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quarta-feira, 25 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27857: Humor de caserna (251): O anedotário da Spinolândia (XXIII): "Não me tomem por periquito, car*lho, que de guerra venho eu farto" (ten cor Polidoro Monteiro, cmdt, BCAÇ 2861, Bissorã, e depois BART 2917, Bambadinca, 1970/72)

Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > BART 2917 (1970/72) > Centro de Instrução de Milícias > Da esquerda para a direita, em segundo plano, ten cor Polidoro Monteiro (comdt do BART 2917), gen Spínola e alf mil  Paulo Santiago (todos de óculos de sol).

Foto (e legenda): © Paulo Santiago (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Guiné >  Região do Oio > Bissorã > BCAÇ 2861 (1969/70) > 1970 > "À esquerda o alferes graduado  capelão Augusto Batista, à direita o ten cor inf Polidoro Monteiro (já falecido), cmdt do batalhão. Foto tirada em  dia de festa balanta,,, Por detrás,  a Casa Gardete, do comnerciante José Gardete Correia,m pai dio médico e deputado pelo círculo da Guiné Manuel Gardete Correia. No primeiro andar da Casa, então utilizada como quartos dos oficiais, a senhora que está à varanda era a esposa do capitão, comandante da CCS.

Foto (e legenda): © Armando Pires (2009). 
Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > Mato Cão > O ten Cor Polidoro Monteiro, último comandante do BART 2917, o alf mil médico Vilar e o alf mim at inf Paulo Santiago, instrutor de milícias, com um pequeno crocodilo  do rio Geba... O Polidoro Mondeira exibe a sua inconfundível faca de mato I(assinalada a amarelo)

Foto tirada em novembro ou dezembro de 1971 no Mato Cão, após ocupação da zona com vista à construção de um destacamento, encarregue de proteger a navegação no Geba Estreito e impedir as infiltrações na guerrilha no reordenamento de Nhabijões, um enorme conjunto de tabancas de população balanta e mandinga tradicionalmente "sob duplo controlo".

Foto: © Paulo Santiago (2006). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. O último comandante do BART 2917 (Bambadinca, 1970/72), João Polidoro Monteiro, infelizmente já falecido, merece ser aqui destacado, na série Humor de Caserna, subsérie O Anedotário da Spinolândia,  por ter ficado na  na nossa memória, pela sua liderança, pela sua personalidade, pelas histórias que deles se contavam, pela interação que teve com alguns de nós, malta da CCS/BART 2917, e subunidades de quadrícula, além da CCAÇ 12, Pel Caç Nat 53...

Eis alguma informação adicional sobre este oficial superior, conhecido como spinolista convicto, disciplinador, mas próximos dos soldados , justiceiro (deu uma porrada ao médico do batalhão!), grande operacional,  caçador... e garanhão que, na parada ou na caserna, fazia gala de usar o calão da tropa.  Nem todas as histórias se podem contar em público, mas aqui vão algumas, honrando a sua memória. (Tem duas dezenas de referências no nosso blogue; faleceu em 27 de dezembro de 2003.)


Armando Pires,
Monte Real, 2014
1. Armando Pires (ex-fur mil enf da CCS/BCAÇ 2861, Bula e Bissorã, 1969/70)

O ten cor João Polidoro Monteiro [JMP] veio, em 1970, diretamente de Moçambique, onde comandava a Guarda Fiscal, para Bissorã, comandar o meu batalhão, o BCAÇ 2861, em substituíção do ten cor César Cardoso da Silva.  

Em dezembro de 1970,  o BCAÇ 2861 regressou a Portugal, terminada a comissão. Foi nessa altura que JPM foi comandar o BART 2917, com sede em Bambadinca.

(...) Estou a vê-lo, ao Polidoro, galões reluzentes sobre um camuflado acabadinho de saír do Casão Militar, olhos protegidos pelas lentes escuras de uns inevitáveis Ray-Ban, pingalim tremelicando na mão direita, voz forte e decidida advertindo a força em parada:

 Não me tomem por periquito, que de guerra venho eu farto.

Depois, a ordem que obrigava todos os militares a andarem devidamente fardados e ataviados quando não em serviço (???).

Se esta não fosse já um mimo, a cereja em cima do bolo veio de seguida. Íamos fazer exercícios de protecção ao aquartelamento. Poupo-vos ao relato e consequências, embora fossem de ir às lágrimas.

Já mais tarimbado na função, o Paulo Santiago, ex-comandante do Pel Caç Nat 53, aqui nos relatos da Tabanca Grande mostra-o, ao Polidoro, numa foto  tirada nas margens do Geba, ali no Mato Cão, exibindo um magnífico troféu de caça.

Com a mais respeitosa vénia ao Santiago, recoloco aqui a tal foto, ao lado de uma outra tirada por mim, em Bissorã, pedindo-lhes que descubram a semelhança. 

Hum!!! Já viram? Reparem outra vez… olhem bem… não deram por ela?... 

É a Faca de Mato, caramba! Ali, sempre pendurada no ombro direito.


´
David Guimarães,
Guiné-Bissau, 2001

2. David Guimarães (ex-fur mil art Art Minas e Armadilhas, CART 2716/BART 2917, Xitole, 1970/72)

(...) A CART 3492 (Xitole, Janeiro de 1972/Março de 1974) foi exactamente a Companhia que rendeu a CART 2716 a que eu pertenci e fomos nós que fizemos a sobreposição...

(...) Um dia o Comandante do BART 2917, já na sobreposição, apareceu no Xitole. O Luís Graça e o Humberto Reis conheciam-no. Era o ten-cor Polidoro Monteiro... Conto-vos uma peripécia passada com ele.

Perguntava eu, bem perfilado, ao Polidoro Monteiro:

 Meu comandante, a nossa missão é ir ensinar o caminho a esta gente...Proponho que ensinemos o início dos caminhos por onde passamos tantas vezes....

Resposta:

− Vai-te f*der, seu car*lho, quero que lhes ensinem a toca....

Deu em riso, como é evidente....

O Polidoro Monteiro foi o único tenente-coronel que usava arma e eventualmente percorria um pedaço de caminhos connosco... Gostava muito de passear no Xitole, pois de manhã gostava de ir até Cussilinta, ao banho, no Corubal,  e à noite ir à caça às lebres que iam para junto da mancarra (amendoím], na Tabanca de Cambessé, à guarda do aquartelamento do Xitole....

Sempre vi nele um bom militar e era da inteira confiança de Spínola.... Aliás ele era tenente-coronel de infantaria e foi colocado por Spínola em Bambadinca para ir comandar o BART 2917, em substituição do  ten-cor art Magalhães Filipe, que era o comandante inicial do Batalhão (...).

A gota de água para retirar o comando ao Magalhães Filipe foi a operação na Ponta do Inglês onde morreu aquela secção do Cunha [da CART 2716, do Xime]... 

Quem merecia a porrada  [o maj art Anjos de Carvalho, 2º cmdt do BART 2917, já falecido]... acabou por não a apanhar (...).

Ainda sobre o Polidoro Monteiro... Um dia ele manda um rádio para o Xime com a seguinte nota: 

"Dois pelotões formados às 5.30 para sair com CMDT" (...).

 O Polidoro Monteiro chama o condutor de dia e percorre,  sem qualquer escolta,  aquele caminho de Bambadinca ao Xime, a alta velocidade... 

Resultado: 10 dias de prisão para o alferes que exercia as funções de 2º Comandante, e 10 de detenção para outro alferes... É que eles nunca se fiaram que àquela hora ele aparecesse lá e como tal não estavam prontos como ele mandara....

Luís Graça e Humberto Reis: vocês já não estavam lá, creio, mas que isto se passou, passou... O Polidoro era assim, um bom comandante, a nível operacional... Dizia quantas asneiras havia no dicionário... Muito operacional mas bom sujeito... Vocês conheceram-no ainda (...).



Paulo Santiago,
Pombal, 2007
3. Paulo Santiago  (ex-al mil at inf, cmdt do Pel Caç Nat 53, Saltinho, 1970/72)

 (...) Acontece,algumas vezes, aparecerem postes que mexem comigo. Precisando:  emocionam-me. É o caso de hoje, com este poste do camarada Armando Pires,que entrou, em grande forma, para a Tabanca. 

Não é por causa da foto, onde apareço abrindo a boca do anfíbio bicharoco; não, o que me tocou mais fundo foi a recordação do Polidoro, pessoa que nunca mais encontrei após a minha saída de Bambadinca. 

Todos sabeis, já o escrevi várias vezes, o ten-cor Polidoro Monteiro foi talvez o  oficial superior, melhor dizendo,  foi o único oficial superior que me mereceu respeito, e conheci vários. 

Estes vários que conheci, majores, tenentes-coronéis, quando íam ao Saltinho (é um exemplo) utilizavam o heli, nada de ir em colunas, havia o pó e outras merdas mais complicadas... E aqui começa a diferença... Conheci o Polidoro, não em Bambadinca, conheci-o (e também ao Vacas de Carvalho)... no Saltinho, onde chegaram e de onde partiram numa coluna com o trajecto  Bambadinca-Mansambo-Xitole-Saltinho e depois o trajecto inverso. 

Não sei a razão, mas em Bambadinca, havia, como dizer?, uma certa cumplicidade entre mim e o Polidoro.  Entendíamo-nos muito bem, já o mesmo não acontecia com o 2º comandante, o [major art] Anjos de Carvalho, um militar emproado, bom para andar na parada, esperando ver um militar com menos atavio, ou que se esquecesse da continência, para de imediato lhe foder a vida.

Agora a foto. Quem era o comandante de batalhão que se metia num sintex e descia o Geba Estreito até Mato Cão? Só o Polidoro...e ficou lá a dormir nos buracos com o pessoal do Pel Caç Nat  63. 

Aquela faca no ombro direito, de que fala o Armando, é sua imagem de marca, julgo que nunca vi o Polidoro com outra farda que não fosse o camuflado, raramente com galões, contrariamente ao 2º comandante que sempre vi de calções, meia alta e respectivos galões.

Agora vou "entrar" com o Armando quando cita aquela apresentação do Polidoro ("Não me tomem por periquito que de guerra venho eu farto").  

Oh Armando,  não terá sido assim: 

− Car*lho..., não me tomem por periquito que de guerra venho eu farto ?!

Ou assim: 

− Não me tomem por piriquito, car*lho..., de guerra venho farto ?!

Agora, ainda a propósito da foto, reparem no outro personagem, o alf mil médico Vilar, ja "completamente apanhado" na altura (e hoje... psiquiatra). Olhem para a arma que ele segura: é uma carabina de caça 22...Não é que ele lhe acoplou aquela imensa baioneta (comprada na Feira da Ladra) de uma Kropatschek ?! (...)


4. Comentário do editor LG:

Companhias de quadrícula do BART 2917 (Bambadinca, Setor L1, maio de 1970/março de 1972, ) (comandado por ten cor art Domingos Magalhães Filipe,  e depois por ten cor inf João Polidoro Monteiro):

(i) CART 2714, sita em Mansambo (Cap art José Manuel da Silva Agordela); 

(ii) CART 2715, sita no Xime (Cap art Vitor Manuel Amaro dos Santos, 1944-2014; alf mil  art José Fernando de Andrade Rodrigues;  cap art Gualberto Magno Passos Marques; cap inf Artur Bernardino Fontes Monteiro; cap inf  José Domingos Ferros de Azevedo)

(iii) CART 2716, sita no Xitole (Cap mil art Francisco Manuel Espinha de Almeida) (...).

(Seleção, revisão / fixação de texto: LG)
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Nota do editor LG:

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Guiné 61/74 - P27767: Fauna e flora (26): O crocodilo-do-Nilo nos "nossos" rios (Geba, Cacheu, Corubal...) - Parte I

Foto nº 1 > Guiné-Bissau > Região do Oio > Farim > 7 de junho de 2022 > Crocodilo-do-Nilo (Lagarto, em crioulo) (Crocodylus nilotcus)... Está protegido por lei... Pode atingir os 7 metros de comprimento... e atacar o homem.

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2022). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº 2 > Guiné- Bissau > Região de Biombo >  s/l  > s/d  (c-. 2009) > O crocodilo da Praia do Biombo 

Foto (e legenda):  © Patrício Ribeiro (2009). Todos os direitos reservados.[Edição e legendagem complementar Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


Foto nº 3 > Guiné-Bissau > Região do Cacheu > São Domingos > Novembro de 2015 > Captura de dois crocodilos "assassinos" no rio Cacheu... Um deles foi exposto numa árvore, juntando uma multidão de curiosos...

Foto (e legenda): © Patrício Ribeiro (2015). Todos os direitos reservados. .[Edição e legendagem complementar Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

Foto nº 4 > Guiné > Zona leste >  Região de Bafatá > Sector L1 > Bambadinca > Mato Cão > O ten cor Polidoro Monteiro, último comandante do BART 2917 (1970/72), o alf mil médico Vilar (popularmente conhecido como o "Drácula", mais tarde psiquiatra) e o alf mil Paulo Santiago, cmdt do Pel Caç Nat 53 (Saltinho, 1970/72) e depois instrutor de milícias (no CIM de Bambadinca) com um crocodilo juvenil do rio Geba Estreito...
 
Foto tirada em novembro ou dezembro de 1971 no Mato Cão, após ocupação da zona com vista à construção de um destacamento, encarregue de proteger a navegação no Geba Estreito e impedir as infiltrações na guerrilha no reordenamento de Nhabijões, um enorme conjunto de tabancas de população balanta e mandinga tradicionalmente "sob duplo controlo".

O Polidoro Monteiro, já falecido, gostava de caçar. Incluindo à noite, utilizando os faróis do jipe, na orla da pista de Bambadinca. Lembro-me dele como tendo sido o único oficial superior que andou connosco (CCAÇ 12), a penantes no mato (pelo menos, uma vez, quando se foi inteirar dos seus domínios, o sector L1; veio de Bissorã e era considerado um spinolista, mesmo sendo de infantaria).

Foto (e legenda): © Paulo Santiago (2006). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar; Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


1. Na Guiné, no meu tempo (1969/71), a malta não tomava banho à vontade nos rios, por muitas razões, a começar pelas de saúde e segurança... E, claro, o medo de répteis em geral e crocodilos, em particular... Herpetofobia, é o palavrão...

Sabemos que não havia "jacarés" em África (só no Novo Mundo), mas os crocodilos estavam no nosso imaginário quando lá chegávamos... Para o "tuga", crocodilo ou jacaré era tudo o mesmo... 

Parece que o Crocodylus niloticus sofreu uma redução drástica, na África Ocidental, desde há dois séculos, com o colonialismo e a pressão humana (caça, procura da pele, redução do habitat, poluição, etc.). E terá desaparecido de muitos rios da África Subsaariana.

Mas será que ainda havia crocodilos em todos os rios da Guiné, no nosso tempo? Os restos mortais dos nossos infortunados camaradas que caíram ao rio Corubal, em Cheche, terão sido também devorados por crocodilos? Há relatos, no blogue, de cadáveres que foram recuperados (no Geba e no Corubal), parcialmente mutilados...

Em anos mais recentes, o rio Cacheu tem sido notícia por más razões, as do eterno conflito entre a vida selvagem e as comnunidades humanas ribeirinhas... 

No rio Cacheu um habitat de crocodilos de grande porte, tem sido reportados e documentados ataques esporádicos daqueles réptéis, quer pelos habitantes da região quer pela imprensa de Bissau. E pelo nosso Patrício Ribeiro, o "tuga" que melhor conhece a Guiné (vd. fotos nºs 1, 2, e 3).

Por outro lado, os rios da Guiné, de águas barrentas e margens indefinidas (no tempo das chuvas), metiam respeitinho, sobretudo quando a malta fazia uma "cambança" de canoa... Cair-se ao rio era quase morte certa...

Enfim, vamos ver o que as diferentes ferramenta de IA nos dizem a respeito destes bichos feios e predadores, mas raramente visíveis por nós (ambos, "criaturas de Deus", diria o São Francisco, que nunca deve ter visto a mandíbula de um crocodilo-do-Nilo). 

Tal como os hipopótamos, que os havia no rio Corubal, no meu tempo (1969/71)... Mas esses faziam-se notar à distância, pelos seus urros... 

Comecemos por este "juvenil" de crocodilo da foto nº 4, freguês do Mato Cão, onde fomos muitas vezes (e onde, depois em finais de 1971/princípios de 1972, será montado um destacamento, por onde passaram alguns dos nossos grão-tabanqueiros). 

Confesso que nunca lá vi nenhum crocodilo, no Mato Cão. Nem tinha nem vagar para os observar. Mas o crocodilo era como o "Zé Turra", hábil no engenho e na arte de se camuflar e furtar ao contacto do "Zé Tuga", mesmo que estes dois pertencessem à mesma Ordem, a dos Primatas, e à mesma Espécie, a do Homo Sapiens Sapiens. A espécie que está no topo dos grandes predadores.


Pergunta à IA:  Crocodylus niloticus ou Osteolaemus tetraspis ? Juvenil, apanhado em 1971 no rio Geba Estreito, no Mato Cão (sujeito às marés, logo, água salgada) (foto nº 4)


Responde  a "menina IA"  ( europeia,  Le Chat / Mistral):

A espécie de crocodilo na imagem, apanhada em 1971 no rio Geba Estreito (Mato Cão, Guiné-Bissau), e que o nosso Paulo  Santiago segura, pela mandíbula superior, é quase certamente um Crocodylus niloticus, o crocodilo-do-Nilo.

Razões:
  • Distribuição geográfica: o Crocodylus niloticus é comum em toda a África subsaariana, incluindo a Guiné-Bissau, enquanto o Osteolaemus tetraspis (crocodilo-anão) tem uma distribuição mais restrita, principalmente em florestas tropicais da África Ocidental e Central, mas é raro ou ausente em habitats como o rio Geba, que é influenciado por marés.
  • Tamanho e morfologia: mesmo sendo um juvenil, o corpo alongado e a forma da cabeça são mais consistentes com o Crocodylus niloticus; o Osteolaemus tetraspis tem um focinho mais curto e largo, e é geralmente menor, mesmo em idade adulta.
  • Habitat: o Crocodylus niloticus é adaptado a rios, lagos e estuários, enquanto o Osteolaemus tetraspis prefere águas mais calmas e florestais.
  • Contexto histórico: durante a Guerra Colonial Portuguesa (1961-74), era comum os soldados entrarem em contacto com a fauna local, incluindo crocodilos, especialmente em zonas ribeirinhas como o Geba ou o Cacheu.

2. Distinção entre "lagarto" e "lagarto preto"

Ficha técncia: Crocodilo-do-Nilo ("Lagarto", em crioulo) (Crocodylus nilotcus) (pág. 28)

"Lagarto preto", em crioulo  (Osteolaemus tetraspis) (pág. 28), Também conhecido na África Equatorial como crocodilo-anão.

Fonte: República da Guiné-Bissau, Direcção Geral dos Serviços Florestais e Caça, Departamento da Fauna e Protecção da Natureza, s/l, 34 pp. s/d (Disponível em formato pdf, aqui, no sítio do IBAP , https://ibapgbissau.org/Documentos/Estudos/Animais%20da%20Guine-Bissau.pdf)


3. Comentou o Paulo Santiago, em complement0o da legenda da foto nº 4:

"Quem avistou o réptil, a caminho do Mato Cão, foi o soldado que conduzia o Sintex. Parou e o Vilar deu-lhe um tiro com a .22 que tinha aquela "enorme" baioneta acoplada. 

"Notou-se o animal acusar o tiro. O "barqueiro" aproxima o bote, o crocodilo tem ferimento num dos membros, abre a boca e o Vilar enfia-lhe a baioneta na goela. O bicho fecha a boca, abana a cabeça, e o futuro psiquiatra quase mergulha...

"Valeu-lhe o ten-cor Polidoro Monteiro que enfiou uma bala 7,62 na cabeça. Chegados ao destacamento, o Vilar pediu a um balanta para esfolar o bicho. Fizeram uns 'bifes' da cauda, dos quais não comi nenhum.

"Eu e o Vilar regressámos a Bambadinca com a subida da maré. O comandante Polidoro ficou no destacamento e, como acontecia várias vezes, houve flagelação ao anoitecer".

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026 às 19:36:27 WET

(Continua)
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Nota do editor LG:

Último poste da série > 6 de fevereiro de 2026 > Guiné 61/74 - P27709: Fauna e flora (25): Uma píton-africana ou irã-cego (Python sebae), "papada com esparguete" pelos "abutres de Cabuca (2ª CART / BART 6523 /73, 1973/74)

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Guiné 61/74 - P25011: Efemérides (424): Há dois anos que partiu o nosso amigo e camarada Jorge Cabral (1944-2021) (Paulo Santiago, Águeda)


Foto nº 1


Foto nº2

Foto (e legenda): © Paulo Santiago  (2021). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1. Foi há dois anos, em 28 de dezembro de 2021, que deixou a Terra da Alegria o nosso camarada e amigo, Jorge Cabral. Tinha acabado de fazer 77 anos. O Paulo Santiago recordou esse dia triste na sua página do Facebook e publicou duas fotos com ele.


Postagem do Facebook do Paulo Abrantes Santiago | 28 de dezembro de 2021 | 21:39

JORGE ALMEIDA CABRAL...

O meu amigo/camarada Cabral morreu hoje após uns meses de sofrimento.

Sentia uma especial ligação ao Jorge, ligação que teria origem no facto de ambos termos comandado Pelotões de Caçadores Nativos, ele o 63 eu o 53.

Nos últimos anos,juntamente com outros camaradas, almocámos várias vezes em Lisboa e arredores.
Apareceu o cancro,os nossos contactos passaram a ser via telemóvek, o último na passada 5ª feira, e a voz já pressagiava o fim.

DESCANSA EM PAZ JORGE CABRAL.

Na 1ª foto o Cabral à direita, camisa branca com riscas

[ao seu lado eswuerrdo, o Armando Pires, em frente, o J. L. Vacas de Carvalho, o filho do ex-ten cor inf João Polidoro Monteiro, que comandou, entre outros, o BART 2917, Bambadinca, 1970/72;  e o Paulo Santiago] (LG)
 

Na 2ª foto o Cabral à esq, ao centro de camisola azul [ao seu lado direto, o Armando Pires e do lado esquerdo, o Paulo Santiago; em frente do Armando Pires, o Carlos Matos Gomes: ao lado deste, um camarada, que não identificamos] (LG)
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Nota do editor:

Último poste da série > 25 de dezembro de 2023 > Guiné 61/74 - 25001: Efemérides (423): Foi há dois anos, em 28/12/2021, que o "alfero Cabnal" deixou o "palco da vida"... Foi ele quem disse, respondendo a uma pergunta do puto Sitafá, que o "Natal só existe quando mora no mais fundo de nós"...

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Guiné 61/74 - P21306: Memórias cruzadas na região do "Macaréu" (Bambadinca) em 1971: a realidade e a ficção (Jorge Araújo)

Foto 1 – Guiné > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca (1970) - Vista aérea da tabanca de Bambadinca tirada no sentido sul-norte. Em primeiro plano a saída (lado leste) do aquartelamento, ligando à estrada (alcatroada) Bambadinca-Bafatá (para leste); Bambadinca-Xitole/Saltinho (para sul) e Bambadinca-Xime (para oeste). Ao fundo, o Rio Geba Estreito [foto do álbum de Humberto Reis, fur mil op esp da CCAÇ 12 (1969/1971)], com a devida vénia.
 

Foto 2 –  Guiné > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca (1972) >  BART 2917 (25Mai70-27Mar72) > Bambadinca; Carreira de Tiro, Março de 1972. Da direita para a esquerda: na primeira fila, o TCor Tiago Martins (Cmdt do BART 3873), o General Spínola, e o TCor Polidoro Monteiro (Cmdt do BART 2917). Atrás, na segunda fila, o Paulo Santiago (Alf mil PCNAT 53, Saltinho, 1970/72, de bigode e ósculos escuros) e o antigo administrador de Bafatá, o então intendente Guerra Ribeiro – P11288. [Foto do álbum de Paulo Santiago], com a devida vénia.


O nosso coeditor Jorge Alves Araújo, ex-Fur Mil Op Esp/Ranger,CART 3494 (Xime e Mansambo, 1972/1974), professor do ensino superior; vive em, Almada: acaba de regressar de Abu Dhabi, Emiratos Árabes Unidos, onde foi "apanhado" durante vários meses pela pandemia de Covid-19; tem mais de 260 registos no nosso blogue.
  
MEMÓRIAS CRUZADAS
NA REGIÃO DO "MACARÉU" (BAMBADINCA) EM 1971
- O EXERCÍCIO DE COMPREENDER A REALIDADE E A FICÇÃO 

1.     - INTRODUÇÃO

A contextualização da presente partilha de informação, como pode depreender-se do seu título, tem por cenário uma parcela do território da Guiné, situada na Região Leste (Sector L1), de nome Bambadinca (foto 1), local onde durante dois anos da minha missão ultramarina, na qualidade de miliciano do exército (1972/1974) passei por diversas experiências, entre elas a do "macaréu" (10Ago72; hoje memórias), que, quando cruzadas com outras, nos permitem compreender melhor as diferenças existentes entre "verdade" e "ficção".

Por outro lado, a ideia de colocar no papel uma nova reflexão sobre alguns "factos" relacionados com aquela região, de que tivéramos conhecimento por leituras que foram acontecendo, data do ano de 2016, como iremos dar conta no ponto seguinte.

2.     - O LIVRO DE AL J. VENDER

Mais ou menos há quatro anos, um familiar (dos mais próximos) ofereceu-me o livro «Portugal e as Guerrilhas de África. As guerras portuguesas em Angola, Moçambique e Guiné Portuguesa 1961-1974», da autoria de Albertus Johannes Venter, identificado por AL J. Venter, um conhecido jornalista de guerra, nascido a 25 de Novembro de 1938, em Kroonstad, a sul de Pretória, portanto sul-africano, e que é considerado internacionalmente como "um veterano na cobertura de conflitos em África e no Médio Oriente".


O meu familiar, ao ter a intenção de me oferecer "algo" (já não sei a que propósito), encontrou na expressão "um testemunho surpreendente do único jornalista estrangeiro presente nas três frentes da Guerra Colonial", a opção por esta sua escolha, uma vez que sabia que a temática da «Guerra Colonial» ou «Guerra do Ultramar», conteúdo historiográfico abordado nesta obra, era uma das áreas do meu interesse pessoal, concomitante com o facto de ter sido ex-combatente na Guiné, como já referi.

Entretanto, só passados alguns dias me foi possível folhear o livro, iniciado, por defeito ou virtude (técnica) da prática profissional, pelo índice. Aí encontrei, desde logo, na página 245, o início da Parte II «A Guerra na Guiné Portuguesa», estruturada entre os pontos 12 e 20, ou seja, das páginas 247 a 372.

Chamou-me a atenção o ponto 17. «Guiné Portuguesa: Norte e Leste de Bissau», com início na página 309. Mas foi na página 322 que o meu foco se fixou, naturalmente, por tratar-se de uma referência a Bambadinca, onde é citado o lema «BRAVOS E SEMPRE LEAIS», curiosamente o mesmo do meu Batalhão [BART 3873] – Bambadinca: Fev72-Mar74 – por ser a divisa da Unidade Mobilizadora: o RAP 2 (Regimento de Artilharia Pesada 2), e não a divida do BART 2917, que era «P'LA GUINÈ E SUAS GENTES», como se pode observar no ponto 3.2.

Li, reli e voltei a ler, para me certificar do que estava a entender da narrativa. Mas não queria acreditar, por experiência feita e por muitas leituras já realizadas na minha continuada investigação. Não tive dúvidas!… Estava perante uma "fraude" intelectual e histórica. Grande parte do conteúdo do "conto" não podia ter acontecido… dizia eu em voz alterada para os "meus botões". Era (é) uma gigantesca «ficção» que não só descredibiliza o autor como põe em causa o valor histórico, logo científico, do "objecto" divulgado e que, não raras vezes, é utilizado (citado) na elaboração de trabalhos académicos, como iremos sinalizar de seguida.

2.1       - FACTOS ERRÓNEOS

Para melhor esclarecimento e posterior análise dos "factos erróneos", contidos na narração a que tivemos acesso, reproduz-se na íntegra o seu conteúdo, retirado da página 322, onde consta:

"Em Bambadinca ficava o quartel-general do tenente-coronel João Monteiro [João Polidoro Monteiro], chefe do Batalhão 2917 [BART 2917; de 25Mai70 a 27Mar72] (lema: «Bravos e Sempre Leais», do RAP 2, Unidade mobilizadora); [divisa da Unidade: «P'la Guiné e suas Gentes». O Aquartelamento situava-se num dos poucos rios do interior onde não se fazia sentir a humidade usual da região costeira pantanosa.

A Base controlava [?] uma área que incluía a confluência dos rios Geba e Corubal, outra parte do país que vira muitos confrontos violentos no período anterior a 1968 [triângulo: Bambadinca-Xime-Xitole].

O Último ataque ocorrera exactamente um ano antes de eu chegar [só podia ter sido em 1970]: um grupo infiltrado tinha-se dirigido para norte do outro lado da fronteira a partir de Kandiafara para tentar cortar e minar a estrada de Bafatá. Num final de tarde, os guerrilheiros atacaram Bambadinca a partir do outro lado do rio [?], retirando-se depois para uma posição pré-determinada, onde esperaram pelo dia seguinte antes de se juntarem a outros dois grupos. Esta força combinada iria atacar outras posições durante o assalto [?].

Foi então que algo correu mal. Um grupo de pisteiros do grupo de ataque colidiu com uma das patrulhas do coronel [João Polidoro] Monteiro [Cmdt do BART 2917] e foi capturada[o] intacta[o], sem ter sido disparado um único tiro. Um dos homens era um alto oficial do PAIGC [?]. Os quatro homens foram levados de helicóptero para Bambadinca, onde foi oferecida ao oficial a opção de contar tudo ou aceitar as consequências. Era uma situação sem saída, e o rebelde foi suficientemente inteligente para aceitar.

E foi assim que o general Spínola teve todo o plano de batalha [?] dos guerrilheiros nas suas mãos nessa mesma manhã…"



2.2       - CONTRIBUTOS PARA O CONTRADITÓRIO

Na sequência das várias leituras que fiz aos diversos temas abordados ao longo da obra acima citada, procurei encontrar outras perspectivas que me ajudassem a aliviar "a revolta" que então senti pela imprudência (ou desfaçatez) de tanta "ficção".

◙ Vejamos as principais:

▬ No circuito comercial:

Em "Opinião dos Leitores", Miguel da Costa (04.01.2016) dizia: "Um livro fundamental, escrito por um jornalista credível…Recomendo Vivamente".



▬ Nas redes sociais:

No Blogue "Herdeiro de Aécio", com mais de dois milhões e meio de visualizações, em 16 de Outubro de 2018, o seu editor, A. Teixeira, escreve:




▬ Em trabalhos académicos:





[…]
"Bem ou mal, a história militar da Guerra Colonial Portuguesa está feita (Venter [,Al J.], 2015 [Portugal e as Guerrilhas de África. …]; Afonso & Gomes, 2010; Garcia, 2010; Teixeira, 2010; Leite, 2009; Rebocho, 2009; Brandão, 2008; Garcia, 2006; Cann [John], 2005; Bacelar, 2000)." […] (p 96)

▬ No Blogue da «Tabanca Grande»:

Durante a pesquisa realizada ao espólio fotográfico do blogue, visando a selecção de algumas imagens de Bambadinca para enquadramento deste trabalho, foi com surpresa (e ainda bem!) que encontrei no P17378 (19Mai2017), na série «Notas de leitura», da responsabilidade do camarada Beja Santos, uma análise ao mesmo livro de Al J. Venter "Portugal e as Guerrilhas de África", bem como um conjunto de "comentários" que vieram mesmo a calhar nesta minha narrativa, a saber:

● [Luís Graça] – (i) O referido ataque a Bambadinca foi a 28/5/1969 (ou "flagelação", segundo a história da unidade...), estavas tu em Missirá e eu a chegar a Bissau no "Niassa", ainda deu no dia 2 de junho'69, ao passar por lá, vindo de Bissau a caminho de Contuboel, para ver os estragos (relativamente poucos...) mas sobretudo sentir as reações e emoções da malta da CCS/BCAÇ 2852 e subunidades adidas...

(ii) Nunca ouvi esta versão do Al J. Venter / Domingos Magalhães Filipe, ou a melhor a versão contada pelo comandante do BART 2917 (que rendeu o BCAÇ 2852) e registada pelo escritor sul-africano... Será que o inglês do Magalhães Filipe e o português do Venter eram assim tão maus?

(iii) Parece que alguém está a delirar... ou trocou as cassetes... Recorde-se que o BART 2917 chegou a Bambadinca em finais de maio de 1970...

(iv) O Venter deve, portanto, ter falado, talvez em junho ou mesmo princípios de junho de 1970, com o então TCor Art Domingos Magalhães Filipe, que irá ser substituído pelo famoso TCor inf Polidoro Monteiro [situação verificada somente em meados de Dez70, vindo do BCAÇ 2861 (11Fev69-07Dez70), na sequência da conclusão da comissão desta Unidade].

(v) Em conversa há dias [Maio2017] com o Fernando Calado, que foi alf mil trms da CCS/BCAÇ 2852 (1968/70), ele transmitiu-me a seguinte versão dos factos que, de resto, podem ser corroborados pelo Ismael Augusto, outro oficial miliciano da CCS, ambos membros da nossa Tabanca Grande:

■ O relato do escritor sul-africano Al J. Venter é uma falsificação da história;

■ Não houve prisioneiros nenhuns, nem muito menos nenhuma figura grada do PAIGC, e nem muito menos apanhados à mão e trazidos de helicóptero para Bambadinca para serem interrogados;

■ O comandante do BCAÇ 2852 não estava em Bambadinca nem ele nem a esposa.

◙ Em resumo:

▬ 1. - No caso do jornalista sul-africano Al J. Venter ter passado por Bambadinca, a sua visita só poderia ter sido durante o ano de 1971.

▬ 2. - No período em análise não aconteceram quaisquer dos factos "classificados de relevantes" para as NT, narrados na página 322 do seu livro.

▬ 3. - O TCor João Polidoro Monteiro comandou o BART 2917 durante quinze meses, desde a sua chegada a Bambadinca, em meados de Dezembro de 1970 até à sua substituição, verificada em meados de Março de 1972, pelo TCor António Tiago Martins (1919-1992), Cmdt do BART 3873 (28Dez71-04Abr74).

▬ 4. - A maioria dos depoimentos, conforme se infere do acima exposto, são de opinião de que Al J. Venter prestou um mau serviço à causa da "ciência historiográfica" ao narrar "factos" que não constam em nenhum dos Documentos Oficiais, pelo que se pode concluir que "falsificou a história" da «Guerra Colonial», em particular a da Guiné.

▬ 5. - Em função do ponto anterior, sugere-se à «Academia» e à sua comunidade científica, no caso de vir a utilizar este recurso bibliográfico, que tome as devidas precauções, cruzando-o com outras fontes em que se possa confiar.

▬ 6. - É relevante o facto deste livro fazer parte do "Plano Nacional de Leitura"…

3.     – SUBSÍDIO HISTÓRICO DO BATALHÃO DE ARTILHARIA 2917 = BAMBADINCA - XIME - ENXALÉ - MANSAMBO - XITOLE (1970-72)



Foto 3 – Guiné > Região de Bafatá > Setor L1 > Bambadinca > Mato Cão > Dez'71 > O TCor João Polidoro Monteiro, último Cmdt do BART 2917 (1970/72), na companhia do Alf Médico Vilar e do Alf Mil Paulo Santiago, instrutor de milícias, com um jacaré do rio Geba – P9034. [Foto do álbum de Paulo Santiago], com a devida vénia.


3.1 - A MOBILIZAÇÃO PARA O CTIG

Mobilizado pelo Regimento de Artilharia Pesada 2 [RAP 2], de Vila Nova de Gaia, para servir na província ultramarina da Guiné, o Batalhão de Artilharia 2917 [BART 2917], liderado pelo TCor Art Domingos Magalhães Filipe, mais as suas três Unidades de quadrícula – CART 2714, CART 2715 e CART 2716 – embarcaram em Lisboa, no Cais da Rocha, em 17 de Maio de 1970, domingo, seguindo viagem a bordo do N/M "CARVALHO ARAÚJO", rumo à Guiné (Bissau), onde chegaram a 25 do mesmo mês, 2.ª feira. 



3.2 - SINTESE DA ACTIVIDADE OPERACIONAL

● A DO BART 2917

Quatro dias após a sua chegada a Bissau, o BART 2917 seguiu, em 29Mai70, para Bambadinca, a fim de efectuar a sobreposição e render o BCAÇ 2852 [30Jun68-16Jun70; do TCor Inf Manuel Maria Pimentel Bastos (1.º); TCor Cav Álvaro Nuno Lemos de Fontoura (2.º) e TCor Inf Jovelino Moniz de Sá Pamplona Corte Real (3.º)], assumindo em 07Jun70 a responsabilidade do Sector L1, com sede em Bambadinca e abrangendo os subsectores de Xime [CART 2715], Xitole [CART 2716] e Mansambo [CART 2714] e Bambadinca [CCS e Cmd].

As suas três subunidades mantiveram-se sempre integradas no dispositivo e manobra do Batalhão. Desenvolveu intensa actividade operacional, tendo comandado e coordenado a realização de diversas operações, patrulhamentos, emboscadas e protecção e segurança dos itinerários e ainda promovendo a segurança e protecção dos trabalhos de construção de aldeamentos para as populações e correspondente desenvolvimento socioeconómico.

Da sua actividade destacam-se, entre outras, as operações «Corrida Entusiástica» e «Triângulo Vermelho», e ainda a organização e funcionamento do Centro de Instrução de Milícias [CIM], bem como a captura de diverso material de guerra, como sejam duas metralhadoras ligeiras, uma espingarda, um lança-granadas foguete, quinze granadas de armas pesadas, cinco minas e elevada quantidade de munições de armas ligeiras.

Em 15Mar72, o BART 2917 foi substituído no sector de Bambadinca pelo BART 3873 [Dez71-Abr74] e recolheu seguidamente a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso, que aconteceu entre os dias 24 e 27 de Março de 1972, a bordo dos TAM. (Ceca; p. 228).



● A DA CART 2714

A CART 2714, do Cap Art José Manuel da Silva Agordela, seguiu em 29Mai70 para Mansambo a fim de efectuar a sobreposição e render a CCAÇ 2404 [30Jul68-16Jul70; do Cap Mil Inf Carlos Alberto Franqueira de Sousa (1.º)], tendo assumido em 08Jun70 a responsabilidade do respectivo subsector. 

Por períodos variáveis, destacou Grs Comb para reforço de outras subunidades do sector, mantendo também um Gr Comb em reforço da CART 2715, no Xime, a partir de 23Set70. Em 14Mar72, foi rendida no subsector de Mansambo pela CART 3493 [28Dez71-02Abr74; do Cap Mil Inf Manuel da Silva Ferreira da Cruz], após o que recolheu a Bissau a fim de efectuar o embarque de regresso, verificado por via aérea em 24 de Março.

● A DA CART 2715

A CART 2715, do Cap Art Vítor Manuel Amaro dos Santos (1.º), seguiu em 31Mai70 para o Xime a fim de efectuar a sobreposição e render a CART 2520 [29Mai69-17Mar71; do Cap Mil Art António dos Santos Maltez], tendo assumido em 08Jun70 a responsabilidade do respectivo subsector, com um destacamento no Enxalé, sendo este guarnecido ora com um Gr Comb, ora com dois, conforme as necessidades operacionais. 

Em 14Mar72, foi rendida no subsector do Xime pela CART 3494 [28Dez71-03Abr74; do Cap Art Vítor Manuel da Ponte da Silva Marques (1.º); Cap Art António José Pereira da Costa (2.º) e Cap Mil Inf Luciano Carvalho Costa (3.º)], tendo recolhido a Bissau a fim de efectuar o embarque de regresso, verificado por via aérea em 25 de Março.

● A DA CART 2716

A CART 2716, do Cap Mil Art Francisco Manuel Espinha de Almeida, seguiu em 29Mai70 para o Xitole a fim de efectuar a sobreposição e render a CART 2413 [16Ago68-18Jun70; do Cap Art Raul Alberto Laranjeira Henriques], tendo assumido em 08Jun70 a responsabilidade do respectivo subsector, com um Gr Comb destacado na ponte do Rio Pulom. 

Em 14Mar72, foi rendida no subsector do Xitole pela CART 3492 [29Dez71-01Abr74; do Cap Mil Inf António Vítor Ribeiro Mendes Godinho], tendo recolhido seguidamente a Bissau a fim de efectuar o embarque de regresso, verificado por via aérea em 26 de Março. (Ceca; p. 229).
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Fontes Consultadas:
Ø  Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 7.º Volume; Fichas das Unidades; Tomo II; Guiné; 1.ª edição, Lisboa (2002).
Ø  Outras: as referidas em cada caso.
Termino, agradecendo a atenção dispensada.
Com um forte abraço de amizade e votos de muita saúde.
Jorge Araújo.
28AGO2020
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Nota do editor

Último poste da série "Memórias cruzadas" > 18 de agosto de 202 > Guiné 61/74 - P21266: Memórias cruzadas da Região do Cacheu: Antecedentes do Plano de Assalto ao Quartel de Varela, proposto por dois desertores portugueses: o caso do António Augusto de Brito Lança, da CART 250 (1961/63) (Jorge Araújo)

Vd. também:

15 de maio de 2017 > Guiné 61/74 - P17359: Notas de leitura (956): “Portugal e as Guerrilhas de África”, por Al J. Venter, Clube do Leitor, 2015, prefácio de John P. Cann (1) (Mário Beja Santos)