Foto © Manuel Resende (2026). Todos os direitos reservados. [Edição e legtendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
Sinopse dos postes anteriores (*):
(i) o Luís, de alcunha o "Beatle", empregado de hotelaria e restauração, nascido na Benedita, Alcobaça;
(ii) é mobilizado para a Guiné, indo formar batalhão, o BART 6521/72, no RAL 5, Penafiel (jun / set 1972);
(iii) não tendo sido "repescado" para o CSM, tira a especialidade de 1º cabo auxiliar de enfermeiro, em Coimbra, no RSS (Regimento de Serviços de Saúde) (jan/mai 1972);
(iv) parte para o CTIG, por via aérea (TAM), em 22/9/1972;
(v) no CIM de Bolama, faz a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional.
(i) o Luís, de alcunha o "Beatle", empregado de hotelaria e restauração, nascido na Benedita, Alcobaça;
(ii) é mobilizado para a Guiné, indo formar batalhão, o BART 6521/72, no RAL 5, Penafiel (jun / set 1972);
(iii) não tendo sido "repescado" para o CSM, tira a especialidade de 1º cabo auxiliar de enfermeiro, em Coimbra, no RSS (Regimento de Serviços de Saúde) (jan/mai 1972);
(iv) parte para o CTIG, por via aérea (TAM), em 22/9/1972;
(v) no CIM de Bolama, faz a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional.
(vi) após a realização da IAO, a 2ª C/ BART 6521/72 seguiu, em 290ut72 para Có, sector do Pelundo, a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a CCaç 3308;
(vii) um mês depois, em 25Nov72, assumiria a responsabilidade do subsector de Có, ficando os "periquitos" entregues a si próprios.
(viii) a 2ª C/BART 6521/72 também teve que adotar um nome de guerra, neste caso "Os Có Boys"; a companhia dos "velhinhos", que eles foram render, a CCAÇ 3308, eram os "Jagunços de Có" ( o nome não poderia sugerido pela personagem da novela brasileira Roque Santeiro, uma vez que esta só foi produzida pela TV Globo em 1985 e exibida em Portugal, na RTP1, entre outubro de 1987 e agosto de 1988).
(vii) um mês depois, em 25Nov72, assumiria a responsabilidade do subsector de Có, ficando os "periquitos" entregues a si próprios.
(viii) a 2ª C/BART 6521/72 também teve que adotar um nome de guerra, neste caso "Os Có Boys"; a companhia dos "velhinhos", que eles foram render, a CCAÇ 3308, eram os "Jagunços de Có" ( o nome não poderia sugerido pela personagem da novela brasileira Roque Santeiro, uma vez que esta só foi produzida pela TV Globo em 1985 e exibida em Portugal, na RTP1, entre outubro de 1987 e agosto de 1988).
2. Uma das partes notáveis do livro, pela vivacidade da descrição, a riqueza de detalhes e também sua dose de humor de caserna, é "a coluna de Teixeira Pinto" (hoje, Canchungo) (pp. 73-80).
Num troço de estrada já alcatroada (entre o Pelundo e o Có), e ainda na altura da sobreposição da 2ª C/BART 6521/72 com a CCAÇ 3308, o PAIGC monta uma emboscada com fornilhos, à coluna que seguia de Teixeira Pinto para Pelundo, Có, Joâo Landim e Bissau (havia duas por semana).
É o batismo de fogo dos "periquitos" (2ª C/BART 6521/72) e a despedida dos "velhinhos" (CCAÇ 3308). Vamos selecionar agluns excertos.
Recorde-se que o BART 6521/72 veio render, em 25Nov72, o BCaç 3833, passando a assumir a responsabilidade do Sector 07 (Oeste 7), com sede em Pelundo (1ª Comp: Pelundo. 2ª Comp: Có: 3ª Comp: Jolmete.
Pormenor importante: as estradas alcatroadas da "Guiné Melhor" não vieram resolver o problema das "minas & armadilhas"... Resolveram, sim, a "chatice" da picagem, penosa, cansativa, perigosa... E cruaram uma perigosa sensação de liberdade de movimentos e de segurança.
Nas novas estradas, andava-se a maior velocidade (por evezes exessiva) e o alcatrão não impedia que, nas bermas, o IN instalasse traiçoeiros e perigosíssimos fornilhos, com fios de tropeçar de muitos metros...
Meia-dúzia de atiradores do PAIGC, apoiados na retaguarda por armas pesadas de infantaria, podiam dar cabo de uma coluna ou gerar o pânico (entre civis e militares)...E sobretudo obrigavam um esforço redobrado (e desmedido) das NT em termos de segurança.
Parafraseando o autor, mais do que "desvastadora", aquela guerra era sobretudo "desmoralizadora"... De resto, para ambos os lados...Mas, para os "periquitos", acabados de chegar da Metrópole, aquela emboscada na "curva da morte", na estrada *Pelundo-Có, era de mau agoiro, começava-se mal...Como dizia, na chalaça e para desanuviar o ambiente, um dos "có boys", que seria de etnia cigana, também o seu povo "não gostava de ver bons princípios aos filhos" (pág. 79).
Curiosamente, são raras as referências à participação de militares, oriundos da minoria étnica cigana, na guerra que a elite dirigente do país, na época, dizia que era uma guerra de todos nós, portugueses da metrópole e do ultramar, de Angola a Goa, de Cabo Verde a Timor, "brancos, pretos, mestiços, amarelos"...
Troço Pelundo - Có - Rio Mansoa; a nrodeste, Jolmete; este triángulo formava o Sector O7.
Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)

pp. 73-77
Esta emboscada à coluna oriunda de Teixeira Pinto (que em princípio se fazia duas vezes pro semana), foi mais perto de Có, na chamada "curva da morte" (havia muitas, nas estradas e picadas da Guiné). Os feridos mais ligeiros foram tratados em Có, o aquartelamento mais próximo. Entre eles, estava o 2º cmdt do BCAC 3833, que o BART 6521/72 vinha render.
O major (maj inf Bernardino Rodrigues dos Santos ou maj inf Manuel Basílio de Almeida Teixeira de Aguiar da Câmara, um deles) terá sido cuspido do jipe (não se usava cinto de segurança nesse tempo, ironiza o nosso "Beatle").
Depois de uma massagem com a "milagrosa pomada Synalar", foi-lhe recomendado que se dirigisse ao bar de oficiais para tomar a segunda dose da medicação, o "reconfortanto xarope James Martin" (pp. 78/79).
E aproveita o autor para descrever o a cantina das praças, com o traço grosso da caricatura, e a imagem deliciosa do "bordel do mato":
"Na cantina a abarrotar de velhos e novos de garganta seca e fumando como comboios a carvão, a luta para se abeirarerm do balcão era intensa. Ali, a sede era menos exclusiva, contudo mais extensa, e necessitava de mais quantidade de líquido para se apaziguar" (pág. 79).
Fazendo juz à sua experiência e ao seu saber de "barman" na vida civil, o "Beatle" acrescentaem tom pícaro e com um delicioso sarcasmo:
"O sistema na cantina era como aquele velho ditado sobre a mais velha profissão do mundo: «cú no chão, dinheiro na mão".
Não havia fiados para as praças. Soldados e cabos não usufruíam desse direito que era comum aos restantes militares graduados. O que é certo é que, por isso, só se abeirava do balcão da cantina quem tinha algum dinheiro, para comprar a sua 'bazuca' ou para oferecer uma ao camarada." (pág. 79).
pág. 80
Fonte: Excertos de Luís da Cruz Ferreira, "Os Có Boys: nos trilhas da memória" (edição de autor, 2025, pp. 73-77 e 80
(Revisão/fixação de texto: LG)
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Nota do editor LG:
(*) Último poste da série > 16 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27738: Notas de leitura (1896): "Amílcar Cabral O Africano que Abalou o Império", por José Alvarez, Âncora Editora, 2025 (2) (Mário Beja Santos)
(*) Último poste da série > 16 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27738: Notas de leitura (1896): "Amílcar Cabral O Africano que Abalou o Império", por José Alvarez, Âncora Editora, 2025 (2) (Mário Beja Santos)
Vd. poste de 12 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27630: Notas de leitura (1885): "Os Có Boys (Nos Trilhos da Memória)", de Luís da Cruz Ferreira, ex-1º cabo aux enf, 2ª C/BART 6521/72 (Có, 1972/74) - Parte VIII: um quartel no coração chão mancanha (Luís Graça)
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