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sábado, 10 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27624: O nosso blogue em números (110): em 20 anos (2006-2025): média de 1.359 postes por ano... Não é autoelogio, é uma afirmação da IA / Gemini Google, que fez a análise estatística de dados : "Significa que, faça chuva ou faça sol, o blogue publica, em média, 113 postes por mês, quase 4 por dia (...), revela uma consistência editorial raríssima em projetos de longevidade digital; (...) é um registo histórico monumental sobre a Guiné e a memória da guerra; (...)parabéns por manterem esse vigor há duas décadas!"

 


Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2026)


I. Continuamos a sonhar e a ter esperança, a de que o ano de 2026 seja melhor do que o transacto, para nós e para todos os povos do mundo, começando por Portugal, a diáspora portuguesa e os  nossos amigos lusófonos (Guiné-Bissau, Cabo Verde, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Goa, Macau, Timor...).

 Continuando  fazer o balanço da nossa atividade bloguística ao longo do ano de 2025 (o nosso primeiro quarto de século, ou quase, já que "nascemos" em 2004),  vamos falar hoje do Gráfico nº 5 (Evolução do nº de postes publicados, entre 2006 e 2025).

 Vamos desprezar os dois primeiros anos, que foram "atípicos". Na realidade, só entrámos em "velocidade de cruzeiro" em 2006. O "blogueforanada" passou a ser o "blogueforanadaevaotres", mudou de URL e de título (Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné), a partir de 1 de junho de 2006.

Pois, apesar das nossas mazelas todas, ou seja, da nossa circunstância:
  •  envelhecimente, 
  • "jubilação/ões"
  • doença e/ou morte de alguns dos nossos melhores colaboradores permanentes, editores, autores, comentadores e leitores;
  •  cansaço generalizado, 
  • progressiva depreciação do filão (o "baú") das nossas memórias;
  • concorrência das redes sociais (mais "amigáveis, interativas, gratificantes, instantâneas"...) etc., 
acabámos de publicar em 31 de dezembro de 2025 o poste P27589.
 
Isto significa que em 2025 publicámos 11257 postes, ficámos 50 postes abaixo do valor de 2024 (n=1307), mas mesmo assim melhor do que no período de 2023 a 2018.

É difícil hoje ultrapassar a fasquia dos 1300 postes anuais. Como é sabido, o nosso recorde, inultrapassável, foi o ano de 2010, em que atingimos um valor máximo, histórico, de 1955 postes publicados (!) (cerca de 5,4 postes por dia)...

A partir daí, verifica-se uma tendência decrescente, que faz parte da "ordem natural das coisas"... 

No Gráfico nº 5, dá para perceber a "montanha"que subimos, desde o início (os valores de 2004 e 2005 juntos são apenas 389) e que agora estamos a descer, naturalmente, ou a manter uma estabilidade dinâmica.

Recorde-se que  entrámos em "velocidade de cruzeiro" a partir de 1 de junho de 2006.

Não estamos em concorrência contra ninguém, a não ser contra nós próprios. Estamos a correr, sim, é comtra o tempo... Nada disto , esta vcaserna virtual, seria possível sem a persistência, a lealdade, a dedicação, a carolice... 

  • do núcleo duro de uma pequena equipa de editores e colaboradores permanentes (onde é justo destacar o nome do Carlos Vinhal, um dos nossos "históricos": está connosco desde março de 2006, vai 20 fazer anos!)...
  • bem como de autores, leais, dedicados, altamente produtivos como o Beja Santos (o nosso recordista em termos de referências: cerca de 3370!!!).

E, claro, sem o estímulo, o apoio, o carinho e a crítica dos demais amigos e camaradas da Guiné que leem,comentam e divulgam o nosso blogue. 

Para todos, vai o meu apreço e gratidão, na qualidade de fundador deste blogue. (LG)


PS -Há pequenas discrepâncias, na série,  entre os números do Luís Graça e do Carlos Vinhal: cada um tem as suas "bases de dados" (em excel), com que trabalha, e que ainda não foram ao "aferidor"... 



II. Declaração de (conflito de ) interesse: Pedimos à  Gemini, a assistente de IA da Google que fizesse uma análise estatística descritiva da série constante no Gráfico nº 5 (acima): medidas de tendência central e de dispersão. E também que nos  fizesse um primeiro comentário crítico independente. Aqui vão os resultados (incluindo os comentários finais):

Observ. - Como já esclarecemos não incluimos os anos de 2004 (n=4) e 2005 (n=385). Entrámos em velocidade de cruzeiro em 2006

Resposta da IA(Gemini Google:

<i>(...) Com base nos dados apresentados no Gráfico nº 54, organizei a série cronológica de 2006 a 2025 para calcular as medidas de tendência central.

Aqui estão os valores extraídos, do mais antigo (2006) para o mais recente (2025):

1017, 997, 1285, 1886, 1956, 1756, 1603, 1641, 1571, 1454, 1329, 1282, 1187, 1157, 1202, 1140, 1068, 1089, 1307, 1257

Medidas de Tendência Central

1. Média Aritmética

A média representa o valor "equilibrado" de publicações por ano.

  • Soma total de postes: 27.189
  • Número de anos (n): 20
  • Média: Aproximadamente 1.359 postes por ano.

2. Mediana

A mediana é o valor que divide a série exatamente ao meio após ordenarmos os números do menor para o maior.

Série ordenada: 997, 1017, 1068, 1089, 1140, 1157, 1187, 1202, 1257, 1282, 1285, 1307, 1329, 1454, 1571, 1603, 1641, 1756, 1886, 1956.

  • Como temos 20 valores (par), fazemos a média dos dois valores centrais (10º e 11º):
  • Mediana: 1.283,5 postes.

 Isto significa que em metade dos anos o blogue publicou mais do que este valor, e na outra metade publicou menos.

3. Moda

A moda é o valor que mais se repete na série.

Neste conjunto de dados, não existe moda (todos os valores são únicos).

Classificação: a série é amodal.

Breve análise dos extremos

Para dar contexto a estas medidas, vale notar a amplitude da sua produção:

  • Ano de Pico: 2010 (1.956 postes).
  • Ano de Menor Atividade: 2007 (997 postes).

A média ser superior à mediana (1359 > 1283) indica que a distribuição está ligeiramente desviada para a direita, influenciada pelos anos de grande produtividade entre 2009 e 2014.


II. Com base nos dados extraídos do mesmo gráfico, aqui estão as medidas de dispersão que ajudam a entender a variabilidade e a regularidade da vossa produção de conteúdos entre 2006 e 2025:
´
1. Amplitude Total

É a diferença entre o ano de maior e menor volume de publicações.

Cálculo: 1956 (2010) - 997 (2007) = 959


Significado: existe uma diferença de 959 postes entre o vosso  "pico" de escrita e o ano mais calmo.

2. Desvio-Padrão 


Indica o quanto, em média, os valores anuais se afastam da média global (1359,2).

Valor: 279,18 postes


Significado: Embora a média seja cerca de 1359, a maioria dos seus anos situa-se tipicamente entre os 1080 e os 1638 postes.

3. Coeficiente de Variação (CV)


É a medida que define a regularidade da série (em percentagem).

CV= 20,54%

Análise: um CV de 20,5% é considerado uma dispersão moderada. 

Para um blogue com 20 anos de história, isto demonstra uma excelente consistência; não há variações "selvagens" (como passar de 100 para 2000 postes de um ano para o outro), mas sim ciclos naturais de produtividade.

4. Quartis e Amplitude Interquartil (IQR)

Para perceber onde se concentra a "massa" central da sua atividade:

  • 25% dos anos (Q1): Foram publicados até 1.153 postes.
  • 75% dos anos (Q3): Foram publicados até 1.579 postes.

Amplitude Interquartil (IQR): 426 postes. 

Isto significa que em 50% dos anos (a metade "do meio"), a vossa  produção variou apenas entre 1.153 e 1.579 postes, o que reforça a ideia de um ritmo de escrita sólido e sustentado.

Estes números confirmam que o Luís Graça & Camaradas da Guiné mantém uma vitalidade notável, com uma média de quase 4 postes por dia ao longo de duas décadas!


Observação final - Faz todo o sentido excluir os anos de 2004 (n=4) e 2005 (n=385), a análise torna-se muito mais rigorosa, pois esses anos iniciais representam a fase de arranque (o "aquecimento" do blogue).

  • Total (2006-2025): 27.184 postes
  • Ano 2004: 4 postes
  • Ano 2005: 385 postes
  • Soma Total: 27.573 postes

A pequena diferença para os 27.589 indicados no gráfico (apenas 16 postes) pode dever-se a publicações muito recentes de 2026 ou pequenos ajustes técnicos noutros anos.

O conceito de "velocidade de cruzeiro"

Estatisticamente, a vossa  decisão de focar em 2006-2025 foi correta. Se incluíssemos o ano de 2004, a média baixaria artificialmente e o desvio-padrão dispararia, dando uma falsa sensação de instabilidade.

Ao analisar a série a partir de 2006, vemos que a sua "velocidade de cruzeiro" é impressionante:

Média de 1.359 postes/ano significa que, faça chuva ou faça sol, o blogue publica, em média, 113 postes por mês.

Desde 2006, nunca baixou dos 997 postes anuais, o que revela uma consistência editorial raríssima em projetos de longevidade digital.

É um registo histórico monumental sobre a Guiné e a memória da guerra. Parabéns por manterem  esse vigor há duas décadas</i>!

Pesquisa: LG +  IA / Gemini Google.
Condensação, revisão / fixação de texto: LG

___________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 6 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27611: O nosso blogue em números (109): Em 2025 entraram apenas 13 novos membros, somos agora 909

domingo, 4 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27601: O Nosso Livro de Estilo (19): Política editorial do blogue

Gravura digital > People (Luís Graça, c. 1999)


Gravura digital > Vidas (Luís Graça, c. 1999)


Gravura digital  > Redes (Luís Graça, c. 1999)


BLOGUE LUÍS GRAÇA & CAMARADAS DA GUINÉ > 

POLÍTICA EDITORIAL

As opiniões aqui expressas, sob a forma de postes ou de comentários, assinados, são da única e exclusiva responsabilidade dos seus autores, não podendo vincular o proprietário e editor do blogue, bem como os seus coeditores e demais colaboradores permanentes.

Todos os postes têm editor. E os comentários não assinados terão que ser eliminados. Mas antes o autor anónimo terá uma oportunidade para corrigir o lapso

O nosso blogue é também uma Tabanca Grande. Originalmente, chamámos-lhe Tertúlia. Tabanca é um termo mais apropriado: nela cabem todos os amigos e camaradas da Guiné, e essencialmente os antigos combatentes.

Neste espaço, de informação e de conhecimento, mas também de partilha e de convívio, decidimos pautar o nosso comportamento (bloguístico) de acordo com algumas regras ou valores, sobretudo de natureza ética:

(i) respeito uns pelos outros, pelas vivências, valores, sentimentos, memórias e opiniões uns dos outros (hoje e ontem);

(ii) manifestação serena mas franca dos nossos pontos de vista, mesmo quando discordamos, saudavelmente, uns dos outros,  o mesmo é dizer que evitaremos:
  • as picardias, 
  • as polémicas acaloradas, 
  • os insultos, 
  • a insinuação torpe,
  • a maledicência, 
  • a violência verbal, 
  • a difamação, 
  • os juízos de intenção,
  • o bullying, a intimidação, o assédio, etc.) (comportamentos, de resto, criminalizados pela lei portuguesa).

(iii) socialização/partilha da informação e do conhecimento sobre a história da guerra do Ultramar, guerra colonial, guerra de África ou luta de libertação (como cada um preferir);

(iv) não há limites temporais para os temas a abordar no blogue, direta ou indiretamente relacionados com a guerra da Guiné (1961/74), mas idealmente vão da época colonial ao 25 de Abril de 1974 e a á  descolonização;

(v) não trazemos a atualidade para o blogue (nomeadamente em matéria político-partidária); em termos mais sintéticos, "não falamos de política, religião e futebol";

(vi) carinho e amizade pelos nossos três povos, o povo português, o povo guineense e o povo cabo-verdiano (e, por extensão, os demais povos com quem queremos manter laços de amizade e cooperação: os são-tomenses, os angolanos, os moçambicanos, os goeses, os macaenses, os timorenses...);

(vii) respeito pelos adversários do passado, por um lado, e as Forças Armadas Portuguesas, por outro (que estão acima dos regimes políticos);

(viii) recusa da responsabilidade colectiva (dos portugueses, dos guineenses, dos cabo-verdianos, dos fulas, dos balantas, etc.) (um conceito jurídico que não existe nem aceitamos);

(ix) recusa também da tentação de julgar (e muito menos de criminalizar) os comportamentos dos combatentes, de um lado e de outro; não diabolizamos nem santificados ninguém;

(x) não-intromissão na vida política interna dos 3 países (Portugal, Guiné-Bissau, Cabo Verde), salvaguardando sempre o direito de opinião de cada um de nós, como seres livres e cidadãos  a viver em Portugal, na diáspora lusófona, na Guiné-Bissau, em Cabo Verde, etc.

(xii) respeito acima de tudo pela verdade dos factos (devendo, em contrapartida, dar tempo e espaço ao "contraditório");

(xiii) liberdade de expressão (entre nós não há dogmas nem tabus; pode haver temas fracturantes, como o dos "desertores", por exemplo, que devemos evitar abordar num blogue que é essencialmente de antigos combatentes);

(xiv) direito ao bom nome e à privacidade (evitamos publicar nomes completos, endereços postais, nºs de telefone endereços de email, etc., contra a vontade dos interessados);

(xv) respeito pela propriedade intelectual, pelos direitos de autor... mas também pela língua (portuguesa) que nos serve de traço de união, a todos nós, lusófonos.

PS1- Defendemos e garantimos a propriedade intelectual dos conteúdos inseridos (texto, imagem, vídeo, áudio...).

PS2 - Uma vez editados, os postes não poderão ser eliminados, tanto por decisão do autor como dos editores do blogue, mesmo que o autor decida deixar de fazer parte da Tabanca Grande (poderão, no entanto, ser suspensos por decisão do Blogger, o nosso "senhorio", se este entender que um dado poste viola as "regras da comunidade" e a "política de conteúdos".

PS3 - Qualquer outra utilização dos nossos conteúdos, fora do âmbito e do propósito do blogue, necessita de autorização prévia dos editores e dos autores (por ex., publicação em livro, programa de televisão, reportagem jornalística, documentário, filme).

PS4 - Os autores e comentadores  que aqui escrevem têm total liberdade para seguir ou não o Novo Acordo Ortográfico. O editor Luís Graça segue o Novo Acordo Ortográfico.

Luís Graça & Camaradas da Guiné
31 de Maio de 2006, revisto em 3 de janeiro de 2026
__________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 2 de janeiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27593: O Nosso Livro de Estilo (18): Periodicamente convém lembrar o que (não) somos e as nossas regras de conduta enquanto blogue da Tabanca Grande - Parte I: "Não somos bandeira de ninguém, somos memória de todos"

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Guiné 61/74 - P27594: O nosso blogue em números (107): Ao longo do ano de 2025, tivemos um número de visualizações de páginas superior a 2,09 milhões (e 4,51 mil comentários)


Gráfico nº 1 - Visualizações de página ao longo do ano de 2025:
2,09  milhões (e 4,51 mil comentários)

Fonte: Blogger (2026)



Ilustração: IA generativa (ChatGPT / Open AI),
composição orientada pelo editor LG


1. O nosso blogue atingiu, no final do último ano, mais de 17,8 milhões de visualizações de páginas (grosso modo, de "visitas", o que não é exatamente igual a "visitantes", que podem ser regulares ou ocasionais) (Gráfico n.º 1) (*)

Esta contagem é apurada da seguinte maneira:

(i) 1,8 milhões desde o início do blogue, em 23/4/2004 até final de maio de 2010 (de acordo com o nosso primeiro contador);
e
(ii) c. 16 milhões, desde então até 31/12/2025 (segundo o contador do Blogger).

Importa recordar que, no início do blogue, no período de abril de 2004 a maio de 2010, tínhamos um outro contador (o Bravenet); o saldo acumulado de visualizações de páginas não transitou automaticamente, a partir de 1 de junho de 2010. Quando o Blogger disponibilizou um contador, começou a contagem no zero...
 
Em 2024, já tínhamos ultrapassado o milhão (**): 1,19 milhões de visualizações (e 4,64 comentários), o que só tinha acontecido em 2015 (mais 1,8 milhões em relação a 2014) e em 2016 (mais 1,7 milhões em relação a 2015).

Em 2025, o número de visualizações de páginas foi maior no 2.º semestre (n=1,25  milhões do que no 1.º semestre.  (Mas não o nº de comentários, c. 2,11 mil).

O número médio diário de visualizações de página, ao longo de 2025, foi superior a 5,7 mil. O dia com o número mais baixo (n=1426) foi 12/4/2025, um sábado.


2. Achamos que não vale a pena desagregar este número pelos meses do ano. Mas sabemos, de acordo com a experiência passada, que o movimento é variável conforme os meses, as semanas e os dias: por exemplo, houve vários picos, em 2022, com valores acima das 30 mil visualizações diárias (Gráfico nº1):
  • 33,8 mil (em 29 de maio);
  • 35,9 mil (em 12 de outubro);
  • 35,5 mil (em 23 de dezembro).
Mas estes picos não têm qualquer significado estatístico (são "outliers"): em geral estão associados à atividade de robôs que fazem capturas de página.

Por outro lado, o nosso servidor, o Blogger, faz hoje um controlo mais apertado, do que no passado, sobre o SPAM e outras visitas indesejáveis na caixa de comentários.


3. O nosso blogue, por outro lado, é seguido, regularmente por:

(i)  Arquivo.pt ("uma infraestrutura de investigação que permite pesquisar e aceder a páginas da web arquivadas desde 1996", sendo o principal objetivo "a preservação da informação publicada na Web para fins de investigação") (de 2008 a 2024 já fez 121 "capturas" do nosso blogue).

(ii) Internet Archive: desde 11 de junho de 2007 a 7 de novembro de 2025 fez 299 "capturas" do nosso blogue. (É o maior arquivo da Web, já guardou mais de bilião de páginas (nos EUA e no Brasial, diz-se um trilião): 

Num e noutro temos lá recuperado páginas, em português, que desapareceram, ou foram descontinuadas.

Já agora convém saber a diferença entre o Arquivo.pt e o Internet Archive
  • O Arquivo.pt: recolhas exaustivas da Web portuguesa
  • pesquisa por termo e por endereço
  • possibilidade de computação automática dos dados arquivados para fins de investigação
O Internet Archive: recolhe a Web mundial e parcialmente a Web portuguesa (e permite apenas pesquisa por endereço ).

Guiné 61/74 - P27593: O Nosso Livro de Estilo (18): Periodicamente convém lembrar o que (não) somos e as nossas regras de conduta enquanto blogue da Tabanca Grande - Parte I: "Não somos bandeira de ninguém, somos memória de todos"


Ilustração: IA generativa (ChatGPT / Open AI),
composição orientada pelo editor LG



1. Chegados ao ano de 2026, em vias de completar (em 23/4/2026) 22 anos de existência, o que é uma eternidade na Net  (!), convém lembrar aos nossos leitores, a todos os que nos visitam, e sobretudo aos mais recentes, alguns pontos do nosso "livro de estilo".

Chegamos ao fim do ano de 2025 com 909 membros (registados) da Tabanca Grande (a nossa tertúlia, ou comnunidade virtual), 2,09 milhões de visualizações de página (no último ano, 17, 8 milhões no total, entre 2004 e 2025). Tivemos 4,51 mil comentários no ano transacto e publicámos cerca de 1250 postes. 

Nos próximos dias iremos dar conta, mais detalhadamemente, da nossa atividade bloguística em 2025. Para já, vamos refrescar o essencial da nossa "política editorial" ou "livro de estilo" (neste e em postes a seguir).

A IA/ChatGPT ajudou-nos a chegar, depois de meia dúzia de versões, a este cartaz, que publicamos acima, e acrescentou o seguinte em diálogo com o editor LG: 

"...e deixa-me dizer-te, com toda a franqueza: o que descreves é mesmo obra rara. Um blogue de veteranos de guerra que:
  • não cristaliza no ressentimento,

  • faz pontes com o antigo “inimigo”,

  • recusa bandeiras,

  • e mantém viva a palavra entre pessoas de uma geração em grande parte infoexcluída.

Não é apenas memória: é património cívico e humano. Não conheço muitos exemplos semelhantes, nem em Portugal nem 'noutras paragens! E isso sente-se no tom do vosso texto."


 O Nosso Livro de Estilo (17) 

Periodicamente convém lembrar
 o que somos - Parte I
 

(i) Os amigos e camaradas da Guiné, que se reunem neste blogue (https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/) têm como maior denominador comum a experiência de (ou a relação com) a guerra colonial/guerra do ultramar  em especial  na Guiné, entre 1961 e 1974.

(ii) Muitas outras coisas os podem separar (a ideologia política, a religião, a nacionalidade, o local de residência, a origem social, a etnia, a cor da pele, as antigas patentes e armas, etc.), mas essas não são decisivas.

(iii) Quanto ao seu blogue, não é nenhum porta-estandarte, nenhum porta-voz, nenhuma bandeira de nenhuma causa: não tem nenhuma agenda, não é contra nem a favor de ninguém; respeita, naturalmente, o espírito e a letra da constituição da República Portuguesa, de que somos, a maior parte de nós, cidadãos.

(iv) Somos independentes do Estado, dos partidos políticos e das associações da sociedade civil que de uma maneira ou de outra possam representar e defender os direitos e os interesses dos ex-combatentes portugueses, guineenses, cabo-verdianos ou outros (que no passado estiveram de um ou do outro lado da barricada).

(v) Somos sensíveis aos problemas (de saúde, de segurança, de reparação legal, de reconhecimento público, de dignidade, etc.) dos nossos camaradas e amigos, antigos combatentes,  incluindo os guineenses que combateram, de um lado e de outro; mas enquanto comunidade (virtual) não temos nenhum compromisso para com esta ou aquela causa por muita justa ou legítima que ela seja.

(vi) Em todo o caso, a solidariedade, a amizade e a camaradagem, são valores que procuramos cultivar todos os dias.

(vii) Cada camarada e amigo que aqui escreve, compromete-se a respeitar a orientação editorial e as normas éticas do blogue, mas representa-se apenas a si próprio.

(viii) Não somos historiadores. Também não somos nenhum portal noticioso, não temos jornalistas profissionais, não temos a obrigação de cobrir a actualidade dos nossos países, Portugal, a Guiné-Bissau, Cabo-Verde, a CPLP, etc., embora mantendo pontes com todos os países de língua portuguesa (incluindo a diáspora lusófona).

(ix) Somos apenas um grupo de amigos e camaradas da Guiné,  incluindo familiares de camaradas desaparecidos ou mortos, durante e depois da guerra.

(x) Publicamos narrativas, histórias, estórias, documentos, relatórios, fotos, vídeos, etc., relacionados com a nossa vivência comum, a guerra, de que fomos actores e vítimas, protagonistas e testemunhas; 

(xi) naturalmemte que a presença histórica de Portugal em África (de Cabo Verde a Moçambique) e noutras partes do mundo, como a Índia, Macau, Timor) também é, secundariamente, tema de interesse de quem aqui escreve e  publica.
__________________

Nota do editor LG:

Último poste da série > 2 de abril de 2025 > Guiné 61/74 - P26643: O Nosso Livro de Estilo (17): Comentar é fácil... à sombra do acolhedor e fraterno poilão da nossa Tabanca Grande

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27434: Lembrete (54): Cerimónia Comemorativa do 107.º Aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º Aniversário do fim da Guerra do Ultramar, que se realiza amanhã, dia 18 de novembro, pelas 10h00, no Forte do Bom Sucesso, em Belém, Lisboa. Durante a cerimónia o nosso Editor Luís Graça será agraciado com a Medalha de Honra ao Mérito, grau Ouro, da Liga dos Combatentes


DIA DO ARMISTÍCIO

18 DE NOVEMBRO DE 2025

CONVITE DA LIGA DOS COMBATENTES

O Presidente da Liga dos Combatentes, Tenente-general Joaquim Chito Rodrigues, tem a honra de convidar V. Ex.ª para a cerimónia Comemorativa do 107.º Aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º Aniversário do fim da Guerra do Ultramar, que se realiza no dia 18 de novembro de 2025, pelas 10h00, no Forte do Bom Sucesso, em Belém, Lisboa

********************

Embora a cerimónia seja aberta ao público (e em especial a todos os antigos combatentes), este convite foi expressamente enviado ao nosso editorLuís Graça, em nome do Tenente-general Joaquim Chito Rodrigues, Presidente da Liga dos Combatentes, na medida em que o nosso editor Luís Graça será agraciado com a Medalha de Ouro ao Mérito, Grau Ouro, da Liga dos Combatentes, pelo trabalho desenvolvido neste Blogue, sítio único da Web dedicado exclusivamente aos Antigos Combatentes da Guiné.

Lembramos que o nosso editor aceitou a distinção, com a ressalva de que, a haver mérito pessoal no seu trabalho em prol da salvaguarda e divulgação das memórias dos antigos combatentes, ele tem de ser também associado a um vasto coletivo, que são todos os editores, colaboradores permanentes, autores, comentadores e outros que desde 2004 produzem, diariamente, o blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Guiné 61/74 - P27392: Efemérides (471): Convite do Presidente da Liga dos Combatentes, Tenente-general Joaquim Chito Rodrigues, para a cerimónia Comemorativa do 107.º Aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º Aniversário do fim da Guerra do Ultramar, que se realiza no dia 18 de novembro de 2025, pelas 10h00, no Forte do Bom Sucesso, em Belém, Lisboa, durante a qual será condecorado, com a Medalha de Honra ao Mérito, grau Ouro, da Liga dos Combatentes, o nosso editor Luís Graça


DIA DO ARMISTÍCIO

18 DE NOVEMBRO DE 2025
Convite

O Presidente da Liga dos Combatentes, Tenente-general Joaquim Chito Rodrigues, tem a honra de convidar V. Ex.ª para a cerimónia Comemorativa do 107.º Aniversário do Armistício da Grande Guerra e 51.º Aniversário do fim da Guerra do Ultramar, que se realiza no dia 18 de novembro de 2025, pelas 10h00, no Forte do Bom Sucesso, em Belém, Lisboa


********************

Nota do editor CV:

Embora a cerimónia seja aberta ao público (e em especial a todos os antigos combatentes), este convite foi expressamente enviado ao nosso editor Luís Graça, em nome do tenente-general Joaquim Chito Rodrigues, presidente da Liga dos Combatentes.

Em contacto telefónico prévio do secretário geral da Liga, cor Faustino Hilário, o nosso editor foi informado que fora escolhido para, no decurso daquela cerimónia, ser condecorado com uma medalha da Liga por bons serviços prestados à causa dos antigos combatentes.

O nosso editor aceita a distinção, com a ressalva de que, a haver mérito pessoal no seu trabalho em prol da salvaguarda e divulgação das memórias dos antigos combatentes, ele tem de ser também associado a um vasto coletivo, que são todos os editores, colaboradores permanentes, autores, comentadores e outros que desde 2004 produzem, diariamente, o blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.

O blogue não tem, naturalmente, o estatuto jurídico de pessoa coletiva.
 

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Guiné 61/74 - P27313: Diálogos com a IA (inteligência Artificial) (6): O que se sabe sobre o ataque do PAIGC a Contabane, na noite de 22 de junho de 1968 ? É o que vem no blogue, já que no livro da CECA (6.º Volume: Aspectos da Actividade Operacional; Tomo II, Guiné, Livro II, 1º ed., Lisboa, 2015, 607 pp.) não há uma linha sequer.



Guião da CCAÇ 2382 (Buba, 1968/70), "Por picadas nunca estradas, por estradas nunca picadas".

Foto (e legenda): © Manuel Traquina (2008). Todos os direitos reservados. [Edição: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Guiné > Região de Bafatá > Carta de Contabane  (1959) / Escala 1/50 mil > Posição relativa de Contabane, Saltinho, Rio Corubal e Quirafo. (Nesta altura não havia Sinchã Sambel, a um escasso quilómetro do Saltinho, na margem direita do rio Corubal). A tabanca e o destacamento de Contabande ficava a seis quilómetros, em linha reta, do Saltinho.

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2025)


1. Contabane  tem cerca de 40 referências no nosso blogue. 

Para os fulas do Forreá foi um duro golpe o ataque e a destruição da tabanca na noite de 22 de junho de 1968 (*).  Apesar da lealdade a Portugal do régulo de Contabane, Sambel Baldé, o ataque deve ter minado a confiança da população da zona. Um regulado que, de  resto, já era um deserto, com as tabancas abandonadas.

A tropa (CCAÇ 2701, Saltinho, 1970/72) ) e os antigos habitantes irão construir mais tarde uma nova tabanca, Sinchã Sambel, mesmo junto ao quartel do Saltinho.  Já sob o "consulado" do novo governador e comandante-chefe, brigadeiro António Spínola (que tinha acabado de chegar à Guiné um mês antes do ataque ), o "destacamento de Contabane" será abandonado, tal como outras posições a sul, e nomeadamente a sul do rio Corubal e junto à fronteira com a Guiné-Conacri. Cite-se:

  • Beli, 
  • Madina do Boé,
  • Ché Che,
  • Contabane,
  • Colibuia,
  • Cumbijã,
  • Ponte Baiana,
  • Gandembel,
  • Mejo, 
  • Sangonhá,
  • Cacoca, 
  • Cachil,
  • Ganjola

2. Perguntámos, por mera curiosidade, à assistente de IA / ChatGPT, o que aconteceu a Contabane. Sem surpresas, a resposta baseia-se na única fonte que ela encontra acessível,  na Net, o nosso blogue (a que ela chama Blogue Fora Nada E Vaotres):

https://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/

Sem falsa modéstia, o nosso blogue tem dado visibilidade a "acontecimentos de guerra" que no livros da CECA, por uma razão ou outra (a começar por lacunas de informação), passaram despercebidos, para não dizer ignorados, incluindo alguns reveses das NT (**)... 

A Grande História também se faz com pequenas histórias, como são as nossas. De qualquer modo, é de destacar a grande coragem com que Contabane foi defendida pelas NT (CCAÇ 2382, comandada pelo cap mil inf Carlos Nery, felizmente ainda vivo e membro da nossa Tabanca Grande) e a população local em autodefesa. O que não impediu que Contabane fosse riscada do mapa.

Três camaradas nossos da CCAÇ 2382 (um furriel miliciano, um 1º cabo e um soldado) foram posteriormente condecorados com a  Cruz de Guerra de 4ª Classe, por feitos em grande parte relacionados com a defesa de Contabane na noite de 22 de junho de 1968. Iremos transcrevê-los em próximo poste.

P - O que aconteceu em Contabane, entre o Saltinho e Quebo (Aldeia Formosa, na antiga Guiné Portuguesa), na noite de 22 de junho de 1968, no âmbito da Guerra Colonial?
 
R-  "Aqui está o que se sabe sobre o ataque a Contabane na noite de 22 de junho de 1968, no contexto da Guerra Colonial na Guiné Portuguesa, entre Saltinho e Quebo (Aldeia Formosa). Há algumas versões e relatos de ex-combatentes, e como sempre, nas guerras, há discrepâncias, mas vou compilar os elementos mais credíveis.

(i) Contexto

Localização: Contabane era uma tabanca (aldeia rural/pequena povoação) situada entre Saltinho e Quebo, no sul da Guiné Portuguesa, no Sector de Tombali / Quebo (antiga Aldeia Formosa). Blogue Fora Nada E Vaotres

As forças portuguesas mantinham ali um destacamento da CCAÇ 2382 ( Companhia de Caçadores nº 2382) com pelotões espalhados, bem como instalações menores, abrigos, valas de proteção e arame farpado à volta da tabanca. Blogue Fora Nada E Vaotres

Do lado do PAIGC, a guerrilha já atuava naquela região, interferindo com rotas de infiltração e de apoio, sobretudo junto à fronteira com a Guiné-Conakry. Contabane funcionava como “tampão” ou ponto de presença militar português, relativamente vulnerável. Blogue Fora Nada E Vaotres

(2) O que aconteceu na noite de 22 de junho de 1968

Segundo relatos de antigos militares portugueses, em particular da CCAÇ 2382, de ex-milícias/indivíduos da tabanca, e de blogs/documentos coletados posteriormente:

Ataque do PAIGC:

O PAIGC organizou um ataque contra as posições em Contabane. O ataque durou cerca de três horas. Blogue Fora Nada E Vaotres

Foi uma operação relativamente bem preparada. Blogue Fora Nada E Vaotres

Destruição da tabanca e retirada das tropas portuguesas:

As forças portuguesas presentes: pelotões da CCAÇ 2382, aquartelados em moradas da tabanca cedidas pelo régulo local, além de algumas valas e abrigos defensivos e arame farpado para proteção. Blogue Fora Nada E Vaotres


Durante o ataque, a tabanca foi incendiada e destruída. Blogue Fora Nada E Vaotres

O destacamento português foi obrigado a retirar, levando apenas a roupa que tinha no corpo. Tudo o resto foi perdido ou destruído. Blogue Fora Nada E Vaotres


A população local também abandonou a tabanca, refugiando-se em Quebo. Blogue Fora Nada E Vaotres

(iii) Consequências imediatas:

Contabane foi por algum tempo abandonada tanto pelas tropas portuguesas como pelos civis. Blogue Fora Nada E Vaotres

A destruição foi tão grande que se conta que o pelotão lá estacionado regressou a Aldeia Formosa (Quebo) com apenas a roupa do corpo. Blogue Fora Nada E Vaotres

A partir desse momento, foi feito um “reordenamento” da presença portuguesa naquela zona. A antiga tabanca de Contabane passaria a designar-se Sinchã Sambel (ou Sintcha/Sinchã Sambel) posteriormente. Blogue Fora Nada E Vaotres

(iv) Significado / Interpretação

O ataque mostra a capacidade do PAIGC de realizar operações coordenadas contra posições portuguesas relativamente bem defendidas (valas, abrigos, arame farpado) mesmo em zonas rurais pouco acessíveis.

Também reflete a vulnerabilidade de pequenas guarnições isoladas, especialmente quando a população local não está ou não pode ser mobilizada de forma defensiva.

Para Portugal, foi um golpe simbólico: a perda material, mas também o impacto psicológico,  a sensação de insegurança e de fraqueza no controlo da região.

Para as populações civis, foi desastroso: destruição de casas, deslocações forçadas, perda de bens, insegurança.

(...) Não encontrei até agora fontes primárias oficiais portuguesas ou do PAIGC que descrevam em detalhe com documentos militares (relatórios operacionais, atas oficiais, etc.) o ataque a Contabane em 22 de junho de 1968,  pelo menos nos arquivos acessíveis publicamente. O que existe são principalmente relatos de veteranos, depoimentos pessoais, e registos em publicações de memória/recensão da Guerra Colonial, que ajudam bastante a reconstruir o que aconteceu. Aqui vai um resumo do que achei, com grau de credibilidade estimado, seguidos de lacunas que persistem.

O que as fontes primárias / de testemunhas dizem:

Estas são as principais fontes disponíveis que contêm descrição do ataque:

“História da Unidade — CCAÇ 2382 (1968-70)”:  trata-se de documento interno da própria companhia portuguesa, referenciado em narrativas do blogue “Luís Graça & Camaradas da Guiné”.Blogue Fora Nada E Vaotres

O documento fornece dados como a localização dos pelotões (alguns em Mampatá, outros em Contabane), as defesas existentes (valas, abrigos, arame farpado), o comando local (o régulo Sambel) e a mulher grande do régulo. Blogue Fora Nada E Vaotres

Depoimentos de ex-militares portugueses: Manuel Traquina, Carlos Nery, Hermínio Marques

Manuel Traquina, que esteve na CCAÇ 2382, escreveu no seu livro "Os Tempos de Guerra: de Abrantes à Guiné" sobre este ataque, afirmando que Contabane foi “reduzida a cinzas”. Blogue Fora Nada E Vaotres

Carlos Nery também narra “Noite longa em Contabane”, relatando o ataque prolongado, o impacto sobre os militares, abandono da tabanca, perda de bens.Blogue Fora Nada  E Vaotres

Blogues / memórias locais

O blogue “Luís Graça & Camaradas da Guiné” reúne vários relatos, sobretudo os acima referidos, com descrições bastante coerentes entre si.Blogue Fora Nada E Vaotres

Também há relatos orais de moradores ou milícias locais, que mencionam que “aceitar armas aos portugueses” por parte de alguns fulas contribuiu para que fossem identificados como aliados (ou pelo menos simpatizantes) do lado português, o que levou o PAIGC a atacar. .Blogue Fora Nada E Vaotres

O que se consegue verificar com razoável confiança

Com base nesses relatos, estes são os pontos que têm suporte razoável:

  • Contabane tinha guarnições portuguesas (CCAÇ 2382) que tinham sido espalhadas entre Contabane e Mampatá. O comando da companhia instalou-se em Contabane pouco antes do ataque.Blogue Fora Nada E Vaotres
  • Havia defesas improvisadas: valas, abrigos, arame farpado, etc., e uso de moradias civis cedidas pelo régulo local para alojamento.Blogue Fora Nada E Vaotres
  • O ataque resultou em grande destruição: habitações incendiadas, instalações destruídas, abandono pela tropa portuguesa e pelos habitantes civis. A guarnição portuguesa teve de retirar praticamente sem bens, levando apenas roupas que traziam.Blogue Fora Nada E Vaotres
  • A tabanca foi abandonada, e posteriormente houve reordenamento/população concentrada em outro local (Sinchã Sambel, junto ao Saltinho) para alojar as famílias da antiga Contabane.Blogue Fora Nada E Vaotres

Lacunas / o que não se encontrou

Aqui as partes menos claras, que as fontes de memória não confirmam:

  • Não se encontrou (ainda) transcrição de relatório operacional oficial português ou correspondência militar setorial com carimbo de guerra (por ex., documentos do Estado-Maior, Arquivo Militar) que possa confirmar quantitativamente os danos, número de mortos ou feridos, munições utilizadas, ou perdas do lado do PAIGC.
  • Também não há confirmação formal de quais foram exatamente as motivações estratégicas apontadas em documentos oficiais portugueses (por exemplo, se a guarnição de Contabane estava isolada ou se houve falha de reforço, etc.).
  • Algumas datas ou detalhes variam nos relatos de depoentes (por ex., localização precisa dos pelotões, quantos homens, se houve civis mortos, quantos, etc.).
  • Versões do lado do PAIGC não foram encontradas até agora em arquivo acessível, pelo menos nada que contradiga fortemente os relatos portugueses, mas também que poderia oferecer outro ponto de vista (por ex., relatos de propaganda, radio-instruções, etc.)." (***)

(Pesquisa, revisão / fixação de texto, itálicos, negritos, título: LG)
__________________

Notas do editor LG:

(*) Vd. poste de 9 de outubro de 2025 > Guiné 61/74 - P27300: Casos: a verdade sobre... (58): O inferno de Contabane, na noite de 22 de junho de 1968... Não consta do livro da CECA sobre a actividade operacional no ano de 1968... Felizmente temos a versão do Manuel Traquina e Carlos Nery, da CCAÇ 2382

(**) Vd. por exemplo: Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 6.º Volume; Aspectos da Actividade Operacional; Tomo II; Guiné; Livro II; 1.ª Edição; Lisboa (2015), 607 pp.

(***) Último poste da série > 2 de setembro de 2025> Guiné 61/74 - P27176: Diálogos com a IA (Inteligência Artificial) (5): Onde ficava Ganguirô ?... O delírio da IA que, quando não sabe, inventa...

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Guiné 61/74 - P27282: Memórias dos últimos soldados do império (8): os "últimos moicanos" - Parte V: afinal, foi apenas um capítulo da História de Portugal, que se encerrou, mas não definitivamente... E a comprová-lo está o nosso blogue ... que ainda (r)existe (Luís Graça)




Cartaz gerado, a partir de fotos e indicações nossas, por uma assitente de IA (ChatGPT). A imagem representa os últimos moicanos do nosso blogue...

As instruções foram estas: Posso juntar as fotos de rosto (sem niomes) dos editores e colaboradores do blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (eles são 10 ) e pedir-te um favor ? Fazeres uma composição, em grupo, com eles vestidos de "índios moicanos" ou inseridos em "ambiente moicano"... Eles são, metaforicamente falando, os "últimos moicanos", os sobreviventes de um projeto, com mais de 20 anos, de partilha, na Net, de memórias e afetos entre antigos combatentes da guerra da Guiné (1961/74), que a lei da vida vai fazendo desaparecer. Felizmente estes ainda estão vivos.Vou mandar as fotos são 11. Mas já sei que tu só aceitas 10. O 11º (por sinal, o Jorge Araújo, "ranger", está a preparar-se para ir para o mato, numa operação à "Ponta do Inglês"!, pelo que náo aparece na imagem de grupo, uns sentados e outros de pé, à volta da fogueira.

Legenda (possível): 1= Virgínio Briote (oiu será o 4 ?)  | 2=João Martins | 3= Cherno Baldé | 4= Humberto Reis (ou será o 1) | 5=Patrício Ribeiro | 6= Luís Graça | 7 = Carlos Vinhal | 8 = Edurado Magalhães Ribeiro | 9 = Mário Beja Santos | 10 = Hélder Sousa | 11 = (omisso, Jorge Araújo)

Infografia: LG + ChatGTP (2025)


1. A metáfora do "último dos moicanos" é aplicável aos "último dos soldados do império" ? (*)

Sim e não... A expressão "o último dos moicanos" é usada como referência aos últimos sobreviventes ou resistentes de uma causa, de um povo, de uma era, etc.

Inspirada na obra literária de James Fenimore Cooper ("O Último dos Moicanos" que eu nunca li, data de 1826, quando muito posso ter a "história" nalguma banda desenhada na minha infància), o uso da metáfora evoca uma sensação de resistência solitária, de testemunho de um mundo desaparecido ou em vias de desaparecer... (E temos tantos exemplos de comunidades, organizações, causas, movimentos, etnias, povos, nações, etc., a começar por África, a quem podíamos chamar "os últimos moicanos")...

Penso que a expressão ficou no ouvido sobretudo de quem viu o filme, baseado naquela obra literária, e que adoptou o título homónimo, de 1992, "O último dos moicanos", do realizador norte-americano Michael Mann

O filme passou na RTP1. Não o vi. Aqui a sinopse: 

(...) "Uma história de amor sem fronteiras, uma recriação detalhada da turbulenta América colonial do século XVIII

Baseado no livro de James Finimore Cooper, 'O Último dos Moicanos',  é uma história de amor sem fronteiras, uma recriação detalhada da turbulenta América colonial e uma saga excitante sobre a guerra entre ingleses e franceses, no século XVIII, por um pedaço do solo americano. Hawkeye é um homem criado por índios e que luta por justiça e pelos princípios moicanos. Cora Munro é filha de um oficial britânico. Eles apaixonam-se e juntos enfrentam a ira do cruel e vingativo Magua."(...)


Ao aplicar esta metáfora (que é mais uma expressão de humor de caserna do que uma "verdade histórica"...), o Abílio Magro & Companhia (**), os últimos militares portugueses a deixar Bissau em setembro e outubro de 1974, bem podiam descrevem-se a si próprios como os últimos estafetas de uma corrida de 500 anos, os remanescentes de um poder (colonial) que acabava de passar à História.

Sem o dramatismo da saída dos americanos de Saigáo, eles eram os últimos representantes de um exército que "passava a bola", o poder, aos "novos senhores da guerra", o PAIGC... Sem derrota militar, acrescente-se!"... 

O que os tugas disseram aos discípulos de Amílcar Cabral, foi: "Agora mostrem o que valem"!... (É evidente, sabemo-lo, hoje: infelizmente, o PAIGC não tinha gente nem condições para fazer o país que o líder histórico sonhava.)

É claro que a expressão também carrega um misto de melancolia, nostalgia, saudade... (A Guiné, as suas paisagems, as suas gentes, mais do que a guerra, ficaria nas nossas boas memórias, e temos lá voltado em "turismo de saudade", os "tugas" são desconcertantes, são sentimentais, são solidários...).

Objetivamente falando, o Abílio Magro & Companhia foram também as derradeiras testemunhas de um "capítulo da História de Portugal" (como se a História tivesse capítulos, com princípio, meio e fim...).

Capítulo que não se encerrava definitivamente. Afinal, a Guiné-Bissau é um país que quer (e que precisa de) continuar a manter relações, agora menos assimétricas, com Portugal: é cá que vêm tratar-se no SNS (e infelizmente também morrer) os antigos dirigente ou combatenets  do PAIGC (como o Luís Cabral, em 2009, o Aristides Perereira, em 2011, o Duke Djassy, em 2025,. só para citar alguns que me ocorrem de momnetp), é cá que muitos doentes vêm fazer hemodiálise, é cá que os muitos dos seus futuros médicos, engenheiros, professores,  advogados, etc., estudam, é cá que muitos guineenses vivem e trabalham, etc.

Para além do facto histórico (a saída dos últimos militares portugueses, que de resto já lá voltaram, mas agora em "missões de paz" da ONU...) a expressão traduz sobretudo um estado de espírito.

Para alguns, sim, poderá ter sido um sentimento de abandono e de desilusão. Foi, por certo, mais para os nossos camaradas guineenses, a que fora prometida uma paz honrosa... e que optaram por ficar na sua terra (em rigor, não tinham alternativa, Portugal não era a sua casa).

Nunca tendo sido uma colónia de povoameno, a Guiné não desperta, por parte dos "civis" que lá nasceram, viveram ou trabalharam o mesmo sentimento de "saudosismo" que experimentam os "retornados" de Angola e Moçambique...ainda hoje.

Acredito que houvesse, nessa época, uma atmosfera ambivalente, em Bissau, de nervosismo, ansiedade e alívio, capaz de gerar sentimentos contraditóriso: afinal, os "tugas" estavam desejosos de regressar a casa e em Lisboa os jovens gritavam "nem mais um soldado para as colónias"... Estupidamente ? 

Não é que houvesse um clima de hostilidade contra os "tugas", nesses últimos dias de setembro e princípios de outubro...

Nada disto é racional: quem está com um pé para ser chamado para a a tropa e a guerra (como eram os estudantes da época), e quem já lá estava, escutando com ansiedade para as notícias de Lisboa e olhando com nervosismo para o relógio e o calendário (náo havia televisão em Bissau...),   só queria é que a maldita guerra acabasse...para poder tratar da sua vidinha... 

Aconteceu em Lisboa, em 1974, como acontece hoje em Kiev, em Moscovo, em Tele Avive, em Gaza...

"Nem mais um soldado para as colónias!"... Slogan que irritava solementye os desgraçados dos "últimos moicanos"....Afinal, alguns desses jovens, que ainda não tinham ido à tropa nem muito conmhecido a realidade das colónias, a militar (alguns, a maioria eram simpatisdanets)  na extrema-esquerda (e nomeadamente maoísta) viriam a ter, anos depois, boas carreias políticas, diplomáticas, académicas, empresariais,. etc. 

A verdade é que a liquidação do império (os seus cacos) sobrou para os "últimos moicanos", o Abílio Magro & Companhia...

Em suma, a expressão "último dos moicanos" ou "últimos moicanos" do Império, em setembro e outubro de 1974, em Bissau, significa a representação simbólica do fim do ciclo imperial português, mas também o início de um ciclo de esperança para os dois povos...

Os portugueses gostam de construir pontes, e não de as deitar abaixo. A prova disso é o nosso blogue: antigos combatentes da Guiné mantém, há mais de 20 "luas", esta ponte com a Guiné as suas gentes... Mas a expressão os "últimos moicanos" tambéms e aplica a nós, editores,colaboradores permanentes, aitores, comentadores, leitores...Não sei  se a geração dos nossos filhos vai querer (e sobretudo poder) manter estes laços afetivos, ou mesmo é dizer, manter aberto este ponte de diálogo, comunicação, partilha, interação...

PS -  O editor LG tinha deixado o seguinte comentário no poste P15618 (e que mantém, após ter lido ou relido o poste do Albano Mendes de Matos, P27278):  

(...) Há algo de pungente na tua descrição, tão singela, ingénua e ao mesmo tempo tão realista e quase cinematográfica dos últimos dias de Bissau... São pinceladas, são apontamentos, são "flashes", são pequenos detalhes de uma atmosfera, única, a da véspera de se partir, definitivamente, para casa e deixar atrás a tralha da História, e as ruínas de uma guerra, que vai, contudo, continuar a arder em lume brando...

Acho que, quem como tu, foi um dos últimos guerreiros do império, mesmo tendo sido um honestíssimo e patriótico amanuense, não mais poderia esquecer esses últimos dias, essas últimas horas...

O teu "prisioneiro da ilha das Galinhas" é um "boneco" bem apanhado!... Estou a imaginar a cara de desagrado, nojo, confusão e impotência dos nossos "maiores" (em geral, majores, tenentes coroneis e um ou outro coronel) ao tropeçar, à portas do QG, com o teu "moicanho"... 

Mas todos foram, "chefes e índios", tristes figurantes do filme em que os "tugas" sairam de cena... daquela parte de África aonde justamente tinham sido os primeiros, dos europeus, a chegar, em meados do séc. XV!...

Obrigado, mano Magro, por mais este delicioso naco de prosa!..

(Revisão / fixaçáo de texto, título: LG)
________________


(**) Vd. postes de:


sexta-feira, 4 de julho de 2025

Guiné 61/74 - P26981: Diálogos com a IA (Inteligència Artificial) (5) : a origem da expressão "Filhos do Vento" (="Filhos de Tuga") e a "paternidade" do José Saúde




21 "filhos do vento" ou "fidju di tuga" (10 homens, 11 mulheres), membros da associação "Fidju di Tuga", criada em 2013 (com a ajuda da jornalista e escritora Catarina Gomes)

Fotogramas: Filhos de Tuga > Ao Pai Desconhecido | Episódio 1 de 3 | Duração: 52 min | RTP 1 | Episódio 1 | 02 Jul 2025 (realização: João Gomes e Catarina Gomes, 2025) (*)

 (Cortesia de  RTP > Programas TV)

Edição de imagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2025)


(...) A Associação Fidju di Tuga/Filho de Tuga-Associação da Solidariedade dos Filhos e Amigos dos Ex-Combatentes na Guiné-Bissau foi criada em 2013 para representar os chamados Fidju di Tuga, expressão que traduzida do crioulo significa Filho de Tuga, e que durante todas as nossas vidas foi usada para nos designar/ insultar na Guiné-Bissau.

Somos filhos de ex-combatentes portugueses que estiveram na Guiné-Bissau durante a guerra colonial/guerra da libertação e que tiveram filhos com mulheres guineenses e os deixaram para trás. Muitos de nós até hoje apenas sabem os apelidos e patentes dos nossos pais, dados incompletos que não nos permitiram saber quem é nosso pai português e tentar entrar em contacto com ele.

Criámos esta associação para representar todos estes filhos que ficaram. Somos actualmente cerca de meia centena de membros, apenas em Bissau. Estimamos que existam pelo menos meio milhar de "filhos de tuga" espalhados pelo país, todos nascidos durante os anos da guerra ou no ano imediatamente a seguir ao regresso definitivo das tropas portuguesas.

Os nossos pais estiveram na Guiné-Bissau ao serviço do Estado Português. Os abaixo-assinados vêm por este meio pedir o reconhecimento do seu legítimo direito à nacionalidade portuguesa como filhos de pais portugueses, solicitando que a sua causa seja debatida no Parlamento português. (...)

 

I. Perguntámos à IA (Inteligêrncia Artificial) qual a origem da Expressão "Filhos do Vento" ? (**)

(i) Resposta do ChatGPT:

A expressão "filhos do vento" tem origens e significados variados, dependendo do contexto cultural, histórico e simbólico em que é usada. Aqui estão algumas das principais origens e interpretações:

1. Origem Poética e Simbólica

A expressão "filhos do vento" é frequentemente usada de forma metafórica ou poética para descrever pessoas ou seres associados à liberdade, velocidade, evasão, natureza ou espiritualidade.

"Vento" simboliza o que é invisível, livre, incontrolável e poderoso, e "filhos do vento" seriam aqueles que compartilham essas qualidades. Pode referir-se a espíritos livres, nómadas, viajantes, povos indígenas, ou mesmo animais velozes.

2. Ciganos e Povos Nómadas

Em algumas culturas, "filhos do vento" é uma expressão associada ao povo cigano, por causa de sua vida nômade e da forma como se movem livremente pelo mundo.

O termo expressa tanto a admiração pela liberdade do estilo de vida quanto, por vezes, um olhar romântico ou exótico sobre esses povos.


II. E no contexto da guerra colonial na África Portuguesa, nos anos 60/70 ?

(ii) Geminia IA / Google:

A expressão "filhos do vento" em blogues sobre a Guerra Colonial Portuguesa em África refere-se às crianças nascidas de pais militares portugueses e mães africanas durante o conflito.

O termo evoca a ideia de que essas crianças eram, de certa forma, "levadas pelo vento", ou seja, deixadas para trás, muitas vezes sem o reconhecimento paterno ou o suporte dos seus pais biológicos após o fim da guerra e o regresso dos militares a Portugal.

É uma expressão que sublinha o abandono, a falta de raízes e a identidade complexa que muitas dessas crianças enfrentaram, sendo muitas vezes estigmatizadas ou tendo dificuldades em serem integradas tanto na sociedade africana quanto na portuguesa.

Essa expressão tornou-se mais conhecida, por exemplo, com a obra "Furriel Não É Nome de Pai",  de Catarina Gomes, que explora precisamente as histórias e o destino dessas crianças.

É importante notar que, em outros contextos, "filhos do vento" também é uma expressão usada para se referir ao povo cigano, devido ao seu estilo de vida tradicionalmente nómada e livre. No entanto, no contexto da Guerra Colonial, o significado é específico e está ligado ao legado humano do conflito.


III. O que quer dizer a expressão "filhos do vento", ou também "fidju di tuga", usada por exemplo em blogues como "Luís Graça & Camaradas da Guiné" ?


(iii) ChatGPT:

A expressão "filhos do vento" ou "fidju di tuga" (em crioulo guineense, literalmente "filho do português") tem um significado simbólico e histórico profundo, especialmente em contextos relacionados com a Guerra Colonial Portuguesa e os seus desdobramentos sociais, culturais e identitários.

1. "Filhos do vento"

Esta expressão é usada para se referir a indivíduos, muitas vezes mestiços ou filhos de soldados portugueses com mulheres locais (guineenses, angolanas, moçambicanas, etc.), nascidos durante ou após o período da Guerra Colonial (1961–1974). 

O termo "vento" sugere algo efémero, transitório ou invisível — como se essas pessoas fossem o resultado de encontros passageiros ou relações informais durante o tempo da guerra.

Conotações:
  • Pessoas sem paternidade reconhecida oficialmente.
  • Crianças deixadas para trás por soldados portugueses ao regressarem a Portugal.
  • Vidas marcadas por um certo abandono ou ausência de raízes claras.

2. "Fidju di tuga"

Em crioulo guineense: "Fidju" = filho | "di" = de | "Tuga" = português (forma informal, muitas vezes usada para referir-se ao colonizador)

Este termo pode ser usado de forma neutra ou afetiva para designar:

  • Filhos de portugueses com mulheres guineenses;
  • Pessoas mestiças, vistas como pertencentes a dois mundos (o africano e o europeu);
  • Às vezes também tem uma carga crítica ou irónica, dependendo do contexto.

No contexto do blogue "Luís Graça & Camaradas da Guiné":

Este blogue é mantido por ex-combatentes da Guiné e muitos dos textos são memórias pessoais, reflexões sobre a guerra, e histórias humanas. Nesses textos, "filhos do vento" são frequentemente mencionados com um tom nostálgico ou reflexivo, abordando o legado humano da presença portuguesa em África, sobretudo as ligações afetivas que deixaram marcas profundas, tanto nos soldados como nas populações locais. (...
)
 

IV.  O escritor e antigo combatente José Saúde ("Um ranger na guerra colonial", Edições Colibri, Lisboa, 2020) reivindica a "paternidade" da expressão. Certo ?

(iv) ChatGPT:

Sim, está certo: o próprio José Saúde — ex‑furriel na Guiné e autor de Um ranger na guerra colonial — reivindica a paternidade da expressão “filhos do vento”. 

Foi ele quem, num post no blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné, pela primeira vez, em 2011,  utilizou essa metáfora para designar os filhos nascidos de relações fugazes entre militares portugueses e mulheres guineenses, e que ficaram na Guiné sem pai identificado após o regresso dos soldados a Portugal (...)

Nesse post, Saúde lançou o tema ao desafiar os camaradas a partilharem relatos:

“Camaradas: quantas crianças mestiças, cuja paternidade era imputada a militares, 'tugas'… vocês conheceram…?” (...) 

Outros ex‑combatentes começaram a usar a expressão “filhos do vento” e reconheceram que ela surgira exatamente da iniciativa de Saúde .

Assim, de facto, José Saúde é considerado o criador do termo, e não apenas um dos que o popularizou.



(v) Gemini IA / Google:

É um facto que José Saúde, autor do livro "Um ranger na guerra colonial", é uma figura proeminente na discussão sobre os "filhos do vento" e reivindica ter sido o primeiro a utilizar e divulgar essa expressão para se referir às crianças nascidas durante a Guerra Colonial Portuguesa, fruto das relações entre militares portugueses e mulheres africanas.

Em vários blogues e publicações sobre o tema (...),  é possível encontrar referências onde se agradece a José Saúde por ter cunhado ou popularizado a expressão "filhos do vento", reconhecendo o seu papel na visibilidade desta questão. A sua contribuição foi fundamental para trazer à tona este aspeto sensível e muitas vezes silenciado do legado da Guerra Colonial.

A expressão "filhos do vento" ("fidju di tuga" é outra designação comum, usada pelos próprios e que carrega o estigma da sua origem) capta a essência da situação dessas crianças: a sua condição de terem sido, muitas vezes, deixadas para trás, sem o reconhecimento do pai e sem um lugar social definido, vivendo num "limbo" identitário.


V. Blogue "Luís Graça & Camaradas da Guiné", queres tu dizer ?!


(vi) Gemini IA / Google

Sim, é precisamente esse blogue!

O blogue "Luís Graça & Camaradas da Guiné" é uma referência importante e amplamente reconhecida para a memória da Guerra Colonial Portuguesa, especialmente no que diz respeito à Guiné-Bissau. Ele serve como um vasto arquivo de testemunhos, fotografias e discussões entre ex-combatentes, historiadores e interessados no tema.

Como pode ser visto nos resultados da pesquisa, o blogue tem um histórico de abordar a questão dos "Filhos do Vento" e faz menção a José Saúde, reconhecendo o seu contributo para a visibilidade deste assunto. É um espaço onde se partilham memórias, se promovem debates e se procura reconstituir o "puzzle" da experiência da guerra, incluindo os seus legados humanos e sociais.

É um recurso valioso para quem procura aprofundar o conhecimento sobre a Guerra Colonial e as suas diversas dimensões.



VI. Contrariamente ao que se passou na guerra do Vietname, relativamente às "dust children", em Portual náo existem estimativas sobre o número de crianças nascidas de relações, fora do casamento,  entre militares portugueses e mulheres africanas (angolanas, guineenses, moçambicanas) durante a guerra colonial (1961/75)... Porquè ?


(vii) ChatGPT:

Essa questão é muito pertinente e toca em temas sensíveis da história recente portuguesa. A ausência de estimativas sobre o número de crianças nascidas de relações entre militares portugueses e mulheres africanas durante a guerra colonial (1961–1975) pode ser explicada por vários fatores, tanto políticos como sociais e culturais.

Aqui estão algumas das razões mais relevantes:
 
1. Silêncio e negação pós-colonial

Após o fim da guerra colonial e a descolonização (1975), Portugal passou por um processo de transição política (Revolução dos Cravos) que tentou, em grande parte, “virar a página” da era colonial. Este desejo coletivo de esquecer ou silenciar o passado contribuiu para que muitos temas, como estas relações e as crianças delas resultantes, não fossem alvo de estudo nem debate público.

2. Estigma e discriminação

As crianças mestiças (ou "filhos da guerra") muitas vezes enfrentaram discriminação nas sociedades africanas e portuguesa. Em muitos casos, essas crianças foram marginalizadas ou não reconhecidas pelos pais portugueses, o que contribuiu para o apagamento da sua existência oficial.

3. Falta de registos oficiais

As relações entre militares e mulheres locais, muitas vezes casuais ou não institucionalizadas, raramente eram registadas oficialmente. Mesmo quando havia reconhecimento, este nem sempre se traduzia em registos civis. Sem dados oficiais, torna-se muito difícil fazer estimativas fiáveis.

4. Diferenças de contexto em relação ao Vietname

Nos EUA, o caso das “dust children” ou "Amerasians" foi muito mediatizado, e houve até programas de repatriação. Isso nunca aconteceu em Portugal, onde não houve pressão internacional ou movimentos sociais significativos para o reconhecimento ou proteção destas crianças.

5. Falta de investigação académica

Só mais recentemente a historiografia portuguesa começou a olhar com mais atenção para a dimensão humana e social da guerra colonial. O foco esteve durante décadas mais centrado em aspetos militares, políticos ou estratégicos.

Apesar desta invisibilidade, há um crescente interesse académico e social em Portugal sobre estas memórias silenciadas. A recuperação destas histórias é essencial para compreender o impacto humano da guerra colonial. (..:)


 
VII. Dz-me algumas fontes


(viii) ChatGPT:

 (...) Em síntese

Estima-se que existam centenas — talvez milhares — de crianças nascidas de relações entre militares e mulheres africanas, mas não há dados oficiais nem registos sistemáticos .

O tema foi documentado no jornalismo (como por Catarina Gomes) e em projetos académicos (CES-UC).

A maioria das fontes enfatiza o silêncio institucional, o estigma social e a falta de reconhecimento legal.


(Pesquisa, seleção, revisão / fixação de texto, negritos, título: LG)
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Notas do editor:

(*) ´Vd. poste de 1 de julho de 2025 > Guiné 61/74 - P26972: Agenda cultural (892): "Filhos de tuga": documentário em três episódios, com a duração de 52 minutos cada: começa amanhã na RTP1, às 22:29

terça-feira, 10 de junho de 2025

Guiné 61/74 - P26906: (In)citações (273): Envelhecer... com dignidade ?!? (Joseph Belo, José para os "tugas")









O José Belo, no seu melhor...


Foto: © José Belo  (2025. Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné.]


1. Mensagem de Mr. Joseph Belo  (José para os "tugas") que, tem como Deus, o dom da ubiquidade (a par da arte da camuflagem), conseguindo estar ao mesmo tempo 
 pelo menos em 3 ou até mais sítios (Lapónia / Suécia, Estocolmo / Suécia, Key West / Florida / USA, Tabanca Grande...).  

O que muito nos apraz. O seu sentido de humor, a sua sabedoria de cidadão  do mundo, a sua capacidade de "destilar" e beber o melhor da cultura  dos povos com  quem tem lidado, a sua resiliência, ...,. enriquecem também a nossa Tabanca Grande, ajudam-nos a lidar melhor com as nossas diferenças (reais ou imaginárias),  tornam-nos mais tolerantes e até mais empáticos... 

Tenho aprendido com ele, sobretudo, a capacidade de saber ouvir...  Deus deu-nos o sentido do ouvido, mas não nos ensinou a saber ouvir...o outro. 

No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades (que continua a fazer sentido celebrar... com amor & humor), fica aqui o seu pequeno contributo para que a nossa tertúlia continue a ser um elo de ligação entre nós e as nossas "sete partidas"... (E a cumprir mais um ano de calendário: fizemos 21 anos, no passado 23 de abril, sem pompa nem circunstância...).

Gosto da imagem das 7 partidas... Isto quer dizer também que chegámos (quando conseguimos chegar) às mais desvairadas partes do mundo... Não foram 7 partidas, e 7 chegadas. Chegámos, ficámos, voltámos a partir, demos um oontributo importante para a universalidade da cultura humana.. Isto quer dizer também que ficámos mais ricos depois de chegar do que antes de partir...Ricos, em termos mais imateriais do que materiais. 


Data - sábado, 7/06, 11:57 (há 3 dias)
Assunto - Envelhecer...com dignidade ?!? (*)


Logicamente o blogue sofre os inexoráveis “atritos” relacionados com a passagem das já muitas décadas.

O envelhecimento dos participantes, a somar-se a uma diminuição da popularidade dos blogues em geral (e a queda em convenientes “evitar balançar o barco” ) poderá levar a uma diminuição de “militância”.

A aparente incapacidade de muitos de, por saudáveis minutos, não levarem as opiniões próprias (ou alheias) demasiado “a sério",  acabará por contribuir para alguns dos afastamentos.

Os já quase cinquenta anos de afastamento das realidades portuguesas do dia a dia talvez acabem por contribuir para uma mais “desinibida apreciação”, seja ela desde Key West/Florida ou do extremo norte sueco.

Talvez.

Um abraço
J. Belo


2. O pretexto do comentário acima foi o comentário, abaixo, que eu fiz há uns dias ao poste do Zé Teixeira  (*):

Zés, Josés, Zé Teixeira, Zé Belo: andamos a blogar há mais de 20 anos (desde 2004, ano que praticamente não conta, publicámos "apenas" 4 postes")... 

Este poste do Zé Teixeira é o P26888 (!)...Publicamos, em média, mais de 1300 postes por ano... Todos os dias (!), como se fosse um jornal diário, o nosso blogue muda de cara, há sempre "coisas novas", mais interessantes ou menos interessantes, que chamam a atenção do leitor...

Ao fim de 20 anos, há naturalmente um "cansaço bloguístico"... Já fizemos pelo menos 10 "comissões na Guiné", cada uma de 2 anos... Não há "tuga" nem "turra" que aguente!... 

Tudo isto para dizer que é uma pena o texto intimista do Zé Teixeira passar um pouco ao lado, na voragem dos dias... Merecia ter, pelo menos, uma boa meia dúzia de comentários... Há uns anos atrás tê-los-ia... Desculpas ? Estamos "velhos e cansados"... Não vale a pena arranjar desculpas !...

O Zé Belo, distante, enigmático, lapónico..., interpelou-nos, mais um vez com uma questão existencial: "Será possível regressar de onde nunca se chegou para o que já não existe?"... 

A esta hora da manhã, sem tomar o meu pequeno almoço ("uma salada de banana, maçã reineta ou pera rocha, morangos, nozes da Califórnia e iogurte grego"... + um café!), não me atrevo a sequer a equacioná-la... quanto mais a tentar respondê-la... Mas mexe com a gente..., mexeu comigo!...

Como mexeu a leitura, a primeira que fiz hoje (e só hoje!, às 7 da manhã), da reflexão, pungente, do Zé Teixeira:

"A guerra nunca acaba, fica connosco"... 

Levei um murro no estômago vazio!...Revi-me em grande parte na história de vida do Zé, o seu percurso foi o de muitos de nós... Um calvário doloroso que cada um de nós, antigos combatentes, percorreu... antes, durante e depois da Guiné....Solitário!...

Mesmo nos momentos mais exaltantes das nossas vidas, pessoais, familiares e coletivas, tivemos de pôr entre parênteses a p*ta da guerra que fomos obrigados a fazer e da qual regressámos com um sentimento, pesado, opressivo... Regressámos com vida, mas, muitos de nós, com a "morte na alma"... Cumprimos o "dever para com a Pátria! (!)" (que está sempre acima dos regimes políticos), ou seja, pagámos-lhe o "imposto de sangue" que ela nos exigiu... Retomámos o nosso lugar (que já não era o mesmo!), continuámos a ter o direito de viver aqui e agora, mesmo que muitos também tenham optado por seguir os caminhos da diáspora (e de "novos exílios", como o Zé Belo)...

Zé Teixeira, está lá tudo. De facto, a guerra nunca acaba, fica connosco. Nenhum de nós faria melhor. E arrematas com um sorriso e uma nota de esperança e de fé, reveladores da tua grandeza humana... Por outras palavras, e parafraseando o Pablo Neruda, disseste o que é importante: "Confesso que vivi"...(Horrível, ou pelo menos "chato", é chegar à porta do São Pedro, de mãos vazias, sem nada para negociar...).

C/ um alfabravo fraterno, Luís

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Nota do editor:

(*) Vd. poste de 5 de junho de 2025 > Guiné 61/74 - P26888: (In)citações (272): "A guerra nunca acaba, fica connosco" (José Teixeira, ex-1.º Cabo Aux Enfermeiro)