Major Ramalho Eanes.

O 1º Cabo João Paulo Diniz animava a rádio das Forças Armadas na Guiné-Bissau, sendo locutor no Pifas (Programa de Informação para as Forças Armadas).

Espero ter correspondido ao solicitado.

Um abraço, 

Ernestino Caniço

Médico – Chefe Serviço MGF
Gestor Serviços Saúde – Ordem Médicos
Pós Graduação em Direito da Medicina – Faculdade Direito Universidade de Coimbra

2. Comentário do editor L.G.:

Dois camaradas, o José Belo e o Ernestino Caniço, já aqui fizeram o elogio fúnebre do cor art Otelo Saraiva de Carvalho (1936-2021), que fez duas comissões de serviço em Angola e a última na Guiné (1970/73). (*)

Independentemente do seu lugar na nossa História, ele aqui é tratado como qualquer outro "camarada da Guiné", desde que tenha referências no nosso blogue. E o Otelo tem quase duas dezenas

O Ernestino Caniço, que trabalhou com o Otelo, em 1971, já tinha feito questão de "o ver aqui sentado, à sombra do poilão da Tabanca Grande, embora infelizmente a título póstumo."

E aqui vai o nº que lhe coube, à sombra do nosso poilão, o lugar nº 846 (**). Obrigado ao Ernestino Caniço pela sua resposta à nossa sugestão para escrever alguns linhas sobre a ACAP e o Otelo, bem como pelas preciosas fotos que partilhou connosco.

No seu "site", "Poeta Todos os Dias", outro camarada que  trabalhou com o Otelo (e com o Eanes), o Silvério Dias, o 1º srgt ref, radialista do PIFAS, escreveu os seguintes versinhos sobre o Otelo, na passada quarta-feira, 28 de julho:

O Otelo faleceu

Segundo li no jornal
não haverá luto nacional
para o mentor da Revolução.
Dele ficará, pois, "enfermo".

Este, será, um termo
que indico como senão.
Mas já consta da História,
à margem da reles escória.

O povo não o esqueceu.
À despedida, acorreu.

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Notas do editor:

(*) Vd. postes de:


25 de julho de 2021 > Guiné 61/74 - P22404: In Memoriam (400): O Otelo Saraiva de Carvalho (1936-2021) que eu conheci... Ou "As armas e as mãos - Carta ao Otelo amigo" (José Belo, cap inf ref, Lapónia, Suécia)

25 de julho de 2021 > Guiné 61/74 - P22402: In Memoriam (399): Coronel Otelo Saraiva de Carvalho (1936 - 2021), autor do Plano de Operações do 25 de Abril de 1974 e que cumpriu uma comissão de serviço na Guiné entre 1970 e 1973

(**) Último poste da série > 22 de julho de 2021 > Guiné 61/74 - P22394: Tabanca Grande (522): Ildeberto Medeiros ex-1º cabo condutor auto, CCAÇ 2753, "Os Barões" (Brá, Bironque, Madina Fula, Saliquinhedim/K3 e Mansabá, 1970/72): açoriano de Ginetes, Ponta Delgada, a viver em New Bedford, senta-se no lugar nº 845, à sombra do nosso fraterno e sagrado poilão

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Guiné 61/74 - P17734: Tabanca Grande (445): José Luís Pombo Rodrigues (1934-2017), o mítico comandante Pombo... Nosso grã-tabanqueiro, a título póstumo, fica connosco, à sombra do nosso sagrado poilão, sob o nº 752



Magnífica Tabanca da Linha &gt; Restaurante Oitavos, estrada do Guincho, Qta Marinha, Cascais &gt; 23 de julho de 2015 &gt; Um foto de grupo: da esquerda para a direita: 1.ª fila: Zé Rodrigues, Luís Graça, António Matos Martins,  Avelar de Sousa e Manuel Resende; 2.ª fila, Juvenal Amado, Manuel Joaquim, José Luís Pombo Rodrigues (1934-2017), o nosso "comandante Pombo" (assinalado a amarelo), e a sua filha mais nova, a Maria João Pombo Rodrigues

Foto: © Manuel Resende (2015). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



FAP > s/l > s/d (anos 50) > Da esquerda para a direita: (i) em pé: Pombo Rodrigues, Velhinho, Valla, Moura Pinto, Lemos Ferreira, Tinoco, Moutinho, e Graça Faria; (ii) em baixo, mesma ordem: Lourenço, Rodrigues Pereira, Licínio Soares, Patrício, Cartaxo e Rego de Sousa. [Poste 26 de fevereiro de 2014 > Voo 3065]


FAP > Esquadrilha do F-86, "Sabre"  > Junho de 1956 > Da esquerda para a direita: (i) de pé, alf Moreira, ten Ramiro, alf Neves Oliveira e Aj Tércio;  (ii) De cócoras, fur Pombo (, então com 22 anos), fur Pessanha, 2º sarg Moutinho, fur Carvalheira. ["Só por curiosidade. O Carvalheira era mais antigo que eu. Foi punido e atrasou a promoção. Um dia ele ao comandar uma parelha de F-84 em que eu era o asa, foi fazer umas passagens baixas em Famalicão e houve queixa. Naquele tempo era a doer"]...

Fotos do álbum de Fernando Moutinho, da incorporação de 1951,  cap pil, residente em Alhandra [Poste 3 de março de 2014 > Voo 3075]


Fotos  (e legendas): © Fernando Moutinho / Blogue Especialista da  Base Aérea 12, Guiné 65/74 (2014). Todos os direitos reservados, (Fotos reproduzidas com a devida vénia...)





Cascais > Estrada do Guincho > Oitavos > Convívio da Magnífica Tabanca da Linha > 24 de setembro de 2015 >José Luís Pombo Rodrigues (Bucelas) e a sua filha mais nova, Maria João Rodrigues Pombo: "Adoro-te, meu pai e meu comandante!".

Foto (e legenda): © Manuel Resende (2015). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Família, amigos e camaradas disseram hoje o último adeus ao comandante Pombo (*). Tinha 83 anos, feitos em 3 de junho último. Tive o privilégio de falar com ele, duas ou trêz vezes, não na Guiné mas já cá e só muito recentemente.  A primeira vez foi  em 3/2/2015: a filha, Maria João, ligou-me e passou-lhe o telemóvel. Ela tinha ido com o pai a uma consulta médica. Ela informou-me que o pai tinha regressado do Brasil, para onde fora viver, em Maricá, perto do Rio, em agosto de 2010.

Tinha sido entretanto operado no hospital da Força Aérea ao fémur e fizera fisioterapia, voltara a andar. E já estava reformado.

Ao telefone. o nosso camarada, José Luis Pombo Rodrigues, popular e carinhosamente conhecido como o comandante Pombo, começou por falar-me dos problemas de saúde que o preocupavam então, e que terão motivado o seu regresso a Portugal. Transmiti-lhe os nossos votos de rápidas melhoras, em nome dos amigos e camaradas da Guiné.  epois disso, recuperada a saúde, ele arranjaria, por certo, disposição para passar à escrita muitas das suas histórias e memórias da FAP e da Guiné. e partilhá-las connosco.

Nunca nos encontrámos pessoalmente na Guiné, embora no tempo em que eu lá estive (CCAÇ 12, Contuboel e Bambadinca, maio de 1969/março de 1971), o comandante Pombo já fosse uma figura conhecido e até lendária. Aliás, eu transmiti-lhe (e reforcei) essa ideia, que pode ser colhida pela leitura do nosso blogue de cuja existência ele tomou conhecimento pela filha.

O Pombo é era então tenente ou capitão pil, reformado, já não posso precisar o posto. Tinha feito, segundo bem percebi, 4 comissões na Guiné. Voltara há pouco para Portugal, vivia então  em Bucelas, sendo grande amigo do major gen paraquedista Avelar de Sousa, que passou pelo TO da Guiné, integrando o BCP 12, como comandante da CCP 123 (1970/71), e foi ajudante de campo, entre 1976 e 1981, do gen Ramalho Eanes, 1º presidente da república eleito democraticamente no pós 25 de abril. E esse fato é relevante para se perceber a influência, discretíssima, que o comandante Pombo terá tido na libertação do ex-1º primeiro ministro da Guiné-Bissau, Luís Cabral, depois do golpe Estado do ‘Nino’ Vieira em 1980. (**)

O comandante Pombo privou com os dois, o Luís Cabral e o 'Nino0 Vieira. Dos dois era incluive "amigo". Ao ‘Nino’ Vieira tratava-o mesmo  por tu. E o Pombo continuou a ser o comandante Pombo, depois da independência da Guiné-Bissau. Terá havido um acordo entre as novas autoridades de Bissau e o governo português para que ele ficasse na Guiné... O PAIGC não tinha pilotos (muito menos Mig ou outros aviões). O comandante Pombo pilotava o pequeno Falcon que fora oferecido ao Luís Cabral, já não sei por quem. Este gostava muito dele, cmdt Pombo, e sempre que viajava com ele trazia-lhe uma garrafa de.. champagne.

Depois veio o golpe do ‘Nino’ e o Luis Cabral ficou preso na Amura… Sem cinto, por alegadas razões de segurança!... O comandante Pombo foi visitá-lo e encontrou-o sem cinto, com as calças na mão, numa situação humilhante para um ex-chefe de Estado… Diziam-lhe, os seus carcereiros, que era para ele não poder fugir. Achando essa uma situação indigna, o Pombo foi falar ao seu amigo ‘Nino’, que lhe deu razão…

Mais tarde o Pombo moveu as suas influências, junto do seu amigo e camarada Avelar de Sousa… O presidente Ramalho Eanes, como é sabido publicamente, exerceu forte influência junto de ‘Nino’, no sentido de obter a libertação de Luís Cabral que, primeiro, foi para Cuba e mais tarde para Portugal, onde virá  a morrer, no antigo Hospital do Barro, em Torres Vedras, em 30/5/2009.. Ramalho Eanes e Luís Cabral tinham muita estima mútua.

Mas, e contrariamente ao boato que corria na Guiné, no tempo da guerra colonial, o comandante Pombo não estava feito com os “turras”… E a prova disso é que umas das aeronaves (não era um Cessna, era uma outra avioneta tipo DO 27…) foi perseguida por dois mísseis Strela, já depois do último avião da FAP ter sido abatido…

Ele contou-me os pormenores ao telemóvel: deve ter sido, deduzo eu, por volta de março ou mesmo abril de 1974, um ano depois do aparecimento dos Strela. O comandante Pombo vinha de Bissau para Farim, na “carreira normal” dos TAGP (Transportes Aéreos da Guiné Portuguesa)… O PAIGC conhecia o horário e os apontadores do Strela estavam à espera da aeronave nas imediações de Farim…

Havia a indicação de que a guerrilha queira mesmo cortar todas as ligaçãoes aéreas como nordeste da Guiné. Deve ter havido falhas na segurança militar, nas imediações da pista de aviação… Para iludir os guerrilheiros, o comandante Pombo vinha coma sua avioneta a baixa altitude e a baixa velocidade. como mandavam as egras de segurança emitidas pela FAP no período pós-Strela. Mas antes de chegar ao destino ele fez inteligentemente uma mistura de combustível que não deixava rasto, isto é, "fumaça"… E, antes de aterrar, terá feito uma manobra de subida, na vertical, seguida de um voo a pique…

Foi o que eu percebi, desculpem-me se o relato é tecnicamente grosseiro… Mesmo assim não se livrou de ver passar-lhe, por perto, dois Strelas que lhe vinham dirigidos…Conseguiu, por fim,  aterrar em segurança… "Não ganhei para o susto: os auscultadores saltaram-me da cabeça!" ...

Esta é umas das suas muitas  histórias  de piloto lendário, desde a famosa "Missão" (1961)...

No final da nossa conversa, reforcei mais uma vez o convite para ele se sentar à sombra do poilão da nossa Tabanca Grande e nos poder contar, na primeira pessoa, estas e outras histórias da sua longa vida na Guiné… Infelizmente a doença que o perseguia, não lhe deu tréguas...

Troquei vários emails om a filha Maria João e inclusive arranjámos ainda maneira de nos encontrarmo-nos e conhecermo-nos pesssoalmente  na Tabanca da Linha, no verão de 2015.

O comandante Pombo esteve depois muitos anos no antigo Zaire em Kinshasa a trabalhar como piloto da companhia Sicotra Aviation (aviões de carga). Trabalhou ainda em Angola antes de ir para o Brasil em 2010. 

 2. Mas o que o munca foi, isso não, o comandante Pombo,  foi "piloto privativo" do Sékou Touré, a seguir à independência da Guiné-Bissau, como chegou a constar por aí... Esse boato foi desmentido pela filha. Nas conversas que tive com ele, apercebi-me apenas que tinha pilotado o pequeno Falcon da presidência da Guiné-Bissau, tendo estado ao serviço do Luís Cabral e depois do 'Nino"... E que nessa condição chegou a levar várias vezes o presidente de São Tomé e Príncipe,  isso sim,  no avião que era do Luís Cabral e que e este emprestava  ao seu amigo são-tomense...

O que muita gente também não sabia (eu incluído…) é que o comandante Pombo era um orgulhoso sobrevivente da “Operação Atlas”, a primeira (e única) travessia Monte Real – Bissalanca, feita pela Esquadra 51/201 (BA 5), constituída por aviões F-86F “Sabre”, realizada em agosto de 1961… Era então um jovem 1º sargento piloto, com 27 anos...

Recorde-se que no dia 8 de agosto de 1961, oito F-86F "Sabre" descolaram da BA-5 para dar início a uma longa viagem que os levaria até Bissalanca (!)... Os aviões escolhidos para a missão foram os seguintes 5307, 5314, 5322, 5326, 5354, 5356, 5361 e 5362. A missão foi executada com êxito, os 8 aviões aterraram em Bissalanca no dia 15 de agosto. Segundo informação do blogue dos nossos camaradas "Especialistas da BA 12, Guiné, 65/74", o Pombo terá levado para Bissalanca o F-86F "Sabre" 5314. Essa história, quase épica,  já foi aqui contada, no nosso blogue.(**)

Chega ao fim a vida terrena, aventurosa, do nosso camarada José Luís Pombo Rodrigues. Segundo informação do Miguel Pessoa, ele teria 84/85 anos. O Manuel Resende soube, por um dos filhos, que o comandante Pombo tinha nascido a 3/6/1934.  Completara, portanto, este ano os 83 anos. 

Na noticia da sua morte, domingo, dia 3, escrevemos o seguinte:

"O comandante  Pombo tem já cerca de 2 dezenas de referências no nosso blogue. Por proposta do fundador, administrador e editor do blogue, Luís Graça, ele passa doravante a integrar, a título póstumo, a nossa Tabanca Grandem sob o nº 752. Enfim, é uma figura lendária dos céus da Guiné e muitos de nós guardam dele uma grata recordação." Por questões de tempo, só hoje formalizamos o processo. O cmdt Pombo continuar a voar connosco nas nossas histórias e memórias. (***)



O Cmdt Pombo aos comandos do seu Cessna dos TAGP,  c. 1972/74 
 (Foto de Álvaro Basto, 2008)




3. Condolências publicadas no nosso blogue e na página do Facebook da Tabanca Grande até às 18h de hoje, por amigos e camaradas da Guiné:

 (i) António Graça de Abreu:

Com o CAOP 1, dei-lhe apoio na pista de Teixeira Pinto, em 1972/73, voei com ele na Guiné, de Bissau para Catió, já em 1974. Era um excepcional piloto e excelente pessoa. Reencontrei-o no ano passado, numa conferência que fiz na Associação da Força Aérea, na Avenida do Aeroporto, Lisboa. Selámos então um último abraço. Descança em paz, meu Amigo.

(ii) Carlos Matos Gomes 

Voei com ele várias vezes pela Guiné... de noite e de dia... nunca percebi como cheguei com ele aos comandos dum Piper (julgo dos TAG?) numa noite a Mansabá... Partilhámos noites em Bissau... histórias que morrerão connosco. Não o vi desde o regresso da Guiné, em 74, mas nunca o esqueci... É mais uma lenda que desaparece nos céus. Os meus pêsames à família.


Muita gente que passou na Guiné-Bissau tem uma história com o Comandante Pombo. Para a família enlutada os meus sentidos pêsames

(iv) Fabrício Marcelino:
Aqui deixo o meu profundo pesar pelo falecimento do Com.Pombo.Tive o privilégio de estar com ele na Base Aérea 5, em Monte Real. Era de facto um piloto destemido e muito competente.Que repouse em paz e, condolências à família deste grande camarada de armas.

(v) Francisco Baptista;

Os meus sentidos pêsames à família do Comandante Pombo que em 1970 ou 1971 me transportou na sua avioneta, numa viagem inesquecível entre Buba e Bissau, grande parte dela a sobrevoar a baixa altitude o rio Grande de Buba. Que descanse em paz e que voe alto.

(vi) Hélder Valério:

Camaradas: Não sei bem o que dizer. Sei, isso sim, que tem sido um corropio de amigos e conhecidos que têm partido recentemente. A tristeza não deixa de nos apoquentar, mesmo sabendo-se, de certeza certa, que esta 'partida' nos está reservada a todos a qualquer momento.
Mas isto assim, 'não se faz'. O Comandante Pombo chegou até nós fez relativamente pouco tempo e por isso pouco deu para se conviver. Mas as suas histórias são suficientes para que a sua memória perdure.

À família enlutada, os meus pêsames. À Maria João, filha dedicada, as minhas saudações e os votos para que consiga superar a perda dolorosa.
(vii) Juvenal Amado:
Lamento o desaparecimento do camarada que tive o grato prazer de conhecer pessoalmente.
Para a família enlutada os meus mais sentidos pêsames. Até sempre.

(viii) Luís Gonçalves Vaz
Os meus mais sentidos pêsames para toda a família do Sr. comandante Pombo, pela perda do seu ente querido. Que estas palavras possam servir de algum conforto nesta hora tão terrível.

(ix) Maria Arminda Santos.
Snto muito o desaparecimento deste camarada e amigo, o Comandante Pombo Rodrigues, com quem eu e várias das enfermeiras Paraquedistas, voaram na Guiné, nas missões de evacuações de feridos.
Não esqueço o carinho e camaradagem que sempre nos dispensou.
Na impossibilidade de estar presente no seu funeral, envio por este meio,as minhas condolências á sua família, principalmentea á sua filha. Desejo para o amigo Pombinho (como era por nós tratado), o descanso eterno.

(x) Tabanca Grande [Luís Graça]

Maria João:  é devastador perder um pai ou uma mães. Sei da ternura que a Maria João tinha pelo seu pai. Conheci os dois num convívio da Tabanca da Linha, em Oitavos, Guincho, Cascais, em junho de 2015«.

Neste momento, espero que as melhores memórias do seu pai a ajudem a fazer o luto.  Faço questão de, a título póstumo, o juntar a esta grande comunidade virtual que são os amigos e camaradas da Guiné. O seu pai foi um lenda dos céus da Guiné e será sempre recordado com muito apreço, gratidão e ternura por muitos de nós. O nosso amigo Luís Gonçalves Vaz é o jovem que aparece no foto de grupo, com o seu pai, em Bubaque, Páscoa de 1974, do lado esquerdo...

Se a Maria João tiver uma pequena nota biográfica do pai, incluindo o ano do seu nascimento. ficar-lhe-ia grato pelo seu envio, quando puder...

Um grande beijo filial: os filhos dos nossos camaradas nossos filhos são.

E ainda condolências de:  António Pimentel,  Belarmino Sardinha, David Guimarães, Delfim Rodrigues, Diniz Sousa e Faro, Gualter Pinto, Henrique Castro, Joaquim Pombo, Jorge Félix, José António Rosado, José Botelho Colaço,  José Marcelino Martins, José Quintas, José Ramos, Manuel Augusto Reis, Manuel Resende,  Ricardo Figueiredo, Rui Anibal Ferreira Silva e mais cerca de duas dezenas e meia de pessoas.
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