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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Guiné 61/74 - P26535: As nossas geografias emocionais (48): Bissau, Cupelon / Pilão: histórias pícaras - Parte II (Raul Castanha, ex-alf mil cav, CPM 3335, 1971/73; Albano Costa, Ernesto Duarte e outros)


1.  O Pilão, em Bissau, nos anos 60/70, tal como o Bairro Alto e o oCais do Sodré, em Lisboa, até aos anos 5'0/60, presta-se a comentários e histórias pícaras. 

Mas quem provavelmente conheceu melhor o Pilão (ou Cupelon, ou Cupelum, hoje) foram os nossos camaradas da Polícia Militar. Como é o  caso do Raul Castanha, ex-alf mil cav,  CPM 3335(Bissau, jan 1971/jan 1973), nosso grão-tabanqueiro n´813 (*). 

Já o desafiámos, pode ser que ele abra o livro. Dele e doutros camaradas fica uma seleção de comentários à postagem do Facebook da Tabanca Grande, 23/2/2025, 18:22)

(...) Dizer que o Pilão era um gigantesco bordel é um insulto para os seus habitantes da época... E para as NT. E que se cortavam cabeças de "tugas", era outra enormidade... Que havia alguma animação noturna por aqueles lados, havia, e às vezes alguns distúrbios: não vale a pena negar, escamotear, branquear a realidade de uma prostituição, tolerada, a começar pelas autoridades militares e civis...e pelo próprio PAIGC (viviam lá simpatizantes e militantes, dizia-se)...

Nunca houve cabeças cortadas no Pilão, e a própia prostituição fazia parte da economia de guerra...Como em todos os teatros de guerra... Infelizmemnte não há estudos sobre esta realidade dita marginal... e eu até agora ainda estou â espera de descobrir a letra (já não digo a música) do Fado do Pilão, à semelhança do Fado do Bairro Alto. (...) (Postagem do Facebook da Tabanca Grande, 23/2/2025, 18:22)


 
(i) Raul Castanha

Muito bem. Não tenho nenhuma dúvida do que era o Pilão nos anos de 71 a 73. Um enorme e desorganizado bairro onde viviam centenas de pessoas sem qualquer tipo de condições.

A grande curiosidade era a a diversidade das suas gentes, Ao lado da morança de um religioso, podia existir uma venda de todo o tipo de bujigangas. As moranças onde em especial cabo-verdianas se dedicavam á prostituição também tinham as suas áreas particulares.

Eram,  de facto, para além de uma necessidade para a tropa uma fonte de rendimento e também uma central de informações muito valiosas para o PAIGC e acredito que em alguns casos também para as NT.

Aliás, algumas rusgas efectuadas no local provaram que elementos desse movimento circulavam livremente por lá recolhendo informações e visitando familiares.

O célebre bar do Djacir, que era cozinheiro na messe da PM na Amura, era das mais influentes fontes de informação local.

(ii) Albano Costa

Eu fui ao Pilão quando cheguei à Guiné "todo branquinho e tenro piriquito" com um "velhinho" da nossa tropa. Depois fui para o mato e só voltei a Bissau já no fim.

Ainda em Guidage um amigo africano natural do Pilão me disse: "Costa se fores ao Pilão e tiveres problemas, diz que estiveste em Guidage e és meu amigo".

E veio a dar jeito eu dizer que era amigo do Papo Seco.

 
(iii) Ernesto Pacheco Duarte Duarte

Eu gosto assim ! O pilão era um pedacito diferente de aquele Bissau !
Com muita gente boa ! Talvez também gente má !

As cervejas eram grandes ! Encontrei lá pessoas que não encontrei noutros lugares !
Para mim o pior era o tamanho das cervejas e a água de Lisboa !

Se calhar muita gente que lá não foi, fala ! Há muita gente que nunca foi ao mato e fala !


(iv) Fernando Pinto

22 meses em BISSAU , Pilão sempre controlado por chulos cabo-verdiano e tropas especiais!
 
(v) Jorge Pedro

Passei no Pilão várias vezes. A primeira vez no dia que cheguei à Guiné e possivelmente por ser um puro periquito, fui lá na “maior”. A verdade é que não conhecia a realidade do bairro. 

Depois em maio do ano seguinte em 1973, voltei lá e como todos os que lá iam, íamos à procura de “alguma coisa”. Nunca encontrei o que procurava porque também não me esforcei e precisava dos “pesos” para matar a barriga de misérias. A “coisa” que todos procuravam ficava para segundo plano. 

Depois em agosto de 1974, voltei lá e aí, já com outra consciência e conhecimento da cultura guineense, apercebi-me e verifiquei “in loco” as verdadeiras condições daquele povo que ali habitava

Guardo uma enorme simpatia e alguma gratidão, pois entrei vivo, sai vivo e não vi sinais de sevícias corporais levada a efeito pelo genuíno e simples habitantes do Pilão.

 É um lugar iconico do nosso imaginário. Quem esteve na Guiné sabe que haviam dois lugares que tínhamos de conhecer: o Pilão e o café Bento. Fiquem bem com as nossas memórias.


(vi) António Soares

Andei muitas vezes à noite e sozinho no Pilão, nessa altura não tinha medo, hoje tenho receio de certo bairros seja dia ou noites, Zambujal e afins

(vii) Tabanca Grande Luís Graça


Obrigado, Raul, sabes do que falas,  foste oficial da PM, emn Bissau, em 1971/73... Mas gostava de ler mais depoimentos.

(viii) Henrique Teles Claudino

Estava em Bissau, p'raí em 1970, numa gelataria na avenida, quando começaram a explodir granadas no pilão. E viam-se as chamas das moranças incendiadas . Foi um incidente com os fuzileiros e os naturais.

(ix) Juvenal Sacadura Amado

O Pilão conheci superficialmente quando participei num piquete. As coisas estavam assanhas e vi pouco e não via jeito de sair dali para fora... Novembro de 72?

(x) Nicolau Esteves

Também fui lá umas duas vezes não tenho certeza se 65 ou 66.

Não posso reclamar fui muito bem atendido. A moça era muito legal e a situação estava apertada por isso foi muito bom.

Boa noite.Saudações Paulistas


(xi)  Tabanca Grande Luís Graça


Camaradas: vamos lá por tirar dúvidas.... Cupilon, Cupilom, Cupelon, Cupelum ou Pilão ?

No meu tempo (1969/71), a malta dizia Pilão... Na planta da cidade de Bissau, capital da Guiné-Bissau, de 1981 (portanto, já pós-independência) , vem Cupelon (de Cima e de Baixo),na parte setentrional, ladeada à direita pela nossa conhecida Estrada de Santa Luzia... 

Cupelon era, então, o terno correto, em crioulo... Cupilão é um aportuguesamento... Pilão é uma corruptela... Mas era o termo mais frequente usado pelas NT... Mais recentemente vo o topónimo Cupulum ... Há o Cupelum Futebol Clube que disputa a 1ª divisão (e que foi fundado em 2002, é o clube do bairro)...

Em suma, só os "tugas" usavam o termo "Pilão" (não confundir com o aluno do Instituto dos Pupilos do Exército)... De qualquer modo, os nossos lexicógrafos estão-se cag*ndo (é o termo) para o "linguajar" dos antigos combatentes...

(xii) António Soares

Hoje ė mais perigoso andar de noite em Lisboa do que as noites no Pilão com as bajudas e tudo apenas a claridade da noite... Gente boa , sincera e podíamos voltar as costas sem medo , hoje nem armado de G3 eu me aventuro com esta gentalha, feia, porca e falsa,

 
(xiii) Abilio Duarte

Eu e uns camaradas da minha  CART 11, fomos uma vez ao Pilão, desafiados por um velho combatente, que conhecia lá um bailarico. Quando entrámos lá , ainda era dia. Pois, quando foi para sair, já bastante tarde, e o destino era a estrada que ia para o Aeroporto, foi um caso muito sério. Escuridão total, e sem luzes publicas, estavávos em 1969, quando fomos a Bissau, jurar bandeira com os Fulas.

 (xiv) Libério Lopes

Dos 24 meses de Guiné o último foi passado em Bissau, abril de 1965. Tocou-me passar uma noite de ronda no Pilão.

Nunca vivi um silêncio tão pesado como o daquela noite. Demos várias voltas pelo bairro e nem uma pessoa vimos. Algumas luzes dentro das casas desapareciam com o aproximar das viaturas.

Sabia da fama do bairro e íamos preparados para tudo mas, felizmente, nada aconteceu
 
(xv) Fernando Pereira

Por vezes, as confusões que por lá ocorriam eram provocadas pelos nossos militares.

(xvi) Tabanca Grande Luís Graça

Raul, mais histórias do Pilão serão bem vindas.

(Seleção, fixação / revisão de texto, negritos: LG)

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Notas do editor LG:

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Guiné 61/74 - P26448: Fotos à procura de...uma legenda (194): Pastelaria e Café Império, diz o Cherno Baldé, "comi lá em 1979 o primeiro bolinho de arroz"... E o Patrício Ribeiro confirma: "É o antigo Café Império, na praça do Império, onde hoje é o Hotel Império, o café é diferente mas continua a manter o mesmo nome, ainda hoje tomei lá o pequeno almoço"...




Guiné-Bissau > Bissau > Vista aérea > S/d > Assinalado a amarelo o café e pastelaria Império, na antiga Praça do Império (hoje, dos Heróis da Independència) (ao lado, o Hotel Império, e atrás, com maior volumetria, o Hotel Royal)

Foto: cortesia da página do Facebook da Society for The Promotion of Guinea-Bissau, una ONG,com sede em Bissau. Disponibiliza centenas de fotos da Guiné-Bissau de hoje. Merece uma visita. As fotos, em princípio, são do domínio público, não é indicada a sua autoria.

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2025)


Guiné-Bissau > Bissau >  Antiga Praça do Império (hoje, dos Heróis da Independência) > s/d > "Café Império, que hoje já não deve existir (ou transformou-se numa padaria e pastelaria, segundo lemos algues). Era local de encontro de muitos militares, durante a guerra colonial". Foto do álbum do Albano Costa, ex-1.º cabo at inf da CCAÇ 4150 (Bigene e Guidaje, 1973/74), fotógrafo profissional reformado (Guifóes, Matosinhos).

Foto (e legenda): © Albano Costa (2000).Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar_ Blogue Luís Graça & Camaradas da Guine]




Guiné > Bissau > Agosto de 1974 > O "misterioso" estabelecimento comercial com esplanada, fotografado pelo Jorge Pinto, na véspera de regressa a Portugal... Alguns confundiram-no com o Café Bento, outros com a Cervejaria Solmar...A memória já não é o que era... Pormenor que podia ser uma pista: no pendão, ao nível do 1º piso, pode ler-se "Confeitaria" (e não "Continental", como sugere o Valdemar Queiroz)... 


Foto (e legenda): © Jorge Pinto (2025). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar_ Blogue Luís Graça & Camaradas da Guine]




1.  Alguns dirão que andamos aqui a discutir "o sexo dos anjos"...O mesmo é dizer, "conversa da treta" (*)...

A conversa quotidiana da generalidade dos seres humanos é sobre "coisas fúteis", do passado ou do presente.. Ninguém se interroga sobre o futuro... O passado e o presente conhecemo-los, mal ou bem... Temos uma narrativa "securizante", graças à nossa memória "seletiva"... O futuro, esse, não..., está carregado de incertezas. E a incerteza maior é a da hora e do lugar em que o "barqueiro de Caronte" nos vier buscar para a última viagem sem retorno...

Àparte esta reflexão melancólica (e meta...física!), lidamos mal com a incerteza... O futuro está fora da nossa zona de conforto...

Por isso, meus amigos, vamos lá continuar a decifrar o enigma (*): Café Bento ? Cervejaria Solmar ?... 

Nem uma coisa nem outra, dizem os mais "expertos" que calcorrearam a Bissau Velha do tempo colonial, à procura de uma bom vinho da "metrópole", de um bifinho com ovo a cavalo e batatas fritas, ou simplesmente de uma "bejeca" (como se diz hoje) para matar a malvada da sede (que na guerra e nos trópicos era a triplicar)...


2. O Cherno Baldé, que é hoje o "dono do chão", é perentório: 

"Ah!, tugas do caraças, o tempo não volta para trás...Mas se voltasse, vocês iriam parar de novo à Pastelaria Império, que ainda hoje existe com esse nome!... Ali na antuga Praça do Império onde se ergue o mamarracho de um monumento racista e colonista "Ao Esforço da Raça", inauguradio em 1945!... Escapou à fúria iconoclasta do Luís Cabral e dos seus rapazes paigecistas, todos filhos do colonislismo!...

Descolonizaram tudo, deitaram abaixo as estátuas dos vossos ilustres antepassadpos, mudaram a toponímia (rebatizada com os nomes dos grandes combatentes da liberdade da Pátria), arrumaram com os resquíscios todos dos velhos 'colóns0 (comoo diz o Rosinha),  decidiram por decreto que iriam construir um 'homem novo', segundo a Bíblia do Amílcar Cabral, mas continuaram a chamar 'Império' à pastelaria e ao hotel, junto à antiga Praça do Império, agora dos Heróis da Independència"...

De facto, a Pastelaria Império ainda hoje existe, com esse nome, e tem página no Facebook!...  Localização: Praça do  Império" (sic), Bissau, Guiné-Bissau, Telef +245 966 467 126...

E o Patrício Ribeiro acaba de o confirmar:

(...) Uma das fotos, mostra o antigo Café Império, na praça do Império, onde hoje é o Hotel Império, o café é diferente mas continua a manter o mesmo nome, onde hoje tomei o pequeno almoço, com vento e algum frio, 20º.

sábado, 1 de fevereiro de 2025 às 12:47:00 WET "(...)

Quanto à antiga Casa Esteves...,. " desde alguns anos é um banco. Perto do antigo Hotel Portugal, onde hoje funciona um Hotel, casino, bar e restaurante."


3.  Mais umas achegas da "malta-do-tempo-que-não-volta-p'ra-trás":

(i) Valdemar Queiroz :

Na última fotografia, aumentada, lê-se CONTINENTAL, no pendão na varanda da esplanada , pelo que os dois (militares) "já olham pro Continente” . 

sábado, 1 de fevereiro de 2025 às 13:43:00 WET 


(ii) Cherno Baldé:

Em 1979 aconteceu a minha primeira viagem a capital Bissau e, ainda lembro-me como se fosse hoje, o meu irmão trouxe-me a cidade que, já não era a mesma cidade do Gen. Spinola, mas ainda respirava-se um pouco do ambiente colonial, e na Pastelaria Império (na foto), deu-me a comer o meu primeiro bolinho de arroz e a seguir fomos assistir a um filme na então famosa UDIB, logo d'outro lado da Avenida da República/Amilcar Cabral. E, desde então nunca mais nos separamos salvo os anos de estudos no estrangeiro.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025 às 16:02:00 WET


(iii) Hélder Sousa:





(...) Tirei a minha carta de condução automóvel durante o ‘tempo da tropa’. Foi em Bissau, em Novembro de 1971.

Numa escola de condução ‘civil’, a “Escola de Condução Manuel Saad Herdeiros, Lda,” que se situava na Rua Tenente Marques Gualdes. À séria, com aulas de código e de condução pelas ruas de Bissau e também, já nas últimas lições, na estrada até ao aeroporto. O mais difícil era arranjar local para fazer “ponto de embraiagem”….

Quase tudo plano, havia três ou quatro sítios onde isso se fazia. Ensaiava-se em todos esses locais e um deles calhava de certeza no exame. A mim foi na pequena rampa de acesso à então “Praça do Império”, vindo do lado do aeroporto. Foi a última manobra e após isso, ficando aprovado, lá se foi comer uma ‘sanduiche’ de queijo da serra na “Pastelaria Império”. Com o examinador, claro! (...) (**)



(iv) Carlos Pinheiro:

(...) Nessa avenida estavam talvez as maiores casas comerciais. Por exemplo: a Casa Gouveia, da CUF, que vendia ali de tudo e que tudo comprava o que os naturais produziam, principalmente a mancarra; o Banco Nacional Ultramarino, o banco emissor da Província;o Cinema UDIB; e ao lado uma boa gelataria, mais acima, a Pastelaria, Padaria e Gelataria Império, assim baptizada por estar já na Praça do Império onde se situava o Palácio do Governo e a Associação Comercial. (...) (***)

Afinal, em que é que ficamos ? 

Café Bento, não, Cervejaria Solmar, não... Pastelaria ou Café Império. sim!!!





Excerto de mapa de Bissau > Posição relativa da Pastelaria (e Café) Império e o do Hotel Império, na antiga praça do Império, hoje dos Heróis da Independência. Uns chamam-lhe pastelaria, outros café... O Albano Costa tirou uma chapa em novembro de 2000 (****).

Infografia: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné (2025)
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Notas do editor:

(*)  1 de fevereiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26446: Fotos à procura de... uma legenda (193): A foto de agosto de 1974, do Jorge Pinto, corresponderia a um dos três cafés-cervejarias existentes nas imediações da Praça Honório Barreto, o Internacional, o Portugal ou o Chave 
de Ouro ?

Vd. poste anterior:

31 de janeiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26443: Fotos à procura de... uma legenda (192): Bissau, agosto de 1974: qual a mais famosa esplanada da cidade ? Café Bento ou cervejaria Solmar ? E esta foto é da 5ª Rep ou da Solmar ?

(****) Vd. poste de 9 de julho de 2016 > Guiné 63/74 - P16287: Memória dos lugares (340): Café Império, Praça dos Heróis Nacionais, Bissau, em novembro de 2000 (Albano Costa, ex-1.º cabo da CCAÇ 4150, Bigene e Guidaje, 1973/74, o fotógrafo de Guifões, Matosinhos)

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Guiné 61/74 - P26030: Convívios (1008): XXIX Encontro/Convívio dos Antigos Combatentes da Vila de Guifões, levado a efeito no passado dia 5 de Outubro de 2024, em Vila Boa de Quires

1. Mensagem do nosso camarada e amigo Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150 (Bigene e Guidaje, 1973/74), com data de 9 de outubro de 2024:

No Sábado, dia 5 de Outubro de 2024, dia em que os Antigos Combatentes na Guiné da Vila de Guifões conviveram no seu XXIX Encontro-Convívio, este ano o local escolhido foi na Quintinha dos Queiroses, em Maureles, Vila Boa de Quires.

Pelas 9 horas os Antigos Combatentes participantes reuniram-se no centro de Guifões-Matosinhos em frente ao Monumento dos Combatentes do Ultramar, de Guifões.

Foi colocada uma coroa de flores para homenagear todos os Combatentes no Ultramar e cantamos o Hino Nacional. Depois fomos em dois autocarros até Penafiel, onde fizemos uma pequena paragem, para finalmente deslocar todos para a Quintinha dos Queiroses.

Depois de um bom almoço, intercalado sempre com um bom pé de dança, foi feita a distribuição de lembranças comemorativas do evento e, também foi oferecido uma rosa a cada senhora presente.

Agradecemos toda a colaboração prestada pelo Sr. Presidente da União de Freguesias de Guifões, Custoias e Leça do Balio, Eng. Pedro Gonçalves.

Por volta das 19 horas foi o regresso ao local da partida. Feita uma viagem com chegada serena a Guifões com o pensamento já no convívio do próximo ano.













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Nota do editor

Último post da série de 30 de setembro de 2024 > Guiné 61/74 - P25994: Convívios (1007): 57º Convívio da Tabanca da Linha, em Algés, no passado 26 de setembro: 0s 9 magníficos... "piras"

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Guiné 61/74 - P26019: In Memoriam (512): Finalmente foi feita a trasladação do Soldado At Inf Manuel Agostinho Mendonça de Oliveira, o único morto da CCaç 4150, para a sua terra natal, Soutelo de Matos, Pensalvos, Vila Pouca de Aguiar (Albano Costa)

IN MEMORIAM

Soldado At Inf Manuel Agostinho Mendonça de Oliveira (1952 - †1974)
Vítima de acidente com arma de fogo


1. Mensagem do nosso camarada e amigo Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150 (Bigene e Guidaje, 1973/74), com data de 7 de outubro de 2024:

Ontem, dia 6 de Outuro de 2024, finalmente foi feita a trasladação do único morto que a minha CCaç 4150 teve (fizemos a nossa comissão na Guiné, em Bigene e Guidage), para a sua terra natal, em Soutelo de Matos, uma povoação muito pequena em termos de habitantes, onde esteve até sábado de manhã, sendo depois foi mudado para a capela mortuária de Pensalvos, para que toda a população local lhe pudesse prestar a última homenagem.

Depois de serem realizadas todas as cerimónias religiosas, que já deveriam ter sido feitas há 50, foi em cortejo fúnebre até ao cemitério, onde foi a sepultar em jazigo de família.

Foram feitas as honras fúnebres pelos militares, como tinha direito, por ter falecido ao serviço da Nação.

Também estiveram presentes a Sr.ª Presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar e da Junta de Freguesia de Pensalvos e várias colegas da companhia que há 50 anos assistiram ao infortúnio do Manuel Agostinho Mendonça Oliveira, ocorrido a 2 de Abril de 1974.

Finalmente fechei o meu ciclo militar, e também fiquei mais leve comigo próprio. Pela missão cumprida.

Transcrevo o discurso feito pelo nosso comandante que também fez questão de estar presente para fazer(mos) a última homenagem.

"Caros familiares e amigos do Manuel Agostinho MENDONÇA Oliveira e seus camaradas de guerra
Digníssimas autoridades presentes
Minhas Senhoras e meus Senhores

Saúdo os familiares e amigos do MENDONÇA, as autoridades locais, os elementos da nossa Companhia que disseram presente e todos os que quiseram associar-se a esta cerimónia.
Cerimónia que acontece com 50 anos de atraso e mesmo assim só possível devido ao esforço e empenho de alguns de nós e algumas entidades oficiais.

Quando era responsável pela Companhia durante a sua formação na Amadora, a minha maior preocupação foi incutir nos homens um espírito de grupo muito forte e dar-lhes a melhor preparação possível, pois sabia que nas condições em que íamos estar, cada um dependia de todos e todos dependíamos de cada um. Tinha uma forte convicção que independentemente de tudo, conseguiríamos sobreviver.

Cada um de nós, quando partimos em 22 de setembro de 1973 rumo à Guiné para cumprir uma comissão de serviço na guerra colonial ou do Ultramar, como se dizia, levávamos na bagagem muitas coisas, mas também uma grande ilusão, uma vontade, um acreditar que um dia voltaríamos a casa sãos e salvos.

Todos nós lá deixámos muito, muito do nosso suor e muitas lágrimas, alguns derramaram o próprio sangue, outros perderam partes dos seus corpos e um, o MENDONÇA, perdeu a vida, naquele fatídico dia 2 de abril de 1974. E o facto de ter sido apenas um, já foi demais.

Neste momento, assaltam-me sentimentos contraditórios: satisfação por finalmente ele vir descansar junto dos seus na terra que o viu nascer, crescer e partir para a guerra, mas também de tristeza e perplexidade por ter sido só hoje o seu “regresso”, o que não permitiu que os seus familiares tivessem feito na devida altura o luto que se impunha.

Tínhamos pouco mais de vinte anos e assistir à morte de um dos nossos não era coisa fácil, não foi coisa fácil e os seus efeitos prolongaram-se no tempo.

Por isso, sobretudo para os seus camaradas de armas, alguns aqui presentes, esta vivência é uma catarse, é, decerto, a melhor oportunidade para fazer a reconciliação com o passado e que as recordações que guardamos sejam de serenidade e não de revolta.

Esta trasladação, que penso ser o nosso último ato oficial enquanto “família militar da Companhia de Caçadores n.º 4150/73”, vai ser o reencontro com a nossa paz interior na certeza do dever cumprido.

Ao soldado MENDONÇA, prestamos hoje a nossa homenagem final. Com o regresso à sua terra, cumpre-se um ciclo de vida e de sacrifício, de história e de memória. Que o seu descanso seja, finalmente, pleno e em paz.

À sua família, que durante todos estes anos carregou no coração o peso da saudade, as nossas mais sinceras palavras de respeito. Sabemos que este momento, por mais solene que seja, não apaga a dor da perda, mas que, de alguma forma, esta trasladação possa trazer uma sensação de conclusão, sabendo que o MENDONÇA repousa agora no lugar que lhe pertence, ou seja, na sua terra natal.

A todos os que tornaram possível a realização desta cerimónia o meu reconhecimento, com uma referência especial aos camaradas da nossa Companhia.

Que fique em paz!
E que os nossos camaradas, entretanto falecidos, também estejam em paz!
Muito obrigado."


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Nota do editor

Vd. post de 23 de setembro de 2024 > Guiné 61/74 - P25972: In Memoriam (511): Trasladação de Lisboa para Vila Pouca de Aguiar dos restos mortais do Soldado At Inf da CCAÇ 4150, Manuel Agostinho Mendonça de Oliveira (1952 - †1974), vítima de acidente com arma de fogo em Guidaje, a ter lugar no próximo dia 6 de Outubro de 2024 (Albano Costa)

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Guiné 61/74 - P25972: In Memoriam (511): Trasladação de Lisboa para Vila Pouca de Aguiar dos restos mortais do Soldado At Inf da CCAÇ 4150, Manuel Agostinho Mendonça de Oliveira (1952 - †1974), vítima de acidente com arma de fogo em Guidaje, a ter lugar no próximo dia 6 de Outubro de 2024 (Albano Costa)

IN MEMORIAM

Soldado At Inf Manuel Agostinho Mendonça de Oliveira (1952 - †1974)
Vítima de acidente com arma de fogo


1. Mensagem do nosso camarada e amigo Albano Costa, ex-1.º Cabo At Inf da CCAÇ 4150 (Bigene e Guidaje, 1973/74), com data de hoje, 23 de setembro de 2024:

Caros amigos "Apaches " da CCaç 4150 e Antigos Combatentes.
Finalmente ao fim de 50 anos vamos fazer a trasladação do nosso amigo Manuel Agostinho Mendonça Oliveira, falecido na Guiné, em Guidage, no dia 2 de Abril de 1974, em acidente com uma granada de mão.

O seu corpo ficou durante 50 anos "encalhado" em Lisboa por falta na altura, e ainda hoje, das obrigações do Estado Português.
O Manuel Agostinho Mendonça Oliveira ficou todos estes anos à espera deste dia para chegar à sua terra natal na freguesia de Pensalvos, em Vila Pouca de Aguiar.
Primeiro, foi sepultado no cemitério do exército, no Lumiar, na campa n.° 14. Segundo, no dia 22 de Maio de 1984, continuou o seu calvário, e foi trasladado para o cemitério do Alto de S. João, para a Cripta n.° 6358, ficando ao cuidado da Liga dos Combatentes.

Este género de feridas nunca cicatrizam. Os políticos julgam que passam com o tempo, não, não passam, enquanto por cá andarmos carregando sempre este "fardo".
A prova é que a sua família biológica, e também a família de guerra os "Apaches" nunca se esqueceram que o Mendonça Oliveira ainda não tinha chegado à sua verdadeira casa.
Finalmente ao fim de 50 anos vamos fazer a sua trasladação para o seu verdadeiro local.
O único morto que a nossa companhia teve por terras da Guiné.

O funeral vai ser no próximo dia 6 de Outubro de 2024, domingo.
Vai sair de Lisboa para a igreja de Pensalvos, em Vila Pouca de Aguiar, ficará na igreja até à hora do funeral que vai ser durante a missa dominical das 9h30.
Depois das cerimónias religiosas vai ser sepultado em jazigo de família.


Quem puder e quiser estar presente no dia, vai ser a ocasião de se fazer a homenagem que ja havia de ter sido feita há 50 anos.

Aproveito para agradecer a todos os "Apaches" pela solidariedade que mostraram desde a primeira hora para ajudar na sua trasladação. Mostramos ser uma verdadeira família de guerra em prol desta causa.

Um abraço.
Albano Costa

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Nota do editor

Último post da série de 23 de setembro de 2024 > Guiné 61/74 - P25971: In Memoriam (510): António Rodrigues (c. 1940-2024): (i) um mordomo da elite portuguesa dos mordomos da elite de Nova Iorque, que era natural da Batalha; (ii) um grande ativista de causas sociais (cofundador do LAMETA); e sobretudo (iii) "o meu irmão mais velho que eu nunca tive"! (João Crisóstomo, Nova Iorque)