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sábado, 29 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28305: Os nossos seres, saberes e lazeres (747): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (268): Ainda a visitar Mainz, no dia seguinte em Frankfurt - 3 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 13 de Agosto de 2026:

Queridos amigos,
O facto da Catedral de Mainz possuir um interior que não me enche as medidas de modo algum garantindo o peso patrimonial que possui, a começar pela arte funerária, peças belíssimas dos túmulos daqueles bispos que coroavam o Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, acresce os retábulos, o esplendor do púlpito, o podermos observar as etapas da evolução do gótico, do barroco, as múltiplas adições introduzidas no século XIX, até chegarmos aos importantes trabalhos de conservação e restauro depois da Segunda Guerra Mundial, e concluídos em 1975. No dia seguinte apanhei o comboio de Idstein para Frankfurt, depois o metro e sair na praça principal, onde se avista soberbos arranha-céus, são a prova eloquente desta cidade que é uma praça financeira de muito peso, sede do Banco Central Europeu e possuidora de um património histórico-artístico de valor incalculável. Por razões de saúde, vou palmiando lentamente à procura de novidades arquitetónicas, sempre na esperança de ganhar coragem de atravessar o Reno para visitar o mais importante museu da Alemanha, tal não acontecerá, mas deixarei provas do meu registo.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (268):
Ainda a visitar Mainz, no dia seguinte em Frankfurt - 3


Mário Beja Santos

Pretendo acrescentar umas notas sobre a visita que fiz à catedral de Mainz. Trata-se de uma basílica com mais de mil anos de história, onde relevam as marcas do românico, de diferentes fases do gótico, do barroco, de sucessivas adições do século XIX e alterações provocadas por bombardeamentos em 1942 e 1944, tudo conjugado as imagens que temos datam do acabamento das obras em 1975. Um templo de cinco naves, duas absides, torres magníficas. Se bem que este volumoso interior muito pouco me impressiona, há que reconhecer a considerável importância da Catedral no plano histórico em termos arquitetónicos, talvez nenhuma outra catedral alemã conserve tanta arte funerária, os túmulos dos arcebispos, dado que o arcebispo de Mainz fazia parte dos príncipes eleitores do Sacro Império Romano-Germânico, era mesmo a sede religiosa do Império. Mais de mil anos, porque foi catedral carolíngia, a planta que hoje disfrutamos arrancou na Idade Média, diga-se de passagem, que o património medieval melhor conservado é o do claustro, como aqui se mostra.
Pormenor do claustro medieval da Catedral de Mainz
Madona dos Peregrinos da Palestina, obra do final do século XV
Imagem tirada no claustro mostrando a torre mais elevada, passeando no jardim são bem visíveis as marcas dos estilhaços dos bombardeamentos
Um dos corredores do claustro com marcas funerárias de alguns dos arcebispos
Outra perspetiva da torre tirada do claustro medieval
O altar de Maria, século XVI, Catedral de Mainz
Portal do Mercado (séc. XII) da Catedral. As portas de bronze são da época de Willigis (c. 1000)
Duas perspetivas de uma das fachadas laterais da catedral tiradas da praça onde, no lado oposto, está o museu Gutenberg, que, infelizmente, não tive oportunidade de visitar. Juntei as duas imagens só para se ver o conjunto de adições que se embebem nas paredes da primitiva catedral
Um só exemplo do esmero arquitetónico que rodeia a praça da catedral. Aqui termina a visita a Mainz, regresso a Idstein, amanhã nova viagem de comboio para matar saudades de Frankfurt
Já no Guide Bleu de 1972 se falava da importância comercial industrial e de feiras desta vetusta cidade, posicionada na encruzilhada das principais rotas europeias, com bolsa desde o século XVI, também dessa época um importante centro bancário, depois da Segunda Guerra Mundial sede de feiras prestigiosas à escala mundial abarcando o livro, a química, o automóvel, a indústria farmacêutica, a aparelhagem elétrica e as ferramentas. Num bombardeamento em 1944 desapareceu a velha Frankfurt, era um dos maiores conjuntos medievais alemães. Há lugares fundamentais a visitar, dadas as dificuldades da minha saúde, tomei o metro à saída da gare principal de Frankfurt e encaminhei-me para a Catedral de São Bartolomeu. Pelo caminho vou encontrando recordações de famílias judaicas que habitaram pela cidade e que acabaram em fornos crematórios, em dado passo passei perto do cemitério judaico de cuja parede tem lembrança dos falecidos devido às perseguições nazis, ali perto do cemitério está o museu judaico, dado como historicamente muito importante, ficará para a próxima visita.
Esta imagem não é minha, é da Wikipédia, mostra claramente como a catedral está completamente afogada pelos edifícios circundantes, a foto foi tirada da outra margem do rio Reno
O novo órgão da Catedral de São Bartolomeu, impressionante até pelo seu aparato cénico. Entra-se na catedral pela porta lateral onde está um belo calvário, obra do início do século XVI. A catedral tem também uma grande importância histórica, era peça indispensável para a cerimónia da coroação imperial, tendo a nave a normalmente curta tem um transepto que permitia aos dignatários agrupar-se à volta do imperador e participar diretamente nas cerimónias, pois era no cruzamento do transepto que o bispo eleitor de Mainz coroava o novo imperador.
Retábulo gótico esculpido chamado Altar da Despedida dos Apóstolos, datado do século XVI
Capela onde se elegia o imperador do Sacro Império Romano-Germânico

Vamos continuar a visita em Frankfurt, está uma tarde muito quente, bem gostava de ter coragem de palmilhar até à margem do Reno, atravessar a ponte e encaminhar-me para um dos mais belos museus que conheço, o Museu Städel, considerado o mais importante da Alemanha, mais não fosse para estar um bom bocado em frente ao quadro O Geógrafo, de Vermeer, mas não me sinto capaz.
O Geógrafo, quadro de Vermeer, Museu Städel

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 22 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28281: Os nossos seres, saberes e lazeres (746): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (267): De Wiesbaden para Idstein, o Festival de Música do Reno no castelo de Johannisberg, visita a Mainz - 2 (Mário Beja Santos)

sábado, 22 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28281: Os nossos seres, saberes e lazeres (746): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (267): De Wiesbaden para Idstein, o Festival de Música do Reno no castelo de Johannisberg, visita a Mainz - 2 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 12 de Agosto de 2026:

Queridos amigos,
Jogo à defesa com as limitações que me impõe uma hérnia inguinal bilateral que, acabo hoje de saber, vai à faca em 18 de outubro, estou bem farto dela e de engolir comprimidos de paracetamol; ponho-me à sombra em casa dos anfitriões e continuo a reler Fado Alexandrino, deste livro notável falarei no blog num outro espaço; à tarde sou honrado com o convite de ir ao primeiro dos dois espetáculos com que fui seduzido, um concerto no castelo de Johannisberg, um espaço histórico e vinícola onde se bebe o vinho Riesling, um parente talvez remoto do João Pires, ainda por cima acompanhado de água mineral com borbulhas. Um passeio estupendo que dá para ver como o Reno tem pouca água, tal o poder da canícula. No dia seguinte viagem até Mainz, o que mais me tocou foram os vitrais de Marc Chagall, achei a catedral, com o devido respeito, um tanto matacão, o claustro esplendoroso, impressionado com um Cristo escultórico contemporâneo, Mainz é uma bela cidade cosmopolita, haja saúde e voltarei aqui de bom grado.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (267):
De Wiesbaden para Idstein, o Festival de Música do Reno no castelo de Johannisberg, visita a Mainz - 2


Mário Beja Santos

É este o terceiro dia de viagem, tenha-se em conta que se voo de Lisboa para o Luxemburgo, grão-ducado percorrido de noite em direção a Trier, aqui se pernoitou, ao alvorecer encetou-se a viagem de comboio à volta do rio Mosela até Wiesbaden, aqui os meus anfitriões levaram-me para Idstein, burgo que pertenceu ao príncipe de Nassau-Idstein, hoje na órbita de Wiesbaden, a umas dezenas de quilómetros de Frankfurt. Dois dias de viagem que justificam, a quem padece de uma hérnia inguinal bilateral e que tem um programa previsto à volta do Reno, um belo concerto do Festival de Música do Reno, no castelo Johannisberg, o Quarteto Maxwell, música de Haydn Brahms e música folclórica da Escócia, um bom pedaço de repouso. Enquanto me ponho à sombra para fugir à caloraça que progride para perto dos 40ºC, vou bisbilhotar o jardim de quem tão amigavelmente me recebeu, vejo um ácer bem novinho a fazer sombra a um Buda, vou até ao fim da vedação e avisto um ácer maduro de um vizinho ali em frente, é uso e costume dizer-se que são os britânicos que têm a paixão dos jardins, e então os alemães? Enfim, mitos e preconceitos. E fico toda a manhã, embevecido, a reler Fado Alexandrino, já que tenho limite na bagagem trouxe estas 700 páginas para grande regalo.
Fachada do castelo Johannisberg, um dos palcos em que decorre o festival musical do Reno, pertenceu ao Príncipe Klemens Wenzel von Metternich, que teve um relevante papel no Congresso de Viena, é aqui que desde o século XVIII se passou a cultivar a uva com que se produz o vinho Riesling
Gosto de chegar cedo, garanto que quando subiu ao palco o Quarteto Maxwell não havia uma cadeira vazia
De paredes meias com o castelo temos uma reminiscência medieval, uma igreja associada a um convento, tudo cercado de vinha, no final do concerto percorre-se o caminho para disfrutar um esplêndido panorama de Wiesbaden ao fundo e o serpenteio do rio Reno
Era o fim de tarde, muita gente perto, tal é a maravilha do panorama, mesmo com o Reno com pouca água, estávamos embevecidos com o maravilhoso cenário
No dia seguinte partiu-se de comboio para Mainz, em português Mogúncia, em francês Mayence, é a capital do Land Renânia-Palatinado, ali perto corre o rio Meno. Consta que há uma população afável, tem um dos carnavais mais espetaculares da Alemanha, uma história que supera dois mil anos, por aqui andaram as legiões de Roma, teve um período dourado na Idade Média, como não se pode visitar uma grande cidade em escassas horas, não pude visitar o museu Gutenberg, considerado uma joia para a história daa imprensa. Vim munido de um calhamaço que há meio século era famoso, um Guide Bleu dedicado à República Federal da Alemanha. Recomendava-me que fosse diretamente da Gare Central à Catedral, daqui à Praça Schiller, desobedeci, queria ir à igreja de Santo Estevão, famosa pelos vitrais de Marc Chagall, foi um regalo para a alma, vou mostrar
Não escondo a comoção, estes vitrais, além de serem os únicos que Chagall fez para a Alemanha, como expressão do que ele entendia ser a reconciliação entre os judeus e os alemães, foram os únicos vitrais feitos diretamente por Chagall, são nove na envolvência do altar-mor. Depois do seu falecimento, um conjunto de discípulos terminou o trabalho dos vitrais da paróquia de Santo Estevão. A escolha desta igreja teria sido devido à amizade que unia Chagall ao respetivo padre de Santo Estevão. Se é verdade que as imagens podem substituir mil palavras, deixo a quem me está a ler o deslumbramento destes azuis de incomparável intensidade.
A Fonte do Carnaval, na praça Schiller, é uma impressionante escultura em bronze com quase 9 metros de altura. Projetada pelo artista Blasius Spreng e inaugurada em 1967, a obra celebra a rica e animada tradição carnavalesca da cidade. A torre de bronze está repleta de mais de 200 figuras detalhadas, incluindo bobos da corte, heróis, animais e símbolos satíricos da história local e da mitologia.
Escultura "Christus" (1998), da autoria do artista alemão Karlheinz Oswald, Catedral de Mainz
Vista do interior da Catedral de Mainz, são bem visíveis as múltiplas adições, recorde-se que o templo foi muito danificado pelos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial
Púlpito do período tardo-gótico, renovado no século XIX, um impressionante trabalho escultórico, de cima a baixo
Estamos a falar de uma catedral com 112 metros de comprimento, com o nome de São Martinho e Santa Genoveva, teve inicialmente três naves, hoje cinco, duas absides, recorda os tempos carlíngios, fica aqui um pormenor das suas torres vista do claustro tardo-gótico
Uma perspetiva do claustro, ainda há mais coisas para mostrar, fica para a semana

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 15 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28262: Os nossos seres, saberes e lazeres (745): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (266): Lisboa-Luxemburgo, daqui para Trier, o passeio pelo Mosela, depois Koblenz até Wiesbaden, foi este o início da viagem - 1 (Mário Beja Santos)

sábado, 15 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28262: Os nossos seres, saberes e lazeres (745): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (266): Lisboa-Luxemburgo, daqui para Trier, o passeio pelo Mosela, depois Koblenz até Wiesbaden, foi este o início da viagem - 1 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 11 de Agosto de 2026:

Queridos amigos,
Parti com o maior entusiasmo, mesmo diminuído pela hérnia inguinal bilateral, que será operada a 19 de outubro, não esperava aquela caloraça totalmente inusitada na Alemanha, ia cheio de sonhos, conhecer Trier, a segunda grande cidade do Império Romano, Koblenz, a sede do reino merovíngio e os seus monumentos espetaculares e as vistas esplendentes do Mosela, que corresponderam na totalidade às expetativas que levava. Seja como for, como direi no regresso da viagem, não desgostei de percorrer o Luxemburgo, país que não me deslumbra talvez porque eu esteja sempre a invocar o que já vi na França, na Bélgica e na Holanda. O curioso de toda esta história é que recebi o convite para ir a dois concertos no Festival de Música do Reno, ambos me deslumbraram, e não menos me deslumbrou ter comprado um bilhete Lisboa-Luxemburgo-Lisboa por 75€, acho que tive sorte com a ucharia.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (266):
Lisboa-Luxemburgo, daqui para Trier, o passeio pelo Mosela, depois Koblenz até Wiesbaden, foi este o início da viagem - 1


Mário Beja Santos

Chegara-me o convite de gente muito amiga para assistir a dois concertos do Festival de Música do Reno, enviaram mesmo cópias dos bilhetes já adquiridos, que eu não recusasse, seria com muita alegria recebido com cama e mesa e roupa lavada. Disse que sim, pronta e afetuosamente, e comecei a desenhar a viagem. A primeira grande surpresa foi descobrir um Lisboa-Luxemburgo-Lisboa por 75€, para mim impensável, partindo em fins de julho e regressando naquele período de agosto em que metade dos europeus viajam de um lado para o outro. A segunda grande surpresa foi descobrir que havia um bilhete ferroviário com o preço de 20€, podia andar pela Alemanha toda. O desenho começou a esclarecer-se. Chegar ao Luxemburgo com noite escura, apanhar comboio até Trier, aqui, por táxi, ficar numa casa particular, coisa rara anunciava-se na informação do aluguer que se punha o cliente no dia seguinte na estação, o que aconteceu, deu para ir percorrendo por algum do mais imponente património da presença romana, dos tempos medievais e de quando Trier tinha Príncipe Eleitor da Renânia-Palatinado. Com bilhete ferroviário previamente adquirido, começou uma espantosa viagem à volta do rio Mosela, com os seus frondosos campos vinhateiros em declive, são muitíssimo belos, mas tenho cá para mim a preferência pelo Alto Douro vinhateiro.

Não falo da viagem pelo Luxemburgo nessa noite, terei a oportunidade de falar do país no regresso, a minha relação com o Luxemburgo não é exultante, estou sempre a fazer comparações com campos franceses e belgas e não encontro nenhuma singularidade nas suas riquezas patrimoniais, há para ali uma arquitetura que lembra outra da região do Benelux.

Que fique claro ao leitor que uma parte das imagens foram catrapiscadas de vários sítios, as fotos que tirei em Bullay ficaram desfocadas ou manhosas, adorei passear em Traben-Trarbach bem como em Cochem. Sentado à janela, com o boné a proteger-me do sol viajei até Coblença, vinha com sonhos de visitar aquele ponto onde o Mosela conflui com o Reno, é um território cheio de História, aqui os Francos puseram as legiões romanas em debandada, aqui houve corte merovíngia, viveu sempre em prosperidade até que foram inquietados pela Revolução Francesa. Em 1815, com Napoleão na ilha de Santa Helena, o Congresso de Viana atribuiu Coblença à Prússia. A Segunda Guerra Mundial infligiu danos à cidade, destruiu 85% do seu património. Não atinei com nenhum posto informativo, vi passar autocarros, ninguém me esclareceu rigorosamente como lá chegava e como regressava, por mera prudência decidi andar no interior da cidade, visitei a Igreja de Nossa Senhora, que começou a ser construída em 1200, passeei pelas praças e vi por fora a Igreja de São Castor, uma basílica românica de quatro torres com ápside redonda característica. Fora um intenso dia quando cheguei a Wiesbaden, onde fui recebido de braços abertos. Seguir-se-ão dias também intensos e muito belos, como procurarei contar.


Cidade do Luxemburgo, vista do Palácio do Grã-Ducado, visto da ponte ferroviária
Fachada da Porta Nigra, o principal monumento romano em Trier, a cidade mais antiga da Alemanha e a mais esplendorosa do Império Romano, depois de Roma
Um pormenor do interior da Porta Nigra
Vista aérea do rio Mosela entre Trier e Koblenz
Cochem, um dos lugares de idílio no Mosela, muita floresta e região vitivinícola
O intuito era fazer por comboio uma visita a lugares belíssimos que circundam o Mosela, até Koblenz. Saiu-se de Trier até Bullay e daqui até uma curta viagem num outro comboio a Traben-Trarbach, uma vista fascinante, um número impressionante de embarcações e imensos parques com caravanas e tendas de campismo.
O calor era demolidor, a estação praticamente vazia, tinha começado o percurso para cirandar por Mosela
Uma das vistas mais apreciadas em Koblenz (em português, Coblença), neste ponto encontram-se o Mosela com o Reno
Aspeto da fachada da Igreja de Nossa Senhora em Coblença, estilo românico-gótico
Confesso que o que mais me impressionou no interior desta igreja, manifestamente de gótico tardio é a imagem do Cristo, nunca tinha visto nada de parecido, mas li que se trata do estilo renano, que vigorou na Idade Média
Gostei muito deste retábulo num altar lateral e do rendilhado da peça que o encima, um baldaquino de pedra lavrada
Indo a caminho da estação para apanhar o comboio com destino a Wiesbaden, eis que numa das ruas encontrei um cruzamento com quatro casas que parecem dialogar umas com as outras, talvez sejam edificações, réplicas, de velhas casas medievais, mas há para aqui bom gosto e um elevado sentido de memória na paisagem urbana, na falta de ter encontrado transporte àquele ponto onde o Mosela se encontra com o Reno, e com aquela temperatura superior a 30ºC, com humidade sufocante, dei-me por feliz deste registo da curta passagem por Coblença.
Igreja de São Castor, quem não sabe é como quem não vê, não muito longe daqui, mesmo que me custasse os olhos da cara com aquela caloraça, estava à minha espera o tal ponto que se chama Das Deutsches Eck, onde confluem o Reno e o Mosela. Fica para a próxima.

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 8 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28249: Os nossos seres, saberes e lazeres (744): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (265): Teatro Eduardo Brazão, no Bombarral, uma réplica do teatro Alla Scala, de Milão (Mário Beja Santos)