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sábado, 4 de julho de 2026

Guiné 61/74 - P28156: Agenda cultural (895): Na 2ª feira, dia 6 de julho, lá estaremos na tradicional batatada de peixe seco, na Festa da Marquiteira, Lourinhã... Ontem, comida dos pobres, hoje produto "gourmet"


Cartaz (pormenor) da festa da Marquiteira, Lourinhã, em honra do Sr. Jesus do Carvalhal.

2ª feira, dia 6, é a tradicional batatada de peixe seco que congrega os amantes do petisco, 
 que dantes era dos pobres e agora é produto "gourmet".

A  iniciativa é da Associação Cultural, Recreativa e Desportiva da Marquiteira, a quem tiramos o quico, por manter esta tradição, provavelmente única em todo o mundo... Em anos anteriores, foram já  centenas os comensais da batatada de peixe seco. Só a terra vizinha da Ventosa do Mar lhe faz frente...
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 17 de junho de 2026 > Guiné 61/74 - P28109: Agenda Cultural (894): Lançamento do livro "Um percurso pela história e pelos sabores da Guiné-Bissau", de M. Margarida Pereira-Müller, dia 23 de Junho de 2026, pelas 18h00, na Galeria ArteGraça, Rua da Graça, 27-29, Lisboa

terça-feira, 9 de junho de 2026

Guiné 61/74 - P28086: No céu não há disto: comes & bebes: sugestões dos 'vagomestres' da Tabanca Grande (52): Favas com peixe frito à moda de Monchique (comidas numa tasca de Portimão, em 26/5/2026)


Favas  com peixe frito à moda de Monchique


Favas suadas à moda da "Chef" Alice


Fotos (e legendas): © Luís Graça (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


1. Ele há sabores que estão a desaparecer, irremediavlemente, da nossa mesa, do nosso palato, da nossa gastronomia...

Conquilhas de xarém, carapaus alimados, arroz de lingueirão, ameijoas à Bulhão Pato, lapas grelhadas,  berbigáo, bruxas (Scyllarus arctus), cavacos, lagosta, ouriços do mar, etc. (Costumo dizer que ainda sou do tempo em que a lagosta se  vendia na praia a sete e quinhentos e o tamboril se deitava fora.)

A "ameijoa boa da Ria Formosa" estava há dias a 38 euros o quilo no mercado municipal de Portimão (e a 100 euros o quilo no restaurante). A comida é cada vez mais "internacional" e está pela hora da morte, para os "tugas". 

Confesso que tenho saudades do xarém, do arroz de lingueirão, dos carapaus alimados, do charro frito. " Comida dos pobres, das tascas", dizem agora os "chefs"... 

Em contrapartida, fui descobrir, no passado dia 26 de maio, em Portimão, numa tasca anexa ao mercado,  uma coisa que não comia há 70 anos!... Imaginem, favas cozidas (e estas eram à moda de Monchique). 

Nós éramos 4, e a senhora disse-nos que só tinha 2 doses. Lá no sentámos, enquanto frazíamos horas para ir visitar o museu de Portimão, que só abre às 14h30. E esperámos pelo almocinho, convencidos que ali também se fazia o milagre dos pães. 

Não havia carapaus que chegassem, mas a senhora foi fritar umas postas de pescada e multiplicou as favas... E vinho, fresquinho, branco... só tem frisante  ? Que raio de moda!...Mas, não há drama, vai-se ao vizinho do lado pedir um jarrinho... E lá foi a empregada, brasileira. (O que será do Algarve sem imigrantes ?!... Uma desventura!).

Bom, as tradicionais favas à moda da serra algarvia são primeiro cozidas e depois apuradas num molho à base da gordura dos enchidos fritos... Não são bem as da minha terra, Lourinhã, terra de boas favas... 

Na minha terra, há 70 anos, havia dois tipos de pratos de favas, no tempo delas, na primavera: as cozidas e as suadas...

Lá em casa, em que a cozinheira era mesmo "chef" (desde ", menina e moça, daquelas que iam servir para casa dos "senhores de Lisboa" e formar-se na universidade da vida), comiam-se as favas cozidas com charro frito, temperadas com bom azeite (!)  (charros daqueles grandes, de Peniche, dois pares  a vinte e cinco "ch'tões", no verão de todas as farturas,  quando eu andava na escola). 

O meu pai, que era mais peixeiro do que carneiro, preferias-as cozidas, com azeite e vinagre, com peixe frito (charro, cortao às postinhas) e um bom copo de tinto. Eu sempre fui mais  fã das favas suadas...com entrecosta e chouriço.

Ficam aqui estas sugestões para os vagomestres da Tabanca Grande. Mas, quanto a favas, temos  que esperar por elas, no próximo ano. Que as congeladas, não  devem  ter graça. Nem mesmo no céu, onde a graça é plena. 

Todos os anos pela primavera como 3 ou 4 pratadas de favas. E, se forem pequenas e tenrinhas, é com casca e tudo, Eu, pecador, me confesso...E nunca me ouvirão dizer o provérbio: "Favas me fartam, favas me matam"... 

Durante dois anos não as comi na Guiné, nem frescas nem congeladas... Lá, por certo, o nosso vagomestre, se as tivesse, nos consolaria: é que "a fome torna doces as favas"...