Prompt original e composição editorial: Luís Graça.
Imagens: Arquivo do Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné
Geração gráfica assistida por IA: ChatGPT/OpenAI.
1. Aqui vai uma ilustração em BD do caldo de chabéu, prato tradicional da Guiné-Bissau que é servido com arroz e nunca com funge... Pode de peixe ou de carne ( frango, cabrito...).
Como nos esclareceu, e bem, o nosso Cherno Baldé, o funge é angolano, não é guineense. Damos a mão à palmatória, a calinada é do nosso editor e da menina da IA que é americana e, como tal, sabe pouco de geografia; metemos os dois a pata na poça, ao fazer a ilustração a quatro mãos.
Agora, sim, sai, corrigida, como prometido, a BD: longe de nós, eu e ela, querermos arranjar um problema "diplomático" entre os nossos amigos lusófonos, guineenses e angolanos.
Declaração de interesses do editor LG: nunca comi funge na Guiné, em 1969/71 nem em 2008; comi sim, na ilha de Luanda, quando lá ia em trabalho (a partir 2003).
Mas nada impede os nossos "chefs" modernos, contratados pelos nossos vagomestres , de pôr o caldo de chabéu a acompanhar com o funge angolano, prato tradicional que é feito à base de farinha de mandioca (ou de milho) e água. ( O segredo está na força do braço para bater a massa e evitar grumos, diz o "chef angolano.) Mas na Guiné, ontem e hoje, quem era (e é) rei, á mesa, é o arroz.
Vamos pedir ao nosso amigo e colaborador permanente, o Cherno Baldé, que valide esta ilustração. A IA está sempre a aprender connosco. E nós com o Cherno Baldé.
E depois do funge, a menina da IA meteu outras duas "calinadas": no meu/nosso tempo, nas tabancas da Guiné não se comia de colher, garfo e faca, nem havia pratos individuais...Comia-se à mão, todos à volta de um grande alguidar, de alumínio ou de esmalte...
Por influência dos "tugas", já havia uma ou outra família (com homens que eram milícias ou militares) que tinha colheres...Por outro lado, a criançada (os "djubis" e as "bajudinhas") também não comiam com os adultos. E as mulheres, se não erro, também comiam àparte...
Além disso, o peixe ou a carne (galinha, frango) era cortado aos pedacos. Não faz sentido o peixe ir inteiro para o tacho, não havendo facas nem garfos...
Foram detalhes que tivemos de corrigir, eu e a menina IA. Mas esperamos o veredito do nosso crítico de Bissau.
Julgo que hoje na Guiné-Bissau seja mais cómodo comer de garfo e faca ou pelo menos com colher (no caso do caldo de chabéu, com arroz)...
2. Curiosidade etnocêntrica: o trio completo de talheres (garfo, faca e colher) passou a fazer parte da mesa em Portugal de forma regular a partir do século XVII para a alta nobreza, mas a sua generalização para toda a população só aconteceu no século XIX, com a Revolução Industrial.
Em 1836, o rei consorte D. Fernando II (de Saxe-Coburgo-Gota) convenceu a rainha D. Maria II a oficializar o uso do garfo em todos os banquetes da corte.
Com a Revolução Industrial e a produção em massa de metais mais baratos (como a alpaca e o banho de prata), os faqueiros completos tornaram-se acessíveis à burguesia e depois às classes laboriosas. Foram lentas mudanças de hábitos à mesa, impulsionados também por novas regras de higiene e de saúde pública.
Ainda me lembro, nos anos 50, quando ia à "festa da matança do porco", no Nadrupe, Lourinhã, a casa dos meus tidos maternos, de toda a gente, pequenos e graúdos, comerem, de garfo de ferro (!), de uma enorme terrina (!)... Os putos, menos hábeis e menos lestos, ficavam sempre prejudicados na "corrida"...
3. Confesso que gosto do estilo gráfico que eu e a IA concordámos em adoptar (embora possa levantar questões delicadas relacionados com eventual plágio, extrativismo, violação da propriedade intelectual)...No caso desta BD, as especificações foram:
- estilo gráfico: linha clara franco-belga (Hergé, Jacques Ferrandez, Juillard);
- cores quentes, próprias da África Ocidental;
- grande rigor etnográfico;
- utensílios de alumínio gastos pelo uso;
- panelas sobre três pedras ou pequeno fogareiro;
- cajueiro verdadeiro (não coqueiros...);
- roupa simples do quotidiano;
- sem exotismos nem caricaturas.
A resposta, a meu ver, é simples: eu sou livre de desenhar e pintar "à Picasso" (estilo Picasso). Não posso é, ética e legalmente: (i) copiar um quadro dele e assiná-lo como seu; (ii) fazer uma obra tão próxima de uma obra concreta sua que seja uma reprodução disfarçada; e, por fim, (iii) induzir o público a pensar que é um Picasso autêntico.
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Nota do editor LG:
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