Guiné > s/l > s/d (c. 1968/70) > O Com-chefe António Spínola, numa das viagens a bordo do helicóptero do Jorge Félix. Dizia-se que este era um dos pilotos preferidos do nosso comandante.
Spinolândia é, antes de mais, uma expressão de cunho satírico e político que surgiu para descrever o estilo de governação e a intensa campanha de propaganda levada a cabo pelo general António de Spínola enquanto Governador e Comandante-Chefe da Guiné Portuguesa, o "consulado" (1968–1973).
A expressão era utilizada, frequentemente, com ironia por opositores ou observadores críticos, para designar o território da Guiné como um "laboratório" psicossocial e político-militar muito próprio de Spínola e dos spinolistas (um conjunto brilhante de oficiais que ele congregou à sua volta). O termo pode remeter para ideias como:
- Personalismo / culto da personalidade: a ideia de que a Guiné se havia tornado um feudo pessoal onde a imagem do General (com o seu icónico monóculo e pingalim) era omnipresente, para mais reunindo os dois papéis de liderança, o de político (como governador) e o de militar (como comandante-chefe);
- "Guiné Melhor": o slogan do General que prometia desenvolvimento social e económico para conquistar as populações ("conquistar corações e mentes"), tentando contrariar a influência do PAIGC e, decidamente, subtraí-la ao seu controlo;
- a africanização do exército (criando a "nova força africana", incluindo companhias de base étnica, o batalhão de comandos, os destacamentos de fuzileioros especiais);:
- propaganda intensiva /mediatização do conflito: uma gestão de imagem sem precedentes na história do Estado Novo, que transformou a Guiné na montra de uma "nova política" ultramarina, completamente distinta do imobilismo da elite do regime.
No início do seu "consulado", entre meados de 1968 e a Op Mar Verde (22 de novembro de 1970), o general apostou fortemente na comunicação social, naciuonal e estrangeira. O termo começou a circular nos corredores políticos de Lisboa e entre os militares para descrever a autonomia quase absoluta com que ele governava, à margem das diretrizes rígidas do ministro do ultramar, Silva Cunha, que ele de resto desprezava por ser um "paisano", "provinciano", que não percebia nada de trpopa, de guerra e de África.
A consagração crítica vai de 1971 até meados de 1973: foi nesta fase que a expressão ganhou mais força, especialmente entre os setores que criticavam o custo astronómico das reformas de Spínola e o seu crescente protagonismo político, que muitos viam como uma ameaça ao regime de Marcello Caetano. (Aliás, no final do sue mandato acabou mesmo em ruptura com o chefe do Governo.)
Curiosamente, enquanto que, para os seus detratores, a "Spinolândia" era uma crítica ao egocentrismo do general, para os seus apoiantes,k os spinolistas, representava a esperança de uma solução reformista, com uma dupla componente política e militar, para o beco sem saída da guerra do ultramar, que culminaria mais tarde, já em 1974, na publicação de "Portugal e o Futuro".
Deste tempo há muitas anedotas sobre Spínola e a Spinolândias, algumas recolhidas em memórias, outras transmitidas oralmente. Seria uma pena perderem-se. Temos feito um esforço, no blogue. ara as recolher e partilhar. Como em todo o anedotário associado a figuras lendárias, carismásticas e controversas como o general Spínola, torna-se difícil, senão impossível, identificar a sua autoria, origem, contexto, e muito menos ainda a sua veracidade factual.
Temos feito uma recolha das anedotas que circulam na Net, através das ferramentas de IA. Estamos a selecionar algumas das melhores e das mais verosímeis. Algumas das versões que lemos, podem ser variantes de anedotas já conhecidas, contadas e recontadas.
Infelizmente esta é uma faceta do nosso Com-chefe (não falamos dele como político no pós-25 de Abril, mas apenas como protagonista maior da guerra em que também participámos), menos bem tratada (para não dizer mal tratada) pelo seu biógrafo , o historiador Luís Nuno Rodrigues-
Era conhecido por diversas alcunhas, "O Velho" (já desde Angola), "O Caco", "Caco Baldé", "O Aponta Bruno", "O Bispo", "O Homem Grande de Bissau", o "Com-Chefe"...
O estilo pessoal de Spínola — monóculo, luvas, farda impecável, ar teatral e presença muito física e viril nas visitas ao terreno — marcou profundamente quem serviu no CTIG. Isso gerou um verdadeiro folclore de anedotas de caserna muitas nascidas no próprio QG ou em messes de oficiais em Bissau e no mato,.lAs ferramentas de IA, que temos consultado, confirmam que "essa história do ar condicionado aparece muitas vezes nas memórias de quem trabalhou perto de António de Spínola no quartel-general de Bissau"... Na realidade, "ele tinha fama de não suportar ar condicionado, o que na Guiné era quase uma forma de tortura para quem ficava horas nos briefings"...
Entre oficiais do estado-maior e pessoal da Força Aérea circulavam várias anedotas “mais picantes” ou "pícaras" (no sentido militar do termo: mais atrevidas e sarcásticas). Aqui vão algumas:
Num briefing longo no QG, com o calor e a humidade típicos de Bissau, um major (que não sabia da aversão do general) aproximou-se discretamente do aparelho de ar condicionado e ligou-o.
Spínola interrompeu a exposição, levantou a cabeça e interpelou a assistência:
— Quem foi o criminoso que ligou isso?
O pobre do major confessou a ousadia. Resposta de Spínola:
— Meu major, na Guiné há duas coisas que matam oficiais: o ar condicionado… e o inimigo. O segundo ao menos é honesto.
Claro que o aparelho voltou a ficar desligado e a reunião continuou com os oficiais a suar em bica.
Outra que corria no estado-maior: num briefing, em dia particularmente de calor de estufa, o suor de um capitão começou literalmente a pingar sobre o mapa operacional.
Spínola observou a cena e comentou:
— Capitão, não molhe o mapa… que depois a guerra escorre.
O capitão respondeu:
— Meu general, isto não é água… é a estratégia a evaporar-se.
A sala rebentou a rir.
Há quem conte que num outro briefing em pleno mês de maio um oficial apareceu com uma pequena toalha branca ao pescoço.
Spínola perguntou:
— Isso é parte do novo uniforme?
Resposta:
— Não, meu general… é equipamento de sobrevivência.
Entre pilotos da Força Aérea havia outra pequena maldade humorística.
Dizia-se que, quando Spínola visitava uma unidade no mato, e depois regressava ao QG, os pilotos comentavam:
— O nosso general não gosta de ar condicionado… por isso voamos sempre com as portas abertas.
E outro respondia:
— Assim ele tem ar natural.
A frase que muitos veteranos dizem ter ouvido (ou ouvido contar) em reuniões longas no QG era:
— Senhores, se têm calor é porque estão vivos. Os mortos não transpiram.
(Pesquisa: LG + IA (ChatGTP / OpenAI, Le Chat /Mistral AI) | Condensação, interodução, revisão / fixação de texto, negritos: LG)

Sem comentários:
Enviar um comentário