Pesquisar neste blogue

Mostrar mensagens com a etiqueta CCAV 1662. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta CCAV 1662. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 5 de março de 2025

Guiné 61/74 - P26554: Ainda o desastre do Cheche (Virgínio Teixeira, ex-alf mil SAM, BCAÇ 1933, Nova Lamego e Sáo Domingos, 1967/69)



Foto nº 1 > Guiné > Região de Gabu > Cheche > Rio Corubal > CART 1742 > c. set 1967 / c. abr 1968 > A jangada com estrado assente em três canoas... O Abel Santos diz que a a foto é de janeiro de 1968, ou seja, um ano antes da Op Mabeco Bravios.


Foto (e legenda): © Abel Santos (2020). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]




1. Texto enviado pelo Virgílio Teixeira (ex-mil SAM, BCAÇ 1933, Nova Lamego e Sáo Domingos, 19567/69), comj data de 10 de fevereiro passado, 16:27: "Caro Luis, estive a desfolhar o meu imenso arquivo a que chamo "CTIG 67/69". E enciontro tantas coisas...  Vi este tema do Cheche, que já saiu, embora diferente há uns anos. Se vires interesse em repescar mais alguma coisa, podes dispor. Fiz uns pequenos aumentos, que na época deixei passar. Um abraço. VT."


CHECHE - AINDA ALGUNS CONTRIBUTOS PARA A TEORIA DO ACIDENTE

por Virgílio Teixeira



O DESASTRE DO CHE-CHE - PARTE I

Alguns contributos para a tentativa de, senão esclarecer, pelo menos contextualizar, no tempo e no espaço, aquele terrível acidente, que por muito tempo que ainda andemos por cá, nunca será esclarecido, é um daqueles mistérios, que ninguém quer ver revelados, é a minha opinião, sem qualquer intenção de julgar, até porque nada sei mais do que os outros.

O Abel Santos, que não tenho o prazer de conhecer pessoalmente, e
steve em Nova Lamego e Buruntuma (julho 1967/ junho 1969). É mais antigo que eu, gostava de lhe poder perguntar se esteve lá no mesmo período que eu, em Nova Lamego (NL): 21-09-67 até 26-02-68. 


A CART 1742 fazia parte de um grupo de 17 subunidades que estiveram naquele período sob o comando do meu BCAÇ 1933. Mas e
u não conhecia bem as instalações da chamada Companhia de Baixo, em Nova Lamego.

A CART 1742, ao contrário em São Domingos, com a CART 1744, que conhecia e bem e confraternizávamos, pois, aquilo era mais pequeno. Sei que, no setor de Nova Lamego, ficou na dependência do BCav 1915, depois do meu  BCaç 1933 e ainda do BCaç 2835. 

Tomou parte em operações realizadas nas regiões de Ganguiró, Canjadude, Cabuca e Sinchã Jobel, entre outras e ainda em operações conduzidas em outros sectores da zona Leste, bem como em escoltas a Béli e Ché-Ché. Em meados de abril de 1968, foi transferida, para Buruntuma, a fim de render a CCaç 1588... Portanto, já estava no setor L5 quando se realizou a Op Mabecos Bravios e se deu o desastre de Cheche, em 6 de fevereiro de 1969. (Regressaria à metrópole em junho de 1969.)
 
Estive a ler a História da Unidade (BCAÇ 1933), todos os acontecimentos no período de Nova Lamego, e não encontro referência a muita coisa, não sei qual o critério que seguia  essa brochura.

Contudo vejo que a CART 1742 estava sediada em NL, apenas o 3º pelotão estava em Camabajá. O Abel não sei de que pelotão era.

Ele diz que a foto nº 1  é de janeiro de 1968 (*), estava eu lá, em Nova Lamego, e notava-se sempre grande burburinho com as famosas colunas para Madina e Béli, tudo se agitava à volta deste tipo de acontecimentos, eu tenho reportagens feitas de madrugada a quando da saída das colunas.

Na história da Unidade (HU) não consta por exemplo a emboscada que provocou a morte do alferes Gamboa e outros, perto de Piche, da CCAV 1662, e que foi no 4º trimestre de 67.

Como também não refere aqui um caso que muito chocou a malta em NL, a emboscada de uma coluna vinda de NL, após rebentamento de minas perto do Cheche, e na sequência da qual foi morto com uma bazuca o major Ruas, entre outros. Este acontecimento causou grande consternação, em especial à mulher e família que estavam em Bissau. Os pormenores foram-me contados por um dos meus amigos, um soldado condutor, que estava lá presente, e que eu encontro com frequência em Vila do Conde, é um empresário da Têxtil em Guimarães, que me tem muito em consideração, e que eu retribuo.

Este oficial, major Ruas, que eu conheci na messe, pertencia ao Batalhão de Engenharia, e vinha com frequência a NL, pois era o responsável pela operacionalidade da jangada da morte.

Nunca me ocorreu, mas agora pergunto: essa foto nº 1 seria já de uma nova jangada com as 3 pirogas mandada construir pelo major Ruas? Não sei mais nada.

Mas a HU que não sei quem a supervisionava, era escrita pelo tenente Albertino Godinho, mas seguia as instruções do Comando, penso eu, mas nada sei.

Falhou muita coisa que eu vi e seria objecto de uma nota, nem que fosse pequena. Constava por exemplo coisas de nenhum interesse, passo a citar:
 
  • No dia X o comandante do batalhão deslocou-se a Piche;
  • No dia Y o comandante do batalhão deslocou-se em coluna a Pirada, acompanhado pela esposa do nosso Médico, vestida a rigor de camuflado...

Esqueceram-se de mencionar, por exemplo, um facto inédito:

  • No dia Z um alferes miliciano do CA, deslocou-se a Susana, comandando um grupo de 5 homens, num barco da Engenharia denominado de Sintex, para ir levantar alguns mantimentos que não existiam em S. Domingos, sede do Batalhão. Depois de 3 ou 4 dias, regressou no mesmo barco, carregado de vários mantimentos, entre eles um saco de batatas da Manutenção militar.
  • Só que o piloto do mesmo barco, com grande experiência dos imensos rios e riachos, acabou por se perder sem se saber onde fomos parar, a uma pequena povoação de Felupes.
  • Não tendo Rádio para transmissões, o piloto fez várias tentativas por rios que nunca acabavam, até que acabou mesmo foi a gasolina dos dois motores. Sem rações de combate, sem bebidas por ali esperamos que fosse avistado um meio aéreo, que naturalmente teria sido pedido uma vez que a data de saída de Susana foi transmitida ao comando do BCAÇ 1933, mas a chegada nunca aconteceu no tempo certo.
  • Após dois dias de calor, fome e sede, lá vimos uma avioneta a rondar o nosso frágil meio de transporte e depois deu-se a evacuação, já nem me lembro como foi.
  • Sendo eu o "comandante" daquela força expedicionária, não sabia o que fazer, muito menos os outros, e passei o tempo, ou parte dele, a dormir na banheira em cima do saco de batatas.
  • Por ignorância e coisas da idade, nunca me preocupei, pois pensei sempre que nos vinham buscar, antes se possível, de sermos levados como reféns para Conacri!

A razão desta falta (referência na HU), penso eu, ainda hoje, deve-se à ocultação do facto por ter sido um oficial dos SAM a comandar aquela força militar por sítios que nunca conheci, e não tinha formação militar para isso, foi um abuso de poder do major de operações, na falta do nosso original comandante, evacuado por ferimentos em combate.

Há um cabo das transmissões que mantinha informações permanentes com a BA12 e sabia do que se passava e foi com a sua insistência que acabaram por nos encontrar, isso deu muito que falar, mas poucos sabem do que realmente se passou.

E assim os Felupes não tiveram o gosto de comer carne humana, num churrasco num sítio que só podia ter sido no cu de judas (estiy a reinar, sei que eles só praticavam o necrogafia, cortando para isso a cabeça dos inimigos). E gostava de saber em que povoação fomos parar. 

Então a HU não conta tudo, só o que for relevante para as operações militares e não só.

Isto bem contado com os pormenores que não sei, até dava uma série televisiva (...).

No dia 17 de janeiro de 1968, dá-se a operação Lince, nome dado à operação de retirada da CCaç 1589 de Madina, e substituída pela CCAÇ 1790 do meu Batalhão e do capitão José Aparício.

Esta operação de 5 dias mobilizou enormes meios humanos e materiais, e lembro-me de ter assistido à chegada dos homens daquela companhia a NL completamente pirados, com o devido respeito, tinham passado um ano naquela fogueira, isolados do mundo.

O Abel, caso tenha participado nesta operação deve saber muito mais, e pelo menos sabe mais do que eu mesmo que não tivesse estado nessa operação.

Fica aqui o meu pequeno contributo, para a história deste caso, macabro.


O DESASTRE DO CHE-CHE  > PARTE II - PASSAGEM DE TESTEMUNHO

Acerca das dúvidas aqui levantadas, o porquê de irem primeiro alguns membros das companhias e batalhões, posso esclarecer com o meu caso.

O BCAÇ 1933 tinha feito o IAO em Santa Margarida, onde estive, quando vem uma Nota para seguirem à frente alguns oficiais e sargentos, com o objectivo de passar o testemunho, era assim que se dizia. Ou seja, tomar conta do espólio deixado pelas unidades que iam ser substituídas por outras e tomar conta dos acontecimentos mais relevantes:

Assim, consta na HU que o meu BCAÇ1933, tinha a CCS, as CCAÇ 1790, 1791 e 1792. Embarcaram para a Província da Guiné gvia Aérea, num velho DC6, do tempo da 2ª guerra mundial e com carga diversa, os seguintes oficiais e sargentos:

OFICIAIS DO COMANDO E CCS:

Tenente Coronel de Infantaria, Armando Vasco de Campos Saraiva, Comandante;
Major de Infantaria, Graciano Antunes Henriques, Oficial de operações;
Alferes Mil do SAM, Virgílio Oscar Machado Teixeira, Conselho Administrativo

COMPANHIA DE CAÇADORES 1790:

Alferes Mil de Infantaria, Eurélio F. S. Amorim, Comandante de Pelotão
2º Sargento de Infantaria, Carlos de Oliveira, Comandante de Secção

COMPANHIA DE CAÇADORES 1791:

Alferes Mil de Infantaria, Antero T. Igreja, Comandante de Pelotão
2º Sargento de Infantaria, José Carlos A. Canas, Comandante de Secção

O restante pessoal do batalhão, o grosso dele, seguiu em 27 de setembro de 1967, no navio T/T Timor, chegando a Bissau em 03out67.

A CCAÇ 1792, não veio neste transporte, seguiu no Uíje um mês depois, juntamente com o BCAÇ 1932, e nunca mais esta Companhia esteve junto ao seu Batalhão orgânico.

A razão de ser desta força militar ir à frente, tem a ver com a tal passagem de testemunho, e pelo que toca aos Alferes das 2 companhias, eles são talvez dos mais antigos.

O NIM (Nº de Identificação Mecanográgico) acaba em 66 para o Eurélio, é, portanto, da inspecção de 65, nascido em 45, incorporado em 1965. Os outros são terminados também em 66 ou 65. O NIM do Igreja acaba em 65, inspecção de 64, nascido em 44, e possivelmente incorporado em 1964. Os outros são terminados em 65.

Para o meu caso, que nada tem a ver com estes, o NIM acaba em 64, inspecção de 63, nascido em 29-01-1943, e devido a adiamentos incorporado em Mafra, EPI, em 03-01-1967.

Quanto aos Sargentos, também me parece que é pela antiguidade, uma vez que os Furriéis são todos mais novos, e os 1º Sargentos eram da Secretaria, e não faziam parte destas contas.

Curiosamente, eu fui substituir o meu homólogo do BCAV 1915, do qual herdei imensos problemas, que tiveram de ser resolvidos por mim, e que ele nunca me agradeceu.

Por outro lado, o meu homólogo do BCAÇ 1932, seguiu junto das restantes tropas e não sei se os comandos foram também à frente de avião. Sei que regressou comigo, por isso fez menos um mês de comissão do que eu.

Salvo alguns lapsos, acho que dei conta da nossa situação, que era generalizada para todas as Unidades.


O DESASTRE DO CHE-CHE >  PARTE III

Cumprimento o Abel Santos, pelo desempenho e pormenor dos seus comentários, e fica claro que não quero falar em nome de ninguém e casos que não conheço no terreno.(**)

Infelizmente, nunca tive a oportunidade de viver no terreno, as experiências terríveis de combates, minas, emboscadas, apenas levei com bombardeamentos no quartel, e chegou.

Começo por dizer que não estamos aqui a julgar ninguém, nem nada, eu apenas me limitei e fazer eco daquilo que se dizia, mas nunca vi nada, porque não tinha de estar lá nem ver.

Muito menos quero fazer da minha intervenção casuística, um caso de justiça ou investigação.

O Abel não confirmou, mas pelas datas da sua estadia em Nova Lamego, estivemos lá na mesma época, sem dúvida. Como a vila era relativamente grandinha, não dava para se ver ou encontrar tanta gente que lá fazia o seu serviço militar.

Vou fazer um reparo, que pode confirmar-se ser engano, ou troca de números, pois, segundo diz, a sua CART 1742, foi substituir em 14set67 a CCAV 1963 (ou 1693?). Erro gráfico.

(i) Caso alferes Gamboa: Como disse estive com ele, conforme foto já divulgada nos postes, pouco antes da sua morte. Fiz várias vezes, colunas, entre NL-Piche - NL, e nunca aconteceu nada de especial, graças a Deus. Tive conhecimento da trágica morte deste amigo, uns dias depois, e cada um conta à sua maneira, como aliás tantas vezes aqui se contradizem uns aos outros.

E já agora, acho que não vi isso aqui escrito, mas falou-se que os terroristas, lhe arrancaram o coração, e no seu lugar colocaram os galões de tenente que ele trazia consigo, pois estava à espera da sua promoção para breve, o que nunca chegou a acontecer, infelizmente.

(ii) Caso major Pedras: conheci-o na messe de oficiais, embora diga-se que não sabia na altura qual era a sua função, o que se confirma agora, pois já falei com as minhas fontes. Este soldado condutor, que fazia parte de um grupo restrito dos petiscos, fez várias colunas para o Cheche, Medina e Beli, conduzindo a sua GMC. 

Ele contou, exactamente o que o Abel diz, o major Pedras,  do Serviço de Material, ia na viatura da frente juntamente com o furriel Jorge, da Engenharia, que nunca conheci, julgo eu. Este ex-militar contou-me há cerca de meia dúzia de anos aquilo que ele presenciou, nos termos em que contei e não vou repetir. 

Mas se o Abel estava lá, deve ter a sua versão, que, com bazuca ou com minas e armadilhas e emboscadas, o certo é que ele foi gravemente ferido e evacuado, acabando por falecer no HMP 241. E que tendo o tal soldado condutor ajudado a transportar o corpo para o Heli. Como não conheço estes factos, fico por aqui, e tanto faz para o efeito.

(iii) A jangada: Já foram aqui apresentadas várias versões do acidente mortal da fraca jangada, que nada tem a ver com essa da foto 1. Como eu não estava lá, nunca a vi, ficam as imagens que vão aparecendo nos Postes.

Com isto termino a minha intervenção.

Obrigado pela chamada aos postes desta tragédia que nunca deveria ter acontecido. E aproveito para desejra as melhoras do Abel Santos, que afinal é meu vizinho aqui do Norte.

Virgílio Teixeira
____________


31 de março de 2021 > Guiné 61/74 - P22053: Casos: a verdade sobre ...(21): a jangada que fazia a travessia do rio Corubal, em Cheche, já era assente em três canoas, no meu tempo, c. set 1967 / c. abr 1968 (Abel Santos, sold at, CART 1742, Nova Lamego e Buruntuma, jul 1967 / jun 1969)

(**) Vd. postes de:


2 de abril de 2021 > Guiné 61/74 - P22059: (In)citações (183): A propósito da(s) jangada(s) do Cheche... e lembrando aqui mais mártires do Boé: o major Pedras, da Chefia do Serviço de Material, QG/CTIG, e o fur mil Jorge, do BENG 447 (Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM; CCS / BCAÇ 1933, Nova Lamego e São Domingos, 1967/69)

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Guiné 61/74 - P24767: Os nossos camaradas guineenses (48): Mamadu Uri Djaló, meu primo, CCAÇ 727, CCAÇ 1586, CCAV 1662, Pel Caç Nat 65 (Piche, Canquelifá, Buruntuma e Boé, 1965/68) e TECNIL (Cufar, 1972), procura camaradas (Souleimane Silá, Luxemburgo)



Guiné > Zona leste > Região de Gabu > Piche > Ponte Caium > CCAÇ 3546 (Piche, Ponte Caium e Camajabá, 1972 / 1974) > Reboque de máquinas da TECNIL destruídas por ataque do PAIGC... Esta empresa estava empenhada na construção da nova estrada Piche-Buruntuma.. 

Foto (e legenda): © Carlos Alexandre (2010). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]





Emblemas de algumas subunidades por onde passou 
o Mamadu Uri Djalõ, que atualmente vive na Amadora.




1. Mensagem do Souleimane Silá, natural de Catiõ, a viver atulamente no Luxemburgo, membro da Tabanca Grande nº 881.

Data - quinta, 12/10/2023, 17:41
Assunto - Pedido de memórias
 

Boa tarde, Sr Luis.


Aceite mantenhas de camarada de blogue.

À pedido dum primo meu,  faço chegar ao nosso blogue de Tabanca Grande a mensagem que segue:

(i) Ele pertenceu a:

Companhia 727;
Cavalaria 1662; 
Comp Caç 1586; 
Pelotão nativo 65;

(ii) serviço militar 1965/68; Pitche/Canquelifa/Buruntuma/Boé;

(iii) do seu nome Mamadu Uri Djaló;

(iv)  actualmente a residir na Amadora, Lisboa. 

E mais; 

(v) ele trabalhou na Tecnil, motorista na construção do aeroporto de Cufar, em 1972.

Ele pede e agradece possibilidade de obter lembranças daquela época (colegas, locais, imagens e demais testemunhos).


Agradecimentos e abraços de
Souleimane SILA, Luxembourg


2. Resposta do editor LG:

Meu caro Souleimane Silá, obrigado pelo teu contacto. Vamos lá a vcr se conseguimos ajudar o teu primo, que é meu vizinho da Amadora (tenho casa em Alfragide, mas vivo agora a 70 km, a norte, na Lourinhã).

Temos referências, no nosso blogue, a todas as subunidades a que pertenceu (?) (ou por onde passou) o Mamadu Uri Djaló. Carrega nos links, tens informação mais detalhada, fotos, contactos, histórias, etc. E também sobre a TECNIL, a empresa de obras públicas que fez todas ou quase todas as estradas da Guiné, além de outros empreendimentos, como aeródromos, etc.

Da  Tecnil temos um topógrafo, o António Rosinha,  que trabalhou, na Guiné-Bissau, no tempo do Luís Cabral e do 'Nino' Vieira  (de 1987 a 1993) (e também fez a tropa e a guerra em Angola). É um dos "históricos" da Tabanca Grande, autor da série "Caderno de notas de um Mais Velho". Vè se o teu primo tem fotos e outras memórias desse tempo em que trabalhou na Tecnil, como motorista, em Cufar, em 1972.

O ideal era o Mamadu Uri Djaló fazer como tu: ingressar no blogue, mandar as duas fotos da praxe (uma do "antigamente", outra mais atual)... E falar um pouco mais sober ele e o seu tempo na Guiné.

Estas subunidades costumam fazer convívios anuais. Talvez o teu primo possa juntar-se a eles num próximo convívio anual, em 2024. Talvez algum antigo camarada de armas consiga reconhecê-lo ao fim destes anos todos, mais de meio século.

Mantenhas para ti e para o teu primo. E continua a dar notícias. Precisamos que faças a ponte com os teus patrícios que foram comnbatentes durante  a guerra colonial.  Não é fácil chegar até eles e eles a nós.

________________

CCAÇ 727 (Bissau, Nova Lamego, Canquelifá, Piche, 1964/66): temos cerca de duas dezenas de referèncviass no blogue (.Carrega no linlk, poderás encontar alguns dos postes.)

CCAÇ 1586, "Os Jacarés" (Piche, Ponte Caium, Nova Lamego, Béli, Madina do Boé, Bajocunda, Copa, Canjadude, 1966/68) (tem uma dúzia de referèncias):

CCAV 1662, "Os Piriquitos" (Nova Lamego e Piche, 1966/68): temos escassas referèncias (menos de meia dúzia);

Pel Caç Nat 65, "Leões Negros" (Piche, Buruntuma, Bajocunda, etc.): tem 13 referèncias;

TECNIL (tem 21 referèncias)-
______________

Nota do editor:

(*) Último poste da série > 4 de setembro de 2022 > Guiné 61/74 - P23586 Os nossos camaradas guineenses (47): Tala Biu Djaló, ex-alf 2ª linha, cmdt Pelotão de Milícias (Bedanda, 1965/69), e ex-fur graduado 'comando, 1ª CCmds Africanos (Fá Mandinga, 1969/70), desaparecido em Conacri, em 22/11/1970, no decurso da Op Mar Verde (Hugo Moura Ferreira, ex-alf mil, CCAÇ 1621, Cufar, e CCAÇ 6, Bednda, 1966/68)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Guiné 61/74 - P19383: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (64): história da faca de sobrevivência / combate dos Fuzileiros na Guiné... (Luís 'Saci' Pereira, filho de um camarada da CCAV 1662, Nova Lamego e Piche, 1967/68)






Faca de sobrevivência / combate dos Fuzileiros na Guiné


Fotos (e legendas): © Luís Pereira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Mensagem do nosso leitor Luís Pereira, filho de um camarada da CCAV 1662 (Nova Lamego e Piche, 1967/68), que se reproduz a seguir, esperando que alguém possa responder à sua pergunta:


Date: terça, 11/12/2018 à(s) 11:05

Subject: Faca de sobrevivência/combate dos Fuzileiros na Guiné


Bom dia,


Sou um pequeno coleccionador de militaria do tempo da nossa guerra colonial (talvez por ter sido
privado do meu pai durante uma boa parte da minha infância, enquanto ele esteve na Guiné, na zona de Nova Lamego, com a CCav 1662, "Os Piriquitos", Nova Lamego e Piche, 1967/68.)

Durante o meu serviço militar, por meados de 1984, vi pela primeira vez no cinto do um SAJU  [srgt ajudante] Fuzileiro uma faca de combate com o cabo em alumínio, que me deixou completamente encantado.

Após muito procurar, nunca consegui encontrar qualquer referência aquela faca em lado nenhum, tendo visto somente uma no Museu dos Fuzileiros, em Vale de Zebro, mas mesmo aí, a única coisa que me souberam dizer é que era designada por "faca de combate" ou "faca de sobrevivência", e que eventualmente teria sido uma aquisição local na Guiné para suprir uma eventual falta das facas de mato da Icel.

Na semana passada, ao fim de mais de 34 anos, consegui realizar o sonho e comprar a das fotografias que junto, mas continuo sem saber nada sobre ela, excepto o que disse e que tem gravado no punho a palavra "SALDANHA"...

Têm alguma ideia da história desta faca? Como e quando é que entrou para os Fuzileiros? Onde é que foram compradas ?

Muito obrigado

Luís

Luís "Saci" Pereira

"Para onde quer que vá, estarei na minha terra; nenhuma terra será para mim exílio ou país estrangeiro, pois o bem estar pertence ao homem e não ao lugar" (Brunetto Latini in Li Livres dou Tresor)

"Se um dia te encontrares numa luta justa, é porque não te preparaste convenientemente" (Gary F. Bradburn)

"Quem viaja acrescenta à vida" (Provérbio árabe)

__________

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Guiné 61/74 - P19262: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (São Domingos e Nova Lamego, 1967/69) - Parte LIV: O aquartelamento de Piche, ao tempo da CCAV 1662


Foto nº 5


Foto nº 4


Foto nº 3

Foto nº 2

Foto nº 1


Foto nº 11


Foto nº 10


Foto nº  9


Foto nº 7


Foto nº  9


Foto nº 6

Foto nº 6A

Guiné > Região de Gabu > CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) >

Fotos (e legendas): © Virgílio Teixeira (2018). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Continuação da publicação do álbum fotográfico do nosso camarada Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) (*)


CTIG - Guiné 1967/69 - Álbum de Temas:
T029 – O AQUARTELAMENTO DE PICHE


I - Anotações e Introdução ao tema:

Junto mais algumas fotos para o Blogue, para postar das quando houver espaço, para a malta que não sabe, conhecer um pouco de Piche – que agora alguns escrevem Pitch.

Dizem respeito a Piche – Sector de Nova Lamego – L3 – nos anos de 67/68.

Durante a minha estadia em Nova Lamego – 21set67 a 26fev68 – fiz muitas deslocações e saídas as diversos aquartelamentos, em missões de comando de colunas de reabastecimentos, e outras na minha função de controlo e fiscalização das contas das Companhias sob o nosso comando, eram no total 17 Unidades independentes. Não fui a todas, mas a algumas

Cortesia da página do Facebook
"Guerra Colonial Portuguesa 1961-1974"
Uma delas tem a ver com Piche, fui lá umas 3 a 4 vezes no total, no tempo da CCAV 1662.

[Sobre a  CCAV 1662:  (i) mobilizada pelo RC 7, partiu para o CTIG em 1/2/1967 e regressou em 19/11/1968;  (ii) esteve em Nova Lamego e Piche; (iii) cmdt: cap mil art António de Sousa Pereira; (iv)  em 6 de abril de 1967,  rendendo a CCAÇ 1586, assumiu a responsabilidade do subsector de Piche com um pelotão em Nova Lamego,  tendo de seguida sido deslocado para Madina do Boé, onde a 4 de novembro foi substituído, seguindo para Bissau para regressar.]

As viagens eram por estrada de terra batida, não eram boas nem más, e alguns troços eram mesmo de picadas.

Para Piche nunca fui a comandar nada, eram colunas já grandes, comandadas por oficiais ditos operacionais, não sei nem me lembro de nenhum, porque enfiava-me nos camiões e não queria saber do resto, ia tirando umas fotos. Nunca houve qualquer percalço, apenas me ficou na mente a morte do Alferes [Augusto Manuel Casimiro] Gamboa, num dia em que eu devia ter ido nessa coluna, que sofreu a emboscada fatal.

Assim, tirando essa fatalidade, tenho recordações de um jovem que não conhecia os perigos, nem estava para aí virado, não era essa a sua missão.

II – Legendas e fotos do tema


As fotos aqui inseridas, dizem respeito apenas a uma deslocação a Piche, a primeira, onde se encontrava na altura a CCAV 1662, cujos nomes do Comandante e outro pessoal não me lembro.

As seguintes estão inseridas noutros temas, misturados com outros assuntos. Todas as fotos aqui reproduzidas são do mês de Novembro – não sei o dia certo – do ano de 1967, tinha eu nessa altura quase 2 meses de Guiné.

F01 – Saída de uma coluna de Nova Lamego para Piche, dentro, da caixa, de um Unimogue.  Virgílio Teixeira ao centro, Alferes capelão [Carlos Augusto Leal] Moita, à esquerda, e Alferes Mesquita,  das TSM.

F02 – Sentado na caixa do Unimogue, com uma Bazuca, ao lado o Capelão Moita.

F03 – Junto a um templo fula, na zona da CCav 1662, em Piche, com o seu zelador, o homem vestido à civil, que me pareceu ter visto recentemente noutro poste, e noutra zona.  Ao lado o capitão da companhia, ao centro o médico Lema Santos [, irmão do Manuel Lema Santos,], e do outro lado, outro militar que tendo eu tantas fotos dele, nem sei o nome, nem, o que fazia no Batalhão.

F04 - Junto ao templo fula, o comandante da Companhia[, a CCAV 1662], o Alferes Mesquita e eu.

F05 – Uma foto do autor, junto ao templo fula [", mesquita"].

F06 – O almoço do dia, com o comandante da CCAV 1662, o capelão Moita, o Mesquita, o Teixeira e outros.

F07 – Uma foto do autor, dentro do aquartelamento da CCAV1 662, num dia normal.

F08 – Uma foto do autor, junto ao mastro e bandeira dentro do aquartelamento.

F09 – Uma foto do autor, dentro de um jeep, na estrada para Canquelifá, mas ficamos pelo caminho e voltamos para trás.

F10 – Uma coluna de Piche ao Curval, dentro de um Unimogue, numa mata cerrada.

F11 – Uma coluna de Piche ao Curval, num Unimogue, mata dentro.

«Propriedade, Autoria, Reserva e Direitos, de Virgílio Teixeira, Ex-alferes Miliciano do SAM – Chefe do Conselho Administrativo do BCAÇ 1933/RI15/Tomar, Guiné 67/69, Nova Lamego, Bissau e São Domingos, de 21SET67 a 04AGO69».

NOTA FINAL DO AUTOR:

# As legendas das fotos em cada um dos Temas dos meus álbuns, não são factos cientificamente históricos, por isso podem conter inexactidões, omissões e erros, até grosseiros. Podem ocorrer datas não coincidentes com cada foto, motivos descritos não exactos, locais indicados diferentes do real, acontecimentos e factos não totalmente certos, e outros lapsos não premeditados. Os relatos estão a ser feitos, 50 anos depois dos acontecimentos, com material esquecido no baú das memórias passadas, e o autor baseia-se essencialmente na sua ainda razoável capacidade de memória, em especial a memória visual, mas também com recurso a outras ajudas como a História da Unidade do seu Batalhão, e demais documentos escritos em seu poder. Estas fotos são legendadas de acordo com aquilo que sei, ou julgo que sei, daquilo que presenciei com os meus olhos, e as minhas opiniões, longe de serem ‘Juízos de Valor’ são o meu olhar sobre os acontecimentos, e a forma peculiar de me exprimir. Nada mais. #

Acabadas de legendar, hoje,

Em, 2018-12-05

Virgílio Teixeira
____________

Nota do editor:

(*) Último poste da série > 27 de novembro de 2018 > Guiné 61/74 - P19238: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (São Domingos e Nova Lamego, 1967/69) - Parte LIII: As fontes e as lavadeiras de Nova Lamego

domingo, 17 de dezembro de 2017

Guiné 61/74 - P18095: Álbum fotográfico de Virgílio Teixeira, ex-alf mil, SAM, CCS / BCAÇ 1933 (Nova Lamego e São Domingos, 1967/69) - Parte I: Piche, novembro de 1967: eu, o alf mil médico Lema Santos, um homem grande de Piche e o comandante do aquartelamento local


Guiné > Região de Gabu > Piche > "Novembro de 67 em Piche junto a um monumento religioso; à esquerda um homem grande lá da terra, pertencia lá à religião cujo templo é o fundo da foto, depois temos o capitão, comandante da companhia de que não me lembro o nº, estou eu, o nosso médico Alf mil médico Lemos Santos, eu. Virgilio Teixeira, e ao meu lado direito um cabo do meu batalhão que me lembro bem dele, mas não sei o nome nem o que fazia em concreto na nossa Companhia.]

[Nessa data. novembro de 1967, devia estar em Piche, a CCAV 1662: mobilizada pelo RC 7, partiu para o CTIG em 1/2/1967 e regressou em 19/11/1968: esteve em Nova Lamego e Piche; cmdt:  cap mil art António de Sousa Pereira]

Foto: © Virgílio Teixeira (2017). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar_ Blogue Luís Graça & Camaradas da Guine]


1. Mensagem do nosso camarada Virgílio Teixeira [, que foi alf mil, SAM – Serviço de Administração Militar, CCS – Companhia de Comando e Serviços, Chefe do Conselho Administrativo, BAT CAÇ 1933, mobilizado pelo RI 15, Tomar,  e que esteve no CTIG, em Nova Lamego e São Domingos, 1967/1969; é economista, reformado]

Data: 5/12/2017

Assunto:Fotos da Guiné 1967/69

Caro Luís Graça

Já partilhamos alguns contactos em 2013 e 2014, eu disse que voltava e agora talvez queira partilhar algumas fotos do meu álbum de cerca de 5000 fotos da Guiné - entre 67 e 69. Tenho sido incentivado, porque pessoas com quem partilho, acham que são inéditas e únicas algumas.

Não sei como isto se processa, mas eu tenho de mandá-las para este endereço e daí são selecionadas e postadas, com direitos de autor,

Vou enviar algumas, à sorte, são muito pesadas, mais de 20 MB, são imagens digitalizadas, umas de fotos e outras de slides.

Gostaria de saber do interesse disto para o blogue.

Aguardo comentários
Obrigado
Ab., Virgilio Teixeira


2. Resposta do nosso editor LG, na volta do correio:

Virgílio:

Que bom saber notícias do camarada, ao fim de quatro 4 anos e meio...Vejo que se abrem novas perspetivas de colaboração no blogue, que é de todos nós, e está sempre de "portas e janelas" abertas... Por razões pessoais e familiares, que eu entendi e respeitei, o Virgílio não quis prosseguir , em agosto de 2013, o desenvolvimento dos contactos com os editores.

Mas, como vê, o nosso blogue continua de pé, "ativo,produtivo e saudável", com 10 milhões de visitas e 762 membros registados (a que chamamos "grã-tabanqueiros", ou sejam, membros da Tabanca Grande)...

O Virgílio não precisa de convite para "entrar"... Nem tem que "entrar"... Claro que gostaríamos de tê-lo connosco, "formalmente", tanto mais que não temos nenhum camarada do seu batalhão, o BCAÇ 1933 (!)... Temos apenas 5 (cinco!) referências ao seu batalhão...

Desse batalhão, conheço, de vista o José Aparício, que foi comandante da CCaç 1790, tragicamenmte ligada ao desastre de Che-Che, no rio Corubal, em 6/2/1969, mas nunca me contactou para participar no blogue... Também há dias, falando com o meu amigo (e ex-camarada da Reserva Naval), o engº Manuel Lema Santos, fiquei a saber que o seu irmão esteve como alferes miliciano médico no BCAÇ 1933, o Virgílio deve estar recordado dele....

A missão do nosso blogue é fundamentalmente a de partilhar memórias (e afetos...) entre antigos e camaradas de armas da Guiné....E, como a gente gosta de dizer, a nossa tabanca (, ou seja, a nossa comunidade virtual) é suficientemente grande para nela todos cabermos... com tudo aquilo que nos une e até com aquilo que nos separa (ou pode separar)....

As memórias do Virgílio não se podem... perder!...E o seu álbum fotográfico, pela amostra que vi, é valiosíssimo!... Já descarreguei as fotos que me mandou, e vou guardá-las até receber as instruções do Virgílio... Uma das nossas 10 regras editoriais é o respeito pelos direitos de autor...Temos que encontrar uma forma de lhe atribuir os créditos fotográficos... E tem desde já essa garantia da nossa parte... No caso de não querer ser identificado pelo seu nome e apelido, podemos recorrer às iniciais V. T. ou pura e simplesmente referirmos a sua pessoa como "um camarada devidamente identificado" que nos pediu "reserva de intimidade"...

O Vírgílio dirá o que é mais confortável e conveniente para si...Continue entretanto a mandar-nos fotos, sempre com legendas (datas e locais...), se possível...

Um abraço do camarada Luís Graça.... Boa reforma, boa saúde, boas festas!

PS - O BCAÇ 1933, mobilizado pelo RI 15 (Tomar), partiu para o CTIG em 27/9/1967, e regressou a 4/8/1969. Esteve sedeado em Nova Lamego,  Bissau e S. Domingos. Cmdt:  ten cor if  Armando Vasco Campos Saraiva;  ten cor inf Renato Nunes Xavier.  Companhias de quadrícula:

(i) CCAÇ 1790 (Fá Mandinga, Madina do Boé, Nova Lamego, São Domingos). Cmdt:  cap inf  José Ponces de Carvalho Aparício;

(ii) CCAÇ 1791 (Bissau,  Encheia,  Bula, Bambadinca, Susana). Cmdt: cap inf António Maia Correia;

(iii) CCAÇ 1792 (Farim, Saliquinhedim, Colibuia, Aldeia, Formosa, Bissau). Cmdt: cap mil art  António Manuel Conceição Henriques; cap art  Ricardo António Tavares Antunes Rei; cap inf Rui Manuel Gomes Mendonça.


3. Resposta, com data de 7 do corrente, do Virgílio Teixeira (que já me manifestou entretanto que não há problema em que o seu nome apareça no blogue, de resto os seus camaradas de batalhão conhecem-no bem, já que ele tem ido a alguns dos convívios anuais):

Camarada Luis Graça

Obrigado pela resposta. Realmente temos aqui uma janela aberta, para entrar e sair. Este blogue é um mundo, eu entro muitas vezes neste blogue, alias ele aparece sempre que se coloque uma palavra de Guiné ou coisa parecida no Google. Mas quando começo a ver nunca mais largo, vejo tudo, as histórias, os vídeos, o que se fala de tudo, e confesso que me comovo e emociono ao ponto de, quando dou por mim,  estou com os olhos molhados e as lágrimas a correr. Não tenho vergonha disso, apesar da minha idade, eu já disse que esta fase da minha vida foi absolutamente marcante [...].

Mas todos os dias me lembro e de alguma forma penso na Guiné, mal acordo de manhã estou com isso na cabeça, e já lá vão 50 anos. Por isso os meus familiares sabem que sofro, e não querem ouvir falar deste período da minha vida, embora me acompanham quando lhes peço. Posso dizer que no último encontro em Viseu em Abril deste ano, fizemos a cerimónia completa dos 50 anos do Batalhão, uma cerimónia muito marcante.

Pois eu consegui levar comigo toda a família, a minha mulher, que sempre me acompanha, os 3 filhos e 3 cônjuges, e mais os 4 netos. Fomos 9 pessoas, reparei que os restantes elementos estavam a comentar isto. Agora julgo que já fiz a minha parte, eles viram aquela malta toda - velhos, idosos, gordos, carecas, cabelos brancos como eu, e gostaram do convívio.

É pouco,  5 referências [no blogue]  ao BCAÇ 1933, quando estiveram sob o seu comando pelo menos 17 Unidades em Nova Lamego - Companhias, Pelotões, Milícias, Comandos Africanos, AML Daimler, Canhão s/r, Morteiros, etc.

Vou começar pelo fim.

O Dr. Lema Santos [, o alf mil médico,]  conheci-o ainda em Santa Margarida, ele fazia parte do nosso Batalhão. Eu fui com o Comandante de avião militar em 20 de setembro de 67, cheguei a Bissau a 21, e no dia 23 já estava em Nova Lamego, a fazer velórios a militares mortos em combate. Foi o meu baptismo, e isto impressionou-me. 

Mais tarde, o BCAÇ 1933 partiu em 27 de setembro  e chegou a 4 de outubro de 1967. O médico foi neste contingente. Voltamos a encontrar-nos novamente em Nova Lamego, por pouco tempo, pois ele foi para um aquartelamento em Piche  - 40 a 50 km de Nova Lamego...  Eu fui muitas vezes em coluna militar a Piche, e estivemos lá juntos por poucas horas. Depois ele veio a Nova Lamego,  talvez uns 30 dias, para substituir o médico do Batalhão, dr. Cortez, que foi de férias. Aí já almoçava e jantava com ele na messe de oficiais. 

Ele voltou para Piche, por isso só nos voltamos a encontrar já no Uíge no dia 4 de agosto de 1969. Era um bom homem. Não o vi mais, sei que esteve em alguns encontros anuais da malta, mas não estive nesses, nunca o voltei a ver. Espero que esteja bem, ele deve ser pouco mais velho do que eu, eu vou fazer 75 no próximo mês, fui com 24, ele deve ter 1 a 2 anos mais.

Tenho várias fotografias com ele, mas só encontrei esta digitalizada, foi captada em novembro de 67 em Piche junto a um monumento religioso. Está o capitão,  comandante dessa Companhia que não me lembro o nº [, CCAV 1662 ?], estou eu, o Lema Santos, e um homem grande lá do sítio. Se tiver possibilidades pode mandar para ele ou através do irmão esta foto, que ele não tem de certeza, e deve querer lembrar-se, bem como os seus familiares. É uma oferta minha e até pode ser publicada. Mando-lhe um grande abraço e um 'até sempre'.

Eu tenho,  como disse, muitas fotos e 500 slides, e estou há uns meses a mandar digitalizar alguns, pois tenho de selecionar aqueles que mais me dizem a mim, vai com tempo. Depois estou a legendar tudo, datas, locais, e objectivo da foto. É um trabalho longo. 

Depois estou a organizar tudo por 'temas' e numerar as fotos por antiguidades, eu sei mais ou menos tudo de cabeça, posso não saber o dia ao certo, mas o mês sei de certeza. Essas que mandei já estavam todas legendadas, só que fui a um ficheiro sem legendas e tirei à sorte.

Vou selecionar algumas e vou mandando, e o amigo Luís vai colocando no blogue. Pode indicar o nome, o Batalhão, os locais o que interessar para melhorar o blogue, e ver se aparece mais gente do meu Batalhão.

As histórias que tenho estão no livro que nunca mais acabo, tenho de ter muita paciência para contar algumas passagens, eu já escrevi tudo, só que isso tudo tem 300 páginas, dum total de 2500 páginas da Minha Vida.

Sobre o Aparício, era realmente o comandante da CCaç 1790, e esteve lá em Madina do Boé entre fevereiro de 68 e 6 de fevereiro de 69, quando se dá aquela tragédia. Eu já li muita coisa sobre isso, e há muitas versões dos acontecimentos. O agora coronel Aparício, na reserva, tem ido a todos os encontros da Companhia e do Batalhão. Ele já foi ao Cheche algumas vezes, já filmou e acompanhou equipas incluindo cientistas, no intuito de encontrar o local dos poucos corpos que se encontram enterrados, mas não foi ainda possível. 

Essa tragédia marcou-me muito, pois estava lá muita tropa que esteve comigo em Nova Lamego pelos menos de outubro de 67 até fevereiro  de 68. Eu não vi nada, e o Comando do meu Batalhão estava nessa altura em S. Domingos, o nosso comandante ten cor {Armando Vasco Campos] Saraiva já tinha sido evacuado, foi apanhado a poucos metros numa emboscada ao fundo da pista e pisou uma mina, que lhe deixou as pernas ao dependuro, e estilhaços entre as pernas. Eu vi-o nesse estado a ser levado de Helli para Bissau. Só o voltei a ver passados mais de 15 anos. Já morreu entretanto.

O [José] Aparício esteve como Comandante Geral da PSP em Lisboa, em determinada época. Nos encontros ele nunca falou deste caso do Cheche, eu penso, mas não tenho certeza nenhuma, que ele carrega essa culpa do que aconteceu, pois ele era o comandante da companhia [, a CCAÇ 1790], mas como esta operação englobou outras companhias para segurança, aviação, Marinha, etc, deve haver um mais alto responsável por toda a operação. Mas eram os homens dele, e isso ele não vai nunca esquecer. Há militares que lá estiveram nesse desastre, que não conseguem falar do assunto, ficam chocados e entram em convulsão. 

E por agora é tudo, vamos falando e vou seguindo as instruções, pois eu não sei trabalhar muito bem com estas coisas, sei consultar, mas não sei como entrar sozinho.

E em retribuição aqui vai o meu desejo de Boa Saúde, Boa Reforma também e Boas festas de Natal e Novo Ano. O mesmo para o camarada Carlos Vinhal.

Um abraço do Camarada
Virgilio Teixeira


4. Nova mensagem do Virgílio Teixeira, com data de 13 do corrente:

Bom dia, caros Luis Graça e Carlos Vinhal:

Vou enviar algumas fotos para publicação, e como não sei qual é a melhor forma, vou identificar cada e dar algumas dicas sobre a mesma, depois façam o melhor.

Eu não me importo da identificação, e assim podem ser, se assim o entenderem e for usual, desta forma que era os nomes porque nós eramos conhecidos. Neste caso - Virgilio Teixeira, Alf Mil do SAM, RI 15/Bat Caç1933, Guiné 67-69, Nova Lamego, São Domingos.

Obrigado
Virgilio Teixeira

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Guiné 63/74 - P9969: Em busca de... (190): Contactos de pessoal da CCAV 1662 (Manuel Fonseca) )




1. Com data de 19 de Maio último recebemos a seguinte mensagem do nosso leitor (e camarada) Manuel Fonseca. 

Contactos da malta da
CCAV 1662 

Amigo e senhor Luís: 

Apresento-me como ex-combatente em Moçambique, pertencente ao BCAÇ 2914 do qual este ano sou o organizador do convívio do respetivo pessoal, que se realiza amanhã, dia 20, em Tomar. 

Eu tenho um irmão que esteve na Guiné, com a CCAV 1662, e queria ter contatos, para efeitos de convívios, com ex-camaradas.

Agradeço-lhe a possível ajuda desse blogue.

Nome - António Azevedo Fonseca, mais conhecido por o Viseu, soldado condutor [Está emigrado na Alemanha e vem cá passar férias no verão]. 

Um abraço e os meus agradecimentos 
Manuel Fonseca
Tlm: 917 529 096

Emblema e Mini-guião: © Colecção de Carlos Coutinho (2012). Direitos reservados.
___________ 
Notas de M.R.: 
  • A CCAV 1662 foi mobilizada pelo RI7. Partiu para o TO da Guiné em 1/21967 e regressou a 19/11/1968. Esteve em Nova Lamego e Piche. Comandante: Cap Mil Art António de Sousa Pereira. 
Vd. último poste desta série em: