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sábado, 19 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28360: Os nossos seres, saberes e lazeres (750): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (271): Heidelberg, cidade poupada na Segunda Guerra Mundial, pilhada pelos exércitos de Luís XIV em 1689, as ruínas mais famosas do romantismo - 6 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 1 de Setembro de 2026:

Queridos amigos,
Viagem inesquecível a vários títulos. Como quem não sabe é como quem não vê, andou-se à procura de parqueamento, não se viu qualquer indicação de transporte para o topo da cidade, foram umas boas centenas de degraus, em dado momento viu-se passar um funicular, deu bastante jeito no regresso para quem, como eu, andava em passada branda com as moinhas de uma hérnia inguinal bilateral. Vi satisfeito um sonho da minha juventude. Não só do que tinha lido em obras românticas, fotografias avulsas da quase mítica universidade e dos passeios no vale do rio Neckar, o meu cunhado, sempre que vinha a propósito, falava de professores seus, mundialmente distintos e do deslumbramento da cidade encravada entre montanhas com o rio à porta. Comecei o passeio pelo velho castelo de Heidelberg, uma joia mutilada no século XVII e curiosamente poupada pelos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial. É no meio desta visita deslumbrante que avistei a entrada do Museu Alemão da Farmácia, logo me veio à mente a visita que fiz em Leipzig a um museu com valiosíssima documentação de produtos de farmácia, não hesitei na visita a este museu. É o que vos mostro na primeira parte desta itinerância por uma cidade encantadora.

Abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (271):
Heidelberg, cidade poupada na Segunda Guerra Mundial, pilhada pelos exércitos de Luís XIV em 1689, as ruínas mais famosas do romantismo - 6


Mário Beja Santos

Foi uma das raras cidades alemãs poupadas dos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial. Heidelberg está situada à entrada do radioso Vale do Neckar, entre as montanhas e o rio, e é dominada pelo castelo romântico em arenito vermelho. A cidade é célebre pela sua unicidade fundada em 1386; foi um dos lugares de maior relevo do romantismo alemão. Mas há outros dados históricos. Foi um centro político do antigo Palatinado Renano, aqui viviam os zeladores da justiça dos imperadores germânicos, condes que tinham dignidades feudais. É uma história que se irá desenvolver a partir do século XII e que floresce no século seguinte com o Palatinado Renano. A cidade profundamente afetada pelos problemas religiosos da Reforma, sofreu assaltos e destruições no século XVII, a chamada guerra de Orleãs ou do Palatinado, pilhagens e destruições, a sua reconstrução recomeçou em 1700 e no século XVIII o Palatinado voltou à posse da Baviera, tudo irá mudar com a criação do II Reich, no século XIX. Havia que optar o que visitar nesta cidade tão bela, possuidora deste castelo assombroso, fiquei embasbacado por visitar no seu interior o Museu Nacional da Farmácia, para chegar ao castelo subi umas boas centenas de degraus, isto na altura em que estava à espera de ser operado a uma hérnia inguinal bilateral. Descemos até ao casco histórico, deslumbrante, visitei a Igreja do Espírito Santo e depois a ponte velha, datada de 1776, precedida de uma torre-porta e decorada de estatuária, já não havia e energia para mais, embora houvesse uma grande apetência para passear pelo Vale do Neckar.

Heidelberg a vista do alto, ao fundo corre o rio Neckar, ainda não cheguei ao castelo romântico, um dos mais belos do mundo
Visão aproximada para se ver a velha ponte sobre o Neckar, por onde passeou Goethe e outros próceres do romantismo
Um belo pórtico do castelo que resistiu às destruições de 1622 e 1689. Andava por ali um guia com uma excursão de japoneses, britânicos e letões, pus o ouvido à escuta para ouvir falar da nostalgia do romantismo, o guia esmerava-se por mostrar que o castelo e a fortaleza se fundem entre si de modo imponente, casamatas, torres poderosas, fachadas palacianas no interior com as suas figuras decorativas que são um tesouro do Renascimento; atrelado ao grupo, fui ouvindo pormenores sobre dois edifícios de arquitetura sublime, o Edifício Frederico, quando se desce o pátio interior temo-lo pela frente; e o edifício Ottheinrich, revestido de impressionantes figuras decorativas, e descendo por aqui temos terraços que no seu tempo foram considerados os jardins renascentistas mais famosos do mundo. Não se pode entrar em nenhum dos edifícios, estava tudo em obras.
O edifício foi cruelmente destruído, subsistem estas belas esculturas
Os eleitores palatinos viviam neste edifício sumptuoso chamado Friedrich que está a ser alvo de restauros, nesta altura não se pode visitar o interior do palácio
Pormenor do Museu Nacional da Farmácia, sediado no castelo de Heidelberg. Visitei este espantoso museu levando uns bons encontrões, os grupos de turistas revezavam-se uns aos outros, imparáveis. Não consegui literatura, mas encontrei informação no local bem curiosa. Li que nas cidades da Idade Média a vida pública se concentrava sobretudo na praça central do mercado, era ali que os comerciantes e artesão vendiam os seus produtos em rústicas construções em madeira, às vezes junto da igreja ou da Câmara Municipal. As primeiras farmácias funcionaram deste modo. Com o desenvolvimento, as farmácias ganharam dimensão e surgiu a possibilidade de distribuir os diferentes tipos de medicamentos por diferentes divisões. A verdadeira oficina ficava no rés-de-chão, era aqui que se preparavam os medicamentos, depois guardados em gavetas bem como em valiosos recipientes de porcelana e estanho, vidro ou madeira. O cliente podia espreitar através da janela as prateleiras e os armários e a mesa de preparação. Durante muito tempo, foi comum comunicar com o farmacêutico e receber o medicamento através de uma pequena janela. Desde os séculos XVII e XVIII que a venda e a espera passaram a ser feitas no interior da farmácia. Assim, uma nova área de vendas com um balcão como espaço de atendimento foi adicionada à área tradicional de preparação. Desde então, a farmácia passou a ser identificada por dois elementos básicos: a mesa de preparação, o balcão e o mobiliário. Atualmente, a generalidade dos medicamentos é preparada pela indústria farmacêutica. Em cada farmácia existe um local para consulta, que é uma das tarefas mais importantes de um farmacêutico de oficina, é a matriz da confiança do doente-farmacêutico.
Outro pormenor do Museu Nacional da Farmácia
Durante séculos, as fachadas das farmácias apareciam marcadas por um símbolo farmacêutico personalizado e distintivo. Havia placas de cores específicas, exibia-se o nome da farmácia e do proprietário, por vezes incluindo o ano da fundação. Não era incomum haver representações de animais, criaturas míticas ou santos padroeiros. A partir da década de 1920, as farmácias na Alemanha começaram a procurar um símbolo padronizado. O nome podia referir-se à localização específica da farmácia ou uma conotação popular para a região, havia nomes de homenagem a diferentes simbologias.
Pormenor da fachada renascentista do edifício Frederico
Pormenor da fachada em arenito vermelho do edifício Ottheinrichs, tem a seus pés jardins espetaculares e belas panoramas sobre o rio Neckar
Restauros no castelo de Heidelberg é matéria infindável

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 12 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28342: Os nossos seres, saberes e lazeres (749): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (270): O dia passado em Wiesbaden, amanhã viaja-se para Heidelberg - 5 (Mário Beja Santos)

sábado, 12 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28342: Os nossos seres, saberes e lazeres (749): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (270): O dia passado em Wiesbaden, amanhã viaja-se para Heidelberg - 5 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 15 de Agosto de 2026:

Queridos amigos,
Estivera em Wiesbaden para ir a uma récita da ópera A Flauta Mágica, vi pela noitinha pormenores de uma cidade com opulência, ditada pela sua notoriedade e fama de local muito aprazível onde se fazem congressos, múltiplos eventos e há uma grande afluência termal; mas agora tive a oportunidade de a visitar com mais detalhe, o lastimável era o calor sufocante daqueles primeiros dias de agosto, mas deu para ver a cidade de uma bela colina, visitar um templo ortodoxo russo, uma homenagem à primeira mulher do Grão-Duque, uma princesa russa que morreu com 18 anos; ainda houve a tentação de nos metermos no museu, mas preferiu-se andarilhar até ao limite, o que aqui se regista são meros pormenores, a arquitetura civil da cidade é deslumbrante, tudo farei para regressar com uma temperatura mais amena.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (270):
O dia passado em Wiesbaden, amanhã viaja-se para Heidelberg - 5


Mário Beja Santos

O dia de hoje é reservado a Wiesbaden, outrora capital do Ducado de Nassau, mais tarde sede da província prussiana de Hesse-Nassau, atualmente capital do Land de Hesse. Vindo de carro logo me apercebi nas imediações da prosperidade destas gentes, belas vivendas que se conjugam muito bem com os terraços das montanhas florestadas do Taunus. A cidade goza de uma reputação mundial, devido aos seus festivais, congressos, tratamentos termais. Tem um opulento museu onde não faltam cerâmicas romanas, tapeçarias, esculturas medievais, peças etnográficas de grande valor, uma rica galeria de pintura. Os meus anfitriões levaram-me em primeiro lugar a Neroberg, uma colina bem florestada, não faltam magníficos jardins, piscinas termais e não termais, o passeio destinava-se a ir visitar a igreja ortodoxa russa que também é conhecida por capela grega, mas de facto é russa, serve de mausoléu à primeira mulher do Duque Adolfo de Nassau, ela chamava-se Elisabeth, era filha do Grão-Duque Miguel da Rússia, pertencia à família Romanov. A Grã-Duquesa morreu de parto, tinha 18 anos, repousa agora num túmulo de mármore ornado de 16 figuras dos apóstolos e das virtudes teologais. É proibido tirar fotografias no interior, tive de ir surripiar uma imagem, o iconóstase e o altar-mor são muito belos. A construção terminou em 1855.

Após uma refeição ligeira, descida para a cidade, o calor é sufocante, aproveitam-se todas as sombras, retiram-se as imagens possíveis, todos concordam em regressar a casa, fizemos bem amanhã vou cumprir um sonho da juventude, conhecer Heidelberg e o seu esplendor, por isso me despeço mostrando um pórtico de um castelo que já foi faustoso e ficou bem derruído naquelas guerras em que entraram exércitos de várias nações, tudo questões de família – o castelo de Heidelberg, entretanto, renasce em primorosas obras de conservação e restauro, como irei mostrar.

Uma das quatro fachadas da igreja ortodoxa russa em Neroberg, com cinco cúpulas bolbosas douradas
Túmulo da Grã-Duquesa Elizabeth Mikhailovna, no interior da igreja russa de Wiesbaden
Imagem retirada da Wikipédia, mostra o iconóstase desta igreja
Imagem de bilhete postal adquirido na igreja e que mostra o interior na atualidade
Três imagens da Igreja do Mercado, neogótica, luterana, construção de meados do século XIX
Fonte do Mercado no centro histórico de Wiesbaden, em frente ao Parlamento
Edifício histórico do início do século XX, uma fusão de estilos onde não falta a Arte Nova, sede do jornal dos tempos da preponderância prussiana e agora de um jornal regional
Edifício das termas do Imperador Frederico, construído entre 1910 e 1913, inspirado nas antigas termas romanas
Imagem de uma fonte termal em Wiesbaden
Repuxos para alegria das crianças em dia de canícula
Pórtico do castelo de Heidelberg, lembrança de tempos faustosos

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 5 de setembro de 2026 > Guiné 61/74 - P28324: Os nossos seres, saberes e lazeres (748): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (269): Ainda em Frankfurt, depois Wiesbaden, mas volto atrás, a Mainz - 4 (Mário Beja Santos)

sábado, 5 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28324: Os nossos seres, saberes e lazeres (748): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (269): Ainda em Frankfurt, depois Wiesbaden, mas volto atrás, a Mainz - 4 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 14 de Agosto de 2026:

Queridos amigos,
A memória já não é o que era, descurei umas imagens que guardei na câmara quanto ao passeio em Mainz, por mero acaso entrei num museu que tem uma certa grandiosidade e um património da presença romana nesta porção de território alemão que é invejável. Fica o registo do que vi e sonho voltar a ver a preceito. Concluo a viagem a Frankfurt, graças à minha maleita sou forçado a andar com conta peso e medida e sem dores graças ao paracetamol. Não é a primeira vez que mostro imagens desta catedral, ela dispõe de um património histórico-cultural incomum, era aqui que era eleito o imperador do Sacro Império Romano-Germânico, enquanto fiz os meus estudos de História, jamais associei porque se chamava ao imperador Carlos V e Carlos I de Espanha, isto para dizer que só bem tarde me apercebi da História deste Império que se extinguiu em tempos napoleónicos. À cautela, ao fim daquela tarde sobreaquecida meti-me no comboio e regressei a Idstein. O dia seguinte será igualmente precioso, reservado a Wiesbaden, estive cá o ano passado na ópera local vi uma inesquecível récita de A Flauta Mágica, de Mozart, mas não deu para ver a cidade e os seus encantos.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (269):
Ainda em Frankfurt, depois Wiesbaden, mas volto atrás, a Mainz - 4


Mário Beja Santos

Devido a uma certa desordem de imagens na câmara do meu telemóvel, permite-me voltar atrás, estou novamente na cidade de Mainz, escuso de dizer que o calor é sufocante, ninguém dá uma explicação clara do transporte até à igreja de Santo Estevão, vou palmilhando as ruas da cidade, dou com a fachada de um museu que não concorre em popularidade com o de Gutenberg, mas que é verdadeiramente opulento, entrei, uma amável rececionista brasileira bem me despertou o apetite para a visita neste edifício que foi uma caserna militar e que desde 1803 é o ex-libris de um património glorioso sobretudo da presença romana, há uma boa secção da pré-história, arte tumular medieval, pintura alemã dos séculos XVI em diante, não falta uma aguarela de Turner, outra de Signac e um belo Picasso de 1908. O suficiente para ter dito com sinceridade à estimável senhora que hei de voltar logo que puder. Voltemos então a Frankfurt.
Fachada do Landesmuseum, Mainz
Pablo Picasso, Cabeça de Mulher, 1908, Landesmuseum, Mainz
Detalhe do magnífico mosaico romano tendo no centro Orpheu a dedilhar a sua cítara, Lendesmuseum, Mainz
O altar-mor da Catedral de São Bartolomeu, Frankfurt
Sempre que visito esta catedral venho aqui deslumbrar-me com aquela que é para mim a mais emocionante escultura medieval, representa a morte de Maria, são inultrapassáveis as expressões de consternação e há aquele delicado, único, pormenor do anjinho a fechar um olho à mãe de Cristo, aqui me detenho também para concelebrar com os meus mortos.
Última ceia, parte do Altar de Santa Ana na Catedral de Frankfurt, obra dos inícios do século XVI
Era um ruidoso dia de festa no centro histórico de Frankfurt, bem procurei um ângulo que desse relevo à monumentalidade da catedral, julgo ser impossível, a 22 de março de 1944, uma vaga de bombardeamentos anglo-americanos destruiu o centro histórico e a mais velha estrutura medieval que existia na Europa, fez-se a reconstrução, focou-se na área vizinha da catedral, Frankfurt foi reconstruída, mas fora desta reconstrução é uma cidade insípida, só veio a ganhar carácter com os arranha-céus com que ficamos a saber que aqui é a sede do Euro, uma gigantesca praça financeira e estamos perto de um outro não menos gigantesco conglomerado, a Hoechst, da indústria química e farmacêutica. Suscitou-me a curiosidade de procurar um ângulo da agulha da torre com um desses edifícios magnificamente reconstruídos.
Digamos que se está no centro histórico de Frankfurt, chama-se Die Rõmer, na imagem da esquerda ao centro, o novo imperador do Sacro Império Romano-Germânico, conjuntamente com os sete príncipes eleitores, recebia em audiência as notabilidades; obviamente que estamos a ver duas imagens da praça com edifícios totalmente reconstruídos.
Outra imagem de Die Rõmer, vê-se a torre da igreja de São Nicolau
Outro pormenor da praça Die Rõmer
Como a minha memória já não é o que era, mesmo tendo num bolso um bloco de notas, aquele calor estonteante bulia-me com os nervos, só queria andar à sombra e beberricar da garrafa de água. Esta imagem é uma mera curiosidade de alguém que à cautela procura fixar os sítios por onde anda, no caso vertente a igreja de São Nicolau, sóbria, mas cheia de espiritualidade.
Altar-mor da igreja de São Nicolau
Ontem, andei por Frankfurt, hoje o passeio é a Wiesbaden, quem aqui me trouxe chamou-lhe igreja russa na verdade é uma igreja ortodoxa grega e tem por detrás uma história de amor, eu depois vou contar.

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 29 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28305: Os nossos seres, saberes e lazeres (747): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (268): Ainda a visitar Mainz, no dia seguinte em Frankfurt - 3 (Mário Beja Santos)

sábado, 29 de agosto de 2026

Guiné 61/74 - P28305: Os nossos seres, saberes e lazeres (747): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (268): Ainda a visitar Mainz, no dia seguinte em Frankfurt - 3 (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 13 de Agosto de 2026:

Queridos amigos,
O facto da Catedral de Mainz possuir um interior que não me enche as medidas de modo algum garantindo o peso patrimonial que possui, a começar pela arte funerária, peças belíssimas dos túmulos daqueles bispos que coroavam o Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, acresce os retábulos, o esplendor do púlpito, o podermos observar as etapas da evolução do gótico, do barroco, as múltiplas adições introduzidas no século XIX, até chegarmos aos importantes trabalhos de conservação e restauro depois da Segunda Guerra Mundial, e concluídos em 1975. No dia seguinte apanhei o comboio de Idstein para Frankfurt, depois o metro e sair na praça principal, onde se avista soberbos arranha-céus, são a prova eloquente desta cidade que é uma praça financeira de muito peso, sede do Banco Central Europeu e possuidora de um património histórico-artístico de valor incalculável. Por razões de saúde, vou palmiando lentamente à procura de novidades arquitetónicas, sempre na esperança de ganhar coragem de atravessar o Reno para visitar o mais importante museu da Alemanha, tal não acontecerá, mas deixarei provas do meu registo.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (268):
Ainda a visitar Mainz, no dia seguinte em Frankfurt - 3


Mário Beja Santos

Pretendo acrescentar umas notas sobre a visita que fiz à catedral de Mainz. Trata-se de uma basílica com mais de mil anos de história, onde relevam as marcas do românico, de diferentes fases do gótico, do barroco, de sucessivas adições do século XIX e alterações provocadas por bombardeamentos em 1942 e 1944, tudo conjugado as imagens que temos datam do acabamento das obras em 1975. Um templo de cinco naves, duas absides, torres magníficas. Se bem que este volumoso interior muito pouco me impressiona, há que reconhecer a considerável importância da Catedral no plano histórico em termos arquitetónicos, talvez nenhuma outra catedral alemã conserve tanta arte funerária, os túmulos dos arcebispos, dado que o arcebispo de Mainz fazia parte dos príncipes eleitores do Sacro Império Romano-Germânico, era mesmo a sede religiosa do Império. Mais de mil anos, porque foi catedral carolíngia, a planta que hoje disfrutamos arrancou na Idade Média, diga-se de passagem, que o património medieval melhor conservado é o do claustro, como aqui se mostra.
Pormenor do claustro medieval da Catedral de Mainz
Madona dos Peregrinos da Palestina, obra do final do século XV
Imagem tirada no claustro mostrando a torre mais elevada, passeando no jardim são bem visíveis as marcas dos estilhaços dos bombardeamentos
Um dos corredores do claustro com marcas funerárias de alguns dos arcebispos
Outra perspetiva da torre tirada do claustro medieval
O altar de Maria, século XVI, Catedral de Mainz
Portal do Mercado (séc. XII) da Catedral. As portas de bronze são da época de Willigis (c. 1000)
Duas perspetivas de uma das fachadas laterais da catedral tiradas da praça onde, no lado oposto, está o museu Gutenberg, que, infelizmente, não tive oportunidade de visitar. Juntei as duas imagens só para se ver o conjunto de adições que se embebem nas paredes da primitiva catedral
Um só exemplo do esmero arquitetónico que rodeia a praça da catedral. Aqui termina a visita a Mainz, regresso a Idstein, amanhã nova viagem de comboio para matar saudades de Frankfurt
Já no Guide Bleu de 1972 se falava da importância comercial industrial e de feiras desta vetusta cidade, posicionada na encruzilhada das principais rotas europeias, com bolsa desde o século XVI, também dessa época um importante centro bancário, depois da Segunda Guerra Mundial sede de feiras prestigiosas à escala mundial abarcando o livro, a química, o automóvel, a indústria farmacêutica, a aparelhagem elétrica e as ferramentas. Num bombardeamento em 1944 desapareceu a velha Frankfurt, era um dos maiores conjuntos medievais alemães. Há lugares fundamentais a visitar, dadas as dificuldades da minha saúde, tomei o metro à saída da gare principal de Frankfurt e encaminhei-me para a Catedral de São Bartolomeu. Pelo caminho vou encontrando recordações de famílias judaicas que habitaram pela cidade e que acabaram em fornos crematórios, em dado passo passei perto do cemitério judaico de cuja parede tem lembrança dos falecidos devido às perseguições nazis, ali perto do cemitério está o museu judaico, dado como historicamente muito importante, ficará para a próxima visita.
Esta imagem não é minha, é da Wikipédia, mostra claramente como a catedral está completamente afogada pelos edifícios circundantes, a foto foi tirada da outra margem do rio Reno
O novo órgão da Catedral de São Bartolomeu, impressionante até pelo seu aparato cénico. Entra-se na catedral pela porta lateral onde está um belo calvário, obra do início do século XVI. A catedral tem também uma grande importância histórica, era peça indispensável para a cerimónia da coroação imperial, tendo a nave a normalmente curta tem um transepto que permitia aos dignatários agrupar-se à volta do imperador e participar diretamente nas cerimónias, pois era no cruzamento do transepto que o bispo eleitor de Mainz coroava o novo imperador.
Retábulo gótico esculpido chamado Altar da Despedida dos Apóstolos, datado do século XVI
Capela onde se elegia o imperador do Sacro Império Romano-Germânico

Vamos continuar a visita em Frankfurt, está uma tarde muito quente, bem gostava de ter coragem de palmilhar até à margem do Reno, atravessar a ponte e encaminhar-me para um dos mais belos museus que conheço, o Museu Städel, considerado o mais importante da Alemanha, mais não fosse para estar um bom bocado em frente ao quadro O Geógrafo, de Vermeer, mas não me sinto capaz.
O Geógrafo, quadro de Vermeer, Museu Städel

(continua)
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Nota do editor

Último post da série de 22 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28281: Os nossos seres, saberes e lazeres (746): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (267): De Wiesbaden para Idstein, o Festival de Música do Reno no castelo de Johannisberg, visita a Mainz - 2 (Mário Beja Santos)